janeiro 18, 2025

A LEI DO MENOR ESFORÇO

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Nos primeiros dias do ano, no meio das montanhas de papelão e de papel de embrulho que compõem os despojos do Natal, eis que no meio do passeio irrompe um aparelho de micro-ondas. Estará avariado? Quem o usava resolveu voltar ao fogão tradicional? Terá sido substituído por um air fryer? Ou será que explodiu quando alguém pôs uma lata de conservas lá dentro a aquecer?  Nunca saberemos. Mas sei que aquilo que se encontra de manhã nas ruas é um alimento para a imaginação e um mostruário de comportamentos. Porque será que quem se desfez do aparelho não o deixou num ponto de reciclagem? Por que razão alguém decide enfeitar a rua desta maneira? Vou à procura de informação e descubro que a rede Electrão já tem mais de 12 mil pontos de recolha de equipamentos eléctricos em Portugal. Entre janeiro e junho de 2024 a rede Electrão recolheu e enviou para reciclagem mais de 13 mil toneladas de equipamentos elétricos usados. O anterior dono deste micro-ondas não sabe que há pontos de recolha para estes aparelhos. Ou então, o que é muito provável, não quer saber e larga no meio da rua o que já não lhe serve. Bem vistas as coisas são muitos os que, na realidade, não se importam com o que fazem à rua onde vivem - no fundo é uma demonstração de que não se importam com os outros. Nos gestos diários de vida colectiva numa rua, num bairro, numa vila ou cidade há cada vez mais uma lei do menor esforço na forma como as pessoas se comportam. Se calhar algumas são as mesmas que se queixam de que as ruas andam sujas e olham de lado para os vizinhos.



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janeiro 17, 2025

SOBRE O CONTORCIONISMO E A AMNÉSIA COMO PRÁTICA POLÍTICA

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O COMBOIO DA POLÍTICA - Em circunstâncias normais saltar de um comboio em andamento é uma actividade perigosa. Mas no reino da política saltar de um veículo  em movimento é uma habilidade rentável. Passo a explicar: é muito frequente assistir a que algum partido ou político, depois de estar no poder bastante tempo, deixando desenvolver ou mesmo incentivando políticas com efeitos negativos, tenha uma amnésia total sobre as suas responsabilidades quando perde eleições e abandona o poder. Presumo ser frequente que ao saltar do comboio em andamento tenham batido com a cabeça nalgum sítio e perdido a memória. É por exemplo o que acontece com o PS na Câmara Municipal de Lisboa que, durante os anos em que através de Costa e Medina governou a cidade deixou crescer desordenadamente o alojamento local, impulsionou as circunstâncias que ditaram a especulação imobiliária e assim fez muita gente, dos mais velhos aos novos, abandonar Lisboa. Mais: permitiu que crescessem sem limite TVDE’s e TukTuks e atribuíu às juntas de freguesia responsabilidades na limpeza da cidade sem lhes dar os meios correspondentes para a execução da tarefa, acabando assim por causar problemas na recolha do lixo, criando uma imagem de cidade suja. Claro que agora o PS e os seus aliados de então, com destaque para o Bloco e o Livre, aparecem a criticar os efeitos daquilo em que estiveram envolvidos - o Bloco até teve um vereador que participou numa operação imobiliária especulativa. Outra curiosa ligação dos comboios com a política sucede quando algum partido ou político quer saltar para dentro de um comboio em movimento. É o que se verifica quando, no meio de uma onda de protestos ou reivindicações, resolvem assumir a defesa de causas que ignoraram durante os anos em que mandaram, apanhando agora a boleia de quem protesta. Este amor aos comboios, à amnésia e aos protestos vai ser engraçado de seguir ao longo de 2025 até à realização das autárquicas, lá mais para o fim do ano. Para já Carla Tavares, a nova presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS, definiu como prioridade do partido nas próximas autárquicas a habitação acessível, a mobilidade, segurança, transição climática e justiça social, áreas onde os problemas que existem nasceram, na maioria, durante a governação do PS na cidade (e no país nalguns casos). Alexandra Leitão, uma combativa especialista em amnésia selectiva e em contorcionismo político, como se tem visto no Parlamento, vai ser um osso duro de roer na campanha para Lisboa. Enganam-se os que pensam que a vida ficou mais fácil para Moedas.


 


SEMANADA - Mais de um quinto das mortes na estrada estão ligadas a excesso de álcool e são os condutores entre os 40 e os 49 anos que bebem mais; só na área de intervenção da PSP, os centros urbanos, verificaram-se no ano passado 58.434 acidentes rodoviários, dos quais resultaram 79 mortes, mais oito que em 2023; Alcácer do Sal é o concelho com maior número de acidentes com vítimas por mil habitantes; 216 peões morreram atropelados em 2022 e 2013 e nos primeiros seis meses de 2024 morreram mais 35;  mais de 11 mil condutores sem carta foram detidos no ano passado; os acidentes com tratores agrícolas provocaram pelo menos 52 vítimas mortais em 2024, mais 21 mortes do que as registadas no ano anterior e o distrito de Bragança foi o que registou mais acidentes fatais, com nove óbitos; o número de docentes do ensino superior com mais de 60 anos quase duplicou na última década; a disciplina de Português como Língua Não Materna apenas chegou a 12% dos 14 mil alunos estrangeiros; o carregamento de carros eléctricos aumentou 66% num ano; actualmente com 119 anos de existência, a livraria Lello, no Porto, recebe 3500 visitantes por dia e vende um milhão de livros por ano; graças ao turismo, comércio e restauração o PIB dos Açores cresce acima da média do país; só 4% das cauções de água, luz e gás foram devolvidas aos consumidores, e isto ao fim de 25 anos da mudança da lei que acabou com essa prática; o valor médio de renda pago pelos inquilinos subiu 7% em 2024, o maior aumento dos últimos 30 anos; num inquérito recente 46% dos portugueses indicaram viagens como a sua principal intenção de consumo para 2025.


 


O ARCO DA VELHA - O novo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa revelou que a instituição paga milhares de euros de rendas por imóveis que nem sequer utiliza.


 


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UM OLHAR ÚNICO -   Esta história é maravilhosa e conta como um dos mestres da fotografia, o japonês Eikoh Hosoe, e o grande escritor, também japonês, Yukio Mishima, se conheceram: em 1961 Hosoe foi convidado por Mishima para o fotografar para um livro de ensaios que Mishima ia publicar, “The Attack Of Beauty”. Pretendia uma fotografia de capa menos convencional. Quando se encontraram, Hosoe perguntou: “Sr. Mishima, quer dizer que posso fotografá-lo à minha maneira?” - “Eu sou o seu objecto de estudo, fotografe-me como quiser, Sr. Hosoe”, respondeu Mishima. Esse foi o começo de “Barakei”, a famosa obra de Hosoe publicada em 1963, no Japão, e que levou o título Ordeal By Roses” em inglês. “Barakei”  é um livro e uma série fotográfica  sobre a vida e o sofrimento, centrada na figura de Yukio Mishima, cujo centenário do nascimento se celebrou a 14 de Janeiro de 2025, simbolicamente o dia da inauguração desta primeira exposição de Eikoh Hosoe em Portugal, na Ochre Space, um espaço dedicado à fotografia fundado por João Miguel Barros, ele próprio também fotógrafo e estudioso de fotografia contemporânea. Na Ochre, numa montagem muito bem conseguida,  estão dezena e meia de fotografias de “Barakei” e ainda vários dos livros de Hosoe, que ali podem ser comprados. Dia 8 de Fevereiro, a partir das 16.00, a Ochre Space realiza uma conversa de encerramento da exposição dedicada a Eikoh Hosoe sob o tema “Hosoe e Mishima juntos na Imortalidade”, com a presença de José Bértolo, professor na Universidade Nova, Tânia Ganho, autora e tradutora da obra de Yukio Mishima em Portugal, e João Miguel Barros. Recentemente falecido, Hosoe foi um dos grandes visionários da fotografia contemporânea, e esta exposição, preparada há mais de um ano ainda com o seu conhecimento, será a primeira no mundo após a sua morte. A Ochre Space fica  na Ajuda, Rua da Bica do Marquês 31 A e a exposição pode ser visitada de quarta a sábado, das 15h30 às 18h30.


 


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ROTEIRO - Na Galeria Quadrum (Palácio dos Coruchéus, Rua Alberto Oliveira 52, Lisboa), Manuel Santos Maia apresenta uma exposição evocativa das suas próprias memórias de infância, no Norte de Moçambique, em Nampula. A exposição conta histórias da família do artista e da cultura macua e também aborda as mudanças ocorridas em Moçambique desde que há 50 anos se tornou independente. Na exposição “Nampula, Macua Socialismo” podem ser vistas fotos antigas, objectos de viagens, uma maquete de bronze da sua primeira casa, uma carta que evoca memórias passadas, tecidos e música macua. No fundo, como salienta Manuel Santos Maia, cada peça conta um fragmento da sua história e “ajuda a perceber o passado, mostrando como as pessoas de diferentes lugares estão todas ligadas.” Com curadoria de João Sousa Cardoso a exposição (na imagem) fica patente até 20 de Abril na Quadrum. Destaque ainda para as novas obras de Miguel Navas expostas na Casa da Cultura de Setúbal, sob o título “Entre o silêncio e a paisagem” e, no mesmo local, Catarina Real apresenta uma série de serigrafias sob o título  “composição, roubo e autoria”. E finalmente no Centro de Arte Manuel de Brito (Campo Grande 113), pode-se ver uma exposição que assinala os 25 anos da morte de António Palolo.


 


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UM OBRA EXCEPCIONAL - “Confissões de Uma Máscara” é um romance autobiográfico de Yukio Mishima, editado originalmente em 1949, agora reeditado no centenário do seu nascimento. Esta edição retoma a tradução feita por António Mega Ferreira que, no texto de  apresentação, sublinha que “esta é uma das obras de mais desafiante leitura no conjunto da vastíssima obra que nos foi legada por Yukio Mishima”.  O autor tinha 24 anos quando escreveu este livro, que o consagrou como um dos mais importantes escritores japoneses do pós-guerra. “Confissões de Uma Máscara” narra a sua vida desde o nascimento à juventude, numa análise sobre identidade, pulsão sexual e procura da conformidade e o assumir da sua homessexualidade. «O que eu tentei com a escrita deste livro foi uma espécie de arte de renascer. Sou uma sofisticada e inútil contradição. Este romance é a prova fisiológica disso», terá escrito Mishima ao seu editor Kazukame Sakamoto. Esta é  a voz de um jovem no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, um jovem que, no rígido Japão imperial onde não há lugar para impulsos transgressivos, tem de usar uma máscara, sempre, a todo o custo. Yukio Mishima é o pseudónimo de Kimitake Hiraoka, que nasceu em Tóquio em 1925 e suicidou-se, praticando o ritual japonês seppuku, a 25 de novembro de 1970, manifestando assim a sua discordância perante o abandono das tradições japonesas e a aceitação acrítica de modelos consumistas ocidentais. Edição Livros do Brasil, colecção Dois Mundos.


 


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A GUITARRA DO JAZZ - Gravado originalmente em 2014, este disco do guitarrista dinamarquês JaKob Bro esteve uma década guardado nos arquivos da editora ECM, que finalmente o decidiu lançar em finais de 2024. Sob o título “Taking Turns” o álbum mostra Bro ao lado de nomes como o saxofonista Lee Konitz, o guitarrista Bill Frisell, o pianista Jason Moran, o baixista Thomas Morgan e o baterista Andrew Cyrille. Konitz que morreu em 2020 vítima de Covid, é uma presença marcante neste disco, que evidencia a sua cumplicidade musical com os outros músicos e em especial com JaKob Bro e Thomas Morgan. É difícil destacar temas neste álbum mas “Black is All Colors at Once” e “Haiti” são exemplos do virtuosismo de Konitz, “Pearl River” um bom exemplo do trabalho conjunto de  todos os músicos  e “Mar Del Plata” é o momento para ouvir a forma como Bill Frisell toca guitarra e como se articula com Jakob Bro. “Taking Turns” está disponível nas plataformas de streaming.


 


AQUI AO LADO  - O governo espanhol anunciou a intenção de criar uma taxa de até 100% sobre a compra de imobiliário por cidadãos de países fora da União Europeia, como forma de combater o aumento dos preços da habitação.


 


DIXIT  - “Como lembrava o filósofo, a maior inimiga da esquerda continua a ser a realidade” - João Pereira Coutinho


 


BACK TO BASICS - “É muito perigoso um candidato a eleições dizer coisas de que as pessoas se podem vir a recordar” - Eugene McCarthy



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janeiro 15, 2025

O MEU VÍCIO DE ANO NOVO

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Um dos meus rituais de início de cada ano é sentar-me a folhear o Borda D’Água. O nome completo é “O Verdadeiro Almanaque Borda D´Água - Reportório útil para toda a gente”, uma publicação que existe há 96 anos, “contendo todos os dados astrológicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral”. Editado desde a sua fundação pela Editorial Minerva, mantendo sempre o mesmo aspecto gráfico e secções, o almanaque custa três euros. A edição de 2025 tem 24 páginas e uma tiragem de cem mil exemplares. Na ficha técnica ainda aparece um número de fax e ao longo das páginas existem prognósticos para o ano, conselhos práticos baseados na sabedoria popular (de provérbios a mezinhas), na ciência e na astrologia, assim como previsões meteorológicas, previsões para a agricultura, épocas de sementeiras e outros trabalhos agrícolas, fases da lua, informação sobre o mar e as marés, calendário, efemérides, mas também, logo na segunda página, o rol de feriados e festividades ao longo do ano. Em cada mês há os nomes de pessoas que nele nasceram, dos santos respectivos, informações sobre o que se deve semear e colher, seja nas hortas ou no jardim, além de indicação da hora do nascer e do pôr do sol e das fases da lua e dos mercados festas e feiras. Cada mês é ainda acompanhado de dizeres populares, como por exemplo “em Fevereiro chuva, em Agosto uva”. Infelizmente o Borda D'Água ainda não me consegue dizer o que se passará na política. Mas sejamos compreensivos: é impossível prever a que loucuras assistiremos ao longo do ano neste rectângulo à beira mar plantado e, menos ainda, adivinhar quais serão os candidatos a Presidente da República ou o que se passará nas autárquicas.


https://www.sapo.pt/opiniao/artigos/o-meu-vicio-de-ano-novo



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janeiro 10, 2025

COMO VÃO SER AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES?

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PAISAGEM POLÍTICA - Em 2025 vamos ter as pré-eleições presidenciais e as eleições autárquicas. Ambas vão disputar-se num cenário demográfico, sociológico e mediático bem diverso das anteriores. As eleições para a Presidência da República de Janeiro de 2026, realizam-se uma década depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter sido eleito para o cargo pela primeira vez. Em dez anos muito se modificou no  país (e no mundo), os hábitos de consumo de informação alteraram-se completamente e a população portuguesa mudou de forma considerável: a idade média aumentou, a emigração de portugueses em idade activa tem vindo a  crescer e anda agora entre 70 a 75 mil que abandonam o país por ano, em seis anos o número de estrangeiros em Portugal duplicou e ultrapassa já o milhão de pessoas.  A utilização da internet por pessoas com mais de 64 anos duplicou desde 2019 e, segundo a Pordata, Portugal já tem mais de 2,5 milhões de pessoas acima dos 65 anos,  ou seja 25% da população. Tudo isto obriga a repensar o discurso dos políticos e as formas como querem contactar os eleitores. Vejam isto: as pessoas nascidas na segunda metade da década de oitenta viveram sempre com telefones móveis; as pessoas nascidas no início deste século cresceram ao mesmo tempo que as redes sociais e as que nasceram nos últimos dez anos estão a crescer ao mesmo tempo que a utilização de Inteligência Artificial se torna comum. Se acrescentarmos a todos estes indicadores a alteração na paisagem política, com a presença parlamentar do  Chega,  Livre e  Pan, com o crescimento dos extremos à direita e à esquerda e o desaparecimento do centro-esquerda, temos uma situação em que é imprevisível o que poderá acontecer. Sabemos que vai existir um número elevado de candidatos às Presidenciais e a probabilidade de ser necessária uma segunda volta é enorme - a dúvida está em saber quem nessa segunda volta apoia qual dos dois candidatos finais. E tudo isto é baralhado pelo destrambelhamento da classe política. Como João Miguel Tavares bem afirmou, com as presidenciais à vista Gouveia e Melo livrou-se de constrangimentos do cargo que ocupava, mas Centeno e Marques Mendes continuam a usar os lugares que têm, um no Banco de Portugal e outro como comentador numa estação de televisão, para irem fazendo as suas pré-campanhas. Depois admirem-se que muita gente deseje o Almirante - a ética dos outros é invisível e a paisagem é desoladora. 


 


SEMANADA - Em 2024 morreram 261 bebés abaixo de um ano de idade, o maior número desde 2019; um especialista de saúde pública indica que acesso desigual a cuidados de saúde e gravidezes mal vigiadas são razões para este aumento; um estudo recente indica que mais de 13% dos moradores de Lisboa está sujeito a ruído automóvel excessivo; nas autoestradas portuguesas, durante 2024 e até ao final de setembro, circularam em média 22.967 carros por dia, o valor mais elevado de sempre; o Tribunal de Contas chumbou a compra pelo Instituto Português de Oncologia de medicamentos essenciais para doentes com cancro; um terço dos alunos com necessidades específicas não tem acesso a todos os apoios previstos; o dia 23 de dezembro de 2024 registou o maior volume de compras realizado na época natalícia, ultrapassando as 10 milhões de transações e o MB Way teve um crescimento de 43% no número de compras face ao período homólogo de  2023; na recente época natalícia, nas compras realizadas entre 1 e 24 de Dezembro  o ano de 2024 terminou com um novo recorde de reclamações no Portal da Queixa, onde os  consumidores registaram mais de 220 mil ocorrências, representando um aumento de 10.7%, face a 2023; no terceiro trimestre de 2024, foram participadas às autoridades 8415 casos de violência doméstica; numa década o número de testamentos registados cresceu 44% e só em 2024 foram feitos mais de 32 mil; em treze anos,o número de interessados em ingressar na PSP ou na GNR  baixou mais de 70%;  um em cada dez carros novos eléctricos comprados em Portugal em 2024 é de origem chinesa.


 


O ARCO DA VELHA - A produtividade por hora trabalhada em Portugal é quase 30% inferior à média da UE.


 


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170 ANOS DE ARTE PORTUGUESA -  No Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (Rua Serpa Pinto 4) a nova exposição de longa duração “Impressões Digitais” apresenta cerca de 200 obras das cinco mil presentes na colecção do MNAC, num percurso ao longo de 170 anos da história da arte portuguesa em pintura, desenho, gravura, fotografia, escultura, instalação e vídeo.  Com curadoria de Ana Guimarães, Emília Ferreira (que dirige o MNAC), Maria de Aires Silveira e Tiago Beirão Veiga, a exposição é composta por obras desde o naturalismo do final do século XIX, passando pelo modernismo, até às expressões artísticas atuais. A exposição também inclui obras da coleção Millennium bcp e novas aquisições, doações e legados de artistas contemporâneos. “Impressões Digitais”, que ficará patente durante todo este ano, permite explorar a evolução artística e cultural do país através de um dos mais importantes acervos nacionais. Para a directora do Museu e uma das curadoras da exposição, Emília Ferreira, “a relação que se estabelece entre estes trabalhos, articulando linguagens e épocas, é assumida como um modo de criar interferências”, sublinhando que  “essa é outra forma de aumentar o sentido das obras e manter vivo o legado do MNAC”, que  “constitui um legado ímpar, histórico e emotivo, de algum modo tão identitário como as nossas impressões digitais”.


 


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ROTEIRO - Sábado dia 11 inaugura pelas 16h00  na Galeria Narrativa ( Rua Dr. Gama Barros 60, Lisboa) a exposição de fotografia “Viagens na Minha Terra”, de Augusto Brázio, um dos mais importantes fotógrafos portugueses contemporâneos (na imagem). Esta exposição remete para a obra homónima de Almeida Garrett e, tal como o livro, as imagens destas viagens de Augusto Brázio surgem como uma leitura dos locais e pessoas que o Brázio foi encontrando e têm estado a ser publicadas desde 2015 em fascículos de edição de autor. Na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria 101) inaugura no mesmo dia uma exposição de trabalhos da escritora Luísa Costa Gomes intitulada “A Outra Coisa”, que fica patente até 8 de Fevereiro, com cerca de duas dezenas de obras de pintura em pastel de óleo sobre papel. Na Casa da Cultura de Setúbal, a partir de dia 11 e até 3 de Março, Miguel Navas apresenta uma série de pinturas sob o título “Paredes Meias”. Na Galeria Diferença (Rua São Filipe Neri 42)  duas novas exposições que ficam patentes até 5 de Fevereiro:”Day In, Day Out” de João Campolargo Teixeira e “Enrolar Alguém no Dedo Mindinho”, de Diana Barbosa Gil. E na galeria braçoperna44 (rua das Fontainhas 44), Luís Nobre apresenta uma série de novas pinturas sob o título “do outro lado”. 


 


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O MISTÉRIO DO MACHADO  - Pode a hipnose ajudar a resolver um crime e auxiliar a investigação policial? A questão já tinha surgido num dos romances assinados por Lars Kepler. Joona Linna, o polícia que é a figura central destes mistérios suecos, tinha recorrido anteriormente a Erik Barke, um médico que praticava hipnose nos seus doentes, logo no primeiro livro que protagoniza, “O Hipnotista”. Agora, confrontado com um misterioso assassino que despacha as suas vítimas à machadada, Joona recorre de novo a Erik em “O Sonâmbulo”, o décimo livro sobre este detective, assinado por Lars Kepler, pseudónimo de uma dupla de marido e mulher, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril . Tudo começa quando a meio da noite é emitido um alerta sobre um assalto em curso no parque de campismo de Bredäng, nos arredores de Estocolmo. Apesar de o parque estar encerrado durante o inverno, há luz numa das autocaravanas e ao abrirem a porta os agentes descobrem uma pessoa brutalmente assassinada e esquartejada com um machado. No chão de um dos quartos, um jovem dorme, usando um braço decepado como almofada, Hugo Sand, de dezassete anos, filho de um conhecido escritor. Mas Hugo sofre de uma forma rara de sonambulismo e, por isso, tanto pode ser o criminoso como uma testemunha e alega não ter qualquer recordação daquela noite. Joona Linna, a quem cabe investigar o caso, contacta Erik Bark para, com recurso à hipnose, tentar descobrir o que aconteceu no interior da autocaravana. Este torna-se o tiro de partida para uma complicada perseguição a um temível assassino em série, com muitos suspeitos investigados e um final inesperado. Mais não digo - descubram a solução lendo “O Sonâmbulo”, edição Porto Editora.


 


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BEETHOVEN VERSÃO BLUES - Este disco vai dar muita polémica: os ortodoxos de Beethoven vão juntar-se com os ortodoxos do jazz para, juntos, arrasarem o novo disco de Jon Batiste, pianista, compositor e cantor norte-americano que tem feito a sua carreira no jazz, depois de ter estudado música clássica e piano desde muito novo. Quando começou a tocar em alguns bares de Nova Orleans, Jon Batiste fazia frequentemente uma fusão de obras de Chopin e Bach com as suas próprias composições, inspiradas no jazz que o cercava também desde miúdo. “Beethoven Blues”, o novo disco, é um regresso às suas raízes clássicas e, entre as onze faixas incluídas, encontramos improvisações sobre composições de Beethoven como “Fur Elise”, a Quinta Sinfonia ou o “Hino da Alegria” e também temas compostos por Batiste, como “Dusklight Movement” e “Life of Ludwig.” O disco, "Beethoven Blues", foi gravado em dia e meio na casa do músico em Brooklin e, numa entrevista recente ao New York Times, Jon Batiste defendeu que a música de Beethoven tem pontos de contato com ritmos africanos e atacou aqueles que pretendem colocar a música clássica “numa redoma elitista”. “Beethoven Blues” foi editado pela Verve e está disponível nas plataformas de streaming.





ASSIM É QUE É! - Em Barcelona quem fôr apanhado, a partir de 1 de fevereiro, a conduzir uma trotinete eléctrica no passeio ou sem capacete terá uma multa de 500 euros, uma medida das autoridades locais para combater comportamentos impróprios relacionados com a crescente utilização de trotinetas de aluguer naquela cidade.


 


DIXIT  - “Esta situação de degradação dos serviços públicos e de desprotecção dos cidadãos deve-se aos dois partidos que asseguraram o Governo durante as últimas três décadas. PS com 22 anos de Governo e PSD com oito (...) desperdiçaram tempo e dinheiro” - António Barreto


 


BACK TO BASICS - “À medida que fico mais velho ligo menos atenção ao que as pessoas dizem e mais ao que elas fazem” - Andrew Carnegie


 


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janeiro 04, 2025

DE REPENTE, NUMA RUA DE CAMPO DE OURIQUE

Esta semana começa uma nova colaboração no portal SAPO. Esta é a primeira publicação.


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Confesso que não gosto muito de caminhadas, digamos, pelo meio do mato; mas gosto de andar no meio da rua, sem destino, apenas para ver o que me aparece à frente. E aparece muita coisa, de grafitti nas paredes a roupa pendurada nos mais improvisados estendais decorativos que parecem instalações em varandas, passando por coisas inusitadas que são deixadas à porta para serem levadas pela camioneta do lixo ou por algum passante.


Reparem por exemplo nesta imagem (acima), tirada há dias numa rua no centro de Campo de Ourique. Estava a meio de um passeio noturno quando encontrei, encostada à porta de um prédio bem conservado, esta fotografia de um caminho no meio do bosque. Era uma fotografia original, montada numa placa rígida, de forma a poder estar na parede. Em baixo, dois cestos que pareciam segurá-la para nenhuma ventania a levar.


Esta imagem há de ter estado numa parede, a ser olhada por quem lá vivia. Era como uma janela com vista para um bosque, em vez de vista sobre a rua ou para o prédio em frente. Para quem a teve, talvez fosse um periscópio urbano sobre o campo, a deixar ver uma estrada estreita entre filas de árvores, já despidas de folhas num qualquer outono. É daquelas imagens para as quais se pode olhar durante horas, a descobrir os pormenores dos ramos, a evocar talvez algum lugar.


Porque terá esta fotografia sido tirada da parede onde rasgava o espaço para o meio da rua, rejeitada, como uma memória apagada? São coisas destas que me fazem gostar de andar pela rua fora, a espreitar o que se pode encontrar.



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janeiro 03, 2025

UM GRANDE PROBLEMA DE SEGURANÇA

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A INSEGURANÇA DE QUE NÃO SE FALA - Há um problema grave de segurança nas nossas cidades e pouca gente fala dele no meio dos ruídos da política: até 15 de dezembro a PSP registou, só no distrito de Lisboa, mais de 15 mil acidentes de trânsito, que provocaram 16 mortes, 166 feridos graves e 6264 sem gravidade; no mesmo período registaram-se em Lisboa quase 500 atropelamentos. São números alarmantes e vejo pouca gente a preocupar-se com eles. A realidade é que os hábitos de circulação e a mera obediência ao código da estrada, foi-se desvanecendo. A utilização de pisca-pisca ou de outros sinais de mudança de direcção são uma espécie em vias de extinção. A inversão de marcha em locais proibidos ou a realização de manobras perigosas podem ser vistas por todo o lado. Bicicletas e trotinetas continuam a circular nos passeios afligindo os peões. Nas cidades aumentou muito o número de condutores estrangeiros que têm outros hábitos culturais e outros hábitos de condução e não abdicam deles. Pessoalmente tenho dúvidas que no processo de conversão das suas cartas de condução para documentos portugueses exista uma séria fiscalização sobre a veracidade dos documentos que apresentam e sobre a sua capacidade como condutores. Quem os vê a guiar, seja de que nacionalidade for, tem dúvidas sobre se passariam num exame sério em Portugal. Há 50 mil estafetas de entrega de refeições inscritos nas várias aplicações que existem, conduzem automóveis, motociclos e bicicletas e muitos deles passam sinais vermelhos como quem respira. O mesmo em relação a condutores de TVDE’s. Há dias um amigo meu, que ía na sua mão num motociclo, foi abalroado por um TVDE que mudou de direcção e entrou na sua faixa sem nenhum aviso prévio. O meu amigo ficou em estado grave, o condutor do TVDE, estrangeiro, achou que ele tinha só uma ferida ligeira e encolheu os ombros. Mas o problema não é só com os estrangeiros. A recente morte de Pedro Sobral, que seguia na faixa de velocípedes e foi atropelado mortalmente por um carro de jovens portugueses que regressavam de uma noitada, deve obrigar-nos a todos  a repensar a forma como se circula, como se concedem cartas de condução, como se detectam e punem os infratores. As mortes provocadas por condutores que não respeitam as regras de circulação são o mais grave problema de segurança das cidades portuguesas. E as autoridades têm a obrigação de encarar o assunto de frente.





SEMANADA - Este ano já foram feitos mais de 70 mil pedidos de trocas de cartas de condução estrangeiras, a maioria do Brasil e de emigrantes indianos; a nível nacional, em seis anos, morreram pelo menos 111 pessoas em acidentes com  bicicletas; registam-se anualmente cerca de 35 mil acidentes rodoviários por ano;   nos últimos dez anos duplicou a escuta de rádio através de telemóvel; a utilização da internet por pessoas com mais de 64 anos duplicou desde 2019; existem em Portugal 888 publicações periódicas; apenas 7,4% das famílias vê televisão exclusivamente através da plataforma de TDT e 89,9% vê televisão por cabo; os Serviços e Administração Pública são o segundo sector mais reclamado no Portal da Queixa e somam quase 15 mil reclamações ao longo de 2024, um crescimento de 6%, face a 2023;  os Institutos Públicos são os mais visados, somando 59% dos casos; o sector que origina mais queixas é o das telecomunicações e a operadora DIGI, que entrou no mercado português em novembro, já soma mais de  400 reclamações com a qualidade do serviço e as falhas técnicas a liderarem as insatisfações dos consumidores, enquanto o serviço de Internet é o principal foco das queixas, representando 56,9% dos casos reportados; 21 % da população portuguesa admite não ter dinheiro para aquecer convenientemente as suas casas, o valor mais alto entre os 27 países da UE; segundo o INE o preço médio de uma casa é de 220 mil euros, mas se forem consideradas só as casas novas sobe para 300 mil.





O ARCO DA VELHA - O número de novas músicas lançadas por dia em serviços de streaming em 2024 é de 120.000, mais do que no ano inteiro de 1989.


 


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POESIA EXPOSTA -   Para encerrar o ano o destaque vai para a exposição “No Reino de O’Neill”, patente na Biblioteca Nacional e que, inaugurada no passado dia 19 de Dezembro, data em que O’Neill teria feito 100 anos, ficará patente até 8 de Março. A exposição, que tem comissariado de Joana Meirim, mostra a evolução do percurso de O’Neill, um dos mais importantes vultos da cultura portuguesa do século XX, através de seis núcleos que vão desde a sua infância e juventude, à descoberta do surrealismo e, depois, à produção nas décadas de 50, 60, 70 e 80 em áreas que vão da poesia à crónica, passando pela publicidade, a televisão e os vários programas que fez e em que participou (como o Zip-Zip), a música, o cinema e o teatro. Desde o seu “Reino da Dinamarca” (1958) e um dos seus mais famosos poemas, “Adeus Português”, incluído nesse livro, até à edição de “Poesias Completas”, em 1981 e o seu derradeiro livro, de 1986, “O Princípio de Utopia, o Princípio de Realidade seguidos de Ana Brites, Balada tão ao Gosto Popular Português e Vários Outros Poemas”. O’Neill tinha sentido de humor e saudável espírito crítico, e também com uma melancolia que foi crescendo ao longo da vida, bem patente na maneira como descreve o amor e a paixão, no já citado “Um Adeus Português”. A exposição é enriquecida por uma série de fotografias (algumas do próprio O’Neill, que gostava de mostrar o seu olhar) e esta aqui reproduzida, de Jaime Casimiro, assim como por um conjunto de textos sobre a sua obra e vida, valendo a pena destacar a biografia escrita por Ana Maria Pereirinha. 


 


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ROTEIRO - O Museu da Música Mecânica celebrou em Setembro passado oito anos. Localizado em Pinhal Novo, tem mais de 600 peças que se movimentam por sistemas exclusivamente mecânicos, e abrangem fundamentalmente o período de finais do Séc. XIX até à década de 30 do século XX, todas em estado de funcionamento, de grafonolas a pianolas, caixas de música ou jukeboxes, como esta que está na imagem. Todos os objectos pertencem à colecção de Luís Cangueiro cuja actividade profissional está ligada à publicidade. O Museu da Música Mecânica  fica na Rua das Alegrias, Quinta do Rei, Pinhal Novo, pode ser visitado aos sábados, domingos e feriados das 15 às 18 e realiza-se uma visita guiada nesses dias às 15h30. Mais a norte, em Serralves, pode ver uma exposição evocativa do centenário de Mário Soares,  “O Sal da Democracia”, outra de desenhos de Álvaro Siza e um  destaque final para uma mostra de trabalhos de  Devendra Banhart, um artista norte-americano conhecido sobretudo pelas suas canções, que pinta e desenha grande parte das capas dos seus discos, e apresenta  em Serralves sobretudo desenhos, numa exposição que mostra também excertos da sua poesia. E em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga poderá ver até abril uma exposição sobre desenhos europeus dos séculos XVI a XVIII, da colecção do Museu sob o título “Seres e Animais Fantásticos”, que mostra como eram imaginados na época dragões, centauros, grifos, sereias e tritões.


 


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UMA VIAGEM NA HISTÓRIA - Michael Wood é um historiador inglês, escritor, jornalista e autor de documentários de televisão, membro da Royal Society for the Arts e professor na Universidade de Manchester. Depois de ter escrito uma História da China (editada em Portugal), foi à descoberta de Du Fu, considerado o maior poeta da China,  que viveu entre os anos 712 e 770. Wood descreve a vida, a época e a obra de Du Fu, atravessando tempos de guerra, fome e migração interna, que foram vividos há quase 1300 anos. Wood fez simultaneamente um documentário para a BBC, “Du Fu: China’s Greatest Poet”, visitou os locais chave da vida do poeta, descrevendo-os. Du Fu era um grande observador da sua época, relatando como o imperador Xuanzong fez prosperar o país durante a dinastia Tang, até ser deposto por um dos seus generais numa rebelião que durou oito anos e durante a qual morreram 13 milhões de chineses, de uma população total de 50 milhões à época. Du Fu escreve sobre esta catástrofe, fazendo de cada poema também uma narrativa. O livro “O Maior Poeta da China - Nos Passos de Du Fu” não é uma recolha de poemas, mas sim uma biografia onde Wood intercala desenhos, mapas, ilustrações e descrições dos principais locais que marcaram a vida do poeta e nos faz compreender a sua obra. O livro, editado pela Temas e Debates, foi traduzido por Magda Barbeita, uma portuguesa que se tem dedicado ao estudo da língua e cultura chinesas.


 


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BONS RITMOS PARA O NOVO ANO - Para quem quiser começar o ano com bons ritmos recomendo um disco de Setembro de 2024, “Dance, No One’s Watching”, do quinteto britânico Ezra Collective, que apresenta uma incursão pelo jazz com passagens por ritmos latinos, afrobeat, hip-hop e funk, tudo impulsionado por uma secção de metais de trompete e saxofone  e uma secção rítmica que junta um pianista a um baixo e um baterista e que conseguem manter um pano de fundo irresistível que se desenvolve ao longo de 19 temas e uma hora. Os Ezra Collective são produto de uma organização britânica de educação musical, Tomorrow Warriors, que tem tido um papel activo no renascimento do jazz no Reino Unido. “Dance, No One’s Watching” tem ainda colaboração de duas vocalistas com clara inspiração soul, Yasmin Lacey e Olivia Dean - ouçam a primeira no arrebatador “God Gave Me Feet For Dancing” e a segunda em “No One’s Watching Me”. Outros temas a reter são “Everybody”  e “Streets Is Calling”, com a participação de M.anifest e Moonchild Sanelly. Disponível em streaming.


 


ALMANAQUE - Apontem nas agendas: em Londres a Tate Modern assinala no início de Maio 25 anos de existência e o programa é aliciante. O destaque vai para o regresso de 25 obras da colecção do museu que ali não são mostradas há algum tempo, nomeadamente o regresso  à galeria principal da obra “Maman”, a gigantesca aranha de bronze com dez metros de altura feita por Louise Bourgeois, e também os murais “Seagram” de Mark Rothko. A exposição “A Year in Art: 2050” mostrará como artistas convidados imaginam o futuro e “Gathering Ground” mostrará o trabalho de artistas contemporâneos de diversos países.


 


DIXIT  - “A digitalização do Estado não pode ser a digitalização da burocracia” - Adolfo Mesquita Nunes


 


BACK TO BASICS - “A única coisa que nos salva da burocracia é a  ineficiência. Uma burocracia eficiente é a maior ameaça à liberdade” - Eugene McCarthy


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS





dezembro 27, 2024

POLÍTICA: UM FILME COM PÉSSIMOS ACTORES

 


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UMA SOMBRA - Neste final de 2024 sinto um enorme desencanto com a paisagem política. Não encontro figuras inspiradoras, que tenham uma ideia mobilizadora e de progresso para o país, apenas vejo habilidosos que disputam um jogo de vaidades, especialistas em soundbites inconsequentes que se esquecem de tudo o que disseram quando chegam ao poder - isto passa-se a nível  nacional, regional e autárquico. Rever o que foi dito por políticos dos vários quadrantes nas suas campanhas eleitorais, quando estavam no poder ou faziam oposição, e comparar com os discursos actuais dos mesmos personagens, é ler uma compilação de  promessas não cumpridas, é descobrir contradições e guinadas de opinião, e não raras vezes frases ridículas. São raros os que permanecem fiéis às suas convicções, que não se vergam para manter o poder, raríssimos os que resistem a ser paus mandados em nome da fidelidade ao partido e ao seu líder. A geração actual de políticos em Portugal e na Europa não tem um pensamento de futuro, os seus protagonistas vivem viciados em manter o poder e encontrar expedientes para saltitarem de lugar para lugar. Quando se olha para o que fizeram com os poderes que tiveram percebe-se que não apostaram em mudanças, preferiram remendos. Portugal é nesta matéria um caso tristemente exemplar. A actividade política partidária,em tempos digna, é agora, salvo raras excepções, palco para actores de terceira categoria que funcionam em circuito fechado, no meio de um passado de expedientes, num presente de manobras e sem ideias para o futuro. Estas precoces pré-presidenciais que se desenrolam à nossa frente parecem um desfile de pretendentes a papéis secundários num filme de baixo orçamento. A política e os políticos em Portugal são hoje uma sombra daquilo que já foram. E não se vê nenhuma luz ao fundo do túnel.


 


SEMANADA - Em novembro de 2024, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, liderou o top de exposição mediática nas estações de televisão, ao protagonizar 147 notícias de 7 horas e 5 minutos de duração durante o mês; o presidente do Chega, André Ventura, registou a segunda posição, o  presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi terceiro, o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, foi quarto e  Ana Paula Martins, ministra da Saúde, ocupou a 5ª posição; segundo o  estudo TGI da Marktest um milhão e meio de  portugueses referem possuir robot de cozinha no lar; ainda segundo o mesmo estudo existem em Portugal 2 milhões e 374 mil pessoas que  possuem consola de jogos em casa, ou seja cerca de 32% dos portugueses com idades entre os 15 e os 74 anos; os jovens portugueses dedicam em média duas horas e meia por dia às redes sociais; um quinto dos jovens diz não consumir nenhuma peça de fruta por dia; um estudo recente da OCDE indica que 42,4% dos portugueses têm dificuldade em compreender textos simples, 41,5% dos portugueses apenas conseguem resolver problemas simples com poucas variáveis e 39,8% dos portugueses não conseguem realizar operações matemáticas básicas; na leitura e operações matemáticas Portugal é o segundo país com pior desempenho em toda a OCDE; dez por cento dos alunos do ensino superior são estrangeiros; o total de estudantes vindos de fora do país ultrapassa os 51 mil. 


 


O ARCO DA VELHA - Ao fim deste tempo todo não se encontra local de dimensões suficientes para fazer o julgamento de José Sócrates e uma das hipóteses é fazer obras em Monsanto no valor de 300 mil euros.


 


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A NORTE, UMA PONTE Pedro Cabrita Reis tem uma nova obra instalada em permanência  no lago do jardim de Serralves, uma escultura em pedra, “Ponte” (na imagem), que se junta às várias obras do artista que já fazem parte da colecção da instituição. Cabrita Reis anunciou entretanto que vai doar o seu arquivo documental a Serralves, que inclui cartas pessoais, fotografias, esboços, catálogos, registos rigorosos da correspondência que acompanhou a produção de exposições, convites, cadernos de notas pessoais, cartazes de exposições e outros documentos. Por estes dias em Serralves pode também ver “Amo-te”, a maior exposição de sempre de Francisco Tropa, que inclui trabalhos de escultura, desenho, performance, gravura, fotografia e filme feitos ao longo de três décadas. E nas galerias da nova ala Álvaro Siza a exposição “Canção Contemporânea”, mostra a Colecção Mário Teixeira da Silva, recentemente depositada em Serralves e que reúne cerca de 210 obras de aproximadamente 116 artistas portugueses e estrangeiros. Na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, igualmente em Serralves,  pode ser vista uma exposição sobre a obra de Jean Luc Godard, o percurso do cineasta enquanto criador de imagens fixas, desde a sua infância até 2022 com pinturas, desenhos, cadernos, imagens digitais, bem como as fotografias de família. 


 


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A SUL, OS DESENHOS DE POMAR - “De Um Traço, Trai” é o título da nova exposição do Atelier-Museu Júlio Pomar, baseada num conjunto de desenhos em papel vegetal, de diferentes formatos, incluindo alguns esboços de retratos, como este de Fernando Pessoa que aqui se reproduz. Estes desenhos serviram de suporte, de esboço ou de estudo de composição para projetos de arte no espaço público criados por Júlio Pomar, como a Estação de Metropolitano Alto dos Moinhos, a Estação Ferroviária de Corroios, o Tribunal da Moita, o espaço exterior da Fundação Champalimaud ou o Circo de Brasília. Os desenhos são agora mostrados pela primeira vez em conjunto e permitem compreender o processo criativo de Júlio Pomar, desde os primeiros esboços em vegetal até aos grandes painéis de azulejo. O título da exposição vem de uma expressão que o próprio Júlio Pomar usou num texto sobre desenho: «De um traço, trai. O que é próprio do traço vivo é ser justo e trair. Trai o que desconhece: a parte que lhe escapa no desígnio que se pressupõe satisfazer; a vacilação do sentido». «D’un trait, il trahit», foi originalmente escrito em francês (Pomar viveu largos anos em França) e o artista sublinhou em nota de rodapé que «D’un trait» significa «de uma assentada», «de uma só vez». Nos trabalhos expostos vêem-se as hesitações de Júlio Pomar, os ajustes feitos traço após traço, e deixados à vista nas folhas de papel vegetal. A exposição, com curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro fica até 16 de Fevereiro, Rua do Vale 7, Lisboa.





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ROTEIRO - Na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80, Lisboa), Sara Bichão apresenta “Diver’s Flight” (na imagem)  uma exposição colaborativa onde os seus trabalhos coexistem com obras de Armineh Negahdari, Diego Bianchi, Gyan Panchal, Julien Carreyn, e  Miriam Cahn, com curadoria de Noëlig Le Roux. Sara Bichão tem outra exposição em Lisboa, na Appleton Box (Rua Acácio Paiva 27, Lisboa) , baseada em  desenhos criados desde 2010. Na Galeria Francisco Fino (Rua Capitão Leitão 76, Lisboa) , a exposição “Portals” mostra obras de Laleh Khorramian e Alia Farid, numa apresentação em duo única em Lisboa, e que inclui arte têxtil, colagem e vídeo. Em simultâneo, noutro local da galeria, é apresentada “Force Majeure”, uma exposição de Inês Mendes Leal e Maria Máximo. E em Abrantes, no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, Catarina Castel-Branco e Manuel San-Payo expõem até Maio uma série de trabalhos sob a designação “Voltar a Casa” .


 


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CONTOS DELICIOSAMENTE BANAIS - “Visitar Amigos”, uma colectânea de contos de Luísa Costa Gomes, é o melhor livro português que li este ano. À primeira vista estes 13 contos, inéditos, parecem relatos banais de situações que se podiam passar com todos nós - quer numas obras em casa, numa visita a amigos, histórias de viagens, de riqueza e negócios, de famílias e descendentes, de terras perdidas do nosso interior e das suas histórias, dos efeitos dos gatos nas pessoas, das dificuldades que surgem com telemóveis que necessitam de carregadores diferentes, de acessórios e roupas herdados e que vêm carregados de memórias. Na realidade o encanto maior deste livro é que facilmente o leitor se pode identificar com as situações , as histórias, as descrições que surgem em cada um dos contos. E depois a escrita de Luísa Costa Gomes é exemplar, feita para ser compreendida, é um manual de comunicação. Escrever de forma simples é mil vezes mais complicado que escrever complicado, armado ao pingarelho. A maior erudição é aquela que não necessita de ser anunciada e essa é uma das enormes qualidades deste livro que conta histórias de vida onde, pelo meio, passam muitos pensamentos, que sem esforço e prazer nos fazem, por sua vez, pensar. Edição D. Quixote.


 


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REDESCOBRIR AMÁLIA - Em 1980 foi editado um LP de Amália Rodrigues intitulado “Gostava de Ser Quem Era”, que nasceu fruto da convalescença de um problema cardíaco da fadista. Depois do susto que apanhou, decidiu gravar um disco apenas com poemas escritos por si: “Para mim este disco é como que uma despedida. Eu sempre quis deixar qualquer coisa que pudesse fazer com que os outros pensassem em mim”, afirmou Amália na época. O álbum original tinha 10 temas e a Valentim de Carvalho, com a preciosa orientação de Frederico Santiago, editou agora um duplo CD em que além dos dez temas do disco original está incluído pela primeira vez o material gravado, que não foi então editado, e também os ensaios preparativos do trabalho em estúdio. No primeiro dos CD’s estão dez temas originais do álbum, mais 14, entre elas várias canções ligeiras que ficaram inéditas como canções de Carlos Paião e Belo Marques. No segundo disco há 17 faixas que resultam das gravações de ensaios, quatro gravadas ao vivo num espectáculo de Amália no Teatro Monumental em Janeiro de 1980 e mais três gravadas no Coliseu em Fevereiro do mesmo ano. Frederico Santiago explica este processo: “Parte do encanto deste disco ficou escondido na moda acústica da altura da primeira publicação em LP (1980). O eco excessivo apagou a verdadeira cor da voz de Amália nesta época e criou a ideia de que a sua dicção se tinha tornado menos perfeita. A sinceridade e o intimismo destas sessões, e a ausência de artifícios técnicos, aconselha-nos a devolver na presente edição o som “cru” das bobines originais. “. E é isso que se pode ouvir agora.



DIXIT - “Mário Centeno corre o risco de ser visto mais como gestor da sua ambição política do que como governador (do Banco de Portugal) “ - Helena Garrido 


BACK TO BASICS - “A honestidade é a melhor política” - Miguel Cervantes


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dezembro 20, 2024

A IMPORTÂNCIA DA IMPRENSA

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O PODER DA IMPRENSA - Contrariando a ideia de que a imprensa está morta, eis alguns dados:  segundo o estudo Press Insights, do Bareme Imprensa da Marktest,  numa escala de 1 (nada relevante) a 10 (muitíssimo relevante), os portugueses atribuem uma nota média de 7,6 à relevância da imprensa em papel. O valor médio é ligeiramente mais alto nos jornais (7,8) do que nas revistas (7,6) e alcança o seu pico de relevância nos jornais diários e semanários de informação generalista (8,0). Em termos de audiência, o Correio da Manhã  vende mais de 1,1 milhões de exemplares por mês, ou seja  mais de 37 mil exemplares por dia e é seguido pelo Expresso, Jornal de Notícias e o Público, que vende nove mil exemplares.  O tempo médio total de leitura de imprensa situou-se perto dos 48 minutos, com algumas oscilações consoante a tipologia de jornal ou revista. Por exemplo, o tempo dedicado à leitura de jornais generalistas foi o mais alto, atingindo cerca de 52 minutos em média. Já na leitura de jornais desportivos verifica-se um tempo médio na ordem dos 36 minutos. Nas revistas, o tempo médio dedicado aos títulos mensais é de cerca de 50 minutos, contra os 42 minutos dedicados às revistas semanais. Outro estudo da Marktest, o Bareme Imprensa,  indica que cinco milhões e meio de portugueses com 15 e mais anos que, leram ou folhearam jornais ou revistas este ano, o que significa quase dois em cada três portugueses. Olhemos agora  para a publicidade: é na imprensa, sobretudo nas revistas, que as grandes marcas de prestígio preferem anunciar, e isso tem sido particularmente visível nesta época de Natal. Por outro lado é também na imprensa que os conteúdos patrocinados e a organização de eventos, como conferências, encontra maior receptividade por parte dos anunciantes e obtém melhores resultados junto dos públicos a que se destinam. Finalmente, e isto é importante, a maioria das investigações jornalísticas mais relevantes continua a ser feita nos jornais e revistas e são os seus conteúdos editoriais que marcam a agenda nos outros meios.  


 


SEMANADA - Quase metade dos estudantes universitários apresenta sintomas depressivos; segundo a Marktest, Cinfães, Penela, Vila Nova da Barquinha, Ferreira do Alentejo e Lagoa (Açores) foram os concelhos com maior aumento no rating de dinamismo económico e Lagoa (Açores), Vila Franca do Campo, Vila do Porto, Murça e Ponta Delgada, pelo seu lado, foram os concelhos com maior variação positiva do rating de qualidade de vida; em 2023, segundo a Marktest, 2 milhões e 908 mil portugueses tinham seguro de saúde, um valor que corresponde a 32.3% dos portugueses com 15 ou mais anos; segundo o INE existiam  em 2023 em Portugal 1 044 238 estrangeiros com estatuto legal de residente, 33.7% acima do registado em 2022, e os países de origem mais presentes são o Brasil, seguido de Angola e Cabo Verde; no ano passado 45,2% das vendas globais de supermercados e grandes superfícies foram de marcas próprias e significaram cerca de oito mil milhões de euros em termos de volume de negócios, um crescimento de 128% em relação à situação em 2011; um estudo recente indica que a evolução do envelhecimento da população é arrasador  e Portugal ocupa o segundo lugar no ranking europeu do índice de envelhecimento; em 2022, segundo o Eurostat, 58% dos portugueses acima dos 16 anos não leram nenhum livro; em 2024 reformam-se 3981 professores, o número mais elevado desde 2013;  existem mais de 45 mil computadores avariados nas escolas portuguesas do ensino básico e secundário.


 


O ARCO DA VELHA - Um estudo do Ministério da Agricultura de Espanha mostra que, no primeiro semestre de 2024 a compra de refeições pré-preparadas foi de 16,6 kgs por cidadão, um consumo 514,8% superior ao que se verificava em 2004. E por cá, como será?


 


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VASCULHAR A REALIDADE - A nova exposição de fotografia de  Valter Vinagre merece uma visita. Sob o título “Espírito no lugar”, Vinagre mostra 45 imagens onde, nas suas próprias palavras, parte da realidade para vasculhar  “vestígios das suas histórias através da paisagem e do retrato”. Alessia Allegri, que fez a curadoria da exposição, sublinha: “Mantendo-se fiel ao seu estilo habitual de testemunho de «lugares imprecisos», Valter Vinagre representa o espírito que existe em cada lugar. Procura-o no olhar das pessoas e nas suas práticas, assim como no ambiente e atmosfera que as rodeia, feita de consistência de luz, densidade de cores e de matéria. Não parte da realidade, mas tenta chegar à realidade, trabalhando não tanto a partir de uma ideia de espírito do lugar, mas, sobretudo, de espírito no lugar.”. As imagens, como esta aqui reproduzida, são poderosas, intensamente pessoais, oscilam entre paisagens, casas, pessoas, todas fruto de um olhar persistente e coerente, como tem sido hábito ao longo da sua obra. A exposição, que está na galeria Antecâmara, na Rua de Cabo Verde 17 em Lisboa, pode ser vista até 28 de Fevereiro entre as 9 e as 18 de 2ª a 5ª e nos outros dias mediante marcação para o telefone 213 420 605 ou mail@antecamara-galeria.pt . Valter Vinagre foi repórter fotográfico em vários jornais, e no seu percurso tem numerosas exposições e alguns livros.


 


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ROTEIRO - No Instituto Camões (Avenida da Liberdade 170), Miguel Valle de Figueiredo mostra “Mardel/Martell- Uma herança húngara”, um tributo fotográfico à obra arquitetónica que o engenheiro militar húngaro Carlos Mardel deixou em Portugal no século XVIII (na imagem) . Em Maio deste ano foi apresentada no Centro de Arquitectura Contemporânea de Budapeste. A exposição apresenta os principais edifícios concebidos por um dos maiores responsáveis pela reconstrução de Lisboa e arredores após o grande terramoto de 1755. Na Galeria de Santa Maria Maior, até 18 de Janeiro, pode ser vista a exposição “Edição Limitada” que pelo terceiro ano apresenta esta iniciativa que reúne 77 fotografias de 77 fotojornalistas, numa parceria com a associação CC11 (rua da Madalena 147). “Ó Lopes” é o título da exposição de obras do fotojornalista Carlos Lopes, falecido em 2021. Esta retrospectiva da sua obra pode ser vista até 10 de Janeiro na Casa da Imprensa (Rua da Horta Seca 20, Lisboa). Na Brotéria Noé Sendas mostra até 15 de janeiro “Goin’ Home” um conjunto de obras recentes algumas propositadamente pensadas para o local (Rua de S. Pedro de Alcântara 3).


 


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SUSPENSE CONSTANTE - Aqui está o regresso de Camilla Lackberg, a autora de romances policiais que é a escritora sueca mais lida em todo o mundo, com mais de 30 milhões de livros vendidos em meia centena de países.  Licenciada em economia na universidade de Gotemburgo, a sua vida profissional começou como economista mas tudo mudou quando a família lhe ofereceu um curso de escrita criativa sobre crime.  O seu livro de estreia foi “A Princesa de Gelo”, editado em 2000 e desde então lançou dezena e meia de obras. “A Vingança de Faye” é a sua mais recente trilogia, que chega agora ao fim com “Sonhos de Bronze”, depois de “Gaiola de Ouro” e “Asas de Prata”. Lackberg conta a história de Faye, uma empresária talentosa que criou de raiz uma firma de cosmética que é um caso de sucesso, a “Revenge”. Neste “Sonhos de Bronze” , o passado de Faye ameaça tudo que ela construiu, inclusive sua vida, ao ponto dela acabar na prisão, acusada de um assassínio. Ao mesmo tempo o seu pai, ele próprio foragido da prisão,  persegue-a e alia-se a uma das maiores redes de crime da Suécia para a atacar. A vingança como forma de sobrevivência é o tema central deste livro emocionante, onde o suspense é uma constante, e que relata a luta de uma mulher poderosa e ambiciosa em defesa do que construíu. Edição Porto Editora.


 


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OUTROS BEATLES - Nos últimos anos, desde 2020,  a cantora e guitarrista norte-americana Lucinda Williams criou uma série de gravações, a que chamou Lu’s Jukebox, com o objectivo de prestar a sua homenagem a nomes como Tom Petty, Bob Dylan, os Rolling Stones e, agora, os Beatles. Desta vez foi gravar em Março deste ano para o estúdio onde os Beatles trabalharam quase sempre, o mítico Abbey Road, e aí revisitou 12 canções de várias épocas da banda. “Lucinda Williams Sings the Beatles From Abbey Road” é o título do disco que juntou uma cantareira familiarizada com o rock’nroll a músicos com idêntico perfil. O resultado é muito bom e as interpretações que Williams faz de dois temas de Lennon, incluídos no “White Album”, “Yer Blues” e “I’m So Tired” são talvez os momentos mais altos do disco. Mas mesmo em baladas de McCartney, como “Let It Be” ou “The Long And Widing Road”, o resultado é acima das expectativas. E também em dois temas de George Harrison, “While My Guitar Gently Weeps” e  “Something”, mantendo-se fidelíssima à linha musical dos originais, a voz de Lucinda Williams introduz uma nova dimensão na interpretação - e isso é também particularmente claro num tema de Ringo Starr, “With a Little Help From My Friends”. Por fim uma das versões mais surpreendentes é a de “Rain”, um tema de 1966. A guitarra de Doug Pettibone ajuda a criar a diferença nestas versões e merece elogioi o trabalho dos outros músicos - Butch Norton na bateria, Marc Ford na guitarra acústica, e Richard Causon nas teclas. Disponível em streaming.


 


ALMANAQUE  - Depois de mais de 50 anos de construção abriu em Milão o Museu de Arte Moderna Palazzo Citterio. Anunciado em 1972 o projecto teve numerosos atrasos, nomeadamente na fase de recuperação do edifício do século XVIII. O novo museu, em conjunto com a Pinacoteca di Brera e a Biblioteca Nacional Braidense, finaliza o conjunto museológico Grande Brera e posiciona Milão num novo patamar cultural. Já agora ao longo da última década a Itália fez grande mudanças na forma como o Governo se relaciona com as instituições culturais, dando-lhes autonomia de gestão das suas finanças, desde a angariação de patrocínios ao marketing e à gestão das bilheteiras, o que permitiu um grande aumento das receitas: em Florença, a Galeria Uffizi teve cinco milhões de visitantes em 2023. Um exemplo a estudar para a desgraçada situação dos museus portugueses.


 


DIXIT - “Sócrates trabalha para conseguir a impunidade total, seguindo o seu breviário de vítima até limites que o transformam numa caricatura e numa confissão ambulante dos seus próprios crimes” - Eduardo Dâmaso.


 


BACK TO BASICS - “O investimento no saber e no conhecimento é aquele que garante maior retorno “ - Benjamin Franklin


 


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dezembro 13, 2024

A CRESCENTE IMPORTÂNCIA DOS PODCASTS

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O PODER DA VOZ - Na semana passada a Marktest anunciou a criação do PodScope, um estudo que permitirá estabelecer um ranking mensal dos podcasts auditados, e que possibilitará, naqueles que forem analisados, indicar o número de downloads acumulados por mês, o número de downloads médios por semana e o número de utilizadores médios por semana. O mercado de podcast tem crescido de forma significativa nos últimos anos e em alguns países, como o Canadá, Estados Unidos e Austrália a escuta de podcasts já faz parte dos hábitos de cerca de um terço da população. Em Portugal, segundo dados da Marktest, 23% da população ouviu podcast durante o ano de 2023, o que nos coloca em pé de igualdade com países como a Alemanha, França ou Itália. O PodScope, que será lançado ainda este ano, permitirá ter dados mais concretos sobre a audiência obtida e a separação por géneros temáticos, permitindo também que decisões sobre patrocínios e publicidade das marcas em podcasts sejam baseadas em indicadores reais. O universo dos podcast tem vindo a crescer e um recente artigo na newsletter norte-americana especializada em mídia,  Nieman Lab, refere que nos Estados Unidos, onde a confiança do público nos meios tradicionais está em queda, os podcasts permitem criar laços mais fortes com as audiências e levar os ouvintes a consumir informação de forma diferente. É o poder da voz. Nesse artigo, a autora, Joni Deutsch, analisa a importância dos podcasts nas recentes eleições presidenciais e afirma que, enquanto a partir dos anos 60 a importância da televisão nas campanhas era total, em 2012 foi o ano da relevância do twitter e 2024 assistiu à primeira eleição onde os podcasts tiveram influência. A autora refere que 100 milhões de americanas ouvem pelo menos um podcast semanalmente e um estudo recente mostra que a geração Z e os millennials preferem ouvir notícias em podcasts a lê-las ou vê-las na televisão. Os dias finais da campanha norte-americana foram palco de uma disputa entre  Kamala Harris e Donald Trump no universo dos podcasts com vantagem para este último. Trump apareceu em 20 podcasts e foi ouvido por 23,5 milhões de pessoas, enquanto Kamala Harris apareceu em oito, que tiveram uma audiência de 6,4 milhões. Joni Deutsch acredita que os podcast se vão tornar rapidamente a principal forma de informação e o principal meio utilizado para veicular comentários e opiniões de figuras públicas, permitindo análises mais aprofundadas, feitas num tom mais pessoal. E em Portugal que acontecerá no universo dos podcasts nas próximas eleições?


 


SEMANADA - No ano passado a Polícia Judiciária registou 303 crianças e jovens até aos 17 anos vítimas de crimes sexuais online, enquanto em 2009 o número de casos era de quatro dezenas; a maioria dos crimes ocorre através de telemóvel e no início da noite quando as crianças e adolescentes estão já sózinhos no quarto; houve 437 condenações por pornografia infantil em quatro anos; 1287 euros é o valor anual gasto em média pelos 5,3 milhões de portugueses que fazem regularmente compras on line e 95,8% usam o telemóvel como veículo  preferencial de compra;  há cerca de 120 mil alojamentos locais registados em Portugal que no primeiro semestre  do ano concentraram 37% das dormidas turísticas; o número de pessoas  sem-abrigo em Portugal duplicou nos últimos cinco anos e cresce o número dos sem-abrigo que são trabalhadores; um quarto dos portugueses vive com menos de 738 euros por mês; em 2023 Portugal exportou drones no valor de 31 milhões de euros; nos primeiros 11 meses de 2024 a energia solar assegurou 10% do consumo de electricidade do país; em Portugal 40% dos adultos só compreendem textos simples e matemática básica; o desempenho dos alunos portugueses em avaliações internacionais, em disciplinas como a matemática, tem vindo a descer e os resultados dos alunos do 8º ano caíram mais do que em qualquer outro país europeu.


 


O ARCO DA VELHA -  Em Portugal há 15 iniciativas e organismos dedicados ao combate à corrupção que não comunicam entre si com fracos resultados práticos.


