(pensamentos ociosos, às sextas em sapo.pt)
A Esquina Do Rio
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
agosto 29, 2026
O BRILHO DA NOITE
agosto 28, 2026
TRÂNSITO CADA VEZ. MAIS COMPLICADO
ESTUDOS QUE EU GOSTAVA DE VER - Por vezes temos uma intuição mas não sabemos se ela corresponde à realidade - e era bom termos dados que nos ajudem a perceber o que se passa. Por exemplo, quando desço a avenida da Liberdade, em Lisboa, fico com a sensação que a maioria dos veículos que estão a circular são TVDE’s. Ora eu gostava que se fizesse um estudo que permitisse dar indicadores seguros sobre a percentagem de TVDE’s, em relação ao total de veículos, que circulam no trânsito lisboeta nas principais artérias da cidade. A minha percepção, para usar uma palavra que voltou a estar na moda, é que os TVDE’s são um factor de agravamento das condições de trânsito em Lisboa. E, tenho o palpite, que se houver um estudo sobre os acidentes de trânsito que envolvem TVDE’s iremos ter uma surpresa. E já que falamos de acidentes, também era curioso saber quantos acidentes ocorreram no último ano envolvendo bicicletas. motociclos ou trotinetas de entregas de refeições ou de outras entregas. Outra coisa curiosa - mas para isso era preciso que houvesse fiscalização do cumprimento das regras de trânsito na cidade - seria saber quantos carros passam sinais vermelhos e que percentagem são TVDE’s, qual a percentagem de TVDE’s que muda de direcção sem fazer sinal, qual o número de bicicletas, de entregas ou outras, que ignoram a sinalização de sentidos proibidos ou de sinais vermelhos. Qualquer pessoa que ande em Lisboa sabe que as regras básicas de segurança de trânsito são cada vez mais desrespeitadas e o principal problema não é o estacionamento - onde não faltam multas e vigilantes da maldita EMEL - mas sim o cumprimento de regras de segurança que afectam todas as pessoas. O cumprimento do código da estrada, que já era fraco, morreu com a entrada em circulação dos TVDE’s e entregadores de duas rodas. A proibição de utilização de telemóveis enquanto se conduz está na lei mas é soberanamente ignorada, a começar pelos TVDE's que manipulam os aparelhos enquanto conduzem, tirando os olhos da estrada e focando-os nos ecrãs. Seria curioso saber qual a percentagem de acidentes que envolvem a utilização de telemóveis enquanto se conduz. O número de atropelamentos nas grandes cidades cresce. E o que fazem as autoridades? Suspeito que não vou ter respostas.
SEMANADA -No primeiro semestre do ano a GNR registou 3673 acidentes com motociclos, que causaram 50 mortos; dois terços dos clubes de futebol portugueses têm investidores estrangeiros na sua estrutura accionista; este ano os acidentes de trabalho provocaram uma média de três mortes por semana, o número mais alto desde 2015, sendo que a maior parte ocorre na área da construção; desde Janeiro as autoridades policiais já apreenderam 28 toneladas de cocaína, número que compara com as 25 toneladas apreendidas ao longo de todo o ano de 2025; ‘Extremamente Desagradável’, de Joana Marques, continua a ser o podcast mais ouvido em Portugal com 2,7 milhões de transferências mensais e uma média de 255,6 mil ouvintes semanais; ‘O Homem Que Mordeu o Cão’, da Rádio Comercial, é o segundo título com maior audiência, com uma média de 69,2 mil ouvintes semanais e de 199,6 mil descargas semanais; segundo o “Finantial Times” Portugal e Espanha são os países onde a diferença entre os salários médios e o custo da habitação é mais acentuado; um estudo recente de um organismo da União Europeia indica que o valor do imobiliário em Portugal está 25 sobrevalorizado;
um outro estudo internacional indica que Lisboa é a oitava cidade com maior densidade de turistas, com cerca de 1793 turistas por cada 100 residentes; a Baixa de Lisboa perdeu 23% dos residentes em dez anos; 40% das empresas portuguesas estão localizadas em Lisboa e no Porto.
O ARCO DA VELHA - Em 2026 já morreram três crianças em contexto de violência doméstica, 11 no total desde 2019.
