OS EXAMES E A LEI DA ROLHA - O Ministério da Educação, Ciência e Inovação, tutelado por Fernando Alexandre, não respondeu atempadamente a perguntas colocadas pela imprensa sobre as entidades envolvidas no processo de digitalização, as dificuldades técnicas reportadas por professores e só depois de muita pressão identificou os criadores da plataforma que está a ser usada para classificar os exames do secundário. Fernando Alexandre tem-se portado mal neste processo - não percebeu que existiam problemas técnicos, não quis assumir a necessidade de fazer alterações no calendário da classificação face aos problemas surgidos e por fim - e isto está a tornar-se um rotina neste Governo - não responde a perguntas concretas de jornalistas sobre os problemas surgidos, preferindo esconder os nomes dos responsáveis do ministério e das empresas fornecedoras. Sabe-se que nos últimos três anos a digitalização dos exames custou mais de sete milhões de euros e neste momento parece evidente que não houve da parte do Ministério de Fernando Alexandre a implementação de mecanismos de controlo de qualidade e a realização de testes sobre a eficácia de toda a plataforma antes de ela ser posta em utilização real. O caso de Fernando Alexandre não é único - muitas vezes cria-se a sensação de que o Estado adjudica serviços complexos, sobretudo na área tecnológica, sem garantir que existe competência técnica e um histórico de experiência que permita evitar problemas na implementação dos sistemas adjudicados. Que isto se passe num Ministério que tem nas suas competências a Inovação torna a coisa ainda mais anacrónica. Para além deste problema, muitas plataformas existentes a diversos níveis do Estado, têm uma utilização complexa e não são, para usar uma terminologia inglesa, “user friendly” - parece uma anedota mas recentemente, para conseguir cumprir os passos que uma plataforma digital do Estado me exigia, tive que recorrer a um manual de instruções em vídeo disponível no YouTube, e feito por um brasileiro, que finalmente me explicou aquilo que um serviço oficial não foi capaz de fazer. Mas verdadeiramente o mais assustador é o manto de silêncio com que o Estado se protege. Cito uma nota recente de Eduardo Cintra Torres no “Correio da Manhã” : A ERC deliberou duas vezes em duas semanas contra o jornal digital Página Um, estabelecendo que para esse jornal aceder a informação estatal, que deve ser pública, tem de explicar porquê e o que quer investigar. Com esta Lei da Rolha o Ministro Fernando Alexandre pode dormir descansado, bem embalado pela ERC.
SEMANADA - Portugal já paga cerca de 200 milhões de euros por ano a Bruxelas por não reciclar embalagens de plástico em número suficiente; um em cada quatro alunos inscritos num curso Técnico Superior Profissional abandonou o ensino superior um ano após ter entrado; a Administração Pública portuguesa terminou 2025 com um número recorde de cargos dirigentes e o Estado contabilizava no final do ano 16.115 dirigentes, sendo o aumento particularmente expressivo na administração regional e local; a Autoridade Tributária recebeu 5.710 denúncias e participações de fraude fiscal em 2025, nesse mesmo ano fez 641.678 pedidos de penhora por dívidas fiscais e pediu o levantamento do sigilo bancário mais de 800 vezes; os gastos nos hospitais do SNS com medicamentos oncológicos mais que triplicaram nos últimos dez anos; o número de utentes sem médico de família atribuído voltou a aumentar no ano passado, para 1,56 milhões de pessoas no final de dezembro passado, cerca de mais 41 mil do que um ano antes; 5% das despesas das famílias portuguesas são na área da saúde; as contribuições de estrangeiros para a segurança social tiveram em Abril uma subida de 10,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo 365,4 milhões de euros.
O ARCO DA VELHA - Em vésperas do jogo com a Espanha, Hugo Soares anunciou que Luís Montenegro era ”uma espécie de amuleto da sorte” da seleção nacional…
OLHOS NA AMÉRICA - A partir da colecção de Julião Sarmento, as curadoras Isabel Carlos e Rita McBride puseram de pé a exposição “Era Uma Vez na América” que apresenta um conjunto impressionante de obras de vários artistas que mostram o seu olhar sobre os Estados Unidos e onde se aborda o impacto da mitologia e da cultura dos EUA na criação contemporânea do pós-guerra. Nesta exposição figuram trabalhos de Bruce Nauman, Christopher Williams, Cristina Iglesias, Dan Graham, Ed Ruscha, Glen Rubsamen, James Casebere, James Turrell, João Louro, João Paulo Feliciano, John Baldessari, Jorge Molder (na imagem) , Juan Muñoz, Lawrence Weiner, Louise Lawler, Matt Mullican, Nan Goldin, Richard Artschwager, Richard Nonas, Richard Serra, Rita McBride, Robert Gober e Robert Morris. A exposição pode ser vista no Pavilhão Julião Sarmento, de terça a domingo das 11 às 19h00, na Avenida da Índia 172.
