dezembro 20, 2024

A IMPORTÂNCIA DA IMPRENSA

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O PODER DA IMPRENSA - Contrariando a ideia de que a imprensa está morta, eis alguns dados:  segundo o estudo Press Insights, do Bareme Imprensa da Marktest,  numa escala de 1 (nada relevante) a 10 (muitíssimo relevante), os portugueses atribuem uma nota média de 7,6 à relevância da imprensa em papel. O valor médio é ligeiramente mais alto nos jornais (7,8) do que nas revistas (7,6) e alcança o seu pico de relevância nos jornais diários e semanários de informação generalista (8,0). Em termos de audiência, o Correio da Manhã  vende mais de 1,1 milhões de exemplares por mês, ou seja  mais de 37 mil exemplares por dia e é seguido pelo Expresso, Jornal de Notícias e o Público, que vende nove mil exemplares.  O tempo médio total de leitura de imprensa situou-se perto dos 48 minutos, com algumas oscilações consoante a tipologia de jornal ou revista. Por exemplo, o tempo dedicado à leitura de jornais generalistas foi o mais alto, atingindo cerca de 52 minutos em média. Já na leitura de jornais desportivos verifica-se um tempo médio na ordem dos 36 minutos. Nas revistas, o tempo médio dedicado aos títulos mensais é de cerca de 50 minutos, contra os 42 minutos dedicados às revistas semanais. Outro estudo da Marktest, o Bareme Imprensa,  indica que cinco milhões e meio de portugueses com 15 e mais anos que, leram ou folhearam jornais ou revistas este ano, o que significa quase dois em cada três portugueses. Olhemos agora  para a publicidade: é na imprensa, sobretudo nas revistas, que as grandes marcas de prestígio preferem anunciar, e isso tem sido particularmente visível nesta época de Natal. Por outro lado é também na imprensa que os conteúdos patrocinados e a organização de eventos, como conferências, encontra maior receptividade por parte dos anunciantes e obtém melhores resultados junto dos públicos a que se destinam. Finalmente, e isto é importante, a maioria das investigações jornalísticas mais relevantes continua a ser feita nos jornais e revistas e são os seus conteúdos editoriais que marcam a agenda nos outros meios.  


 


SEMANADA - Quase metade dos estudantes universitários apresenta sintomas depressivos; segundo a Marktest, Cinfães, Penela, Vila Nova da Barquinha, Ferreira do Alentejo e Lagoa (Açores) foram os concelhos com maior aumento no rating de dinamismo económico e Lagoa (Açores), Vila Franca do Campo, Vila do Porto, Murça e Ponta Delgada, pelo seu lado, foram os concelhos com maior variação positiva do rating de qualidade de vida; em 2023, segundo a Marktest, 2 milhões e 908 mil portugueses tinham seguro de saúde, um valor que corresponde a 32.3% dos portugueses com 15 ou mais anos; segundo o INE existiam  em 2023 em Portugal 1 044 238 estrangeiros com estatuto legal de residente, 33.7% acima do registado em 2022, e os países de origem mais presentes são o Brasil, seguido de Angola e Cabo Verde; no ano passado 45,2% das vendas globais de supermercados e grandes superfícies foram de marcas próprias e significaram cerca de oito mil milhões de euros em termos de volume de negócios, um crescimento de 128% em relação à situação em 2011; um estudo recente indica que a evolução do envelhecimento da população é arrasador  e Portugal ocupa o segundo lugar no ranking europeu do índice de envelhecimento; em 2022, segundo o Eurostat, 58% dos portugueses acima dos 16 anos não leram nenhum livro; em 2024 reformam-se 3981 professores, o número mais elevado desde 2013;  existem mais de 45 mil computadores avariados nas escolas portuguesas do ensino básico e secundário.


 


O ARCO DA VELHA - Um estudo do Ministério da Agricultura de Espanha mostra que, no primeiro semestre de 2024 a compra de refeições pré-preparadas foi de 16,6 kgs por cidadão, um consumo 514,8% superior ao que se verificava em 2004. E por cá, como será?


 


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VASCULHAR A REALIDADE - A nova exposição de fotografia de  Valter Vinagre merece uma visita. Sob o título “Espírito no lugar”, Vinagre mostra 45 imagens onde, nas suas próprias palavras, parte da realidade para vasculhar  “vestígios das suas histórias através da paisagem e do retrato”. Alessia Allegri, que fez a curadoria da exposição, sublinha: “Mantendo-se fiel ao seu estilo habitual de testemunho de «lugares imprecisos», Valter Vinagre representa o espírito que existe em cada lugar. Procura-o no olhar das pessoas e nas suas práticas, assim como no ambiente e atmosfera que as rodeia, feita de consistência de luz, densidade de cores e de matéria. Não parte da realidade, mas tenta chegar à realidade, trabalhando não tanto a partir de uma ideia de espírito do lugar, mas, sobretudo, de espírito no lugar.”. As imagens, como esta aqui reproduzida, são poderosas, intensamente pessoais, oscilam entre paisagens, casas, pessoas, todas fruto de um olhar persistente e coerente, como tem sido hábito ao longo da sua obra. A exposição, que está na galeria Antecâmara, na Rua de Cabo Verde 17 em Lisboa, pode ser vista até 28 de Fevereiro entre as 9 e as 18 de 2ª a 5ª e nos outros dias mediante marcação para o telefone 213 420 605 ou mail@antecamara-galeria.pt . Valter Vinagre foi repórter fotográfico em vários jornais, e no seu percurso tem numerosas exposições e alguns livros.


 


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ROTEIRO - No Instituto Camões (Avenida da Liberdade 170), Miguel Valle de Figueiredo mostra “Mardel/Martell- Uma herança húngara”, um tributo fotográfico à obra arquitetónica que o engenheiro militar húngaro Carlos Mardel deixou em Portugal no século XVIII (na imagem) . Em Maio deste ano foi apresentada no Centro de Arquitectura Contemporânea de Budapeste. A exposição apresenta os principais edifícios concebidos por um dos maiores responsáveis pela reconstrução de Lisboa e arredores após o grande terramoto de 1755. Na Galeria de Santa Maria Maior, até 18 de Janeiro, pode ser vista a exposição “Edição Limitada” que pelo terceiro ano apresenta esta iniciativa que reúne 77 fotografias de 77 fotojornalistas, numa parceria com a associação CC11 (rua da Madalena 147). “Ó Lopes” é o título da exposição de obras do fotojornalista Carlos Lopes, falecido em 2021. Esta retrospectiva da sua obra pode ser vista até 10 de Janeiro na Casa da Imprensa (Rua da Horta Seca 20, Lisboa). Na Brotéria Noé Sendas mostra até 15 de janeiro “Goin’ Home” um conjunto de obras recentes algumas propositadamente pensadas para o local (Rua de S. Pedro de Alcântara 3).


 


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SUSPENSE CONSTANTE - Aqui está o regresso de Camilla Lackberg, a autora de romances policiais que é a escritora sueca mais lida em todo o mundo, com mais de 30 milhões de livros vendidos em meia centena de países.  Licenciada em economia na universidade de Gotemburgo, a sua vida profissional começou como economista mas tudo mudou quando a família lhe ofereceu um curso de escrita criativa sobre crime.  O seu livro de estreia foi “A Princesa de Gelo”, editado em 2000 e desde então lançou dezena e meia de obras. “A Vingança de Faye” é a sua mais recente trilogia, que chega agora ao fim com “Sonhos de Bronze”, depois de “Gaiola de Ouro” e “Asas de Prata”. Lackberg conta a história de Faye, uma empresária talentosa que criou de raiz uma firma de cosmética que é um caso de sucesso, a “Revenge”. Neste “Sonhos de Bronze” , o passado de Faye ameaça tudo que ela construiu, inclusive sua vida, ao ponto dela acabar na prisão, acusada de um assassínio. Ao mesmo tempo o seu pai, ele próprio foragido da prisão,  persegue-a e alia-se a uma das maiores redes de crime da Suécia para a atacar. A vingança como forma de sobrevivência é o tema central deste livro emocionante, onde o suspense é uma constante, e que relata a luta de uma mulher poderosa e ambiciosa em defesa do que construíu. Edição Porto Editora.


 


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OUTROS BEATLES - Nos últimos anos, desde 2020,  a cantora e guitarrista norte-americana Lucinda Williams criou uma série de gravações, a que chamou Lu’s Jukebox, com o objectivo de prestar a sua homenagem a nomes como Tom Petty, Bob Dylan, os Rolling Stones e, agora, os Beatles. Desta vez foi gravar em Março deste ano para o estúdio onde os Beatles trabalharam quase sempre, o mítico Abbey Road, e aí revisitou 12 canções de várias épocas da banda. “Lucinda Williams Sings the Beatles From Abbey Road” é o título do disco que juntou uma cantareira familiarizada com o rock’nroll a músicos com idêntico perfil. O resultado é muito bom e as interpretações que Williams faz de dois temas de Lennon, incluídos no “White Album”, “Yer Blues” e “I’m So Tired” são talvez os momentos mais altos do disco. Mas mesmo em baladas de McCartney, como “Let It Be” ou “The Long And Widing Road”, o resultado é acima das expectativas. E também em dois temas de George Harrison, “While My Guitar Gently Weeps” e  “Something”, mantendo-se fidelíssima à linha musical dos originais, a voz de Lucinda Williams introduz uma nova dimensão na interpretação - e isso é também particularmente claro num tema de Ringo Starr, “With a Little Help From My Friends”. Por fim uma das versões mais surpreendentes é a de “Rain”, um tema de 1966. A guitarra de Doug Pettibone ajuda a criar a diferença nestas versões e merece elogioi o trabalho dos outros músicos - Butch Norton na bateria, Marc Ford na guitarra acústica, e Richard Causon nas teclas. Disponível em streaming.


 


ALMANAQUE  - Depois de mais de 50 anos de construção abriu em Milão o Museu de Arte Moderna Palazzo Citterio. Anunciado em 1972 o projecto teve numerosos atrasos, nomeadamente na fase de recuperação do edifício do século XVIII. O novo museu, em conjunto com a Pinacoteca di Brera e a Biblioteca Nacional Braidense, finaliza o conjunto museológico Grande Brera e posiciona Milão num novo patamar cultural. Já agora ao longo da última década a Itália fez grande mudanças na forma como o Governo se relaciona com as instituições culturais, dando-lhes autonomia de gestão das suas finanças, desde a angariação de patrocínios ao marketing e à gestão das bilheteiras, o que permitiu um grande aumento das receitas: em Florença, a Galeria Uffizi teve cinco milhões de visitantes em 2023. Um exemplo a estudar para a desgraçada situação dos museus portugueses.


 


DIXIT - “Sócrates trabalha para conseguir a impunidade total, seguindo o seu breviário de vítima até limites que o transformam numa caricatura e numa confissão ambulante dos seus próprios crimes” - Eduardo Dâmaso.


 


BACK TO BASICS - “O investimento no saber e no conhecimento é aquele que garante maior retorno “ - Benjamin Franklin


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS