Um dos problemas de fazer apostas altas é que, quando se perde, a queda é grande. Foi o que aconteceu sábado com a manifestação de autocarros que a CGTP encenou. É muito curioso que vendo e revendo as notícias não vejo estimativas de número de manifestantes em Lisboa, apenas de autocarros. Se em relação à manifestação realizada no Porto são indicados números concretos, os relatos e reportagens do que se passou em Lisboa são vagos e algo desiludidos – mesmo os jornais que tradicionalmente se empenham mais em noticiar como sucessos as manifestações anti-governamentais, desta vez ficaram silenciosos e apontaram a chuva e o local escolhido, em Alcântara, como os culpados pelos resultados obtidos – que nenhum revela.
Arménio Carlos, o líder da CGTP, tem cometido alguns erros – desde manifestações e greves gerais em número demasiado, o que só desvaloriza o seu significado e impacto, até casos como esta da manifestação na ponte, que foi obviamente encenada como um desafio ao Governo para medir até onde podia ir. No braço de ferro com o Governo os sindicalistas tiveram que ceder, Arménio Carlos perdeu o desafio, teve que atamancar as coisas com uns autocarros, partiu para a manifestação já como vencido. A manifestação foi transformada num passeio de autocarro, em direcção a um destino mal escolhido e que ainda por cima tinha óbvios problemas de imagem, de dimensão e de participação, nas televisões e nas fotografias.
No último ano a CGTP tem-se confrontado com falta de eficácia – o que mostra também o dilema do movimento sindical nestes tempos: foi ultrapassado por protestos não organizados e quando decide organizar alguma coisa o resultado é fraco. A crise parece também ter chegado à CGTP.