PUTIN
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
Coisas que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
dezembro 20, 2003
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PUTIN
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
A ESQUINA ESCRITA
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
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A ESQUINA ESCRITA
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
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AUSÊNCIAS
Em fase de muito trabalho, o blog tem estas ausências. Volta e meia passarei por aqui. Pelo menos para deixar uma vesão do que ficou publicado.
Em fase de muito trabalho, o blog tem estas ausências. Volta e meia passarei por aqui. Pelo menos para deixar uma vesão do que ficou publicado.
dezembro 12, 2003
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SENTIR
A memória ajuda-nos a perdurar o sentir do que já vivemos e a poder sentir melhor o que se descobre .
A memória ajuda-nos a perdurar o sentir do que já vivemos e a poder sentir melhor o que se descobre .
A ESQUINA IMPRESSA - NÚMEROS DA CULTURA
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
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A ESQUINA IMPRESSA - NÚMEROS DA CULTURA
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
dezembro 11, 2003
A CRISE NA DISNEY
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
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A CRISE NA DISNEY
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
DADOS DA CULTURA
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
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DADOS DA CULTURA
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
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LUZ
Repararam na luz que esteve ontem? Esta luz única que Lisboa tem nestes dias de Inverno em que não chove, quando o rio brilha e a cidade parece que acabou de ser pintada de fresco.
Repararam na luz que esteve ontem? Esta luz única que Lisboa tem nestes dias de Inverno em que não chove, quando o rio brilha e a cidade parece que acabou de ser pintada de fresco.
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INSÓNIA
Dois dias seguidos a acordar às cinco da manhã começa a ser um bocado demais. A única vantagem é poder sentar-me aqui a escrever estes posts.
Dois dias seguidos a acordar às cinco da manhã começa a ser um bocado demais. A única vantagem é poder sentar-me aqui a escrever estes posts.
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BOA IDEIA
A reedição da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andersen, que retoma osx formatos originais de edição dos seus poemas, é das melhores coisinhas que se tem feito nesta terra em matéria editorial. A Caminho está de parabéns.
A reedição da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andersen, que retoma osx formatos originais de edição dos seus poemas, é das melhores coisinhas que se tem feito nesta terra em matéria editorial. A Caminho está de parabéns.
PARA OS FANÁTICOS APPLE
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
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PARA OS FANÁTICOS APPLE
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
dezembro 08, 2003
CITAÇÕES I
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
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CITAÇÕES I
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
CITAÇÕES II
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
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CITAÇÕES II
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
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CASA
Vou ficar horas sentado a ver Lisboa do outro lado, o vale ao longo do rio, as árvores da serra, a imaginar como seria.
Vou ficar horas sentado a ver Lisboa do outro lado, o vale ao longo do rio, as árvores da serra, a imaginar como seria.
dezembro 06, 2003
IRRESISTÍVEL
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
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IRRESISTÍVEL
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
A ESQUINA ESCRITA ESTA SEMANA
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
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A ESQUINA ESCRITA ESTA SEMANA
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
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ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
dezembro 02, 2003
SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
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SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
novembro 26, 2003
EMEL
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
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EMEL
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
ORGANIZEM-SE!
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
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ORGANIZEM-SE!
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
GRANDE REPOSTAGEM
A equipa do Francisco José Viegas vai pôr de pé este fim de semana um novo formato da «Grande Reportagem». Eu, que sou seu admirador confesso e leitor compulsivo do Aviz fico muito contente. Força.
A equipa do Francisco José Viegas vai pôr de pé este fim de semana um novo formato da «Grande Reportagem». Eu, que sou seu admirador confesso e leitor compulsivo do Aviz fico muito contente. Força.
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HOJE
Finalmente tenho razões para acreditar que as coisas podem avançar e que o projecto em que estou empenhado vai ter pernas para andar, apesar de todas as rasteiras. Doravante passa-se à fase das caneladas - a quem puser obstáculos no caminho. Parece bem?
Finalmente tenho razões para acreditar que as coisas podem avançar e que o projecto em que estou empenhado vai ter pernas para andar, apesar de todas as rasteiras. Doravante passa-se à fase das caneladas - a quem puser obstáculos no caminho. Parece bem?
COMO SÂO FEITOS OS TELEJORNAIS?
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
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COMO SÂO FEITOS OS TELEJORNAIS?
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
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novembro 24, 2003
BLUES
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
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BLUES
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
O QUE SE PASSA?
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
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O QUE SE PASSA?
