
A PUBLICIDADE NA CAMPANHA AMERICANA - Os custos totais das campanhas democrata e republicana nas eleições de 7 de Novembro foram os mais elevados de sempre. Em jogo estava não só a votação para Presidente, para o Senado e para a Câmara dos Representantes mas também sobre cerca de centena e meia de medidas, desde a regulamentação do aborto às autorizações para venda de marijuana, métodos de votação futuros, diversos temas económicos e leis de imigração. Um estudo da AdImpact, que monitoriza os investimentos publicitários, contabilizou no Total do ciclo eleitoral de 2024 (presidenciais, senado, câmara dos representantes e medidas específicas), um total de 10,5 mil milhões de dólares, mais mil milhões do que nas eleições de 2020. Os Democratas foram quem mais gastou com cinco mil milhões, que comparam com 4,1 mil milhões dos Republicanos, enquanto o restante foi gasto por outros candidatos independentes e grupos não partidários. Segundo a organização independente Open Secrets cerca de 56% dos gastos foram em publicidade nos vários media, 10% em angariação de fundos, 17% em despesas das campanhas e salários, 6% para despesas administrativas, 4% para estratégia e pesquisa e o restante para items não discriminados. Em 23 Estados o investimento publicitário das campanhas ultrapassou os 100 milhões de dólares mas o Estado que ultrapassou todos os outros é a Pensilvânia, onde as campanhas gastaram 1,2 mil milhões de dólares em publicidade. Ao contrário do que se passa em Portugal, nos Estados Unidos as campanhas eleitorais podem utilizar, sem limites de valor, publicidade comercial em todos os meios e a televisão é o mais usado. A compra da publicidade é dividida entre a organização das campanhas, no caso das presidenciais entre o partido Democrata e o partido Republicano, e ainda os PAC (Political Action Committee, que podem doar fundos às campanhas) ou, cada vez mais frequentemente, os Super PAC, que podem recolher contribuições de empresas, pessoas individuais ou sindicatos sem limite estabelecido e que podem gastar os fundos recolhidos, sem limite, em defesa de um candidato ou contra um candidato. Por exemplo, empresas ligadas às criptomoedas contribuíram com cerca de 245 milhões de dólares para apoiar candidatos ao Senado que defendem as suas posições, na maioria republicanos. Feitas as contas, em todos os Estados Unidos foram gastos mais de três mil milhões em compra de publicidade apenas nas presidenciais desde o início da campanha, ainda com Biden, em Março deste ano. O mesmo estudo da AdImpact mostra que entre 22 de Julho e 1 de Novembro a campanha de Kamala Harris dedicou 643,6 milhões à publicidade paga, que soma a 726 milhões gastos por grupos que a apoiaram. Do lado de Trump a campanha oficial e os grupos que a apoiaram investiram em publicidade 914 milhões no mesmo período. A AdImpact indica ainda que 18% de toda a publicidade comprada durante o período referido foi em canais digitais e os Democratas investiram mais no Facebook, Google e Snapchat que os Republicanos que apostaram mais no X (ex-Twitter). Uma nota curiosa: a campanha de Kamala Harris usou duas contas diferentes em todas as plataformas digitais - uma dedicada aos eleitores em geral e outra focada na geração Z e nos millennials mais novos. Na última semana das presidenciais cada uma das campanhas colocou 50.000 spots de televisão a nível nacional nos canais de televisão. Nada disto impediu que na noite das eleições as audiências caíssem em relação a 2020. Segundo a Nielsen Media Research, este ano 42,3 milhões de espectadores seguiram a cobertura dos resultados eleitorais em 18 canais de televisão nos Estados Unidos, uma queda de 25% em relação aos 56,9 milhões de espectadores registados em 2020. O número total de votantes foi cerca de 147 milhões, num universo possível de 161 milhões de eleitores registados, sendo que a população dos Estados Unidos é de cerca de 335 milhões.
SEMANADA - O total estimado de professores e educadores de infância que se terão reformado durante 2024 é de quatro mil, o número mais elevado dos últimos 10 anos; os resultados das provas de aferição do 5º e 8º ano mostram decréscimo da qualidade de aprendizagem a Matemática, Ciências Naturais e Português; um estudo da Marktest indica que 58% dos utilizadores portugueses de redes sociais seguem figuras públicas nessas plataformas e os cinco mais nomeados são, por esta ordem, Cristiano Ronaldo, Cristina Ferreira, Rita Pereira, Nuno Markl e Madalena Abecasis; a presença feminina na administração das maiores empresas nacionais aumentou, mas só 17% das mulheres têm funções executivas; em oito anos foram identificados 836 casamentos infantis ou forçados em Portugal; apenas 6% das queixas de assédio recebidas por instituições de ensino superior públicas resultaram em sanções; o tempo médio de espera por uma junta médica é de um ano e quatro meses; até Agosto foram vendidas em Portugal quase 54 mil embalagens de um medicamento contra a obesidade, num valor total de 9,6 milhões de euros; segundo um estudo da Marktest um em cada quatro cidadãos em Portugal continental já subscreve o serviço de pelo menos uma plataforma de streaming; o lucro da Caixa Geral de Depósitos nos nove primeiros meses do ano aumentou 39% em relação ao registado em igual período do ano passado;um estudo do sector imobiliário mostra que as moradias já representam um quarto da procura de casas, superando os apartamentos T3; as exportações portuguesas para os Estados Unidos cresceram 73% entre 2019 e 2023.
O ARCO DA VELHA - Dois meses após o início do ano letivo, 25 mil alunos continuam sem professor a pelo menos uma disciplina e Lisboa, Setúbal e Faro continuam a ser os distritos mais afetados.

NOVAS OBRAS DE CABRITA REIS - Depois de “Atelier”, a grande exposição retrospectiva realizada durante o verão na Mitra, Pedro Cabrita Reis apresenta uma nova exposição, “das águas e outros lugares”, com uma série de trabalhos inéditos, já deste ano, na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18), até 18 de Janeiro. Das 18 obras expostas, 17 são de 2024 e uma, um desenho em papel a grafite e acrílico representando o auto-retrato do artista, é de 1993. Além desse desenho, há oito trabalhos em papel, uma fotografia, dois óleos sobre cartão, quatro óleos sobre tela e duas obras tridimensionais. Um dos trabalhos mais fortes é o óleo que aqui se reproduz, baseado num Raio X feito a uma obra do pintor italiano Tintoretto, que se supõe ser o seu último auto-retrato. Tintoretto, de seu nome Jacopo Robusto, viveu em Veneza no século XVI, e o seu pai era um artífice que tingia sedas, daí o nome pelo qual ficou conhecido. Pedro Cabrita Reis colocou no verso deste quadro inspirado pela silhueta de Tintoretto dois nomes, “Jacopo Robusto X Rayed” e “Il Veneziano”.

ROTEIRO - Na Galeria Narrativa, em Lisboa ( Rua Doutor Gama Barros 60, www.anarrativa.com) o fotógrafo russo Nikita Teryoshin apresenta o seu trabalho “Nothing Personal - The Back Office of War”, premiado no World Press Photo, que mostra os bastidores das guerras, antes de as armas chegarem aos campos de batalha, com um olhar certeiro sobre submundo das feiras de armas e exposições de defesa (na imagem), um enorme parque de diversões para adultos em que há vinho, petiscos e armas reluzentes. Manequins de plástico são cadáveres e a acção de guerra é encenada num ambiente artificial perante ministros, chefes de Estado, generais e empresários. Em Coimbra, no Centro de Arte Contemporânea, até 26 de Janeiro , a exposição “O Rumor da Imagem” apresenta obras da colecção Alberto Caetano e da Colecção de Arte Contemporânea do Estado. A Feira de Outono APA - Arte e Antiguidades regressa para mais uma edição, a decorrer de 13 a 17 de novembro, entre as 15h e as 21h, no Salão da SNBA.

UM POEMA PARA ESTES TEMPOS - "A Terra Desolada”, no original “The Waste Land”, é um poema escrito por T.S. Eliot em 1921, num momento em que atravessava uma fase complicada da sua vida. Em Paris, depois de ter concluído a primeira versão da obra em Lausanne, Eliot apresentou o texto a Ezra Pound, que sugeriu modificações e cortes significativos, mas desde logo reconheceu a qualidade do poema, cuja primeira edição data de 1922. “A Terra Desolada” é uma evocação dos anos terríveis da Grande Guerra e da devastação da terra, um poema construído em torno da recuperação da figura de um moderno cavaleiro do Graal numa viagem através da terra que ficou infértil, ao longo da qual vai fazendo as perguntas que acabam por permitir restituir a vida. “A Terra Desolada” é a obra mais importante de T.S. Eliot, um dos maiores poetas de língua inglesa que ganhou o Prémio Nobel de Literatura em 1948. Esta nova edição, bilingue, com tradução de Jorge Vaz de Carvalho, surge numa altura em que de novo se espalham múltiplas ameaças de devastação sobre a terra, o que torna este poema ainda mais actual. A edição é da Assírio & Alvim.

JARRETT, SEMPRE - The Deer Head Inn, no Delaware, é o mais antigo clube de jazz dos Estados Unidos, construído em 1840, e foi um marco na carreira de muitos músicos. Um dos que aí começou foi Keith Jarrett, quando tinha 16 anos. O pianista voltaria com alguma frequência ao local e em 1992, acompanhado por Garry Peacock no baixo e Paul Motian na bateria, realizou um concerto para angariar fundos para a preservação do local, que felizmente foi gravado, gravação que ficou para a história. A primeira edição data de 1994 e foi muito elogiada na altura. Agora a ECM decidiu recuperar a gravação original adicionando oito temas inéditos desse mesmo concerto. Ouvindo o disco, “The Old Country (Live At The Deer Head Inn)", torna-se claro que o trio de grandes músicos se deixou levar numa jam session perante o encanto dos espectadores dessa noite única.O disco inclui temas como “Everything I Love”, “I Fall In Love Too Easily, “All of You”, “Someday My Prince Will Come”, “Golden Earrings”, “How Long Has This Been Going On” e uma versão, muito bluesy do tema de Nat Adderley, “The Old Country”, que dá o nome ao álbum. Disponível nas plataformas de streaming.
DIXIT - “ Identificar a democracia com a esquerda e estas com a bondade e a humanidade é o mais miserável erro de pensamento político que se pode imaginar. Quem assim se comporta ajuda as autocracias de todo o mundo” - António Barreto
BACK TO BASICS - “A Arte, tal como a moralidade, consiste em traçar uma linha algures” - J. K. Chesterton
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS