janeiro 28, 2022

A UTILIDADE DA MUDANÇA

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ALTURA DE MUDANÇA - As eleições de domingo são uma ocasião para cada um de nós manifestar o que deseja: se queremos continuar no sentido do empobrecimento ou se queremos dinamizar a economia e fazer crescer o país. Em resumo, se queremos uma mudança no rumo que tem sido seguido. Desde 2015, quando António Costa montou a geringonça, e segundo dados oficiais da União Europeia, fomos ultrapassados pela Estónia, Lituânia, Hungria e Polónia. Estamos praticamente na cauda da Europa. Um outro estudo da Comissão Europeia indica que a carga fiscal em Portugal aumentou desde que o PS é Governo para 34,7% do PIB, o que significa uma das maiores cargas fiscais europeias face ao rendimento per capita, começando logo nos escalões mais baixos, Nos últimos 26 anos, desde 1995, tivemos 19 anos de governos liderados pelo Partido Socialista, um dos quais chamou a Troika, e 7 anos de governos liderados pelo PSD. A situação é esta: temos uma muito elevada dívida pública que continua a aumentar, uma sociedade que está dependente dos financiamentos e subsídios da Europa. Nos últimos anos a sociedade ficou ainda mais rígida, com maior peso do Estado. Temos uma justiça que não funciona, uma educação que se degrada, anos de desinvestimento nas principais funções que o Estado deve assegurar. Temos, ainda segundo estudos internacionais, um sério problema de corrupção no Estado, que não tem registado melhorias. Continuamos a agravar desigualdades, a penalizar a classe média e sem capacidade para proteger os mais fracos. Por isso mesmo a decisão de 30 de Janeiro tem a ver com saber se queremos continuar na mesma ou dar uma oportunidade à mudança. Por mim desejo uma mudança que possa fazer reformas essenciais para o nosso desenvolvimento.


 


SEMANADA - No ano passado, em Lisboa, cerca de duas centenas de pessoas morreram sem que os seus corpos tivessem sido reclamados, o maior número desde 2009; no início desta semana quase um milhão de pessoas estava em isolamento devido ao covid-19, mais de 9% da população; o valor das indemnizações pedidas ao Estado nos tribunais administrativos, por cidadãos e empresas,  atinge já 4,5 mil milhões de euros; nas prisões portuguesas verificaram-se em cinco anos mais de 300 mortes e só em 2020 foram sinalizados 1386 reclusos em risco; desde o início deste  ano já  morreram nas prisões sete reclusos, e duas destas mortes foram reportadas como suicídios; cerca de 200 adeptos estão impedidos de entrar em recintos desportivos devido à participação em actos violentos; em 2021 foram recebidas 1160 denúncias de cibercrimes, o dobro do verificado em 2020; 14 albufeiras portuguesas estão 40% abaixo do seu nível normal e a seca está já ter efeitos na agricultura e na qualidade da água; no final de 2021 havia cerca de 35 mil desempregados inscritos nos setores do alojamento, restauração e similares e o seu número subiu nos últimos dois meses do ano; em 2021 foram vendidos 190 mil móveis no valor de cerca de 30 mil milhões de euros, um aumento de transacções de 18% face a 2020; em 2021 a TAP teve três vezes menos passageiros do que em 2019; 45% das empresas portuguesas apresentaram resultados negativos em 2020, o que compara com 36,9% em 2019; desde Janeiro ​​os preços da gasolina e do gasóleo já aumentaram quatro vezes e encher o depósito do carro ficou cinco euros mais caro; o número de pequenos partidos está a crescer desde 2009, em 46 anos mais de meia centena de partidos apresentaram-se a eleições, mas só 13 conseguiram eleger deputados.


 


O ARCO DA VELHA - A Igreja do Convento de São Francisco, em Bragança, classificada como Imóvel de Interesse Público, com uma rica colecção de arte sacra e frescos medievais, foi vendida em leilão na sequência de uma penhora por dívida a um empreiteiro e desconhece-se o comprador.


 


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TESTEMUNHOS FOTOGRÁFICOS  - Daniel Blaufuks apresenta no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa (Campo Grande) a exposição “Lisboa Cliché”, uma seleção de 80 fotografias de entre as mais de 300 que integram o livro com o mesmo nome, lançado no ano passado. As imagens, feitas entre o final da década de 1980 e o início dos anos 90, mostram espaços, ambientes e pessoas de uma Lisboa a preto e branco, evocando locais como o Frágil, o British Bar, a Cinemateca, a Versailles e a Trindade. A exposição estará patente até 27 de Fevereiro. Antes de publicar o livro que enquadra estas imagens com textos do próprio Blaufuks, as fotografias foram publicadas numa conta de Instagram também intitulada “Lisboa Clichê”, que acabou por desencadear o livro e esta exposição. Blaufuks tem trabalhado sobre a relação entre a memória pública e a memória privada e tem exposto em museus, galerias de arte contemporânea e festivais, trabalhando principalmente com fotografia e vídeo. Em 2016 recebeu o prémio AICA pelas exposições Tentativa de Esgotamento e Léxico e a relação entre a memória e o Holocausto tem atravessado o seu percurso criativo. Outro destaque desta semana vai para  «Last Folio», de Yuri Dojce e Katya Krausova, no Museu Berardo. Inaugurada no Dia Internacional em Memória do Holocausto, a exposição mostra  um conjunto de fotografias que documentam os últimos testemunhos de uma cultura e da história de um povo, uma história que foi brutalmente interrompida quando das deportações dos judeus para os campos de concentração, em 1942. São imagens marcantes de ruínas de escolas, de sinagogas, de livros e de objetos. A exposição inclui ainda um conjunto de retratos contemporâneos de sobreviventes do Holocausto e um filme sobre as cicatrizes da tragédia nazi e da destruição da cultura judaica. E em Coimbra, na Antiga Sala do Capítulo do Convento de São Francisco, Nuno Cera apresenta até 27 de Março “As Quedas/The Falls”, um trabalho de vídeo e fotografia realizado nas cataratas do Niagara.


 


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O ENCANTO DE UMA PEQUENA NOVELA - Escrita no exílio francês de Joseph Roth e publicada no jornal parisiense de língua alemã Pariser Tageblatt, em 1935, a novela O Busto do Imperador constitui, por um lado, uma tentativa de fuga da realidade que se vivia na altura na Alemanha e na Áustria, por outro, representa uma defesa utópica dos valores de tolerância resultantes do cosmopolitismo, traço essencial do Império Austro-Húngaro. É uma novela encantadora que parte da pequena aldeia de Lopatyny, situada na antiga Galícia Oriental, onde o próprio Roth nasceu, e em que vive o velho conde Franz Xaver Morstin. O fidalgo, relíquia do derrotado Império Austro-Húngaro, é obrigado a conformar-se com a diminuição do seu estatuto e com as trágicas mudanças ocorridas na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Só um busto em arenito barato, representando a figura do Imperador Francisco José, feito «pela mão desajeitada dum jovem camponês» e colocado em frente à sua casa lhe dá a vã ilusão de nada ter mudado


Publicada agora na Assírio & Alvim, com tradução a partir do alemão, notas e introdução de Álvaro Gonçalves, esta edição abarca uma cronologia da vida e obra de Joseph Roth, bem como uma carta do autor a Gustav Kiepenheuer, o seu editor alemão.


 


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UMA INSPIRAÇÃO FOLK - Aoife O’Donovan vem de uma família irlandesa que emigrou para os Estados Unidos e cresceu a ouvir canções do seu país, muitas delas com uma clara inspiração celta. O’Donovan recorda-se que o seu pai, além da música irlandesa, ouvia discos de nomes como Joni Mitchell ou Suzanne Vega. Depois de estudar música no New England Conservatory, Aoife O’Donovan cantou com uma banda folk, os  Crooked Still, e foi co-fundadora de um trio feminino, I’m With Her. Agora com 39 anos, ela tem trabalhado com numerosos músicos de diversos géneros, do folk ao jazz, passando pela pop, participando em muitas digressões como vocalista convidada.. O seu primeiro disco em nome individual foi gravado em 2010 e agora surge “Age Of Apathy”, o terceiro álbum a solo, uma colecção de canções envolventes, simultaneamente íntimas e desafiadoras, autobiográficas e metafísicas. Musicalmente a presença da herança folk é muito grande, mas O’Donovan não hesita em surpreender com melodias inesperadas ou súbitas mudanças de ritmo. Neste disco ela foi buscar para a produção Joe Henry, que já assinou trabalhos de nomes como Bonnie Raitt, Joan Baez, Bettye LaVette, Elvis Costello e Allen Toussaint. Gravado ao longo de um ano, “Age of Apathy” é talvez o seu trabalho mais pessoal. As 11 canções deste disco, muitas onde se nota a influência de Joni Mitchell,  falam de viagens, de memórias de actuações, do sentimento experimentado em momentos marcantes da sua vida, da sua experiência durante as digressões com outros músicos, do papel que a música tem na sua vida. 


 


OUTRO FRANGO - Gosto muito de frango assado de churrasqueira e acho que proporciona uma boa base para cozinhados - desde salada a arrozes, passando por massa. E é de um frango assado desfiado com massa que vou falar. Num tabuleiro de ir ao forno, que aqueci previamente,  coloco uma meia dúzia de tomates cherry cortados em metades com folhas de espinafres frescos. Por cima ponho uma massa como o penne, que já cozi previamente, deixando-a ainda rija. Depois vai o frango desfiado e por cima uma chávena de chá de um molho feito com mostarda, azeite, tomate em pasta e um pouco da água da cozedura da massa. Mexa tudo muito bem mexido, tempere a gosto com sal e pimenta e no fim, por cima de tudo, deite uma camada generosa de mozarella aos pedaços. Vai ao forno até perceberem que o queijo derreteu e está a ficar tostado. Bom apetite.


 


DIXIT - “Quanto menos produtivos formos, menos actividade mantemos e atraímos, mais portugueses qualificados emigram e pior serão as condições de vida dos que restam” - António Nogueira Leite


 


BACK TO BASICS - “Não é de admirar que as pessoas desprezem a política quando, ano após ano, ouvem os políticos fazerem promessas que não se concretizam porque nem sequer são feitas com intenção de se executarem - são fantasias eleitorais para vencer eleições mas que não fazem os países prosperar “ - Bill Clinton