CONQUISTAR TERRITÓRIO
É um bocadinho irónico que o campeonato do Mundo de futebol tenha este ano como um dos seus palcos principais os Estados Unidos. Só que o jogo que nos Estados Unidos se chama futebol não tem nada a ver com o jogo que tornou Ronaldo numa estrela. Aquilo a que nós chamamos futebol, nos Estados Unidos leva o nome de soccer. O futebol americano é outra coisa, uma mistura de râguebi e futebol tradicional, que foi inventado em universidades americanas no final do século XIX. O jogo em si é bem diferente quer do râguebi, quer do futebol: a partida tem quatro partes de 15 minutos cada uma, num total de 60 minutos de jogo, cada equipa tem onze jogadores - tantos como no nosso futebol e menos que no râguebi. As regras criam numerosas faltas que, fazendo parar o relógio, alimentam o tempo que a coisa demora a resolver-se. Os intervalos e as pausas são fundamentais para passar publicidade nas transmissões televisivas, cada vez mais é um desporto pensado para televisão. Os equipamentos são garridos, as camisolas têm espaço para ombreiras e protecções e joga-se de capacete. Trump, aborrecido com a confusão dos nomes, já fez saber à National Football League que tem que se arranjar um nome novo para o jogo e que futebol só há um - e é o do campeonato do mundo. Por cá também existe futebol americano, e para além da Feira de Azeitão onde havia este equipamento à venda no meio de velharias diversas, há uma Liga Portuguesa de Futebol Americano que nesta época tem sete equipas inscritas: os Maia Mutts, os Braga Warriors, os Renegades de Salgueiros, os Crusaders de Cascais e os Bulldogs, Devils e Navigators de Lisboa. Nos Estados Unidos a National Football League teve este ano como campeão os Seattle Seahawks. Já agora, o futebol americano é um jogo caracterizado pela conquista de território. De que estavam à espera?
(os pensamentos ociosos estão semanalmente em sapo.pt)