
Nos dias de sol infernal um bom chapéu é meio caminho andado para o conforto. Nesses dias há poucas coisas melhores que um chapéu leve, abas largas, que faça sombra e não pese na cabeça, em suma. O célebre chapéu Panamá encaixa nesta descrição. Apesar do nome, o modelo original nasceu no Equador, onde é chamado El Fino e fabricado com a finíssima palha de uma planta local conhecida como toquilla. Levou com o nome Panamá em cima porque, numa visita ao Canal do Panamá, em 1906, num dia de calor, o presidente americano Theodore Roosevelt protegeu-se do sol com um desses chapéus. Foi aí que perdeu a nacionalidade equatoriana e ganhou fama pelo mundo fora como panamense, um autêntico toldo portátil elegante ainda por cima. É das melhores coisas que se pode usar no verão para proteger a cabeça. Mas, este é apenas um de muitos chapéus. Convém, a propósito, recordar que no filme “A Canção de Lisboa”, de 1933, o célebre e grande Vasco Santana, depois de perder o seu “palhinha” - e por isso ser gozado por um passante - saiu-se com esta réplica que ainda hoje faz escola: “chapéus há muitos, seu palerma!”. Os chapéus não se ficaram só pelo cinema. Também invadiram a música e poucas canções o evocam tão bem como o célebre “Papa Was a Rollin' Stone", um tema clássico da música soul, escrito por Norman Whitfield e Barrett Strong, imortalizado pelas Temptations e, mais tarde, por Marvin Gaye. Vale a pena recordar a maneira como o chapéu entrou na canção, citando estes versos, uma descrição única de quem anda pelo mundo: “Papa was a rolling stone, wherever he laid his hat was his home”.(PENSAMENTOS OCIOSOS, SEMANALMENTE EM SAPO.PT)