
O PRESIDENTE DA JUNTA - O Governo do PS dinamizou uma Film Commission que tenta, e bem, atrair para Portugal produções audiovisuais que sejam aqui filmadas. Quando foi Presidente da Câmara de Lisboa António Costa defendeu a importância de a cidade ser palco de rodagens de produções audiovisuais, aliás como vários seus antecessores No programa eleitoral do PS está inscrita a dinamização e o apoio às indústrias criativas, nas quais a produção audiovisual se insere. Acresce que em Portugal existem excelentes profissionais na área, desde técnicos de som a directores de fotografia, passando por responsáveis por guarda-roupa ou electricistas. Há muitas centenas de pessoas que vivem e trabalham no universo dos audiovisuais e para quem a existência, onde quer que seja no nosso país, de produções internacionais, significa trabalho e reconhecimento. Somos mesmo bons nisto - os nossos técnicos são competentes, falam várias línguas, estão a par das tecnologias mais recentes e são reconhecidos além fronteiras. Pois é com este enquadramento que um senhor presidente da Junta, no caso a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, se insurge contra as consequências das políticas defendidas por António Costa e o PS nesta matéria e apareceu a criticar as filmagens previstas de uma série da Netflix no seu território, que encara como um quintal. Este senhor, que aparece a queixar-se dos incómodos das filmagens, é o mesmo que fecha os olhos à degradação do edifício do Tribunal da Boa Hora e nem quer ouvir falar de planos para a sua recuperação. E, para rematar, há cinco anos os voluntários da Refood na freguesia de Miguel Coelho foram expulsos do espaço que o próprio autarca lhes cedera uns meses antes, para dali distribuir refeições aos pobres. Este senhor é o mesmo que foi dirigente nacional do PS, dirigente da sua concelhia de Lisboa e deputado à Assembleia da República. É doutorado em Ciência Política, matéria que leccionou, mas não passa de um apparatchik de segunda categoria na guerrilha do PS contra a actual presidência da Câmara de Lisboa. É um exemplo da incoerência. Imaginar que este personagem anda pelas universidades a ensinar Ciência Política é uma coisa que mete nojo.
SEMANADA - As rações e forragens para alimentação de animais aumentaram 53% e podem fazer disparar o preço da carne; menos de um milhão de crianças recebem abono de família, o número mais baixo desde 2005; segundo o INE quase 11% das crianças portuguesas estão em privação material e social; em Janeiro o desemprego aumentou pelo segundo mês consecutivo; o PS acusou o PSD de irresponsabilidade e insensibilidade" por ter querido que a lei fosse respeitada no caso da votação indocumentada dos emigrantes; 36% dos professores dizem não ter recebido qualquer formação para a utilização de tecnologia digital nas aulas; Vítor Ramalho, um histórico amigo e assessor de Mário Soares, afirmou que “não podemos deixar a gestão do Governo passar para o PS”; segundo ele o PS “não ouve as pessoas, não há um gabinete de estudos como devia haver”; de Bragança a Madrid, de comboio, leva-se uma hora para fazer os primeiros 45 quilómetros até se apanhar o comboio de alta velocidade espanhol que demora mais duas horas para fazer 334 quilómetros; as multas por condução com excesso de álcool no sangue subiram 141% no espaço de um mês; em 2021 mais de 24 mil automobilistas foram multados por utilizarem o telemóvel enquanto conduziam.
O ARCO DA VELHA - O “Avante!”, órgão central do PCP, descreve a situação na Ucrânia como uma “obscena campanha provocatória do imperialismo contra a Federação Russa” e o site do PCP “denuncia a perigosa estratégia de tensão e propaganda belicista promovida pelos EUA, a NATO e a UE”.

PINTURAS NATURAIS - Muito para ver esta semana. Começo pela exposição de Inez Teixeira (na imagem), que fica na Fundação Carmona e Costa até 21 de Maio (Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1- 6º andar). Apresentada como uma antológica, que mostra obras de desenho feitas entre 1989 e 2021, a exposição inclui dois conjuntos de produção recente, pinturas a óleo sobre papel - Degelo e Paisagens, sendo que a primeira dá o título genérico à exposição. Estes dois conjuntos de pinturas feitas no final do ano passado são marcantes e mostram uma nova e interessante direcção no trabalho de Inez Teixeira, uma aproximação à pintura e à reflexão sobre a natureza e os desafios que ela enfrenta. O curador, Nuno Faria, destaca: “O conjunto de desenhos reunidos na exposição Degelo, realizados durante um extenso período de tempo, inédito na sua quase integralidade, revela um programa de pesquisa livre de constrangimentos formais e um entendimento do desenho como prática processual e experiencial. Da exposição constam cerca de uma centena de desenhos, sobretudo organizados em séries, pontuadas por surpreendentes exceções, e um singular conjunto de pequenas esculturas em que a artista integra pedras encontradas no espaço natural”. Outra das novas exposições apresenta trabalhos de Rita Gaspar Ferreira e António Olaio, e está até 30 de Abril na Galeria Belo-Galsterer (Rua Castilho 71 r/c esq). Na realidade ali estão três exposições: "Sobrevoo" de Rita Gaspar Vieira, “Polka Dot Brain” de António Olaio e “Upstairs, Downstairs”, uma colectiva dos dois artistas. Finalmente, na Galeria Miguel Nabinho, Luísa Cunha apresenta até 2 de Abril, a instalação sonora “Partitura 4- op” (Rua Tenente Durão 18-B).

UMA VISÃO DA AMÉRICA - John Steinbeck, californiano, foi um dos grandes escritores americanos, observador atento do seu país. Assinalando os 120 anos do nascimento de John Steinbeck e os 60 anos da atribuição do prémio Nobel, surge agora em Portugal a edição de “A América e os Americanos e outros textos”. O volume reúne mais de 60 textos de não ficção, publicados em jornais e revistas entre 1936 e 1966. Neles, Steinbeck discorre sobre temas como as guerras do seu tempo, a pobreza, o racismo, mas também as suas viagens e os seus amigos. Durante trinta anos, a par dos seus famosos romances, como “As Vinhas da Ira”, escreveu vários trabalhos curtos de não ficção, que foram sendo publicados em jornais e revistas no seu país e no estrangeiro. Estes textos permitem uma visão singular de uma era de profunda transformação nos Estados Unidos. Esta antologia reúne mais de sessenta destes textos, desde artigos que serviram de inspiração para o célebre romance “As Vinhas da Ira”, até ao último livro que publicou, “A América e os Americanos”, de 1966. Nestas páginas encontra-se o olhar do jornalista, cobrindo a Grande Depressão norte-americana, a Segunda Guerra Mundial e o Vietname. Aqui estão textos sobre o julgamento de Arthur Miller, o seu manual sobre como se faz um nova-iorquino, a sua reportagem sobre uma convenção do partido Republicano, a visão que um escritor tem dos críticos, o seu discurso de aceitação do Nobel, textos sobre personagens como o grande fotógrafo Robert Capa, o actor Henry Fonda ou o músico Woody Guthrie e ainda várias das suas reportagens de guerra. Entusiasmante da primeira à ultima página.

REDESCOBRIR A LOVE SUPREME - Na primeira metade dos anos 60 era raro fazer-se gravações de actuações ao vivo e assim se perdeu a oportunidade de comparar registos dos mesmos temas, tocados em ocasiões diferentes. Nesse tempo Coltrane compunha imenso e tocava ainda mais. Volta e meia ainda se descobrem gravações, que andaram muitos anos perdidas, e que mostram o que Coltrane e a sua banda faziam. Uma dessas gravações, que agora veio à luz do dia, é uma interpretação de “A Love Supreme”, uma das peças de referência de Coltrane, editada originalmente no início de 1965, numa altura em que o músico sentia a necessidade de mostrar como tinha descoberto a religião e a espiritualidade. Seis meses depois da edição, Coltrane actuava em Seattle e a interpretação que ali fez de “A Love Supreme” foi gravada e depois perdida. Até há pouco tempo a única gravação ao vivo da suite “A Love Supreme” que se conhecia tinha sido gravada em Antibes, na França, e era muito contida, mantendo a forma do disco original. Esta que agora surgiu, gravada em Junho de 65 em Seattle, mostra muito mais espaço para improvisação. Em Seattle, mantendo a ligação à composição original, Coltrane deu muito maior espaço de liberdade aos músicos. Nesta gravação surge a formação que gravou “A Love Supreme” em estúdio - Coltrane no sax tenor, McCoy Tiner no piano, Jimi Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. Mas a eles foram acrescentados um segundo baixista, Donald Garrett, Pharoah Sanders no sax tenor e Carlos Ward no sax alto - sendo que o próprio Coltrane e Sanders deram uma mãozinha nas percussões adicionais. Na realidade a versão de “A Love Supreme” nesta gravação tem quase 75 minutos, o dobro do tempo do registo original. Há uma energia muito maior, os próprios solos de Coltrane são bem diferentes.Se gostam de Coltrane e de jazz,procurem nos serviços de streaming esta edição - “A Love Supreme, Live in Seattle”.
CREME PARA PAPALVOS - Depois de dois anos de pandemia os restaurantes começam a voltar a funcionar e há mesmo alguns novos espaços que começam a surgir pela cidade. Nada de muito relevante, infelizmente. O que mais abunda nesta nova vaga é o restaurante de conceito, onde o essencial não é a qualidade da comida nem do serviço, e sim a vivência de um momento, de uma experiência de um apregoado conceito. Devo dizer que isto é uma coisa que me desagrada profundamente. Por via de regra evito deslocar-me a tais locais, sem alguns amigos em que confio me contarem antes o que lá se passa. Um dos casos que me fez mais rir nos últimos tempos foi o relato feito por um amigo de uma visita ao Rocco, um novo restaurante cheio de peneiras, conceitos e efeitos decorativos, no piso térreo do Ivens Hotel (Rua Ivens 14). Tudo começa pela dificuldade que é reservar uma mesa usando os meios tradicionais. Por fim, quando se consegue alguma coisa e lá se chega, a uma zona de balcão, descobre-se que a sala do restaurante está às moscas e que havia mais que lugares para a reserva que havia sido negada. Enfim, tudo isto é cómico e a única comida que ali servem é creme para papalvos que queiram armar-se em frequentadores de locais de moda.
DIXIT - “Não é expectável que o PCP possa ter a influência política e social que já teve” - António Filipe, ex-deputado do PCP
BACK TO BASICS - “Não se pode evitar uma guerra quando se faz tudo para a preparar” - Albert Einstein

































