agosto 21, 2026

UM SISTEMA JUDICIAL PERVERSO

JUSTIÇA SOMBRIA - Está a ser cada vez mais frequente termos conhecimento de decisões dos tribunais, sobre diversos crimes , e que vão no sentido de libertarem ou inocentar acusados, delinquentes perigosos, que se revelam autores de outros crimes. Este procedimento de vários juízes cria uma sensação de insegurança e mina o respeito que devia ser devido à justiça. Com efeito, como se pode respeitar um juiz que há um ano considerou inocente de agressões à ex-mulher um guarda fiscal na reforma, que depois a assassinou? Leio nos jornais que no julgamento o tribunal disse que existiam versões contraditórias sobre o sucedido e preferiu não acreditar nas declarações da mulher, que se dizia vítima de violência, preferindo acreditar nas juras de inocência do marido. O juiz deste tribunal estaria à espera de ter versões coincidentes num caso de agressão? Este juiz, que  extinguiu as medidas de coação que proibiam o homem de se aproximar da mulher ou da sua casa, onde o crime foi há dias cometido, consegue dormir descansado? E o juiz que mandou em liberdade um homem acusado de violência doméstica, já depois de ter sabido que a polícia suspeita de ele estar envolvido no disparo que atingiu uma turista na baixa lisboeta? E que dizem o rol de entidades, entre elas um tribunal,  que demoraram mais de um ano a intervir no caso que culminou com a morte de uma mulher pelo seu filho depois de durante anos e anos o ter submetido, e à sua irmã, a maus tratos e agressões constantes? Tudo isto faz perder a confiança na justiça e nos tribunais e cria um clima de insegurança. A acção dos juízes e dos tribunais pode e deve ser comentada e julgada, não só pelos seus pares, mas também, e se calhar sobretudo, pelos cidadãos. É difícil ter confiança nos tribunais e na justiça quando estes casos se avolumam. Quando leio relatos de muitos julgamentos fico com a convicção que é demasiado frequente haver juízes que se colocam contra as vítimas e a favor dos acusados. A justiça em Portugal está num emaranhado sombrio.


SEMANADA -Em Por­tu­gal, qua­tro em cada dez jovens de 18 anos dizem pas­sar pelo menos cinco horas por dia na Inter­net, cerca de um terço do tempo em que estão acor­da­dos e o tempo de uti­li­za­ção tem vindo a aumen­tar ao longo da última década; um estudo sobre o período do recente eclipse solar indica que a quebra no uso da Internet em Portugal foi de quase 30%,  e à medida que o eclipse avançou, o tráfego desceu; segundo o INE em 2025, o número de crianças e jovens com menos de 24 anos representava apenas 23% do total da população e entre 1995 e 2025 o país perdeu 770 mil crianças e jovens até aos 24 anos, passando de 3 milhões e 313 mil em 1995 para 2 milhões e 588 mil em 2025; Portugal é o 3.º país da UE com maior índice de envelhecimento: um rácio de 182 idosos por cada 100 jovens; mais de 1,6 milhões de pensionistas de velhice da Segurança Social, 74% do total,  recebem menos de 870 euros mensais, o valor do salário mínimo nacional em 2025; em Portugal há 730 mil casas abandonadas; no início do mês de agosto, Lisboa concentrava 40,6% do total de casas à venda por mais de um milhão de euros na plataforma Idealista e depois seguem-se Faro, com 26,5% e Porto, com 12,9%; em 15 anos o número de piscinas na Charneca da Caparica quase duplicou; um responsável do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas admitiu que a população de javalis em todo o país ande pelos 300 mil animais; a PJ regista uma média de dois casos de extorsão sexual por dia e em 2025, foram instaurados 732 inquéritos; segundo a Marktest os portugueses fizeram mais de 10,6 milhões de downloads de podcasts em Junho; segundo a Marktest as cinco estações de rádio mais ouvidas são, por esta ordem, Rádio Comercial, RFM, M80, Rádio Renascença e Antena Um; a TSF continua à frente da Rádio Observador.


O ARCO DA VELHA - Um estudo internacional indica que a qualidade do esperma está a diminuir e que entre os homens dos países ocidentais a concentração de espermatozoides por mililitro caiu para metade nas últimas três décadas.




DESENHOS FORTES - “Sycorax” é o título da exposição de Alice Geirinhas que pode ser vista no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, até 20 de Setembro. A exposição é uma instalação de desenhos baseada na figura de Sycorax, a bruxa e mãe de Caliban, personagens de “A Tempestade”, de William Shakespeare. Os desenhos que compõem Sycorax inspiram-se nas gravuras e xilogravuras medievais que retrataram a caça às bruxas na Europa. Este trabalho de Alice Geirinhas parte “da estética crua dessas imagens, marcadas por forte contraste, dramatização dos corpos e simbolismo moralizante”. Alice Geirinhas é uma artista visual, ilustradora e docente portuguesa baseada em Lisboa, conhecida pelo seu trabalho no desenho, banda desenhada e instalação, frequentemente focado em temas de género, sexualidade e teoria feminista. Ainda no MNAC destaque também para “Eu Que Já Fui Eu”, de Maria José Oliveira, patente até 4 de Outubro. O MNAC fica na Rua Serpa Pinto 4, ao Chiado.





ROTEIRO -  “Linha e Mancha, Corpo e Máquina” é o título da exposição retrospectiva de Rui Sanches no Seixal, que acompanha cerca de 40 anos da sua produção artística, desde a década de 1980 até aos dias de hoje, com obras de pintura, desenho e escultura (na imagem) "Linha e Mancha, Corpo e Máquina" integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves, uma iniciativa da Fundação de Serralves que leva obras do seu acervo a públicos de diferentes regiões de Portugal. A exposição fica patente na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, Seixal,  até 21 de novembro. Nas Caldas da Rainha prossegue o F/262 festival internacional de fotografia, que apresenta até meados de Setembro cerca de uma dezena de  exposições e instalações públicas em diversos locais da cidade e na Foz do Arelho, com destaque, entre os fotógrafos portugueses, para “Estiagem” de João Mariano, “Cante”, de Ana Baião e para “Pela Fresca Sombra das Árvores de Lisboa”, de Luís Pavão.



O FILME SEGUE O LIVRO?  O filme “Odisseia” é um dos grandes êxitos de bilheteira do ano, baseado num poema épico, escrito por Homero no século VIII a.C., que descreve a longa viagem de regresso a casa do herói grego Odisseu, hoje em dia mais conhecido como Ulisses, após a Guerra de Tróia. Mas será que o filme respeita o livro? E conhecem a verdadeira “Odisseia”? No mercado português há três edições dedicadas a esta obra. Começo pela mais importante, a nova tradução de Frederico Lourenço, a partir do grego original, numa edição da Quetzal. Anos depois da sua tradução inicial, Frederico Lourenço regressou ao texto e fez um criteriosa e minuciosa revisão, acrescentando notas e comentários que esclarecem dúvidas sobre o texto, bem como questões de natureza linguística, geográfica ou histórica que se colocam ao leitor de hoje. Também pela mão de Frederico Lourenço existe uma versão para jovens desta obra de Homero. Nesta versão, “A Odisseia de Homero Adaptada Para Jovens”, da Porto Editora, a narrativa começa assim: “Mil e duzentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo, vivia na ilha grega de Ítaca um jovem príncipe chamado Telémaco. O seu pai tinha partido para a guerra quando ele era ainda bebé.» Mantendo sempre o rigor histórico e a qualidade literária, Frederico Lourenço desperta nos jovens a vontade de acompanhar as aventuras de Ulisses/Odisseu, transformando um dos livros fundamentais da nossa civilização numa aventura para todas as idades. E, finalmente, a terceira edição é a “Odisseia de Homero” numa versão ilustrada, resultado do trabalho de Gareth Hinds, um mestre da adaptação literária para a linguagem da novela gráfica. Esta abordagem dá nova vida ao clássico de Homero com ilustrações deslumbrantes e uma narrativa vibrante. Esta é uma obra que combina fidelidade épica com  emoção contemporânea, acessível a novos leitores e fascinante para quem já conhece a epopeia original. Edição Bertrand. Vale a pena conhecer a história original para além da versão do filme. A “Odisseia” não é apenas um dos grandes épicos da literatura grega, é também um dos pilares da literatura ocidental, um poema de extraordinária beleza e, também,  o livro que mais influência exerceu, ao longo dos tempos, no imaginário ocidental. Quando a “Ilíada” e a “Odisseia” foram compostas por Homero, ainda não tinha sido escrita a maior parte dos livros que integram o Antigo Testamento e essas duas epopeias são os primeiros grandes livros da cultura ocidental.


JAZZ MOZART - Jon Batiste é um pianista e cantor de jazz norte-americano que durante anos dirigiu os músicos que acompanhavam ao vivo o “The Late Show” de Stephen Colbert. É também o director criativo do Museu Nacional do Jazz no Harlem. Em 2024 iniciou uma série de discos dedicada à sua interpretação de clássicos, o disco de estreia foi baseado na obra de Beethoven e recebeu o nome de  “Beethoven Blues”. Em  “Black Mozart”, agora editado, Jon Batiste revisita a obra do compositor austríaco. O disco começa pela sua interpretação da Sonata no. 16 para piano, mas inclui também versões das “Bodas de Fígaro”,  a Sinfonia no.40 ou a Marcha Turca. O disco cruza composições de Mozart, modificadas em  géneros como os blues, o gospel, a soul e o jazz. Edição Decca.





ALMANAQUE - Brett Easton Ellis, é um escritor norte-americano que se tornou célebre com o seu primeiro livro, “Menos que Zero”, de 1985. Em 2023, e após um interregno de 13 anos, Ellis voltou a lançar um livro, “The Shards”, de alguma forma retomando a época do seu romance de estreia. O romance é uma memória ficcionada do que Ellis e os seus amigos da época viveram em 1981, no último ano antes de irem para a universidade. Agora o livro gerou uma série de televisão, “The Shards” (“Estilhaços” em Portugal) , que está na Disney + e que tem como protagonistas, entre outros actores,  Homer Gere (filho de Richard Gere) e Kaya Gerber (filha de Cindy Crawford). É uma história de terror e de crime, com uma banda sonora que vive os anos 80 e pode ser ouvida no Spotify.


DIXIT -  “O que me choca muitas vezes não é as pessoas acreditarem em notícias falsas, é as pessoas já começarem a duvidar das notícias verdadeiras (...) Face aos riscos colocados pela Inteligência Artificial penso que não é o modelo de negócio que salva o jornalismo, é o bom jornalismo que pode salvar o modelo de negócio” - Miguel Coutinho, entrevistado no Observador.


BACK TO BASICS - “Uma pequena pedra pode ser o suficiente para deter uma grande onda” - Homero



A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS