julho 07, 2008

LISBOA, OS SEUS MUSEUS E O PAVILHÃO DE PORTUGAL

Publicado no diário Meia Hora de 2 de Julho

 


 


Por estes dias o Museu Colecção Berardo assinalou um ano de vida com 24 horas de festa. Este é um daqueles assuntos sobre os quais tenho sentimentos divididos.


Vamos primeiro ao lado positivo – o Museu tem muitos visitantes e, para além da Colecção Berardo, tem existido uma programação diversificada e de qualidade, melhor até do que seria expectável.


Lado negativo – o CCB perdeu a diversidade que tinha e a coerência de programação multidisciplinar ao perder o Centro de Exposições, que desapareceu. E, do lado negativo, está também a forma como o negócio foi montado entre o Estado e Berardo.


Mas, já que o Estado quis assegurar a Colecção Berardo e garantir a existência do respectivo Museu a qualquer preço, já que se dispôs a entregar uma parte de um edifício público, mais valia que tivesse feito o mesmo num local que estava calhado para albergar esta colecção e este Museu, o Pavilhão de Portugal.


Na última semana o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa veio a público constatar a evidência – o Pavilhão de Portugal está desaproveitado, a forma como tem sido utilizado degrada o edifício e evidentemente isto é lamentável. António Costa propõe-se resolver a situação – e isso é uma boa ideia.


Como nunca é tarde para corrigir e melhorar, proponho aqui que a colecção e o Museu Berardo lá sejam instalados – o acordo com o Estado mantém-se, a utilização de um espaço público idem e restitui-se o Pavilhão de Portugal à sua natural vocação expositiva, ao mesmo tempo que o CCB recupera uma área que lhe é preciosa para a programação.


Permito-me acrescentar um outro argumento: Lisboa é um destino turístico de «short-breaks» - férias curtas de fim de semana. Faz sentido ter um pólo cultural e de entretenimento a ocidente da cidade e outro a oriente – o perfeito para uma estada de dois dias.


Na zona ocidental estão a Torre de Belém e os Jerónimos, o Museu (actual ou futuro) dos Coches e o CCB, para além das muitas esplanadas ribeirinhas. No lado oriental, ao Museu do Azulejo, ao Casino de Lisboa e Oceanário, poder-se-ia adicionar o Museu Berardo no Pavilhão de Portugal. Lisboa ganharia em oferta, em dispersão de actividades, em acessibilidades aos equipamentos.


Nunca é tarde para melhorar as coisas, pois não?