A 2:
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
Coisas que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
dezembro 27, 2005
Untitled
A 2:
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
dezembro 25, 2005
PRENDAS DE NATAL
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
A GRANDE ILUSÃO
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
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PRENDAS DE NATAL
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
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A GRANDE ILUSÃO
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
dezembro 17, 2005
O ACIDENTAL
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
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O ACIDENTAL
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
SOBRE OS JORNAIS
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
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SOBRE OS JORNAIS
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
SONDADOR PROPAGANDISTA
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
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SONDADOR PROPAGANDISTA
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
dezembro 16, 2005
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A POLÍTICA À SOARES
O candidato Soares critica aqueles que criticam os políticos. É fácil perceber porquê: ele foi um dos fundadores desta forma de fazer política, foi ele quem formatou os políticos que andam por aí.
O candidato Soares critica aqueles que criticam os políticos. É fácil perceber porquê: ele foi um dos fundadores desta forma de fazer política, foi ele quem formatou os políticos que andam por aí.
VIGILÂNCIA!
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
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VIGILÂNCIA!
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
dezembro 09, 2005
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O NELSON
Fracisco Louçã ganhou destacado o prémio DEMAGOGIA 2005 quando evocou o jovem Nelson, de 9 anos, no debate com Cavaco Silva na TVI. Grandioso, Populismo do melhor. E de esquerda, para não sermos sectários.
Fracisco Louçã ganhou destacado o prémio DEMAGOGIA 2005 quando evocou o jovem Nelson, de 9 anos, no debate com Cavaco Silva na TVI. Grandioso, Populismo do melhor. E de esquerda, para não sermos sectários.
dezembro 07, 2005
UM FADO ESPANHOL?
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
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UM FADO ESPANHOL?
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
PRÉ CAMPANHA
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
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PRÉ CAMPANHA
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
dezembro 02, 2005
A CONFUSÃO NACIONAL
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
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A CONFUSÃO NACIONAL
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
DESCOBERTAS INESPERADAS
Nos Estados Unidos até os bandidos têm direito a ter uma revista. Chama-se «Don Diva», existe desde 1999, e foi fundada pela mulher de um ex-presidiário. É apresentada como uma revista de bandidos e para bandidos, tem um completo manual sobre regras de boa conduta e sobrevivência em prisões, o seu site (http://www.dondivamag.com) oferece muito merchandising e informações complementares. Os temas abordados vão desde o acompanhamento da produção legislativa penal, até conselhos sobre como contornar a lei, denúncias de maus tratos em prisões ou de monopólios de fornecimento de serviços aos detidos.
Os estúdios Walt Disney vão utilizar downloadas para iPods e PCs para a promoção do novo filme «The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and The Wardrobe». Os utilizadores recebem clips do filme e cenas de bastidores, assim como entrevistas. O material pode ser obtido no site do filme. Esta decisão de marketing segue-se ao êxito dos downloads pagos para iPods de produtos da Disney como a série «Desperate Housewives».
A última moda no Reino Unido é uma daquelas empresas que propõe programas fascinantes de aventura e que se especializou em concretizar fantasias sexuais por encomenda. Chama-se «French Letter Days» e foi fundada por Emma Soyle, de 27 anos, que depois de um percurso em empresas de comunicação na área financeira da City londrina percebeu que havia mercado para fomentar outros tipos de comunicação. Daí ao «French Letter Days» foi um salto (desde um elevador para jogos amorosos até ao rapto simulado da namorada, ela trata de tudo), que já inclui o «Cake Club», um local onde as damas se podem divertir à custa dos rapazes e um ciclo de festas temáticas, mensais, «Killing Kittens» que na imprensa britânica já são consideradas «orgias de referência». Se por cá a moda pega ainda vemos os responsáveis de «A Vida É Bela» a mudarem de ramo.
O novo disco dos escoceses Franz Ferdinand, lançado em Outubro passado, pode facilmente passar por um dos momentos marcantes na música editada este ano. Canções como «The Fallen», «Walk Aaway» ou «You Could Have It So Much Better» mostram como depois de um grande album de estreia («Franz Ferdinand», Fevereiro de 2004), se consegue cerca de ano e meio depois continuar com energia, continuar a surpreender e mostrar uma invejável boa disposição. O disco é mesmo contagiante, e depois de o ouvir fiquei a pensar se não teria sido ao seu som que Pedro Cabrita Reis pintou as suas novas obras em papel, inesperadamente coloridas.
Há uma revista editada no Porto e que nem parece portuguesa. Chama-se «Attitude», tem o subtítulo «Atmosferas», aborda interiores, arte, arquitectura e design. Vende-se em vários países europeus, a equipa que a faz é internacional, sai seis vezes por anos, geralmente monotemática, fica muito apropriadamente instalada no Passeio das Virtudes. O Director é Carlos Cezanne, a edição é de Iris Abromivici Tevet. Muito bom grafismo, boa fotografia, informações mesmo úteis. E, além disso, uma boa onda geral que dá gosto.Contacto attitude@attitude-mag.com .
Uma das coisas boas que temos em Portugal é o azeite. Com bastante razão o azeite de Trás-Os Montes é afamado. Pois em Mirandela, na Quinta do Romeu, produz-se um dos nossos melhores azeites, daquele que até dá gosto para molhar o pãozinho, premiado internacionalmente, o Romeu. O olival tem 150 hectares, há muita informação interessante em www.quintadoromeu.com e para os lisboetas é possível encontrar a preciosidade no Corte Inglés. Já agora fiquem a saber que na povoação de Romeu, ao lado da Quinta, há um restaurante que é dos mesmos donos e se dedica à gastronomia tradicional da região. Chama-se Restaurante Maria Rita e o telefone é o 278 939 134. Da sopa seca à feijoada à transmontana as propostas são variadas.
Registo: A cantora brasileira Daniela Mercury, católica praticante, que havia sido convidada para participar no habitual concerto de Natal no Vaticano, foi desconvidada e vetada sumariamente quando as autoridades papais descobriram que ela tinha participado, no Brasil, numa campanha a favor da utilização de preservativo como forma de combate à propagação da SIDA. Os gestos ficam com quem os pratica, não é?
Back To Basics – A TV é pastilha elástica para os olhos (Frank Lloyd Wright).
Nos Estados Unidos até os bandidos têm direito a ter uma revista. Chama-se «Don Diva», existe desde 1999, e foi fundada pela mulher de um ex-presidiário. É apresentada como uma revista de bandidos e para bandidos, tem um completo manual sobre regras de boa conduta e sobrevivência em prisões, o seu site (http://www.dondivamag.com) oferece muito merchandising e informações complementares. Os temas abordados vão desde o acompanhamento da produção legislativa penal, até conselhos sobre como contornar a lei, denúncias de maus tratos em prisões ou de monopólios de fornecimento de serviços aos detidos.
Os estúdios Walt Disney vão utilizar downloadas para iPods e PCs para a promoção do novo filme «The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and The Wardrobe». Os utilizadores recebem clips do filme e cenas de bastidores, assim como entrevistas. O material pode ser obtido no site do filme. Esta decisão de marketing segue-se ao êxito dos downloads pagos para iPods de produtos da Disney como a série «Desperate Housewives».
A última moda no Reino Unido é uma daquelas empresas que propõe programas fascinantes de aventura e que se especializou em concretizar fantasias sexuais por encomenda. Chama-se «French Letter Days» e foi fundada por Emma Soyle, de 27 anos, que depois de um percurso em empresas de comunicação na área financeira da City londrina percebeu que havia mercado para fomentar outros tipos de comunicação. Daí ao «French Letter Days» foi um salto (desde um elevador para jogos amorosos até ao rapto simulado da namorada, ela trata de tudo), que já inclui o «Cake Club», um local onde as damas se podem divertir à custa dos rapazes e um ciclo de festas temáticas, mensais, «Killing Kittens» que na imprensa britânica já são consideradas «orgias de referência». Se por cá a moda pega ainda vemos os responsáveis de «A Vida É Bela» a mudarem de ramo.
O novo disco dos escoceses Franz Ferdinand, lançado em Outubro passado, pode facilmente passar por um dos momentos marcantes na música editada este ano. Canções como «The Fallen», «Walk Aaway» ou «You Could Have It So Much Better» mostram como depois de um grande album de estreia («Franz Ferdinand», Fevereiro de 2004), se consegue cerca de ano e meio depois continuar com energia, continuar a surpreender e mostrar uma invejável boa disposição. O disco é mesmo contagiante, e depois de o ouvir fiquei a pensar se não teria sido ao seu som que Pedro Cabrita Reis pintou as suas novas obras em papel, inesperadamente coloridas.
