
O PAíS EM NÚMEROS - A Pordata, uma iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, recolhe, analisa e divulga indicadores fundamentais sobre o que se passa no país, a nível das autarquias, do Governo ou de diversas instituições. É um inestimável serviço público que ajuda a perceber melhor a situação em que estamos. Por exemplo: em 1960 éramos 8,9 milhões e em 2024 atingimos os 10,7 milhões a viver em Portugal. Em 1981 o país tinha 2,5 milhões de jovens e agora tem só cerca de 1,4 milhões. Em 1960 existiam 437 salas de cinema que foram frequentadas por 26,5 milhões de espectadores, enquanto em 2024 o número caíu para 204 salas de cinema que acolheram cerca de 12 milhões de espectadores. Em sentido contrário, na assistência a espectáculos, houve uma enorme evolução: em 1960 foram 1,84 milhões de pessoas que assistiram a espectáculos ao vivo e em 2024 o número pulou astronomicamente para 85,5 milhões - e os muitos festivais que decorrem em todo o país são os grandes responsáveis por este aumento. Em 1960 havia 7 mil médicos, hoje há 64 mil, em 1960 havia 9,5 mil enfermeiros e hoje existem 85,5 mil. Em 1960 a taxa de mortalidade infantil era de 77,5% e hoje em dia é de 3% Em 1960 havia 2000 advogados, hoje há 39.000 mas o número de processos pendentes nos tribunais duplicou no mesmo período. Em 1960 os casamentos não católicos representavam 9,2% do total, hoje representam 80%. Em 1960 existiam 63 mil pensionistas da Caixa Geral de Aposentações, agora há 662 mil. Ainda segundo a Pordata, Portugal está longe de ser o país com a maior percentagem de estrangeiros na população residente: com 9,6%, Portugal encontra-se em 12.º lugar, longe do Luxemburgo, onde cerca de 47,3% dos residentes são estrangeiros, a taxa mais elevada a nível da UE. Mas Portugal é o segundo país mais envelhecido da UE, apenas ultrapassado pela Itália: há 53 jovens por cada 100 idosos. Portugal é também o país da UE onde a população ativa é menos escolarizada. Quatro em cada 10 pessoas não têm ensino secundário em Portugal, muito acima de países como a Polónia ou a Lituânia, onde apenas uma pessoa em cada 10 não concluíu esse grau de ensino. Os números na sua crueza são um retrato do país que temos e do muito que ainda há a fazer.
SEMANADA - A carga fiscal dos residentes em Portugal voltou a agravar-se em 2025 e em média, cada português pagou 6728,73 euros em impostos no último ano, mais 352 euros do que em 2024 e mais 2310 euros face a 2016; as contribuições de emigrantes para a segurança social subiram 8,5 vezes em 11 anos; e no ano passado foram 4162 milhões; o ritmo de crescimento das receitas do turismo em 2025 foi o mais baixo desde a pandemia; um em cada dez novos alunos de licenciaturas interrompe os estudos ao fim de um ano e nos cursos técnicos essa percentagem sobe para 28%; desde o início de 2025 as autoridades registaram 19 denúncias de tentativa de violação por motoristas de TVDE’s; um estudo feito pela Universidade Católica do resultado das presidenciais indica que 65% dos votantes de Cotrim e 89% dos de Mendes votaram Seguro na segunda volta; desde as mais recentes autárquicas, em 2025, o Chega já perdeu sete vereadores que se desvincularam do partido; o número de pessoas em tratamento devido a dependência de drogas e de álcool atingiu o valor mais alto desde 2015; um estudo recente indica que 62% dos portugueses utilizam ferramentas de inteligência artificial e generativa, número que compara com a média europeia que é de 52%.
O ARCO DA VELHA - O Governo fez um ajuste directo para “aquisição de serviços de maquilhagem e cabeleireiro para os membros dos gabinetes ministeriais nas conferências de imprensa” que tem um custo anual de 11.520 euros, e que tem por objetivo “garantir a qualidade da imagem” de ministros e secretários de Estado.

NOVIDADES NO MAC - “May I Help You? Posso Ajudar?” é o título da nova exposição do MAC/CCB que apresenta obras de 90 artistas portugueses e estrangeiros da década de 70 em diante. As obras pertencem às coleções em depósito no MAC/CCB (Berardo, Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Holma/ Ellipse e Teixeira de Freitas), contando também com novas encomendas a artistas portugueses e ainda empréstimos de diversas entidades. Um eixo emblemático é “March” uma obra da dupla britânica Gilbert & George carregada de ironia - um grande painel em que os artistas se representam como operários da arte contemporânea (na imagem). Com curadoria de Nuria Enguita e Marta Mestre, a exposição está dividida em três eixos: Produções, Mudanças e Tramas. Na exposição são apresentadas obras de, entre outros, Gilbert & George, Ana Jotta, Gabriel Abrantes, Bruno Zhu, Donald Judd, Sol LeWitt, Bernd e Hilla Becher, Allan Sekula, Doris Salcedo, Franz West, Jeff Koons, João Marçal, Gabriel Orozco, Carla Filipe, Alberto Carneiro, Taysir Batniji, David Hammons, João Marçal, Matt Mullican, Júlia Ventura, Daniel Buren, Silvestre Pestana, Agnes Martin, Irma Blank, Claude Viallat, Sara Bichão, Wolfgang Tillmans, Louise Lawler ou Joseph Kosuth.

A partir de agora o MAC/CCB fica com duas exposições permanentes, a Deriva Atlântica, mais focada na arte moderna e esta May I Help You? complementando a abordagem à arte contemporânea. No dia da inauguração a pouco informada Ministra, que estava presente, foi confontada pela presença em grande número dos visitantes do autocolante "Ellipse 100% em Belém", numa referência à decisão de levar essa colecção para um depósito em Alcabideche.

