ESQUINA 231 – 21 DEZ 07
BOM – A decisão tomada por estes dias pela Câmara Municipal de Lisboa para abandonar a instalação do Museu do Design e da Moda num palacete em Santa Catarina que não tinha o mínimo de condições para a função. Ainda bem que há bom senso e se recuou. Mas valia a pena pensar, mais uma vez, na utilização do Pavilhão de Portugal, para uma utilização expositiva, que foi o objectivo que norteou o seu projecto. E já agora, de caminho podia pensar-se em lá instalar também o Museu Berardo, deixando o CCB para a sua utilização natural. Pode ser que António Costa consiga convencer José Sócrates das vantagens que existiriam em juntar a arte contemporânea com o design e a moda num equipamento que seria um pólo de atracção. E não – pode não ser utópico mudar o Museu Berardo para o Pavilhão de Portugal – bem planeada e pensada era de longe a melhor solução para todos. Não era mau que quem tem de decidir sobre isto pensasse um bocadinho no assunto.
MAU – O Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência e a Agência Europeia de Segurança Marítima vão ficar instaladas no Cais do Sodré, em edifícios recuperados e construídos de propósito para essa finalidade. Pormenor: os edifícios estão praticamente acabados e só agora chegou à vereação da Câmara Municipal de Lisboa o pedido de alvará para as obras. Como é que a Câmara Municipal quer ter moral para evitar obras clandestinas com exemplos destes ?
PÉSSIMO – Parece que foram gastos 100 milhões de euros para construir um túnel que deixasse os lobos passarem debaixo da auto-estrada A24. Os lobos, dizem os especialistas, não o utilizam. Eu gostava que se fizesse uma investigação sobre quem são os autores dos pareceres que levam a coisas destas - e já agora valia a pena saber se os líderes e arautos ambientalistas e conservacionistas estarão por alguma coincidência ligados a empresas de consultoria e se ganham dinheiro à custa da pressão na opinião pública que exercem – muitas vezes de forma especulativa.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A edição internacional da revista «Time» desta semana fala do novo Tratado europeu mas não menciona sequer Lisboa. E, numa edição dedicada a 2007, Portugal aparece referido duas vezes: por causa do rapto de Maddie e da saída de José Mourinho do Chelsea.
INDEFESOS – Parecendo que nada fez, Santos Silva lá conseguiu o que queria: a substituição integral do Conselho de Administração da RTP. Reconheça-se a maquiavélica habilidade do Ministro – todos saíram pelo seu próprio pé – uns respondendo a convites, outros por falta de condições para continuarem. Há muito que Santos Silva queria isto mesmo, só os ingénuos acreditavam nas suas palavras, ainda bem recentes, fazendo juras de amor ao trabalho realizado.
DESCOBRIR – O humor imparável de Bruno Nogueira e João Quadros, no «Tubo de Ensaio» que a TSF transmite de manhã e ao fim da tarde e que pode ser consultado também no eficaz site da estação. Observações do quotidiano, piadas improvisadas, uma forma de dizer bem pensada – tudo joga a favor daquela que é a melhor novidade do humor em Portugal neste ano que está quase a acabar.
VER – A edição mais recente da revista «Attitude», uma das melhores publicações portuguesas do ponto de vista gráfico, uma das consultas obrigatórias em matéria de arquitectura e design. Este número é uma edição especial cujo tema é «Orgulho», com o enfoque em Portugal, e bem merece ser visto com atenção.
LER – Gore Vidal é um dos meus escritores favoritos – pela forma, pelo estilo, pela maneira que tem de contar situações. Descobri-o graças a «Myra Breckinridge», uma das suas obras sobre o mundo do cinema. Deliciei-me com «A Idade do Ouro», uma viagem pelos Estados Unidos do pós guerra, até meados dos anos 50 – um livro que explica muito daquilo a que mais tarde assisti. E ando deslumbrado a ler «Navegação Ponto por Ponto», um delicioso livro de memórias que conta a vida do escritor entre 1964 e 2006 – quer dizer, não conta só a vida, vai falando do que ele pensava dos factos que ocorreram durante esses 42 anos. Para mim Gore Vidal é um dos maiores escritores americanos e hoje, com 82 anos, ele é certamente, ainda das mentes mais lúcidas a observar o mundo que nos rodeia.
OUVIR – Vale a pena a edição «The Pavarotti Story», lançada pela Decca há poucos dias. A edição inclui quatro discos. No primeiro estão algumas das árias mais célebres gravadas por Pavarotti ao longo da sua carreira; no segundo estão árias sagradas e canções populares, como «O Sole Mio», «Vivere», «Santa Lúcia luntana» ou «Volare»; o terceiro recolhe uma deliciosa entrevista ao tenor feita por Jon Tolansky; o quarto inclui o primeiro disco de Pavarotti ( de 1964) com árias da Bohème, Tosca e Rigoletto e ainda duetos com nomes como Frank Sinatra («My Way»), José Carreras («Nessun Dorma!») e Bono, Brian Eno e The Edge («Miss Saravejo») A caixa onde estão os discos inclui ainda dois livrinhos, um sobre a vida de Pavarotti (e o conteúdo dos discos) e outro sobre a sua discografia integral, com reprodução de todas as capas e alinhamentos.
IR – Um dos melhores músicos portugueses, Rodrigo Leão, apresenta ao vivo «Os Portugueses», a banda sonora que criou para a série documental «Portugal, Um Retrato Social» (de António Barreto e Joana Pontes), no Jardim de Inverno do Teatro de S.Luis, hoje, amanhã sábado 22 e de dia 26 a 29 inclusive, sempre às 19h00. Imperdível.
BACK TO BASICS – A vida nada mais é do que uma longa lição sobre humildade, James Barrie.
Coisas que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
dezembro 26, 2007
Untitled
ESQUINA 231 – 21 DEZ 07
BOM – A decisão tomada por estes dias pela Câmara Municipal de Lisboa para abandonar a instalação do Museu do Design e da Moda num palacete em Santa Catarina que não tinha o mínimo de condições para a função. Ainda bem que há bom senso e se recuou. Mas valia a pena pensar, mais uma vez, na utilização do Pavilhão de Portugal, para uma utilização expositiva, que foi o objectivo que norteou o seu projecto. E já agora, de caminho podia pensar-se em lá instalar também o Museu Berardo, deixando o CCB para a sua utilização natural. Pode ser que António Costa consiga convencer José Sócrates das vantagens que existiriam em juntar a arte contemporânea com o design e a moda num equipamento que seria um pólo de atracção. E não – pode não ser utópico mudar o Museu Berardo para o Pavilhão de Portugal – bem planeada e pensada era de longe a melhor solução para todos. Não era mau que quem tem de decidir sobre isto pensasse um bocadinho no assunto.
MAU – O Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência e a Agência Europeia de Segurança Marítima vão ficar instaladas no Cais do Sodré, em edifícios recuperados e construídos de propósito para essa finalidade. Pormenor: os edifícios estão praticamente acabados e só agora chegou à vereação da Câmara Municipal de Lisboa o pedido de alvará para as obras. Como é que a Câmara Municipal quer ter moral para evitar obras clandestinas com exemplos destes ?
PÉSSIMO – Parece que foram gastos 100 milhões de euros para construir um túnel que deixasse os lobos passarem debaixo da auto-estrada A24. Os lobos, dizem os especialistas, não o utilizam. Eu gostava que se fizesse uma investigação sobre quem são os autores dos pareceres que levam a coisas destas - e já agora valia a pena saber se os líderes e arautos ambientalistas e conservacionistas estarão por alguma coincidência ligados a empresas de consultoria e se ganham dinheiro à custa da pressão na opinião pública que exercem – muitas vezes de forma especulativa.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A edição internacional da revista «Time» desta semana fala do novo Tratado europeu mas não menciona sequer Lisboa. E, numa edição dedicada a 2007, Portugal aparece referido duas vezes: por causa do rapto de Maddie e da saída de José Mourinho do Chelsea.
INDEFESOS – Parecendo que nada fez, Santos Silva lá conseguiu o que queria: a substituição integral do Conselho de Administração da RTP. Reconheça-se a maquiavélica habilidade do Ministro – todos saíram pelo seu próprio pé – uns respondendo a convites, outros por falta de condições para continuarem. Há muito que Santos Silva queria isto mesmo, só os ingénuos acreditavam nas suas palavras, ainda bem recentes, fazendo juras de amor ao trabalho realizado.
DESCOBRIR – O humor imparável de Bruno Nogueira e João Quadros, no «Tubo de Ensaio» que a TSF transmite de manhã e ao fim da tarde e que pode ser consultado também no eficaz site da estação. Observações do quotidiano, piadas improvisadas, uma forma de dizer bem pensada – tudo joga a favor daquela que é a melhor novidade do humor em Portugal neste ano que está quase a acabar.
VER – A edição mais recente da revista «Attitude», uma das melhores publicações portuguesas do ponto de vista gráfico, uma das consultas obrigatórias em matéria de arquitectura e design. Este número é uma edição especial cujo tema é «Orgulho», com o enfoque em Portugal, e bem merece ser visto com atenção.
LER – Gore Vidal é um dos meus escritores favoritos – pela forma, pelo estilo, pela maneira que tem de contar situações. Descobri-o graças a «Myra Breckinridge», uma das suas obras sobre o mundo do cinema. Deliciei-me com «A Idade do Ouro», uma viagem pelos Estados Unidos do pós guerra, até meados dos anos 50 – um livro que explica muito daquilo a que mais tarde assisti. E ando deslumbrado a ler «Navegação Ponto por Ponto», um delicioso livro de memórias que conta a vida do escritor entre 1964 e 2006 – quer dizer, não conta só a vida, vai falando do que ele pensava dos factos que ocorreram durante esses 42 anos. Para mim Gore Vidal é um dos maiores escritores americanos e hoje, com 82 anos, ele é certamente, ainda das mentes mais lúcidas a observar o mundo que nos rodeia.
OUVIR – Vale a pena a edição «The Pavarotti Story», lançada pela Decca há poucos dias. A edição inclui quatro discos. No primeiro estão algumas das árias mais célebres gravadas por Pavarotti ao longo da sua carreira; no segundo estão árias sagradas e canções populares, como «O Sole Mio», «Vivere», «Santa Lúcia luntana» ou «Volare»; o terceiro recolhe uma deliciosa entrevista ao tenor feita por Jon Tolansky; o quarto inclui o primeiro disco de Pavarotti ( de 1964) com árias da Bohème, Tosca e Rigoletto e ainda duetos com nomes como Frank Sinatra («My Way»), José Carreras («Nessun Dorma!») e Bono, Brian Eno e The Edge («Miss Saravejo») A caixa onde estão os discos inclui ainda dois livrinhos, um sobre a vida de Pavarotti (e o conteúdo dos discos) e outro sobre a sua discografia integral, com reprodução de todas as capas e alinhamentos.
IR – Um dos melhores músicos portugueses, Rodrigo Leão, apresenta ao vivo «Os Portugueses», a banda sonora que criou para a série documental «Portugal, Um Retrato Social» (de António Barreto e Joana Pontes), no Jardim de Inverno do Teatro de S.Luis, hoje, amanhã sábado 22 e de dia 26 a 29 inclusive, sempre às 19h00. Imperdível.
BACK TO BASICS – A vida nada mais é do que uma longa lição sobre humildade, James Barrie.
BOM – A decisão tomada por estes dias pela Câmara Municipal de Lisboa para abandonar a instalação do Museu do Design e da Moda num palacete em Santa Catarina que não tinha o mínimo de condições para a função. Ainda bem que há bom senso e se recuou. Mas valia a pena pensar, mais uma vez, na utilização do Pavilhão de Portugal, para uma utilização expositiva, que foi o objectivo que norteou o seu projecto. E já agora, de caminho podia pensar-se em lá instalar também o Museu Berardo, deixando o CCB para a sua utilização natural. Pode ser que António Costa consiga convencer José Sócrates das vantagens que existiriam em juntar a arte contemporânea com o design e a moda num equipamento que seria um pólo de atracção. E não – pode não ser utópico mudar o Museu Berardo para o Pavilhão de Portugal – bem planeada e pensada era de longe a melhor solução para todos. Não era mau que quem tem de decidir sobre isto pensasse um bocadinho no assunto.
MAU – O Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência e a Agência Europeia de Segurança Marítima vão ficar instaladas no Cais do Sodré, em edifícios recuperados e construídos de propósito para essa finalidade. Pormenor: os edifícios estão praticamente acabados e só agora chegou à vereação da Câmara Municipal de Lisboa o pedido de alvará para as obras. Como é que a Câmara Municipal quer ter moral para evitar obras clandestinas com exemplos destes ?
PÉSSIMO – Parece que foram gastos 100 milhões de euros para construir um túnel que deixasse os lobos passarem debaixo da auto-estrada A24. Os lobos, dizem os especialistas, não o utilizam. Eu gostava que se fizesse uma investigação sobre quem são os autores dos pareceres que levam a coisas destas - e já agora valia a pena saber se os líderes e arautos ambientalistas e conservacionistas estarão por alguma coincidência ligados a empresas de consultoria e se ganham dinheiro à custa da pressão na opinião pública que exercem – muitas vezes de forma especulativa.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A edição internacional da revista «Time» desta semana fala do novo Tratado europeu mas não menciona sequer Lisboa. E, numa edição dedicada a 2007, Portugal aparece referido duas vezes: por causa do rapto de Maddie e da saída de José Mourinho do Chelsea.
INDEFESOS – Parecendo que nada fez, Santos Silva lá conseguiu o que queria: a substituição integral do Conselho de Administração da RTP. Reconheça-se a maquiavélica habilidade do Ministro – todos saíram pelo seu próprio pé – uns respondendo a convites, outros por falta de condições para continuarem. Há muito que Santos Silva queria isto mesmo, só os ingénuos acreditavam nas suas palavras, ainda bem recentes, fazendo juras de amor ao trabalho realizado.
DESCOBRIR – O humor imparável de Bruno Nogueira e João Quadros, no «Tubo de Ensaio» que a TSF transmite de manhã e ao fim da tarde e que pode ser consultado também no eficaz site da estação. Observações do quotidiano, piadas improvisadas, uma forma de dizer bem pensada – tudo joga a favor daquela que é a melhor novidade do humor em Portugal neste ano que está quase a acabar.
VER – A edição mais recente da revista «Attitude», uma das melhores publicações portuguesas do ponto de vista gráfico, uma das consultas obrigatórias em matéria de arquitectura e design. Este número é uma edição especial cujo tema é «Orgulho», com o enfoque em Portugal, e bem merece ser visto com atenção.
LER – Gore Vidal é um dos meus escritores favoritos – pela forma, pelo estilo, pela maneira que tem de contar situações. Descobri-o graças a «Myra Breckinridge», uma das suas obras sobre o mundo do cinema. Deliciei-me com «A Idade do Ouro», uma viagem pelos Estados Unidos do pós guerra, até meados dos anos 50 – um livro que explica muito daquilo a que mais tarde assisti. E ando deslumbrado a ler «Navegação Ponto por Ponto», um delicioso livro de memórias que conta a vida do escritor entre 1964 e 2006 – quer dizer, não conta só a vida, vai falando do que ele pensava dos factos que ocorreram durante esses 42 anos. Para mim Gore Vidal é um dos maiores escritores americanos e hoje, com 82 anos, ele é certamente, ainda das mentes mais lúcidas a observar o mundo que nos rodeia.
OUVIR – Vale a pena a edição «The Pavarotti Story», lançada pela Decca há poucos dias. A edição inclui quatro discos. No primeiro estão algumas das árias mais célebres gravadas por Pavarotti ao longo da sua carreira; no segundo estão árias sagradas e canções populares, como «O Sole Mio», «Vivere», «Santa Lúcia luntana» ou «Volare»; o terceiro recolhe uma deliciosa entrevista ao tenor feita por Jon Tolansky; o quarto inclui o primeiro disco de Pavarotti ( de 1964) com árias da Bohème, Tosca e Rigoletto e ainda duetos com nomes como Frank Sinatra («My Way»), José Carreras («Nessun Dorma!») e Bono, Brian Eno e The Edge («Miss Saravejo») A caixa onde estão os discos inclui ainda dois livrinhos, um sobre a vida de Pavarotti (e o conteúdo dos discos) e outro sobre a sua discografia integral, com reprodução de todas as capas e alinhamentos.
IR – Um dos melhores músicos portugueses, Rodrigo Leão, apresenta ao vivo «Os Portugueses», a banda sonora que criou para a série documental «Portugal, Um Retrato Social» (de António Barreto e Joana Pontes), no Jardim de Inverno do Teatro de S.Luis, hoje, amanhã sábado 22 e de dia 26 a 29 inclusive, sempre às 19h00. Imperdível.
BACK TO BASICS – A vida nada mais é do que uma longa lição sobre humildade, James Barrie.
Untitled
A MÚSICA DO CÉU
(Publicado na edição do diário «Meia Hora» do dia 19 de Dezembro)
Rodrigo Leão é hoje em dia um dos mais prestigiados músicos portugueses a nível internacional. Não é por acaso: quando se decidiu por uma carreira a solo, depois de ter estado em projectos como os Sétima Legião e Madredeus, Rodrigo Leão tornou-se notado mais depressa em Espanha do que em Portugal. Aqui o êxito demorou-lhe a surgir. Sempre vendeu mais discos no estrangeiro que no seu país e faz frequentes digressões internacionais. Ainda na semana passada actuou em diversas igrejas de Milão numa iniciativa a que se chama «La Musica Dei Cieli» e por onde têm passado alguns dos mais importantes nomes da world music contemporânea.
Compositor e intérprete, Rodrigo Leão é quem melhor conseguiu traduzir, musicalmente e com a cojugação entre instrumentos tradicionais e contemporâneos, o sentir português. A música, as peças instrumentais, são ponto constante da sua carreira dos últimos anos. Mas não tem descurado a palavra e as suas canções são peças de uma rara harmonia e equilíbrio, de uma enorme sensibilidade e poesia. Pelos seus discos passaram nomes como Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, mas também Lula Pena e Adriana Calcanhoto ou os portugueses Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Rui Reininho. Em 2004 o seu disco «Cinema» foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores trabalhos de world music desse ano.
Não por acaso foi a Rodrigo Leão que António Barreto e Joana Pontes pediram para compôr a música original para a série documental «Portugal, Um Retrato Social». O trabalho realizado para os sete episódios desta série foi agrupado sob o nome genérico «Os Portugueses». Nestes temas originais percebe-se ainda melhor esta característica única que Rodrigo Leão tem: o de conseguir conjugar a tradição musical portuguesa, as nossas sonoridades e sentimentos, com uma forma de apresentação universal e moderna – do ponto de vista técnico e estético.
Deixo-vos uma boa notícia: quem quiser ouvir Rodrigo Leão nas suas composições de «Os Portugueses» pode ir ao Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, desde hoje até dia 22 e, depois de dia 26 a dia 29, sempre às 19h00. Não percam.
(Publicado na edição do diário «Meia Hora» do dia 19 de Dezembro)
Rodrigo Leão é hoje em dia um dos mais prestigiados músicos portugueses a nível internacional. Não é por acaso: quando se decidiu por uma carreira a solo, depois de ter estado em projectos como os Sétima Legião e Madredeus, Rodrigo Leão tornou-se notado mais depressa em Espanha do que em Portugal. Aqui o êxito demorou-lhe a surgir. Sempre vendeu mais discos no estrangeiro que no seu país e faz frequentes digressões internacionais. Ainda na semana passada actuou em diversas igrejas de Milão numa iniciativa a que se chama «La Musica Dei Cieli» e por onde têm passado alguns dos mais importantes nomes da world music contemporânea.
Compositor e intérprete, Rodrigo Leão é quem melhor conseguiu traduzir, musicalmente e com a cojugação entre instrumentos tradicionais e contemporâneos, o sentir português. A música, as peças instrumentais, são ponto constante da sua carreira dos últimos anos. Mas não tem descurado a palavra e as suas canções são peças de uma rara harmonia e equilíbrio, de uma enorme sensibilidade e poesia. Pelos seus discos passaram nomes como Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, mas também Lula Pena e Adriana Calcanhoto ou os portugueses Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Rui Reininho. Em 2004 o seu disco «Cinema» foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores trabalhos de world music desse ano.
Não por acaso foi a Rodrigo Leão que António Barreto e Joana Pontes pediram para compôr a música original para a série documental «Portugal, Um Retrato Social». O trabalho realizado para os sete episódios desta série foi agrupado sob o nome genérico «Os Portugueses». Nestes temas originais percebe-se ainda melhor esta característica única que Rodrigo Leão tem: o de conseguir conjugar a tradição musical portuguesa, as nossas sonoridades e sentimentos, com uma forma de apresentação universal e moderna – do ponto de vista técnico e estético.
Deixo-vos uma boa notícia: quem quiser ouvir Rodrigo Leão nas suas composições de «Os Portugueses» pode ir ao Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, desde hoje até dia 22 e, depois de dia 26 a dia 29, sempre às 19h00. Não percam.
A MÚSICA DO CÉU
(Publicado na edição do diário «Meia Hora» do dia 19 de Dezembro)
Rodrigo Leão é hoje em dia um dos mais prestigiados músicos portugueses a nível internacional. Não é por acaso: quando se decidiu por uma carreira a solo, depois de ter estado em projectos como os Sétima Legião e Madredeus, Rodrigo Leão tornou-se notado mais depressa em Espanha do que em Portugal. Aqui o êxito demorou-lhe a surgir. Sempre vendeu mais discos no estrangeiro que no seu país e faz frequentes digressões internacionais. Ainda na semana passada actuou em diversas igrejas de Milão numa iniciativa a que se chama «La Musica Dei Cieli» e por onde têm passado alguns dos mais importantes nomes da world music contemporânea.
Compositor e intérprete, Rodrigo Leão é quem melhor conseguiu traduzir, musicalmente e com a cojugação entre instrumentos tradicionais e contemporâneos, o sentir português. A música, as peças instrumentais, são ponto constante da sua carreira dos últimos anos. Mas não tem descurado a palavra e as suas canções são peças de uma rara harmonia e equilíbrio, de uma enorme sensibilidade e poesia. Pelos seus discos passaram nomes como Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, mas também Lula Pena e Adriana Calcanhoto ou os portugueses Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Rui Reininho. Em 2004 o seu disco «Cinema» foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores trabalhos de world music desse ano.
Não por acaso foi a Rodrigo Leão que António Barreto e Joana Pontes pediram para compôr a música original para a série documental «Portugal, Um Retrato Social». O trabalho realizado para os sete episódios desta série foi agrupado sob o nome genérico «Os Portugueses». Nestes temas originais percebe-se ainda melhor esta característica única que Rodrigo Leão tem: o de conseguir conjugar a tradição musical portuguesa, as nossas sonoridades e sentimentos, com uma forma de apresentação universal e moderna – do ponto de vista técnico e estético.
Deixo-vos uma boa notícia: quem quiser ouvir Rodrigo Leão nas suas composições de «Os Portugueses» pode ir ao Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, desde hoje até dia 22 e, depois de dia 26 a dia 29, sempre às 19h00. Não percam.
(Publicado na edição do diário «Meia Hora» do dia 19 de Dezembro)
Rodrigo Leão é hoje em dia um dos mais prestigiados músicos portugueses a nível internacional. Não é por acaso: quando se decidiu por uma carreira a solo, depois de ter estado em projectos como os Sétima Legião e Madredeus, Rodrigo Leão tornou-se notado mais depressa em Espanha do que em Portugal. Aqui o êxito demorou-lhe a surgir. Sempre vendeu mais discos no estrangeiro que no seu país e faz frequentes digressões internacionais. Ainda na semana passada actuou em diversas igrejas de Milão numa iniciativa a que se chama «La Musica Dei Cieli» e por onde têm passado alguns dos mais importantes nomes da world music contemporânea.
Compositor e intérprete, Rodrigo Leão é quem melhor conseguiu traduzir, musicalmente e com a cojugação entre instrumentos tradicionais e contemporâneos, o sentir português. A música, as peças instrumentais, são ponto constante da sua carreira dos últimos anos. Mas não tem descurado a palavra e as suas canções são peças de uma rara harmonia e equilíbrio, de uma enorme sensibilidade e poesia. Pelos seus discos passaram nomes como Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, mas também Lula Pena e Adriana Calcanhoto ou os portugueses Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Rui Reininho. Em 2004 o seu disco «Cinema» foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores trabalhos de world music desse ano.
Não por acaso foi a Rodrigo Leão que António Barreto e Joana Pontes pediram para compôr a música original para a série documental «Portugal, Um Retrato Social». O trabalho realizado para os sete episódios desta série foi agrupado sob o nome genérico «Os Portugueses». Nestes temas originais percebe-se ainda melhor esta característica única que Rodrigo Leão tem: o de conseguir conjugar a tradição musical portuguesa, as nossas sonoridades e sentimentos, com uma forma de apresentação universal e moderna – do ponto de vista técnico e estético.
Deixo-vos uma boa notícia: quem quiser ouvir Rodrigo Leão nas suas composições de «Os Portugueses» pode ir ao Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, desde hoje até dia 22 e, depois de dia 26 a dia 29, sempre às 19h00. Não percam.
dezembro 18, 2007
BOM – A nomeação de Nuno Santos como Director de Programas da SIC. É certo que não há vitórias garantidas, mas é verdade que Nuno Santos tem o saber, a perseverança e a energia para poder voltar a conquistar audiências para a SIC e provavelmente estará muito mais à vontade numa estação privada que numa pública. Uma coisa é certa – o panorama televisivo em Portugal vai mexer no próximo ano e a coisa vai ficar mais animada.
MAU – A criminalidade violenta começa a deixar demasiadas marcas, mesmo que o Ministro da Administração Interna ache que está tudo controlado. Quando esta semana fui ver o mais recente filme de Ridley Scott, «Gangster Americano», pensei em como ele poderia ser educativo para quem trata destes assuntos. A história é a mesma de sempre – o crime organiza-se e cresce sempre à sombra da cumplicidade e da corrupção das polícias. Como Pacheco Pereira dizia esta semana, se os «Sopranos» fossem feitos em Portugal o sítio ideal para localizar a acção seria no Porto.
PÉSSIMO – O tom das entrevistas de saída do actual vice-presidente da RTP, Ponce Leão, deixando no ar o espectro do desastre da sua sucessão.
SUGESTÃO – A RTP pode e deve ser uma peça da estratégia de dinamização do audiovisual português. Tem uma oportunidade para isso agora, para poder começar a olhar para o que se passa à sua volta, em vez de ter o espírito de grande potência que a tem caracterizado.
PESADELO – Quem consegue ler e perceber integralmente o conteúdo dos novos cartazes de divulgação da imagem de Portugal que estão em outdoors?
DESCOBRIR – O novo blog de Pedro Rolo Duarte (que no início da blogosfera se mostrou bem descrente no assunto) tem bons zumzuns sobre o mundo dos media, comentários certeiros e aquelas observações divertidas que ele faz sempre a propósito que coisas que de outra forma podiam ser banais. Pode e deve ser lido em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/
PETISCAR – Gosto de restaurantes chineses – não para todos os dias mas volta e meia sabe bem. Regra geral são confortáveis (boas cadeiras quase sempre), usam guardanapos e toalhas de panos, praticam preços módicos e têm um serviço rápido e atencioso. Alguns têm boas especialidades. Nas minhas voltas pelas Avenidas Novas de Lisboa descobri há pouco tempo o Fu-Shin (Av. Marquês de Tomar 48) e fiquei cliente dos seus camarões com piri piri e arroz branco. A coisa soube-me tanto melhor quanto na véspera tinha caído na tentação de comer num centro comercial na Tomás Ribeiro e fui experimentar um restaurante (Basil Instinct) que anda muito em alguma impresa, onde tudo correu mal – logo a começar numa lasanha de salmão que parecia pastilha elástica mastigada. Mil vezes os chineses…
LER – Um novo livro de Elmore Leonard é sempre um acontecimento. Mestre do policial americano, Leonard lançou este ano a sua 41ª obra, «Up In Honey’s Room», um intrigante misto de espionagem e policial que começa antes do início da Segunda Grande Guerra e que envolve um anel de conspiração nazi dentro dos Estados Unidos. Honey, personagem central, casada e separada de um dos alemães da rede, mulher sensual e atrevida, troca o marido por outro espião alemão e tenta seduzir, sem êxito, um agente bonitão do FBI, Carl Webster. O resto é mesmo melhor lerem, a edição americana anda por aí já nas boas livrarias, como a «Pó dos Livros» na Av. Marquês de Tomar. E, não se esqueçam, uma das coisas que faz o encanto de Elmore Leonard é um dos seus mandamentos de escrita e que aqui deixo nas suas palavras: «My most important rule is …if it sounds like writing, I rewrite it».
OUVIR – O novo disco de Angie Stone, «The Art Of Love And War», o seu trabalho de estreia para a Stax (uma histórica editora de rhythm and blues) é uma surpresa e uma lufada de ar fresco. Stone tem uma longa carreira que data do início dos anos 80 e que inclui passagens por grupos de hip hop ou coros num disco de Lenny Kravitz e de Joss Stone. Começou a gravar a solo em 1999 e este é o seu quinto disco. Aqui ( a maior parte das canções têm a sua autoria), Angie Stone vai fundo às origens do rhythm and blues mas não descura uma produção sofisticada. O resultado é surpreendente e uma das faixas deste disco, um dueto com Betty Wright, «Baby», foi nomeado para os Grammys.
PERGUNTANDO… O que vale mais – uma boa prestação na Presidência Europeia ou a melhoria das condições de vida em Portugal?
BACK TO BASICS – É mau sinal quando nos deslumbramos com o que vem de fora e esquecemos o que se passa em nossa casa - Anónimo
MAU – A criminalidade violenta começa a deixar demasiadas marcas, mesmo que o Ministro da Administração Interna ache que está tudo controlado. Quando esta semana fui ver o mais recente filme de Ridley Scott, «Gangster Americano», pensei em como ele poderia ser educativo para quem trata destes assuntos. A história é a mesma de sempre – o crime organiza-se e cresce sempre à sombra da cumplicidade e da corrupção das polícias. Como Pacheco Pereira dizia esta semana, se os «Sopranos» fossem feitos em Portugal o sítio ideal para localizar a acção seria no Porto.
PÉSSIMO – O tom das entrevistas de saída do actual vice-presidente da RTP, Ponce Leão, deixando no ar o espectro do desastre da sua sucessão.
SUGESTÃO – A RTP pode e deve ser uma peça da estratégia de dinamização do audiovisual português. Tem uma oportunidade para isso agora, para poder começar a olhar para o que se passa à sua volta, em vez de ter o espírito de grande potência que a tem caracterizado.
PESADELO – Quem consegue ler e perceber integralmente o conteúdo dos novos cartazes de divulgação da imagem de Portugal que estão em outdoors?
DESCOBRIR – O novo blog de Pedro Rolo Duarte (que no início da blogosfera se mostrou bem descrente no assunto) tem bons zumzuns sobre o mundo dos media, comentários certeiros e aquelas observações divertidas que ele faz sempre a propósito que coisas que de outra forma podiam ser banais. Pode e deve ser lido em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/
PETISCAR – Gosto de restaurantes chineses – não para todos os dias mas volta e meia sabe bem. Regra geral são confortáveis (boas cadeiras quase sempre), usam guardanapos e toalhas de panos, praticam preços módicos e têm um serviço rápido e atencioso. Alguns têm boas especialidades. Nas minhas voltas pelas Avenidas Novas de Lisboa descobri há pouco tempo o Fu-Shin (Av. Marquês de Tomar 48) e fiquei cliente dos seus camarões com piri piri e arroz branco. A coisa soube-me tanto melhor quanto na véspera tinha caído na tentação de comer num centro comercial na Tomás Ribeiro e fui experimentar um restaurante (Basil Instinct) que anda muito em alguma impresa, onde tudo correu mal – logo a começar numa lasanha de salmão que parecia pastilha elástica mastigada. Mil vezes os chineses…
LER – Um novo livro de Elmore Leonard é sempre um acontecimento. Mestre do policial americano, Leonard lançou este ano a sua 41ª obra, «Up In Honey’s Room», um intrigante misto de espionagem e policial que começa antes do início da Segunda Grande Guerra e que envolve um anel de conspiração nazi dentro dos Estados Unidos. Honey, personagem central, casada e separada de um dos alemães da rede, mulher sensual e atrevida, troca o marido por outro espião alemão e tenta seduzir, sem êxito, um agente bonitão do FBI, Carl Webster. O resto é mesmo melhor lerem, a edição americana anda por aí já nas boas livrarias, como a «Pó dos Livros» na Av. Marquês de Tomar. E, não se esqueçam, uma das coisas que faz o encanto de Elmore Leonard é um dos seus mandamentos de escrita e que aqui deixo nas suas palavras: «My most important rule is …if it sounds like writing, I rewrite it».
OUVIR – O novo disco de Angie Stone, «The Art Of Love And War», o seu trabalho de estreia para a Stax (uma histórica editora de rhythm and blues) é uma surpresa e uma lufada de ar fresco. Stone tem uma longa carreira que data do início dos anos 80 e que inclui passagens por grupos de hip hop ou coros num disco de Lenny Kravitz e de Joss Stone. Começou a gravar a solo em 1999 e este é o seu quinto disco. Aqui ( a maior parte das canções têm a sua autoria), Angie Stone vai fundo às origens do rhythm and blues mas não descura uma produção sofisticada. O resultado é surpreendente e uma das faixas deste disco, um dueto com Betty Wright, «Baby», foi nomeado para os Grammys.
PERGUNTANDO… O que vale mais – uma boa prestação na Presidência Europeia ou a melhoria das condições de vida em Portugal?
BACK TO BASICS – É mau sinal quando nos deslumbramos com o que vem de fora e esquecemos o que se passa em nossa casa - Anónimo
Untitled
BOM – A nomeação de Nuno Santos como Director de Programas da SIC. É certo que não há vitórias garantidas, mas é verdade que Nuno Santos tem o saber, a perseverança e a energia para poder voltar a conquistar audiências para a SIC e provavelmente estará muito mais à vontade numa estação privada que numa pública. Uma coisa é certa – o panorama televisivo em Portugal vai mexer no próximo ano e a coisa vai ficar mais animada.
MAU – A criminalidade violenta começa a deixar demasiadas marcas, mesmo que o Ministro da Administração Interna ache que está tudo controlado. Quando esta semana fui ver o mais recente filme de Ridley Scott, «Gangster Americano», pensei em como ele poderia ser educativo para quem trata destes assuntos. A história é a mesma de sempre – o crime organiza-se e cresce sempre à sombra da cumplicidade e da corrupção das polícias. Como Pacheco Pereira dizia esta semana, se os «Sopranos» fossem feitos em Portugal o sítio ideal para localizar a acção seria no Porto.
PÉSSIMO – O tom das entrevistas de saída do actual vice-presidente da RTP, Ponce Leão, deixando no ar o espectro do desastre da sua sucessão.
SUGESTÃO – A RTP pode e deve ser uma peça da estratégia de dinamização do audiovisual português. Tem uma oportunidade para isso agora, para poder começar a olhar para o que se passa à sua volta, em vez de ter o espírito de grande potência que a tem caracterizado.
PESADELO – Quem consegue ler e perceber integralmente o conteúdo dos novos cartazes de divulgação da imagem de Portugal que estão em outdoors?
DESCOBRIR – O novo blog de Pedro Rolo Duarte (que no início da blogosfera se mostrou bem descrente no assunto) tem bons zumzuns sobre o mundo dos media, comentários certeiros e aquelas observações divertidas que ele faz sempre a propósito que coisas que de outra forma podiam ser banais. Pode e deve ser lido em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/
PETISCAR – Gosto de restaurantes chineses – não para todos os dias mas volta e meia sabe bem. Regra geral são confortáveis (boas cadeiras quase sempre), usam guardanapos e toalhas de panos, praticam preços módicos e têm um serviço rápido e atencioso. Alguns têm boas especialidades. Nas minhas voltas pelas Avenidas Novas de Lisboa descobri há pouco tempo o Fu-Shin (Av. Marquês de Tomar 48) e fiquei cliente dos seus camarões com piri piri e arroz branco. A coisa soube-me tanto melhor quanto na véspera tinha caído na tentação de comer num centro comercial na Tomás Ribeiro e fui experimentar um restaurante (Basil Instinct) que anda muito em alguma impresa, onde tudo correu mal – logo a começar numa lasanha de salmão que parecia pastilha elástica mastigada. Mil vezes os chineses…
LER – Um novo livro de Elmore Leonard é sempre um acontecimento. Mestre do policial americano, Leonard lançou este ano a sua 41ª obra, «Up In Honey’s Room», um intrigante misto de espionagem e policial que começa antes do início da Segunda Grande Guerra e que envolve um anel de conspiração nazi dentro dos Estados Unidos. Honey, personagem central, casada e separada de um dos alemães da rede, mulher sensual e atrevida, troca o marido por outro espião alemão e tenta seduzir, sem êxito, um agente bonitão do FBI, Carl Webster. O resto é mesmo melhor lerem, a edição americana anda por aí já nas boas livrarias, como a «Pó dos Livros» na Av. Marquês de Tomar. E, não se esqueçam, uma das coisas que faz o encanto de Elmore Leonard é um dos seus mandamentos de escrita e que aqui deixo nas suas palavras: «My most important rule is …if it sounds like writing, I rewrite it».
OUVIR – O novo disco de Angie Stone, «The Art Of Love And War», o seu trabalho de estreia para a Stax (uma histórica editora de rhythm and blues) é uma surpresa e uma lufada de ar fresco. Stone tem uma longa carreira que data do início dos anos 80 e que inclui passagens por grupos de hip hop ou coros num disco de Lenny Kravitz e de Joss Stone. Começou a gravar a solo em 1999 e este é o seu quinto disco. Aqui ( a maior parte das canções têm a sua autoria), Angie Stone vai fundo às origens do rhythm and blues mas não descura uma produção sofisticada. O resultado é surpreendente e uma das faixas deste disco, um dueto com Betty Wright, «Baby», foi nomeado para os Grammys.
PERGUNTANDO… O que vale mais – uma boa prestação na Presidência Europeia ou a melhoria das condições de vida em Portugal?
BACK TO BASICS – É mau sinal quando nos deslumbramos com o que vem de fora e esquecemos o que se passa em nossa casa - Anónimo
MAU – A criminalidade violenta começa a deixar demasiadas marcas, mesmo que o Ministro da Administração Interna ache que está tudo controlado. Quando esta semana fui ver o mais recente filme de Ridley Scott, «Gangster Americano», pensei em como ele poderia ser educativo para quem trata destes assuntos. A história é a mesma de sempre – o crime organiza-se e cresce sempre à sombra da cumplicidade e da corrupção das polícias. Como Pacheco Pereira dizia esta semana, se os «Sopranos» fossem feitos em Portugal o sítio ideal para localizar a acção seria no Porto.
PÉSSIMO – O tom das entrevistas de saída do actual vice-presidente da RTP, Ponce Leão, deixando no ar o espectro do desastre da sua sucessão.
SUGESTÃO – A RTP pode e deve ser uma peça da estratégia de dinamização do audiovisual português. Tem uma oportunidade para isso agora, para poder começar a olhar para o que se passa à sua volta, em vez de ter o espírito de grande potência que a tem caracterizado.
PESADELO – Quem consegue ler e perceber integralmente o conteúdo dos novos cartazes de divulgação da imagem de Portugal que estão em outdoors?
DESCOBRIR – O novo blog de Pedro Rolo Duarte (que no início da blogosfera se mostrou bem descrente no assunto) tem bons zumzuns sobre o mundo dos media, comentários certeiros e aquelas observações divertidas que ele faz sempre a propósito que coisas que de outra forma podiam ser banais. Pode e deve ser lido em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.p
PETISCAR – Gosto de restaurantes chineses – não para todos os dias mas volta e meia sabe bem. Regra geral são confortáveis (boas cadeiras quase sempre), usam guardanapos e toalhas de panos, praticam preços módicos e têm um serviço rápido e atencioso. Alguns têm boas especialidades. Nas minhas voltas pelas Avenidas Novas de Lisboa descobri há pouco tempo o Fu-Shin (Av. Marquês de Tomar 48) e fiquei cliente dos seus camarões com piri piri e arroz branco. A coisa soube-me tanto melhor quanto na véspera tinha caído na tentação de comer num centro comercial na Tomás Ribeiro e fui experimentar um restaurante (Basil Instinct) que anda muito em alguma impresa, onde tudo correu mal – logo a começar numa lasanha de salmão que parecia pastilha elástica mastigada. Mil vezes os chineses…
LER – Um novo livro de Elmore Leonard é sempre um acontecimento. Mestre do policial americano, Leonard lançou este ano a sua 41ª obra, «Up In Honey’s Room», um intrigante misto de espionagem e policial que começa antes do início da Segunda Grande Guerra e que envolve um anel de conspiração nazi dentro dos Estados Unidos. Honey, personagem central, casada e separada de um dos alemães da rede, mulher sensual e atrevida, troca o marido por outro espião alemão e tenta seduzir, sem êxito, um agente bonitão do FBI, Carl Webster. O resto é mesmo melhor lerem, a edição americana anda por aí já nas boas livrarias, como a «Pó dos Livros» na Av. Marquês de Tomar. E, não se esqueçam, uma das coisas que faz o encanto de Elmore Leonard é um dos seus mandamentos de escrita e que aqui deixo nas suas palavras: «My most important rule is …if it sounds like writing, I rewrite it».
OUVIR – O novo disco de Angie Stone, «The Art Of Love And War», o seu trabalho de estreia para a Stax (uma histórica editora de rhythm and blues) é uma surpresa e uma lufada de ar fresco. Stone tem uma longa carreira que data do início dos anos 80 e que inclui passagens por grupos de hip hop ou coros num disco de Lenny Kravitz e de Joss Stone. Começou a gravar a solo em 1999 e este é o seu quinto disco. Aqui ( a maior parte das canções têm a sua autoria), Angie Stone vai fundo às origens do rhythm and blues mas não descura uma produção sofisticada. O resultado é surpreendente e uma das faixas deste disco, um dueto com Betty Wright, «Baby», foi nomeado para os Grammys.
PERGUNTANDO… O que vale mais – uma boa prestação na Presidência Europeia ou a melhoria das condições de vida em Portugal?
BACK TO BASICS – É mau sinal quando nos deslumbramos com o que vem de fora e esquecemos o que se passa em nossa casa - Anónimo
dezembro 14, 2007
UMA MULHER A CANTAR JOSÉ AFONSO
(Publicado na edição de dia 12 do diário «Meia Hora»)
Para quase toda a gente Cristina Branco é apenas mais uma das boas fadistas que, nos últimos anos, tem vindo a conquistar para o fado uma nova geração e novos públicos. Nascida em Almeirim em 1972, Cristina Branco gravou o seu primeiro disco em 1999 e tem interpretado muitos autores, de David Mourão Ferreira a Shakespeare. Progressivamente a sua linguagem musical foi incorporando várias referências para além do fado e a sua forma de cantar evoluiu de forma considerável.
Ao longo deste ano Cristina Branco tem trabalhado uma série de temas de José Afonso, acompanhada por uma formação de jazz que inclui Ricardo Dias (que fez os arranjos e toca piano e teclas), Mário Delgado (na guitarra), Bernardo Moreira (no baixo) e Alexandre Frazão (na bateria). É certo que é um quarteto de luxo no panorama do jazz nacional, mas o resultado é verdadeiramente surpreendente.
Já em discos anteriores Cristina Branco havia pegado em temas de José Afonso, como «As Pombas» e «Era Um Redondo Vocábulo», que aqui reaparecem, noutros arranjos. «Abril», o novo disco de Caristina Branco, o nono da sua carreira, inclui 16 temas, todos originais de José Afonso, desde «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os Índios da Meia-Praia». E vale a pena ouvir com atenção a forma como são interpretadas as versões de «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas».
No ano em que se completam 20 anos sobre a morte de José Afonso, este «Abril» é uma reinterpretação inesperada da sua obra e, não tenho dúvidas em o dizer, um dos melhores discos portugueses deste ano.
José Afonso, para além do lado militante e do conteúdo ideológico de muitas das suas canções, foi também um génio musical que não parou de evoluir até ao seu surpreendente último disco de originais, «Galinhas do Mato», de 1985. E é precisamente o seu lado de génio musical que este «Abril» de Cristina Branco enaltece e sublinha de uma forma muito própria.
Nos próximos dias Cristina Branco apresenta este disco ao vivo um pouco por todo o país: dia 13 em Viana do Castelo, dia 14 em Santa Maria da Feira, dia 15 em Braga e, finalmente, dia 17, em Lisboa. Vale a pena ouvi-la. É uma voz diferente. E é uma voz inteligente. Acreditem que não há muitas cantoras assim.
(Publicado na edição de dia 12 do diário «Meia Hora»)
Para quase toda a gente Cristina Branco é apenas mais uma das boas fadistas que, nos últimos anos, tem vindo a conquistar para o fado uma nova geração e novos públicos. Nascida em Almeirim em 1972, Cristina Branco gravou o seu primeiro disco em 1999 e tem interpretado muitos autores, de David Mourão Ferreira a Shakespeare. Progressivamente a sua linguagem musical foi incorporando várias referências para além do fado e a sua forma de cantar evoluiu de forma considerável.
Ao longo deste ano Cristina Branco tem trabalhado uma série de temas de José Afonso, acompanhada por uma formação de jazz que inclui Ricardo Dias (que fez os arranjos e toca piano e teclas), Mário Delgado (na guitarra), Bernardo Moreira (no baixo) e Alexandre Frazão (na bateria). É certo que é um quarteto de luxo no panorama do jazz nacional, mas o resultado é verdadeiramente surpreendente.
Já em discos anteriores Cristina Branco havia pegado em temas de José Afonso, como «As Pombas» e «Era Um Redondo Vocábulo», que aqui reaparecem, noutros arranjos. «Abril», o novo disco de Caristina Branco, o nono da sua carreira, inclui 16 temas, todos originais de José Afonso, desde «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os Índios da Meia-Praia». E vale a pena ouvir com atenção a forma como são interpretadas as versões de «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas».
No ano em que se completam 20 anos sobre a morte de José Afonso, este «Abril» é uma reinterpretação inesperada da sua obra e, não tenho dúvidas em o dizer, um dos melhores discos portugueses deste ano.
José Afonso, para além do lado militante e do conteúdo ideológico de muitas das suas canções, foi também um génio musical que não parou de evoluir até ao seu surpreendente último disco de originais, «Galinhas do Mato», de 1985. E é precisamente o seu lado de génio musical que este «Abril» de Cristina Branco enaltece e sublinha de uma forma muito própria.
Nos próximos dias Cristina Branco apresenta este disco ao vivo um pouco por todo o país: dia 13 em Viana do Castelo, dia 14 em Santa Maria da Feira, dia 15 em Braga e, finalmente, dia 17, em Lisboa. Vale a pena ouvi-la. É uma voz diferente. E é uma voz inteligente. Acreditem que não há muitas cantoras assim.
