
O PODER DA VOZ - Na semana passada a Marktest anunciou a criação do PodScope, um estudo que permitirá estabelecer um ranking mensal dos podcasts auditados, e que possibilitará, naqueles que forem analisados, indicar o número de downloads acumulados por mês, o número de downloads médios por semana e o número de utilizadores médios por semana. O mercado de podcast tem crescido de forma significativa nos últimos anos e em alguns países, como o Canadá, Estados Unidos e Austrália a escuta de podcasts já faz parte dos hábitos de cerca de um terço da população. Em Portugal, segundo dados da Marktest, 23% da população ouviu podcast durante o ano de 2023, o que nos coloca em pé de igualdade com países como a Alemanha, França ou Itália. O PodScope, que será lançado ainda este ano, permitirá ter dados mais concretos sobre a audiência obtida e a separação por géneros temáticos, permitindo também que decisões sobre patrocínios e publicidade das marcas em podcasts sejam baseadas em indicadores reais. O universo dos podcast tem vindo a crescer e um recente artigo na newsletter norte-americana especializada em mídia, Nieman Lab, refere que nos Estados Unidos, onde a confiança do público nos meios tradicionais está em queda, os podcasts permitem criar laços mais fortes com as audiências e levar os ouvintes a consumir informação de forma diferente. É o poder da voz. Nesse artigo, a autora, Joni Deutsch, analisa a importância dos podcasts nas recentes eleições presidenciais e afirma que, enquanto a partir dos anos 60 a importância da televisão nas campanhas era total, em 2012 foi o ano da relevância do twitter e 2024 assistiu à primeira eleição onde os podcasts tiveram influência. A autora refere que 100 milhões de americanas ouvem pelo menos um podcast semanalmente e um estudo recente mostra que a geração Z e os millennials preferem ouvir notícias em podcasts a lê-las ou vê-las na televisão. Os dias finais da campanha norte-americana foram palco de uma disputa entre Kamala Harris e Donald Trump no universo dos podcasts com vantagem para este último. Trump apareceu em 20 podcasts e foi ouvido por 23,5 milhões de pessoas, enquanto Kamala Harris apareceu em oito, que tiveram uma audiência de 6,4 milhões. Joni Deutsch acredita que os podcast se vão tornar rapidamente a principal forma de informação e o principal meio utilizado para veicular comentários e opiniões de figuras públicas, permitindo análises mais aprofundadas, feitas num tom mais pessoal. E em Portugal que acontecerá no universo dos podcasts nas próximas eleições?
SEMANADA - No ano passado a Polícia Judiciária registou 303 crianças e jovens até aos 17 anos vítimas de crimes sexuais online, enquanto em 2009 o número de casos era de quatro dezenas; a maioria dos crimes ocorre através de telemóvel e no início da noite quando as crianças e adolescentes estão já sózinhos no quarto; houve 437 condenações por pornografia infantil em quatro anos; 1287 euros é o valor anual gasto em média pelos 5,3 milhões de portugueses que fazem regularmente compras on line e 95,8% usam o telemóvel como veículo preferencial de compra; há cerca de 120 mil alojamentos locais registados em Portugal que no primeiro semestre do ano concentraram 37% das dormidas turísticas; o número de pessoas sem-abrigo em Portugal duplicou nos últimos cinco anos e cresce o número dos sem-abrigo que são trabalhadores; um quarto dos portugueses vive com menos de 738 euros por mês; em 2023 Portugal exportou drones no valor de 31 milhões de euros; nos primeiros 11 meses de 2024 a energia solar assegurou 10% do consumo de electricidade do país; em Portugal 40% dos adultos só compreendem textos simples e matemática básica; o desempenho dos alunos portugueses em avaliações internacionais, em disciplinas como a matemática, tem vindo a descer e os resultados dos alunos do 8º ano caíram mais do que em qualquer outro país europeu.
O ARCO DA VELHA - Em Portugal há 15 iniciativas e organismos dedicados ao combate à corrupção que não comunicam entre si com fracos resultados práticos.

CENÁRIOS IMAGINADOS - Manuel Forte nasceu no Porto, vive e trabalha no México e desde a semana passada tem a sua primeira exposição em Portugal, na Galeria Balcony, depois de ter exposto em diversos países como Alemanha, Espanha e, claro, México. Esta sua exposição em Lisboa, intitulada “Andor Violeta”, mostra uma dezena de pinturas e pode ser vista até 25 de Janeiro. O seu olhar recai sobre ambientes domésticos, misturando cenários reais com outros, imaginados, por vezes remetendo para “a ideia de um improvisado estúdio fotográfico”, como salienta Miguel von Hafe Pérez no texto que escreveu a propósito desta exposição. E sublinha: “há um fascínio por outros elementos que ajudam à estruturação mutante dos espaços pictóricos: as mesas e as cadeiras. As mesas são palcos inverosímeis e as cadeiras lugares de ninguém” . Há também evocações repetidas de figuras animais, na maioria em segundo plano ou em primeiro plano como na obra “Reguengo”, uma quadro de pequenas dimensões, que mostra um pássaro azul com patas amarelas assente num galho. O nome da exposição é toda uma outra história, como relembra Miguel von Hafe Pérez: “Andor violeta era uma expressão que aqui no Norte se usava nos nossos tempos de adolescentes. Basicamente significava “põe-te a andar” ou coisa do género. “ A Balcony fica na Rua Coronel Bento Roma 12 A, em Alvalade.

ROTEIRO - A nova exposição da fotógrafa Inês d’ Orey ,”Dada City”, mostra o trabalho que resultou de uma residência artística de um mês que fez em Bucareste. Bernardo Pinto de Almeida fala assim da obra da artista: “nas fotografias de Inês d’Orey - que desde sempre se foram construindo a partir de espaços arquitectónicos já existentes e normalmente carregados de alguma dimensão de memória urbana - aquilo de que se trata é justamente de procurar uma espécie de clima ou uma atmosfera”. Inês d’Orey foi este ano finalista do Prémio Nikon para fotógrafos emergentes e estudou fotografia na Universidade de Artes de Londres. Esta exposição merece ainda destaque pela montagem, que associa fotografias impressas em grande formato a transparências retro-iluminadas colocadas em dispositivos antigos.“Dada City” fica na Galeria das Salgadeiras (Avenida dos Estados Unidos da América 53D), até 31 de janeiro. Até 20 de Dezembro pode ser vista na Galeria Diferença (Rua de S. Filipe Neri 42), uma colecção de desenhos, pintura e fotografia de Helena Almeida.

UMA AVENTURA - Começo por uma declaração de interesse: hoje vou falar de um livro a cuja produção estive ligado. É o relato de uma aventura que nasce do desejo de uma empresa falar da sua história. O caso é simples: a companhia de seguros Fidelidade queria mostrar a sua ligação à História através de um caso ocorrido em meados do século XIX. Tudo começou quando o Rei D. Fernando II encomendou a um ourives português que fizesse uma faca de mato em prata, cabo e bainha finamente trabalhadas com numerosos detalhes e minúsculas figuras que evocavam animais. O artesão escolhido para a empreitada foi Rafael Zacarias da Costa, que demorou onze anos a esculpir a peça, perdendo parte da visão ao longo do processo devido à minúcia e detalhe da obra. O problema é que no final o Rei não pôde comprar e pagar a peça, numa das várias crises financeiras que já nessa altura marcaram Portugal. Após numerosas peripécias a faca acabou no fundo do mar, num naufrágio ocorrido em 1875, quando a peça estava a ser transportada para Inglaterra com o objectivo de aí ser vendida. A seguradora deste transporte era a Fidelidade, que honrou os seus compromissos, indemnizando o proprietário da peça, o ourives para quem Zacarias trabalhava. Mas a Fidelidade foi mais longe e recuperou, com a ajuda de mergulhadores com escafandro, a faca de mato, que hoje em dia está na sede da seguradora, devidamente protegida. A aventura dá-se quando a autora convidada a escrever esta história, Mónica Bello, resolveu criar uma intriga contemporânea que envolveu ardilosos ladrões. Não vou fazer spoiler, mas “A Jóia Que o Rei Não Quis”, assim se chama o livro, leva-nos a percorrer a Lisboa da segunda metade do século XIX e transporta-nos para o presente, envolvendo ao longo do tempo a história da mais antiga seguradora portuguesa em actividade, que há 148 anos tem em seu poder esta jóia. A edição é da Guerra & Paz.

SIMPLICIDADE ACÚSTICA - Melodias com base em canções tradicionais, ritmos sul-americanos e improvisação q.b. são a base do trabalho de um trio que integra um contrabaixista sueco, Lars Danielsson, um guitarrista britânico, John Parricelli, e um trompetista finlandês, Verneri Pohjola. “Trio”, assim se chama simplesmente o disco, inclui 12 temas, seis dos quais são originais de Danielsson, um de cada um dos outros dois músicos, uma composição do trio e três versões de autores tão diferentes como Duke Ellington, o compositor de bandas sonoras de filmes Philippe Sarde e do canadiano Ron Sexsmith, “Gold In Them Hills”, provavelmente a mais surpreendente destas versões. Totalmente acústico, gravado “live on tape” num “chateau” francês onde se produz vinho de Bordéus, este “Trio” é um exemplo de simplicidade e rigor na execução instrumental. Disponível em streaming.
ALMANAQUE - Sábado dia 14 de Dezembro, entre as duas e as sete da tarde, decorre a segunda edição de “Passeio da Estrela”, um percurso pela arte contemporânea que propõe visitas a seis galerias daquela zona da cidade: Cristina Guerra Contemporary Art com a exposição de José Loureiro ( Rua de Santo António à Estrela 33); Encounter com obras de Antony Cairns e Galeria Jahn und Jahn com trabalhos de Stefan Vogel e Max Frisinger (ambas na Rua de São Bernardo 15 r/C); Madragoa, com uma colectiva de cinco artistas (Rua dos Navegantes 52A); Miguel Nabinho com obras de Pedro Cabrita Reis (Rua Tenente Ferreira Durão 18); Monitor, com uma colectiva de sete artistas (Rua da Páscoa 91); e Pedro Cera com trabalhos de Marianne Fahmy (Rua do Patrocínio 67 E). Seis boas oportunidades para presentes de Natal especiais.
DIXIT - “Nunca fizeram tanta falta (... como agora…) pessoas modernas, civilizadas, cultas, vividas, bonacheironas, descaradamente burguesas, mas altruístas e justas e conscientes” - Miguel Esteves Cardoso, sobre Mário Soares
BACK TO BASICS - “Quem faz perguntas pode parecer idiota, mas quem não questiona fica idiota toda a vida” - provérbio chinês
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS