agosto 16, 2008

Publicado no Jornal de Negódios de 14 de Agosto

PSD – Até posso compreender que Manuela Ferreira Leite se queira distanciar do folclore dos comícios de Chão da Lagoa ou do Pontal; o que já me custa a perceber é que se queira distanciar de qualquer forma de pronunciamento político e que tenha decidido fechar para férias – o site do PSD não é actualizado desde o fim de Julho. A política tem rituais, os partidos têm rituais e a política é feita com uma boa dose de razão e uma boa dose de emoção. Se um dos ingredientes falha, fica o cozinhado estragado.


 


EXEMPLO – Jorge Nunes é o Presidente da Câmara de Bragança, eleito pelo PSD. Nesta década investiu 22 milhões de euros em infraestruturas, equipamentos e actividades culturais. É provavelmente o maior investimento de uma autarquia na área da cultura. Pelo caminho estabeleceu parcerias (com Serralves, por exemplo) e pôs de pé um Teatro Municipal que tem uma taxa de ocupação de 75 % e que apresenta produções actuais e diversificadas. Não conheço Jorge Nunes, mas sei que um autarca que investe assim faz mais pela criatividade, pela capacidade de atracção de quadros e pelas condições de vida do seu concelho do que os que só sabem fazer rotundas e vias rápidas. Bragança tem também um Centro de Ciência que me dizem ser exemplar. António Costa bem podia pôr os olhos nesta estratégia e nesta forma de agir, em vez de reduzir Lisboa ao vil e apagado estado em que se encontra em matéria cultural.


 


OLÍMPICOS – A Eurosport está a dar dez a zero à RTP na qualidade dos comentários que acompanham as suas transmissões dos jogos olímpicos. A cerimónia da abertura dos jogos, via RTP, foi um exercício de preguiça e indigência mental dos respectivos comentadores. No canal Eurosport percebeu-se que os comentadores portugueses que estavam de serviço tinham feito o trabalho de casa e não abriam a boca apenas para ocupar espaço


 


DELICIOSO – As publicações Serrote editam objectos tipográficos que vão de cadernos a cartões, passando por livros. São edições especialíssimas cujos temas vão desde motivos minhotos a futebolísticos, passando pela caligrafia ou tecidos estampados, para além de uma magnífica série de cartões para diversas ocasiões. A meio caminho entre o recambolesco e o saudosista, as edições Serrote marcam um espaço de imaginação que é o ideal para uma prenda surpresa. Estes deliciosos objectos completamente portugueses são feitos com os cuidados da velha arte tipográfica e estão á venda nos Estados Unidos, na Coreis do Sul, na Alemanha, no Brasil, Espanha. Bélgica, Japão, Austrália, França e Finlândia. Por cá existem em várias cidades nas boas livrarias indicadas no site www.serrote.com .


 


BEIRA DA ESTRADA – No Verão gosto de parar nos restaurantes e snack bares de beira da estrada que tenham camiões e motocicletas paradas à porta. Quantos mais camiões e motocicletas, maior a probabilidade de se comer bem. Nestes restaurantes é frequente que a banda sonora do jantar tenha juras de amor em forma de canção, invariavelmente transmitidas pela Romântica FM, a rádio que mais toca nestes estabelecimentos. Nestes sítios não há pretensiosismo, apenas serviço simpático e amigável, boa matéria prima, abundância e qualidade de confecção. Tudo isto se encontra em «O Retiro do Gama», que se orgulha do peixe fresco, do choco frito (às vezes também há enguias para fritar…) das amêijoas, caracóis, salada de polvo e da doçaria de inspiração conventual feita na casa. O vinho a jarro é da região e acompanha bem. O «Retiro do Gama» fica ena rua principal de Cabanas, Quinta do Anjo, Palmela, e pode ser contactado pelo 965710693. Fecha às segundas e terças. 


 


LER – Philip Kerr é um escritor escocês de livros policiais, grande parte baseados em incidentes surgidos no pós II Grande Guerra. «The One From The Other» conta uma história com passagem pela Alemanha no início da reconstrução, pelos primórdios do Estado de Israel, e pela forma como os maus espíritos – americanos ou nazis – se podiam facilmente encontrar e entender nesses tempos. A escrita é descritiva, cinematográfica – não há-de ser por acaso que ele vendeu os direitos para cinema de cada um dos 14 livros que já escreveu. «The One From Another» começa em Berlim, em Setembro de 1937, mas é verdadeiramente em Munique, no ano de 1949, que a acção começa a ganhar forma. Eduição Quercus Fiction, 400 páginas, comprado na Amazon.


 


OUVIR – Terry Callier é um daqueles nomes meio esquecidos no meio do jazz norte-americano. Autor e intérprete, músico e cantor, Callier é um exemplo de grandes canções, com uma inspiração vinda dos blues, baseadas numa simplicidade tão grande como a sua beleza. No final dos anos 90 Callier foi redescoberto por alguns DJ's que passaram a integrar samples de gravações suas nas misturas que apresentavam. «Occasional Rain», o seu histórico disco de 1972, foi agora reeditado pela Verve numa colecção absolutamente fabulosoa, a que hei-de aqui voltar, a «Verve Originals». Amigo de infância de Curtis Mayfield, Callier tem voltado recentemente aos estúdios, como aconteceu este ano, ao lado dos Massive Attack. Se puderem descubram a força e o encanto das canções deste «Occasional Rain». CD Verve/ Universal.


 


GUERRA – O meu filho mais velho, que tem 19 anos e está de férias, telefonou-me a perguntar que guerra era esta, referindo-se à invasão da Geórgia pela Rússia. Que se responde a isto?


 


BACK TO BASICS – A guerra gosta de aparecer como um ladrão pela noite, Ambrose Bierce.

agosto 10, 2008

OLÍMPICOS

Quando quero ver transmissões dos Jogos Olímpicos, sempre que tenho possibilidade, escolho a Eurosport. Os comentários da RTP são muito piores e tipicamente quem está ao microfone não fez o trabalho de casa. Na Eurosport ao menos sente-se que se prepararam e que não falam apenas para encher o vazio.

SOARES, CORREIOS E OUTRAS ANOMALIAS NO MEIO DE FÉRIAS

QUEDA LIVRE – Há coisas que um ex-Presidente da República não tinha necessidade de fazer. O artigo de Mário Soares desta semana sobre a comunicação de Cavaco Silva é uma dessas coisas. Soares nunca aceitou a derrota nas urnas, acha-se de uma elite política superior às escolhas do voto e bem que podia remeter-se ao silêncio, quer neste caso, quer nos apoios a Hugo Chávez. E o remeter-se ao silêncio significava ter o bom senso de não fazer as patéticas «Conversas de Mário Soares» nem o lamentável «O Caminho Faz-se Caminhando», com Clara Ferreira Alves, ambos na RTP. Isto não é serviço público, é frete político (saudosista ainda por cima) – vai uma enorme diferença. 

 


 


EFEITOS DO CALOR – « Depois de ter proibido as massagens, o comandante da zona marítima do Algarve, Reis Águas, resolveu proibir a distribuição de maçãs nas praias algarvias por considerar que esta acção seria apenas pura publicidade. A Associação de Produtores de Maça de Alcobaça pretendia distribuir as maçãs gratuitamente, como o fez em 2007, nas praias entre Aveiro e Lisboa. O presidente da Associação de Produtores, Jorge Soares, defende-se, dizendo que o objectivo da acção era o de sensibilizar para os benefícios de comer maçãs. Algumas capitanias proibiram a distribuição deste fruto, alegando tratar-se de publicidade que sujaria as praias. O Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Manuel Carrageta, não consegue entender tal proibição. Esta acção, um projecto em parceria com a Comissão Europeia, e o ministério da agricultura, que tinha como objectivo combater a obesidade não vai poder acontecer, ao contrário do que tem acontecido noutros anos.» (à excepção do título, integralmente citado da minha fonte de notícias em férias, www.tsf.pt ).


 


SUGESTÃO – Que O Sr. Reis Águas se junte ao Sr. Nunes da ASAE e vão os dois de viagem para Marte – a coisa lá parece carecer de regulação…


 


CTT – Descobri esta semana que a minha correspondência andava a ser entregue há quase dois meses na casa de um vizinho, da mesma rua. O nome da casa é parecido, os nomes dos endereços não têm nada a ver. Na realidade os carteiros já não são o que eram, os CTT já nem cartas conseguem entregar aos seus destinatários. Não sei que formação dão aos carteiros, não sei se quando começam uma ronda nova lhes explicam onde ficam as ruas e as casas das ruas sem numeração, a verdade é que a situação me provocou vários prejuízos. E, agora pergunto eu, se os CTT não servem para entregar correio, para que servem afinal? Tenho impressão que os novos negócios dos velhos correios atingiram o «core business» da empresa… 

 


 


LER – Tenho um especial gosto por aquelas editoras que se dedicam a fazer livros que de outra maneira não iria apanhar. Entre elas está a Tinta da China (www.tintadachina.pt), que tem vindo a publicar uma deliciosa colecção de clássicos mal conhecidos, com cuidados na apresentação – capa dura, bom formato, bom papel. A minha leitura destes dias tem sido o delicioso «Dicionário do Diabo» de Ambrose Bierce, um jornalista norte-americano que fez fama com uma coluna num jornal do final do século XIX. Cujos excertos são aqui compilados. Ao contrário do que o título sugere, esta não é uma elegia a Belzebu, apenas um constatar de factos correntes, a maioria actualíssimos e justíssimos. Imperdível o prefácio de Pedro Mexia. 

 


 


OUVIR – Vladimir Horowitz deu o seu derradeiro recital público em Hamburgo, a 21 de Junho de 1987. Tocou Schubert, Schumann, Chopin, Liszt e Mozart. Tinha, nessa data, 83 anos. O recital foi gravado para a rádio NDR Kultur e a Deustche Grammophon fez agora a primeira edição desse registo, uma mostra da capacidade de interpretação e do génio de Horowitz, da sua enorma capac idade de comunicar através da música. CD «Horowitz in Hamburg – The Last Concert», edição disponível na FNAC. 

 


 


VER – Duas sugestões de fotografia, uma a sul e outra a norte. Comecemos pelo sul, Évora, no Palácio da Inquisição., a exposição «Antologia Experimental» de José Manuel Rodrigues, até 30 de Agosto. No Porto, em Serralves, David Goldblatt, um dos maiores nomes da fotografia contem porânea, até 12 de Outubro. Para aguçarem o apetite vejam o blog de Alexandre Pomar (http://alexandrepomar.typepad.com ), imprescindível para seguir fotografia em Portugal, e visitem www.davidgoldblatt.com .


 


DESCOBRIR – Se está de férias e quer descobrir o que se passa de relevante no mundo sugiro em vez de ver os seus emails no computador, visite alguns sites bem interessantes. Para saber as últimas da tecnologiia nada como o www.wired.com . Se quiser saber o que se passa no mundo a boa solução é www.time.com, e ainda pode espreitar as diversas edições da revista no planeta. Se quiser saber o que se passa em Portugal experimente os novos site da TSF, www.tsf.pt , ou então o nosso sempre estimável www.sapo.pt . Se quiser mesmo manter-se em dia sobre o estado da economia, já sabe: www.negocios.pt . 

 


 


 


 


PETISCAR – Setúbal é uma cidade conhecida pela qualidade do seu peixe. Se quiserem experimentar um restaurante onde a matéria prima é fresquíssima, os preços razoáveis, a garrafeira com bons vinhos da região, visitem o «Poço das Fontainhas» e peçam à D.Ana, sempre a circular entre as mesas, sugestões para o que hão-de comer, desde raia à moda do mar até aos salmonetes à setubalense. Vão ver que não se arrependem. Rua das Fontainhas 98, Setúbal, telef 265 534 807. 

 


 


BACK TO BASICS – A política é uma luta por interesses, disfarçada  de disputa por princípios – Ambrose Bierce. 

 

agosto 03, 2008

A ESQUINA DO RIO

(Publicado no «Jornal de Negócios» de 1 de Agosto)


 


PUFF! – As ruas de Lisboa cheiram mal, os passeios estão sujos, há sítios onde o branco da calçada é uma recordação. A coisa existe em várias áreas, não é só numa – e não se vêem lavagens de rua frequentes. Que se passa com a limpeza na cidade? Das avenidas novas ao Bairro Alto, passando pelo Martim Moniz, o cheiro nestes dias de calor é pestilento. 




INDECÊNCIA – O pequeno Largo do Chiado é dos melhores locais de Lisboa. Nestes dias de Verão, ao fim da tarde, é um corropio de estrangeiros, ouve-se falar todas as línguas, é engraçado ficar numa esplanada a ver o ambiente. Claro que tudo seria melhor se a esplanada estivesse limpa, mas infelizmente não é o caso. A «Brasileira» do Chiado, ao fim da tarde, é o exemplo do que não pode acontecer – já nem falo da degradação das mesas com a pintura toda estalada e geralmente sujas – basta ver o chão. Na zona concessionada da esplanada, ao fim da tarde, acumulam-se sujidades diversas, restos de embalagens, guardanapos de papel, bocados de pacotes de açúcar. Verdadeiramente não sei o que a Câmara anda à espera para pôr o local na ordem e obrigar os concessionários a manter bem limpa e digna a esplanada melhor colocada de Lisboa, protegida pela sombra de Fernando Pessoa. 

 


 


ROMANCE – Muito curiosa a troca de piropos entre João Cravinho e Alberto Martins, ambos destacados socialistas, a propósito da legislação de combate à corrupção. Cravinho, já se sabe, acha que o assunto não está a ser tratado com o rigor devido. E Alberto Martins acusou o toque. Pelo meio ficaram acusações que nem a oposição se lembra de insinuar. Deve ser uma forma de exprimir a fraternidade socialista, suponho. 

 


 


FUTEBOL – No caso da RTP e do Futebol quem tem que explicar o que quer é o representante do accionista Estado, ou seja o Ministro Santos Silva. Convém que esclareça se o accionista Estado, em vésperas de permitir a abertura de um terceiro canal privado, pretende reforçar a competitividade comercial do operador de serviço público. Aqui a única pessoa com responsabilidades é quem dá orientações, ou seja, o accionista. 

 


 


CHINA – Nestes dias todas as revistas trazem fotografias de Pequim, da nova Pequim, em vésperas do início dos Jogos Olímpicos. Estive lá em 1990, um ano depois dos incidentes de Tiananmen, e quando olho para as fotografias actuais das grandes avenidas nem acredito na transformação acontecida em menos de duas décadas. Arquitectura impressionante, soluções de engenharia inovadoras, uma dimensão enorme, uma cidade completamente transformada, uma sociedade em constante mutação.  

 


 


ESQUISITO – O Ministro da Cultura demitiu o Director do Teatro Nacional D. Maria II sem ter tido uma única conversa com ele sobre o seu trabalho. Ninguém questiona o direito de o Ministro escolher a sua equipa e de não ter que viver com as escolhas da sua antecessora, mas não parece curial, sobretudo nesta área, que se evite o frente a frente e que se assine uma exoneração sem se ter dito ao interessado, olhos nos olhos, que iria ser demitido. Como todos os intervenientes nesta história são crescidinhos, resta pensar que existe alguma coisa escondida em toda esta novela. É do interesse público saber o que se passou e não promover jogos da cabra cega. 

 


 


VER – Merece uma visita a exposição de fotografias de João Silva, um fotojornalista português que trabalha no «The Star» de Joanesburgo. Intitulada «Pesadelo», a exposição agrupa imagens do Iraque, do Afeganistão, do Líbano, do Malawi, da África do Sul, do Gana e do Quénia. Pode ser vista na Galeria do «Diário de Notícias», Avenida da Liberdade 266. 

 


 


LER – A mais recente edição da «Vanity Fair» tem reportagens fascinantes sobre as razões do colapso do Banco Bear Sterns e sobre a história dos conflitos entre os herdeiros de Agnelli e, sobretudo, um exemplo de jornalismo investigativo nos bastidores da campanha de Hillary Clinton, sobre as razões que levaram à sua derrota. Mas melhor que tudo é o editorial do director da revista, Graydon Carter, que – sem papas na língua – revela que Bill Clinton andou a denegrir o autor de um anterior artigo da revista sobre as suas actividades pós-presidenciais. Sempre achei que uma revista como a «Vanity Fair» fazia falta por cá. E que fazem falta mais editores como Graydon Carter. 

 


 


OUVIR  - Nas comemorações dos 50 anos da Bossa Nova vale a pena encomendar da Amazon  (já que por cá não existe) a colectânea «The Antonio Carlos Jobim Songbook», uma edição da Verve feita em 1995 para homenagear Jobim aquando da sua morte. Para além da «Garota de Ipanema» por Stan Getz e João Gilberto com o próprio Jobim, o CD inclui versões de Sarah Vaughan («Corcovado»), Wes Montgomery («Insensatez»), Billy Eckstine («Felicidade»), Ella Fitzgerald («Desafinado»), Óscar Peterson («Wave») e Dizzy Gillespie («Chega de Saudade»).  

 


 


COMER – Picanhas há muitas, mas começa a ser raro encontrar uma que seja tenra, bem cortada e grelhada na brasa como deve ser, sem ficar passada e transformada num bocado de sola de sapato. Um novo restaurante em Campolide, ambiente simples e familiar, oferece uma boa alternativa. «O Assador» é especialista em grelhados de peixe e carne, tem serviço simpático e boa matéria prima. O vinho da casa, da região de Aveiras, acompanha bem os grelhados, o preço no fim da refeição é uma boa surpresa –a par da qualidade do bolo de bolacha sugerido para sobremesa. Fumadores autorizados. O Assador, Rua de Campolide 165 A, Tel 21309870783.


 

 


BACK TO BASICS – A Paz, na política internacional, consiste num período de vigarices, entre dois períodos de conflito, Ambrose Bierce. 

 


 

agosto 01, 2008

PÚBLICO COM NOVO SUPLEMENTO DE HUMOR

Notícia:


O jornal diário «Público» lançou hoje um novo suplemento de humor, a encapar o «Inimigo Público», inteiramente dedicado à cidade de Lisboa.