Há uma revista editada no Porto e que nem parece portuguesa. Chama-se «Attitude», tem o subtítulo «Atmosferas», aborda interiores, arte, arquitectura e design. Vende-se em vários países europeus, a equipa que a faz é internacional, sai seis vezes por anos, geralmente monotemática, fica muito apropriadamente instalada no Passeio das Virtudes. O Director é Carlos Cezanne, a edição é de Iris Abromivici Tevet. Muito bom grafismo, boa fotografia, informações mesmo úteis. E, além disso, uma boa onda geral que dá gosto.Contacto attitude@attitude-mag.com .
Uma das coisas boas que temos em Portugal é o azeite. Com bastante razão o azeite de Trás-Os Montes é afamado. Pois em Mirandela, na Quinta do Romeu, produz-se um dos nossos melhores azeites, daquele que até dá gosto para molhar o pãozinho, premiado internacionalmente, o Romeu. O olival tem 150 hectares, há muita informação interessante em www.quintadoromeu.com e para os lisboetas é possível encontrar a preciosidade no Corte Inglés. Já agora fiquem a saber que na povoação de Romeu, ao lado da Quinta, há um restaurante que é dos mesmos donos e se dedica à gastronomia tradicional da região. Chama-se Restaurante Maria Rita e o telefone é o 278 939 134. Da sopa seca à feijoada à transmontana as propostas são variadas.
Registo: A cantora brasileira Daniela Mercury, católica praticante, que havia sido convidada para participar no habitual concerto de Natal no Vaticano, foi desconvidada e vetada sumariamente quando as autoridades papais descobriram que ela tinha participado, no Brasil, numa campanha a favor da utilização de preservativo como forma de combate à propagação da SIDA. Os gestos ficam com quem os pratica, não é?
Back To Basics – A TV é pastilha elástica para os olhos (Frank Lloyd Wright).
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DESCOBERTAS INESPERADAS
Nos Estados Unidos até os bandidos têm direito a ter uma revista. Chama-se «Don Diva», existe desde 1999, e foi fundada pela mulher de um ex-presidiário. É apresentada como uma revista de bandidos e para bandidos, tem um completo manual sobre regras de boa conduta e sobrevivência em prisões, o seu site (http://www.dondivamag.com) oferece muito merchandising e informações complementares. Os temas abordados vão desde o acompanhamento da produção legislativa penal, até conselhos sobre como contornar a lei, denúncias de maus tratos em prisões ou de monopólios de fornecimento de serviços aos detidos.
Os estúdios Walt Disney vão utilizar downloadas para iPods e PCs para a promoção do novo filme «The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and The Wardrobe». Os utilizadores recebem clips do filme e cenas de bastidores, assim como entrevistas. O material pode ser obtido no site do filme. Esta decisão de marketing segue-se ao êxito dos downloads pagos para iPods de produtos da Disney como a série «Desperate Housewives».
A última moda no Reino Unido é uma daquelas empresas que propõe programas fascinantes de aventura e que se especializou em concretizar fantasias sexuais por encomenda. Chama-se «French Letter Days» e foi fundada por Emma Soyle, de 27 anos, que depois de um percurso em empresas de comunicação na área financeira da City londrina percebeu que havia mercado para fomentar outros tipos de comunicação. Daí ao «French Letter Days» foi um salto (desde um elevador para jogos amorosos até ao rapto simulado da namorada, ela trata de tudo), que já inclui o «Cake Club», um local onde as damas se podem divertir à custa dos rapazes e um ciclo de festas temáticas, mensais, «Killing Kittens» que na imprensa britânica já são consideradas «orgias de referência». Se por cá a moda pega ainda vemos os responsáveis de «A Vida É Bela» a mudarem de ramo.
O novo disco dos escoceses Franz Ferdinand, lançado em Outubro passado, pode facilmente passar por um dos momentos marcantes na música editada este ano. Canções como «The Fallen», «Walk Aaway» ou «You Could Have It So Much Better» mostram como depois de um grande album de estreia («Franz Ferdinand», Fevereiro de 2004), se consegue cerca de ano e meio depois continuar com energia, continuar a surpreender e mostrar uma invejável boa disposição. O disco é mesmo contagiante, e depois de o ouvir fiquei a pensar se não teria sido ao seu som que Pedro Cabrita Reis pintou as suas novas obras em papel, inesperadamente coloridas.
Há uma revista editada no Porto e que nem parece portuguesa. Chama-se «Attitude», tem o subtítulo «Atmosferas», aborda interiores, arte, arquitectura e design. Vende-se em vários países europeus, a equipa que a faz é internacional, sai seis vezes por anos, geralmente monotemática, fica muito apropriadamente instalada no Passeio das Virtudes. O Director é Carlos Cezanne, a edição é de Iris Abromivici Tevet. Muito bom grafismo, boa fotografia, informações mesmo úteis. E, além disso, uma boa onda geral que dá gosto.Contacto attitude@attitude-mag.com .
Uma das coisas boas que temos em Portugal é o azeite. Com bastante razão o azeite de Trás-Os Montes é afamado. Pois em Mirandela, na Quinta do Romeu, produz-se um dos nossos melhores azeites, daquele que até dá gosto para molhar o pãozinho, premiado internacionalmente, o Romeu. O olival tem 150 hectares, há muita informação interessante em www.quintadoromeu.com e para os lisboetas é possível encontrar a preciosidade no Corte Inglés. Já agora fiquem a saber que na povoação de Romeu, ao lado da Quinta, há um restaurante que é dos mesmos donos e se dedica à gastronomia tradicional da região. Chama-se Restaurante Maria Rita e o telefone é o 278 939 134. Da sopa seca à feijoada à transmontana as propostas são variadas.
Registo: A cantora brasileira Daniela Mercury, católica praticante, que havia sido convidada para participar no habitual concerto de Natal no Vaticano, foi desconvidada e vetada sumariamente quando as autoridades papais descobriram que ela tinha participado, no Brasil, numa campanha a favor da utilização de preservativo como forma de combate à propagação da SIDA. Os gestos ficam com quem os pratica, não é?
Back To Basics – A TV é pastilha elástica para os olhos (Frank Lloyd Wright).
Nos Estados Unidos até os bandidos têm direito a ter uma revista. Chama-se «Don Diva», existe desde 1999, e foi fundada pela mulher de um ex-presidiário. É apresentada como uma revista de bandidos e para bandidos, tem um completo manual sobre regras de boa conduta e sobrevivência em prisões, o seu site (http://www.dondivamag.com) oferece muito merchandising e informações complementares. Os temas abordados vão desde o acompanhamento da produção legislativa penal, até conselhos sobre como contornar a lei, denúncias de maus tratos em prisões ou de monopólios de fornecimento de serviços aos detidos.
Os estúdios Walt Disney vão utilizar downloadas para iPods e PCs para a promoção do novo filme «The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and The Wardrobe». Os utilizadores recebem clips do filme e cenas de bastidores, assim como entrevistas. O material pode ser obtido no site do filme. Esta decisão de marketing segue-se ao êxito dos downloads pagos para iPods de produtos da Disney como a série «Desperate Housewives».
A última moda no Reino Unido é uma daquelas empresas que propõe programas fascinantes de aventura e que se especializou em concretizar fantasias sexuais por encomenda. Chama-se «French Letter Days» e foi fundada por Emma Soyle, de 27 anos, que depois de um percurso em empresas de comunicação na área financeira da City londrina percebeu que havia mercado para fomentar outros tipos de comunicação. Daí ao «French Letter Days» foi um salto (desde um elevador para jogos amorosos até ao rapto simulado da namorada, ela trata de tudo), que já inclui o «Cake Club», um local onde as damas se podem divertir à custa dos rapazes e um ciclo de festas temáticas, mensais, «Killing Kittens» que na imprensa britânica já são consideradas «orgias de referência». Se por cá a moda pega ainda vemos os responsáveis de «A Vida É Bela» a mudarem de ramo.
O novo disco dos escoceses Franz Ferdinand, lançado em Outubro passado, pode facilmente passar por um dos momentos marcantes na música editada este ano. Canções como «The Fallen», «Walk Aaway» ou «You Could Have It So Much Better» mostram como depois de um grande album de estreia («Franz Ferdinand», Fevereiro de 2004), se consegue cerca de ano e meio depois continuar com energia, continuar a surpreender e mostrar uma invejável boa disposição. O disco é mesmo contagiante, e depois de o ouvir fiquei a pensar se não teria sido ao seu som que Pedro Cabrita Reis pintou as suas novas obras em papel, inesperadamente coloridas.
Há uma revista editada no Porto e que nem parece portuguesa. Chama-se «Attitude», tem o subtítulo «Atmosferas», aborda interiores, arte, arquitectura e design. Vende-se em vários países europeus, a equipa que a faz é internacional, sai seis vezes por anos, geralmente monotemática, fica muito apropriadamente instalada no Passeio das Virtudes. O Director é Carlos Cezanne, a edição é de Iris Abromivici Tevet. Muito bom grafismo, boa fotografia, informações mesmo úteis. E, além disso, uma boa onda geral que dá gosto.Contacto attitude@attitude-mag.com .
Uma das coisas boas que temos em Portugal é o azeite. Com bastante razão o azeite de Trás-Os Montes é afamado. Pois em Mirandela, na Quinta do Romeu, produz-se um dos nossos melhores azeites, daquele que até dá gosto para molhar o pãozinho, premiado internacionalmente, o Romeu. O olival tem 150 hectares, há muita informação interessante em www.quintadoromeu.com e para os lisboetas é possível encontrar a preciosidade no Corte Inglés. Já agora fiquem a saber que na povoação de Romeu, ao lado da Quinta, há um restaurante que é dos mesmos donos e se dedica à gastronomia tradicional da região. Chama-se Restaurante Maria Rita e o telefone é o 278 939 134. Da sopa seca à feijoada à transmontana as propostas são variadas.
Registo: A cantora brasileira Daniela Mercury, católica praticante, que havia sido convidada para participar no habitual concerto de Natal no Vaticano, foi desconvidada e vetada sumariamente quando as autoridades papais descobriram que ela tinha participado, no Brasil, numa campanha a favor da utilização de preservativo como forma de combate à propagação da SIDA. Os gestos ficam com quem os pratica, não é?
Back To Basics – A TV é pastilha elástica para os olhos (Frank Lloyd Wright).
novembro 28, 2005
O PARADOXO DOS NÚMEROS
As sondagens surgem contraditórias: quinta-feira as capas do «Público» e a do «DN» não podiam ser mais diferentes. As sondagens não são eleições, são indicadores que merecem ser estudados. Por isso mesmo faz sentido aprendermos a olhar para elas de uma outra forma, sobretudo aprendermos a lê-las, nomeadamente para que elas não se fiquem por parecer um paradioxo numérico. Se visitarem o blog «Margens de Erro» (http://www.margensdeerro.blogspot.com) poderão ter boas supresas – que desde logo passam pela análise entre as sondagens pré eleitorais das presidencias de 96 e 2001, comparadas com os respectivos resultyados finais. O autor, Pedro Magalhães, é o responsável pelas sondagens da Católica mas reconheça-se que analisa as sondagens disponíevis no mercado com rigor e isenção. Até aos dias das eleições este blog é de visita regular obrigatória.
Tenho uma simpatia especial pelos candidatos fora do sistema. Constato que as pessoas mais arrumadinhas que eu também se deixam seduzir – veja-se o posicionamento de Manuel Alegre: tenho para mim que ele recolhe tantas intenções de voto porque exprime o descontentamento com um sistema político falso, velho, baseado na mentira e na guerra palaciana. Mas devo reconhecer que a campanha que mais me agrada, mais imaginativa, com um recurso criativo maior à Net, é a do candidato Vieira – que sugere brigadas Vieira que colem autocolantes, que lança uma campanha de angariação de assinaturas dinâmica e que nos obriga a pensar sobre o significado real das eleições neste sistema. Como seria de esperar Manuel João Vieira apresenta a sua conferência de imprensa num local marcante: o velho Maxime, da Praça da Alegria. E, já agora, como ele é também um pintor de talento visitem a sua mais recente exposição que está até dia 3 de Dezembro na Galeria Arqué, Avenida Manuel Bombarda 120 A (de segunda a s´sbado das 11h00 às 21h00).
Por falar em exposições, em Sines o novo Centro de Artes estreia-se com uma inesperada mostra de inéditos de Graça Morais. A história é assim: a convite da Cãmara Municipal local, entre Julho e Outubro, Graça Morais improvisou um atelier no Castelo de Sines. O objectivo era preparar uma exposição que inaugurasse o novo Centro. Às vinte telas que resultaram desta residência castelar chamou-lhe «Os Olhos Azuis do Mar» e é inesperada face à obra anterior da artista. Graça Morais juntou-lhes uns desenhos e desafiou Augusto Brázio a escolher algumas das fotografias que lhe fez - a ver e a pintar - e que vinham no «DNA» de sexta-feira passada. «Os Olhos Azuis do Mar» será também um livro das edições ASA.
Harry Connick Jr. ganhou fama a cantar, acompanhando-se a ele próprio ao piano. Foi dos primeiros vocalistas da nova geração do jazz cantado – mas cedo se percebeu que era também um pianista de talento. Exactamente por isso Connick fez há uns anos um primeiro disco apenas ao piano, sem voz, e agora reincide com «Occasion, Connick On Piano, 2». Para o acompanhar fez uma escolha fantástica: o saxofone de Branford Marsalis. O resultado é simplesmente incontornável, o diálogo entre o piano e o saxofone é mágico, e palavra de honra que não estou a exagerar. São 13 temas (11 de Connick e 2 de Branford) cheios de encanto e com muito swing.
Deixem de lado os preconceitos e peguem no mais recente romance histórico de Fernando Campos, «O Cavaleiro da Águia». Francisco José Viegas não hesita: «poucas vezes um romance histórico português usa uma linguagem tão comovente, se perde e se deixa seduzir pela poesia. Campos é um mestre do romance histórico que passa em silêncio, sem muito ruído». Esta nova obra remonta aos primórdios da nacionalidade e está centrado na história de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, e das histórias à sua volta. Lê-se um fôlego e sabe a pouco no fim.
Em matéria de restauração começou recentemente a desenvolver-se um novo pólo que merece atenção, a partir da Avenida da Liberdade. De repente ali estão o «Ad Lib» (Hotel Sofitel, tel. 21 322 83 50), o indiano Tamarindo (Calçada da Glória 43, tel. 21 346 60 80), a emparelhar com propostas mais leves, já aqui referidas, como o Café Três e o Luca, ou ainda um antigo e injustamente pouco prezado local, o restaurante do Tivoli Jardim.
As sondagens surgem contraditórias: quinta-feira as capas do «Público» e a do «DN» não podiam ser mais diferentes. As sondagens não são eleições, são indicadores que merecem ser estudados. Por isso mesmo faz sentido aprendermos a olhar para elas de uma outra forma, sobretudo aprendermos a lê-las, nomeadamente para que elas não se fiquem por parecer um paradioxo numérico. Se visitarem o blog «Margens de Erro» (http://www.margensdeerro.blogspot.com) poderão ter boas supresas – que desde logo passam pela análise entre as sondagens pré eleitorais das presidencias de 96 e 2001, comparadas com os respectivos resultyados finais. O autor, Pedro Magalhães, é o responsável pelas sondagens da Católica mas reconheça-se que analisa as sondagens disponíevis no mercado com rigor e isenção. Até aos dias das eleições este blog é de visita regular obrigatória.
Tenho uma simpatia especial pelos candidatos fora do sistema. Constato que as pessoas mais arrumadinhas que eu também se deixam seduzir – veja-se o posicionamento de Manuel Alegre: tenho para mim que ele recolhe tantas intenções de voto porque exprime o descontentamento com um sistema político falso, velho, baseado na mentira e na guerra palaciana. Mas devo reconhecer que a campanha que mais me agrada, mais imaginativa, com um recurso criativo maior à Net, é a do candidato Vieira – que sugere brigadas Vieira que colem autocolantes, que lança uma campanha de angariação de assinaturas dinâmica e que nos obriga a pensar sobre o significado real das eleições neste sistema. Como seria de esperar Manuel João Vieira apresenta a sua conferência de imprensa num local marcante: o velho Maxime, da Praça da Alegria. E, já agora, como ele é também um pintor de talento visitem a sua mais recente exposição que está até dia 3 de Dezembro na Galeria Arqué, Avenida Manuel Bombarda 120 A (de segunda a s´sbado das 11h00 às 21h00).
Por falar em exposições, em Sines o novo Centro de Artes estreia-se com uma inesperada mostra de inéditos de Graça Morais. A história é assim: a convite da Cãmara Municipal local, entre Julho e Outubro, Graça Morais improvisou um atelier no Castelo de Sines. O objectivo era preparar uma exposição que inaugurasse o novo Centro. Às vinte telas que resultaram desta residência castelar chamou-lhe «Os Olhos Azuis do Mar» e é inesperada face à obra anterior da artista. Graça Morais juntou-lhes uns desenhos e desafiou Augusto Brázio a escolher algumas das fotografias que lhe fez - a ver e a pintar - e que vinham no «DNA» de sexta-feira passada. «Os Olhos Azuis do Mar» será também um livro das edições ASA.
Harry Connick Jr. ganhou fama a cantar, acompanhando-se a ele próprio ao piano. Foi dos primeiros vocalistas da nova geração do jazz cantado – mas cedo se percebeu que era também um pianista de talento. Exactamente por isso Connick fez há uns anos um primeiro disco apenas ao piano, sem voz, e agora reincide com «Occasion, Connick On Piano, 2». Para o acompanhar fez uma escolha fantástica: o saxofone de Branford Marsalis. O resultado é simplesmente incontornável, o diálogo entre o piano e o saxofone é mágico, e palavra de honra que não estou a exagerar. São 13 temas (11 de Connick e 2 de Branford) cheios de encanto e com muito swing.
Deixem de lado os preconceitos e peguem no mais recente romance histórico de Fernando Campos, «O Cavaleiro da Águia». Francisco José Viegas não hesita: «poucas vezes um romance histórico português usa uma linguagem tão comovente, se perde e se deixa seduzir pela poesia. Campos é um mestre do romance histórico que passa em silêncio, sem muito ruído». Esta nova obra remonta aos primórdios da nacionalidade e está centrado na história de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, e das histórias à sua volta. Lê-se um fôlego e sabe a pouco no fim.
Em matéria de restauração começou recentemente a desenvolver-se um novo pólo que merece atenção, a partir da Avenida da Liberdade. De repente ali estão o «Ad Lib» (Hotel Sofitel, tel. 21 322 83 50), o indiano Tamarindo (Calçada da Glória 43, tel. 21 346 60 80), a emparelhar com propostas mais leves, já aqui referidas, como o Café Três e o Luca, ou ainda um antigo e injustamente pouco prezado local, o restaurante do Tivoli Jardim.
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O PARADOXO DOS NÚMEROS
As sondagens surgem contraditórias: quinta-feira as capas do «Público» e a do «DN» não podiam ser mais diferentes. As sondagens não são eleições, são indicadores que merecem ser estudados. Por isso mesmo faz sentido aprendermos a olhar para elas de uma outra forma, sobretudo aprendermos a lê-las, nomeadamente para que elas não se fiquem por parecer um paradioxo numérico. Se visitarem o blog «Margens de Erro» (http://www.margensdeerro.blogspot.com) poderão ter boas supresas – que desde logo passam pela análise entre as sondagens pré eleitorais das presidencias de 96 e 2001, comparadas com os respectivos resultyados finais. O autor, Pedro Magalhães, é o responsável pelas sondagens da Católica mas reconheça-se que analisa as sondagens disponíevis no mercado com rigor e isenção. Até aos dias das eleições este blog é de visita regular obrigatória.
Tenho uma simpatia especial pelos candidatos fora do sistema. Constato que as pessoas mais arrumadinhas que eu também se deixam seduzir – veja-se o posicionamento de Manuel Alegre: tenho para mim que ele recolhe tantas intenções de voto porque exprime o descontentamento com um sistema político falso, velho, baseado na mentira e na guerra palaciana. Mas devo reconhecer que a campanha que mais me agrada, mais imaginativa, com um recurso criativo maior à Net, é a do candidato Vieira – que sugere brigadas Vieira que colem autocolantes, que lança uma campanha de angariação de assinaturas dinâmica e que nos obriga a pensar sobre o significado real das eleições neste sistema. Como seria de esperar Manuel João Vieira apresenta a sua conferência de imprensa num local marcante: o velho Maxime, da Praça da Alegria. E, já agora, como ele é também um pintor de talento visitem a sua mais recente exposição que está até dia 3 de Dezembro na Galeria Arqué, Avenida Manuel Bombarda 120 A (de segunda a s´sbado das 11h00 às 21h00).
Por falar em exposições, em Sines o novo Centro de Artes estreia-se com uma inesperada mostra de inéditos de Graça Morais. A história é assim: a convite da Cãmara Municipal local, entre Julho e Outubro, Graça Morais improvisou um atelier no Castelo de Sines. O objectivo era preparar uma exposição que inaugurasse o novo Centro. Às vinte telas que resultaram desta residência castelar chamou-lhe «Os Olhos Azuis do Mar» e é inesperada face à obra anterior da artista. Graça Morais juntou-lhes uns desenhos e desafiou Augusto Brázio a escolher algumas das fotografias que lhe fez - a ver e a pintar - e que vinham no «DNA» de sexta-feira passada. «Os Olhos Azuis do Mar» será também um livro das edições ASA.
Harry Connick Jr. ganhou fama a cantar, acompanhando-se a ele próprio ao piano. Foi dos primeiros vocalistas da nova geração do jazz cantado – mas cedo se percebeu que era também um pianista de talento. Exactamente por isso Connick fez há uns anos um primeiro disco apenas ao piano, sem voz, e agora reincide com «Occasion, Connick On Piano, 2». Para o acompanhar fez uma escolha fantástica: o saxofone de Branford Marsalis. O resultado é simplesmente incontornável, o diálogo entre o piano e o saxofone é mágico, e palavra de honra que não estou a exagerar. São 13 temas (11 de Connick e 2 de Branford) cheios de encanto e com muito swing.
Deixem de lado os preconceitos e peguem no mais recente romance histórico de Fernando Campos, «O Cavaleiro da Águia». Francisco José Viegas não hesita: «poucas vezes um romance histórico português usa uma linguagem tão comovente, se perde e se deixa seduzir pela poesia. Campos é um mestre do romance histórico que passa em silêncio, sem muito ruído». Esta nova obra remonta aos primórdios da nacionalidade e está centrado na história de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, e das histórias à sua volta. Lê-se um fôlego e sabe a pouco no fim.
Em matéria de restauração começou recentemente a desenvolver-se um novo pólo que merece atenção, a partir da Avenida da Liberdade. De repente ali estão o «Ad Lib» (Hotel Sofitel, tel. 21 322 83 50), o indiano Tamarindo (Calçada da Glória 43, tel. 21 346 60 80), a emparelhar com propostas mais leves, já aqui referidas, como o Café Três e o Luca, ou ainda um antigo e injustamente pouco prezado local, o restaurante do Tivoli Jardim.
As sondagens surgem contraditórias: quinta-feira as capas do «Público» e a do «DN» não podiam ser mais diferentes. As sondagens não são eleições, são indicadores que merecem ser estudados. Por isso mesmo faz sentido aprendermos a olhar para elas de uma outra forma, sobretudo aprendermos a lê-las, nomeadamente para que elas não se fiquem por parecer um paradioxo numérico. Se visitarem o blog «Margens de Erro» (http://www.margensdeerro.blogspot.com
Tenho uma simpatia especial pelos candidatos fora do sistema. Constato que as pessoas mais arrumadinhas que eu também se deixam seduzir – veja-se o posicionamento de Manuel Alegre: tenho para mim que ele recolhe tantas intenções de voto porque exprime o descontentamento com um sistema político falso, velho, baseado na mentira e na guerra palaciana. Mas devo reconhecer que a campanha que mais me agrada, mais imaginativa, com um recurso criativo maior à Net, é a do candidato Vieira – que sugere brigadas Vieira que colem autocolantes, que lança uma campanha de angariação de assinaturas dinâmica e que nos obriga a pensar sobre o significado real das eleições neste sistema. Como seria de esperar Manuel João Vieira apresenta a sua conferência de imprensa num local marcante: o velho Maxime, da Praça da Alegria. E, já agora, como ele é também um pintor de talento visitem a sua mais recente exposição que está até dia 3 de Dezembro na Galeria Arqué, Avenida Manuel Bombarda 120 A (de segunda a s´sbado das 11h00 às 21h00).
Por falar em exposições, em Sines o novo Centro de Artes estreia-se com uma inesperada mostra de inéditos de Graça Morais. A história é assim: a convite da Cãmara Municipal local, entre Julho e Outubro, Graça Morais improvisou um atelier no Castelo de Sines. O objectivo era preparar uma exposição que inaugurasse o novo Centro. Às vinte telas que resultaram desta residência castelar chamou-lhe «Os Olhos Azuis do Mar» e é inesperada face à obra anterior da artista. Graça Morais juntou-lhes uns desenhos e desafiou Augusto Brázio a escolher algumas das fotografias que lhe fez - a ver e a pintar - e que vinham no «DNA» de sexta-feira passada. «Os Olhos Azuis do Mar» será também um livro das edições ASA.
Harry Connick Jr. ganhou fama a cantar, acompanhando-se a ele próprio ao piano. Foi dos primeiros vocalistas da nova geração do jazz cantado – mas cedo se percebeu que era também um pianista de talento. Exactamente por isso Connick fez há uns anos um primeiro disco apenas ao piano, sem voz, e agora reincide com «Occasion, Connick On Piano, 2». Para o acompanhar fez uma escolha fantástica: o saxofone de Branford Marsalis. O resultado é simplesmente incontornável, o diálogo entre o piano e o saxofone é mágico, e palavra de honra que não estou a exagerar. São 13 temas (11 de Connick e 2 de Branford) cheios de encanto e com muito swing.
Deixem de lado os preconceitos e peguem no mais recente romance histórico de Fernando Campos, «O Cavaleiro da Águia». Francisco José Viegas não hesita: «poucas vezes um romance histórico português usa uma linguagem tão comovente, se perde e se deixa seduzir pela poesia. Campos é um mestre do romance histórico que passa em silêncio, sem muito ruído». Esta nova obra remonta aos primórdios da nacionalidade e está centrado na história de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, e das histórias à sua volta. Lê-se um fôlego e sabe a pouco no fim.
Em matéria de restauração começou recentemente a desenvolver-se um novo pólo que merece atenção, a partir da Avenida da Liberdade. De repente ali estão o «Ad Lib» (Hotel Sofitel, tel. 21 322 83 50), o indiano Tamarindo (Calçada da Glória 43, tel. 21 346 60 80), a emparelhar com propostas mais leves, já aqui referidas, como o Café Três e o Luca, ou ainda um antigo e injustamente pouco prezado local, o restaurante do Tivoli Jardim.
DITOS E DESMENTIDOS
Três figuras de primeiro plano do Partido Socialista estão envolvidas num debate sobre quem fala verdade e sobre quem mente. O assunto é a forma como terá sido escolhido o candidato socialista às presidenciais. Sócrates e Soares têm mantido uma versão, Manuel Alegre outra. As versões não são apenas ligeiramente diferentes, são radicalmente opostas. Numa situação destas apenas há uma certeza: alguém mente.
Já se sabe que a mentira é um expediente cada vez mais vulgar da política, mas quando a coisa envolve em suspeita dois candidatos presidenciais e um Primeiro Ministro em exercício, o assunto começa a ser preocupante.
Na essência está o processo de escolha e decisão da Direcção do PS sobre quem deveria ser o candidato. É uma questão que releva dos princípios democráticos de qualquer partido, mas também de uma noção de ética política.
A um observador externo parece que o Dr. Mário Soares, a certa altura, se decidiu a enfrentar Cavaco Silva e avisou dessa sua intenção o partido que fundou, impondo-a na prática. Talvez os dirigentes desse partido tenham preferido recuar nas hipóteses que começavam a colocar em cima da mesa, para não contrariarem o fundador. Psicanalistas e psicólogos poderão explicar este caso de relacionamento do PS e da sua direcção com o Dr. Soares.
O que me parece certo é que, ao contrário do que os seus cartazes dizem, Soares surgiu como um factor claro de divisão – e, quem nem sequer consegue unir os militantes do seu próprio partido, deveria ter pudor em se apresentar como o candidato ideal para unir os portugueses
Na essência ficará sempre no ar uma dúvida: quem mente? E quem ajuda à mentira?
Confesso que tenho alguma dificuldade, com os dados que existem, em achar que a mentira venha de Manuel Alegre.
Três figuras de primeiro plano do Partido Socialista estão envolvidas num debate sobre quem fala verdade e sobre quem mente. O assunto é a forma como terá sido escolhido o candidato socialista às presidenciais. Sócrates e Soares têm mantido uma versão, Manuel Alegre outra. As versões não são apenas ligeiramente diferentes, são radicalmente opostas. Numa situação destas apenas há uma certeza: alguém mente.
Já se sabe que a mentira é um expediente cada vez mais vulgar da política, mas quando a coisa envolve em suspeita dois candidatos presidenciais e um Primeiro Ministro em exercício, o assunto começa a ser preocupante.
Na essência está o processo de escolha e decisão da Direcção do PS sobre quem deveria ser o candidato. É uma questão que releva dos princípios democráticos de qualquer partido, mas também de uma noção de ética política.
A um observador externo parece que o Dr. Mário Soares, a certa altura, se decidiu a enfrentar Cavaco Silva e avisou dessa sua intenção o partido que fundou, impondo-a na prática. Talvez os dirigentes desse partido tenham preferido recuar nas hipóteses que começavam a colocar em cima da mesa, para não contrariarem o fundador. Psicanalistas e psicólogos poderão explicar este caso de relacionamento do PS e da sua direcção com o Dr. Soares.
O que me parece certo é que, ao contrário do que os seus cartazes dizem, Soares surgiu como um factor claro de divisão – e, quem nem sequer consegue unir os militantes do seu próprio partido, deveria ter pudor em se apresentar como o candidato ideal para unir os portugueses
Na essência ficará sempre no ar uma dúvida: quem mente? E quem ajuda à mentira?
Confesso que tenho alguma dificuldade, com os dados que existem, em achar que a mentira venha de Manuel Alegre.
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DITOS E DESMENTIDOS
Três figuras de primeiro plano do Partido Socialista estão envolvidas num debate sobre quem fala verdade e sobre quem mente. O assunto é a forma como terá sido escolhido o candidato socialista às presidenciais. Sócrates e Soares têm mantido uma versão, Manuel Alegre outra. As versões não são apenas ligeiramente diferentes, são radicalmente opostas. Numa situação destas apenas há uma certeza: alguém mente.
Já se sabe que a mentira é um expediente cada vez mais vulgar da política, mas quando a coisa envolve em suspeita dois candidatos presidenciais e um Primeiro Ministro em exercício, o assunto começa a ser preocupante.
Na essência está o processo de escolha e decisão da Direcção do PS sobre quem deveria ser o candidato. É uma questão que releva dos princípios democráticos de qualquer partido, mas também de uma noção de ética política.
A um observador externo parece que o Dr. Mário Soares, a certa altura, se decidiu a enfrentar Cavaco Silva e avisou dessa sua intenção o partido que fundou, impondo-a na prática. Talvez os dirigentes desse partido tenham preferido recuar nas hipóteses que começavam a colocar em cima da mesa, para não contrariarem o fundador. Psicanalistas e psicólogos poderão explicar este caso de relacionamento do PS e da sua direcção com o Dr. Soares.
O que me parece certo é que, ao contrário do que os seus cartazes dizem, Soares surgiu como um factor claro de divisão – e, quem nem sequer consegue unir os militantes do seu próprio partido, deveria ter pudor em se apresentar como o candidato ideal para unir os portugueses
Na essência ficará sempre no ar uma dúvida: quem mente? E quem ajuda à mentira?
Confesso que tenho alguma dificuldade, com os dados que existem, em achar que a mentira venha de Manuel Alegre.
Três figuras de primeiro plano do Partido Socialista estão envolvidas num debate sobre quem fala verdade e sobre quem mente. O assunto é a forma como terá sido escolhido o candidato socialista às presidenciais. Sócrates e Soares têm mantido uma versão, Manuel Alegre outra. As versões não são apenas ligeiramente diferentes, são radicalmente opostas. Numa situação destas apenas há uma certeza: alguém mente.
Já se sabe que a mentira é um expediente cada vez mais vulgar da política, mas quando a coisa envolve em suspeita dois candidatos presidenciais e um Primeiro Ministro em exercício, o assunto começa a ser preocupante.
Na essência está o processo de escolha e decisão da Direcção do PS sobre quem deveria ser o candidato. É uma questão que releva dos princípios democráticos de qualquer partido, mas também de uma noção de ética política.
A um observador externo parece que o Dr. Mário Soares, a certa altura, se decidiu a enfrentar Cavaco Silva e avisou dessa sua intenção o partido que fundou, impondo-a na prática. Talvez os dirigentes desse partido tenham preferido recuar nas hipóteses que começavam a colocar em cima da mesa, para não contrariarem o fundador. Psicanalistas e psicólogos poderão explicar este caso de relacionamento do PS e da sua direcção com o Dr. Soares.
O que me parece certo é que, ao contrário do que os seus cartazes dizem, Soares surgiu como um factor claro de divisão – e, quem nem sequer consegue unir os militantes do seu próprio partido, deveria ter pudor em se apresentar como o candidato ideal para unir os portugueses
Na essência ficará sempre no ar uma dúvida: quem mente? E quem ajuda à mentira?
Confesso que tenho alguma dificuldade, com os dados que existem, em achar que a mentira venha de Manuel Alegre.
novembro 20, 2005
A SICIALIZAÇÃO DO PAÍS
Há uma semelhança entre o cinema e a política. Para se conseguir sucesso tem que se ter um argumento credível e bons protagonistas. Um mau argumento pode dar cabo de uma boa história, erro na escolha das figuras principais pode demolir um projecto que parecia bom. Digam lá se o caso português não está cheio de situações destas, quer no Governo, quer na oposição?
Do lider da oposição esperar-se-ía que já tivesse perguntado ao Presidente da Republica se não acha que as tensões na área da justiça, da polícia, das forças armadas, dos professores e na Função Pública em geral não o preocupam. Está a fazer um ano que o PR resolveu dissolver o Parlamento depois de uma conversa com meia dúzia de banqueiros e financeiros, mas agora é que existe um clima de conflitualidade social como há muitos anos se não via, acompanhado de uma ainda maior degradação dos principais indices económicos e do agravamento do desemprego. Do líder da oposição esperar-se-ia apenas uma pergunta: «E agora, Senhor Presidente?».
As «Noites à Direita- Um Projecto Liberal» de quinta-feira passada foram dedicadas à economia, com uma bela conversa entre António Borges e Daniel Bessa e ambos coincidiram num retrato, semelhante, do país: dificuldade em fazer mudança, pouco debate ideológico, pouca abertura à inovação, elevado proteccionismo, pouca dinâmica social. Daniel Bessa, que curiosamente se classificou como um mero «consumidor de política» chegou a dizer que Portugal caminhava no sentido de se tornar semelhante à Sicília. Feito o diagnóstico, bem feito, diga-se, fica inevitavelmente uma pergunta: no actual quadro político-partidário será possível alterar as coisas? Os partidos que existem e o modo de funcionamento do regime não são eles próprios os pilares desta sicialização?
A AOL e a Warner anunciaram um novo serviço de Internet, In2TV, que permitirá aos utilizadores verem episódios inteiros de séries de televisão em «qualidade próxima da do DVD». O arranque do serviço está previsto para o início de 2006 e terá seis canais temáticos diferentes, acessíveis em banda larga normal com um software especial desenvolvido pela AOL e que para já será seu exclusivo. Quer dizer, está a nascer o novo universo dos canais exclusivamente pensados e programados para banda larga, sem necessidades de redes de emissão ou dos distribuidores de cabo pelo meio. A televisão, na realidade, está a deixar de ser o que era. E até por cá, mais dia menos dia, se há-de dar por isso.
VER – A próxima semana promete muita animação visual. Dia 23 inaugura mais uma edição da Arte Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, que fica na FIL até dia 28 e integra as principais galerias nacionais e algumas espanholas. Entretanto na Estufa Fria, em Lisboa, já está a Anteciparte, que apresenta até dia 27 uma selecção da mais jovem expressão artística nacional.
DEVORAR – Misto de ler e de comer com os olhos, o livro «Na Roça Com Os Tachos» de João Carlos Silva, que, a partir de São Tomé e Principe, se tornou num caso raro de comunicação na televisão. As fotografias são de Adriana Freire, as receitas vão dos petiscos aos doces. Para as cozinhas, e em força!
OUVIR – Duas maneiras de ouvir uma nova e elogiada versão de «La Traviatta», dirigida por Carlo Rizzi à frente da Filarmónica de Viena e com as participações de Anna Trebenko como Violetta, Rolando Villazón como Alfredo e Thomas Hampson como Germont. Estreada em Salzburgo, esta nova versão da obra de Verdi tem sido elogiada. A Deustche Grammophon teve uma ideia editorial interessante: de um lado a edição da integral desta «La Traviatta», num CD duplo; do outro, e sob o título «Violetta», um CD que reúne as árias e duetos mais populares que percorrem a história de Violetta, com a voz de Anna Trebenko em particular destaque. Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – Quando se aumenta o fosso entre as elites e as massas está a comprar-se um problema. Bem grande – basta ver o que se passa em França.
Há uma semelhança entre o cinema e a política. Para se conseguir sucesso tem que se ter um argumento credível e bons protagonistas. Um mau argumento pode dar cabo de uma boa história, erro na escolha das figuras principais pode demolir um projecto que parecia bom. Digam lá se o caso português não está cheio de situações destas, quer no Governo, quer na oposição?
Do lider da oposição esperar-se-ía que já tivesse perguntado ao Presidente da Republica se não acha que as tensões na área da justiça, da polícia, das forças armadas, dos professores e na Função Pública em geral não o preocupam. Está a fazer um ano que o PR resolveu dissolver o Parlamento depois de uma conversa com meia dúzia de banqueiros e financeiros, mas agora é que existe um clima de conflitualidade social como há muitos anos se não via, acompanhado de uma ainda maior degradação dos principais indices económicos e do agravamento do desemprego. Do líder da oposição esperar-se-ia apenas uma pergunta: «E agora, Senhor Presidente?».
As «Noites à Direita- Um Projecto Liberal» de quinta-feira passada foram dedicadas à economia, com uma bela conversa entre António Borges e Daniel Bessa e ambos coincidiram num retrato, semelhante, do país: dificuldade em fazer mudança, pouco debate ideológico, pouca abertura à inovação, elevado proteccionismo, pouca dinâmica social. Daniel Bessa, que curiosamente se classificou como um mero «consumidor de política» chegou a dizer que Portugal caminhava no sentido de se tornar semelhante à Sicília. Feito o diagnóstico, bem feito, diga-se, fica inevitavelmente uma pergunta: no actual quadro político-partidário será possível alterar as coisas? Os partidos que existem e o modo de funcionamento do regime não são eles próprios os pilares desta sicialização?
A AOL e a Warner anunciaram um novo serviço de Internet, In2TV, que permitirá aos utilizadores verem episódios inteiros de séries de televisão em «qualidade próxima da do DVD». O arranque do serviço está previsto para o início de 2006 e terá seis canais temáticos diferentes, acessíveis em banda larga normal com um software especial desenvolvido pela AOL e que para já será seu exclusivo. Quer dizer, está a nascer o novo universo dos canais exclusivamente pensados e programados para banda larga, sem necessidades de redes de emissão ou dos distribuidores de cabo pelo meio. A televisão, na realidade, está a deixar de ser o que era. E até por cá, mais dia menos dia, se há-de dar por isso.
VER – A próxima semana promete muita animação visual. Dia 23 inaugura mais uma edição da Arte Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, que fica na FIL até dia 28 e integra as principais galerias nacionais e algumas espanholas. Entretanto na Estufa Fria, em Lisboa, já está a Anteciparte, que apresenta até dia 27 uma selecção da mais jovem expressão artística nacional.
DEVORAR – Misto de ler e de comer com os olhos, o livro «Na Roça Com Os Tachos» de João Carlos Silva, que, a partir de São Tomé e Principe, se tornou num caso raro de comunicação na televisão. As fotografias são de Adriana Freire, as receitas vão dos petiscos aos doces. Para as cozinhas, e em força!
OUVIR – Duas maneiras de ouvir uma nova e elogiada versão de «La Traviatta», dirigida por Carlo Rizzi à frente da Filarmónica de Viena e com as participações de Anna Trebenko como Violetta, Rolando Villazón como Alfredo e Thomas Hampson como Germont. Estreada em Salzburgo, esta nova versão da obra de Verdi tem sido elogiada. A Deustche Grammophon teve uma ideia editorial interessante: de um lado a edição da integral desta «La Traviatta», num CD duplo; do outro, e sob o título «Violetta», um CD que reúne as árias e duetos mais populares que percorrem a história de Violetta, com a voz de Anna Trebenko em particular destaque. Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – Quando se aumenta o fosso entre as elites e as massas está a comprar-se um problema. Bem grande – basta ver o que se passa em França.
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A SICIALIZAÇÃO DO PAÍS
Há uma semelhança entre o cinema e a política. Para se conseguir sucesso tem que se ter um argumento credível e bons protagonistas. Um mau argumento pode dar cabo de uma boa história, erro na escolha das figuras principais pode demolir um projecto que parecia bom. Digam lá se o caso português não está cheio de situações destas, quer no Governo, quer na oposição?
Do lider da oposição esperar-se-ía que já tivesse perguntado ao Presidente da Republica se não acha que as tensões na área da justiça, da polícia, das forças armadas, dos professores e na Função Pública em geral não o preocupam. Está a fazer um ano que o PR resolveu dissolver o Parlamento depois de uma conversa com meia dúzia de banqueiros e financeiros, mas agora é que existe um clima de conflitualidade social como há muitos anos se não via, acompanhado de uma ainda maior degradação dos principais indices económicos e do agravamento do desemprego. Do líder da oposição esperar-se-ia apenas uma pergunta: «E agora, Senhor Presidente?».
As «Noites à Direita- Um Projecto Liberal» de quinta-feira passada foram dedicadas à economia, com uma bela conversa entre António Borges e Daniel Bessa e ambos coincidiram num retrato, semelhante, do país: dificuldade em fazer mudança, pouco debate ideológico, pouca abertura à inovação, elevado proteccionismo, pouca dinâmica social. Daniel Bessa, que curiosamente se classificou como um mero «consumidor de política» chegou a dizer que Portugal caminhava no sentido de se tornar semelhante à Sicília. Feito o diagnóstico, bem feito, diga-se, fica inevitavelmente uma pergunta: no actual quadro político-partidário será possível alterar as coisas? Os partidos que existem e o modo de funcionamento do regime não são eles próprios os pilares desta sicialização?
A AOL e a Warner anunciaram um novo serviço de Internet, In2TV, que permitirá aos utilizadores verem episódios inteiros de séries de televisão em «qualidade próxima da do DVD». O arranque do serviço está previsto para o início de 2006 e terá seis canais temáticos diferentes, acessíveis em banda larga normal com um software especial desenvolvido pela AOL e que para já será seu exclusivo. Quer dizer, está a nascer o novo universo dos canais exclusivamente pensados e programados para banda larga, sem necessidades de redes de emissão ou dos distribuidores de cabo pelo meio. A televisão, na realidade, está a deixar de ser o que era. E até por cá, mais dia menos dia, se há-de dar por isso.
VER – A próxima semana promete muita animação visual. Dia 23 inaugura mais uma edição da Arte Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, que fica na FIL até dia 28 e integra as principais galerias nacionais e algumas espanholas. Entretanto na Estufa Fria, em Lisboa, já está a Anteciparte, que apresenta até dia 27 uma selecção da mais jovem expressão artística nacional.
DEVORAR – Misto de ler e de comer com os olhos, o livro «Na Roça Com Os Tachos» de João Carlos Silva, que, a partir de São Tomé e Principe, se tornou num caso raro de comunicação na televisão. As fotografias são de Adriana Freire, as receitas vão dos petiscos aos doces. Para as cozinhas, e em força!
OUVIR – Duas maneiras de ouvir uma nova e elogiada versão de «La Traviatta», dirigida por Carlo Rizzi à frente da Filarmónica de Viena e com as participações de Anna Trebenko como Violetta, Rolando Villazón como Alfredo e Thomas Hampson como Germont. Estreada em Salzburgo, esta nova versão da obra de Verdi tem sido elogiada. A Deustche Grammophon teve uma ideia editorial interessante: de um lado a edição da integral desta «La Traviatta», num CD duplo; do outro, e sob o título «Violetta», um CD que reúne as árias e duetos mais populares que percorrem a história de Violetta, com a voz de Anna Trebenko em particular destaque. Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – Quando se aumenta o fosso entre as elites e as massas está a comprar-se um problema. Bem grande – basta ver o que se passa em França.
Há uma semelhança entre o cinema e a política. Para se conseguir sucesso tem que se ter um argumento credível e bons protagonistas. Um mau argumento pode dar cabo de uma boa história, erro na escolha das figuras principais pode demolir um projecto que parecia bom. Digam lá se o caso português não está cheio de situações destas, quer no Governo, quer na oposição?
Do lider da oposição esperar-se-ía que já tivesse perguntado ao Presidente da Republica se não acha que as tensões na área da justiça, da polícia, das forças armadas, dos professores e na Função Pública em geral não o preocupam. Está a fazer um ano que o PR resolveu dissolver o Parlamento depois de uma conversa com meia dúzia de banqueiros e financeiros, mas agora é que existe um clima de conflitualidade social como há muitos anos se não via, acompanhado de uma ainda maior degradação dos principais indices económicos e do agravamento do desemprego. Do líder da oposição esperar-se-ia apenas uma pergunta: «E agora, Senhor Presidente?».
As «Noites à Direita- Um Projecto Liberal» de quinta-feira passada foram dedicadas à economia, com uma bela conversa entre António Borges e Daniel Bessa e ambos coincidiram num retrato, semelhante, do país: dificuldade em fazer mudança, pouco debate ideológico, pouca abertura à inovação, elevado proteccionismo, pouca dinâmica social. Daniel Bessa, que curiosamente se classificou como um mero «consumidor de política» chegou a dizer que Portugal caminhava no sentido de se tornar semelhante à Sicília. Feito o diagnóstico, bem feito, diga-se, fica inevitavelmente uma pergunta: no actual quadro político-partidário será possível alterar as coisas? Os partidos que existem e o modo de funcionamento do regime não são eles próprios os pilares desta sicialização?
A AOL e a Warner anunciaram um novo serviço de Internet, In2TV, que permitirá aos utilizadores verem episódios inteiros de séries de televisão em «qualidade próxima da do DVD». O arranque do serviço está previsto para o início de 2006 e terá seis canais temáticos diferentes, acessíveis em banda larga normal com um software especial desenvolvido pela AOL e que para já será seu exclusivo. Quer dizer, está a nascer o novo universo dos canais exclusivamente pensados e programados para banda larga, sem necessidades de redes de emissão ou dos distribuidores de cabo pelo meio. A televisão, na realidade, está a deixar de ser o que era. E até por cá, mais dia menos dia, se há-de dar por isso.
VER – A próxima semana promete muita animação visual. Dia 23 inaugura mais uma edição da Arte Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, que fica na FIL até dia 28 e integra as principais galerias nacionais e algumas espanholas. Entretanto na Estufa Fria, em Lisboa, já está a Anteciparte, que apresenta até dia 27 uma selecção da mais jovem expressão artística nacional.
DEVORAR – Misto de ler e de comer com os olhos, o livro «Na Roça Com Os Tachos» de João Carlos Silva, que, a partir de São Tomé e Principe, se tornou num caso raro de comunicação na televisão. As fotografias são de Adriana Freire, as receitas vão dos petiscos aos doces. Para as cozinhas, e em força!
OUVIR – Duas maneiras de ouvir uma nova e elogiada versão de «La Traviatta», dirigida por Carlo Rizzi à frente da Filarmónica de Viena e com as participações de Anna Trebenko como Violetta, Rolando Villazón como Alfredo e Thomas Hampson como Germont. Estreada em Salzburgo, esta nova versão da obra de Verdi tem sido elogiada. A Deustche Grammophon teve uma ideia editorial interessante: de um lado a edição da integral desta «La Traviatta», num CD duplo; do outro, e sob o título «Violetta», um CD que reúne as árias e duetos mais populares que percorrem a história de Violetta, com a voz de Anna Trebenko em particular destaque. Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – Quando se aumenta o fosso entre as elites e as massas está a comprar-se um problema. Bem grande – basta ver o que se passa em França.
O CCB
A mais elementar justiça deve levar a recordar que o actual estado das coisas no CCB – que de repente se tornou preocupação nacional – vem do extraordinário Dr. Manuel Maria Carrilho, enquanto Ministro da Cultura. Foi ele quem nomeou o actual Presidente e quem fez alterações no modelo de funcionamento anteriormente existente.
Ao longo destes anos acentuou-se o afunilamento dos critérios de programação, ao mesmo tempo que se esvaziaram as parcerias criativas que garantiram muita da imagem de diversidade, hoje elogiada, que era a marca fundadora do CCB. No início da década de 90 assegurei o lançamento do Centro de Espectáculos, de que fui Director. Sei do que falo, dos planos que existiam, recordo-me bem dos autores dos planos e do que foi feito. E, do que não foi.
A partir da segunda metade da década de 90, a Administração do Centro começou a esvaziar as Direcções de conteúdos, chamou a si a decisão executiva, baseada em programadores as mais das vezes sectários e desligados da realidade da gestão de espaços daquela natureza e que curto-circuitavam as Direcções. Demorou uns anos, mas o resultado da inversão do caminho que estava a ser percorrido está agora à vista de todos. E, não é bonito de se ver. É nestas alturas que convém exercitar a memória e procurar a razão das coisas. A propósito, vale a pena ler o belo artigo de Alexandre Pomar na «Actual» do «Expresso» de sábado passado.
O CCB é um equipamento único. A crise em que vive neste momento devia levar a que o seu posicionamento, missão, estratégia e organização fossem repensados. Sem uma mudança profunda o CCB vai viver a chorar-se da crise orçamental e definhará aos poucos. Talvez possa ainda ser evitado.
A mais elementar justiça deve levar a recordar que o actual estado das coisas no CCB – que de repente se tornou preocupação nacional – vem do extraordinário Dr. Manuel Maria Carrilho, enquanto Ministro da Cultura. Foi ele quem nomeou o actual Presidente e quem fez alterações no modelo de funcionamento anteriormente existente.
Ao longo destes anos acentuou-se o afunilamento dos critérios de programação, ao mesmo tempo que se esvaziaram as parcerias criativas que garantiram muita da imagem de diversidade, hoje elogiada, que era a marca fundadora do CCB. No início da década de 90 assegurei o lançamento do Centro de Espectáculos, de que fui Director. Sei do que falo, dos planos que existiam, recordo-me bem dos autores dos planos e do que foi feito. E, do que não foi.
A partir da segunda metade da década de 90, a Administração do Centro começou a esvaziar as Direcções de conteúdos, chamou a si a decisão executiva, baseada em programadores as mais das vezes sectários e desligados da realidade da gestão de espaços daquela natureza e que curto-circuitavam as Direcções. Demorou uns anos, mas o resultado da inversão do caminho que estava a ser percorrido está agora à vista de todos. E, não é bonito de se ver. É nestas alturas que convém exercitar a memória e procurar a razão das coisas. A propósito, vale a pena ler o belo artigo de Alexandre Pomar na «Actual» do «Expresso» de sábado passado.
O CCB é um equipamento único. A crise em que vive neste momento devia levar a que o seu posicionamento, missão, estratégia e organização fossem repensados. Sem uma mudança profunda o CCB vai viver a chorar-se da crise orçamental e definhará aos poucos. Talvez possa ainda ser evitado.
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O CCB
A mais elementar justiça deve levar a recordar que o actual estado das coisas no CCB – que de repente se tornou preocupação nacional – vem do extraordinário Dr. Manuel Maria Carrilho, enquanto Ministro da Cultura. Foi ele quem nomeou o actual Presidente e quem fez alterações no modelo de funcionamento anteriormente existente.
Ao longo destes anos acentuou-se o afunilamento dos critérios de programação, ao mesmo tempo que se esvaziaram as parcerias criativas que garantiram muita da imagem de diversidade, hoje elogiada, que era a marca fundadora do CCB. No início da década de 90 assegurei o lançamento do Centro de Espectáculos, de que fui Director. Sei do que falo, dos planos que existiam, recordo-me bem dos autores dos planos e do que foi feito. E, do que não foi.
A partir da segunda metade da década de 90, a Administração do Centro começou a esvaziar as Direcções de conteúdos, chamou a si a decisão executiva, baseada em programadores as mais das vezes sectários e desligados da realidade da gestão de espaços daquela natureza e que curto-circuitavam as Direcções. Demorou uns anos, mas o resultado da inversão do caminho que estava a ser percorrido está agora à vista de todos. E, não é bonito de se ver. É nestas alturas que convém exercitar a memória e procurar a razão das coisas. A propósito, vale a pena ler o belo artigo de Alexandre Pomar na «Actual» do «Expresso» de sábado passado.
O CCB é um equipamento único. A crise em que vive neste momento devia levar a que o seu posicionamento, missão, estratégia e organização fossem repensados. Sem uma mudança profunda o CCB vai viver a chorar-se da crise orçamental e definhará aos poucos. Talvez possa ainda ser evitado.
A mais elementar justiça deve levar a recordar que o actual estado das coisas no CCB – que de repente se tornou preocupação nacional – vem do extraordinário Dr. Manuel Maria Carrilho, enquanto Ministro da Cultura. Foi ele quem nomeou o actual Presidente e quem fez alterações no modelo de funcionamento anteriormente existente.
Ao longo destes anos acentuou-se o afunilamento dos critérios de programação, ao mesmo tempo que se esvaziaram as parcerias criativas que garantiram muita da imagem de diversidade, hoje elogiada, que era a marca fundadora do CCB. No início da década de 90 assegurei o lançamento do Centro de Espectáculos, de que fui Director. Sei do que falo, dos planos que existiam, recordo-me bem dos autores dos planos e do que foi feito. E, do que não foi.
A partir da segunda metade da década de 90, a Administração do Centro começou a esvaziar as Direcções de conteúdos, chamou a si a decisão executiva, baseada em programadores as mais das vezes sectários e desligados da realidade da gestão de espaços daquela natureza e que curto-circuitavam as Direcções. Demorou uns anos, mas o resultado da inversão do caminho que estava a ser percorrido está agora à vista de todos. E, não é bonito de se ver. É nestas alturas que convém exercitar a memória e procurar a razão das coisas. A propósito, vale a pena ler o belo artigo de Alexandre Pomar na «Actual» do «Expresso» de sábado passado.
O CCB é um equipamento único. A crise em que vive neste momento devia levar a que o seu posicionamento, missão, estratégia e organização fossem repensados. Sem uma mudança profunda o CCB vai viver a chorar-se da crise orçamental e definhará aos poucos. Talvez possa ainda ser evitado.
novembro 18, 2005
TODO O MUNDO É COMPOSTO DE MUDANÇA
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Untitled
TODO O MUNDO É COMPOSTO DE MUDANÇA
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
novembro 13, 2005
A SEMANA DA PRISA
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
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A SEMANA DA PRISA
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
novembro 07, 2005
OS NEGÓCIOS DA OTA
O Governo anunciou que a construção do novo aeroporto na OTA vai avançar. Anunciou-o em jeito de guerra a quem se lhe opõe. Na prática, disse que a OTA avança contra tudo e contra todos. Em parte é assim, mas como existem bastas suspeitas de que também avança porque pode favorecer alguns, é no mínimo de elementar justiça que tudo fique bem transparente.
Para ir direito ao assunto, deve ser esclarecida a questão da propriedade dos terrenos na zona onde eventualmente nascerá o novo aeroporto. Desde que a localização foi anunciada circulam histórias que envolvem muita gente, uma mais pública, outra menos. Para que o regime não se desacredite ainda mais é de elementar bom senso fazer uma investigação séria sobre as trocas de propriedade de terrenos na região nos últimos anos. As suspeitas de que tenha havido utilização de informação privilegiada em negócios imobiliários existem. Para que o boato não se torne incontrolável, nada como apurar a verdade.
Agora, o estilo: o Governo anunciou uma certeza, que nomeadamente tem repercussões em Lisboa, sem ter trabalhado seriamente o assunto com a autarquia. Carmona Rodrigues teve razão no seu discurso de posse – que ao contrário do que alguns disseram não foi essencialmente político – foi técnico e ele apontou bem os parâmetros. Só que o Governo persiste em ignorar o que pessoas sensatas dizem – aquele local não serve bem Lisboa e vai provocar graves prejuízos. Leiam, por exemplo, o que sobre a matéria disse Belmiro de Azevedo, ao colocar fortes reservas à prioridade e rentabilidade de um investimento como a OTA.
Resta-me uma suspeita: se a OTA for para a frente, mais que um negócio vão ser geradas muitas negociatas. Negociatas que hão-de, também, servir para alimentar muitas campanhas eleitorais nos próximos anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é das fortes razões para que os políticos queiram que avance o que os técnicos dizem que não faz sentido ser feito.
O Governo anunciou que a construção do novo aeroporto na OTA vai avançar. Anunciou-o em jeito de guerra a quem se lhe opõe. Na prática, disse que a OTA avança contra tudo e contra todos. Em parte é assim, mas como existem bastas suspeitas de que também avança porque pode favorecer alguns, é no mínimo de elementar justiça que tudo fique bem transparente.
Para ir direito ao assunto, deve ser esclarecida a questão da propriedade dos terrenos na zona onde eventualmente nascerá o novo aeroporto. Desde que a localização foi anunciada circulam histórias que envolvem muita gente, uma mais pública, outra menos. Para que o regime não se desacredite ainda mais é de elementar bom senso fazer uma investigação séria sobre as trocas de propriedade de terrenos na região nos últimos anos. As suspeitas de que tenha havido utilização de informação privilegiada em negócios imobiliários existem. Para que o boato não se torne incontrolável, nada como apurar a verdade.
Agora, o estilo: o Governo anunciou uma certeza, que nomeadamente tem repercussões em Lisboa, sem ter trabalhado seriamente o assunto com a autarquia. Carmona Rodrigues teve razão no seu discurso de posse – que ao contrário do que alguns disseram não foi essencialmente político – foi técnico e ele apontou bem os parâmetros. Só que o Governo persiste em ignorar o que pessoas sensatas dizem – aquele local não serve bem Lisboa e vai provocar graves prejuízos. Leiam, por exemplo, o que sobre a matéria disse Belmiro de Azevedo, ao colocar fortes reservas à prioridade e rentabilidade de um investimento como a OTA.
Resta-me uma suspeita: se a OTA for para a frente, mais que um negócio vão ser geradas muitas negociatas. Negociatas que hão-de, também, servir para alimentar muitas campanhas eleitorais nos próximos anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é das fortes razões para que os políticos queiram que avance o que os técnicos dizem que não faz sentido ser feito.
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