O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
setembro 05, 2026
A VOLTA MOLHADA
Agora, quando vou ao supermercado, além da lista de compras levo um saco para entregar às máquinas do Volta. Declaro desde já que gosto de ir ao supermercado, espreitar as prateleiras, descobrir novidades, bisbilhotar quem oferece brindes ou descontos, eventualmente comprar a preço reduzido produtos que estão em fim de prazo. Costumo dizer que um dia sem ir ao supermercado não é dia para mim. Por isso não é o ir ter com a máquina que me aborrece. O que me aborrece é não ter resposta do mecanismo. São mais as vezes que as encontrei fora de serviço do que as vezes em que consegui fazer a troca pelo talãozinho. Num destes dias de chuva deparei-me com uma situação nova: a máquina tinha-se afogado, deve ter-lhe entrado água para as entranhas e constipou-se. Deixou de reagir. Uma alma caridosa tapou-lhe as ranhuras e a pobre deixou de engolir. Encontrei-a assim e ao longo dos últimos sete dias é assim que continuo a vê-la. Deixou de ter utilidade, deixou de poder fazer o seu trabalho. Por causa da molha na mala do carro acumulam-se garrafas de litro de água das Pedras, que é a única coisa que lhe posso dar. Não tenho muito carinho por esta geringonça, mas ao fim de uma semana já tenho saudades de a ver a acender luzes, a espreitar a garrafa a desaparecer para dentro dela. Assim como está não serve para nada, a não ser para me aborrecer. No fundo está a cumprir a função para que foi criada: aborrecer os clientes com este volta que é useiro em não querer volta. Não deixa de ser curioso: a Volta meteu água.