Com quatro páginas e muita quadricormia, o novo suplemento mostra um olhar bem humorado e cáustico sobre a gestão autárquica da capital, incluindo várias declarações de personalidades de diversas origens.


O referido suplemento não indica a periodicidade nem a autoria, embora se admita que pode provir de uma recente reunião que juntou o publicitário Pedro Bidarra com o advogado Ricardo Sá Fernandes e o humorista José Sá Fernandes.

julho 31, 2008

A INFO PROPAGANDA

Com a devida vénia, cito o Zero de Conduta:


Publicidade enganosa


Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.


 


Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido.  A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida  em Portugal sob  licença da Intel, uma história bem distinta da  habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.


 


Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishfull tinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.


 


A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.

 


PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel. 


 

julho 29, 2008

(Publicado no Jornal de Negócios de 25 de Julho)

PREOCUPANTE – A Entidade Reguladora da Comunicação decidiu esta semana obrigar um jornal, o «Semanário Económico», a republicar um esclarecimento que já tinha publicado há meses, mas desta feita acompanhado por uma fotografia que o reclamante anexara para ilustrar a sua rectificação e que o jornal, com razão, à época entendeu extravasar a reclamação e não ser relevante. A coisa pode parecer um acto menor, mas na verdade é a demonstração dos abusos que um organismo, como a ERC, pode cometer: de regulador quer passar a ser editor, a interferir em critérios editoriais, a dizer como se pagina uma notícia. Daqui à censura é apenas um pequeno passo. A ERC está a começar claramente a precisar de alguém que vigie a sua actuação – com este caso provou-se que os seus membros têm comportamentos de risco para a liberdade de imprensa. 

 


 


UM PAÌS ARQUIVADO - Já repararam como quase todos os casos complicados da justiça portuguesa acabam arquivados ou julgados de forma inconclusiva? Já repararam como as investigações sistematicamente não descobrem nem conseguem provas? O «caso Maddie» foi o pretexto para centenas de notícias sobre Portugal publicadas na imprensa mundial no ano passado. O arquivamento do caso e o reconhecimento da falência da investigação deu a imagem de um país que não é capaz de fazer justiça. Mais, o arquivamento é a cabal demonstração de que, à falta de provas, a Judiciária constituíu arguidos apenas para mostrar serviço. 

 


 


 


 


 


VER – Ao princípio parecem imagens do tempo das capas dos discos dos Yes. Há alguma coisa entre o místico e o psicadélico na origem dos quadros do artista norte-americano que assina sob o nome Mars-1. Mas para além das primeiras aparências, há uma recorrente influência do imaginário da ficção científica, das ilustrações tipificadas de extra-terrestres em banda desenhada. Na realidade arrisco dizer que por aqui passa a reinvenção da pop art , agora localizada no espaço, entre planetas e naves – é aliás daí que vem o nome Mars 1, originalmente uma estação interplanetária soviética lançada em direcção a Marte em 1 de Novembro de 1962, e que nunca chegou ao seu destino. O verdadeiro nome do artista é Mario Martinez, nascido no Colorado e a trabalhar e expor regularmente em S.Francisco.  Até dia 31 deste mês podem descobrir alguns dos seus trabalhos na VPF Cream art gallery, Rua da Boavista 84, 2º, em Lisboa (de segaunda  sábado entre as 14h00 e as 19h30).


 

 


OUVIR – O Esbjorn Svensson Trio afirmou-se como uma das mais interessantes formações de jazz da Europa no decurso dos últimos anos. O seu líder e mentor, o pianista Esbjorn Svensson, morreu há poucas semanas, num acidente de mergulho, e o seu legado pode bem ser descoberto e compreendido no duplo CD gravado ao vivo em Hamburgo, num concerto ali realizado em 22 de Outubro de 2006. Editado no ano seguinte, o disco foi considerado como a melhor demonstração da capacidade musical e da criatividade do trio sueco, que além de Svensson, inclui Dan Berglund no baixo e Magnus Ostrom na bateria, uma secção rítmica verdadeiramente irresistível. A energia do grupo é envolvente, a qualidade da gravação e da mistura são exemplares e na realidade, tudo junto, cria um dos melhores registos ao vivo do jazz contemporâneo que me foi dado ouvir. EST Live In Hamburg, edição ACT, distribuição Dargil. 

 


 


LER – De entre as mais recentes revistas publicadas em Portugal vale a pena destacar a Neo 2. O leque dos temas abordados vai da música ao design, passando pela moda e a arquitectura. Editada bimestralmente, a Neo 2 vai no seu oitavo número. A edição de Junho/Julho tem 148 páginas cheio de boas ideias, bom grafismo e muita descoberta. Se quando comecei o jornal Blitz, em Novembro de 2004, tivesse podido fazer uma revista, desejaria que o resultado – ressalvadas as diferenças de época – não fosse muito diferente. E por isso mesmo é com especial alegria que olho para a Neo 2 e vejo ali a diferença e a ousadia que são tão raras nos novos projectos da imprensa portuguesa contemporânea.


 


 


PETISCAR – Se gostam de um peixe bem fresco e bem assado, podem rumar a Sesimbra e experimentar o Âncora, um restaurante pequeno e simpático que fica na Rua dos Pescadores, por detrás do Hotel Sana (antigo Espadarte), a meio das escadinhas, meio esplanada, meio sala de jantar. Ali há o que é raro: matéria prima de primeira, serviço simpático, preço razoável. Mais: o responsável pela mesa teve cuidado na escolha do peixe, para o tamanho não ser demasiado grande e não quis abusar da factura. Nesta estreia foi partilhada uma dourada, fresquíssima e no ponto certo da grelha, acompanhada por umas inesperadas mas deliciosas couves cozidas, a que se juntaram cenouras, feijão verde e salada. Há muito tempo que não comia peixe tão simples e tão bem apresentado. Rua dos Pescadores 26, 21 223 54 40. 

 


 


BACK TO BASICS I – Se tivesse um martelo não estaria aqui a ver televisão, ditado popular. 

 


 


BACK TO BASICS II – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (na última semana Sócrates manteve amenas relações com Kadafi e Hugo Chavez). 

 

julho 23, 2008

O MUNDO É DOS TIRANOS

(publicado no diário  Meia Hora de 23 de Julho)

 


Se há coisa que estes últimos meses mostram é que o mundo passou a ser controlado pelos tiranos. Conjugando regimes onde a democracia é pouco mais que uma figura de retórica, baseados sobre fontes de energia natural de grande dimensão, muitos dos senhores do antigo terceiro mundo são agora verdadeiramente os donos do universo.


Ditam o preço do petróleo, trucidam as economias mais frágeis, atiçam a crise, fazem operações internacionais de bolsa que os tornam proprietários de grandes companhias do antigo primeiro mundo, impõem-se um pouco por todo o lado, fazem o que querem, como querem, quando querem. A sua arrogância é total, extravasa as suas fronteiras. Ditam condições, trocam negócios por apoios políticos que legitimem os seus regimes e forma de actuar.


Hoje, uma dessas figuras está de visita a Lisboa, Hugo Chavez, que nas últimas eleições no seu país usou como imagem de propaganda uma imagem sua ao lado de José Sócrates. Imagino que este périplo europeu que está a efectuar seja uma sucessão de «photo-opportunities» para uso em posteriores acções de propaganda.


Escudados na necessidade de obter vantagens económicas ou minorar os efeitos da crise onde se deixaram enredar, líderes europeus recebem (ou visitam) estas figuras, ignorando o que eles são na realidade, submetendo-se à sua chantagem, verdadeiramente aceitando fazer negócios com o Diabo.


Dentro das suas fronteiras a União Europeia exige o cumprimento de regras claras sobre os direitos do homem e o funcionamento da democracia – mas os auto-proclamados grandes defensores da Europa não se importa de fomentar regimes onde nada disso se aplica. O namoro do actual Primeiro Ministro português a figuras desta índole, as mais das vezes conotadas com uma esquerda que há muito se tornou mais reaccionária que qualquer direita europeia, é um facto que nos deve envergonhar. Não é um feito diplomático, é um ajoelhar perante tiranos – a semana passada Kadafi, esta semana Chavez.


Esta atitude, em matéria de política externa, conduz ao esvaziamento de valores fundamentais, coloca os princípios em segundo plano e, na prática, acaba por dar razão a todos os que defendem um princípio de actuação baseado num único lema: os fins justificam os meios. Não penso que seja uma boa forma de um país ser governado. A permissividade e o contorcionismo diplomático têm limites que Sócrates há muito ultrapassou. 

 

julho 21, 2008

(Publicado no Jornal de Negócios do dia 18 de Julho)

 


JUSTIÇA - O retrato da justiça é dado por uma notícia de jornal: «Assaltaram um Tribunal para levar caixa Multibanco». Foi em Loures. Não vale a pena dizer mais nada. Vão ver «Tropa de Elite» do brasileiro José Padilha (vencedor do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim) e comecem a entender como o crime e a polícia andam de mãos dadas. E não é só no Brasil.


 


POLÍCIA - Gonçalo Amaral, o primeiro responsável pela investigação do caso Maddie publicou um livro sobre o assunto. O seu comportamento ao longo da investigação é um manual do que não fazer quando se é polícia e se tem que ter uma relação com a opinião pública. O livro mostra que não aprendeu. O título, talvez auto-crítico, é «A Verdade da Mentira». Mas o livro tem uma grande vantagem: nem bom polícia, nem bom escritor. Passemos adiante.


 


TRETA - Passámos anos a dizer que era no mar que estava o nosso futuro, fizeram-se colóquios, organismos, estudos, investimentos, todos os sucessivos governos encheram a boca com o mar e o nosso destino de povo de marinheiros. Factos: desde o início de 2000 o sector da pesca em Portugal perdeu oito mil profissionais e 2113 barcos. Não vale a pena dizer mais nada sobre as maravilhas vindas da política comunitária e da subserviência dos nossos governos a Bruxelas.


 


TRAGÉDIA - O que se está a passar em redor da Direcção do Teatro Nacional D. Maria é um exemplo do que não pode acontecer: escolhem-se e discutem-se pessoas sem antes se definirem e apresentarem políticas. Isto é a fulanização da acção – o que em território público é sempre perigoso. É uma política de gosto, criticável num Ministério da Cultura. A anterior mexida na Direcção do D. Maria já tinha sido um sinal de que os projectos valem pouco. Para além de nem o Ministro ter a coragem de aparecer a explicar o que se passa, a realidade é que não há projecto conhecido mas há cabeça de cartaz auto-anunciada. O Teatro Nacional é protagonista de um romance de cordel, que qualquer dia dá em tragédia.


 


LISBOA - Uma edição recente da revista «Time» dedicava uma página inteira ao novo Museu do Oriente, sublinhando que a herança cultural da presença de Portugal na Ásia tinha finalmente encontrado um local para ser vista. Há poucos dias o «New York Times» elogiava Lisboa como destino interessante e animado e a revista «Monocle», já aqui citada, incluía-a entre as mais interessantes 25 cidades do mundo para se viver. Tudo isto não nasceu do nada – foi um somar de esforços de abertura e organização de espaços, de convites a jornalistas estrangeiros, de articulação de programação ao longo do ano. Lisboa ficou na moda no culminar de um processo que demorou quase duas dezenas de anos a fazer-se. O pior é que agora muito do que contribuiu para esta notoriedade sai da cidade ou extingue-se por completo. Nunca houve uma vereação na Câmara Municipal de Lisboa tão insensível à actividade cultural da cidade como esta. Daqui a uns anos vão estar a perguntar-se como é que Lisboa saiu de moda de repente. Depois talvez possam olhar para a Fundação Saramago, arbitrariamente mandada instalar pela vereação na Casa dos Bicos, e perceber porque o politicamente correcto nem sempre é o politicamente necessário.


 


LER – Na sempre indispensável revista «Wired» descubro um artigo que devia ser oferecido a todos os profetas da desgraça que se revoltam com o acordo ortográfico, essa tropa de velhos do Restelo que prefere ver a língua definhar pura, do que ser falada e escrita viva. Vou só fazer uma citação: «Graças à globalização, à vitória dos aliados na II Grande Guerra e ao predomínio norte-americano em ciência e tecnologia, o inglês tornou-se um idioma tão cheio de êxito que escapou às fronteiras do que os seus naturais acham que devia ser. Em 2020 aqueles que têm no inglês a língua mãe representarão apenas 15 por cento dos dois mil milhões de pessoas que utilizarão o idioma». O artigo está na «Wired» de Julho, acessível na net, e chama-se «Anyone here speaks Chinglish?». Pensem nisto, estudem o caso português, apliquem à realidade.


 


OUVIR – Um belo disco para estes dias: o maestro Claudio Abbado compilou as marchas e danças de que mais gosta – de Beethoven a Prokofiev – e reuniu-as num disco. Escolheu as melhores gravações que fez ao longo de 30 anos para a Deutsch Grammophon com intérpretes de excelência e, desde as contradanças de Mozart à «Radetzky March» de Strauss, pela «Marcha dos Contabandistas», da «Carmen» de Bizet, juntou tudo em «Marce & Danze». Fantástico.


 


PETISCAR – Bom peixe, em cima do mar, serviço simpático e português, dona da casa atenciosa e presente, preços sensatos, enfim tudo aquilo que faz a boa tradição da restauração nacional. Voltei lá esta semana e não me arrependi de jantar na esplanada, numa bela noite de verão, em cima da Boca do Inferno, com uma boa lista que inclui peixe fresquíssimo e mariscos. Uma sugestão segura é a travessa do mar, que traz robalo, dourada e gambas, tudo grelhado, acompanhado de batatas a murro. Além disso pode encontrar uns filetes de pescada com arroz de marisco ou, para os mais audazes, uma cabeça de cherne. A lista de mariscos encontra-se bem preenchida, com destaque para as famosas bruxas de cascais. A casa é comandada por D. Lurdes Tirano, encerra às quartas e está aberta entre as 12h30 e as 23h00. O telefone é o 214832218.


 


BACK TO BASICS – Toda a cooperação entre os seres humanos é baseada em primeiro lugar na confiança recíproca e só acessoriamente em instituições como os tribunais e a polícia, Albert Einstein

julho 17, 2008

LISBOA, UM ANO PERDIDO

(publicado no diário Meia Hora de 17 de Julho)

 


António Costa é Presidente da Câmara Municipal de Lisboa há um ano. Na sua campanha eleitoral prometeu mundos e fundos. Ao fim destes primeiros doze meses não se vê obra feita – nem na reestruturação de serviços, nem no saneamento financeiro, nem na vida quotidiana da cidade.


Lisboa vive num clima de cortes de despesa, que se começa a sentir no estado das ruas, na limpeza dos jardins e espaços públicos. As juntas de freguesia são desprezadas, são-lhes retiradas condições para poderem cumprir projectos e até passos importantes de anteriores executivos – como a reabilitação de Monsanto – começam a dar sinais de regressão.


Na frente cultural o desastre é total. Não há estratégia nem plano, tudo se resume a umas manifestações folclórico-propagandísticas que ocupam a Praça do Comércio aos Domingos, dificultando o trânsito e a vida normal dos lisboetas.


Organismos culturais independentes estão a entrar em crise – como os Artistas Unidos – e uma boa parte das iniciativas que marcavam Lisboa encontraram asilo em Oeiras e Cascais. Por estes dias duas prestigiadas publicações internacionais – a revista «Monocle» e o diário «New York Times» apontavam Lisboa como uma cidade a seguir – isto não nasceu de repente, foi o resultado de um trabalho de vários anos, de uma programação diversificada e internacional, da criação de pólos de atracção – quase todos destruídos - desde a Moda Lisboa até à Lisboa Photo, passando pelo Africa Festival.


A cidade vive da fama ganha nos últimos anos e daquilo que ainda consegue sobreviver. Por este andar, quando este ciclo político terminar, arriscamo-nos a ter o deserto e Lisboa será, mais uma vez, um destino ignorado. É uma pena, agora que o trabalho anterior começava a dar frutos, que tudo esteja a ser desmembrado.


Para mim é um mistério como se deixa que as coisas se degradem na área cultural ao ponto em que estão – e que na vereação municipal isto seja assunto de que não se fala. Preocupados com as suas sinecuras político-partidárias os vereadores – da maioria e da oposição – mostram em relação às políticas de desenvolvimento cultural e criativo da cidade um desprezo que mostra a sua falta de estrutura enquanto cidadãos. Da esquerda à direita é lamentável, simplesmente lamentável. 

 

julho 14, 2008

Lisboa na moda

Apesar das malfeitorias dos sucessivos autarcas, a cidade


 


resiste:


 


http://travel.nytimes.com/2008/07/13/travel/13Lisbon.html?8td&emc=tda1


 


 

Publicado no Jornal de Negócios de 11 de Julho

MAU - Um desespero, a discoteca da FNAC no Chiado. Cada vez tem menos coisas, cada vez é mais difícil encontrar discos, sente-se falta de reposições, quando se quer não se encontram empregados para consultarem o sistema informático e dizerem se existe o que se pretende. No aniversário da Bossa Nova, esta semana, terça à noite, não existia um único João Gilberto e não sabiam quando viria. Nos livros a desarrumação persiste – fiquei por exemplo a saber que o portuguesíssimo João Pereira Coutinho é um autor brasileiro – pelo menos está nessa prateleira. Resultado, cheguei a casa e encomendei os discos que queria na Amazon, onde encontrei o que pretendia sem dificuldade. Acho que foi a única vez que saí da FNAC sem gastar um cêntimo. E tão cedo não volto lá. 

 


 


IRRITANTE - Amigos meus, que gostam de praia, contam-me uma história alucinante – por causa das novas regras dos parques de estacionamento acabaram os bilhetes de dia inteiro ou meio dia nos parques das praias. Contaram-me que a ASAE terá exigido que os parques da praia de S. João (na Costa da Caparica), deixassem o sistema antigo e passassem à taxação ao minuto. O resultado é que ao fim de semana há filas imensas, chega a demorar-se três quartos de hora a sair, tem havido cenas de quase violência, cancelas forçadas e má disposição geral no fim de um dia que devia ser de descontracção. Pior – as longas filas com carro a trabalhar contribuem para a poluição, fazem gastar combustível, enfim tudo o que se devia procurar evitar. Ele há leis absurdas quando aplicadas cegamente, não há? 

 


 


DESNECESSÁRIO - Estava esta semana no Aeroporto de Lisboa, na zona das chegadas, e dei com um belo quiosque da ANA que ao lado tem um cartaz sobre o museu da empresa, mostrando uma fotografia de Fidel Castro a sair de Lisboa no dia 17 de Maio de 2001. A fotografia é absolutamente anódina – não se percebe onde foi tirada, podia ser aqui ou noutro local qualquer. É irrelevante do ponto de vista documental e fotográfico. E no entanto é esta a imagem que é oferecida pela ANA a quem chega (ou a quem espera quem chega). Aguardo ansiosamente que ao lado sejam colocadas fotografias de Hugo Chávez , talvez abraçado a Mário Soares ou a José Sócrates. 

 


 


LER – Sabiam que há portugueses envolvidos na história do faroeste norte-americano? Pois há e vale a pena conhecer como fizeram parte da construção da lenda.  Dois autores norte-americanos, Donald Warrin e Geofrrey Gomes, ambos professores em universidades da Califórnia, o último de evidente ascendência lusitana, têm investigado a presença de portugueses na América.  Logo a abrir o livro, os autores citam Frederick Jackson Turner: « O verdadeiro ponto de vista da história desta nação não é a costa atlântica, é o imenso oeste». Neste livro há índios, comércio de peles, a corrida ao ouro, a contrução de linhas férreas ou a criação de gado, todos presentes em histórias protagonizadas por portugueses, muitas ligadas à  caça à baleia, actividade que trouxe a maioria dos imigrantes portugueses para a costa do Pacífico. Vale a pena destacar o excelente prefácio de Joel Neto (um dos melhores jornalistas da sua geração), que chama a atenção para a maneira como os portugueses sempre preferiram viver em comunidades fechadas, nunca se envolveram na política nem em actos cívicos relevantes, seja na Igreja ou no sindicalismo, ao contrário de irlandeses e italianos. O individualismo e a competitividade, sublinha Joel Neto, reinaram sempre – e talvez aqui, digo eu, se possa explicar muito do nosso triste fado e o enorme desalento que varre o país. Não percam este «Os Portugueses No Faroeste, Terra A Perder De Vista», de Donald Warrin e Geoffrey Gomes, edição Bertrand, 450 pgs. 

 


 


OUVIR – Confesso que uma das minhas primeiras paixões musicais foi música antiga inglesa tocada em guitarra clássica (ou guitarra espanhola como os britânicos lhe chamam). Ao longo da minha vida, ainda nos tempos do vinil, apanhei alguns discos de um intérprete lendário, Julian Bream, um autêntico menino prodígio que começou a tocar em público aos 12 anos. Especializou-se em guitarra clássica e alaúde e, especialmente, num dos grandes compositores ingleses da época Isabelina, John Dowland. Mais tarde interpretou também repertório de Bach escrito para o instrumento e foi em torno das suas interpretações destes dois compositores que ganhou fama em finais da década de 50, tinha então pouco mais de 25 anos de idade. A Deutsche Grammophon pegou agora nas gravações originais da época, tratou-as digitalmente e editou um precioso álbum em que Julian Bream interpreta precisamente Dowland e Bach. Se não conhecem, nem imaginam o que estão a perder; se gostam da sonoridade da guitarra clássica e de música antiga, nem hesitem. («Julian Bream plays Downland and Bach», duplo CD Deustsche Grammophon) 

 


 


IR – Amanhã, sábado dia 12, o quarteto de Branford Marsalis toca na Cidadela de Cascais, integrado no XXVII Estoril Jazz, um clássico que vem pela mão de Duarte Mendonça. Hoje mesmo, sexta-feira, é a vez do quarteto de Bobby Hutcherson. Para quem gosta de outras músicas, o Optimus Alive no Passeio Marítimo de Algés, uma produção dirigida por Álvaro Covões, que oferece  hoje  Bob Dylan e Nouvelle Vague e amanhã Neil Young e Ben Harper, entre muitos outros – trata-se, de longe, do melhor cartaz de todos os festivais de Verão – uma boa lição de qualidade para a miséria de elenco que tem sido o Rock in Rio em Lisboa. 

 


 


BACK TO BASICS – Quando o pessoal não sabe dançar, diz-se que a sala está torta, anónimo. 

 

julho 10, 2008

O CINEMA NA CIDADE

(Publicado no diário Meia Hora de 9 de Julho)

 


A Câmara Municipal de Lisboa anunciou recentemente a intenção de constituir uma Film Commission, como instrumento auxiliar da captação de produções audiovisuais para a cidade. É uma boa iniciativa, que pretende dotar Lisboa de um organismo que fomente o investimento estrangeiro nesta área. Aqui ao lado, em Espanha, há Film Commissions em Barcelona, Madrid, Valência e Sevilha, e Londres e Paris são outras cidades europeias com grande actividade nesta área.


Há, essencialmente, três aspectos da actuação de uma Film Commission, que se desenvolvem em planos diferentes: em primeiro lugar elaborar um guia de filmagens, com imagens de locais naturais, monumentos, etc, indicação de serviços técnicos e de produção disponíveis localmente, um guia de profissionais portugueses em regime de «free-lance» e um levantamento de tudo o que pode ajudar à actividade; em segundo lugar uma entidade que tenha capacidade de receber, analisar e despachar os pedidos de filmagem, que seja ágil e dê resposta em tempo útil e evite uma peregrinação a dez entidades diferentes; e, finalmente, a obtenção de um regime fiscal que torne competitivo a um estrangeiro vir produzir a Portugal.


Esta é a parte mais delicada de toda a questão: hoje em dia não chega ter muitas horas de sol, lindos cenários naturais e profissionais bem preparados para conquistar produções internacionais, sejam de publicidade, sejam de televisão ou de cinema. Com o IVA à taxa que temos, perdemos logo directamente em competição com a Espanha. Com a dificuldade de reembolso do IVA em algumas produções internacionais, perdemos em relação aos outros países (e Film Commissions) que obtiveram incentivos e regimes especiais que atraem o investimento estrangeiro. Convém aqui recordar que uma produção internacional investe dinheiro directamente no sector e consome (muito) em toda a cadeia turística – hotéis, restaurantes, rent a car, etc.


A Câmara Municipal de Lisboa faria bem em se aconselhar com os profissionais do sector, faria bem em articular os seus esforços com a iniciativa de construção de uma Cidade do Cinema, no Barreiro, por iniciativa de Carlos Matos, um português que tem forte actividade na área do cinema nos Estados Unidos. E faria bem em estudar os bons exemplos no estrangeiro e não se limitar a fazer uma espécie de simplex para o audiovisual.  

 

julho 07, 2008

Publicado no Jornal de Negócios de 4 de Julho

PÉSSIMO – Caso se confirme o arquivamento do caso Maddie essa é uma péssima notícia para a justiça portuguesa, um facto que mostra a total incapacidade da Polícia Judiciária em mais um caso de desaparecimento. A Judiciária está a criar a desagradável reputação de só conseguir provas à base de confissões em interrogatórios apertados. Quando pode apertar – talvez até abusar – obtém alguma declaração, mas mesmo aí não consegue encontrar uma prova, como aconteceu no caso de outro desaparecimento, no Algarve, de uma menina chamada Joana. Era interessante pegar em casos semelhantes – desaparecimentos de menores – ocorridos em Portugal nos últimos 20 anos – e analisar quais os solucionados, com provas descobertas pela Judiciária. Cada vez mais se gera a sensação de que a Judiciária é incapaz de investigar crimes violentos. Será ineficácia, falta de preparação, medo, ou pura e simplesmento desprezo pelas vítimas? 

 


 


MAU – Nos últimos três anos, por esta altura, realizava-se em Lisboa o África Festival, que pretendia afirmar a cidade como uma plataforma de encontro entre a cultura portuguesa e expressões culturais africanas, com destaque para as dos países de expressão portuguesa. Concertos, exposições e ciclos de cinema realizaram-se nos últimos três anos. O Festival, que se estava a implantar (com boa repercussão na imprensa estrangeira), e desempenhava um importante papel na estratégia de posicionamento cultural de Lisboa a nível internacional, desapareceu pela habitual razão, falta de verbas. Mas na folha de gastos, e nos balanços anuais, a triste realidade é que foi substituído pelas animações folclóricas de Domingo na Praça do Comércio. Se juntarmos os custos desses Domingos aos da exposição laudatória do génio do putativo candidato a sucessor do Marquês de Pombal  – estou a falar do vereador Manuel Salgado – de certeza que o Africa Festival era mais barato, tinha mais público e mais resultados em termos internacionais. Questão de prioridades, de políticas e de vaidades… 

 


 


 


BOM – A Meo passou em meados de Junho o objectivo dos 100.000 clientes, que estava previsto para Dezembro próximo. E nos últimos 12 dias desse mês conseguiu mais 17.000 novos clientes, uma média de 1400 novos clientes por dia. Zeinal Bava tem razões para se mostrar satisfeito com esta primeira grande batalha da sua nova PT. 

 


 


OUVIR – Passo os dias a ouvir o novo disco dos Coldplay, canções magníficas, ambientes sonoros (produzidos por Brian Eno), verdadeiramente exemplares. A generalidade da crítica considera o novo «Viva La Vida, Death And All His Friends» o melhor álbum da banda ,  inspirado pela obra de Frida Kahlo, diz Chris Martin o vocalista. As boas vendas obtidas pelo disco provam o estatuto que os Coldplay atingiram ,mas são também um sinal de como estratégias de marketing musical alternativas podem funcionar num mercado em crise. Downloadas gratuitos de uma canção, dois singles diferentes enviados às rádios e concertos gratuitos em grandes cidades são responsáveis pelo êxito, que inclui cerca de um terço do total de vendas feitos sob a forma de downloadas pagos na Internet. Para além do negócio, a verdade é que «Viva La Vida» é uma grande canção e que este é um magnífico álbum.  

 


 


PROVAR – Se querem saber o que é um presente saboroso e inesquecível, experimentem umas magníficas caixas de seis embalagens de conservas do fabricante «La Gôndola», um conserveiro tradicional da vila de Perafita, próxima de Matosinhos. No delicioso presente que recebi tinha polvo de caldeirada, sardinhas em tomate e azeite, ovas de bacalhau (um petisco!!!), sardinhas pequenas em azeite, sardinhas em escabeche e lulas de caldeirada. Tudo delicioso. Em Lisboa as caixas oferta podem ser encontradas no Gourmet do Jumbo das Amoreiras. 

 


 


 


 


PETISCAR – O que pode fazer o sucesso de um restaurante? – Boa comida, estacionamento fácil bom serviço, boa vista, simpatia e bom ambiente. Pois é isto mesmo que se encontra no «Spianata», um restaurante com inspiração italiana, situado na Travessa de Santa Quitéria 38, por cima de um supermercado e de um parque de estacionamento, mesmo ao pé da Av. Pedro Álvares Cabral. O dono da casa tem tradição – esteve há muitos anos no La Trattoria e depois foi um dos fundadores do Mezzaluna. Voltou agora às lides com este Spianata. Massas honestas, pizza de massa muito fina e crocante, garrafeira comedida e a preço decente. Para além de tudo o mais, o restaurante dispõe de uma grande esplanada com uma vista fantástica de Lisboa, muito simpática nestas noites de Verão. Ao almoço há um buffet despretencioso. A relação qualidade- preço devia ser um exemplo para muita gente. Telefone 213881892. 

 


 


LER – Poucos livros me deram tanto prazer nos últimos tempos como uma imaginativa edição de «The Bob Dylan Scarpbook: 1956-1966». Devo esclarecer que este não é um livro no sentido clássico, é um objecto de evocação de memória, de reconstituição de uma época ( a da fase inicial da carreira de Bob Dylan). Para quem seja devoto de Dylan – como eu confesso que sou – isto é mesmo uma delícia. O livro reúne textos de Robert Santelli e agrupa reproduções dos manuscritos de letras de canções como «Talking New York» ou «Blowin In The Wind», reproduções de documentos pessoais, fotografias, bilhetes e cartazes de concerto, memorabilia diversa, tudo paginado com um grafismo inventivo. O livro inclui ainda um CD com gravações de entrevistas dessa época. À venda na FNAC. 

 


 


Back To Basics – Não podemos regular a inovação -  senso comum não aplicado por alguns reguladores nacionais.

LISBOA, OS SEUS MUSEUS E O PAVILHÃO DE PORTUGAL

Publicado no diário Meia Hora de 2 de Julho

 


 


Por estes dias o Museu Colecção Berardo assinalou um ano de vida com 24 horas de festa. Este é um daqueles assuntos sobre os quais tenho sentimentos divididos.


Vamos primeiro ao lado positivo – o Museu tem muitos visitantes e, para além da Colecção Berardo, tem existido uma programação diversificada e de qualidade, melhor até do que seria expectável.


Lado negativo – o CCB perdeu a diversidade que tinha e a coerência de programação multidisciplinar ao perder o Centro de Exposições, que desapareceu. E, do lado negativo, está também a forma como o negócio foi montado entre o Estado e Berardo.


Mas, já que o Estado quis assegurar a Colecção Berardo e garantir a existência do respectivo Museu a qualquer preço, já que se dispôs a entregar uma parte de um edifício público, mais valia que tivesse feito o mesmo num local que estava calhado para albergar esta colecção e este Museu, o Pavilhão de Portugal.


Na última semana o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa veio a público constatar a evidência – o Pavilhão de Portugal está desaproveitado, a forma como tem sido utilizado degrada o edifício e evidentemente isto é lamentável. António Costa propõe-se resolver a situação – e isso é uma boa ideia.


Como nunca é tarde para corrigir e melhorar, proponho aqui que a colecção e o Museu Berardo lá sejam instalados – o acordo com o Estado mantém-se, a utilização de um espaço público idem e restitui-se o Pavilhão de Portugal à sua natural vocação expositiva, ao mesmo tempo que o CCB recupera uma área que lhe é preciosa para a programação.


Permito-me acrescentar um outro argumento: Lisboa é um destino turístico de «short-breaks» - férias curtas de fim de semana. Faz sentido ter um pólo cultural e de entretenimento a ocidente da cidade e outro a oriente – o perfeito para uma estada de dois dias.


Na zona ocidental estão a Torre de Belém e os Jerónimos, o Museu (actual ou futuro) dos Coches e o CCB, para além das muitas esplanadas ribeirinhas. No lado oriental, ao Museu do Azulejo, ao Casino de Lisboa e Oceanário, poder-se-ia adicionar o Museu Berardo no Pavilhão de Portugal. Lisboa ganharia em oferta, em dispersão de actividades, em acessibilidades aos equipamentos.


Nunca é tarde para melhorar as coisas, pois não? 

 

junho 29, 2008

A ARTE DE NADA FAZER

(Publicado no diário Meia Hora de 25 de Junho)

 


Uma das especialidades da acção política é conseguir parecer que se faz muito, sem nada fazer de facto. Por exemplo José Sócrates e António Costa, um no país e outro em Lisboa, são mestres desse enredo. Falam, falam, prometem, prometem, inauguram, inauguram, mas depois vai-se a ver o que mudou e a coisa é bem pouca.


Dentro do mesmo género, mas menos elaborados, são por exemplo Mário Lino no Governo e Manuel Salgado em Lisboa. Os projectos que Mário Lino empenhadamente defende já se percebeu que não avançam, da mesma forma que Manuel Salgado gasta mais energias e recursos em exposições e no encerramento do Terreiro do Paço aos Domingos, que propriamente na reforma dos serviços de urbanismo e em medidas de recuperação da cidade.


Depois, há todo um outro género, que é o que vive de fazer o menos possível de acção política nas respectivas áreas, não se vá dar o caso de alguma coisa poder acontecer – é o que se passa com a Cultura, no país e em Lisboa (e no Porto também, mas isso é um caso de terrorismo do respectivo edil). No Palácio da Ajuda, onde fica o Ministério da Cultura, basta visitar o respectivo site da Internet para se perceber a ausência de definição de políticas, estratégias, prioridades ou reformas e nota-se que a acção mais pública do respectivo titular foi a inauguração de um museu dedicado aos comboios, que nem sequer está debaixo da sua tutela. Da mesma forma, a Vereadora da Cultura de Lisboa prima pela inexistência de qualquer actividade que não seja acabar com iniciativas que existiam e não se lhe conhece um pensamento sobre como tornar Lisboa uma cidade que acolha e promova a criatividade.


Poder-se-ia dizer que é falta de capacidade de comunicação. Não creio, é inacção. É não querer aparecer a tomar medidas, é não estar convicto do que se faz, é evitar tomar posição. Em política, cada vez mais, o que está a dar é não fazer nada, dizer o menos possível, esconder projectos, evitar concretizar.


A actual retórica política destina-se a afastar os cidadãos do debate, procura  fechar o círculo da participação cívica, esforça-se por reduzir o número de protagonistas. O processo político em Portugal é cada vez mais autista, cada vez menos interessado no que fica para o futuro. Não é de estranhar que Portugal seja o mais pessismista dos 27 países da moribunda União Europeia. 

 

(publicado no Jornal de Negócios de 27 de Junho)

POIS… – A capa da revista «The Economist» desta semana era a imagem de uma ave, caída, morta, de patas para o ar, com a bandeira europeia desenhada no ventre, trespassada por uma flecha, sob o título «O Futuro da União Europeia – Agora enterrem-na!». Lá dentro o artigo começava assim: «Os eleitores atiraram mais uma seta direita ao coração do tratado da União Europeia. Desta vez foram os Irlandeses a votar não ao tratado de Lisboa no passado dia 12, por 53-47% numa votação concorrida. Eles seguem-se aos Franceses e aos Holandeses, que rejeitaram em 2005 o predecessor do tratado de Lisboa, a constituição da EU. Já em 2001 os irlandeses haviam recusado o tratado de Nice, mas na realidade foram os Dinamarqueses a iniciar este jogo quando votaram contra o tratado de Maastricht em 1992». E o mesmo artigo termina assim: «Os eleitores disseram por três vezes não a esta caldeirada confusa. Vai sendo tempo de respeitar a sua opinião». Se pudesse oferecia exemplares da revista a Sócrates, a Durão Barroso, a Cavaco Silva e aos seus seguidores no coro que reivindica a ratificação do tratado de Lisboa a todo o custo.


 


LISBOA – A edição de Julho/Agosto da imprescindível revista «Monocle» traz a sua selecção das 25 melhores cidades do mundo para viver. Lisboa entra na lista, conseguindo o 24º lugar, elogiada pela animação, os cafés, o sol, o clima, a paisagem, as praias próximas e pela vida nocturna. Ou seja, a cidade tem sobrevivido à incúria, ao desleixo, até à falta de uma estratégia de inovação e criatividade. A única conclusão é que nem o mau governo da cidade consegue eliminar as suas vantagens naturais. Imaginem que a cidade era bem governada – devia ser fantástico. Num brilhante artigo publicado na mesma edição da revista, Richard Florida propõe que o conceito de qualidade de vida seja alterado pelo de qualidade do lugar, assente em três avaliações: o que lá existe (seja natural ou construído), quem lá está (as pessoas) e o que lá se passa ( o que as pessoas fazem, a sua relação com o ambiente natural e com o espaço construído).  

 


 


 


 


MUNDO – A revista «Wired» fez 15 anos e publica uma edição especial onde mostra as previsões em que acertou e aquelas em que falhou. Dedicada ao mundo digital desde 1993, a «Wired» foi pioneira na divulgação de tecnologias, novas culturas, novas formas de expressão e criatividade, novos aparelhos e tendências. O seu slogan é «Ideas With Impact» - nada podia ser mais simples e verdadeiro. O seu site (www.wired.com) tornou-se um local de referência, para mim de consulta diária. 

 


 


MÚSICA – Duas reedições extraordinárias da editora Riverside, a partir de gravações e edições originais de finais dos anos 50, dois discos excepcionais de Bill Evans. Em 1958 Bill Evans no piano, Sam Jones no baixo e Philly Joe Jones na bateria gravavam os temas que haviam de integrar o álbum «Everybody Digs Bill Evans», o segundo álbum do pianista, com uma capa invulgar, feita de citações elogiosas a Evans, assinadas por Miles Davis, George Shearing, Ahmad Jamal e Cannonball Adderley. Um ano mais tarde, e já depois de ter participado na gravação de «Kind Of Blue» de Miles Davis, Bill Evans voltou ao estúdio com um novo trio – a seu lado estavam agora Scott Lafaro no baixo e Paul Motian na bateria. Destas sessões resultou o álbum «Portrait In Jazz», uma pequena obra prima de criatividade e frescura na abordagem de temas clássicos do jazz, além de uma revelação nos caminhos que Evans trilhava na composição. Estes dois álbuns foram remasterizados digitalmente para 24 bits e estão agora disponíveis graças a uma série de reedições da Riverside/Universal. 

 


 


VER – O fotógrafo britânico Martin Parr ganhou o prémio Photo España 2008, pelo seu percurso profissional e influência na fotografia contemporânea. É uma boa notícia porque Parr é um fotojornalista, da prestigiada agência Magnum, e não apenas um observador académico e diletante a cruzar texturas com formas. As suas fotografias são cáusticas, de ângulos inesperados, críticas, mordazes muitas vezes, irónicas com frequência. Podem ter uma bela ideia da sua obra (que inclui livros e filmes além da fotografia) no seu site www.martinparr.com . Que bom é ver um prémio de fotografia bem atribuído. 

 


 


PROVAR – Por detrás do Hotel Tivoli, da Avenida da Liberdade, fica o Hotel Tivoli-Jardim. É um hotel mais pequeno, um pouco mais modesto, mas de qualidade, que sempre teve no rés do chão um restaurante simpático, de que aliás aqui falei há tempos. Agora o Hotel decidiu concessionar o espaço a um dos mais activos chefes e restauradores da nova geração portuguesa – Olivier. A decoração foi mexida para tornar o local mais moderno e o Olivier Avenida propõe uma lista que inclui surpresas como os mini-hamburguers com foie gras fresco e cebola caramelizada em vinho do porto ou uma bela salada de vieiras. O serviço é simpático, a lista é variada, o ambiente é bom e o preço não é exagerado. Um bom local no centro de Lisboa , telefone 213174105. 

 

 


BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, o melhor seria mandar mudar as fechaduras - Doug Larson. 

 

junho 23, 2008

Publicado no Jornal de Negócios do dia 20 de Junho

CELEBRAR – Gosto muito de cerveja Guinness. Tem um corpo e um travo únicos, fruto de uma receita original. Criada em meados do século XVIII na Irlanda, a Guinness é daqueles produtos diferentes e com um método de fabrico inusitado ( a suavidade vem do facto de  a gaseificação ser criada com nitrogénio, além do habitual dióxido de carbono), por cima de uma preparação e mistura única dos cereais – tratados - que são fermentados. A Guinness é um produto da diversidade, para ser saboreada. Esta semana brindei várias vezes ao NÃO irlandês com cerveja Guinness. Brindei pelo direito ao voto, pelo direito ao referendo e pelo direito à diferença. Eu gosto dos irlandeses, mais do que dos franceses e dos alemães. E acho que nos devíamos entender mais com os irlandeses do que com países que têm pouco a ver connosco. Resta dizer que, acima de tudo, apreciei a independência dos eleitores irlandeses – não cederam à chantagem dos financiamentos comunitários.


 


 


EUROPA – Se há coisa que o processo do Tratado de Lisboa prova é que a Europa, tal como está, gosta pouco de votos e tem uma noção muito estranha de democracia: nesta Europa, pelos vistos, uma votação só serve se puder ser repetida até sair o resultado desejado. Se a moda pega, a coisa vai ser curiosa – imaginem esta ideia nas mãos de Sarkozy, Berlusconi ou dos gémeos polacos... Mas o pior de todos os argumentos é aquele que pretende opôr as centenas de milhões de cidadãos de vários Estados que não fizeram referendo, aos poucos milhões de Irlandeses que tiveram a coragem de, votando, dizer não a um modelo centralista. Tivesse havido referendo em mais Estados, outro galo cantaria. Houvesse mais democracia e a Europa talvez pudesse ser um ideal simpático, em vez de um poço de burocracias. Portugal, como pequeno país periférico, faria bem em ouvir os argumentos do NÃO irlandês, em vez de aceitar as falácias dos grandes países que mandam em Bruxelas. Já repararam como o «não» da França há uns anos foi tratado com simpatia e desvelo (e obrigou a repetir todo o processo) e o «não» irlandês é tratado com insultos e desprezo? Esta diferença é a matriz do poder burocrata da Europa. E é isso que muitos, como eu, não desejam que aconteça. Devia ter tido a coragem de ir a votos sobre esta matéria senhor Sócrates, em vez da cobardia de se refugiar no Parlamento. 

 


 


LER – Esse belíssimo objecto editorial que é a revista «Egoísta» fez mais um número especial, desta vez dedicado aos 120 anos de Fernando Pessoa. Para além das palavras do poeta, destaco algumas ilustrações – nomeadamente as baseadas em fotografias de Cláudio Garrudo e desenhos de Rodrigo Saias. Destaque também para as reproduções de páginas de volumes anotados da biblioteca do próprio Pessoa com algumas imagens inéditas. Belos textos de Hélia Correia, Teresa Rita Lopes e António Tabuchi (mais previsível, mas enfim…). Mas o melhor de tudo é o ensaio sobre Fernando Pessoa e as suas ligações a contemporâneos como Walt Whitman e Oscar Wilde, trazido pelo seu tradutor Richard Zenith – que também propõe uma revisitação de quatro textos de Wilde, traduzidos por Pessoa e que Zenith transcreveu e anotou. De longe esta é a melhor parte desta edição e só por si vale a pena guardá-la. Não havia era necessidade de um desajeitado texto de Inês Pedrosa, a ensaiar uma réplica a um texto do próprio Pessoa – há dias em que a ausência da noção de ridículo mata mesmo.  

 


 


OUVIR – A britânica Minnie Driver tornou-se sobretudo conhecida como actriz de cinema, mas ao longo dos últimos anos desenvolveu uma carreira musical paralela. Neste seu segundo disco as canções são todas da sua autoria, a maioria baladas com um toque de blues. A atmosfera é inesperada, as canções são ricas, os arranjos são precisos e discretos, a voz é envolvente – permitam-me destacar a faixa «Love Is Love». No disco colaboram nomes como Ryan Adams (dos Cardinals), na guitarra em «Beloved», a grande Liz Phair que faz coros em «Sorry Baby» e Rami Jaffee (dos Wallflowers) Minnie Driver, presenças de Liz Phair, Rami Jaffee dos Wallflowers em «London Skies». Belas canções tem este «Seastories» de Minnie Driver, uma edição Decca. 

 


 


 


 


SABOREAR– Confesso que sou mais partidário dos chefes que trabalham com base na tradição culinária portuguesa do que dos seguidores de modelos importados. Por isso mesmo uma casa onde volto sempre com gosto é ao «Nobre», que ao longo dos últimos anos tem tido várias vicissitudes mas que, agora, estabilizou bem no Montijo, mesmo à saída da Ponte Vasco da Gama. Num espaço amplo, com um serviço impecável (que falta em tanto sítio…), Justa Nobre continua a mostrar como é possível manter a qualidade, introduzindo pequenas e bem achadas inovações, nomeadamente na forma de trabalhar o peixe. A comandar as operações, como sempre, está o seu marido José Nobre. Avenida de Olivença, junto à praça de touros do Montijo, telefone 212317511. 

 


 


BACK TO BASICS «Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.  

O primeiro passo passou para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança - mais, de certeza, nessa regeneração.» - Fernando Pessoa, em «Teoria e Prática do Comércio».
 

 


ONDE ESTÁ O ZÉ?

(Publicado no diário «Meia Hora» do dia 18 de Junho) 

 


Nas últimas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa o Bloco de Esquerda fez campanha com o slogan «O Zé Faz Falta», para defender a eleição de José Sá Fernandes. O objectivo foi cumprido e o tal Zé foi eleito.


Vamos aqui fazer um pequeno exercício de memória: nas vereações anteriores, de que não fez parte, o Dr. Zé teve uma persistente e constante atitude de batalha jurídica contra as decisões dos então responsáveis, quer no caso do elevador para o Castelo de S. Jorge no tempo de João Soares, quer no caso do Túnel do Marquês no tempo de Santana Lopes e, mais tarde, sobre o Parque Mayer,  no tempo de Carmona Rodrigues. Em todos os casos argumentou com o interesse público e esgrimiu providências cautelares e denúncias avulsas, para impedir políticas, atrasar obras, causar prejuízos variados (o caso do Túnel do Marquês é o mais flagrante e os milhões de custos suplementares que as suas diatribes causaram deviam ser objecto de atribuição de responsabilidades).


Pois eis que agora o Senhor Vereador Zé resolveu permitir o abuso do espaço público, o incómodo dos munícipes, a diminuição dos seus direitos de movimento dentro da cidade onde pagam impostos – estou a falar do aberrante caso da cedência de uma praça no centro da cidade para uma operação privada  (o lançamento de um carro) que durante cerca de duas dezenas de dias vai prejudicar a vida de todos os que habitam ou normalmente frequentam a Praça das Flores.


Não está aqui em causa a acção em si – os responsáveis de marketing da Skoda tiveram uma ideia original e aproveitaram a fraqueza e complacência da Câmara para a porem em prática. Merecem palmas.  O que está em causa é que o Sr. Zé, dantes, nunca via vantagens nem benefícios naquilo que os outros propunham, e agora só vê vantagens e receitas na perturbação da vida dos lisboetas. Na verdade, o que fazia falta, neste caso, era alguém que tivesse interposto uma providência cautelar à ocupação da Praça das Flores, apoiada pelo tal Zé, que, vê-se agora, não era preciso para nada.


A hipocrisia é o pão nosso dos políticos, mas o tal Zé abusa. E, já agora, em todo este assunto estranha-se o diáfano silêncio do Senhor Presidente da Câmara. Quem cala, consente. Ao menos ficamos a saber do que a casa gasta. 

 

junho 16, 2008

(Publicado no «Jornal de Negócios» de 12 de Junho)

ASAE I – Gostava de saber em que vão ficar as dúvidas sobre a constitucionalidade da ASAE, levantadas por alguns distintos Constitucionalistas. A quem cabe promover o esclarecimento das dúvidas? Irá o Presidente da República averiguar o que se passa? Irá o Tribunal Constitucional ter a ousdadia de agir? 

 


 


ASAE II – O inconfundível senhor Nunes, produto acabado do que pode acontecer num Governo de maioria absoluta, continua a fazer das suas: agora a responsável da ASAE no Norte foi levada a abandonar o cargo, por coincidência depois de ter criticado a forma como a ASAE por vezes actua. A ASAE não só actua de forma descricionária (e vamos ver se inconstitucional…), como não tolera discussões nem críticas. O senhor Nunes está cada vez mais parecido com um déspota muito mal iluminado. 

 


 


CRISE I – Primeiro a Europa combateu a produção agrícola nos países periféricos para satisfazer a Alemanha e a França, depois condicionou a pesca para satisfazer os países do Norte. A crise que hoje vivemos é fruto de décadas de políticas erradas dos responsáveis europeus, é fruto da obsessão pela construção de um mega-estado capaz de bater pé a americanos e russos, custasse o que custasse. O custo, vê-se agora, é altíssimo. A guerra fria continua, só que agora as armas são os sempre escalantes juros do Euribor , o preço do petróleo, o estrangulamento das especificidades nacionais. Eu não sou europeísta, eu sou contra o tratado de Lisboa, e tenho muita pena de ser obrigado a aceitá-lo por um Governo que despreza a auscultação da vontade dos seus cidadãos. 

 


 


 


 


 


CRISE II – Os juros do crédito à  habitação subiram a níveis históricos, o preço dos bens de consumo essenciais sobe como nunca nos anos mais recentes, a inflação dispara, o Estado perde receitas fiscais cada dia que passa porque em Espanha as coisas são mais baratas e quem pode vai lá abastecer-se. E é em nome da necessidade da receita fiscal que essa receita vai diminuindo, porque o  consumo está a retrair-se. É em nome da estabilização do deficit que a classe média é sufocada pelo peso do Estado. Nada disto é lógico, nada disto é produtivo, nada disto faz sentido. Vivemos num reino de faz de conta. 

 


 


 


PAÍS – Este país irrita-me, irrita-me muito. No mesmo dia em que a taxa do Euribor passa os 5%, nos restaurantes, à hora do almoço, só se ouve falar de futebol. Todos os jornais têm páginas e páginas sobre o circo do Euro. O ruído do futebol contrasta com o silêncio apurado de Sócrates, encolhido a esperar que a crise seja arredada pelo esférico rolando sobre os relvados da Suiça e Áustria.  

 


 


RESTAURANTES – A Avenida da Liberdade está de repente a ganhar uma enorme vida em matéria de restaurantes. Entre o Zeno e o Ad Lib, aparecem novas propostas. A Brasserie Flo, no Hotel Tivoli, é já um êxito e decididamente o almoço mais empresarial de Lisboa, depois de décadas de prevalência da Varanda do Ritz. Um pouco atrás, no Tivoli Jardim, está o Olivier Avenida, que vai dando que falar E agora o Terraço do Tivoli está para abrir pela mão de Luís Baena. Este é o movimento que me levanta mais dúvidas, nunca comi bem na Quinta de Catralvos, numa me senti lá bem porque o serviço era péssimo. Para mim, Luís Baena é daqueles chefes que se refugia na tecnologia – um dos grandes chefes espanhóis, Santi Santamaría, denunciou há poucos dias o abuso de químicos e aditivos para compor os pratos e preconizou o regresso à pureza das boas matérias primas locais. Até prova em contrário acho que Luís Baena tem mais ego que talento e, absolutamente, tem uma imperdoável falta de atenção ao serviço. Espero que se corrija a tempo de não estragar mais um restaurante. 

 


 


LER – A propósito disto de restaurantes, recomendo vivamente a leitura de «A Ferver – Aventuras e desventuras de um cozinheiro amador», pelo jornalista e escritor americano Bill Buford, o homem que refundou e criou a revista «Granta», célebre publicação dedicada à literatura. Este livro de Buford, nascido em 1954, é como um deliciosa sucessão entre reportagens e short-stories, todas dedicadas à cozinha – desde as peripécias como aprendiz de cozinha num restaura italiano célebre, até à aprendizagem das  massas  frescas italianas, passando pelas dificuldades em aprender a nobre arte dos talhantes. Mais do que isso, quase em cada página encontra-se um conselho, uma sugestão, um truque. Nunca a palavra DELÍCIA se aplicou tão bem a um livro como a este. 

 


 


OUVIR – Na Ópera contemporânea existe uma dupla mágica: Anna Netrebko e Rolando Villazón. Juntos cantaram «La Traviata» em Munique, depois «Roméo et Juliette» em Los Angeles, «Lélisir d’amore» em Viena, «Manon» de novo em Los Angeles. Finalmente, em 2006, interpretaram juntos «La Bohème», primeiro em São Petersburgo e depois em Nova Iorque e finalmente, em 2007, em Munique, onde a ópera foi gravada, quer para disco, quer numa versão de Cinema e noutra de televisão. É a gravação áudio dessa apresentação, com a Orquestra Sinfónica da Rádio da Bavária, dirigida por Bertrand de Billy, que agora é editada pela Deutsche Grammophon, Netrebko é Mimi e Villazón é o poeta Rodolfo. O resultado merece ser descoberto. 

 


 


BACK TO BASICS – «A minha mãe teve algumas dificuldades comigo, mas no fundo acho que gostou de as resolver» - Mark Twain.