MARILYN & ELVIS - Até 6 de Setembro ainda pode ver no Centro Cultural de Cascais as exposições “Becoming Marilyn” e “Becoming Elvis”, uma assinalando o centenário do nascimento da actriz e outra as sete décadas da edição do primeiro LP de Elvis Presley e do seu filme de estreia, “Love Me Tender”. As duas exposições mostram imagem da MUUS Collection, uma instituição americana dedicada à fotografia do século XX. As imagens de Elvis são da autoria de Alfred Wertheimer as viagens entre Memphis e Nova Iorque, os encontros românticos e os bastidores das primeiras aparições televisivas no Stage Show. em 1956. As fotografias de Marilyn foram feitas por André de Dienes ao longo de uma década em torno de Norma Jeane Baker: desde o encontro em novembro de 1945, quando ela tinha apenas 19 anos e era uma modelo completamente desconhecida,
até às sessões noturnas dos anos de insónia e depressão, acompanhando a metamorfose da jovem Norma Jeane em Marilyn Monroe.
ROTEIRO - Jorge Bacelar é veterinário e apaixonado pela fotografia, a máquina anda sempre consigo nas suas deambulações a tratar de animais e a falar com as pessoas que os criam. Fez há anos o livro “Ruralidades” cujas imagens agora estão expostas nas Caldas da Rainha no Museu Etnográfico das Ceifeiras da Fanadia, na Biblioteca Henrique Nunes da Costa da Fanadia, na Galeria de Exposições do Espaço Turismo, a partir e na Junta de Freguesia do Nadadouro. Este percurso pelo mundo rural português é apresentado no âmbito do F/262, Festival Internacional de Fotografia das Caldas da Rainha. Em Lisboa, no Museu Bordallo Pinheiro pode ver até 6 de Setembro a exposição evocativa dos 150 anos do Zé Povinho. E em Faro, na Galeria Treze Manuel Baptista, “Arquivos (In)visíveis” mostra obras de desenho dos anos 60 de Manuel Baptista. Na Fundação Cupertino de Miranda inaugurou dia 26 a mostra colectiva de 78 fotografias feitas por personalidades de diferentes áreas profissionais, inspiradas no legado do artista Fernando Lemos. São imagens incluídas no livro “Cadavre Exquis - Fotografar em Continuidade” e vai estar patente até 28 de fevereiro de 2027. Coordenado pelo designer Jorge Barbosa, o livro celebra o centenário do movimento surrealista.
RELAÇÕES DIFÍCEIS - Quando se fala em Ernest Hemingway vem logo à memória o seu mais célebre livro, “O Velho e o Mar” (que lhe deu um Prémio Pulitzer) e outros grandes romances como “Por Quem Os Sinos Dobram” ou “O Adeus às Armas”, obras que contribuíram para receber o Nobel da Literatura. Uma das suas obras menos conhecidas, “O Jardim do Paraíso”, agora reeditada em Portugal, foi o seu segundo livro editado a título póstumo e um dos que teve um processo criativo mais conturbado: Hemingway começou a escrevê-lo em 1946, e trabalhou no manuscrito durante 15 anos, até se ter suicidado em 1961. A novela decorre ao longo de cinco meses da vida de David Bourne, um escritor americano e da sua mulher Catherine. É o relato de uma lua-de-mel na Riviera Francesa e também em Espanha nos anos 20 do século passado. David e Catherine estão apaixonados, têm uma relação fisicamente intensa e Catherine resolve surpreender o marido cortando o cabelo à rapaz e começando a comportar-se, na relação, como o homem do casal, invertendo os papéis e descobrindo, para ambos, novos prazeres. A relação tem nova transformação quando na vida de ambos surge outra mulher, Marita, com quem ambos se envolvem. Tudo isto cria tensão e instabilidade na relação de David e Catherine. Desde o início da narrativa David tenta escrever um novo livro e passa por vários bloqueios e hesitações, agravados pela instabilidade geral emocional das várias personagens. Começado a escrever há 80 anos, “O Jardim do Paraíso” aborda temas contemporâneos e é sobretudo um um livro sobre a descoberta do amor e das suas várias formas e, também, sobre os desafios que surgem nas relações entre as pessoas e nos reflexos que tudo tem na vida. Tradução de Guilherme de Castilho, edição Livros do Brasil.
MESA DE CABECEIRA - Há mais de quatro mil milhões de anos que as bactérias dominam este planeta, criando organismos multicelulares, desde plantas a seres humanos. Sem bactérias, não existiriam formas de vida complexas, desde o nosso corpo até à atmosfera do planeta. Este é o tema desenvolvido por Peter Whollenben, em “O Planeta das Bactérias”, edição Pergaminho. Outro livro interessante é “Curiosidade Mórbida”, de Coltan Scrivner. O autor explora o que nos leva a abrandar para ver as consequências de um acidente de viação ou a assistir a maratonas de programas sobre crimes até altas horas da noite. Coltan Scrivner aborda a psicologia da curiosidade mórbida, revelando as razões por que não conseguimos resistir ao macabro. Edição Temas & Debates.
ALMANAQUE TV - As plataformas de streaming descobriram um filão nas séries sobre a adolescência. “Sterling Point”, da Prime Video, protagonizada por Ella Rubin e Amélie Hoeferle (na foto), acompanha, entre namoros de verão, o descobrimento de um mistério familiar que explode entre jovens que vivem em Nova Iorque e outros que habitam numa zona de veraneio dos lagos canadianos, uma disputa que é quase uma metáfora da actual situação entre os Estados Unidos e o Canadá. Viciante e com muitas surpresas ao longo dos oito episódios da primeira temporada.
DIXIT - “Cada vez que um governo anuncia um "bónus" ou um "suplemento extraordinário" nas pensões, não está a distribuir generosidade nenhuma: está a tirar do bolso dos novos para pôr no bolso dos velhos. Não admira que o faça: há mais velhos do que novos, e votam mais. Quem paga a conta não faz maioria — e o sistema político descobriu-o há muito” - Pedro Santa Clara, no Linkedin.
BACK TO BASICS - Muitas vezes o problema maior é a forma como encaramos um problema” - Stephen Covey
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS
agosto 22, 2026
CASAS COM MARCAS
Ver as vistas não é apenas olhar para o pôr do sol. É olhar para o que está perto de nós, sítios por onde passamos todos os dias, com pormenores que por vezes nem vemos. Nos muros e nas entradas de casas podem estar descobertas que nos fazem pensar porque é que quem as habita fez aquela escolha.Por todo o país há jardins com pequenas fontes, ou pequenos lagos, às vezes cães de porcelana, de vários tamanhos e toda uma gama de outros animais. Não podem faltar andorinhas de louça colocadas junto aos beirais. E há azulejos, isolados ou em painéis com nomes de pessoas ou provérbios populares. E, também, réplicas de outras paisagens, como este moinho colocado numa entrada por onde passo quase todos os dias e nunca tinha visto com atenção. Será uma evocação de outros moinhos, como os que ali perto existem na Serra do Louro? Tudo isto são marcas que assinalam as casas, fazem parte da sua história. Eu gosto de me pôr a divagar sobre estas marcas deixadas nas casas, abrir a imaginação aos sinais que elas sugerem. É por isso que gosto muito de olhar para este moinho, quase escondido entre a vegetação que acompanha o muro, Sem ele a casa quase parecia desabitada, mas, quando se vê de perto percebe-se que está bem conservado, estimado, percebe-se que a pintura vai sendo retocada, as velas e as cordas ajudam a mostrar o cuidado que alguém lhe dedica.
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agosto 21, 2026
UM SISTEMA JUDICIAL PERVERSO
JUSTIÇA SOMBRIA - Está a ser cada vez mais frequente termos conhecimento de decisões dos tribunais, sobre diversos crimes , e que vão no sentido de libertarem ou inocentar acusados, delinquentes perigosos, que se revelam autores de outros crimes. Este procedimento de vários juízes cria uma sensação de insegurança e mina o respeito que devia ser devido à justiça. Com efeito, como se pode respeitar um juiz que há um ano considerou inocente de agressões à ex-mulher um guarda fiscal na reforma, que depois a assassinou? Leio nos jornais que no julgamento o tribunal disse que existiam versões contraditórias sobre o sucedido e preferiu não acreditar nas declarações da mulher, que se dizia vítima de violência, preferindo acreditar nas juras de inocência do marido. O juiz deste tribunal estaria à espera de ter versões coincidentes num caso de agressão? Este juiz, que extinguiu as medidas de coação que proibiam o homem de se aproximar da mulher ou da sua casa, onde o crime foi há dias cometido, consegue dormir descansado? E o juiz que mandou em liberdade um homem acusado de violência doméstica, já depois de ter sabido que a polícia suspeita de ele estar envolvido no disparo que atingiu uma turista na baixa lisboeta? E que dizem o rol de entidades, entre elas um tribunal, que demoraram mais de um ano a intervir no caso que culminou com a morte de uma mulher pelo seu filho depois de durante anos e anos o ter submetido, e à sua irmã, a maus tratos e agressões constantes? Tudo isto faz perder a confiança na justiça e nos tribunais e cria um clima de insegurança. A acção dos juízes e dos tribunais pode e deve ser comentada e julgada, não só pelos seus pares, mas também, e se calhar sobretudo, pelos cidadãos. É difícil ter confiança nos tribunais e na justiça quando estes casos se avolumam. Quando leio relatos de muitos julgamentos fico com a convicção que é demasiado frequente haver juízes que se colocam contra as vítimas e a favor dos acusados. A justiça em Portugal está num emaranhado sombrio.
SEMANADA -Em Portugal, quatro em cada dez jovens de 18 anos dizem passar pelo menos cinco horas por dia na Internet, cerca de um terço do tempo em que estão acordados e o tempo de utilização tem vindo a aumentar ao longo da última década; um estudo sobre o período do recente eclipse solar indica que a quebra no uso da Internet em Portugal foi de quase 30%, e à medida que o eclipse avançou, o tráfego desceu; segundo o INE em 2025, o número de crianças e jovens com menos de 24 anos representava apenas 23% do total da população e entre 1995 e 2025 o país perdeu 770 mil crianças e jovens até aos 24 anos, passando de 3 milhões e 313 mil em 1995 para 2 milhões e 588 mil em 2025; Portugal é o 3.º país da UE com maior índice de envelhecimento: um rácio de 182 idosos por cada 100 jovens; mais de 1,6 milhões de pensionistas de velhice da Segurança Social, 74% do total, recebem menos de 870 euros mensais, o valor do salário mínimo nacional em 2025; em Portugal há 730 mil casas abandonadas; no início do mês de agosto, Lisboa concentrava 40,6% do total de casas à venda por mais de um milhão de euros na plataforma Idealista e depois seguem-se Faro, com 26,5% e Porto, com 12,9%; em 15 anos o número de piscinas na Charneca da Caparica quase duplicou; um responsável do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas admitiu que a população de javalis em todo o país ande pelos 300 mil animais; a PJ regista uma média de dois casos de extorsão sexual por dia e em 2025, foram instaurados 732 inquéritos; segundo a Marktest os portugueses fizeram mais de 10,6 milhões de downloads de podcasts em Junho; segundo a Marktest as cinco estações de rádio mais ouvidas são, por esta ordem, Rádio Comercial, RFM, M80, Rádio Renascença e Antena Um; a TSF continua à frente da Rádio Observador.
O ARCO DA VELHA - Um estudo internacional indica que a qualidade do esperma está a diminuir e que entre os homens dos países ocidentais a concentração de espermatozoides por mililitro caiu para metade nas últimas três décadas.
ROTEIRO - “Linha e Mancha, Corpo e Máquina” é o título da exposição retrospectiva de Rui Sanches no Seixal, que acompanha cerca de 40 anos da sua produção artística, desde a década de 1980 até aos dias de hoje, com obras de pintura, desenho e escultura (na imagem) "Linha e Mancha, Corpo e Máquina" integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves, uma iniciativa da Fundação de Serralves que leva obras do seu acervo a públicos de diferentes regiões de Portugal. A exposição fica patente na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, Seixal, até 21 de novembro. Nas Caldas da Rainha prossegue o F/262 festival internacional de fotografia, que apresenta até meados de Setembro cerca de uma dezena de exposições e instalações públicas em diversos locais da cidade e na Foz do Arelho, com destaque, entre os fotógrafos portugueses, para “Estiagem” de João Mariano, “Cante”, de Ana Baião e para “Pela Fresca Sombra das Árvores de Lisboa”, de Luís Pavão.
JAZZ MOZART - Jon Batiste é um pianista e cantor de jazz norte-americano que durante anos dirigiu os músicos que acompanhavam ao vivo o “The Late Show” de Stephen Colbert. É também o director criativo do Museu Nacional do Jazz no Harlem. Em 2024 iniciou uma série de discos dedicada à sua interpretação de clássicos, o disco de estreia foi baseado na obra de Beethoven e recebeu o nome de “Beethoven Blues”. Em “Black Mozart”, agora editado, Jon Batiste revisita a obra do compositor austríaco. O disco começa pela sua interpretação da Sonata no. 16 para piano, mas inclui também versões das “Bodas de Fígaro”, a Sinfonia no.40 ou a Marcha Turca. O disco cruza composições de Mozart, modificadas em géneros como os blues, o gospel, a soul e o jazz. Edição Decca.
ALMANAQUE - Brett Easton Ellis, é um escritor norte-americano que se tornou célebre com o seu primeiro livro, “Menos que Zero”, de 1985. Em 2023, e após um interregno de 13 anos, Ellis voltou a lançar um livro, “The Shards”, de alguma forma retomando a época do seu romance de estreia. O romance é uma memória ficcionada do que Ellis e os seus amigos da época viveram em 1981, no último ano antes de irem para a universidade. Agora o livro gerou uma série de televisão, “The Shards” (“Estilhaços” em Portugal) , que está na Disney + e que tem como protagonistas, entre outros actores, Homer Gere (filho de Richard Gere) e Kaya Gerber (filha de Cindy Crawford). É uma história de terror e de crime, com uma banda sonora que vive os anos 80 e pode ser ouvida no Spotify.
DIXIT - “O que me choca muitas vezes não é as pessoas acreditarem em notícias falsas, é as pessoas já começarem a duvidar das notícias verdadeiras (...) Face aos riscos colocados pela Inteligência Artificial penso que não é o modelo de negócio que salva o jornalismo, é o bom jornalismo que pode salvar o modelo de negócio” - Miguel Coutinho, entrevistado no Observador.
BACK TO BASICS - “Uma pequena pedra pode ser o suficiente para deter uma grande onda” - Homero
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS
agosto 15, 2026
MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO
agosto 14, 2026
OBRAS GOVERNAMENTAIS
TELHADOS ESBURACADOS - Cada vez mais me convenço que este Governo tem um problema com a construção civil. A obra da casa do Primeiro Ministro em Espinho já foi alvo de dois inquéritos-crime pela Procuradoria Geral da República. O primeiro, de 2024 foi arquivado e o segundo, de Fevereiro deste ano, investiga uma alegada discrepância entre o custo da casa e as faturas emitidas pelos empreiteiros. Quando há uns meses o então Director da Polícia Judiciária, Luís Neves, foi nomeado Ministro da Administração Interna não faltaram vozes a insinuar que ele sabia demais da vida de políticos e personalidades de várias tendências, e assim teria que se calar. Na altura Passos Coelho fez uma das suas raras declarações para dizer que a nomeação “não deu um bom sinal”. Em resposta, Luís Neves garantiu que estava “absolutamente blindado”. A blindagem, como agora se sabe, era fraca e lá apareceu mais um empreiteiro de construção civil que, enquanto fazia umas obras numa casa de Neves, ganhava adjudicações de obras da PJ e ofereceu-se como fiel depositário de um veículo apreendido pela PJ numa investigação sobre tráfico de droga. Rui Rio veio dizer, também numa das suas raras intervenções, que o caso é “profundamente nocivo” para o PSD. Quando dois ex.líderes do PSD dizem coisas destas percebemos que alguma coisa vai mal no governo e na liderança do partido. Em vez de ser um edifício completamente transparente, este governo apresenta-se com um telhado esburacado que deixa muito lixo à vista. Resta saber quem será que vai recuperar a ruína.
SEMANADA - Os dados indicados foram obtidos no site analisa.pt que reúne centenas de indicadores públicos, provenientes de diversas entidades, organizados numa plataforma que permite cruzar dados de economia, saúde, educação, habitação, mobilidade, contratos públicos e muitas outras áreas, ao nível de Portugal e de cada um dos seus concelhos: Vila Nova de Gaia, Porto e Lisboa foram as cidades onde nos últimos três meses foram atribuídas mais licenças de construção; Lisboa, Porto, Sintra, Vila Nova de Gaia e Cascais são os cinco municípios com mais serviços essenciais; Barrancos, Sardoal, Vila Velha de Ródão, Pedrógão Grande e Marvão são os cinco municípios com menor número de serviços essenciais; quanto a qualidade de vida os quatro municípios com melhor índice são Oeiras, Cascais, Vila Real e Castelo de Paiva e os quatro municípios com pior índice de qualidade de vida são Porto Santo, Porto Moniz, Grândola e Alcácer do Sal; os cinco municípios com melhores condições para trabalhadores nómadas (alojamento, locais de coworking e qualidade de conectividade) são Oeiras, Lisboa, São João da Madeira, Espinho e Amadora; os cinco municípios mais acolhedores para famílias (custo habitação, proximidade de hospital e segurança) são Braga, Sintra, Cascais, Oeiras e Leiria; os cinco municípios mais seguros para reformados, em termos de serviços de saúde, são Cascais, Oeiras, Ovar, Figueira da Foz e Sintra.
O ARCO DA VELHA - O Estado tem à sua guarda mais de um milhão e meio de bens apreendidos, sem saber o que são, onde se encontram e em que estado de conservação estão.
UM CONTADOR DE HISTÓRIAS - Até 13 de Setembro ainda pode ver na Fundação Cupertino De Miranda, em Famalicão, a exposição “As Imagens Que Nos Olham”, que assinala o nascimento de Fernando Lemos, um dos mais importantes artistas portugueses do século passado. A exposição reúne exclusivamente fotografias realizadas entre 1949 e 1952, um período decisivo da criação artística de Fernando Lemos, marcado pela sua exploração do surrealismo, e constituem um núcleo incontornável da fotografia portuguesa do século XX. Fernando Lemos, que viveu muitos anos do Brasil, onde morreu em 2019, falava assim de si próprio: “Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, director de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, designer de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor.” Na exposição estão 135 fotografias, muitas delas retratos de contemporâneos de Fernando Lemos que deixaram marca na cultura portuguesa, como Alexandre O’Neill, Mario Cesariny, Vieira da Silva, Arpad Szenes, António Pedro, Vespeira, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, José Cardosos Pires, Agostinho da Silva, Costa Pinheiro, Jaime Cortesão, Fernando Azevedo ou Glicínia Quartim, entre outros. A exposição não se esgota nos retratos, mostra muitos dos trabalhos experimentais do artista e é acompanhada por um excelente catálogo que reproduz as fotografias expostas e inclui vários textos que ajudam a contextualizar a obra de Fernando Lemos.
ROTEIRO - No Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco pode ver até 25 de Outubro obras da colecção dos Encontros de Fotografia de Coimbra, na exposição “Spectrum”, de terça a domingo, das 10h às 13h00 e das 14h às 18h00. No Porto, na Casa dos Livros está patente a exposição de fotografia “Portugal Triste, fotografias amadoras e vernaculares “, provenientes da colecção de Nuno Resende. que reúne imagens tiradas entre 1850 e 1980; na Casa Museu João Vieira, em Vidago, está patente até Julho de 2026 a exposição “Pinto Quadros por Letras” (na imagem), com obras de João Vieira, natural da região e que é considerado uma das figuras mais importantes das artes plásticas portuguesas do século XX. A curadoria é de Manuel João Vieira, filho do pintor e a exposição pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30, com entrada livre; no Centro de Arte Contemporânea Quinta da Cruz, em Viseu, a exposição Peter Meeker-uma Colecção de artistas reúne trabalhos de Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Ana Jota, Rui Sanches, Pedro Calapez, José Pedro Croft, e Augusto Alves da Silva, entre outros, até 29 de Novembro.