Untitled
UMA MULHER A CANTAR JOSÉ AFONSO
(Publicado na edição de dia 12 do diário «Meia Hora»)
Para quase toda a gente Cristina Branco é apenas mais uma das boas fadistas que, nos últimos anos, tem vindo a conquistar para o fado uma nova geração e novos públicos. Nascida em Almeirim em 1972, Cristina Branco gravou o seu primeiro disco em 1999 e tem interpretado muitos autores, de David Mourão Ferreira a Shakespeare. Progressivamente a sua linguagem musical foi incorporando várias referências para além do fado e a sua forma de cantar evoluiu de forma considerável.
Ao longo deste ano Cristina Branco tem trabalhado uma série de temas de José Afonso, acompanhada por uma formação de jazz que inclui Ricardo Dias (que fez os arranjos e toca piano e teclas), Mário Delgado (na guitarra), Bernardo Moreira (no baixo) e Alexandre Frazão (na bateria). É certo que é um quarteto de luxo no panorama do jazz nacional, mas o resultado é verdadeiramente surpreendente.
Já em discos anteriores Cristina Branco havia pegado em temas de José Afonso, como «As Pombas» e «Era Um Redondo Vocábulo», que aqui reaparecem, noutros arranjos. «Abril», o novo disco de Caristina Branco, o nono da sua carreira, inclui 16 temas, todos originais de José Afonso, desde «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os Índios da Meia-Praia». E vale a pena ouvir com atenção a forma como são interpretadas as versões de «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas».
No ano em que se completam 20 anos sobre a morte de José Afonso, este «Abril» é uma reinterpretação inesperada da sua obra e, não tenho dúvidas em o dizer, um dos melhores discos portugueses deste ano.
José Afonso, para além do lado militante e do conteúdo ideológico de muitas das suas canções, foi também um génio musical que não parou de evoluir até ao seu surpreendente último disco de originais, «Galinhas do Mato», de 1985. E é precisamente o seu lado de génio musical que este «Abril» de Cristina Branco enaltece e sublinha de uma forma muito própria.
Nos próximos dias Cristina Branco apresenta este disco ao vivo um pouco por todo o país: dia 13 em Viana do Castelo, dia 14 em Santa Maria da Feira, dia 15 em Braga e, finalmente, dia 17, em Lisboa. Vale a pena ouvi-la. É uma voz diferente. E é uma voz inteligente. Acreditem que não há muitas cantoras assim.
(Publicado na edição de dia 12 do diário «Meia Hora»)
Para quase toda a gente Cristina Branco é apenas mais uma das boas fadistas que, nos últimos anos, tem vindo a conquistar para o fado uma nova geração e novos públicos. Nascida em Almeirim em 1972, Cristina Branco gravou o seu primeiro disco em 1999 e tem interpretado muitos autores, de David Mourão Ferreira a Shakespeare. Progressivamente a sua linguagem musical foi incorporando várias referências para além do fado e a sua forma de cantar evoluiu de forma considerável.
Ao longo deste ano Cristina Branco tem trabalhado uma série de temas de José Afonso, acompanhada por uma formação de jazz que inclui Ricardo Dias (que fez os arranjos e toca piano e teclas), Mário Delgado (na guitarra), Bernardo Moreira (no baixo) e Alexandre Frazão (na bateria). É certo que é um quarteto de luxo no panorama do jazz nacional, mas o resultado é verdadeiramente surpreendente.
Já em discos anteriores Cristina Branco havia pegado em temas de José Afonso, como «As Pombas» e «Era Um Redondo Vocábulo», que aqui reaparecem, noutros arranjos. «Abril», o novo disco de Caristina Branco, o nono da sua carreira, inclui 16 temas, todos originais de José Afonso, desde «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os Índios da Meia-Praia». E vale a pena ouvir com atenção a forma como são interpretadas as versões de «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas».
No ano em que se completam 20 anos sobre a morte de José Afonso, este «Abril» é uma reinterpretação inesperada da sua obra e, não tenho dúvidas em o dizer, um dos melhores discos portugueses deste ano.
José Afonso, para além do lado militante e do conteúdo ideológico de muitas das suas canções, foi também um génio musical que não parou de evoluir até ao seu surpreendente último disco de originais, «Galinhas do Mato», de 1985. E é precisamente o seu lado de génio musical que este «Abril» de Cristina Branco enaltece e sublinha de uma forma muito própria.
Nos próximos dias Cristina Branco apresenta este disco ao vivo um pouco por todo o país: dia 13 em Viana do Castelo, dia 14 em Santa Maria da Feira, dia 15 em Braga e, finalmente, dia 17, em Lisboa. Vale a pena ouvi-la. É uma voz diferente. E é uma voz inteligente. Acreditem que não há muitas cantoras assim.
dezembro 09, 2007
BOM – A abertura de uma livraria, a Byblos (Lisboa, Amoreiras Square), que disponibiliza um catálogo de 150.000 títulos, muitos deles difíceis de encontrar no mercado livreiro tradicional. A Byblos dispõe de um sofisticado sistema de informação que permite a rápida localização de um livro e introduz um conceito novo de livraria «amiga do leitor» no mercado português.
MAU – Ao fim de dois anos de Governo, quase todos os indicadores que José Sócrates – aquando na oposição – dizia serem provas de má governação estão com indíces ainda piores – do desemprego aos resultados na educação, são infelizmente poucas as áreas em que Portugal não caíu para os últimos lugares europeus nos estudos do Eurostat. Começa a perceber-se que a governação de Sócrates ainda é pior que a dos seus antecessores – aumentou impostos, retraíu a economia, fez perder a competitividade, aumentou o desemprego, diminuíu os direitos dos cidadãos, aumentou a arbitrariedade do Estado. Sócrates preocupa-se mais com o show-off dos tratados de Lisboa do que com o bem-estar e o progresso do país que devia governar.
PÉSSIMO – O comportamento do Ministro da Administração Interna face ao aumento da insegurança nas grandes cidades, às relações entre polícias e o crime organizado, tudo temperado com um displicente e arrogante desprezo pela segurança dos cidadãos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A Associação Sindical dos Funcionários da ASAE emitiu esta semana um comunicado onde se afirma que aquele organismo não cumpre «regras internas de higiene, saúde e segurança» e levanta suspeitas sobre a forma como apresenta os recibos aos seus funcionários.
PESADELO – O Director Geral dos Impostos, face à chuva de críticas sobre as atitudes arbitrárias e prepotentes do sistema fiscal, disparou contra jornalistas e colunistas esquecendo-se de um facto simples, que nem referiu, certamente por falta de memória: os abusos foram constatados num relatório do Provedor de Justiça. Aguarda-se que quem de direito assuma as responsabilidades políticas das acusações que lá estão formuladas.
PETISCAR – O «Galo d’Ouro» é um restaurante snack-bar (é assim que está escrito à porta), à boa velha maneira antiga. Situado nas Avenidas Novas propõe basicamente comida portuguesa de inspiração caseira, confecção simples mas certeira, boa qualidade dos produtos, mesas espaçosas, preço comedido e um serviço atencioso e rápido. O conjunto destas coisas é, como se sabe, uma raridade no panorama nacional da restauração – sobretudo nos lounge cafés, que são o sucedâneo modernaço dos snack-bares dos anos 60. Se esquecermos o incómodo que é este restaurante estar situado perto da ASAE, vale a pena considerá-lo quando se resolve almoçar por estas paragens. Av. Marquês de Tomar 83-85, Tel. 217974580.
VER – Assim que puder vou espreitar as novas esculturas de Rui Chafes na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto. Até dia 5 de Janeiro, terça a sábado entre as 11h00 e as 20h00. A exposição tem o nome «Eu sou os outros». Chafes, que gosta de se considerar um ferreiro, trabalha o metal de uma forma inesperadamente poética e é isso que mais impressiona na sua obra – o contraste entre o material e a forma e conteúdo que ganha nas mãos do artista.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» António Carrapatoso escreve um interessante artigo sobre a situação política portuguesa onde defende a ideia de que, mais importante que saber o que distingue a esquerda da direita, é constatar as diferenças entre as propostas que quem é e de quem não é liberal. No artigo Carrapatoso propõe uma matriz de análise da política, a que chama «Politrix». Liberdade e responsabilização dos cidadãos, uma proposta de modelo social baseado na igualdade de oportunidades, um modelo de segurança social e outro de organização social são alguns dos pontos abordados neste artigo que bem merece ser lido e discutido. Uma das conclusões da aplicação da matriz é que o PS, apesar de todo o seu discurso, está efectivamente «mais no interior da designada esquerda tradicional do que na área liberal».
OUVIR – Para assinalar o centenário do nascimento do maestro Herbert Von Karajan a Deustche Grammophon fez uma esplêndida edição especial que agrupa um CD (que além de registos conhecidos inclui alguns inéditos de interpretações de Bach) e um DVD com registos de actuações dirigidas por Karajan, incluindo a Quinta Sinfonia de Beethoven. A edição inclui muito bom material fotográfico de várias fases da vida e carreira do maestro e um catálogo de todas as suas gravações.
PERGUNTANDO – Hugo Chávez anunciou que irá repetindo referendos até alcançar o resultado pretendido. Acham que a moda vai pegar noutras paragens com uma teorização sobre o aprofundamento da democracia através das consultas aos cidadãos?
BACK TO BASICS – Fazer jornalismo é reportar o sucedido – espantoso que se tenha de recordar isto, mas esta semana o tema ganhou moda depois de vários jornais terem dado por certa a vitória de Chávez, apenas com base em sondagens e não nos resultados reais da votação.
MAU – Ao fim de dois anos de Governo, quase todos os indicadores que José Sócrates – aquando na oposição – dizia serem provas de má governação estão com indíces ainda piores – do desemprego aos resultados na educação, são infelizmente poucas as áreas em que Portugal não caíu para os últimos lugares europeus nos estudos do Eurostat. Começa a perceber-se que a governação de Sócrates ainda é pior que a dos seus antecessores – aumentou impostos, retraíu a economia, fez perder a competitividade, aumentou o desemprego, diminuíu os direitos dos cidadãos, aumentou a arbitrariedade do Estado. Sócrates preocupa-se mais com o show-off dos tratados de Lisboa do que com o bem-estar e o progresso do país que devia governar.
PÉSSIMO – O comportamento do Ministro da Administração Interna face ao aumento da insegurança nas grandes cidades, às relações entre polícias e o crime organizado, tudo temperado com um displicente e arrogante desprezo pela segurança dos cidadãos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A Associação Sindical dos Funcionários da ASAE emitiu esta semana um comunicado onde se afirma que aquele organismo não cumpre «regras internas de higiene, saúde e segurança» e levanta suspeitas sobre a forma como apresenta os recibos aos seus funcionários.
PESADELO – O Director Geral dos Impostos, face à chuva de críticas sobre as atitudes arbitrárias e prepotentes do sistema fiscal, disparou contra jornalistas e colunistas esquecendo-se de um facto simples, que nem referiu, certamente por falta de memória: os abusos foram constatados num relatório do Provedor de Justiça. Aguarda-se que quem de direito assuma as responsabilidades políticas das acusações que lá estão formuladas.
PETISCAR – O «Galo d’Ouro» é um restaurante snack-bar (é assim que está escrito à porta), à boa velha maneira antiga. Situado nas Avenidas Novas propõe basicamente comida portuguesa de inspiração caseira, confecção simples mas certeira, boa qualidade dos produtos, mesas espaçosas, preço comedido e um serviço atencioso e rápido. O conjunto destas coisas é, como se sabe, uma raridade no panorama nacional da restauração – sobretudo nos lounge cafés, que são o sucedâneo modernaço dos snack-bares dos anos 60. Se esquecermos o incómodo que é este restaurante estar situado perto da ASAE, vale a pena considerá-lo quando se resolve almoçar por estas paragens. Av. Marquês de Tomar 83-85, Tel. 217974580.
VER – Assim que puder vou espreitar as novas esculturas de Rui Chafes na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto. Até dia 5 de Janeiro, terça a sábado entre as 11h00 e as 20h00. A exposição tem o nome «Eu sou os outros». Chafes, que gosta de se considerar um ferreiro, trabalha o metal de uma forma inesperadamente poética e é isso que mais impressiona na sua obra – o contraste entre o material e a forma e conteúdo que ganha nas mãos do artista.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» António Carrapatoso escreve um interessante artigo sobre a situação política portuguesa onde defende a ideia de que, mais importante que saber o que distingue a esquerda da direita, é constatar as diferenças entre as propostas que quem é e de quem não é liberal. No artigo Carrapatoso propõe uma matriz de análise da política, a que chama «Politrix». Liberdade e responsabilização dos cidadãos, uma proposta de modelo social baseado na igualdade de oportunidades, um modelo de segurança social e outro de organização social são alguns dos pontos abordados neste artigo que bem merece ser lido e discutido. Uma das conclusões da aplicação da matriz é que o PS, apesar de todo o seu discurso, está efectivamente «mais no interior da designada esquerda tradicional do que na área liberal».
OUVIR – Para assinalar o centenário do nascimento do maestro Herbert Von Karajan a Deustche Grammophon fez uma esplêndida edição especial que agrupa um CD (que além de registos conhecidos inclui alguns inéditos de interpretações de Bach) e um DVD com registos de actuações dirigidas por Karajan, incluindo a Quinta Sinfonia de Beethoven. A edição inclui muito bom material fotográfico de várias fases da vida e carreira do maestro e um catálogo de todas as suas gravações.
PERGUNTANDO – Hugo Chávez anunciou que irá repetindo referendos até alcançar o resultado pretendido. Acham que a moda vai pegar noutras paragens com uma teorização sobre o aprofundamento da democracia através das consultas aos cidadãos?
BACK TO BASICS – Fazer jornalismo é reportar o sucedido – espantoso que se tenha de recordar isto, mas esta semana o tema ganhou moda depois de vários jornais terem dado por certa a vitória de Chávez, apenas com base em sondagens e não nos resultados reais da votação.
Untitled
BOM – A abertura de uma livraria, a Byblos (Lisboa, Amoreiras Square), que disponibiliza um catálogo de 150.000 títulos, muitos deles difíceis de encontrar no mercado livreiro tradicional. A Byblos dispõe de um sofisticado sistema de informação que permite a rápida localização de um livro e introduz um conceito novo de livraria «amiga do leitor» no mercado português.
MAU – Ao fim de dois anos de Governo, quase todos os indicadores que José Sócrates – aquando na oposição – dizia serem provas de má governação estão com indíces ainda piores – do desemprego aos resultados na educação, são infelizmente poucas as áreas em que Portugal não caíu para os últimos lugares europeus nos estudos do Eurostat. Começa a perceber-se que a governação de Sócrates ainda é pior que a dos seus antecessores – aumentou impostos, retraíu a economia, fez perder a competitividade, aumentou o desemprego, diminuíu os direitos dos cidadãos, aumentou a arbitrariedade do Estado. Sócrates preocupa-se mais com o show-off dos tratados de Lisboa do que com o bem-estar e o progresso do país que devia governar.
PÉSSIMO – O comportamento do Ministro da Administração Interna face ao aumento da insegurança nas grandes cidades, às relações entre polícias e o crime organizado, tudo temperado com um displicente e arrogante desprezo pela segurança dos cidadãos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A Associação Sindical dos Funcionários da ASAE emitiu esta semana um comunicado onde se afirma que aquele organismo não cumpre «regras internas de higiene, saúde e segurança» e levanta suspeitas sobre a forma como apresenta os recibos aos seus funcionários.
PESADELO – O Director Geral dos Impostos, face à chuva de críticas sobre as atitudes arbitrárias e prepotentes do sistema fiscal, disparou contra jornalistas e colunistas esquecendo-se de um facto simples, que nem referiu, certamente por falta de memória: os abusos foram constatados num relatório do Provedor de Justiça. Aguarda-se que quem de direito assuma as responsabilidades políticas das acusações que lá estão formuladas.
PETISCAR – O «Galo d’Ouro» é um restaurante snack-bar (é assim que está escrito à porta), à boa velha maneira antiga. Situado nas Avenidas Novas propõe basicamente comida portuguesa de inspiração caseira, confecção simples mas certeira, boa qualidade dos produtos, mesas espaçosas, preço comedido e um serviço atencioso e rápido. O conjunto destas coisas é, como se sabe, uma raridade no panorama nacional da restauração – sobretudo nos lounge cafés, que são o sucedâneo modernaço dos snack-bares dos anos 60. Se esquecermos o incómodo que é este restaurante estar situado perto da ASAE, vale a pena considerá-lo quando se resolve almoçar por estas paragens. Av. Marquês de Tomar 83-85, Tel. 217974580.
VER – Assim que puder vou espreitar as novas esculturas de Rui Chafes na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto. Até dia 5 de Janeiro, terça a sábado entre as 11h00 e as 20h00. A exposição tem o nome «Eu sou os outros». Chafes, que gosta de se considerar um ferreiro, trabalha o metal de uma forma inesperadamente poética e é isso que mais impressiona na sua obra – o contraste entre o material e a forma e conteúdo que ganha nas mãos do artista.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» António Carrapatoso escreve um interessante artigo sobre a situação política portuguesa onde defende a ideia de que, mais importante que saber o que distingue a esquerda da direita, é constatar as diferenças entre as propostas que quem é e de quem não é liberal. No artigo Carrapatoso propõe uma matriz de análise da política, a que chama «Politrix». Liberdade e responsabilização dos cidadãos, uma proposta de modelo social baseado na igualdade de oportunidades, um modelo de segurança social e outro de organização social são alguns dos pontos abordados neste artigo que bem merece ser lido e discutido. Uma das conclusões da aplicação da matriz é que o PS, apesar de todo o seu discurso, está efectivamente «mais no interior da designada esquerda tradicional do que na área liberal».
OUVIR – Para assinalar o centenário do nascimento do maestro Herbert Von Karajan a Deustche Grammophon fez uma esplêndida edição especial que agrupa um CD (que além de registos conhecidos inclui alguns inéditos de interpretações de Bach) e um DVD com registos de actuações dirigidas por Karajan, incluindo a Quinta Sinfonia de Beethoven. A edição inclui muito bom material fotográfico de várias fases da vida e carreira do maestro e um catálogo de todas as suas gravações.
PERGUNTANDO – Hugo Chávez anunciou que irá repetindo referendos até alcançar o resultado pretendido. Acham que a moda vai pegar noutras paragens com uma teorização sobre o aprofundamento da democracia através das consultas aos cidadãos?
BACK TO BASICS – Fazer jornalismo é reportar o sucedido – espantoso que se tenha de recordar isto, mas esta semana o tema ganhou moda depois de vários jornais terem dado por certa a vitória de Chávez, apenas com base em sondagens e não nos resultados reais da votação.
MAU – Ao fim de dois anos de Governo, quase todos os indicadores que José Sócrates – aquando na oposição – dizia serem provas de má governação estão com indíces ainda piores – do desemprego aos resultados na educação, são infelizmente poucas as áreas em que Portugal não caíu para os últimos lugares europeus nos estudos do Eurostat. Começa a perceber-se que a governação de Sócrates ainda é pior que a dos seus antecessores – aumentou impostos, retraíu a economia, fez perder a competitividade, aumentou o desemprego, diminuíu os direitos dos cidadãos, aumentou a arbitrariedade do Estado. Sócrates preocupa-se mais com o show-off dos tratados de Lisboa do que com o bem-estar e o progresso do país que devia governar.
PÉSSIMO – O comportamento do Ministro da Administração Interna face ao aumento da insegurança nas grandes cidades, às relações entre polícias e o crime organizado, tudo temperado com um displicente e arrogante desprezo pela segurança dos cidadãos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – A Associação Sindical dos Funcionários da ASAE emitiu esta semana um comunicado onde se afirma que aquele organismo não cumpre «regras internas de higiene, saúde e segurança» e levanta suspeitas sobre a forma como apresenta os recibos aos seus funcionários.
PESADELO – O Director Geral dos Impostos, face à chuva de críticas sobre as atitudes arbitrárias e prepotentes do sistema fiscal, disparou contra jornalistas e colunistas esquecendo-se de um facto simples, que nem referiu, certamente por falta de memória: os abusos foram constatados num relatório do Provedor de Justiça. Aguarda-se que quem de direito assuma as responsabilidades políticas das acusações que lá estão formuladas.
PETISCAR – O «Galo d’Ouro» é um restaurante snack-bar (é assim que está escrito à porta), à boa velha maneira antiga. Situado nas Avenidas Novas propõe basicamente comida portuguesa de inspiração caseira, confecção simples mas certeira, boa qualidade dos produtos, mesas espaçosas, preço comedido e um serviço atencioso e rápido. O conjunto destas coisas é, como se sabe, uma raridade no panorama nacional da restauração – sobretudo nos lounge cafés, que são o sucedâneo modernaço dos snack-bares dos anos 60. Se esquecermos o incómodo que é este restaurante estar situado perto da ASAE, vale a pena considerá-lo quando se resolve almoçar por estas paragens. Av. Marquês de Tomar 83-85, Tel. 217974580.
VER – Assim que puder vou espreitar as novas esculturas de Rui Chafes na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto. Até dia 5 de Janeiro, terça a sábado entre as 11h00 e as 20h00. A exposição tem o nome «Eu sou os outros». Chafes, que gosta de se considerar um ferreiro, trabalha o metal de uma forma inesperadamente poética e é isso que mais impressiona na sua obra – o contraste entre o material e a forma e conteúdo que ganha nas mãos do artista.
LER – Na edição deste mês da revista «Atlântico» António Carrapatoso escreve um interessante artigo sobre a situação política portuguesa onde defende a ideia de que, mais importante que saber o que distingue a esquerda da direita, é constatar as diferenças entre as propostas que quem é e de quem não é liberal. No artigo Carrapatoso propõe uma matriz de análise da política, a que chama «Politrix». Liberdade e responsabilização dos cidadãos, uma proposta de modelo social baseado na igualdade de oportunidades, um modelo de segurança social e outro de organização social são alguns dos pontos abordados neste artigo que bem merece ser lido e discutido. Uma das conclusões da aplicação da matriz é que o PS, apesar de todo o seu discurso, está efectivamente «mais no interior da designada esquerda tradicional do que na área liberal».
OUVIR – Para assinalar o centenário do nascimento do maestro Herbert Von Karajan a Deustche Grammophon fez uma esplêndida edição especial que agrupa um CD (que além de registos conhecidos inclui alguns inéditos de interpretações de Bach) e um DVD com registos de actuações dirigidas por Karajan, incluindo a Quinta Sinfonia de Beethoven. A edição inclui muito bom material fotográfico de várias fases da vida e carreira do maestro e um catálogo de todas as suas gravações.
PERGUNTANDO – Hugo Chávez anunciou que irá repetindo referendos até alcançar o resultado pretendido. Acham que a moda vai pegar noutras paragens com uma teorização sobre o aprofundamento da democracia através das consultas aos cidadãos?
BACK TO BASICS – Fazer jornalismo é reportar o sucedido – espantoso que se tenha de recordar isto, mas esta semana o tema ganhou moda depois de vários jornais terem dado por certa a vitória de Chávez, apenas com base em sondagens e não nos resultados reais da votação.
dezembro 05, 2007
Untitled
A ASAE NÃO PRESTA
(Publicado na edição de quarta-feira 6 de Dezembro do diário «Meia Hora»)
Em muitas das barras de tapas que fazem o encanto dos encontros do fim de tarde nas cidades de Espanha a ASAE encontraria sobejos motivos de encerramento ou estabeleceria regras difíceis de cumprir. Muitos dos pequenos restaurantes que preparam delícias por essa Europa fora não teriam oportunidade de existência se por todo o lado se aplicassem os critérios que aqui a ASAE impõe. O efeito disto é que nos vamos tornando incaracterísticos, as nossas especialidades perdem o brilho da diferença, as pessoas deixam até de ter vontade de as manter e um dia destes deixarão de fazer muitas das nossos petiscos e guloseimas locais.
O que eu acho é que, escudando-se por vezes em regulamentos europeus, a ASAE é mais papista que o papa e atira a matar em tudo o que mexe. A ASAE passa uma imagem terrível: a de defender a padronização, a de combater as especificidades, a de considerar tudo por igual. De certa forma a ASAE é uma organização pró-globalização, que prefere um mau produto importado mas bem embalado, a um bom produto local mal embalado. Isto é um total disparate. A ASAE, como ainda recentemente se tem visto, é uma organização que não quer entender os condicionalismos de edifícios antigos em zonas históricas das cidades e não se dispõe a adaptar as coisas à realidade nacional. Um organismo assim, que não sabe agir em função da realidade, não presta.
O que me parece é que a ASAE tem uma enorme falta de bom senso e uma apreciável inabilidade para actuar e comunicar. Na actuação prefere reprimir em vez de educar e na comunicação prefere inspirar o medo, em vez de promover a persuasão.
Eu bem gostava de saber quem será o iluminado, na estrutura da ASAE, que acha estar a fazer um bom trabalho quando chama as televisões e jornais a fotografar cargas de tropas da ASAE fardadas como se estivessem numa acção anti terrorista no Iraque ou no Afeganistão.
Acho estranho que o Ministro Manuel Pinho, que tem a tutela da ASAE, pactue com esta forma disparatada de acção. Custa-me a crer que um membro do Governo, que também tem a área do turismo a seu cargo, privilegie perseguir algumas coisas que fazem de Portugal um país especial, para fomentar uma imagem, um sabor e um aspecto uniforme e incaracterístico.
(Publicado na edição de quarta-feira 6 de Dezembro do diário «Meia Hora»)
Em muitas das barras de tapas que fazem o encanto dos encontros do fim de tarde nas cidades de Espanha a ASAE encontraria sobejos motivos de encerramento ou estabeleceria regras difíceis de cumprir. Muitos dos pequenos restaurantes que preparam delícias por essa Europa fora não teriam oportunidade de existência se por todo o lado se aplicassem os critérios que aqui a ASAE impõe. O efeito disto é que nos vamos tornando incaracterísticos, as nossas especialidades perdem o brilho da diferença, as pessoas deixam até de ter vontade de as manter e um dia destes deixarão de fazer muitas das nossos petiscos e guloseimas locais.
O que eu acho é que, escudando-se por vezes em regulamentos europeus, a ASAE é mais papista que o papa e atira a matar em tudo o que mexe. A ASAE passa uma imagem terrível: a de defender a padronização, a de combater as especificidades, a de considerar tudo por igual. De certa forma a ASAE é uma organização pró-globalização, que prefere um mau produto importado mas bem embalado, a um bom produto local mal embalado. Isto é um total disparate. A ASAE, como ainda recentemente se tem visto, é uma organização que não quer entender os condicionalismos de edifícios antigos em zonas históricas das cidades e não se dispõe a adaptar as coisas à realidade nacional. Um organismo assim, que não sabe agir em função da realidade, não presta.
O que me parece é que a ASAE tem uma enorme falta de bom senso e uma apreciável inabilidade para actuar e comunicar. Na actuação prefere reprimir em vez de educar e na comunicação prefere inspirar o medo, em vez de promover a persuasão.
Eu bem gostava de saber quem será o iluminado, na estrutura da ASAE, que acha estar a fazer um bom trabalho quando chama as televisões e jornais a fotografar cargas de tropas da ASAE fardadas como se estivessem numa acção anti terrorista no Iraque ou no Afeganistão.
Acho estranho que o Ministro Manuel Pinho, que tem a tutela da ASAE, pactue com esta forma disparatada de acção. Custa-me a crer que um membro do Governo, que também tem a área do turismo a seu cargo, privilegie perseguir algumas coisas que fazem de Portugal um país especial, para fomentar uma imagem, um sabor e um aspecto uniforme e incaracterístico.
A ASAE NÃO PRESTA
(Publicado na edição de quarta-feira 6 de Dezembro do diário «Meia Hora»)
Em muitas das barras de tapas que fazem o encanto dos encontros do fim de tarde nas cidades de Espanha a ASAE encontraria sobejos motivos de encerramento ou estabeleceria regras difíceis de cumprir. Muitos dos pequenos restaurantes que preparam delícias por essa Europa fora não teriam oportunidade de existência se por todo o lado se aplicassem os critérios que aqui a ASAE impõe. O efeito disto é que nos vamos tornando incaracterísticos, as nossas especialidades perdem o brilho da diferença, as pessoas deixam até de ter vontade de as manter e um dia destes deixarão de fazer muitas das nossos petiscos e guloseimas locais.
O que eu acho é que, escudando-se por vezes em regulamentos europeus, a ASAE é mais papista que o papa e atira a matar em tudo o que mexe. A ASAE passa uma imagem terrível: a de defender a padronização, a de combater as especificidades, a de considerar tudo por igual. De certa forma a ASAE é uma organização pró-globalização, que prefere um mau produto importado mas bem embalado, a um bom produto local mal embalado. Isto é um total disparate. A ASAE, como ainda recentemente se tem visto, é uma organização que não quer entender os condicionalismos de edifícios antigos em zonas históricas das cidades e não se dispõe a adaptar as coisas à realidade nacional. Um organismo assim, que não sabe agir em função da realidade, não presta.
O que me parece é que a ASAE tem uma enorme falta de bom senso e uma apreciável inabilidade para actuar e comunicar. Na actuação prefere reprimir em vez de educar e na comunicação prefere inspirar o medo, em vez de promover a persuasão.
Eu bem gostava de saber quem será o iluminado, na estrutura da ASAE, que acha estar a fazer um bom trabalho quando chama as televisões e jornais a fotografar cargas de tropas da ASAE fardadas como se estivessem numa acção anti terrorista no Iraque ou no Afeganistão.
Acho estranho que o Ministro Manuel Pinho, que tem a tutela da ASAE, pactue com esta forma disparatada de acção. Custa-me a crer que um membro do Governo, que também tem a área do turismo a seu cargo, privilegie perseguir algumas coisas que fazem de Portugal um país especial, para fomentar uma imagem, um sabor e um aspecto uniforme e incaracterístico.
(Publicado na edição de quarta-feira 6 de Dezembro do diário «Meia Hora»)
Em muitas das barras de tapas que fazem o encanto dos encontros do fim de tarde nas cidades de Espanha a ASAE encontraria sobejos motivos de encerramento ou estabeleceria regras difíceis de cumprir. Muitos dos pequenos restaurantes que preparam delícias por essa Europa fora não teriam oportunidade de existência se por todo o lado se aplicassem os critérios que aqui a ASAE impõe. O efeito disto é que nos vamos tornando incaracterísticos, as nossas especialidades perdem o brilho da diferença, as pessoas deixam até de ter vontade de as manter e um dia destes deixarão de fazer muitas das nossos petiscos e guloseimas locais.
O que eu acho é que, escudando-se por vezes em regulamentos europeus, a ASAE é mais papista que o papa e atira a matar em tudo o que mexe. A ASAE passa uma imagem terrível: a de defender a padronização, a de combater as especificidades, a de considerar tudo por igual. De certa forma a ASAE é uma organização pró-globalização, que prefere um mau produto importado mas bem embalado, a um bom produto local mal embalado. Isto é um total disparate. A ASAE, como ainda recentemente se tem visto, é uma organização que não quer entender os condicionalismos de edifícios antigos em zonas históricas das cidades e não se dispõe a adaptar as coisas à realidade nacional. Um organismo assim, que não sabe agir em função da realidade, não presta.
O que me parece é que a ASAE tem uma enorme falta de bom senso e uma apreciável inabilidade para actuar e comunicar. Na actuação prefere reprimir em vez de educar e na comunicação prefere inspirar o medo, em vez de promover a persuasão.
Eu bem gostava de saber quem será o iluminado, na estrutura da ASAE, que acha estar a fazer um bom trabalho quando chama as televisões e jornais a fotografar cargas de tropas da ASAE fardadas como se estivessem numa acção anti terrorista no Iraque ou no Afeganistão.
Acho estranho que o Ministro Manuel Pinho, que tem a tutela da ASAE, pactue com esta forma disparatada de acção. Custa-me a crer que um membro do Governo, que também tem a área do turismo a seu cargo, privilegie perseguir algumas coisas que fazem de Portugal um país especial, para fomentar uma imagem, um sabor e um aspecto uniforme e incaracterístico.
dezembro 04, 2007
O TOM CRUISE DE CHELAS
Deixando-se talvez, momentaneamente, deslumbrar pelo mundo do cinema, o vice-presidente do Conselho de Administração da RTP deu uma patética entrevista ao «Jornal de Negócios», hoje publicada. Tal Tom Cruise no filme, o ainda senhor vice-presidente considera-se o homem responsável pelo êxito de uma «Missão Impossível», mas esquece o extraordinário aumento de receitas de que beneficiou (mais contribuição para o audivisual, maior e mais atempada indemnização compensatória) e claro que só fala de coisas boas. Para além da toada geral narcísica, o mais espantoso é que se possa gabar de ter modificado a cultura da empresa, quando é certo que não só ela não mudou como até se agravou - no fomento do gigantismo da empresa nos novos meios técnicos, na demora de decisões, em critérios pouco claros e de questionável aplicação de apreciações de contratos de produção, no aumento da burocracia, no privilegiar da subserviência face à competência, no desprezo pelo trabalho das pessoas e sobretudo no desprezo pelas pessoas propriamente ditas. Internamente preferiu o conflito ao diálogo, o autoritarismo à particpação. É sintomático que elogie nesta despedida aqueles que dentro da RTP «adoptaram a postura do Conselho de Administração» e não o questionaram nem contrariaram.
Suspeito que alguns dos efeitos da actuação do vice-presidente da RTP e de algumas pessoas e actos que ele hoje elogia ainda hão-de fazer correr alguma tinta, mas isso virá naturalmente com o tempo.
Deixando-se talvez, momentaneamente, deslumbrar pelo mundo do cinema, o vice-presidente do Conselho de Administração da RTP deu uma patética entrevista ao «Jornal de Negócios», hoje publicada. Tal Tom Cruise no filme, o ainda senhor vice-presidente considera-se o homem responsável pelo êxito de uma «Missão Impossível», mas esquece o extraordinário aumento de receitas de que beneficiou (mais contribuição para o audivisual, maior e mais atempada indemnização compensatória) e claro que só fala de coisas boas. Para além da toada geral narcísica, o mais espantoso é que se possa gabar de ter modificado a cultura da empresa, quando é certo que não só ela não mudou como até se agravou - no fomento do gigantismo da empresa nos novos meios técnicos, na demora de decisões, em critérios pouco claros e de questionável aplicação de apreciações de contratos de produção, no aumento da burocracia, no privilegiar da subserviência face à competência, no desprezo pelo trabalho das pessoas e sobretudo no desprezo pelas pessoas propriamente ditas. Internamente preferiu o conflito ao diálogo, o autoritarismo à particpação. É sintomático que elogie nesta despedida aqueles que dentro da RTP «adoptaram a postura do Conselho de Administração» e não o questionaram nem contrariaram.
Suspeito que alguns dos efeitos da actuação do vice-presidente da RTP e de algumas pessoas e actos que ele hoje elogia ainda hão-de fazer correr alguma tinta, mas isso virá naturalmente com o tempo.
Untitled
O TOM CRUISE DE CHELAS
Deixando-se talvez, momentaneamente, deslumbrar pelo mundo do cinema, o vice-presidente do Conselho de Administração da RTP deu uma patética entrevista ao «Jornal de Negócios», hoje publicada. Tal Tom Cruise no filme, o ainda senhor vice-presidente considera-se o homem responsável pelo êxito de uma «Missão Impossível», mas esquece o extraordinário aumento de receitas de que beneficiou (mais contribuição para o audivisual, maior e mais atempada indemnização compensatória) e claro que só fala de coisas boas. Para além da toada geral narcísica, o mais espantoso é que se possa gabar de ter modificado a cultura da empresa, quando é certo que não só ela não mudou como até se agravou - no fomento do gigantismo da empresa nos novos meios técnicos, na demora de decisões, em critérios pouco claros e de questionável aplicação de apreciações de contratos de produção, no aumento da burocracia, no privilegiar da subserviência face à competência, no desprezo pelo trabalho das pessoas e sobretudo no desprezo pelas pessoas propriamente ditas. Internamente preferiu o conflito ao diálogo, o autoritarismo à particpação. É sintomático que elogie nesta despedida aqueles que dentro da RTP «adoptaram a postura do Conselho de Administração» e não o questionaram nem contrariaram.
Suspeito que alguns dos efeitos da actuação do vice-presidente da RTP e de algumas pessoas e actos que ele hoje elogia ainda hão-de fazer correr alguma tinta, mas isso virá naturalmente com o tempo.
Deixando-se talvez, momentaneamente, deslumbrar pelo mundo do cinema, o vice-presidente do Conselho de Administração da RTP deu uma patética entrevista ao «Jornal de Negócios», hoje publicada. Tal Tom Cruise no filme, o ainda senhor vice-presidente considera-se o homem responsável pelo êxito de uma «Missão Impossível», mas esquece o extraordinário aumento de receitas de que beneficiou (mais contribuição para o audivisual, maior e mais atempada indemnização compensatória) e claro que só fala de coisas boas. Para além da toada geral narcísica, o mais espantoso é que se possa gabar de ter modificado a cultura da empresa, quando é certo que não só ela não mudou como até se agravou - no fomento do gigantismo da empresa nos novos meios técnicos, na demora de decisões, em critérios pouco claros e de questionável aplicação de apreciações de contratos de produção, no aumento da burocracia, no privilegiar da subserviência face à competência, no desprezo pelo trabalho das pessoas e sobretudo no desprezo pelas pessoas propriamente ditas. Internamente preferiu o conflito ao diálogo, o autoritarismo à particpação. É sintomático que elogie nesta despedida aqueles que dentro da RTP «adoptaram a postura do Conselho de Administração» e não o questionaram nem contrariaram.
Suspeito que alguns dos efeitos da actuação do vice-presidente da RTP e de algumas pessoas e actos que ele hoje elogia ainda hão-de fazer correr alguma tinta, mas isso virá naturalmente com o tempo.
dezembro 03, 2007
BOM –Mais um excelente artigo de A.M. Seabra no site www.artecapital.net , desta vez sobre o Estado enquanto entidade que encomenda obras de arte. Pegando em exemplos recentes, como a exposição do brasileiro Vik Muniz, A.M. Seabra questiona a forma descricionária das decisões e defende que «se entrou num regime de encomenda do que não deixam de ser “retratos oficiais”, de formatação propriamente de uma “arte oficial”, o que é demasiado sério e grave para não ser devidamente assinalado».
MAU – Ao longo de toda a semana a Ministra da Cultura deu mais uma vez mostra de não saber o que se passa no seu Ministério, arrastou-se na decisão, entrou em contradições, deixou instalar a confusão, criticou mais uma vez Directores sob a sua tutela e, sobretudo, deu enormes demonstrações de uma grande ignorância a propósito do leilão do quadro «Deposição de Cristo no Túmulo», uma obra do século XVIII do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – António Costa fez-se eleger com promessas de eterna dedicação a Lisboa, garantiu que cumpriria o seu mandato contra ventos e marés. Esta semana, à primeira contrariedade, apareceu a dizer que se demitia, caso a Assembleia Municipal não aprove um empréstimo que pretende contrair. Duas observações, para refrescar a memória: grande parte da dívida para a qual se pretende o empréstimo veio de executivos autárquicos socialistas; e enquanto Ministro da Administração Interna António Costa fez vida negra às autarquias, e em especial penalizou muito precisamente a Câmara de Lisboa, retirando-lhe arbitrariamente receitas que lhe eram devidas, contribuindo assim directamente para o agravamento da situação financeira.
PETISCAR – Os petiscos estão em crise – a ASAE só quer comida embalada. Nem a Ginjinha do Rossio escapou.
DESCOBRIR – Os fãs das gravações da Deustche Grammophon que queiram fazer downloads do magífico catálogo clássico daquela editora ficarão satisfeitos por saberem que já abriu a DG Web Shop , em www.dgwebshop.com . A marca garante que os downloads têm um nível de qualidade áudio superior, poderão ser utilizados em qualquer leitor de MP3.
LER – Não se pode perder a edição de Dezembro da revista «Vanity Fair» com uma entrevista intimista a Julia Roberts, um excelente artigo do Prémio Nobel Joseph E. Steiglitz sobre a bomba relógio deixada na política económica por Bush, e um dossier sobre a explosão dos artistas chineses no mundo da arte contemporânea. Mais dois destaques : uma série de fotos de Annie Leibowitz sobre artistas, curadores, mecenas, designers, grandes nomes da moda - um autêntico «who’s who» das artes nova iorquinas; e uma entrevista a um dos mais surpreendentes artistas plásticos americanos contemporâneos, Richard Prince.
OUVIR – Verdadeiramente surpreendente o disco «Abril», de Cristina Branco, editado este mês. Desde o início do ano a cantora tem revisitado nos seus espectáculos a obra de José Afonso. O disco recupera essa experiência e agrupa 16 temas, do «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», «Era Um Redondo Vocábulo» os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os índios da Meia-praia». Destaque para a capa com fotografias de Augusto Brázio, para a rigorosa produção de Ricardo Dias (que toca piano e teclas no disco) e para o trabalho de grandes músicos como Mário Delgado na guitarra, Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria. Este é simplesmente um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos e vale a pena reparar nos arranjos elegantes e inesperados (como «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas»). Este é um disco exemplar, uma evocação do génio de José Afonso. Cristina Branco vai no bom caminho: em vez de ser mais uma imitadora de standards, continua a surpreender, aqui na escolha do repertório, na produção, no ambiente musical criado.
VER – Eu acho que José Maçãs de Carvalho é dos mais interessantes fotógrafos portugueses contemporâneos e a sua evolução tem sido muito curiosa. Parte dessa evolução pode ser seguida com duas mostras dos seus trabalhos dos últimos anos: em fotografia na VPF Cream Art Gallery, sob o título «It’s A Lonely Planet» e, no andar de cima, na Plataforma Revólver, com os vídeos da série «Vídeo Killed The Painting Stars» - particularmente curioso o que mostra a decomposição da fotografia, a partir de uma imagem de Helmut Newton – duplamente provocador. A VPF e a Plataforma Revólver ficam na Rua da Boavista 84, Lisboa e as exposições podem ser vistas de terça a sábado entre as 14 e as 19h30, até 31 de Dezembro.
PERGUNTANDO… Será que a Multimédia, sem PT, vai resolver o mistério da não atribuição na TV Cabo de canais à TVI, no novo ano que está à porta?
BACK TO BASICS – A RTP , financiada pelos cidadãos e pelo Estado, deve fazer serviço público de rádio e de televisão – pode parecer uma evidência, mas vale a pena que o seu novo Conselho de Administração pense bem qual é, de facto, a sua missão.
MAU – Ao longo de toda a semana a Ministra da Cultura deu mais uma vez mostra de não saber o que se passa no seu Ministério, arrastou-se na decisão, entrou em contradições, deixou instalar a confusão, criticou mais uma vez Directores sob a sua tutela e, sobretudo, deu enormes demonstrações de uma grande ignorância a propósito do leilão do quadro «Deposição de Cristo no Túmulo», uma obra do século XVIII do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – António Costa fez-se eleger com promessas de eterna dedicação a Lisboa, garantiu que cumpriria o seu mandato contra ventos e marés. Esta semana, à primeira contrariedade, apareceu a dizer que se demitia, caso a Assembleia Municipal não aprove um empréstimo que pretende contrair. Duas observações, para refrescar a memória: grande parte da dívida para a qual se pretende o empréstimo veio de executivos autárquicos socialistas; e enquanto Ministro da Administração Interna António Costa fez vida negra às autarquias, e em especial penalizou muito precisamente a Câmara de Lisboa, retirando-lhe arbitrariamente receitas que lhe eram devidas, contribuindo assim directamente para o agravamento da situação financeira.
PETISCAR – Os petiscos estão em crise – a ASAE só quer comida embalada. Nem a Ginjinha do Rossio escapou.
DESCOBRIR – Os fãs das gravações da Deustche Grammophon que queiram fazer downloads do magífico catálogo clássico daquela editora ficarão satisfeitos por saberem que já abriu a DG Web Shop , em www.dgwebshop.com . A marca garante que os downloads têm um nível de qualidade áudio superior, poderão ser utilizados em qualquer leitor de MP3.
LER – Não se pode perder a edição de Dezembro da revista «Vanity Fair» com uma entrevista intimista a Julia Roberts, um excelente artigo do Prémio Nobel Joseph E. Steiglitz sobre a bomba relógio deixada na política económica por Bush, e um dossier sobre a explosão dos artistas chineses no mundo da arte contemporânea. Mais dois destaques : uma série de fotos de Annie Leibowitz sobre artistas, curadores, mecenas, designers, grandes nomes da moda - um autêntico «who’s who» das artes nova iorquinas; e uma entrevista a um dos mais surpreendentes artistas plásticos americanos contemporâneos, Richard Prince.
OUVIR – Verdadeiramente surpreendente o disco «Abril», de Cristina Branco, editado este mês. Desde o início do ano a cantora tem revisitado nos seus espectáculos a obra de José Afonso. O disco recupera essa experiência e agrupa 16 temas, do «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», «Era Um Redondo Vocábulo» os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os índios da Meia-praia». Destaque para a capa com fotografias de Augusto Brázio, para a rigorosa produção de Ricardo Dias (que toca piano e teclas no disco) e para o trabalho de grandes músicos como Mário Delgado na guitarra, Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria. Este é simplesmente um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos e vale a pena reparar nos arranjos elegantes e inesperados (como «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas»). Este é um disco exemplar, uma evocação do génio de José Afonso. Cristina Branco vai no bom caminho: em vez de ser mais uma imitadora de standards, continua a surpreender, aqui na escolha do repertório, na produção, no ambiente musical criado.
VER – Eu acho que José Maçãs de Carvalho é dos mais interessantes fotógrafos portugueses contemporâneos e a sua evolução tem sido muito curiosa. Parte dessa evolução pode ser seguida com duas mostras dos seus trabalhos dos últimos anos: em fotografia na VPF Cream Art Gallery, sob o título «It’s A Lonely Planet» e, no andar de cima, na Plataforma Revólver, com os vídeos da série «Vídeo Killed The Painting Stars» - particularmente curioso o que mostra a decomposição da fotografia, a partir de uma imagem de Helmut Newton – duplamente provocador. A VPF e a Plataforma Revólver ficam na Rua da Boavista 84, Lisboa e as exposições podem ser vistas de terça a sábado entre as 14 e as 19h30, até 31 de Dezembro.
PERGUNTANDO… Será que a Multimédia, sem PT, vai resolver o mistério da não atribuição na TV Cabo de canais à TVI, no novo ano que está à porta?
BACK TO BASICS – A RTP , financiada pelos cidadãos e pelo Estado, deve fazer serviço público de rádio e de televisão – pode parecer uma evidência, mas vale a pena que o seu novo Conselho de Administração pense bem qual é, de facto, a sua missão.
Untitled
BOM –Mais um excelente artigo de A.M. Seabra no site www.artecapital.net , desta vez sobre o Estado enquanto entidade que encomenda obras de arte. Pegando em exemplos recentes, como a exposição do brasileiro Vik Muniz, A.M. Seabra questiona a forma descricionária das decisões e defende que «se entrou num regime de encomenda do que não deixam de ser “retratos oficiais”, de formatação propriamente de uma “arte oficial”, o que é demasiado sério e grave para não ser devidamente assinalado».
MAU – Ao longo de toda a semana a Ministra da Cultura deu mais uma vez mostra de não saber o que se passa no seu Ministério, arrastou-se na decisão, entrou em contradições, deixou instalar a confusão, criticou mais uma vez Directores sob a sua tutela e, sobretudo, deu enormes demonstrações de uma grande ignorância a propósito do leilão do quadro «Deposição de Cristo no Túmulo», uma obra do século XVIII do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – António Costa fez-se eleger com promessas de eterna dedicação a Lisboa, garantiu que cumpriria o seu mandato contra ventos e marés. Esta semana, à primeira contrariedade, apareceu a dizer que se demitia, caso a Assembleia Municipal não aprove um empréstimo que pretende contrair. Duas observações, para refrescar a memória: grande parte da dívida para a qual se pretende o empréstimo veio de executivos autárquicos socialistas; e enquanto Ministro da Administração Interna António Costa fez vida negra às autarquias, e em especial penalizou muito precisamente a Câmara de Lisboa, retirando-lhe arbitrariamente receitas que lhe eram devidas, contribuindo assim directamente para o agravamento da situação financeira.
PETISCAR – Os petiscos estão em crise – a ASAE só quer comida embalada. Nem a Ginjinha do Rossio escapou.
DESCOBRIR – Os fãs das gravações da Deustche Grammophon que queiram fazer downloads do magífico catálogo clássico daquela editora ficarão satisfeitos por saberem que já abriu a DG Web Shop , em www.dgwebshop.com . A marca garante que os downloads têm um nível de qualidade áudio superior, poderão ser utilizados em qualquer leitor de MP3.
LER – Não se pode perder a edição de Dezembro da revista «Vanity Fair» com uma entrevista intimista a Julia Roberts, um excelente artigo do Prémio Nobel Joseph E. Steiglitz sobre a bomba relógio deixada na política económica por Bush, e um dossier sobre a explosão dos artistas chineses no mundo da arte contemporânea. Mais dois destaques : uma série de fotos de Annie Leibowitz sobre artistas, curadores, mecenas, designers, grandes nomes da moda - um autêntico «who’s who» das artes nova iorquinas; e uma entrevista a um dos mais surpreendentes artistas plásticos americanos contemporâneos, Richard Prince.
OUVIR – Verdadeiramente surpreendente o disco «Abril», de Cristina Branco, editado este mês. Desde o início do ano a cantora tem revisitado nos seus espectáculos a obra de José Afonso. O disco recupera essa experiência e agrupa 16 temas, do «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», «Era Um Redondo Vocábulo» os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os índios da Meia-praia». Destaque para a capa com fotografias de Augusto Brázio, para a rigorosa produção de Ricardo Dias (que toca piano e teclas no disco) e para o trabalho de grandes músicos como Mário Delgado na guitarra, Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria. Este é simplesmente um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos e vale a pena reparar nos arranjos elegantes e inesperados (como «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas»). Este é um disco exemplar, uma evocação do génio de José Afonso. Cristina Branco vai no bom caminho: em vez de ser mais uma imitadora de standards, continua a surpreender, aqui na escolha do repertório, na produção, no ambiente musical criado.
VER – Eu acho que José Maçãs de Carvalho é dos mais interessantes fotógrafos portugueses contemporâneos e a sua evolução tem sido muito curiosa. Parte dessa evolução pode ser seguida com duas mostras dos seus trabalhos dos últimos anos: em fotografia na VPF Cream Art Gallery, sob o título «It’s A Lonely Planet» e, no andar de cima, na Plataforma Revólver, com os vídeos da série «Vídeo Killed The Painting Stars» - particularmente curioso o que mostra a decomposição da fotografia, a partir de uma imagem de Helmut Newton – duplamente provocador. A VPF e a Plataforma Revólver ficam na Rua da Boavista 84, Lisboa e as exposições podem ser vistas de terça a sábado entre as 14 e as 19h30, até 31 de Dezembro.
PERGUNTANDO… Será que a Multimédia, sem PT, vai resolver o mistério da não atribuição na TV Cabo de canais à TVI, no novo ano que está à porta?
BACK TO BASICS – A RTP , financiada pelos cidadãos e pelo Estado, deve fazer serviço público de rádio e de televisão – pode parecer uma evidência, mas vale a pena que o seu novo Conselho de Administração pense bem qual é, de facto, a sua missão.
MAU – Ao longo de toda a semana a Ministra da Cultura deu mais uma vez mostra de não saber o que se passa no seu Ministério, arrastou-se na decisão, entrou em contradições, deixou instalar a confusão, criticou mais uma vez Directores sob a sua tutela e, sobretudo, deu enormes demonstrações de uma grande ignorância a propósito do leilão do quadro «Deposição de Cristo no Túmulo», uma obra do século XVIII do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – António Costa fez-se eleger com promessas de eterna dedicação a Lisboa, garantiu que cumpriria o seu mandato contra ventos e marés. Esta semana, à primeira contrariedade, apareceu a dizer que se demitia, caso a Assembleia Municipal não aprove um empréstimo que pretende contrair. Duas observações, para refrescar a memória: grande parte da dívida para a qual se pretende o empréstimo veio de executivos autárquicos socialistas; e enquanto Ministro da Administração Interna António Costa fez vida negra às autarquias, e em especial penalizou muito precisamente a Câmara de Lisboa, retirando-lhe arbitrariamente receitas que lhe eram devidas, contribuindo assim directamente para o agravamento da situação financeira.
PETISCAR – Os petiscos estão em crise – a ASAE só quer comida embalada. Nem a Ginjinha do Rossio escapou.
DESCOBRIR – Os fãs das gravações da Deustche Grammophon que queiram fazer downloads do magífico catálogo clássico daquela editora ficarão satisfeitos por saberem que já abriu a DG Web Shop , em www.dgwebshop.com . A marca garante que os downloads têm um nível de qualidade áudio superior, poderão ser utilizados em qualquer leitor de MP3.
LER – Não se pode perder a edição de Dezembro da revista «Vanity Fair» com uma entrevista intimista a Julia Roberts, um excelente artigo do Prémio Nobel Joseph E. Steiglitz sobre a bomba relógio deixada na política económica por Bush, e um dossier sobre a explosão dos artistas chineses no mundo da arte contemporânea. Mais dois destaques : uma série de fotos de Annie Leibowitz sobre artistas, curadores, mecenas, designers, grandes nomes da moda - um autêntico «who’s who» das artes nova iorquinas; e uma entrevista a um dos mais surpreendentes artistas plásticos americanos contemporâneos, Richard Prince.
OUVIR – Verdadeiramente surpreendente o disco «Abril», de Cristina Branco, editado este mês. Desde o início do ano a cantora tem revisitado nos seus espectáculos a obra de José Afonso. O disco recupera essa experiência e agrupa 16 temas, do «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», «Era Um Redondo Vocábulo» os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os índios da Meia-praia». Destaque para a capa com fotografias de Augusto Brázio, para a rigorosa produção de Ricardo Dias (que toca piano e teclas no disco) e para o trabalho de grandes músicos como Mário Delgado na guitarra, Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria. Este é simplesmente um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos e vale a pena reparar nos arranjos elegantes e inesperados (como «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas»). Este é um disco exemplar, uma evocação do génio de José Afonso. Cristina Branco vai no bom caminho: em vez de ser mais uma imitadora de standards, continua a surpreender, aqui na escolha do repertório, na produção, no ambiente musical criado.
VER – Eu acho que José Maçãs de Carvalho é dos mais interessantes fotógrafos portugueses contemporâneos e a sua evolução tem sido muito curiosa. Parte dessa evolução pode ser seguida com duas mostras dos seus trabalhos dos últimos anos: em fotografia na VPF Cream Art Gallery, sob o título «It’s A Lonely Planet» e, no andar de cima, na Plataforma Revólver, com os vídeos da série «Vídeo Killed The Painting Stars» - particularmente curioso o que mostra a decomposição da fotografia, a partir de uma imagem de Helmut Newton – duplamente provocador. A VPF e a Plataforma Revólver ficam na Rua da Boavista 84, Lisboa e as exposições podem ser vistas de terça a sábado entre as 14 e as 19h30, até 31 de Dezembro.
PERGUNTANDO… Será que a Multimédia, sem PT, vai resolver o mistério da não atribuição na TV Cabo de canais à TVI, no novo ano que está à porta?
BACK TO BASICS – A RTP , financiada pelos cidadãos e pelo Estado, deve fazer serviço público de rádio e de televisão – pode parecer uma evidência, mas vale a pena que o seu novo Conselho de Administração pense bem qual é, de facto, a sua missão.
novembro 29, 2007
ONDE ESTÃO OS RESPONSÀVEIS PELAS
ILEGALIDADES DO FISCO?
(Publicado no diário «Meia Hora» em 28 Nov)
Na quinta feira da semana passada foi tornado público um estudo da Provedoria de Justiça, que incidiu sobre o funcionamento da Direcção Geral de Contribuições e Impostos. O estudo revelou abusos no congelamento de contas bancárias em resultado de penhoras fiscais, descobriu penhoras de vencimentos e ordenados que ultrapassam os limites previstos na lei, verificou erros nos juros de mora, constatou cativação de reembolsos de IRS sem que estejam esgotados os meios de defesa dos contribuintes, detectou penhoras realizadas depois de ultrapassados os prazos de prescrição, em resumo, falta sistemática de respeito pelo direito de defesa dos contribuintes, abuso de autoridade e actuações ilegais.
Quando um órgão como a Provedoria faz um estudo sobre um serviço do Estado, emite recomendações e chega a conclusões como estas, alguém tem de assumir a responsabilidade política pelo sucedido, alguém tem que se declarar culpado das ilegalidades cometidas e, mais importante, alguém tem de pôr mãos à obra na resolução dos erros e ilegalidades. O natural seria que o Ministro das Finanças e o Secretário de Estado da Administração Fiscal tivessem a coragem e a dignidade de assumirem o que está mal e de ordenarem a revisão de processos de funcionamento. E natural seria que, perante matéria que coloca em causa direitos dos cidadãos, o próprio Primeiro Ministro se empenhasse no assunto.
Como nada disto se passou, espera-se que o Presidente da República esclareça se está empenhado em defender os direitos dos cidadãos ou se pactua com as situações averiguadas pela Provedoria. Espera-se que, no Parlamento, os deputados defendam os contribuintes que lhes pagam e chamem à pedra os responsáveis de abusos.
Da maneira como as coisas vão, parece que a culpa vai mais uma vez ficar sozinha, no meio da rua. Tenho uma sugestão: chamem brigadas da ASAE e levem-nas, com o folclore de coletes anti-balas, metralhadoras e máscaras, tudo filmado para as televisões, a uma acção de fiscalização rigorosa à Direcção Geral de Contribuições e Impostos.
ILEGALIDADES DO FISCO?
(Publicado no diário «Meia Hora» em 28 Nov)
Na quinta feira da semana passada foi tornado público um estudo da Provedoria de Justiça, que incidiu sobre o funcionamento da Direcção Geral de Contribuições e Impostos. O estudo revelou abusos no congelamento de contas bancárias em resultado de penhoras fiscais, descobriu penhoras de vencimentos e ordenados que ultrapassam os limites previstos na lei, verificou erros nos juros de mora, constatou cativação de reembolsos de IRS sem que estejam esgotados os meios de defesa dos contribuintes, detectou penhoras realizadas depois de ultrapassados os prazos de prescrição, em resumo, falta sistemática de respeito pelo direito de defesa dos contribuintes, abuso de autoridade e actuações ilegais.
Quando um órgão como a Provedoria faz um estudo sobre um serviço do Estado, emite recomendações e chega a conclusões como estas, alguém tem de assumir a responsabilidade política pelo sucedido, alguém tem que se declarar culpado das ilegalidades cometidas e, mais importante, alguém tem de pôr mãos à obra na resolução dos erros e ilegalidades. O natural seria que o Ministro das Finanças e o Secretário de Estado da Administração Fiscal tivessem a coragem e a dignidade de assumirem o que está mal e de ordenarem a revisão de processos de funcionamento. E natural seria que, perante matéria que coloca em causa direitos dos cidadãos, o próprio Primeiro Ministro se empenhasse no assunto.
Como nada disto se passou, espera-se que o Presidente da República esclareça se está empenhado em defender os direitos dos cidadãos ou se pactua com as situações averiguadas pela Provedoria. Espera-se que, no Parlamento, os deputados defendam os contribuintes que lhes pagam e chamem à pedra os responsáveis de abusos.
Da maneira como as coisas vão, parece que a culpa vai mais uma vez ficar sozinha, no meio da rua. Tenho uma sugestão: chamem brigadas da ASAE e levem-nas, com o folclore de coletes anti-balas, metralhadoras e máscaras, tudo filmado para as televisões, a uma acção de fiscalização rigorosa à Direcção Geral de Contribuições e Impostos.
Untitled
ONDE ESTÃO OS RESPONSÀVEIS PELAS
ILEGALIDADES DO FISCO?
(Publicado no diário «Meia Hora» em 28 Nov)
Na quinta feira da semana passada foi tornado público um estudo da Provedoria de Justiça, que incidiu sobre o funcionamento da Direcção Geral de Contribuições e Impostos. O estudo revelou abusos no congelamento de contas bancárias em resultado de penhoras fiscais, descobriu penhoras de vencimentos e ordenados que ultrapassam os limites previstos na lei, verificou erros nos juros de mora, constatou cativação de reembolsos de IRS sem que estejam esgotados os meios de defesa dos contribuintes, detectou penhoras realizadas depois de ultrapassados os prazos de prescrição, em resumo, falta sistemática de respeito pelo direito de defesa dos contribuintes, abuso de autoridade e actuações ilegais.
Quando um órgão como a Provedoria faz um estudo sobre um serviço do Estado, emite recomendações e chega a conclusões como estas, alguém tem de assumir a responsabilidade política pelo sucedido, alguém tem que se declarar culpado das ilegalidades cometidas e, mais importante, alguém tem de pôr mãos à obra na resolução dos erros e ilegalidades. O natural seria que o Ministro das Finanças e o Secretário de Estado da Administração Fiscal tivessem a coragem e a dignidade de assumirem o que está mal e de ordenarem a revisão de processos de funcionamento. E natural seria que, perante matéria que coloca em causa direitos dos cidadãos, o próprio Primeiro Ministro se empenhasse no assunto.
Como nada disto se passou, espera-se que o Presidente da República esclareça se está empenhado em defender os direitos dos cidadãos ou se pactua com as situações averiguadas pela Provedoria. Espera-se que, no Parlamento, os deputados defendam os contribuintes que lhes pagam e chamem à pedra os responsáveis de abusos.
Da maneira como as coisas vão, parece que a culpa vai mais uma vez ficar sozinha, no meio da rua. Tenho uma sugestão: chamem brigadas da ASAE e levem-nas, com o folclore de coletes anti-balas, metralhadoras e máscaras, tudo filmado para as televisões, a uma acção de fiscalização rigorosa à Direcção Geral de Contribuições e Impostos.
ILEGALIDADES DO FISCO?
(Publicado no diário «Meia Hora» em 28 Nov)
Na quinta feira da semana passada foi tornado público um estudo da Provedoria de Justiça, que incidiu sobre o funcionamento da Direcção Geral de Contribuições e Impostos. O estudo revelou abusos no congelamento de contas bancárias em resultado de penhoras fiscais, descobriu penhoras de vencimentos e ordenados que ultrapassam os limites previstos na lei, verificou erros nos juros de mora, constatou cativação de reembolsos de IRS sem que estejam esgotados os meios de defesa dos contribuintes, detectou penhoras realizadas depois de ultrapassados os prazos de prescrição, em resumo, falta sistemática de respeito pelo direito de defesa dos contribuintes, abuso de autoridade e actuações ilegais.
Quando um órgão como a Provedoria faz um estudo sobre um serviço do Estado, emite recomendações e chega a conclusões como estas, alguém tem de assumir a responsabilidade política pelo sucedido, alguém tem que se declarar culpado das ilegalidades cometidas e, mais importante, alguém tem de pôr mãos à obra na resolução dos erros e ilegalidades. O natural seria que o Ministro das Finanças e o Secretário de Estado da Administração Fiscal tivessem a coragem e a dignidade de assumirem o que está mal e de ordenarem a revisão de processos de funcionamento. E natural seria que, perante matéria que coloca em causa direitos dos cidadãos, o próprio Primeiro Ministro se empenhasse no assunto.
Como nada disto se passou, espera-se que o Presidente da República esclareça se está empenhado em defender os direitos dos cidadãos ou se pactua com as situações averiguadas pela Provedoria. Espera-se que, no Parlamento, os deputados defendam os contribuintes que lhes pagam e chamem à pedra os responsáveis de abusos.
Da maneira como as coisas vão, parece que a culpa vai mais uma vez ficar sozinha, no meio da rua. Tenho uma sugestão: chamem brigadas da ASAE e levem-nas, com o folclore de coletes anti-balas, metralhadoras e máscaras, tudo filmado para as televisões, a uma acção de fiscalização rigorosa à Direcção Geral de Contribuições e Impostos.
novembro 26, 2007
Untitled
MAU – A «Visão» relatou que um músico do grupo de violinistas Corvos foi atropelado por um condutor que se pôs em fuga. O condutor, sabe-se agora, era um polícia cujo carro não tinha nem seguro válido nem revisão periódica efectuada. Acham mesmo que se pode confiar na polícia com agentes destes no activo?
PÉSSIMO – Nas últimas semanas abundam as notícias de polícias e ex polícias implicados em associações criminosas. A imprensa relata nomes e conta situações. Confirmam-se as conexões entre elementos com ligações às forças policiais e o crime organizado, a um nível até superior ao que se imaginava. E dos responsáveis não se ouve sequer um pio.
.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O arquitecto Manuel Salgado foi conselheiro da Expo, a entidade que promoveu a construção da muito vistosa mas incómoda e desoladora Gare do Oriente; foi também desenhador de alguns aspectos do CCB; agora, como vereador da Câmara de Lisboa, vem dizer, a propósito de grandes obras, que não quer mais megalomanias em Lisboa. É de mim ou há aqui qualquer coisa estranha?
INDEFESOS – O problema não está em a Direcção Geral de Contribuições e Impostos cobrar as dívidas fiscais; o problema está quando o faz ao arrepio dos direitos dos cidadãos, quando erra e não admite o erro, quando torna norma a prepotência. O Estado está em vias de assumir o comportamento dos senhores feudais na cobrança de impostos.
PESADELO – Sócrates arrisca-se a ficar na História por tornar Portugal um albergue de figuras que atropelam a democracia nos respectivos países, como Robert Mugabe e Hugo Chávez. Não há tratados de Lisboa que tapem a queda do Primeiro Ministro pelos líderes autoritários. Uma projecção de si próprio?
INACREDITÁVEL – A jornalista da RTP Judite de Sousa entrevistou o ainda presidente da empresa sobre a sua carreira como gestor num programa do primeiro canal do operador de serviço público. É de mim, ou isto ultrapassa um bocadinho o limite do bom senso?
EXTRAORDINÁRIO – Scolari fez carreira a baixar as expectativas. Se recordarem o que diz antes de cada encontro, o que ele faz é mesmo isso – é sempre colocar a fasquia mais para baixo. Nunca hei-de entender como há quem ache que ele é um motivador. Cá para mim é milagre que Portugal, com um método destes e tão mau futebol jogado, se tenha conseguido apurar. Scolari é o treinador que não aposta na vitória, nem no primeiro lugar, apenas no ir andando.
DESCOBRIR – A boa rádio é assim: sempre que posso ouço os «Três minutos de ciência» que de uma forma coloquial e descomplicada Nuno Crato oferece de 2ªa a 6ª na Europa Lisboa, com emissões às 12h40, 15h40 e 19h40. Esta bela rádio, essencialmente dedicada ao jazz, pode ser ouvida em 90.4 FM, em www.radioeuropa.fm ou na opção de rádio da powerbox da TV Cabo.
PETISCAR – O «Café de S. Bento» tem agora uma sala no primeiro andar. A escada é íngreme mas uma mesa – com vista para o Parlamento – compensa o esforço. E, sobretudo a qualidade do bife e a excelência das batatas fritas são factos incontornáveis. Os empregados, honestamente, dizem que o meio bife é quantidade que chega e têm razão. Experimente-o grelhado e mal passado e verá a excelência da matéria prima. Rua de S. Bento 212, tel. 213952911.
LER – A edição de Novembro da revista «Wired» que tem por tema de capa a Manga japonesa com um belo artigo sobre a indústria de banda desenhada entretanto criada. Outro artigo a ler é sobre as melhores teorias de conspirações desenvolvidas nos últimos anos.
VER – A exposição «Desenhar o Desenho», patente desde esta semana na Galeria Baginski em Lisboa. Daniel Barroca, Paulo Brighenti, Carlos Bunga, Miguel Palma e os intrigantes e sedutores Carlos Correia e Cecília Costa mostram trabalhos inesperados. Até 18 de Janeiro, Rua da Imprensa Nacional 41, cv esq, de terça a sábado entre as 13h30 e as 19h30.
OUVIR – A soprano Anna Netrebko, a meia-soprano Elina Garanca, o tenor Ramon Vargas e o barítono Ludovico Tézier juntaram-se em Agosto passado na cidade de Baden Baden para um recital com árias célebres de algumas óperas italianas e francesas, A direcção do projecto – e da orquestra – foi de Marco Armilato. De Verdi a Bizet, passando por Donizetti ou Puccini, o recital foi magnífico. A Deustche Grammophon gravou-o e editou-o agora no CD «The Opera Gala». Distribuição Universal Music
PERGUNTANDO… Será mesmo verdade que Mário Lino foi o último a saber da nomeação de Almerindo Marques para as Estradas de Portugal? E será que se pode acreditar que Santos Silva estava a trabalhar na recondução do Presidente do CA da RTP, mas só o disse depois de se saber da sua passagem para as rodovias?
BACK TO BASICS – Um erro em política tem preços diferentes conforme quem o pratica – anónimo, a propósito do reconhecimento das inconsistências dos documentos que serviram de pretexto à invasão do Iraque, feito esta semana por Durão Barroso.
PÉSSIMO – Nas últimas semanas abundam as notícias de polícias e ex polícias implicados em associações criminosas. A imprensa relata nomes e conta situações. Confirmam-se as conexões entre elementos com ligações às forças policiais e o crime organizado, a um nível até superior ao que se imaginava. E dos responsáveis não se ouve sequer um pio.
.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O arquitecto Manuel Salgado foi conselheiro da Expo, a entidade que promoveu a construção da muito vistosa mas incómoda e desoladora Gare do Oriente; foi também desenhador de alguns aspectos do CCB; agora, como vereador da Câmara de Lisboa, vem dizer, a propósito de grandes obras, que não quer mais megalomanias em Lisboa. É de mim ou há aqui qualquer coisa estranha?
