A Cultura é cara?
(Publicado no diário «Meia Hora» do dia 7 de Novembro)
«Quanto Custa a Cultura?» é o tema de um ciclo de conferências organizado em conjunto pela Reitoria da Universidade do Porto e pela Casa-Museu Abel Salazar, todas as terças feiras ao fim da tarde até 4 de Dezembro. As conferências já realizadas têm títulos sugestivos: « A ignorância é barata?»; «A cultura e o dinheiro»; «A cultura é cara?».
Os parcos relatos dos jornais sobre esta iniciativa mostram como é importante debater sem problemas esta questão, assim como algumas outras que nas próximas semanas serão abordadas – nomeadamente a relação entre a Cultura e a política e como organizar a Cultura. Eu por mim espero que no final deste ciclo de conferências haja alguma forma de revisitar as conversas (não haverá maneira de colocar um podcast?). Era importante fazer a memória de algumas intervenções, até porque é cada vez mais importante levar os principais partidos políticos a tomarem uma posição sobre o que entendem dever ser a política cultural. Os ocupantes do bloco central fogem de debater estas questões no concreto – com temas como os que este ciclo de conferências arriscou – e preferem refugiar-se em banalidades e lugares comuns. A cultura é um território político que se assemelha a uma feira de vaidades com muita prosápia e pouca discussão séria.
Eu por mim tenho curiosidade em ver como Luís Filipe Menezes irá, no âmbito da anunciada revisão do programa do PSD, abordar esta questão. A curiosidade tem razões: nos últimos anos Gaia tem servido de refúgio para os exilados culturais do terrível consulado de Rui Rio, no Porto. Mário Dorminsky, o homem que criou o Fantasporto, é o vereador da Cultura de Menezes e a actividade do município de Gaia nesta área tem dado nas vistas. Até insuspeitas figuras como o jornalista Baptista Bastos aparecem a elogiar o perfil de Menezes nesta matéria, dizendo que ele «apoiou as artes e a cultura, e não caiu na tentação da intolerância e do ostracismo políticos».
Por uma vez podia ser que um líder partidário aceitasse trazer o assunto à discussão, que o elencasse entre as matérias a debater, entre as questões para as quais vale a pena elaborar uma estratégia. E mostrasse que a política cultural não é monopólio da esquerda.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
novembro 08, 2007
A Cultura é cara?
(Publicado no diário «Meia Hora» do dia 7 de Novembro)
«Quanto Custa a Cultura?» é o tema de um ciclo de conferências organizado em conjunto pela Reitoria da Universidade do Porto e pela Casa-Museu Abel Salazar, todas as terças feiras ao fim da tarde até 4 de Dezembro. As conferências já realizadas têm títulos sugestivos: « A ignorância é barata?»; «A cultura e o dinheiro»; «A cultura é cara?».
Os parcos relatos dos jornais sobre esta iniciativa mostram como é importante debater sem problemas esta questão, assim como algumas outras que nas próximas semanas serão abordadas – nomeadamente a relação entre a Cultura e a política e como organizar a Cultura. Eu por mim espero que no final deste ciclo de conferências haja alguma forma de revisitar as conversas (não haverá maneira de colocar um podcast?). Era importante fazer a memória de algumas intervenções, até porque é cada vez mais importante levar os principais partidos políticos a tomarem uma posição sobre o que entendem dever ser a política cultural. Os ocupantes do bloco central fogem de debater estas questões no concreto – com temas como os que este ciclo de conferências arriscou – e preferem refugiar-se em banalidades e lugares comuns. A cultura é um território político que se assemelha a uma feira de vaidades com muita prosápia e pouca discussão séria.
Eu por mim tenho curiosidade em ver como Luís Filipe Menezes irá, no âmbito da anunciada revisão do programa do PSD, abordar esta questão. A curiosidade tem razões: nos últimos anos Gaia tem servido de refúgio para os exilados culturais do terrível consulado de Rui Rio, no Porto. Mário Dorminsky, o homem que criou o Fantasporto, é o vereador da Cultura de Menezes e a actividade do município de Gaia nesta área tem dado nas vistas. Até insuspeitas figuras como o jornalista Baptista Bastos aparecem a elogiar o perfil de Menezes nesta matéria, dizendo que ele «apoiou as artes e a cultura, e não caiu na tentação da intolerância e do ostracismo políticos».
Por uma vez podia ser que um líder partidário aceitasse trazer o assunto à discussão, que o elencasse entre as matérias a debater, entre as questões para as quais vale a pena elaborar uma estratégia. E mostrasse que a política cultural não é monopólio da esquerda.
(Publicado no diário «Meia Hora» do dia 7 de Novembro)
«Quanto Custa a Cultura?» é o tema de um ciclo de conferências organizado em conjunto pela Reitoria da Universidade do Porto e pela Casa-Museu Abel Salazar, todas as terças feiras ao fim da tarde até 4 de Dezembro. As conferências já realizadas têm títulos sugestivos: « A ignorância é barata?»; «A cultura e o dinheiro»; «A cultura é cara?».
Os parcos relatos dos jornais sobre esta iniciativa mostram como é importante debater sem problemas esta questão, assim como algumas outras que nas próximas semanas serão abordadas – nomeadamente a relação entre a Cultura e a política e como organizar a Cultura. Eu por mim espero que no final deste ciclo de conferências haja alguma forma de revisitar as conversas (não haverá maneira de colocar um podcast?). Era importante fazer a memória de algumas intervenções, até porque é cada vez mais importante levar os principais partidos políticos a tomarem uma posição sobre o que entendem dever ser a política cultural. Os ocupantes do bloco central fogem de debater estas questões no concreto – com temas como os que este ciclo de conferências arriscou – e preferem refugiar-se em banalidades e lugares comuns. A cultura é um território político que se assemelha a uma feira de vaidades com muita prosápia e pouca discussão séria.
Eu por mim tenho curiosidade em ver como Luís Filipe Menezes irá, no âmbito da anunciada revisão do programa do PSD, abordar esta questão. A curiosidade tem razões: nos últimos anos Gaia tem servido de refúgio para os exilados culturais do terrível consulado de Rui Rio, no Porto. Mário Dorminsky, o homem que criou o Fantasporto, é o vereador da Cultura de Menezes e a actividade do município de Gaia nesta área tem dado nas vistas. Até insuspeitas figuras como o jornalista Baptista Bastos aparecem a elogiar o perfil de Menezes nesta matéria, dizendo que ele «apoiou as artes e a cultura, e não caiu na tentação da intolerância e do ostracismo políticos».
Por uma vez podia ser que um líder partidário aceitasse trazer o assunto à discussão, que o elencasse entre as matérias a debater, entre as questões para as quais vale a pena elaborar uma estratégia. E mostrasse que a política cultural não é monopólio da esquerda.
novembro 04, 2007
MAU – O polémico filme «Fados» de Carlos Saura fez apenas cerca de 20.000 espectadores nas suas duas primeiras semanas de exibição, segundo dados do ICAM. Da primeira para a segunda semana perdeu mais de metade dos espectadores (pelos vistos ninguém entusiasmou os amigos a irem ver o filme), e reduziu a exibição dos 14 écrans iniciais para dez. Para uma coisa que se queria um popularizador do fado…. Estamos conversados.
PÉSSIMO – Não há na Comunidade Europeia nenhum Tratado de Dublin, mas no entanto na Irlanda vive-se melhor que em Portugal; não há na Comunidade Europeia nenhuma Estratégia de Madrid, mas no entanto em Espanha a economia está em boa forma, os impostos são mais baixos e o deficit não é um problema – os Espanhóis trataram foi de criar uma estratégia para Espanha e conseguiram. Por cá temos uma Estratégia e um Tratado de Lisboa que são a prova de que os nossos governantes se importam mais em brincar a criar símbolos, do que em resolver os problemas do país.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Sábado recebo em casa uma chamada de uma operadora de telemarketing que se identifica como sendo da Deco (Associação de Defesa dos Consumidores), propondo novos serviços. Pergunto-lhe se não acha estranho que uma Associação de Defesa do Consumidor esteja a fazer telemarketing, importunando ao telefone pessoas que não lhe deram autorização para ligar. Diz-me que não. E insiste em querer vender alguma coisa.
INDEFESOS – O Governo vai avançar com uma revisão legislativa que vai permitir que os serviços secretos façam escutas telefónicas. A coisa promete…
PESADELO – No entretanto soube-se que as polícias contratam detectivos privados para fazerem escutas ilegais. Não, não é rumor, foi dito no Parlamento pelo Procurador Geral da República.
VER – Vale a pena ir ver (até 10 de Novembro) os trabalhos recentes de Pedro Zamith, expostos na Galeria Arqué, em Lisboa. Sob o título «Zoollywood», Zamith revê ícones e memórias de instantes do cinema numa aproximação que parte do universo da Banda Desenhada para formular interpretações pessoalíssimas das das imagens originais que aqui são evocadas e recriadas. A aproximação à banda desenhada é natural – Pedro Zamith tem três livros de BD publicados e esta é a sua quinta exposição individual. Galeria Arque, Avenida Miguel Bombarda 120 A, das 12 às 20h00 de segunda a sábado.
PETISCAR – Os bares dos bons hotéis são um bom sítio para petiscos fora de horas. E, um dos melhores, é o «Le Ganesh», do Méridien de Lisboa, na Rua Castilho. Ao almoço há alguns bons pratos portugueses como sugestões do dia, ao fim da tarde e à noite a oferta de boas e imaginativas sanduíches. É uma alternativa simpática e muito confortável à rotina das tostas mistas e pregos de outros locais, a preços razoáveis.
LER – Peter Ackroyd é um escritor inglês que se tem notabilizado pelas suas biografias e que antes se tinha feito notar pela sua colaboração na revista «The Spectator». A mais recente das suas obras é uma invulgar biografia em que o sujeito é o rio Tamisa. Dickens, a cidade de Londres, Blake e Thomas More foram temas de outras biografias que escreveu. Baseado numa investigação minuciosa e portador de um estilo cativante, Ackroyd escreveu em 2005 uma biografia de Shakespeare que nos leva dentro da vida na Inglaterra do século XVI, relatando o dia a dia, desde as origens em Stratford-upon-Avion até Londres, as companhias de teatro, os problemas pessoais, as cenas do quotidiano. Escrita quase em tom de romance de aventuras, esta biografia é irresistível. A tradução, muito boa, é de Telma Costa e a edição é da Teorema.
OUVIR – Este ano assinala-se o 50ºaniversário da estreia de «West Side Story» e a Deutsche Grammophon resolveu fazer uma edição especial da obra. Esta edição inclui a versão integral da histórica gravação de 1984 em que o autor , Leonard Bernstein, dirige Kiri Te Nanawa, José Carreras, Tatiana Troyanos, Kurt Ollmann e Marilyn Horne. A mesma edição inclui ainda um DVD com o making of da gravação do disco. Podemos ver no DVD momentos dos ensaios e depoimentos dos vários participantes. A edição inclui ainda um pequeno livro com a cronologia e a história de «West Side Story», assim como abundante material fotográfico. A não perder.
DESCOBRIR – Uma boa novidade da blogosfera, o novo blogue de Pedro Lomba e Pedro Mexia, acessível em www.ogattopardo.blogspot.com que tem a decorrer uma bela sondagem sobre o Tratado de Lisboa. Vão lá, vejam e votem. E leiam o blogue com atenção, que vale bem a pena.
BACK TO BASICS – Tentar perceber o que se passa no mundo apenas ouvindo os noticiários da televisão é como querer saber as horas num relógio só com um ponteiro.
PÉSSIMO – Não há na Comunidade Europeia nenhum Tratado de Dublin, mas no entanto na Irlanda vive-se melhor que em Portugal; não há na Comunidade Europeia nenhuma Estratégia de Madrid, mas no entanto em Espanha a economia está em boa forma, os impostos são mais baixos e o deficit não é um problema – os Espanhóis trataram foi de criar uma estratégia para Espanha e conseguiram. Por cá temos uma Estratégia e um Tratado de Lisboa que são a prova de que os nossos governantes se importam mais em brincar a criar símbolos, do que em resolver os problemas do país.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Sábado recebo em casa uma chamada de uma operadora de telemarketing que se identifica como sendo da Deco (Associação de Defesa dos Consumidores), propondo novos serviços. Pergunto-lhe se não acha estranho que uma Associação de Defesa do Consumidor esteja a fazer telemarketing, importunando ao telefone pessoas que não lhe deram autorização para ligar. Diz-me que não. E insiste em querer vender alguma coisa.
INDEFESOS – O Governo vai avançar com uma revisão legislativa que vai permitir que os serviços secretos façam escutas telefónicas. A coisa promete…
PESADELO – No entretanto soube-se que as polícias contratam detectivos privados para fazerem escutas ilegais. Não, não é rumor, foi dito no Parlamento pelo Procurador Geral da República.
VER – Vale a pena ir ver (até 10 de Novembro) os trabalhos recentes de Pedro Zamith, expostos na Galeria Arqué, em Lisboa. Sob o título «Zoollywood», Zamith revê ícones e memórias de instantes do cinema numa aproximação que parte do universo da Banda Desenhada para formular interpretações pessoalíssimas das das imagens originais que aqui são evocadas e recriadas. A aproximação à banda desenhada é natural – Pedro Zamith tem três livros de BD publicados e esta é a sua quinta exposição individual. Galeria Arque, Avenida Miguel Bombarda 120 A, das 12 às 20h00 de segunda a sábado.
PETISCAR – Os bares dos bons hotéis são um bom sítio para petiscos fora de horas. E, um dos melhores, é o «Le Ganesh», do Méridien de Lisboa, na Rua Castilho. Ao almoço há alguns bons pratos portugueses como sugestões do dia, ao fim da tarde e à noite a oferta de boas e imaginativas sanduíches. É uma alternativa simpática e muito confortável à rotina das tostas mistas e pregos de outros locais, a preços razoáveis.
LER – Peter Ackroyd é um escritor inglês que se tem notabilizado pelas suas biografias e que antes se tinha feito notar pela sua colaboração na revista «The Spectator». A mais recente das suas obras é uma invulgar biografia em que o sujeito é o rio Tamisa. Dickens, a cidade de Londres, Blake e Thomas More foram temas de outras biografias que escreveu. Baseado numa investigação minuciosa e portador de um estilo cativante, Ackroyd escreveu em 2005 uma biografia de Shakespeare que nos leva dentro da vida na Inglaterra do século XVI, relatando o dia a dia, desde as origens em Stratford-upon-Avion até Londres, as companhias de teatro, os problemas pessoais, as cenas do quotidiano. Escrita quase em tom de romance de aventuras, esta biografia é irresistível. A tradução, muito boa, é de Telma Costa e a edição é da Teorema.
OUVIR – Este ano assinala-se o 50ºaniversário da estreia de «West Side Story» e a Deutsche Grammophon resolveu fazer uma edição especial da obra. Esta edição inclui a versão integral da histórica gravação de 1984 em que o autor , Leonard Bernstein, dirige Kiri Te Nanawa, José Carreras, Tatiana Troyanos, Kurt Ollmann e Marilyn Horne. A mesma edição inclui ainda um DVD com o making of da gravação do disco. Podemos ver no DVD momentos dos ensaios e depoimentos dos vários participantes. A edição inclui ainda um pequeno livro com a cronologia e a história de «West Side Story», assim como abundante material fotográfico. A não perder.
DESCOBRIR – Uma boa novidade da blogosfera, o novo blogue de Pedro Lomba e Pedro Mexia, acessível em www.ogattopardo.blogspot.com que tem a decorrer uma bela sondagem sobre o Tratado de Lisboa. Vão lá, vejam e votem. E leiam o blogue com atenção, que vale bem a pena.
BACK TO BASICS – Tentar perceber o que se passa no mundo apenas ouvindo os noticiários da televisão é como querer saber as horas num relógio só com um ponteiro.
Untitled
MAU – O polémico filme «Fados» de Carlos Saura fez apenas cerca de 20.000 espectadores nas suas duas primeiras semanas de exibição, segundo dados do ICAM. Da primeira para a segunda semana perdeu mais de metade dos espectadores (pelos vistos ninguém entusiasmou os amigos a irem ver o filme), e reduziu a exibição dos 14 écrans iniciais para dez. Para uma coisa que se queria um popularizador do fado…. Estamos conversados.
PÉSSIMO – Não há na Comunidade Europeia nenhum Tratado de Dublin, mas no entanto na Irlanda vive-se melhor que em Portugal; não há na Comunidade Europeia nenhuma Estratégia de Madrid, mas no entanto em Espanha a economia está em boa forma, os impostos são mais baixos e o deficit não é um problema – os Espanhóis trataram foi de criar uma estratégia para Espanha e conseguiram. Por cá temos uma Estratégia e um Tratado de Lisboa que são a prova de que os nossos governantes se importam mais em brincar a criar símbolos, do que em resolver os problemas do país.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Sábado recebo em casa uma chamada de uma operadora de telemarketing que se identifica como sendo da Deco (Associação de Defesa dos Consumidores), propondo novos serviços. Pergunto-lhe se não acha estranho que uma Associação de Defesa do Consumidor esteja a fazer telemarketing, importunando ao telefone pessoas que não lhe deram autorização para ligar. Diz-me que não. E insiste em querer vender alguma coisa.
INDEFESOS – O Governo vai avançar com uma revisão legislativa que vai permitir que os serviços secretos façam escutas telefónicas. A coisa promete…
PESADELO – No entretanto soube-se que as polícias contratam detectivos privados para fazerem escutas ilegais. Não, não é rumor, foi dito no Parlamento pelo Procurador Geral da República.
VER – Vale a pena ir ver (até 10 de Novembro) os trabalhos recentes de Pedro Zamith, expostos na Galeria Arqué, em Lisboa. Sob o título «Zoollywood», Zamith revê ícones e memórias de instantes do cinema numa aproximação que parte do universo da Banda Desenhada para formular interpretações pessoalíssimas das das imagens originais que aqui são evocadas e recriadas. A aproximação à banda desenhada é natural – Pedro Zamith tem três livros de BD publicados e esta é a sua quinta exposição individual. Galeria Arque, Avenida Miguel Bombarda 120 A, das 12 às 20h00 de segunda a sábado.
PETISCAR – Os bares dos bons hotéis são um bom sítio para petiscos fora de horas. E, um dos melhores, é o «Le Ganesh», do Méridien de Lisboa, na Rua Castilho. Ao almoço há alguns bons pratos portugueses como sugestões do dia, ao fim da tarde e à noite a oferta de boas e imaginativas sanduíches. É uma alternativa simpática e muito confortável à rotina das tostas mistas e pregos de outros locais, a preços razoáveis.
LER – Peter Ackroyd é um escritor inglês que se tem notabilizado pelas suas biografias e que antes se tinha feito notar pela sua colaboração na revista «The Spectator». A mais recente das suas obras é uma invulgar biografia em que o sujeito é o rio Tamisa. Dickens, a cidade de Londres, Blake e Thomas More foram temas de outras biografias que escreveu. Baseado numa investigação minuciosa e portador de um estilo cativante, Ackroyd escreveu em 2005 uma biografia de Shakespeare que nos leva dentro da vida na Inglaterra do século XVI, relatando o dia a dia, desde as origens em Stratford-upon-Avion até Londres, as companhias de teatro, os problemas pessoais, as cenas do quotidiano. Escrita quase em tom de romance de aventuras, esta biografia é irresistível. A tradução, muito boa, é de Telma Costa e a edição é da Teorema.
OUVIR – Este ano assinala-se o 50ºaniversário da estreia de «West Side Story» e a Deutsche Grammophon resolveu fazer uma edição especial da obra. Esta edição inclui a versão integral da histórica gravação de 1984 em que o autor , Leonard Bernstein, dirige Kiri Te Nanawa, José Carreras, Tatiana Troyanos, Kurt Ollmann e Marilyn Horne. A mesma edição inclui ainda um DVD com o making of da gravação do disco. Podemos ver no DVD momentos dos ensaios e depoimentos dos vários participantes. A edição inclui ainda um pequeno livro com a cronologia e a história de «West Side Story», assim como abundante material fotográfico. A não perder.
DESCOBRIR – Uma boa novidade da blogosfera, o novo blogue de Pedro Lomba e Pedro Mexia, acessível em www.ogattopardo.blogspot.com que tem a decorrer uma bela sondagem sobre o Tratado de Lisboa. Vão lá, vejam e votem. E leiam o blogue com atenção, que vale bem a pena.
BACK TO BASICS – Tentar perceber o que se passa no mundo apenas ouvindo os noticiários da televisão é como querer saber as horas num relógio só com um ponteiro.
PÉSSIMO – Não há na Comunidade Europeia nenhum Tratado de Dublin, mas no entanto na Irlanda vive-se melhor que em Portugal; não há na Comunidade Europeia nenhuma Estratégia de Madrid, mas no entanto em Espanha a economia está em boa forma, os impostos são mais baixos e o deficit não é um problema – os Espanhóis trataram foi de criar uma estratégia para Espanha e conseguiram. Por cá temos uma Estratégia e um Tratado de Lisboa que são a prova de que os nossos governantes se importam mais em brincar a criar símbolos, do que em resolver os problemas do país.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Sábado recebo em casa uma chamada de uma operadora de telemarketing que se identifica como sendo da Deco (Associação de Defesa dos Consumidores), propondo novos serviços. Pergunto-lhe se não acha estranho que uma Associação de Defesa do Consumidor esteja a fazer telemarketing, importunando ao telefone pessoas que não lhe deram autorização para ligar. Diz-me que não. E insiste em querer vender alguma coisa.
INDEFESOS – O Governo vai avançar com uma revisão legislativa que vai permitir que os serviços secretos façam escutas telefónicas. A coisa promete…
PESADELO – No entretanto soube-se que as polícias contratam detectivos privados para fazerem escutas ilegais. Não, não é rumor, foi dito no Parlamento pelo Procurador Geral da República.
VER – Vale a pena ir ver (até 10 de Novembro) os trabalhos recentes de Pedro Zamith, expostos na Galeria Arqué, em Lisboa. Sob o título «Zoollywood», Zamith revê ícones e memórias de instantes do cinema numa aproximação que parte do universo da Banda Desenhada para formular interpretações pessoalíssimas das das imagens originais que aqui são evocadas e recriadas. A aproximação à banda desenhada é natural – Pedro Zamith tem três livros de BD publicados e esta é a sua quinta exposição individual. Galeria Arque, Avenida Miguel Bombarda 120 A, das 12 às 20h00 de segunda a sábado.
PETISCAR – Os bares dos bons hotéis são um bom sítio para petiscos fora de horas. E, um dos melhores, é o «Le Ganesh», do Méridien de Lisboa, na Rua Castilho. Ao almoço há alguns bons pratos portugueses como sugestões do dia, ao fim da tarde e à noite a oferta de boas e imaginativas sanduíches. É uma alternativa simpática e muito confortável à rotina das tostas mistas e pregos de outros locais, a preços razoáveis.
LER – Peter Ackroyd é um escritor inglês que se tem notabilizado pelas suas biografias e que antes se tinha feito notar pela sua colaboração na revista «The Spectator». A mais recente das suas obras é uma invulgar biografia em que o sujeito é o rio Tamisa. Dickens, a cidade de Londres, Blake e Thomas More foram temas de outras biografias que escreveu. Baseado numa investigação minuciosa e portador de um estilo cativante, Ackroyd escreveu em 2005 uma biografia de Shakespeare que nos leva dentro da vida na Inglaterra do século XVI, relatando o dia a dia, desde as origens em Stratford-upon-Avion até Londres, as companhias de teatro, os problemas pessoais, as cenas do quotidiano. Escrita quase em tom de romance de aventuras, esta biografia é irresistível. A tradução, muito boa, é de Telma Costa e a edição é da Teorema.
OUVIR – Este ano assinala-se o 50ºaniversário da estreia de «West Side Story» e a Deutsche Grammophon resolveu fazer uma edição especial da obra. Esta edição inclui a versão integral da histórica gravação de 1984 em que o autor , Leonard Bernstein, dirige Kiri Te Nanawa, José Carreras, Tatiana Troyanos, Kurt Ollmann e Marilyn Horne. A mesma edição inclui ainda um DVD com o making of da gravação do disco. Podemos ver no DVD momentos dos ensaios e depoimentos dos vários participantes. A edição inclui ainda um pequeno livro com a cronologia e a história de «West Side Story», assim como abundante material fotográfico. A não perder.
DESCOBRIR – Uma boa novidade da blogosfera, o novo blogue de Pedro Lomba e Pedro Mexia, acessível em www.ogattopardo.blogspot.com que tem a decorrer uma bela sondagem sobre o Tratado de Lisboa. Vão lá, vejam e votem. E leiam o blogue com atenção, que vale bem a pena.
BACK TO BASICS – Tentar perceber o que se passa no mundo apenas ouvindo os noticiários da televisão é como querer saber as horas num relógio só com um ponteiro.
Untitled
ARTE
(publicado no diário «Meia Hora» de dia 31 de Outubro)
Na semana passada abriu na Fundação de Serralves, no Porto, uma exposição sobre a obra do artista norte-americano Robert Rauschenberg, mais precisamente sobre o seu trabalho na década de 70. A imprensa tem publicado imagens das peças em exposição e aposto que algumas dessas imagens terão surpreendido muita gente.
A imagem mais divulgada foi de uma obra de 1973, feita à base de um velho triciclo. Sou capaz de imaginar que não poucas pessoas terão olhado para a fotografia e pensado: «mas porque é que isto é arte?».
Esta pergunta – que surge tantas vezes perante arte contemporânea – é um dos maiores desafios que a criação artística coloca. E este desafio tem a ver com o facto de o exercício da criatividade – e da criação artística em particular – ter por objectivo fazer pensar, confrontar as pessoas com dúvidas, inquietações e interrogações – e, também, incomodidades. A obras de arte não são consensuais – a polémica tem convivido com a Arte ao longo de toda a história da Humanidade e os grandes momentos de ruptura - e de avanço - foram sempre muito polémicos.
Rauschenberg é considerado um dos grandes nomes da arte contemporânea e a sua obra desde cedo fez cruzar a pintura com a escultura, a fotografia e a gravura, ao mesmo tempo que foi utilizando materiais não tradicionais. Com outro norte-americano, Jasper John, desbravou os caminhos que anos mais tarde levariam Andy Warhol, e outros, à pop art. Robert Rauschenberg tem aquilo que torna importante um artista: é um experimentador nato, que combina a criatividade com a provocação, que gosta de cruzar territórios aparentemente em rota de colisão. Não foi por acaso que os Talking Heads lhe pediram para desenhar a capa da edição limitada do álbum «Speaking In Tongues» , de 1983.
Voltemos a Serralves, onde esta exposição vai ficar até 30 de Março: a Fundação tem sido habilmente provocadora e eficazmente atraente – a prová-lo estão os números dos visitantes das suas exposições. Serralves é a prova de que as pessoas gostam de descobrir aquilo que, à primeira vista, podem não compreender. Basta darem-lhes oportunidade para isso.
(publicado no diário «Meia Hora» de dia 31 de Outubro)
Na semana passada abriu na Fundação de Serralves, no Porto, uma exposição sobre a obra do artista norte-americano Robert Rauschenberg, mais precisamente sobre o seu trabalho na década de 70. A imprensa tem publicado imagens das peças em exposição e aposto que algumas dessas imagens terão surpreendido muita gente.
A imagem mais divulgada foi de uma obra de 1973, feita à base de um velho triciclo. Sou capaz de imaginar que não poucas pessoas terão olhado para a fotografia e pensado: «mas porque é que isto é arte?».
Esta pergunta – que surge tantas vezes perante arte contemporânea – é um dos maiores desafios que a criação artística coloca. E este desafio tem a ver com o facto de o exercício da criatividade – e da criação artística em particular – ter por objectivo fazer pensar, confrontar as pessoas com dúvidas, inquietações e interrogações – e, também, incomodidades. A obras de arte não são consensuais – a polémica tem convivido com a Arte ao longo de toda a história da Humanidade e os grandes momentos de ruptura - e de avanço - foram sempre muito polémicos.
Rauschenberg é considerado um dos grandes nomes da arte contemporânea e a sua obra desde cedo fez cruzar a pintura com a escultura, a fotografia e a gravura, ao mesmo tempo que foi utilizando materiais não tradicionais. Com outro norte-americano, Jasper John, desbravou os caminhos que anos mais tarde levariam Andy Warhol, e outros, à pop art. Robert Rauschenberg tem aquilo que torna importante um artista: é um experimentador nato, que combina a criatividade com a provocação, que gosta de cruzar territórios aparentemente em rota de colisão. Não foi por acaso que os Talking Heads lhe pediram para desenhar a capa da edição limitada do álbum «Speaking In Tongues» , de 1983.
Voltemos a Serralves, onde esta exposição vai ficar até 30 de Março: a Fundação tem sido habilmente provocadora e eficazmente atraente – a prová-lo estão os números dos visitantes das suas exposições. Serralves é a prova de que as pessoas gostam de descobrir aquilo que, à primeira vista, podem não compreender. Basta darem-lhes oportunidade para isso.
ARTE
(publicado no diário «Meia Hora» de dia 31 de Outubro)
Na semana passada abriu na Fundação de Serralves, no Porto, uma exposição sobre a obra do artista norte-americano Robert Rauschenberg, mais precisamente sobre o seu trabalho na década de 70. A imprensa tem publicado imagens das peças em exposição e aposto que algumas dessas imagens terão surpreendido muita gente.
A imagem mais divulgada foi de uma obra de 1973, feita à base de um velho triciclo. Sou capaz de imaginar que não poucas pessoas terão olhado para a fotografia e pensado: «mas porque é que isto é arte?».
Esta pergunta – que surge tantas vezes perante arte contemporânea – é um dos maiores desafios que a criação artística coloca. E este desafio tem a ver com o facto de o exercício da criatividade – e da criação artística em particular – ter por objectivo fazer pensar, confrontar as pessoas com dúvidas, inquietações e interrogações – e, também, incomodidades. A obras de arte não são consensuais – a polémica tem convivido com a Arte ao longo de toda a história da Humanidade e os grandes momentos de ruptura - e de avanço - foram sempre muito polémicos.
Rauschenberg é considerado um dos grandes nomes da arte contemporânea e a sua obra desde cedo fez cruzar a pintura com a escultura, a fotografia e a gravura, ao mesmo tempo que foi utilizando materiais não tradicionais. Com outro norte-americano, Jasper John, desbravou os caminhos que anos mais tarde levariam Andy Warhol, e outros, à pop art. Robert Rauschenberg tem aquilo que torna importante um artista: é um experimentador nato, que combina a criatividade com a provocação, que gosta de cruzar territórios aparentemente em rota de colisão. Não foi por acaso que os Talking Heads lhe pediram para desenhar a capa da edição limitada do álbum «Speaking In Tongues» , de 1983.
Voltemos a Serralves, onde esta exposição vai ficar até 30 de Março: a Fundação tem sido habilmente provocadora e eficazmente atraente – a prová-lo estão os números dos visitantes das suas exposições. Serralves é a prova de que as pessoas gostam de descobrir aquilo que, à primeira vista, podem não compreender. Basta darem-lhes oportunidade para isso.
(publicado no diário «Meia Hora» de dia 31 de Outubro)
Na semana passada abriu na Fundação de Serralves, no Porto, uma exposição sobre a obra do artista norte-americano Robert Rauschenberg, mais precisamente sobre o seu trabalho na década de 70. A imprensa tem publicado imagens das peças em exposição e aposto que algumas dessas imagens terão surpreendido muita gente.
A imagem mais divulgada foi de uma obra de 1973, feita à base de um velho triciclo. Sou capaz de imaginar que não poucas pessoas terão olhado para a fotografia e pensado: «mas porque é que isto é arte?».
Esta pergunta – que surge tantas vezes perante arte contemporânea – é um dos maiores desafios que a criação artística coloca. E este desafio tem a ver com o facto de o exercício da criatividade – e da criação artística em particular – ter por objectivo fazer pensar, confrontar as pessoas com dúvidas, inquietações e interrogações – e, também, incomodidades. A obras de arte não são consensuais – a polémica tem convivido com a Arte ao longo de toda a história da Humanidade e os grandes momentos de ruptura - e de avanço - foram sempre muito polémicos.
Rauschenberg é considerado um dos grandes nomes da arte contemporânea e a sua obra desde cedo fez cruzar a pintura com a escultura, a fotografia e a gravura, ao mesmo tempo que foi utilizando materiais não tradicionais. Com outro norte-americano, Jasper John, desbravou os caminhos que anos mais tarde levariam Andy Warhol, e outros, à pop art. Robert Rauschenberg tem aquilo que torna importante um artista: é um experimentador nato, que combina a criatividade com a provocação, que gosta de cruzar territórios aparentemente em rota de colisão. Não foi por acaso que os Talking Heads lhe pediram para desenhar a capa da edição limitada do álbum «Speaking In Tongues» , de 1983.
Voltemos a Serralves, onde esta exposição vai ficar até 30 de Março: a Fundação tem sido habilmente provocadora e eficazmente atraente – a prová-lo estão os números dos visitantes das suas exposições. Serralves é a prova de que as pessoas gostam de descobrir aquilo que, à primeira vista, podem não compreender. Basta darem-lhes oportunidade para isso.
outubro 29, 2007
BOM - O artigo «Alertas Globais» de Bjorn Lomborg publicado esta semana (terça feira passada) aqui no «Jornal de Negócios» sobre algumas falácias ecologistas. Recomendo a todos os ingénuos a sua leitura, no site www.project-syndicate.org . Ali basta procurar o nome do autor e ver o que ele tem disponível para leitura. Além do artigo publicado neste jornal, espreitem a deliciosa análise que ele faz de Al Gore a propósito do Nobel e façam-na chegar a todos os membros da Quercus que conhecerem. Citação: «O número de pessoas com fome no Mundo depende muito menos do clima do que da demografia e do rendimento. Cortes nas emissões de carbono, que são caríssimos de conseguir, podem querer dizer que mais pessoas vão passar fome porque os recursos disponíveis são mal direccionados. Se o nosso objectivo for combater a fome e a subnutrição, políticas que passem por assegurar nutrientes a quem deles precisa são 5000 vezes mais eficazes a conseguir salvar vidas do que o resultado que se obtém em gastar milhares de milhões de dólares a cortar as emissões de carbono».
MAU – Portugal é o país onde as investigações não chegam ao fim, onde nunca se descobrem os culpados, onde os resultados de um inquérito são inconclusivos e em vez da verdade se espalha a dúvida. O sistema judicial é um baralho de dúvidas montado em processos caducados, assentes em instruções deficientes. O sistema cria um curioso paradoxo: só em casos menores ou em flagrante delito há culpados e, por vezes, punição; no resto há sempre uma dúvida qualquer que dá aos culpados a garantia de que enquanto as coisas forem assim escaparão sempre à justiça e que na maior parte dos casos esconde o que na verdade se passou.
PÉSSIMO – Leio que a RTP vai poder ter dois novos canais, no cabo, dedicados à divulgação do conhecimento e à programação infantil, temas definidos como pilares do serviço público de televisão em qualquer país da Europa. Isto quer dizer que o Governo acaba de assegurar que, a médio prazo, esses conteúdos migrarão para canais distribuídos em cabo ou outros sistemas pagos, deitando assim às urtigas o princípio de que o serviço público de televisão deve ser universal e gratuito. Isto quer também dizer que o actual Governo vem dar razão aos que há uns anos atrás diziam que ao serviço público bastava um canal aberto e que o resto dos conteúdos podia passar para o cabo. E, em última análise, quer dizer que o Estado se prepara para intensificar a concorrência que faz aos operadores privados através dos seus dois canais abertos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Escusam de procurar mistérios: o que o Procurador Geral da República veio dizer, preto no branco, é que há escutas que fogem ao controlo, ele não falava das escutas autorizadas. Falava das ilegais, feitas de forma clandestina – mas conhecida - na judiciária ou nos serviços secretos. Assim se confirma como existe nas polícias portuguesas uma impunidade feita de uma prática sistemática de desrespeito pela lei.
VER – A exposição «Rostos da Central Tejo», baseada no magnífico arquivo de fotografia daquele equipamento, mostra o trabalho na antiga fábrica de produção de electricidade que abastecia Lisboa e documenta o período entre 1918 a 1949. Estas são imagens que marcam a memória do tempo, são uma das essências e razão de ser da fotografia – ainda por cima com imagens feitas de enquadramentos precisos, luz cuidada, sem artifícios nem ilusões. A exposição pode ser visitada até 15 de Dezembro, de terça a Domingo entre as 10 e as 18h00 e às sextas e sábados entre as 10 e as 20h00.
LER – A edição de Novembro da revista «Vanity Fair» é um número para coleccionadores. O primeiro destaque vai para as fotografias inéditas dos Kennedy, da autoria de Richard Avedon, acompanhadas de alguns excertos das notas de Arthur M. Schlesinger Jr. que ajudam a esclarecer como era a vida na Casa Branca no tempo de John Kennedy. Destaque ainda para um belo portfolio de Annie Leibowitz sobre nomea da música folk, a começar em Joan Baez e Joni Mitchell, passando por Feist e acabando em Devendra Banhart e para artigos sobre Syd Barrett, Eric Clapton e Serge Gainsbourg.
OUVIR – Maurizio Pollini é um dos maiores pianistas contemporâneos e em Itália é considerado também como um dos grandes intelectuais do país. Pollini tem a particularidade de se mover tão à vontade a interpretar obras contemporâneas de nomes como Luigi Nono, como clássicos como as três primeiras sonatas de Beethoven, que gravou agora pela primeira vez. O resultado está num disco da Deutsche Grammophon, «beethoven sonatas op.2», e mais uma vez se observa a sua sensibilidade ao interpretar estas composições de uma fase inicial da carreira de Beethoven.
PERGUNTANDO … A edição de Novembro da «Wallpaper» fala do êxito obtido por Mariza no Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, num cenário evocando o Fado desenhado pelo arquitecto Frank Gehry especialmente para este concerto, precisamente no palco do auditório que ele próprio projectou e que se tornou conhecido pela excelência da sua acústica. O actual Presidente da Câmara não quererá transformar as ruínas do desinteressante Pavilhão dos Desportos num auditório com a marca de excelência de Gehry num dos sítios de maior visibilidade da cidade?
BACK TO BASICS – «Quando os homens são puros as leis são inúteis; quando são corruptos, as leis são ignoradas» - Benjamim Disraeli
MAU – Portugal é o país onde as investigações não chegam ao fim, onde nunca se descobrem os culpados, onde os resultados de um inquérito são inconclusivos e em vez da verdade se espalha a dúvida. O sistema judicial é um baralho de dúvidas montado em processos caducados, assentes em instruções deficientes. O sistema cria um curioso paradoxo: só em casos menores ou em flagrante delito há culpados e, por vezes, punição; no resto há sempre uma dúvida qualquer que dá aos culpados a garantia de que enquanto as coisas forem assim escaparão sempre à justiça e que na maior parte dos casos esconde o que na verdade se passou.
PÉSSIMO – Leio que a RTP vai poder ter dois novos canais, no cabo, dedicados à divulgação do conhecimento e à programação infantil, temas definidos como pilares do serviço público de televisão em qualquer país da Europa. Isto quer dizer que o Governo acaba de assegurar que, a médio prazo, esses conteúdos migrarão para canais distribuídos em cabo ou outros sistemas pagos, deitando assim às urtigas o princípio de que o serviço público de televisão deve ser universal e gratuito. Isto quer também dizer que o actual Governo vem dar razão aos que há uns anos atrás diziam que ao serviço público bastava um canal aberto e que o resto dos conteúdos podia passar para o cabo. E, em última análise, quer dizer que o Estado se prepara para intensificar a concorrência que faz aos operadores privados através dos seus dois canais abertos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Escusam de procurar mistérios: o que o Procurador Geral da República veio dizer, preto no branco, é que há escutas que fogem ao controlo, ele não falava das escutas autorizadas. Falava das ilegais, feitas de forma clandestina – mas conhecida - na judiciária ou nos serviços secretos. Assim se confirma como existe nas polícias portuguesas uma impunidade feita de uma prática sistemática de desrespeito pela lei.
VER – A exposição «Rostos da Central Tejo», baseada no magnífico arquivo de fotografia daquele equipamento, mostra o trabalho na antiga fábrica de produção de electricidade que abastecia Lisboa e documenta o período entre 1918 a 1949. Estas são imagens que marcam a memória do tempo, são uma das essências e razão de ser da fotografia – ainda por cima com imagens feitas de enquadramentos precisos, luz cuidada, sem artifícios nem ilusões. A exposição pode ser visitada até 15 de Dezembro, de terça a Domingo entre as 10 e as 18h00 e às sextas e sábados entre as 10 e as 20h00.
LER – A edição de Novembro da revista «Vanity Fair» é um número para coleccionadores. O primeiro destaque vai para as fotografias inéditas dos Kennedy, da autoria de Richard Avedon, acompanhadas de alguns excertos das notas de Arthur M. Schlesinger Jr. que ajudam a esclarecer como era a vida na Casa Branca no tempo de John Kennedy. Destaque ainda para um belo portfolio de Annie Leibowitz sobre nomea da música folk, a começar em Joan Baez e Joni Mitchell, passando por Feist e acabando em Devendra Banhart e para artigos sobre Syd Barrett, Eric Clapton e Serge Gainsbourg.
OUVIR – Maurizio Pollini é um dos maiores pianistas contemporâneos e em Itália é considerado também como um dos grandes intelectuais do país. Pollini tem a particularidade de se mover tão à vontade a interpretar obras contemporâneas de nomes como Luigi Nono, como clássicos como as três primeiras sonatas de Beethoven, que gravou agora pela primeira vez. O resultado está num disco da Deutsche Grammophon, «beethoven sonatas op.2», e mais uma vez se observa a sua sensibilidade ao interpretar estas composições de uma fase inicial da carreira de Beethoven.
PERGUNTANDO … A edição de Novembro da «Wallpaper» fala do êxito obtido por Mariza no Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, num cenário evocando o Fado desenhado pelo arquitecto Frank Gehry especialmente para este concerto, precisamente no palco do auditório que ele próprio projectou e que se tornou conhecido pela excelência da sua acústica. O actual Presidente da Câmara não quererá transformar as ruínas do desinteressante Pavilhão dos Desportos num auditório com a marca de excelência de Gehry num dos sítios de maior visibilidade da cidade?
BACK TO BASICS – «Quando os homens são puros as leis são inúteis; quando são corruptos, as leis são ignoradas» - Benjamim Disraeli
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BOM - O artigo «Alertas Globais» de Bjorn Lomborg publicado esta semana (terça feira passada) aqui no «Jornal de Negócios» sobre algumas falácias ecologistas. Recomendo a todos os ingénuos a sua leitura, no site www.project-syndicate.org . Ali basta procurar o nome do autor e ver o que ele tem disponível para leitura. Além do artigo publicado neste jornal, espreitem a deliciosa análise que ele faz de Al Gore a propósito do Nobel e façam-na chegar a todos os membros da Quercus que conhecerem. Citação: «O número de pessoas com fome no Mundo depende muito menos do clima do que da demografia e do rendimento. Cortes nas emissões de carbono, que são caríssimos de conseguir, podem querer dizer que mais pessoas vão passar fome porque os recursos disponíveis são mal direccionados. Se o nosso objectivo for combater a fome e a subnutrição, políticas que passem por assegurar nutrientes a quem deles precisa são 5000 vezes mais eficazes a conseguir salvar vidas do que o resultado que se obtém em gastar milhares de milhões de dólares a cortar as emissões de carbono».
MAU – Portugal é o país onde as investigações não chegam ao fim, onde nunca se descobrem os culpados, onde os resultados de um inquérito são inconclusivos e em vez da verdade se espalha a dúvida. O sistema judicial é um baralho de dúvidas montado em processos caducados, assentes em instruções deficientes. O sistema cria um curioso paradoxo: só em casos menores ou em flagrante delito há culpados e, por vezes, punição; no resto há sempre uma dúvida qualquer que dá aos culpados a garantia de que enquanto as coisas forem assim escaparão sempre à justiça e que na maior parte dos casos esconde o que na verdade se passou.
PÉSSIMO – Leio que a RTP vai poder ter dois novos canais, no cabo, dedicados à divulgação do conhecimento e à programação infantil, temas definidos como pilares do serviço público de televisão em qualquer país da Europa. Isto quer dizer que o Governo acaba de assegurar que, a médio prazo, esses conteúdos migrarão para canais distribuídos em cabo ou outros sistemas pagos, deitando assim às urtigas o princípio de que o serviço público de televisão deve ser universal e gratuito. Isto quer também dizer que o actual Governo vem dar razão aos que há uns anos atrás diziam que ao serviço público bastava um canal aberto e que o resto dos conteúdos podia passar para o cabo. E, em última análise, quer dizer que o Estado se prepara para intensificar a concorrência que faz aos operadores privados através dos seus dois canais abertos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Escusam de procurar mistérios: o que o Procurador Geral da República veio dizer, preto no branco, é que há escutas que fogem ao controlo, ele não falava das escutas autorizadas. Falava das ilegais, feitas de forma clandestina – mas conhecida - na judiciária ou nos serviços secretos. Assim se confirma como existe nas polícias portuguesas uma impunidade feita de uma prática sistemática de desrespeito pela lei.
VER – A exposição «Rostos da Central Tejo», baseada no magnífico arquivo de fotografia daquele equipamento, mostra o trabalho na antiga fábrica de produção de electricidade que abastecia Lisboa e documenta o período entre 1918 a 1949. Estas são imagens que marcam a memória do tempo, são uma das essências e razão de ser da fotografia – ainda por cima com imagens feitas de enquadramentos precisos, luz cuidada, sem artifícios nem ilusões. A exposição pode ser visitada até 15 de Dezembro, de terça a Domingo entre as 10 e as 18h00 e às sextas e sábados entre as 10 e as 20h00.
LER – A edição de Novembro da revista «Vanity Fair» é um número para coleccionadores. O primeiro destaque vai para as fotografias inéditas dos Kennedy, da autoria de Richard Avedon, acompanhadas de alguns excertos das notas de Arthur M. Schlesinger Jr. que ajudam a esclarecer como era a vida na Casa Branca no tempo de John Kennedy. Destaque ainda para um belo portfolio de Annie Leibowitz sobre nomea da música folk, a começar em Joan Baez e Joni Mitchell, passando por Feist e acabando em Devendra Banhart e para artigos sobre Syd Barrett, Eric Clapton e Serge Gainsbourg.
OUVIR – Maurizio Pollini é um dos maiores pianistas contemporâneos e em Itália é considerado também como um dos grandes intelectuais do país. Pollini tem a particularidade de se mover tão à vontade a interpretar obras contemporâneas de nomes como Luigi Nono, como clássicos como as três primeiras sonatas de Beethoven, que gravou agora pela primeira vez. O resultado está num disco da Deutsche Grammophon, «beethoven sonatas op.2», e mais uma vez se observa a sua sensibilidade ao interpretar estas composições de uma fase inicial da carreira de Beethoven.
PERGUNTANDO … A edição de Novembro da «Wallpaper» fala do êxito obtido por Mariza no Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, num cenário evocando o Fado desenhado pelo arquitecto Frank Gehry especialmente para este concerto, precisamente no palco do auditório que ele próprio projectou e que se tornou conhecido pela excelência da sua acústica. O actual Presidente da Câmara não quererá transformar as ruínas do desinteressante Pavilhão dos Desportos num auditório com a marca de excelência de Gehry num dos sítios de maior visibilidade da cidade?
BACK TO BASICS – «Quando os homens são puros as leis são inúteis; quando são corruptos, as leis são ignoradas» - Benjamim Disraeli
MAU – Portugal é o país onde as investigações não chegam ao fim, onde nunca se descobrem os culpados, onde os resultados de um inquérito são inconclusivos e em vez da verdade se espalha a dúvida. O sistema judicial é um baralho de dúvidas montado em processos caducados, assentes em instruções deficientes. O sistema cria um curioso paradoxo: só em casos menores ou em flagrante delito há culpados e, por vezes, punição; no resto há sempre uma dúvida qualquer que dá aos culpados a garantia de que enquanto as coisas forem assim escaparão sempre à justiça e que na maior parte dos casos esconde o que na verdade se passou.
PÉSSIMO – Leio que a RTP vai poder ter dois novos canais, no cabo, dedicados à divulgação do conhecimento e à programação infantil, temas definidos como pilares do serviço público de televisão em qualquer país da Europa. Isto quer dizer que o Governo acaba de assegurar que, a médio prazo, esses conteúdos migrarão para canais distribuídos em cabo ou outros sistemas pagos, deitando assim às urtigas o princípio de que o serviço público de televisão deve ser universal e gratuito. Isto quer também dizer que o actual Governo vem dar razão aos que há uns anos atrás diziam que ao serviço público bastava um canal aberto e que o resto dos conteúdos podia passar para o cabo. E, em última análise, quer dizer que o Estado se prepara para intensificar a concorrência que faz aos operadores privados através dos seus dois canais abertos.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Escusam de procurar mistérios: o que o Procurador Geral da República veio dizer, preto no branco, é que há escutas que fogem ao controlo, ele não falava das escutas autorizadas. Falava das ilegais, feitas de forma clandestina – mas conhecida - na judiciária ou nos serviços secretos. Assim se confirma como existe nas polícias portuguesas uma impunidade feita de uma prática sistemática de desrespeito pela lei.
VER – A exposição «Rostos da Central Tejo», baseada no magnífico arquivo de fotografia daquele equipamento, mostra o trabalho na antiga fábrica de produção de electricidade que abastecia Lisboa e documenta o período entre 1918 a 1949. Estas são imagens que marcam a memória do tempo, são uma das essências e razão de ser da fotografia – ainda por cima com imagens feitas de enquadramentos precisos, luz cuidada, sem artifícios nem ilusões. A exposição pode ser visitada até 15 de Dezembro, de terça a Domingo entre as 10 e as 18h00 e às sextas e sábados entre as 10 e as 20h00.
LER – A edição de Novembro da revista «Vanity Fair» é um número para coleccionadores. O primeiro destaque vai para as fotografias inéditas dos Kennedy, da autoria de Richard Avedon, acompanhadas de alguns excertos das notas de Arthur M. Schlesinger Jr. que ajudam a esclarecer como era a vida na Casa Branca no tempo de John Kennedy. Destaque ainda para um belo portfolio de Annie Leibowitz sobre nomea da música folk, a começar em Joan Baez e Joni Mitchell, passando por Feist e acabando em Devendra Banhart e para artigos sobre Syd Barrett, Eric Clapton e Serge Gainsbourg.
OUVIR – Maurizio Pollini é um dos maiores pianistas contemporâneos e em Itália é considerado também como um dos grandes intelectuais do país. Pollini tem a particularidade de se mover tão à vontade a interpretar obras contemporâneas de nomes como Luigi Nono, como clássicos como as três primeiras sonatas de Beethoven, que gravou agora pela primeira vez. O resultado está num disco da Deutsche Grammophon, «beethoven sonatas op.2», e mais uma vez se observa a sua sensibilidade ao interpretar estas composições de uma fase inicial da carreira de Beethoven.
PERGUNTANDO … A edição de Novembro da «Wallpaper» fala do êxito obtido por Mariza no Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, num cenário evocando o Fado desenhado pelo arquitecto Frank Gehry especialmente para este concerto, precisamente no palco do auditório que ele próprio projectou e que se tornou conhecido pela excelência da sua acústica. O actual Presidente da Câmara não quererá transformar as ruínas do desinteressante Pavilhão dos Desportos num auditório com a marca de excelência de Gehry num dos sítios de maior visibilidade da cidade?
BACK TO BASICS – «Quando os homens são puros as leis são inúteis; quando são corruptos, as leis são ignoradas» - Benjamim Disraeli
outubro 26, 2007
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A DESAPARECIDA DA AJUDA
(publicado no Diário Meia Hora de Quarta Feira 24 de Outubro)
Uma das primeiras pessoas a ter o documento único de identificação, tirado nos Açores, voltou ao Continente e constatou que ele aqui não serve de nada – li este relato nos jornais de há umas semanas atrás. Este facto singelo é o retrato do país simplex de Sócrates: as cerimónias de comunicação são muitas e vistosas mas depois as coisas não funcionam.
As coisas são assim por todo o lado: ontem à noite entrei no site do Ministério da Cultura e fui ver a área de notícias. A mais recente datava de 15 de Junho passado (há quatro meses) e referia-se à inauguração de uma exposição no estrangeiro, que contou com a presença da Ministra.
Este facto, também singelo, é o retrato da acção do Ministério da Cultura: Isabel Pires de Lima parece uma zombie saída de um filme de série B – não se sabe o que faz, não se conhece a estratégia que propõe para a Cultura, não se sabe qual é a sua prioridade, não se sabe qual é o seu plano de acção até ao fim da legislatura.
Desautorizada pelo Primeiro Ministro no caso da ocupação do CCB pela Colecção Berardo, Isabel Pires de Lima fez uma anedótica reestruturação orgânica dos serviços do Ministério cujos efeitos nocivos se começam a perceber e preferiu premiar nos museus o servilismo burocrático. Não tem um programa que seja bandeira de uma política, não se lhe conhece uma ideia nova, não se lhe conhece uma acção continuada. Não se percebe sequer o que faz durante o dia já que nada se vê da sua actividade – nem sequer no site do seu Ministério. Isabel Pires de Lima merece ser conhecida como a desaparecida do Palácio da Ajuda..
Ausente por completo da fulcral questão do audiovisual – o território contemporâneo da defesa da língua e da cultura – Isabel Pires de Lima ajoelha-se nesta matéria face a Augusto Santos Silva que mais não faz do que defender os interesses instalados e trocar privilégios aos operadores existentes por uma informação que não seja demasiado incómoda face ao descalabro reinante dos seus pares no Governo.
Da Ministra da Cultura não se ouve uma palavra – está desaparecida sem sequer ser em combate.
(publicado no Diário Meia Hora de Quarta Feira 24 de Outubro)
Uma das primeiras pessoas a ter o documento único de identificação, tirado nos Açores, voltou ao Continente e constatou que ele aqui não serve de nada – li este relato nos jornais de há umas semanas atrás. Este facto singelo é o retrato do país simplex de Sócrates: as cerimónias de comunicação são muitas e vistosas mas depois as coisas não funcionam.
As coisas são assim por todo o lado: ontem à noite entrei no site do Ministério da Cultura e fui ver a área de notícias. A mais recente datava de 15 de Junho passado (há quatro meses) e referia-se à inauguração de uma exposição no estrangeiro, que contou com a presença da Ministra.
Este facto, também singelo, é o retrato da acção do Ministério da Cultura: Isabel Pires de Lima parece uma zombie saída de um filme de série B – não se sabe o que faz, não se conhece a estratégia que propõe para a Cultura, não se sabe qual é a sua prioridade, não se sabe qual é o seu plano de acção até ao fim da legislatura.
Desautorizada pelo Primeiro Ministro no caso da ocupação do CCB pela Colecção Berardo, Isabel Pires de Lima fez uma anedótica reestruturação orgânica dos serviços do Ministério cujos efeitos nocivos se começam a perceber e preferiu premiar nos museus o servilismo burocrático. Não tem um programa que seja bandeira de uma política, não se lhe conhece uma ideia nova, não se lhe conhece uma acção continuada. Não se percebe sequer o que faz durante o dia já que nada se vê da sua actividade – nem sequer no site do seu Ministério. Isabel Pires de Lima merece ser conhecida como a desaparecida do Palácio da Ajuda..
Ausente por completo da fulcral questão do audiovisual – o território contemporâneo da defesa da língua e da cultura – Isabel Pires de Lima ajoelha-se nesta matéria face a Augusto Santos Silva que mais não faz do que defender os interesses instalados e trocar privilégios aos operadores existentes por uma informação que não seja demasiado incómoda face ao descalabro reinante dos seus pares no Governo.
Da Ministra da Cultura não se ouve uma palavra – está desaparecida sem sequer ser em combate.
A DESAPARECIDA DA AJUDA
(publicado no Diário Meia Hora de Quarta Feira 24 de Outubro)
Uma das primeiras pessoas a ter o documento único de identificação, tirado nos Açores, voltou ao Continente e constatou que ele aqui não serve de nada – li este relato nos jornais de há umas semanas atrás. Este facto singelo é o retrato do país simplex de Sócrates: as cerimónias de comunicação são muitas e vistosas mas depois as coisas não funcionam.
As coisas são assim por todo o lado: ontem à noite entrei no site do Ministério da Cultura e fui ver a área de notícias. A mais recente datava de 15 de Junho passado (há quatro meses) e referia-se à inauguração de uma exposição no estrangeiro, que contou com a presença da Ministra.
Este facto, também singelo, é o retrato da acção do Ministério da Cultura: Isabel Pires de Lima parece uma zombie saída de um filme de série B – não se sabe o que faz, não se conhece a estratégia que propõe para a Cultura, não se sabe qual é a sua prioridade, não se sabe qual é o seu plano de acção até ao fim da legislatura.
Desautorizada pelo Primeiro Ministro no caso da ocupação do CCB pela Colecção Berardo, Isabel Pires de Lima fez uma anedótica reestruturação orgânica dos serviços do Ministério cujos efeitos nocivos se começam a perceber e preferiu premiar nos museus o servilismo burocrático. Não tem um programa que seja bandeira de uma política, não se lhe conhece uma ideia nova, não se lhe conhece uma acção continuada. Não se percebe sequer o que faz durante o dia já que nada se vê da sua actividade – nem sequer no site do seu Ministério. Isabel Pires de Lima merece ser conhecida como a desaparecida do Palácio da Ajuda..
Ausente por completo da fulcral questão do audiovisual – o território contemporâneo da defesa da língua e da cultura – Isabel Pires de Lima ajoelha-se nesta matéria face a Augusto Santos Silva que mais não faz do que defender os interesses instalados e trocar privilégios aos operadores existentes por uma informação que não seja demasiado incómoda face ao descalabro reinante dos seus pares no Governo.
Da Ministra da Cultura não se ouve uma palavra – está desaparecida sem sequer ser em combate.
(publicado no Diário Meia Hora de Quarta Feira 24 de Outubro)
Uma das primeiras pessoas a ter o documento único de identificação, tirado nos Açores, voltou ao Continente e constatou que ele aqui não serve de nada – li este relato nos jornais de há umas semanas atrás. Este facto singelo é o retrato do país simplex de Sócrates: as cerimónias de comunicação são muitas e vistosas mas depois as coisas não funcionam.
As coisas são assim por todo o lado: ontem à noite entrei no site do Ministério da Cultura e fui ver a área de notícias. A mais recente datava de 15 de Junho passado (há quatro meses) e referia-se à inauguração de uma exposição no estrangeiro, que contou com a presença da Ministra.
Este facto, também singelo, é o retrato da acção do Ministério da Cultura: Isabel Pires de Lima parece uma zombie saída de um filme de série B – não se sabe o que faz, não se conhece a estratégia que propõe para a Cultura, não se sabe qual é a sua prioridade, não se sabe qual é o seu plano de acção até ao fim da legislatura.
Desautorizada pelo Primeiro Ministro no caso da ocupação do CCB pela Colecção Berardo, Isabel Pires de Lima fez uma anedótica reestruturação orgânica dos serviços do Ministério cujos efeitos nocivos se começam a perceber e preferiu premiar nos museus o servilismo burocrático. Não tem um programa que seja bandeira de uma política, não se lhe conhece uma ideia nova, não se lhe conhece uma acção continuada. Não se percebe sequer o que faz durante o dia já que nada se vê da sua actividade – nem sequer no site do seu Ministério. Isabel Pires de Lima merece ser conhecida como a desaparecida do Palácio da Ajuda..
Ausente por completo da fulcral questão do audiovisual – o território contemporâneo da defesa da língua e da cultura – Isabel Pires de Lima ajoelha-se nesta matéria face a Augusto Santos Silva que mais não faz do que defender os interesses instalados e trocar privilégios aos operadores existentes por uma informação que não seja demasiado incómoda face ao descalabro reinante dos seus pares no Governo.
Da Ministra da Cultura não se ouve uma palavra – está desaparecida sem sequer ser em combate.
outubro 22, 2007
BOM - O artigo estreia de Augusto M. Seabra no site www.artecapital.net, sobre a política cultural destes dias que correm. Intitulado « O caso MNAA ou o servilismo exemplar», o artigo – que assinala o regresso do autor à análise da realidade cultural portuguesa depois do processo que o levou a sair do «Público», mostra como a sua voz continua atenta e coerente. Seabra é dos jornalistas que há mais anos segue a política e a actividade cultural e é certeiro para com a actual Ministra, como se constata nesta citação: «Mas não se menospreze em Isabel Pires de Lima a figura da parola incompetente que tão indubitavelmente é. Ela não deixa de ser o poder, e para mais saíu-nos na rifa com este poder do PS a estranha ironia dos responsáveis da Cultura serem ex-comunistas com estruturas mentais em que todavia ainda não ruíu o muro de Berlim». Felizmente a artecapital.net abriu-lhe as portas e agora poderemos lê-lo de novo, numa colaboração mensal.
MAU– O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, comentando o facto de as polícias estarem a ser equipadas com as pistolas «Glock» achou por bem dizer que «estão de parabéns todos os cidadãos». Presumo que a afirmação se dirija aos cidadãos que todos os anos são alvejados por polícias à civil, fora de funções, por razões passionais ou outras – Portugal é recordista na utilização de armas de fogo por agentes policiais fora de funções.
PESADELO – Os reality shows chegaram à política: Hugo Chávez fez uma emissão em directo do seu programa semanal de propaganda televisiva, em directo de Cuba, com imagens de Fidel e longos salmos a Che Guevara. O amigo venezuelano de Mário Soares especializou-se em criar factos destes que depois multiplicam a sua imagem pelos telejornais de televisões de todo o mundo. Um verdadeiro artista.
PETISCAR – A utilização do nome Chiado para designar uma parte antiga de Lisboa foi fixada no século XVII, para alguns com origem no poeta quinhentista António Ribeiro Chiado, para outros porque o local identificava a existência de um estabelecimento de bebidas e petiscos pertencente a um galego com esse nome. No Chiado há muito onde petiscar e hoje e amanhã são os últimos dias da «festa no Chiado», organizada pelo Centro Nacional de Cultura.
LER 1 – A estrevista a Ridley Scott publicada na edição da revista «Wired» de Outubro, a propósito da nova versão de «Blade Runner», entrevista acompanhada de um excelente artigo sobre o filme. Um belo dossier sobre o etanol como combustível luíquido e a história do jogo «Guitar Heroes» são outros pontos de interesse na revista.
LER 2 – A revista mensal editada pelo Lux está cada vez melhor e é cada vez mais indispensável para quem gosta de música e de seguir as novas tendências. Os destaques da revista deste mês são a entrevista a José Pedro Moura, o segundo artigo de Isilda Sanches sobre «Música & Política» e as fotografias de António Júlio Duarte. O grafismo continua excelente – e a este propósito merece atenção o artigo (e a capa falsa) a propósito do trabalho do ilsutrador David Shrigley (distribuição gratuita no Lux e na Bica do Sapato).
OUVIR – Patti Smith tornou-se conhecida pela intensidade poética de discos de originais como «Raio Ethiopia» ou «Horses». Embora nos seus concertos de finais dos anos 70 e início dos anos 80 fosse frequente vê-la a fazer interpretações surpreendentes de temas de outros autores, ela nunca havia gravado um disco de versões. Este «Twelve», editado na primeira metade deste ano, é integralmente composto por versões de temas de nomes que vão de Jimi Hendrix aos Doors, passando pelos Tears For Fears, Rolling Stones ou Greg Allman. Destaque precisamente para «Midnight Rider», para «Gimme Shelter» ou «Changing Of The Guard» de Dylan. O disco é surpreendente, a banda que a aocmpnha é o seu grupo de músicos da melhor fase da sua carreira e há convidados como Tom Verlaine. (CD Sony/BMG).
VER 1 – Na galeria Ratton, Teresa Ramos expõe «Vasos Comunicantes», peças de olaria nada tradicionais, a meio caminho entre o ornamento e a escultura. A escala dos objectos é curiosa – pequenos, para casas pequenas, mas com uma presença visual muito forte. A Ratton é na Rua da Academia das Ciências 2C e esta exposição fica até dia 30 de Novembro.
VER 2 – Trabalhos recentes de João Vieira na Galeria Valbom, Av Conde de Valbom 89-A. Com o título «Expressionismos», esta exposição do pintor tem um conjunto de obras, no primeiro andar da galeria, os «caretos», que explora novos caminhos em relação ao que tem sido o trabalho de João Vieira. Av: Conde de Valbom 89-A, das 13h00 às 19h00.
PERGUNTANDO… Quando é que o Governo vai vigiar e controlar o que o Fisco faz em matéria de erros de automatismo, abusos de poder e interpretações polémicas da Lei, sempre contra os contribuintes?
BACK TO BASICS – «Este orçamento é um saque ao contribuinte» - Paulo Portas.
MAU– O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, comentando o facto de as polícias estarem a ser equipadas com as pistolas «Glock» achou por bem dizer que «estão de parabéns todos os cidadãos». Presumo que a afirmação se dirija aos cidadãos que todos os anos são alvejados por polícias à civil, fora de funções, por razões passionais ou outras – Portugal é recordista na utilização de armas de fogo por agentes policiais fora de funções.
PESADELO – Os reality shows chegaram à política: Hugo Chávez fez uma emissão em directo do seu programa semanal de propaganda televisiva, em directo de Cuba, com imagens de Fidel e longos salmos a Che Guevara. O amigo venezuelano de Mário Soares especializou-se em criar factos destes que depois multiplicam a sua imagem pelos telejornais de televisões de todo o mundo. Um verdadeiro artista.
PETISCAR – A utilização do nome Chiado para designar uma parte antiga de Lisboa foi fixada no século XVII, para alguns com origem no poeta quinhentista António Ribeiro Chiado, para outros porque o local identificava a existência de um estabelecimento de bebidas e petiscos pertencente a um galego com esse nome. No Chiado há muito onde petiscar e hoje e amanhã são os últimos dias da «festa no Chiado», organizada pelo Centro Nacional de Cultura.
LER 1 – A estrevista a Ridley Scott publicada na edição da revista «Wired» de Outubro, a propósito da nova versão de «Blade Runner», entrevista acompanhada de um excelente artigo sobre o filme. Um belo dossier sobre o etanol como combustível luíquido e a história do jogo «Guitar Heroes» são outros pontos de interesse na revista.
LER 2 – A revista mensal editada pelo Lux está cada vez melhor e é cada vez mais indispensável para quem gosta de música e de seguir as novas tendências. Os destaques da revista deste mês são a entrevista a José Pedro Moura, o segundo artigo de Isilda Sanches sobre «Música & Política» e as fotografias de António Júlio Duarte. O grafismo continua excelente – e a este propósito merece atenção o artigo (e a capa falsa) a propósito do trabalho do ilsutrador David Shrigley (distribuição gratuita no Lux e na Bica do Sapato).
OUVIR – Patti Smith tornou-se conhecida pela intensidade poética de discos de originais como «Raio Ethiopia» ou «Horses». Embora nos seus concertos de finais dos anos 70 e início dos anos 80 fosse frequente vê-la a fazer interpretações surpreendentes de temas de outros autores, ela nunca havia gravado um disco de versões. Este «Twelve», editado na primeira metade deste ano, é integralmente composto por versões de temas de nomes que vão de Jimi Hendrix aos Doors, passando pelos Tears For Fears, Rolling Stones ou Greg Allman. Destaque precisamente para «Midnight Rider», para «Gimme Shelter» ou «Changing Of The Guard» de Dylan. O disco é surpreendente, a banda que a aocmpnha é o seu grupo de músicos da melhor fase da sua carreira e há convidados como Tom Verlaine. (CD Sony/BMG).
VER 1 – Na galeria Ratton, Teresa Ramos expõe «Vasos Comunicantes», peças de olaria nada tradicionais, a meio caminho entre o ornamento e a escultura. A escala dos objectos é curiosa – pequenos, para casas pequenas, mas com uma presença visual muito forte. A Ratton é na Rua da Academia das Ciências 2C e esta exposição fica até dia 30 de Novembro.
VER 2 – Trabalhos recentes de João Vieira na Galeria Valbom, Av Conde de Valbom 89-A. Com o título «Expressionismos», esta exposição do pintor tem um conjunto de obras, no primeiro andar da galeria, os «caretos», que explora novos caminhos em relação ao que tem sido o trabalho de João Vieira. Av: Conde de Valbom 89-A, das 13h00 às 19h00.
PERGUNTANDO… Quando é que o Governo vai vigiar e controlar o que o Fisco faz em matéria de erros de automatismo, abusos de poder e interpretações polémicas da Lei, sempre contra os contribuintes?
BACK TO BASICS – «Este orçamento é um saque ao contribuinte» - Paulo Portas.
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BOM - O artigo estreia de Augusto M. Seabra no site www.artecapital.net, sobre a política cultural destes dias que correm. Intitulado « O caso MNAA ou o servilismo exemplar», o artigo – que assinala o regresso do autor à análise da realidade cultural portuguesa depois do processo que o levou a sair do «Público», mostra como a sua voz continua atenta e coerente. Seabra é dos jornalistas que há mais anos segue a política e a actividade cultural e é certeiro para com a actual Ministra, como se constata nesta citação: «Mas não se menospreze em Isabel Pires de Lima a figura da parola incompetente que tão indubitavelmente é. Ela não deixa de ser o poder, e para mais saíu-nos na rifa com este poder do PS a estranha ironia dos responsáveis da Cultura serem ex-comunistas com estruturas mentais em que todavia ainda não ruíu o muro de Berlim». Felizmente a artecapital.net abriu-lhe as portas e agora poderemos lê-lo de novo, numa colaboração mensal.
MAU– O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, comentando o facto de as polícias estarem a ser equipadas com as pistolas «Glock» achou por bem dizer que «estão de parabéns todos os cidadãos». Presumo que a afirmação se dirija aos cidadãos que todos os anos são alvejados por polícias à civil, fora de funções, por razões passionais ou outras – Portugal é recordista na utilização de armas de fogo por agentes policiais fora de funções.
PESADELO – Os reality shows chegaram à política: Hugo Chávez fez uma emissão em directo do seu programa semanal de propaganda televisiva, em directo de Cuba, com imagens de Fidel e longos salmos a Che Guevara. O amigo venezuelano de Mário Soares especializou-se em criar factos destes que depois multiplicam a sua imagem pelos telejornais de televisões de todo o mundo. Um verdadeiro artista.
PETISCAR – A utilização do nome Chiado para designar uma parte antiga de Lisboa foi fixada no século XVII, para alguns com origem no poeta quinhentista António Ribeiro Chiado, para outros porque o local identificava a existência de um estabelecimento de bebidas e petiscos pertencente a um galego com esse nome. No Chiado há muito onde petiscar e hoje e amanhã são os últimos dias da «festa no Chiado», organizada pelo Centro Nacional de Cultura.
LER 1 – A estrevista a Ridley Scott publicada na edição da revista «Wired» de Outubro, a propósito da nova versão de «Blade Runner», entrevista acompanhada de um excelente artigo sobre o filme. Um belo dossier sobre o etanol como combustível luíquido e a história do jogo «Guitar Heroes» são outros pontos de interesse na revista.
LER 2 – A revista mensal editada pelo Lux está cada vez melhor e é cada vez mais indispensável para quem gosta de música e de seguir as novas tendências. Os destaques da revista deste mês são a entrevista a José Pedro Moura, o segundo artigo de Isilda Sanches sobre «Música & Política» e as fotografias de António Júlio Duarte. O grafismo continua excelente – e a este propósito merece atenção o artigo (e a capa falsa) a propósito do trabalho do ilsutrador David Shrigley (distribuição gratuita no Lux e na Bica do Sapato).
OUVIR – Patti Smith tornou-se conhecida pela intensidade poética de discos de originais como «Raio Ethiopia» ou «Horses». Embora nos seus concertos de finais dos anos 70 e início dos anos 80 fosse frequente vê-la a fazer interpretações surpreendentes de temas de outros autores, ela nunca havia gravado um disco de versões. Este «Twelve», editado na primeira metade deste ano, é integralmente composto por versões de temas de nomes que vão de Jimi Hendrix aos Doors, passando pelos Tears For Fears, Rolling Stones ou Greg Allman. Destaque precisamente para «Midnight Rider», para «Gimme Shelter» ou «Changing Of The Guard» de Dylan. O disco é surpreendente, a banda que a aocmpnha é o seu grupo de músicos da melhor fase da sua carreira e há convidados como Tom Verlaine. (CD Sony/BMG).
VER 1 – Na galeria Ratton, Teresa Ramos expõe «Vasos Comunicantes», peças de olaria nada tradicionais, a meio caminho entre o ornamento e a escultura. A escala dos objectos é curiosa – pequenos, para casas pequenas, mas com uma presença visual muito forte. A Ratton é na Rua da Academia das Ciências 2C e esta exposição fica até dia 30 de Novembro.
VER 2 – Trabalhos recentes de João Vieira na Galeria Valbom, Av Conde de Valbom 89-A. Com o título «Expressionismos», esta exposição do pintor tem um conjunto de obras, no primeiro andar da galeria, os «caretos», que explora novos caminhos em relação ao que tem sido o trabalho de João Vieira. Av: Conde de Valbom 89-A, das 13h00 às 19h00.
PERGUNTANDO… Quando é que o Governo vai vigiar e controlar o que o Fisco faz em matéria de erros de automatismo, abusos de poder e interpretações polémicas da Lei, sempre contra os contribuintes?
BACK TO BASICS – «Este orçamento é um saque ao contribuinte» - Paulo Portas.
MAU– O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, comentando o facto de as polícias estarem a ser equipadas com as pistolas «Glock» achou por bem dizer que «estão de parabéns todos os cidadãos». Presumo que a afirmação se dirija aos cidadãos que todos os anos são alvejados por polícias à civil, fora de funções, por razões passionais ou outras – Portugal é recordista na utilização de armas de fogo por agentes policiais fora de funções.
PESADELO – Os reality shows chegaram à política: Hugo Chávez fez uma emissão em directo do seu programa semanal de propaganda televisiva, em directo de Cuba, com imagens de Fidel e longos salmos a Che Guevara. O amigo venezuelano de Mário Soares especializou-se em criar factos destes que depois multiplicam a sua imagem pelos telejornais de televisões de todo o mundo. Um verdadeiro artista.
PETISCAR – A utilização do nome Chiado para designar uma parte antiga de Lisboa foi fixada no século XVII, para alguns com origem no poeta quinhentista António Ribeiro Chiado, para outros porque o local identificava a existência de um estabelecimento de bebidas e petiscos pertencente a um galego com esse nome. No Chiado há muito onde petiscar e hoje e amanhã são os últimos dias da «festa no Chiado», organizada pelo Centro Nacional de Cultura.
LER 1 – A estrevista a Ridley Scott publicada na edição da revista «Wired» de Outubro, a propósito da nova versão de «Blade Runner», entrevista acompanhada de um excelente artigo sobre o filme. Um belo dossier sobre o etanol como combustível luíquido e a história do jogo «Guitar Heroes» são outros pontos de interesse na revista.
LER 2 – A revista mensal editada pelo Lux está cada vez melhor e é cada vez mais indispensável para quem gosta de música e de seguir as novas tendências. Os destaques da revista deste mês são a entrevista a José Pedro Moura, o segundo artigo de Isilda Sanches sobre «Música & Política» e as fotografias de António Júlio Duarte. O grafismo continua excelente – e a este propósito merece atenção o artigo (e a capa falsa) a propósito do trabalho do ilsutrador David Shrigley (distribuição gratuita no Lux e na Bica do Sapato).
OUVIR – Patti Smith tornou-se conhecida pela intensidade poética de discos de originais como «Raio Ethiopia» ou «Horses». Embora nos seus concertos de finais dos anos 70 e início dos anos 80 fosse frequente vê-la a fazer interpretações surpreendentes de temas de outros autores, ela nunca havia gravado um disco de versões. Este «Twelve», editado na primeira metade deste ano, é integralmente composto por versões de temas de nomes que vão de Jimi Hendrix aos Doors, passando pelos Tears For Fears, Rolling Stones ou Greg Allman. Destaque precisamente para «Midnight Rider», para «Gimme Shelter» ou «Changing Of The Guard» de Dylan. O disco é surpreendente, a banda que a aocmpnha é o seu grupo de músicos da melhor fase da sua carreira e há convidados como Tom Verlaine. (CD Sony/BMG).
VER 1 – Na galeria Ratton, Teresa Ramos expõe «Vasos Comunicantes», peças de olaria nada tradicionais, a meio caminho entre o ornamento e a escultura. A escala dos objectos é curiosa – pequenos, para casas pequenas, mas com uma presença visual muito forte. A Ratton é na Rua da Academia das Ciências 2C e esta exposição fica até dia 30 de Novembro.
VER 2 – Trabalhos recentes de João Vieira na Galeria Valbom, Av Conde de Valbom 89-A. Com o título «Expressionismos», esta exposição do pintor tem um conjunto de obras, no primeiro andar da galeria, os «caretos», que explora novos caminhos em relação ao que tem sido o trabalho de João Vieira. Av: Conde de Valbom 89-A, das 13h00 às 19h00.
PERGUNTANDO… Quando é que o Governo vai vigiar e controlar o que o Fisco faz em matéria de erros de automatismo, abusos de poder e interpretações polémicas da Lei, sempre contra os contribuintes?
BACK TO BASICS – «Este orçamento é um saque ao contribuinte» - Paulo Portas.
outubro 18, 2007
O ESTADO DA ARTE
Augusto M. Seabra voltou a escrever sobre política cultural e critica a gestão de Isabel Pires de Lima neste artigo do site artecapital onde passará a escrever mensalmente.
Augusto M. Seabra voltou a escrever sobre política cultural e critica a gestão de Isabel Pires de Lima neste artigo do site artecapital onde passará a escrever mensalmente.
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O ESTADO DA ARTE
Augusto M. Seabra voltou a escrever sobre política cultural e critica a gestão de Isabel Pires de Lima neste artigo do site artecapital onde passará a escrever mensalmente.
Augusto M. Seabra voltou a escrever sobre política cultural e critica a gestão de Isabel Pires de Lima neste artigo do site artecapital onde passará a escrever mensalmente.
outubro 15, 2007
BOM – O artigo de Rui Ramos na edição de Outubro da revista «Atlântico» sobre Che Guevara. No meio da propaganda romântica toda que tem surgido nos últimos dias, Rui Ramos explica «como é que da colecção de fuzilamentos e fracassos acumulados por Che se chegou ao sucesso da t-shirt». Aliciante.
MAU – Alguém anda a dar instruções à polícia para vigiar mais as manifestações – bem sei que o Ministro da Administração Interna vem de um serviço de informações, de uma polícia secreta, mas não me parece que esta seja uma boa maneira de garantir a coexistência do exercício do poder com o exercício das liberdades individuais.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD meteu-se numa confusão interna, com ameaças e perseguições, que replica dentro daquele partido o clima que o PS está a criar no país. Alguma coisa está errada nisto tudo.
DESCOBRIR – Uma nova galeria, exclusivamente dedicada à fotografia, a Potássio Quatro (P4Photography). A exposição inaugural chama-se «Atlas» e reúne trabalhos de Carlos M. Fernandes, João Mariano e Rui Fonseca. Foi feito um livro de edição limitada (50 exemplares) com os trabalhos expostos, também à venda na galeria, Rua dos Navegantes 16, na Lapa, em Lisboa.
VER – A exposição de João Fonte Santa na VPFCream Arte – pintura que vive num universo nascido na banda desenhada e em paisagens urbanas um pouco caóticas e inesperadas. Se tem curiosidade visite o site da galeria onde pode ter uma ideia das obras, mas o melhor é mesmo ir lá – Rua da Boavista 84, 2º, Sala 2, de terça a sábado, das 14h00 às 19h30, até 3 de Novembro, ou então www.vpfcreamarte.com . Mesmo por cima fica a Plataforma Revólver onde está uma sonora instalação, «Remote Control», que explora as possibilidades de cruzamento entre a música e as artes plásticas com nomes como António Olaio, Nuno Rebelo, Graça Sarsfield ou Pedro Tudela, entre outros.
PETISCAR – Confesso que este é um daqueles sítios onde almoço muitas vezes – a localização é-me cómoda e gosto do ambiente. Às vezes apetecia-me jantar lá, mas a casa encerrava por volta das oito. Desde o passado dia 1 de Outubro o horário foi alargado de segunda a sexta até às 24h00 e ao sábado até à uma da manhã. Estou a falar do City Café, onde os pratos do dia são frequentemente uma boa surpresa e onde os bifes, as saladas e as pastas são sempre boas sugestões. Fica na Avenida Miguel Bombarda 133 B, tel. 213 155 282.
LER – David Lynch fez nome no cinema, mas volta e meia faz umas incursões pela escrita. A mais recente chama-se «Catching The Big Fish», é de 2006 e consta de cerca de oito dezenas de curtas reflexões sobre temas do quotidiano, desde a música aos filmes, passando por pessoas, observações de circunstância ou meras reflexões pessoais. Na introdução Lynch afirma que as ideias são como os peixes: se queremos um peixe pequeno podemos andar a pescar em riachos, mas se queremos peixes maiores teremos que ir para águas mais profundas. O livro tem como subtítulos as palavras «meditation, consciousness and creativity» e é de leitura apaixonante. A edição é inglesa, da Penguin e comprei o meu exemplar na livraria Pó dos Livros, Avenida Marquês de Tomar 89-A.