ROTEIRO - Em Serralves a exposição “Afinidades Eletivas” apresenta até ao início do próximo ano 24 pinturas, desenhos, colagens, esculturas e obras têxteis de Juan Miró das décadas de 60 e 70 do século passado , em paralelo com 53 obras de artistas de várias nacionalidades como Helena Almeida, Michael Biberstein, Robert Morris (na imagem), Pedro Calapez, Luisa Cunha, António Júlio Duarte, Josep Guinovart, Ana Hatherly, Asger Jorn, Anselm Kiefer, Jannis Kounellis, Graça Pereira Coutinho, Júlio Pomar, Dieter Roth, Julião Sarmento, Thomas Schütte, António Sena, Ângelo de Sousa, ou Antoni Tàpies entre outros. A exposição é organizada pela Fundação de Serralves e tem a curadoria de Robert Lubar Messeri. E a feira de arte contemporânea ARCO Madrid decorre de 4 a 8 de Março com 206 galerias de 36 países que apresentam obras de cerca de 1300 artistas. Há 13 galerias portuguesas representadas.

UM LIVRO IMPERDÍVEL- Se tem fascínio pelo Oriente, em particular pelo Japão, não pode perder “Diários de Viagem e alguns poemas em prosa”, de Matsuo Bashô, escritos no século XVII. Matsuo Bashô foi um samurai errante, um “rònin”, para usar o termo original, que após a morte do seu mestre decidiu dedicar o resto da vida à poesia. Vagueou e mendigou pelo japão do século XVII descrevendo as suas viagens em diários, onde os poemas apareciam ao lado da descrição da natureza, amigos ou episódios circunstanciais. Estes escritos foram agora traduzidos pela primeira vez para português, de forma integral pela mão de Jorge Sousa Braga. O livro inclui ainda, para além de uma seleção de poemas em prosa, os mapas marcando o percurso trilhado pelo grande mestre japonês. Poeta e viajante, Matsuo Bashô nasceu em 1644 e morreu a 28 de novembro de 1694 e é considerado o poeta nacional do Japão. O livro inclui seis diários de viagem e três poemas em prosa, entre eles um delicioso “A Moradia Irreal”, escrito em 1690, em que o autor conta como, após ter viajado pelo norte do Japão, se afastou da cidade e agora contempla paisagens a partir de uma modesta cabana de colmo “Casa da montanha, descanso do viajante - chamem-lhe o que quiserem, não é lugar para armazenar muitas coisas. Um chapéu de casca de cipreste de Kiso, uma capa para a chuva de junco de Koshi - é tudo o que está pendurado por cima do meu travesseiro”. Delicioso. Edição Assirio& Alvim.

MESA DE CABECEIRA - Em “Uma Breve História do Universo” a cientista, Sarah Alam Malik leva-nos conhecer as grandes descobertas sobre o mundo que nos rodeia, de Aristóteles a Isaac Newton, passando por Copérnico. Como a autora afirma, “somos contadores de histórias em busca da maior história de todas, ainda que nela figuremos numa mera nota de rodapé. A nossa exploração do universo não consiste apenas num empreedimento científico de vanguarda, mas também na aventura espiritual de uma espécie repleta de questões impossíveis”(edição Casa das Letras). Outro livro em destaque é “O Que É A Filosofia”, baseado numa série de palestras que José Ortega Y Gasset proferiu no final dos anos 20 do século passado e que foi pela primeira vez editado em livro em 1957, já depois da morte do autor. Considerado o maior filósofo espanhol do século XX, Ortega Y Gasset foi também jornalista, político e ensaísta. As 11 lições agrupadas nesta obra tratam da articulação da história com a filosofia, do pragmatismo, da relação entre ciência e filosofia, dos dados do universo e da ligação de tudo isto com a religião. (edição Bertrand).

CANÇÕES DE PROTESTO - De repente, após anos de ausência de novo material, os U2 apresentam um EP com seis temas, muito marcados pela situação política global. Tal como Bruce Springsteen fez ao retomar recentemente a tradição das canções de protesto com o seu “Streets Of Minneapolis”, os U2 incluem em “Days Of Ashes” três temas que abordam mortes recentes, em conflitos e acções de protesto evocando as mortes da iraniana Sarina Esmailzadeh, do palestiniano Awad Hathaleen e da norte-americana Renee Nicole Good. “American Obituary”, a canção sobre os incidentes em Minneapolis, é dos temas mais duros e contundentes dos U2, onde a guitarra de Edge surge quase como uma arma de arremesso, com Bono a cantar “America will rise against the people of the lie … the power of the people is so much stronger than the people in power” . Noutro tema, “The Tears Of Things” Bono atira ao fundamentalismo religioso: “When people go around talking to God it always ends in tears.” O tema final , “Yours Eternally” conta com a colaboração de Ed Sheeran e Taras Topologia. Disponível em streaming.
ALMANAQUE - O museu londrino Victoria & Albert adquiriu o primeiro vídeo carregado no YouTube, intitulado "Me at the zoo", publicado a 23 de abril de 2005 pelo cofundador do YouTube, Jawed Karim e esse vídeo está agora em exibição na galeria “Design 1900–Now”, apresentada juntamente com uma reconstrução gráfica de uma página de YouTube dessa época.
DIXIT - “Para milhões de pessoas, Zelensky é o que vêem de mais próximo da figura de um herói contemporâneo, num mundo à míngua de heróis.” - Teresa de Sousa, no Público, sobre os quatro anos da invasão da Ucrânia pela Rússia.
BACK TO BASICS - “Toda a gente quer mudar o mundo, mas muito poucos pensam em mudar o seu próprio comportamento” - Lev Tolstoi
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS