junho 29, 2008

(publicado no Jornal de Negócios de 27 de Junho)

POIS… – A capa da revista «The Economist» desta semana era a imagem de uma ave, caída, morta, de patas para o ar, com a bandeira europeia desenhada no ventre, trespassada por uma flecha, sob o título «O Futuro da União Europeia – Agora enterrem-na!». Lá dentro o artigo começava assim: «Os eleitores atiraram mais uma seta direita ao coração do tratado da União Europeia. Desta vez foram os Irlandeses a votar não ao tratado de Lisboa no passado dia 12, por 53-47% numa votação concorrida. Eles seguem-se aos Franceses e aos Holandeses, que rejeitaram em 2005 o predecessor do tratado de Lisboa, a constituição da EU. Já em 2001 os irlandeses haviam recusado o tratado de Nice, mas na realidade foram os Dinamarqueses a iniciar este jogo quando votaram contra o tratado de Maastricht em 1992». E o mesmo artigo termina assim: «Os eleitores disseram por três vezes não a esta caldeirada confusa. Vai sendo tempo de respeitar a sua opinião». Se pudesse oferecia exemplares da revista a Sócrates, a Durão Barroso, a Cavaco Silva e aos seus seguidores no coro que reivindica a ratificação do tratado de Lisboa a todo o custo.


 


LISBOA – A edição de Julho/Agosto da imprescindível revista «Monocle» traz a sua selecção das 25 melhores cidades do mundo para viver. Lisboa entra na lista, conseguindo o 24º lugar, elogiada pela animação, os cafés, o sol, o clima, a paisagem, as praias próximas e pela vida nocturna. Ou seja, a cidade tem sobrevivido à incúria, ao desleixo, até à falta de uma estratégia de inovação e criatividade. A única conclusão é que nem o mau governo da cidade consegue eliminar as suas vantagens naturais. Imaginem que a cidade era bem governada – devia ser fantástico. Num brilhante artigo publicado na mesma edição da revista, Richard Florida propõe que o conceito de qualidade de vida seja alterado pelo de qualidade do lugar, assente em três avaliações: o que lá existe (seja natural ou construído), quem lá está (as pessoas) e o que lá se passa ( o que as pessoas fazem, a sua relação com o ambiente natural e com o espaço construído).  

 


 


 


 


MUNDO – A revista «Wired» fez 15 anos e publica uma edição especial onde mostra as previsões em que acertou e aquelas em que falhou. Dedicada ao mundo digital desde 1993, a «Wired» foi pioneira na divulgação de tecnologias, novas culturas, novas formas de expressão e criatividade, novos aparelhos e tendências. O seu slogan é «Ideas With Impact» - nada podia ser mais simples e verdadeiro. O seu site (www.wired.com) tornou-se um local de referência, para mim de consulta diária. 

 


 


MÚSICA – Duas reedições extraordinárias da editora Riverside, a partir de gravações e edições originais de finais dos anos 50, dois discos excepcionais de Bill Evans. Em 1958 Bill Evans no piano, Sam Jones no baixo e Philly Joe Jones na bateria gravavam os temas que haviam de integrar o álbum «Everybody Digs Bill Evans», o segundo álbum do pianista, com uma capa invulgar, feita de citações elogiosas a Evans, assinadas por Miles Davis, George Shearing, Ahmad Jamal e Cannonball Adderley. Um ano mais tarde, e já depois de ter participado na gravação de «Kind Of Blue» de Miles Davis, Bill Evans voltou ao estúdio com um novo trio – a seu lado estavam agora Scott Lafaro no baixo e Paul Motian na bateria. Destas sessões resultou o álbum «Portrait In Jazz», uma pequena obra prima de criatividade e frescura na abordagem de temas clássicos do jazz, além de uma revelação nos caminhos que Evans trilhava na composição. Estes dois álbuns foram remasterizados digitalmente para 24 bits e estão agora disponíveis graças a uma série de reedições da Riverside/Universal. 

 


 


VER – O fotógrafo britânico Martin Parr ganhou o prémio Photo España 2008, pelo seu percurso profissional e influência na fotografia contemporânea. É uma boa notícia porque Parr é um fotojornalista, da prestigiada agência Magnum, e não apenas um observador académico e diletante a cruzar texturas com formas. As suas fotografias são cáusticas, de ângulos inesperados, críticas, mordazes muitas vezes, irónicas com frequência. Podem ter uma bela ideia da sua obra (que inclui livros e filmes além da fotografia) no seu site www.martinparr.com . Que bom é ver um prémio de fotografia bem atribuído. 

 


 


PROVAR – Por detrás do Hotel Tivoli, da Avenida da Liberdade, fica o Hotel Tivoli-Jardim. É um hotel mais pequeno, um pouco mais modesto, mas de qualidade, que sempre teve no rés do chão um restaurante simpático, de que aliás aqui falei há tempos. Agora o Hotel decidiu concessionar o espaço a um dos mais activos chefes e restauradores da nova geração portuguesa – Olivier. A decoração foi mexida para tornar o local mais moderno e o Olivier Avenida propõe uma lista que inclui surpresas como os mini-hamburguers com foie gras fresco e cebola caramelizada em vinho do porto ou uma bela salada de vieiras. O serviço é simpático, a lista é variada, o ambiente é bom e o preço não é exagerado. Um bom local no centro de Lisboa , telefone 213174105. 

 

 


BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, o melhor seria mandar mudar as fechaduras - Doug Larson.