abril 29, 2016

SOBRE A APLICAÇÂO DE UM CONTO POLICIAL À POLÍTICA ACTUAL

MISTÉRIO - Terminei a semana passada a pensar que a frase “O Estranho Caso da Oposição Desaparecida” seria um bom ponto de partida para um policial de matiz política, passado no centro de Lisboa, ao redor de S. Bento. A verdade é que aquele que era suposto ser o partido líder da oposição, o PSD, está, sobre o PS e o Governo,  mais calado que Francisco Assis ou José Sócrates. A realidade é que o PSD só age quando é forçado a reagir - quando lá dentro alguém se sente incomodado pelo seu próprio silêncio, comparado com o ruído da oposição interna do PS ou o tacticismo eficaz do PP - que esta semana fez uma jogada de mestre ao obrigar o Programa de Estabilidade a ir a votos. Recordo que do lado do Governo e seus apoiantes tal votação era indesejada - e o PCP foi particularmente duro a dizer que não via necessidade em ir a votos, na mesma altura em que cinicamente formulava opinião negativa sobre esse mesmo Programa de Estabilidade. O Bloco, mais hábil nestas coisas que o PCP, deu a entender que não concordava mas foi-se esgueirando nos intervalos da chuva - até ser forçado a declarar o seu voto. Aquilo que a bancada do PP na Assembleia da República fez foi dar uma lição sobre os principios básicos da actuação parlamentar da oposição - colocando os aliados do governo a não ter outra alternativa que votar a favor daquilo que não gostam e remetendo para toda a esquerda o ónus de um Programa que é o reconhecimento de que as promessas eleitorais e as reivindicações de política económica da esquerda se revelaram um acto falhado. No fim de tudo isto vê-se que o Bloco, apesar dos esforços da deputada Mortágua, tem mais jeito a fazer propostas sobre a não discriminação de géneros do que a traçar rumos para o desenvolvimento do país.


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SEMANADA - A Presidente do Conselho das Finanças Públicas, Teodora Cardoso, declarou mais uma vez que as previsões do Governo são demasiado optimistas; o défice sobe a um ritmo de 1,2 milhões de euros por dia e atingiu 824 milhões no fim de Março; o Plano de Estabilidade assenta em mais 5,5 milhões cobrados em impostos; mais de dez mil milhões de euros saíram de Portugal para offshores nos últimos cinco anos; a poupança das famílias portuguesas está no nível mais baixo das últimas décadas; Lisboa, Porto, Sintra, Vila Nova de Gaia e Cascais são os cinco concelhos onde se concentra um quinto do poder de compra do Continente, segundo os dados do Sales Index da Marktest; no sector das obras públicas as adjudicações ficam em média em 21% do valor base e os construtores queixam-se de preços fictícios nos concursos; um terço das mais de sete mil queixas feitas em 2015 ao Provedor de Justiça foram contra o Instituto da Segurança Social e o Ministério das Finanças; o Governo falhou o prazo de fim de Abril para fechar o acordo com a TAP; nos últimos anos 400 padres deixaram o sacerdócio para casar; o Exército anunciou previamente as datas em que vai fazer inspecção ao Colégio Militar para averiguar se há discriminação sobre a orientação sexual dos alunos; a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária esteve seis meses sem processar as multas de trânsito; o PAN anunciou pretender que cães e gatos possam entrar em restaurantes e supermercados.


 


ARCO DA VELHA - Metade dos médicos de família reforma-se nos próximos dez anos e entretanto os centros de saúde querem contratar 700 médicos reformados para suprir as suas deficiências.


 


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FOLHEAR - Após alguns meses de edições insípidas a revista mensal “Monocle” voltou à sua melhor forma na edição do mês de Maio. O tema é aliciante, sobretudo vindo da revista que nos últimos anos mais se dedicou a analisar a vida nas cidades e a apresentar propostas para  a melhorar. Agora a “Monocle” olha à volta das grandes cidades e dedica-se a escolher exemplos de pequenas localidades onde viver é mais agradável, onde podem existir oportunidades de negócio e onde se pode trabalhar com menos stress e maior produtividade. “Aquilo que as pequenas vilas não têm em dimensão é compensado pelas oportunidades, as boas ideias e os bons planos para quem as escolhe” - escreve a revista. As melhores dessas vilas, prossegue a “Monocle”, têm um comboio perto que assegura uma viagem rápida e confortável até à cidade, criam emprego quer em start-ups tecnológicas em busca de baixo custo de instalação, quer através de indústrias e actividades tradicionais resultado da iniciativa própria de jovens empreendedores, têm uma vida animada todo  ano sem a pressão sazonal de turistas, dispõem de infraestruturas para a prática desportiva e espaços verdes abundantes e têm uma proximidade efectiva aos eleitos que decidem sobre esses locais. Lá dentro há artigos sobre imprensa local, exemplos escolhidos de vilas bem sucedidas e muitas ideias.


 


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VER - Chegou aquela altura do ano em que os trabalhos fotográficos seleccionados pelo World Press Photo ficam expostos em Lisboa, no Museu da Electricidade. Até 22 de Maio pode ser vista uma seleccção de 150 fotografias, entre elas o primeiro prémio, de Warren Richardson, uma imagem que mostra dois refugiados a fazerem passar um bebé através de uma vedação de arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Destaque também para o trabalho do fotógrafo português Mário Cruz, da agência Lusa, vencedor na categoria “Assuntos Contemporâneos”. O jornalista concorreu com um ensaio fotográfico sobre a escravatura de crianças no Senegal e na Guiné- Bissau, intitulado “Talibes, Modern Day Slaves”, de onde é extraída a foto que acompanha esta nota. Outra exposição de fotografia que merece visita é a do fotógrafo moçambicano Filipe Branquinho, “Paisagens Interiores”, que mostra 24 imagens de Maputo, centradas no interior de edifícios públicos, espaços onde se adivinha, sem se ver, a presença humana. Na Galeria Avenida da Índia até 5 de Junho (Avenida da Índia 170, depois do CCB).


 


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OUVIR - Samuel Úria edita desde 2003 e integrou o catálogo da editora FlorCaveira, que também gravou Tiago Guillul (o fundador da editora) Manuel Furia, B Fachada e Diabo na Cruz, entre outros. Nos últimos anos Samuel Úria começou uma carreira a solo na editora NorteSul, da Valentim de Carvalho. O seu trabalho de 2013, “Grande Medo do Pequeno Mundo”, foi considerado um dos discos do ano e agora surge com “Carga de Ombro”, mais maduro na escrita das canções, mais certeiro na interpretação, mais apurado nos arranjos. E mais forte no conteúdo. Samuel Úria percorre um estreito caminho entre a música popular portuguesa e assumidas influências dos blues e de nomes como Tom Waits, tão marcante na maneira como escreve. Um disco que começa a primeira canção por contar “eu tinha a corda na garganta afinada em dó” e que depois proclama “eu tenho o futuro num post-it que é para ser lembrete” é declaradamente um caso invulgar. Eu, por mim, gosto ainda mais deste ”Carga de Ombro” que do disco anterior - e ele estabelece declaradamente Samuel Úria como um dos grandes autores portugueses contemporâneos de canções, com um domínio invulgar do idioma na composição musical. Acresce que a produção e os arranjos de Miguel Ferreira merecem ser destacados, porque ele faz um duo perfeito com Úria. “Carga de Ombro” inclui 11 novas canções e tem uma edição especial, exclusivo FNAC, que inclui um video gravado ao vivo nos Estúdios Valentim de Carvalho, com sete temas de anteriores trabalhos de Úria. A edição digital tem um tema extra.


 


PROVAR - Tinha saudades de ver o mar entre as Azenhas do Mar e a Praia Grande, de andar por ali, fora da época estival. Gosto sobretudo da estrada que sai da Praia das Maçãs e que atravessa as Azenhas do Mar - que para mim continua a ser um local mágico.  Há qualquer coisa naquele mar que exerce atracção - o sentido de Oceano, a côr, as falésias. Num outro pedaço de estrada, a descer para a Praia Grande, fica o Restaurante Nortada, um clássico da região, garantia de boa cozinha e de respeito pelos produtos do mar. Situado no alto da praia, tem uma vista única. No meio desta volta tive lá um belíssimo almoço que começou por uns percebes das Berlengas, que estavam superiores. A seguir vieram filetes de pescada com arroz de berbigão (perfeitos) e uma empada de robalo com legumes salteados e redução balsâmica que foi surpreendente pela novidade e pelo cuidado do preparo. O serviço é atento e simpático e, ao fim de muitos anos sobre a anterior visita, resta dizer que todas as qualidades que fizeram desta casa um dos mais apreciados restaurantes da região de Colares sem mantêm. Telefone 21 929 1516, Avenida Alfredo Coelho 8, Praia Grande.


 


DIXIT - "Era, talvez, preferível reduzir o IVA na electricidade do que reduzir o IVA nos restaurantes. A redução do IVA na electricidade beneficia todas as famílias portuguesas. A redução do IVA na restauração beneficia, essencialmente, os donos dos restaurantes, em certos segmentos" - Eduardo Catroga


 


GOSTO - Da campanha criada pelo Museu Nacional de Arte Antiga e que em seis meses conseguiu recolher 600 mil euros para comprar “A Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira, garantido assim a permanência da obra em Portugal.


 


NÃO GOSTO - Da arrogância de Vitor Constâncio face à Assembleia da República


 


BACK TO BASICS - “Um pessimista, confrontado com duas escolhas igualmente más, escolhe ambas” - provérbio judeu


 

abril 22, 2016

MAIS CEDO OU MAIS TARDE HÀ FACTURAS QUE VÃO CHEGAR

FACTURAS - Estamos a pouco tempo, meia duzia de meses,  de ver se quem está no Governo mente ou não sobre o estado das finanças públicas e sobre o que pensa fazer a propósito da situação. Olho para novidades anunciadas pelo Governo nos últimos dias e que vejo? O Ministro da Economia, que ameaçou de excomungar da nacionalidade quem fosse abastecer a Espanha, prepara-se para proporcionar combustível mais barato em postos de abastecimento próximo das fronteiras, mas só para alguns - veículos pesados de carga e de passageiros. O comum dos mortais terá que fazer o favor de continuar a ser excomungado se for a Espanha. Outro membro do Governo promete baixar o preço de várias scuts do interior lá mais para o verão. Com tudo isto passa a haver vários portugais. Quem gritar mais fica com um portugalzinho à sua medida. Parece que aumentar a despesa é, neste Governo, uma linha política. A situação real é esta: Bruxelas exige cortes adicionais de 600 milhões nas reformas, quer travar aumento do salário mínimo nacional, a comissão europeia exige um corte adicional de 705 milhões de euros este ano. E o Governo que faz? Vais distribuindo prebendas, e diz que no fim da legislatura se verá. Só que antes disso, daqui a uns meses, quando as previsões do crescimento se revelarem erradas, vai perceber-se que falta dinheiro e então irá mais uma vez puxar pelos impostos e pelas taxas. Adivinhem quem vai pagar a factura....


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SEMANADA - O Ministro da Administração Interna anunciou, com solenidade, que o Governo está aberto a mudar o nome do Cartão de Cidadão; Pinto da Costa ganhou as eleições no F. C Porto com 79% dos votos, o seu resultado mais baixo de sempre;  a Agência Nacional do Medicamento francesa concluiu que a BIAL deu uma informação errada no ensaio clínico em que morreu uma pessoa; uma estação de saneamento recém construída pelas Águas do Norte  numa freguesia de Guimarães, com um custo de quase cem mil euros, foi alvo de um auto da GNR por atentado ambiental porque faz a descarga de esgotos directamente no rio Ave; a partir deste fim de semana, e pelo menos até final do ano, vão decorrer as obras no eixo Marquês de Pombal-Saldanha, o que vai complicar o trânsito em todo o centro de Lisboa; a CGTP perdeu mais de 60 mil sindicalizados nos últimos quatro anos, uma quebra de cerca de 10%; no primeiro trimestre deste ano a DECO recebeu 6434 pedidos de ajuda de sobre-endividados, mais do dobro do total de pedidos durante todo o ano de 2008; há 372 mil desempregados que não recebem qualquer subsídio; os produtos falsificados de marcas de luxo valem 2,5% das importações mundiais; Portugal é o 9º maior produtor mundial de vinho; o número de casamentos subiu ao fim de 15 anos; os portugueses já gastam 90 euros por mês em compras na net; um estudo de uma consultora internacional evidencia que metade dos administradores e directores financeiros de grandes empresas entrevistados considera que as práticas de suborno e corrupção acontecem de forma generalizada no país; as remessas dos emigrantes caíram 18,5% em Fevereiro.


 


ARCO DA VELHA - Mais de 300 mil alunos dos  2º, 5º e 8º anos continuam sem saber se vão fazer provas de aferição marcadas para os dias 6 e 8 de junho por culpa do zigue zague de decisões do Ministério da Educação.


 


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FOLHEAR - Confesso que muitas vezes desligo de um romance às primeiras páginas - mas não foi o caso desta vez. O romance em causa fez-me ficar acordado uma boa parte da noite em que escrevo estas notas. O título chamou-me logo a atenção: “À Espera de Bojangles”,  uma evocação da canção Mr. Bojangles, popularizada por Nina Simone. Trata-se do romance de estreia de Olivier Bourdeaut e devo confessar que a história é um bocado amalucada mas funciona na perfeição para agarrar o leitor do princípio ao fim. É a história de uma família, simples, bela e triste como as histórias simples são muitas vezes. É muito bem contada e muito bem escrita, tem um toque de loucura, um ritmo invulgar e uma utilização libertina das palavras e da evolução da narrativa no tempo. Gostei do livro, gostei da ideia da história, tão pessoal e tão capaz de misturar a realidade que se adivinha com a invenção que se sente. É um livro fantástico - não só pela atracção que exerce como pela fantasia a partir do qual é construído. O primeiro parágrafo do romance é assim: “O meu pai tinha-me dito que, antes de eu nascer, a sua profissão era caçar moscas com um arpão. Tinha-me mostrado o arpão e uma mosca esborrachada”. Quando um livro começa desta maneira é impossível não continuar a lê-lo até ao fim. Edição Guerra & Paz, sai em Maio, já falta pouco.


 


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VER - Esclareço desde já que sou parte interessada no que a seguir vou recomendar. O criador do Newsmuseum, Luis Paixão Martins, convidou-me há uns meses para ser o curador da área de fotojornalismo que lá seria desenvolvida. Aceitei, com entusiasmo, a ideia - foi como fotojornalista que de facto comecei no jornalismo, há umas décadas atrás, e a fotografia, principalmente o fotojornalismo, é uma das minhas paixões pessoais. Dito isto, vamos ao que interessa. O Newsmuseum não é um equipamento estático, parado no tempo. É a visão contemporânea e tecnológica de grandes momentos da história da comunicação em Portugal e no mundo, de que a imagem aqui usada - um Eça de Queiroz na esplanada à porta do museu com um smartphone na mão - é um claro sinal. Claro que há vitrinas com equipamentos que caíram em desuso mas que nos deram as notícias ao longo do século XX - mas há também uma aplicação em iOs ou Android que pode ser descarregada gratuitamente para acompanhar a visita - desde as zonas de guerra à propaganda, passando pela rádio, o desporto e até o futuro da comunicação, um mergulho no que está para vir graças à realidade aumentada proporcionada pelos oculus rift que lá existem. Este é um museu onde os recursos da tecnologia são bem utilizados para que os visitantes se sintam eles próprios parte do processo de comunicação. O Newsmuseum é uma instituição privada sem apoios estatais, fica no centro de Sintra, tem uma loja com material próprio e está aberto todos os dias, a partir da próxima segunda-feira 25 de Abril. Todas as informações - horários, preços e acessos - em www.newsmuseum.pt , ou na página do facebook. Rua Visconde de Monserrate 26, Sintra.


 


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OUVIR - O novo disco de P.J. Harvey é tudo menos consensual. É, como o Observer lhe chamou, uma reportagem sobre o estado do mundo feita numa batida rock, em que as letras das canções são como artigos que relatam conflitos e problemas. O título do disco é logo um episódio : “The Hope Six Demolition Project”. O véu sobre o título levanta-se na primeira canção, “The Community Of Hope”, que fala de estradas de morte e destruição entre edifícios governamentais numa das capitais do mundo. A segunda faixa, um das melhores do disco por sinal, “The Ministry Of Defence”, traça um relato duro das instituições que o Estado diz erguer para defesa dos seus cidadãos e acaba com uma frase dura : “This Is How The World Will End”. Em vários pontos o disco faz lembrar “Let England Shake”, de 2011, só que em vez de falar apenas de Inglaterra, P. J. Harvey debruça-se agora sobre o estado do mundo. O álbum foi gravado ao longo de 2015, algumas partes frente a uma audiência em estúdio. John Parish, o guitarrista que tem acompanhado a carreira de P.J. Harvey revela-se mais uma vez um eixo sólido ao longo de todo o disco, e assegura a produção. Mas vale a pena salientar que a própria P. J. Harvey se revela em grande forma vocal, talvez a melhor dos seus últimos discos - e por acaso não se sai nada mal também no sax alto. Desiludam-se os tímidos - este é um disco de provocações e slogans, duro como o rock e cortante como o punk era. Seria fastidioso enumerar as boas canções que aqui estão, mas não resisto a elogiar “River Anacostia” e, sobretudo, “The Wheel”. Para já, é o melhor disco do ano. CD Island/ Universal Music.


 


PROVAR -  Volta e meia gosto de voltar a um restaurante que conheci na fase inicial de sua vida e que, na altura, se revelou uma boa surpresa. É sempre bom verificar se as qualidades se mantêm ou se de repente há algum defeito inesperado. No Rua Artilharia Um, no local  onde ficava o Mezzaluna abriu no início de 2015 a pizzaria Forno D’Oro, por iniciativa do chef  Tanka Sapkota, o mesmo que fez do Come Prima um dos grandes restaurantes italianos de Lisboa. O nome provém do forno das pizzas, imponente, a dominar a sala, folheado a ouro. Voltei lá esta semana e confirmo que as qualidades estão intactas: uma massa de pizza exemplar, muito leve, bons ingredientes, um bom serviço e um preço simpático. Provámos uma pizza vegetariana e uma caponata e ambas estavam muito boas - destaco a qualidade dos ingredientes da caponata e o ponto certo da sua cozedura. A casa gaba-se das suas cervejas e tem uma extensa lista de cervejas artesanais, algumas italianas. A cerveja de pressão Benedikter que acompanhou a caponata revelou-se perfeita. Antes das pizzas vieram bruschettas e uma focaccia que é provavelmente a melhor de Lisboa - com azeite temperado a balsâmico para embeber. A casa é hoje em dia muito frequentada ao jantar por estrangeiros dos hotéis próximos, a clientela é diversificada. O jantar para duas pessoas ficou em 35 euros - e no fim é oferecida uma grappa ou um limoncello. Eu fiquei bem com a grappa. A casa estava cheia, é mesmo conveniente marcar. Rua Artilharia 1 - nº16, telef 213 879 944. Aberto todos os dias.


 


DIXIT - “Liderar um governo ou um país tem exigências. Uma delas consiste na necessidade de ser ou ter algo mais do que jeito para resolver problemas. A direcção política não se resume à habilidade para tratar de conflitos” - António Barreto


 


GOSTO - Da ideia de centrar Os Dias da Música, que este fim de semana decorrem no CCB, numa espécie de banda sonora para “A Volta Ao Mundo em 80 Dias”, de Júlio Verne


 


NÃO GOSTO - Da perda de tempo com questões como o género do Cartão de Cidadão-


 


BACK TO BASICS - Nunca deitem abaixo um muro até perceberem bem a razão porque ele foi erguido - G. K. Chesterton

abril 15, 2016

SOBRE A DIFERENÇA ENTRE CONHECER O MUNDO E CONHECER AS PESSOAS

FUTURO - O Facebook foi lançado em Fevereiro de 2004, há 12 anos portanto. O seu crescimento foi exponencial e hoje o número de pessoas que o utilizam regularmente ultrapassa 1,6 mil milhões em todo o mundo. Em Portugal os utilizadores regulares ascendem a 5,7 milhões. Hoje em dia o universo do Facebook inclui o sistema de mensagens Messenger, mas também o WhatsApp e o Instagram. Em poucos anos o Facebook tornou-se no maior concorrente, em termos de números de utilizadores, mas também de volume de negócios, do Google. A nível global, o tempo médio passado no Facebook por cada utilizador e por mês é de 6,3 horas. Diariamente,  mil milhões de pessoas acedem ao Facebook por um período médio de 20 minutos. Os números são impressionantes. Na verdade a grande diferença entre o Google e o Facebook é que o Google tem muita informação sobre o mundo, mas o Facebook tem muita informação sobre cada pessoa que o utiliza. Há uns anos atrás, não muitos, quando estávamos em casa, toda a gente na sala olhava para um único ecrã - o da televisão. Hoje em dia, em muitos casos, cada pessoa tem o seu próprio ecrã. O mundo mudou e o Facebook é parte desta mudança. Esta semana Mark Zuckerberg anunciou os seus planos para os próximos dez anos. O resumo é simples: proporcionar internet em regiões remotas graças a uma série de satélites e aviões emissores (que funcionarão a energia solar) e garantir que a conectividade seja uma realidade universal e gratuita; desenvolver a relação dos sistemas de messaging com o comércio electrónico; utilizar a inteligência artificial para escolher conteúdos adequados aos gostos de cada utilizador; fomentar a emissão de videos em directo no Facebook; explorar o mundo da realidade aumentada; desenvolver as possibilidades da internet nos campos da saúde e educação. E isto é apenas o começo - o Facebook está a entrar no campo do hardware, como o o Gear VR ou o Oculus Rift, ambos dispositivos de realidade virtual que vão alterar a forma de produzir e consumir entretenimento. Zuckerberg diz que a sua missão é ligar as pessoas, garantir que elas possam comunicar umas com as outras em qualquer ponto e em qualquer circunstância - e isso proporciona-lhe imensa informação sobre cada utilizador. A revista The Economist colocou esta semana Mark Zuckerberg na sua capa, e dedicou-lhe o editorial. O título? - Imperial Ambitions. Se quiser conhecer os planos de Zuckerberg veja aqui o roadmap que ele desenhou para os próximos dez anos numa conferência do Facebook para programadores, que decorreu esta semana - https://developers.facebook.com/videos/f8-2016/keynote/






 


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SEMANADA - O Banco de Portugal vai inaugurar o seu Museu do Dinheiro na próxima quarta-feira; esta semana foi anunciado que o Banco de Portugal vai ter dois novos administradores - uma ex eurodeputada e um ex administrador do banco mau do BES; no espaço de uma semana saíram três membros do Governo - o Ministro e o Secretário de Estado da Cultura e também o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, este último em “profundo desacordo” com o Ministro da Educação; em Fevereiro os depósitos a prazo captaram 6,5 mil  milhões de euros em novas aplicações, o valor mensal mais elevado do último ano; registou-se um aumento do crédito à habitação de cerca de 80% nos ultimos 12 meses; segundo o Observatório de Economia e Gestão da Fraude a economia paralela daria para pagar cinco orçamentos anuais da saúde; segundo o FMI Portugal vai ter um dos crescimentos mais fracos do mundo; o número de empresas exportadoras baixou no ano passado pela primeira vez desde 2009; Angola desceu de quarto para sexto cliente de produtos portugueses; a TAP reportou 99 milhões de euros de prejuízo em 2015, o pior resultado desde 2008; o Metropolitano chegou à Reboleira seis anos depois da data prevista inicialmente para a conclusão das obras; as portuguesas internadas com anorexia têm em média 14 anos e ficam internadas 51 dias no hospital; Portugal não forneceu dados que permitam que justiça nacional seja comparada com a do resto da União Europeia; o Ministro da Defesa diz que o Chefe de Estado Maior do Exército lhe desobedeceu; Vasco Lourenço veio pedir a cabeça do Ministro da Defesa.




ARCO DA VELHA - Oito funcionários do Fisco foram detidos com suspeita de corrupção e o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos não achou melhor que vir avisar logo de seguida que os cortes salariais aumentaram o risco de corrupção na Autoridade Tributária.


 




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FOLHEAR - O primeiro livro de viagens que li foi “A Volta Ao Mundo Em Oitenta Dias”, de Júlio Verne. Li-o com uns oito anos  e senti uma emoção igual à que anos mais tarde senti com o primeiro Indiana Jones. Com Júlio Verne descobri depois o fundo do mar  em “Vinte Mil Léguas Submarinas” e percebi como o planeta escondia segredos fascinantes em “Viagem Ao Centro da Terra”. Estes três livros foram escritos entre 1864 e 1872 e eu li-os, numeros redondos, cem anos depois. Com os dois últimos e “Da Terra à Lua” descobri os encantos da ficção científica, mas foi mesmo com “A Volta Ao Mundo Em Oitenta Dias” que descobri o prazer da literatura de viagens e aventuras. O livro, baseado numa aposta de um nobre inglês, Phileas Fogg, percorre países e continentes e muitas vezes relata episódios que se podiam passar mesmo hoje, quase século e meio depois. Em boa hora decidiu a editora “Guerra & Paz” editar textos clássicos e este é um deles. Esta edição inclui as 58 ilustrações originais da primera edição,  da autoria de Alphonse de Neuville e Léon Benett, e ainda  o mapa da viagem de circum-navegação. A tradução, exemplar, é de Helder Guégués - e fiquem sabendo que Júlio Verne é o autor mais traduzido em todo o mundo depois de Agatha Christie e as suas obras são, no seu conjunto, as mais publicadas, logo depois da Bíblia.


 


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VER - Steve McCurry é um dos grandes fotógrafos da prestigiada agência Magnum, e em Lisboa, na melhor espaço de exposição e venda de fotografia que temos, a Barbado Gallery (Rua Ferreira Borges 109) está uma magnífica exposição sua sobre a Índia, país que ele já visitou cerca de 80 vezes nas últimas três décadas. É muito curioso que em cerca de seis meses que leva de vida, a Barbado Gallery já tenha mostrado dois dos grandes nomes da Magnum, a agência que contou entre os seus fundadores Robert Capa e Henri Cartier-Bresson. As fotografias de McCurry são poderososas - como a da menina afegã que em 1985 fez a capa da National Geographic, revista para a qual trabalha frequentemente. A imagem que aqui reproduzimos foi feita em Bombaim - mãe e filha coladas ao vidro de um carro que passava. McCurry tem um olhar especial, quase sem tempo definido, sobre aquilo que o rodeia e é isso que faz o seu encanto. Muitas das fotografias foram feitas na década de 80 e 90, mas não perderam razão de ser. São clássicos. Do género que a Barbado nos proporciona poder ver. Todas as informações em www.barbadogallery.com.


 


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OUVIR - Canções que são como conversas de café parecem uma raridade em Portugal, nos anos mais recentes, sobretudo se escritas e cantadas em português. Felizmente os Capitão Fausto existem e praticam o género. Cada canção é como se fosse uma história, um episódio de vida. Os Capitão Fausto praticam música pop da melhor estirpe, bem imaginada, bem tocada e bem cantada. Desenganem-se aqueles que pensam que isto é coisa fácil - fazer uma boa canção pop é do mais difícil que há. Um álbum pop tem sempre telhados de vidro maiores que um álbum que se pretenda de nicho. Aos nichos marginais tudo é permitido, a começar pela incompreensibilidade e a terminar na inaudibilidade. Portanto a vida é-lhes sempre mais fácil. Difícil mesmo é criar canções originais que façam sentido nas palavras e na música e que fiquem no ouvindo, apetecendo trautear. Este é o terceiro disco dos Capitão Fausto e eu gosto de canções como “Semana Em Semana”, “Corazon”, “Dias Contados” ou a minha preferida, “Alvalade Chama Por Mim”. Resumo - Têm Os Dias Contados é dos melhores discos portugueses dos últimos tempos. CD Sony.


 


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PROVAR -  Gosto muito de conservas e ultimamente tenho andado a explorar as variedades de cavala que estão no mercado. A cavala é um peixe injustamente subvalorizado, mas é um dos que resulta melhor em conserva, talvez até melhor que muita lata de sardinha que por aí anda. Esta semana provei uma variedade que ainda não conhecia e fiquei fã - filetes de cavala com temperos da marca Tricana - cenoura, cebola, louro, especiarias como cravinho e pimenta. Os filetes são muito bem cortados e funcionam às mil maravilhas  com uma massa como farfalle (da Cecco,recomendo), que rapidamente ganha o sabor envolvente. Vai à perfeição com um Marquês de Borba branco da colheita de 2015 - feito a partir das castas Arinto, Atão Vaz e Viognier - um vinho fresco ideal para estas ocasiões. Jantar simples, prazer garantido.





DIXIT - “Liderar o PS foi a melhor escola para gerir conflitos” - António Guterres na sua audição como candidato a Secretário Geral da ONU.




GOSTO - A RTP1 vai exibir o documentário "Amadeo: o último segredo da arte moderna", de Christophe Fonseca. a 20 de Abril, no dia da inauguração da exposição no Grand Palais.




NÃO GOSTO - Com António Costa ficou estabelecido que o critério para a contratação de assessores para processos negocias complexos passou a ser a amizade pessoal com o Primeiro Ministro.




BACK TO BASICS - “A grande questão não é saber se conseguimos que as máquinas pensem; o principal problema é conseguir que os seres humanos pensem” - B.F. Skinner






abril 08, 2016

TROPELIAS DE ANTÓNIO, FERNANDO E MANUEL NA CIDADE ONDE BRINCAM

FÁBULA - Era uma vez um senhor chamado António que queria muito mandar em tudo. O senhor António tinha sido eleito para presidente da junta da sua terra, mas gostava mais de outro lugar onde mandasse mais. Nas eleições da sua terra tinha jurado a pés juntos que mandar nas ruas e ruelas da terrinha era mesmo o que ele queria e prometia dali não sair. Mas manhoso como é, e já a pensar na sua tropelia seguinte, o senhor António tinha posto como seu braço direito o senhor Fernando. O senhor Fernando não percebia nada das coisas da terrinha, mas ninguém se importava com isso, muito menos o senhor António. A seguir ao senhor Fernando vinha o senhor Manuel, que já tinha sido o braço direito do senhor António, mas que não era do mesmo clube. e por isso teve que ficar um bocadinho para trás. O senhor Manuel quando se olhava ao espelho pensava-se o Marquês do Pombal e tinha como desejo reconstruir a sua terrinha. Esperto, percebeu logo que o senhor António se queria ir embora e sabia que o senhor Fernando percebia pouco das coisas que interessavam. De maneira que viu uma oportunidade de, não mandando no papel, ser ele a mandar por interposta pessoa. Quando o senhor António se foi embora da terrinha deixou os problemas nas mãos do senhor Fernando que, aflito, se virou para o senhor Manuel e pediu ajuda. O senhor Manuel sorriu, esfregou as mãos de contente, virou-se para o espelho e disse: “agora é que vai ser”. E, assim começou paulatinamente a destruir a terrinha, para depois a reconstruir à sua maneira, como o velho Marquês tinha feito depois de um terramoto. Como agora não havia terramoto, o senhor Manuel encheu o peito de ar e disse: “terramoto eu serei”. O senhor Manuel odiava carros e quem os usava. Para ele a terrinha devia ser como um bibelot - muito certinha, guardada numa redoma, de preferência sem utilizadores. Imaginou logo um esquema: os habitantes da terrinha íam ter obras com fartura que demorassem muito tempo, para andarem pouco pelas ruas; haviam de não poder andar nos seus carritos de uma ponta à outra, por dentro da terrinha - se quisessem que fossem por uma das estradas do lado de fora da redoma, para não sujar o bibelot - assim as visitas escusavam de ver quem vivia na terra. Os indígenas - como o senhor Manuel lhes chamava - demoravam mais tempo e sentiam incómodo? -  “Paciência” - rangia o senhor Manuel, dizendo entre dentes: “se não gostam, que vão morar para outro sítio”. No meio disto o senhor Fernando julgava que estava tudo como ele queria e foi-se até convencendo que o que se passava era da sua lavra. Nunca percebeu que a única coisa que fazia era dizer que sim ao senhor Manuel. Ufano, o senhor Fernando foi pondo notícias nos jornais a explicar que, mesmo não parecendo, o presidente da junta era ele. O senhor Manuel sentava-se ao lado de uma das valas que esventrava as ruas e agarrava-se à barriga , de tanto rir, enquanto lia páginas e páginas da gazeta da terra a falar com o senhor Fernando.


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SEMANADA - Até Março venderam-se mais de 205 carros por dia, a antecipar a subida de impostos; o FMI pediu um reforço da austeridade; Angola pediu assistência ao FMI exactamente cinco anos depois de Portugal o ter feito; esta semana os prazos constitucionais atingiram o ponto a partir do qual o novo Presidente da República recuperou o poder de dissolução da Assembleia da República; Mário Draghi participou no Conselho de Estado, o primeiro convocado por Marcelo Rebelo de Sousa; na comissão parlamentar de inquérito apurou-se que o Banco de Portugal desaconselhou a resolução do Banif 15 dias antes de a aplicar; em Portugal, no ano de 2015 saíram para offshores 2,25 milhões de euros por dia; o numero de emigrantes portugueses que são licenciados triplicou no último ano; José Sócrates acusou o Ministério Público de fazer terrorismo de Estado; cerca de mil contribuintes por dia pedem ajuda para preencherem o IRS; 16 militantes do PS de Coimbra foram suspensos por terem falsificado fichas de inscrição no partido; do 1º ao 4º ano há mais de 94 mil alunos em turmas que têm, em simultâneo, vários anos de escolaridade diferentes; os orçamentos das universidades e institutos politécnicos vão perder 57 milhões de euros face ao que tinha sido inscrito no Orçamento de Estado para este ano; António Costa quer dar às secretas acesso a dados dos telemóveis.


 


ARCO DA VELHA - Em Vila do Conde foi assaltada uma ourivesaria que fica ao lado de uma esquadra da PSP.


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FOLHEAR - António Caeiro é um jornalista português que viveu na China muitos anos e já escreveu vários livros sobre as relações luso-chinesas : “Pela China Dentro - Uma Viagem de 12 anos”, “Novas Coisas da China- Mudo, logo existo” e, agora, “Peregrinação Vermelha - O Longo Caminho Até Pequim”. Como António Caeiro faz notar, “Portugal foi um dos países europeus onde o comunismo chinês teve mais adeptos e parte da sua actual elite foi maoísta durante a juventude”. Este novo livro é uma história dessa atracção e dos contactos entre Portugal e a China vermelha. Como o autor relata, durante três décadas, até 1979, Portugal e a China não tiveram relações diplomáticas mas os contactos “secretos, clandestinos ou oficiosos” nunca foram interrompidos - o que em parte se explica pela presença em Macau e pelo facto de nenhum dos dois países e regimes considerar o território uma colónia. O livro conta uma sucessão de histórias, algumas quase aventuras e “agarra” os leitores do princípio ao fim - há muita coisa que se descobre e aprende nestas páginas que evocam muitas conversas tidas pelo autor ao longo dos anos. Numa altura em que a China volta a estar no centro do Mundo e em que tanto se fala da presença chinesa em Portugal, aqui está uma boa forma de conhecer melhor a história da relação entre os dois países. (Edição D. Quixote/ Leya).


 


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VER - Vou começar com uma sugestão no Porto, na Galeria Pedro Oliveira - a exposição de Cecília Costa. A exposição agrupa vários desenhos a óleo, outros a fita cola e carvão e duas esculturas de madeira, na realidade duas propostas de mesas transfiguradas - uma delas com livros e outra com uma esfera de aço polido (na imagem). Sob o título “Força Fraca”, Cecília Costa combina figuras geométricas com as suas mesas alteradas - até 21 de Maio. Do Porto passamos para Coimbra onde, no  Centro de Artes Visuais (CAV) está a exposição “O Coração da Ciência”, que sob a curadoria de Albano da Silva Pereira reúne até 12 de Junho fotografias de Álvaro Rosendo, Candida Hofer, Joan Fontcuberta, Joel Peter Witkin, Jorge Molder e Paul Den Hollander, entre outros. Em Lisboa, destaque para “Linhas de Diálogo”, uma exposição que no Espaço Novo Banco, Praça Marquês do pombal, em Lisboa, apresenta uma selecção de obras das colecções de fotografia da Fundação Coca Cola Espanha e da Colecção Novo Banco (ex-BES), que, sabe-se agora, está à venda por força do que aconteceu à instituição bancária - é considerada uma das mais importantes colecções de fotografia contemporânea europeias. E, a terminar, na sala de exposições da Torre do Tombo com “Livros de Muitas Cores” onde podem ser vistas fotografioas de escritores portugueses feitas por Luísa Ferreira em 1997 e 2000 para os pavilhões de Portugal na Feira do Livro de Frankfurt e no Salão do Livro de Paris.


 


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OUVIR - A 13 de Abril de 1965 a histórica sala do Olympia de Paris acolhia, pela primeira vez, um digressão de alguns dos maiores artistas da etiqueta discográfica que pôs a música soul nas bocas do mundo - a Tamla Motown. Nessa noite, em Paris, actuaram Steveie Wonder, The Supremes, The Miracles, Martha (Reeves) & The Vandellas e Earl Van Dike and The Soul Brothers: The Tamla Motown Show. Paris tinha acolhido anos antes o jazz norte-americano e recebia de braços abertos a soul music. A sala do Olympia estava cheia (ao contrário do que tinha acontecido dias antes nos concertos em Londres). A editora decidiu gravar o concerto e o resultado foi um LP que fez história “Motortown Revue in Paris”. 40 anos depois eis que surge uma edição em CD duplo que agrupa três dezenas de temas cantados nessa noite, 12 dos quais surgem agora em disco pela primeira vez. “Motortown Review In Paris” é um duplo CD com edição especial da Tamla, distribuído em Portugal por Universal Music.


 


PROVAR -  Cheio de hesitações entrei na Mexicana um dia destes à hora de almoço. Pedir um bife três pimentas, muito mal passado, com ovo estrelado e batata frita é um teste a qualquer local. Em primeiro lugar ver se a carne é de boa qualidade - em segundo lugar ver se de facto veio mal passado mas saboroso da pimenta e do tempero, ter a certeza que tenha sido frito e não grelhado com  molho depois adicionado por cima; outro ponto importante - que o bife, apesar de mal passado venha quente e que não esteja frio de frigorífico no meio (já me aconteceu numa das casas do cozinheiro Vitor Sobral); em terceiro lugar desejar que o molho não seja parecido com restos de um galão, destruindo todo o sabor; verificar ainda que o ovo venha estrelado e não recozido e, finalmente que as batatas estejam fritas e estaladiças e não espapaçadas e moles. Pois então tenho a dizer que gostei do bife na renovada Mexicana. A rematar o café estava bom, sem vir queimado e o pastel de nata recomenda-se. A sala do fundo, do restaurante, está com mais luz, mais limpa, a mobilia foi bem restaurada, os painéis estão fantásticos. Nem mesmo os balcões frigoríficos da entrada me escandalizaram. Acho que a Mexicana se salvou de aparência e de conteúdo- Há um mix de empregados antigos e novos, o serviço está mais atento e simpático. Dentro de pouco tempo vai abrir uma taberna, vocacionada para os petiscos. Hei-de lá ir experimentá-la. E à Mexicana voltarei quando por lá passar de novo. Avenida Guerra Junqueiro 30C, à Praça de Londres, telefone 218 486 117.


 


DIXIT - “Estamos a criar um império europeu em Bruxelas, guiado pela Alemanha” - João Ferreira do Amaral.


 


GOSTO - Da inauguração do novo equipamento cultural de Coimbra, o Convento de S. Francisco, que pretende ser um pólo de atracção de públicos de toda a região Centro.


 


NÃO GOSTO - Do que significa um Ministro que ameaça fisicamente quem o critica, como João Soares fez a Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente.


 


BACK TO BASICS - Aprendi a usar a palavra “impossível” com o maior dos cuidados - Von Braun.







abril 01, 2016

SOBRE O CANDIDATO A MECÂNICO DA GERINGONÇA & SUGESTÕES AVULSAS

PRIMAVERA - Estamos oficialmente na Primavera, tempo de romance, a estação do ano em que a sedução anda à solta. Veja-se o que tem acontecido nestes dias: o Presidente da República e o Primeiro Ministro partilharam a mesma posição sobre a eventual venda de bancos portugueses a  capital estrangeiro; Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa foram juntos ao futebol, a Leiria, ver o Portugal-Bélgica; Marcelo e Costa estiveram também juntos nas críticas à gravidade da pena de Luaty Beirão;  o Orçamento de Estado passou sem frisson e foi promulgado antes do 1º de Abril para não existirem graçolas entre a razoabilidade das previsões orçamentais e o dia das mentiras. Está tudo portanto no melhor dos mundos. A maior prova do espírito primaveril vem, no entanto, de Rui Rio, que fez uma interrupção do seu ruidoso  silêncio para se juntar a Marcelo e a Costa, mostrando uma grande convergência de pontos de vista, como se costumava dizer nos comunicados oficias entre representações de países satélites da ex-URSS. Parafraseando a feliz expressão de Vasco Pulido Valente, ouso dizer que a geringonça encontrou finalmente um mecânico que poderá reparar alguma avaria que possa ter. É sabido como Rui Rio gosta de restaurar e recuperar veículos, portanto tem as competências necessárias para o caso de a geringonça conduzida pelo seu amigo Costa gripar algum cilindro ou quebrar algum amortecedor. Que o hábil Rio apareça e se ofereça como mecânico da geringonça na semana do Congresso do PSD é evidentemente um fruto do acaso, como tanta coisa no nosso Portugal.


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 SEMANADA - Marcelo Rebelo de Sousa recebeu um cão pastor alemão oferecido pela Força Aérea; dirigentes das associações representativas dos cães de raça portuguesa lamentam que não tenha sido oferecido um cão de “linhagem” lusa ao Presidente; já depois da oferta do canídeo soube-se que o Presidente vai fazer uma visita oficial à Alemanha; Marcelo Rebelo de Sousa optou por fazer uma comunicação ao país fora dos jornais televisivos das 20h00, preferindo as 17h00, horário do chá; o cenário escolhido para a comunicação, com uma escrivaninha e um pedaço de tapeçaria como fundo de imagem, foi muito comentado por especialistas em televisão, que o acharam desadequado; António Costa, referindo-se à reposição de feriados, disse que: “ há valores acima das conveniências conjunturais”; o numero de clientes de banda larga fixa aumentou 9,5% no ano passado, para um total de 2,99 milhões; num país tão dado a tecnologias foi revelado que o site do fisco não trabalha com alguns dos browsers mais usados do mercado; um em cada quatro professores, do pré-escolar ao ensino superior, está a recibos verdes; existe um déficit de sete mil camas na área dos cuidados continuados em todo o país; em 2014 formaram-se 2633 enfermeiros e emigraram 2850; no Hospital de Chaves foram adiadas cirurgias porque não existia fio para suturar as costuras das operações.


 


ARCO DA VELHA - Luis Amado, ex-Ministros dos Negócios Estrangeirs aquando da assinatura do Tratado de Lisboa, disse no Parlamento, a propósito do caso Banif, que as instituições europeias funcionam como um “centro de poder burocrático extremamente agressivo” ,  sublinhou que o poder da Europa chega a assemelhar-se a um “rolo compressor” e defendeu que “temos de reavaliar a relação com a UE”.


 


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 FOLHEAR - O mercado está cheio de livros de dietas e de conselhos de alimentação, muitos deles com muita promessa e pouca explicação. Não é o caso de um novo título que se destaca e que faz da guerra ao açúcar a sua causa. Trata-se de “Doce Veneno”, da nutricionista Cláudia Cunha. O livro vai além da evidência dos bolos e dos doces ou do açúcar que se coloca no café e, por exemplo, dá conselhos sobre como ler as etiquetas dos alimentos processados em busca de formas de açucares escondidos. O ponto de partida é que o açúcar cria uma dependência, tal como o álcool, por exemplo, dependência que está ligada a uma série de doenças que à partida não imaginaríamos. “Doce Veneno” explica ainda o que o açúcar faz ao nosso organismo, desmistifica os substitutos artficiais do açúcar e aconselha alimentos a eliminar e outros a introduzir. Este livro de Cláudia Cunha estabelece um plano prático de desintoxicação do açúcar em 21 dias, sugere listas de compras saudáveis para serem utilizadas no plano e, mais tarde, no dia a dia. Além disso inclui um conjunto de receitas de culinária ajustadas ao plano, do pequeno almoço a snacks para comer durante o dia, passando pelas refeições principais. O livro é editado pela Esfera dos Livros e Cláudia Cunha tem um site que pode seguir em www.nutricaocompanhia.com .


 


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VER - Várias sugestões para esta semana. Começo por destacar  uma das raras exposições de Manuel João Vieira, fundador dos Ena Pá 200, Irmãos Catita, artista plástico, compositor, músico e cantor, que criou e encenou diversas personagens em palco e em exposições diversas. Esta, chama-se “Viagens Na Minha Terra” e está na galeria Giefarte, Rua da Arrábida 44, ao Rato, até 26 de Abril (na imagem) . No Museu Colecção Berardo estará patente até 25 de Setembro a exposição “O Enigma - Arte Portuguesa na Colecção Berardo”, que agrupa trabalhos de Rui Chafes, Jorge Molder, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Pedro Cabrita Reis, João Tabarra e Ana Vieira.  Passando para  a Fundação Gulbenkian sugere-se “Inside a Creative Mind”, uma exposição que visita a obra de sete arquitectos portugueses - Aires Mateus, ARX Portugal, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Inês Lobo, Siza Vieira e Souto de Moura. Fica patente até 6 de Junho e inclui pequenos documentários de Catarina Mourão sobre os projectos apresentados. Destaque para uma maltratada exposição de João Mariano, que apenas até dia 16 fica no Arquivo Fotográfico Municipal (Rua da Palma 246), 20 fotografias do litoral de Lagoa sob o título “O Conhecido Desconhecido”. Finalizo com “Mexicano”, a exposição de Bruno Cidra que inaugurou esta semana na Galeria Baginski, onde ficará até 7 de Maio - Rua Capitão Leitão 51 e 53, ao Beato.


 


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OUVIR - Entre meados dos anos 40 e 50 do século passado o produtor Norman Granz juntou um grupo de músicos de excepção, em formações de geometria variável.  O centro das operações começou por ser o Philarmonic Auditorium, de Los Angeles e, da série de concertos aí realizada, nasceu a sigla JATP - Jazz At The Philarmonic, que fez longas digressões pelos Estados Unidos. Nessa altura Ella Fitzgerald tinha começado a gravar para uma editora de jazz acabada de nascer, a Verve - que teve a felicidade de registar o seu talento sobretudo no apogeu da sua carreira. “The Ella Fitzgerald JATP” é um CD que reune 19 temas gravados entre 1949 e 1954, ou entre os 32 e 37 anos da cantora, uma das suas melhores fases. O CD, que agora agrupa pela primeira vez registos antes editados em vários LP’s, começa por um concerto de 1949 no Carnegie Hall em que Ella é acompanhada por Hank Jones, Ray Brown e Buddy Rich com interpretações excepcionais em “A New Shade Of Blues” e “Black Coffee” e uma versão arrebatadora de “Oh Lady Be Good”, de Gershwin. A segunda série de gravações, de 1953, foi feita no Connecticut e inclui clássicos como “Bill” de Jerome Kern e uma reinterpretação de um grande êxito de Peggy Lee, “Why Don’t You Do Right”. E um ano depois, em 1954, Ella, faz maravilhas com “Hernando’s Hideaway”, uma canção menor de uma banda sonora que ela transforma, outro Gershwin - “The Man That Got Away” e, a finalizar, “Later”, que ela já tinha gravado em estúdio nesse ano mas aue aqui aparece numa outra versão. Ao todo 22 temas de um lado menos conhecido da carreira de Ella Fitzgerald, fora dos estúdios, acompanhada por músicos fantásticos em concertos ao vivo cheios de fulgor. CD Verve, distribuído em Portugal por Universal Music


 


PROVAR -  Depois de escrever sobre um livro que prega a contenção, até fica mal abordar este tema, ainda por cima com três exemplos e um extra. O primeiro é uma conserva de achovas do Cantábrico, situada em Laredo, no norte de Espanha. São da marca Codesa, uma empresa familiar. A série Oro, disponível nos supermercados do El Corte Inglês, na zona do frio perto da peixaria, tem anchovas pescadas nos meses de Abril e Maio, que ficam um ano em salmoura, até serem cortadas em finíssimos filetes, embalados em azeite virgem, em caixas de 48 gramas. Perdoem-me os conserveiros portugueses, mas estas anchovas da série Oro da Codesa são os melhores filetes de anchova que conheço. Por mais estranho que pareça com estes filetes vão bem as finíssimas tostas de pão de centeio integral Finn Crisp, absolutamente sem mais nada - assim brilha o sabor das anchovas e das tostas. A terminar, para acompanhar isto, vem um produto bem português - um vinho tinto de superior qualidade, o Ex-Aequo de 2011, produção da Quinta do Monte d’Oiro, de José Bento dos Santos com Michel Chapoutier. Com 75% de Syrah e 25% de Touriga Nacional, este vinho mereceu a classificação de 95 pontos de Mark Squires, no Wine Avocate. Como no fim das anchovas ainda deve sobrar vinho sugiro que se prolongue a conversa, com as mesmas tostas, com um queijo da ilha de S. Miguel velho, de cura prolongada. A splendid time is guaranteed for all, como dizia o outro.


 


DIXIT - “Resta saber se o possível será suficiente...Só em 2017 saberemos se o modelo provou” - Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o Orçamento de Estado


 


GOSTO -  A Orquestra Jazz de Matosinhos regressa aos Estados Unidos para uma residência de uma semana no mítico clube Blue Note, de Nova Iorque.


 


NÃO GOSTO - China Irão e Rússia são os três países com maiores restrições à liberdade de criação artistica, segundo um relatório divulgado esta semana


 


BACK TO BASICS - “O meu objectivo não é que as minhas respostas agradem a quem faz as perguntas” - William Shakespeare


 


 

março 24, 2016

SE NÃO REAGIRMOS SEREMOS DERROTADOS

REAGIR - Hoje em dia não sabemos quando atacam, mas sabemos quem ataca. A guerrilha deslocou-se de territórios distantes para dentro das capitais da Europa. As antigas práticas de guerra, com um cerimonial de disposição de tropas - ou as acções da guerra de guerrilha no meio do mato em regiões remotas - são coisas obsoletas comparadas com o que se passa. Com a amplificação conseguida, em tempo real, do efeito dos ataques no actual sistema mediático, os manifestos e as palavras foram substituídos por bombas. Se perguntarmos a alguém qual a causa dos ataques as respostas são tão diversas que se percebe que a origem do que se passa depende do modo como se vê o mundo. Mas é certo que a desorientação e a fragmentação europeias não ajudam a prevenir e a combater quem decide promover esta guerrilha urbana contemporânea. Deixo aqui as palavras de Miguel Monjardino, no Expresso, no dia dos atentados de Bruxelas, sobre os quatro novos objectivos dos terroristas: “Os aeroportos, as estações de metropolitano, os hotéis e as grandes salas de espetáculos nas capitais europeias são agora os principais alvos daqueles que usam o terrorismo para atingir os seus objetivos políticos.” Tudo isto só nos pode fazer lembrar que quem se divide não se defende. Não partilho as palavras de António Costa, néscias, como li algures, quando recomendou "nada de reacções reactivas": Prefiro pensar como se combate o que acontece, sabendo os riscos e as dificuldades. E termino a dizer que se mudarmos as nossas vidas damos a vitória ao terror. Não é isso que queremos.


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SEMANADA - A Câmara de Valongo fez 49 ajustes directos ao mesmo empresário, no valor de 1,5 milhões de euros, entre 2008 e 2013; 147 mil famílias têm o pagamento dos empréstimos à habitação com prestações em atraso; 27% do olival alentejano é de espanhóis; 80% dos camiões de mercadorias portugueses abastecem em Espanha devido ao aumento dos impostos sobre combustíveis em Portugal; o desemprego está a subir há sete meses consecutivos, contam-se agora mais 43 mil desempregados do que em Julho do ano passado; em 2015 verificaram-se 1456 casos de abusos de crianças e 561 casos de violações de pessoas adultas; em 2006 Sócrates quis criar um privilégio judicial para os políticos, do género daquele que Lula e Dilma estão agora a tentar utilizar no Brasil; A área metropolitana de Lisboa foi responsável por 46% do valor das transacções de imóveis realizadas no ano passado; Rui Moreira aproveitou a sua guerra com a TAP a propósito do abandono de rotas a partir do Porto para lançar um livro que é um manifesto pela regionalização, um tema que promete voltar a dar que falar neste ciclo político; António Costa disse que a banca precisa de "capital estrangeiro, seja ele espanhol, angolano, alemão ou americano; Mira Amaral diz que a espanholização da banca põe em risco empresas portuguesas.


 


ARCO DA VELHA - Em Rio Tinto um homem pediu o carro emprestado à vizinha para assaltar uma loja de electrodomésticos na Póvoa do Varzim e foi apanhado porque um televisor, que estava a furtar,  caíu-lhe em cima do pé, deixando-o ferido e impossibilitado de andar - muito menos fugir.


 


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FOLHEAR - Numa semana em que se falou tanto de Angola a propósito do sistema financeiro português foi lançado um livro que é uma preciosa obra de amor e entendimento entre o português que se fala em Portugal e o que se fala em Angola. É um livro que vale mais do que mil acordos ortográficos, destes anacrónicos que nos impõem por decreto. O livro é um glossário de termos que mostram o idioma português vivo no coração de África e é também um manifesto de amizade, assinado por Manuel S. Fonseca, que é meio português e meio angolano, editor e autor, que aqui dá mostras do seu amor a uma língua que se reinventa nos acontecimentos do dia a dia. O livro chama-se “Pequeno Dicionário Caluanda” e foi editado pela Guerra & Paz. Como autor diz, os angolanos conferem à língua portuguesa uma vitalidade própria - em Luanda, os caluandas cantam o português, impregnando-o de um humor salutar que faz a língua portuguesa rir-se como não se ri em mais nenhum lugar onde é falada”. Esta é uma primeira recolha daquilo a que se chama o falar de Luanda. São palavras novas, algumas, outras já com décadas, que conquistaram direito a reconhecimento, tão amplo é hoje o seu uso, já não só em An­gola, mas também em Portugal, em Moçambique e no Brasil.. Vale a pena ler - para sabermos todos mais e para nos conhecermos melhor uns aos outros.


Pedro Cabrita Reis_Galeria João Esteves de Olivei


VER - “Horas Quietas” é o título da exposição de novas obras de Pedro Cabrita Reis, patente desde esta semana na Galeria João Esteves de Oliveira. Outro título possível seria “O Triunfo do Desenho”, já que é a partir do traço que se desenvolvem as 28 peças apresentadas. Praticamente todas usam técnica mista, com recurso a pintura e a colagens em muitos casos, mas com uma presença do desenho mais intensa que na generalidade da obra mais recente do artista. O nu, o desenho do corpo nu de modelos que com ele trabalharam, é o elemento comum, assim como a delimitação geométrica que define o espaço de muitas das obras, mostrando a delimitação entre o desenho e alguma das outras técnicas utilizadas. Muitas vezes o desenho do nu surge de forma quase académica, mas sempre como um ponto de partida ou de  passagem e não como um ponto de chegada nas peças expostas. É claramente uma exposição inesperada e sedutora, que oscila entre o corpo e a natureza, e que revela mais uma vez como Pedro Cabrita Reis mantém a capacidade de surpreender. Há muito tempo que não se viam tantos coleccionadores a marcar peças que desejavam comprar como nesta inauguração. No mesmo dia foi lançado o livro “Horas Quietas”, com a reprodução de todos os desenhos mostrados na exposição, do qual foi feita uma edição especial de 75 exemplares, assinados e chancelados pelo autor e pela galeria. Até 6 de Maio, Rua Ivens 38.


 


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OUVIR - Parece-me ser impossível ficar indiferente à forma como Kenny Barron e o seu trio tocam em “Book Of Intuition”, o disco que agora editaram. Quem gosta da formação clássica do trio de jazz - piano, baixo e bateria - não pode passar ao lado deste CD. Em boa parte isso é devido à forma como Kenny Barron toca piano, com ritmo e melodia, virtuosismo e swing nos sete temas da sua autoria, nas duas versões de temas de Thelonius Monk (sobretudo Shuffle Boil) e no magnífico Nightfall, de Charlie Haden. Se quiserem, o tema de abertura, do próprio Barron, Magic Dance, conta toda a história que está neste álbum - a energia, a criatividade, o desafio. Kenny Barron é dos maiores pianistas contemporâneos de jazz e este registo prova isso mesmo - ao ouvi-lo quase que parece que o piano ganha outra dimensão. E deve dizer-.se que Kiyoshi Kitagawa no baixo e Johnatan Blake na bateria complementam o trabalho de Barron no piano de forma exemplar. CD Impulse, distribuído em Portugal por Universal Music.


 


PROVAR -  Há uma lenda para o folar da Páscoa - parte de uma história de rivalidades, no amor, entre um fidalgo e um pequeno agricultor, que se confrontaram em torno da mesma rapariga. Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana, dividida entre os dois pretendentes. Ambos queriam que ela se decidisse até ao Domingo de Ramos. Chegada essa data, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.  Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.  Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação.  Com o correr dos tempos ficaram três receitas bem diversas, uma a norte, duas a sul. A do norte, o folar transmontano, não leva açúcar e tem carnes fumadas no seu recheio - por esta altura há feiras do Folar por toda a região transmontana e os de Chaves (que em Lisboa podem ser adquiridos nos “Prazeres da Terra” do largo Dona Estefânia) são particularmente apreciados. Eu por  mim gosto dos folares alentejanos, temperados a erva doce e azeite e que ficam com a massa dura e ovos cozidos no meio. Mas há também os folares algarvios, onde a massa leva leite e canela e o interior fica cremoso - são demasiado doces para o meu gosto. Para mim Páscoa sem folar alentejano é pior que Páscoa sem amêndoas.


 


DIXIT - “Tenho saudades do tempo em que Portugal era um país industrializado. Nós desindustrializámo-nos para além do que era razoável. O país bem escusaria de estar a passar por aquilo por que está a passar” - Carvalho Rodrigues, na sua derradeira aula na universidade.


 


GOSTO - José Pedro Croft e Siza Vieira representam Portugal na Bienal de Veneza


 


NÃO GOSTO - Usar o dinheiro dos contribuintes para pagar a modernização do sector dos táxis, sobretudo quando este teve meios e tempo para se modernizar e optou sempre por o não fazer e continuou a proteger comportamentos inaceitáveis dos taxistas.


 


BACK TO BASICS - A única forma de derrotarmos o terrorismo é não nos mostrarmos aterrorizados - Salman Rushdie

março 18, 2016

COMO IRÁ FICAR O NOSSO AUTO-RETRATO?

AUTO-RETRATO - Estamos aqui entretidos com o nosso orçamento - o primeiro orçamento em que o PCP votou favoravelmente em dezenas de anos - e o resto da Europa não se rala muito com os nossos sobressaltos internos. Não se vê grande eco dos acontecimentos lusitanos por essa União fora. Em contrapartida ouve-se o ranger de dentes que o Banco Central Europeu provoca, sente-se o arrepio que o resultado das eleições na Alemanha desencadeou, palpita-se a inquietação sobre as conversações com a Turquia, percebe-se a insegurança que a situação em Espanha produz nos analistas. Portugal é  a última preocupação da Europa, é um dano colateral na melhor das hipóteses. Se a coisa correr mal e Costa não tiver o tal plano B, a Comissão Europeia não vai ser branda no julgamento e, mais uma vez, perceberemos a asneira tarde demais. Gostaria que não fosse assim, mas a Europa é o que é, e nós temos a dimensão que temos. Ou seja, estamos entre a espada e a parede, local onde recorrentemente voltamos. Vou gostar de seguir a execução orçamental, vou gostar de ver se as previsões de receitas com o aumento dos impostos nos combustíveis se cumprem, se a descida do IVA na restauração tem algum efeito prático, se a despesa pública não explode com subsidios a taxis e benefícios fiscais a animais. A vida não está fácil e da maneira que as coisas estão não vejo maneiras de melhorar. A nossa selfie arrisca-se a ficar desfocada.


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SEMANADA - Marcelo pegou no seu próprio carro e foi visitar Mário Soares a casa no Domingo; 28% dos portugueses entre os 16 e 74 anos nunca usaram a internet - a média europeia é de 16%; Portugal teve a mais baixa taxa de fertilidade da União Europeia em 2014; as despesas de veterinário com animais domésticos até ao limite de 250 euros anuais vão poder ser deduzidas no IRS; no ano passado as infecções hospitalares mataram sete vezes mais que os acidentes rodoviários - 12 pessoas por dia; o Ministério da Educação reconheceu não saber quantos professores estão de baixa; um relatório internacional revelou que os adolescentes portugueses são os que menos gostam da escola nos 42 países analisados; em 2015 foram feitas mais de 300 mil queixas nos livros de reclamações, sobretudo nos sectores do comércio e restauração; a DECO recebeu quase 700 mil queixas em 2015, um aumento de 24% face a 2014, com o sector da energia e das telecomunicações a motivarem o maior numero de reclamações; os despedimentos colectivos aumentaram 32,5% desde Janeiro; Angola e Brasil foram responsáveis por uma quebra de mil milhões nas exportações portuguesas em 2015; ainda há 156 milhões de euros em notas de escudos por trocar; por causa da diferença no preço dos combustíveis, devido à carga fiscal, os portugueses abastecem cerca de um milhão de euros por dia em Espanha; o governo vai criar novas taxas que aumentarão o peso das receitas obtidas pela chamada fiscalidade verde; o Governo propõe-se atribuir financiamentos de 17 milhões de euros com o intuito de promover a modernização dos taxis; um quarto dos carros da PSP estão parados, avariados ou para abate.


 


ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal de Lisboa, que metodicamente toma medidas para dificultar o trânsito automóvel e a vida dos automobilistas, encara proceder à demolição quase total da Vila Martel, na encosta da Glória, onde trabalharam alguns dos maiores nomes da pintura portuguesa, para construir um estacionamento robotizado de catorze andares - chama-se a isto o Paradoxo de Medina. Que triste sina a de Lisboa…


 


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FOLHEAR - Os meus leitores saberão que eu me interesso por experimentar restaurantes, petiscarias, locais variados desde que não sejam pretensiosos, onde se pratique boa cozinha.  Além disso também já terão notado que eu sou um crente na possibilidade da sobrevivência do papel impresso - nomeadamente das revistas. Já aqui falei algumas vezes sobre a quantidade (e qualidade) de novas revistas que vão surgindo, muitas dirigidas a nichos, outras mais abrangentes. A partir de agora há um local em Lisboa, na Rua Marquês Sá da Bandeira 88, perto da Gulbenkian, onde se pode encontrar esta nova geração de revistas e apreciar a diversidade e criatividade que o sector tem. Este quiosque contemporâneo chama-se Under The Cover (vejam a página no Facebook com o mesmo nome). Uma das revistas que por estes dias lá vi e trouxe para casa chama-se “The Gourmand - A food and culture journal”. Na primeira página está uma citação de Leonard Cohen: “we humans are always looking for things to do between meals”. The Gourmand tem uma periodicidade semestral, é editada no Reino Unido e lá tem um preço de 12 libras. Foi considerada a revista do ano em 2015. Cada edição mistura objectos com comida, receitas com reportagens, entrevistas com ensaios. A fotografia é exemplar, a ilustração é cuidada. Neste número 7, editado em finais de Janeiro, destaco um ensaio de um linguista sobre a forma como os menus, as criticas de restaurantes ou a apreciação de vinhos é escrita - um texto deslumbrante intitulado “Sex, Druga And Sushi Rolls”. Embora não goste de franceses, gostei da introdução aos princípios básicos da cozinha francesa a propósito dos conselhos culinários de Alexandre Dumas; gostei ainda mais da história sobre as habilidades gastronómicas do vampiresco actor Vincent Price e guardei  as receitas que vêm no final da revista - e que em algum ponto são mencionadas num dos seus artigos. Sugiro que vá à Under The Cover ver a revista ou que visite o site  thegourmand.co.uk


 


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VER - Esta recomendação é para quem está no Porto. Na Galeria Árvore ( Rua Azevedo de Albuquerque 1), está uma exposição que agrupa obras de Cristina Ataíde (na imagem), Graça Pereira Coutinho e Ana Vidigal sob o título “O Sublime Flamejar das Pestanas”, com curadoria de Albuquerque Mendes. Cada uma das artistas tem um espaço próprio na exposição e há uma zona comum onde as obras de todas se cruzam, estabelecendo o diálogo de partida. A ideia é evocar uma casa onde cada divisão é habitada por uma pessoa e existe uma zona comum que é de todas. São 30 obras, entre cerâmicas, pinturas e instalações, em exposição na Árvore até ao fim do mês.


 


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OUVIR - No princípio é a linha do baixo; depois, é  a voz. A voz, aqui faz a diferença. A simplicidade dos arranjos ajuda. A clareza das palavras é bem vinda. O som simples e despretensioso é uma benção. De repente dei comigo a trautear estas canções dos Minta & The Brook Trout. A pôr o disco a tocar vezes seguidas - para ouvir a voz surpreendente de Francisca Cortesão, a guitarra discreta e eficaz de Bruno Pernadas, o baixo de Mariana Ricardo, as teclas de Margarida Campelo, a percussão de Nuno Pessoa. Há muito tempo que uma banda portuguesa não me surpreendia tanto como aconteceu com “Slow”,. este disco dos Minta & The Brook Trout, um grupo que ao todo já tem meia dúzia de registos no activo. Devo dizer que as canções, as onze histórias que estão neste disco, são da autoria de Francisca Cortesão. Parecem autobiográficas, estão muito bem escritas - um sentido rigoroso na utilização das palavras, cantado em inglês. É o meu disco português do mês. CD NorteSul/ Valentim de Carvalho.


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PROVAR -  Raramente utilizo açúcar - nem no café. Também não uso adoçantes. Em geral não bebo refrigerantes adocicados. Mas o chocolate… o chocolate é um incontornável vício. Gosto dele duro e amargo. Uma variante possível são farripas de casca de laranja cobertas com chocolate escuro. Em relação aos ovos da Páscoa, durante muito tempo dediquei-os às crianças. Mas quando descobri que a chocolataria Equador tinha ovos de chocolate preto fiquei naquela fase do regresso à infância. Só me apetecia que me escondessem ovos desse chocolate nos cantos da casa para eu os ir descobrindo. Esta versão adulta dos ovos de chocolate veio trazer uma Páscoa diferente. Nunca é tarde para actualizarmos as nossas memórias e para descobrirmos novos prazeres,  neste caso na Chocolataria Equador - no Porto na Rua Sá da Bandeira 637, e em Lisboa na Rua da Misericórdia 72. O difícil é escolher.


 


DIXIT - “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, ele vira ministro" - Lula da Silva, 1988


 


GOSTO - Há uma editora portuguesa de Jazz, a Clean Feed, que se tornou uma referência no jazz internacional e que editou 400 discos nos 15 anos que já leva de vida e que agora celebra.


 


NÃO GOSTO - Do caos das obras em Lisboa, dos projectos feitos à pressa e que são interrompidos para serem corrigidos e nunca mais sãoretomados, do desprezo que a autarquia manifesta pelos lisboetas que são quem sustenta o incompetente desgoverno da cidade.


 


BACK TO BASICS - “Gosto do cinema que me faz mexer na cadeira” - Nicolau Breyner


 

março 11, 2016

SOBRE A IMPORTÂNCIA DOS SÌMBOLOS NA POLÍTICA

SÍMBOLOS - Escrevo quarta-feira à noite e reparo agora que esta coluna será publicada dia 11 de Março, 41 anos depois dos acontecimentos que marcaram definitivamente Portugal - a série de nacionalizações, o extremar de posições, um clima tenso na elaboração da Constituição. É impossível não recordar esse espírito do tempo nesta semana em que o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou funções - até porque a esquerda parlamentar, como se viu na cerimónia, preferiu manter o clima de divisão de há 41 anos,  No encontro ecuménico no dia da sua posse o Presidente da República apelou  “à aceitação do outro, ao diálogo, ao entendimento, à compreensão recíproca, sem negar as diferenças de princípios ou de vivências.”. Este encontro entre várias religiões foi mais um momento simbólico dos vários que tem criado: na véspera de ser empossado dormiu na casa dos pais e foi a pé até à Assembleia da República, numa clara evocação da sua infância e do seu percurso, mas sobretudo uma homenagem aos seus próprios pais. Na véspera despediu-se da vida de simples cidadão almoçando sozinho numa esplanada, de boné na cabeça. Os seus convites ao Rei de Espanha, ao Presidente da Comissão Europeia e ao Presidente de Moçambique, são outros símbolos - assim como o é a escolha anunciada de Paris para palco das comemorações do Dia de Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa, antes de ser Presidente, é um homem da comunicação - foi jornalista, director de jornais,  editor, colunista, comentador. Sabe a importância da comunicação, sabe a importância dos símbolos na construção de uma imagem - como a escolha de citações de Mouzinho de Albuquerque, Miguel Torga e Lobo Antunes no seu discurso de posse bem revela. Ou, ainda, como a cirúrgica citação de Adam Smith sobre a mão invisível, evocando a obra “A Riqueza das Nações”. É um tempo novo que se parece abrir. Bem precisamos dele.


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SEMANADA - O cavaquismo despediu-se do país em Cascais; Marcelo Rebelo de Sousa escolheu Paris para o próximo Dia de Portugal; António Costa diz que “a Comissão vê riscos onde nós não vemos”;  Bruxelas anunciou querer mais austeridade em Portugal; o Estado já gastou cinco milhões de euros em consultores para tratar do caso dos swaps; um estudo do Reuters Institute sinaliza que em Portugal as mulheres consomem menos notícias que os homens e revela que a televisão e o computador são actualmente os dispositivos mais usados para o consumo de notícias; os operadores de telecomunicações foram alvo de 429 processos de contraordenação pela Anacom em 2015, um aumento de 24% em relação ao ano anterior; o Governo fez mil nomeações nos primeiros cem dias da sua existência; o preço das casas desvalorizou 26% desde 2000; a Câmara Municipal de Lisboa decidiu aplicar uma taxa às lojas que coloquem vasos de plantas á porta; oito mil estrangeiros já solicitaram pedidos de residência em Portugal para usufruírem de vantagens fiscais; a Polícia Judiciária fez buscas na Câmara de Gaia relacionadas com aspectos da gestão de Luís Filipe Menezes naquela autarquia, onde deixou uma divida de 300 milhões de euros; entre 2012 e 2014 as empresas adquiridas pelo grupo britânico que contratou Maria Luís Albuquerque tiveram benefícios fiscais de 381,7 mil euros; Lisboa vai ter mais 40 novos hotéis até 2017.


 


ARCO DA VELHA - Lula da Silva veio a Portugal para o lançamento do livro de José Sócrates com a viagem paga por uma empresa que tinha ganho o concurso para a construção de um troço do TGV e que era sócia do grupo Lena na empreitada. O responsável da Odebrecht, a empresa brasileira em causa, foi entretanto condenado a 19 anos de prisão no âmbito das investigações de corrupção durante o Governo de Lula e Dilma, conhecidas como Lava Jato.


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FOLHEAR - Como é tradição um dos primeiros actos do novo Presidente da República foi depositar coroas de flores nos túmulos de Luís Vaz de Camões e Vasco da Gama, no Mosteiro dos Jerónimos. Neste caso a homenagem a Luís Vaz de Camões assume um significado especial, porque Marcelo Rebelo de Sousa não utiliza o Acordo Ortográfico nos seus escritos pessoais e vários dos elementos da sua equipa tomaram posições contra esse mesmo Acordo. Tudo isto me leva à obra de Camões - “Os Lusíadas”, o poema épico que enaltece a capacidade, a coragem e a criatividade dos portugueses. A obra começa com a primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, sempre com a História de Portugal como pano de fundo ao longo dos dez cantos do poema, que terá sido concluído em 1556 e editado em 1572. Tirando as edições escolares não é muito fácil encontrar edições acessíveis de “Os Lusíadas”. Não deixa de ser uma feliz coincidência que a editora Guerra & Paz, na sua colecção de textos clássicos, tenha decidido editar agora “Os Lusíadas”, que estarão disponíveis por 13 euros, voltando a oferecer a possibilidade de redescobrir um dos textos mais importantes da Cultura portuguesa. Esta edição tem nova fixação de texto feita por  Helder Guégués e felizmente não segue o Acordo ortográfico.


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VER - Este é o fim de semana da Moda Lisboa - Lisbon Fashion Week. De sexta a Domingo cerca de duas dezenas de estilistas portugueses vão apresentar o seu trabalho no Pátio da Galé, junto ao Terreiro do Paço. Mas além disso, nos Paços do Concelho estarão patentes duas exposições: uma, de fotografia, de João Telmo, nos Paços do Concelho, sob o título “Gineceu Androceu”, que retrata 20 personalidades e 11 designers de moda portugueses; a outra de uns objectos especiais e muito quotidianos - se nunca viu sapatos em exposição sem ser em fotografias do closet de Imelda Marcos experimente, no mesmo local, Paços do Concelho, ver as propostas dos designers portugueses para vestir os pés nacionais no Outono/Inverno deste ano. Ainda na Praça do Município, no espaço  Wonder Room, veja uma pop-up store dedicada a cerca de 30 marcas nacionais emergentes, todas Made in Portugal, mostrando o trabalho de designers em áreas que vão da roupa aos óculos de sol, passando por fatos de banho, equipamentos de surf e acessórios variados. Todo o programa e horários em modalisboa.pt .


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OUVIR - Hélène Grimaud é uma pianista francesa que tem uma preocupação assumida por causas ambientais. Nitin Sawhney é um músico, compositor e produtor de origem indiana, residente em Londres, que se caracteriza por combinar influências musicais asiáticas com elementos do jazz e da electronica. O projecto que junta Grimaud e Sawhney tem por título “Water” e combina obras de compositores clássicos que se dedicaram a este tema, com pequenos temas expressamente desenvolvidos por Sawhney para serem intercaladas entre essas peças clássicas interpretadas por Grimaud,  Aqui estão obras de oito compositores diferentes - Maurice Ravel, Franz Liszt, Claude Debussy, mas também outros mais inesperados como  Luciano Berio, Toru Takemitsu, Gabriel Fauré, Isaac Albéniz e Leos  Janácek, todos eles de alguma forma ligados ao tema da água. As interpretações de Hélène Grimaud foram gravadas ao vivo em Nova York,  e as sete transições de Sawhney, que introduzem separadores ambientais criados de forma electronica, gravados posteriormente em Londres e depois intercalados entre as interpretações da pianista, contribuem para sublinhar o lado conceptual de toda a obra. A água, diz Grimaud referindo-se ao título do disco, é uma fonte de vida e de inspiração e este projecto pretende mostrar as várias formas que a água pode ter nas nossas emoções. CD Deutsche Grammophon.


 


PROVAR - Era uma vez um grupo de amigos, apreciadores de sushi, que tinham descoberto os segredos da cozinha japonesa pela mão de Mestre Takashi Yoshitake, nas várias versões que o seu Aya teve ao longo da sua vida, terminada demasiado cedo. Há cerca de um ano esses amigos tiveram a ideia de fundar um clube de sushi, semi-privado e abriram o restaurante Go Juu nas Avenidas Novas, na Rua Marquês Sá da Bandeira 46 A, frente aos jardins da Gulbenkian. Ao jantar o Go Juu está aberto de quarta a sábado, mas nas noites de quinta, sexta e sábado é prioritariamente reservado aos sócios e seus convidados - mas se sobrarem lugares, dos cerca de quarenta e cinco que existem - eles ficam disponíveis ao público. Às quartas qualquer pessoa pode reservar e ao almoço, de terça a domingo, o local está igualmente aberto ao público. Existe um menu de almoço com várias sugestões e ao jantar a lista oferece propostas da melhor cozinha tradicional japonesa. Os menus de almoço incluem uma salada, uma sopa miso, pickles japoneses e depois diversas possibilidades de escolha de variedades de sushi e sashimi. Num restaurante japonês, o arroz é um critério de selecção para se saber se estamos a falar de coisas sérias ou de brincadeiras. O do Go Juu é seríissimo. Os peixes são muito frescos e é um prazer almoçar ao balcão a ver o trabalho dos dois sushiman, a preparar cada prato. Este não é um sítio para se ir comer a correr. É um local para parar, sentir e desfrutar o prazer. O serviço é muito bom, a carta de vinhos é criteriosa mas de preços razoáveis e existe vinho a copo, bem escolhido. Nas sobremesas destaque para os gelados de chá verde, de gengibre e de sésamo e ainda para os tradicionais castella e bolo de castanha e chá. Vê-se que a casa é frequentada por clientes habituais e por apreciadores da tradição culinária japonesa. O preço médio ronda os 30 euros por pessoa. Go Juu, Rua Marquês Sá da Bandeira 46, Telefone 218 280 704.



DIXIT - “Não quero atribuir-lhe outra qualificação a não ser ausência total de bom senso ao aceitar um cargo desta natureza” - Manuela Ferreira Leite sobre a contratação de Maria Luis Albuquerque pela Arrow.


 


GOSTO - Enquanto cidadão Marcelo Rebelo de Sousa não escreve segundo o Acordo Ortográfico


 


NÃO GOSTO - Da atitude dos partidos que se dizem republicanos e não aplaudiram o novo Presidente da República eleito em sufrágio universal.


 


BACK TO BASICS - Nos Estados Unidos qualquer pessoa pode vir a ser Presidente - é um dos riscos com que temos de viver - Adlai Stevenson Jr.


 

março 04, 2016

Sobre o equivalente político de um elefante numa loja de porcelanas

CULTURA - Há uma enorme diferença entre gerir instituições culturais e programar a sua actividade para os públicos que cada uma atinge ou pretende atingir. A confusão vem de há muito e atravessa a manada que nem um raio em noite de trovoada seca. Por cá o azar começa muitas vezes logo nos Ministros. João Soares é um bom exemplo do problema: em vez de delinear uma estratégia para o seu largo sector - as instituições culturais e a comunicação (que inclui o audiovisual), deu apenas sinais de querer programar a discutível e débil colecção de Mirós para Serralves, ao mesmo tempo que vai distribuindo promessas de atenção a isto e aquilo, sem mostrar os meios que poderá usar para garantir que tanta atenção seja produtiva. O seu consulado fica para já marcado mais por afastamentos - que noutros tempos alguns apelidariam de saneamentos - do que por propostas concretas. João Soares entrou no sector como um elefante se passeia numa loja de porcelanas. As suas demissões e nomeações reflectem mais uma preocupação de distribuir aliados e multiplicar iniciativas do que de criar uma linha coerente e integrada que junte peças - coisa que também fez em Lisboa quando foi vereador da Cultura. A esse nível João Soares padece do mesmo pecado que António Lamas: ambos gostam de controlar e de ter a última palavra. Estou à vontade no assunto: não alinho no muro de lamentações em torno de Lamas. Um dia, quando alguém contar a história verdadeira das coisas, se saberá quem apadrinhou a ideia de mudar o plano original do CCB, introduzindo a valência de ópera no Grande Auditório, que radicalmente desequilibrou o projecto arquitectónico original, deu uma machadada irrecuperável na acústica da sala, e foi responsável por uma grande parte do enorme desvio orçamental da obra. Se forem ver quem mandava no plano e acompanhava a construção perceberão melhor o efeito destruidor da tendência de ser programador de gostos pessoais  - e no caso pretendendo fazer tábua rasa do S. Carlos. Que fazia António Lamas à data? - Superintendia o organismo que tutelava a construção do CCB. Dele apenas sei, pelo que me diz quem com ele trabalhou, que é um autocrata, incapaz de delegar, que concentra tudo em si mesmo. Quis, agora, no CCB onde em má hora voltou, reproduzir uma coisa que fez bem em Sintra, num contexto de recuperação de monumentos e ruínas, preconizando uma gestão integrada de instituições com programações autónomas na zona de Ajuda-Belém, abrindo o caminho a descaracterizar cada uma delas. Nunca concordei com esta ideia e deixei-o aliás escrito. A posição de um Ministro é dar orientações - se as souber dar, claro. Não é demitir porque não se simpatiza - como aconteceu agora no CCB, mas também no S. Carlos.  A ver vamos onde isto vai parar. Como se sabe, e agora se tem visto, dirigir é bem mais difícil do que mandar. Na Cultura está a criar-se um Gulag. Em nome do antifascismo, claro, que de outra forma não podia ser. Uma palhaçada.


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SEMANADA -  O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse em Marrocos que o PS quer conquistar novo mandato governamental em 2019; Passos Coelho garantiu em Lisboa que o PSD está preparado para governar e admite voltar ao governo mesmo sem eleições antecipadas; as avaliações de Bruxelas a Portugal vão continuar  pelo menos até 2035, segundo dados do Eurogrupo; o Conselho das Finanças Públicas considera que existem “riscos importantes” no Orçamento de Estado e avalia como demasiado optimista a receita fiscal prevista; a dívida pública aumentou 3,34 milhões de euros em Janeiro, tendo atingido o total de 234 mil milhões de euros; nos últimos anos encerraram mais de 10% das escolas portuguesas; a McDonald’s anunciou que as refeições para crianças vão deixar de ter a indicação de que se destinam a rapazes ou raparigas, em funções dos brinquedos que têm como brinde, para evitarem estimular a descriminação entre sexos; uma mulher de Chaves tentou matar o marido por este não a querer deixar ir jogar ao casino; o regresso às 35 horas semanais a partir de Junho deste ano vai custar ao Serviço Nacional de Saúde entre 28 a 40 milhões de euros; as vendas de automóveis em Portugal atingiram as 20.640 unidades em Fevereiro, o que corresponde a mais 23,4% que as unidades vendidas no mesmo mês de 2015; 68% dos utilizadores de telemóveis já possuem smartphones e a penetração destes equipamentos aumentou 89% relativamente ao observado em Abril de 2013.


 


ARCO DA VELHA - O Pessoas-Animais-Natureza (PAN) pretende que seja possível deduzir as despesas veterinárias “em sede de IRS”, como despesa de saúde, beneficiando animais e pessoas que têm “animais de companhia” e manifestou-se contrário à utilização de coleiras em cães.


 


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FOLHEAR - Eu aposto que 99% dos autores de insultos variados a Henrique Raposo no Facebook não leram o livro que motivou a polémica que se criou em torno das suas declarações num programa da SIC Radical. O livro chama-se “Alentejo prometido”  e acontece que é um livro bem escrito e que aborda com originalidade um retrato do Alentejo, a região de onde a família do autor é originária, em temas como a vida, o papel da mulher, o suicídio, o desenraizamento depois da fuga para a grande cidade ou os seus arredores. Ora o retrato que Henrique Raposo faz é realista, elogiando a resistência das mulheres, recordando a vida na região na última metade do século passado, explicando o desespero de quem põe fim à vida ou as saudades da terra que se deixou. Não sou particularmente fã das colunas de opinião de Henrique Raposo - e neste momento ele está a ser vítima do estilo que usa na sua coluna e não do que escreveu neste livro, que é um bom livro. Mas o tema não é este - o que me irrita é a banalização de uma suposta superioridade moral da esquerda que justifica que se faça censura e se apelem a autos de fé contra esta obra e contra o seu autor. Em suma, pretendem vigiar a opinião mas nem sabem ler aquilo que criticam. Se lessem arrepender-se-iam de ter diabolizado “Alentejo prometido”. Eu não preciso que decidam por mim o que devo ler - quando não engraço com a coisa sigo em frente. Para dizer que não se gosta é preciso saber ler - uma coisa que exige paciência, atenção e algum desejo de aprender. E neste livro aprende-se.


 


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VER - Hoje estou em dia de contrariar os bem pensantes. Depois de ver o segundo episódio aqui declaro gostar de “Vinyl”, a série de Scorsese & Jagger, produzida pela HBO, que a TV Series está a exibir. Aceito que a coisa possa parecer fantasiosa, mas acreditem que, na época retratada, anos 70, a indústria discográfica era mesmo assim. Se achei o primeiro episódio, duplo, longo demais, achei o segundo com bom ritmo e certeiro. Vejo a série e adivinho alguns dos nomes reais que inspiraram os autores a criar aquelas personagens. “Empire”, outra série sobre o mesmo tema, é apenas uma variante mais pobre, embora mais contemporânea, sobre a mesma história.


 


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OUVIR - Francisco Silva é o criador de uma aventura musical chamada Old Jerusalem, que publica discos a ritmo incerto. O anterior trabalho datava de 2011 e agora, de repente, sai este “A Rose Is A Rose Is A Rose”, título inspirado em Gertrude Stein. Atrevo-me a dizer que este sexto álbum de originais é o seu melhor trabalho. Poder-se-iam detectar numerosas influências musicais neste CD - mas cada artista cria as suas obras a partir daquilo que mais o tocou. Fiquei rendido com o tema de abertura, “A Charm”, mas depois fui descobrindo, ao longo das dez canções, a espantosa energia e eficácia de uns arranjos que, se tivessem errado, seriam apenas espampanantes em vez de impressionantes. A responsabilidade de uma riqueza sonora que convive com a simplicidade deve ser assacada ao pianista Filipe Melo. Mas é ao “clandestino” Francisco Silva que se deve mais este episódio das aventuras sonoras dos Old Jerusalem, algo do melhor que se tem feito neste pequeno rectângulo.


 


PROVAR -  Uma série de amigos andava a falar-me, desde há uns tempos, de um restaurante que fica perto da Estrada da Luz, na rua da Loja do Cidadão, chamado Bom de Veras. Nos últimas semanas fui lá duas vezes e em ambas dei por bem empregue o tempo e fiquei contente com o resultado da prova. Da primeira vez comi um dos pratos do dia - e vale sempre a pena perguntar ao proprietário, Luis Filipe, o que tem para propôr que não esteja na carta. Normalmente estas propostas são comida de conforto, caseira, bem portuguesa e muito bem confeccionada. Na lista há especialidades como uma empada de carne, uma coxa de pato confitada ou um bacalhau fresco sobre cama de brás - em que o fiel amigo vem invulgarmente bem afinado na confecção. O couvert conta com umas azeitonas muito bem temperadas. Quanto aos vinhos não se fiquem pela lista e peçam sugestões: eu segui a recomendação de uma Quinta das Camélias Reserva, magnífico tinto que faz jus à evolução que a região tem tido. Os preços dos vinhos não são especulativos e a conta é honesta. A sala tem duas zonas - para fumadores e não fumadores e ao Domingo há um buffet de cozido que tenho ouvido louvar com frequência - e nesse dia é mesmo preciso marcar. Bom de Veras - Rua Abranches Ferrão nº 17, telefone 217 266 203.


 


DIXIT - “É preciso dizer que o jornalismo do cidadão é uma treta” - Carlos Magno, Presidente da ERC


 


GOSTO - De ter um Presidente que diga que a comunicação social é essencial para a democracia, como Marcelo Rebelo de Sousa fez esta semana - bem melhor que um Presidente que se gabava de não ler jornais, como Cavaco Silva.


 


NÃO GOSTO - Dois terços dos médicos e enfermeiros apresentam sinais de esgotamento.


 


BACK TO BASICS - Os jornais não se podem preocupar em ter amigos - Joseph Pulitzer.