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maio 19, 2017

SOBRE AS DIFERENTES POLÍTICAS DO PS NO PAÌS E EM LISBOA

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DIVERGÊNCIAS - Esta semana dei comigo a pensar que vivemos a duas velocidades: o país tem uma política, Lisboa tem outra. No país a geringonça esforça-se por promover a inclusão e regista melhores resultados que os esperados; em Lisboa o PS promove a exclusão, incentiva a gentrificação da cidade, afasta os habitantes para a periferia. António Costa e Fernando Medina parecem o polícia bom e o polícia mau das velhas histórias. Lisboa vive debaixo de uma chuva de milhões de receitas trazidas pelo turismo e pela aplicação de novas taxas e comporta-se como um novo rico esbanjador. A desproporção entre os investimentos sociais e os gastos em decoração e festarolas é enorme. A EGEAC, a empresa municipal que gere a área da Cultura, é um particular exemplo de delírio, aplicando a régua e esquadro o princípio medinista de que tudo deve acontecer ao mesmo tempo, não olhando a custos nem a propósitos.  No meio de tudo isto espanto-me, é claro, com o silêncio cúmplice dos Cidadãos por Lisboa, a muleta eleitoral que Costa usou nas anteriores autárquicas e que de insubmissos passaram a cordeirinhos sossegados nos corredores do poder. O que vale a Medina é o despautério em que a oposição se encontra, e os comportamentos de outros candidatos, oscilando entre as gaffes e a ausência. Medina, o senhor milhões, tem no entanto uma incógnita: nunca antes foi ele próprio directamente a votos. E continua sem formalizar a sua candidatura, obviamente para ir fazendo campanha, gastando os milhões que não são seus e fingindo que está apenas a cumprir funções.


 


SEMANADA - A inspecção geral das Finanças demorou um ano a fazer sínteses de uma página de dez auditorias prontas em 2015; segundo dados do Eurostat, ajustado ao poder de compra, Portugal lidera a lista dos países da União Europeia com preços mais caros tanto na eletricidade como no gás; os indicadores de crescimento económico são positivos e prevê-se um crescimento de 2% no PIB; dados do Banco de Portugal indicam que os portugueses estão a faltar mais ao pagamento do crédito ao consumo, sobretudo nos cartões de crédito, e que duplicaram as irregularidades nos bancos; Marcelo Rebelo de Sousa alertou contra o deslumbramento dos números  e sublinhou que após a viragem económica é altura de atacar os problemas estruturais; em Portugal registam-se doze mil novos casos de cancro da pele por ano; segundo o Ministério Público os instrutores dos comandos sabiam que estavam a pôr vidas em risco na prova de instrução que causou duas mortes em Setembro de 2015; a revisão da Lei Eleitoral prevê o fim do número de eleitor e a sua substituição pelo cartão de cidadão com recenseamento automático; a detida mais velha do país, tem 89 anos, é brasileira e está em prisão preventiva por suspeita de ter vendido por 300 mil euros um prédio em Lisboa que não era seu; nos primeiro três dias após a vitória na Eurovisão Salvador Sobral foi citado em 1.641 notícias em todo o mundo e foi na Alemanha que teve direito a mais referências nas notícias; na semana passada a RTP1 ficou em segundo lugar das audiências, o que já não acontecia há muito tempo.


 


ARCO DA VELHA - A Guarda Nacional Republicana apreendeu 708 mil euros em dinheiro, 36 quilos de droga e dezenas de armas nos quatro dias em que as fronteiras foram controladas pelas autoridades, no âmbito da visita do papa Francisco a Portugal.


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FOLHEAR - A revista “Holiday” foi das primeiras grandes publicações dedicadas a viagens e na sua época áurea, os anos 50 e 60 do século passado, contou com grandes nomes entre os seus colaboradores, como Truman Capote, Jack Kerouac e Graham Greene. Em final de 1977 a “Holiday” fechou e 37 anos depois regressou num formato bi-anual, com um enfoque grande em moda usando apenas as viagens e os locais como pretexto. Franck Durand, um Director de Arte francês, é o impulsionador desta nova série, que é publicada duas vezes por ano em Paris, em língua inglesa. A edição da Primavera-Verão 2017, tem por tema a California- a terra onde está Silicon Valley, Hollywood e, claro, Los Angeles. Esta é a verdadeira “promised land” do imaginário americano, o espaço onde tudo é possível, dessde a corrida ao ouro de meados do século XIX ao despontar da contra-cultura em meados dos anos 60 e o explodir da tecnolgia no final do século passado e no início deste. É a região onde criatividade e liberdade andam de mãos dadas e dão bom dinheiro a ganhar - um combinação improvável mas, neste caso, verdadeira. O que esta edição da “Holiday” propõe é uma viagem pelo wild west, que foi primeiro um território espanhol, depois parte do México e finalmente um estado da União - Zorro, no fundo, era apenas um independentista. As fotografias de Bruce Weber mostram este Oeste sob o pretexto da moda local, o portfolio sobre a Getty Villa exibe o esplendor dos anos 50, a história de David Hockney em Los Angeles e Hollywood nos anos 60 conta a aventura de um tempo. E há ainda as fotografias de rua de Bruce Davidson, a história de como F. Scott Fitzgerald entrou no mundo do cinema e, por fim, um roteiro da viagem por estrada de São Francisco a Los Angeles. São 280 esplêndidas páginas.


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VER - Esta é a semana da ARCO, a feira de arte que Madrid exportou para Lisboa, e que vai na sua segunda edição, entre polémicas na selecção dos galeristas e um grande impacto público. Ao mesmo tempo da Feira decorrem uma série de actividades em paralelo, como a inauguração de novos espaços (a Galeria Francisco Fino no Beato ou a madrilena MaisTerraValbuena, em Alvalade - os dois dinâmicos pólos de arte da cidade). A ARCO decorre na Cordoaria, tem 58 galerias, 23 delas portuguesas. No ano passado a ARCO Lisboa foi visitada por 13 mil pessoas, este ano espera-se que o record seja batido até domingo às 18h00, quando encerrará a edição deste ano. Logo à entrada José Pedro Croft, o artista escolhido para representar Portugal este ano na Bienal de Veneza, apresenta três peças inéditas no stand da Galeria Vera Cortês e Paulo Nozolino, representado pela Quadrado Azul, será o único português na Photo España. Do numeroso programa de actividades paralelas à ARCO destacam-se as novas exposições no MAAT, uma nova exposição nas Carpintarias de São Lázaro onde a galeria Belo-Galsterer apresenta “Shadows” de Alfredo Jaar e, na sexta feira, a inauguração de “Uma Pintura e Uma Floresta”, de Pedro Cabrita Reis, no Pavilhão 31 do Hospital Júlio de Matos e que lá ficará até 30 de Junho, pela mão da Galeria João Esteves de Oliveira.


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OUVIR -  Meio mundo descobriu Salvador Sobral no sábado passado graças à vitória no Festival da Eurovisão. Conhecido sobretudo por ter participado em alguns programas de televisão antes do Festival, uma faceta menos conhecida da sua actividade musical é o disco que lançou no final do ano passado, “Excuse Me”. Trata-se de um surpreendente CD com 12 temas, sete dos quais originais do próprio Salvador Sobral e do venezuelano Leo Aldret. O álbum inclui versões de temas clássicos como “Nem Eu” (de Dorival Caymmi), de “Autumn In New York” (de Vernon Duke), “After You’re Gone” (de Henry Creamer e Turner Layton), “Ay Amor” (do cubano Bola de Nieve, aliás Ignacio Villa Fernandez) e, finalmente um tema da irmã, Luisa Sobral “I Might Just Stay Away”.  Foi em Barcelona, quando estudou na escola Taller de Músics, que colaborou com a banda Noko Woi, formada por venezuelanos radicados em Barcelona e foi assim que conheceu Leonardo Aldrey, o venezuelano que co-produziu “Excuse Me”, com o pianista Julio Resende e o próprio Salvador Sobral. Sobre a forma como o cantor se revelou neste disco Miguel Esteves Cardoso escreveu: "A voz dele é límpida e aérea. Tem uma musicalidade irrequieta que se atreve a cantar por cima do canto. Canta como se toda a música dependesse dele. Cada canção é um tudo ou nada.". Aqui está uma boa altura para descobrir “Excuse Me” - CD edição Valentim de Carvalho.


