dezembro 13, 2024

A CRESCENTE IMPORTÂNCIA DOS PODCASTS

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O PODER DA VOZ - Na semana passada a Marktest anunciou a criação do PodScope, um estudo que permitirá estabelecer um ranking mensal dos podcasts auditados, e que possibilitará, naqueles que forem analisados, indicar o número de downloads acumulados por mês, o número de downloads médios por semana e o número de utilizadores médios por semana. O mercado de podcast tem crescido de forma significativa nos últimos anos e em alguns países, como o Canadá, Estados Unidos e Austrália a escuta de podcasts já faz parte dos hábitos de cerca de um terço da população. Em Portugal, segundo dados da Marktest, 23% da população ouviu podcast durante o ano de 2023, o que nos coloca em pé de igualdade com países como a Alemanha, França ou Itália. O PodScope, que será lançado ainda este ano, permitirá ter dados mais concretos sobre a audiência obtida e a separação por géneros temáticos, permitindo também que decisões sobre patrocínios e publicidade das marcas em podcasts sejam baseadas em indicadores reais. O universo dos podcast tem vindo a crescer e um recente artigo na newsletter norte-americana especializada em mídia,  Nieman Lab, refere que nos Estados Unidos, onde a confiança do público nos meios tradicionais está em queda, os podcasts permitem criar laços mais fortes com as audiências e levar os ouvintes a consumir informação de forma diferente. É o poder da voz. Nesse artigo, a autora, Joni Deutsch, analisa a importância dos podcasts nas recentes eleições presidenciais e afirma que, enquanto a partir dos anos 60 a importância da televisão nas campanhas era total, em 2012 foi o ano da relevância do twitter e 2024 assistiu à primeira eleição onde os podcasts tiveram influência. A autora refere que 100 milhões de americanas ouvem pelo menos um podcast semanalmente e um estudo recente mostra que a geração Z e os millennials preferem ouvir notícias em podcasts a lê-las ou vê-las na televisão. Os dias finais da campanha norte-americana foram palco de uma disputa entre  Kamala Harris e Donald Trump no universo dos podcasts com vantagem para este último. Trump apareceu em 20 podcasts e foi ouvido por 23,5 milhões de pessoas, enquanto Kamala Harris apareceu em oito, que tiveram uma audiência de 6,4 milhões. Joni Deutsch acredita que os podcast se vão tornar rapidamente a principal forma de informação e o principal meio utilizado para veicular comentários e opiniões de figuras públicas, permitindo análises mais aprofundadas, feitas num tom mais pessoal. E em Portugal que acontecerá no universo dos podcasts nas próximas eleições?


 


SEMANADA - No ano passado a Polícia Judiciária registou 303 crianças e jovens até aos 17 anos vítimas de crimes sexuais online, enquanto em 2009 o número de casos era de quatro dezenas; a maioria dos crimes ocorre através de telemóvel e no início da noite quando as crianças e adolescentes estão já sózinhos no quarto; houve 437 condenações por pornografia infantil em quatro anos; 1287 euros é o valor anual gasto em média pelos 5,3 milhões de portugueses que fazem regularmente compras on line e 95,8% usam o telemóvel como veículo  preferencial de compra;  há cerca de 120 mil alojamentos locais registados em Portugal que no primeiro semestre  do ano concentraram 37% das dormidas turísticas; o número de pessoas  sem-abrigo em Portugal duplicou nos últimos cinco anos e cresce o número dos sem-abrigo que são trabalhadores; um quarto dos portugueses vive com menos de 738 euros por mês; em 2023 Portugal exportou drones no valor de 31 milhões de euros; nos primeiros 11 meses de 2024 a energia solar assegurou 10% do consumo de electricidade do país; em Portugal 40% dos adultos só compreendem textos simples e matemática básica; o desempenho dos alunos portugueses em avaliações internacionais, em disciplinas como a matemática, tem vindo a descer e os resultados dos alunos do 8º ano caíram mais do que em qualquer outro país europeu.


 


O ARCO DA VELHA -  Em Portugal há 15 iniciativas e organismos dedicados ao combate à corrupção que não comunicam entre si com fracos resultados práticos.


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CENÁRIOS IMAGINADOS -   Manuel Forte nasceu no Porto, vive e trabalha no México e desde a semana passada tem a sua primeira exposição em Portugal, na Galeria Balcony, depois de ter exposto em diversos países como Alemanha, Espanha e, claro, México. Esta sua exposição em Lisboa, intitulada “Andor Violeta”, mostra uma dezena de pinturas e pode ser vista até 25 de Janeiro. O seu olhar recai sobre ambientes domésticos, misturando cenários reais com outros, imaginados, por vezes remetendo para “a ideia de um improvisado estúdio fotográfico”, como salienta Miguel von Hafe Pérez no texto que escreveu a propósito desta exposição. E sublinha:  “há um fascínio por outros elementos que ajudam à estruturação mutante dos espaços pictóricos: as mesas e as cadeiras. As mesas são palcos inverosímeis e as cadeiras lugares de ninguém” . Há também evocações repetidas de figuras animais, na maioria em segundo plano ou em primeiro plano como na obra “Reguengo”, uma quadro de pequenas dimensões, que mostra um pássaro azul com patas amarelas assente num galho. O nome da exposição é toda uma outra história, como relembra Miguel von Hafe Pérez: “Andor violeta era uma expressão que aqui no Norte se usava nos  nossos tempos de adolescentes. Basicamente significava “põe-te a andar” ou coisa do género. “ A Balcony fica na Rua Coronel Bento Roma 12 A, em Alvalade.


 


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ROTEIRO - A nova exposição da fotógrafa Inês d’ Orey  ,”Dada City”, mostra o trabalho que resultou de uma residência artística de um mês que fez em Bucareste. Bernardo Pinto de Almeida fala assim da obra da artista: “nas fotografias de Inês d’Orey - que desde sempre se foram construindo a partir de espaços arquitectónicos já existentes e normalmente carregados de alguma dimensão de memória urbana - aquilo de que se trata é justamente de procurar uma espécie de clima ou uma atmosfera”. Inês d’Orey foi este ano finalista do Prémio Nikon para fotógrafos emergentes e estudou fotografia na Universidade de Artes de Londres. Esta exposição merece ainda destaque pela montagem, que associa fotografias impressas em grande formato a transparências retro-iluminadas colocadas em dispositivos antigos.“Dada City” fica na Galeria das Salgadeiras (Avenida dos Estados Unidos da América 53D), até 31 de janeiro. Até 20 de Dezembro pode ser vista na Galeria Diferença (Rua de S. Filipe Neri 42), uma colecção de desenhos, pintura e fotografia de Helena Almeida.


 


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UMA AVENTURA  - Começo por uma declaração de interesse:  hoje vou falar de um livro a cuja produção estive ligado. É o relato de uma aventura que nasce do desejo de uma empresa falar da sua história. O caso é simples: a companhia de seguros Fidelidade queria mostrar a sua ligação à História através de um caso ocorrido em meados do século XIX. Tudo começou quando o Rei D. Fernando II encomendou a um ourives português que fizesse uma faca de mato em prata, cabo e bainha  finamente trabalhadas com numerosos detalhes e minúsculas figuras que evocavam animais. O artesão escolhido para a empreitada foi Rafael Zacarias da Costa, que demorou onze anos a esculpir a peça, perdendo parte da visão ao longo do processo devido à minúcia e detalhe da obra. O problema é que no final o Rei não pôde comprar e pagar a peça, numa das várias crises financeiras que já nessa altura marcaram Portugal. Após numerosas peripécias a faca acabou no fundo do mar, num naufrágio ocorrido em 1875, quando a peça estava a ser transportada para Inglaterra com o objectivo de aí ser vendida. A seguradora deste transporte era a Fidelidade, que honrou os seus compromissos, indemnizando o proprietário da peça, o ourives para quem Zacarias trabalhava. Mas a Fidelidade foi mais longe e recuperou, com a ajuda de mergulhadores com escafandro, a faca de mato, que hoje em dia está na sede da seguradora, devidamente protegida. A aventura dá-se quando a autora convidada a escrever esta história, Mónica Bello, resolveu criar uma intriga contemporânea que envolveu ardilosos ladrões. Não vou fazer spoiler, mas “A Jóia Que o Rei Não Quis”, assim se chama o livro, leva-nos a percorrer a Lisboa da segunda metade do século XIX e transporta-nos para o presente, envolvendo ao longo do tempo a história da mais antiga seguradora portuguesa em actividade, que há 148 anos tem em seu poder esta jóia. A edição é da Guerra & Paz.


 


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SIMPLICIDADE ACÚSTICA - Melodias com base em canções tradicionais, ritmos sul-americanos e improvisação q.b. são a base do trabalho de um trio que integra um contrabaixista sueco, Lars Danielsson, um guitarrista britânico, John Parricelli, e um trompetista finlandês, Verneri Pohjola. “Trio”, assim se chama simplesmente o disco, inclui 12 temas, seis dos quais são originais de Danielsson, um de cada um dos outros dois músicos, uma composição do trio e três versões de autores tão diferentes como Duke Ellington, o compositor de bandas sonoras de filmes Philippe Sarde e do canadiano Ron Sexsmith, “Gold In Them Hills”, provavelmente a mais surpreendente destas versões. Totalmente acústico, gravado “live on tape” num “chateau” francês onde se produz vinho de Bordéus, este “Trio” é um exemplo de simplicidade e rigor na execução instrumental. Disponível em streaming.





ALMANAQUE  - Sábado dia 14 de Dezembro, entre as duas e as sete da tarde, decorre a segunda edição de “Passeio da Estrela”, um percurso pela arte contemporânea que propõe visitas a seis galerias daquela zona da cidade: Cristina Guerra Contemporary Art com a exposição de José Loureiro ( Rua de Santo António à Estrela 33); Encounter com obras de Antony Cairns e  Galeria Jahn und Jahn com trabalhos de Stefan Vogel e Max Frisinger (ambas na Rua de São Bernardo 15 r/C); Madragoa, com uma colectiva de cinco artistas (Rua dos Navegantes 52A); Miguel Nabinho com obras de Pedro Cabrita Reis (Rua Tenente Ferreira Durão 18); Monitor, com uma colectiva de sete artistas (Rua da Páscoa 91); e  Pedro Cera com trabalhos de Marianne Fahmy (Rua do Patrocínio 67 E). Seis boas oportunidades para presentes de Natal especiais.


 


DIXIT - “Nunca fizeram tanta falta (... como agora…) pessoas modernas, civilizadas, cultas, vividas, bonacheironas, descaradamente burguesas, mas altruístas e justas e conscientes” - Miguel Esteves Cardoso, sobre Mário Soares 


 


BACK TO BASICS - “Quem faz perguntas pode parecer idiota, mas quem não questiona fica idiota toda a vida” - provérbio chinês


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS




dezembro 06, 2024

ESTRATÉGIAS PARA OS NOVOS TEMPOS

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TENDÊNCIAS DE MÍDIA - Fundada em Fevereiro de 2007 por Tyler Brulé, a revista “Monocle” apostou desde o início na sua circulação em papel. Aos poucos foi desenvolvendo também uma presença digital, embora a edição impressa da “Monocle”, e dos seus produtos derivados continuem a ser o eixo estratégico de desenvolvimento. Recentemente, em Paris, promoveu a “Monocle Media Summit”. Um dos oradores foi Louis Dreyfus, o CEO do jornal “Le Monde”, publicação que está a completar 80 anos. O seu CEO tem objetivos claros: atingir um milhão de assinantes em papel e online em 2025, aumentar o número global de leitores e lançar uma revista em inglês, que sairá duas vezes por ano, na linha do já existente “Le Monde Magazine”. O ponto de partida para qualquer projecto do grupo, mesmo neste tempo em que a IA alarga a sua presença e as redes sociais continuam a ganhar terreno, é uma estratégia editorial clara e, sublinha Dreyfus, garantindo que todas as inovações devem começar na sala de redacção. Outro dos oradores foi Christoph Amend, um dos responsáveis de inovação no semanário alemão “Die Zeit”. Recentemente criou um novo magazine sobre arte,”Weltkunst”, e introduziu na área de podcasts do grupo uma novidade: fez uma entrevista em inglês ao músico britânico Bryan Ferry para o seu podcast “Alles gesagt?” (“Está tudo dito?”) e em conjunto com a sua equipa de IA conseguiu converter a conversa para alemão,  utilizando as vozes originais do músico e do entrevistador e publicou ambas, a original em inglês e a “fabricada” em alemão. Amend afirma que a maior surpresa foi a quantidade de pessoas que escreveram para agradecer. Outra participante foi Christine Ockrent, ex-diretora da revista francesa “L’Express” , jornalista e autora de mais de uma dúzia de livros e hoje em dia responsável por programas de informação e entrevistas numa estação de televisão. Para Ockrent as marcas de informação são muito importantes, não só para os leitores e espectadores, mas também para quando se está no terreno a recolher informação. Quer em papel, televisão ou online uma marca de informação de referência é uma garantia de qualidade, algo em que se pode confiar. E, sublinhou: “Isto não se aplica só aos meios massificados, os segmentos de nicho podem da mesma forma ser um referencial de qualidade e tradição”. E ajudam a fazer crescer as marcas que os acarinham.


 


SEMANADA - Um estudo divulgado esta semana indica que um terço dos portugueses pensa emigrar e 36% dos que afirmam querer sair do país indicam como causas o descontentamento com a realidade política, fiscal e social em Portugal; este ano o preço do metro quadrado nas avaliações bancárias já valorizou 185 euros, mais que em todo o ano de 2023; em 20 capitais de distrito os preços das casas subiram este ano e o preço médio de venda de habitação subiu  10% em novembro face ao mesmo mês do ano anterior; Lisboa, Porto, Funchal, Faro e Setúbal são neste momento os distritos com preços médios mais elevados e Portalegre, Guarda e Castelo Branco são os que têm preços mais reduzidos; há cerca de 120 mil alojamentos locais registados em Portugal que no primeiro semestre  do ano concentraram 37% das dormidas turísticas; há 700 pessoas internadas em hospitais à espera de vaga num Lar; o número de estrangeiros não residentes em Portugal atendidos nas urgências mais do que duplicou em apenas dois anos, metade não tem seguro ou sistema de saúde e um responsável do sector fala no crescimento de “turismo de saúde”; o tempo médio de espera por uma junta médica é de um ano e quatro meses.


 


O ARCO DA VELHA - O Banco de Portugal recebe anualmente  mais de um milhão de euros em notas estragadas que troca por novas de idêntico valor, sendo que enterrar dinheiro é a principal causa dos danos causados às notas.


 


Lusitânia no Bairro Latino (Retratos de Mário de


IMAGENS DO FADO -  Existe em Lisboa, junto a Alfama, no Largo do Chafariz de Baixo, um Museu do Fado que,  sob a direcção de Sara Pereira, tem sido um ponto de referência na divulgação da história do Fado e dos grandes nomes que a ele estão ligados nas mais diversas áreas, do cinema à literatura e às artes plásticas. Na semana passada foi ali inaugurada a exposição “Imagens do Fado na Arte Portuguesa”, que poderá ser vista até 23 de Março e que reúne dezenas de obras de nomes como José Malhoa, Columbano Bordalo Pinheiro, Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Dominguez Alvarez, Francis Smith, Roque Gameiro, Eduardo Malta, Stuart Carvalhais, João Abel Manta e Júlio Pomar, entre outros. Os trabalhos expostos permitem seguir a evolução do fado e da sua percepção desde meados do século XIX, até às telas de Júlio Pomar, que durante mais de uma década evocou o Fado por várias vezes, como na obra aqui reproduzida, “Lusitânia no Bairro Latino (retratos de Mário Sá Carneiro, Santa Rita Pintor e Amadeo de Souza Cardoso), um trabalho de 1985.


 


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ROTEIRO - Entre 2022 e 2024 Eurico Lino do Vale fotografou retratos de pessoas que vivem em Santar, uma freguesia do concelho de Nelas. Agora reuniu todos esses trabalhos numa exposição que junta os 43 retratos que fez e uma fotografia recente de uma das paisagens do jardim da Casa dos Condes de Santar e Magalhães onde decorre a exposição (na imagem), que integra a visita à casa e seus jardins. Eurico Lino do Vale fotografa com um único foco de luz, evocando a pintura flamenga e a história da fotografia da primeira metade do século XX, sublinhando o olhar dos retratados e a diferença e identidade que os distinguem. O trabalho de Eurico Lino do Vale  mostra a comunidade que preserva Santar e resulta da cumplicidade do artista com o grande dinamizador de Santar Vila Jardim, José Luís Vasconcelos e Sousa, que depois de uma bem sucedida carreira na banca, nomeadamente no Banco Rothschild em Portugal, fez uma pós-graduação em Jardins e Paisagens na Universidade Nova de Lisboa. E até 14 de Dezembro, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, estão em exposição os trabalhos dos 33 artistas finalistas da terceira edição do Sovereign Portuguese Art Prize, um prémio anual focado em artistas que trabalham em Portugal ou na diáspora portuguesa.


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SOBRE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - No segundo aniversário do Chat GPT surge o derradeiro livro criado por Henry Kissinger, já prestes a fazer cem anos, quando se lançou à obra, dedicada às questões colocadas pela Inteligência Artificial com a ajuda de Craig Mundie (antigo director de investigação e estratégia da Microsoft) e de Eric Shmidt (antigo director executivo da Google).  “Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano- Génesis” é o título da obra que procura esclarecer como aqui chegámos e que trajectórias podem existir para o futuro. O livro mostra o optimismo de Kissinger, uma das marcas do seu pensamento e acção, e é o desenvolvimento de um ensaio que publicou em Junho de 2018 na revista “The Atlantic”, intitulado “How The Enlightenment Ends”, bem antes do lançamento do Chat GPT pela OpenAI  no final de 2022. O livro começa por nos recordar a importância da descoberta na criatividade humana, como utilizamos o cérebro e finalmente a importância da compreensão da realidade. O livro aborda as repercussões da IA na política, na segurança, na prosperidade e na ciência e, finalmente, propõe estratégias para o futuro. Os autores defendem a necessidade de regulamentação, de desenvolvimento ético da IA e da importância da cooperação internacional que permita desenvolver os benefícios da Inteligência Artificial e simultaneamente mitigar os seus riscos - ou seja um alerta para que políticos e cientistas encarem o desenvolvimento da IA de forma responsável. Edição D. Quixote.


 


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UMA HOMENAGEM MUSICAL - No passado dia 21 de Março Camané subiu ao palco do CCB para um concerto de homenagem a José Mário Branco, que produziu o seu primeiro disco e que com ele trabalhou durante duas décadas.  Da gravação dessa noite fez-se um disco, agora publicado. Tem 18 fados e duas evocações da voz de José Mário Branco, gravações de recomendações que fazia em estúdio a Camané, quando falava da maneira como as palavras aparecem nas músicas. Este disco de homenagem surge em boa altura para recordar como, para além do cantor de intervenção, José Mário Branco foi um compositor de excepção e um dos mais lúcidos e criativos produtores da música portuguesa. Camané diz que José Mário Branco “tinha uma ideia do fado como eu tenho”. Neste disco há 18 temas, e sete são composições com poema de Manuela de Freitas e música de José Mário Branco. Destes, destaco “Ela Tinha Uma Amiga”, “Fado Penélope”, “Guerra das Rosas" e “Fado da Tristeza”. Mas é também impossível ignorar esta versão de Camané para  “Queixa das Almas Jovens Censuradas”, um poema de Natália Correia musicado por José Mário Branco para Mudam-se Os Tempos, Mudam-se as Vontades”, o seu álbum de estreia, ou a versão de “Inquietação” do seu histórico duplo álbum “Ser Solidário”. Pela mão de José Mário Branco, Camané descobriu como se podia cantar Fernando Pessoa, Alexandre O’Neil ou David Mourão-Ferreira. A voz de Camané e a forma de cantar são prova do seu enorme talento. Este disco mostra como ele aprendeu e cresceu ao lado de José Mário Branco. CD Warner Music também disponível nas plataformas de streaming.


 


ALMANAQUE  - Setúbal tem uma actividade cultural pujante desde a  Casa da Cultura, que acolhe espectáculos e exposições e conferências, até à  Casa da Baía, que acolhe o ciclo “Ler Sebastião da Gama”, ou ainda o Fórum Municipal Luísa Todi, ou as divulgações de novos livros na Biblioteca Municipal, para além de noutros equipamentos como a Casa das Imagens Lauro António, onde poderá ver em exposição cartazes de filmes portugueses criados por Judite Cília ou a Casa Bocage. Mas por estes dias as maiores atenções vão para a reabertura do Museu de Setúbal, reinstalado no Convento de Jesus desde o passado dia 30 de Novembro, após uma renovação completa. Ali podem ser vistos os 14 painéis do retábulo da Capela-Mor da Igreja do Convento de Jesus, uma das mais representativas obras da pintura portuguesa do século XVI. Para saber tudo o que se passa em Setúbal pode consultar o guia de eventos do município 


 


DIXIT - “Fazer demagogia com a incerteza e a insegurança dos cidadãos é gesto política e moralmente reprovável” - António Barreto


 


BACK TO BASICS - “Nunca devemos confundir movimento com acção” - Ernest Hemingway


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS




COMO ESTÃO AS AUDIÊNCIAS DE TV NO FINAL DE NOVEMBRO?

Na última semana de Novembro a TVI foi o único canal generalista a registar um aumento significativo de audiência média e o resultado obtido deveu muito a “Secret Story”, o programa que continua a ser a locomotiva da estação. Atrás de “Secret Story” ficaram, por esta ordem, “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” e “Jornal da Noite” de domingo, ambos da SIC, a novela “Cacau” da TVI  e a transmissão do jogo de futebol feminino entre Portugal e a Chéquia na fase de qualificação do Campeonato Europeu, na RTP1. A estreia da novela da TVI, “A Fazenda”, passada entre Portugal e Angola, ficou no nono lugar da semana com quase 900 mil espectadores. No cabo a CMTV continua a liderar muito destacada, com 6,4% de share, que compara com 2,1% da CNN, 1,9% da SIC Notícias e 1% da RTP3 e do NOW. Se olharmos para o balanço do ano, a TVI esteve à frente em 9 dos 11 meses já decorridos e a SIC em dois (Janeiro e Junho). No cabo, a CMTV lidera há 32 meses consecutivos e ocupa o primeiro lugar há 450 dias sem qualquer interrupção.O share médio obtido pela CMTV ao longo deste ano é superior à soma do share médio obtido pela CNN, SIC Notícias e RTP3.  Olhando para os 50 programas mais vistos do ano, até agora apenas três, as novelas “Cacau” e “A Promessa” e o reality show “Big Brother”, não são transmissões de jogos de futebol e eventos com eles relacionados. E nesta lista dos 50 mais de 2024 o canal vencedor é a RTP1, com 28 entradas, precisamente graças ao domínio do serviço público nas transmissões de jogos de futebol.


 


(texto originalmente publicado na revista Boa Onda, do Correio da manhã, no dia 6 de Novembro)




dezembro 03, 2024

SOBRE O CCB: A OPACIDADE DE PEDIR TRANSPARÊNCIA SÓ QUANDO DÁ JEITO

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Quando em Outubro do ano passado Elísio Sumavielle decidiu sair a meio do mandato como Presidente do CCB, sendo substituído por Francisca Carneiro Fernandes, não me lembro de ter ouvido ninguém a requerer transparência sobre o sucedido, que levou Sumavielle a afastar-se . Agora, desde um artigo da revista “Sábado” de 3 de Outubro deste ano, já se sabe que a sua saída foi motivada pela recusa em aceitar a sugestão do então Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, sobre a entrada de Aida Tavares no CCB. Logo após a saída de Sumavielle, que fez um exemplar trabalho de gestão e de abertura a novos públicos do CCB, a primeira medida de Francisca Carneiro Fernandes, foi admitir Aida Tavares, criando um novo cargo expressamente para ela, atendendo assim aos desejos do Ministro e de António Costa, de que Tavares é uma convicta apoiante. O novo cargo tem um nome pomposo: directora artística para as artes performativas e pensamento. Na sequência da admissão de Aida Tavares foram afastadas a directora de artes performativas, Paula Fonseca, e Margarida Serrão, coordenadora de produção e direcção de cena. Ninguém pediu explicações sobre a substituição destas duas experientes profissionais, nomeadamente nenhum dos agora indignados pelo afastamento de Francisca Carneiro Fernandes, uma especialista na gestão de lobbies da área, e cuja orientação geral é um produto típico do pensamento Woke. Sobre esta senhora tive logo uma péssima impressão na sua primeira intervenção pública no CCB, aquando da inauguração, em Março, da exposição de Patti Smith e Soundwalk Collective, um projecto que tinha sido acarinhado, viabilizado e concretizado por Elísio Sumavielle. A Sra. Francisca falou nessa inauguração como se não tivesse existido no CCB ninguém antes dela, sem referir uma única vez que estava a inaugurar uma herança deixada pelo seu antecessor, no que foi aliás secundada pelo seu colega de administração, Delfim Sardo. São coisas assim que definem o carácter - ou falta dele - de uma pessoa. Mas sobre isto, claro, ninguém se pronuncia. A transparência é uma coisa que só dá jeito de vez em quando, não é?




novembro 29, 2024

SOBRE A ARTE DA PUBLICIDADE

 


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ONDE ESTÁ O WALLY? - Esta pergunta, que deu fama a uma série de livros ilustrados, bem pode ser reformulada como “onde está o consumidor?”. O grande problema da comunicação publicitária hoje em dia, face à enorme fragmentação da mídia,  é conseguir fazer uma campanha que permita ter a melhor possibilidade de impactar o consumidor certo para o produto ou serviço que se publicita. Em relação à TV temos os três canais comerciais generalistas (RTP1, SIC e TVI), e no cabo, entre mais de cem opções disponíveis, há pelo menos dezena e meia de canais que são suportes publicitários interessantes e bem segmentados para diversos tipos de consumidor. Depois, por ordem decrescente de captação de investimento publicitário,  temos os meios digitais e as suas numerosas possibilidades, a publicidade de rua em outdoors, a rádio, os jornais e revistas e, por fim, a publicidade em salas de cinema. A mudança é constante - por estes dias, por exemplo, a Marktest lança um serviço de avaliação de podcasts, cuja utilização está a aumentar.  Durante alguns anos os padrões de consumo de media não sofreram grandes alterações mas, sobretudo a partir do início deste século, a modificação de hábitos dos consumidores tem sido constante. Confesso que gosto de seguir a evolução destes comportamentos - um vício adquirido, primeiro, quando dirigi o canal 2 da RTP há uns anos, e depois durante a década e meia em que fui diretor-geral de uma agência de meios, a Nova Expressão, onde aprendi muito. Nesses 15 anos de enormes transformações enfrentámos várias crises de mercado e, também, a pandemia. Conseguimos ultrapassar as dificuldades por termos adoptado muito cedo o digital e aperfeiçoado a análise sistemática de dados, o que permite perceber rapidamente as mudanças de comportamentos no consumo de mídia. Ao contrário do que algumas pessoas ainda pensam, uma agência de meios não é uma mera bolsa de compra e venda de espaço publicitário. É cada vez mais uma sofisticada operação que analisa a forma como o consumidor age ao longo do dia, que utiliza dados e estudos rigorosos para traçar estratégias que melhor encontrem e toquem o cliente, no meio da imensa floresta de possibilidades. A criatividade de uma campanha, feita pelas agências de publicidade, é muito importante para cativar a atenção - mas ainda mais importante é definir, logo desde o início, qual ou quais os meios que se vão utilizar e como. Eu, por mim, continuo fascinado em encontrar o Wally.


 


SEMANADASegundo o Banco de Portugal os preços das casas estão “sobrevalorizados” desde 2017 e em dez anos aumentaram 80% em Portugal, quase o triplo do que se verificou em Espanha; 2,1 milhões  de portugueses estão emigrados e um em cada três jovens quer sair do país; em 2023 saíram de Portugal 81 mil portugueses, o que representa um aumento de 13,5% face a 2022 e é o número mais alto desde 2020;  mais de metade destes novos emigrantes são jovens até aos 35 anos (46 mil) e a maioria dos que saem (42%) tem curso superior; este ano já chegaram à Ordem dos Enfermeiros 1344 pedidos da declaração que permite exercer fora do país, o que dá uma média de quatro pedidos por dia e nos últimos 14 anos foram feitos 29 mil pedidos semelhantes; dois terços das vagas para colocar jovens médicos de família ficaram por ocupar; no debate na especialidade do Orçamento de Estado deste ano registou-se um novo recorde com a apresentação de 2151 propostas de alteração do OE por parte de todos os partidos; no espaço de dois anos, Portugal foi dos países onde a receita de IVA (em percentagem do PIB) mais cresceu, continuando a destacar-se entre as economias da zona euro onde os impostos indiretos mais pesam na receita fiscal total.


 


O ARCO DA VELHA - Em dois anos foram atropeladas 10 mil pessoas em Portugal.


 


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A INTRIGANTE PERSONAGEM -   “Beco das Flores, Canedo do Mato” é o título da nova exposição de José Loureiro na galeria Cristina Guerra Contemporary Art, um conjunto de 16 óleos sobre tela, a maioria de grandes dimensões (237x118 cms), como o que está na imagem. É um poderoso conjunto de pinturas ligadas por uma intrigante mas marcante personagem, criada por José Loureiro, que aparece repetidamente numa série de situações, como que reflectindo a evolução dos seus estados de espírito a cada momento do quotidiano que se adivinha, quase uma evocação de banda desenhada. No texto que acompanha a exposição, José Loureiro relata assim o que pintou: “A primeira gravata. A primeira unha. A unha cortada rente. Dedadas grandes e pequenas. O desabrochar do narciso e os atalhos que toma até adquirir as qualidade de homem devoto de grandes causas.”  Estas são pinturas que deixam no ar uma história, com mais interrogações que afirmações, desafios à imaginação de quem olha,  e que levam títulos como “ O Sibarita”, “Narciso enverga a primeira gravata”, “Modorra”, “A Descoberta da Pólvora” ou “A passagem dos cometas”, entre outros. Nesta exposição, mantendo o desenho quase geométrico que caracteriza muitas das suas obras, José Loureiro introduz uma figura que se desenvolve dentro das linhas rigorosas que constroem o seu corpo. Até 11 de Janeiro, Rua de Santo António à Estrela 33.


 


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ROTEIRO - O destaque da semana vai para a reabertura do Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, coincidindo com os seus 30 anos de existência, após alguns meses de preparação desta nova exposição "331 Amoreiras em Metamorfose”, a primeira concebida pelo novo Director do Museu, Nuno Faria. São obras de cerca de três dezenas de artistas, além dos dois que dão o nome ao Museu, e podem ser vistas até final de 2025. A sensação que se tem ao visitar a exposição é que este é um museu novo. Destaque para a apresentação de muitas obras de Arpad Szenes pouco divulgadas, ou que até agora não haviam sido expostas neste espaço, e que permitem ter uma noção mais exacta da importância do seu trabalho. A montagem da exposição proporciona que se vejam em paralelo obras de Arpad e Vieira da Silva (na imagem, Arpad à esquerda, Vieira à direita), além das de outros artistas. Destaque ainda para o novo grafismo do Museu, desenvolvido por Pedro Falcão. O Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva fica na Praça das Amoreiras 56. O segundo destaque vai para a exposição “Histórias de Família”, de Ana Vidigal, patente até 27 de Abril no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, com curadoria de Patrícia Reis. Trata-se de uma retrospectiva da obra de Ana Vidigal que abrange quatro décadas da sua produção artística e que utiliza como matéria prima a evocação das memórias, recorrendo a cartas, fotografias e outros elementos (Largo do Conde de Vila Flor). 


 


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A VIDA DE CALITA - Bruno Vieira do Amaral tem uma escrita ritmada, incisiva, cativante. Começa a ler-se e não se consegue parar. Os capítulos são curtos, a acção é rápida. “Toda a Gente Tem Um Plano” é o seu novo livro, um encadeado de histórias e personagens que habitam a margem sul, cenário habitual dos romances do autor. Este novo romance conta a história de Calita, um rapaz que cresceu sem pais, em casa da tia Lena, que o acolheu. Calita sabe o que quer e esforça-se por seguir o plano que traçou mas o azar bate-lhe constantemente à porta e dificulta que alcance os objetivos que traçou. Ele é um faz tudo, que conheceu a fama como dançarino e disc-jockey em Espanha. Mas voltas da vida e um sonho que o atormentou fizeram-no regressar ao bairro onde crescera. Passados muitos anos a realidade é diferente da que deixara, a tia Lena, que o criara, havia morrido, a pista de dança das discotecas acabou substituída pela cozinha de um hotel, onde Calita trabalhava para juntar o suficiente para comprar uma mesa de mistura. A escrita de Bruno Vieira do Amaral é um relato sentido dos subúrbios, onde vivem “homens e mulheres, cabisbaixos e de sacos na mão, de sapatos velhos e desprotegidos contra o frio pela roupa fina, experimentados na derrota e o vaivém contínuo entre os dois lados da cidade”. Calita não consegue cumprir o seu plano e  vai-se perdendo. Não vou fazer spoiler. Leiam a história. É uma escrita fantástica. “Toda a gente tem um plano” é uma edição da Quetzal. 


 


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UM PIANO GALEGO - Alberto Vilas é um músico galego, de formação clássica, pianista , compositor e professor de piano no conservatório de Pontevedra. Apaixonado pela recriação de músicas populares, Alberto Vilas foi durante alguns anos membro do quarteto Tangata, que se dedicava à interpretação do tango. O seu novo disco, “Once Cancións e Unha Danza” é dedicada à reinterpretação da música popular galega. Vilas parte de temas tradicionais para, sózinho com o seu piano, recriá-los, mantendo a sua essência, mas modificando-as à sua maneira. Na realidade são músicas novas, reinventadas com respeito pela tradição, numa viagem pelas memórias que temos quando nos confrontamos com as músicas populares e tradicionais que ouvimos nos primeiros anos de vida. A intenção de Alberto Vilas com este disco é possibilitar que as gerações que quase desconhecem estas músicas tradicionais as possam redescobrir em temas como “A Rianxeira”, “Danza das Espadas”, “Ven Bailar Carmiña”  “La Portela”, e até uma tradicional portuguesa, “A Saia da Carolina”. Disponível em CD e nas plataformas de streaming, edição AMG Music.



ALMANAQUE  - Se forem a Roma poderão ver  até 23 de Fevereiro, no Palazzo Barberini, que integra a Galerie Nazionale di Arte Antiqua, uma pintura atribuída a Caravaggio que faz parte de uma colecção particular e que não era exposta há mais de 60 anos. Trata-se do retrato de Maffeo Barberini, antes de ter sido coroado como Papa Urbano VIII em 1623. Em Londres estão outras imagens: na Tate Britain até 5 de Maio a exposição “The 80’: Photographing Britain” mostra o trabalho de vários fotógrafos como Syd Shelton, Martin Parr e Brenda Prince naquela década, desde a greve dos mineiros até ao eclodir da SIDA, passando por manifestações contra medidas do governo de Margaret Thatcher. Na cidade de A Coruña, na Fundação MOP, pode ser vista até Maio uma exposição sobre a obra do fotógrafo norte-americano Irving Penn, organizada pelo Metropolitan Museum Of Art e que permite seguir a sua obra nas áreas da moda, naturezas mortas, nus e retrato ao longo de sete décadas.


 


DIXIT - “A resposta ao populismo não está na rendição a ele (…) está na virtude aristotélica de encontrar uma via média entre as preocupações das elites e as preocupações do povo. O resto é desastre” - João Pereira Coutinho


 


BACK TO BASICS - “É verdade que a inspiração existe, mas só se encontra quando se trabalha” - Pablo Picasso


 


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novembro 22, 2024

A COISA NÃO ESTÁ FÁCIL

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COISAS DO MANICÓMIO - O julgamento do ex-primeiro-ministro José Sócrates continua sem data para arrancar, quase 10 meses após a pronúncia decidida pela Relação de Lisboa e dez anos depois de ter sido detido. A Operação Marquês deixou de ser considerada urgente e os juízes têm demorado vários meses a apreciar simples reclamações de arguidos. Vários crimes estão em risco de prescrição, como as próprias desembargadoras que retiraram a urgência reconhecem. Talvez com falta de coisas mais urgentes para fazer, como por exemplo dinamizar a reforma da justiça e do Código de Processo Penal, a Assembleia da República está preocupada com o vestuário dos deputados. O dirigente socialista e vice-presidente da Assembleia da República, Marcos Perestrello, manifestou a intenção de regulamentar a indumentária dos deputados para evitar que surjam mensagens políticas em t shirts e outras peças de vestuário ou que sejam utilizados adereços que amplifiquem a transmissão de posições sobre temas em debate. A posição surgiu na sequência da intenção de criar regulamentação sobre a utilização, por parte dos cidadãos que assistem às sessões nas galerias, de fardas profissionais como no caso de bombeiros ou polícias. Para terminar em beleza uma notícia que relata a versatilidade de um magistrado: em Braga um procurador do Ministério Público decidiu acompanhar uma operação policial da GNR e  atingiu a tiro um homem durante o assalto a uma ourivesaria. O homem está internado em estado grave no hospital de Viana do Castelo com dois tiros no corpo e o procurador é agora visado num inquérito crime que vai apurar as circunstâncias que o levaram, não só a participar numa operação  policial, como a utilizar e disparar uma arma de defesa pessoal. Nota final: o magistrado, que é também socorrista dos Bombeiros, prestou os primeiros socorros ao homem que ele próprio tinha baleado.


 


SEMANADA - Num estudo coordenado pela Universidade de Évora em sete universidades de sete países europeus - Espanha, França, Irlanda, Itália, Portugal, Roménia e Suécia - Portugal é o país onde mais estudantes relatam ter sofrido  assédio sexual (3,9%) na universidade e o segundo país quando se trata do assédio moral/bullying (14,3%), ultrapassado apenas pela Roménia (15%); a esmagadora maioria dos hospitais do SNS considera as rupturas de medicamentos um problema grave e quase metade (48%) admitem que estas falhas ocorrem diariamente; nos últimos 50 anos. 75.151 pessoas perderam a vida nas estradas nacionais e  dois milhões ficaram feridas; entre 2011 e 2024 o efectivo militar português caíu 33,44% e só este ano, até setembro, entre entradas e saídas, Exército, Marinha e Força Aérea já perderam 345 militares; as várias polícias portuguesas registaram em 2023 371 mil crimes, um aumento de 8% em relação ao ano anterior ; um em cada três incêndios que este ano deflagraram em Portugal foi ateado de forma intencional e criminosa; segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, entre Janeiro e 15 de Outubro, registaram-se 6229 incêndios rurais no País, dos quais 35 por cento tiveram como causas motivações criminais; a segunda causa mais comum (30 por cento) tem a ver com o uso do fogo em queimas e queimadas que se descontrolaram e originaram incêndios; entre 15 e 20 de Setembro registaram-se os 19 maiores incêndios do ano, que destruíram 120 mil hectares de área, provocando nove mortos e 150 feridos; na terceira semana de Setembro, que registou o pico de incêndios deste ano, a Polícia Judiciária abriu 237 investigações e deteve 13 pessoas por suspeitas de fogo posto; este ano, até dia 15 de Outubro, arderam 136 mil hectares, o número de incêndios mais reduzido da década, mas o terceiro mais elevado em termos de área ardida.


 


O ARCO DA VELHA - Um avião da TAP esteve retido cinco  dias no aeroporto de Ponta Delgada até serem capturados todos os 132 hamsters que  fugiram do contentor onde estavam a ser transportados e ficaram à solta no porão do Airbus A320 impedindo a sua utilização por razões de segurança.


 


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A PASSAGEM DO TEMPO -  Até 16 de Fevereiro pode ser vista no Centro Cultural de Cascais uma exposição de um dos grandes fotógrafos norte-americanos, Nicholas Nixon. Trata-se de uma retrospectiva da sua obra, montada a partir da colecção da Fundação MAPFRE e as cerca de 200 fotografias são apresentadas cronologicamente. Nicholas Nixon já tinha exposto em Portugal, em 1990, no Fotoporto, com base numa exposição feita pelo MoMa em 1988. A exposição agora patente em Cascais mostra a série “As Irmãs Brown”, exposta na íntegra com as 48 imagens que a compõem. Esta série, “As Irmãs Brown”,  é considerada uma das mais importantes obras da fotografia contemporânea e contribuíu para o reconhecimento do seu autor. Todos os anos, de 1975 e 2022, Nixon fotografou as irmãs Heather, Mimi, Bebe (com quem Nixon se casou) e Laurie e a fotografia aqui reproduzida é de 1975.  Ano após ano, vemos o correr do tempo nos rostos das irmãs, mudanças físicas, e uma observação atenta permite perceber também a evolução no comportamento das retratadas. O curador da Fundação MAPFRE, que foi o comissário desta exposição, Carlos Gollonet, observa que o “que confunde e fascina nesta série, a meio caminho entre a objetividade documental e a intimidade emocional, é a mudança, o ritmo dentro da repetição”. Nicholas Nixon fotografa com o recurso a câmaras de grande formato, que impõem a proximidade e a cooperação dos  retratados. Toda a obra de Nixon tem por base a sua observação do passar do tempo na paisagem ou nas pessoas. O horário de funcionamento do Centro Cultural de Cascais é de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.


 


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ROTEIRO - Começo por sugerir uma visita a “Diafragma”, a nova exposição de Alexandre Farto, aliás Vhils, patente na Galeria Vera Cortês, (Rua João Saraiva 16-1º) até 11 de Janeiro. Ao todo são 9 peças que exploram o potencial da luz e o contraste com a escuridão. Já anteriormente o artista tinha sinalizado esta forma de trabalho, mas agora aprofunda-a e distancia-se da sua mais conhecida faceta da criação de imagens em relevo. Vhils actua sobre tubos de luz onde pinta fragmentos de imagens, que depois se juntam como num puzzle luminoso (na imagem). É uma clara referência à tecnologia, uma transição dos materiais como cimento ou pedra para a utilização criativa da luz eléctrica e da tecnologia. No Porto, na Galeria Fernando Santos, pode-se ver até 23 de Dezembro a exposição de Cristina Massena, “Fundação- Fuga” que combina escultura com pintura, procurando sempre uma reflexão sobre a utilização e divisão do espaço entre o público e o privado. No andar superior da Galeria poderá ver obras de outros artistas, como Avelino Sá, Gerardo Burmester, Jorge Galindo,  José Loureiro, Pedro Calapez, Pedro Cabrita Reis e  Rui Sanches, entre outros.  No átrio da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian há duas novas exposições: uma sobre o espólio de Fernando Lemos e outra sobre livros de artista na obra de mulheres, “Narrativas do Eu”. 


 


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A NOSSA HISTÓRIA - António Ramalho Eanes é um nome incontornável na história recente de Portugal. A entrevista que Fátima Campos Ferreira lhe fez, por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril, primeiro filmada para a RTP1 e, agora, publicada no livro “Palavra Que Conta”, é um documento importante. Como escreveu Marcelo Rebelo de Sousa no prefácio, “em boa hora foi possível o encontro entre quem queria ouvir e quem tinha imenso para ensinar”. Ramalho Eanes foi o Presidente da República que assegurou a estabilização da vida democrática após 1974 e 1975, foi o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio universal directo em 1976, depois de ter integrado o MFA desde o início, de ter sido um dos membros do Grupo dos Nove e de ter dirigido  as operações militares no 25 de Novembro de 1975. Venceu as duas eleições presidenciais a que concorreu, sempre com maioria significativa à primeira volta. Quando tomou posse como Presidente da República, em 1976, tinha 41 anos, foi até agora o mais jovem Presidente da República. Actualmente com 89 anos  continua a seguir de perto a situação em Portugal, mas também no mundo. Na entrevista Eanes fala dos episódios marcantes do seu tempo enquanto Presidente, relembra a importância de Melo Antunes, analisa a situação de instabilidade a nível mundial e, no capítulo final, dá a sua opinião sobre a actuação dos partidos políticos e sobre a crise de representação política, na qual aborda o sistema eleitoral, a colonização partidária da administração pública e afirma que “ a actual situação nacional não é preocupantemente crítica, mas merece séria preocupação”. Edição Porto Editora.


 


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ENTRE O JAZZ E A SOUL - Nos últimos anos têm surgido vários vocalistas de jazz e alguns, como Michael Mayo, conseguem esbater cada vez mais as diferenças entre o jazz vocal e a música soul. O novo disco de Michael Mayo, o segundo da sua carreira, é prova disso e, também, um manual de simplicidade. Em “Fly”, Mayo trabalhou com um trio constituído por Shai Maestro (teclados), Linda May Han Oh (baixo) e Nate Smith (bateria). A produção é do próprio Mayo. O álbum tem 11 faixas, a maior parte originais do próprio Michael Mayo, e destaco o som funky do tema título, “Fly” , “It Could Happen To You” e o inesperado aceno à forma de cantar de Chet Baker na balada “Spring Can Really Hang You Up the Most”, destacando aqui também o trabalho dos três músicos que o acompanham no piano, baixo e bateria. O disco está disponível nas plataformas de streaming.


 


ALMANAQUE  - Se forem a Londres até 16 de Fevereiro podem ver na Royal Academy o trabalho de três mestres da arte da Renascença italiana, Leonardo da Vinci, Rafael e Miguel Ângelo. A terminar a sugestão de um livro fantástico para quem se interessa por temas de comunicação: “Propagandopolis: A Century of Propaganda From Around The World”, com reproduções de muitos cartazes das mais diferentes proveniências. Está disponível na Amazon Espanha. No Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro, está patente “Kioskzine, 15 fotógrafos”, com obras de João Pina, Luísa Ferreira, Pauliana Valente Pimentel, Augusto Brázio e António Júlio Duarte, entre outros.


 


DIXIT - “O PSD não está hoje a olhar para o lado com que nasceu, o lado que lhe dá história e identidade, o lado que lhe dá um papel diferente de todos em Portugal” - José Pacheco Pereira


 


BACK TO BASICS - “O silêncio é dos argumentos mais difíceis de rebater “ - John Billings



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novembro 15, 2024

POLÍTICA E PUBLICIDADE


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A PUBLICIDADE NA CAMPANHA AMERICANA - Os custos totais das campanhas democrata e republicana nas eleições de 7 de Novembro foram os mais elevados de sempre. Em jogo estava não só a votação para Presidente, para o Senado e para a Câmara dos Representantes mas também sobre cerca de centena e meia de medidas, desde a regulamentação do aborto às autorizações para venda de marijuana, métodos de votação futuros, diversos temas económicos e leis de imigração. Um estudo da AdImpact, que monitoriza  os investimentos publicitários, contabilizou no Total do ciclo eleitoral de 2024 (presidenciais, senado, câmara dos representantes e medidas específicas), um total de 10,5 mil milhões de dólares, mais mil milhões do que nas eleições de 2020. Os Democratas foram quem mais gastou com cinco mil milhões, que comparam com 4,1 mil milhões dos Republicanos, enquanto o restante foi gasto por outros candidatos independentes e grupos não partidários. Segundo a organização independente Open Secrets cerca de 56% dos gastos foram em publicidade nos vários media, 10% em angariação de fundos, 17% em despesas das campanhas e salários, 6% para despesas administrativas, 4% para estratégia e pesquisa e o restante para items não discriminados. Em 23 Estados o investimento publicitário das campanhas ultrapassou os 100 milhões de dólares mas o Estado que ultrapassou todos os outros é a Pensilvânia, onde as campanhas gastaram 1,2 mil milhões de dólares em publicidade. Ao contrário do que se passa em Portugal, nos Estados Unidos as campanhas eleitorais podem utilizar, sem limites de valor, publicidade comercial em todos os meios e a televisão é o mais usado. A compra da publicidade é dividida entre a organização das campanhas, no caso das presidenciais entre o partido Democrata e o partido Republicano, e ainda os PAC (Political Action Committee, que podem doar fundos às campanhas) ou, cada vez mais frequentemente,  os Super PAC, que podem recolher contribuições de empresas, pessoas individuais ou sindicatos sem limite estabelecido e que podem gastar os fundos recolhidos, sem limite, em defesa de um candidato ou contra um candidato. Por exemplo, empresas ligadas às criptomoedas contribuíram com cerca de 245 milhões de dólares para apoiar candidatos ao Senado que defendem as suas posições, na maioria republicanos. Feitas as contas, em todos os Estados Unidos foram gastos  mais de três mil milhões em compra de publicidade apenas nas presidenciais desde o início da campanha, ainda com Biden, em Março deste ano. O mesmo estudo da AdImpact mostra que entre 22 de Julho e 1 de Novembro a campanha de Kamala Harris dedicou 643,6 milhões à publicidade paga, que soma a 726 milhões gastos por grupos que a apoiaram. Do lado de Trump a campanha oficial e os grupos que a apoiaram investiram em publicidade 914 milhões no mesmo período. A AdImpact indica ainda que 18% de toda a publicidade comprada durante o período referido foi em canais digitais e os Democratas investiram mais no Facebook, Google e Snapchat que os Republicanos que apostaram mais no X (ex-Twitter). Uma nota curiosa: a campanha de Kamala Harris usou duas contas diferentes em todas as plataformas digitais - uma dedicada aos eleitores em geral e outra focada na geração Z e nos millennials mais novos. Na última semana das presidenciais cada uma das campanhas colocou 50.000 spots de televisão a nível nacional nos canais de televisão. Nada disto impediu que na noite das eleições as audiências caíssem em relação a 2020. Segundo a Nielsen Media Research, este ano 42,3 milhões de espectadores seguiram a cobertura dos resultados eleitorais em 18 canais de televisão nos Estados Unidos, uma queda de 25% em relação aos 56,9 milhões de espectadores registados em 2020. O número total de votantes foi cerca de 147 milhões, num universo possível de 161 milhões de eleitores registados,  sendo que a população dos Estados Unidos é de cerca de 335 milhões.


 


SEMANADA - O total estimado de professores e educadores de infância que se terão reformado durante 2024 é de quatro mil, o número mais elevado dos últimos 10 anos; os resultados das provas de aferição do 5º e 8º ano mostram decréscimo da qualidade de aprendizagem a Matemática, Ciências Naturais e Português; um estudo da Marktest indica que 58% dos utilizadores portugueses de redes sociais seguem figuras públicas nessas plataformas e os cinco mais nomeados são, por esta ordem, Cristiano Ronaldo, Cristina Ferreira, Rita Pereira, Nuno Markl e Madalena Abecasis; a presença feminina na administração das maiores empresas nacionais aumentou, mas só 17% das mulheres têm funções executivas; em oito anos foram identificados 836 casamentos infantis ou forçados em Portugal; apenas 6% das queixas de assédio recebidas por instituições de ensino superior públicas resultaram em sanções; o tempo médio de espera por uma junta médica é de um ano e quatro meses; até Agosto foram vendidas em Portugal  quase 54 mil embalagens de um medicamento contra a obesidade, num valor total de 9,6 milhões de euros; segundo um estudo da Marktest um em cada quatro cidadãos em Portugal continental já subscreve o serviço de pelo menos uma plataforma de streaming;  o lucro da Caixa Geral de Depósitos nos nove primeiros meses do ano aumentou 39% em relação ao registado em igual período do ano passado;um estudo do sector imobiliário mostra que as moradias já representam um quarto da procura de casas, superando os apartamentos T3; as exportações portuguesas para os Estados Unidos cresceram 73% entre 2019 e 2023.


 


O ARCO DA VELHA - Dois meses após o início do ano letivo, 25 mil alunos continuam sem professor a pelo menos uma disciplina e Lisboa, Setúbal e Faro continuam a ser os distritos mais afetados. 


 


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NOVAS OBRAS DE CABRITA REIS  -   Depois de “Atelier”, a grande exposição retrospectiva realizada durante o verão na Mitra, Pedro Cabrita Reis apresenta uma nova exposição, “das águas e outros lugares”,  com uma série de trabalhos inéditos, já deste ano, na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18), até 18 de Janeiro. Das 18 obras expostas, 17 são de 2024 e uma, um desenho em papel a grafite e acrílico representando o auto-retrato do artista, é de 1993. Além desse desenho, há oito trabalhos em papel, uma fotografia, dois óleos sobre cartão, quatro óleos sobre tela e duas obras tridimensionais. Um dos trabalhos mais fortes é o óleo que aqui se reproduz, baseado num Raio X feito a uma obra do pintor italiano Tintoretto, que se supõe ser o seu último auto-retrato. Tintoretto, de seu nome Jacopo Robusto, viveu em Veneza no século XVI, e o seu pai era um artífice que tingia sedas,  daí o nome pelo qual ficou conhecido. Pedro Cabrita Reis colocou no verso deste quadro inspirado pela silhueta de  Tintoretto dois nomes, “Jacopo Robusto X Rayed”  e “Il Veneziano”. 


 


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ROTEIRO - Na Galeria Narrativa, em Lisboa ( Rua Doutor Gama Barros 60, www.anarrativa.com) o fotógrafo russo Nikita Teryoshin apresenta o seu trabalho “Nothing Personal - The Back Office of War”, premiado no World Press Photo, que mostra os bastidores das guerras, antes de as armas chegarem aos campos de batalha, com um olhar certeiro sobre submundo das feiras de armas e exposições de defesa (na imagem), ​​um enorme parque de diversões para adultos em que há vinho, petiscos e armas reluzentes. Manequins de plástico são cadáveres e a acção de guerra é encenada num ambiente artificial perante ministros, chefes de Estado, generais e empresários. Em Coimbra, no Centro de Arte Contemporânea, até 26 de Janeiro , a exposição “O Rumor da Imagem” apresenta obras da colecção Alberto Caetano e da Colecção de Arte Contemporânea do Estado. A Feira de Outono APA - Arte e Antiguidades regressa para mais uma edição, a decorrer de 13 a 17 de novembro, entre as 15h e as 21h, no Salão da SNBA.


 


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UM POEMA PARA ESTES TEMPOS - "A Terra Desolada”, no original “The Waste Land”, é um poema escrito por T.S. Eliot em 1921, num momento em que atravessava uma fase complicada da sua vida. Em Paris, depois de ter concluído a primeira versão da obra em Lausanne, Eliot apresentou o texto a Ezra Pound, que sugeriu modificações e cortes significativos, mas desde logo reconheceu a qualidade do poema, cuja primeira edição data de 1922. “A Terra Desolada” é uma evocação dos anos terríveis da Grande Guerra e da devastação da terra, um poema construído em torno da recuperação da figura de um moderno cavaleiro do Graal numa viagem através da terra que ficou infértil, ao longo da qual vai fazendo as perguntas que acabam por permitir restituir a vida. “A Terra Desolada” é a obra mais importante de T.S. Eliot, um dos maiores poetas de língua inglesa que ganhou o Prémio Nobel de Literatura em 1948. Esta nova edição, bilingue, com tradução de Jorge Vaz de Carvalho, surge numa altura em que de novo se espalham múltiplas ameaças de devastação sobre a terra, o que torna este poema ainda mais actual. A edição é da Assírio & Alvim.


 


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JARRETT, SEMPRE - The Deer Head Inn, no Delaware, é o mais antigo clube de jazz dos Estados Unidos, construído em 1840, e foi um marco na carreira de muitos músicos. Um dos que aí começou foi Keith Jarrett, quando tinha 16 anos. O pianista voltaria com alguma frequência ao local e em 1992, acompanhado por Garry Peacock no baixo e Paul Motian na bateria, realizou um concerto para angariar fundos para a preservação do local, que felizmente foi gravado, gravação que ficou para a história. A primeira edição data de 1994 e foi muito elogiada na altura. Agora a ECM decidiu recuperar a gravação original adicionando oito temas inéditos desse mesmo concerto. Ouvindo o disco, “The Old Country (Live At The Deer Head Inn)", torna-se claro que o trio de grandes músicos se deixou levar numa jam session perante o encanto dos espectadores dessa noite única.O disco inclui temas como “Everything I Love”, “I Fall In Love Too Easily, “All of You”, “Someday My Prince Will Come”, “Golden Earrings”, “How Long Has This Been Going On” e uma versão, muito bluesy do tema de Nat Adderley, “The Old Country”, que dá o nome ao álbum. Disponível nas plataformas de streaming.



DIXIT - “ Identificar a democracia com a esquerda e estas com a bondade e a humanidade é o mais miserável erro de pensamento político que se pode imaginar. Quem assim se comporta ajuda as autocracias de todo o mundo” - António Barreto


 


BACK TO BASICS - “A Arte, tal como a moralidade, consiste em traçar uma linha algures” - J. K. Chesterton


 


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À conversa com Miguel Nabinho

Miguel Nabinho tem vindo a fazer uma série de entrevistas, em vídeo , a que deu o nome "sem título", onde filma  mais diversas pessoas, de artistas a políticos, passando por jornalistas e comentadores. Calhou-me agora ter uma bela conversa com ele na qual lhe contei coisas da minha vida. As dezenas de entrevistas que já fez podem ser vistas no YouTube em screenmiguelnabinho. A conversa comigo,  pode ser vista aqui.


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novembro 08, 2024

RÁDIOOUVINTES

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O ENCANTO DA TELEFONIA - A rádio continua a ser um meio de excelência para informação e entretenimento e dia 11 vai  nascer uma nova estação, a CM Rádio, criada pela Medialivre, que também edita este jornal.  A Medialivre é a única empresa portuguesa de media a estar presente em todas as plataformas: imprensa diária e semanal, generalista, especializada e desportiva, televisão, internet e agora rádio. Olhemos para o que é a realidade da rádio em Portugal com base no estudo da Bareme Rádio da Marktest, relativo ao mês de Setembro. Assim 84,4% dos portugueses com 15 ou mais anos ouviram nesse mês rádio pelo menos uma vez por semana.  Ao contrário da televisão, em que os resultados de audiência são conhecidos diariamente, na rádio a recolha de dados é feita por inquérito telefónico periódico, que permite estabelecer vários parâmetros: o reach, que corresponde ao número ou percentagem de indivíduos que escutaram uma estação de rádio, na semana anterior; a audiência média,  que representa o conjunto de indivíduos que escutaram uma estação, num determinado período horário; e finalmente a audiência de véspera que nos dá o número ou percentagem de pessoas que escutaram uma determinada estação, no período das 24 horas anteriores à pergunta ser formulada. Este é, na minha opinião, o dado mais relevante para evidenciar qual a estação que as pessoas ouvem habitualmente e da qual se recordam mais. As dez estações mais ouvidas, segundo este critério, são a Rádio Comercial (19,6%), a RFM (16,6%), a M80 (8,8%), a RR (6,6%), a Antena 1 (4,8%), a Cidade FM (4,4%), a TSF (3,2%), a Mega Hits (3,1%) e, empatadas, a Antena 3 e a Rádio Observador) ambas com 2%). A rádio tem-se mostrado particularmente resistente e, nos anos mais recentes, verificou-se até um reforço da sua audição: tradicionalmente os períodos de audiência de rádio eram quase só a manhã e o fim da tarde, correspondentes ao período em deslocações de automóvel, o principal local onde as pessoas ouviam rádio. Mas graças às emissões digitais em streaming  muita gente começou a ouvir rádio através dos seus smartphones ou computadores, com auscultadores, enquanto trabalhava - uma mudança significativa que faz com que hoje a rádio possa ser ouvida ao longo de todo o dia, por novas audiências, e já não apenas no auto-rádio ou na clássica telefonia.



SEMANADA - Na zona euro o património médio das famílias é de 434 mil euros enquanto em Portugal é de 295 mil euros; por cada 100€ de rendimento disponível, as famílias portuguesas poupam apenas 8€, valor que compara com 13€ de média na União Europeia; no mês passado o preço de compra de casas subiu em Faro, Santarém e Vila Real, os distritos onde o preço por metro quadrado é mais elevado são Lisboa, Porto e Funchal e onde a compra de habitação é mais barata são Portalegre, Guarda e Castelo Branco; no primeiro semestre deste ano registaram-se 17900 acidentes de viação com vítimas, 220 das quais foram mortais; o INEM tem 47 ambulâncias inoperacionais; em Portugal a idade média dos automóveis ligeiros de passageiros aumentou para 14,1 anos e nunca houve tantos carros com mais de dez anos a circular; cerca de quatro mil pessoas por ano são dadas como desaparecidas em Portugal; segundo o mais recente Relatório da Segurança Interna os crimes violentos aumentaram e no ano passado, a criminalidade grupal aumentou em cerca de 15%; no mesmo período a delinquência juvenil agravou-se em quase 9% e as apreensões de droga aumentaram 13,6%; a PSP só tem 295 tasers para os cerca de 14 mil agentes que andam na rua; no final do mês passado 32 mil alunos continuavam sem aulas pelo menos a uma disciplina; cum estudo da Fundação Belmiro de Azevedo indica que nas escolas públicas todos os dias faltam, em média, 11 mil professores e a cada ano há cerca de dois milhões de aulas que ficam por dar. 


 


O ARCO DA VELHA - Em 2024 já morreram 61 jornalistas e 306 foram presos no exercício da sua actividade profissional em zonas de guerra ou de conflito como Ucrânia, Gaza, Sudão ou Birmânia.


 


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O MUNDO NOVO - Até 9 de Fevereiro poderá ver na Galeria Municipal Pavilhão Branco,  nos jardins do Palácio Pimenta, ao Campo Grande, a nova exposição de Joana Villaverde, “My Pleasure”. Com curadoria de António Pinto Ribeiro, estão expostas 14 obras inéditas de grandes dimensões,  telas de três metros e meio por dois metros, que  são os primeiros trabalhos de Joana Villaverde sem qualquer expressão figurativa ou iconográfica. A exposição está aberta de terça a domingo, com entrada livre. Joana Villaverde afirma que estas novas obras são o reflexo do seu quotidiano e resultam do que vê da sua janela, no Alentejo, em Aviz, onde vive e trabalha. No seu texto para a exposição, Joana Villaverde sublinha que este é um trabalho “sem obrigações figurativas” . Sobre o  processo de trabalho que seguiu afirma: “Começo como imagino que comecem as pinturas abstratas. Vou desenrolando a tinta como se fosse um rolo de alcatifa, o corpo vai andando, desenrolando”. Joana Villaverde nasceu em 1970, expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde 1988 e a sua obra está presente em diversas colecções privadas e institucionais. Em 2018 abriu o seu atelier Officina Mundi em Avis, onde é responsável pela programação pública. No próximo domingo, dia 10 de Novembro, pelas 16 horas, as Galerias Municipais de Lisboa organizam uma visita guiada à exposição, que será orientada pela artista Joana Villaverde e terá acompanhamento com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.


 


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ROTEIRO - Uma exposição a não perder em Lisboa é “Veneza em Festa - de Canaletto a Guardi”, que fica até 13 de Janeiro na galeria principal da Fundação Gulbenkian. A exposição é realizada em colaboração com o Museo Thyssen-Bornemisza e apresenta obras da pintura veneziana do século XVIII como Guardi, Bellotto, Tiepolo e Canaletto.  Na imagem está a obra “A Festa da Ascensão na Praça de São Marcos, Veneza”, um óleo sobre tela de Francesco Guardi, datada de 1755. Em Braga destaque para “Self-Portrait of Nowhere”, de Miguel Rio Branco, na Zet Gallery. Trata-se de uma das maiores exposições do artista, que trabalha essencialmente sobre imagens fotográficas, e que estará patente até 11 de Janeiro com curadoria de Helena Mendes Pereira. NO CCB/MAC poderá ver até 31 de Agosto de 2025 a exposição “Intimidades em fuga, em torno de Nan Goldin”, exposição inspirada num dos mais marcantes trabalhos de Goldin, “The ballad of sexual Dependency”, um diário fotográfico criado por Goldin em 1985. Nesta exposição apresentam-se vários autores que se inspiraram na obra de Goldin mas há poucas obras suas. Finalmente em Lisboa, de 7 a 10 de Novembro, decorre o Lisbon Art Weekend com um programa que engloba muitas das galerias da cidade e ateliers de artistas. Pode ver toda a programação em lisbonartweekend.com .


 


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A MISTERIOSA ARMA  - Pode a música, sob a forma de percussão de tambores, ser uma arma de guerra? O novo livro de José Eduardo Agualusa, “Mestre dos Batuques” é uma narrativa no domínio do fantástico, que mistura acontecimentos históricos com as tradições e rituais do Bailundo, a região de Angola onde se localiza a cidade de Huambo, da qual o escritor é natural. Mia Couto, outro escritor angolano, descreve assim este “Mestre dos Batuques” : “De súbito, numa savana angolana, soldados europeus surgem mortos de forma absolutamente misteriosa. Não há sinal de violência, não há vestígio de crime. Estes militares consumiram-se a si mesmos como sucede com a luz de uma vela. É por esse véu de mistério que a prosa de Agualusa caminha entre dois séculos que se cruzam, entre guerras e amores que se entrelaçam, entre identidades que são credíveis na medida em que são improváveis (...) e é uma digressão prodigiosamente construída sobre as ilusões das fronteiras e dos territórios que nos definem.” Este romance “conta a história de amor de Lucrécia Van-Dunem e Jan Pinto, mas também a de uma sociedade secreta de guerreiros africanos, a de uma mulher que conhecia os segredos da invisibilidade, a de um soldado que queria ser fotógrafo e a da beleza da cidade dos sonhos, Luanda. Num final surpreendente, o romance deixa ainda uma pergunta essencial: pode o amor triunfar sobre a guerra e o caos?”


 


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O SOM DO BAIXO - Avishai Cohen, um baixista de jazz que nos anos 90 tocou no trio de  Chick Corea, desenvolveu um estilo muito próprio combinando influências clássicas, do jazz, do folclore judaico e de várias músicas do mundo.”Brightlight” é o seu novo disco, onde toca como habitualmente com o pianista Guy Moskovich e a baterista Roni Kaspi. O tema de abertura, “Courage” é um bom exemplo da coesão deste trio e da forma como baixo, piano e bateria se completam. Noutro tema marcante do disco, “Hope”, participam também o guitarrista Yosi Ben Tovim e o flautista Ilan Salem. Em “Roni’s Swing”  pode ouvir-se o diálogo entre os três instrumentos , a forma como se articulam e como cada um marca espaço e é particularmente interessante o solo de baixo de Cohen. O disco inclui, além de originais e novas gravações de composições antigas do próprio Cohen, três versões, de origens bem diferentes: uma composição de Franz Liszt, "Liebestraum", é transformada num blues pelo piano de Moskovich; em “Summertime”, o clássico de George Gershwin, Avishai Cohen imprime um ritmo diferente e canta ele próprio; e a terminar surge “Polka Dots and Moonbeams” , um original de Jimmy Van Heusen onde participa o saxofonista Yuval Drabkin. Disponível em streaming.


 


ALMANAQUE  - Esta semana começo por propôr uma série de televisão, “The Rivals”, disponível na Netflix e que acompanha o desenvolvimento  da televisão privada no Reino Unido, nos anos 80. Se estiver em Berlim e quiser ver uma exposição retrospectiva de  Nan Goldin, visite o Neue Nattionalgalerie, onde na exposição “This Will Not End Well” a artista exibe slides e uma narrativa visual na forma cinematográfica que caracteriza a sua obra. E em Paris, de 7 a 10 de Novembro, decorre a Paris Photo, uma das mais importantes exposições de fotografia que conta com a presença de mais de  230 galerias de todo o mundo,  entre as quais três portuguesas, a Carlos Carvalho, a Artemis e a Monitor.


 


HOJE HÁ DOIS DIXIT - “O que nos une é a música e a esperança, não a violência” - Selma Uamusse, cantora; “A música é a última coisa que se esquece” - Miguel Esteves Cardoso, escritor.


 


BACK TO BASICS - “Não basta ter uma boa cabeça, o essencial é usá-la bem” - Descartes


 


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outubro 31, 2024

O VÍCIO SOCIAL, UM SANTO PUBLICITÁRIO, UMA DÉCADA MARAVILHOSA, UM MUSEU REABERTO, MUITA FOTOGRAFIA EM EXPOSIÇÃO

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PREFERÊNCIAS SOCIAIS - O tempo médio  dedicado diariamente pelos portugueses às redes sociais é actualmente de 97 minutos, um aumento face a 2023, segundo o estudo “Os portugueses e as redes sociais”, da Marktest. Este número, que ultrapassa a hora e meia diária, aumenta consideravelmente entre as camadas mais jovens, aproximando-se das duas horas e meia (145 minutos). 97% dos portugueses que têm um perfil criado em qualquer das redes sociais refere que a consulta a estas plataformas é um hábito diário e praticamente 90% assume fazê-lo várias vezes ao dia. A faixa horária mais frequente é entre as 20h00 e as 22h00. O Instagram, que fez dez anos no início de Setembro, é considerado como a rede social mais interessante por 40% dos portugueses. Um outro estudo da Marktest estuda a audiência de 43 sites portugueses, o netAudience. Os cinco primeiros lugares são ocupados, por esta ordem,  pela TVI,  SIC,  Correio da Manhã, Jornal de Notícias e NiT. Depois, para completar o top ten, surgem o Expresso,  Observador, Flash, OLX e RTP. O estudo analisa também os dados por sexo e enquanto os homens colocam a SIC  em 2º lugar, as mulheres colocam a NiT  nesta posição. Já a NiT, entre os homens, encontra-se em 7º lugar e a SIC, entre as mulheres, ocupa a 4ª posição. Por outro lado, tendo em conta os 20 sites com maior audiência, as maiores diferenças por sexo registam-se no site O Jogo, que é 11º entre os homens e 25º entre as mulheres.  Finalmente, este estudo da Marktest indica que,  considerando  a lista das 20 entidades com maior alcance, a TVI teve o valor mais alto de acessos em dispositivos móveis e o OLX foi o que teve o valor mais alto em PC’s.


 


SEMANADA - Em 27 municípios o preço médio das casas duplicou nos últimos cinco anos e o preço médio por metro quadrado no país ultrapassou pela primeira vez os 1700 euros; os preços das casas em Lisboa são 151% mais altos do que no resto do país; o impacto do golf na economia portuguesa é de  €4.200.000.000 euros,  representando 1,2% do PIB nacional; nos últimos 30 anos o PIB português cresceu 48%, enquanto o da Irlanda cresceu 305%; um estudo divulgado pelo Instituto + Liberdade revela que somos o 2.º país com mais escalões de IRS na União Europeia e somos o que tem maior progressividade no IRC e com mais taxas; Portugal tem mais de 4.300 taxas e taxinhas e regras fiscais complexas que geram custos de contexto indesejados;  Portugal tem também uma grande instabilidade e imprevisibilidade legislativa, devido às constantes alterações no sistema fiscal e nos últimos 30 anos houve mais de 1.300 alterações ao código de IRC; o sistema fiscal português é o quarto menos competitivo da OCDE, mantendo-se nos últimos lugares da tabela de 38 países, estando no penúltimo lugar na avaliação da competitividade fiscal sobre as empresas (ou seja, em 20º lugar nos impostos sobre  a propriedade , na 22ª posição nos impostos sobre o consumo , na 26ª sobre os rendimentos individuais; a margem operacional bruta das empresas não financeiras em Portugal é a mais baixa da Europa em paridade de poderes de compra, é menos de metade da margem das empresas espanholas e sete vezes inferior à das alemãs.


 


O ARCO DA VELHA - O juiz Orlando Nascimento subiu este mês ao Supremo Tribunal de Justiça apesar de ser arguido num processo crime em que é suspeito de abuso de poder.


 


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O SANTO PUBLICITÁRIO -  Podem os santos fazer publicidade? Parece que sim e a exposição “Santo António na Publicidade” que relata o papel do santo padroeiro de Lisboa na publicidade, logo desde o século XIX, pode ser vista até 20 de Abril e foi comissariada por Eduardo Cintra Torres, que tem obra publicada sobre a história da publicidade em Portugal. A exposição mostra vários exemplos da utilização publicitária da imagem de Santo António, muito para além das Festas de Lisboa, aliás evocada no local do Museu, o Largo de Santo António à Sé,  com um mupi, um manjerico gigante e um altar feito com grades de cerveja. De entre as peças apresentadas nesta mostra, Eduardo Cintra Torres destaca “um conjunto notável de cartazes relativos a Santo António encomendados a artistas gráficos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre os anos 1930 e 1980, que aqui se reúnem pela primeira vez». Até para promover o Vinho do Porto a imagem de Santo António foi utilizada, como se vê na imagem.  Eduardo Cintra Torres destaca ainda como ficou surpreendido pela  quantidade de anúncios que aludem a Santo António e às marcas que usam a designação Santo António. «Para além disso - sublinha Cintra Torres -  o mais surpreendente é o afecto pelo Santo que a publicidade transmite, revelando um lado genuíno nesta relação da publicidade com ele. Sabemos do afecto pelo Santo no dia-a-dia das pessoas, mas esse afecto também foi transportado para as mensagens publicitárias, algo que continuou até aos dias de hoje quando a publicidade já se encontra despida desse carácter religioso».


 


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ROTEIRO - A Mostra de Fotografia e Autores - MFA Lisboa apresenta ao longo de Novembro e Dezembro 20 exposições fotográficas sob o tema genérico “NÓS”, uma iniciativa da associação C11. O arranque é já dia 2 no Mercado de Arroios. Aí estarão patentes, até 30 de Novembro, diversas exposições como “Ponto de Chegada” de André Rodrigues, sobre a vida dos imigrantes e a exploração agrícola intensiva no litoral alentejano, e “Pa-raíso” , de Lara Jacinto, um projecto que se centra nos migrantes que trabalham na actividade turística. Neste núcleo está também o resultado de residências artísticas realizadas no concelho de Lagoa. Augusto Bázio mostra em “Filhos do Sol - A Busca do Idílico”, o Algarve como um território de sazonalidade em que o habitante é o turista que se auto isola numa bolha de ilusória felicidade. Já Paulo Catrica apresenta “Pospectus”, uma série fotográfica sobre paisagem e arquitectura, que reflecte formas de habitar neste território do sul do país. E Valter Vinagre expõe “Corações Ao Alto, que documenta credos e confissões religiosas que coexistem pacificamente em Lagoa (na imagem), através de retratos dos seus guias espirituais. No mesmo dia, nos Jardins do Bombarda (Rua Gomes Freire 161, onde era o antigo hospital psiquiátrico) abrem uma série de outras exposições: a colectiva “Agenda 2030”, “Menos que nada não é igual a tudo”, de João Mariano, “Casulo”, de Vitorino Coragem e “Bailarino Valentim de Barros”, sobre um artista  que foi internado mais de quatro décadas no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda por ter sido diagnosticado como homossexual. Além disso, no mesmo local, decorrerá um mercado da fotografia com livros novos e usados e equipamento fotográfico vintage. Podem ir seguindo a abertura das exposições na página da associação  CC11 no Facebook, onde estão todas as informações. 


 


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A DÉCADA QUE MUDOU PORTUGAL - Como era a vida em Portugal nos anos 80? É a esta pergunta que Pedro Boucherie Mendes responde com um trabalho completíssimo que em cerca de 600 páginas faz o retrato de uma década em que muito mudou no país. “A Década Prodigiosa- Crescer em Portugal nos Anos 80” é um guia para quem não viveu essa época. O próprio autor tinha dez anos quando a década de 80 começou, portanto o livro é fruto de uma investigação minuciosa, dezenas de entrevistas, horas à procura de informação. O livro tem três partes: “Céu geralmente nublado, com algumas abertas” relata o que se passou entre 1980 e 1985, desde a primeira telenovela portuguesa à epopeia de um navio cargueiro que encalhou  mesmo frente ao Terreiro do Paço ou o surgimento do Multibanco, passando pela morte de Sá Carneiro. A segunda parte, “O campeonato da Europa”, vai de 1985 a 1987 e lembra o processo de adesão à CEE, a desgraça da Selecção em Saltillo, o nascimento das rádios locais, as noites do Frágil ou os programas de António Sérgio. A terceira parte, “A carga pronta e metida nos contentores”, apanha o final da década, de 1987 a 1990, fala do nascimento do “Independente” e da escrita de Miguel Esteves Cardoso, do incêndio do Chiado e do primeiro grande concerto de estádio, além da adesão à CEE e do governo de maioria absoluta de Cavaco Silva. Para além das 500 páginas da História da década, há mais cem com uma detalhada cronologia, referências bibliográficas, um indíce remissivo, notas finais e agradecimentos. Pedro Boucherie Mendes é jornalista, trabalhou em jornais e revistas, fez programas de rádio e na SIC dirige canais temáticos. A sua escrita é escorreita e detalhada e percorrer as memórias desta década com ele, para mim que a vivi em pleno, foi um prazer. Sempre considerei que os anos 80 foram a década em que muita coisa mudou, e para melhor, em Portugal. De certa forma parecia que a criatividade que tinha explodido noutros países na década de 60 alcançava Portugal com 20 anos de atraso. É essa história que este livro conta, de forma exemplar. Edição D. Quixote.


 


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ALMANAQUE  - Hoje estas linhas são inteiramente dedicadas ao território nacional. Começo por referir que Tyler Brulé,  editor da revista “Monocle”, elogiou na sua newsletter semanal o Centro Comercial das Amoreiras, destacando algumas lojas e a sua dimensão - “It’s on the tiny side by modern retailers’ standards – and that’s why it works”. A seguir passo para um restaurante, dentro de um novo hotel que abriu recentemente em Lisboa, entre a Rua de Santa Marta e a Camilo Castelo Branco, após uma bem conseguida recuperação de um antigo convento do século XVII. O Hotel é o Locke de Santa Marta e o restaurante é o Joana, liderado pelo chef Nuno Mendes, que fez boa parte do seu percurso em Londres. A carta baseia-se em produtos muito bem escolhidos e confeccionados, com propostas simples, algumas surpreendentes mas sem pretensiosismos, e o serviço é irrepreensível. Para terminar o MUDE reabriu finalmente as portas com a exposição “Para Que Servem as Coisas - peças do acervo MUDE de 1900 a 2020” (na imagem, foto de Luísa Ferreira). de entre as cerca de 500 peças de mobiliário, design gráfico e objectos, destaco, para os cinéfilos, o conjunto de trabalhos realizados pelo designer gráfico José Brandão para o filme “Kilas, o Mau da Fita”, de José Fonseca e Costa. O Museu do Design fica na Rua Augusta 24 e esteve encerrado durante os últimos oito anos.


 


DIXIT - “Uma ministra que não sabe falar não pode ser ministra” - João Miguel Tavares, sobre a Ministra da Administração Interna.


 


BACK TO BASICS - “Mais vale estar calado e passar por tolo do que falar e provar que é mesmo tolo “ - Abraham Lincoln


 


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outubro 25, 2024

(QUASE) NADA SUBSTITUI UM BOM LIVRO

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O LIVRO RESISTE AO DIGITAL - Em 2007 a Amazon lançou o seu primeiro Kindle, o e-reader mais popular de entre os vários que entretanto surgiram no mercado, como o Kobo, o seu rival mais directo, lançado em 2010. Muita gente pensou que com a introdução destes dispositivos digitais aconteceria aos livros o mesmo que aconteceu aos CDs, quando o iPhone e outros smartphones permitiram a massificação das plataformas de streaming de música. Mas, curiosamente, o que aconteceu aos discos não aconteceu nos livros. Vem tudo isto a propósito de um recente estudo promovido pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, desenvolvido pela GFK. Segundo esse estudo, o mercado total de livros em Portugal cresceu de 154 milhões de euros em 2019 para 187 milhões de euros em 2023. Segundo o mesmo estudo, a faixa etária dos 25 aos 34 anos é a que mais compra livros, 76% do total. E os livros em papel continuam a ser o formato preferido por 93% dos portugueses, em detrimento dos e-books. Finalmente, o estudo indica que a classe média é a que compra mais livros, 73% do total. O estudo indica ainda que os leitores portugueses continuam a ser movidos por três factores principais na hora de comprar um livro: o tipo de livro, o preço, e as recomendações. Por último, o romance é, de longe, o género mais consumido, com 50% das preferências seguido pelo policial e o thriller e, praticamente empatado,  o romance histórico, ambos com 30%,  seguido pelos livros infantis e juvenis. Este ano está a correr bem: no final de Setembro  o mercado nacional do livro já tinha crescido 6% na venda de unidades e 9,1% em valor. Um outro estudo da GFK com o comparativo de 16 países, mostra que  Portugal e Espanha são os dois países europeus com maior crescimento do mercado, quer em valor, quer em unidades vendidas. O mercado português é liderado pelas redes de livrarias ligadas a grupos editoriais e pelas grandes superfícies, mas a venda  online maioritariamente feita pela WOOK e as livrarias independentes, juntas, significam cerca de 20% do mercado que este ano poderá atingir os 200 milhões de euros, um novo recorde.


 


SEMANADA - Dos 37 heliportos de hospitais apenas cinco têm autorização da Autoridade Nacional da Aviação Civil para funcionar; as cativações previstas pelo Ministério das Finanças no orçamento de estado para 2025 são as mais altas de sempre; quase 94% das unidades de saúde familiar registaram faltas de material básico no último ano; 24 mil alunos continuam sem aulas desde o início do corrente ano lectivo; a GNR registou 103 crimes de bullying nas escolas no ano lectivo de 2023/2024, dos quais 12 de cyberbullying;  há cada vez mais crianças e jovens no sistema de acolhimento e protecção, que no ano passado registou 2415 novos acolhimentos, com especial incidência em crianças até aos nove anos;  um estudo da Pordata indica que 30,2% dos portugueses não tem capacidade para suportar uma despesa inesperada sem recorrer a empréstimo; em 2023 existiam em Portugal 2375 estações ou postos  de correio, menos 523 dos que funcionavam em 2005; a Ministra da Administração Interna disse que, entre Janeiro e Agosto deste ano, 1295 agentes da PSP e militares da GNR tinham sido agredidos em funções; um estudo recente indica que Portugal é o 17º país com mais patentes de origem académica na Europa e a Universidade do Porto, a NOVA de Lisboa, as Universidades de Lisboa e do Minho e o Instituto Superior Técnico são as principais instituições portuguesas titulares de patentes académicas.


 


O ARCO DA VELHA -Dos seis unicórnios (startups avaliadas em pelo menos mil milhões de dólares) com sangue português apenas uma, a Feedzai, ainda tem sede em Portugal, todas as outras, ao ganharem dimensão, acabaram por deixar o país.


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A FESTA DO DESENHO -   Nos últimos anos tem crescido o interesse por obras de arte no formato desenhos feitos sobre papel, quer a carvão, aguarela, acrílico ou outros materiais. Desde 2018 realiza-se em Lisboa a Drawing Room, dedicada precisamente a este segmento do mercado de arte. O  preço médio das obras é mais reduzido que o que acontece noutras feiras com outros suportes e outros materiais, o que significa uma boa oportunidade. A edição deste ano conta com 23 galerias, algumas das quais estrangeiras, e apresenta obras de sete dezenas de artistas, dos mais consagrados até principiantes.  Pedro Calapez, Cristina Ataíde, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, José Loureiro, Rui Sanches ou Gabriel Abrantes são alguns dos nomes presentes. Como tem acontecido em anos anteriores a Drawing Room acolhe os 10 artistas finalistas do prémio de desenho da FLAD, cujo vencedor será conhecido no decorrer da Feira. Este ano há também uma nova secção, “Quarto de Visitas”, onde estão três galerias estrangeiras , de Viena, Haia e Marselha. A Drawing Room decorre na Sociedade Nacional de Belas Artes (Rua Barata Salgueiro 36) até domingo, dia 27. Na sexta e sábado está aberta das 11 às 21 horas e no domingo das 11 às 18. Na imagem está a obra “As Aparições Vãs da Noite”, um trabalho recente de Pedro Calapez, acrílico sobre papel, apresentado na Galeria Miguel Nabinho.


 


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ROTEIRO - O destaque desta semana vai para a nova exposição de José Maçãs de Carvalho, “Tempo Dobrado”, que está em Coimbra, na Casa Museu Bissaya Barreto (Rua da Infantaria, 13) até 1 de Fevereiro. A exposição mostra na sala principal três fotografias e um tríptico, todas inéditas, de 2024 e 2022, entre as quais a que ilustra esta nota. José Maçãs de Carvalho foi buscar o título “O Tempo Dobrado” a um verso do poeta Luís Quintais e refere-se “aos múltiplos tempos da fotografia”, destacando  que “há sempre mais para ver além do que é óbvio”. A exposição ocupa também duas outras salas, mais pequenas, que mostram fotografias e um vídeo de 2005 e 2006. José Maçãs de Carvalho sublinha que “as fotografias encontradas para esta exposição fazem parte de uma longa reflexão sobre a natureza da fotografia e a sua prática.” Há muito que o que mais me interessa e instiga é fazer imagens que tragam uma promessa ou sensação de tempo”. Em Lisboa, no Museu Eugénio de Almeida (Rua Mouzinho da Silveira 4), Evelyn Kahn apresenta até 9 de Novembro uma série de 41 fotografias inéditas sob o título “Improvável”. Na Galeria Ratton, que celebra 37 anos, Sara Maia mostra novas obras em pintura e azulejo sob o título “Identidade da Memória” (Rua da Academia das Ciências 2C).


 


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CRIMES ISLANDESES - Nem de propósito, o meu livro desta semana é um policial, o género preferido por 30% dos leitores portugueses. Chama-se  “O Ruído na Escada” e é a estreia de Eva Björg Ægisdóttir , uma escritora islandesa que com esta obra ganhou o Blackbird Award, um prémio de ficção policial criado por dois dos mais conhecidos escritores islandeses , Yrsa Sigurdardóttir e Ragnar Jónasson. O livro conta a investigação desenvolvida por Elma, uma detective que regressou à sua terra natal, a cidade islandesa de Akranes, e que se defronta logo com a descoberta do corpo de uma mulher junto ao mar e ao antigo farol. A vítima, vem a descobrir-se, chamava-se Elísabet,  nascera  em Akranes mas fora viver para Reykjavík- tal como a própria detective. Quando Elma começa a investigar a vida de Elísabet descobre como este assassínio estava ligado ao desaparecimento e  morte de uma criança há muitos anos atrás e como todo o caso tinha sido abafado por uma teia de cumplicidades de pessoas de Akranes que estiveram envolvidas no abuso de crianças. O livro agarra do princípio ao fim  e conta como Elma e os seus colegas Sævar e Hördur fazem uma investigação que revela o segredo que existia no passado da vítima. A autora estudou sociologia,  especializou-se mais tarde em globalização e resolveu dedicar-se à escrita de policiais aos 30 anos. A tradução é de Anónio Sobler e a edição é da Quetzal.


 


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SOM PURO  - Comecei a seguir a fadista Carminho com outra atenção quando ouvi o álbum “Portuguesa”, de 2023. Nessa altura assisti a um espectáculo em que ela interpretou vários dos fados desse disco e fiquei surpreendido pela forma como Carminho não hesitava em percorrer caminhos musicais por onde o Fado, mesmo nas novas gerações, não costuma ir. Agora fiquei fascinado pelo disco “Carminho At Electrical Studio”, uma prova da vontade que ela tem de descobrir outros sons. Carminho, a meio de uma digressão nos Estados Unidos, no ano passado, quis gravar com Steve Albini, um engenheiro de som, também produtor e músico, que trabalhou com nomes como Pixies, Nirvana, P.J.Harvey ou The Stooges. Albini, que morreu em Maio deste ano, era conhecido por não manipular os sons e por registar da forma mais fiel possível, sem efeitos nem truques, o trabalho dos músicos. E foi essa forma de registo, limpo, sem interferências, que deu a estes quatro temas uma dimensão especial. Durante a digressão Carminho foi ensaiando novas músicas e quando conseguiu uma sessão de gravação no estúdio de Albini, o Electrical Audio, em Chicago, gravou quatro temas, de seguida,  num único dia. O  EP que reproduz essa sessão, inclui três composições inéditas -  “Não Olhes os Meus Olhos”,”Gota de Água” (baseada num poema de António Gedeão) e “Deixei a Minha Casa”. À última hora Carminho decidiu também gravar “Os Argonautas”, um dos temas mais marcantes da carreira de Caetano Veloso e que Carminho havia rearranjado para incluir a guitarra portuguesa, merecendo os elogios do músico brasileiro. Foi com base nessa nova gravação que Caetano, mais tarde, juntou a sua voz num dueto virtual emocionante. Este EP já está disponível nas plataformas de streaming.





ALMANAQUE  - Em Paris até 19 de Janeiro pode ser vista no Musée Picasso uma exposição dedicada aos primeiros anos do artista norte-americano Jason Pollack, com trabalhos realizados entre 1934 e 1947. Em Madrid  até 5 de Janeiro, na Fondácion Mapfre, sala Recoletos, está uma  retrospectiva da obra do fotógrafo norte-americano Arthur H. Fellig, que ficou conhecido como Weegee. E uma boa maneira de acabar o fim de semana é ver na RTP2, no domingo à noite, o programa “Alexandria”, onde António Pinto Ribeiro conversa com convidados bem escolhidos sobre diversos temas - neste domingo o tema é o Universo. Tentador…





DIXIT - “O Governo prometeu o paraíso à economia portuguesa, mas o que lhe está a dar é o inferno do crescimento medíocre” - Luís Marques





BACK TO BASICS - “Já que não podemos mudar a realidade, mudemos de conversa” - James Joyce


 


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