O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
abril 13, 2009
(Publicado no «Jornal de Negócios» de 9 de Abril)
abril 07, 2009
O OBSERVATÓRIO ESCONDIDO
(publicado no diário Meia Hora de 7 de Abril)
Na semana passada li muitas notícias sobre as «100 Horas de Astronomia Remota», uma iniciativa que permitia, a qualquer pessoa com acesso à internet, ligar-se a um dos observatórios astronómicos que, em todo o Mundo, ofereciam a possibilidade de, via computador, ver as imagens que esses observatórios captavam do Universo. Esta bela ideia faz parte dos eventos programados para o Ano Internacional da Astronomia e inclui uma outra iniciativa que tem o aliciante nome de «Volta Ao Mundo em 80 telescópios».
É engraçado ver que cada vez mais pessoas se interessam pela astronomia e constatar que as vendas de telescópios para uso doméstico andam em bom ritmo. É um bom sinal, é sinal de curiosidade pelo Universo, de curiosidade por perceber onde estamos e quais os limites que podemos ver, é, sobretudo, um sinal de interesse pela Ciência – ainda por cima vivido como um passatempo.
Neste contexto de interesse e paixão pela Astronomia seria natural que em Portugal se estimulasse a curiosidade pelos equipamentos que temos – nomeadamente pelo belíssimo Observatório Astronómico de Lisboa, construído por iniciativa de D.Pedro V nos terrenos da Tapada da Ajuda entre 1981 e 1987. No século XIX e em boa parte do século XX o observatório ganhou reputação internacional e hoje em dia, desde 1995, está intergrado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Para além dos equipamentos de observação, no edifício existe uma rica biblioteca, a melhor do país em temas de Astronomia e Astrofísica. Além disso o Observatório é quem mantém e fornece a hora legal de Portugal, desenvolve investigação científica, preserva e disponibiliza o acervo histórico, quer documental quer instrumental, e quer estimular e apoiar o ensino e a divulgação da Astronomia. Aliciante, portanto. E como se pode visitar? - perguntarão. Eu gostava de lá poder ir, mas eis a realidade: visitas apenas aos dias úteis, com entrada não depois das 15h00; só são permitidas visitas em grupos, não com mais de 15 pessoas e apenas com marcação prévia junto do observatório; para entrar há que comprar a respectiva admissão – que apenas pode ser adquirida nas instalações da Faculdade de Ciências no Campo Grande, junto à Cidade Universitária, portanto na outra ponta da cidade. Se isto não é matar à nascença a vontade de conhecer a Astronomia, digam-me lá o que será…
abril 06, 2009
(Publicado no Jornal de Negócios de 3 de Abril)
abril 01, 2009
SFF: DEZ MILHÕES PARA QUÊ?
(Publicado no diário Meia Hora de 31 de Março)
Por muito que me esforce não consigo ver particulares vantagens no regime republicano. Não há provas de que seja mais justo, menos corrupto, mais democrático, tão pouco mais participativo. Do ponto de vista prático, a República, em Portugal, resume-se a isto:
16 anos de balbúrdia, 48 de ditadura e 36 de tentativas democráticas com os resultados que estão hoje à vista: uma maioria absoluta arrogante e autista.
Por isso mesmo fico com os cabelos em pé quando leio que, estando o País como está, se vão gastar dez milhões de euros a celebrar os 100 anos da República. Celebrar o quê? Que fase da República? O que há exactamente para celebrar em 2010 – os 36 anos do 25 de Abril de 1974? A ineficácia do Parlamento? O abuso das maiorias absolutas? A crise das maiorias relativas? A instabilidade das coligações? Os 16 anos de golpes e contra-golpes e de total ineficácia da I República?
Já imaginaram como seria simpático se estes dez milhões de euros fossem oferecidos pelos republicanos aos museus portugueses? Se fossem investido de forma reprodutiva nalgum sector? São dez milhões de euros dos contribuintes que vão ser deitados à rua em folclore de propaganda e ilusionismo histórico. E, para cúmulo, o responsável pelas comemorações, queixa-se que dez milhões de euros são um montante «austero».
O retrato do que se passa no país devia levar a que existisse o bom senso de haver contenção nestas celebrações de um regime que vive de sucessões de pequenos escândalos, de primeiros-ministros que ou se demitem ou emigram, de golpes palacianos para afastar governos nas alturas mais convenientes (como fez Jorge Sampaio) ou de fechar os olhos à inexistência de Justiça em Portugal.
O regime, hoje, vive na permanente hipocrisia, numa sucessão de escândalos ligados ao financiamento dos partidos, que depois se traduzem em obras públicas de favor ou em autorizações feitas à pressa. A situação é tal que nem aqueles que mais financiam os partidos querem ver regulamentado o financiamento partidário, de forma transparente e aberta: como poderiam depois cobrar favores se fosse público com quanto haviam contribuído para a campanha vencedora?
O regime está podre e ameaça levar o País atrás. Na celebração deste triste feito gastam-se dez milhões de euros dos contribuintes. Para quê?
março 30, 2009
(Publicado no Jornal de Negócios de dia 27 de Março)
CULTURA - Não sou dos que embandeira em arco com a gestão de Manuel Maria Carrilho no Ministério da Cultura. Acho que fala bem, escreve melhor, lê muito, pensa razoável, mas o balanço concreto do seu mandato, promessas e fogo de artifício à parte, é, de facto, escasso em obra feita. Mas também reconheço que o texto que colocou a debate no PS sobre política cultural, e que esta semana foi divulgado na imprensa, é uma análise lúcida da realidade e do triste estado a que o seu partido deixou chegar as coisas. Infelizmente bem sei que em matéria de política cultural o PSD é praticamente inexistente, o que somado à forma como o PS de Sócrates tem gerido a área, deixa as maiores reservas para o futuro. Quanto mais não seja o texto de Carrilho é bom, precisamente para que fora do PS se reflicta sobre o que se deve fazer nesta área.
DESPORTO – Em Portugal deixou há muito de haver verdade desportiva no futebol e as histórias relatadas de corruptelas com árbitros sucedem-se - alguns a troco de dinheiro, outros de prendas, mais alguns a troco de favores sexuais. A única forma de devolver a moralidade ao jogo é punir os erros, porque se vamos à procura de processos judiciais e de provas acabamos naquilo a que a justiça portuguesa já nos habituou – o crime compensa. A Liga Portuguesa de Futebol tem a responsabilidade de criar um sistema que avalie o que se passa. E deve pensar, como noutras modalidades, que o recurso ao vídeo-árbitro é melhor forma de evitar as tentações e os enganos e de identificar os erros. A partir daí a Liga só pode encarar a punição dos erros dos árbitros como a única solução para moralizar o espectáculo desportivo.
MANIPULAÇÃO - O funcionamento da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) levanta cada vez mais dúvidas – desde a forma como a maioria dos seus membros analisou e eliminou as propostas concorrentes ao quinto canal, passando pelo papel de putativo censor de serviço (como no caso da TVI), quase nada funciona em termos transparentes e isentos. Dotada de um orçamento generoso e excessivo, pago pelas audiências e pelos operadores do sector (excesso que se vê bem nas contas que apresenta), a ERC devia ser escrutinada com rigor e cuidado pelo Parlamento. Mal nascida de raiz, fruto de um acordo politiqueiro, a ERC é o exemplo acabado dos perigos da manipulação política e da ineficácia do Parlamento como órgão de controlo deste tipo de entidades. Na realidade o mais certo seria rever a utilidade da própria ERC tal como ela está.
VER – No Museu Berardo, CCB, a exposição dos três finalistas da edição 2008 do BES PHOTO. O prémio tem gerado polémica ao longo dos anos, com um júri atreito mais a modas do que à abordagem da fotografia. Os três finalistas representam opções bem diversas: Luís Palma explora a contemplação, um naturalismo de inspiração pictórica algo óbvio mas muito em voga; Edgar Martins aborda a fotografia pelo lado da manipulação da imagem, com um resultado previsível, muito «arty» e politicamente correcto; e André Gomes surpreende pelo trabalho de concepção de narrativa e pela poética de «O Livro de Ângela», naquela que é, eventualmente, a mais conseguida utilização da fotografia como forma de expressão e criação patente nesta edição do BES Photo.