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
CAFÉS
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
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CAFÉS
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
ENCONTRO
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
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ENCONTRO
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
novembro 23, 2003
O EURO
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
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O EURO
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
DICK
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
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DICK
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
GRANDE AVIZ
Não resisto a citar o Francisco José Viegas que com a sua simplicidade actual vai continuando a sua cruzada contra os mitos: CULTURA GERAL. Eu não concordo com a ideia de Freitas do Amaral, defendida ontem na Visão sobre a inclusão (que suponho imaginária — só pode) de uma cadeira de cultura geral no ensino Secundário (a tese vem de Hirsch, por exemplo). Mas, como quase nunca concordo com Freitas do Amaral, distingo uma ideia sua que me parece premonitória: daqui a uns anos, pelo caminho que as coisas levam no Secundário, talvez passemos «da cauda da Europa dos 15 para o terço inferior da Europa dos 25».
A ideia da Cultura Geral, de qualquer modo, pode fascinar algumas pessoas — pelo seu carácter «democrático», suponho. O problema é que a cultura geral verdadeira não é uma especificidade mas uma generalidade que resulta do interesse pessoal; esse interesse vem da frequência das «disciplinas do Cânone». O apelo constante para ceder à mediocridade na escola, na televisão, nos jornais, na vida política, é que destruiu a cultura geral. Saber onde fica Vilnius, onde desagua o Tâmega, qual a nacionalidade de Ibsen ou quem foi Tucídides, é uma coisa que se aprende num trivial pursuit — mas que se procura saber mais profundamente se a escola, a televisão, os jornais e a vida política não desvalorizarem quem tiver interesse em saber isso (a não ser no «Quem Quer Ser Milionário», naturalmente...).
Não resisto a citar o Francisco José Viegas que com a sua simplicidade actual vai continuando a sua cruzada contra os mitos: CULTURA GERAL. Eu não concordo com a ideia de Freitas do Amaral, defendida ontem na Visão sobre a inclusão (que suponho imaginária — só pode) de uma cadeira de cultura geral no ensino Secundário (a tese vem de Hirsch, por exemplo). Mas, como quase nunca concordo com Freitas do Amaral, distingo uma ideia sua que me parece premonitória: daqui a uns anos, pelo caminho que as coisas levam no Secundário, talvez passemos «da cauda da Europa dos 15 para o terço inferior da Europa dos 25».
A ideia da Cultura Geral, de qualquer modo, pode fascinar algumas pessoas — pelo seu carácter «democrático», suponho. O problema é que a cultura geral verdadeira não é uma especificidade mas uma generalidade que resulta do interesse pessoal; esse interesse vem da frequência das «disciplinas do Cânone». O apelo constante para ceder à mediocridade na escola, na televisão, nos jornais, na vida política, é que destruiu a cultura geral. Saber onde fica Vilnius, onde desagua o Tâmega, qual a nacionalidade de Ibsen ou quem foi Tucídides, é uma coisa que se aprende num trivial pursuit — mas que se procura saber mais profundamente se a escola, a televisão, os jornais e a vida política não desvalorizarem quem tiver interesse em saber isso (a não ser no «Quem Quer Ser Milionário», naturalmente...).
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GRANDE AVIZ
Não resisto a citar o Francisco José Viegas que com a sua simplicidade actual vai continuando a sua cruzada contra os mitos: CULTURA GERAL. Eu não concordo com a ideia de Freitas do Amaral, defendida ontem na Visão sobre a inclusão (que suponho imaginária — só pode) de uma cadeira de cultura geral no ensino Secundário (a tese vem de Hirsch, por exemplo). Mas, como quase nunca concordo com Freitas do Amaral, distingo uma ideia sua que me parece premonitória: daqui a uns anos, pelo caminho que as coisas levam no Secundário, talvez passemos «da cauda da Europa dos 15 para o terço inferior da Europa dos 25».
A ideia da Cultura Geral, de qualquer modo, pode fascinar algumas pessoas — pelo seu carácter «democrático», suponho. O problema é que a cultura geral verdadeira não é uma especificidade mas uma generalidade que resulta do interesse pessoal; esse interesse vem da frequência das «disciplinas do Cânone». O apelo constante para ceder à mediocridade na escola, na televisão, nos jornais, na vida política, é que destruiu a cultura geral. Saber onde fica Vilnius, onde desagua o Tâmega, qual a nacionalidade de Ibsen ou quem foi Tucídides, é uma coisa que se aprende num trivial pursuit — mas que se procura saber mais profundamente se a escola, a televisão, os jornais e a vida política não desvalorizarem quem tiver interesse em saber isso (a não ser no «Quem Quer Ser Milionário», naturalmente...).