UM CATALÃO NO ORIENTE - Manuel Vázquez de Montalbán, um escritor catalão, é um dos meus autores preferidos de policiais. Criou a personagem de Pepe Carvalho, um detective aventureiro que vivia em Barcelona, devoto de petiscos, muitos deles cozinhados pelo seu assistente Biscuter. ”Os Pássaros de Banguecoque” foi originalmente publicado em 1983, vinte anos antes da morte do autor que morreu de ataque cardíaco precisamente no aeroporto da capital tailandesa. Tudo começa por uma investigação trivial em Barcelona que dá o pontapé de saída a ”Os Pássaros de Banguecoque”, um romance fascinante que cruza três histórias. As duas primeiras, um roubo familiar e o assassinato de uma mulher, passam-se em Barcelona. A outra história leva Pepe Carvalho à Tailândia, para investigar o desaparecimento de uma amiga, mas também para fugir de Barcelona onde, para ele, começava a ser penoso viver entre a monotonia e a melancolia, percorrendo a noite dos bares e o sexo rápido. Pelo meio, Carvalho descobre o fascínio do Oriente e os seus mistérios, mas acaba por regressar a Barcelona, com o mistério resolvido. Que têm em comum estas histórias? E o que são afinal os pássaros de Banguecoque? Vão ter que ler o livro, uma das grandes obras de Montalbán. Edição Quetzal.
MESA DE CABECEIRA - Gosto muito de livros de viagens e esta semana tenho dois novos. O primeiro é “Comboio-Fantasma Para o Oriente”, de Paul Theroux. Trata-se do relato da repetição de uma viagem que o escritor já tinha narrado em “O Grande Bazar Ferroviário”, tinha então 33 anos. Quando começou esta segunda viagem tinha 66. O mundo mudou muito ao longo de três décadas e é disso que Theroux fala. O escritor partiu de Londres, atravessou a Europa e depois percorreu a Turquia, passou por territórios da ex-URSS como a Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, pela Índia, Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Laos, Malásia, Singapura, Camboja, Vietnam, China e Japão e fez o percurso de volta na linha do Transiberiano. A edição original é de 1988 e a Quetzal editou-o agora em Portugal. O outro livro é um clássico, “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift e foi editado originalmente em 1726. Descreve as quatro viagens de Lemuel Gulliver. Em Lilliput, ele descobre um mundo em miniatura onde era um gigante; a seguir vai para Brobdingnag, a terra dos gigantes, onde Gulliver parecia minúsculo; em Laputa, encontra uma sociedade de lunáticos que perderam completamente o contacto com a realidade quotidiana e que deixam o país em ruínas enquanto especulam sobre o futuro: a última viagem leva-o à terra dos Houyhnhnms, cavalos dóceis, em contraste com os Yahoos, criaturas bestiais, por vezes aterradoras, que têm uma perturbadora semelhança com humanos. O livro é uma reflexão sobre o comportamento humano e 300 anos depois de ter sido editado continua actual. Esta nova edição em português está na colecção A Biblioteca de Alexandria, da Quetzal.
A ARTE DO PIANO - A pianista japonesa Mitsuko Uchida gravou há pouco mais de duas décadas as três últimas sonatas para piano de Beethoven e essa gravação de estúdio, feita em Londres, tornou-se uma referência. Em Outubro do ano passado, Uchida decidiu voltar a gravar essas três sonatas, mas num recital, em Tóquio, em vez de um estúdio sem assistência. “The Last Three Sonatas - Mitsuko Uchida, Live at Suntory Hall” apresenta uma outra visão da obra, pelo mesmo intérprete. É a diferença entre tocar sozinha num estúdio ou para uma audiência de, neste caso, 2000 pessoas. Uchida é uma grande intérprete de Beethoven e este registo mostra como a música é algo de vivo, não é a repetição mecânica das pautas. Disponível nas plataformas de streaming.
ALMANAQUE - A galeria lisboeta This Is Not A White Cube rumou a sul e apresenta em três espaços na Comporta, Carvalhal e Melides exposições que sob o nome comum de “What Remains Between” apresentam até 6 de Setembro obras dos artistas Vanessa Barragão, Susana Cereja, António Faria e Expanded. Podem ver as exposições no Centro Comporta (Avenida 18 de Dezembro, 53, Carvalhal), na Galeria Circular (Estrada Nacional 261, KM 2-8) e n’A Moagem, (Travessa do Teixeira 6, Melides).
DIXIT - “ O distinto e reputado académico que desempenha as funções de ministro da Educação presidiu, com candura, a um dos maiores desastres da educação portuguesa “ - António Barreto
BACK TO BASICS - “É difícil considerar como líder alguém que não ouve nada à sua volta” - James H. Boren
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS
agosto 08, 2026
SOBRE ECLIPSES
(pensamentos ociosos, sempre à sexta, em sapo.pt)