JUSTIÇA SOMBRIA - Está a ser cada vez mais frequente termos conhecimento de decisões dos tribunais, sobre diversos crimes , e que vão no sentido de libertarem ou inocentar acusados, delinquentes perigosos, que se revelam autores de outros crimes. Este procedimento de vários juízes cria uma sensação de insegurança e mina o respeito que devia ser devido à justiça. Com efeito, como se pode respeitar um juiz que há um ano considerou inocente de agressões à ex-mulher um guarda fiscal na reforma, que depois a assassinou? Leio nos jornais que no julgamento o tribunal disse que existiam versões contraditórias sobre o sucedido e preferiu não acreditar nas declarações da mulher, que se dizia vítima de violência, preferindo acreditar nas juras de inocência do marido. O juiz deste tribunal estaria à espera de ter versões coincidentes num caso de agressão? Este juiz, que extinguiu as medidas de coação que proibiam o homem de se aproximar da mulher ou da sua casa, onde o crime foi há dias cometido, consegue dormir descansado? E o juiz que mandou em liberdade um homem acusado de violência doméstica, já depois de ter sabido que a polícia suspeita de ele estar envolvido no disparo que atingiu uma turista na baixa lisboeta? E que dizem o rol de entidades, entre elas um tribunal, que demoraram mais de um ano a intervir no caso que culminou com a morte de uma mulher pelo seu filho depois de durante anos e anos o ter submetido, e à sua irmã, a maus tratos e agressões constantes? Tudo isto faz perder a confiança na justiça e nos tribunais e cria um clima de insegurança. A acção dos juízes e dos tribunais pode e deve ser comentada e julgada, não só pelos seus pares, mas também, e se calhar sobretudo, pelos cidadãos. É difícil ter confiança nos tribunais e na justiça quando estes casos se avolumam. Quando leio relatos de muitos julgamentos fico com a convicção que é demasiado frequente haver juízes que se colocam contra as vítimas e a favor dos acusados. A justiça em Portugal está num emaranhado sombrio.
SEMANADA -Em Portugal, quatro em cada dez jovens de 18 anos dizem passar pelo menos cinco horas por dia na Internet, cerca de um terço do tempo em que estão acordados e o tempo de utilização tem vindo a aumentar ao longo da última década; um estudo sobre o período do recente eclipse solar indica que a quebra no uso da Internet em Portugal foi de quase 30%, e à medida que o eclipse avançou, o tráfego desceu; segundo o INE em 2025, o número de crianças e jovens com menos de 24 anos representava apenas 23% do total da população e entre 1995 e 2025 o país perdeu 770 mil crianças e jovens até aos 24 anos, passando de 3 milhões e 313 mil em 1995 para 2 milhões e 588 mil em 2025; Portugal é o 3.º país da UE com maior índice de envelhecimento: um rácio de 182 idosos por cada 100 jovens; mais de 1,6 milhões de pensionistas de velhice da Segurança Social, 74% do total, recebem menos de 870 euros mensais, o valor do salário mínimo nacional em 2025; em Portugal há 730 mil casas abandonadas; no início do mês de agosto, Lisboa concentrava 40,6% do total de casas à venda por mais de um milhão de euros na plataforma Idealista e depois seguem-se Faro, com 26,5% e Porto, com 12,9%; em 15 anos o número de piscinas na Charneca da Caparica quase duplicou; um responsável do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas admitiu que a população de javalis em todo o país ande pelos 300 mil animais; a PJ regista uma média de dois casos de extorsão sexual por dia e em 2025, foram instaurados 732 inquéritos; segundo a Marktest os portugueses fizeram mais de 10,6 milhões de downloads de podcasts em Junho; segundo a Marktest as cinco estações de rádio mais ouvidas são, por esta ordem, Rádio Comercial, RFM, M80, Rádio Renascença e Antena Um; a TSF continua à frente da Rádio Observador.
O ARCO DA VELHA - Um estudo internacional indica que a qualidade do esperma está a diminuir e que entre os homens dos países ocidentais a concentração de espermatozoides por mililitro caiu para metade nas últimas três décadas.
ROTEIRO - “Linha e Mancha, Corpo e Máquina” é o título da exposição retrospectiva de Rui Sanches no Seixal, que acompanha cerca de 40 anos da sua produção artística, desde a década de 1980 até aos dias de hoje, com obras de pintura, desenho e escultura (na imagem) "Linha e Mancha, Corpo e Máquina" integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves, uma iniciativa da Fundação de Serralves que leva obras do seu acervo a públicos de diferentes regiões de Portugal. A exposição fica patente na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, Seixal, até 21 de novembro. Nas Caldas da Rainha prossegue o F/262 festival internacional de fotografia, que apresenta até meados de Setembro cerca de uma dezena de exposições e instalações públicas em diversos locais da cidade e na Foz do Arelho, com destaque, entre os fotógrafos portugueses, para “Estiagem” de João Mariano, “Cante”, de Ana Baião e para “Pela Fresca Sombra das Árvores de Lisboa”, de Luís Pavão.
JAZZ MOZART - Jon Batiste é um pianista e cantor de jazz norte-americano que durante anos dirigiu os músicos que acompanhavam ao vivo o “The Late Show” de Stephen Colbert. É também o director criativo do Museu Nacional do Jazz no Harlem. Em 2024 iniciou uma série de discos dedicada à sua interpretação de clássicos, o disco de estreia foi baseado na obra de Beethoven e recebeu o nome de “Beethoven Blues”. Em “Black Mozart”, agora editado, Jon Batiste revisita a obra do compositor austríaco. O disco começa pela sua interpretação da Sonata no. 16 para piano, mas inclui também versões das “Bodas de Fígaro”, a Sinfonia no.40 ou a Marcha Turca. O disco cruza composições de Mozart, modificadas em géneros como os blues, o gospel, a soul e o jazz. Edição Decca.
ALMANAQUE - Brett Easton Ellis, é um escritor norte-americano que se tornou célebre com o seu primeiro livro, “Menos que Zero”, de 1985. Em 2023, e após um interregno de 13 anos, Ellis voltou a lançar um livro, “The Shards”, de alguma forma retomando a época do seu romance de estreia. O romance é uma memória ficcionada do que Ellis e os seus amigos da época viveram em 1981, no último ano antes de irem para a universidade. Agora o livro gerou uma série de televisão, “The Shards” (“Estilhaços” em Portugal) , que está na Disney + e que tem como protagonistas, entre outros actores, Homer Gere (filho de Richard Gere) e Kaya Gerber (filha de Cindy Crawford). É uma história de terror e de crime, com uma banda sonora que vive os anos 80 e pode ser ouvida no Spotify.
DIXIT - “O que me choca muitas vezes não é as pessoas acreditarem em notícias falsas, é as pessoas já começarem a duvidar das notícias verdadeiras (...) Face aos riscos colocados pela Inteligência Artificial penso que não é o modelo de negócio que salva o jornalismo, é o bom jornalismo que pode salvar o modelo de negócio” - Miguel Coutinho, entrevistado no Observador.
BACK TO BASICS - “Uma pequena pedra pode ser o suficiente para deter uma grande onda” - Homero
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS