agosto 28, 2026

TRÂNSITO CADA VEZ. MAIS COMPLICADO


ESTUDOS QUE EU GOSTAVA DE VER - Por vezes temos uma intuição mas não sabemos se ela corresponde à realidade - e era bom termos dados que nos ajudem a perceber o que se passa. Por exemplo, quando desço a avenida da Liberdade, em Lisboa, fico com a sensação que a maioria dos veículos que estão a circular são TVDE’s. Ora eu gostava que se fizesse um estudo que permitisse dar indicadores seguros sobre a percentagem de TVDE’s, em relação ao total de veículos,  que circulam no trânsito lisboeta nas principais artérias da cidade. A minha percepção, para usar uma palavra que voltou a estar na moda, é que os TVDE’s são um factor de agravamento das condições de trânsito em Lisboa. E, tenho o palpite, que se houver um estudo sobre os acidentes de trânsito que envolvem TVDE’s iremos ter uma surpresa. E já que falamos de acidentes, também era curioso saber quantos acidentes ocorreram no último ano envolvendo bicicletas. motociclos ou trotinetas de entregas de refeições ou de outras entregas. Outra coisa curiosa  - mas para isso era preciso que houvesse fiscalização do cumprimento das regras de trânsito na cidade - seria saber quantos carros passam sinais vermelhos e que percentagem são TVDE’s, qual a percentagem de TVDE’s que muda de direcção sem fazer sinal, qual o número de bicicletas, de entregas ou outras, que ignoram a sinalização de sentidos proibidos ou de sinais vermelhos. Qualquer pessoa que ande em Lisboa sabe que as regras básicas de segurança de trânsito são cada vez mais desrespeitadas e o principal problema não é o estacionamento - onde não faltam multas e vigilantes da maldita EMEL - mas sim o cumprimento de regras de segurança que afectam todas as pessoas. O cumprimento do código da estrada, que já era fraco, morreu com a entrada em circulação dos TVDE’s e entregadores de duas rodas. A proibição de utilização de telemóveis enquanto se conduz está na lei mas é soberanamente ignorada, a começar pelos TVDE's que manipulam os aparelhos enquanto conduzem, tirando os olhos da estrada e focando-os nos ecrãs. Seria curioso saber qual a percentagem de acidentes que envolvem a utilização de telemóveis enquanto se conduz. O número de atropelamentos nas grandes cidades cresce. E o que fazem as autoridades? Suspeito que não vou ter respostas.


SEMANADA -No primeiro semestre do ano a GNR registou 3673 acidentes com motociclos, que causaram 50 mortos; dois terços dos clubes de futebol portugueses têm investidores estrangeiros na sua estrutura accionista; este ano os acidentes de trabalho provocaram uma média de três mortes por semana, o número mais alto desde 2015, sendo que a maior parte ocorre na área da construção; desde Janeiro as autoridades policiais já apreenderam 28 toneladas de cocaína, número que compara com as 25 toneladas apreendidas ao longo de todo o ano de 2025; ‘Extremamente Desagradável’, de Joana Marques, continua a ser o podcast mais ouvido em Portugal com 2,7 milhões de transferências mensais e uma média de 255,6 mil ouvintes semanais; ‘O Homem Que Mordeu o Cão’, da Rádio Comercial, é o segundo título com maior audiência, com uma média de 69,2 mil ouvintes semanais e de 199,6 mil descargas semanais; segundo o “Finantial Times” Portugal e Espanha são os países onde a diferença entre os salários médios e o custo da habitação é mais acentuado; um estudo recente de um organismo da União Europeia indica que o valor do imobiliário em Portugal está 25 sobrevalorizado; 

um outro estudo internacional indica que Lisboa é a oitava cidade com maior densidade de turistas, com cerca de  1793 turistas por cada 100 residentes; a Baixa de Lisboa perdeu 23% dos residentes em dez anos; 40% das empresas portuguesas estão localizadas em Lisboa e no Porto. 


O ARCO DA VELHA - Em 2026 já morreram três crianças em contexto de violência doméstica, 11 no total desde 2019.




MARILYN & ELVIS - Até 6 de Setembro ainda pode ver no Centro Cultural de Cascais as exposições “Becoming Marilyn” e “Becoming Elvis”, uma assinalando o centenário do nascimento da actriz e outra as sete décadas da edição do primeiro LP de Elvis Presley e do seu filme de estreia, “Love Me Tender”. As duas exposições mostram imagem da MUUS Collection, uma instituição americana dedicada à fotografia do século XX. As imagens de Elvis são da autoria de Alfred Wertheimer as viagens entre Memphis e Nova Iorque, os encontros românticos e os bastidores das primeiras aparições televisivas no Stage Show. em 1956. As fotografias de Marilyn foram feitas por André de Dienes ao longo de uma década em torno de Norma Jeane Baker: desde o encontro em novembro de 1945, quando ela tinha apenas 19 anos e era uma modelo completamente desconhecida,

 até às sessões noturnas dos anos de insónia e depressão, acompanhando a metamorfose da jovem Norma Jeane em Marilyn Monroe.






ROTEIRO Jorge Bacelar é veterinário e apaixonado pela fotografia, a máquina anda sempre consigo nas suas deambulações a tratar de animais e a falar com as pessoas que os criam. Fez há anos o livro “Ruralidades” cujas imagens agora estão expostas nas Caldas da Rainha no Museu Etnográfico das Ceifeiras da Fanadia, na Biblioteca Henrique Nunes da Costa da Fanadia, na Galeria de Exposições do Espaço Turismo, a partir e na Junta de Freguesia do Nadadouro. Este percurso pelo mundo rural português é apresentado no âmbito do  F/262, Festival Internacional de Fotografia das Caldas da Rainha. Em Lisboa, no Museu Bordallo Pinheiro pode ver até 6 de Setembro a exposição evocativa dos 150 anos do Zé Povinho. E em Faro, na Galeria Treze Manuel Baptista, “Arquivos (In)visíveis” mostra obras de desenho dos anos 60 de Manuel Baptista. Na Fundação Cupertino de Miranda inaugurou dia 26 a mostra colectiva de 78 fotografias feitas por personalidades de diferentes áreas profissionais, inspiradas no legado do artista Fernando Lemos. São imagens incluídas no livro “Cadavre Exquis - Fotografar em Continuidade” e vai estar patente até 28 de fevereiro de 2027. Coordenado pelo designer Jorge Barbosa, o livro celebra o centenário do movimento surrealista. 





RELAÇÕES DIFÍCEIS
- Quando se fala em Ernest Hemingway vem logo à memória o seu mais célebre livro, “O Velho e o Mar” (que lhe deu um Prémio Pulitzer) e outros grandes romances como “Por Quem Os Sinos Dobram” ou “O Adeus às Armas”, obras que contribuíram para receber o Nobel da Literatura. Uma das suas obras menos conhecidas, “O Jardim do Paraíso”, agora reeditada em Portugal, foi o seu segundo livro editado a título póstumo e um dos que teve um processo criativo mais conturbado: Hemingway começou a escrevê-lo em 1946, e trabalhou no manuscrito durante 15 anos, até se ter suicidado em 1961. A novela decorre ao longo de cinco meses da vida de David Bourne, um escritor americano e da sua mulher Catherine. É o relato de uma lua-de-mel na Riviera Francesa e também em Espanha nos anos 20 do século passado. David e Catherine estão apaixonados, têm uma relação fisicamente intensa e Catherine resolve surpreender o marido cortando o cabelo à rapaz e começando a comportar-se, na relação, como o homem do casal, invertendo os papéis e descobrindo, para ambos, novos prazeres. A relação tem nova transformação quando na vida de ambos surge outra mulher, Marita, com quem ambos se envolvem. Tudo isto cria tensão e instabilidade na relação de David e Catherine. Desde o início da narrativa David tenta escrever um novo livro e  passa por vários bloqueios e hesitações, agravados pela instabilidade geral emocional das várias personagens. Começado a escrever há 80 anos, “O Jardim do Paraíso” aborda temas contemporâneos e é sobretudo um um livro sobre a descoberta do amor e das suas várias formas e, também,  sobre os desafios que surgem nas relações entre as pessoas e nos reflexos que tudo tem na vida. Tradução de Guilherme de Castilho, edição Livros do Brasil.





MESA DE CABECEIRA - Há mais de quatro mil milhões de anos que as bactérias dominam este planeta, criando organismos multicelulares, desde plantas a seres humanos. Sem bactérias, não existiriam formas de vida complexas, desde o nosso corpo até à atmosfera do planeta. Este é o tema desenvolvido por Peter Whollenben, em “O Planeta das Bactérias”, edição Pergaminho. Outro livro interessante é “Curiosidade Mórbida”, de Coltan Scrivner. O autor explora o que nos leva a abrandar para ver as consequências de um acidente de viação ou a assistir a maratonas de programas sobre crimes até altas horas da noite. Coltan Scrivner aborda a psicologia da curiosidade mórbida, revelando as razões por que não conseguimos resistir ao macabro. Edição Temas & Debates. 




UM PULITZER DO JAZZ - Se pensam que o Prémio Pulitzer apenas consagra jornalistas, enganam-se. Desde há uns anos tem também uma categoria de música e desde que isso acontece só seis nomes do jazz receberam a distinção: Duke Ellington, John Coltrane, Thelonious Monk, Ornette Coleman, Wynton Marsalis e Henry Threadgill. Para assinalar o décimo-quinto aniversário de um trio que se juntou para uma única  actuação num concerto de recolha de fundos para The Jazz Gallery, de Nova Iorque, o saxofonista e flautista Henry Threadgill voltou a chamar para o seu lado o pianista Vijay Iyer e o percussionista Dafnis Prieto e gravou “Fifteen”, agora publicado. Baseado na improvisação, o trio dialoga ao longo de oito temas  em que a interacção entre os músicos decorre em crescendo. Disponível nas plataformas de streaming. 





ALMANAQUE TV 
- As plataformas de streaming descobriram um filão nas séries sobre a adolescência. “Sterling Point”, da Prime Video, protagonizada por Ella Rubin e Amélie Hoeferle (na foto), acompanha, entre namoros de verão, o descobrimento de um mistério familiar que explode entre jovens que vivem em Nova Iorque e outros que habitam numa zona de veraneio dos lagos canadianos, uma disputa que é quase uma metáfora da actual situação entre os Estados Unidos e o Canadá. Viciante e com muitas surpresas ao longo dos oito episódios da primeira temporada. 


DIXIT - “Cada vez que um governo anuncia um "bónus" ou um "suplemento extraordinário" nas pensões, não está a distribuir generosidade nenhuma: está a tirar do bolso dos novos para pôr no bolso dos velhos. Não admira que o faça: há mais velhos do que novos, e votam mais. Quem paga a conta não faz maioria — e o sistema político descobriu-o há muito” - Pedro Santa Clara, no Linkedin.


BACK TO BASICS - Muitas vezes o problema maior é a forma como encaramos um problema” - Stephen Covey


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS