outubro 29, 2013

O REALITY SHOW DO FILÓSOFO

Hesitei muito em escrever esta coluna sobre este tema – a autêntica novela protagonizada por Manuel Maria Carrilho. Não gosto de falar da vida das outras pessoas e creio que cada um tem direito a viver como quer, desde que não prejudique os outros. Fui ensinado a ter sempre presente que a liberdade de cada um de nós acaba onde começa a liberdade do próximo. Mas, quando são as pessoas envolvidas que se colocam a posar para fotografias, a fazer relatos e se desdobram em entrevistas sobre questões da sua vida pessoal e familiar, então essas pessoas optam por deixar de ter privacidade e perdem o respeito por tudo – por si próprias em primeiro lugar e pelos outros, que lhe são próximos, e que assim envolvem no turbilhão que desencadeiam à sua volta.


 


Não vou falar de culpas nem de averiguações, que não me interessam especialmente – apenas de uma evidência que nos últimos dias tem sido incontornável. Basta passar por uma banca de jornais para perceber que Carrilho todos os dias adiciona um novo episódio à narrativa que começou a construir para se colocar no papel de vítima. Não faço ideia se ele é vítima de alguma coisa – mas tenho a certeza absoluta que é pelo menos culpado de se expor, de expor os seus filhos e a mulher com quem tem vivido de uma forma que é, no mínimo, brutal. Não sou dado a moralismos, mas choca-me como pode alguém tão friamente maltratar em público uma pessoa com quem manteve uma relação e de quem tem filhos. O que se passa não abona a favor do carácter do sujeito.


 


Quando um filósofo decide fazer na praça pública um reality show mais sórdido e cruel que aquele que foi imaginado por qualquer estação de televisão estamos conversados. Como vão os alunos olhar para este Professor?


 


(Publicado no diário METRO de  29 de Outubro)

outubro 25, 2013

SOBRE A RECONVERSÃO DA COMUNICAÇÃO E SUGESTÕES AVULSAS

COMUNICAR - Apesar da fartura de notícias relacionando a iminente morte da imprensa com uma crise da comunicação, surgem cada vez mais sinais de que as coisas não são assim. Recentemente a “Advertising Age” publicou um trabalho no qual reflectia sobre o sucesso de alguns título que souberam desenvolver aquilo a que chamaram “uma árvore de interesses” - ramificações, a partir do tronco original da marca, em papel, que passam por diversos aproveitamentos digitais, por operações de venda on line, mas também por spin-offs virtuais que exploram nichos de interesse dentro da marca principal e por eventos e iniciativas públicas que fornecem conteúdo editorial e são ocasiões especiais de interacção pessoal entre leitores e editores. Alguns estudiosos de comunicação olham para o que se passa hoje em dia e afirmam que estamos a sair do “parenteses de Gutemberg”: durante cerca de cinco séculos a informação e o conhecimento foram formatados pelo processo tipográfico, mas o digital veio acabar com essa rigidez e veio voltar a permitir a livre troca de colaborações, conversas, opiniões - por definição as edições digitais estão sempre em permanente alteração e actualização. Há quem diga que esta evolução da forma fixa do papel para a fluidez digital não é nova - é apenas o regresso à tradição oral, à forma original de comunicação entre as pessoas, antes do tal parenteses de Gutenberg - e o twitter parece ser um excelente exmplo disso mesmo. Talvez estejamos apenas numa transição,  no recomeço de um velho processo: o da comunicação. As marcas fortes que se afirmaram na informação vão continuar a contar boas histórias, talvez apenas de outra maneira, e é nelas que os leitores continuarão a acreditar.




SEMANADA - Ricardo Salgado já se deslocou duas vezes a Luanda no espaço de 20 dias; Lobo Xavier disse que foram o PSD e o CDS a forçar a intervenção da troika em Portugal; Sócrates disse a mesma coisa na entrevista ao Expresso; Rui Moreira aliou-se ao PS e disse querer continuar a obra de Rui Rio; Rui Moreira, na sua tomada de posse enquanto Presidente da Câmara Municipal do Porto propôs a criação de uma Liga de Cidades de todo o Norte; PS, PCP e BE acusaram Cavaco de estar alinhado com o Governo; em três anos 156 portugueses mudaram de sexo; o Governo anunciou que em 2014 apenas os salários mais baixos pioram em relação a 2012; nas duas semanas seguintes às eleições, as autarquias, teoricamente em gestão, adjudicaram mais de 25 milhões de euros em contratos diversos; as eleições para a Ordem dos Psicólogos geraram polémica sobre a preparação da votação; Portugal e Espanha vão passar a trocar informações sobre contribuintes, empresas e  cidadãos; o resultado líquido das empresas portuguesas caíu 97% em dois anos;  o orçamento da Polícia Judiciária para 2014 não contempla verba para munições de treino; o orçamento de Estado para 2014 prevê mais 3,4 milhões de gastos com pessoal  nos diversos gabinetes governamentais; a despesa do Estado derrapou 857 milhões entre Maio e Outubro.


 


ARCO DA VELHA - Renato Sampaio, ex-presidente da Distrital do PS do Porto, considerou Sócrates um exemplo de humanismo, verticalidade e forte carácter e sublinhou que “hoje no PS não é fácil ser amiugo de José Sócrates”.




VER - Várias sugestões para esta semana: no Arquivo Municipal de Fotografia, na Rua da Palma, destaca-se a exposição Ana Maria Holstein Beck – Álbuns de Família, que conta com 120 fotografias seleccionadas de um espólio notável, a maioria dos anos 20 do século passado, que em muitos momentos faz lembrar a forma como Lartigue fotografou a sua própria família no início do seu percurso como fotógrafo; num outro registo destaca-se a abertura de uma nova galeria dedicada à fotografia, que concilia o seu espaço com um estúdio -The Black Sheep, na Rua do Sol Ao Rato 45 A que apresenta a exposição “I Am Bunny”, um projecto desenvolvido pelo luso-americano João Carlos; em A Pequena Galeria, Avenida 24 de Julho 4c, está “Interiores”, de Carlos Oliveira Cruz. Mas o destaque da semana vai para a exposição que abre este sábado na Fundação Carmona e Costa, “Pandemos”,  em que Manuel João Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença apresentam trabalhos recentes: “Pandemos é sobre o que se passou ontem, sem nostalgias, sobre o que se passa agorinha (com troika e tudo!) e sobre as ganas de continuar a viver uma vida cada vez mais sexy, com ou sem desgraças” - na Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1-6º até 28 de Dezembro.


 




OUVIR - Gregory Porter, 42 anos,  esteve em Portugal no início deste mês para dois concertos onde apresentou o seu novo álbum “Liquid Spirit”, o primeiro que grava para a Blue Note e terceiro na sua carreira. Considerado como um das grandes revelações do jazz vocal, cantor  e autor, Porter tem uma voz de barítomo, cheia e emotiva - um crítico do jornal Guardian classificava a voz do cantor como “sumptuosa”  e não me parece exagero. Os temas de Gregory Porter ficam no ouvido, mexem com as tradições do gospel e dos blues, seduzem nas baladas e agitam nas faixas mais funky, que são também aquelas onde ele parece mais à vontade e empolgado. Este é talvez o seu melhor disco, onde le mostra a sua versatilidade em vários géneros musicais e onde, para além dos seus próprios temas, tem uma boa interpretação de “The In Crowd”. Os dois discos anteriores tiveram nomeações para os Grammy. A ver vamos o que acontece a este “Liquid Spirit” um passo em frente em relação a qualquer dos anteriores discos de Porter.




FOLHEAR - Nas eleiçōes de 1976 Mário Soares teve uma estratégia arriscada: recusou alianças com o PCP ou com o PSD, correu o risco de ficar na oposiçāo, mas saíu vencedor e assim afirmou o espaço político do PS. Se isto fosse marketing em vez de política, dir-se-ia que afirmou uma marca, demarcando-se da concorrência. Este episódio, que havia de se revelar decisivo para a evoluçāo do regime e da democracia portuguesa, tem sido pouco estudado, mas o livro "Mário Soares e a Revoluçāo", de David Castaño, fruto de uma investigaçāo universitária aprofundada que serviu de base ao doutoramento do autor, proporciona  " um retrato rigoroso e objectivo da afirmaçāo política de Mário Soares nos anos decisivos da revoluçāo de Abril (...) transformando-se no líder charneira da institucionalizaçāo da democracia portuguesa", como sublinha o politólogo António Costa Pinto. O autor, David Castaño, pelo seu lado, sublinha que a sua obra estuda um caso concreto de liderança, num período conturbado, onde se procuram identificar os momentos em que as opçōes individuais “contribuíram para a conduçāo de um processo de transiçāo numa direcçāo, em detrimento de outras alternativas que se colocavam”. Ao longo de 300 páginas o livro segue o percurso de Mário Saores desde o início da sua actividade política, mas é sobretudo na ampla investigaçāo relativa aos acontecimentos da segunda metade de 1974, de todo o ano de 1975 e da preparaçāo das eleiçōes legislativas e presidencias de 1976, no pós 25 de Novembro, que o livro ganha maior relevância, tem mais factos novos e bem relacionados, e desperta mais interesse. (Ediçāo D.Quixote.)




PROVAR - Desde 1976 existe na Rua da Paz, em Sesimbra, um restaurnte, premiado várias vezes, que dá pelo nome de "A Padaria", em homenagem ao antigo ofício que ali antes se praticava. De decoraçāo sóbria e confortável, com uma esplanada (nos dias de bom tempo) virada ao mar a meio de uma rua em escadaria, este restauramte é uma boa surpresa - e prova que há razōes gastronómicas relevantes para quem está em Lisboa atravessar a ponte e rumar a estas bandas. Numa incursāo recente tive a sorte de aparecer numa altura em que havia acabado de ser pescado um espadarte rosa da costa de Sesimbra com quase 350 quilos. O animal foi dividido por vários restaurantes que sāo dedicados às qualidades da espécie e por sorte e bom conselho do chef provei o tal espadarte, fumado a quente, acompanhado por um risotto de espargos. Devo confessar que nunca havia provado espadarte de tal qualidade e tāo bem confeccionado. Foi uma verdadeira surpresa, e os outros convivas da mesa que seguiram o mesmo pedido estavam também deliciados. A acompanhar esteve um Duas Quintas reserva branco, magnífico. A responsabilidade do repasto foi do chefe Pedro Gomes, que para entreter o tempo do fumeiro trouxe à mesa uns amouche-bouches intrigantes mas, fazendo jus ao nome, sobretudo divertidos, a proporcionar conversa com humor. A refeiçāo rematou com um gelado de arroz doce, também aconselhável. Em querendo há um menu degustaçāo, mas vale sempre a pena perguntar quais os pratos do dia. Rua da Paz número 5, Sesimbra, tel 212 280 381.




GOSTO - Uma arquitecta do Porto desenvolveu uma marca de sabrinas, as “josefinas”, que começam a entrar nos mercados americano e japonês.




NAO GOSTO - O “enorme aumento de impostos” não reduziu o défice orçamental deste ano.




DIXIT - O PSD, após as autárquicas, ficou numa desorientação completa - Rui Rio



BACK TO BASICS - Será que os andróides sonham com ovelhas electrónicas? - Philip K. Dick

outubro 22, 2013

A CRISE DA CGTP

Um dos problemas de fazer apostas altas é que, quando se perde, a queda é grande. Foi o que aconteceu sábado com a manifestação de autocarros que a CGTP encenou. É muito curioso que vendo e revendo as notícias não vejo estimativas de número de manifestantes em Lisboa, apenas de autocarros. Se em relação à manifestação realizada no Porto são indicados números concretos, os relatos e reportagens do que se passou em Lisboa são vagos e algo desiludidos – mesmo os jornais que tradicionalmente se empenham mais em noticiar como sucessos as manifestações anti-governamentais, desta vez ficaram silenciosos e apontaram a chuva e o local escolhido, em Alcântara, como os culpados pelos resultados obtidos – que nenhum revela.


 


Arménio Carlos, o líder da CGTP, tem cometido alguns erros – desde manifestações  e greves gerais em número demasiado, o que só desvaloriza o seu significado e impacto, até casos como esta da manifestação na ponte, que foi obviamente encenada como um desafio ao Governo para medir até onde podia ir. No braço de ferro com o Governo os sindicalistas tiveram que ceder, Arménio Carlos perdeu o desafio, teve que atamancar as coisas com uns autocarros, partiu para a manifestação já como vencido. A manifestação foi transformada num passeio de autocarro, em direcção a um destino mal escolhido e que ainda por cima tinha óbvios problemas de imagem, de dimensão e de participação,  nas televisões e nas fotografias.


No último ano a CGTP tem-se confrontado com falta de eficácia – o que mostra também o dilema do movimento sindical nestes tempos: foi ultrapassado por protestos não organizados e quando decide organizar alguma coisa o resultado é fraco. A crise parece também ter chegado à CGTP.

outubro 18, 2013

As políticas correntes e o desinteresse que suscitam

POLÍTICAS - Nem sei de que me apetece falar - se do súbito interesse manifestado por  Passos Coelho em conversar com José Eduardo dos Santos, se do facto de José Sócrates se afirmar como “o chefe democrático que a direita sempre quis”. Um amigo meu diz que ele deve ser ambidestro, mas, justiça seja feita, não será o único. Tenho que me render à evidência: o que se passa no reino da política, das decisões do Governo e do discurso da oposição partidária ou sindical ultrapassa a minha capacidade de compreensão. Sei bem que há boa gente de um lado e do outro - mas a forma como gerem a coisa pública e fazem o discurso político está a provocar danos profundos na capacidade de as pessoas compreenderem o que se passa e de se interessarem em ser parte da solução em vez de contribuírem para o problema. Alguém no Governo tem que vir dizer que a culpa não é dos cidadãos que se iludiram com promessas, é de quem as fez e de quem - de todos os lados do espectro partidário - prometeu o que não se podia. As autárquicas deram o primeiro aviso de forma bem clara - os partidos já não controlam o que controlavam. Tudo isto vai levar a um desinteresse ainda maior das pessoas, dos eleitores -  e a resignação é o pior que pode acontecer a uma sociedade: fica amorfa, sem energia, deixa de produzir, de estar atenta, de criar coisas novas. Estamos à beira de ficar um país de desinteressados, de deixar de pensar em estratégia, de deixar de inovar e surpreender. Vendemos - bem -  paisagens e clima. Mas em matéria de “start ups” Portugal quase não existe - embora seja abundante em empresas em dificuldades. Gastamos recursos e energias a tentar salvar o passado em vez de construir o futuro.


 


SEMANADA - Foi apresentado o Orçamento de Estado; no Conselho de Ministros extraordinário deste fim de semana Paulo Macedo criticou a equipa do Ministério das Finanças; a taxa adicional de 3,5% sobre o IRS, introduzida por Vitor Gaspar, mantém-se no próximo ano; a contribuição para o audiovisual, cobrada na fatura da electricidade e destinada a financiar a RTP, vai aumentar 18%; o IVA da restauração mantém-se a 23%;  o Orçamento de Estado para 2014 prevê um aumento da receita, paga pelos contribuintes, de 612 milhões de euros; um mês após o início das aulas ainda há escolas onde faltam professores; Vale e Azevedo é ajudante do padre nas missas da prisão da Carregueira e é o responsável pelas hóstias e o vinho usado na comunhão; José Sócrates lança o seu livro sobre a tortura na próxima semana; Mário Soares disse que António Costa é o melhor candidato do PS às presidenciais; nestas autárquicas as câmaras municipais sem maioria absoluta quase duplicaram; muito curiosas as reacções à ideia de acabar o fim das subvenções vitalícias a políticos; em 2012 verificaram-se 1076 mortes por suicídio e 121 mortes por agressão; no ano passado verificou-se um aumento dos suicídios em pessoas acima dos 90 anos de idade.


 


ARCO DA VELHA -  A Universidade de Coimbra tem em atraso, há vários anos, a entrega de mais de duas dezenas de milhar de diplomas de fim de curso aos alunos que já os pagaram.


 


OU(VER)- Há discos que deixam marca. Discos que não esperavam, sons que não tínhamos pensado poder coexistir. Amália cantou com Alain Oulman ao piano e há imagens de Augusto Cabrita que  testemunham esses momentos de encontro marcante, que aliás mudaram para sempre a carreira de Amália. O Fado toca-se com guitarra - mas o desafio de Julio Resende foi o de mostrar como o piano também pode ser fadista - tal como Oulamn tinha já apontado. Resende vem - e é - do jazz, mas tem uma tradição de interpretar temas da música popular portuguesa - com uma sensibilidade rara. “Amália, por Júlio Resende” é um disco inesperado. E é cativante : não se lhe consegue resistir, é impossível conter a emoção quando ele começa a tocar o “Ai Mouraria” ou “Barco Negro” ou “Foi Deus”. Mas há um momento, acima de todos os outros, que tem uma força e uma capacidade de atracção especial: quando o piano de Resende se junta à voz de  Amália a cantar o “Medo”, um fado de Reinaldo Ferreira e Alain Oulman, gravado em 1966 e editado pela primeira vez em 1997 no álbum “Segredo”. A tecnologia tem destas coisas - consegue juntar no mesmo espaço dois momentos tão diferentes - três, se contarmos com o trabalho atrevido e audaz de Pedro Cláudio ( que assina também as fotos e o grafismo do disco), na edição de um videoclip que junta os dois tempos, a voz e o piano. Vejam-no, porque é absolutamente imperdível - basta irem ao YouTube e procurarem Julio Resende - O “Medo” é o primeiro a aparecer. (CD Edições Valentim de Carvalho).


 


FOLHEAR - A edição de Novembro da Wired britãnica é dedicada às melhores startups europeias (num sentido bastante alargado do continente) que se desenvolvem naquelas que a revista considera serem as dez melhores cidades em termos da economia digital - Londres, Moscovo, Berlin, Estocolmo, Paris, Helsinkia, Tel Aviv, Istambul, Amsterdão e Barcelona. Em cada uma são apontados vários exemplos de startups, já em funcionamento. Voltemos à edição - um dos outros pontos de interesse é a entrevista com Astro Teller, o homem que dirige o laboratório da Google onde são desenvolvidos os projectos mais arriscados, como os carros sem condutor. Com um design gráfico mais rasgado e aberto que a sua congénere norte-americana (aliás a edição original), esta Wired feita no Reino Unido ganhou agora o prémio de Marca do Ano em Media. Além de temas ligados à tecnologia e aos negócios à volta da tecnologia, esta Wired dedica bastante atenção ao design e às suas tendências em termos industriais. Para terem uma ideia da latitude de temas da revista e da forma como cruzam influências, a conferência “Wired 2013”, que decorreu esta semana, teve oradores como a cantora Bjork, o pianista Lang Lang, um dos fundadores do Huffington Post e do Buzzfeed, vários professores do MIT, neurocientistas, entre cerca de três dezenas de palestrantes - numa iniciativa patrocinada em Londres pela Telefonica espanhola. Para além de numerosas notas sobre novos gadgets, a revista explora as diferentes formas como o dinheiro pode girar no futuro nas transacções electrónicas e debate questões como esta: “Os professores devem recompensar as respostas certas ou as boas perguntas?”.


 


PROVAR - Em Portugal, antes da adesão à União Europeia e das romarias estatais a Bruxelas, os mexilhões eram um petisco que se podia provar perto de Lisboa, tipicamente de cebolada, na zona de Sesimbra, sendo os bichos, na época, oriundos da lagoa de Albufeira. A adesão europeia tirou-nos a cebolada e trouxe-nos a descoberta das moules - os mexilhões feitos à maneira belga, com vinho branco, manteiga, salsa e natas e acompanhados por batatas fritas - as célebres moules marinières. Ao longo dos anos vários restaurantes lisboetas abordaram o petisco, nomeadamente A Travessa, mas poucos com o saudável fanatismo dos “Moules &”. Há uns meses abriu em Cascais o “Moules & Gin”, à boleia da moda do Gin que este ano acelerou e se tornou um ritual. Mas como a bebida de excelência para o petisco do mexilhão é a cerveja, abriu agora em Lisboa, em Campo de Ourique, o Moules & Beer. A particularidade é que as cervejas são maioritariamente belgas, mas também há holandesas e alemãs de várias qualidades e sabores; portuguesa apenas a cerveja artesanal Sovina, já aqui louvaminhada em escrito anterior. Para fugir à norma a prova recaíu em mexilhões à bulhão pato, que estavam bem, e em mexilhões Thai, temperados com lemongrass e gengibre , que estavam muitissimo bem. As batatas fritas, aos palitos finos, são competentíssimas mas quem quiser pode pedir uma pasta que fica no fundo do prato a embeber-se no molho. Quem não pode ou não quer comer mexilhões tem à disposição um naco da vazia fatiado, que acompanha com molho de mostarda e manteiga de alho - e vem com as mesmas batatas fritas. O telefone é o 213 860 046 e a morada é  Rua 4 de Infantaria 29 D, logo a seguir ao Jardim da Parada.


 


DIXIT - “Foi você que pediu uma reforma do Estado? - Não vendemos, diz no fundo o Governo neste Orçamento” - António Costa Pinto, politólogo.


 


GOSTO - Chegou a época das romãs e dos dióspiros.


 


NÃO GOSTO - Google quer vender foto e informações dos seus utilizadores para fins comerciais.


 


BACK TO BASICS - O investimento no conhecimento é sempre o que tem melhor rendimento - Benjamin Franklin



outubro 15, 2013

AS BOMBAS DE FUMO

O caso dos cortes nas pensões é um bom manual do que não se deve fazer em termos de comunicação política: alguém resolveu criar uma fuga de informação sobre uma medida em preparação, deixando-a naturalmente ganhar balanço a partir do cenário mais negativo e penalizador para as pessoas. A fuga, tal como foi largada na praça pública, tinha por objectivo mostrar as contradições entre posições anteriores de um membro do Governo, no caso Paulo Portas, e medidas que faziam agora parte da sua esfera de competências governamental. Não foi uma fuga inocente ou um descuido, foi uma bomba de fumo largada com método e pontaria.




Como é usual, neste caso o “worst case scenario” tornou-se na verdade incontestada. A oposição agarrou a fuga com unhas e dentes e usou-a para criar um clima de pânico sobre os rendimentos dos pensionistas. No entanto quem quiser ler as primeiras explicações (é certo que tímidas, descoordenadas, confusas e pouco empenhadas) poderia logo perceber que o corte era sobre a acumulação de pensões, apenas a partir de determinado limite - não era um corte universal, não era um corte sobre todas as pensões, não era uma medida cega.




O problema é que gato escaldado de água fria tem medo e naturalmente as pessoas assustaram-se com todo o ruído que foi feito. O que já não é natural é que se tenha demorado tanto tempo a explicar com cuidado o que se pretendia de facto fazer. O problema é que na cabeça das pessoas fica mais o cenário negativo que a explicação dos factos. E é esta desatenção ao efeito da comunicação que o Governo continua a ignorar, dando à oposição casos de mão beijada pera ela explorar. Robert Louis Stevenson dizia que “a política é talvez a única profissão para  a qual não é necessária nenhuma espécie de preparação”. Volta e meia convenço-me que ainda hoje há políticos que lhe dão razão.


 


 


(Publicado na edição do diário Metro de 15 de Outubro)

outubro 11, 2013

O NOSSO AUDIOVISUAL NA SEMANA ANTES DO ORÇAMENTO

AUDIOVISUAL - Parto deste princípio: no mundo contemporâneo, com o principal canal de distribuição de conteúdos a ser a internet, quem não tiver uma produção regular audiovisual perde identidade cultural, apaga o idioma e desaparece do mapa. A resolução para esta questão, decisiva nos nossos dias, não está na sobrevivência dos modelos antigos de serviço público audiovisual, mas sim numa prespectiva estratégica do desenvolvimento de uma indústria de conteúdos. Se numa série de actividades económicas se aceita que a iniciativa privada é mais criativa e eficaz que a estatal, porque é que precisamante na mais determinante das indústrias no critério da consolidação da identidade cultural e linguística se aposta no sector público? Este é o paradoxo de onde partem muitos equívocos - e maus resultados. Não me cansarei de dizer que o serviço público de televisão não precisa de produzir mais, precisa é de ter uma ideia clara sobre o que deve programar, saber o que quer, e, em conformidade, desenvolver uma carteira de encomendas a produtores privados, independentes, que possam desenvolver industrialmente este sector. E só este desenvolvimento assegurará que teremos presença nos consumos audiovisuais, para além de festivais e jogos florais, para além das guerras de audiências efémeras. Se o Estado quiser que o serviço público de televisão desempenhe o seu papel, ponha-o a pensar, escolher e encomendar. E verá como a economia do sector cresce e os resultados aparecem. Vai demorar tempo, mas muito menos do que aquele que já se leva de não fazer nada.


 


SEMANADA - O Banco de Portugal alertou para os efeitos nocivos na economia de cortes salariais; Bispos portugueses manifestaram preocupação com os cortes nas pensões de sobrevivência e viuvez; o FMI reconheceu que a zona Euro pode precisar de mais tempo para reduzir défices, caso o crescimento económico seja pior que o esperado; quatro em cada dez pessoas tiveram corte de salário com a crise; Portugal importa 42 euros por cada 100 euros que exporta; o FMI considera que o aumento das exportações nos paises periféricos da zona zona euro não compensa a quebra da procura interna; uma média de sete imóveis por dia são entregues à banca por incumprimento no pagamento dos empréstimos; referindo-se às afirmações de Rui Machete em Angola, um diplomata português afirmou ao “Público” que pedir desculpa “é uma expressão que não é do léxico da diplomacia”; o PSD ainda não sabe se algum dos três primeiros nomes da lista autárquica do partido no Porto vai assumir o cargo de vereador para o qual foram eleitos naquele município; os depósitos dos particulares caíram 969 milhões em Agosto; as autarquias gastaram 29,2 milhões de euros em obras e iniciativas diversas nos ultimos dias antes das eleições; Passos Coelho anunciou segundo orçamento rectificativo para este ano.




ARCO DA VELHA - O Supremo Tribunal Administrativo reconheceu que as feiras eróticas são arte e como tal devem ser taxadas como produtos culturais, ou seja, com a taxa mínima de 5% de IVA; os festivais e concertos de música são taxados a 13%, incluindo os bilhetes oferecidos e os convites.




VER - Não são muitas as exposições em que uma peça é avassaladora, conceptual e fisicamente. È uma peça invasiva, que se alonga por salas, ocupa o espaço e dá que pensar. O trabalho que André Banha desenvolveu, em termos de concepção e construção, ao longo de meses, pode finalmente ser visto na VPF Cream Art Gallery, na Rua da Boavista 84. Tradicionalmente utilizando a madeira, André Banha vai além do que lhe conhecíamos nesta obra - “revisito-me” -  que é um ponto marcante da atividade desta galeria, este ano. Esta é daquelas exposições que ficará para a memória por causa de uma única peça. E mesmo que no edifício da VPF, o Transboavista,, existam, também neste momento, trabalhos incontornáveis de Jorge Feijão, Fabrizio Matos, Inez Teixeira, Tiago Duarte, ou Luis Alegre, a verdade é que a obra de André Banha se sobrepõe a todas as outras. E mesmo que agora ela passe despercebida, esta vai ser uma das ocasiões em que o tempo vai jogar a favor do risco. Um desafio.




OUVIR- Poucos discos, nos últimos meses, me fascinaram tanto como este  - Peter Gabriel não deixa de surpreender, mesmo quando recorre a terceiros para nos agitar as memórias. Em 2010 Peter Gabriel desenhou a primeira parte deste projecto de troca de canções e chamou-lhe “You Scratch My Back” . Agora aparece com   “And I’ll Scratch Yours” e vai bem mais longe. Ele interpreta temas de David Bowie, Paul Simon, Bon Iver, Lou Reed ou Arcade Fire, Regina Spektor ou Neil Young, entre outros, e reinterpreta os originais não abdicando daquilo que são as suas marcas próprias, musicais e vocais. Ao mesmo tempo, neste duplo CD, do outro lado está um disco onde os autores interpretados se atiram ao cancioneiro de Peter Gabriel, várias vezes de forma absolutamente surpreendente. Nas 12 canções de Gabriel reinventadas não há um falhanço - mas há momentos de génio, como “Blood Of Eden” por Regina Spektor, “Shock The Monkey” por Joseph Arthur, “Games Without Frontiers” pelos Arcade Fire, “Mother oF Violence “ por Brian Eno e sobretudo as três ultimas do disco, três pérolas raras: “Don’t Give Up” por Feist e Timber Timbre, um irreconhecível “Solsbury Hill” por Lou Reed e um emotivíssimo e simples “Biko” por Paul Simon. Duplo CD Realworld/Universal. Se querem saber, este disco, sendo de versões, tem mais novidade que muitos originais e é um dos candidatos a disco do ano - espantoso o que se pode fazer a reciclar material alheio sem fazer sucatices.




FOLHEAR - Esta semana regresso á Wallpaper, que na sua edição de Outubro tem editores convidados: o duo escandinavo Elmgreen & Dragset explora espaços e casas numa viagem entre o sonho e a realidade e a artista e fotógrafa norte-americana Laurie Simmons percorre fantasias com bonecas de prazer. São páginas desafiantes, graficamente bem pensadas, e inesperadas - o que se espera de uma boa revista. A Wallpaper tem voltado a melhorar nestes ultimos meses e esta edição é provavelmente a melhor deste ano. Há bons artigos sobre o ressurgimento de Oslo e da Noruega, sobre Peter Saville, sobre os tapetes desenhados por Alexander McQueen. No que toca a arquitectura, design e interiores a Wallpaper é uma das revistas incontornáveis. E além disso é muito engraçado seguir a evolução da qualidade da publicidade de algumas marcas nas suas páginas - por exemplo a Hyundai está claramente num processo de reposicionamento bem pensado, desde o design dos novos modelos até às novas motorizações. Afinal, qual a revista onde os sapatos da Tod’s coexistem com os ténis da Converse de forma perfeita?




PROVAR - Venho aconselhar-vos a experimentar os produtos da marca José. Isso mesmo: José. As embalagens têm um design fantástico e inesperado e os produtos no seu interior correspondem às expectativas. As conservas, por exemplo, são produzidas pela justamente famosoa fábrica La Gondola, de Perafita, Matosinhos, fundada em 1940. A ideia da José é ir buscar produtos aos melhores fornecedores e embalá-los sob a sua própria marca e fazer uma oferta integrada, como compota de medronho, a célebre aguardente da Lourinhã e vinhos e licores diversos. O site www.josegourmet.com está muito bem organizado e tem bastante informação sobre os produtos disponíveis e os locais de venda. Nas conservas destaque para as petingas picantes, as ovas de sardinha em azeite (há quem lhe chame o nosso caviar…), a ventresca de atum ou as cavalinhas em azeite - eu sou um fã de conservas e acho sempre que se a conserva for das boas, como estas,  uma lata e uma salada resolvem uma refeição de ultima hora. Além disso há azeites e vinagres de várias regiões, aguardentes, ginjas e moscatel, mel e compotas - como a tal de medronho. Eu encontrei os produtos na loja Gourmet do El Corte Ingles. Mas pelo site descobrem-se mais pontos de venda. E dá gosto pensar que no meio desta crise ainda há que se atreva a concretizar boas ideias como esta.




DIXIT - “Não temos um Governo, temos um conjunto de pessoas agarrado a um manual de instruções” - Felix Ribeiro, economista




GOSTO - Do projecto “Do sonho à realidade” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que se destina a proporcionar a idosos, utentes de lares ou de centros de dia, a concretização dos seus sonhos.




NÃO GOSTO - Da confusão e da demagogia existente em torno da peregrina ideia de uma manifestação em cima da Ponte 25 de Abril.



BACK TO BASICS - A política é talvez a única profissão para  a qual não é necessária nenhuma espécie de preparação - Robert Louis Stevenson

outubro 08, 2013

SOBRE ELEIÇÕES; ABSTENÇÕES; ELEITOS, DERROTADOS e ANULADOS

TEMA - Sinceramente não sei que dizer esta semana. Tirando Rui Moreira, no Porto, as eleições não trouxeram grandes surpresas. Confirmou-se o que se sabia - más escolhas de candidatos, intrigas palacianas nas sedes dos partidos a sobreporem-se às sensibilidades locais, desfasamento entre o sistema, os partidos e os eleitores, revoltas internas que deram independentes vencedores. Tudo isto se adivinhava e vai agudizar-se ao ritmo a que as conspirações internas reduzirem a actividade política a um jogo de bastidores incompreensível para a maioria das pessoas. Nos últimos anos as propostas políticas que têm a ver com o dia a dia das pessoas foram evoluindo para promessas desgarradas esquecidas no dia seguinte à votação e, principalmente, para politiquices que só têm a ver com jogos de poder de indivíduos ou de grupos. A noção de serviço público da política está bem guardada num baú e o que sobra é um fanatismo de seita, que não anda muito distante da clubite futebolística e das guerras com os árbitros que servem para distrair o país e aliviar da troika. à margem de tudo isto o mundo move-se e avaça -  como dizia o poeta e a PT fez, bem, questão de demonstrar. E já agora, em termos comunicacionais, reparem no timing: a notícia do entendimento entre a Oi e a PT para a fusão das duas empresas surgiu no dia a seguir à assembleia geral fundadora da Zon-Optimus.




SEMANADA - Foram vendidas 5,1 milhões de embalagens de anti-depressivos nos primeiros oito meses do ano; a abstenção foi a maior de sempre em autárquicas;  o numero de votos nulos e em branco mais que duplicou comparando com as anteriores autárquicas de 2009; a soma das abstenções e dos votos brancos e nulos ultrapassa os 54%; aumentou o número de independentes que se tornaram presidentes de Câmara; a distribuição de votos na Madeira teve a maior alteração de sempre e o PSD perdeu a Câmara do Funchal; em Lisboa, em 2009, o PSD obteve 26 presidências de junta de freguesia e o PS conseguiu 22; mas em 2013, após a reorganização da cidade, o PS ganhou 17 das 24 novas freguesias;  40% das autarquias leva mais de três meses a pagar dívidas; 33% das casas, cerca de 650 mil habitações, não estão ligadas à rede de abastecimento de água; gastos das familias com impostos subiram 35% na primeira metade de 2013; já depois de estar nacionalizado o BPN concedeu 135 milhões de euros de crédito de risco; segundo o Eurostat em Agosto existiam em Portugal 877 mil desempregados; a Universidade de Aveiro deixou de estar na lista das 400 melhores instituições de ensino superior de todo o mundo.




ARCO DA VELHA - O Estado português terá que pagar um milhão de euros por danos morais infligidos a 217 cidadãos que estão há 18 anos à espera de uma decisão do tribunal sobre a falência de uma empresa hoteleira




VER - A partir de 10 de Outubro poderemos descobrir no Museu Nacional de Arte Antiga os retratos dos Reis Carlos IV de Espanha e Maria Luisa de Parma, concebidos por Goya a pedido da Real Fábrica de Tabacos de Sevilha, em 1789. Esta mostra insere-se num ciclo de exposições trimestrais realizada pelo Museu Nacional de Arte Antiga denominado “Obras Convidadas”, cujo objectivo é dar a conhecer obras de mestres da pintura ocidental que raramente foram expostas em Lisboa, provenientes e museus do mundo inteiro, um interessante programa de intercâmbio que é dos pontos altos da actividade actual do MNAA. Em troca destes dois retratos de Goya irá o nosso tríptico de Bosch para o Prado, lá mais para a frente. Ganha-se com a troca e com o poder descobrir a luz destes retratos de Goya.




OUVIR- Sting não fazia um disco de originais  há uma dezena de anos e saíu-se com um projecto de uma peça de teatro, musical, que estreará na Broadway no próximo ano. As onze novas canções do CD são parte da banda sonora, que em palco terá cerca de duas dezenas de composições. A ideia é contar a história do declínio da indústria de construção naval em Newcastle, onde Sting cresceu. Há uma forte influência de música folk, nem me atrevo a dizer que alguém se poderia ter lembrado de fazer em Viana do Castelo um disco com inspiração no Vira do Minho. Adiante - as canções não são para brincadeiras, contam histórias duras, abordam rupturas familiares e tensões dentro da comunidade, mas também casos de amor e desejo, como em “I Love Her So But She Loves Someone Else”. Noutro registo gosto especialmente dos duetos duetos “What Have We Got”, com, Jimmy Nail,  e “So To Speak” com Betty Unthank, ssim como o primeiro single, “Practical Arrangement” ou o estimulante  “The Night The Pugilist Learned To Dance”. É melhor que as anteriores incursões de Sting noutros terrenos musicais (CD Cherry Tree/Universal).


 


FOLHEAR - A edição de Outubro da revista “Monocle” é dedicada ao pequeno comércio ou, se preferirmos, à reinvenção do comércio de rua, ideias que estão a dinamizar negócios, soluções de proximidade. Trata-se de um verdadeiro manual que, em muitas coisas podia ser bem aplicado por aqui. Não vou citar muito o que está no interior da revista (como a livraria XYZ de Lisboa especializada em fotografia), e prefiro respigar estas passagens do editorial de Tyler Brulé, dedicando-as em especial ao reeleito Presidente da Cãmara Municipal de Lisboa: “Enquanto o comércio independente continua a estar ameaçado pelas grandes cadeias de supermercados e centros comerciais ou pelo comércio eléctrónico, bairros inteiros são também ameaçados por um conceito de planeamento urbanístico pobre que coloca demasiado enfase em tirar os carros das ruas, ignorando a importância do movimento no comércio. Claro que o paraíso urbano é um local onde todos possamos viver a cinco minutos a pé de boas lojas e serviços e onde exista um esquema de partilha de carros e um serviço de transportes públicos com uma paragem à porta de casa. É evidente que nada disto acontecerá na maior parte das grandes cidades e há uma boa razão para isso: eliminem o transporte automóvel privado das áreas de comércio tradicional e habitacionais e um número de coisas pouco atraentes começam a acontecer: em primeiro lugar diminui a frequência de quem passa e pára para comprar; depois as lojas começam a fechar porque há uma diminuição de fregueses; a seguir os preços das casas começam a cair porque as zonas deixam de ser interessantes; finalmente a paisagem das ruas passa a ser desoladora e perigosa de frequantar quer de dia ou de noite. Tudo isto culmina no surgimento num qualquer suburbio de um grande centro comercial que atrai as mães que querem segurança, conveniêcia e conforto. Já agora muitos planeadores urbanos estão a descobrir que eliminar os automóveis torna muito difícil a mobilidade das pessoas, criar crianças no centro da cidade e também garantir o abastecimento de produtos básicos de consumo.”




PROVAR - O chef José Avillez tomou conta do Chiado e em cerca de dois anos ali abriu quatro restaurantes. O mais recente fica num foyer do Teatro de S. Carlos e posiciona-se entre “O Cantinho do Avillez” e o “Belcanto”. Chama-se Café Lisboa e serve aperitivos, cocktails, petiscos,  almoços, jantares, ou, adequadamente, ceias depois da ópera. Além de cocktails há a intensa cerveja artesanal Sovina, e o vinho da casa resulta de uma parceria entre o chef e José Bento dos Santos. Cumpre com garbo no branco e no tinto, embora na lista existam outras sugestões. Um dos ex-libris da casa é o pastel Lisboa, um rebatizado pastel de massa tenra, com a dita finíssima e estaladiça e o recheio solto e bem temperado. Pode ser servido à unidade ou em prato com um arroz de grelos inatacável e em qualquer dos formatos são sempre servidos acabados de fritar, bem quentinhos - o mesmo se pode dizer dos croquetes de vitela, magníficos. Na lista estão ainda diversos bifes tradicionais e um bacalhau à braz com azeitonas explosivas - uma brincadeira saborosa que se tem tornado numa das imagens de marca de Avillez. Bom sítio, sala pequena mas confortável (com uma peça de Joana Vasconcelos), esplanada ampla. Largo de São Carlos 23, telef 211914498.




DIXIT - “Se os partidos não perceberam o que se passou aqui, não perceberam nada”- Rui Moreira, candidato vencedor à Câmara Municipal do Porto.




GOSTO - A vitória do tenista João Sousa na Malásia  conseguiu que pela primeira vez os três diários desportivos colocassem a modalidade em manchete.




NÃO GOSTO - Os cartazes das autárquicas ainda estão maioritariamente por retirar, quase uma semana depois do fim da campanha eleitoral - e como são bastante horriveis e transbordantes de mau photoshop são fortes poluidores visuais.




BACK TO BASICS - É certo que o conhecimento pode criar problemas, mas também é certo que não é através da ignorância que seremos capazes de os resolver - Isaac Asimov

outubro 01, 2013

E DEPOIS DE DOMINGO?

As eleições autárquicas aconteceram mais ou menos a meio do ciclo normal das legislativas e, mesmo contando com o peso, pela proximidade, que os candidatos locais têm nos eleitores, existiu um efeito de penalização do partido que lidera a coligação e que tem em mãos o cumprimento do programa fixado com a troika. Que tenha sido o PS, de Sócrates, a chamar a Troika e a definir os termos gerais do programa a que estamos sujeitos é coisa que já se varreu da cabeça dos eleitores, como este Domingo comprovou.


 


Mas há aqui algumas coisas a reter: a queda eleitoral do PSD  coexistiu com o aumento de presidências de câmara da CDU e do PP, com o desaparecimento autárquico do Bloco de Esquerda e, claro, com o número de cisões nos partidos políticos que criaram uma chuva de independentes – alguns deles a conseguirem ganhar às suas ex-organizações.


 


Outro dado a reter é o resultado obtido pelos candidatos que o PSD escolheu no Porto e em Lisboa. Apesar de todas as críticas e alertas, a direcção e as respectivas distritais insistiram em candidatos que foram rejeitados sem contemplação. Em resultado destas escolhas, em Lisboa e no Porto, o PSD perdeu mais de metade dos votos que tinha obtido em 2009.


 


Se há coisa que estas eleições comprovaram é um crescente distanciamento dos partidos em relação ao sentir dos seus apoiantes e simpatizantes – e que constituíu a razão da maioria das tais cisões. As consequências destas rupturas no eleitorado ficaram à vista ontem. É exagerado dizer-se que o sistema partidário como o conhecemos está em vias de extinção – mas é absolutamente claro que os partidos, o sistema político e a lei eleitoral precisam de se adaptar aos tempo – ninguém vive só de promessas.


 


(Publicado na edição de 1 de Outubro do diário Metro)

setembro 27, 2013

SOBRE O SENTIDO DO VOTO



ABSTENÇÃO - Um amigo meu disse-me esta semana que não tem intenção de votar em Lisboa, onde vive, baseado numa máxima que tem seguido toda a vida: “voto em quem limpou, não voto em quem promete limpar, promessas leva-as o vento”. Eu não posso estar mais de acordo e faço minhas as suas palavras. Também não votarei. Ainda agravo mais os meus sentimentos quando olho à volta e vejo ruas muito alcatroadinhas de fresco após anos de buracos, e dou comigo a pensar: mais vale aproveitá-las antes que chegue a chuva forte e o alcatrão se comece a diluir no inverno, como é hábito e tradição lisboeta. Só daqui a quatro anos, nas autárquicas que hão-de vir, é que havemos de ter alcatrão novo como este, que é afinal o maior cartaz da campanha eleitoral - e que não é pago pelos partidos, mas pelos contribuintes. O período pré-eleitoral caracteriza-se por  promover rapidamente obras que há muito deviam ter sido feitas e por fazer toda a espécie de promessas. Por exemplo, Hernâni Dias, candidato do PSD à Câmara de Bragança, promete construir uma auto-estrada de Quintanilha até Zamora, em Espanha, num curioso caso de promessa de exportação de obra pública; e Miranda Calha, candidato do PS à freguesia de Belém/Restelo, garante  que, se ganhar, na sua Junta os estudantes terão cursos de mergulho e de carta de marinheiro, certamente inspirado pela vocação marítima emanada da Torre de Belém. Estas eleições hão-de ficar recordadas por slogans disparatados e pelo uso excessivo de photoshop em péssimos cartazes. Mas estas são também as eleições em que os partidos se abstiveram de clarificar a lei sobre os dinossauros autárquicos, em que a CNE se recusou a encarar a realidade e em que as televisões privadas resistiram a serem programadas pelos políticos. Nesta véspera de voto quero recordar o que  Antònio Sérgio Rosa de Carvalho escreveu no Público a 22 de Agosto: “O papel da cidadania participativa é o de exclusivamente estimular de forma critica e permanente a reforma do sistema de representatividade política e de representar, sem o constrangimento dos compromissos, as verdadeiras ansiedades dos cidadãos, transformados posteriormente em votantes.”






SEMANADA - A receita do IVA desceu 2% este ano; a colecta de IRS aumentou 30% ; o aumento da despesa com o subsídio de desemprego foi de 10%; o Tribunal da Relação do Porto absolveu um contribuinte que dirigiu um email classificando as Finanças de “ladrões”; o investimento público caíu 500 milhões de euros até Agosto; a dívida directa do Estado aumentou mais de 19 mil milhões de euros nos ultimos 12 meses; o numero de dormidas em hotéis de 5 e 4 estrelas aumentou 16,8% em Julho; o vencimento líquido médio em Portugal é de 803 euros; a revista Reader’s Digest fez um ranking de honestidade de 16 cidades e Lisboa ficou em ultimo lugar na devolução de carteiras perdidas; Álvaro Santos Pereira anunciou estar em fase avançada a escrita das suas memórias de dois anos no Governo e disse ter retomado a escrita de um romance; em 82% das câmaras municipais há um presidente ou vice presidente que se candidata de novo, há 151 presidentes recandidatos, há 20 Presidentes que substituíram os anteriores e que vão a votos pela primeira vez, e apenas 35 candidatos novos; o Índice da Economia Paralela de 2012, revela que o valor da economia paralela nesse ano foi de 44,28 mil milhões de euros, 26,74% do PIB, o que representa  um crescimento de mil milhões de euros face ao ano anterior.


ARCO DA VELHA - António Costa reclamou da decisão do Tribunal Constitucional que o obriga a entregar ao diário Publico um relatorio dos serviços camarários, pedido por um jornalista e que o Presidente da Câmara de Lisboa se recusa a fornecer. O relatorio, feito por um seu vereador, é sobre a adjudicação por ajuste directo, a um reduzido numero de empresas, de obras da autarquia. Como diz o cartaz, ele precisa de uns votos para continuar a fazer habilidades.




