julho 25, 2026

AS RUÍNAS QUE NOS CERCAM




Não é raro ir numa estrada e dar com uma casa abandonada. É coisa que só se descobre quando se vai pelos caminhos do interior. Longas viagens por auto estrada são coisa que não me fascina. Mas gosto de fazer um percurso grande dividido em etapas por estradas pequenas, do interior. Em vez de fazer 600 kms num dia, prefiro fazer 200 e ir parando. Vou mais devagar, é certo, mas fico a conhecer melhor as regiões por onde passo - e isto aplica-se a viagens em Portugal e noutros países. É nas estradas do interior que melhor se vê o estado da nação, percebe-se onde as autarquias limpam as bermas, vemos as aldeias que estão limpas, casas bem cuidadas. Descobrimos restaurantes de beira da estrada, fáceis de avaliar pelo número de viaturas paradas à porta, que são  melhores - muito melhores - que qualquer área de serviço numa autoestrada. Este é o lado bom. Mas vemos também, em muitas zonas, casas ao abandono, em ruínas. Todas eles têm certamente uma história, há-de haver uma razão para terem ficado assim, abandonadas, despidas de vida. Calcula-se que em Portugal há mais de meio milhão de casas abandonadas e pelo menos uma dúzia de aldeias que estão desabitadas, onde já não vive ninguém. O abandono não é exclusivo dos tempos que vivemos, encontra-se em todas as épocas: é o resultado de quando se deixa alguma coisa para trás, quando se parte para não mais voltar. Fico a olhar à minha volta  e penso que devia ser mais fácil fazer reviver casas abandonadas - algumas quase olham para nós a pedir ajuda.


(pensamentos ociosos, sempre à sexta em sapo.pt)