novembro 12, 2010

MENOS ESTADO, MENOS GASTOS

(Publicado no Metro de 9 de Novembro)


 


Durante quase uma semana estive fora do país. Lá fui seguindo o que se passava graças às edições on line dos nossos jornais . Estive numa reunião, sobre o mercado publicitário, onde estavam duas dezenas de países representados – alguns deles da Europa de Leste. Nós e os gregos fomos os mais apreensivos. Os Irlandeses começam a levantar a cabeça e na generalidade dos outros territórios existe a sensação de que o pior já passou.


 


Eu gostava de sentir o mesmo , mas não consigo. Vejo toda a gente hesitante em relação às decisões a tomar. Vejo os orçamentos a decrescerem, vejo alterações muito rápidas no consumo de conteúdos e de informação. O mercado retrai-se.


 


O Orçamento que foi aprovado é apenas um mapa e uma declaração de intenções – muito mais importante é ver como ele poderá ser executado. Basta aliás ver o que aconteceu ao longo deste ano – o Orçamento era muito bonito em teoria mas a sua execução foi tão catastrófica que acelerou a queda do nosso país e a paralisia da economia.


 


O ponto que verdadeiramente interessa é ver como as linhas gerais agora são executadas. Ver se o Governo consegue fazer descer a despesa, ver se é sincero nos esforços de contenção anunciados, ver se é realista nas opções sobre os grandes investimentos.


 


Nesta reunião onde estive, a propósito dos incentivos dados por vários Estados aos grandes bancos e ao fomento de grandes obras públicas, ouvi uma curiosa opinião que me pôs a pensar:  ter-se-ia gasto menos dinheiro e conseguido maiores resultados na economia, se, em vez de subsídios a fundo perdido, fosse revista a política fiscal, por forma a permitir o nascimento e desenvolvimento de pequenas e médias empresas, que fossem mais competitivas graças à fiscalidade, reduzida, e que criariam maior emprego, proporcionariam maior consumo e dinamizariam mais a economia. No fundo trata-se de diminuir a despesa pública, permitindo assim diminuir a receita fiscal e em simultâneo proporcionar maior desenvolvimento fora da esfera do Estado.


 

A Esquina do Rio, de 5 de Novembro

HERANÇA 


Escrevo terça-feira à noite, depois de assistir a resumos do dia parlamentar. Se não tivesse visto, não acreditaria. Ninguém, em seu perfeito juízo, que olhasse para o que se passou no Parlamento, poderia achar que existia, firmado a menos de 72 horas, um acordo sobre o Orçamento de Estado. Se Louçã fez o que lhe competia, procurando tirar vantagens do facto de o Orçamento passar graças à abstenção do PSD, já se compreende menos que o próprio Sócrates se tenha dado ao desplante de atacar o seu parceiro de negociação, precisamente por ter negociado e por ter procurado ser discreto na negocição.


 


Estava sentado a ver o resumo de imagens, olhava para a cara de Sócrates e para as as suas afirmações, dos seus ministros e dos seus parlamenteres, e dei comigo a pensar que o ambiente entre os pilotos kamikaze japoneses não devia ser muito diferente. Se exceptuarmos a questão da honra e do patriotismo, que os kamikaze japoneses tinham, o comportamento de Sócrates é igual apenas em matéria de vontade suicida.


 


Procura ansiosamente o fim, procura provocá-lo - esta negociação, em boa parte, foi contra os seus planos:  No seu íntimo teria preferido romper e conseguir uma saída aparentemente honrosa para a situação.


 


Nestas últimas semanas acho que Sócrates se imaginou a conseguir seguir a tendência exportadora de alguns recentes ex-primeiro ministros portugueses: Guterres foi para ass Nações Unidas, Durão Barroso para  a Comissão Europeia, ele talvez se imaginasse nalgum cargo internacional de Atletismo, ligado ao jogging e às meias maratonas – a mais não poderia aspirar embora, no fundo, o seu sonho fosse ser um Al Gore europeu a fazer powerpoints filmados sobre as energias renováveis.


 


Olho para o que se passou nestes últimos dias e vejo um rasto de mentiras, por parte do Governo, em todo este processo negocial. Numa negociação destas quem tem de mostrar boa fé é quem tem o objecto de negociação na mão – o Orçamento. Ora foi eaxactamente isso que não se viu - o Governo nunca esteve, aparentemente, de boa fé. Teixeira dos Santos poderá ser um homem sério, mas em todo este processo não foi essa a imagem que transmitiu.


 


Estamos autenticamente em clima de fim de festa, rufam já os tambores de eleições no horizonte. Olhamos para o futuro e vemos o que Sócrates nos deixa:  um país pior, uma economia destruída, um clima de corrupção generelizado, a desconfiança dos cidadãos em relação ao Estado. Em suma, a receita para que a participação eleitoral seja menor, para que as pessoas participem menos nas grandes decisões. A imagem que


Sócrates pretende fazer passar - de infalível e insusbtituível -  ajuda muito pouco a que as novas gerações olhem para a política com, vontade. À sua volta só vêem mentira, demagogia, engano.


 


Se Sócrates cumprir o mandato legislativo até ao fim há uma geração que irá votar pela primeira vez depois de quinze anos de desgoverno de Guterres e Sócrates. Um a geração que usos Magalhães, mas que tem uma economia destruída, finanças púnblicas caóticas e possibilidade de emprego compatível com as qualificações muito difícil. É uma pesada herança. Mas é o que Sócrates levará às costas quando sair.


 


 


RESUMO DA SEMANA


Em matéria de Orçamento, Sócrates, primeiro, empatou as negociações; a seguir Sócrates engoliu as negociações; depois, Sócrates atacou as negociações.


 


ARCO DA VELHA


O processo Facer Oculta começa cada vez mais a ter caras visíveis: depois de Armando Vara, eis que Mário Lino também surge no processo. Segundo a acusação o ex-Ministro das Obras Públicas, uma das mais ridículas e penosas figuras da governação socrática, terá intercedido a favor de Godinho, procurando avolumar-lhe as negociatas, sob o argumento de que o empresário seria um «amigo do PS». Bem sei que é uma piada um bocado secante e que o homem, no fundo, é um sucateiro  - mas com amigos destes, quem precisa de inimigos?


 


REGISTO


Cavaco Silva, no twitter, no primeiro dia do debate parlamentar sobre o Orçamento de Estado em que o PS acusou o PSD de ter vergonha do acordo que fez, disse vewr “com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates”.


 


PERGUNTA


O que é feito da Ministra da Cultura e da política cultural?


 


FOLHEAR  


A edição de Novembro da revista Vanity Fair é dedicada aos diários secretos de Marilyn Monroe, ou seja, à maneira como ela encarava os Kennedys, os seus maridos e amantes e as preocupações que a atormentavam. Mas esta belíssima edição daquela que muitos consideram ser A REVISTA por excelência, tem também uma curiosa entrevista com o princípe Carlos de Edimburgo e um artigo que bem podia ser intitulado o Watergate parisense, sobre as ligações de Liliane Bettencourt, a herdeira da L’Oreal, com o Presidente Sarkozy. Picante, atrevida e aliciante – é esta a imagem de marca da Vanity Fair, uma indispensávelleitura todos os meses. Como bónus, nesta edição, a mostra, em primeira mão para os leitores da revista, das aventuras de David Hockney com o aplicção Brushes para o iPad. Deliciosas. Alguma coisa de novo está a nascer.


 


OUVIR


O que eu gosto mais em Tricky é de ele dar a ideia de que trabalha para que os ouvites da sua música se sintam parte da aventura dos sons, do ambientes, do espírito nómada e irrequieto que anima os seus discos. Desde que  se fez notado nos Massive Attack, e, depois, quando começou a sua carreira a solo, Tricky tem persistentemente explorado a capacidade de produzir sonoridades que percorrem os rimos e os ritos do encantamento. Umas vezes não consegue atingir os seus objectivos e noutras, felizmente, como acontece neste «Mixed Race», acerta em pleno no alvo. Em 2008 Tricky fez um album chamado «Knowle West Boy», que surgia um pouco como o seu regresso às origens. Este novo «Mixed Race» tem pouco mais de meia hora, as canções raramente passam os três minutes, as faixas são envolventes e intensas. Não era preciso mais tempo. É a medida certa para um grande disco. (Tricky, Mixed Race, CD Dominico)


 


PROVAR


O local é muito simpático – literalmente em cima do Tejo, no Cais do Sodré, fica mesmo ao lado do Bar do Rio. A esplanada, desde que não chova, nestes dias simpáticos de Outono, é uma possibilidade. O Ibo tem uma inspiração moçambicana, bem expressa na carta. Mas para quem não quer arriscar nessa aventura (e faz mal), tem atractivos europeus – até nos belos bifes. A decoração é sóbria, contemporânea e confortável, o serviço tenta ser atento e a cozinha é verdadeirtamente a boa razão de conhcer esta casa. Eu submeti-me com gosto ao caril de caranguejo desfeito, um prato de confecção fabulosa, com origens em Moçambique. Desta safra há mais propostas, na carta. Se quiser uma coisa mais, digamos, ocidental, prove os impecáveis filetes de polvo com arroz de feijão manteiga, ou, as vieiras salteadas com açafrão. Remate a refeição com banana crocante, acompanhada de gelado. Se conseguir peça uma mesa no primeiro andar, do lado do rio. A vista é de cortar a respiração. Pena que as obras de António Costa tenham estragado tanto a envolvente deste restarurante. Merecia bem melhor. IBO,  telefone 21 342 36 11, fica no


Armazém A, compartimento 2, Cais do Sodré, logo a seguir á estação de combois. Encerra Dopmingo ao jantar e segunda-feira todo o dia.