VER II – De entre as exposições em galerias lisboetas destaco a individual de José Pedro Croft na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80, a Xabregas, terça a sábado entre as 10 e as 20 horas). Croft apresenta desenhos, esculturas de chão e esculturas de parece em ferro zincado, colorido. As esculturas de parede, que são talvez a zona mais interessante da exposição, elas como que partem dos desenhos, formando um círculo de cumplicidades. É verdadeiramente uma mostra de equilíbrio e coerência.
LER – Continuo fanático da revista mensal «Monocle», confesso que tenho pena de não ter ouvido a conferência do seu director, Tyler Brulé, quando esteve recentemente em Lisboa, numa visita pouco divulgada. Na edição de Abril da «Monocle», entre muitos outros temas, destaque para uma entrevista com Bernard-Henri Levy, um artigo sobre o maior jornal do mundo, o japonês «Yomiuri Shibun» e uma multidão de pequenas e preciosas notas sobre o que vai acontecendo por esse mundo fora – a «Monocle» nos tempos que correm é acima de tudo um remédio contra a crise: afinal há coisas boas e que funcionam.
OUVIR – Molly Johnson é uma cantora canadiana, com uma voz de invulgar sentido rítmico. O seu novo disco, «Lucky» é uma selecção bem escolhida de standards de jazz em interpretações swingantes e cheias de energia. O quarteto que a acompanha está à altura e ajuda a fazer deste disco uma preciosidade. CD Verve/ Universal.
PETISCAR – Há cerca de quarto anos o chefe Hardev Walia decidiu mudar-se de Londres para Lisboa e dar a conhecer aos alfacinhas prazeres desconhecidos da cozinha indiana. Mestre na arte de escolher as especiarias e fazer o tempero, chamou ao seu restaurante «Tamarind», um fruto tão exótico e delicioso como as receitas que Hardev Walia prepara. A sala é pequena, colorida e tranquilizante – à noite reservar é prudente. Existe um menu de almoço com quatro escolhas, a bom preço, e, à noite, independentemente da carta, vale a pena perguntar ao chefe o que ele propõe. Os seus conselhos são de seguir – se acha que um caril de grão é uma coisa estranha, perca o receio e escolha chana masala; mesmo que não seja grande apreciador de borrego não hesite no rogan josh – nunca provou nada assim. O pão Nan de alho é extraordinário, os molhos de entrada são bem condimentados e para sobremesa peça o gelado de pistacchio com doce de cenoura quente ou a mousse de chocolate com queijo e natas, acompanhada de palitos de gengibre – arrebatador. Restaurante Tamarind, Rua da Glória 43-45, tel. 213 466 080.
BACK TO BASICS – O desporto não serve para criar carácter, apenas para revelar o que existe - Knute Rockne
março 25, 2009
ERA UMA VEZ A BOLA
(Publicado no diário Meia Hora de 24 de Março)
Era uma vez um jogo tão delirante que apenas podia ser contado numa fábula. Puseram-lhe o nome de futebol. Havia quem pensasse que era um desporto – mas na realidade tornou-se apenas num espectáculo, preparado e ensaiado como todos os espectáculos, com vários finais possíveis, com especialistas em efeitos especiais, com uma multidão de peritos no desenvolvimento do negócio, empenhados em eliminar o acaso.
Era uma vez um desafio de futebol entre duas equipas grandes. No final, quem ganhasse levava uma taça de cerveja bem recheada de notas – e sempre ficava com um prémio de consolação por outras vitórias não conseguidas.
Era uma vez um árbitro que entrou no relvado com a missão de dar a vitória a uma das equipas – a bem dizer esta era uma tradição antiga: volta e meia faziam-se umas combinações para ver como se dividiam os vários troféus entre as principais equipas daquele país. Este ano, uma delas estava necessitada. O árbitro sabia o que esperavam dele. Dias antes do jogo havia já quem dissesse o que ía suceder – havia uma combinação e o assunto era tema de conversa
Era uma vez um especialista do equilíbrio do negócio da bola que explicou a um observador distraído como as coisas se passam: sabes, para o negócio ser rentável, para haver gente no estádio, para as televisões comprarem jogos, para se vender a publicidade dos principais desafios, é preciso manter as equipas do topo da tabela com bom astral – é bom para os adeptos, é bom para as contas dos clubes e é bom sobretudo para a máquina toda. E disse mais: sabes, isto é uma coisa que envolve muita gente, alimenta muitas famílias, não é uma brincadeira de crianças com uma bola de trapos. Aqui o que interessa – continuou o especialista – é que isto continue a ser um negócio. Como em outros negócios – finalizou peremptório – às vezes temos que perder para depois ganharmos mais.
Regresso à fábula: era uma vez um jogo que estava a dar a vitória a uma equipa, que não estava escolhida para ganhar aquela taça; era uma vez um árbitro que marcou um penalty que nunca existiu; esse penalty tirou a vitória à equipa que tinha marcado o golo limpo. A isto chama-se futebol à portuguesa. Há quem lhe chame também gamanço à antiga.
março 20, 2009
(Publicado no «Jornal de Negócios» de 20 de Março)
março 17, 2009
O FUTURO DA RTP
(Publicado no Meia Hora de 17 de Março)
março 16, 2009
(Publicado no Jornal de Negócios de dia 13 de Março)
PARLAMENTO - Uma das mais evidentes provas do desprezo do regime pelos cidadãos é a forma como a Assembleia da República empata a nomeação do novo Provedor de Justiça. O Provedor cessante, Nascimento Rodrigues, interpelou a Assembleia sobre o assunto. Fazendo o favor ao Governo e aos partidos da oposição (que não acham isto prioritário), os deputados continuam a paralisar uma instituição fundamental para garantir os direitos dos cidadãos e prevenir os abusos do Estado. O respeito pelos eleitores, senhores deputados, não é coisa de que se devam lembrar só em vésperas de eleições.
LISBOA I - A maior demonstração de que alguma coisa vai mal em Lisboa no que toca a segurança é a polémica entre o Presidente de Câmara António Costa, do PS, e o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, também do PS. Já se percebeu que ambos atribuem culpas um ao outro, que a polícia atribui culpas aos dois e a realidade mostra que a cidade está mais insegura. Mais um dado a ter em conta nas próximas eleições.
LISBOA II - Um estudo recente, sobre as razões para a desertificação de Lisboa, divulgado na imprensa, afirmava que a maioria dos inquiridos considera que Lisboa tem muitos espaços degradados, tem poucos espaços verdes e tem deficiente qualidade de vida. A coisa vai sempre dar ao mesmo: os habitantes de Lisboa-cidade têm custos maiores para terem menores vantagens e são sempre os mais sacrificados nos incómodos provocados pelas obras, pelos encerramentos ao trânsito, por mil e uma razões provocadas por quem usa a cidade sem se preocupar com os seus habitantes.
OBRAS - Nos últimos dias surgiram duas polémicas interessantes sobre o plano de grandes obras públicas. Uma defende que obras de manutenção e recuperação absorvem mais mão de obra (e mais qualificada) que a construção de estradas, TGV’s ou grandes edifícios; a outra vai ainda mais longe e diz que num cenário em que cresce o desemprego qualificado, concentrar o investimento em áreas que não absorvem mão de obra qualificada é o mesmo que despromover a educação e desincentivar o aperfeiçoamento profissional. Sócrates, que tanto fala de qualificação, ainda não se pronunciou sobre isto – aliás evita pronunciar-se sobre qualquer coisa que tenha a ver com estratégia de futuro.
PROVEDOR DO AMBIENTE - Cada vez que passo à noite no Marquês do Pombal e olho para o edifício da EDP todo iluminado recordo-me logo das campanhas ecologistas da empresa. É certo que a conta de electricidade lhes fica em conta, mas sempre podiam dar o exemplo no combate a consumos supérfluos.
CITAÇÃO - «Alguém dá pela existência de um director do actual Instituto dos Museus e da Conservação? Alguém sabe quem é? As sucessivas tropelias da tutela são-lhe alheias ou desconhecidas? Mantem-se em silêncio como uma forma subtil (?) de manifestar discordância ou distância? Não seria imperioso que o responsável técnico e político (o lugar é de confiança) estivesse presente e também activo quando se discutem os Coches, a Arqueologia, a Arte Popular, a Cordoaria (que é um monumento, mesmo sem ter a sua tutela directa), etc? Pode dispensar-se a competência quando estão em causa decisões de longo alcance, irreversíveis mesmo?» - Alexandre Pomar no seu blog.
FILMES - Esta semana quis ir experimentar o reconstruído cinema Alvalade e apanhei uma desilusão. O espaço é tacanho, o edifício é feio, o cheiro a caramelo e a pipocas no ar entranha-se nos cabelos e tira qualquer prazer a estar na esplanada de entrada e a única coisa que correu bem foi a senhora da bilheteira avisar que a cópia do filme que queria ver - «Milk» - estava riscada. Poupou-me ao sacrifício e fui para outro cinema ver esta extraordinária realização de Gus Van Sant e a interpretação exemplar de Sean Penn, infelizmente em exibição já em poucas salas.
LER – A mais recente edição da revista «Vanity Fair» é tanto para ser lida como para ser vista. Trata-se da célebre edição anual da revista dedicada a Hollywood e que é publicada por ocasião da atribuição dos Óscares. Este ano na capa um actor muito especial de uma outra fita – a política: na capa Barack Obama, lá dentro as estrelas do cinema, todas fotografadas por Annie Leibovitz. E – boa surpresa nos tempos que correm – a «Vanity Fair» de Março vem com muitas páginas de publicidade. Atractivo suplementar: retratos das novas caras do poder dentro da Casa Branca.
OUVIR- Duas reedições do catálogo «Verve», na muito apreciada série «Originals». Dois discos de orquestras de jazz, ambos fascinantes, muito diferentes entre si. Um é de 1962, «On My Way & Shoutin’ Again!» da orquestra de Count Basie , interpretando música de Neal Hefti. O outro é o encontro de Óscar Peterson com a orquestra de Nelson Riddle, em 1963, interpretando clássicos como «Round Midnight» ou «Come Sunday».
DESTAQUE – Mais uma edição da Moda Lisboa, sob a batuta de Eduarda Abbondanza.
COMIDA – Receitas portuguesas, quase caseiras, boa qualidade de matéria prima, cuidado e atenção no serviço. Que se pode pedir mais de um restaurante. Eu comi umas finas postas de pregado bem fritas, acompanhadas de açorda e fiquei fã. Vinhos a preços razoáveis. Cave Real, bar-restaurante, Av. 5 de Outubro 13-15 ((ao pé da maternidade Alfredo da Costa), tel. 213 544 065.
BACK TO BASICS (maior que o costume) – Quem é o «Governo»? – basicamente, sabem, somos nós todos: o Governo gasta o seu dinheiro a fornecer serviços ao público. Pedir que o Governo aperte o seu cinto é o mesmo que pedir-nos, a nós pagadores de impostos, que aceitemos receber menos serviços por aquilo que pagamos. Porque é que isto é uma boa medida ou uma boa causa, mesmo em tempos de crise como estes? – Paul Krugman em «A Consciência de Um Liberal»
março 10, 2009
LISBOA E O RIO
(Publicado no Jornal de Negócios de 6 de Março
março 06, 2009
TOTALITARISMO ABSOLUTO
(Publicado no diário Meia Hora de dia 3 de Março)
março 02, 2009
(Publicado no Jornal de Negócios de dia 27 de Fevereiro)
ESTADO DA NAÇÃO - A situação política está a ficar parecida com a situação das instituições financeiras: muito volátil. A grande dúvida está em saber se o órgão de supervisão – que no caso da política é o Presidente da República – consegue fazer melhor o seu trabalho que o Banco de Portugal tem feito na sua área. De entre os rumores que circulam na política lusitana, eis alguns: Belém estuda um cenário de um governo de iniciativa presidencial para o caso de Sócrates se demitir querendo forçar alteração de calendário eleitoral; o PS procura levar António Vitorino a aceitar ser candidato a Primeiro Ministro, mantendo-se José Sócrates como Secretário-Geral; no PSD, com o temor de um péssimo resultado (abaixo dos 30%) de Manuela Ferreira Leite nas eleições para o Parlamento Europeu, há quem queira empurrar Rui Rio para liderar a campanha das legislativas. De qualquer forma o ano promete vir a ser fértil em situações inesperadas- os constitucionalistas vão ter muito que fazer este ano.
ABUSOS DE AUTORIDADE - Na semana passada dois incidentes, um com o poder judicial e outro com a polícia, envolveram tentativas de condicionamento da liberdade de expressão em nome de conceitos de um puritanismo fundamentalista, que rapidamente passaram para abusos de poder. Deixemos de lado o primeiro caso, ridículo, de uma ordem judicial de retirar fotos de corpos nus de um ecrã satirizando o computador «Magalhães» num corso carnavalesco. O segundo, protagonizado pela PSP de Braga, sendo do mesmo género irracional, é mais grave. Neste caso de Braga é fundamental saber quem, na PSP local, deu a ordem de apreensão de um livro que reproduzia na capa um quadro clássico de Gustave Courbet «A Origem do Mundo», que reproduz o corpo nu de uma mulher. O grave da intervenção policial em Braga é a sua arbitrariedade total, baseada apenas na vontade de quem deu a ordem e de quem a executou, sem nenhuma cobertura legal para a acção. Teria sido muito útil ouvir alguma posição do Ministro da Administração Interna sobre o assunto – é que na ausência de posição fico a pensar se ele não entenderá ser legítimo que a PSP assim actue. Neste caso o Ministro tem o dever cívico e político de inquirir, apresentar culpados e atribuir punições – sob pena de legitimar arbitrariedades futuras. Na realidade não se entende que anda este Ministro a fazer para defender os direitos e garantias dos cidadãos – o que é uma das suas funções.
PERGUNTA DA SEMANA - A PSP tem livro de reclamações? Onde é que ele está?
OUVIR – Eu gosto de discos gravados ao vivo e, nomeadamente, de jazz gravado ao vivo. Dito isto esclareço que gosto bastante de Stan Getz e que aprecio formações clássicas – e nada de mais clássico que um quarteto (enfim, um trio nalguns casos pode ser uma boa ideia…). Bom, o caso é que o saxofonista Stan Getz deu de caras com três músicos de excepção num clube parisiense no Verão de 1970 (Eddy Louise no órgão, René Thomas na guitarra e Bernard Lubat na bateria) e não descansou enquanto não conseguiu juntar todos. O registo desse encontro, gravado no histórico clube Ronni Scott’s em Londres, em Março de 1971, pode ser ouvido em «Dynasty», um disco marcante na carreira de Getz, agora reeditado remasterizado na colecção «Originals» da Verve. É um duplo CD absolutamente de excepção, que combina o lado melodioso de Getz com improvisações enérgicas apenas possíveis num registo ao vivo. Imperdível – a reedição de «Dynasty» está já disponível no mercado nacional.
LER - Há relativamente poucos anos dei comigo a descobrir o universo da banda desenhada japonesa, a Manga, e o seu equivalente em filmes de animação, Anime. A Manga baseia-se na tradição do desenho oriental, assume pouco diálogo, bastante acção ilustrada graficamente. Como as melhores coisas da vida tem o seu culto, tem autores de referência, criou uma espécie de universo paralelo que o ocidente foi descobrindo aos poucos. A revista «Monocle», de que aqui falo com frequência, inclui desde o seu primeiro número um pequeno fascículo de Manga, que pode ter contribuído para este género ganhar algum reconhecimento acrescido. A Manga é o produto pop por excelência do Japão e é assim que merece ser entendido. Peter Carey, um escritor australiano que vive nos Estados Unidos e que ganhou duas vezes o prestigiado Booker Prize, fez uma espécie de reportagem sobre a descoberta da cultura japonesa contemporânea e chamou-lhe «O Japão É Um Lugar Estranho» (feliz tradução do original «Wrong About Japan»). A forma da escrita é notável, a descrição das experiências e vivências de um ocidental no Japão moderno é absolutamente empolgante. Resta dizer que o livro foi editado em Portugal pela «Tinta da China», uma editora cuidadosa com as obras que publica, e está numa belíssima colecção sobre viagens muito bem dirigida por Carlos Vaz Marques.
VISITAR – A Livraria Sá da Costa, em pleno Chiado, está aberta até tarde e merece muito mais uma visita que a incaracterística, desarrumada e caótica FNAC, cada vez menos interessante, cada vez mais supermercado. A Sá da Costa, pelo contrário, respira história, tem belas reedições de clássicos, empregados que sabem de livros, que gostam de livros, é um local que se pode ir descobrindo, com prateleiras que dá gosto explorar, com bancadas onde está praticamente a História da Literatura. Fica no Cjiado, mesmo ao lado de «A Brasileira», mais precisamente no número 100 da Rua Garrett. Óptimo local para fazer horas para um jantar e descobrir preciosidades.
VER – Fotos de Victor Palla, em impressões originais, na Galeria P4 Photography, Rua dos Navegantes 16, à Lapa, Lisboa.
BACK TO BASICS – Nenhum Governo se pode sentir seguro se não tiver uma oposição competente, Benjamin Disraeli.
fevereiro 25, 2009
(Publicado no «Jornal de Negócios» de 20 de Fevereiro
fevereiro 18, 2009
QUEREMOS LISBOA TRANSFORMADA NUM ENORME BURACO?
(Publicado no diário «Meia Hora» de 17 de Fevereiro)
fevereiro 16, 2009
(Publicado no Jornal de Negócios de dia 13 de Fevereiro)
INSPIRAÇÕES - O Primeiro Ministro abriu a época eleitoral com uma campanha alinhada à esquerda e virada para o interior do PS. Levanta esse velho desígnio da esquerda que é castigar a riqueza e penalizar o sucesso e fez passar a mensagem de que encarna o espírito de Robin Hood, mas como Fernando Sobral bem recordou neste jornal, Robin tinha por missão recuperar o dinheiro da excessiva cobrança de impostos que o xerife de Nottingham exercia contra o povo…Sócrates, se é parecido com alguém nesta história, é com o explorador de impostos e não com o justiceiro. Adiante: na realidade o Primeiro Ministro foi recuperar um curioso slogan datado de 1975 e que era a palavra de ordem programática da UDP nesse ano: «Os Ricos Que Paguem A Crise». A origem e modernidade ideológica da moção de Sócrates ao Congresso socialista está pois localizada.
PRÉMIO «VAI CHATEAR OUTRO» – Atribuído por unanimidade a Mário Lino, o Ministro que mais perguntas de deputados deixa por responder. O homem continua a aplicar «jamais» - neste caso ás respostas. Talvez seja mais fácil aproveitar um dos seus descontraídos momentos de final de almoço no Solar dos Presuntos para lhe fazer umas perguntas…
GERAÇÃO NULA - Estes meses têm mostrado uma coisa – muitos dos grandes bancos mundiais estão em péssima situação, cheios de activos tóxicos, muitas empresas financeiras que pareciam donas do Universo esboroaram-se que nem neve em dia de sol, grande número de consultores enganaram-se nas contas, nas previsões, nas estimativas e nos modelos de negócio. É caso para dizer que uma geração de gestores implacáveis, a repletos de MBA’s e de arrogância caiu à primeira dificuldade, depois de esbarrar nos acontecimentos e mostrou que não sabia aplicar conhecimentos nem trabalhar no mundo real.
ABSURDO - Nunca hei-de conseguir perceber as circunstâncias muito particulares em que se movimentam as empresas de futebol, antigamente chamadas clubes. No mundo real quem trabalha mal e falha resultados é despedido com justa causa – no mundo do futebol é dispensado com grandes indemnizações, fruto de contratos feitos por gestores que acreditam em milagres, na sorte, no carisma e noutros subjectivismos diversos. Em qualquer outro ramo de actividade seriam crucificados, no futebol são levados em ombros. O caso de Scolari é paradigmático: o vendedor de ilusões pode continuar a rir-se: a equipa que era suposta treinar não tem bons resultados, ele confirmou ser fraco líder, mas mesmo assim fez um belo encaixe financeiro.
DÉFICIT - A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, anunciou uma iniciativa aberta a independentes, intitulada «Fórum Portugal», e que abordará uma larga série de temáticas. Mais uma vez a Cultura fica de fora do leque de preocupações, o que é um aborrecido deficit recorrente na política portuguesa e pode vir a ser um grande disparate. Na semana passada já tive oportunidade de lembrar que foi nos anos entre 1929 e 1939, a seguir à Grande Depressão, e graças a programas massivos de apoios, que o talento criativo nos Estados Unidos floresceu como em nenhuma outra época do século passado e ajudou o país a ganhar outro impulso. Já agora recordo, a este propósito, um artigo que Guta Moura Guedes escreveu no «Público» do passado dia 7, intitulado «Da importância da cultura em tempos de crise». Faço minhas as palavras da autora e, sobretudo este pedaço: «enquanto as prioridades não se centrarem nos conteúdos e nos recursos humanos, deixando para segundo lugar as construções mais visíveis, estaremos longe de fazer o necessário nesta área».
VER –A «Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea», fica em Almada e está situada no alto da parte velha da cidade, tem jardins magníficos e uma vista espantosa sobre Lisboa. Até 17 de Maio apresenta uma bela exposição baseada na colecção de gravuras do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian (com obras de Almada, Mário Botas, Lourdes Castro, Man Ray, Matisse e Moore entre muitos outros) e duas exposições de fotografia - «Wall», de Rita Barros, e «De Passagem», de Graça Sarsfield, esta, de ambas, a mais interessante. Todos os dias menos segundas até às 18h00.
PROVAR - Na zona das Avenidas Novas lá vão abrindo alguns novos restaurantes como o «La Finestra», uma casa de comida italiana localizado onde em tempos foi o «Café Creme». As pizzas são a especialidade da casa – massa fina, pouco tomate, queijo QB sem abundâncias desnecessárias e boas combinações de outros ingredientes. Preços acessíveis, decoração luminosa e colorida, mesas confortáveis. Em matéria de pizzas fica no top 5 lisboeta. La Finestra – Av Conde de Valbom 52-A, tel 217 613 580.
LER – Num ano em que o país convidado da Arco de Madrid é a Índia vem a calhar ler o magnífico «Uma Ideia da Índia», um conjunto de crónicas de viagem de Alberto Morávia escritas no início da década de 60 para o «Corriere della Será». A descrição dos locais, do funcionamento da sociedade indiana e da filosofia oriental são muito bem feitas, muito bem observadas. O livro, agora reeditado entre nós, está incluído numa nova colecção da editora «Tinta da China», dedicada a viagens, bem organizada e seleccionada por Carlos Vaz Marques. Boas capas, bom papel, bom grafismo – um exemplo raro nos dias de hoje.
OUVIR - Benny Golson é um dos mais importatntes saxofonistas da fase do bepop e tocou com alguns dos maiores músicos da sua época. «The Best of Benny Golson» agrupa gravações feitas entre 1957 e 2004 e é uma compilação verdadeiramente preciosa para descobrir o talento de Golson, aqui ao lado de nomes como Art Blakey, Paul Chambers ou Art Farmer e Tommy Flannagan, entre outros.
BACK TO BASICS - A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes – Fernando Pessoa
fevereiro 11, 2009
O DÉSPOTA ACIDENTAL
(Publicado no diário «Meia Hora» de 10 de Fevereiro)
fevereiro 09, 2009
(Publicado no Jornal de Negócios de 6 de Fevereiro)
fevereiro 06, 2009
UMA NOVA AMBIçÃO
Muito bom o artigo de Pedro Passos Coelho publicado hoje no Jornal de Negócios - uma análise aberta e realista da crise, das medidas que têm sido tomadas e de alguns caminhos que deveriam ser seguidos. Espreitem http://tinyurl.com/b8z2hs
fevereiro 04, 2009
COSTA CONTRA OS ALFACINHAS