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CENÁRIOS IMAGINADOS -   Manuel Forte nasceu no Porto, vive e trabalha no México e desde a semana passada tem a sua primeira exposição em Portugal, na Galeria Balcony, depois de ter exposto em diversos países como Alemanha, Espanha e, claro, México. Esta sua exposição em Lisboa, intitulada “Andor Violeta”, mostra uma dezena de pinturas e pode ser vista até 25 de Janeiro. O seu olhar recai sobre ambientes domésticos, misturando cenários reais com outros, imaginados, por vezes remetendo para “a ideia de um improvisado estúdio fotográfico”, como salienta Miguel von Hafe Pérez no texto que escreveu a propósito desta exposição. E sublinha:  “há um fascínio por outros elementos que ajudam à estruturação mutante dos espaços pictóricos: as mesas e as cadeiras. As mesas são palcos inverosímeis e as cadeiras lugares de ninguém” . Há também evocações repetidas de figuras animais, na maioria em segundo plano ou em primeiro plano como na obra “Reguengo”, uma quadro de pequenas dimensões, que mostra um pássaro azul com patas amarelas assente num galho. O nome da exposição é toda uma outra história, como relembra Miguel von Hafe Pérez: “Andor violeta era uma expressão que aqui no Norte se usava nos  nossos tempos de adolescentes. Basicamente significava “põe-te a andar” ou coisa do género. “ A Balcony fica na Rua Coronel Bento Roma 12 A, em Alvalade.


 


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ROTEIRO - A nova exposição da fotógrafa Inês d’ Orey  ,”Dada City”, mostra o trabalho que resultou de uma residência artística de um mês que fez em Bucareste. Bernardo Pinto de Almeida fala assim da obra da artista: “nas fotografias de Inês d’Orey - que desde sempre se foram construindo a partir de espaços arquitectónicos já existentes e normalmente carregados de alguma dimensão de memória urbana - aquilo de que se trata é justamente de procurar uma espécie de clima ou uma atmosfera”. Inês d’Orey foi este ano finalista do Prémio Nikon para fotógrafos emergentes e estudou fotografia na Universidade de Artes de Londres. Esta exposição merece ainda destaque pela montagem, que associa fotografias impressas em grande formato a transparências retro-iluminadas colocadas em dispositivos antigos.“Dada City” fica na Galeria das Salgadeiras (Avenida dos Estados Unidos da América 53D), até 31 de janeiro. Até 20 de Dezembro pode ser vista na Galeria Diferença (Rua de S. Filipe Neri 42), uma colecção de desenhos, pintura e fotografia de Helena Almeida.


 


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UMA AVENTURA  - Começo por uma declaração de interesse:  hoje vou falar de um livro a cuja produção estive ligado. É o relato de uma aventura que nasce do desejo de uma empresa falar da sua história. O caso é simples: a companhia de seguros Fidelidade queria mostrar a sua ligação à História através de um caso ocorrido em meados do século XIX. Tudo começou quando o Rei D. Fernando II encomendou a um ourives português que fizesse uma faca de mato em prata, cabo e bainha  finamente trabalhadas com numerosos detalhes e minúsculas figuras que evocavam animais. O artesão escolhido para a empreitada foi Rafael Zacarias da Costa, que demorou onze anos a esculpir a peça, perdendo parte da visão ao longo do processo devido à minúcia e detalhe da obra. O problema é que no final o Rei não pôde comprar e pagar a peça, numa das várias crises financeiras que já nessa altura marcaram Portugal. Após numerosas peripécias a faca acabou no fundo do mar, num naufrágio ocorrido em 1875, quando a peça estava a ser transportada para Inglaterra com o objectivo de aí ser vendida. A seguradora deste transporte era a Fidelidade, que honrou os seus compromissos, indemnizando o proprietário da peça, o ourives para quem Zacarias trabalhava. Mas a Fidelidade foi mais longe e recuperou, com a ajuda de mergulhadores com escafandro, a faca de mato, que hoje em dia está na sede da seguradora, devidamente protegida. A aventura dá-se quando a autora convidada a escrever esta história, Mónica Bello, resolveu criar uma intriga contemporânea que envolveu ardilosos ladrões. Não vou fazer spoiler, mas “A Jóia Que o Rei Não Quis”, assim se chama o livro, leva-nos a percorrer a Lisboa da segunda metade do século XIX e transporta-nos para o presente, envolvendo ao longo do tempo a história da mais antiga seguradora portuguesa em actividade, que há 148 anos tem em seu poder esta jóia. A edição é da Guerra & Paz.


 


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SIMPLICIDADE ACÚSTICA - Melodias com base em canções tradicionais, ritmos sul-americanos e improvisação q.b. são a base do trabalho de um trio que integra um contrabaixista sueco, Lars Danielsson, um guitarrista britânico, John Parricelli, e um trompetista finlandês, Verneri Pohjola. “Trio”, assim se chama simplesmente o disco, inclui 12 temas, seis dos quais são originais de Danielsson, um de cada um dos outros dois músicos, uma composição do trio e três versões de autores tão diferentes como Duke Ellington, o compositor de bandas sonoras de filmes Philippe Sarde e do canadiano Ron Sexsmith, “Gold In Them Hills”, provavelmente a mais surpreendente destas versões. Totalmente acústico, gravado “live on tape” num “chateau” francês onde se produz vinho de Bordéus, este “Trio” é um exemplo de simplicidade e rigor na execução instrumental. Disponível em streaming.





ALMANAQUE  - Sábado dia 14 de Dezembro, entre as duas e as sete da tarde, decorre a segunda edição de “Passeio da Estrela”, um percurso pela arte contemporânea que propõe visitas a seis galerias daquela zona da cidade: Cristina Guerra Contemporary Art com a exposição de José Loureiro ( Rua de Santo António à Estrela 33); Encounter com obras de Antony Cairns e  Galeria Jahn und Jahn com trabalhos de Stefan Vogel e Max Frisinger (ambas na Rua de São Bernardo 15 r/C); Madragoa, com uma colectiva de cinco artistas (Rua dos Navegantes 52A); Miguel Nabinho com obras de Pedro Cabrita Reis (Rua Tenente Ferreira Durão 18); Monitor, com uma colectiva de sete artistas (Rua da Páscoa 91); e  Pedro Cera com trabalhos de Marianne Fahmy (Rua do Patrocínio 67 E). Seis boas oportunidades para presentes de Natal especiais.


 


DIXIT - “Nunca fizeram tanta falta (... como agora…) pessoas modernas, civilizadas, cultas, vividas, bonacheironas, descaradamente burguesas, mas altruístas e justas e conscientes” - Miguel Esteves Cardoso, sobre Mário Soares 


 


BACK TO BASICS - “Quem faz perguntas pode parecer idiota, mas quem não questiona fica idiota toda a vida” - provérbio chinês


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS




dezembro 06, 2024

ESTRATÉGIAS PARA OS NOVOS TEMPOS

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TENDÊNCIAS DE MÍDIA - Fundada em Fevereiro de 2007 por Tyler Brulé, a revista “Monocle” apostou desde o início na sua circulação em papel. Aos poucos foi desenvolvendo também uma presença digital, embora a edição impressa da “Monocle”, e dos seus produtos derivados continuem a ser o eixo estratégico de desenvolvimento. Recentemente, em Paris, promoveu a “Monocle Media Summit”. Um dos oradores foi Louis Dreyfus, o CEO do jornal “Le Monde”, publicação que está a completar 80 anos. O seu CEO tem objetivos claros: atingir um milhão de assinantes em papel e online em 2025, aumentar o número global de leitores e lançar uma revista em inglês, que sairá duas vezes por ano, na linha do já existente “Le Monde Magazine”. O ponto de partida para qualquer projecto do grupo, mesmo neste tempo em que a IA alarga a sua presença e as redes sociais continuam a ganhar terreno, é uma estratégia editorial clara e, sublinha Dreyfus, garantindo que todas as inovações devem começar na sala de redacção. Outro dos oradores foi Christoph Amend, um dos responsáveis de inovação no semanário alemão “Die Zeit”. Recentemente criou um novo magazine sobre arte,”Weltkunst”, e introduziu na área de podcasts do grupo uma novidade: fez uma entrevista em inglês ao músico britânico Bryan Ferry para o seu podcast “Alles gesagt?” (“Está tudo dito?”) e em conjunto com a sua equipa de IA conseguiu converter a conversa para alemão,  utilizando as vozes originais do músico e do entrevistador e publicou ambas, a original em inglês e a “fabricada” em alemão. Amend afirma que a maior surpresa foi a quantidade de pessoas que escreveram para agradecer. Outra participante foi Christine Ockrent, ex-diretora da revista francesa “L’Express” , jornalista e autora de mais de uma dúzia de livros e hoje em dia responsável por programas de informação e entrevistas numa estação de televisão. Para Ockrent as marcas de informação são muito importantes, não só para os leitores e espectadores, mas também para quando se está no terreno a recolher informação. Quer em papel, televisão ou online uma marca de informação de referência é uma garantia de qualidade, algo em que se pode confiar. E, sublinhou: “Isto não se aplica só aos meios massificados, os segmentos de nicho podem da mesma forma ser um referencial de qualidade e tradição”. E ajudam a fazer crescer as marcas que os acarinham.


 


SEMANADA - Um estudo divulgado esta semana indica que um terço dos portugueses pensa emigrar e 36% dos que afirmam querer sair do país indicam como causas o descontentamento com a realidade política, fiscal e social em Portugal; este ano o preço do metro quadrado nas avaliações bancárias já valorizou 185 euros, mais que em todo o ano de 2023; em 20 capitais de distrito os preços das casas subiram este ano e o preço médio de venda de habitação subiu  10% em novembro face ao mesmo mês do ano anterior; Lisboa, Porto, Funchal, Faro e Setúbal são neste momento os distritos com preços médios mais elevados e Portalegre, Guarda e Castelo Branco são os que têm preços mais reduzidos; há cerca de 120 mil alojamentos locais registados em Portugal que no primeiro semestre  do ano concentraram 37% das dormidas turísticas; há 700 pessoas internadas em hospitais à espera de vaga num Lar; o número de estrangeiros não residentes em Portugal atendidos nas urgências mais do que duplicou em apenas dois anos, metade não tem seguro ou sistema de saúde e um responsável do sector fala no crescimento de “turismo de saúde”; o tempo médio de espera por uma junta médica é de um ano e quatro meses.


 


O ARCO DA VELHA - O Banco de Portugal recebe anualmente  mais de um milhão de euros em notas estragadas que troca por novas de idêntico valor, sendo que enterrar dinheiro é a principal causa dos danos causados às notas.


 


Lusitânia no Bairro Latino (Retratos de Mário de


IMAGENS DO FADO -  Existe em Lisboa, junto a Alfama, no Largo do Chafariz de Baixo, um Museu do Fado que,  sob a direcção de Sara Pereira, tem sido um ponto de referência na divulgação da história do Fado e dos grandes nomes que a ele estão ligados nas mais diversas áreas, do cinema à literatura e às artes plásticas. Na semana passada foi ali inaugurada a exposição “Imagens do Fado na Arte Portuguesa”, que poderá ser vista até 23 de Março e que reúne dezenas de obras de nomes como José Malhoa, Columbano Bordalo Pinheiro, Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Dominguez Alvarez, Francis Smith, Roque Gameiro, Eduardo Malta, Stuart Carvalhais, João Abel Manta e Júlio Pomar, entre outros. Os trabalhos expostos permitem seguir a evolução do fado e da sua percepção desde meados do século XIX, até às telas de Júlio Pomar, que durante mais de uma década evocou o Fado por várias vezes, como na obra aqui reproduzida, “Lusitânia no Bairro Latino (retratos de Mário Sá Carneiro, Santa Rita Pintor e Amadeo de Souza Cardoso), um trabalho de 1985.


 


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ROTEIRO - Entre 2022 e 2024 Eurico Lino do Vale fotografou retratos de pessoas que vivem em Santar, uma freguesia do concelho de Nelas. Agora reuniu todos esses trabalhos numa exposição que junta os 43 retratos que fez e uma fotografia recente de uma das paisagens do jardim da Casa dos Condes de Santar e Magalhães onde decorre a exposição (na imagem), que integra a visita à casa e seus jardins. Eurico Lino do Vale fotografa com um único foco de luz, evocando a pintura flamenga e a história da fotografia da primeira metade do século XX, sublinhando o olhar dos retratados e a diferença e identidade que os distinguem. O trabalho de Eurico Lino do Vale  mostra a comunidade que preserva Santar e resulta da cumplicidade do artista com o grande dinamizador de Santar Vila Jardim, José Luís Vasconcelos e Sousa, que depois de uma bem sucedida carreira na banca, nomeadamente no Banco Rothschild em Portugal, fez uma pós-graduação em Jardins e Paisagens na Universidade Nova de Lisboa. E até 14 de Dezembro, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, estão em exposição os trabalhos dos 33 artistas finalistas da terceira edição do Sovereign Portuguese Art Prize, um prémio anual focado em artistas que trabalham em Portugal ou na diáspora portuguesa.


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SOBRE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - No segundo aniversário do Chat GPT surge o derradeiro livro criado por Henry Kissinger, já prestes a fazer cem anos, quando se lançou à obra, dedicada às questões colocadas pela Inteligência Artificial com a ajuda de Craig Mundie (antigo director de investigação e estratégia da Microsoft) e de Eric Shmidt (antigo director executivo da Google).  “Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano- Génesis” é o título da obra que procura esclarecer como aqui chegámos e que trajectórias podem existir para o futuro. O livro mostra o optimismo de Kissinger, uma das marcas do seu pensamento e acção, e é o desenvolvimento de um ensaio que publicou em Junho de 2018 na revista “The Atlantic”, intitulado “How The Enlightenment Ends”, bem antes do lançamento do Chat GPT pela OpenAI  no final de 2022. O livro começa por nos recordar a importância da descoberta na criatividade humana, como utilizamos o cérebro e finalmente a importância da compreensão da realidade. O livro aborda as repercussões da IA na política, na segurança, na prosperidade e na ciência e, finalmente, propõe estratégias para o futuro. Os autores defendem a necessidade de regulamentação, de desenvolvimento ético da IA e da importância da cooperação internacional que permita desenvolver os benefícios da Inteligência Artificial e simultaneamente mitigar os seus riscos - ou seja um alerta para que políticos e cientistas encarem o desenvolvimento da IA de forma responsável. Edição D. Quixote.


 


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UMA HOMENAGEM MUSICAL - No passado dia 21 de Março Camané subiu ao palco do CCB para um concerto de homenagem a José Mário Branco, que produziu o seu primeiro disco e que com ele trabalhou durante duas décadas.  Da gravação dessa noite fez-se um disco, agora publicado. Tem 18 fados e duas evocações da voz de José Mário Branco, gravações de recomendações que fazia em estúdio a Camané, quando falava da maneira como as palavras aparecem nas músicas. Este disco de homenagem surge em boa altura para recordar como, para além do cantor de intervenção, José Mário Branco foi um compositor de excepção e um dos mais lúcidos e criativos produtores da música portuguesa. Camané diz que José Mário Branco “tinha uma ideia do fado como eu tenho”. Neste disco há 18 temas, e sete são composições com poema de Manuela de Freitas e música de José Mário Branco. Destes, destaco “Ela Tinha Uma Amiga”, “Fado Penélope”, “Guerra das Rosas" e “Fado da Tristeza”. Mas é também impossível ignorar esta versão de Camané para  “Queixa das Almas Jovens Censuradas”, um poema de Natália Correia musicado por José Mário Branco para Mudam-se Os Tempos, Mudam-se as Vontades”, o seu álbum de estreia, ou a versão de “Inquietação” do seu histórico duplo álbum “Ser Solidário”. Pela mão de José Mário Branco, Camané descobriu como se podia cantar Fernando Pessoa, Alexandre O’Neil ou David Mourão-Ferreira. A voz de Camané e a forma de cantar são prova do seu enorme talento. Este disco mostra como ele aprendeu e cresceu ao lado de José Mário Branco. CD Warner Music também disponível nas plataformas de streaming.


 


ALMANAQUE  - Setúbal tem uma actividade cultural pujante desde a  Casa da Cultura, que acolhe espectáculos e exposições e conferências, até à  Casa da Baía, que acolhe o ciclo “Ler Sebastião da Gama”, ou ainda o Fórum Municipal Luísa Todi, ou as divulgações de novos livros na Biblioteca Municipal, para além de noutros equipamentos como a Casa das Imagens Lauro António, onde poderá ver em exposição cartazes de filmes portugueses criados por Judite Cília ou a Casa Bocage. Mas por estes dias as maiores atenções vão para a reabertura do Museu de Setúbal, reinstalado no Convento de Jesus desde o passado dia 30 de Novembro, após uma renovação completa. Ali podem ser vistos os 14 painéis do retábulo da Capela-Mor da Igreja do Convento de Jesus, uma das mais representativas obras da pintura portuguesa do século XVI. Para saber tudo o que se passa em Setúbal pode consultar o guia de eventos do município 


 


DIXIT - “Fazer demagogia com a incerteza e a insegurança dos cidadãos é gesto política e moralmente reprovável” - António Barreto


 


BACK TO BASICS - “Nunca devemos confundir movimento com acção” - Ernest Hemingway


 


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COMO ESTÃO AS AUDIÊNCIAS DE TV NO FINAL DE NOVEMBRO?

Na última semana de Novembro a TVI foi o único canal generalista a registar um aumento significativo de audiência média e o resultado obtido deveu muito a “Secret Story”, o programa que continua a ser a locomotiva da estação. Atrás de “Secret Story” ficaram, por esta ordem, “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” e “Jornal da Noite” de domingo, ambos da SIC, a novela “Cacau” da TVI  e a transmissão do jogo de futebol feminino entre Portugal e a Chéquia na fase de qualificação do Campeonato Europeu, na RTP1. A estreia da novela da TVI, “A Fazenda”, passada entre Portugal e Angola, ficou no nono lugar da semana com quase 900 mil espectadores. No cabo a CMTV continua a liderar muito destacada, com 6,4% de share, que compara com 2,1% da CNN, 1,9% da SIC Notícias e 1% da RTP3 e do NOW. Se olharmos para o balanço do ano, a TVI esteve à frente em 9 dos 11 meses já decorridos e a SIC em dois (Janeiro e Junho). No cabo, a CMTV lidera há 32 meses consecutivos e ocupa o primeiro lugar há 450 dias sem qualquer interrupção.O share médio obtido pela CMTV ao longo deste ano é superior à soma do share médio obtido pela CNN, SIC Notícias e RTP3.  Olhando para os 50 programas mais vistos do ano, até agora apenas três, as novelas “Cacau” e “A Promessa” e o reality show “Big Brother”, não são transmissões de jogos de futebol e eventos com eles relacionados. E nesta lista dos 50 mais de 2024 o canal vencedor é a RTP1, com 28 entradas, precisamente graças ao domínio do serviço público nas transmissões de jogos de futebol.


 


(texto originalmente publicado na revista Boa Onda, do Correio da manhã, no dia 6 de Novembro)




dezembro 03, 2024

SOBRE O CCB: A OPACIDADE DE PEDIR TRANSPARÊNCIA SÓ QUANDO DÁ JEITO

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Quando em Outubro do ano passado Elísio Sumavielle decidiu sair a meio do mandato como Presidente do CCB, sendo substituído por Francisca Carneiro Fernandes, não me lembro de ter ouvido ninguém a requerer transparência sobre o sucedido, que levou Sumavielle a afastar-se . Agora, desde um artigo da revista “Sábado” de 3 de Outubro deste ano, já se sabe que a sua saída foi motivada pela recusa em aceitar a sugestão do então Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, sobre a entrada de Aida Tavares no CCB. Logo após a saída de Sumavielle, que fez um exemplar trabalho de gestão e de abertura a novos públicos do CCB, a primeira medida de Francisca Carneiro Fernandes, foi admitir Aida Tavares, criando um novo cargo expressamente para ela, atendendo assim aos desejos do Ministro e de António Costa, de que Tavares é uma convicta apoiante. O novo cargo tem um nome pomposo: directora artística para as artes performativas e pensamento. Na sequência da admissão de Aida Tavares foram afastadas a directora de artes performativas, Paula Fonseca, e Margarida Serrão, coordenadora de produção e direcção de cena. Ninguém pediu explicações sobre a substituição destas duas experientes profissionais, nomeadamente nenhum dos agora indignados pelo afastamento de Francisca Carneiro Fernandes, uma especialista na gestão de lobbies da área, e cuja orientação geral é um produto típico do pensamento Woke. Sobre esta senhora tive logo uma péssima impressão na sua primeira intervenção pública no CCB, aquando da inauguração, em Março, da exposição de Patti Smith e Soundwalk Collective, um projecto que tinha sido acarinhado, viabilizado e concretizado por Elísio Sumavielle. A Sra. Francisca falou nessa inauguração como se não tivesse existido no CCB ninguém antes dela, sem referir uma única vez que estava a inaugurar uma herança deixada pelo seu antecessor, no que foi aliás secundada pelo seu colega de administração, Delfim Sardo. São coisas assim que definem o carácter - ou falta dele - de uma pessoa. Mas sobre isto, claro, ninguém se pronuncia. A transparência é uma coisa que só dá jeito de vez em quando, não é?