 


BACK TO BASICS


Ser contra o aumento de impostos é o único combate intelectual susceptível de trazer alguma recompensa – John Maynard Keynes.

novembro 02, 2010

O PIÁSSABA

(publicado no Jornal metro de 2 de Novembro)


 


Caros leitores. Proponho-vos que adiram ao movimento «Um piássaba para António Costa». Eu sou o primeiro aderente e já tenho o meu piassaba para entregar nos Paços do Concelho. É o mínimo que eu posso fazer. Vejam bem: percebo que existe crise, sei que a Câmara tem dificuldades (por isso é que aplica a taxa do subsolo à conta do gás…), e por isso mesmo, antes que me imponham uma taxa nova sobre a sola dos sapatos, comprei um belíssimo piássaba de cerdas amarelas na drogaria aqui do bairro.


 


A minha lógica é esta – se para tomar banho com água quente o Costa me impõe uma taxa, então para ter os pés secos e evitar que as sarjetas entupidas alaguem as ruas, ainda me vai fazer pagar uma taxa maior. De maneira, que bem vistas as coisas, resolvi lançar este movimento. Se formos muitos a alinhar nos piássabas, António Costa receberá ferramenta suficiente para poder evitar que se repitam as cenas de sexta-feira passada.


 


Eu, por mim, gosto das ruas assim mais ou menos sem enxurradas. Eu imagino que será pedir muito – mas também me parece que se podia fazer um esforço. Por isso me lembrei deste movimento, pode ser que ajude a limpar as sarjetas. Não me lembro, em anos da minha vida, de ver a Avenida da Liberdade transformada num ribeiro, nem um Rossio num lago. Certo, certo, é que qualquer dia temos que comprar um bote para podermos circular em Lisboa em dias de chuva.


 


Eu até percebo que pode existir aí a ideia de que importar os canais de Veneza para Lisboa pode fazer aumentar o fluxo de turismo dos países de Oriente. Estou mesmo a ver turismos japoneses em barcos de borracha com a marca Cityrama. Mas sinceramente acho é que tudo isto é desleixo, facilitismo, falta de trabalho e falta de previsão – enfim, aquilo que é o dia a dia da cidade de Lisboa nas mãos de António Costa.


 

outubro 27, 2010

JÁ ME ESTÃO A IR AO BOLSO

Aqui há cerca de um ano os eleitores de Lisboa foram a votos e António Costa foi o vencedor, por reduzida margem aliás. Fez uma campanha essencialmente pró-governamental:  por exemplo defendia que a terceira ponte tivesse utilização automóvel, trazendo mais carros para a cidade; defendia que o aeroporto saísse da Portela; defendia o contrato do novo terminal de contentores de Alcântara. Nenhuma destas medidas era favorável para a cidade, todas pioravam a qualidade de vida dos seus habitantes.


 


No geral António Costa associou-se, na sua campanha, aos projectos de grandes obras públicas, e à transformação da cidade. O maior sinal desta transformação, nestes seus anos à frente da Câmara, está plantado no feio deserto em que o Terreiro do Paço foi transformado e no funcionamento da EMEL  (abusivo e lesivo dos habitantes da cidade) e ineficaz nos resultados alcançados – quem não se lembra da promessa do fim do estacionamento em dupla fila, já lá vão quase três anos?


 


António Costa prometeu muito durante a sua campanha eleitoral, mas tem cumprido muito pouco do que tem prometido. Curiosamente, uma coisa que ele não prometeu, mas que foi rápido a fazer, foi ir ainda mais ao bolso dos lisboetas . Na semana passada os moradores de Lisboa começaram a receber nas facturas de gás a cobrança de uma taxa de ocupação de subsolo. Quer dizer, a Câmara resolveu cobrar a utilização do subsolo pela empresa que faz a distribuição do gás. Os consumidores já pagam o serviço que recebem – mas agora têm também de pagar à Câmara para poderem ter gás canalizado em casa.


 


Quem vive em Lisboa, quem aqui paga IRS, eventualmente IMI e IMT, quem paga as taxas de instalação e revisão do gás (com os abusos que se conhecem…), quem paga a própria factura do fornecimento, tem agora que pagar mais uma taxa. Aqui está o que é a governação de António Costa – ir-nos ao bolso logo que arranja pretexto. Assim se promove o repovoamento de Lisboa.

Crise & Companhia

PSD – Na página 2 do «Correio da Manhã» do passado dia 19 vinha um artigo de Ângelo Correia com o discreto título «O Orçamento de 2011», onde o autor escrevia: «O PSD deve pois abster-se e nem negociar com o PS. Por experiência própria sabe-se que não se negoceia com quem não tem boa fé e, sobretudo, deseja o voto contra de Passos Coelho. O que p PS quer é fugir e é isso que não podemos consentir». Na mesma data em que o artigo foi publicado decorreu, à noite, um Conselho Nacional do PSD de onde saíram uma série de pressupostos negociais considerados necessários pelos social-democratas para, abstendo-se, viabilizarem o orçamento. Na prática a direcção do PSD fez ouvidos de mercador à sugestão de Ângelo Correia e avançou com uma plataforma para negociação. Ora acontece que desde sempre Passos Coelho foi considerado como muito próximo de Ângelo Correia, com quem trabalhou anos, e que, objectivamente o apoiou na campanha para conquistar a liderança do PSD. O «i», perspicaz, leu o artigo do «Correio da Manhã» e foi falar com Ângelo Correia. O resultado foi uma manchete que dizia: «PSD dividido - Ângelo Correia corta com Passos Coelho». Na peça do diário é citada uma declaração de Ângelo Correia que classifica de «inutilidade» a estratégia decidida por Passos Coelho.


 


Claro que tudo isto pode apenas ser uma tempestade num copo de água – mas pode igualmente ser um sinal do acentuar de divergências em relação à estratégia de Passos Coelho em toda esta questão orçamental e do PEC. O que é certo é que, pela primeira vez desde que assumiu a liderança do PSD, verifica-se uma clivagem no núcleo duro de Passos Coelho. Fora do núcleo duro, nas últimas semanas, multiplicaram-se manifestações de desagrado pela forma como a direcção social-democrata tem gerido todo o processo.


A expectativa sobre o desenrolar da situação, agora que a votação do OE foi adiada para os primeiros dias de Novembro, é grande. Passos Coelho pôs-se mais uma vez na posição de continuar a admitir a possibilidade de votar contra o Orçamento. Há quem defenda, dentro do PS, que não ceder ao PSD e provocar um voto contra – com todas as consequências que isso trará – vai lançar o ónus de provocador do caos sobre o PSD e Passos Coelho. Estamos como num jogo de futebol arriscado – prognóstico só no final do jogo. Mas a verdade é que não se percebe, em termos políticos e em termos de comunicação, a estratégia da equipa de Passos Coelho. E a questão de saber se não seria mais eficaz deixar ficar o PS com o ónus dos disparates orçamentais cometidos e prometidos vai voltar a colocar-se. O grande problema, o maior problema, é o facto de mais uma vez – depois do PEC, depois da questão da Revisão da Constituição - o PSD aparecer hesitante, com posição indefinida durante demasiado tempo, a tornar evidentes contradições internas. Com esta clivagem pública de Ângelo Correia abre-se uma nova fase na complicada vida interna dos social-democratas. Está aberto o processo de uma nova crise e não há-de faltar muito para começarmos a assistir a novas contagens de espingardas.


 


ROUBO - Esta semana os munícipes de Lisboa começaram a receber nas contas do gás a cobrança de uma taxa de ocupação de subsolo. Quer dizer – quem vive em Lisboa, quem aqui paga IRS, eventualmente IMI e IMT, quem paga as taxas de instalação e revisão do gás (com os abusos que se conhecem…), quem paga a própria factura do fornecimento, tem agora que pagar mais uma taxa. Regulamentada a jeito pelo Governo, a nova taxa é uma forma de assalto à mão armada de que algumas autarquias se socorrem para contornar a diminuição das transferências do Estado ou para garantirem aumentos de receitas. Esta nova taxa é um abuso, é um absurdo, é um descaramento e, sobretudo, é  injusta e profundamente imoral. A taxa de ocupação do subsolo é um expediente de ladroagem pura e simples executada por quem aprova e põe em prática medidas destas. Pelos vistos é é assim que António Costa pretende repovoar a cidade.


 



NOTÍCIA – Costuma dizer-se que um cão morder um homem não é notícia, mas um homem morder um cão já o é. Sem desrespeito por ninguém, é o que aconteceu esta semana, quando foi Marcelo Rebelo de Sousa a informar da data do anúncio da candidatura à presidência de Cavaco Silva, antecipando-se ao próprio e gabando-se de um autêntico furo jornalístico em directo, na televisão. Para além da questão do absurdo tabu de Cavaco, toda esta história mostra outra coisa - tal como em algumas actividades económicas, em política, a falta de concorrência gera péssimos efeitos. É o que está a acontecer nas presidenciais .


 


ARCO DA VELHA – Muito ruidoso o silêncio de Manuel Alegre. O Bloco de Esquerda, que o propôs como candidato em primeiro lugar, já disse que vota contra o Orçamento. O PS, que depois veio também apoiá-lo, vai votar a favor. Fernando Nobre já disse que votaria contra, se fosse deputado. E Manuel Alegre está em parte incerta, evitando ter que falar. Para quem se dizia adepto da transparência é um quadro interessante de seguir. À hora a que escrevo, no seu site de candidatura não existe nem uma linha sobre o assunto e o título em destaque era: «Criar a energia necessária para uma nova esperança para Portugal». Pois….

SUGESTÕES

FOLHEAR Cada vez gosto mais de folhear a revista «The Atlantic», publicada em Washington. É uma revista sobre política, é claro, mas é também uma revista sobre o que se passa no nosso mudo, em termos de tendências, evolução de comportamentos, análise da sociedade. A edição de Outubro traz um belo artigo sobre os falhanços da geração dos Baby Boomers (os nascidos nos anos 60), uma curiosa análise da vice-presidência de Joe Biden, uma avaliação do trabalho de Schwarzenegger na Califórnia, para além de diversas colunas, e uma sempre actual selecção de livros. A edição on line é também excelente – e um case study de rentabilidade e modelo de negócio.


 



OUVIR – Para assinalar os seus 50 anos de vida musical, o guitarrista de jazz Lee Ritenour pôs de pé o projecto  «6 String Theory», chamando para o seu lado uma série de 20 guitarristas, desde John Scofield a George Benson, passando por Slash, BB King, Keb’ Mo, Robert Cray ou Andy McKee, entre outros. Discos deste género podem ser uma maçada, de exercícios virtuosos ou malabarismos sem sentido. Não é felizmente o caso – este CD é verdadeiramente uma delícia para todos os que gostam do som de uma guitarra de seis cordas a interpretar temas clássicos da música popular norte-americana. (CD Concord).


 




VER – Duas exposições bem diferentes que vale a pena visitar: na Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38, até 19 de Novembro) uma evocação da obra de Fernando Calhau, intitulada «Deserto»; e, noutro registo, no Instituto Português de Fotografia (Rua da Ilha Terceira, 31 A )o fotógrafo Valter Vinagre (do colectivo Kameraphoto) apresenta uma série de fotografias feitas na escola do Chapitô sobre o universo do circo, intitulada «Paixão».


 



PROVAR – Já não ía à Vela Latina há algum tempo, mas esta semana tive ocasião de me penalizar por não frequentar este restaurante mais vezes. Comi um excelente pregado frito com um arroz de grelos perfeito e ao meu lado invejei uns ovos mexidos com cogumelos. O serviço continua afectuoso, a carta é extensa em propostas culinárias e em vinhos, a localização é boa, no terraço (coberto) pode fumar-se e o bar continua simpático. Doca do Bom Sucesso, telefone 213017118.


 



BACK TO BASICS – A conversação erudita é a pose do ignorante ou a ocupação do homem mentalmente desocupado – Óscar Wilde

outubro 21, 2010

UM TRISTE DILEMA

Dei comigo a pensar que já tinha ouvido muita gente comentar a proposta de Orçamento de Estado para 2011, mas ainda não sei o que Manuel Alegre pensa sobre o assunto. Fui ao sítio oficial da candidatura e esbarrei numa espécie de exercício de ilusionismo político. Passo a explicar: lá só estão boas notícias, inaugurações de sede de campanha, relatos de apoios, manifestações de simpatia. Quem lá entrar não vislumbra crise em Portugal nem sequer sabe que anda tudo a falar sobre o Orçamento de Estado.


 


O candidato Fernando Nobre fez questão, no sábado passado, de declarar que se fosse deputado votaria contra este orçamento. Manuel Alegre continua silencioso, mais uma vez a ver se a tempestade passa. Manuel Alegre está num dilema: de um lado é apoiado pelo Bloco de Esquerda, que vai votar contra o orçamento; do outro é o candidato oficial do Partido Socialista, que propõe o orçamento e obviamente se baterá por ele. No meio fica Alegre, perdido na confusão ideológica que o caracteriza, espartilhado entre compromissos, empurrões e apoios, e sem poder dizer grande coisa evitando irritar uma das partes.


 


A política faz-se de posições sobre questões concretas. Faz-se de um programa claro, baseado em factos, medidas, objectivos. Um candidato presidencial tem que saber analisar a realidade e agir em função disso. Precisamente é isso que Manuel Alegre, por mais de uma vez, se mostra incapaz de fazer. É muito difícil querer agradar simultaneamente ao endeusado Sócrates e ao diabolizado Louçã.


Tudo isto é curioso porque até há pouco tempo Alegre acusava Cavaco de ser demasiado conivente com compromissos e de manter silêncios habilidosos – de ser pouco frontal e transparente, em suma. Vai-se a ver e é o próprio Alegre que agora está enredado numa teia tão densa que é tudo menos transparente, tudo menos frontal. Este episódio tem pelo menos uma vantagem: mostra que a candidatura de Alegre não tem programa e não tem coerência.


 

outubro 15, 2010

LUGARES COMUNS

Os dias, agora podem começar aqui

SOBRE A CRISE DA IMPRENSA

Olho para a imprensa em Portugal com preocupação. Este ano as estimativas indicam que o valor do investimento publicitário nos jornais diários generalistas vai ser menor que o investimento publicitário em canais de televisão por subscrição (cabo e satélite), menor que o investimento em rádio e muito semelhante ao do investimento em internet e meios digitais. Isto quer dizer que a imprensa está a perder simultaneamente competitividade e capacidade de atracção dos grandes investimentos publicitários geridos por agências. Ao mesmo tempo o declínio de vendas em banca da maior parte dos jornais diários generalistas é acentuado, com excepção do «Correio da Manhã». Jornais especializados, como este «Jornal de Negócios», mantém os seus leitores e até consegue reforçá-los – sem dúvida porque fala do que interessa à sua audiência e selecciona bem os temas que desenvolve. Já muitos jornais diários parecem mais preocupados com os gostos e interesses pessoais dos seus jornalistas do que com trabalhar aquilo que pode fazer aumentar o número de leitores.


 


Aquilo que a imprensa vende não é apenas espaço de publicidade, é a capacidade de comunicação com os seus leitores – o número de contactos que permite -  e é, também, a qualidade dos seus leitores. Se o número de leitores diminui, é evidente que fazer publicidade num determinado título se torna menos apelativo.


 


Do meu ponto de vista a maioria da imprensa diária está a ser penalizada por um movimento conjugado de diminuição da qualidade dos seus conteúdos e pela falta de adequação de conteúdos aos alvos que interessam Alguma imprensa diária colocou-se a ela própria numa situação de quase marginalidade, tratando mais temas de interesse minoritário do que assuntos que estabeleçam relação com os leitores.


É assustador pensar que hoje os jornais diários generalistas são em menor número do que no dia 24 de Abril de 1974, mas sobretudo têm dezenas de milhares de leitores a menos. Algures os jornais diários divorciaram-se do público e o fenómeno é anterior às edições digitais.


 


Por via de regra a maioria dos jornais diários, sobretudo os ditos de referência, abordam poucos temas portugueses, para além da política. Uma comparação com os principais jornais de referência de outros países mostra um menor número de notícias nacionais em temas como sociedade e comportamento, uma menor cobertura de áreas como a saúde e a educação, uma muito deficiente cobertura do noticiário local e regional que garantem leitores de proximidade.


 


Os jornais anglo-saxónicos, por exemplo, frequentemente fazem reportagens sobre um grande tema de garantida proximidade com os leitores, reportagens essas que são divididas por sucessivas edições diárias, quase em género folhetim, culminando depois em dossieres especiais ou portfolios relacionados com o tema nas suas revistas de domingo. Os leitores sentem-se compelidos a seguir a história, a ver os seus vários ângulos de abordagem e, sobretudo, porque os temas são bem escolhidos e têm um enfoque local, regional ou nacional, conseguem estabelecer uma relação de utilidade com o que estão a ler.


 


Um dos jornais de referência de Lisboa publicou recentemente uma série alongada de boas reportagens sobre o ambiente que se vive em aldeias mexicanas por causa dos cartéis da droga. Bem escritas, as reportagens tinham um fio condutor. Mas o mesmo jornal não publica há meses – talvez há anos – reportagens assim estruturadas sobre situações existentes em Portugal – feitas com aqueles meios, com aquele espaço de paginação, com aquela qualidade de escrita. Se o tema tivesse uma capacidade de ligação maior a leitores portugueses e se fosse bem promovido, talvez o jornal tivesse outros resultados de venda e de receitas comerciais – e sem necessidade de fazer maiores investimentos.


 


A questão do marketing dos jornais ganha, neste contexto, particular importância. Nos últimos anos os jornais têm apostado sobretudo o seu marketing na venda de produtos associados (CD’s, DVD’s, livros, brindes diversos). Essas campanhas provocam algum aumento de receita, provocam aumento pontual da circulação ( e são muito eficazes quando coincidem com o trabalho de campo da recolha de dados dos estudos de audiência da imprensa). Mas o marketing de conteúdo, que se tem mostrado eficaz nos canais de cabo e na rádio, por exemplo, quase não é utilizado na imprensa. – no fundo porque muita imprensa tem desprezado a qualidade dos seus conteúdos e a sua adequação aos seus públicos-alvo.


 


Os media só são bons suportes publicitários quando conseguem entregar a capacidade de comunicação com as audiências. E as audiências são movidas por conteúdos que lhes interessem. Eu acho que o problema de muita da imprensa portuguesa é que se esqueceu desta questão básica.

PARA OS GRAFOLOGISTAS POTENCIAIS

A revista «Egoísta» fez um delicioso número especial, extra-série, de formato reduzido, quase um livro,  a partir de um espólio de manuscritos que inclui cartas de nomes como José Régio, Fernando Pessoa, António Botto, Amadeo de Souza Cardoso e Santa-Rita Pintor, entre outros. A análise grafológica dos manuscritos e considerações gerais sobre o tema estão a cargo de Alberto Vaz da Silva, um reputado especialista no assunto.


 


O resultado é uma edição deliciosa e de colecção que merece ser guardada. Paginação excelente, textos aliciantes (os dos manuscritos e a sua interpretação). Ou seja, a revelação do ser através do seu escrever, como bem sublinha Mário Assis Ferreira, que dirige a «Egoísta».

PARA OUVIR NO GÉNERO COUNTRY MADE IN LED ZEPPELIN

Robert Plant fez carreira nos Led Zeppelin mas as suas aventuras musicais mais recentes revelam uma inesperada frescura e uma criatividade surpreendente. «Band Of Joy» é o seu mais recente registo e vai buscar o nome a uma banda de tendência psicadélica que Plant liderou ainda antes dos Led Zeppelin.


 


O disco tem uma sonoridade claramente country, que lhe é dada pelo propdutor Buddy Miller. A selecção de temas é eclética e vai de originais de Richard Thompson a clássicos de Lightin’ Hopkins, e Jimmie Rodgers, até ao rock de Los Lobos ou de Townes Van Zandt. A voz de Patty Griffin ajuda Robert Plant, mas é indiscutivelmente a ele que se devem atribuir os louros por este belíssimo disco. (CD Decca, Amazon)


 

PROVAR O MATTOS

As lulas à Mattos são o prato forte da casa – forte e bem temperado, a exigir calma e sossego posteriores. Mas as ofertas de peixe e carne grelhada como os secretos de porco preto ou as costeletinhas de borrego também fazem parte dos ex-libris da casa, que fica bem perto da Avenida de Roma, junto ao teatro Maria Matos. Já agora cabe aqui elogiar as batatas fritas, cortadas em palitos fininhos, de boa batata e boa fritura, e que são um verdadeiro pecado.


 


A garrafeira é cuidada e actual, a freguesia gosta de cozinha portuguesa e de doces conventuais – que são a guloseima do local. De modo que não é invulgar ver no local alguns clientes com, digamos, algum excesso de peso – mas com ar feliz e bem disposto. Rua Bulhão pato 2ª, telefone 218483924, encerra aos Domingos.

ARCO DA VELHA

Segunda feira passada a RTP liderou as audiências, bateu SIC e TVI, e não transmitiu futebol. O bom resultado foi-lhe dado pelos resultados do «Prós e Contras» desse dia, dedicado à crise, segundo os três ex-Presidentes da República: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.


 


 Eanes foi o mais lúcido ao dizer : «Dá impressão que os Governos têm medo da sociedade civil e por isso escondem a verdade». Enfim, não é medo da sociedade civil, é mais medo de perderem votos. Mas no fundo foi o único com coragem para afirmar: «Devíamos ter tido só um PEC, ousado, arrojado e justo». De qualquer forma as boas audiências destas figuras mostram o velho sebastianismo português.


 

BACK TO BASICS

 


A indiferença pela coisa pública leva a que sejamos governados por má gente - Platão


 


 

outubro 14, 2010

UM JOGO DE XADREZ

A situação política portuguesa está a ficar perigosamente parecida com um jogo de xadrez em que os jogadores resolveram aplicar as regras do poker e movem as peças fazendo estranhos movimentos de “bluff”.  O PSD entra com vários jogadores, que fazem movimentos dispersos, às vezes contraditórios e algumas vezes confusos. O Governo mantém a pressão e tenta não abrir brechas. Por cima, o Presidente da República sente-se irrequieto e incomodado com as complicações surgidas em cima de termo de mandato, preocupado em saber quando, no meio desta tormenta, arranjará espaço para anunciar a recandidatura que é o tabu mais idiota do país. O outro candidato presidencial já desistiu de colocar peças no tabuleiro porque a última coisa que pretende é ser chamado a comentar as medidas do PS no Governo. E, finalmente, Paulo Portas está inusitadamente sossegado, espreitando por cima dos ombros dos jogadores, para ver se surge um momento em que ele possa pegar numa peça e fazer um movimento que o coloque na posição de poder ser ele a gritar “xeque-mate”.


Os efeitos da crise na imprensa e nos comentadores também são curiosos – um jornal anunciava este fim de semana a data de demissão do primeiro Ministro, os editoriais e comentários falam todos sobre o mesmo assunto – incluindo este. O país está obcecado pela crise e Passos Coelho está enredado no seu próprio tabu – se vota contra, ou se se abstém, deixando, neste caso, passar o Orçamento.  Aposto que no seu íntimo Sócrates gostaria que o Orçamento fosse chumbado – isso permitiria que se vitimizasse, encontraria uma forma airosa de responsabilizar outros pela situação e tentaria ainda sobreviver. A ele, agora como nos últimos anos, pouco importa a situação do País. Ele conhecia os perigos que corria com as medidas que foi tomando – mas sabia que elas lhe compravam votos e apoios. Sócrates é apenas movido pelos seus objectivos pessoais, pelo Poder e pelo seu agudo instinto de sobrevivência. Se o País fosse uma preocupação para ele, há muito que teria percebido o que tinha de ser mudado.

O ALEGRE AUSENTE

Manuel Alegre foi o único candidato já anunciado às próximas eleições presidenciais que não esteve nas comemorações oficiais do Centenário da República, na Praça do Município, em Lisboa. A versão oficial diz que ele esteve em Loures e no Barreiro, onde a República terá sido proclamada ainda antes de Lisboa. A evidência no entanto é que Manuel Alegre preferiu ir para locais onde não corresse o risco de ser confrontado com a pergunta: «que acha das medidas de austeridade anunciadas pelo Governo?». Se tivesse ido à Praça do Município, Manuel Alegre teria que falar aos jornais,às estações de rádio, ás estações de televisão. Seria impossível continuar com o silêncio, algo covarde, atrás do qual se tem escondido desde que Sócrates anunciou que ía mesmo ter que fazer cortes sérios. A atitude de Manuel Alegre, a forma como se esconde, diz muito sobre a sua frontalidade, sobre a sua tranaparência e, sobretudo mostra a enorme clivagem, que se há-de acentuar ainda mais, entre as medidas que o PS toma e o que o candidato propagandeia. Manuel Alegre tenta o equilíbrio entre os seus dois apoiantes – PS e Bloco de Esquerda – mas a única coisa que consegue é esconder-se.

TOLERÂNCIA REPUBLICANA

No dia das comemorações do centenário da República um grupo de simpatizantes monárquicos, na maioria alinhados com o blogue  “31 da Armada”, estava perto da Praça do Município e os participantes colocaram máscaras de Darth Vader, personagem da ”Guerra das Estrtelas” que tem sido a imagem de marca daquele blogue. O curioso é que foram abordados por polícias à paisana, vários deles de cabelos rapados e óculos escuros, que lhes quiseram tirar as máscaras, não se sabe bem por que razão nem por qual autoridade. Noutra rua ali próxima um conhecido humorista da TV, Jel, dos Homens na Luta, fazia uma das suas habituais intervenções, proclamando que na sua opinião estamos numa república das bananas - e por esse facto foi detido e levado para identificação pela polícia. Num regime que se quer expoente da Liberdade, estes comportamentos são curiosos . Mais elucidativo ainda é o relativo e dominante silêncio dos media sobre estas atitudes - e já agora também sobre as cerimónias evocativas da Monarquia que na mesma data ocorreram em Guimarães, sem dignatários do regime nem usufrutuários dos dez milhões de euros das festividades republicanas, mas com largas centenas de pessoas, que lá se deslocaram de propósito a expensas próprias, num ambiente de festa popular em contraste com o cinzentismo da Praça do Município.

RETOCAR A MÚSICA

Nestes dias outonais nada como um bom disco de jazz, feito por um trio com uma formação intocável- piano, baixo e bateria. No piano está Jason Moran, no baixo está Tarus Mateen e na bateria está Nasheet Waits. Este trio completou dez anos de existência, já que o seu disco estreia foi “Facing Left”, de 2000. Matematicamente, este novo registo chama-se ”Ten” e reafirma como o talento de Moran está em conseguir fundiar a sua sensibilidade clássica com a intensidade da inspiração afro-americana dos músicos que o acompanham. Grande parte dos temas são da autoria do próprio Jason Moran, mas vale a pena ouvir com atenção as suas versões de “Crepuscle With nellie” de Thelonius Monk e de “Big Stuff”, de Leonard Bernstein. “Ten”, CD Blue Note, na Amazon. Chama-se a isto retocar a música. Bem retocada.


AGATHA CHRISTIE DESCOBRE A SÍRIA

Agatha Christie está no nosso imaginário como a autora de numerosos policiais de trama aliciante e desfecho inesperado. Mas confesso que conhecia muito pouco da sua vida pessoal. “Na Síria” não é bem um livro de viagens no sentido tradicional do termo - é mais o relato de experiências vividas num país, recordações de uma época, recordações assumidas com prazer. Agatha Christie, e isto eu também não sabia, casou-se com um arqueólogo britânico que conheceu nas suas experições. E antes da Guerra, durante uma década a partir de 1930, acompanhou o seu marido em sucessivas explorações e investigações na Síria. Este livrirelata essas viagens, as descobertas e facetas desconhecidas da escritora. Após as expedições á Síria, ela voltou para Londres onde viveu nos anos da II Grande Guerra. E foi só com o fim do conflito que terminou este livro, agora publicado em Portugal. É um deliciso relato de uma viagem para descobrir a Agatha Christie que desconhecemos. “Na Síria”, Edição Tinta da China, na Pó dos Livros. 285 páginas.

TRABALHO COLECTIVO

A nova proposta da Plataforma Revólver é uma exposição colectiva intitulada “Tough Love, Uma Série de Promessas”, que agrupa trabalhos de 12 artistas em diferentes fases da carreira criativa e provenientes de diversos países. O objectivo é “explorar o uso da arte em fornecer complementos exteriores para a noção de amor – uma jornada pessoal efémera composta por outras emoções mais provocatórias, incluindo o ódio, o desejo, a inveja e o destino”. Destaco os trabalhos de Cecília Costa, Agathe de Bailliencourt, Samira Abbasy, K.P. Reiji, Isabel Ribeiro , Greg LeFevre Marc Bijl e Zak Ové . A exposição estará patente até 20 de Novembro na Rua da Boavista 84-1º, Lisboa.