março 25, 2022

GOVERNO À VISTA: E COMO VAI SER A NOSSA VIDA?

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CONSEGUIRÁ COSTA SER UM REFORMISTA? - Das duas uma: ou o próximo Governo fica sentado num banco de jardim a ver para onde sopra o vento, e vai navegando à bolina dos acontecimentos, como aconteceu nestes anos de pandemia, ou então traça um plano, vê o que é preciso fazer para tirar o país praticamente da cauda da Europa  e mete mãos à obra. Na situação conturbada em que vivemos, em termos europeus e mundiais, o bom senso aconselha estabilidade, mas recomenda também que se tomem medidas para evitar a degradação da crise económica, ainda para mais num cenário de inflação. Neste momento, e por mais uns largos meses, a oposição está de baixa. A verdade é que completaremos 48 anos sobre o 25 de Abril de 1974 com o principal partido da oposição paralisado, com uma reconfiguração da composição parlamentar que tirou o CDS da Assembleia da República e reduziu em muito a presença do PCP e do Bloco de Esquerda. Há um ano ninguém se atreveria a adivinhar o que agora se passa. A situação coloca responsabilidades a quem tem de formar Governo e a quem aceitar integrá-lo. Não vale a pena olhar para erros recentes de vários governantes, o essencial é que a situação saída das mais recentes eleições legislativas, com uma maioria absoluta do PS, permite fazer reformas importantes, se para isso existir vontade e empenho. Não vai ser por culpa de nenhuma oposição que elas não se farão. Se daqui a quatro anos as coisas estiverem piores e não se tiver mudado nada de fundamental, se os nossos indicadores comparativos com o resto da União Europeia não derem sinais de melhoria, então é porque o Governo falhou, o PS foi incapaz de aproveitar a sua maioria absoluta e o país ficou, mais uma vez adiado. À hora a que escrevo não se conhece a composição do novo governo. Cada um dos seus membros terá uma responsabilidade pesada. É um desafio, mas também pode ser uma oportunidade.


 


SEMANADA - A PSP detectou no ano passado 42 mil veículos a circular sem a inspecção periódica obrigatória, o dobro do que foi verificado no ano anterior: o valor dos empréstimos concedidos pelos bancos a particulares cresceu, no espaço de um ano, cerca de cinco mil milhões de euros, o equivalente à média diária de 14 milhões de euros;  o total da dívida à Banca por parte das famílias e empresários em nome individual atingiu em janeiro deste ano mais de 148 mil milhões de euros; a totalidade dos empréstimos a particulares acumulados em janeiro de 2022 corresponde ao montante mais elevado nos últimos oito anos; os empréstimos destinados à compra de casa são responsáveis pela principal fatia do crédito bancário concedido às famílias;  segundo um estudo da Marktest no ano de 2021 cerca de 1,2 milhões de portugueses acederam mensalmente a sites de imobiliário; as exportações de cannabis cresceram 600% em 2021; devido à falta de verba para comprar consumíveis, os tribunais portugueses receberam instruções para racionarem papel e usarem mais documentos electrónicos, mas a lentidão da ligação à internet em muitos tribunais impossibilita que isso aconteça; o Tribunal de Contas considerou que não é controlada a forma como os financiamentos das autarquias às corporações de bombeiros são gastos; segundo a ONU cada pessoa precisa de 110 litros de água por dia para as suas necessidades básicas e em Portugal cada habitante gasta em média 190 litros de água por dia. 


 


O ARCO DA VELHA - Uma unidade de cuidados paliativos , em Leiria, inaugurada em 2021, já tem problemas de funcionamento por falta de pessoal.


 


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MUITO QUE VER - Na Galeria 111 (Rua Dr. João Soares 5b), até 21 de Maio, quatro artistas expõem obras em diferentes suportes. Rui Chafes apresenta trabalhos em ferro, como esta “Lição de História” reproduzida na foto, enquanto Pedro Paixão mostra desenhos a grafite e lápis de cor sobre papel, Rui Moreira apresenta obras em papel com guache e tinta sobre papel e Alexandre Conefrey, que comissaria a exposição, tem obras a pastel seco sobre papel. Na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, até 2 de Outubro, está uma exposição que apresenta 29 trabalhos de Menez, feitos ao longo de 40 anos. Além da pintura, que é o seu lado mais conhecido, estão expostos um objecto tridimensional, uma tapeçaria e um painel de azulejo. Na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º) Céline Condorelli apresenta até 7 de Maio “Diversions” uma exposição sobre a segregação e a posterior integração da mulher em alguns desportos. Outras sugestões: na Galeria Francisco Fino está a segunda exposição individual de Diogo Evangelista “Campos Magnéticos”; na Galeria Carlos Carvalho abriu a exposição”Seres Imaginários” de Carla Cabanas,; na Galeria Bruno Múrias “A Gravidade E a Graça” é a proposta apresentada por Isabel Simões. E no Centro de Artes Visuais (Coimbra) CAV, duas novas exposições do ciclo “Museu das Obsessões”, concebido e programado por Ana Anacleto, com “For the eyes that never blink ” de Christian Andersson e “Ensaio sobre a Gordura” de Ana de Almeida.


 


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UMA LEITURA RUSSA - Uma edição demora sempre algum tempo a ser preparada. Por isso, esta nova edição de “Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch”, um dos clássicos de Aleksander Soljenítsin, estava a ser preparada muito antes da invasão russa da Ucrânia. É aquilo a que se pode chamar uma oportuna edição. O livro relata o que era a vida na União Soviética sob Stalin, percorrendo as experiências da jornada de um prisioneiro num gulag no Cazaquistão. A obra, que ganha agora nova relevância à luz dos actos de Putin, foi expressamente citada pela Academia Sueca no momento da atribuição do Prémio Nobel de Literatura a Aleksandr Soljenítsin. Recordo que este foi o primeiro romance publicado na União Soviética revelando a vida nos campos de trabalho dos prisioneiros políticos e a repressão estalinista. Editado originalmente em 1962, com largos excertos censurados, o livro foi escrito durante um período de trabalhos forçados de Soljenítsin no inverno de 1950-1951, e terminado em 1959. A primeira edição não censurada data de 1973, nela se encontrando em todo o seu esplendor a desventura do protagonista, cuja figura foi inspirada no soldado Chúkhov, um companheiro de combate do autor na guerra soviético-alemã. Todas as outras personagens são reais, recolhidas da vida no campo, e as suas biografias são autênticas. É de uma leitura apaixonante, e muito educativa, nos dias que correm. Aleksander Soljenítsin nasceu em 1918, combateu na Segunda Guerra Mundial e esteve preso e internado em campos de trabalho forçado de 1945 a 1953. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1970 e foi expulso da União Soviética em 1974, pouco depois da publicação de “O Arquipélago Gulag”.


 


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O PODER DO FADO -  Aldina Duarte é uma voz sem época, o seu talento ultrapassa os tempos, as modas, as novidades. Talvez por isso “Tudo Recomeça”, o seu novo álbum, é um disco de memórias onde a única novidade é a mais rara: descobrir-se ainda mais o sentimento de quem canta assim. Como se pode resistir à voz de Aldina a cantar “Sem Cal Nem Lei” de Maria do Rosário Pedreira, “Uma Outra Nuvem” de José Mário Branco,”Antes de Quê” de Manuela de Freitas ou “Cachecol de Fadista” de João Monge? O único fado novo na sua voz, dos 12 que estão neste disco, é um que Manel Cruz fez propositadamente para Aldina - “Ela”. Por acaso este fado complementa-se com o “Auto-Retrato”, escrito também para Aldina por João Ferreira Rosa. Aldina Duarte tem um canto desprendido, uma coisa que só conseguem os que têm o talento natural das grandes vozes do Fado. Não faz trinados, não complica, antes pelo contrário simplifica e concentra-se nas palavras. Por isso é tão bom ouvi-la - porque sentimos o que ela diz e como o faz. O disco tem fados compostos por nomes como Carlos da Maia, Armando Machado, Alfredo Duarte ou Francisco Viana, entre outros. Na guitarra Paulo Parreira e na viola Rogério Ferreira souberam ser criativos, mas rigorosos, deixando o primeiro plano para a voz, mérito também de Joaquim Monte, que gravou e co-produziu o disco. O disco termina com uma homenagem da voz a quem lhe fornece a paisagem por onde canta: quatro minutos de uma guitarrada, “Improviso em Ré” onde se percebe bem o talento e cumplicidade entre Paulo Parreira e Rogério Ferreira. A capa, que não passa despercebida, transmite a emoção e o calor destes fados e é da autoria de Pedro Cabrita Reis.


 


NA CHAMA E NO FORNO - Um dos meus instrumentos de cozinha preferidos é uma frigideira de ferro fundido, já com uns anos, que vai à chama e ao forno com tudo e mais alguma coisa lá dentro. É de uma das marcas tradicionais destes utensílios, a norte-americana Lodge. Com 26 cm de diâmetro está à venda na Amazon Espanha por 45 euros e dura uma vida. Aviso já que é pesada e tem uma qualidade única: distribui o calor de forma uniforme - fica a escaldar, a pega é também de ferro fundido, há que ter cuidado ao manuseá-la. Mas o resultado é fantástico. Torna-se muito útil quando se quer por exemplo cozinhar alguma coisa que tem de ser começada na chama, sobre o fogão, para depois passar ao forno, destapada. Ou então para coisas tão simples como um dos petiscos que fiz esta semana: alcachofras assadas no forno, bem tostadas. Como o calor na base da Lodge é intenso, ao colocar no forno os alimentos eles ficam tostados a gosto por cima e por baixo - foi o que aconteceu a estas alcachofras que foram um óptimo acompanhamento de um atum braseado. Outra boa utilidade das frigideiras de ferro fundido é cozinhar frango assado. Por exemplo, experimente pernas de frango temperadas com uma mistura de mel, mostarda, sal, pimenta e vinagre balsâmico. Primeiro cozinham-se, na frigideira com um pouco de azeite durante uns minutos em chama alta de um lado e outro e depois levam-se ao forno já aquecido. Pelo meio das pernas de frango coloque umas batatas cortadas aos pedaços, salpicadas com rosmaninho, sal e pimenta e deite um fio de azeite por cima. Deixe assar durante uns 25 minutos. Experimente que não se vai arrepender….


 


DIXIT -  “ A comunicação social, principalmente a televisão, comunica facilmente a emoção e com 24 horas em cima, com uma repetição sistemática de imagens fortes, esmaga a razão” - José Pacheco Pereira


 


BACK TO BASICS - “Em política o absurdo não é um defeito” - Napoleão Bonaparte.


 






março 21, 2022

COMO VAI SER ENCARADA A CULTURA NO NOVO GOVERNO?

Com o novo Governo finalmente a ser nomeado esta semana, e enquanto andam nos bastidores listas de nomes para o elenco, vale a pena olhar para a área da Cultura. O problema essencial não é saber o nome que vai ser indicado, mas sim perceber qual o peso político efectivo da pessoa que fôr designada para a pasta da Cultura - o mesmo é dizer a sua capacidade de influenciar decisões de outros Ministérios que são fundamentais para que se possa fazer alguma coisa de concreto em matéria de política cultural.


Devo dizer que a questão de saber se, no processo de redução, já anunciado, do elenco governativo, a Cultura vai ou não ser Ministério não me causa grande inquietação. Por exemplo, se António Costa dedicasse mais tempo à Cultura do que o habitual encontro de apoiantes do sector que promove sempre antes de eleições ou a presença numas inaugurações avulsas, talvez valesse a pena que existisse um Secretário de Estado da Cultura na directa dependência do Primeiro Ministro. Mas como sabemos não é isso que se passa. Independentemente da conjuntura especial que temos vivido - pandemia,crise, guerra - a Cultura é sempre a parente pobre da atenção do Primeiro Ministro. Sobre a estrutura do Governo, qual o sentido de existir um titular da pasta da Cultura com assento no Conselho de Ministros, mas que não tem voz activa ou condições para convencer e obter apoio dos seus colegas de Governo, nomeadamente na área das finanças e da Economia, além dos Negócios Estrangeiros.


Porque pego nestas três áreas? Porque as finanças são estruturantes para se poder rever o financiamento no quadro do Orçamento de Estado, para se conseguir alterar a fiscalidade do sector, desde medidas de incentivo à compra de obras de arte por particulares ou empresas, e até à autonomia financeira de Museus e outras instituições, que continuam de mãos atadas, sujeitos a cativações e que nem sequer conseguem chegar aos apoios mecenáticos que eventualmente angariam;  a Economia porque é aí que converge muito do que são indústrias criativas, o desenvolvimento digital e  o turismo, áreas que numa série de países europeus estão associadas à pasta da Cultura; e, finalmente, os Negócios Estrangeiros porque tem a ver com a divulgação da língua e a promoção da cultura portuguesa fora das nossas fronteiras. 


E nem vou tão longe quanto aqueles países que colocam a Cultura na mesma estrutura governamental que o Desporto, como acontece em Espanha. Atentemos na definição de actividades do Ministério da Cultura e dos Desportos em Espanha: “cabe ao Ministério da Cultura e Desporto a proposta e execução da política do Governo em matéria da promoção, protecção e difusão do património, protecção e difusão do património histórico espanhol, dos museus do estado e das artes, livro, leitura e criação literária, das actividades cinematográficas e audiovisuais, dos livros e bibliotecas estatais, assim como a promoção e a difusão da cultura espanhola, a dinamização das acções de cooperação cultural, e, em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação das relações internacionais em matéria de Cultura. Da mesma forma compete-lhe a proposta e execução da política do Governo em matéria de Desporto.”


Creio que faz sentido que a preservação e valorização do património tenha ligação com o turismo, assim como faz sentido que a gestão dos jogos de apostas sejam fonte de financiamento da actividade cultural, como também acontece numa série de países. E faz sentido que o desenvolvimento digital, tão ligado hoje em dia a áreas como o audiovisual, estejam também juntos. Nalguns países a Cultura e a Comunicação estão juntas, como aliás já acontece desde há uns anos em Portugal - mas esta ligação é sobretudo vista como forma de promover o desenvolvimento e a literacia digital. E, há até um país, a Suécia, onde o Ministério da Cultura é responsável por assuntos como actividade cultural, democracia, mídia, minorias nacionais, política juvenil e desenvolvimento da sociedade civil.


Aqui chegados,  atingimos o cerne da questão: qual é a política cultural proposta - alguém sabe o que o Governo vai fazer, além das generalidades do programa eleitoral do PS? Quais os objetivos traçados? Até que ponto quer o Primeiro Ministro efectivamente mudar o curso das coisas e dotar a Cultura de mais peso e maior capacidade de acção? O nome escolhido pode ter algum significado, mas no fim do dia o que conta é a política cultural que no topo do Governo fôr aceite e definida.


 


 


 


 


 


 


 


 


 




março 18, 2022

PUTIN: VIOLÊNCIA, MENTIRA E PARANÓIA

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O REGRESSO DO IMPÉRIO DO MAL - A invasão da Ucrânia pela Rússia começou há quase um mês, a 24 de Fevereiro. Este acto de guerra ordenado por Putin é violento e destruidor. Não poupa alvos civis e é uma agressão a um país independente que havia decidido separar-se da esfera de influência russa.  Muita gente pode estar farta de ver notícias sobre o conflito, mas isto não é só uma guerra entre estados vizinhos. A invasão da Ucrânia pela Rússia é uma declaração de guerra aos regimes da Europa Ocidental. Como bem disse António Barreto, “a agressão à Ucrânia é violenta e destruidora. Mas também está a refundar uma nação e a acordar um continente solidário. E a exibir os charlatães do pensamento”. Por cá têm aparecido bastantes desses charlatães - nas universidades, na política e até nas Forças Armadas. Estes idiotas úteis, como já lhes chamaram,  fazem recordar aqueles que, ainda durante a guerra fria, organizavam movimentos e comités pela paz, patrocinados por Moscovo, enquanto fechavam os olhos ao facto de a URSS se armar até aos dentes, mesmo com armas nucleares, perante o seu silêncio e até apoio. Volto a citar António Barreto: “Garantir que a invasão da Ucrânia pelos russos não é mais que uma guerra entre os EUA ou a NATO e a Rússia, provocada pelos primeiros, é do domínio da fantasia fantástica”. A revista The Economist desta semana resume o que se passa no seu título de capa: “A Estalinização da Rússia”.  O sonho de Putin é reconstituir a glória do Império Russo e para isso começou a maior guerra que a Europa conhece desde 1945. Tal como Estaline as suas armas são a violência, a mentira e a paranóia.


 


SEMANADA -  Durante a pandemia a taxa de infecção dos enfermeiros foi o dobro da dos médicos;  no fim de Fevereiro mais de 60% de Portugal estava em seca extrema; 59% das ofertas de emprego só pagam o salário mínimo;  o aumento de preço dos alimentos pode alcançar 30% a curto prazo; apenas nove países da Europa gastam mais que 2% do PIB em Defesa e 18, entre os quais Portugal, ficam francamente abaixo; um em cada três carros vendidos em Portugal é um veículo importado em segunda mão; as quedas são a primeira causa de morte acidental em Portugal e no ano passado deram origem a 45 mil idas às urgências hospitalares; segundo a Anacom 93 em cada 100 lares portugueses tem TV por subscrição através de um dos operadores de telecomunicações; ainda segundo a Anacom 88 em cada 100 lares têm acesso à banda larga fixa e, destes, 6% através de fibra óptica; as eleições legislativas e respectiva  campanha eleitoral motivaram 5600 queixas e pedidos de informação à Comissão Nacional de Eleições, dez vezes mais que em 2015; nos últimos 20 dias Portugal recebeu cerca de dez mil refugiados, tantos como no total dos últimos sete anos; o PCP e o PEV votaram contra uma moção apresentada na Assembleia Municipal de Lisboa que pedia a libertação imediata de Ivan Fedorov, presidente da Câmara Municipal de Melitopol, na Ucrânia, detido pelas tropas russas no ataque à cidade; Elon Musk desafiou Putin para uma luta corpo a corpo.





O ARCO DA VELHA -  Esta semana foi conhecido o caso de uma professora que reside em Felgueiras e foi colocada a dar aulas em Ovar, fazendo cerca de 170 quilómetros por dia. Gasta 120 euros de combustível por semana mais 55 euros em portagens, totalizando 700 euros mensais, o que significa 70% do seu salário.


 


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UMA GRANDE COLECÇÃO - O MAAT apresenta até final de Agosto uma exposição baseada na colecção pessoal de Antoine de Galbert. O coleccionador francês, herdeiro do grupo Carrefour, começou por abrir uma galeria de arte contemporânea em Grenoble em 1987. O seu interesse pela arte aprofundou-se a partir dessa altura e  posteriormente criou a Fundação Antoine de Galbert que tem por principal objectivo apoiar a criação artística, estimular a aprendizagem da história da arte e promover a formação de futuros artistas. “Traverser La Nuit”, assim se chama a exposição baseada na colecção de Antoine de Galbert, integra obras de pintura, escultura e fotografia de quase uma centena de artistas. É uma rara oportunidade de ver obras de nomes como Marina Abramovíc, Lucio Fontana, Joan Fontcuberta, Gilbert & George, André Kertész, Man Ray, Hervé Di Rosa, Didier Faustino, Jorge Molder, W. Eugene Smith, Claudio Abate e Patti Smith, entre outros. Na imagem está “Sans Titre (Le Terril)”, uma obra de Stéphane Thidet que integra a colecção. Outras sugestões: em Ponta Delgada, na Galeria Fonseca Macedo, José Loureiro apresenta “Inglês Técnico Para Defuntos”, um conjunto de nove pinturas que o artista apresenta assim: “Enquanto não se mandar traduzir tudo para inglês técnico, subsistirão sempre dúvidas sobre o que fará um bacalhau no meio de uma pintura.” No Funchal, no MUDAS - Museu de Arte Contemporânea da Madeira, Cláudio Garrudo apresenta “Trinus”, um trabalho fotográfico sobre o mar visto a partir de um navio.. E em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas Artes, Isabel Pavão apresenta até 16 de Abril um conjunto de pinturas sob o título “Porto/Paris/Nova Iorque”.





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AS AULAS DE VARGAS LLOSA - O processo criativo, nas mais diversas áreas, é das coisas que mais me fascina. O acaso joga pouco nesta matéria: há trabalho, método e, claro, imaginação. Em 2015, na Universidade norte-americana de Princeton, Mario Vargas Llosa deu um curso de Literatura e Política juntamente com Rubén Gallo. Vargas Llosa parte  da perspectiva de autor e fala de como nascem os seus romances. Rubén Gallo analisa as obras e dessas aulas resultaram, animados debates com um grupo de alunos. “Conversas em Princeton,” organizado e prefaciado por Rubén Gallo, e agora editado em Portugal, é um relato dos melhores momentos desse curso. O livro oferece também digressões por outros subtemas como teorias do romance ou a ameaça do terrorismo no século XXI – numa conversa em que participou o jornalista Philippe Lançon, sobrevivente do ataque ao Charlie Hebdo. Um dos textos mais interessantes é “Jornalismo e Literatura” - já que na obra de Mario Vargas Llosa há personagens que trabalham em jornais, rádios e outros meios. Llosa, que começou por ser jornalista, e ainda hoje escreve colunas para jornais e revistas,  sublinha aquilo de que muitos se esquecem: “a utilização que o jornalista faz da linguagem e a que é feita pelo escritor são completamente diferentes”. E, no texto final que surge no livro  («História e Literatura»), Mario Vargas Llosa afirma: «Estou convencido de que o espírito crítico, indispensável para o funcionamento da democracia, se forma e enriquece mais graças à literatura do que a qualquer outra disciplina».


 


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OS BLUES - Um dos discos da minha vida é “Blues From Laurel Canyon”, uma edição de 1968 assinada por John Mayall And The Bluesbreakers, um álbum a que volto com regularidade. John Mayall, um inglês por cuja banda passaram alguns dos melhores guitarristas, como Eric Clapton,  editou o seu primeiro disco em 1965 e desde então já soma 69 álbuns, entre originais em estúdio e gravações ao vivo. Agora, aos 88 anos, surpreende com um trabalho que é um regresso à pureza dos blues, “The Sun Is Shining Down”. Como é hábito fez-se rodear de nomes de peso como os guitarristas  Mike Campbell, Marcus King, Buddy Miller, e Melvin Taylor, o violinista Scarlet Rivera e Jake Shimabukuro, um célebre intérprete havaiano de ukulele. O lote é completado pelo sólido acompanhamento de Greg Rzab no baixo,  Jay Davenport na bateria e Carolyn Wonderland na guitarra. Logo no tema inicial, dos dez que compõem o álbum, John Mayall e Melvin Taylor entendem-se de forma perfeita em “Hungry And Ready”. A voz de Mayall continua forte e expressiva, assim como a forma como toca harmónica, uma das suas imagens de marca. Em “Can’t Take No More” o diálogo é com Marcus King e em “I’m As Good As Gone” Mayall e Buddy Miller dão uma lição de blues, continuada aliás em “Got To Find a A Better Way”,numa ligação perfeita com o violino de Scarlet Rivera, um dos  músicos que acompanhou Bob Dylan no Rolling Thunder Review. Em “The Sun Is Shining” Mayall prescinde dos seus convidados e mostra como continua a ser uma referência incontornável dos blues, oferecendo um solo de harmónica brilhante. Este não é um disco saudosista, é apenas uma lição de música, aplicada aos blues.





O REGRESSO DO PICA-PAU  - O Pinóquio é um dos clássicos lisboetas em matéria de restauração, na secção cervejarias. Situado numa esquina dos Restauradores, nos últimos anos mudou de poiso enquanto o prédio onde nasceu era recuperado. O prédio é hoje em dia um Hotel (com uma entrada pirosa por sinal) mas o Pinóquio continua no mesmo sítio, de cara lavada, sala aumentada, esplanada ampliada, arranjada e aquecida. Os painéis de azulejo verdes, entre os quais os da enorme lagosta ao fundo da sala, continuam a ser a imagem de marca da casa. O Pinóquio reabriu há cerca de um mês, no mesmo lugar onde nasceu há 40 anos. Isto significa o regresso do melhor pica-pau de Lisboa aos Restauradores. O Pinóquio é conhecido pela qualidade dos seus mariscos, nomeadamente pelas gambas da costa, cozidas na altura, salpicadas de sal grosso ou ainda pelas amêijoas à Bolhão Pato. Da sua lista fazem ainda parte pratos recomendáveis como a paella e o arroz de marisco - mas é no pica-pau de lombo que a minha atenção recai sempre. Acontece que este pica-pau é feito a partir de carne de lombo de primeira qualidade, em bocados grandes, temperado com esmero e chega à mesa numa frigideira, com uma folha de louro a nadar em algum molho da fritura. Eu peço-o mal passado para fazer realçar o sabor da carne, tenra, de bom corte. A acompanhar vêm umas batatas fritas às rodelas, finas, feitas na hora. E guardo sempre algum do pão torrado que vem para a  mesa para limpar a frigideira como remate. A bebida que escolho é a imperial, bem tirada, em copos refrescados, perfeita. Mas, quem quiser vinho, saiba que o da casa é da Quinta do Monte d’Oiro, que cumpre com honradez. Se gostar de doces, recomendo a torta de laranja. É aconselhável reservar pelo telefone 213 465 106.


 


DIXIT - “Os generais e intelectuais filhos de Putin tentam sacudir a responsabilidade da invasão dos militaristas russos para as vítimas da agressão. Lembram o violador que acusa a vítima de andar de mini-saia. “ - José Milhazes


 


BACK TO BASICS - “O drama, ou seja, a apresentação de vários pontos de vista numa peça, foi substituído pela proclamação de verdades. E isso aborrece-me. Não gosto de ver verdades. Gosto de ver pessoas com opiniões diferentes e desejos diferentes” - Jorge Silva Melo


 





março 11, 2022

REFORMAR OU REMEDIAR?

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A POLÍTICA DO PREJUDICIAL - Depois de numerosos protestos de vários quadrantes políticos o Governo veio anunciar “ajudas” para minorar o efeito do aumento do preço dos combustíveis. É uma medida que se encaixa naquilo que é a matriz das políticas de vários Governos que temos tido: tomar medidas de apoio, inventar formas de ajudar em vez de ter a coragem de fazer reformas e acabar com decisões políticas prejudiciais para todos. A questão da carga fiscal dos combustíveis é, a este título exemplar: uma taxa adicional criada como temporária em 2016 lá continua impante, como se as razões que levaram à sua criação - o baixo preço do petróleo - se mantivessem, o que já não acontece; e a pornográfica dupla tributação, aplicando o IVA por cima da taxa adicional e do imposto sobre produtos petrolíferos, também continua fazendo o seu caminho. Ao todo mais de metade do preço de venda ao público dos combustíveis é carga fiscal. Aquilo que o Governo esta semana anunciou não foram medidas para deixar de prejudicar a economia e as pessoas, foram apenas paliativos. O que se deseja é que o Estado não prejudique - o que volta sempre à mesma questão: rever a carga fiscal, os impostos, as taxinhas, tudo o que dificulta a vida das pessoas e das empresas, nomeadamente das pequenas e médias que constituem o grosso do tecido económico português. Retomo a ideia inicial: o que precisamos é de políticas que corrijam erros, não é de medidas que minorem a situação sem a resolverem. 


 


SEMANADA - Uma em cada quatro mulheres até aos 19 anos admite ter sido vítima de violência por parte do parceiro; no ano passado foram recebidas 3320 denúncias de crimes de violência no namoro e um terço das vítimas - homens ou mulheres - tinham menos de 24 anos; há 2609 pessoas sob vigilância electrónica em Portugal devido a violência doméstica; as mulheres representam 13,2% dos efectivos das Forças Armadas; segundo o Censos 2021 por cada 100 mulheres existem 91 homens e, na maioria dos concelhos, 299 num total de 308, o sexo feminino é predominante; segundo o Eurobarómetro quase um terço das mulheres abdicou do trabalho pago por causa do peso das tarefas domésticas durante a pandemia; segundo o INE no último ano o transporte de passageiros registou um crescimento de 39,3% por via aérea, 11,5% por comboio e 2% por vias fluviais, mas uma descida de 2,8% por metropolitano; 77% dos portugueses tâm acesso a serviços de streaming e a Netflix lidera, seguida pela HBO e a Amazon Prime;  a inflação atingiu um novo máximo de 5,8% na zona euro; o desemprego subiu para 6% em Janeiro; o Novo Banco, apesar dos lucros obtidos no último ano, pretende fazer um novo pedido de capital ao Fundo de Resolução da ordem dos 200 milhões de euros; o Presidente da República comparou a situação do Novo Banco ás obras de Santa Engrácia.


 


O ARCO DA VELHA - Uma equipa de voluntários que regularmente limpa o rio Zêzere diz que até já frigoríficos velhos descobriu entre o lixo que as pessoas atiram à água.


 


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OS TRAÇOS NA ASSEMBLEIA - Esta semana foi inaugurada na Assembleia Legislativa da Madeira  a exposição “Da raiz ao núcleo”, onde Teresa Gonçalves Lobo apresenta até 31 de Julho duas dezenas de obras, a maior parte delas inéditos, entre os quais desenhos feitos com restos de árvores carbonizadas que a artista recolheu nas serras da Madeira depois dos grandes incêndios que devastaram a ilha. A mostra (na imagem uma das peças) ocupa vários espaços do parlamento regional e pode ser visitada de segunda a sexta-feira entre as 9 e as 18 horas. Foi também editado um catálogo desta exposição “Da raiz ao núcleo” , com um ensaio de Bernardo Pinto de Almeida, onde sublinha que a obra de Teresa Gonçalves Lobo se caracteriza “por uma laboração feita sob  a luz de uma disciplina lenta, e lentamente elaborada, com longos períodos de meditação e de silêncio no interior do estúdio, onde toda ela nasce, recolhida” e sublinha que toda a sua obra “nasce de uma experiência performativa, e que é precisamente isso que lhe dá a sua dimensão mais contemporânea. Com efeito, no seu caso o desenho nasce de uma acção do próprio corpo, e permanece como seu registo e acontecimento.” Outra sugestão: no Museu Berardo pode ver até 29 de Maio a exposição “O Esplendor”, que apresenta seis dezenas de obras de Gérard Fromanger, um dos mais importantes artistas franceses da segunda metade do século XX, cuja obra, muito associada à pop art, inclui nomeadamente pintura, colagens, escultura, fotografia e litografia. Gérard Fromanger foi um dos expoentes da figuração narrativa em França, que tomou a actualidade como tema da sua obra. Teve ligações aos movimentos sociais e políticos dos anos 60, e foi amigo de muitos artistas como Albert Giacometti ou Marcel Duchamp e chegou a trabalhar com Jean Luc Godard em 1968 em “Film-tract”, que é mostrado também na exposição que inclui ainda uma série de retratos de figuras proeminentes da França dessa década e da seguinte.


 


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CONTOS EXTRAORDINÁRIOS  - Sensini é um velho escritor sul-americano, exilado, que ensina a outro escritor, mais jovem, também expatriado, a fórmula para vencer prémios literários de pequenos concursos de província. Está dado o mote à coisa, logo no primeiro dos contos desta colectânea de narrativas curtas de Roberto Bolaño, onde se cruzam personagens como Arturo Belano, um jovem que faz gazeta às aulas para ir ao cinema e às livrarias, Rogelio Estrada, o filho de um comunista chileno que se liga à máfia russa em Moscovo, William Burns, um pacato cidadão americano, que se vê envolvido num assassínio, Joana Silvestre, uma antiga diva porno, que reencontra o seu antigo parceiro. Estes são alguns dos personagens dos catorze contos que integram esta colectânea de narrativas curtas de Roberto Bolaño. Um bom conto – segundo Ernest Hemingway – deve ser como um icebergue: o que se vê é sempre menos do que aquilo que se mantém oculto debaixo de água e que é o que dá densidade, mistério, força e significado ao que flutua à superfície.  Roberto Bolaño nasceu em 1953 em Santiago do Chile e aos 15 anos mudou-se para a  Cidade do México. Com amigos da mesma geração fundou um movimento, que apelidou de punk-surrealista, e que anunciava contra o establishment das letras latino-americanas. Morreu cedo, em Barcelona, aos 50 anos, em 2003. Susan Sontag dizia que ele era o mais admirado e influente romancista da sua geração e The Observer sintetizava-o assim: “Bolaño, o fora da lei da literatura latino-americna”. 


 


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O ENCANTO DA MÚSICA -  Jorge Moniz estudou bateria na escola do Hot Club e piano no Conservatório. Mais tarde estudou musicologia, fez um trabalho sobre a música no cinema e ensina no Conservatório de Setúbal, na Universidade Lusíada e numa escola de jazz que fundou na sua terra natal, o Barreiro. Ao longo da sua carreira tocou em bandas rock nos anos 80 e 90, depois centrou-se no jazz e evoluíu musicalmente para o território da música ambiental, tornando-se um paciente construtor de melodias e harmonias. Paralelamente colabora com outros projectos, como o Quarteto de Beatriz Nunes, toca frequentemente com o cantor Paulo Ribeiro, tem trabalhado em bandas sonoras para teatro e cinema e tem uma investigação em curso sobre o cante alentejano no âmbito do seu trabalho enquanto musicólogo. O seu primeiro disco a solo data de 2010, “Deambulações”, a que se seguiu “Inquieta Luz” em 2014 e depois “Indra”, com Luís Barrigas e João Custódio. Agora surge “Cinematheque”, com 10 temas originais ao longo de quase uma hora. Aqui estão Jorge Moniz no piano,  Rhodes e  electrónica, Jorge Vinhas e Francisco Ramos no violino, Eurico Cardoso na viola, Ana Rita Pratas no clarinete e Inês Jacques na voz. O disco teve uma cuidadosa produção e arranjos, a cargo do próprio Jorge Moniz, e existe em edições muito cuidadas em vinil e CD, além de desde há poucos dias estar também disponível nas plataformas de streaming. A edição em vinil foi a primeira a ser editada, em finais do ano passado e o magnífico trabalho gráfico foi desenvolvido por Chris Bigg, o designer que criou a identidade visual da editora 4AD. O disco é surpreendente pela riqueza e densidade dos seus temas e desenvolve-se como uma banda sonora imaginada para um filme que ainda está por fazer. A música de Jorge Moniz anda nos primeiros lugares da minha playlist das últimas semanas. Se puderem ouçam temas como “Tralhoada”, “Cinematheque”, “Forest Suite”, “Dreams” ou “O Tejo” e perceberão porquê.


 


UMA BOA ADEGA - No âmbito da renovação das Avenidas Novas eis que uma cervejaria sem história, abatida pela pandemia, renasceu agora como “Adega do Costa”, uma aposta na tradição gastronómica portuguesa. A casa foi toda bem arranjada e, como o nome indica, criou-se uma adega que tem mais de duas centenas de propostas de vinhos de todo o país - brancos, tintos, rosés, espumantes e vinhos generosos. Alguns são raridades, outros oriundos de pequenas produções, escolhidas a dedo por Eurico Costa. Na cozinha está Angelina Costa, uma minhota de Ponte da Barca, com mão certeira para o tempero e para o controlo da qualidade do que sai do seu feudo. Nesta época do ano, como não podia deixar de ser, um dos petiscos é arroz de lampreia do rio Lima. Pode ser encomendado para o mínimo de quatro pessoas. A lista é extensa e inclui entradas como uma salada de polvo que não poupa no cefalópode, um notável paio de porco preto, ovos com farinheira e, sempre, azeitonas marinadas, acompanhadas de bom pão. Nos pratos do mar destaque para um bacalhau à braz guloso, uma cataplana de polvo e batata doce, arroz de lingueirão ou uma massada de tamboril ou de garoupa. Nas carnes o destaque vai para o cozido, com enchidos de boa qualidade, costeletas de borrego grelhadas com molho de menta e uma carvoada mista de vitela e porco preto. Nas sobremesas, para além de clássicos conventuais, há umas boas farófias, abacaxi com raspa de lima e gelados Artisani. Este é um restaurante muito decente, o serviço é atento e simpático, os vinhos aparecem a preços honbestos - incluindo boas sugestões de vinho a copo. E a conta, no final, não tem más surpresas. A Adega do Costa fica no nº34 da Avenida Marquês de Tomar e o telefone é o 212437707.



DIXIT -  “Putin conseguiu aquilo que ninguém pensava possível: por todos, da Suécia à Suíça, numa aliança contra a invasão da Ucrânia"- José Pacheco Pereira


 


BACK TO BASICS - “Grandes resultados podem ser obtidos com forças pequenas” - Sun Tzu


 








março 04, 2022

QUAL O RACIONAL DO PCP E BLOCO NO APOIO À INVASÃO DA UCRÂNIA?

 


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O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER - A posição assumida pelo PCP sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia (e também pelo Bloco de Esquerda) resume-se a isto: aparentemente, dizem de dentes cerrados, Putin não é boa pessoa - mas a Rússia é ainda a mãe de todas as virtudes e, sobretudo, é ainda o garante contra os abusos ocidentais. Entre os abusos ocidentais, dizem, estão a União Europeia e a NATO. Estas almas gostariam que a Rússia pudesse agir como quer sem críticas nem oposição e Putin também não gosta de oposição, como se sabe. No fundo apoiam a reconstituição do império soviético por isso defendem a invasão da Ucrânia e o expansionismo russo. Para o conseguirem fazem um exercício de contorcionismo que tenta separar o comportamento de Putin do que é a política russa. Deixam críticas a Putin, mas aplaudem a invasão que ele ordenou. Analisam o que se passa como se a política de Putin e do Estado Russo fossem coisas diferentes. Esta gente e os seus porta-vozes habituais omitem as ligações de Putin e da política externa russa dos últimos anos: o apoio à extrema direita um pouco por toda a Europa, as ajudas dadas por Putin a Trump, a Viktor Orbán e a outros. Até na Rússia se levantam numerosas vozes contra a política de Putin mas o PCP (e o Bloco)  permanecem irredutíveis no seu apoio. É bom que nos lembremos disto, para memória futura. Mesmo em política a cegueira e a hipocrisia têm limites. Na foto desta página está um cartaz da autoria do publicitário Manuel Soares de Oliveira - uma imagem vale mais que mil palavras.


 


SEMANADA - Os sectores onde existe maior dificuldade em encontrar e contratar mão de obra são a construção, logística, tecnologias e turismo; nos últimos cinco anos 14% das casas em Portugal mudaram de mãos e nos concelhos à volta das grandes cidades o número aumenta para entre 20 a 30%; desde o início do ano a importação de electricidade cresceu 141%; a seca transformou a ilha do castelo de Almourol, no Tejo, numa península ; a taxa de inflação em Portugal acelerou para 4,2% em fevereiro, contra os 3,3% verificados em janeiro, o valor mais alto dos últimos anos; em fevereiro o preço das matérias primas na Europa subiu 5,4%;  a população portuguesa é a segunda na Europa com a média de idade mais elevada; entre Abril e Junho de 2021 a Autoridade para as Condições do Trabalho detectou cinco empresas que racionavam água dada a imigrantes que trabalhavam nos campos nas estufas de Odemira; há cerca de 40 milhões de euros de propinas em atraso no ensino superior e as dívidas de estudantes cresceram durante a pandemia; desde que em Cascais, por iniciativa do Município, os transportes públicos são gratuitos, o número dos seus utilizadores aumentou 10% em dois anos; os custos dos transportes públicos gratuitos são cobertos pelas receitas dos parques de estacionamento do concelho.





O ARCO DA VELHA - A Procuradoria Geral da República tem fragilidades na cibersegurança porque o Ministério da Justiça se atrasou na adaptação da sua estrutura orgânica.


 


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FOTOGRAFIAS - Antes de ser um realizador de filmes como “2001: Odisseia no Espaço”, “Laranja Mecânica”, “Lolita” ou “Eyes Wide Shut”, Stanley Kubrick foi um fotojornalista aclamado. Ainda adolescente começou a trabalhar para a revista “Look”, rival da “Life”, e onde publicaram grandes nomes da fotografia mundial. Kubrick realizou centenas de reportagens para a “Look” entre 1946 e 1951. Agora, e  até 22 de Maio, no Centro Cultural de Cascais, pode ser vista uma exposição de fotografias de Stanley Kubrick para a “Look”, intitulada “Through A Different Lens”. Com curadoria de Sean Corcoran e Donald Albrecht a partir dos arquivos do Museum of the City of New York, a exposição apresenta 130 fotografias, muitas delas nunca publicadas. Nestas imagens, Kubrick mostra a sua visão da vida em Nova Iorque e na América, durante esses anos, captando a essência de uma cidade em transformação após a Segunda Guerra Mundial, assim como a intensidade da vida quotidiana. Outras exposições a ver: no Museu Nacional do Teatro e da Dança, até 13 de Março, há 26 fotografias do estúdio de Silva Nogueira, retratos de nomes célebres dos palcos de Lisboa, feitos entre 1920 e 1940, a nomes como Beatriz Costa, Brunilde Júdice, Ilda Stichini, Luísa Santanela e Francis Graça, entre outros. No Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, Rua da Palma 246, Luís Pavão mostra um trabalho que iniciou há duas décadas, fotografando , de uma perspectiva pouco usual, as árvores das ruas.  “Pela Fresca Sombra das Árvores de Lisboa” é o título da exposição que estará patente até 29 de Abril.


 


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A VIDA EM PAPEL IMPRESSO - Há pouco tempo, quando estava a ler um artigo sobre  a relação que hoje existe entre os diferentes suportes de mídia, vi uma declaração que me chamou a atenção - mesmo nesta altura de explosão do digital e de redes sociais, uma coisa é certa: se uma coisa não for impressa, na realidade não existe. Vem isto a propósito de uma experiência rara em Portugal , exemplar na forma como combina a utilização do digital com uma revista trimestral, alargando a sua acção para outras áreas como a formação, a organização de iniciativas, conferências e debates em várias áreas e ainda a promoção de estudos. Aquilo de que falo chama-se Gerador, uma associação cultural sem fins lucrativos fundada em 2014. Tiago Sigorelho, que é o Presidente da Direcção da Associação Gerador, define a Associação como uma plataforma independente de jornalismo, cultura e educação. A revista Gerador  reivindica fazer jornalismo lento, “como contraponto da urgência dos tempos que nos envolvem”. A primeira edição deste ano, com a data de Fevereiro passado, tem por tema a relação existente entre o centro e a periferia nos dias de hoje, com reflexos na mobilidade, poder e segregação nas cidades. Outros temas são um olhar para a geração Z, através de um trabalho que segue como 10 alunos do Liceu Camões olham para o mundo e também um olhar para o conceito de “Ciência Cidadã”, que aborda a participação pública, acessível a qualquer pessoa, na investigação científica. A capa desta edição (na imagem) é uma ilustração de Jorge Charrua. A revista tem colaboradores como o músico Benjamim, o programador do festival Bons Sonhos Luís Sousa Ferreira, o humorista Carlos Manuel Pereira ou  a sexóloga Marta Crawford, entre outros. E depois há convidados para cada edição como Cristina Luís, uma bióloga que trabalha na área da História e Comunicação da Ciência ou Mauro Wah, um dinamizador de actividades comunitárias. Destaque ainda para o portfólio fotográfico de João Azevedo e um portfólio de ilustrações de Patrícia Shim. Mas além da revista o Gerador é também um site, gerador.eu , onde surgem outras iniciativas como a Academia Gerador, o prémio insties (instagram), uma grande diversidade de opiniões na secção “Gargantas Soltas” ou a estudo Barómetro da Cultura que este ano terá a sua quarta edição.


 


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O AMIGO SECRETO -  Tinha saudades de ouvir Elvis Costello e o novo disco, o 32º álbum de estúdio que grava desde 1977. Aqui estão 13 novas canções, onde a sua voz e guitarra são acompanhadas por The Imposters, num exercício de afirmação sobre como conciliar a tradição, a sensibilidade das baladas e a energia do rock. Sempre a meio caminho entre a observação cínica do que o rodeia, a desilusão pelo estado do mundo e o elogio daquilo que o entusiama, Costello continua a fazer grandes canções. Este novo álbum, “The Boy Named If (And Other Children’s Stories)” traz vários momentos mágicos. Uma das canções mais tocantes é “The Death Of Magic Thinking”, que evoca o título de um romance de Joan Didion (“The Year Of Magic Thinking”), mas há outras como “The Man You Love To Hate” ,  “Paint The Red Rose Blue”, “The Difference”, a canção título “The Boy Named If” ou, já agora o tema inicial, “Farewell, OK”, uma espécie de declaração de princípios inicial que parece deixar uma mensagem clara: ando há mais de 40 anos nisto e ainda não me cansei. Numa entrevista recente a uma revista britânica Elvis Costello afirmou que “the boy named if” é como que uma “alcunha para um amigo imaginário, o nosso eu secreto que conhece tudo aquilo que negamos, aquele que culpamos pelos disparates que fazemos e pelos corações - até mesmo o nosso - que quebramos”.


 


UM FESTIVAL DE COZINHA TRADICIONAL - Com a ajuda de amigos vou pesquisando restaurantes onde a comida tradicional é acarinhada. Tenho tendência a preferi-los aos locais da moda e aos disfarces com conceito que em geral apostam mais na decoração do que naquilo que servem aos clientes e na forma como os acolhem. Esta semana descobri mais um na margem sul, em Sarilhos Grandes, perto do Montijo. O “Girassol” é uma casa antiga mas que foi sofrendo ampliações e melhoramentos ao longo dos anos, permanecendo na mesma família - agora com a mãe ao leme na cozinha e a filha a garantir que na sala tudo se passa como deve ser. As entradas do “Girassol” são boas para partilhar - o que aconteceu com uma perdiz de escabeche muito bem temperada e generosa na carne da ave e com um polvo à galega, entrada quente, com as finas fatias de polvo sobre um puré de batata. Antes, na mesa, estava uma tomatada como há muito não provava, umas excelentes azeitonas e ainda um cesto de bom pão. Na lista de entradas há ainda petiscos como cabeça de xara, alcachofras confitadas com gambas, línguas de bacalhau com molho vinagrete, ovos com farinheira em massa folhada ou uma morcela de arroz crocante com hortelã. Nas carnes há um rabo de boi estufado, muito bom, pezinhos de porco de coentrada, e por vezes, aba de costela, cozinhada muito lentamente, ou ensopado de borrego. Os acompanhamentos servidos foram grelos salteados, batatas fritas e um esparregado exemplar. A lista é toda uma história de cozinha portuguesa, onde não faltam empadas, ensopado de enguias, filetes ou pastéis de massa tenra. A doçaria é também um caso sério, desde um folhado com doces de ovos até um abade de priscos. Garrafeira bem fornecida, serviço simpático mesmo com a casa cheia, uma das salas decorada com motivos tauromáquicos, ou não estivéssemos perto do Montijo. O “Girassol” fica na Avenida 5 de Outubro, em Sarilhos Grandes, e tem os telefones 212891820 e 910288999. Encerra às terças e domingo à noite.


 


DIXIT - “A crença no diálogo e cooperação com as ditaduras está a dar resultados nefastos” - António Barreto.


 


BACK TO BASICS - “Não consigo prever o que vai fazer a Rússia. É um enigma embrulhado num mistério dentro de um enigma” -  Sir Winston Churchill





fevereiro 25, 2022

UM APPARATCHIK É SEMPRE UM APPARATCHIK ONDE QUER QUE SEJA

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O PRESIDENTE DA JUNTA  - O Governo do PS dinamizou uma Film Commission que tenta, e bem, atrair para Portugal produções audiovisuais que sejam aqui filmadas. Quando foi Presidente da Câmara de Lisboa António Costa defendeu a importância de a cidade ser palco de rodagens de produções audiovisuais, aliás como vários seus antecessores No programa eleitoral do PS está inscrita a dinamização e o apoio às indústrias criativas, nas quais a produção audiovisual se insere. Acresce que em Portugal existem excelentes profissionais na área, desde técnicos de som a directores de fotografia, passando por responsáveis por guarda-roupa ou electricistas. Há muitas centenas de pessoas que vivem e trabalham no universo dos audiovisuais e para quem a existência, onde quer que seja no nosso país, de produções internacionais, significa trabalho e reconhecimento. Somos mesmo bons nisto - os nossos técnicos são competentes, falam várias línguas, estão a par das tecnologias mais recentes e são reconhecidos além fronteiras. Pois é com este enquadramento que um senhor presidente da Junta, no caso a Junta de Freguesia de Santa Maria  Maior, Miguel Coelho, se insurge contra as consequências das políticas defendidas por António Costa e o PS nesta matéria e apareceu a criticar as filmagens previstas de uma série da Netflix no seu território, que encara como um quintal. Este senhor, que aparece a queixar-se dos incómodos das filmagens, é o mesmo que fecha os olhos à degradação do edifício do Tribunal da Boa Hora e nem quer ouvir falar de planos para a sua recuperação. E, para rematar, há cinco anos os voluntários da Refood na freguesia de Miguel Coelho foram expulsos do espaço que o próprio autarca lhes cedera uns meses antes, para dali distribuir refeições aos pobres. Este senhor é o mesmo que foi dirigente nacional do PS, dirigente da sua concelhia de Lisboa e deputado à Assembleia da República. É doutorado em Ciência Política, matéria que leccionou, mas não passa de um apparatchik de segunda categoria na guerrilha do PS contra a actual presidência da Câmara de Lisboa. É um exemplo da incoerência. Imaginar que este personagem anda pelas universidades a ensinar Ciência Política é uma coisa que mete nojo. 


 


SEMANADA - As rações e forragens para alimentação de animais aumentaram 53% e podem fazer disparar o preço da carne; menos de um milhão de crianças recebem abono de família, o número mais baixo desde 2005; segundo o INE quase 11% das crianças portuguesas estão em privação material e social; em Janeiro o desemprego aumentou pelo segundo mês consecutivo; o PS acusou o PSD de irresponsabilidade e insensibilidade"  por ter querido que a lei fosse respeitada no caso da votação indocumentada dos emigrantes; 36% dos professores dizem não ter recebido qualquer formação para a utilização de tecnologia digital nas aulas; Vítor Ramalho, um histórico amigo e assessor de Mário Soares, afirmou que “não podemos deixar a gestão do Governo passar para o PS”; segundo ele o PS “não ouve as pessoas, não há um gabinete de estudos como devia haver”; de Bragança a Madrid, de comboio, leva-se uma hora para fazer os primeiros 45 quilómetros até se apanhar o comboio de alta velocidade espanhol que demora mais duas horas para fazer 334 quilómetros; as multas por condução com excesso de álcool no sangue subiram 141% no espaço de um mês; em 2021 mais de 24 mil automobilistas foram multados por utilizarem o telemóvel enquanto conduziam.


 


O ARCO DA VELHA - O “Avante!”, órgão central do PCP, descreve a situação na Ucrânia como uma “obscena campanha provocatória do imperialismo contra a Federação Russa” e o site do PCP  “denuncia a perigosa estratégia de tensão e propaganda belicista promovida pelos EUA, a NATO e a UE”.


 


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PINTURAS NATURAIS - Muito para ver esta semana. Começo pela exposição de Inez Teixeira (na imagem), que fica na Fundação Carmona e Costa até 21 de Maio (Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1- 6º andar). Apresentada como uma antológica, que mostra obras de desenho feitas entre 1989 e 2021, a exposição inclui dois conjuntos de produção recente, pinturas a óleo sobre papel - Degelo e Paisagens, sendo que a primeira dá o título genérico à exposição. Estes dois conjuntos de pinturas feitas no final do ano passado são marcantes e mostram uma nova e interessante direcção no trabalho de Inez Teixeira, uma aproximação à pintura e à reflexão sobre a natureza e os desafios que ela enfrenta. O curador, Nuno Faria, destaca: “O conjunto de desenhos reunidos na exposição Degelo, realizados durante um extenso período de tempo, inédito na sua quase integralidade, revela um programa de pesquisa livre de constrangimentos formais e um entendimento do desenho como prática processual e experiencial. Da exposição constam cerca de uma centena de desenhos, sobretudo organizados em séries, pontuadas por surpreendentes exceções, e um singular conjunto de pequenas esculturas em que a artista integra pedras encontradas no espaço natural”. Outra das novas exposições apresenta trabalhos de Rita Gaspar Ferreira e António Olaio, e está até 30 de Abril  na Galeria Belo-Galsterer (Rua Castilho 71 r/c esq). Na realidade ali estão três exposições: "Sobrevoo" de Rita Gaspar Vieira, “Polka Dot Brain” de António Olaio e “Upstairs, Downstairs”, uma colectiva dos dois artistas. Finalmente, na Galeria Miguel Nabinho, Luísa Cunha apresenta até 2 de Abril, a instalação sonora “Partitura 4- op” (Rua Tenente Durão 18-B).





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UMA VISÃO DA AMÉRICA - John Steinbeck, californiano,  foi um dos grandes escritores americanos, observador atento do seu país. Assinalando os 120 anos do nascimento de John Steinbeck e os 60 anos da atribuição do prémio Nobel, surge agora em Portugal a edição de “A América e os Americanos e outros textos”. O volume reúne mais de 60 textos de não ficção, publicados em jornais e revistas entre 1936 e 1966. Neles, Steinbeck discorre sobre temas como as guerras do seu tempo, a pobreza, o racismo, mas também as suas viagens e os seus amigos. Durante trinta anos, a par dos seus famosos romances, como “As Vinhas da Ira”, escreveu vários trabalhos curtos de não ficção, que foram sendo publicados em jornais e revistas no seu país e no estrangeiro. Estes textos permitem uma visão singular de uma era de profunda transformação nos Estados Unidos. Esta antologia reúne mais de sessenta destes textos, desde artigos que serviram de inspiração para o célebre romance “As Vinhas da Ira”, até ao último livro que publicou, “A América e os Americanos”, de 1966. Nestas páginas  encontra-se o olhar do jornalista, cobrindo a Grande Depressão norte-americana, a Segunda Guerra Mundial e o Vietname. Aqui estão textos sobre o julgamento de Arthur Miller, o seu manual sobre como se faz um nova-iorquino, a sua reportagem sobre uma convenção do partido Republicano, a visão que um escritor tem dos críticos, o seu discurso de aceitação do Nobel, textos sobre personagens como o grande fotógrafo Robert Capa, o actor Henry Fonda ou o músico Woody Guthrie e ainda várias das suas reportagens de guerra. Entusiasmante da primeira à ultima página.


 


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REDESCOBRIR A LOVE SUPREME -  Na primeira metade dos anos 60 era raro fazer-se gravações de actuações ao vivo e assim se perdeu a oportunidade de comparar registos dos mesmos temas, tocados em ocasiões diferentes. Nesse tempo Coltrane compunha imenso e tocava ainda mais. Volta e meia ainda se descobrem gravações, que andaram muitos anos perdidas,  e que mostram o que Coltrane e a sua banda faziam. Uma dessas gravações, que agora veio à luz do dia, é uma interpretação de “A Love Supreme”, uma das peças de referência de Coltrane, editada originalmente no início de 1965, numa altura em que o músico sentia a necessidade de mostrar como tinha descoberto a religião e a espiritualidade. Seis meses depois da edição, Coltrane actuava em Seattle e a interpretação que ali fez de “A Love Supreme” foi gravada e depois perdida. Até há pouco tempo a única gravação ao vivo da suite “A Love Supreme” que se conhecia tinha sido gravada em Antibes, na França, e era muito contida, mantendo a forma do disco original. Esta que agora surgiu, gravada em Junho de 65 em Seattle, mostra muito mais espaço para improvisação. Em Seattle, mantendo a ligação à composição original, Coltrane deu muito maior espaço de liberdade aos músicos. Nesta gravação surge a formação que gravou “A Love Supreme” em estúdio - Coltrane no sax tenor, McCoy Tiner no piano, Jimi Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. Mas a eles foram acrescentados um segundo baixista, Donald Garrett, Pharoah Sanders no sax tenor e Carlos Ward no sax alto - sendo que o próprio Coltrane e Sanders deram uma mãozinha nas percussões adicionais. Na realidade a versão de “A Love Supreme” nesta gravação tem quase 75 minutos, o dobro do tempo do registo original. Há uma energia muito maior, os próprios solos de Coltrane são bem diferentes.Se gostam de Coltrane e de jazz,procurem nos serviços de streaming esta edição - “A Love Supreme, Live in Seattle”.


 


CREME PARA PAPALVOS - Depois de dois anos de pandemia os restaurantes começam a voltar a funcionar e há mesmo alguns novos espaços que começam a surgir pela cidade. Nada de muito relevante, infelizmente. O que mais abunda nesta nova vaga é o restaurante de conceito, onde o essencial não é a qualidade da comida nem do serviço, e sim a vivência de um momento, de uma experiência de um apregoado conceito. Devo dizer que isto é uma coisa que me desagrada profundamente. Por via de regra evito deslocar-me a tais locais, sem alguns amigos em que confio me contarem antes o que lá se passa. Um dos casos que me fez mais rir nos últimos tempos foi o relato feito por um amigo de uma visita ao Rocco, um novo restaurante cheio de peneiras, conceitos e efeitos decorativos, no piso térreo do Ivens Hotel (Rua Ivens 14). Tudo começa pela dificuldade que é reservar uma mesa usando os meios tradicionais. Por fim, quando se consegue alguma coisa e lá se chega, a uma zona de balcão, descobre-se que a sala do restaurante está às moscas e que havia mais que lugares para a reserva que havia sido negada. Enfim, tudo isto é cómico e a única comida que ali servem é creme para papalvos que queiram armar-se em frequentadores de locais de moda. 


 


DIXIT -  “Não é expectável que o PCP possa ter a influência política e social que já teve” - António Filipe, ex-deputado do PCP


 


BACK TO BASICS - “Não se pode evitar uma guerra quando se faz tudo para a preparar” - Albert Einstein


 


 








fevereiro 18, 2022

QUE POLÍTICA CULTURAL TERÁ O PRÓXIMO GOVERNO?

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E A CULTURA?  - Que vai ser da Cultura no próximo Governo? Depois do quase interregno no desenvolvimento da política cultural durante a legislatura anterior é oportuno perguntar qual a estratégia que o Governo vai desenvolver na área cultural. É escusado irem procurar no programa do PS porque o que lá está é um rol de generalidades, com boa dose de banalidades. Reconheça-se, em abono da verdade, que neste processo de desertificação de ideias em matéria de política cultural o PS não está sozinho. A maioria dos partidos seguiu a sua bitola. Mas o que interessa agora é saber se o PS vai aproveitar, nesta como noutras áreas, a sua maioria absoluta para fazer reformas estruturais. Esta semana foi divulgado um importante estudo, promovido pela Gulbenkian, sobre as práticas culturais dos portugueses e o seu resultado dá muito que pensar a quem fôr ocupar a pasta da Cultura. Mas há coisas básicas: não vou mais longe do que reivindicar uma maior autonomia de gestão orçamental das instituições que conseguem captar financiamentos privados, a par com a atribuição de um financiamento público suficiente para travar a degradação do funcionamento dos museus nacionais e a conservação do património. Já agora, se não for demais, a anulação do acordo ortográfico seria também bem-vinda, assim como acções de promoção do livro e da leitura. E apesar de umas modestas recentes alterações, é imperioso conseguir flexibilizar e facilitar mais a Lei do Mecenato para que o financiamento privado à cultura possa ser estimulado e compensado, para além do que agora existe - seguindo o que de melhor e mais eficaz se faz noutros países. E, já que estamos nesta área, seria muito interessante rever o enquadramento fiscal das compras de obras de arte por empresas e cidadãos, por forma a incentivar o mercado. Uma política cultural diferente não é apenas um esperado aumento da dotação do Orçamento de Estado ao sector, é também a criação de mecanismos que recompensem os privados pelo que decidirem investir nesta área. Neste fim de semana foram muitas as notícias sobre o início da temporada cruzada Portugal-França. Mas será curioso ver, daqui a uns meses, quanto é que o Governo português atribuiu de facto à iniciativa - dizem-me que muito pouco, mas vamos esperar para ver. Uma das obras mais salientes, a reinterpretação da obra clássica “As Três Graças”, por Pedro Cabrita Reis, exposta nos jardins do Louvre, (na imagem) só foi possível, segundo declarações do autor numa entrevista, graças ao financiamento de entidades privadas - no caso três empresas francesas que actuam em Portugal - Altice, Engie e Vinci, e de outros apoios como o da corticeira Amorim e da Fundação Gulbenkian. Confesso que neste cenário custa um pouco ver figuras do Governo a pendurarem-se na obra como se tivessem feito alguma coisa por ela. Como diz um amigo meu, é o país que temos. 


 


SEMANADA - Grande parte das verbas previstas para as autarquias no processo de descentralização iniciado há cinco anos ainda não saíu do Estado central; foram anulados cerca de 80% dos votos de emigrantes do círculo da Europa nas eleições legislativas de 30 de Janeiro; entre os 230 deputados eleitos há apenas nove com 30 anos ou menos; até agora, nos executivos de António Costa um terço dos lugares foram ocupados por mulheres; cerca de 13 mil funcionários do estado pediram a reforma em 2021, sobretudo nas áreas da educação e saúde mas, apesar disso, o número total de funcionários públicos aumentou 3% para o total de 733 495 pessoas ou, se quisermos, perto de 20% dos votos expressos nas recentes eleições; nos últimos três anos, os portugueses terão consumido menos 25,6 toneladas de sal e menos 6256 toneladas de açúcar; segundo o estudo TGI da Marktest perto de um em cada três portugueses compra chocolates ou bombons em caixas; o impacto no défice do combate à pandemia foi maior em 2021 do que em 2020; as empresas portuguesas de ourivesaria e joalharia enviaram, no ano passado, 4,5 milhões de peças para os serviços de contrastaria, mais um milhão de peças do que em 2020, o que representa um crescimento de 28,6%; o preço das botijas de gás aumentou cinco vezes mais que a inflação; António Costa lamentou os erros do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do seu amigo Santos Silva, no processo eleitoral junto dos emigrantes portugueses na Europa e que levou agora à anulação de cerca de 80% dos seus votos; um estudo promovido pela Gulbenkian indica que 61% dos portugueses não leram um só livro no último ano.


 


O ARCO DA VELHA - O Ministro do Ambiente declarou de “imprescindível utilidade pública” uma central solar a construir no concelho de Gavião que implica o abate de mais de mil sobreiros.


 


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PRAZERES VISUAIS - João Maria Gusmão apresenta na Galeria Cristina Guerra “Lusque-Fusque Arrebol”, uma exposição individual (na imagem) que reúne, numa grande instalação, esculturas em bronze, fotografias e lanternas mágicas produzidas no último ano. Durante anos, entre 2001 e 2018, Gusmão trabalhou em parceria com Pedro Paiva e fez numerosas exposições em vários países, além de uma retrospectiva recente em Serralves. Desde 2020  tem vindo a desenvolver e apresentar várias exposições e projectos curatoriais e editoriais em colaboração com outros artistas como Alexandre Estrela, Mattia Denisse, Gonçalo Pena e Mauro Restife. “Lusque-Fusque Arrebol” pode ser visto até 9 de Abril na Cristina Guerra Contemporary Art (Rua de Santo António à Estrela 33). Outros destaques: na Casa A. Molder (Rua 1º de Dezembro 101-3º) Carla Rebelo apresenta até 18 de Março “Geologia de Um Lugar”; na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º), Joana Escoval apresenta até dia 12 de Março “Wind Dreams”; na Galeria Balcony (Rua Coronel Bento Roma 12A), Rui Castanho mostra  até 12 de Março “Once Upon A Time”, até 12 de Março; na Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva ( Praça das Amoreiras 56), Carlos Nogueira apresenta “Sombras de Vento, Entre Águas” ; e no Porto, a Galeria Nuno Centeno (Rua da Alegria 598), apresenta novos trabalhos de Secundino Hernández, Gretta Sarfaty e Gabriel Lima. Entretanto nos próximos dias todos os caminhos vão dar a Madrid, para a feira de arte contemporânea ARCO, de 23 a 27 de Fevereiro. 


 


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A FOGUEIRA DA JUSTIÇA - Em meados de 1895 o escritor Oscar Wilde foi preso e condenado a dois anos de prisão pela prática de sodomia, considerada um crime na Londres vitoriana. No tribunal onde o processo decorreu o escritor defendeu a sua obra maior,  “O Retrato de Dorian Gray”, retratada no julgamento como imoral e ofensiva, pelo seu teor alegadamente homossexual. Na sua defesa Oscar Wilde afirmou que um livro será sempre um bom livro «se estiver bem escrito, se provocar uma sensação de beleza, a mais pura sensação de que um ser humano é capaz. Se estiver mal escrito, a sensação é de repulsa”. “A Intransigente Defesa da Arte” é o livro que faz a transcrição quase integral do julgamento, que se presumia perdido nos arquivos da lei. No livro, recuamos a 1895 e assistimos ao julgamento mais sensacional do século XIX. Da sórdida exposição, na Londres vitoriana, da homossexualidade de Oscar Wilde, nasce um articulado e brilhante discurso da vida real do escritor: uma veemente e majestosa defesa da absoluta liberdade da criação artística. Termino com estas palavras de Oscar Wilde no tribunal: “O prazer de alguém criar uma obra de arte é um prazer puramente individual, e é para alimentar esse prazer que alguém cria. O artista trabalha olhando para o seu objecto. Nada mais lhe interessa. O que as pessoas possam dizer é algo que não lhe diz respeito”. Esta é a primeira publicação em Portugal deste texto, numa tradução de André Morgado, com a chancela da Guerra & Paz. 


 


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INESPERADOS CONVIDADOS -  Após uma década de silêncio o ex-líder dos Pearl Jam, Eddie Vedder regressa com um disco a solo, “Earthling”. A surpresa está na lista de convidados: Elton John, Ringo Starr e Elton John. Com treze canções e quase uma hora de duração, o álbum arranca com um quase hino, “Invincible”, mas as três canções que recolhem maior número de audições no Spotify são “Long Way”, “Brother The Cloud” e “The Haves”. O arranque do disco é festivo, Vedder solta-se de uma forma inesperada e a sua voz molda-se às melodias de uma forma quase pop, enquanto a produção usa coros, percussão bem marcada  (o baterista é Chad Smith, ex-Red Hot Chili Peppers) e guitarra eléctrica também ex-Chili Peppers é Josh Klinghoffer. Eles são essenciais para marcar a imagem sonora do disco. Aqui há 30 anos, no início dos Pearl Jam, ninguém se arriscaria a apostar que três década depois Vedder cantaria ao lado dos nomes que agora incluíu como convidados. Ringo faz o seu usual trabalho de bateria em “Mrs. Mills,” uma homenagem à pianista Gladys Mills, enquanto “Try” abre o som à harmónica de Stevie Wonder. E Elton John canta em dueto com Vedder em “Picture”. Numa das canções, “Try”, Vedder resume esta sua aventura: “Good men don’t have to pretend!”. Chega-se ao fim e a coisa foi divertida - mas não mais que isso.


 


PEIXE FRITO - Esta não é só a época da lampreia, já aqui abordada há umas semanas. É também a época de um magnífico peixe de rio que dá pelo nome de sável e que é uma das delícias destes meses de Fevereiro e Março. Cortado em postas muito finas e muito bem frito, depois de devidamente temperado, é um petisco fantástico. Uma fritura feita como deve ser vem enxuta para a mesa e foi feita a uma temperatura suficiente para neutralizar as numerosas e finas espinhas do peixe - que assim nem se sentem. O acompanhamento conveniente para esta maravilha é uma açorda tradicional, que poderá e deverá levar ovas do mesmo peixe. A tradição indica que os maiores especialistas deste prato estão no Ribatejo, o sável fresco pescado no rio e levado logo para o restaurante. Mas há sítios em Lisboa onde a sua tradição é respeitada, como o Pap’Açorda, onde a chef Manuela Brandão desde há muitos anos pratica o sável com saber e proveito dos comensais. Aconselha-se um branco a acompanhar, cítrico, fresco, envolvente.


 


DIXIT - “Os ciberataques são, infelizmente, o futuro que nos espera” - Marques Mendes.


 


BACK TO BASICS - “Devemos insistir em ser nós próprios e não em imitar os outros. Cada homem é um ser único” - Ralph Waldo Emerson


 





fevereiro 11, 2022

OS NÚMEROS DO DESPERDÍCIO DO SISTEMA ELEITORAL

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OS VOTOS INÚTEIS - Há um estudo que indica que fazer reformas no sistema não dá votos a nenhum político. Mas a verdade é que manter o sistema eleitoral como está é uma estragação de votos. Ora vejam: nas recentes eleições legislativas mais uma vez foram diretos para o lixo cerca de 700 mil votos. Ou seja, quase 13% dos votos em território nacional (excluindo círculos da emigração) não foram convertidos em mandatos. Destes, cerca de 200 mil foram votos brancos, nulos ou para partidos que não alcançaram representação parlamentar. Mas depois ainda há mais de 400 mil que, apesar de terem uma cruz em partidos que vão estar representados na Assembleia da República, não tiveram qualquer contributo para essa eleição. Vejamos os números com maior atenção: para os dois maiores partidos, PS e PSD, bastaram cerca de 20.000 votos para eleger cada um dos seus deputados. O esforço foi muito superior nos partidos mais pequenos. O PAN, por exemplo, conquistou apenas um lugar no parlamento apesar de ter obtido 82 mil votos. Aliás, apenas pouco mais de 20 mil votos no PAN serviram para eleger a sua deputada única no círculo eleitoral de Lisboa, os restantes 60 mil votos foram dispersos pelo país e inconsequentes na eleição de qualquer deputado. Comparando com o partido mais votado, o PS teve 26 vezes mais votos (cerca de 2,2 milhões de eleitores) que o PAN, mas conquistou 117 vezes mais deputados. Já o CDS, apesar de ter conquistado 87 mil votos, mais do que o PAN e o Livre, e quatro vezes mais do que os votos correspondentes a cada deputado do PS e PSD, não teve nenhum deputado eleito e perdeu a representação  parlamentar. Outros dados mostram que, curiosamente, o sistema vigente é também uma forma de promover o centralismo: é melhor ter 2% de votos em Lisboa (cerca de 25 mil votos, que permite eleger um deputado) do que ter 100 mil votos espalhados por todo o país (não elegeria nenhum deputado). Repare-se num caso significativo: em Portalegre mais de metade dos votos não serviu para eleger nenhum deputado. Uma análise das eleições entre 1975 e 2019 revela que durante esse período uma média de 8,67% de votos válidos não foram convertidos em mandatos. Foram votos inúteis graças ao sistema que existe.


 


SEMANADA - Quase mil médicos de família vão atingir este ano a idade da reforma e o número de pessoas sem médico de família vai aumentar; as principais empresas de transporte recuperaram passageiros no ano passado, à excepção do Metropolitano de Lisboa e Transtejo; o Mosteiro dos Jerónimos, o da Batalha e o Convento de Cristo foram os três monumentos portugueses mais visitados em 2021; a taxa de inflação da zona euro tem um novo máximo de 5,1% e isto levanta uma questão: como será que a geração de gestores que nunca geriu sob inflação vai viver estes novos tempos?; o preço da gasolina em Portugal no final do ano passado era de 1,669 cent/l, a oitava mais cara da União Europeia; as famílias portuguesas gastaram mais de dez mil milhões de euros no supermercado em 2021; em 2021 os bancos fizeram empréstimos à habitação de mais de 15 mil milhões de euros, mais 34% que em 2020; segundo o Censos 21 existem em Portugal 3.573.416 edifícios, um aumento de 0,8% em relação ao recenseamento de 2011; o maior incremento no número de edifícios foi observado nos concelhos do Seixal (mais 2080), Barcelos (mais 1822) e Vila Nova de Famalicão (mais 1436); em termos relativos foi nos concelhos da Golegã, Madalena e Corvo que o número de edifícios mais aumentou entre Censos, respetivamente mais 12.6%, 12.4% e 7.7%; os concelhos do Porto, Lisboa e Funchal foram aqueles que mais parque edificado perderam: no Porto, foram contabilizados menos 5021 edifícios, em Lisboa menos 3273 e no Funchal menos 1226; 


 


O ARCO DA VELHA - Habitantes da Aldeia da Luz, em Mourão (Évora), ainda hoje pagam Imposto Municipal sobre Imóveis dos terrenos que possuíam e ficaram submersos na antiga povoação, 20 anos após o início do enchimento do Alqueva.


 


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UMA CASA VISTA DE FORA - Patrícia Garrido trabalhou ao longo de vários meses numa escultura que desde a semana passada, e até final de Abril, ocupa quase todo o espaço da Galeria Giefarte (Rua da Arrábida 54). A obra, no fundo a evocação de uma casa dentro das quatro paredes da galeria, é feita a partir de pedaços de cantoneira, que se entrelaçam de forma a que ninguém pode entrar no seu espaço, podendo apenas espreitar a partir do exterior (na imagem). O título da peça, “Interior”, é no fundo a descrição de uma realidade que se observa mas onde ninguém pode entrar. Entretanto, em Elvas, no Museu de Arte Contemporânea, é apresentada até 3 de Julho a exposição “Caminhos Cruzados”, que agrupa 62 obras de José Pedro Croft que estão incluídas na colecção António Cachola. Num salto mais a norte, Pedro Calapez e André Gomes apresentam no Museu Nacional Soares dos Reis, até 8 de Maio, uma nova montagem da exposição “Seja Dia Ou Seja Noite Pouco Importa”, que havia sido apresentada no final do ano passado no Museu Colecção Berardo; na Galeria Insofar, até 30 de Abril, o artista angolano Cristiano Mangovo apresenta “Black Rock Senegal”. Se gostam de anúncios luminosos do século passado não percam a exposição Brilha Rio, no Parque de estacionamento do Prata Riverside Village em Marvila, com 70 peças - pode ser visitada ao fim de semana até início de Março.


 


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O PIOR TEMPO DE ESPANHA -  Estudou geografia e história, tornou-se conhecida com uma novela erótica, “Las Edades de Lulu”, que ganhou o prémio “La sonrisa vertical” e inspirou um filme do realizador Bigas Luna. Almudena Grandes Hernández foi uma das grandes escritoras espanholas e morreu em 2021. A Mãe de Frankenstein , o seu derradeiro livro, publicado em 2020, é um romance histórico elaborado, a quinta parcela da série Episódios de uma guerra sem fim, e é por muitos considerada a novela mais intensa e emocional dessa série.Este título apresenta uma narrativa ambientada na Espanha do pós-guerra. Da mesma forma, o tema do livro aborda parte das consequências psiquiátricas causadas pela Guerra Civil e pelo regime de Franco. A acção começa em 1954, quando o psiquiatra Germán Velásquez regressa a Espanha para trabalhar no manicómio feminino de  Ciempozuelos, após 15 anos de exílio na Suíça onde foi acolhido pela família do doutor Goldstein. Naquela instituição psiquiátrica, Germán reencontra Aurora Rodríguez Carballeira, uma mulher inteligente e paranóica, tristemente célebre por matar a tiro a própria filha. Ali conhece também María Castejón, que cuida dela com enorme desvelo e gratidão. A amizade que acaba por nascer entre a jovem auxiliar e o doutor Velázquez leva o leitor a descobrir não apenas a sua origem humilde como neta do jardineiro da instituição, os anos de criada em Madrid e a infeliz história de amor que protagonizou, mas também o que levou Germán a abandonar a tranquilidade suíça e regressar a Espanha, país onde então os pecados se convertem em crimes, e o puritanismo – defendido pelo regime de Franco – encobre todo o tipo de abusos. Em A Mãe de Frankenstein, Almudena Grandes regressa ao período mais difícil da história de Espanha, destacando as feridas imensas que uma longa guerra provocou. 


 


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MÚSICA MARÍTIMA -  Mário Barreiros, baterista, já participou como músico ou produtor em mais de três centenas de discos de vários géneros musicais, além de ter integrado grupos que fizeram história na pop portuguesa, como os Já Fumega. Mas o jazz é desde há muito o seu terreno de eleição e o seu novo trabalho é prova disso mesmo. Nas palavras de Mário Barreiros trata-se de um regresso ao jazz e à música improvisada e este “Dois Quartetos Sobre O Mar”  é definido por Barreiros como uma homenagem ao mar e às pessoas que meritoriamente cuidam dele”. O disco está dividido em duas partes, cada uma interpretada por um quarteto,  em que o único elemento comum é o próprio Mário Barreiros, na bateria. O primeiro desses quartetos, Pacífico, conta com Carlos Barretto (contrabaixo), Abe Rábade (piano) e Ricardo Toscano (saxofone alto); o segundo quarteto, Abissal, é composto por Demian Cabaud (contrabaixo), Miguel Meirinhos (piano) e José Pedro Coelho (saxofone), e desenrola-se ao longo de oito andamentos. Mário Barreiros diz que os primeiros quatro temas são “mais românticos” e os restantes quatro “mais profundos e reflexivos”. Em comum as duas partes do disco têm o esboçar de paisagens sonoras - o que reforça este disco como sendo um álbum conceptual ligado ao tema dos Oceanos. Este é um dos mais interessantes discos portugueses na área do jazz  e merece destaque a qualidade da prestação dos músicos e a cuidada produção. 


 


PETISCAR - Um dos meus petiscos favoritos é fazer uma massa com brócolos, anchovas e alcaparras. A coisa é simples: cortem um pé de brócolos de forma a aproveitar só as flores, que devem cozidas em água com sal, a ferver, por três minutos. Uma vez cozidas, retirem e reservem. Aproveitem a água usada nos brócolos para cozer a massa, que deve ficar menos um minuto que o indicado na embalagem. Eu gosto muito desta receita com esparguete de boa qualidade (o de molde de bronze da Milaneza é óptimo porque capta bem os sabores do molho onde é misturado). Uma vez cozida escorram a massa e reservem, mas guardem uma chávena de chá da água da cozedura. Ao lado, numa frigideira funda coloque duas colheres de sopa de azeite, uma lata pequena de filetes de anchova escorridos e duas colheres de sopa de alcaparras passadas por água corrente, adicionem um pouco de gengibre fresco picado, e duas malaguetas pequenas esmagadas. Salteiem tudo durante uns três minutos, mexendo para as anchovas ficarem aos pedaços. A seguir coloquem os brócolos e a chávena de água da cozedura da massa  na mesma frigideira, mexendo sempre para as flores dos brócolos se desfazerem. Continue o processo até metade da água evaporar - deve demorar entre 5 a 7 minutos. No final deite por cima a massa escorrida e misture tudo muito bem para ficar envolvida no molho. Polvilhe a gosto com queijo parmesão e misture tudo mais uma vez, transferindo para uma taça que levará para a mesa. Bom apetite.


 


DIXIT - “Uma Marinha focada na sua missão, pronta para servir Portugal, útil para a afirmação do valor do mar, significativa nas suas capacidades e tecnologicamente avançada”  - Henrique Gouveia e Melo, Chefe do Estado Maior da Armada


 


BACK TO BASICS - “Quando a maré baixa é que se descobre quem andava a nadar nu” - Warren Buffett


 








fevereiro 04, 2022

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA TÁCTICA

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DER NUTZLOS - Até Domingo passado, na cabeça de muita gente, num mundo perfeito o PS ganharia as eleições sem maioria absoluta, o PSD teria um resultado próximo, o berbicacho estaria em conseguir gerir alianças à esquerda e à direita conforme os assuntos e conveniências, sob a arbitragem do Presidente da República. Só que não foi isto que aconteceu. Costa, que desde o início tornou claro que preferia ter condições para governar sozinho, fez uma viragem táctica a meio da campanha, quando surgiam sondagens que pareciam indiciar uma hipotética vitória do PSD, deixou de pedir a maioria absoluta e, na prática, passou a pedir o voto útil que lhe permitisse afastar o espectro da direita. O resultado já se sabe qual foi: o povo de esquerda uniu-se em torno de Costa, deu-lhe a maioria absoluta e tirou o tapete a todos. O resultado das eleições ditou uma crise no PSD, com Rui Rio a questionar a sua utilidade, tirou o CDS do leque parlamentar e reconfigurou o Parlamento de forma significativa, atirando Bloco e PCP para o fim do pelotão. Em Belém Marcelo Rebelo de Sousa assistirá, se alguma coisa não mudar, a quatro anos de desfile de António Costa no tapete voador do PRR. Quando o resultado foi conhecido, Rui Rio questionou qual seria a utilidade da sua pessoa no PSD. De facto ele não tem sido útil. É impossível esquecer como Rui Rio foi, ao longo dos anos, inútil na oposição, abrindo espaço para quem o soube fazer à sua direita, como foi incapaz de dizer o que faria no pós eleições, como não se bateu por uma aliança eleitoral com o CDS, o que, percebe-se agora, facilitou a Costa a aritmética da maioria absoluta. Assim sendo, na sua próxima conferência de imprensa talvez alguém possa dizer “Rio ist nutzlos”, o mesmo é dizer “Rio é inútil”.


 


SEMANADA - Em Lisboa, nas legislativas, o PS conquistou mais 30 mil votos no concelho do que tinha tido nas recentes autárquicas; a Iniciativa Liberal foi o terceiro partido mais votado no Porto e em Lisboa; se fizermos as contas ao número de votos expressos e deputados eleitos por cada partido vemos como o sistema eleitoral português, baseado na Lei de Hondt, distorce a proporcionalidade: o PS precisou de 18.927 votos por deputado, o PSD de 20.930, o Chega de 31.636, a Iniciativa Liberal de 33.053, a CDU de 38.668, o Bloco de Esquerda de 47.351, o Livre de 67.776, o PAN de 80.8109 e o CDS obteve 85.786 votos mas não teve nenhum deputado eleito; se o PSD tivesse aceite fazer uma coligação com o CDS, de acordo com os resultados obtidos nestas eleições por cada partido, essa coligação teria conseguido eleger mais quatro deputados que o total obtido pelo PSD, retirando assim a maioria absoluta ao PS; à esquerda só o PS ganhou votos e o apuramento das contas dá aos partidos da esquerda parlamentar menos 36 mil votos que em 2029; a abstenção baixou, mas foi a terceira mais elevada de sempre; o PS venceu em todos os distritos do país nas legislativas mas de entre as dez cidades mais populosas de Portugal apenas cinco são dirigidas por eleitos PS nas autárquicas e de entre as dez mais ricas apenas 4 têm presidentes de câmara do PS; quase um terço dos deputados eleitos são estreantes no parlamento; em 2021 a economia portuguesa cresceu mais que o previsto mas ficou ainda aquém da recuperação da zona euro.


 


O ARCO DA VELHA - Em 2021 a violência doméstica fez 23 mortes, das quais 16 foram mulheres, duas crianças e cinco homens.


 


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POR DENTRO DAS MEMÓRIAS - “Loreto”, a exposição que a fotógrafa Luísa Ferreira inaugurou esta semana na Sociedade Nacional de Belas Artes, e que ali fica até 5 de Março, é um retrato da transformação da cidade de Lisboa nos últimos anos. Focada na zona onde Luísa Ferreira vive e trabalha, o Loreto, no coração da zona antiga da cidade, a exposição mostra como as transformações urbanas dos últimos anos afastaram pessoas das suas casas, dos locais onde viveram toda a vida (na imagem). Como diz a autora no texto que acompanha a exposição, as pessoas “foram empurradas para fora do seu ciclo de vida construído desde sempre, simplesmente perderam o direito à cidade”. João Silvério, no texto do catálogo, sublinha que este é um trabalho que cruza a ficção com o documentário, englobando fotografias, objectos de uso doméstico, notas visuais que mostram “os laços afetivos que se geram na experiência do lugar, na partilha da vizinhança e do tempo”. A exposição, agora em Lisboa, já passou pelo Festival de Fotografia do Barreiro e mostras internacionais de fotografia. Outras sugestões: na Galeria Filomena Soares, Rua da Manutenção 80, João Penalva apresenta até 19 de Março“Fernand Lantier e outros”; no Museu Nacional de Arte Antiga, até 10 de Abril, pode ser vista a coleção de Maria e João Cortez de Lobão, “O Belo, a Sedução e a Partilha”, que apresenta a obra “O Martírio de São João Damasceno”, Luigi Miradori, Il Genosevino (séc XVII).


 


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O NASCER DE UMA PENSADORA - Ao longo da sua vida Susan Sontag foi elaborando um diário, que sempre manteve reservado. Apenas em “Histórias”, um conjunto de pequenos textos que cruzam a ficção com a sua própria biografia, Sontag deixou espreitar a sua intimidade. Depois da sua morte, em 2004, o filho, David Rieff, recuperou os diários e apontamentos de Sontag, feitos entre 1947 e 1963, e editou-os sob o título “Renascer”. Ensaísta, Sontag foi uma das mais importantes intelectuais norte-americanas da segunda metade do século XX e teve presença assídua em publicações como The New Yorker, The New York Review of Books, The New York Times e The Times Literary Supplement, entre muitas outras. Este “Renascer” teve edição original nos Estados Unidos em 1992 e uma primeira edição em Portugal em 2010. O livro regressa agora com uma segunda edição pela mão da Quetzal e tradução de Nuno Guerreiro. A primeira nota publicada, escrita em 1947, é uma espécie de declaração de princípios que considera deveriam nortear a sua vida - por exemplo, a afirmação de que a única diferença entre os humanos é a inteligência”. E em 1948 declara: “as ideias perturbam o equilíbrio da vida”. Mais tarde, em Maio de 1949, aos dezasseis anos, deixa a frase que inspira o título do livro:«Tudo começa a partir de agora – Renasci.» Na introdução David Rieff, sublinha: «O que sei é que, enquanto leitora e escritora, a minha mãe adorava diários e cartas – quanto mais íntimos, melhor. Assim, talvez Susan Sontag, a escritora, tivesse aprovado o que eu fiz. Seja como for, assim o espero», escreve, em justificação pela divulgação destes textos íntimos, que se iniciam com os anos da adolescência, em 1947, atravessam os anos da faculdade, as primeiras experiências na escrita, a sua formação sexual e emocional, e terminam em 1963, quando Susan Sontag era já plena participante e observadora da vida da cidade de Nova Iorque.


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DANÇA IMPARÁVEL - A primeira grande surpresa portuguesa deste ano é o disco de estreia do Club Makumba, um projecto que vive de sonoridades multiculturais, com ventos do mediterrâneo e de África. O Club Makumba teve origem na parceria criada entre as guitarras de Tó Trips (Dead Combo e Lulu Blind) e a bateria e percussões de João Doce (Wraygunn), a que se juntam agora o saxofone de Gonçalo Prazeres e o contrabaixo e baixo de Gonçalo Leonardo. O álbum contém 11 temas contagiantes em que a sonoridade única da guitarra de Tó Trips marca de forma clara todo o ambiente do disco. Há coisas que vêm do trabalho “Guitarra Makaka” o segundo disco a solo que em 2015 fez parte das aventuras de Trips e em que já surgia a percussão pela mão de João Doce. O Club Makumba é um ambiente de festa, está feito como a banda sonora de um clube de dança exótico e arrebatador, um local onde apetece passar a noite. Gonçalo Prazeres (saxofone) e Gonçalo Leonardo (contrabaixo) que agora se juntaram à banda são músicos oriundos do jazz e que acompanharam a tour de Odeon Hotel, dos Dead Combo. Juntaram-se os quatro em estúdio, foram aproveitados temas do “Guitarra Makaka” em Novembro de 2019. A pandemia fez o adiamento, o disco saíu agora, a digressão pelo país arranca em Fevereiro e podem ouvi-los nas plataformas de streaming.


 


CAVALGADA ALTA - O restaurante Cavalariça nasceu na Comporta pela mão de Bruno Caseiro e Filipa Gonçalves. Em dezembro de 2020 veio para Lisboa parte da equipa do Cavalariça, com Bruno Antunes, o braço direito da dupla de fundadores, a comandar a operação na capital. O local escolhido, assumido como transitório até se encontrar outro mais central, fica na Rua da Boavista, onde já existira o restaurante Optimista, paredes meias com o espaço de galerias e ateliers Transboavista -VPF. A pandemia veio no entanto perturbar as operações e levou ao seu encerramento passado pouco tempo, tendo reaberto no Verão passado. O restaurante tem uma carta baseada em produtos sazonais, que ao almoço tem uma proposta de menu executivo, de 25 euros, sem bebidas, com couvert, entrada, prato principal e sobremesa. À noite, para além das opções da carta, há duas propostas de menu degustação, a que chamam Rédea Solta, uma de 5 e outra de 7 pratos. O nome de Rédea Solta vem do facto de a degustação depender do que o chefe encontrou no mercado e quis preparar. Os clientes apenas sabem o que é à medida que os pratos forem chegando à mesa. A visita foi à hora de almoço, o menu executivo como base. Destaque para a focaccia do couvert, muito boa a entrada escolhida, de cogumelos silvestres com ovo a baixa temperatura, espinafres e batatinhas, tudo sobre uma mousse também de cogumelos. O prato principal, frango do campo com couve coração assada, recheada com miúdos do frango, surpreendeu pela diversidade de sabores e o tempero acertado numa carne que nem sempre é fácil de manter apetitosa. Por fim a sobremesa foi marmelo cozido, acompanhado por uma espécie de granizado de romã e gelado de pão tostado - o ponto fraco foi o granizado, insípido. A lista de vinhos é curta e ostensivamente cara - algo que poderia ser revisto introduzindo maior escolha. Mesmo no menu executivo, duas pessoas que partilhem uma garrafa, não escapam a perto de meia centena de euros por cabeça. O Cavalariça fica na Rua da Boavista 86, telefone 213460629.


 


DIXIT - “Com ideias, sem protagonistas, sem populismo e com rigor, provámos que é possível tirar pessoas da apatia e crescer” - João Cotrim Figueiredo


 


BACK TO BASICS - “A melhor das vitórias é quando o opositor se rende antes de começarem as hostilidades.” - Sun Tzu