OUVIR – O novo disco de Bruce Springsteen, «Magic», é um regresso aos seus melhores tempos de um rock intenso, com um som forte e um pouco áspero, com baladas tocantes. Aqui está ele de novo ao lado da sua E Street Band, numa produção verdadeiramente fiel ao som inicial do grupo, assinada por Brendan O’Brien. É um disco um bocado fora de tempo e fora de época e é daqueles casos em que se pode dizer que «primeiro estranha-se, depois entranaha-se». É o que me tem acontecido: quanto mais vezes o ouço, mais me sinto enrolado nas suas canções – entre todas destaco uma que repito muitas vezes, «I’ll Work For Your Love». CD Sony/BMG
IR – A partir de sábado dia 13 e até 20 de Outubro decorre a 11ª edição da Festa do Chiado, uma ideia do Centro Nacional de Cultura. Desde uma feira de alfarrabistas até exposições, conferências e passeios, de tudo se encontra no programa que pode ser consultado em www.cnc.pt . Esta é a semana em que todos os pretextos são bons para se dar uma passeata de fim de tarde no Chiado – ainda para mais o tempo parace que vai estar convidativo. Podem ver montras magníficas (a actual da Hermes é extraordinária) e descobrir como aquele é um dos melhores locais desta nossa Lisboa.
BACK TO BASICS – « A RTP não pode ser vista como uma empresa como qualquer outra, pelo simples facto de a sua cadeia de poder começar em José Sócrates, Primeiro-ministro e continuar em Augusto Santos Silva, Ministro da tutela (palavra bem significativa), na Administração da RTP e por fim em toda uma série de chefias por ela nomeadas» - José Pacheco Pereira, Abrupto.
MAU – Alguém anda a dar instruções à polícia para vigiar mais as manifestações – bem sei que o Ministro da Administração Interna vem de um serviço de informações, de uma polícia secreta, mas não me parece que esta seja uma boa maneira de garantir a coexistência do exercício do poder com o exercício das liberdades individuais.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD meteu-se numa confusão interna, com ameaças e perseguições, que replica dentro daquele partido o clima que o PS está a criar no país. Alguma coisa está errada nisto tudo.
DESCOBRIR – Uma nova galeria, exclusivamente dedicada à fotografia, a Potássio Quatro (P4Photography). A exposição inaugural chama-se «Atlas» e reúne trabalhos de Carlos M. Fernandes, João Mariano e Rui Fonseca. Foi feito um livro de edição limitada (50 exemplares) com os trabalhos expostos, também à venda na galeria, Rua dos Navegantes 16, na Lapa, em Lisboa.
VER – A exposição de João Fonte Santa na VPFCream Arte – pintura que vive num universo nascido na banda desenhada e em paisagens urbanas um pouco caóticas e inesperadas. Se tem curiosidade visite o site da galeria onde pode ter uma ideia das obras, mas o melhor é mesmo ir lá – Rua da Boavista 84, 2º, Sala 2, de terça a sábado, das 14h00 às 19h30, até 3 de Novembro, ou então www.vpfcreamarte.com . Mesmo por cima fica a Plataforma Revólver onde está uma sonora instalação, «Remote Control», que explora as possibilidades de cruzamento entre a música e as artes plásticas com nomes como António Olaio, Nuno Rebelo, Graça Sarsfield ou Pedro Tudela, entre outros.
PETISCAR – Confesso que este é um daqueles sítios onde almoço muitas vezes – a localização é-me cómoda e gosto do ambiente. Às vezes apetecia-me jantar lá, mas a casa encerrava por volta das oito. Desde o passado dia 1 de Outubro o horário foi alargado de segunda a sexta até às 24h00 e ao sábado até à uma da manhã. Estou a falar do City Café, onde os pratos do dia são frequentemente uma boa surpresa e onde os bifes, as saladas e as pastas são sempre boas sugestões. Fica na Avenida Miguel Bombarda 133 B, tel. 213 155 282.
LER – David Lynch fez nome no cinema, mas volta e meia faz umas incursões pela escrita. A mais recente chama-se «Catching The Big Fish», é de 2006 e consta de cerca de oito dezenas de curtas reflexões sobre temas do quotidiano, desde a música aos filmes, passando por pessoas, observações de circunstância ou meras reflexões pessoais. Na introdução Lynch afirma que as ideias são como os peixes: se queremos um peixe pequeno podemos andar a pescar em riachos, mas se queremos peixes maiores teremos que ir para águas mais profundas. O livro tem como subtítulos as palavras «meditation, consciousness and creativity» e é de leitura apaixonante. A edição é inglesa, da Penguin e comprei o meu exemplar na livraria Pó dos Livros, Avenida Marquês de Tomar 89-A.
OUVIR – O novo disco de Bruce Springsteen, «Magic», é um regresso aos seus melhores tempos de um rock intenso, com um som forte e um pouco áspero, com baladas tocantes. Aqui está ele de novo ao lado da sua E Street Band, numa produção verdadeiramente fiel ao som inicial do grupo, assinada por Brendan O’Brien. É um disco um bocado fora de tempo e fora de época e é daqueles casos em que se pode dizer que «primeiro estranha-se, depois entranaha-se». É o que me tem acontecido: quanto mais vezes o ouço, mais me sinto enrolado nas suas canções – entre todas destaco uma que repito muitas vezes, «I’ll Work For Your Love». CD Sony/BMG
IR – A partir de sábado dia 13 e até 20 de Outubro decorre a 11ª edição da Festa do Chiado, uma ideia do Centro Nacional de Cultura. Desde uma feira de alfarrabistas até exposições, conferências e passeios, de tudo se encontra no programa que pode ser consultado em www.cnc.pt . Esta é a semana em que todos os pretextos são bons para se dar uma passeata de fim de tarde no Chiado – ainda para mais o tempo parace que vai estar convidativo. Podem ver montras magníficas (a actual da Hermes é extraordinária) e descobrir como aquele é um dos melhores locais desta nossa Lisboa.
BACK TO BASICS – « A RTP não pode ser vista como uma empresa como qualquer outra, pelo simples facto de a sua cadeia de poder começar em José Sócrates, Primeiro-ministro e continuar em Augusto Santos Silva, Ministro da tutela (palavra bem significativa), na Administração da RTP e por fim em toda uma série de chefias por ela nomeadas» - José Pacheco Pereira, Abrupto.
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BOM – O artigo de Rui Ramos na edição de Outubro da revista «Atlântico» sobre Che Guevara. No meio da propaganda romântica toda que tem surgido nos últimos dias, Rui Ramos explica «como é que da colecção de fuzilamentos e fracassos acumulados por Che se chegou ao sucesso da t-shirt». Aliciante.
MAU – Alguém anda a dar instruções à polícia para vigiar mais as manifestações – bem sei que o Ministro da Administração Interna vem de um serviço de informações, de uma polícia secreta, mas não me parece que esta seja uma boa maneira de garantir a coexistência do exercício do poder com o exercício das liberdades individuais.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD meteu-se numa confusão interna, com ameaças e perseguições, que replica dentro daquele partido o clima que o PS está a criar no país. Alguma coisa está errada nisto tudo.
DESCOBRIR – Uma nova galeria, exclusivamente dedicada à fotografia, a Potássio Quatro (P4Photography). A exposição inaugural chama-se «Atlas» e reúne trabalhos de Carlos M. Fernandes, João Mariano e Rui Fonseca. Foi feito um livro de edição limitada (50 exemplares) com os trabalhos expostos, também à venda na galeria, Rua dos Navegantes 16, na Lapa, em Lisboa.
VER – A exposição de João Fonte Santa na VPFCream Arte – pintura que vive num universo nascido na banda desenhada e em paisagens urbanas um pouco caóticas e inesperadas. Se tem curiosidade visite o site da galeria onde pode ter uma ideia das obras, mas o melhor é mesmo ir lá – Rua da Boavista 84, 2º, Sala 2, de terça a sábado, das 14h00 às 19h30, até 3 de Novembro, ou então www.vpfcreamarte.com . Mesmo por cima fica a Plataforma Revólver onde está uma sonora instalação, «Remote Control», que explora as possibilidades de cruzamento entre a música e as artes plásticas com nomes como António Olaio, Nuno Rebelo, Graça Sarsfield ou Pedro Tudela, entre outros.
PETISCAR – Confesso que este é um daqueles sítios onde almoço muitas vezes – a localização é-me cómoda e gosto do ambiente. Às vezes apetecia-me jantar lá, mas a casa encerrava por volta das oito. Desde o passado dia 1 de Outubro o horário foi alargado de segunda a sexta até às 24h00 e ao sábado até à uma da manhã. Estou a falar do City Café, onde os pratos do dia são frequentemente uma boa surpresa e onde os bifes, as saladas e as pastas são sempre boas sugestões. Fica na Avenida Miguel Bombarda 133 B, tel. 213 155 282.
LER – David Lynch fez nome no cinema, mas volta e meia faz umas incursões pela escrita. A mais recente chama-se «Catching The Big Fish», é de 2006 e consta de cerca de oito dezenas de curtas reflexões sobre temas do quotidiano, desde a música aos filmes, passando por pessoas, observações de circunstância ou meras reflexões pessoais. Na introdução Lynch afirma que as ideias são como os peixes: se queremos um peixe pequeno podemos andar a pescar em riachos, mas se queremos peixes maiores teremos que ir para águas mais profundas. O livro tem como subtítulos as palavras «meditation, consciousness and creativity» e é de leitura apaixonante. A edição é inglesa, da Penguin e comprei o meu exemplar na livraria Pó dos Livros, Avenida Marquês de Tomar 89-A.
OUVIR – O novo disco de Bruce Springsteen, «Magic», é um regresso aos seus melhores tempos de um rock intenso, com um som forte e um pouco áspero, com baladas tocantes. Aqui está ele de novo ao lado da sua E Street Band, numa produção verdadeiramente fiel ao som inicial do grupo, assinada por Brendan O’Brien. É um disco um bocado fora de tempo e fora de época e é daqueles casos em que se pode dizer que «primeiro estranha-se, depois entranaha-se». É o que me tem acontecido: quanto mais vezes o ouço, mais me sinto enrolado nas suas canções – entre todas destaco uma que repito muitas vezes, «I’ll Work For Your Love». CD Sony/BMG
IR – A partir de sábado dia 13 e até 20 de Outubro decorre a 11ª edição da Festa do Chiado, uma ideia do Centro Nacional de Cultura. Desde uma feira de alfarrabistas até exposições, conferências e passeios, de tudo se encontra no programa que pode ser consultado em www.cnc.pt . Esta é a semana em que todos os pretextos são bons para se dar uma passeata de fim de tarde no Chiado – ainda para mais o tempo parace que vai estar convidativo. Podem ver montras magníficas (a actual da Hermes é extraordinária) e descobrir como aquele é um dos melhores locais desta nossa Lisboa.
BACK TO BASICS – « A RTP não pode ser vista como uma empresa como qualquer outra, pelo simples facto de a sua cadeia de poder começar em José Sócrates, Primeiro-ministro e continuar em Augusto Santos Silva, Ministro da tutela (palavra bem significativa), na Administração da RTP e por fim em toda uma série de chefias por ela nomeadas» - José Pacheco Pereira, Abrupto.
MAU – Alguém anda a dar instruções à polícia para vigiar mais as manifestações – bem sei que o Ministro da Administração Interna vem de um serviço de informações, de uma polícia secreta, mas não me parece que esta seja uma boa maneira de garantir a coexistência do exercício do poder com o exercício das liberdades individuais.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD meteu-se numa confusão interna, com ameaças e perseguições, que replica dentro daquele partido o clima que o PS está a criar no país. Alguma coisa está errada nisto tudo.
DESCOBRIR – Uma nova galeria, exclusivamente dedicada à fotografia, a Potássio Quatro (P4Photography). A exposição inaugural chama-se «Atlas» e reúne trabalhos de Carlos M. Fernandes, João Mariano e Rui Fonseca. Foi feito um livro de edição limitada (50 exemplares) com os trabalhos expostos, também à venda na galeria, Rua dos Navegantes 16, na Lapa, em Lisboa.
VER – A exposição de João Fonte Santa na VPFCream Arte – pintura que vive num universo nascido na banda desenhada e em paisagens urbanas um pouco caóticas e inesperadas. Se tem curiosidade visite o site da galeria onde pode ter uma ideia das obras, mas o melhor é mesmo ir lá – Rua da Boavista 84, 2º, Sala 2, de terça a sábado, das 14h00 às 19h30, até 3 de Novembro, ou então www.vpfcreamarte.com . Mesmo por cima fica a Plataforma Revólver onde está uma sonora instalação, «Remote Control», que explora as possibilidades de cruzamento entre a música e as artes plásticas com nomes como António Olaio, Nuno Rebelo, Graça Sarsfield ou Pedro Tudela, entre outros.
PETISCAR – Confesso que este é um daqueles sítios onde almoço muitas vezes – a localização é-me cómoda e gosto do ambiente. Às vezes apetecia-me jantar lá, mas a casa encerrava por volta das oito. Desde o passado dia 1 de Outubro o horário foi alargado de segunda a sexta até às 24h00 e ao sábado até à uma da manhã. Estou a falar do City Café, onde os pratos do dia são frequentemente uma boa surpresa e onde os bifes, as saladas e as pastas são sempre boas sugestões. Fica na Avenida Miguel Bombarda 133 B, tel. 213 155 282.
LER – David Lynch fez nome no cinema, mas volta e meia faz umas incursões pela escrita. A mais recente chama-se «Catching The Big Fish», é de 2006 e consta de cerca de oito dezenas de curtas reflexões sobre temas do quotidiano, desde a música aos filmes, passando por pessoas, observações de circunstância ou meras reflexões pessoais. Na introdução Lynch afirma que as ideias são como os peixes: se queremos um peixe pequeno podemos andar a pescar em riachos, mas se queremos peixes maiores teremos que ir para águas mais profundas. O livro tem como subtítulos as palavras «meditation, consciousness and creativity» e é de leitura apaixonante. A edição é inglesa, da Penguin e comprei o meu exemplar na livraria Pó dos Livros, Avenida Marquês de Tomar 89-A.
OUVIR – O novo disco de Bruce Springsteen, «Magic», é um regresso aos seus melhores tempos de um rock intenso, com um som forte e um pouco áspero, com baladas tocantes. Aqui está ele de novo ao lado da sua E Street Band, numa produção verdadeiramente fiel ao som inicial do grupo, assinada por Brendan O’Brien. É um disco um bocado fora de tempo e fora de época e é daqueles casos em que se pode dizer que «primeiro estranha-se, depois entranaha-se». É o que me tem acontecido: quanto mais vezes o ouço, mais me sinto enrolado nas suas canções – entre todas destaco uma que repito muitas vezes, «I’ll Work For Your Love». CD Sony/BMG
IR – A partir de sábado dia 13 e até 20 de Outubro decorre a 11ª edição da Festa do Chiado, uma ideia do Centro Nacional de Cultura. Desde uma feira de alfarrabistas até exposições, conferências e passeios, de tudo se encontra no programa que pode ser consultado em www.cnc.pt . Esta é a semana em que todos os pretextos são bons para se dar uma passeata de fim de tarde no Chiado – ainda para mais o tempo parace que vai estar convidativo. Podem ver montras magníficas (a actual da Hermes é extraordinária) e descobrir como aquele é um dos melhores locais desta nossa Lisboa.
BACK TO BASICS – « A RTP não pode ser vista como uma empresa como qualquer outra, pelo simples facto de a sua cadeia de poder começar em José Sócrates, Primeiro-ministro e continuar em Augusto Santos Silva, Ministro da tutela (palavra bem significativa), na Administração da RTP e por fim em toda uma série de chefias por ela nomeadas» - José Pacheco Pereira, Abrupto.
outubro 11, 2007
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A GRANDE MUDANÇA
(Publicado na edição de Quarta-Feira 10 de Outubro do diário «Meia Hora»)
No distante ano de 1992, somente há 15 anos, em Portugal havia apenas dois canais de televisão, ambos do Estado. A possibilidade de escolha do telespectador era quase zero. Proponho situar as coisas no tempo: em 1992 foi assinado o Tratado de Maastricht, que mudou a face da Comunidade Europeia, António Guterres tornou-se Secretário Geral do PS, a EuroDisney abriu em Paris, a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença e Madonna lançou o seu polémico álbum «Erótica». Lembravam-se disto?
Pode parecer estranho, mas nessa altura, a menos que se tivesse uma parabólica – então um objecto caro e incómodo – o universo televisivo estava reduzido aos dois canais da RTP. A entrada da SIC no mercado, em Outubro de 92, foi de facto uma lufada de ar fresco – três anos depois, a meio de 1995, a SIC ultrapassava pela primeira vez as audiências da RTP; em 1997 a SIC atingia 49,3% de share e a RTP tinha caído para 33% (perdendo dois terços da sua audiência em apenas cinco anos). O cabo era um mundo ainda desconhecido, mas em 1998, começava a sua ascensão meteórica: dos 5,2% de share que representava nesse ano passou para os 15% actuais.
A entrada no novo milénio trouxe um realinhamento das estações: a SIC começou a perder audiência e a TVI subiu meteoricamente graças aos reality shows e à ficção produzida em Portugal. Hoje em dia a distribuição de audiências pelos três canais é muito mais equilibrada que na segunda metade dos anos 90: nos primeiros nove meses deste ano a audiência média da RTP foi de 25%, a da SIC de 25,4% e a da TVI 29%.
Mas, mais importante que tudo isto, o início da televisão privada em Portugal provocou o desenvolvimento de uma indústria audiovisual, e a possibilidade de carreiras para técnicos, argumentistas, produtores e actores. O emprego gerado pela actividade dos privados é na ordem dos milhares de postos de trabalho (directa e indirectamente) e o impacto do audiovisual na economia passou a ser assinalável. Como vai o Estado deixar o sector desenvolver-se nos próximos 15 anos, agora que já tem dados para comprovar a importância dos privados na dinamização do mercado audiovisual?
(Publicado na edição de Quarta-Feira 10 de Outubro do diário «Meia Hora»)
No distante ano de 1992, somente há 15 anos, em Portugal havia apenas dois canais de televisão, ambos do Estado. A possibilidade de escolha do telespectador era quase zero. Proponho situar as coisas no tempo: em 1992 foi assinado o Tratado de Maastricht, que mudou a face da Comunidade Europeia, António Guterres tornou-se Secretário Geral do PS, a EuroDisney abriu em Paris, a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença e Madonna lançou o seu polémico álbum «Erótica». Lembravam-se disto?
Pode parecer estranho, mas nessa altura, a menos que se tivesse uma parabólica – então um objecto caro e incómodo – o universo televisivo estava reduzido aos dois canais da RTP. A entrada da SIC no mercado, em Outubro de 92, foi de facto uma lufada de ar fresco – três anos depois, a meio de 1995, a SIC ultrapassava pela primeira vez as audiências da RTP; em 1997 a SIC atingia 49,3% de share e a RTP tinha caído para 33% (perdendo dois terços da sua audiência em apenas cinco anos). O cabo era um mundo ainda desconhecido, mas em 1998, começava a sua ascensão meteórica: dos 5,2% de share que representava nesse ano passou para os 15% actuais.
A entrada no novo milénio trouxe um realinhamento das estações: a SIC começou a perder audiência e a TVI subiu meteoricamente graças aos reality shows e à ficção produzida em Portugal. Hoje em dia a distribuição de audiências pelos três canais é muito mais equilibrada que na segunda metade dos anos 90: nos primeiros nove meses deste ano a audiência média da RTP foi de 25%, a da SIC de 25,4% e a da TVI 29%.
Mas, mais importante que tudo isto, o início da televisão privada em Portugal provocou o desenvolvimento de uma indústria audiovisual, e a possibilidade de carreiras para técnicos, argumentistas, produtores e actores. O emprego gerado pela actividade dos privados é na ordem dos milhares de postos de trabalho (directa e indirectamente) e o impacto do audiovisual na economia passou a ser assinalável. Como vai o Estado deixar o sector desenvolver-se nos próximos 15 anos, agora que já tem dados para comprovar a importância dos privados na dinamização do mercado audiovisual?
A GRANDE MUDANÇA
(Publicado na edição de Quarta-Feira 10 de Outubro do diário «Meia Hora»)
No distante ano de 1992, somente há 15 anos, em Portugal havia apenas dois canais de televisão, ambos do Estado. A possibilidade de escolha do telespectador era quase zero. Proponho situar as coisas no tempo: em 1992 foi assinado o Tratado de Maastricht, que mudou a face da Comunidade Europeia, António Guterres tornou-se Secretário Geral do PS, a EuroDisney abriu em Paris, a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença e Madonna lançou o seu polémico álbum «Erótica». Lembravam-se disto?
Pode parecer estranho, mas nessa altura, a menos que se tivesse uma parabólica – então um objecto caro e incómodo – o universo televisivo estava reduzido aos dois canais da RTP. A entrada da SIC no mercado, em Outubro de 92, foi de facto uma lufada de ar fresco – três anos depois, a meio de 1995, a SIC ultrapassava pela primeira vez as audiências da RTP; em 1997 a SIC atingia 49,3% de share e a RTP tinha caído para 33% (perdendo dois terços da sua audiência em apenas cinco anos). O cabo era um mundo ainda desconhecido, mas em 1998, começava a sua ascensão meteórica: dos 5,2% de share que representava nesse ano passou para os 15% actuais.
A entrada no novo milénio trouxe um realinhamento das estações: a SIC começou a perder audiência e a TVI subiu meteoricamente graças aos reality shows e à ficção produzida em Portugal. Hoje em dia a distribuição de audiências pelos três canais é muito mais equilibrada que na segunda metade dos anos 90: nos primeiros nove meses deste ano a audiência média da RTP foi de 25%, a da SIC de 25,4% e a da TVI 29%.
Mas, mais importante que tudo isto, o início da televisão privada em Portugal provocou o desenvolvimento de uma indústria audiovisual, e a possibilidade de carreiras para técnicos, argumentistas, produtores e actores. O emprego gerado pela actividade dos privados é na ordem dos milhares de postos de trabalho (directa e indirectamente) e o impacto do audiovisual na economia passou a ser assinalável. Como vai o Estado deixar o sector desenvolver-se nos próximos 15 anos, agora que já tem dados para comprovar a importância dos privados na dinamização do mercado audiovisual?
(Publicado na edição de Quarta-Feira 10 de Outubro do diário «Meia Hora»)
No distante ano de 1992, somente há 15 anos, em Portugal havia apenas dois canais de televisão, ambos do Estado. A possibilidade de escolha do telespectador era quase zero. Proponho situar as coisas no tempo: em 1992 foi assinado o Tratado de Maastricht, que mudou a face da Comunidade Europeia, António Guterres tornou-se Secretário Geral do PS, a EuroDisney abriu em Paris, a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença e Madonna lançou o seu polémico álbum «Erótica». Lembravam-se disto?
Pode parecer estranho, mas nessa altura, a menos que se tivesse uma parabólica – então um objecto caro e incómodo – o universo televisivo estava reduzido aos dois canais da RTP. A entrada da SIC no mercado, em Outubro de 92, foi de facto uma lufada de ar fresco – três anos depois, a meio de 1995, a SIC ultrapassava pela primeira vez as audiências da RTP; em 1997 a SIC atingia 49,3% de share e a RTP tinha caído para 33% (perdendo dois terços da sua audiência em apenas cinco anos). O cabo era um mundo ainda desconhecido, mas em 1998, começava a sua ascensão meteórica: dos 5,2% de share que representava nesse ano passou para os 15% actuais.
A entrada no novo milénio trouxe um realinhamento das estações: a SIC começou a perder audiência e a TVI subiu meteoricamente graças aos reality shows e à ficção produzida em Portugal. Hoje em dia a distribuição de audiências pelos três canais é muito mais equilibrada que na segunda metade dos anos 90: nos primeiros nove meses deste ano a audiência média da RTP foi de 25%, a da SIC de 25,4% e a da TVI 29%.
Mas, mais importante que tudo isto, o início da televisão privada em Portugal provocou o desenvolvimento de uma indústria audiovisual, e a possibilidade de carreiras para técnicos, argumentistas, produtores e actores. O emprego gerado pela actividade dos privados é na ordem dos milhares de postos de trabalho (directa e indirectamente) e o impacto do audiovisual na economia passou a ser assinalável. Como vai o Estado deixar o sector desenvolver-se nos próximos 15 anos, agora que já tem dados para comprovar a importância dos privados na dinamização do mercado audiovisual?
outubro 10, 2007
O ESTADO NA TELEVISÃO
(Artigo publicado na edição de Outubro da revista «Atlântico» - não percam nesta edição o magnífico artigo de Rui Ramos sobre Che Guevara.
No segundo trimestre de 2008, se os prazos não forem furados, estarão resolvidos os concursos que irão decidir como funcionará em Portugal a televisão digital terrestre. Uma parte importante destes concursos tem a ver com a possibilidade de existência de novos canais gratuitos e generalistas de distribuição nacional, um factor absolutamente decisivo para o desenvolvimento da paisagem audiovisual portuguesa, para o desenvolvimento da produção independente e para a existência de novas plataformas de distribuição de conteúdos portugueses. E, claro, para a existência de maior e melhor oferta aos espectadores.
Estes concursos trazem também a necessidade de definições claras do Estado em relação ao serviço público de televisão, pelo menos a três níveis:
- definição e operacionalização de um modelo de serviço público não concorrencial com os privados;
- saída do operador de serviço público do mercado publicitário, libertando a fatia (cerca de 22%) que agora retém para os novos canais privados, permitindo alargar o mercado e fomentar a viabilidade do surgimento de novos operadores;
- e, finalmente, a indicação de uma posição clara do accionista Estado à administração da RTP sobre os moldes e limites da sua participação na Televisão Digital Terrestre, por forma a não introduzir novos factores de distorção da concorrência.
Muito do que foi recomendado no Relatório do Grupo de Trabalho Sobre o Serviço Público, de 2002, continua por aplicar e, inclusivamente, nestes últimos anos a RTP tem reforçado a sua componente comercial (só este ano as receitas publicitárias aumentaram 14 a 15%) . É claro que isto acontece porque a RTP tem vindo a aumentar a sua agressividade em conteúdos concorrenciais – a RTP 1 pode chegar ao fim do ano em segundo lugar de audiências - obviamente graças a uma interpretação muito sui-generis do que deve ser serviço público de televisão. Este é um tema que merece estar em permanente discussão até porque – como muita gente bem lembra – somos todos nós que pagamos o grosso do funcionamento da RTP, quer através dos impostos, quer na factura de electricidade.
Eu continuo a achar que se justifica um serviço público de televisão, em dois canais abertos de cobertura nacional, de características diferentes, ambos sem publicidade; este serviço público deve garantir ainda um canal internacional que transmita uma imagem contemporânea do país e da sua produção audiovisual. E sim, tudo isto deve ser pago pelo Estado, mas não pelo mercado publicitário, precisamente para evitar uma distorção da sua missão e não entrar em concorrência com os privados. Ao contrário do que alguns acharão isto não é uma utopia – existe em numerosos países da Comunidade Europeia e em todos eles tem um importante papel estratégico na defesa da língua e cultura nacionais no único espaço onde essa defesa faz sentido hoje em dia e que é precisamente no audiovisual.
Por isso mesmo, quando estamos à beira de entrar na época da Televisão Digital, faz sentido relançar um debate sobre o que deve ser o Serviço Público nesta nova era. Se o papel e limites do Serviço Público não forem modificados e não ficarem bem definidos começaremos mal e, mais uma vez, o Estado cederá à tentação de ter um canal que disputa audiências com o único propósito de garantir um número razoável de espectadores para um serviço noticioso historicamente manipulado e ao serviço dos interesses políticos do momento. Se nesta fase não nascerem novas normas e fronteiras de actuação do Serviço Público, então o melhor é dar razão ao que defendem a sua extinção, porque, tal como está, acabará por ser apenas um empecilho ao desenvolvimento livre e saudável do mercado audiovisual.
PENSAMENTOS OCIOSOS I
Quer-me parecer que a actual barragem de informações sobre custos do serviço público faz já parte de uma campanha de preparação da opinião pública para a substituição, provavelmente inevitável, da actual administração da RTP. É preciso dizer-se que esta foi a melhor administração que passou por aquela casa nos últimos anos: renegociou (bem) a dívida, conteve custos, conseguiu fundir a RTP e a RDP, alienou o que não era estratégico, passou a pagar a fornecedores em prazos normais e instalou tudo num único edifício com melhores condições que existiam antes. Isto foram as coisas boas. No rol do que não correu bem tem que se incluir a deriva concorrencial e comercial, a participação na guerra das audiências, a criação de um modelo de serviço público desfocado e qualitativamente polémico, a continuação da instrumentalização da informação ao poder político e, sobretudo, um enorme falhanço na mudança da cultura de empresa, na lógica de funcionamento interno e na burocracia existente, que provavelmente se agravou em vez de melhorar. Quem suceder à actual administração recebe uma fasquia alta, mas ainda muitos problemas por resolver: o mais grave provavelmente é fazer melhor serviço público e deixar a concorrência com as estações privadas, ainda para mais no início da Televisão Digital Terrestre.
PENSAMENTOS OCIOSOS II
Muito se tem falado sobre as obrigações do Serviço Público em relação ao Desporto, a propósito do Mundial de Râguebi. Um elevado número de pessoas apareceu a dizer que eles deveriam passar na RTP a qualquer custo. Vamos por partes: quando se atribuem licenças de emissão de canais temáticos dedicados ao desporto, em regime de assinatura paga, estes canais só podem viver se garantirem direitos exclusivos que sejam aliciantes para os espectadores subscreverem o seu serviço. Eu acho que entre as vocações do serviço público não está transmitir competições desportivas que têm uma elevada componente comercial, como é o caso do mundial do râguebi, apesar do carácter amador da brilhante e brava selecção portuguesa. Se um Estado aceita a existência de canais pagos especializados em Desporto, não pode depois fazer-lhes concorrência no serviço público com conteúdos gratuitos do mesmo género – é uma questão básica. Sou dos que acha que o serviço público português tem desporto a mais e só por isso é que a RTP se pôs a jeito ao fazer sistemáticas transmissões – pagas – de campeonatos de futebol estrangeiros, ao mesmo tempo que não quis abrir os cordões à bolsa na compra dos direitos do campeonato de râguebi. Mas a questão de fundo continua a mesma: deve o serviço público fazer concorrência com conteúdos comerciais que estão no core-business dos canais privados? Custa-me muito perceber porque é que os defensores do bom funcionamento do mercado abrem excepções em matéria de televisão e de desporto…
(Artigo publicado na edição de Outubro da revista «Atlântico» - não percam nesta edição o magnífico artigo de Rui Ramos sobre Che Guevara.
No segundo trimestre de 2008, se os prazos não forem furados, estarão resolvidos os concursos que irão decidir como funcionará em Portugal a televisão digital terrestre. Uma parte importante destes concursos tem a ver com a possibilidade de existência de novos canais gratuitos e generalistas de distribuição nacional, um factor absolutamente decisivo para o desenvolvimento da paisagem audiovisual portuguesa, para o desenvolvimento da produção independente e para a existência de novas plataformas de distribuição de conteúdos portugueses. E, claro, para a existência de maior e melhor oferta aos espectadores.
Estes concursos trazem também a necessidade de definições claras do Estado em relação ao serviço público de televisão, pelo menos a três níveis:
- definição e operacionalização de um modelo de serviço público não concorrencial com os privados;
- saída do operador de serviço público do mercado publicitário, libertando a fatia (cerca de 22%) que agora retém para os novos canais privados, permitindo alargar o mercado e fomentar a viabilidade do surgimento de novos operadores;
- e, finalmente, a indicação de uma posição clara do accionista Estado à administração da RTP sobre os moldes e limites da sua participação na Televisão Digital Terrestre, por forma a não introduzir novos factores de distorção da concorrência.
Muito do que foi recomendado no Relatório do Grupo de Trabalho Sobre o Serviço Público, de 2002, continua por aplicar e, inclusivamente, nestes últimos anos a RTP tem reforçado a sua componente comercial (só este ano as receitas publicitárias aumentaram 14 a 15%) . É claro que isto acontece porque a RTP tem vindo a aumentar a sua agressividade em conteúdos concorrenciais – a RTP 1 pode chegar ao fim do ano em segundo lugar de audiências - obviamente graças a uma interpretação muito sui-generis do que deve ser serviço público de televisão. Este é um tema que merece estar em permanente discussão até porque – como muita gente bem lembra – somos todos nós que pagamos o grosso do funcionamento da RTP, quer através dos impostos, quer na factura de electricidade.
