novembro 02, 2010

O PIÁSSABA

(publicado no Jornal metro de 2 de Novembro)


 


Caros leitores. Proponho-vos que adiram ao movimento «Um piássaba para António Costa». Eu sou o primeiro aderente e já tenho o meu piassaba para entregar nos Paços do Concelho. É o mínimo que eu posso fazer. Vejam bem: percebo que existe crise, sei que a Câmara tem dificuldades (por isso é que aplica a taxa do subsolo à conta do gás…), e por isso mesmo, antes que me imponham uma taxa nova sobre a sola dos sapatos, comprei um belíssimo piássaba de cerdas amarelas na drogaria aqui do bairro.


 


A minha lógica é esta – se para tomar banho com água quente o Costa me impõe uma taxa, então para ter os pés secos e evitar que as sarjetas entupidas alaguem as ruas, ainda me vai fazer pagar uma taxa maior. De maneira, que bem vistas as coisas, resolvi lançar este movimento. Se formos muitos a alinhar nos piássabas, António Costa receberá ferramenta suficiente para poder evitar que se repitam as cenas de sexta-feira passada.


 


Eu, por mim, gosto das ruas assim mais ou menos sem enxurradas. Eu imagino que será pedir muito – mas também me parece que se podia fazer um esforço. Por isso me lembrei deste movimento, pode ser que ajude a limpar as sarjetas. Não me lembro, em anos da minha vida, de ver a Avenida da Liberdade transformada num ribeiro, nem um Rossio num lago. Certo, certo, é que qualquer dia temos que comprar um bote para podermos circular em Lisboa em dias de chuva.


 


Eu até percebo que pode existir aí a ideia de que importar os canais de Veneza para Lisboa pode fazer aumentar o fluxo de turismo dos países de Oriente. Estou mesmo a ver turismos japoneses em barcos de borracha com a marca Cityrama. Mas sinceramente acho é que tudo isto é desleixo, facilitismo, falta de trabalho e falta de previsão – enfim, aquilo que é o dia a dia da cidade de Lisboa nas mãos de António Costa.