VER - O roteiro desta semana começa pela exposição “Youth Of Athens” da fotógrafa Pauliana Valente Pimentel, na Galeria Boavista (Rua da Boavista 50). Ao longo do tempo Pauliana Valente Pimentel tem vindo a desenvolver a abordagem aprofundada de temas contemporâneos através da imagem fotográfica (e também do video), um trabalho para além de uma reportagem de circunstância, mais próximo da tradição do ensaio fotográfico que se foi perdendo com a descaracterização da utilização de fotografia em jornais. Uma outra galeria a visitar é a Baginski, no Beato (Rua Capitão Leitão 51), onde coexiste uma exposição de André Romão com uma das mostras mais interessantes da Trienal de Arquitectura, Traço de Arquitecto, que aborda o processo criativo do português Manuel Aires Mateus e do brasileiro Marcio Kogan, muito focada no desenho de ambos - “pensar a desenhar e desenhar para pensar”. Finalmente até este fim de semana ainda podem viver a Lisbon Week, com numerosas propostas por toda a cidade, que podem ser exploradas em www.lisbonweek.com.




OUVIR- Nos últimos anos Elvis Costello fez mais coisas insípidas que discos interessantes. Quando soube que se tinha envolvido numa colaboração com The Roots, fiquei expectante. O disco redime-o de alguns deslizes recentes e mostra que a soma de dois talentos pode ser maior do que se imagina. “Wise Up Ghost”, assim se chama o novo álbum, vem assinado por  Elvis Costello & The Roots e a marca de hip-hop que os Roots trouxeram é bem marcada e encaixa que nem uma luva na dureza e tom cáustico e crítico das palavras de Costello - que continua a ser um mestre da escrita. Este conceito musical faz sair Costello da sua zona de conforto e obriga-o a ir a jogo na forma de escrever, que se adapta ao hip-hop nativo dos Roots, apesar de manter muitas referências, recorrentes na obra e em canções antigas de Costello. O momento mais inesperado  e mais interessante é o extraordinário dueto com a mexicana La Marisoul, “Cinco Minutos Con Vos”. Também gosto de outros temas, como “Stick Out Your Tongue”, “Satellite” ou “Tripwire”. Som forte, provocador por vezes, este CD não é garantidamente conformista e rotineiro. Não me admirava se “Wise Up Ghost” estiver na lista dos melhores discos deste ano. (CD Blue Note/ Universal)





FOLHEAR - A revista norte-americana “Vanity Fair” está a completar cem anos de vida, a edição de Outubro é dedicada ao centenário e a capa é uma fotografia de Annie Leibowitz com uma tentadora Kate Upton a segurar o bolo e a vela. Gostei que este número não seja um repositório do passado, deixando o lado de evocação ao livro que Graydon Carter, o brilhante editor da revista nos últimos anos, preparou e que devrá sair este Natal sob o título “Vanity Fair 100 Years”.  Destaques desta edição: Bob Colaccello faz um artigo sobre o rei Juan Carlos de Espanha que vai dar que falar, uma entrevista com Romam Polanski aborda as acusações de sexo com menores, um artigo sobre Julian Assange aborda as suas ambições políticas e eventual participação em eleições, além de uma bela nota sobre a exposição evocativa do surrealista René Magritte no Moma de Nova York. Claro que há um especial que evoca como a Vanity Fair abordou os grandes factos da História dos últimos 100 anos - e eu costumo dizer que, se pudesse, era este modelo de revista que eu ambicionava fazer: inteligente, textos bem escritos, reportagens bem investigadas, entrevistas reveladoras e grande fotografia. Em matéria de revistas a Vanity Fair é a que fica mais perto da perfeição.





PROVAR - Andava há uns meses para experimentar este restaurante e fico contente porque, um dia destes, ao almoço, não frustrou as minhas expectativas. O “Mercado 1143” fica na LX Factory, é um espaço amplo, confortável e bem decorado. À noite fica cheio, dizem-me que é preciso reservar e que às vezes é um pouco mais confuso, mas ao almoço nem por isso. Na mesa o couvert era constituído por boas azeitonas, azeite e pão decente. Pediu-se polvo ao vapor com legumes - e quer o polvo, quer os legumes tiveram nota alta. O vinho branco que acompanhou era o da casa e cumpriu muito bem. A lista etílica não é enorme mas satisfaz e existe à disposição a já célebre cerveja artesanal Sovina. Aos almoços há saladas e outros petiscos leves e ao jantar a coisa muda naturalmente de figura e podem surgir petiscos como os raviolis de sardinha ou umas pataniscas de enchidos. O serviço foi atento, simpático e eficaz - três pontos que nem sempre andam juntos. Para reservas o telefone é o 215 900 963 e os detalhes podem ser observados em www.mercado1143.pt ou no habitual facebook.




DIXIT - “Devemos escolher pessoas que não nos tragam problemas, aventuras e dívidas” - Paulo Portas, numa acção de campanha eleitoral em Sintra, com Pedro Pinto




GOSTO - Em três dias a Apple vendeu nos Estados Unidos nove milhões de unidades dos seus novos modelos de telemóveis, praticamente a população portuguesa.




NÃO GOSTO - Em termos mundiais o rácio entre a população com mais de 65 anos e a população até 14 anos (índice de envelhecimento) atingiu o seu ponto mais elevado, alcançando 131%. Em 2000 era de 102% e em 1990 de 68%.




BACK TO BASICS - “Ter dinheiro é melhor que ser pobre - quando mais não seja por razões financeiras” - Woody Allen

setembro 24, 2013

UM EXEMPLO DE VISÃO

A Portugal Telecom inaugurou ontem, na Covilhã, o maior centro de dados da Europa. É a consequência natural de uma estratégia que começou a ser traçada há alguns anos e que transformou a PT, de uma empresa que providenciava linhas telefónicas em casa, para uma empresa que tem uma oferta integrada onde o processamento e a distribuição de dados são uma parte fundamental. Hoje em dia, como Zeinal Bava disse recentemente em entrevistas à BBC e à CNN, a PT deixou de ser uma empresa essencialmente telefónica para ser uma empresa que abraçou a convergência entre o digital e a televisão e onde o entretenimento está no centro da actividade. Na realidade a distribuição de canais de televisão através do MEO e a possibilidade de os seus clientes criarem canais próprios (e nesta campanha eleitoral surgiram muitos candidatos a aproveitar esta capacidade tecnológica), levaram a empresa para um patamar diferente, um patamar que necessita de armazenar, processar e distribuir dados – um negócio que vai crescer, como referiu o presidente da PT e da OI, nas entrevistas já referidas. Nesta actividade o tempo é precioso – e a PT posicionou-se onde outros ainda não estão, ganhou tempo e vantagem. Mais: a PT está a desenvolver capacidades portuguesas em tecnologias de ponta e provavelmente a criar uma nova indústria exportadora, tecnologicamente sofisticada e diferenciadora. Mais do que muitos discursos esta decisão de investimento da PT prova que, quando queremos, temos visão, capacidade de transformação e de realização. Não estamos condenados a viver dos restos nem do passado.

PS – Resolvi nem falar das eleições. Prefiro votar em quem limpou do que em quem promete limpar. E não vejo nada limpo.

setembro 20, 2013

SOBRE O CAOS PRÉ ELEITORAL E A CNE

CNE - A pior coisa que existe na política é a hipocrisia. Como se nāo fosse revoltante a hipocrisia de numerosos candidatos, agora temos a suprema hipocrisia da entidade que é suposta fiscalizar as eleiçōes, a CNE. Vou explicar a razāo desta minha convicçāo: a lei eleitoral proíbe o recurso a publicidade comercial durante um período de tempo que excede a campanha propriamente dita. Acontece que na época em que a lei foi feita a realidade da comunicaçāo em geral, e da actuaçāo política partidária em particular, era bem diferente do que é hoje - nomeadamente o esforço e disponibilidade dos militantes. O que acontece actualmente, e que é usado pela maioria dos partidos parlamentares, é o recurso a organizaçōes comerciais especializadas na afixaçāo de propaganda e na sua distribuiçāo por várias formas, nomeadamente a colocaçāo de suportes para cartazes de grande e média dimensāo e sua utilizaçāo. Estes serviços sāo pagos, como se se tratasse de um operador de publicidade exterior - na realidade o que aparentemente parece tratar-se de actividade militante é, na maioria dos casos, uma operaçāo comercial que cobra a instalaçāo, o aluguer, a manutençāo e afixaçāo nos referidos suportes dos cartazes partidários. É uma operaçāo de facto de publicidade exterior paga, com a agravante de os referidos operadores nāo precisarem de licenças nem alvarás e de nāo pagarem taxas - uma espécie de concessionários de publicidade exterior clandestinos. Pois a mesma CNE que fecha os olhos a esta realidade que dura há anos, é a que tomou as posiçōes que se conhecem sobre a utilizaçāo do Facebook e de mensagens de email ou sms pelas campanhas. É a mesma CNE que, sobre a cobertura noticiosa destas eleiçōes, se pronunciou no sentido de, no período eleitoral, nāo se aplicarem critérios editoriais pelas direcçōes de informaçāo, limitando assim o exercício da actividade jornalística. E foi ainda a que anunciou ir perseguir quem, no período final antes de eleiçōes, o chamado tempo de reflexāo, opinar nas redes sociais sobre a política e o acto eleitoral. Palpita-me que vāo ter muito que fazer - a menos que, como acontece em alguns países, o Presidente da CNE, Fernando Costa Soares, passe a defender a proibiçāo do Facebook ou do Twitter no território nacional. A actuaçāo deste senhor começa a ser matéria de estudo sobre os efeitos da ausência de percepçāo da realidade no exercício de cargos públicos e políticos.




SEMANADA - Os juros da dívida a dez anos andam de novo acima dos 7%; o fisco ganhou 404 milhões de euros em processos nos tribunais, 60% dos quais em processos nos quais estão em causa cobranças acima de um milhão de euros; devido à quebra de procura nos mercados internacionais a Auto-Europa deverá produzir este ano menos 20% de veículos que os fabricados no ano passado; a venda de automóveis em Portugal cresceu 16% em Agosto, a segunda maior subida em toda a União Europeia;  a Ministra das Finanças continuou a meter os pés pelas mãos no caso dos swaps; Luis Filipe Menezes já excedeu em 70%, só na pré campanha, o orçamento para propaganda de rua; as autarquias ainda devem mais de 200 milhões de despesas relacionadas com o Euro 2004; 120 autarcas já se reformaram mas continuam em funções; certamente pensando no Marquês do Pombal e na Avenida da Liberdade António Costa sublinhou que o seu programa eleitoral "nāo é o da grande obra, tem sido o de fazer as pequenas obras que mudam a vida das pessoas"; Reboredo Seara, referindo-se a comentários sobre notícias que nos últimos meses colocaram dúvidas sobre a possibilidade legal da sua candidatura, avisou que por sua iniciativa "alguma gente há-de ir aos tribunais".




ARCO DA VELHA - O Presidente da Câmara de Esposende ofereceu a idosos da autarquia 2000 terços numa festa que incluíu uma viagem a Fátima, tudo com um custo de cerca de 20 mil euros.




VER - Esta semana destaco a abertura de uma galeria que coexiste com uma editora, a Abysmo, dinamizada por João Paulo Cotrim e que tem no desenho e na banda desenhada uma das suas razões de ser. Pois a Abysmo mudou há uns meses para o nº 40 da  Rua da Horta Seca, ao Largo de Camões, e esta semana inaugurou o seu espaço de exposição - dedicado aos desenhos que Álvaro Siza fez para a edição de “A Casinha dos Prazeres”, de Jean-François de Bastide. Outros pontos altos da semana são a abertura da exposição de Miguel Navas na Bloco 103 (Rua Rodrigo da Fonseca 103) e a mostra evocativa dos 40 anos do AR.CO, que está desde esta semana no Museu do Chiado e que inclui, entre outros,  trabalhos de Ana Jotta, Miguel Branco, Pedro Sousa Vieira e Rui Sanches. Finalmente, vale a pena conhecer a exposição que André Gomes criou para a Casa Museu Anastácio Gonçalves e que pode ser vista até Novembro -  uma narrativa de imagens intitulada “A Sesta de Um Fauno”, que, ao contrário do que era a sua prática anterior, nāo sāo originalmente feitas a partir de polaroids, mas sim de fotografias digitais posteriormente manipuladas.


 


OUVIR- "Sunrise" tem a particularidade de ser o disco de estreia do pianista Masabumi Kikuchi na editora ECM e, também, o de ter sido o último registo gravado em estúdio (em 2009) pelo baterista Paul Motian, que com o baixista Thomas Morgan completava o trio que gravou este CD. Editado no final de 2012, um ano depois da morte de Motian, “Sunrise” é uma montra de talentos, das capacidades destes três músicos, mas sobretudo da inesperada forma que Masabuki Kikuchi tem de lançar temas e guiar improvisações. Neste disco é disso que se trata: três músicos que bem se entendem, e todos de gerações diferentes, sendo Thomas Morgan o mais novo, improvisam sobre dez temas que se vão desenrolando ao longo de quase uma hora. Uma das notas que li sobre esta gravação sintetiza assim o que se passa: “ este trabalho favorece a substância ao estilo, o significado aos malabarismos e o espaço à densidade”. Mas sobretudo o que cativa é o espaço e o tempo dado à improvisaçāo, num gesto raro, hoje em dia, de exercício colectivo. (CD ECM, na Amazon.)




FOLHEAR - “Playtime” é o título de capa da edição 212, de Outono, do Aperture Magazine, uma das mais estimulantes revistas dedicadas à fotografia e que pode ser adquirida através da Amazon. Nesta edição há um artigo excelente sobre as ligações dos planos cinematográficos do filme “Playtime” de Jacques Tati com a fotografia e um outro, muito curioso, que analisa a relutância de muitos fotógrafos ao humor. Mas o mais estimulante dos artigos é o que fala da relação de Italo Calvino com a fotografia, por exemplo através da evocação que fez da obra “Camera Lucida” de Roland Barthes, mas sobretudo por um pequeno conto que Calvino publicou em meados dos anos 50, intitulado “A Aventura de Um Fotógrafo”, que mais tarde veio a ser incluído na colectânea “Difficult Loves”. O autor deste artigo da Aperture, Aveek Sen, um ensaísta premiado pelo International Center Of Photography, defende que este conto de Calvino é mais importante para a compreensão do meio fotografia que os textos posteriores de Barthes e de Susan Sontag, sobretudo pela ideia expressa de que tudo o que não é fotografado inevitavelmente se perde.  O fotógrafo que protagoniza a aventura de Calvino vive entre a obsessão de não conseguir fixar todas as imagens da realidade à sua volta e o desejo da encenação de imagens que são a sua própria fuga a essa realidade - aquilo que sāo as duas correntes opostas que têm marcado a fotografia das últimas décadas. Nesta ediçäo da Aperture destaque ainda para seis portfolios de outros tantos fotógrafos de várias nacionalidades, que mostram de forma elucidativa os diversos caminhos que a fotografia contemporânea percorre.




PROVAR - Quando a fome aperta a meio da noite uma das possibilidades recomendáveis em Lisboa é o Café do Paço. O grosso da equipa veio há uns anos do D. Pedro V, que ficava na rua do mesmo nome. Este fica no Paço da Rainha, ao Campo dos Mártires da Pátria, e tem estacionamento facilitado. Só abre ao fim da tarde, para bar, jantar e ceias. Tem um ambiente confortável e acolhedor, boa iluminação e uma acústica excelente, ideal para uma conversa sossegada ao fim de um dia agitado. Recomendam-se os bifes, um impecável prego no pão e os já históricos pastéis de bacalhau com arroz de tomate e o pato assado à Alice. Os preços são sensatos, a garrafeira é curta mas equilibrada, o serviço é muito bom. Da clientela fazem parte políticos e jornalistas. Paço da Rainha 62-A, tel. 218 880 185.




DIXIT - “Enquanto não houver solução para o crescimento da dívida, Portugal está pior” - Daniel Bessa




GOSTO - O mestrado em gestão da Universidade Nova foi considerado o 7º melhor do mundo




NÃO GOSTO - 43% do total dos processos crime por corrupção envolvem Câmaras Municipais




BACK TO BASICS - Uma coisa é passar a vida a falar, outra coisa é falar quando é mesmo preciso - Sófocles



setembro 17, 2013

O CAOS

As estatísticas são o que são e podem ter sempre várias leituras, mas é difícil convencerem-me que este número pode ter várias interpretações: 43% dos crimes por corrupção envolvem câmaras municipais – e as muitas centenas de investigações realizadas vão desde turismo sexual patrocinado, até ao lançamento de concurso público depois de uma obra já estar feita. É certo que o justo não pode ser confundido com o pecador, mas a verdade é que o peso das autarquias no esbanjamento do dinheiro público, como também várias estatísticas demonstram, é enorme. Todos conhecemos os casos das rotundas, e é raro o mês que não ouço falar de um equipamento que foi construído algures mas que está vazio porque a ânsia de fazer obra foi maior que a de acautelar o seu uso futuro.


 


Nos últimos dias tenho visto boas reportagens sobre o estado da nação, sobre a forma como as autarquias são geridas – e chego à conclusão que muitas Câmaras são um problema que vai de funcionários a mais a eficiência a menos, passando por dívida incomportável. Aquilo que se fez no país em matéria de esbanjamento, replicou-se a nível local e esse fardo ainda o vamos carregar durante anos. Mas ao mesmo tempo que vejo o inacreditável acontecer em muitos  municípios, percebo que nas juntas de freguesia a realidade é bem diferente. As juntas fazem um trabalho de proximidade, muitas funcionam exemplarmente, desempenham funções e apoios à população para além daquilo que era esperado. Sobretudo nas zonas rurais prestam serviços que mais ninguém fornece e são tanto mais importantes quanto a desertificação do interior aumenta. Quanto mais penso no assunto, mais acho que a reforma do Estado tem que passar por aumentar a proximidade e não cavar novas distâncias.




(publicado na edição de hoje do diário Metro)


 

setembro 13, 2013

CIDADES, ELEIÇÕES E A IMPORTÂNCIA DA IMAGINAÇÃO

CIDADES  - Infelizmente não vejo nenhum candidato a Lisboa dizer que defende uma cidade mais confortável e amigável para os que cá vivem e cá pagam impostos. Nestas autárquicas, or esse país fora, vejo muitas proclamações generalistas mas poucas propostas concretas. A propósito, em boa hora chegou-me às mãos um belíssimo trabalho da consultora McKinsey, na sua newsletter mensal,  de Setembro, que tem por tema “How To Make Cities Great”. Com a devida vénia reproduzo de seguida algumas ideias que retive deste estudo da McKinsey, que devia ser leitura obrigatória para os candidatos autárquicos sérios - eu sei, a expressão é quase um paradoxo nos tempos que correm. Pois bem, actualmente metade dos habitantes mundiais, 3.6 mil milhões de pessoas, vive em cidades e, em 2030, esse número deve atingir os 5 mil milhões - as cidades vão crescer ainda mais e serão o principal factor de crescimento económico e de produtividade - e, também, o maior território de consumo. Por isso são encaradas como o palco do desenvolvimento e da transformação dos paises. Na governação de uma cidade, sublinha o estudo, há três mandamentos: conseguir um crescimento inteligente, fazer mais com menos, e conseguir ganhar o apoio da população, e dos funcionários da cidade,  para a mudança. Este programa ambicioso implica mais oportunidades para todos, melhor aproveitamento da tecnologia, um pensamento ambiental permanente, a procura ativa e produtiva de consensos com habitantes e com os negócios locais e uma cultura de responsabilidade nas equipas que dirigem as cidades. Claro que é preciso identificar clusters competitivos, criar centros de inovação, acolher universidades de ponta, ter bons transportes, garantir a segurança e facilidade na mobilidade. Mas é também preciso fazer uma formação intensiva nos funcionários dos municípios, estudar os melhores exemplos de como outras cidades atraíram investimentos. No fundo - e esta parte é tão desprezada entre nós -  é fundamental perceber que as cidades têm que fornecer serviços aos seus clientes. E os clientes das cidades são as empresas que as escolhem e as pessoas que lá vivem. Isto implica não ser precipitado, ter objectivos de longo prazo, ter noção das necessidades de pessoas e empresas, assumir procupações ambientais de forma realista, o que quer dizer  diminuir as emissões de carbono e, portanto, ter cuidado com a congestão de tráfego, ter consciência da realidade da vida das pessoas e não operar por decreto de cima para baixo. Tudo se resume a criar condições para que as pessoas vivam dentro da cidade,  preocupar-se mais com a rede interna de trasnportes e a circulação interna do que com o acesso de quem vem de fora.  Tudo isto pode parecer utópico - mas a McKinsey explica como as cidades que melhor prosperaram passaram por este caminho.




SEMANADA - Um estudo do Banco de Portugal indica que uma em cada cinco empresas gostaria de cortar salários; o sector da construção perde 198 empregos por dia; o preço médio das casas em Espanha caíu 38,6% desde 2007; em Espanha as dívidas das seis maiores empresas construtoras ultrapassam os 40 mil milhões de euros; o crédito malparado em Portugal atingiu o valor de 17 mil milhões de euros no final de Julho, um valor recorde; 66 cursos do ensino superior não tiveram nenhum candidato na primeira fase das inscrições e outros 48 cursos registaram apenas uma inscrição; no primeiro semestre deste ano as vendas de smartphones em Portugal ultrapassaram pela primeira vez as de telemóveis tradicionais; em Portugal as vendas de antidepressivos e ansiolíticos continuam a aumentar; estimativas apontam para a existência nos cadernos eleitorais de um milhão de eleitores fantasmas. já falecidos ou emigrados, num total de 9,4 milhões; o património imobiliário dos partidos políticos soma mais de 20 milhões de euros com o PCP a liderar com 13 milhões, seguido do PS com 7,7 e do PSD com 6 milhões - e nenhum paga IMI; aos 21 anos cerca de 18% dos jovens já agrediram namorado, 64% já se embriagaram e 34% já tiveram um acidente; o PS conseguiu dizer, primeiro que o Bloco de Esquerda, que votará contra o Orçamento, antes mesmo de o conhecer; slogans da semana: “Cabeçudo, por ti, tudo!” e “ser tripeiro é um mundo”.




ARCO DA VELHA - Estou para ver se os comentadores televisivos que se candidatam nas próximas eleições autárquicas vão permanecer em ecrã durante a campanha e que diz a sapiente Comissão Nacional de Eleições sobre o assunto.




VER - Esta é uma semana abundante em recomendações. Em Lisboa abre a Trienal de Arquitectura - no MUDE, na Rua Augusta, e no Carpe Diem, na Rua do Século, há espaços que vale a pena visitar. Por falar em arquitectura, no CCB, no espaço Garagem Sul, abriu uma imperdível exposição do arquitecto japonês Sou Fujimoto,  “Futurospective Arquitecture”, concebida pelo próprio. Outras ideias: na Fundação EDP, Museu da Electricidade,  inaugurou “Stop Making Sense”, uma exposição da artista plástica Mariana Gomes. Ainda em Lisboa decorrem hoje, sexta, e amanhã, sábado, as Noites de São Bento, um bom pretexto para visitar na  Galeria São Roque a “Exaltação da Sombra” de Lourdes Castro. E finalmente, na Fundação D. Luis I, no Centro Cultural de Cascais, inaugurou uma exposição com curadoria de Luis Serpa,  “Manta, Retratos de Família”, que agrupa obras de Abel Manta, da sua mulher Clementina Carneiro de Moura Manta, do seu filho João Abel Manta,  e da sua neta Isabel Manta. E, para terminar com fotografia, A Pequena Galeria, na 24 de Julho,  retoma o Salão Lisboa a partir de dia 19. Não há falta de boas coisas para ver. E ver, como dizia o outro, é meio caminho andado para aprender.




OUVIR- Nestes tempos Madonna parece como que apenas uma discreta virgem, quando comparada com as travessuras de replicantes como Miley Cirus. E no entanto, como vem provando desde os anos 80, é bem mais consistente que os sucedâneos entretanto surgidos. A sua digressão de 2012, “MDNA World Tour” teve 88 concertos e as receitas de bilheteira ultrapassaram os 300 milhões de dolares em todo o mundo - tornando esta a digressão que mais receita produziu no ano passado. A concepção do espectáculo, bem diferente de digressões anteriores da artista, foi descrita por Madonna como “a viagem espiritual da escuridão para a luz” e incluía três partes - a profecia, o masculino/feminino em que se reproduzia um ambiente de cabaret e eram interpretadas algumas das canções mais marcantes da sua carreira, e a redenção, cenografada como uma grande festa. A digressão foi cuidadosamente gravada e filmada - o resultado é um duplo CD e um DVD, já disponíveis em Portugal. A edição de imagem, algum material de bastidores, a montagem, tornam o DVD uma peça bem diferente do simple registo de um concerto. Desde os pormenores das coreografias aos cenários, passando pela actuação da cantora, o DVD do MDNA Tour é uma peça que testemunha a criatividade e o talento de Madonna e a forma como ela concebe o espectáculo. (CD e DVD Interscope/Universal).







FOLHEAR - A edição de Setembro da “Monocle” tem por tema o empreendedorismo e está recheada de exemplos de uma nova geração que procura negócios fora do comum ou que se dedica a recuperar velhas tradições e a torná-las rentáveis. Sob o lema “Do Your Own Thing”, a revista guia os leitores, através de exemplos, no processo de como escolher e iniciar o negócio, como gerir de forma moderna e eficiente e, finalmente, como conseguir negociar e estabelecer parcerias que ajudem a empresa a crescer. Tudo é acompanhado do relato de numerosos casos de sucesso um pouco por todo o mundo. Há outros temas de interesse, desde a renovação urbana como factor de desenvolvimento de negócios locais até à forma como as universidades de Vancouver, Aarhus na Dinamarca ou Tóquio estão a mudar o conceito e a forma dos seus MBAs, para melhorar prepararem os seus alunos - e o exemplo de Aarhus  é particularmente interessante e bem que podia ser seguido por algumas escolas portuguesas.




PROVAR - Uma das cervejarias emblemáticas da Avenida de Roma nos anos 70 e 80, “O Pote”, é agora um restaurante familiar e sossegado, bem longe das noites animadas que durante anos acolheu. Ao longo do seu meio século de história, acolheu tertúlias e a sua esplanada era ponto de encontro garantido. Aberto todos os dias, O Pote tem uma cozinha que não engana, baseada em valores seguros da culinária portuguesa - o destaque vai para o arroz de polvo, a carne de porco frita com açorda e, por exemplo, o clássico pica-pau do lombo. Os preços são justos, as doses generosas e o serviço é familiar e acolhedor. Está aberto todos os dias, mesmo no Domingo ao jantar, o que vai sendo raridade, e-dispõe de uma sala para fumadores. Fica no nº7 da Avenida João XXI e o telefone é o 218486397. Para mais informações ver opoterestaurante.com .




DIXIT - “Portugal é um país congelado - com o Governo e o PS a lutarem pelo papel do capitão Iglo” - Fernando Sobral, aqui no “Negócios”.




GOSTO - Da nova estratégia de produtos da Apple




NÃO GOSTO - Da posição da ERC sobre a cobertura das eleições, que contraria a liberdade editorial




BACK TO BASICS - A imaginação é mais importante que o conhecimento - Albert Einstein



setembro 10, 2013

PARA QUÊ VOTAR NAS AUTÁRQUICAS?

Para que serve um voto nas autárquicas? Basicamente para ver se as cidades, vilas e freguesias onde vivemos ficam mais apetecíveis para todos nós, se ficam mais confortáveis para o dia-a-dia, se os órgãos autárquicos nos ajudam em vez de nos atrapalharem, se existe uma acção social capaz, se é estimulada de alguma forma a criação de emprego e o desenvolvimento económico e social.


Portanto este é o momento exacto para pensar: estes que lá estão há quatro anos facilitaram-me a vida ou infernizaram-me a cabeça? Gastaram bem o dinheiro dos nossos impostos ou andaram a desperdiçá-lo em manias? Têm noção do que é a vida hoje em dia e querem ajudar, ou vivem numa qualquer utopia e querem dificultar?


 


Os que lá estão há quatro anos, que fizeram pela limpeza das ruas, pela segurança, pela recuperação e conservação? E  os pavimentos das estradas – foram só arranjados em véspera de eleições, ou são regularmente conservados e mantidos para que existam menos acidentes e se causem menos prejuízos ao veículos?


 


Se cada um de nós pensar desta forma, poderá fazer um juízo rápido sobrem que dirigiu a sua câmara e a sua freguesia. Será que vale a pena continuarem estes,  ou é melhor escolher outros? Nestas eleições os programas partidários contam menos que a capacidade das pessoas. Eu, na minha Câmara e na minha Freguesia, quero quem me ajude, não quero quem me dificulte a vida, quero quem empregue bem o dinheiro sem ser em obras incompreensíveis, quero quem me ajuda a poupar, em vez de me meter mais multas e limitações em cima.


 


Eu, onde voto, preocupo-me mais com o que fizeram ao meu dia a dia do que com aquilo que fizeram para os visitantes e forasteiros. Quero quem cuide de cá vive em vez de quem cuide de fazer show off.


 


(Publicado na edição de hoje do diário METRO)

setembro 06, 2013

O Gato e o Rato na política portuguesa

O GATO E O RATO - A saga do Governo com o Tribunal Constitucional parece a história do gato e do rato. Neste caso o rato é o Governo e o gato é o Tribunal Constitucional. Por três vezes, em tempos recentes, o gato já caçou o rato. E o rato, em vez de pensar como pode escapar do gato, coloca-se vez após vez nas suas garras. Saindo deste tom de fábula, mas que no meu entender retrata a realidade, parece evidente que o rato não se tem preparado - e preparar aqui é fazer política, encontrar opinião semelhante que o defenda, estudar, debater, comunicar, procurar um caminho de fuga, um plano B - tudo o que é preciso para não ser apanhado e deixar o gato no beco sem saída onde o rato se deixou encurralar. Não chega dizer que se vai fazer - é preciso, antes, mostrar que há alguma coisa que se tem de fazer para que outras não aconteçam. É isto que tem faltado ao rato da nossa história. Ainda por cima ele tenta escapar-se de um gato sabidola, ágil e traiçoeiro. A questão é que o gato da nossa história, o Tribunal Constitucional, tem dois problemas - toma decisões ideológicas, porque a contituição é ideológica; e, esta é a pior parte, tem os dois pés fora da realidade. O Tribunal Constitucional é do tempo em que se fabricavam notas nas máquinas da Casa da Moeda e não interiorizou que o dinheiro não nasce por decreto nem por acordão. Ainda por cima é preguiçoso, como o seu processo de trabalho vai demonstrando. Mas o pior de tudo é que, mesmo agora, o Tribunal Constitucional tem entre mãos diplomas com um impacto de mil milhões/ano na despesa do Estado - e continua sem conseguir ver as diferenças entre o Estado e a sociedade. Na realidade continua sem perceber o que é, agora, este país.




SEMANADA - Portugal perdeu cerca de 30 mil professores desde a chegada da troika em 2011; a dívida das autarquias às Águas de Portugal subiu cerca de 5% nos últimos seis meses para 535 milhões de euros; as dívidas fiscais paradas nos tribunais aumentaram 7% este ano; a área ardida este ano, até final de Agosto, é 25% superior em relação à do ano passado; o número de mortos em incêndios este ano já se eleva a seis e existem seis feridos em estado grave; entre 2007 e 2011 foram condenadas 280 pessoas por provocarem incêndios florestais, mas dessas apenas 14 foram condenadas a penas de prisão efectivas e a maioria é condenada a penas suspensas e multas; a segurança da PSP a José Sócrates, de cada vez que se desloca à RTP, ocupa uma equipa de sete agentes; 10% da frota automóvel da PSP está avariada, ao todos 500 veículos estão fora de serviço; por falta de conservação aluíu o pavimento do pátio de entrada do comando distrital de Évora da PSP; Carlos Tavares, presidente da CMVM considera que “a supervisão dos SWAPS não é satisfatória”; 70 concelhos têm falta de médicos de família; as vendas dos smartphones em Portugal cresceram este ano 74%; Alfredo Barroso publicou no diário “i” um artigo intitulado “O PS política e ideologicamente à deriva”.




ARCO DA VELHA - 560 mil imóveis estão isentos de Imposto Municipal desde sedes dos partidos políticos a estádios de futebol, passando por embaixadas ou edifícios detidos por sindicatos e associações patronais, entre outros.




VER - No dia 17 de Agosto abriu no Museum Of Modern Art (MoMa) em Nova York, uma exposição dedicada ao modernismo americano, que revisita a colecção do Museu, com obras que vão de 1015 a 1950, ou, como diz o subtítulo da exposição, “American Modern: Hopper to O'Keeffe” - é de Hopper a imagem junto a esta nota, “House By The Railroad”, de 1925, um dos pontos altos da exposição. Ao mesmo tempo o MOMA continua a apresentar uma retrospectiva sobre a obra do arquitecto Le Corbusier. Se visitarem o site www.moma.org poderão vislumbrar outras exposições, como a que é dedicada à fotografia de Walker Evans ou às novas aquisições para a colecção de fotografia do MoMa. Bem sei que não é a mesma coisa, mas na realidade esta possibilidade de, por via digital, pelo menos vislumbrarmos o que se passa em sítios onde não estamos é uma das maravilhas destes tempos que correm.




OUVIR- Para assinalar o 60º aniversário da editora discográfica Riverside a Concorde Records, que entretanto ficou com esse precioso catálogo de jazz, tem estado a fazer uma série de boas reedições. Chegou agora a vez de “So Much Guitar!”, um LP originalmente editado em 1962, o sexto na discografia do guitarrista Wes Montgomery, um dos responsáveis por tornar a guitarra eléctrica um instrumento musical respeitado (e inovador) no jazz contemporâneo. Este disco tem todos os temas da edição original de “So Much Guitar”, mais um registo ao vivo, “The Montgomery Brothers In Canada”, gravado em Vancouver na Primavera de 1961. Os oito temas de “So Much Guitar” incluem basicamente um repertório de standards e alguns originais, nos quais Wes Montgomery é acompanhado por um então promissor baixista Ron Carter, pelo pianista Hank Jones e os percussionistas Lex Humphries e Ray Barretto - ou seja uma espécie de laboratório de ensaio de alguns dos nomes que haviam de moldar o jazz na década seguinte. Ao ouvirmos as suas interpretações de temas como Twisted Blues ou Something Like Bags, percebemos a época única de explosão de talentos que então se vivia. (CD Riverside/Concorde, distribuído em Portugal pela Universal).




FOLHEAR - Tradicionalmente as edições de Setembro da “Vogue” são o ponto alto  do mundo das grandes revistas de moda. Por isso mesmo a “Vogue” promove em Setembro, em várias cidades, a “Vogue Fashion Night Out”, que na próxima quinta-feira dia 12 chega a Lisboa, pelo quarto ano consecutivo. Avenida da Liberdade, Chiado, Camões, Principe Real, serão as zonas em movimento. Enquanto isso não acontece, vale a pena destacar a edição norte-americana da Vogue de Setembro, uma recordista habitual em tamanho e número de páginas de publicidade. A coisa é de tal forma que já se fez um documentário, “The September Issue”, que relata o processo de produção da edição da Vogue em Setembro de 2007. Pois bem a edição deste ano tem 902 páginas, e nas primeiras 400 praticamente só existe publicidade - mas é preciso dizer que muita desta publicidade é especialmente concebida, fotografada e produzida apenas para esta edição, o que torna muitas das páginas magníficos objectos gráficos. A honra de capa coube a Jennifer Lawrence, um das novas actrizes americanas (nasceu em 1990), e uma outra chamada de capa é para uma exemplar reportagem sobre Marissa Mayer, a mulher que veio da Google para gerir a Yahoo!. Outros destaques vão para bastidores de grandes casas de moda como a Valentino ou a Loewe. Mas há também um trabalho sobre a obra do grande fotógrafo Irving Penn, para não falar de numerosos artigos sobre viagens, restaurantes e as novas estrelas do teatro, das artes plásticas ou da televisão. A Vogue fala de moda - onde quer que ela se manifeste. Em Portugal esta magnífica edição custa 17.60€.




PROVAR - Aqui há uns anos, no meio de uma resolução burocrática na Baixa, resolvi levar o meu filho Gonçalo, que me acompanhou nessa expiação das teias que o Estado tece, a conhecer uma petisqueira. Apontámos à Rua dos Douradores e apresentei-o à Adega dos Lombinhos. Ainda hoje, e já lá vão uns anitos bons, ele se lembra da emoção do lugar - a fauna local e a visitante, o jeito dos empregados, o sabor da carne e das batatas. Volta e meia, esporadicamente, quando estou por aqueles lados, ali vou - prefiro de longe aqueles lombinhos às hamburguerias mal engedradas adjacentes. A Adega dos Lombinhos é uma das derradeiras petisqueiras originais da Baixa e vai desaparecer, engolida numas obras de remodelação que, no prédio onde está instalada, criarão um novo hotel. Essa é uma parte boa e que tem a ver com a cidade - dará conforto aos seus visitantes, sem cuidar do conforto dos habitantes - uma constante da política costista. Se eu fosse ao futuro Hotel mantinha o pessoal da Adega dos Lombinhos no activo, ali no rés do chão do número 52 da Rua dos Douradores, e garanto que rapidamente seriam estrelas num suplemento de viagens do Guardian ou do New York Times. Nem sequer lhe mudava muito o ambiente.




DIXIT - “Com os mesmos de sempre não espere nada diferente” - cartaz da Plataforma Cidadania Lisboa




GOSTO - Do dinossauro introduzido por Luis Afonso na tira de BD Bartoon.




NÃO GOSTO - Da ideia da criminalização dos piropos.




BACK TO BASICS - O maior erro que alguém pode cometer na vida é estar permanentemente com medo de errar  - Elbert Hubbard

setembro 03, 2013

O VAZIO DA CAMPANHA ELEITORAL

As próximas eleições autárquicas estão a revelar-se um repositório de lugares comuns. Os cartazes então são cada vez mais confrangedores. Ainda não vi um com uma ideia, apenas vejo um rol de banalidades, não se vislumbra uma proposta política. Em Lisboa a coisa é terrível – começa por Seara que tem por lema “Em Lisboa Com Os Dois Pés”. Por muito que me esforce não consigo traduzir isto em medidas concretas – será que pretende distribuir pontapés pela cidade fora? António Costa não é muito melhor – “Juntos Fazemos Lisboa” não quer dizer nada a não ser que deve estar contente com o que fez ao Marquês do Pombal e à Avenida da Liberdade e que se propõe continuar a fazer mais do mesmo. Até o Bloco de Esquerda abdicou da política e de propostas para se limitar a dizer “Queremos Lisboa”, uma coisa que fica sempre bem mas que não quer dizer mesmo nada. Desta vez nem a CDU escapa com o seu vaguíssimo “Cidade Para Todos”.


 


Mas não se pense que isto só acontece em Lisboa. O belíssimo e educativo blogue imagensdecampanha.blogs.sapo.pt recolhe pérolas como “Esperança no Futuro” para a candidatura do PS no Montijo ou “Juntos pelo Montijo”, para  a candidatura do PSD. Em Constância o PS proclama “Juntos Vamos Mudar Constância” e o PSD diz “Mais Juventude, Mais Futuro”. Também gosto muito do slogan do PS “Mudar o Porto” (será para Gaia?), acho curioso o do PS em Loulé “Ninguém Ficará para Trás” e parecem-me muito criativos estes do PSD -  “Afirmar Amarante”  e “Por Angra”.


 


Mas pior que tudo é a mania de adaptar músicas para hinos de campanha sem autorização dos autores. Cá para mim candidatos que usurpam direitos de autor deviam ser impedidos de se candidatarem – estão a usar o que não é seu com desplante e descaramento.

agosto 30, 2013

Sobre a abstenção dos políticos e sugestões de fim de verão

(DES) POLÍTICA - A um escasso mês das eleições autárquicas continua sem se saber exactamente o que irá acontecer em relação a uma série de candidaturas, suspensas de uma decisão do Tribunal Constitucional sobre a lei de acumulação de mandatos. Não vou tecer comentários sobre a posição dos privilegiados juízes do Palácio Ratton, que estão, na maioria, a banhos em parte incerta e sem sinais de quererem interromper o seu lazer - a coisa é apenas um retrato de um sistema completamente caduco. Mas o que me deixa estarrecido neste processo, desde o início, é a forma como os políticos abdicaram de fazer política e passaram esta responsabilidade para os tribunais. As dúvidas sobre a Lei, feita pelo PS, PSD e CDS na Assembleia da República, deviam ter sido esclarecidas e eventualmente corrigidas pelos seus autores no mesmo sítio onde essa legislação nasceu - o Parlamento. Mas em vez de chamarem a si a responsabilidade, no que parecia uma decisão política óbvia, os nossos políticos, os seus partidos e os respectivos líderes parlamentares deram uma tristíssima imagem de si próprios ao abdicarem da sua qualidade de legisladores, remetendo uma decisão política para os tribunais. Quando isto acontece numa época em que tanto se fala - com preocupação e razão - da judicialização da política, é elucidativo o facto de serem os próprios políticos a, abstendo-se de cumprirem o seu mandato e aquilo que deles se espera, surgirem a promover essa judicialização numa questão básica do regime como é  uma Lei Eleitoral. Em vez de política frontal preferiu-se a vergonha dos arranjos de interesses, da criação de confusão na mais vergonhosa demonstração de cobardia política generalizada de que tenho memória. Não se queixem agora os políticos das férias dos juízes do Constitucional - são eles, os políticos, que deixaram de fazer o que deviam.




SEMANADA - Nas cerca de três centenas de municípios há 80 candidaturas independentes, não apresentadas por partidos, totalizando cerca de 25% do total e representando cerca de 33% do número de eleitores; mais de 80 candidatos têm canais pessoais no Meo Kanal, e o PS é o partido que mais usa esta plataforma tecnológica; Manuela Moura Guedes foi escolhida pela RTP para apresentar a nova série do concurso “Quem quer Ser Milionário”; 27 por cento dos trabalhadores por conta de outrem tiveram cortes salariais em 2012; nos últimos 25 anos o número de casamentos diminuíu 40%; cerca de ⅓ dos serviços do Estado falharam o prazo para a entrega nas Finanças das propostas de orçamento para o próximo ano e o Ministério da Educação foi o recordista nos atrasos; encargos com a saúde na ADSE diminuíram 100 milhões de 2011 para 2012; a circulação de veículos nas auto-estradas caíu 6,3 por cento no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado; a polícia russa confiscou na segunda-feira um quadro satírico em que o Presidente Vladimir Putin surgia a pentear o primeiro-ministro Dmitry Medvedev, ambos vestidos apenas com roupa interior feminina; o Skype fez dez anos e liga 300 milhões de pessoas.




ARCO DA VELHA - No meio do inferno dos incêndios soube-se que um homem ateou uma dezena de fogos ao saber-se traído pela mulher.




VER - Apenas a carolice e a dedicação de uma pessoa, José Delgado Martins, explicam a persistência de um local como a “Casa das Artes de Tavira”. Delgado Martins, que há quase 30 anos é responsável por este espaço, fez com que ele se afirmasse como um porto seguro onde se pode ir vendo, em Tavira, obras de artistas contemporâneos portugueses. O horário de verão é pensado em função dos hábitos estivais, o que faz com que a Galeria esteja encerrada nas horas do calor e que à noite esteja disponível para visitas. Por estes dias, até 7 de Setembro, podem ali descobrir obras recentes de Pedro Calapez sob o título “Espaço Moldado”, numa montagem ritmada e cativante nas três salas por onde as peças se distribuem. Tudo isto se passa na rua João Vaz Corte Real 96, em Tavira.




OUVIR- Rokia Traoré, guitarrista e cantora do Mali, da etnia Bambara, é um dos nomes grandes da música africana contemporânea, tendo começado a sua carreira no final dos anos 90. Desde cedo se interessou por utilizar a tradição musical do seu país em fusão com a música popular de origem anglo-americana. “Beautiful Africa”, o seu novo disco, o quinto, é aquele que mais influências rock aparenta em toda a sua obra, foi produzido por John Parish, que fez carreira e ganhou fama ao lado de nomes como P.J. Harvey, desempenha aqui a função de guitarrista convidado e, sobretudo, como produtor, tem uma influência decisiva na sonoridade final do disco. Traoré canta em inglês, mas também em bambara, e tanto usa instrumentos ocidentais como o tradicional n.gori e, além de Parish, é acompanhada por um grupo de músicos africanos. O resultado é um conjunto de canções de invulgar qualidade e onde me permito destacar os temas Kuama, Melancolie e, sobretudo, a faixa título, sobre a situação no Mali, “Beautiful Africa”. CD Nonesuch, na Amazon.




FOLHEAR - Todos os anos, por esta altura, a revista semanal norte-americana “Time” publica um número duplo, de Verão. Este ano o tema escolhido foi o aniversário dos 50 anos da marcha pelos direitos cívicos dos negros norte-americanos, em Washington, liderada por Martin Luther King. Este número da revista, ainda em distribuição, é um exemplo  - da capa à escolha das fotografias ou à concepção de toda a edição - a escolha dos artigos, a forma como são paginados, a sequência com que são publicados - tudo é um exemplo de grande jornalismo e de grande imprensa. Esta edição da “Time” é a prova de que em nenhum outro media se consegue fazer o que se faz na imprensa - seja hoje em papel ou amanhã em digital. A capacidade de contar histórias, escritas e mostradas nas fotografias, é bem maior aqui que num flash rápido de qualquer estação de televisão. Basta ler a descrição de como nasceu o célebre discurso “I Have A Dream” para se perceber como a maneira de bem contar uma história faz toda a diferença.




PROVAR - O restaurante “O Cesteiro” vive em Vilamoura há mais de duas décadas, constantemente a dar provas de qualidade nos produtos que apresenta e confecciona. Logo na entrada há um balcão onde o fresquíssimo pescado do dia se apresenta à escolha dos clientes. A casa tem uma varanda larga, com vista sobre a Marina de Vilamoura (o restaurante é num primeiro andar), e uma sala ampla e confortável, com uma decoração intemporal que tem resistido bem ao passar dos anos. A relação de qualidade/preço de “O Cesteiro” é assinalável e é certamente uma das razões que levam a casa a manter-se. Mas ficaria mal com a minha consciência se não louvasse a competência do grelhador que, sem escalar o peixe, desempenhou a sua função acima da média: o resultado foi uma dourada fresquíssima bem grelhada, suculenta, sem perder nada do seu sabor ou textura. Antes tinham vindo para a mesa umas honestas ameijoas e umas lulinhas fritas absolutamente sublimes. O telefone do local, no Edifício Vilamarina, é 289 312 961.




DIXIT - “Magistrados do Constitucional deixam-se influenciar por motivações políticas" - Daniel Proença de Carvalho.




GOSTO- Da determinação e do esforço dos Bombeiros


NÃO GOSTO - Da ideia de, em plena época de fogos, ter assinalado os 25 anos do incêndio do Chiado com um simulacro da sua repetição.


BACK TO BASICS - Quando fôr preciso agarrar uma cobra venenonsa usem sempre a mão do vosso inimigo (provérbio persa)