PODER E SEDUÇÃO - Pamela Churchill Harriman moveu-se na segunda metade do século XX num círculo onde política, economia, cultura e moda se entrelaçavam. Conviveu com algumas das pessoas mais notáveis da época, a começar pelo seu sogro, Winston Churchill, mas também com os Kennedy, Bill Clinton, Nelson Mandela, Frank Sinatra, Gloria Steinem ou Christian Dior. Inglesa, viveu muitos anos em Paris e depois apaixonou-se pelos Estados Unidos e em particular pelo vigor e energia de Nova Iorque e as intrigas políticas de Washington no pós-guerra. Sedutora, as suas aventuras amorosas e escapadas eróticas tornaram-se lendárias. Movia-se com habilidade e tinha muitos amigos em Hollywood, entre os quais Oleg Cassini, o estilista de Jacqueline Kennedy, que conheceu bem Pamela e faz dela este retrato: “Os homens envolvidos na política interessavam-lhe, mas como forma de acumular poder”. E foi isso o que fez ao longo da vida. “A Fazedora de Reis” é o título da sua biografia escrita por uma jornalista britânica, Sonia Purnell. Foi considerada uma das mulheres mais influentes do século XX e o seu elogio fúnebre foi proferido por Bill Clinton em 1997, num dos mais imponentes funerais a que Washington tinha assistido em muitos anos. Edição D. Quixote.
MESA DE CABECEIRA - Separados por quase cinco séculos o britânico Robert Burton, nascido em 1577, e o australiano Gerald Murnane, nascido em 1939, têm vários pontos comuns: tiveram uma vida sedentária, não viajavam, dedicaram-se com afinco à escrita e a aumentar o seu próprio conhecimento e o dos outros. Comecemos por Robert Burton e a sua “Anatomia da Melancolia”, editada na nova colecção da Quetzal, Biblioteca de Alexandria, numa tradução de Salvato Teles de Menezes. A edição é um resumo da obra que o autor nunca terminou e que já ultrapassava as 1500 páginas quando morreu. Marcada pela ironia, filosofia, pela poesia e sobretudo pela leitura de todos os livros da biblioteca de Oxford, onde trabalhava, a obra foi concebida como um ensaio que explica e acompanha as emoções e pensamentos humanos. “Territórios de Fronteira”, de Gerald Murnane, é também uma edição da Quetzal e é o último livro de ficção do autor, que se mantém fiel aos temas que percorrem toda a sua obra, e conta a história de um homem que muda de uma grande metrópole para uma pequena cidade remota onde pretende passar os seus últimos anos e revisitar uma vida de observações e de leituras.
ALMANAQUE - Anton Corbijn fotografou ao longo de meio século nomes célebres da música, como Joy Division, U2, Tom Waits, Rolling Stones, mas também de nomes do cinema como Martin Scorsese ou Clint Eastwood e artistas plásticos como Ai Weiwei ou Gerhard Richter. O museu Fotografiska Berlin apresenta até 20 de Setembro uma retrospectiva do seu trabalho na exposição “Corbijn, Anton” que agrupa 150 das suas obras. No Spotify há uma playlist que Corbijn fez com uma centena das suas canções preferidas.
DIXIT - Um país que se desenvolve retém talento. Portugal exportou talento. Um país que se desenvolve aumenta produtividade. Portugal importou mão de obra para sustentar setores de baixos salários. Um país que se desenvolve cria salários altos. Portugal continuou dependente de atividades de baixo valor acrescentado. (…) E depois chamou a isso crescimento” - Pedro Santa Clara.
BACK TO BASICS - “O meu objectivo nunca foi registar os meus sonhos e sim conseguir concretizá-los”- Man Ray
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS






