agosto 14, 2026

OBRAS GOVERNAMENTAIS

 

TELHADOS ESBURACADOS -  Cada vez mais me convenço que  este Governo tem um problema com a construção civil. A obra da casa do Primeiro Ministro em Espinho já foi alvo de dois inquéritos-crime pela Procuradoria Geral da República. O primeiro, de 2024 foi arquivado e o segundo, de Fevereiro deste ano, investiga uma alegada discrepância entre o custo da casa e as faturas emitidas pelos empreiteiros. Quando há uns meses o então Director da Polícia Judiciária, Luís Neves,  foi nomeado Ministro da Administração Interna não faltaram vozes a insinuar que ele sabia demais da vida de políticos e personalidades de várias tendências, e assim teria que se calar. Na altura Passos Coelho fez uma das suas raras declarações para dizer que a nomeação “não deu um bom sinal”. Em resposta, Luís Neves  garantiu que estava “absolutamente blindado”. A blindagem, como agora se sabe, era fraca e lá apareceu mais um empreiteiro de construção civil que, enquanto fazia umas obras numa casa de Neves, ganhava adjudicações de obras da PJ e ofereceu-se como fiel depositário de um veículo apreendido pela PJ numa investigação sobre tráfico de droga. Rui Rio veio dizer, também numa das suas raras intervenções, que o caso é “profundamente nocivo” para o PSD. Quando dois ex.líderes do PSD dizem coisas destas percebemos que alguma coisa vai mal no governo e na liderança do partido. Em vez de ser um edifício completamente transparente, este governo apresenta-se com um telhado esburacado que deixa muito lixo à vista. Resta saber quem será que vai recuperar a ruína.


SEMANADA - Os dados indicados foram obtidos no  site analisa.pt que reúne centenas de indicadores públicos, provenientes de diversas entidades, organizados numa plataforma que permite cruzar dados de economia, saúde, educação, habitação, mobilidade, contratos públicos e muitas outras áreas, ao nível de Portugal e de cada um dos seus concelhos: Vila Nova de Gaia, Porto e Lisboa foram as cidades onde nos últimos três meses foram atribuídas mais licenças de construção; Lisboa, Porto, Sintra, Vila Nova de Gaia e Cascais são os cinco municípios com mais serviços essenciais; Barrancos, Sardoal, Vila Velha de Ródão, Pedrógão Grande e Marvão são os cinco municípios com menor número de serviços essenciais; quanto a qualidade de vida os quatro municípios com melhor índice são Oeiras, Cascais, Vila Real e Castelo de Paiva e os quatro municípios com pior índice de qualidade de vida são Porto Santo, Porto Moniz, Grândola e Alcácer do Sal; os cinco municípios com melhores condições para trabalhadores nómadas (alojamento, locais de coworking e qualidade de conectividade) são Oeiras, Lisboa, São João da Madeira, Espinho e Amadora; os cinco municípios mais acolhedores para famílias (custo habitação, proximidade de hospital e segurança) são Braga, Sintra, Cascais, Oeiras e Leiria; os cinco municípios mais seguros para reformados, em termos de serviços de saúde, são Cascais, Oeiras, Ovar, Figueira da Foz e Sintra.



O ARCO DA VELHA - O Estado tem à sua guarda mais de um milhão e meio de bens apreendidos, sem saber o que são, onde se encontram  e em que estado de conservação estão.




UM CONTADOR DE HISTÓRIAS - Até 13 de Setembro ainda pode ver na Fundação Cupertino De Miranda, em Famalicão,  a exposição “As Imagens Que Nos Olham”, que assinala o nascimento de Fernando Lemos, um dos mais importantes artistas portugueses do século passado. A exposição reúne exclusivamente fotografias realizadas entre 1949 e 1952, um período decisivo da criação artística de Fernando Lemos, marcado pela sua exploração do surrealismo, e constituem um núcleo incontornável da fotografia portuguesa do século XX. Fernando Lemos, que viveu muitos anos do Brasil, onde morreu em 2019, falava assim de si próprio: “Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, director de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, designer de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor.” Na exposição estão 135 fotografias, muitas delas retratos de contemporâneos de Fernando Lemos que deixaram marca na cultura portuguesa, como Alexandre O’Neill, Mario Cesariny, Vieira da Silva, Arpad Szenes, António Pedro, Vespeira, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, José Cardosos Pires, Agostinho da Silva, Costa Pinheiro, Jaime Cortesão, Fernando Azevedo ou Glicínia Quartim, entre outros. A  exposição não se esgota nos retratos, mostra muitos dos trabalhos experimentais do artista  e é acompanhada por um excelente catálogo que reproduz as fotografias expostas e inclui vários textos que ajudam a contextualizar a obra de Fernando Lemos.



ROTEIRO No Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco pode ver até 25 de Outubro obras da colecção dos Encontros de Fotografia de Coimbra, na exposição “Spectrum”, de terça a domingo, das 10h às 13h00 e das 14h às 18h00. No Porto, na Casa dos Livros está patente a exposição de fotografia  “Portugal Triste, fotografias amadoras e vernaculares “, provenientes da colecção de Nuno Resende. que reúne imagens tiradas entre 1850 e 1980; na Casa Museu João Vieira, em Vidago, está patente até Julho de 2026 a exposição “Pinto Quadros por Letras” (na imagem), com obras de  João Vieira, natural da região e que  é considerado uma das figuras mais importantes das artes plásticas portuguesas do século XX. A curadoria é de Manuel João Vieira, filho do pintor e a exposição  pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30, com entrada livre; no Centro de Arte Contemporânea Quinta da Cruz, em Viseu, a exposição Peter Meeker-uma Colecção de artistas reúne trabalhos de  Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Ana Jota, Rui Sanches, Pedro Calapez, José Pedro Croft, e Augusto Alves da Silva, entre outros, até 29 de Novembro.



UM CATALÃO NO ORIENTE  - Manuel Vázquez de Montalbán, um escritor catalão, é um dos meus autores preferidos de policiais. Criou a personagem de Pepe Carvalho, um detective aventureiro que vivia em Barcelona, devoto de petiscos, muitos deles cozinhados pelo seu assistente Biscuter. ”Os Pássaros de Banguecoque” foi originalmente publicado em 1983, vinte anos antes da morte do autor que morreu de ataque cardíaco precisamente no aeroporto da capital  tailandesa. Tudo começa por uma investigação trivial em Barcelona  que dá o pontapé de saída a  ”Os Pássaros de Banguecoque”, um romance fascinante que cruza três histórias. As duas primeiras, um roubo familiar e o assassinato de uma mulher, passam-se em Barcelona. A outra história leva Pepe Carvalho à Tailândia, para investigar o desaparecimento de uma amiga, mas também para fugir de Barcelona onde, para ele, começava a ser penoso viver entre a monotonia e a melancolia, percorrendo a noite dos bares e o sexo rápido. Pelo meio, Carvalho descobre o fascínio do Oriente e os seus mistérios, mas acaba por regressar a Barcelona, com o mistério resolvido. Que têm em comum estas histórias? E o que são afinal os pássaros de Banguecoque? Vão ter que ler o livro, uma das grandes obras de Montalbán. Edição Quetzal.



MESA DE CABECEIRA - Gosto muito de livros de viagens e esta semana tenho dois novos. O primeiro é “Comboio-Fantasma Para o Oriente”, de Paul Theroux. Trata-se do relato da repetição de uma viagem que o escritor já tinha narrado em “O Grande Bazar Ferroviário”, tinha então 33 anos.  Quando começou esta segunda viagem tinha 66. O mundo mudou muito ao longo de três décadas e é disso que Theroux fala. O escritor partiu de Londres, atravessou a Europa e depois percorreu a Turquia, passou por territórios da ex-URSS como a Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, pela Índia, Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Laos, Malásia, Singapura, Camboja, Vietnam, China e Japão e fez o percurso de volta na linha do Transiberiano. A edição original é de 1988 e a Quetzal editou-o agora em Portugal. O outro livro é um clássico, “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift e foi  editado originalmente em 1726. Descreve as quatro viagens de Lemuel Gulliver. Em Lilliput, ele descobre um mundo em miniatura onde era um gigante; a seguir vai para  Brobdingnag, a terra dos gigantes, onde Gulliver parecia minúsculo; em Laputa, encontra uma sociedade de lunáticos que perderam completamente o contacto com a realidade quotidiana e que deixam o país em ruínas enquanto especulam sobre o futuro: a última viagem leva-o à terra dos Houyhnhnms, cavalos dóceis, em contraste com os Yahoos, criaturas bestiais, por vezes aterradoras, que têm uma perturbadora semelhança com humanos. O livro é uma reflexão sobre o comportamento humano e 300 anos depois de ter sido editado continua actual. Esta nova edição em português está na colecção A Biblioteca de Alexandria, da Quetzal.



A ARTE DO PIANO - A pianista japonesa Mitsuko Uchida gravou há pouco mais de duas décadas as três últimas sonatas para piano de Beethoven e essa gravação de estúdio, feita em Londres, tornou-se uma referência. Em Outubro do ano passado, Uchida decidiu voltar a gravar essas três sonatas, mas num recital, em Tóquio, em vez de um estúdio sem assistência. “The Last Three Sonatas - Mitsuko Uchida, Live at Suntory Hall” apresenta uma outra visão da obra, pelo mesmo intérprete. É a diferença entre tocar sozinha num estúdio ou para uma audiência de, neste caso, 2000 pessoas. Uchida é uma grande intérprete de Beethoven e este registo mostra como a música é algo de vivo, não é a repetição mecânica das pautas. Disponível nas plataformas de streaming.


ALMANAQUE - A galeria lisboeta This Is Not A White Cube rumou a sul e apresenta em três espaços na Comporta, Carvalhal e Melides exposições que sob o nome comum de “What Remains Between” apresentam até 6 de Setembro obras dos artistas Vanessa Barragão, Susana Cereja, António Faria e Expanded. Podem ver as exposições no Centro Comporta (Avenida 18 de Dezembro, 53, Carvalhal), na Galeria Circular (Estrada Nacional 261, KM 2-8) e n’A Moagem, (Travessa do Teixeira 6, Melides).


DIXIT - “ O distinto e reputado académico que desempenha as funções de ministro da Educação presidiu, com candura, a um dos maiores desastres da educação portuguesa “ - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “É difícil considerar como líder alguém que não ouve nada à sua volta” - James H. Boren


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS