Esta é a altura do ano em que há feiras por todo o lado, com as inevitáveis barraquinhas de música, devidamente adaptadas aos tempos actuais - novos artistas, novos ritmos, mais CD’s e menos cassettes. Em tempos Dino Meira fez uma canção chamada “Querido Mês de Agosto” e o realizador Miguel Gomes fez um filme chamado “Aquele Querido Mês de Agosto”. Um, Dino Meira, tem uma visão popular sobre o mês em que as festas pululam por todo o interior. O outro, Miguel Gomes, tem uma visão urbana sobre as mesmas festas. Um é participante, outro é observador. Gosto mais do primeiro. Não sei se algum deles se lembra mas esta coisa do mês de férias, que em Portugal continua a ser marcado pelo regresso dos emigrantes às suas terras natais, nasceu no Verão de 1936 quando, em França, o governo da Frente Popular aprovou a criação de duas semanas de féria pagas, uma conquista social que desencadeou uma guerra cultural. Os meios mais conservadores ridicularizavam os novos veraneantes e agoiraram o declínio das praias e dos costumes. Na Netflix existe uma minissérie, “O Verão de 1936” que recria a época, evoca esses tempos e o ambiente que então se criou nas praias do sul de França onde chegaram trabalhadores que invadiram os areais. Também vale a pena recordar que só depois do 25 de Abril o período de férias pagas se tornou um direito para toda a gente em Portugal. Hoje em dia Agosto continua a ser mais de enchentes nas praias, mas sobretudo festas populares por todo o país onde o elenco que se apresenta é bem diverso do que enche os palcos dos festivais de música que mobilizam outros públicos. O contraste entre ambos é fascinante e era bem engraçado ver como há públicos que se cruzam, uns a ver Underworld no Paredes de Coura e outros a dançar ao som das brejeirices de Toy no Barreiro. A festa, quando chega, é para todos.(PENSAMENTOS OCIOSOS, SEMANALMENTE EM SAPO.PT)