INDEFESOS – O problema não está em a Direcção Geral de Contribuições e Impostos cobrar as dívidas fiscais; o problema está quando o faz ao arrepio dos direitos dos cidadãos, quando erra e não admite o erro, quando torna norma a prepotência. O Estado está em vias de assumir o comportamento dos senhores feudais na cobrança de impostos.
PESADELO – Sócrates arrisca-se a ficar na História por tornar Portugal um albergue de figuras que atropelam a democracia nos respectivos países, como Robert Mugabe e Hugo Chávez. Não há tratados de Lisboa que tapem a queda do Primeiro Ministro pelos líderes autoritários. Uma projecção de si próprio?
INACREDITÁVEL – A jornalista da RTP Judite de Sousa entrevistou o ainda presidente da empresa sobre a sua carreira como gestor num programa do primeiro canal do operador de serviço público. É de mim, ou isto ultrapassa um bocadinho o limite do bom senso?
EXTRAORDINÁRIO – Scolari fez carreira a baixar as expectativas. Se recordarem o que diz antes de cada encontro, o que ele faz é mesmo isso – é sempre colocar a fasquia mais para baixo. Nunca hei-de entender como há quem ache que ele é um motivador. Cá para mim é milagre que Portugal, com um método destes e tão mau futebol jogado, se tenha conseguido apurar. Scolari é o treinador que não aposta na vitória, nem no primeiro lugar, apenas no ir andando.
DESCOBRIR – A boa rádio é assim: sempre que posso ouço os «Três minutos de ciência» que de uma forma coloquial e descomplicada Nuno Crato oferece de 2ªa a 6ª na Europa Lisboa, com emissões às 12h40, 15h40 e 19h40. Esta bela rádio, essencialmente dedicada ao jazz, pode ser ouvida em 90.4 FM, em www.radioeuropa.fm ou na opção de rádio da powerbox da TV Cabo.
PETISCAR – O «Café de S. Bento» tem agora uma sala no primeiro andar. A escada é íngreme mas uma mesa – com vista para o Parlamento – compensa o esforço. E, sobretudo a qualidade do bife e a excelência das batatas fritas são factos incontornáveis. Os empregados, honestamente, dizem que o meio bife é quantidade que chega e têm razão. Experimente-o grelhado e mal passado e verá a excelência da matéria prima. Rua de S. Bento 212, tel. 213952911.
LER – A edição de Novembro da revista «Wired» que tem por tema de capa a Manga japonesa com um belo artigo sobre a indústria de banda desenhada entretanto criada. Outro artigo a ler é sobre as melhores teorias de conspirações desenvolvidas nos últimos anos.
VER – A exposição «Desenhar o Desenho», patente desde esta semana na Galeria Baginski em Lisboa. Daniel Barroca, Paulo Brighenti, Carlos Bunga, Miguel Palma e os intrigantes e sedutores Carlos Correia e Cecília Costa mostram trabalhos inesperados. Até 18 de Janeiro, Rua da Imprensa Nacional 41, cv esq, de terça a sábado entre as 13h30 e as 19h30.
OUVIR – A soprano Anna Netrebko, a meia-soprano Elina Garanca, o tenor Ramon Vargas e o barítono Ludovico Tézier juntaram-se em Agosto passado na cidade de Baden Baden para um recital com árias célebres de algumas óperas italianas e francesas, A direcção do projecto – e da orquestra – foi de Marco Armilato. De Verdi a Bizet, passando por Donizetti ou Puccini, o recital foi magnífico. A Deustche Grammophon gravou-o e editou-o agora no CD «The Opera Gala». Distribuição Universal Music
PERGUNTANDO… Será mesmo verdade que Mário Lino foi o último a saber da nomeação de Almerindo Marques para as Estradas de Portugal? E será que se pode acreditar que Santos Silva estava a trabalhar na recondução do Presidente do CA da RTP, mas só o disse depois de se saber da sua passagem para as rodovias?
BACK TO BASICS – Um erro em política tem preços diferentes conforme quem o pratica – anónimo, a propósito do reconhecimento das inconsistências dos documentos que serviram de pretexto à invasão do Iraque, feito esta semana por Durão Barroso.
MAU – A «Visão» relatou que um músico do grupo de violinistas Corvos foi atropelado por um condutor que se pôs em fuga. O condutor, sabe-se agora, era um polícia cujo carro não tinha nem seguro válido nem revisão periódica efectuada. Acham mesmo que se pode confiar na polícia com agentes destes no activo?
PÉSSIMO – Nas últimas semanas abundam as notícias de polícias e ex polícias implicados em associações criminosas. A imprensa relata nomes e conta situações. Confirmam-se as conexões entre elementos com ligações às forças policiais e o crime organizado, a um nível até superior ao que se imaginava. E dos responsáveis não se ouve sequer um pio.
.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O arquitecto Manuel Salgado foi conselheiro da Expo, a entidade que promoveu a construção da muito vistosa mas incómoda e desoladora Gare do Oriente; foi também desenhador de alguns aspectos do CCB; agora, como vereador da Câmara de Lisboa, vem dizer, a propósito de grandes obras, que não quer mais megalomanias em Lisboa. É de mim ou há aqui qualquer coisa estranha?
INDEFESOS – O problema não está em a Direcção Geral de Contribuições e Impostos cobrar as dívidas fiscais; o problema está quando o faz ao arrepio dos direitos dos cidadãos, quando erra e não admite o erro, quando torna norma a prepotência. O Estado está em vias de assumir o comportamento dos senhores feudais na cobrança de impostos.
PESADELO – Sócrates arrisca-se a ficar na História por tornar Portugal um albergue de figuras que atropelam a democracia nos respectivos países, como Robert Mugabe e Hugo Chávez. Não há tratados de Lisboa que tapem a queda do Primeiro Ministro pelos líderes autoritários. Uma projecção de si próprio?
INACREDITÁVEL – A jornalista da RTP Judite de Sousa entrevistou o ainda presidente da empresa sobre a sua carreira como gestor num programa do primeiro canal do operador de serviço público. É de mim, ou isto ultrapassa um bocadinho o limite do bom senso?
EXTRAORDINÁRIO – Scolari fez carreira a baixar as expectativas. Se recordarem o que diz antes de cada encontro, o que ele faz é mesmo isso – é sempre colocar a fasquia mais para baixo. Nunca hei-de entender como há quem ache que ele é um motivador. Cá para mim é milagre que Portugal, com um método destes e tão mau futebol jogado, se tenha conseguido apurar. Scolari é o treinador que não aposta na vitória, nem no primeiro lugar, apenas no ir andando.
DESCOBRIR – A boa rádio é assim: sempre que posso ouço os «Três minutos de ciência» que de uma forma coloquial e descomplicada Nuno Crato oferece de 2ªa a 6ª na Europa Lisboa, com emissões às 12h40, 15h40 e 19h40. Esta bela rádio, essencialmente dedicada ao jazz, pode ser ouvida em 90.4 FM, em www.radioeuropa.fm ou na opção de rádio da powerbox da TV Cabo.
PETISCAR – O «Café de S. Bento» tem agora uma sala no primeiro andar. A escada é íngreme mas uma mesa – com vista para o Parlamento – compensa o esforço. E, sobretudo a qualidade do bife e a excelência das batatas fritas são factos incontornáveis. Os empregados, honestamente, dizem que o meio bife é quantidade que chega e têm razão. Experimente-o grelhado e mal passado e verá a excelência da matéria prima. Rua de S. Bento 212, tel. 213952911.
LER – A edição de Novembro da revista «Wired» que tem por tema de capa a Manga japonesa com um belo artigo sobre a indústria de banda desenhada entretanto criada. Outro artigo a ler é sobre as melhores teorias de conspirações desenvolvidas nos últimos anos.
VER – A exposição «Desenhar o Desenho», patente desde esta semana na Galeria Baginski em Lisboa. Daniel Barroca, Paulo Brighenti, Carlos Bunga, Miguel Palma e os intrigantes e sedutores Carlos Correia e Cecília Costa mostram trabalhos inesperados. Até 18 de Janeiro, Rua da Imprensa Nacional 41, cv esq, de terça a sábado entre as 13h30 e as 19h30.
OUVIR – A soprano Anna Netrebko, a meia-soprano Elina Garanca, o tenor Ramon Vargas e o barítono Ludovico Tézier juntaram-se em Agosto passado na cidade de Baden Baden para um recital com árias célebres de algumas óperas italianas e francesas, A direcção do projecto – e da orquestra – foi de Marco Armilato. De Verdi a Bizet, passando por Donizetti ou Puccini, o recital foi magnífico. A Deustche Grammophon gravou-o e editou-o agora no CD «The Opera Gala». Distribuição Universal Music
PERGUNTANDO… Será mesmo verdade que Mário Lino foi o último a saber da nomeação de Almerindo Marques para as Estradas de Portugal? E será que se pode acreditar que Santos Silva estava a trabalhar na recondução do Presidente do CA da RTP, mas só o disse depois de se saber da sua passagem para as rodovias?
BACK TO BASICS – Um erro em política tem preços diferentes conforme quem o pratica – anónimo, a propósito do reconhecimento das inconsistências dos documentos que serviram de pretexto à invasão do Iraque, feito esta semana por Durão Barroso.
PÉSSIMO – Nas últimas semanas abundam as notícias de polícias e ex polícias implicados em associações criminosas. A imprensa relata nomes e conta situações. Confirmam-se as conexões entre elementos com ligações às forças policiais e o crime organizado, a um nível até superior ao que se imaginava. E dos responsáveis não se ouve sequer um pio.
.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O arquitecto Manuel Salgado foi conselheiro da Expo, a entidade que promoveu a construção da muito vistosa mas incómoda e desoladora Gare do Oriente; foi também desenhador de alguns aspectos do CCB; agora, como vereador da Câmara de Lisboa, vem dizer, a propósito de grandes obras, que não quer mais megalomanias em Lisboa. É de mim ou há aqui qualquer coisa estranha?
INDEFESOS – O problema não está em a Direcção Geral de Contribuições e Impostos cobrar as dívidas fiscais; o problema está quando o faz ao arrepio dos direitos dos cidadãos, quando erra e não admite o erro, quando torna norma a prepotência. O Estado está em vias de assumir o comportamento dos senhores feudais na cobrança de impostos.
PESADELO – Sócrates arrisca-se a ficar na História por tornar Portugal um albergue de figuras que atropelam a democracia nos respectivos países, como Robert Mugabe e Hugo Chávez. Não há tratados de Lisboa que tapem a queda do Primeiro Ministro pelos líderes autoritários. Uma projecção de si próprio?
INACREDITÁVEL – A jornalista da RTP Judite de Sousa entrevistou o ainda presidente da empresa sobre a sua carreira como gestor num programa do primeiro canal do operador de serviço público. É de mim, ou isto ultrapassa um bocadinho o limite do bom senso?
EXTRAORDINÁRIO – Scolari fez carreira a baixar as expectativas. Se recordarem o que diz antes de cada encontro, o que ele faz é mesmo isso – é sempre colocar a fasquia mais para baixo. Nunca hei-de entender como há quem ache que ele é um motivador. Cá para mim é milagre que Portugal, com um método destes e tão mau futebol jogado, se tenha conseguido apurar. Scolari é o treinador que não aposta na vitória, nem no primeiro lugar, apenas no ir andando.
DESCOBRIR – A boa rádio é assim: sempre que posso ouço os «Três minutos de ciência» que de uma forma coloquial e descomplicada Nuno Crato oferece de 2ªa a 6ª na Europa Lisboa, com emissões às 12h40, 15h40 e 19h40. Esta bela rádio, essencialmente dedicada ao jazz, pode ser ouvida em 90.4 FM, em www.radioeuropa.fm ou na opção de rádio da powerbox da TV Cabo.
PETISCAR – O «Café de S. Bento» tem agora uma sala no primeiro andar. A escada é íngreme mas uma mesa – com vista para o Parlamento – compensa o esforço. E, sobretudo a qualidade do bife e a excelência das batatas fritas são factos incontornáveis. Os empregados, honestamente, dizem que o meio bife é quantidade que chega e têm razão. Experimente-o grelhado e mal passado e verá a excelência da matéria prima. Rua de S. Bento 212, tel. 213952911.
LER – A edição de Novembro da revista «Wired» que tem por tema de capa a Manga japonesa com um belo artigo sobre a indústria de banda desenhada entretanto criada. Outro artigo a ler é sobre as melhores teorias de conspirações desenvolvidas nos últimos anos.
VER – A exposição «Desenhar o Desenho», patente desde esta semana na Galeria Baginski em Lisboa. Daniel Barroca, Paulo Brighenti, Carlos Bunga, Miguel Palma e os intrigantes e sedutores Carlos Correia e Cecília Costa mostram trabalhos inesperados. Até 18 de Janeiro, Rua da Imprensa Nacional 41, cv esq, de terça a sábado entre as 13h30 e as 19h30.
OUVIR – A soprano Anna Netrebko, a meia-soprano Elina Garanca, o tenor Ramon Vargas e o barítono Ludovico Tézier juntaram-se em Agosto passado na cidade de Baden Baden para um recital com árias célebres de algumas óperas italianas e francesas, A direcção do projecto – e da orquestra – foi de Marco Armilato. De Verdi a Bizet, passando por Donizetti ou Puccini, o recital foi magnífico. A Deustche Grammophon gravou-o e editou-o agora no CD «The Opera Gala». Distribuição Universal Music
PERGUNTANDO… Será mesmo verdade que Mário Lino foi o último a saber da nomeação de Almerindo Marques para as Estradas de Portugal? E será que se pode acreditar que Santos Silva estava a trabalhar na recondução do Presidente do CA da RTP, mas só o disse depois de se saber da sua passagem para as rodovias?
BACK TO BASICS – Um erro em política tem preços diferentes conforme quem o pratica – anónimo, a propósito do reconhecimento das inconsistências dos documentos que serviram de pretexto à invasão do Iraque, feito esta semana por Durão Barroso.
A PREPOTÊNCIA DO FISCO
Este é um caso verídico, mas vou omitir nomes. Chamemos-lhe M. Pois M desesperava por, este ano, não receber informação da restituição de IRS. Trabalhador por conta de outrem, M paga por uma das tabelas mais altas e, com filhos a estudar, despesas de saúde e empréstimo de casa própria, normalmente tem sempre restituição. Digamos que é um forte contribuinte que ainda por cima financia os cofres do Estado e que nunca recebeu juros do dinheiro que adianta. Entrega regularmente a sua declaração, embora às vezes com um pequeno atraso, mas como lhe descontam tudo à cabeça, é um contribuinte genericamente cumpridor.
Foi à Internet e descobriu que «tinha o reembolso pendente da regularização de dívidas». Procurou descobrir que dívidas eram essas e apareceu-lhe uma frase singela: «Por motivos de ordem técnica não é possível satisfazer o seu pedido neste momento. Tente mais tarde».
Um pouco angustiado, foi à sua repartição de finanças onde descobriu que se encontrava em risco de ser penhorado, por duas dívidas, uma de três dezenas de euros e outra por cerca de 160 euros – contribuições autárquicas e de esgotos e semelhantes que por qualquer razão na altura não liquidou. Tratou de pagar o que devia, não sem antes estranhar que estivesse em vias de ir para penhora sem ter recebido qualquer comunicação. Na repartição de finanças foram muito simpáticos mas disseram-lhe que «agora é assim».
Mas, disseram-lhe, havia outra dívida por pagar, referente ao IMI, no valor de cerca de 600 euros. Argumentou que tinha enviado um email a questionar essa dívida, já que era de igual montante e referente a igual período, do IMI do mesmo imóvel e que havia pago exactamente a quantia devida, estranhando a duplicação. Os funcionários das finanças disseram-lhe, muito simpáticos, que infelizmente havia falas na respostas a dúvidas dos contribuintes por email, mas que o melhor seria pagar sob pena de ir também para penhora. Talvez depois quisesse reclamar formalmente, mas a reclamação, disseram-lhe, podia comprometer o prazo da restituição.
Registo que neste fim de semana, o Primeiro Ministro, sobre a actuação do fisco, garantiu «que o Governo vai manter a determinação e exigência e não aplicar qualquer moderação no combate à fraude e evasão fiscal».
E Manuela Ferreira Leite, escrevia esta semana, no «Expresso», que existe «um desiquilíbrio na defesa do contribuinte: começa a confundir-se rigor com abuso, eficácia com prepotência e equidade com gula por receita».
Quem defende os contribuintes? Estarmos vivos, trabalharmos e descontarmos começa a ser um perigo.
Este é um caso verídico, mas vou omitir nomes. Chamemos-lhe M. Pois M desesperava por, este ano, não receber informação da restituição de IRS. Trabalhador por conta de outrem, M paga por uma das tabelas mais altas e, com filhos a estudar, despesas de saúde e empréstimo de casa própria, normalmente tem sempre restituição. Digamos que é um forte contribuinte que ainda por cima financia os cofres do Estado e que nunca recebeu juros do dinheiro que adianta. Entrega regularmente a sua declaração, embora às vezes com um pequeno atraso, mas como lhe descontam tudo à cabeça, é um contribuinte genericamente cumpridor.
Foi à Internet e descobriu que «tinha o reembolso pendente da regularização de dívidas». Procurou descobrir que dívidas eram essas e apareceu-lhe uma frase singela: «Por motivos de ordem técnica não é possível satisfazer o seu pedido neste momento. Tente mais tarde».
Um pouco angustiado, foi à sua repartição de finanças onde descobriu que se encontrava em risco de ser penhorado, por duas dívidas, uma de três dezenas de euros e outra por cerca de 160 euros – contribuições autárquicas e de esgotos e semelhantes que por qualquer razão na altura não liquidou. Tratou de pagar o que devia, não sem antes estranhar que estivesse em vias de ir para penhora sem ter recebido qualquer comunicação. Na repartição de finanças foram muito simpáticos mas disseram-lhe que «agora é assim».
Mas, disseram-lhe, havia outra dívida por pagar, referente ao IMI, no valor de cerca de 600 euros. Argumentou que tinha enviado um email a questionar essa dívida, já que era de igual montante e referente a igual período, do IMI do mesmo imóvel e que havia pago exactamente a quantia devida, estranhando a duplicação. Os funcionários das finanças disseram-lhe, muito simpáticos, que infelizmente havia falas na respostas a dúvidas dos contribuintes por email, mas que o melhor seria pagar sob pena de ir também para penhora. Talvez depois quisesse reclamar formalmente, mas a reclamação, disseram-lhe, podia comprometer o prazo da restituição.
Registo que neste fim de semana, o Primeiro Ministro, sobre a actuação do fisco, garantiu «que o Governo vai manter a determinação e exigência e não aplicar qualquer moderação no combate à fraude e evasão fiscal».
E Manuela Ferreira Leite, escrevia esta semana, no «Expresso», que existe «um desiquilíbrio na defesa do contribuinte: começa a confundir-se rigor com abuso, eficácia com prepotência e equidade com gula por receita».
Quem defende os contribuintes? Estarmos vivos, trabalharmos e descontarmos começa a ser um perigo.
Untitled
A PREPOTÊNCIA DO FISCO
Este é um caso verídico, mas vou omitir nomes. Chamemos-lhe M. Pois M desesperava por, este ano, não receber informação da restituição de IRS. Trabalhador por conta de outrem, M paga por uma das tabelas mais altas e, com filhos a estudar, despesas de saúde e empréstimo de casa própria, normalmente tem sempre restituição. Digamos que é um forte contribuinte que ainda por cima financia os cofres do Estado e que nunca recebeu juros do dinheiro que adianta. Entrega regularmente a sua declaração, embora às vezes com um pequeno atraso, mas como lhe descontam tudo à cabeça, é um contribuinte genericamente cumpridor.
Foi à Internet e descobriu que «tinha o reembolso pendente da regularização de dívidas». Procurou descobrir que dívidas eram essas e apareceu-lhe uma frase singela: «Por motivos de ordem técnica não é possível satisfazer o seu pedido neste momento. Tente mais tarde».
Um pouco angustiado, foi à sua repartição de finanças onde descobriu que se encontrava em risco de ser penhorado, por duas dívidas, uma de três dezenas de euros e outra por cerca de 160 euros – contribuições autárquicas e de esgotos e semelhantes que por qualquer razão na altura não liquidou. Tratou de pagar o que devia, não sem antes estranhar que estivesse em vias de ir para penhora sem ter recebido qualquer comunicação. Na repartição de finanças foram muito simpáticos mas disseram-lhe que «agora é assim».
Mas, disseram-lhe, havia outra dívida por pagar, referente ao IMI, no valor de cerca de 600 euros. Argumentou que tinha enviado um email a questionar essa dívida, já que era de igual montante e referente a igual período, do IMI do mesmo imóvel e que havia pago exactamente a quantia devida, estranhando a duplicação. Os funcionários das finanças disseram-lhe, muito simpáticos, que infelizmente havia falas na respostas a dúvidas dos contribuintes por email, mas que o melhor seria pagar sob pena de ir também para penhora. Talvez depois quisesse reclamar formalmente, mas a reclamação, disseram-lhe, podia comprometer o prazo da restituição.
Registo que neste fim de semana, o Primeiro Ministro, sobre a actuação do fisco, garantiu «que o Governo vai manter a determinação e exigência e não aplicar qualquer moderação no combate à fraude e evasão fiscal».
E Manuela Ferreira Leite, escrevia esta semana, no «Expresso», que existe «um desiquilíbrio na defesa do contribuinte: começa a confundir-se rigor com abuso, eficácia com prepotência e equidade com gula por receita».
Quem defende os contribuintes? Estarmos vivos, trabalharmos e descontarmos começa a ser um perigo.
Este é um caso verídico, mas vou omitir nomes. Chamemos-lhe M. Pois M desesperava por, este ano, não receber informação da restituição de IRS. Trabalhador por conta de outrem, M paga por uma das tabelas mais altas e, com filhos a estudar, despesas de saúde e empréstimo de casa própria, normalmente tem sempre restituição. Digamos que é um forte contribuinte que ainda por cima financia os cofres do Estado e que nunca recebeu juros do dinheiro que adianta. Entrega regularmente a sua declaração, embora às vezes com um pequeno atraso, mas como lhe descontam tudo à cabeça, é um contribuinte genericamente cumpridor.
Foi à Internet e descobriu que «tinha o reembolso pendente da regularização de dívidas». Procurou descobrir que dívidas eram essas e apareceu-lhe uma frase singela: «Por motivos de ordem técnica não é possível satisfazer o seu pedido neste momento. Tente mais tarde».
Um pouco angustiado, foi à sua repartição de finanças onde descobriu que se encontrava em risco de ser penhorado, por duas dívidas, uma de três dezenas de euros e outra por cerca de 160 euros – contribuições autárquicas e de esgotos e semelhantes que por qualquer razão na altura não liquidou. Tratou de pagar o que devia, não sem antes estranhar que estivesse em vias de ir para penhora sem ter recebido qualquer comunicação. Na repartição de finanças foram muito simpáticos mas disseram-lhe que «agora é assim».
Mas, disseram-lhe, havia outra dívida por pagar, referente ao IMI, no valor de cerca de 600 euros. Argumentou que tinha enviado um email a questionar essa dívida, já que era de igual montante e referente a igual período, do IMI do mesmo imóvel e que havia pago exactamente a quantia devida, estranhando a duplicação. Os funcionários das finanças disseram-lhe, muito simpáticos, que infelizmente havia falas na respostas a dúvidas dos contribuintes por email, mas que o melhor seria pagar sob pena de ir também para penhora. Talvez depois quisesse reclamar formalmente, mas a reclamação, disseram-lhe, podia comprometer o prazo da restituição.
Registo que neste fim de semana, o Primeiro Ministro, sobre a actuação do fisco, garantiu «que o Governo vai manter a determinação e exigência e não aplicar qualquer moderação no combate à fraude e evasão fiscal».
E Manuela Ferreira Leite, escrevia esta semana, no «Expresso», que existe «um desiquilíbrio na defesa do contribuinte: começa a confundir-se rigor com abuso, eficácia com prepotência e equidade com gula por receita».
Quem defende os contribuintes? Estarmos vivos, trabalharmos e descontarmos começa a ser um perigo.
novembro 19, 2007
BOM – A mais recente edição da revista «Atlântico» tem sobejos motivos de leitura: um texto programático de José Miguel Júdice sobre a política portuguesa; uma deliciosa análise de Gunter Grass por Vasco Pulido Valente, uma entrevista a Paul Auster por Pedro Mexia (que bom qunado o entrevistador sabe do que fala…) e, sobretudo, mais um magnífico artigo de Rui Ramos sobre a História de Portugal, desta feita sobre as invasões francesas, há 200 anos, e os seus efeitos ao longo do tempo.
MAU – Os atropelamentos sucedem-se porque os radares de velocidade estão nas vias rápidas em, vez de estarem em zonas residenciais. Se a Polícia Municipal servisse para alguma coisa estaria a controlar o que se passa em pleno centro da cidade em vez de locais onde nem há passadeiras de peões. Alguém já experimentou controlar a velocidade bem no centro de Lisboa, como na Avenida Miguel Torga, em Campolide?
PÉSSIMO – Hugo Chavez está a um passo de fazer aprovar uma Constituição que consagra a expropriação da propriedade privada e lhe permitirá continuar indefinidamente a ser Presidente da Venezuela. O pai, Hugo de Los Reys Chavez, é governador do Estado de Barinas (de onde a família é originária); mas como a idade avançada já lhe provoca limitações, foi criado especialmente o cargo de secretário de Estado do Governador (que não existe em mais nenhuma provícia da Venezuela) para Argenis Chavez, um dos irmãos do Presidente. Outro irmão, Anibal Chavez é Presidente da Câmara de Sabanita, a terra natal do clã. E um outro irmão, Adan Chavez, é o ministro da Educação responsável pelas recentes e bizarras imposições de programas escolares «revolucionários». Agora o melhor: na semana passada, ao mesmo tempo que o Primeiro Ministro e o Rei de Espanha criticavam publicamente o ocupante da presidência venezuelana, o Primeiro Ministro José Sócrates convidou Hugo Chavez para visitar oficialmente Portugal já nos próximos dias. Diz-me com quem andas…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Confrontada com o encerramento de salas nos principais museus portugueses por falta de guardas e falta de verba, a Ministra da Cultura, que tutela aos museus, teve por reacção dizer alto e bom som que a culpa não era dela, mas sim do Presidente do Instituto dos Museus, a quem há bem pouco tempo elogiava com fartura, quando se tratou de afastar umas pessoas e promover outras.
INDEFESOS – A sucessão de acidentes das últimas semanas mostra uma coisa: o Estado está mais interessado em reprimir do que em prevenir, uma velha distorção da sociedade portuguesa, muito mais dada a passar multas do que em resolver a causa dos problemas ou prevenir o seu surgimento. Alguma razão há-de haver para tanto acidente com veículos pesados nos últimos dias e isso é que era bom perceber.
PETISCAR – Bom almoço, boa conversa, uma vista larga sobre Lisboa e uma bela proposta: cannelonni de lagosta com vieiras de um lado, e risotto de ostras do outro. Vinho Loridos branco, a copo. Serviço médio, qualidade da comida muito boa, preços razoáveis para os pratos e vinho em causa. A coisa passa-se no restaurante do El Corte Inglês, no sétimo andar. Telefone 213711724. Uma descoberta.
LER – «As Mulheres de Meu Pai». de José Eduardo Agualusa, saíu há uns meses mas só agora o li. Fiquei conquistado pela forma magnífica da escrita, mas sobretudo pela história em si: a vida de um músico africano entre Luanda e a Ilha de Moçambique, cujo percurso e episódios de vida são revisitados pela filha Laurentina (o nome da marca de uma cerveja angolana), que tenta construir um documentário sobre o pai, Faustino Manso. No fim o livro ganha uma pujança ainda maior, fica com uma escrita ainda mais cinematográfica – quase com anotações de direcção. Fascinante.
OUVIR – Herbie Hancock nasceu em Chicago em 1940 e tornou-se notado como um dos grandes pianistas do jazz logo nos anos 60. Aos 23 anos foi convidado por Miles Davis para o seu quinteto. Em finais dos anos 60 escreveu a banda sonora de «Blow Up» de Michelangelo Antonioni. Agora, com 67 anos, Hancock atirou-se ao repertório de uma das grandes folk singers norte-americanas, Joni Mitchell. O seu novo disco chama-se «River- The Joni Letters» , e para além da própria Mitchell, conta com participações de Norah Jones, Corinne Bailey Era (porventura a melhor interpretação vocal do disco, precisamente em «River»), Tina Turner , Luciana Souza e Leonard Cohen. Pelo meio fica uma versão de «Nefertiti», um tema de Wayne Shorter, do tempo em que ambos tocavam com Miles Davis. CD Verve, Universal Music.
VER – A exposição «Planos», de Pedro Calapez, na galeria Lisboa 20, Rua Tenente Ferreira Durão 18-B, em Campo de Ourique. Obras a três dimensões, com recurso a volumes e formas que evocam esculturas e instalações e se cruzam com a pintura. Inesperado e sedutor.
BACK TO BASICS – Alguns políticos, como Santana Lopes, são como os gatos: têm sete vidas; não vale a pena é tentarem esgotá-las todas em rápida sucessão.
MAU – Os atropelamentos sucedem-se porque os radares de velocidade estão nas vias rápidas em, vez de estarem em zonas residenciais. Se a Polícia Municipal servisse para alguma coisa estaria a controlar o que se passa em pleno centro da cidade em vez de locais onde nem há passadeiras de peões. Alguém já experimentou controlar a velocidade bem no centro de Lisboa, como na Avenida Miguel Torga, em Campolide?
PÉSSIMO – Hugo Chavez está a um passo de fazer aprovar uma Constituição que consagra a expropriação da propriedade privada e lhe permitirá continuar indefinidamente a ser Presidente da Venezuela. O pai, Hugo de Los Reys Chavez, é governador do Estado de Barinas (de onde a família é originária); mas como a idade avançada já lhe provoca limitações, foi criado especialmente o cargo de secretário de Estado do Governador (que não existe em mais nenhuma provícia da Venezuela) para Argenis Chavez, um dos irmãos do Presidente. Outro irmão, Anibal Chavez é Presidente da Câmara de Sabanita, a terra natal do clã. E um outro irmão, Adan Chavez, é o ministro da Educação responsável pelas recentes e bizarras imposições de programas escolares «revolucionários». Agora o melhor: na semana passada, ao mesmo tempo que o Primeiro Ministro e o Rei de Espanha criticavam publicamente o ocupante da presidência venezuelana, o Primeiro Ministro José Sócrates convidou Hugo Chavez para visitar oficialmente Portugal já nos próximos dias. Diz-me com quem andas…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Confrontada com o encerramento de salas nos principais museus portugueses por falta de guardas e falta de verba, a Ministra da Cultura, que tutela aos museus, teve por reacção dizer alto e bom som que a culpa não era dela, mas sim do Presidente do Instituto dos Museus, a quem há bem pouco tempo elogiava com fartura, quando se tratou de afastar umas pessoas e promover outras.
INDEFESOS – A sucessão de acidentes das últimas semanas mostra uma coisa: o Estado está mais interessado em reprimir do que em prevenir, uma velha distorção da sociedade portuguesa, muito mais dada a passar multas do que em resolver a causa dos problemas ou prevenir o seu surgimento. Alguma razão há-de haver para tanto acidente com veículos pesados nos últimos dias e isso é que era bom perceber.
PETISCAR – Bom almoço, boa conversa, uma vista larga sobre Lisboa e uma bela proposta: cannelonni de lagosta com vieiras de um lado, e risotto de ostras do outro. Vinho Loridos branco, a copo. Serviço médio, qualidade da comida muito boa, preços razoáveis para os pratos e vinho em causa. A coisa passa-se no restaurante do El Corte Inglês, no sétimo andar. Telefone 213711724. Uma descoberta.
LER – «As Mulheres de Meu Pai». de José Eduardo Agualusa, saíu há uns meses mas só agora o li. Fiquei conquistado pela forma magnífica da escrita, mas sobretudo pela história em si: a vida de um músico africano entre Luanda e a Ilha de Moçambique, cujo percurso e episódios de vida são revisitados pela filha Laurentina (o nome da marca de uma cerveja angolana), que tenta construir um documentário sobre o pai, Faustino Manso. No fim o livro ganha uma pujança ainda maior, fica com uma escrita ainda mais cinematográfica – quase com anotações de direcção. Fascinante.
OUVIR – Herbie Hancock nasceu em Chicago em 1940 e tornou-se notado como um dos grandes pianistas do jazz logo nos anos 60. Aos 23 anos foi convidado por Miles Davis para o seu quinteto. Em finais dos anos 60 escreveu a banda sonora de «Blow Up» de Michelangelo Antonioni. Agora, com 67 anos, Hancock atirou-se ao repertório de uma das grandes folk singers norte-americanas, Joni Mitchell. O seu novo disco chama-se «River- The Joni Letters» , e para além da própria Mitchell, conta com participações de Norah Jones, Corinne Bailey Era (porventura a melhor interpretação vocal do disco, precisamente em «River»), Tina Turner , Luciana Souza e Leonard Cohen. Pelo meio fica uma versão de «Nefertiti», um tema de Wayne Shorter, do tempo em que ambos tocavam com Miles Davis. CD Verve, Universal Music.
VER – A exposição «Planos», de Pedro Calapez, na galeria Lisboa 20, Rua Tenente Ferreira Durão 18-B, em Campo de Ourique. Obras a três dimensões, com recurso a volumes e formas que evocam esculturas e instalações e se cruzam com a pintura. Inesperado e sedutor.
BACK TO BASICS – Alguns políticos, como Santana Lopes, são como os gatos: têm sete vidas; não vale a pena é tentarem esgotá-las todas em rápida sucessão.
Untitled
BOM – A mais recente edição da revista «Atlântico» tem sobejos motivos de leitura: um texto programático de José Miguel Júdice sobre a política portuguesa; uma deliciosa análise de Gunter Grass por Vasco Pulido Valente, uma entrevista a Paul Auster por Pedro Mexia (que bom qunado o entrevistador sabe do que fala…) e, sobretudo, mais um magnífico artigo de Rui Ramos sobre a História de Portugal, desta feita sobre as invasões francesas, há 200 anos, e os seus efeitos ao longo do tempo.
MAU – Os atropelamentos sucedem-se porque os radares de velocidade estão nas vias rápidas em, vez de estarem em zonas residenciais. Se a Polícia Municipal servisse para alguma coisa estaria a controlar o que se passa em pleno centro da cidade em vez de locais onde nem há passadeiras de peões. Alguém já experimentou controlar a velocidade bem no centro de Lisboa, como na Avenida Miguel Torga, em Campolide?
PÉSSIMO – Hugo Chavez está a um passo de fazer aprovar uma Constituição que consagra a expropriação da propriedade privada e lhe permitirá continuar indefinidamente a ser Presidente da Venezuela. O pai, Hugo de Los Reys Chavez, é governador do Estado de Barinas (de onde a família é originária); mas como a idade avançada já lhe provoca limitações, foi criado especialmente o cargo de secretário de Estado do Governador (que não existe em mais nenhuma provícia da Venezuela) para Argenis Chavez, um dos irmãos do Presidente. Outro irmão, Anibal Chavez é Presidente da Câmara de Sabanita, a terra natal do clã. E um outro irmão, Adan Chavez, é o ministro da Educação responsável pelas recentes e bizarras imposições de programas escolares «revolucionários». Agora o melhor: na semana passada, ao mesmo tempo que o Primeiro Ministro e o Rei de Espanha criticavam publicamente o ocupante da presidência venezuelana, o Primeiro Ministro José Sócrates convidou Hugo Chavez para visitar oficialmente Portugal já nos próximos dias. Diz-me com quem andas…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Confrontada com o encerramento de salas nos principais museus portugueses por falta de guardas e falta de verba, a Ministra da Cultura, que tutela aos museus, teve por reacção dizer alto e bom som que a culpa não era dela, mas sim do Presidente do Instituto dos Museus, a quem há bem pouco tempo elogiava com fartura, quando se tratou de afastar umas pessoas e promover outras.
INDEFESOS – A sucessão de acidentes das últimas semanas mostra uma coisa: o Estado está mais interessado em reprimir do que em prevenir, uma velha distorção da sociedade portuguesa, muito mais dada a passar multas do que em resolver a causa dos problemas ou prevenir o seu surgimento. Alguma razão há-de haver para tanto acidente com veículos pesados nos últimos dias e isso é que era bom perceber.
PETISCAR – Bom almoço, boa conversa, uma vista larga sobre Lisboa e uma bela proposta: cannelonni de lagosta com vieiras de um lado, e risotto de ostras do outro. Vinho Loridos branco, a copo. Serviço médio, qualidade da comida muito boa, preços razoáveis para os pratos e vinho em causa. A coisa passa-se no restaurante do El Corte Inglês, no sétimo andar. Telefone 213711724. Uma descoberta.
LER – «As Mulheres de Meu Pai». de José Eduardo Agualusa, saíu há uns meses mas só agora o li. Fiquei conquistado pela forma magnífica da escrita, mas sobretudo pela história em si: a vida de um músico africano entre Luanda e a Ilha de Moçambique, cujo percurso e episódios de vida são revisitados pela filha Laurentina (o nome da marca de uma cerveja angolana), que tenta construir um documentário sobre o pai, Faustino Manso. No fim o livro ganha uma pujança ainda maior, fica com uma escrita ainda mais cinematográfica – quase com anotações de direcção. Fascinante.
OUVIR – Herbie Hancock nasceu em Chicago em 1940 e tornou-se notado como um dos grandes pianistas do jazz logo nos anos 60. Aos 23 anos foi convidado por Miles Davis para o seu quinteto. Em finais dos anos 60 escreveu a banda sonora de «Blow Up» de Michelangelo Antonioni. Agora, com 67 anos, Hancock atirou-se ao repertório de uma das grandes folk singers norte-americanas, Joni Mitchell. O seu novo disco chama-se «River- The Joni Letters» , e para além da própria Mitchell, conta com participações de Norah Jones, Corinne Bailey Era (porventura a melhor interpretação vocal do disco, precisamente em «River»), Tina Turner , Luciana Souza e Leonard Cohen. Pelo meio fica uma versão de «Nefertiti», um tema de Wayne Shorter, do tempo em que ambos tocavam com Miles Davis. CD Verve, Universal Music.
VER – A exposição «Planos», de Pedro Calapez, na galeria Lisboa 20, Rua Tenente Ferreira Durão 18-B, em Campo de Ourique. Obras a três dimensões, com recurso a volumes e formas que evocam esculturas e instalações e se cruzam com a pintura. Inesperado e sedutor.
BACK TO BASICS – Alguns políticos, como Santana Lopes, são como os gatos: têm sete vidas; não vale a pena é tentarem esgotá-las todas em rápida sucessão.
MAU – Os atropelamentos sucedem-se porque os radares de velocidade estão nas vias rápidas em, vez de estarem em zonas residenciais. Se a Polícia Municipal servisse para alguma coisa estaria a controlar o que se passa em pleno centro da cidade em vez de locais onde nem há passadeiras de peões. Alguém já experimentou controlar a velocidade bem no centro de Lisboa, como na Avenida Miguel Torga, em Campolide?
PÉSSIMO – Hugo Chavez está a um passo de fazer aprovar uma Constituição que consagra a expropriação da propriedade privada e lhe permitirá continuar indefinidamente a ser Presidente da Venezuela. O pai, Hugo de Los Reys Chavez, é governador do Estado de Barinas (de onde a família é originária); mas como a idade avançada já lhe provoca limitações, foi criado especialmente o cargo de secretário de Estado do Governador (que não existe em mais nenhuma provícia da Venezuela) para Argenis Chavez, um dos irmãos do Presidente. Outro irmão, Anibal Chavez é Presidente da Câmara de Sabanita, a terra natal do clã. E um outro irmão, Adan Chavez, é o ministro da Educação responsável pelas recentes e bizarras imposições de programas escolares «revolucionários». Agora o melhor: na semana passada, ao mesmo tempo que o Primeiro Ministro e o Rei de Espanha criticavam publicamente o ocupante da presidência venezuelana, o Primeiro Ministro José Sócrates convidou Hugo Chavez para visitar oficialmente Portugal já nos próximos dias. Diz-me com quem andas…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Confrontada com o encerramento de salas nos principais museus portugueses por falta de guardas e falta de verba, a Ministra da Cultura, que tutela aos museus, teve por reacção dizer alto e bom som que a culpa não era dela, mas sim do Presidente do Instituto dos Museus, a quem há bem pouco tempo elogiava com fartura, quando se tratou de afastar umas pessoas e promover outras.
INDEFESOS – A sucessão de acidentes das últimas semanas mostra uma coisa: o Estado está mais interessado em reprimir do que em prevenir, uma velha distorção da sociedade portuguesa, muito mais dada a passar multas do que em resolver a causa dos problemas ou prevenir o seu surgimento. Alguma razão há-de haver para tanto acidente com veículos pesados nos últimos dias e isso é que era bom perceber.
PETISCAR – Bom almoço, boa conversa, uma vista larga sobre Lisboa e uma bela proposta: cannelonni de lagosta com vieiras de um lado, e risotto de ostras do outro. Vinho Loridos branco, a copo. Serviço médio, qualidade da comida muito boa, preços razoáveis para os pratos e vinho em causa. A coisa passa-se no restaurante do El Corte Inglês, no sétimo andar. Telefone 213711724. Uma descoberta.
LER – «As Mulheres de Meu Pai». de José Eduardo Agualusa, saíu há uns meses mas só agora o li. Fiquei conquistado pela forma magnífica da escrita, mas sobretudo pela história em si: a vida de um músico africano entre Luanda e a Ilha de Moçambique, cujo percurso e episódios de vida são revisitados pela filha Laurentina (o nome da marca de uma cerveja angolana), que tenta construir um documentário sobre o pai, Faustino Manso. No fim o livro ganha uma pujança ainda maior, fica com uma escrita ainda mais cinematográfica – quase com anotações de direcção. Fascinante.
OUVIR – Herbie Hancock nasceu em Chicago em 1940 e tornou-se notado como um dos grandes pianistas do jazz logo nos anos 60. Aos 23 anos foi convidado por Miles Davis para o seu quinteto. Em finais dos anos 60 escreveu a banda sonora de «Blow Up» de Michelangelo Antonioni. Agora, com 67 anos, Hancock atirou-se ao repertório de uma das grandes folk singers norte-americanas, Joni Mitchell. O seu novo disco chama-se «River- The Joni Letters» , e para além da própria Mitchell, conta com participações de Norah Jones, Corinne Bailey Era (porventura a melhor interpretação vocal do disco, precisamente em «River»), Tina Turner , Luciana Souza e Leonard Cohen. Pelo meio fica uma versão de «Nefertiti», um tema de Wayne Shorter, do tempo em que ambos tocavam com Miles Davis. CD Verve, Universal Music.
VER – A exposição «Planos», de Pedro Calapez, na galeria Lisboa 20, Rua Tenente Ferreira Durão 18-B, em Campo de Ourique. Obras a três dimensões, com recurso a volumes e formas que evocam esculturas e instalações e se cruzam com a pintura. Inesperado e sedutor.
BACK TO BASICS – Alguns políticos, como Santana Lopes, são como os gatos: têm sete vidas; não vale a pena é tentarem esgotá-las todas em rápida sucessão.
novembro 15, 2007
O ESTADO CONTRA OS CIDADÃOS
(publicado quarta-feira 14 no diário «Meia Hora»)
Uma das coisas mais intrigantes destes tempos é a forma como o Estado aproveita todas as oportunidades para extorquir cada vez mais dinheiro aos cidadãos, sob o pretexto da necessidade de pagamento de certos serviços.
Percamos um pouco de tempo com uma questão básica: os impostos que o Estado cobra são supostos garantir o funcionamento de serviços públicos de inquestionável utilidade social. Ou seja, a receita arrecadada pelo Estado devia garantir questões como a saúde, a educação, serviços de urgência e segurança e a criação de infra estruturas. Na realidade os cidadãos em geral já pagam diversos impostos, directos e indirectos, já descontam para a segurança social, já pagam imposto de circulação, impostos sobre combustíveis, um IVA elevadíssimo em termos europeus, taxas municipais variadas, desde esgotos a saneamento, taxas incorporadas nas facturas de água e de electricidade, etc, etc.
Na semana passada descobriu-se, de repente, que a Força Aérea cobrava por acções de urgência a pescadores portugueses no mar. No orçamento de Estado verifica-se que as Estradas de Portugal vão passar a ter umas receitas próprias que se traduzem em mais uma taxazita a pagar pelos utilizadores. Nos hospitais públicos a lista de casos em que há taxas a pagar vai aumentando. Por este andar qualquer dia é preciso pagar para fazer uma queixa na polícia ou pela utilização do 112.
Ou seja, está completamente subvertido o princípio de que os cidadãos pagam impostos para que o Estado lhes assegure determinados serviços públicos (aliás em número cada vez mais reduzido). E o mais estranho é que não só pagamos cada vez mais impostos, como a administração fiscal é cada vez mais prepotente na forma como trata os contribuintes.
Nós, cidadãos, somos simultaneamente clientes e accionistas do Estado, que nos trata mal quer numa, quer noutra das circunstâncias. Nenhum dos dois partidos que rodam o poder entre si, PS e PSD, está minimamente interessado nos cidadãos, a não ser em vésperas de eleições. E, nessa altura, fazem apenas promessas que depois não cumprem. Não era nada mau que existisse um partido dos contribuintes, como sucede em alguns outros países europeus.
(publicado quarta-feira 14 no diário «Meia Hora»)
Uma das coisas mais intrigantes destes tempos é a forma como o Estado aproveita todas as oportunidades para extorquir cada vez mais dinheiro aos cidadãos, sob o pretexto da necessidade de pagamento de certos serviços.
Percamos um pouco de tempo com uma questão básica: os impostos que o Estado cobra são supostos garantir o funcionamento de serviços públicos de inquestionável utilidade social. Ou seja, a receita arrecadada pelo Estado devia garantir questões como a saúde, a educação, serviços de urgência e segurança e a criação de infra estruturas. Na realidade os cidadãos em geral já pagam diversos impostos, directos e indirectos, já descontam para a segurança social, já pagam imposto de circulação, impostos sobre combustíveis, um IVA elevadíssimo em termos europeus, taxas municipais variadas, desde esgotos a saneamento, taxas incorporadas nas facturas de água e de electricidade, etc, etc.
Na semana passada descobriu-se, de repente, que a Força Aérea cobrava por acções de urgência a pescadores portugueses no mar. No orçamento de Estado verifica-se que as Estradas de Portugal vão passar a ter umas receitas próprias que se traduzem em mais uma taxazita a pagar pelos utilizadores. Nos hospitais públicos a lista de casos em que há taxas a pagar vai aumentando. Por este andar qualquer dia é preciso pagar para fazer uma queixa na polícia ou pela utilização do 112.
Ou seja, está completamente subvertido o princípio de que os cidadãos pagam impostos para que o Estado lhes assegure determinados serviços públicos (aliás em número cada vez mais reduzido). E o mais estranho é que não só pagamos cada vez mais impostos, como a administração fiscal é cada vez mais prepotente na forma como trata os contribuintes.
Nós, cidadãos, somos simultaneamente clientes e accionistas do Estado, que nos trata mal quer numa, quer noutra das circunstâncias. Nenhum dos dois partidos que rodam o poder entre si, PS e PSD, está minimamente interessado nos cidadãos, a não ser em vésperas de eleições. E, nessa altura, fazem apenas promessas que depois não cumprem. Não era nada mau que existisse um partido dos contribuintes, como sucede em alguns outros países europeus.
Untitled
O ESTADO CONTRA OS CIDADÃOS
(publicado quarta-feira 14 no diário «Meia Hora»)
Uma das coisas mais intrigantes destes tempos é a forma como o Estado aproveita todas as oportunidades para extorquir cada vez mais dinheiro aos cidadãos, sob o pretexto da necessidade de pagamento de certos serviços.
Percamos um pouco de tempo com uma questão básica: os impostos que o Estado cobra são supostos garantir o funcionamento de serviços públicos de inquestionável utilidade social. Ou seja, a receita arrecadada pelo Estado devia garantir questões como a saúde, a educação, serviços de urgência e segurança e a criação de infra estruturas. Na realidade os cidadãos em geral já pagam diversos impostos, directos e indirectos, já descontam para a segurança social, já pagam imposto de circulação, impostos sobre combustíveis, um IVA elevadíssimo em termos europeus, taxas municipais variadas, desde esgotos a saneamento, taxas incorporadas nas facturas de água e de electricidade, etc, etc.
Na semana passada descobriu-se, de repente, que a Força Aérea cobrava por acções de urgência a pescadores portugueses no mar. No orçamento de Estado verifica-se que as Estradas de Portugal vão passar a ter umas receitas próprias que se traduzem em mais uma taxazita a pagar pelos utilizadores. Nos hospitais públicos a lista de casos em que há taxas a pagar vai aumentando. Por este andar qualquer dia é preciso pagar para fazer uma queixa na polícia ou pela utilização do 112.
Ou seja, está completamente subvertido o princípio de que os cidadãos pagam impostos para que o Estado lhes assegure determinados serviços públicos (aliás em número cada vez mais reduzido). E o mais estranho é que não só pagamos cada vez mais impostos, como a administração fiscal é cada vez mais prepotente na forma como trata os contribuintes.
Nós, cidadãos, somos simultaneamente clientes e accionistas do Estado, que nos trata mal quer numa, quer noutra das circunstâncias. Nenhum dos dois partidos que rodam o poder entre si, PS e PSD, está minimamente interessado nos cidadãos, a não ser em vésperas de eleições. E, nessa altura, fazem apenas promessas que depois não cumprem. Não era nada mau que existisse um partido dos contribuintes, como sucede em alguns outros países europeus.
(publicado quarta-feira 14 no diário «Meia Hora»)
Uma das coisas mais intrigantes destes tempos é a forma como o Estado aproveita todas as oportunidades para extorquir cada vez mais dinheiro aos cidadãos, sob o pretexto da necessidade de pagamento de certos serviços.
Percamos um pouco de tempo com uma questão básica: os impostos que o Estado cobra são supostos garantir o funcionamento de serviços públicos de inquestionável utilidade social. Ou seja, a receita arrecadada pelo Estado devia garantir questões como a saúde, a educação, serviços de urgência e segurança e a criação de infra estruturas. Na realidade os cidadãos em geral já pagam diversos impostos, directos e indirectos, já descontam para a segurança social, já pagam imposto de circulação, impostos sobre combustíveis, um IVA elevadíssimo em termos europeus, taxas municipais variadas, desde esgotos a saneamento, taxas incorporadas nas facturas de água e de electricidade, etc, etc.
Na semana passada descobriu-se, de repente, que a Força Aérea cobrava por acções de urgência a pescadores portugueses no mar. No orçamento de Estado verifica-se que as Estradas de Portugal vão passar a ter umas receitas próprias que se traduzem em mais uma taxazita a pagar pelos utilizadores. Nos hospitais públicos a lista de casos em que há taxas a pagar vai aumentando. Por este andar qualquer dia é preciso pagar para fazer uma queixa na polícia ou pela utilização do 112.
Ou seja, está completamente subvertido o princípio de que os cidadãos pagam impostos para que o Estado lhes assegure determinados serviços públicos (aliás em número cada vez mais reduzido). E o mais estranho é que não só pagamos cada vez mais impostos, como a administração fiscal é cada vez mais prepotente na forma como trata os contribuintes.
Nós, cidadãos, somos simultaneamente clientes e accionistas do Estado, que nos trata mal quer numa, quer noutra das circunstâncias. Nenhum dos dois partidos que rodam o poder entre si, PS e PSD, está minimamente interessado nos cidadãos, a não ser em vésperas de eleições. E, nessa altura, fazem apenas promessas que depois não cumprem. Não era nada mau que existisse um partido dos contribuintes, como sucede em alguns outros países europeus.
novembro 12, 2007
Untitled
BOM - A criação de uma estrutura, na Fundação de Serralves, que vai servir de incubadora a negócios na área da criatividade (da fotografia à arquitectura passando por produção de conteúdos). A Fundação disponibiliza um open space totalmente equipado que receberá até 12 áreas de trabalho distintas, com um preço de aluguer de 12 euros por metro quadrado de ocupação. O INSerralves, assim se chama o projecto, ajudará os participantes na montagem de planos de negócio, na avaliação do potencial comercial e estabelecimento de parcerias. Em www.serralves.pt estão todos os pormenores.
MAU – A Ministra da Educação. O Ministério da Educação. Os membros do Governo na área da Educação. Os planos e propostas fomentados pela Ministra da Educação.
PÉSSIMO – O que se está a passar na Agência Lusa, a agência noticiosa portuguesa, começa a ser um escândalo. A actuação do seu actual Director de Informação, Luís Miguel Viana, tem afastado do activo profissionais experientes e existem acusações recorrentes, desde que assumiu o lugar, de tentativa de controlo da informação veiculada pela agência – suposta ser imparcial, completa, factual, não descriminatória. No mais recente caso foi afastado o Chefe de Redacção, até à data ainda não lhe foi distribuído qualquer trabalho jornalístico, e em comunicado o Conselho de Redacção afirmou que o Director de Informação dizia que a resolução desta situação estaria dependente de uma conversa entre o referido ex-Chefe de Redacção e o Presidente do Conselho de Administração da empresa, uma situação pelo menos caricata face ao que a Lei determina serem as competências de um Director de Informação.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Eu julgava que se a classe média folgasse um pouco isso poderia ajudar a economia a crescer e o país a melhorar. É engano meu – única explicação possível para este Orçamento de Estado ser em termos fiscais especialmente penalizador precisamente para a classe média, que qualquer dia vai ser espécie em vias de extinção.
DESCOBRIR – Há um programa de rádio, na TSF, que é verdadeiramente exemplar. Chama-se «Mais Cedo ou Mais Tarde», de segunda a sexta, das 14h00 às 16h30. O seu autor é João Paulo Meneses e todos os dias encontra três temas interessantes, a maioria baseados em actividades de ilustres desconhecidos, que têm um interesse prático para a sociedade. Aqui está um bom exemplo de um efectivo serviço público prestado por um órgão de comunicação social privado. No blog www.maiscedo.blogspot.com pode seguir os temas que são abordados dia a dia.
PROVAR – A Wine O’ Clock é uma cadeia de lojas de vinho, nascida em Matosinhos, que no mês passado se expandiu para Aveiro e que este fim de semana chega a Lisboa, à Rua Joshua Benoliel 2B, às Amoreiras. A casa construiu reputação de ter uma boa selecção de vinhos (portugueses e estrangeiros), a preços comedidos. Além disso organiza provas, que permitem aos clientes ir descobrindo o que por aí existe. Se quiserem mais informações vão a www.wineoclock.com.pt .
LER – Escolher bem um livro para alguém é um enorme acto de ternura. Por isso aqui confesso que fiquei enternecido quando me deram «Toutes Les Télés Du Monde», uma edição feita em parceria entre o canal fraco-alemão Arte e a editora Seuil, baseado no trabalho feito por um magazine semanal daquele canal, da responsabilidade de Vladimir Donn, que também assina o livro. É uma deliciosa viagem a esse universo aliciante, em permanente mudança que é o da televisão. O livro seria bem útil a algumas pessoas que por aí falam do assunto com pouco conhecimento de causa. E, a mim, deu-me muito gozo.
OUVIR – Os concertos de piano nºs 2 e 5 de Saint-Saens na interpretação do pianista francês Jean-Yves Thibaudet, com a Orquestra da Suiça Romanda, dirigida por Charles Dutoit. Thibaudet, considerado um dos maiores nomes contemporâneos do piano, faz uma notável interpretação desta música saída da belle-epoque, do mesmo autor da ópera «Sansão e Dalila».
VER – Até segunda feira à noite, inclusive, pode visitar a Arte Lisboa, na FIL, este ano com a presença de 60 galerias nacionais e estrangeiras. O horário é das 16h00 às 23h00. Este ano algumas das boas Galerias de Lisboa fizeram coincidir novas exposições com a Feira, criando assim um circuito complementar que permite aumentar a oferta neste fim de semana – é o que acontece por exemplo na Galeria Luís Serpa Projectos Rua Tenente Raul Cascais 1-B, ao Rato) onde está patente uma curiosa exposição de pintura, desenho e escultura intitulada «Foreign Policy» com obras de Diann Bauer, Matt Franks e Andrea Medjesi-Jones.
PERGUNTANDO… Será verdade que existe um grande corropio nas candidaturas às dezenas de conselhos de administração de empresas públicas e afins que terminam mandatos no fim deste ano? Aqui está uma oportunidade para ver como funciona a relação entre os boys e os jobs…
BACK TO BASICS – « É muito perigoso querer ter razão quando o Governo está errado»- Voltaire.
MAU – A Ministra da Educação. O Ministério da Educação. Os membros do Governo na área da Educação. Os planos e propostas fomentados pela Ministra da Educação.
PÉSSIMO – O que se está a passar na Agência Lusa, a agência noticiosa portuguesa, começa a ser um escândalo. A actuação do seu actual Director de Informação, Luís Miguel Viana, tem afastado do activo profissionais experientes e existem acusações recorrentes, desde que assumiu o lugar, de tentativa de controlo da informação veiculada pela agência – suposta ser imparcial, completa, factual, não descriminatória. No mais recente caso foi afastado o Chefe de Redacção, até à data ainda não lhe foi distribuído qualquer trabalho jornalístico, e em comunicado o Conselho de Redacção afirmou que o Director de Informação dizia que a resolução desta situação estaria dependente de uma conversa entre o referido ex-Chefe de Redacção e o Presidente do Conselho de Administração da empresa, uma situação pelo menos caricata face ao que a Lei determina serem as competências de um Director de Informação.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Eu julgava que se a classe média folgasse um pouco isso poderia ajudar a economia a crescer e o país a melhorar. É engano meu – única explicação possível para este Orçamento de Estado ser em termos fiscais especialmente penalizador precisamente para a classe média, que qualquer dia vai ser espécie em vias de extinção.
DESCOBRIR – Há um programa de rádio, na TSF, que é verdadeiramente exemplar. Chama-se «Mais Cedo ou Mais Tarde», de segunda a sexta, das 14h00 às 16h30. O seu autor é João Paulo Meneses e todos os dias encontra três temas interessantes, a maioria baseados em actividades de ilustres desconhecidos, que têm um interesse prático para a sociedade. Aqui está um bom exemplo de um efectivo serviço público prestado por um órgão de comunicação social privado. No blog www.maiscedo.blogspot.com pode seguir os temas que são abordados dia a dia.
PROVAR – A Wine O’ Clock é uma cadeia de lojas de vinho, nascida em Matosinhos, que no mês passado se expandiu para Aveiro e que este fim de semana chega a Lisboa, à Rua Joshua Benoliel 2B, às Amoreiras. A casa construiu reputação de ter uma boa selecção de vinhos (portugueses e estrangeiros), a preços comedidos. Além disso organiza provas, que permitem aos clientes ir descobrindo o que por aí existe. Se quiserem mais informações vão a www.wineoclock.com.pt .
LER – Escolher bem um livro para alguém é um enorme acto de ternura. Por isso aqui confesso que fiquei enternecido quando me deram «Toutes Les Télés Du Monde», uma edição feita em parceria entre o canal fraco-alemão Arte e a editora Seuil, baseado no trabalho feito por um magazine semanal daquele canal, da responsabilidade de Vladimir Donn, que também assina o livro. É uma deliciosa viagem a esse universo aliciante, em permanente mudança que é o da televisão. O livro seria bem útil a algumas pessoas que por aí falam do assunto com pouco conhecimento de causa. E, a mim, deu-me muito gozo.
OUVIR – Os concertos de piano nºs 2 e 5 de Saint-Saens na interpretação do pianista francês Jean-Yves Thibaudet, com a Orquestra da Suiça Romanda, dirigida por Charles Dutoit. Thibaudet, considerado um dos maiores nomes contemporâneos do piano, faz uma notável interpretação desta música saída da belle-epoque, do mesmo autor da ópera «Sansão e Dalila».
VER – Até segunda feira à noite, inclusive, pode visitar a Arte Lisboa, na FIL, este ano com a presença de 60 galerias nacionais e estrangeiras. O horário é das 16h00 às 23h00. Este ano algumas das boas Galerias de Lisboa fizeram coincidir novas exposições com a Feira, criando assim um circuito complementar que permite aumentar a oferta neste fim de semana – é o que acontece por exemplo na Galeria Luís Serpa Projectos Rua Tenente Raul Cascais 1-B, ao Rato) onde está patente uma curiosa exposição de pintura, desenho e escultura intitulada «Foreign Policy» com obras de Diann Bauer, Matt Franks e Andrea Medjesi-Jones.
PERGUNTANDO… Será verdade que existe um grande corropio nas candidaturas às dezenas de conselhos de administração de empresas públicas e afins que terminam mandatos no fim deste ano? Aqui está uma oportunidade para ver como funciona a relação entre os boys e os jobs…
BACK TO BASICS – « É muito perigoso querer ter razão quando o Governo está errado»- Voltaire.
BOM - A criação de uma estrutura, na Fundação de Serralves, que vai servir de incubadora a negócios na área da criatividade (da fotografia à arquitectura passando por produção de conteúdos). A Fundação disponibiliza um open space totalmente equipado que receberá até 12 áreas de trabalho distintas, com um preço de aluguer de 12 euros por metro quadrado de ocupação. O INSerralves, assim se chama o projecto, ajudará os participantes na montagem de planos de negócio, na avaliação do potencial comercial e estabelecimento de parcerias. Em www.serralves.pt estão todos os pormenores.
MAU – A Ministra da Educação. O Ministério da Educação. Os membros do Governo na área da Educação. Os planos e propostas fomentados pela Ministra da Educação.
PÉSSIMO – O que se está a passar na Agência Lusa, a agência noticiosa portuguesa, começa a ser um escândalo. A actuação do seu actual Director de Informação, Luís Miguel Viana, tem afastado do activo profissionais experientes e existem acusações recorrentes, desde que assumiu o lugar, de tentativa de controlo da informação veiculada pela agência – suposta ser imparcial, completa, factual, não descriminatória. No mais recente caso foi afastado o Chefe de Redacção, até à data ainda não lhe foi distribuído qualquer trabalho jornalístico, e em comunicado o Conselho de Redacção afirmou que o Director de Informação dizia que a resolução desta situação estaria dependente de uma conversa entre o referido ex-Chefe de Redacção e o Presidente do Conselho de Administração da empresa, uma situação pelo menos caricata face ao que a Lei determina serem as competências de um Director de Informação.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Eu julgava que se a classe média folgasse um pouco isso poderia ajudar a economia a crescer e o país a melhorar. É engano meu – única explicação possível para este Orçamento de Estado ser em termos fiscais especialmente penalizador precisamente para a classe média, que qualquer dia vai ser espécie em vias de extinção.
DESCOBRIR – Há um programa de rádio, na TSF, que é verdadeiramente exemplar. Chama-se «Mais Cedo ou Mais Tarde», de segunda a sexta, das 14h00 às 16h30. O seu autor é João Paulo Meneses e todos os dias encontra três temas interessantes, a maioria baseados em actividades de ilustres desconhecidos, que têm um interesse prático para a sociedade. Aqui está um bom exemplo de um efectivo serviço público prestado por um órgão de comunicação social privado. No blog www.maiscedo.blogspot.com pode seguir os temas que são abordados dia a dia.
PROVAR – A Wine O’ Clock é uma cadeia de lojas de vinho, nascida em Matosinhos, que no mês passado se expandiu para Aveiro e que este fim de semana chega a Lisboa, à Rua Joshua Benoliel 2B, às Amoreiras. A casa construiu reputação de ter uma boa selecção de vinhos (portugueses e estrangeiros), a preços comedidos. Além disso organiza provas, que permitem aos clientes ir descobrindo o que por aí existe. Se quiserem mais informações vão a www.wineoclock.com.pt .
LER – Escolher bem um livro para alguém é um enorme acto de ternura. Por isso aqui confesso que fiquei enternecido quando me deram «Toutes Les Télés Du Monde», uma edição feita em parceria entre o canal fraco-alemão Arte e a editora Seuil, baseado no trabalho feito por um magazine semanal daquele canal, da responsabilidade de Vladimir Donn, que também assina o livro. É uma deliciosa viagem a esse universo aliciante, em permanente mudança que é o da televisão. O livro seria bem útil a algumas pessoas que por aí falam do assunto com pouco conhecimento de causa. E, a mim, deu-me muito gozo.
OUVIR – Os concertos de piano nºs 2 e 5 de Saint-Saens na interpretação do pianista francês Jean-Yves Thibaudet, com a Orquestra da Suiça Romanda, dirigida por Charles Dutoit. Thibaudet, considerado um dos maiores nomes contemporâneos do piano, faz uma notável interpretação desta música saída da belle-epoque, do mesmo autor da ópera «Sansão e Dalila».
VER – Até segunda feira à noite, inclusive, pode visitar a Arte Lisboa, na FIL, este ano com a presença de 60 galerias nacionais e estrangeiras. O horário é das 16h00 às 23h00. Este ano algumas das boas Galerias de Lisboa fizeram coincidir novas exposições com a Feira, criando assim um circuito complementar que permite aumentar a oferta neste fim de semana – é o que acontece por exemplo na Galeria Luís Serpa Projectos Rua Tenente Raul Cascais 1-B, ao Rato) onde está patente uma curiosa exposição de pintura, desenho e escultura intitulada «Foreign Policy» com obras de Diann Bauer, Matt Franks e Andrea Medjesi-Jones.
PERGUNTANDO… Será verdade que existe um grande corropio nas candidaturas às dezenas de conselhos de administração de empresas públicas e afins que terminam mandatos no fim deste ano? Aqui está uma oportunidade para ver como funciona a relação entre os boys e os jobs…
BACK TO BASICS – « É muito perigoso querer ter razão quando o Governo está errado»- Voltaire.
MAU – A Ministra da Educação. O Ministério da Educação. Os membros do Governo na área da Educação. Os planos e propostas fomentados pela Ministra da Educação.
PÉSSIMO – O que se está a passar na Agência Lusa, a agência noticiosa portuguesa, começa a ser um escândalo. A actuação do seu actual Director de Informação, Luís Miguel Viana, tem afastado do activo profissionais experientes e existem acusações recorrentes, desde que assumiu o lugar, de tentativa de controlo da informação veiculada pela agência – suposta ser imparcial, completa, factual, não descriminatória. No mais recente caso foi afastado o Chefe de Redacção, até à data ainda não lhe foi distribuído qualquer trabalho jornalístico, e em comunicado o Conselho de Redacção afirmou que o Director de Informação dizia que a resolução desta situação estaria dependente de uma conversa entre o referido ex-Chefe de Redacção e o Presidente do Conselho de Administração da empresa, uma situação pelo menos caricata face ao que a Lei determina serem as competências de um Director de Informação.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Eu julgava que se a classe média folgasse um pouco isso poderia ajudar a economia a crescer e o país a melhorar. É engano meu – única explicação possível para este Orçamento de Estado ser em termos fiscais especialmente penalizador precisamente para a classe média, que qualquer dia vai ser espécie em vias de extinção.
DESCOBRIR – Há um programa de rádio, na TSF, que é verdadeiramente exemplar. Chama-se «Mais Cedo ou Mais Tarde», de segunda a sexta, das 14h00 às 16h30. O seu autor é João Paulo Meneses e todos os dias encontra três temas interessantes, a maioria baseados em actividades de ilustres desconhecidos, que têm um interesse prático para a sociedade. Aqui está um bom exemplo de um efectivo serviço público prestado por um órgão de comunicação social privado. No blog www.maiscedo.blogspot.com pode seguir os temas que são abordados dia a dia.
PROVAR – A Wine O’ Clock é uma cadeia de lojas de vinho, nascida em Matosinhos, que no mês passado se expandiu para Aveiro e que este fim de semana chega a Lisboa, à Rua Joshua Benoliel 2B, às Amoreiras. A casa construiu reputação de ter uma boa selecção de vinhos (portugueses e estrangeiros), a preços comedidos. Além disso organiza provas, que permitem aos clientes ir descobrindo o que por aí existe. Se quiserem mais informações vão a www.wineoclock.com.pt .
LER – Escolher bem um livro para alguém é um enorme acto de ternura. Por isso aqui confesso que fiquei enternecido quando me deram «Toutes Les Télés Du Monde», uma edição feita em parceria entre o canal fraco-alemão Arte e a editora Seuil, baseado no trabalho feito por um magazine semanal daquele canal, da responsabilidade de Vladimir Donn, que também assina o livro. É uma deliciosa viagem a esse universo aliciante, em permanente mudança que é o da televisão. O livro seria bem útil a algumas pessoas que por aí falam do assunto com pouco conhecimento de causa. E, a mim, deu-me muito gozo.
OUVIR – Os concertos de piano nºs 2 e 5 de Saint-Saens na interpretação do pianista francês Jean-Yves Thibaudet, com a Orquestra da Suiça Romanda, dirigida por Charles Dutoit. Thibaudet, considerado um dos maiores nomes contemporâneos do piano, faz uma notável interpretação desta música saída da belle-epoque, do mesmo autor da ópera «Sansão e Dalila».
VER – Até segunda feira à noite, inclusive, pode visitar a Arte Lisboa, na FIL, este ano com a presença de 60 galerias nacionais e estrangeiras. O horário é das 16h00 às 23h00. Este ano algumas das boas Galerias de Lisboa fizeram coincidir novas exposições com a Feira, criando assim um circuito complementar que permite aumentar a oferta neste fim de semana – é o que acontece por exemplo na Galeria Luís Serpa Projectos Rua Tenente Raul Cascais 1-B, ao Rato) onde está patente uma curiosa exposição de pintura, desenho e escultura intitulada «Foreign Policy» com obras de Diann Bauer, Matt Franks e Andrea Medjesi-Jones.
PERGUNTANDO… Será verdade que existe um grande corropio nas candidaturas às dezenas de conselhos de administração de empresas públicas e afins que terminam mandatos no fim deste ano? Aqui está uma oportunidade para ver como funciona a relação entre os boys e os jobs…
BACK TO BASICS – « É muito perigoso querer ter razão quando o Governo está errado»- Voltaire.
Subscrever:
Mensagens (Atom)