Não resisto a citar o Francisco José Viegas que com a sua simplicidade actual vai continuando a sua cruzada contra os mitos: CULTURA GERAL. Eu não concordo com a ideia de Freitas do Amaral, defendida ontem na Visão sobre a inclusão (que suponho imaginária — só pode) de uma cadeira de cultura geral no ensino Secundário (a tese vem de Hirsch, por exemplo). Mas, como quase nunca concordo com Freitas do Amaral, distingo uma ideia sua que me parece premonitória: daqui a uns anos, pelo caminho que as coisas levam no Secundário, talvez passemos «da cauda da Europa dos 15 para o terço inferior da Europa dos 25».
A ideia da Cultura Geral, de qualquer modo, pode fascinar algumas pessoas — pelo seu carácter «democrático», suponho. O problema é que a cultura geral verdadeira não é uma especificidade mas uma generalidade que resulta do interesse pessoal; esse interesse vem da frequência das «disciplinas do Cânone». O apelo constante para ceder à mediocridade na escola, na televisão, nos jornais, na vida política, é que destruiu a cultura geral. Saber onde fica Vilnius, onde desagua o Tâmega, qual a nacionalidade de Ibsen ou quem foi Tucídides, é uma coisa que se aprende num trivial pursuit — mas que se procura saber mais profundamente se a escola, a televisão, os jornais e a vida política não desvalorizarem quem tiver interesse em saber isso (a não ser no «Quem Quer Ser Milionário», naturalmente...).
novembro 20, 2003
A VOZ
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
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A VOZ
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
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OSCAR WILDE
«Experiência é o nome que damos aos nosso erros».
«Perdoem sempre aos vossos inimigos; nada os deixa tão irritados».
«Experiência é o nome que damos aos nosso erros».
«Perdoem sempre aos vossos inimigos; nada os deixa tão irritados».
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
novembro 19, 2003
MANEL
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
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MANEL
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
novembro 18, 2003
BUSH NO REINO UNIDO
Se querem saber porque é que uma fotografia ao lado da Rainha Isabel II pode ser importante para a geoiestratégia mundial, leiam o Spectator.
Se querem saber porque é que uma fotografia ao lado da Rainha Isabel II pode ser importante para a geoiestratégia mundial, leiam o Spectator.
BRASIL VIRA-SE PARA LINUX
Mais dores de cabeça para a Microsoft: o responsável do Governo Federal pe4los sistemas de informação defende a utilização de plataformas de código aberto como o Linux pelos departamentos opficiais. Leia na Wired.
Mais dores de cabeça para a Microsoft: o responsável do Governo Federal pe4los sistemas de informação defende a utilização de plataformas de código aberto como o Linux pelos departamentos opficiais. Leia na Wired.
novembro 15, 2003
BOLA
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
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BOLA
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
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MÚSICA
Desde há três dias o disco que ouço repetidamente é o novo trabalho de Van Morrison, o seu primeiro registo para a prestigiada Blue Note, o muito apropriado «What’s Wrong With This Picture?».
Desde há três dias o disco que ouço repetidamente é o novo trabalho de Van Morrison, o seu primeiro registo para a prestigiada Blue Note, o muito apropriado «What’s Wrong With This Picture?».
A ESQUINA ESCRITA
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
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A ESQUINA ESCRITA
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
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ONTEM
Almocei sózinho, pela terceira vez esta semana. E eu, que gosto de almoçar sózinho, senti hoje a falta de alguém.
Almocei sózinho, pela terceira vez esta semana. E eu, que gosto de almoçar sózinho, senti hoje a falta de alguém.
QUASE... (citando uma lembrança)
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase amou, não amou!
Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima; o amor enlouquece; o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance.
Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti.
Gasta mais horas realizando, que sonhando...
Fazendo, que planeando...
Vivendo, que esperando...
Porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu...
(Luiz Fernando Veríssimo)
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase amou, não amou!
Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima; o amor enlouquece; o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance.
Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti.
Gasta mais horas realizando, que sonhando...
Fazendo, que planeando...
Vivendo, que esperando...
Porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu...
(Luiz Fernando Veríssimo)
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QUASE... (citando uma lembrança)
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase amou, não amou!
Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima; o amor enlouquece; o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance.
Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti.
Gasta mais horas realizando, que sonhando...
Fazendo, que planeando...
Vivendo, que esperando...
Porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu...
(Luiz Fernando Veríssimo)
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase amou, não amou!
Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima; o amor enlouquece; o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance.
Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti.
Gasta mais horas realizando, que sonhando...
Fazendo, que planeando...
Vivendo, que esperando...
Porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu...
(Luiz Fernando Veríssimo)
EMPATAS
Eu já sabia que havia muitos empatas e já sei do que o país gasta. Mas a coisa está pior. E há mais empatas do que havia. E mais refinados. Se isto parece uma charada visitem o melhor blog sobre comunicação.
Eu já sabia que havia muitos empatas e já sei do que o país gasta. Mas a coisa está pior. E há mais empatas do que havia. E mais refinados. Se isto parece uma charada visitem o melhor blog sobre comunicação.
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EMPATAS
Eu já sabia que havia muitos empatas e já sei do que o país gasta. Mas a coisa está pior. E há mais empatas do que havia. E mais refinados. Se isto parece uma charada visitem o melhor blog sobre comunicação.
Eu já sabia que havia muitos empatas e já sei do que o país gasta. Mas a coisa está pior. E há mais empatas do que havia. E mais refinados. Se isto parece uma charada visitem o melhor blog sobre comunicação.
novembro 12, 2003
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OS MEUS AMIGOS
Soube há bocado que o meu amigo Manel, o do cinema, que já aqui citei, teve um colapso em plena redacção. Dizem-me que a situação é grave. Não consigo pensar noutra coisa. Espero que ele fique melhor, que volte a ver o sorriso do Pereira a falar de um filme.
Soube há bocado que o meu amigo Manel, o do cinema, que já aqui citei, teve um colapso em plena redacção. Dizem-me que a situação é grave. Não consigo pensar noutra coisa. Espero que ele fique melhor, que volte a ver o sorriso do Pereira a falar de um filme.
DESCOBRIR
Há momentos em que apetece pensar como serão os outros, os que escrevem e nós não sabemos quem são. Quem estará aqui?
Há momentos em que apetece pensar como serão os outros, os que escrevem e nós não sabemos quem são. Quem estará aqui?
novembro 10, 2003
MUDAR
Mudar é sempre mais difícil que ficar na mesma. Combater as rotinas e os hábitos é sempre contrário à natureza das pessoas. Fazer obras causa sempre incómodos. Por isso é que alguns exercem o poder sem nada fazerem e outros o utilizam para fazer reformas. Só ao fim de alguns anos é que se vê a diferença, e muitas vezes o prazo com que a mudança se torna visível não coincide com os calendários eleitorais. Claramente esta é uma das perversões do sistema - e uma das que beneficia quem pouco faz e quem não gosta de rupturas.
Mudar é sempre mais difícil que ficar na mesma. Combater as rotinas e os hábitos é sempre contrário à natureza das pessoas. Fazer obras causa sempre incómodos. Por isso é que alguns exercem o poder sem nada fazerem e outros o utilizam para fazer reformas. Só ao fim de alguns anos é que se vê a diferença, e muitas vezes o prazo com que a mudança se torna visível não coincide com os calendários eleitorais. Claramente esta é uma das perversões do sistema - e uma das que beneficia quem pouco faz e quem não gosta de rupturas.
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MUDAR
Mudar é sempre mais difícil que ficar na mesma. Combater as rotinas e os hábitos é sempre contrário à natureza das pessoas. Fazer obras causa sempre incómodos. Por isso é que alguns exercem o poder sem nada fazerem e outros o utilizam para fazer reformas. Só ao fim de alguns anos é que se vê a diferença, e muitas vezes o prazo com que a mudança se torna visível não coincide com os calendários eleitorais. Claramente esta é uma das perversões do sistema - e uma das que beneficia quem pouco faz e quem não gosta de rupturas.
Mudar é sempre mais difícil que ficar na mesma. Combater as rotinas e os hábitos é sempre contrário à natureza das pessoas. Fazer obras causa sempre incómodos. Por isso é que alguns exercem o poder sem nada fazerem e outros o utilizam para fazer reformas. Só ao fim de alguns anos é que se vê a diferença, e muitas vezes o prazo com que a mudança se torna visível não coincide com os calendários eleitorais. Claramente esta é uma das perversões do sistema - e uma das que beneficia quem pouco faz e quem não gosta de rupturas.
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