Eu continuo a achar que se justifica um serviço público de televisão, em dois canais abertos de cobertura nacional, de características diferentes, ambos sem publicidade; este serviço público deve garantir ainda um canal internacional que transmita uma imagem contemporânea do país e da sua produção audiovisual. E sim, tudo isto deve ser pago pelo Estado, mas não pelo mercado publicitário, precisamente para evitar uma distorção da sua missão e não entrar em concorrência com os privados. Ao contrário do que alguns acharão isto não é uma utopia – existe em numerosos países da Comunidade Europeia e em todos eles tem um importante papel estratégico na defesa da língua e cultura nacionais no único espaço onde essa defesa faz sentido hoje em dia e que é precisamente no audiovisual.
Por isso mesmo, quando estamos à beira de entrar na época da Televisão Digital, faz sentido relançar um debate sobre o que deve ser o Serviço Público nesta nova era. Se o papel e limites do Serviço Público não forem modificados e não ficarem bem definidos começaremos mal e, mais uma vez, o Estado cederá à tentação de ter um canal que disputa audiências com o único propósito de garantir um número razoável de espectadores para um serviço noticioso historicamente manipulado e ao serviço dos interesses políticos do momento. Se nesta fase não nascerem novas normas e fronteiras de actuação do Serviço Público, então o melhor é dar razão ao que defendem a sua extinção, porque, tal como está, acabará por ser apenas um empecilho ao desenvolvimento livre e saudável do mercado audiovisual.
PENSAMENTOS OCIOSOS I
Quer-me parecer que a actual barragem de informações sobre custos do serviço público faz já parte de uma campanha de preparação da opinião pública para a substituição, provavelmente inevitável, da actual administração da RTP. É preciso dizer-se que esta foi a melhor administração que passou por aquela casa nos últimos anos: renegociou (bem) a dívida, conteve custos, conseguiu fundir a RTP e a RDP, alienou o que não era estratégico, passou a pagar a fornecedores em prazos normais e instalou tudo num único edifício com melhores condições que existiam antes. Isto foram as coisas boas. No rol do que não correu bem tem que se incluir a deriva concorrencial e comercial, a participação na guerra das audiências, a criação de um modelo de serviço público desfocado e qualitativamente polémico, a continuação da instrumentalização da informação ao poder político e, sobretudo, um enorme falhanço na mudança da cultura de empresa, na lógica de funcionamento interno e na burocracia existente, que provavelmente se agravou em vez de melhorar. Quem suceder à actual administração recebe uma fasquia alta, mas ainda muitos problemas por resolver: o mais grave provavelmente é fazer melhor serviço público e deixar a concorrência com as estações privadas, ainda para mais no início da Televisão Digital Terrestre.
PENSAMENTOS OCIOSOS II
Muito se tem falado sobre as obrigações do Serviço Público em relação ao Desporto, a propósito do Mundial de Râguebi. Um elevado número de pessoas apareceu a dizer que eles deveriam passar na RTP a qualquer custo. Vamos por partes: quando se atribuem licenças de emissão de canais temáticos dedicados ao desporto, em regime de assinatura paga, estes canais só podem viver se garantirem direitos exclusivos que sejam aliciantes para os espectadores subscreverem o seu serviço. Eu acho que entre as vocações do serviço público não está transmitir competições desportivas que têm uma elevada componente comercial, como é o caso do mundial do râguebi, apesar do carácter amador da brilhante e brava selecção portuguesa. Se um Estado aceita a existência de canais pagos especializados em Desporto, não pode depois fazer-lhes concorrência no serviço público com conteúdos gratuitos do mesmo género – é uma questão básica. Sou dos que acha que o serviço público português tem desporto a mais e só por isso é que a RTP se pôs a jeito ao fazer sistemáticas transmissões – pagas – de campeonatos de futebol estrangeiros, ao mesmo tempo que não quis abrir os cordões à bolsa na compra dos direitos do campeonato de râguebi. Mas a questão de fundo continua a mesma: deve o serviço público fazer concorrência com conteúdos comerciais que estão no core-business dos canais privados? Custa-me muito perceber porque é que os defensores do bom funcionamento do mercado abrem excepções em matéria de televisão e de desporto…
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O ESTADO NA TELEVISÃO
(Artigo publicado na edição de Outubro da revista «Atlântico» - não percam nesta edição o magnífico artigo de Rui Ramos sobre Che Guevara.
No segundo trimestre de 2008, se os prazos não forem furados, estarão resolvidos os concursos que irão decidir como funcionará em Portugal a televisão digital terrestre. Uma parte importante destes concursos tem a ver com a possibilidade de existência de novos canais gratuitos e generalistas de distribuição nacional, um factor absolutamente decisivo para o desenvolvimento da paisagem audiovisual portuguesa, para o desenvolvimento da produção independente e para a existência de novas plataformas de distribuição de conteúdos portugueses. E, claro, para a existência de maior e melhor oferta aos espectadores.
Estes concursos trazem também a necessidade de definições claras do Estado em relação ao serviço público de televisão, pelo menos a três níveis:
- definição e operacionalização de um modelo de serviço público não concorrencial com os privados;
- saída do operador de serviço público do mercado publicitário, libertando a fatia (cerca de 22%) que agora retém para os novos canais privados, permitindo alargar o mercado e fomentar a viabilidade do surgimento de novos operadores;
- e, finalmente, a indicação de uma posição clara do accionista Estado à administração da RTP sobre os moldes e limites da sua participação na Televisão Digital Terrestre, por forma a não introduzir novos factores de distorção da concorrência.
Muito do que foi recomendado no Relatório do Grupo de Trabalho Sobre o Serviço Público, de 2002, continua por aplicar e, inclusivamente, nestes últimos anos a RTP tem reforçado a sua componente comercial (só este ano as receitas publicitárias aumentaram 14 a 15%) . É claro que isto acontece porque a RTP tem vindo a aumentar a sua agressividade em conteúdos concorrenciais – a RTP 1 pode chegar ao fim do ano em segundo lugar de audiências - obviamente graças a uma interpretação muito sui-generis do que deve ser serviço público de televisão. Este é um tema que merece estar em permanente discussão até porque – como muita gente bem lembra – somos todos nós que pagamos o grosso do funcionamento da RTP, quer através dos impostos, quer na factura de electricidade.
Eu continuo a achar que se justifica um serviço público de televisão, em dois canais abertos de cobertura nacional, de características diferentes, ambos sem publicidade; este serviço público deve garantir ainda um canal internacional que transmita uma imagem contemporânea do país e da sua produção audiovisual. E sim, tudo isto deve ser pago pelo Estado, mas não pelo mercado publicitário, precisamente para evitar uma distorção da sua missão e não entrar em concorrência com os privados. Ao contrário do que alguns acharão isto não é uma utopia – existe em numerosos países da Comunidade Europeia e em todos eles tem um importante papel estratégico na defesa da língua e cultura nacionais no único espaço onde essa defesa faz sentido hoje em dia e que é precisamente no audiovisual.
Por isso mesmo, quando estamos à beira de entrar na época da Televisão Digital, faz sentido relançar um debate sobre o que deve ser o Serviço Público nesta nova era. Se o papel e limites do Serviço Público não forem modificados e não ficarem bem definidos começaremos mal e, mais uma vez, o Estado cederá à tentação de ter um canal que disputa audiências com o único propósito de garantir um número razoável de espectadores para um serviço noticioso historicamente manipulado e ao serviço dos interesses políticos do momento. Se nesta fase não nascerem novas normas e fronteiras de actuação do Serviço Público, então o melhor é dar razão ao que defendem a sua extinção, porque, tal como está, acabará por ser apenas um empecilho ao desenvolvimento livre e saudável do mercado audiovisual.
PENSAMENTOS OCIOSOS I
Quer-me parecer que a actual barragem de informações sobre custos do serviço público faz já parte de uma campanha de preparação da opinião pública para a substituição, provavelmente inevitável, da actual administração da RTP. É preciso dizer-se que esta foi a melhor administração que passou por aquela casa nos últimos anos: renegociou (bem) a dívida, conteve custos, conseguiu fundir a RTP e a RDP, alienou o que não era estratégico, passou a pagar a fornecedores em prazos normais e instalou tudo num único edifício com melhores condições que existiam antes. Isto foram as coisas boas. No rol do que não correu bem tem que se incluir a deriva concorrencial e comercial, a participação na guerra das audiências, a criação de um modelo de serviço público desfocado e qualitativamente polémico, a continuação da instrumentalização da informação ao poder político e, sobretudo, um enorme falhanço na mudança da cultura de empresa, na lógica de funcionamento interno e na burocracia existente, que provavelmente se agravou em vez de melhorar. Quem suceder à actual administração recebe uma fasquia alta, mas ainda muitos problemas por resolver: o mais grave provavelmente é fazer melhor serviço público e deixar a concorrência com as estações privadas, ainda para mais no início da Televisão Digital Terrestre.
PENSAMENTOS OCIOSOS II
Muito se tem falado sobre as obrigações do Serviço Público em relação ao Desporto, a propósito do Mundial de Râguebi. Um elevado número de pessoas apareceu a dizer que eles deveriam passar na RTP a qualquer custo. Vamos por partes: quando se atribuem licenças de emissão de canais temáticos dedicados ao desporto, em regime de assinatura paga, estes canais só podem viver se garantirem direitos exclusivos que sejam aliciantes para os espectadores subscreverem o seu serviço. Eu acho que entre as vocações do serviço público não está transmitir competições desportivas que têm uma elevada componente comercial, como é o caso do mundial do râguebi, apesar do carácter amador da brilhante e brava selecção portuguesa. Se um Estado aceita a existência de canais pagos especializados em Desporto, não pode depois fazer-lhes concorrência no serviço público com conteúdos gratuitos do mesmo género – é uma questão básica. Sou dos que acha que o serviço público português tem desporto a mais e só por isso é que a RTP se pôs a jeito ao fazer sistemáticas transmissões – pagas – de campeonatos de futebol estrangeiros, ao mesmo tempo que não quis abrir os cordões à bolsa na compra dos direitos do campeonato de râguebi. Mas a questão de fundo continua a mesma: deve o serviço público fazer concorrência com conteúdos comerciais que estão no core-business dos canais privados? Custa-me muito perceber porque é que os defensores do bom funcionamento do mercado abrem excepções em matéria de televisão e de desporto…
(Artigo publicado na edição de Outubro da revista «Atlântico» - não percam nesta edição o magnífico artigo de Rui Ramos sobre Che Guevara.
No segundo trimestre de 2008, se os prazos não forem furados, estarão resolvidos os concursos que irão decidir como funcionará em Portugal a televisão digital terrestre. Uma parte importante destes concursos tem a ver com a possibilidade de existência de novos canais gratuitos e generalistas de distribuição nacional, um factor absolutamente decisivo para o desenvolvimento da paisagem audiovisual portuguesa, para o desenvolvimento da produção independente e para a existência de novas plataformas de distribuição de conteúdos portugueses. E, claro, para a existência de maior e melhor oferta aos espectadores.
Estes concursos trazem também a necessidade de definições claras do Estado em relação ao serviço público de televisão, pelo menos a três níveis:
- definição e operacionalização de um modelo de serviço público não concorrencial com os privados;
- saída do operador de serviço público do mercado publicitário, libertando a fatia (cerca de 22%) que agora retém para os novos canais privados, permitindo alargar o mercado e fomentar a viabilidade do surgimento de novos operadores;
- e, finalmente, a indicação de uma posição clara do accionista Estado à administração da RTP sobre os moldes e limites da sua participação na Televisão Digital Terrestre, por forma a não introduzir novos factores de distorção da concorrência.
Muito do que foi recomendado no Relatório do Grupo de Trabalho Sobre o Serviço Público, de 2002, continua por aplicar e, inclusivamente, nestes últimos anos a RTP tem reforçado a sua componente comercial (só este ano as receitas publicitárias aumentaram 14 a 15%) . É claro que isto acontece porque a RTP tem vindo a aumentar a sua agressividade em conteúdos concorrenciais – a RTP 1 pode chegar ao fim do ano em segundo lugar de audiências - obviamente graças a uma interpretação muito sui-generis do que deve ser serviço público de televisão. Este é um tema que merece estar em permanente discussão até porque – como muita gente bem lembra – somos todos nós que pagamos o grosso do funcionamento da RTP, quer através dos impostos, quer na factura de electricidade.
Eu continuo a achar que se justifica um serviço público de televisão, em dois canais abertos de cobertura nacional, de características diferentes, ambos sem publicidade; este serviço público deve garantir ainda um canal internacional que transmita uma imagem contemporânea do país e da sua produção audiovisual. E sim, tudo isto deve ser pago pelo Estado, mas não pelo mercado publicitário, precisamente para evitar uma distorção da sua missão e não entrar em concorrência com os privados. Ao contrário do que alguns acharão isto não é uma utopia – existe em numerosos países da Comunidade Europeia e em todos eles tem um importante papel estratégico na defesa da língua e cultura nacionais no único espaço onde essa defesa faz sentido hoje em dia e que é precisamente no audiovisual.
Por isso mesmo, quando estamos à beira de entrar na época da Televisão Digital, faz sentido relançar um debate sobre o que deve ser o Serviço Público nesta nova era. Se o papel e limites do Serviço Público não forem modificados e não ficarem bem definidos começaremos mal e, mais uma vez, o Estado cederá à tentação de ter um canal que disputa audiências com o único propósito de garantir um número razoável de espectadores para um serviço noticioso historicamente manipulado e ao serviço dos interesses políticos do momento. Se nesta fase não nascerem novas normas e fronteiras de actuação do Serviço Público, então o melhor é dar razão ao que defendem a sua extinção, porque, tal como está, acabará por ser apenas um empecilho ao desenvolvimento livre e saudável do mercado audiovisual.
PENSAMENTOS OCIOSOS I
Quer-me parecer que a actual barragem de informações sobre custos do serviço público faz já parte de uma campanha de preparação da opinião pública para a substituição, provavelmente inevitável, da actual administração da RTP. É preciso dizer-se que esta foi a melhor administração que passou por aquela casa nos últimos anos: renegociou (bem) a dívida, conteve custos, conseguiu fundir a RTP e a RDP, alienou o que não era estratégico, passou a pagar a fornecedores em prazos normais e instalou tudo num único edifício com melhores condições que existiam antes. Isto foram as coisas boas. No rol do que não correu bem tem que se incluir a deriva concorrencial e comercial, a participação na guerra das audiências, a criação de um modelo de serviço público desfocado e qualitativamente polémico, a continuação da instrumentalização da informação ao poder político e, sobretudo, um enorme falhanço na mudança da cultura de empresa, na lógica de funcionamento interno e na burocracia existente, que provavelmente se agravou em vez de melhorar. Quem suceder à actual administração recebe uma fasquia alta, mas ainda muitos problemas por resolver: o mais grave provavelmente é fazer melhor serviço público e deixar a concorrência com as estações privadas, ainda para mais no início da Televisão Digital Terrestre.
PENSAMENTOS OCIOSOS II
Muito se tem falado sobre as obrigações do Serviço Público em relação ao Desporto, a propósito do Mundial de Râguebi. Um elevado número de pessoas apareceu a dizer que eles deveriam passar na RTP a qualquer custo. Vamos por partes: quando se atribuem licenças de emissão de canais temáticos dedicados ao desporto, em regime de assinatura paga, estes canais só podem viver se garantirem direitos exclusivos que sejam aliciantes para os espectadores subscreverem o seu serviço. Eu acho que entre as vocações do serviço público não está transmitir competições desportivas que têm uma elevada componente comercial, como é o caso do mundial do râguebi, apesar do carácter amador da brilhante e brava selecção portuguesa. Se um Estado aceita a existência de canais pagos especializados em Desporto, não pode depois fazer-lhes concorrência no serviço público com conteúdos gratuitos do mesmo género – é uma questão básica. Sou dos que acha que o serviço público português tem desporto a mais e só por isso é que a RTP se pôs a jeito ao fazer sistemáticas transmissões – pagas – de campeonatos de futebol estrangeiros, ao mesmo tempo que não quis abrir os cordões à bolsa na compra dos direitos do campeonato de râguebi. Mas a questão de fundo continua a mesma: deve o serviço público fazer concorrência com conteúdos comerciais que estão no core-business dos canais privados? Custa-me muito perceber porque é que os defensores do bom funcionamento do mercado abrem excepções em matéria de televisão e de desporto…
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