agosto 22, 2026

CASAS COM MARCAS

Ver as vistas não é apenas olhar para o pôr do sol. É olhar para o que está perto de nós, sítios por onde passamos todos os dias, com pormenores que por vezes nem vemos. Nos muros e nas entradas de casas podem estar descobertas que nos fazem pensar porque é que quem as habita fez aquela escolha.Por todo o país há jardins com pequenas fontes, ou pequenos lagos, às vezes cães de porcelana, de vários tamanhos e toda uma gama de outros animais. Não podem faltar andorinhas de louça colocadas junto aos beirais. E há azulejos, isolados ou em painéis com nomes de pessoas ou provérbios populares. E, também, réplicas de outras paisagens, como este moinho colocado numa entrada por onde passo quase todos os dias e nunca tinha visto com atenção. Será uma evocação de outros moinhos, como os que ali perto existem na Serra do Louro? Tudo isto são marcas que assinalam as casas, fazem parte da sua história. Eu gosto de me pôr a divagar sobre estas marcas deixadas nas casas, abrir a imaginação aos sinais que elas sugerem. É por isso que gosto muito de olhar para este moinho, quase escondido entre a vegetação que acompanha o muro, Sem ele a casa quase parecia desabitada, mas, quando se vê de perto percebe-se que está bem conservado, estimado, percebe-se que a pintura vai sendo retocada, as velas e as cordas ajudam a mostrar o cuidado que alguém lhe dedica. 


(os pensamentos ociosos estão semanalmente em sapo.pt)