(Pensamentos Ociosos, sempre em sapo.pt)
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
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SEMANADA- Mais de 4,7 milhões de pessoas subscrevem em Portugal serviços de televisão pagos e dois terços deles utilizam a fibra óptica; cerca de 60% dos espectadores prefere pagar para ter acesso a canais de cabo e plataformas de streaming à programação dos canais de livre acesso gratuitos; um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos faz um levantamento dos 507 ministros da democracia portuguesa, concluindo que quem tem governado Portugal em democracia são sobretudo homens, com mais de 50 anos, que pertencem a “elites políticas altamente profissionalizadas, nas quais a experiência partidária e a competência técnica se entrelaçam de forma estrutural”; de acordo com o estudo, os governos portugueses estão a ficar mais velhos, mais qualificados e mais partidários e para entrarem no círculo do poder as mulheres precisam de mais estudos; outro dado: ser ministro em Portugal não é um emprego estável já que a duração média no cargo é de um ano e meio, 19% dos membros do governo não completam o mandato e quatro em cada dez saem devido a escândalos, pressões dos jornais ou contestação social; a colecta de IVA entre Março e Julho esteve 925,8 milhões de euros acima do obtido no mesmo período do ano passado, em boa parte devido às receitas provenientes do IVA sobre combustíveis; segundo a SIBS, o valor dos levantamentos nos caixas automáticos do Multibanco ultrapassa anualmente os 30 mil milhões de euros, cinco vezes mais que o valor registado há 30 anos; segundo a Marktest nos últimos 30 anos o consumo doméstico de energia mais que duplicou nas últimas três décadas.
O ARCO DA VELHA - A formação de tripulantes de ambulâncias dos bombeiros, que asseguram a maior parte do socorro, tem um terço das horas dos socorristas do INEM, deixou de ser auditada por este instituto e está sem controlo.
A TENTAÇÃO DO FUTURO - “com o coração livre de cuidados” é o título da primeira grande exposição de Pedro Cabrita Reis no MAAT, que está a celebrar os seus 10 anos de existência. O artista ocupa todo o espaço do grande hall do edifício do MAAT, utilizando as paredes para mostrar desenhos e pinturas e a área oval central para a colocação de esculturas, mesas com estudos e esboços preparatórios de diversas obras. Quase todos os trabalhos foram feitos propositadamente para esta exposição, nomeadamente grandes pinturas, em séries que evocam Monet ou El Greco e desenhos que surgem numa homenagem a Rodin. Num dos topos da oval está um trabalho misto de escultura e pintura de grandes dimensões, num jogo de cores e formas que condiciona todo o espaço, com grandes peças metálicas com várias camadas e leituras que delimitam o outro topo. À excepção das obras colocadas na rampa de acesso ao piso térreo, um conjunto de trabalhos de técnica mista onde Pedro Cabrita Reis utilizou fotografias suas em diversos contextos, que depois transformou num jogo entre o humor e o exibicionismo, o resto das paredes está ocupado por telas de grandes dimensões, algumas delas transformando imagens do imaginário religioso clássico, e uma série de pequenas pinturas que evocam paisagens. É o primeiro artista português a apostar neste tipo de ocupação do espaço, com quase duas centenas de obras. Nesta exposição torna-se evidente como Cabrita Reis parte de referências e estudo do passado e dos grandes clássicos para desafiar o futuro. É esse aliás o sentido do título da exposição, “com o coração livre de cuidados”, baseado numa passagem de Hesíodo, um poeta grego da antiguidade. No MAAT até Fevereiro.
ALMANAQUE- A 36.ª edição dos Encontros da Imagem decorre a partir desta sexta-feira, até 1 de novembro, com mais de 30 exposições de fotografia em Braga, Guimarães, Porto, Vila Verde e Avintes. Cooper & Gorfer, César Dezfuli, Ciril Jazbec, Tânia Dinis e Eurico Lino do Vale são alguns dos nomes que compõem o programa daquele que é o mais antigo festival de fotografia de Portugal.
DIXIT - “O início do ano lectivo foi novamente um falhanço. Alunos sem escolas ou sem aulas. Professores sem escolas, alunos sem professores. Tudo isto se repete e agrava.” - António Barreto, no Público.
BACK TO BASICS - “O serviço público de televisão nunca deveria ser julgado pelos números da audiência, mas sim pela medida do impacto que a sua programação tem nas pessoas que o vêem” - Ron Hull, um dos pioneiros do Public Broadcasting Service nos Estados Unidos.
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS
Gosto de ver como as cores mudam ao longo das quatro estações do ano. Perceber como a luz se comporta, umas vezes a levantar-se cedo e deitar-se tarde, outras vezes a preguiçar de manhã e a ir para cama mais cedo. O ciclo da luz, o mesmo é dizer a viagem do sol, é sempre fascinante. A forma como vai mudando, de cor, intensidade, cria novas imagens, transformando as paisagens que conhecemos e refrescando as memórias. Em cada mês de Setembro tenho esta sensação de um Verão que se vai despedindo, de forma tímida, com idas e vindas, como se tivesse pena de partir. A partida do Verão não me faz grande impressão - gosto do Outono a aparecer pé ante pé, da mesma maneira que, daqui a alguns meses, hei-de ansiar pela chegada da Primavera. A verdade, verdadinha, é que Outono e Primavera são as minhas duas estações preferidas. Gosto desses fins de tarde, que vão sempre mudando, mas gosto sobretudo dos de Outubro e de Abril, talvez os meus meses preferidos por uma série de razões, algumas até nada atmosféricas. São as melhores épocas do ano para, ao fim do dia, ficar sentado ao lusco fusco a ver as cores mudarem.
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SEMANADA - O autarca de Loures, Ricardo Leão, anunciou que pretende construir uma piscina de ondas com dois hectares na Bobadela; o estudo TGI da Marktest indica que três em cada quatro portugueses adultos consome bebidas alcoólicas; 2,7 milhões de portugueses tem gatos como animais de companhia; segundo o Ministério Público a violência conjugal ou equiparada é um dos fenómenos criminais de maior aumento registado em 2025, ano em que entraram 33 844 novos inquéritos, uma subida de 31,7% em relação ao ano anterior; o crime que teve um maior aumento de percentagem de ocorrências foi o tráfico de estupefacientes, com um aumento de 36,4% dos casos reportados em relação ao ano anterior, num total de 8794 ocorrências; o branqueamento de capitais registou um aumento de 31,3% e os crimes de incêndio florestal subiram 26,1%; a quantidade média de resíduos urbanos produzidos por cada português em 2024 foi de 517 kgs, acima dos 502 kgs registados no ano anterior; os sacos de plástico fino têm um pegada ecológica menor que os de papel; as licenças para construção e reabilitação de edifícios habitacionais caíram 6,9% no primeiro semestre; segundo o International Expat Insider, Portugal está no 8º lugar em relação a qualidade de vida, no 29º em condições para estrangeiros cá trabalharem e em último lugar quanto a perspectivas de evolução de carreira; a diferença do preço dos combustíveis entre Portugal e Espanha aumentou devido à diferença da carga fiscal, que penaliza Portugal.
O ARCO DA VELHA - A PSP deteve um homem de 30 anos que se dirigia para o concerto de Carl Cox com 108 gramas de cocaína, 52 de ecstasy, 29 selos de LSD, 16 comprimidos de Viagra e um frasco com GHB (droga da violação). Foi libertado pelo tribunal.
MESA DE CABECEIRA -Ricardo Paes Mamede é um economista e professor de Economia Política no ISCTE e o seu novo livro aborda a situação em que vivemos ultrapassando as politizações do costume entre esquerda e direita ou a discussão entre o papel do Estado e o do mercado. Está mais preocupado em sublinhar que o nosso futuro comum passa pelo que somos capazes de fazer para melhorar as capacidades existentes. Este é o tema do seu livro “Política Industrial, Como os Estados Transformam as Economias”, uma Edição Contraponto. A grande questão é saber até que ponto pode o Estado intervir. São do próprio autor estas palavras: “Esta a questão central deste livro: O que podem fazer os Estados para transformar a estrutura das actividades produtivas tendo em vista determinados objectivos públicos?». O outro livro que escolhi esta semana é “Revoluções, Uma Nova História”, de britânico Donald Sassoon, que lecciona História Comparada em Londres. O historiador evoca algumas das revoltas mais célebres, como a Guerra Civil inglesa, a guerra de independência americana, a revolução francesa que produziu a Declaração dos Direitos do Homem, as revoluções nacionais que unificaram a Itália e a Alemanha e as revoluções Russa e Chinesa, que marcaram o século XX. Donald Sassoon estabelece comparações entre estes marcos históricos gigantes com numerosas rebeliões, golpes de Estado e tumultos que o tempo esqueceu, conseguindo construir uma narrativa emocionante. Edição Temas & Debates.
DIXIT - “Os políticos que temos já são a consequência de um meio ambiente dominado pelas regras do analfabetismo funcional. Lamento a brutalidade da linguagem, mas é mesmo assim. “ - Francisco Mendes da Silva, no Público.
BACK TO BASICS - A História da Humanidade é cada vez mais uma corrida entre a educação e a catástrofe” - H.G. Wells
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POLÍTICA ANIMAL - Às vezes diz-se de um ou outro político que ele parece um animal feroz e em todos os partidos surge gente a quem a expressão assenta que nem uma luva. Distinguem-se pela oratória e demagogia, pelo desfasamento entre a realidade e o que dizem, por uma permanente tentação de darem nas vistas, pelo uso de linguagem desbragada. Normalmente são pessoas que, pela sua atitude e comportamento, encaixam na categoria “cão que ladra não morde”, muito usada na gíria popular - aliás falam muito mas na realidade fazem pouco e são essencialmente exibicionistas. De acordo com a evolução das espécies, alguns passam para uma outra categoria, a que eu costumo chamar de rottweiler da política. Os rottweiler podem ser cães tranquilos, mas são conhecidos por defender os donos, e os seus instintos protectores podem levar à agressão contra quem sentem como uma ameaça. Não é preciso ser génio para perceber que um dos factores que mais contribui para o bloqueio do nosso sistema político e para o clima tenso que existe entre o PS e o PSD, os dois maiores partidos portugueses, é a existência de sistemáticos comportamentos de ataque de um e outro. Do lado do PS, durante os anos em que esteve no poder e era alvo de acusações da oposição, Augusto Santos Silva revelou-se como rottweiler de serviço no parlamento. Agora que está, até ver, retirado, e o governo é do PSD, o papel de guardião do poder e escuteiro de Montenegro criou um novo rottweiler no PSD: Hugo Soares. Tirando as diferenças partidárias, o comportamento de ambos é semelhante, são as duas caras de uma má moeda da política. Os líderes gostam deles, são os porta-vozes daquilo que muitas vezes querem dizer mas não podem. Tal como os rottweiler, são fiéis e atacam quando se sentem ameaçados. São animais ferozes e a única utilidade que têm é servirem de maus exemplos do debate político democrático, sempre instigando o ódio contra quem pensa de forma diferente. O parlamento seria bem melhor sem espécimes destes, o espectáculo que dão é ainda mais degradante que as discussões entre adeptos de clubes de futebol adversários. Estes rottweiler da política sentem-se donos do mundo quando têm um microfone e uma câmara de televisão à frente. Vivem para dar nas vistas.
SEMANADA - O fisco cobra 60 mil multas por mês a condutores que não pagaram portagens; faltam anestesistas no Hospital D. Estefânia e ortopedistas no Hospital de Santa Maria; o Governo anunciou que abandonou o objectivo de proporcionar médico de família a todos os utentes do SNS; 38% dos portugueses fazem compras online pelo menos uma vez por semana; de entre os portugueses dos 25 aos 34 anos que vêem televisão, 40,2% seguem plataformas de streaming e de internet na TV, 34,5% seguem canais de cabo e apenas 26,1% vêem os canais generalistas; 33% das pessoas que vivem na União Europeia, tem assinaturas pagas de serviços de streaming de filmes, séries ou desporto e em Portugal o número desce para 22%; Portugal registou o maior aumento anual do custo da habitação entre 57 países analisados num estudo internacional, tendo-se verificado um aumento de 15,2% em apenas um ano, enquanto o preço das casas, em termos mundiais, caíu 1,2% no mesmo período; a despesa do Estado com juros da dívida pública tem a maior subida em quatro anos, um agravamento de 776 milhões e euros; o aeroporto de Lisboa foi considerado o mais stressante de toda a Europa, apenas metade das partidas não tiveram atrasos e 55% das opiniões dos viajantes foram negativas; um outro estudo colocou o aeroporto Humberto Delgado na posição 274 num total de 279 aeroportos avaliados em todo o mundo; este ano o limite de voos nocturnos em Lisboa só foi cumprido em duas semanas; há mais turmas sem professor no início deste ano escolar que em 2025; até ao dia 3 deste mês, morreram nas estradas portuguesas 333 pessoas em 102 824 acidentes que causaram 2003 feridos graves e 30 102 feridos ligeiros.
O ARCO DA VELHA - Um em cada três jovens diz ter visto nas redes sociais conteúdos relacionados com a automutilação.
TV GUIA - “This Town” é uma série da BBC que mostra como era o Reino Unido no início dos anos 80, com a guerra civil instalada na Irlanda e motins em várias cidades inglesas. Na HBO.
DIXIT - “Nunca um só ministro, com tão medíocres trapalhadas, pôs assim em causa a democracia, o Governo e as instituições” - António Barreto, sobre Luís Neves.
BACK TO BASICS - “O homem é o único animal que consegue conviver com as pessoas que pretende aniquilar “ - Samuel Butler
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