 


PROVAR - Manter a qualidade daquilo que uma casa oferece aos seus clientes é mais que meio caminho andado para defender a reputação e fidelizar a clientela. Nos restaurantes a reputação é muitas vezes um bem que se degrada mas não é o caso nos grandes clássicos, como a Versailles, Ao longo dos anos esta pastelaria, casa de chá e restaurante conquistou clientes. A casa vai-se enchendo em levas sucessivas, desde as sete e meia da manhã até à meia-noite. Há bolos que são uma ameaça ao bom senso - como os caracóis, talvez os melhores de Lisboa. Junto ao Metro do Saldanha, a Versailles é ponto de encontro e é cenário de muitas reuniões e conspirações. A hora do almoço é particularmente concorrida - esplanada cheia, mesas cheias na entrada e na mezzanine, o longo balcão repleto. O balcão tem uma hierarquia - bolos e doces ao pé da porta, salgados lá para o fundo. Ao almoço mais de uma dezena de empregados afadigam-se só ao balcão e os clássicos da casa estão sempre a sair: os pastéis de bacalhau com feijão frade, os rissóis de camarão com salada russa e os famosos croquetes da casa com salada mista - também podem vir com batata frita e esparregado. Na realidade os salgados da Versailles proporcionam um infindável número de composições com as diversas saladas e acompanhamentos à escolha. Todos são fresquíssimos e bons - claro que os croquetes são especiais. Além disso a Versailles oferece outra coisa, além da comida: o espectáculo, que começa na decoração clássica, que tem sido bem preservada, e que passa sobretudo pelas pessoas e pela azáfama de quem lá trabalha. A Versailles não é apenas uma pastelaria ou um restaurante, é um mundo. Avenida da República 15A, telefone 213 546 340.


 


DIXIT - "É uma obra arriscada, por baixo de edifícios antigos e muito frágeis, isto vai provocar problemas complicadíssimos” - Pompeu Santos, engenheiro civil especialista em infraestruturas, sobre a decisão de construir as estações de metropolitano da Estrela e Santos.


 


GOSTO - Da instalação que Ana Pérez-Quiroga expõe no MAAT, uma casa de uma única divisão, em que todo o mobiliário e objectos foram desenhados pela artista. A casa, no interior do edifício da Central Tejo, pode ser alugada (duas noites, 50 euros).


 


NÃO GOSTO - Portugal está entre os cinco países com mais adolescentes obesos.


 


BACK TO BASICS - “Cada um de nós devia, todos os dias, ouvir uma pequena canção, ler um bom poema, ver uma obra de arte e, se possível, dizer algumas palavras com sentido” - Goethe





 




dezembro 31, 2016

MEDINA IMPULSIONA TRÂNSITO PERIGOSO



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A Câmara Municipal de Lisboa resolveu alterar significativamente o trânsito da zona de Campolide e Marquês da Fronteira. O cruzamento ao cimo da Av. Miguel Torga deixou de permitir a viragem para a Rua D. Francisco Manuel de Melo, obrigando a seguir em frente e virando depois na Padre António Vieira, um cruzamento sem semáforos e com má visibilidade, mais perigoso. Paradoxalmente, quem vem da Marquês de Fronteira pode à mesma seguir pela D. Francisco Manuel de Melo. A situação mais perigosa, no entanto, ocorre no cruzamento entre a Marquês de Fronteira, a Artilharia Um e a Miguel Torga. Como o trânsito se complicou bastante com as alterações feitas, quem vem desta última artéria, a subir, arrisca-se a ficar no meio do cruzamento, sem indicação de semáforos, arriscando-se a levar com um carro em cima, ainda por cima numa zona de dificil visibilidade. E quem vem da Marquês da Fronteira e quer virar para a Rua de Campolide ficou também com a vida mais dificultada com a faixa à direita quase sempre bloqueada. O Presidente da Câmara, Fernando Medina, o Vereador Manuel Salgado e os serviços que regulamentam o trãnsito em Lisboa são os responsáveis pela calamitosa situação que prejudica gravemente os residentes  locais, sobretudo os moradores na Freguesia de Campolide  - nada de novo numa política autárquica que tem por princípio fazer a vida difícil aos munícipes. Eu não sei quem planeia estas alterações, mas pelo que está à vista, deve ser alguém que está sentado num gabinete e nem conhece o local. Senhor Medina, vá ver o que fez, assuma o trânsito perigoso que criou e o desconforto que deu de prenda de Natal a quem ali vive.



março 18, 2016

COMO IRÁ FICAR O NOSSO AUTO-RETRATO?

AUTO-RETRATO - Estamos aqui entretidos com o nosso orçamento - o primeiro orçamento em que o PCP votou favoravelmente em dezenas de anos - e o resto da Europa não se rala muito com os nossos sobressaltos internos. Não se vê grande eco dos acontecimentos lusitanos por essa União fora. Em contrapartida ouve-se o ranger de dentes que o Banco Central Europeu provoca, sente-se o arrepio que o resultado das eleições na Alemanha desencadeou, palpita-se a inquietação sobre as conversações com a Turquia, percebe-se a insegurança que a situação em Espanha produz nos analistas. Portugal é  a última preocupação da Europa, é um dano colateral na melhor das hipóteses. Se a coisa correr mal e Costa não tiver o tal plano B, a Comissão Europeia não vai ser branda no julgamento e, mais uma vez, perceberemos a asneira tarde demais. Gostaria que não fosse assim, mas a Europa é o que é, e nós temos a dimensão que temos. Ou seja, estamos entre a espada e a parede, local onde recorrentemente voltamos. Vou gostar de seguir a execução orçamental, vou gostar de ver se as previsões de receitas com o aumento dos impostos nos combustíveis se cumprem, se a descida do IVA na restauração tem algum efeito prático, se a despesa pública não explode com subsidios a taxis e benefícios fiscais a animais. A vida não está fácil e da maneira que as coisas estão não vejo maneiras de melhorar. A nossa selfie arrisca-se a ficar desfocada.


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SEMANADA - Marcelo pegou no seu próprio carro e foi visitar Mário Soares a casa no Domingo; 28% dos portugueses entre os 16 e 74 anos nunca usaram a internet - a média europeia é de 16%; Portugal teve a mais baixa taxa de fertilidade da União Europeia em 2014; as despesas de veterinário com animais domésticos até ao limite de 250 euros anuais vão poder ser deduzidas no IRS; no ano passado as infecções hospitalares mataram sete vezes mais que os acidentes rodoviários - 12 pessoas por dia; o Ministério da Educação reconheceu não saber quantos professores estão de baixa; um relatório internacional revelou que os adolescentes portugueses são os que menos gostam da escola nos 42 países analisados; em 2015 foram feitas mais de 300 mil queixas nos livros de reclamações, sobretudo nos sectores do comércio e restauração; a DECO recebeu quase 700 mil queixas em 2015, um aumento de 24% face a 2014, com o sector da energia e das telecomunicações a motivarem o maior numero de reclamações; os despedimentos colectivos aumentaram 32,5% desde Janeiro; Angola e Brasil foram responsáveis por uma quebra de mil milhões nas exportações portuguesas em 2015; ainda há 156 milhões de euros em notas de escudos por trocar; por causa da diferença no preço dos combustíveis, devido à carga fiscal, os portugueses abastecem cerca de um milhão de euros por dia em Espanha; o governo vai criar novas taxas que aumentarão o peso das receitas obtidas pela chamada fiscalidade verde; o Governo propõe-se atribuir financiamentos de 17 milhões de euros com o intuito de promover a modernização dos taxis; um quarto dos carros da PSP estão parados, avariados ou para abate.


 


ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal de Lisboa, que metodicamente toma medidas para dificultar o trânsito automóvel e a vida dos automobilistas, encara proceder à demolição quase total da Vila Martel, na encosta da Glória, onde trabalharam alguns dos maiores nomes da pintura portuguesa, para construir um estacionamento robotizado de catorze andares - chama-se a isto o Paradoxo de Medina. Que triste sina a de Lisboa…


 


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FOLHEAR - Os meus leitores saberão que eu me interesso por experimentar restaurantes, petiscarias, locais variados desde que não sejam pretensiosos, onde se pratique boa cozinha.  Além disso também já terão notado que eu sou um crente na possibilidade da sobrevivência do papel impresso - nomeadamente das revistas. Já aqui falei algumas vezes sobre a quantidade (e qualidade) de novas revistas que vão surgindo, muitas dirigidas a nichos, outras mais abrangentes. A partir de agora há um local em Lisboa, na Rua Marquês Sá da Bandeira 88, perto da Gulbenkian, onde se pode encontrar esta nova geração de revistas e apreciar a diversidade e criatividade que o sector tem. Este quiosque contemporâneo chama-se Under The Cover (vejam a página no Facebook com o mesmo nome). Uma das revistas que por estes dias lá vi e trouxe para casa chama-se “The Gourmand - A food and culture journal”. Na primeira página está uma citação de Leonard Cohen: “we humans are always looking for things to do between meals”. The Gourmand tem uma periodicidade semestral, é editada no Reino Unido e lá tem um preço de 12 libras. Foi considerada a revista do ano em 2015. Cada edição mistura objectos com comida, receitas com reportagens, entrevistas com ensaios. A fotografia é exemplar, a ilustração é cuidada. Neste número 7, editado em finais de Janeiro, destaco um ensaio de um linguista sobre a forma como os menus, as criticas de restaurantes ou a apreciação de vinhos é escrita - um texto deslumbrante intitulado “Sex, Druga And Sushi Rolls”. Embora não goste de franceses, gostei da introdução aos princípios básicos da cozinha francesa a propósito dos conselhos culinários de Alexandre Dumas; gostei ainda mais da história sobre as habilidades gastronómicas do vampiresco actor Vincent Price e guardei  as receitas que vêm no final da revista - e que em algum ponto são mencionadas num dos seus artigos. Sugiro que vá à Under The Cover ver a revista ou que visite o site  thegourmand.co.uk


 


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VER - Esta recomendação é para quem está no Porto. Na Galeria Árvore ( Rua Azevedo de Albuquerque 1), está uma exposição que agrupa obras de Cristina Ataíde (na imagem), Graça Pereira Coutinho e Ana Vidigal sob o título “O Sublime Flamejar das Pestanas”, com curadoria de Albuquerque Mendes. Cada uma das artistas tem um espaço próprio na exposição e há uma zona comum onde as obras de todas se cruzam, estabelecendo o diálogo de partida. A ideia é evocar uma casa onde cada divisão é habitada por uma pessoa e existe uma zona comum que é de todas. São 30 obras, entre cerâmicas, pinturas e instalações, em exposição na Árvore até ao fim do mês.


 


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OUVIR - No princípio é a linha do baixo; depois, é  a voz. A voz, aqui faz a diferença. A simplicidade dos arranjos ajuda. A clareza das palavras é bem vinda. O som simples e despretensioso é uma benção. De repente dei comigo a trautear estas canções dos Minta & The Brook Trout. A pôr o disco a tocar vezes seguidas - para ouvir a voz surpreendente de Francisca Cortesão, a guitarra discreta e eficaz de Bruno Pernadas, o baixo de Mariana Ricardo, as teclas de Margarida Campelo, a percussão de Nuno Pessoa. Há muito tempo que uma banda portuguesa não me surpreendia tanto como aconteceu com “Slow”,. este disco dos Minta & The Brook Trout, um grupo que ao todo já tem meia dúzia de registos no activo. Devo dizer que as canções, as onze histórias que estão neste disco, são da autoria de Francisca Cortesão. Parecem autobiográficas, estão muito bem escritas - um sentido rigoroso na utilização das palavras, cantado em inglês. É o meu disco português do mês. CD NorteSul/ Valentim de Carvalho.


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PROVAR -  Raramente utilizo açúcar - nem no café. Também não uso adoçantes. Em geral não bebo refrigerantes adocicados. Mas o chocolate… o chocolate é um incontornável vício. Gosto dele duro e amargo. Uma variante possível são farripas de casca de laranja cobertas com chocolate escuro. Em relação aos ovos da Páscoa, durante muito tempo dediquei-os às crianças. Mas quando descobri que a chocolataria Equador tinha ovos de chocolate preto fiquei naquela fase do regresso à infância. Só me apetecia que me escondessem ovos desse chocolate nos cantos da casa para eu os ir descobrindo. Esta versão adulta dos ovos de chocolate veio trazer uma Páscoa diferente. Nunca é tarde para actualizarmos as nossas memórias e para descobrirmos novos prazeres,  neste caso na Chocolataria Equador - no Porto na Rua Sá da Bandeira 637, e em Lisboa na Rua da Misericórdia 72. O difícil é escolher.


 


DIXIT - “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, ele vira ministro" - Lula da Silva, 1988


 


GOSTO - Há uma editora portuguesa de Jazz, a Clean Feed, que se tornou uma referência no jazz internacional e que editou 400 discos nos 15 anos que já leva de vida e que agora celebra.


 


NÃO GOSTO - Do caos das obras em Lisboa, dos projectos feitos à pressa e que são interrompidos para serem corrigidos e nunca mais sãoretomados, do desprezo que a autarquia manifesta pelos lisboetas que são quem sustenta o incompetente desgoverno da cidade.


 


BACK TO BASICS - “Gosto do cinema que me faz mexer na cadeira” - Nicolau Breyner