setembro 04, 2015

SOBRE A HIPOCRISIA NA POLÍTICA E O PAPEL DO ACCIONISTA NO CASO DA LUSA

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LUSA- Na passada terça-feira a Administração da agência de notícias portuguesa, a Lusa, decidiu que era altura de fazer uma reestruturação, constatou que não tinha confiança no Director de Informação e comunicou-lhe que estava demitido. Fez constar que queria um perfil com experiência de gestão e controlo orçamental e, à tarde, anunciou um novo Director de Informação, que até há pouco tempo fora Director da “Visão”, sem particular experiência nas áreas pretendidas. Não estão em causa pessoas, diga-se: não conheço o Director demitido pessoalmente, tenho boa ideia profissional dele, sei que cursou Economia na Nova e que foi correspondente da Lusa junto da UE em Bruxelas, constato que tem muitos anos de agência noticiosa, um meio que para todos os efeitos requer um jornalismo diferente, na forma e na organização, do que se faz num jornal ou numa revista, para já não falar em rádio e televisão, e sobretudo nesta nova área digital. O novo Director, se recolher os pareceres favoráveis legalmente necessários, é, em contrapartida, uma pessoa que conheço, por quem tenho estima pessoal, e que fez boa carreira profissional nos jornais e revistas, mas sem experiência anterior de agência noticiosa. Toda esta movimentação se passa a um mês de eleições legislativas - e mesmo sendo certo que o Director demitido fica em gestão corrente até à data do acto eleitoral, não é menos verdade que perdeu legitimidade de poder editorial e ganhou condicionalismos. Acontece também que devido às dificuldades de muitos orgãos de comunicação, que ficaram com redacções menores e menos experientes, o noticiário fornecido pela agência Lusa ganhou indíces de publicação e difusão como já não acontecia há alguns anos - daí vermos cada vez mais o mesmo texto em notícias de jornais diferentes sobre o mesmo assunto, o que aliás volta a colocar o papel de Serviço Público da agência na ordem do dia. Diga-se ainda que este aumento de penetração do noticiário da agência abona a favor da Direcção demitida. Inevitavelmente o noticiário que a Lusa fornecerá sobre a campanha eleitoral será concerteza muito utilizado por orgãos de comunicação que não têm meios para seguir todos os partidos concorrentes. Portanto esta é uma decisão com consequências políticas incontornáveis. Ora acontece que a Lusa é detida maioritariamente pelo Estado, que é o seu accionista principal. O Ministro que a tutela, Poiares Maduro, veio rápido dizer, como é seu costume, que não interfere ( creio que o tempo trará ao de cima algumas histórias sobre essa matéria). O meu ponto de vista é que neste caso faz mal em não interferir - não na redacção, onde de facto não deve, mas na Administração, onde é seu dever ser vigilante: um accionista maioritário não pode ser indiferente a uma mudança estrutural que pode ter repercussões no seu próprio core business - que no caso de um governante é a política - e nos seus stakeholders, ainda para mais numa área tão delicada como a informação. Ao demitir-se do papel de accionista e ao dar aval à Administração para ter tomado estas decisões (nem quero imaginar que não tenha sido avisado antes…), Poiares Maduro presta um péssimo serviço e, em nome da decência, devia assumir as suas responsabilidades. Este é daqueles casos em que não chega afirmar ser sério, tem que mostrar que o é. E este Ministro tem-se escusado demasiadas vezes a mostrá-lo. Mesmo em política a hipocrisia tem limites.


 


SEMANADA - As greves da TAP agravaram os prejuízos da empresa em 60 milhões de euros; metade dos desempregados não trabalha há mais de dois anos; muitos desempregados não têm as qualificações pedidas por empresas e muitas empresas não conseguem empregar os mais qualificados; as exportações portuguesas de artigos de pele quadriplicaram desde 2009; Cristiano Ronaldo encomendou ao escultor que fez a sua estátua para o Museu de Cera de Madrid uma réplica em tamanho real para decorar a sua casa na capital espanhola, que custará 27 mil euros; o Director do Museu de Cera de Madrid disse que Ronaldo envia todos os meses um cabeleireiro para escovar o cabelo natural da sua estátua; em Agosto a Ferrrari vendeu cinco automóveis em Portugal e a Porsche 12; o Partido Democrático Republicano, de Marinho Pinto, tem tentado, sem sucesso, obter financiamentos bancários para a campanha eleitoral; em Julho e Agosto registaram-se mais de 12 mil incêndios florestais, mais fogos que em França e em Espanha juntas; segundo a Marktest, entre Janeiro e Junho, mais de 5 milhões de portugueses acederam a partir de computadores pessoais a sites de jornais, revistas e de notícias nacionais; em Julho, 27% das páginas dos sites auditados pela Marktest foram acedidas através de equipamentos móveis e face ao mês homólogo de 2014 os smartphone foram os equipamentos que mais quota ganharam; demitiu-se o director de campanha de Sampaio da Nóvoa, ao saber que após as legislativas seria substituído por um deputado do PS; Manuela Ferreira Leite vai apresentar um livro do ex-dirigente socialista Pedro Adão e Silva, sobre os mitos do Estado Social; há cinco mil docentes para os 78 mil alunos com necessidades educativas  especiais e muitas destas crianças só têm meia hora de apoio por semana,


 


ARCO DA VELHA -  Em Portugal gasta-se mais dinheiro em cápsulas de café expresso do que em livros e os números revelam que mais de metade da população portuguesa pode atravessar a vida sem ler um livro completo fora dos manuais escolares.


 


FOLHEAR - Regresso à revista Monocle, depois de um breve interregno estival. O Número de Setembro é a edição dedicada todos os anos ao empreendedorismo, desta vez com particular enfoque nas start ups e em negócios familiares. O suplemento especial, guia do mês, é dedicado a Singapura. Destaque ainda para uma reportagem sobre o império mediático da Globo no Brasil e para uma viagem ao interior da Ordem de Malta, enquanto Estado soberano. Em relação a Portugal há uma página de publicidade redigida da Renova com conteúdos um pouco confusos, e, em termos informativos, além de uma nota sobre a pasta dentífrica Couto, há um curto texto sobre as próximas eleições onde se destaca o facto de o Governo ter conseguido evitar o caminho da ruína, como aconteceu na Grécia - embora se diga que votar a favor da continuação da austeridade coloca escolhas difíceis. A Espanha aparece com quatro páginas de conteúdos patrocinados, quer sobre os museus de Madrid, quer sobre bares e restaurantes da cidade, e ainda uma peça sobre a conciliação da recuperação urbana com pequenos negócios domésticos. Também fiquei a saber que na Turquia há uma revista mensal sobre desportos que não o futebol  que dá pelo nome de “Socrates”. Finalmente o mês trouxe outra novidade, uma newsletter diária da Monocle, a “Monocle Minute”, que pode ser subscrita no site da revista. Assim se reforçam os laços de uma comunidade.


 


VER - Com o Verão a acabar e o Outono a dar sinais é boa altura para planear uns passeios. Sugiro uma visita ao Museu Automóvel do Caramulo onde, até 6 de Dezembro pode ser vista uma exposição sobre os Micro-Carros e as suas histórias. Além disso há a bela colecção de automóveis e de motociclos antigos, de brinquedos relacionados com veículos motorizados e  uma colecção de arte, clássica e contemporânea. Além disso decorre uma iniciativa de crowdfunding para recuperar um  histórico Messerschmitt KR200 de 1958 , o “Messi”- informações em www.museu-caramulo.net. No mesmo site obtenha informações sobre o Caramulo Motorfestival, que decorre até sábado, um evento dedicado aos automóveis e motociclos clássicos e desportivos.


 


PROVAR - Para aqueles que ainda estão de férias a sul, aqui ficam umas impressões gastronómicas de uma semana no Algarve, na zona do Alvor. Começo pelo Restinga (282 459 434), que fica mesmo na praia e foi onde encontrei o serviço mais simpático, a melhor relação qualidade/preço e onde provei a melhor confecção culinária - uma canja caldosa de garoupa e ameijoas que estava verdadeiramente fora de série. Já o Àbabuja, na zona ribeirinha de Alvor, foi uma completa desilusão - serviço fraco e com piadolas, uns lingueirões à bulhão pato de fraca qualidade e excessivamente temperados, um peixe razoável de grelha mas demasiado amolecido para ser bem fresco - e uma má relação qualidade/preço; em contrapartida, em Ferragudo, no Sueste, encontrei o melhor peixe grelhado, exemplarmente fresco e preparado, um xerém de ameijoas impecável, um serviço sempre atento e um preço justo para a qualidade (Rua da Ribeira 91, frente ao cais - na foto -  vista magnífica sobre Portimão, telefone 282 461 592). Aquele que mais me aborreceu foi o Caniço, na Prainha, que me vinha bem recomendado e onde, depois de me terem aceite uma reserva para o jantar do dia seguinte, me fizeram a partida de informar, poucas horas antes, que afinal a reserva ficava sem efeito - é isto que dá má fama a qualquer casa.


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 DIXIT - “(A UE) chama ao drama dos refugiados ‘um assunto urgente’. mas só tem vaga na agenda para uma reunião extraordinária daqui a 15 dia. É sempre lesta a reunir aos domingos sobre a moeda única, fomentar maratonas negociais para vergar parceiros ou ter governantes a fazer figuras tristes no Twitter, mas não consegue arranjar umas horas para, em conjunto, discutir medidas urgentes que salvem vidas e salvaguardem Schengen” - Bernardo Pires de Lima.


GOSTO - Da decisão de Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, de alienar as residências pertencentes ao Estado em Porto Santo, que eram apenas utilizadas como casas de férias pelos anteriores responsáveis regionais, nomeadamente Alberto João Jardim.


NÃO GOSTO - Da cobardia da maioria dos responsáveis europeus no caso dos refugiados.


BACK TO BASICS - A imaginação é mais importante que o saber, porque o saber é limitado (Albert Einstein)


 


 

RTP GANHA NA BOLA, SIC E TVI NO ENTRETENIMENTO

É sempre muito curioso analisar qual o minuto mais visto de cada canal. Na semana passada os dois canais de serviço público tiveram o seu pico de audi~encia em transmissões desportivas – o jogo CSKA –Sporting e o empolgante jogo de Futsal entre o Benfica e o Fundão. A SIC conseguiu o seu melhor momento com a novela Mar Salgado e a TVI com o concurso de talentos infantil Pequenos Gigantes. De sublinhar ainda o bom resultado obtido sábado pela estreia de “Som de Cristal”, de Bruno Nogueira, na SIC.


Este concurso, Pequenos Gigantes, que na semana anterior tinha vencido as novelas, não conseguiu desta vez derrotar Mal Salgado. Mas as TVI colocou mais três programas nas posições cimeiras – as novelas A Única Mulher e Jardins Proibidos e ainda o Jornal das 8 de Domingo, que inclui o comentário de marcelo Rebelo de Sousa.


Também no cabo foi uma boa semana para a TVI, com a TVI24 a conseguir mais uma vez ficar à frente da SIC Notícias. Nos canais de séries, embora a nível nacional o AXN continue a liderar, na zona da Grande Lisboa a Fox está com uma vantagem assinalávelsobre a concorrência.


Uma coisa curiosa de seguir é a forma como aos fins de semana o consumo de canais de cabo dispara – da média de 32-33% de share durante a semana, passam para os 36% aos sábado e domingo – concerteza que as transmissões dos canais desportivos têm peso nisto, mas é um fenómeno que começa a valer a pena analisar com maior detalhe.


 


(Publicado dia 4 de Setembro na SEXTA TV& Lazer do Correio da Manhã)

agosto 21, 2015

SOBRE O PARADOXAL EFEITO DE FALAR DE PRESIDENCIAIS NA CAMPANHA DAS LEGISLATIVAS

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ESQUINA 632 - 21 AGOSTO 2015


 


MIXÓRDIAS - Há um espectro que assola as eleições de 4 de Outubro e dá pelo nome de presidenciais. A proximidade das duas eleições - as presidenciais serão em Janeiro próximo - e o termo do derradeiro mandato do actual Presidente da República constituem uma mistura explosiva. Esta semana António Costa, imagino que involuntariamente e sem pensar muito, como é sua característica - veja-se o patético caso dos cartazes - , chamou a função presidencial à baila no que ao resultado das eleições legislativas diz respeito. Num cenário de separação das duas eleições, já de si complicado, veio colocar a questão presidencial em primeiríssimo plano. Este tema vai durar até ao final da campanha eleitoral e não ajuda ninguém. Até ao momento as sondagens indicam um empate técnico entre o PS e a coligação PSD-PP. Por muitas evoluções que se verifiquem o cenário de uma maioria absoluta de qualquer destes intervenientes parece muito improvável. Ambos já recusaram entendimentos um com o outro - apesar de a aliança contra-natura ser o pão nosso de cada dia na Europa Central. Esta semana um alto funcionário português da Comunidade Europeia chamou-me a atenção para isso mesmo, adiantando aliás que essa capacidade de entendimento seria um bom exemplo das melhores práticas políticas que dão consistência à Europa. Muito modestamente acho que essa é a raiz dos males dessa nebulosa de interesses, dessa estranha amálgama de contrários, dessa mixórdia a que alguns chamam União. Não sei qual vai ser o resultado no dia 4 de Outubro - mas tenho a certeza que seja quem fôr que ganhe vai ter de se submeter às imposições de quem nunca foi a votos a em Portugal. Esse é o triste legado de quem nos conduziu a este barco avariado. Para o próximo round deste combate, as presidenciais, provavelmente disputadas em clima de crise institucional, perfilam-se três contendores no canto direito e outros três no canto esquerdo. Talvez seja a altura de revermos como todo o sistema político funciona. 41 anos já chegam para tirar lições. E conclusões.





SEMANADA - A Polícia Judiciária já identificou, desde 2013, 27 menores suspeitos de atear fogos florestais; foram marcadas manifestações de polícias para 31 de Agosto; os únicos partidos que ainda não se pronunciaram sobre as presidencias são o PCP e o Bloco de Esquerda; até 15 de Agosto morreram nas estradas portuguesas mais 31 pessoas que em idêntico período do ano passado; no primeiro semestre de 2015 foram constituidas arguidas 44 pessoas, a maioria homens, por suspeita de pornografia envolvendo menores; as contas na saúde são negativas, mas melhoraram 337 milhões de euros desde 2011; mais de 3000 médicos saíram do serviço nacional de saúde desde 2011; até final de Julho nasceram em Portugal mais 1500 bebés do que em idêntico período do ano passado, o que significa um aumento da natalidade, pela primeira vez desde há cinco anos; o negócio de venda de comida na rua movimenta já 2,5 milhões de euros e tem cerca de 130 tipos de oferta diferentes; os bancos concederam 409 milhões de euros de empréstimos em Junho, um aumento de 21,5%, com o crédito automóvel a registar o maior aumento; durante 2014 foram abandonados 600 cães e gatos por semana; o custo dos manuais escolares para o sétimo ano de escolaridade ultrapassa os 250 euros; o passadiço da Ribeira das Naus, obra emblemática de António Costa, teve que ser fechado um ano depois de ter sido inaugurado, devido a problemas de construção e deficiente previsão de intensidade de utilização; António Costa prevê criar 207 mil empregos se fôr eleito.





ARCO DA VELHA - Enquanto Rui Rio intensifica contactos a Norte, surgiram notícias de movimentações internas no PSD para travar a sua candidatura e, a sul,  Marcelo Rebelo de Sousa avisou os sociais-democratas que não podem abrir brechas.


 


FOLHEAR - Ficar a ler um livro noite fora é quase sempre um exercício que abre o apetite. Quando se trata de um policial escrito pelo italiano Andrea Camilleri, contando as aventuras do seu inspector Montalbano a coisa piora um pouco. Game of Mirrors, originalmente publicado em 2011, traduzido este ano para inglês, é o 18º livro das histórias do inspector Montalbano, como sempre com a Sicília em pano de fundo. À volta do inspector existe sempre uma teia de conspirações que envolvem a Mafia, alguma magistratura tolerante, políticos complacentes, jornalistas exibicionistas e um cocktail de mulheres bonitas e boas comidas.  Este novo livro consegue colocar Montalbano a descrever uma mulher, sua vizinha, e personagem central da intriga, com tanta minúcia e apetite como um dos belos pratos que a sua empregada, Adelina lhe prepara: sartu di riso alla calabresa, paste alla carrettiera, arancini, pasta ‘ncasciata, melanzane alla parmegiana. É terrível ter que ler um livro enquanto se googla pelas receitas dos pratos lá descritos - os que ele petisca em casa e aqueles que todos os dias experimenta no Enzo, a sua trattoria quotidiana. Edição disponível para Kindle, Amazon, a partir da edição original da Penguin.


 


VER - No dia 19, quarta-feira passada, celebrou-se o Dia Mundial da Fotografia. É uma curiosa coincidência que  a revista Time desta semana tenha chamado a capa um dos melhores ensaios fotográficos publicados nos últimos anos na imprensa - “What It’s Like To Be A Cop in America - one year after Ferguson”. A reportagem escrita é de Karl Vick mas o que mais impressiona é a qualidade e autenticidade das fotografias, de Natalie Keyssar. Nas páginas da edição internacional da Time surgem sete imagens poderosas - oito com a que está na capa que aqui se reproduz. No site da Time podem ver uma galeria digital deste e de outros trabalhos que mostram a força da fotografia na imprensa - imagens para além do banal e que ajudam a compreender a realidade. É isto, o fotojornalismo e a Time desta edição é um bom exemplo, infelizmente cada vez menos seguido em Portugal. Ainda em celebração da fotografia aconselho uma visita à cadeia da Relação, no Porto, onde está instalado o Centro Português de Fotografia, que acolhe, entre outras exposições, a mostra “Presente”, projecto vencedor da Bolsa 2014 da Estação Imagem Mora, realizado por Hermínio Noronha e que documenta as memórias da Guerra colonial no Concelho de Mora.


 


OUVIR - Quando uma banda recente é convidada pelos AC/DC e pelos Who para servir de primeira parte nas respectivas digressões é sinal que a coisa cheira a rock. Na realidade os Vintage Trouble são uma mistura de rock com música soul e tanto vão buscar inspiração aos Led Zeppelin, às vezes aos Creedence Clearwater Revival, assim como a Al Greene, a James Brown ou a Otis Reding. Esta aproximação ao soul deve-se muito ao vocalista Ty Taylor, enquanto o guitarrista Nalle Colt é responsável pelas canções mais enérgicas, como o tema de abertura “Run Like The River”. Mais do que um exercício de revisitação de memórias musicais,  o CD “1 Hopeful Rd”, revela uma banda despretenciosa e multifacetada. Editado numa etiqueta clássica do jazz, a Blue Note, este disco é mais uma demonstração dos novos terrenos que Don Was, que agora dirige a editora e produziu ele próprio este trabalho, pretende trilhar no futuro e como vê o cruzamento de diversas tendências musicais. O disco é revivalista? - Sim. É divertido? - Sim. Isso constitui um problema? Não.


 


PROVAR - Passear ao longo de um rio é das melhores experiências que se pode ter. Bem perto de Lisboa há uma localidade onde felizmente a zona marginal se manteve sem grandes estragos e de onde se pode ver a margem norte do Tejo e o casario das colinas lisboetas - estou a falar de Alcochete. A terra tem tradição de bons restaurantes e, além do Alfoz, clássico e um pouco parado no tempo, há o Palmeiro para quem procure peixe de qualidade garantida. Mas no meio das pequenas ruas que desembocam na marginal há boas surpresas. Tenho por hábito em terras assim passear pelas ruas mais pequenas e ver um local onde me pareça que as gentes locais abancam com prazer, sem cara de azia. É um método de diagnóstico que raramente falha. No caso de Alcochete este sistema levou-me até à Tasca do Victor. É um restaurante mais de panela, forno e fritadeira do que de grelha e sai-se muito bem dessa sua opção. Da lista fazem parte clássicos  como o choco frito, enguias fritas ou carne de porco à alentejana. No dia em que lá fui um dos pratos do dia era ovas fritas - pequenas, de fritura impecável, vinham acompanhadas por boa açorda. A esplanada é ampla. O serviço é atento e simpático, o vinho branco da casa é da região de Pegões, um honesto Adega das Passarinhas. Muito boa relação qualidade/preço. Fica na Rua da Quebrada 10, em Alcochete, telefone 212340912.





DIXIT - “Voltar a casa é a maior viagem de todas” - Miguel Esteves Cardoso, no Público.


 


GOSTO - Da iniciativa de dois estudantes dos Açores, que estão a angariar fundos para participar no School At Sea, uma escola que funciona durante meio ano num veleiro e que lhes permitirá alargarem horizontes.


 


NÃO GOSTO - Da sucessão de acidentes rodoviários graves na Estrada Nacional 125, no Algarve.


 


BACK TO BASICS - Mantém os teus amigos por perto e os teus inimigos mais perto ainda - Sun Tsu


 




CANAIS GENERALISTAS CONTINUAM A PERDER TERRENO PARA O CABO

No domingo passado, dia de arranque da época futebolística, o conjunto de canais de cabo obteve cerca de 38% de share - enquanto o mais visto dos canais generalistas, a TVI, se ficou pelos 20%. Nesse dia, se contabilizarmos o cabo e o lote de visionamentos diversos catalogados como “outros”, a maioria dos espectadores de televisão, ligeiramente mais de 50%, não viu canais generalistas.  O BTV, nome da Benfica TV na sua guerra com a SportTV,  transmitiu o Benfica-Estoril, mas também jogos da Premier League britânica como o Manchester City - Chelsea (onde o efeito Mourinho funciona nas audiências). Com os jogos do Benfica, a Premier League e os campeonatos de Itália e de França, a Benfica TV este ano vai dar muitas dores de cabeça aos seus concorrentes no cabo. O impacto do primeiro fim de semana da ápoca futabolística está á vista - o conjunto de canais de cabo subiu mais uma vez e já está nos 33,3% de share de média semanal.


Nos outros canais é curioso ver que entre o público dos 4-14 anos quem ganha é “A Única Mulher”, da TVI, mas entre os mais velhos “O Mar Salgado”, da SIC, continua a liderar. Nos canais de séries a FOX esta semana liderou, ultrapassando o AXN e os primeiros lugares continuam do Hollywood e do Disney Channel. Na informação a SIC Notícias continua a ser seguida de muito perto pela TVI 24 e a Correio da Manhã TV já está à frente da RTP Informação.


 


(publicado na Sexta TV & Lazer, do Correio da Manhã de 21 de Agosto)

agosto 15, 2015

UMA CAMPANHA MAL COMUNICADA E UMNA REVISTA BEM ACHADA

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COMUNICAR - A rambóia dos cartazes partidários tem a ver com uma noção desajustada da realidade comunicacional contemporânea, mais do que com questões políticas ou ideológicas. O que aconteceu revela pouco estudo, desprezo pelas possibilidades que hoje se abrem de busca e comparação de imagens, e pelo facto inegável de, no fundo, os partidos e alguns dos seus estrategas considerarem os eleitores uma carneirada disposta a comer tudo em troca de um prato de promessas. Há uns anos atrás nada disto teria acontecido porque a velocidade de reacção era mais lenta, porque seria mais difícil localizar factos, pessoas, imagens e situações e, sobretudo, não existia a capacidade de quase instantaneamente os mais criativos caricaturarem as asneiras dos políticos a partir da sua própria matéria prima, como agora aconteceu. A sucessão de cartazes jocosos inspirados nos cartazes originais destas próximas eleições é enorme e prova sobretudo o descrédito de uma classe política incapaz de ver como a paisagem mediática se alterou. Os graffitis de hoje em dia são os comentários no Facebook ou twitter e o poder do Galo de Barcelos está em qualquer smartphone, não é necessário um spray de tinta. E, por outro lado, os cartazes reflectem a vigarice eleitoral permitida por lei: eles são efectivamente publicidade paga, na quase totalidade dos casos não são propriedade dos partidos mas sim de empresas que alugam o seu espaço e os seus serviços de afixação às campanhas. Os cartazes são um negócio, apesar de a compra de publicidade em período eleitoral ser proibida; no entanto essa compra existe, é tolerada e dá o resultado que tem estado à vista. A CNE, como sempre, assobia para o ar e preocupa-se mais a minutar debates do que a perceber que os abstencionistas já não estão a ver TV e só olham para os cartazes quando se transformam em piadola viral na internet. E aí, muito logicamente, desistem mais uma vez de deitar o voto nos cómicos de serviço.


 


SEMANADA - Mais de um terço dos incêndios de Agosto começaram à noite ; na primeira semana do mês houve 1766 incêndios florestais que destruíram nove mil hectares; a GNR já deteve 48 suspeitos de atearem incêndios; foi detido pela população um madeireiro da região de Penacova, acusado de ter ateado seis incêndios em três dias; há 48 mil pessoas por dia a utilizarem as cantinas sociais; o preço dos livros escolares aumentou 10,4% nos últimos quatro anos; a compra de casas aumentou 25% no decurso deste ano; em 2014 produziram-se em Portugal 1,6 milhões de bicicletas, que geraram exportações no valor de 315 milhões de euros; metade do aumento das exportações portuguesas deste ano teve Espanha como destino; as vendas para o mercado angolano encolheram 367 milhões de euros no primeiro semestre; as exportações para fora do espaço europeu subiram 2,3%; as receitas dos museus, monumentos e palácios nacionais aumentaram 60% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período do ano passado; o mês de Julho bateu o recorde de operações no multibanco, com 310 milhões de utilizações, mais 10 milhões que o recorde anterior, de Dezembro passado; segundo a Marktest no primeiro semestre de 2015 mais de 86% dos internautas portugueses acederam a sites de comércio eletrónico; em Junho o crédito às famílias registou o maior aumento desse novembro de 2004; as empresas públicas tiveram nos primeiros três meses do ano o dobro do prejuízo que estava estimado.


 


ARCO DA VELHA - Vitor Tito, que assegurou os polémicos cartazes do PS sobre o desemprego, recebeu da Câmara Municipal de Lisboa 818 mil euros por trabalhos facturados pela sua empresa BBZ em 16 ajustes directos, enquanto António Costa presidiu à autarquia, entre 2008 e 2014. Os trabalhos para Costa, nas eleições do PS e estes de agora, são um apoio pessoal à causa que tanto o ajudou.


 


FOLHEAR - Francis Ford Coppola ganhou fama como realizador, revelou-se um apaixonado produtor de vinhos na Califórnia, mas o que menos gente sabe é que é também o editor de uma revista, “Zoetrope: All-Story”. A revista é publicada quatro vezes por ano e define-se como uma publicação dedicada às letras e à arte. Criada em 1977, na sua essência está a publicação de pequenos contos. A revista tem ganho uma série de prémios relacionados com a publicação de ficções de novos autores, mas também nomes consagrados como Don DeLillo, Margaret Atwood, Salman Rushdie ou David Mamet, entre outros. Além de inéditos, em cada edição é incluída uma republicação, sempre de short-stories que tenham inspirado o argumento de um filme - com o intuito de mostrar a relação entre a narrativa literária e a cinematográfica. Na edição deste Verão, a republicação é de um conto de Julio Cortazar - “The Southern Thruway”, que o autor diz ter sido uma fonte de inspiração para algumas cenas de “Weekend”, de Jean Luc Godard. Cada edição convida um artista contemporâneo para ilustrar e conceber graficamente esse número da revista - como já aconteceu com Zaha Hadid, Julian Schnabel, Laurie Anderson, Helmut Newton, Ed Ruscha ou David Byrne. A edição deste Verão é concebida e ilustrada por Clare Rojas. A revista organiza também um concurso anual de contos, e outro de argumentos cinematográficos, ambos com um júri de notáveis. Detalhes em www.all-story.com .


 


VER - A aviação militar portuguesa está a comemorar o seu centenário - foi entre 1914 e 1916 que se estabeleceram os pilares do seu funcionamento: formação de pilotos, aquisição de material, instalação, etc. A história da aviação militar portuguesa, e em parte também da aviação civil, pode ser vista no Museu do Ar, que funciona junto á Base Aérea nº1, a Granja do Marquês, perto de Sintra, onde a área expositiva foi completamente reformulada em 2011. O Museu do Ar  possui ainda dois  pólos adicionais, um em Alverca aberto ao público desde 1971, e outro em Ovar no Aeródromo de Manobra Nº1. Em 2013 ganhou o prémio de Museu do Ano, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia. Numa área de 3000 m2, no hangar principal, estão expostas, por ordem cronológica, 42 aeronaves. Há ainda salas dedicadas aos Transportes Aéreos Portugueses (TAP), aos aeroportos portugueses e também aos pioneiros da aviação. Alguns dos aviões expostos são raridades museológicas a nível mundial, casos do Ju-52, do Avro Cadet e do Dragon Rapid. Nesta categoria estão também as réplicas à escala 1:1 do Demoiselle, Caudron G3, Farman e do Blériot XII. O Museu do Ar fica localizado na Granja do Marquês, Pêro Pinheiro, Sintra.


 


OUVIR - No dia 7 de Julho de 1990, em Roma, no cenário das Termas de Caracalla,  Jose Carreras, Placido Domingo e Luciano Pavarotti fizeram um recital que ficou histórico, sob a designação de “Os Três Tenores”. A Orquestra do Teatro da Ópera de Roma e a Orquestra do Maggio Musicale Fiorentino foram dirigidas pelo maestro Zubin Mehta. O repertório escolhido pelos três tenores era variado, incluía temas populares  e peças clássicas e algumas das mais emblemáticas interpretações da carreira de cada um deles. O espectáculo de 1990 foi organizado para angariar fundos para uma Fundação criada por Jose Carreras, destinada a apoiar doentes com leucemia, doença que ele próprio tinha vencido há pouco tempo. Até início deste século os Três Tenores juntaram-se em diversas ocasiões, mas nunca mais se repetiu o momento mágico desse 7 de Julho de 1990. Para assinalar os 25 anos do evento a Decca fez agora uma edição especial, limitada, que para além do CD com a gravação integral do recital, inclui um DVD que inclui o registo video do concerto e também um documentário,feito nos bastidores e intitulado “The Impossible Dream”. À venda na FNAC e El Corte Ingles.


 


PROVAR - A Rua da Saúde está para Setúbal como as Docas de Alcântara estão para Lisboa - é uma fiada de bares e restaurantes à beira de água, uns mais a puxar para o típico, outros para o corriqueiro e outros para o inesperado. Este último é o caso do My - Restaurante do Rio. Com o Sado em frente e Tróia à vista o local é magnífico. A decoração é simpática e mais personalizada que é costume. Também tem melhor serviço que é costume na Rua da Saúde e a qualidade é boa, nalguns casos até melhor. Para mim o destaque foi para as ostras, fresquíssimas, absolutamente impecáveis, a 1,50 euros cada uma. O cantaril, também fresco, estava no ponto certo de grelha e foi uma boa surpresa. O couvert incluía pão decente, azeitonas temperadas e uma pasta de atum bem feita. A garrafeira, embora limitada, tem boas escolhas a preços honestos. O destaque vai para o bom ambiente e o bom serviço, cada vez mais um critério diferenciador. Durante a tarde há uma happy hour com tapas e petiscos e, à noite, volta e meia há fados e DJ’s. Para além dos grelhados e do peixe fresco há outras propostas na lista do chefe António Nascimento, como um risotto de açafrão com vieiras, um arroz negro de choco ou açorda de lagosta e gambas


Rua da Saúde 50-52, telef 265 094 151, facebook.com/myfood.pt .


 


DIXIT - “Não me passa pela cabeça deixar de utilizar a estação de Santa Apolónia” - Manuel Queiró, Presidente da CP:


 


GOSTO - Nos últimos três anos a conta de medicamentos suportados pelas famílias reduziu-se em 90 milhões de euros graças às  revisões de preços e aos novos acordos praticados com a indústria farmacêutica.


 


NÃO GOSTO - Do elevado número de vezes que nos últimos anos uma mesma empresa,  sem grande criatividade nem actividade, é escolhida para a elaboração de campanhas publicitárias de apelo à participação eleitoral lançadas pela Comissão Nacional de Eleições.


 


BACK TO BASICS - Quem toma conta da máquina do poder deve sempre lembrar-se que não ficará para sempre a dirigi-la - P. J O’Rourke


 

agosto 07, 2015

PERPLEXIDADES ELEITORAIS, MASSAS FRESCAS, STREAMING E TÓQUIO

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PERPLEXIDADES  - A campanha eleitoral oficial ainda nem começou e já duas coisas me deixam perplexo. A primeira é a obrigação que o PSD pretende estabelecer de obrigar os seus deputados a votarem obedientemente o que o partido mandar em quaisquer circustâncias. Esta imposição é o assumir formal do papel a que progressivamente os parlamentares têm sido reduzidos - a maioria dos deputados, de quaisquer partidos, diga-se, são apenas verbos de encher, ou eventualmente de votar. Se as coisas se passassem assim nos Estados Unidos Lincoln não teria conseguido abolir a escravatura e as cenas de desvio de votos da lógica partidária, bem mostradas em séries como “House of Cards”, não existiriam. A situação de obediência passiva a que pretendem que os deputados se submetam é depreciativa em primeiro lugar para quem neles vota - porque assim o eleitor fica reduzido a eleger seres que aceitam deixar de ter opiniões e convicções próprias. O caso é um exemplo do estado de podridão do regime e dos partidos e do seu desprezo pelos eleitores, de quem se afastam cada vez mais. O segundo tema, tão grave como este, é a forma como o PS - suspeito que perante a alegria de alguns dirigentes do PSD - pretende impedir Paulo Portas de participar nos debates eleitorais na televisão. O argumento é extraordinário, o objectivo é revoltante e a manobra é um exemplo de oportunismo político na sua expressão mais selvagem. Será que é Portas quem Costa mais teme?


 


SEMANADA - Há 383 candidatos para as dez vagas nos serviços de espionagem portugueses; seis dos 15 ministros do Governo ficaram fora das listas da coligação;  o lucro das empresas cotadas do PSI 20 subiu 70% no primeiro semestre do ano; a carga fiscal já representa 60% do preço de venda do litro de gasolina; entre Janeiro e Julho foram vendidos 135.256 carros, mais 28% face a igual período do ano passado; no mês de Julho os portugueses compraram 553 carros por dia; no início de Agosto a circulação de veículos estrangeiros nas auto-estradas portugueses cresceu 16%; nos cinco primeiros dias a nova versão do filme “Pátio das Cantigas” já teve cem mil espectadores; até Junho os portugueses investiram mais de 1,2 mil milhões de euros em PPR’s; várias cantinas escolares decidiram continuar abertas durante o Verão para que as crianças suas alunas possam ter alimentação nas férias; 26% dos alunos do secundário ainda chumbam a matemática; nos últimos anos fecharam 2 mil cursos de ensino superior; segundo dados compilados pela Cision,  na época desportiva de 2014/2015, o futebol gerou 537.462 notícias relativas a equipas portuguesas;  só em televisão foram emitidas 182.846 notícias, que se traduziram em 11.187 horas de emissão dedicadas ao tema; num total de 310 propostas do Governo chegadas à Assembleia da República, o PS votou em 139 a favor e só em 92 contra; Alexis Tsipras afirmou que Varoufakis tem mau gosto para camisas; o Benfica perdeu a Taça Eusébio no México.


 


ARCO DA VELHA - Durante uma entrevista a um jornal, o gato da candidata à Presidência da República pelo partido dos animais (PAN, Pessoas-Animais-Natureza) mostrou-se indiferente à protecção de outros bichos e comeu um pássaro que ela tinha levado para casa.


 


FOLHEAR - Com pena minha nunca fui a Tóquio - mas já li muito sobre esta cidade, que me fascina. Ao folhear a edição de Verão da revista fotográfica Aperture, a 219, precisamente com o título “Tokyo” na capa, fico com a sensação de estar a passear pela cidade, de conhecer a sua vida, mesmo a mais escondida. A Aperture editada em Nova York pela Fundação com o mesmo nome, é um repositório do que melhor se faz em fotografia actualmente. Como diz o editorial “Toquio existe na nossa cabeça não só como uma imagem mas sobretudo como uma ideia”. “Picture Tokyo”, uma selecção de autores que olharam para a cidade, é o ponto de partida desta edição, onde merecem destaque também a fotografia feita para revistas japonesas nas décadas de 60, 70 e 80 e sobretudo a história de Takuma Nakahira, um dos mais importantes nomes da fotografia nipónica. Vários portfolios mostram o lado mais secreto das pessoas da cidade, outros manipulam paisagens. A selecção de fotógrafos e de imagens é fantástica. Esta edição pode ser comprada na Amazon UK por 16 Libras.


 


VER - Ao longo dos últimos anos têm aberto em Lisboa algumas galerias dedicadas à fotografia mas a nova Barbado Art Gallery é a primeira que se assume com uma vocação eminentemente comercial, dirigida a coleccionadores que queiram ter, além da apreciação da obra, alguma garantia da estabilidade e rentabilidade futura do seu investimento. Por isso mesmo o proprietário da galeria, João Barbado, um jurista que abadonou a advocacia para se dedicar a esta actividade, criou ligações com algumas galerias internacionais por forma a que possa expôr nomes que são presença rara em Portugal e que têm uma cotação sólida no mercado de arte. Assim, até 21 de Agosto, pode ainda ser vista a exposição inaugural que inclui obras de nomes como, entre outros, o chinês Ren Hang, o israelita Nadav Kander (que já ganhou um prémio Pictet precisamente com a série sobre o rio Yang Tze, a que pertence uma das fotografias  em exibição), o alemão Boris Eldagsen, o britânico Marcus Lyon que tem uma téncica muito particular de manipulação de imagem,  Steve McCurry - o autor da célebre fotografia da menina afegã que a National Geographic tornou famosa - e que está exposta, e finalmente uma fotografia de Martin Parr, o reputado fotógrafo da agência Magnum, que terá uma exposição a solo na Barbado a 12 de Setembro. O espaço da galeria é bom, João Barbado é apaixonado pelo que decidiu fazer e percebe-se que estudou o tema a fundo. A Barbado Gallery fica na Rua Ferreira Borges 109-A e tem página no Facebook onde estão todas as indicações úteis.


 


OUVIR - Aqui há uns anos, quando ía de férias, levava umas quantas cassettes, com a música que me apetecia ouvir; uns tempos depois passei a levar uns CD’s; e hoje em dia levo um smartphone onde possa aceder aos serviços de streaming - a transmissão de música on line. O mais conhecido é o Spotify, o melhor em termos de qualidade de som é o Tidal e, recentemente, a Apple entrou no jogo com o seu Apple Music. E há ainda o SoundCloud, que é um espaço dedicado a novos músicos. Eu pessoalmente prefiro o Spotify, sobretudo porque é aquele que proporciona uma selecção mais alargada de música nova, permitindo tanto fazer descobertas de novos músicos como estar a par de novidades de nomes já consagrados. O serviço da Apple, por enquanto pelo menos, é menos interessante deste ponto de vista e também pela sua forma de utilização e manuseamento, que é mais complicada. Assim sendo continuo fiel ao Spotify, que ainda por cima agora me sugere regularmente descobertas da semana personalizadas ao que são os meus gostos. Foi o que aconteceu esta semana quando dei com o novo álbum de Buddy Guy, “Born To Play Guitar” - estes blues não são delico-doces e apresentam-se de forma séria. A  playlist de novidades que o Spotify fez para mim e este novo Buddy Guy têm sido as minhas escutas da semana.


 


PROVAR - Estamos numa daquelas épocas em que todos os dias abrem novos restaurantes em Lisboa, provavelmente impulsionados pelo aumento do número de turistas. Uma das novidades é o “La Pasta Fresca”, na Avenida 5 de Outubro. Como o nome indica faz das massas elaboradas todos os dias na sua cozinha. Além de diversos tipos de pastas simples, algumas pouco divulgadas em Portugal,  há também raviolis, cujo recheio vai variando ao longo dos dias. Devo dizer que a confecção das massas, o seu paladar e a sua textura - e já agora o ponto da sua cozedura, estão perfeitos. Também as receitas tradicionais de molhos com que são acompanhadas fazem lembrar, por vezes, os petiscos que o inspector Montalbano vai degustando nas descrições do seu autor, o escritor Andrea Camilleri. Há surpresas como ravioli de salsicha e batata e nas entradas há sugestões como parmigiana de beringelas. Ainda nas massas provei um irresistível caserecce com pesto de cetara, uma receita da costa amalfitana. Fiquei com curiosidade sobre os  machcheroni verdi com brócolos, anchova e salsicha fresca. A lista de vinhos é curta mas tem uma boa selecção de portugueses e algumas propostas italianas como um interessante tinto de Montepulciano, Le Casalte, servido a copo. Na sobremesa experimentou-se uma cassata, importada de Itália, um pouco doce demais para o meu gosto. Como nem tudo são maravilhas devo no entanto dizer que embora o serviço seja esforçado, é insuficiente. São demasiadas mesas para um só empregado de sala sobretudo quando a dona, mesmo nos momentos de maior aflição, parece mais uma peça decorativa atrás do balcão que alguém disposto a garantir uma boa experiência de serviço aos clientes. Qualquer trattoria em Itália evita situações destas. La Pasta Fresca -Avenida 5 de Outubro, 186A, tel.  21 796 0997.


 


DIXIT - “A vida está mais imbecil, as elites são relapsas e incultas, a escola transformou a leitura numa tortura sem sentido. Vêm aí tempos difíceis e colheitas amargas” - Francisco José Viegas, no Correio da Manhã.


 


GOSTO - Da decisão da Secretaria de Estado da Cultura de levantar os entraves burocráticos à exportação de arte contemporânea e de obras de artistas portugueses vivos, o que facilitará a sua divulgação no mercado internacional.


 


NÃO GOSTO - Os alunos do 9.º ano registaram notas médias de 47% a Português, abaixo dos 50% de 2014, e a taxa de reprovação a Português aumentou dos 19% para os 36%.


 


BACK TO BASICS - O nosso destino nunca é um determinado lugar mas sim uma nova maneira de ver as coisas - Henry Miller


 


 

TELEVISÃO ESTIVAL

É Verão, temos eleições daqui a menos de dois meses, mas os conteúdos preferidos da TV na semana passada são novelas, transmissões desportivas e análises das transferências da época. Informação política vem muito depois – foi aliás a semana deste ano em que os telejornais das oito registaram piores indicadores. Os canais informativos também registaram fracos resultados quando se concentraram na política. Na ficção “Mar Salgado” continua a liderar, seguido de “A Única Mulher”, “Jardins Proibidos” e “Poderosas”. Nos canais de cabo o programa mais visto foi mais uma vez da TVI24 com “Mais Transferências”, seguido da “Volta a Portugal em Bicicleta” na RTP Informação e de “Play-Off” na SIC Notícias. Os filmes do canal Hollywood e as séries infantis da Disney continuam a ser grandes agregadores de audiências e nas séries o AXN esteve esta semana à frente da Fox.


Aquilo que era um facto incontornável há uns anos atrás – uma dominuição sensível do consumo de televisão durante a época de férias – é actualmente um fenómeno residual que na maior parte do Verão nem tem mesmo expressão significativa. Vamos ver como se comportam os programas de informação quando as campanhas eleitorais começaram a aquecer, daqui a umas duas semanas. Até lá: novelas e filmes enchem o olho dos espectadores.


 


(Publicado na Sexta TV& Lazer do Correio da Manhã de 7 de Agosto)

julho 31, 2015

GROUCHO MARX CONTINUA A TER RAZÃO COMO SANTOS SILVA VAI DEMONSTRANDO

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TEMA 1- Já que por estes dias se fala tanto dos homens de Atenas gostava de recordar que, na Grécia antiga, político que prometesse e não cumprisse era expulso da polis por 10 anos. Cá por mim acho que esse era um bom preceito. É nestas alturas que me vêem à memória as promessas de Costa quando foi eleito pela primeira vez Presidente da Câmara - por exemplo acabar em poucas semanas com as segundas filas de estacionamento; ou, ainda, os seus feitos como membro do Governo numa anterior encarnação - onde fazia frequentemente o contrário daquilo que hoje apregoa. Deste papel de vendedor de ilusões não podem ser esquecidos outros, de outros partidos, que têm andado a vender gato por lebre, poluindo o país. Seria muito útil que alguém inventariasse as promessas feitas e não cumpridas pelos políticos de serviço.


 


TEMA 2 - Augusto Santos Silva teve a pasta da comunicação social nos tempos do detido Sócrates. Hoje, uns anos depois, a sua boçalidade mostra-se em pleno com a polémica que alimentou por, coitado, ter sofrido alterações e mudanças de horário motivadas pela fraca audiência obtida face a outras alternativas de programação. Ficámos assim a saber que este ex-responsável pela pasta da comunicação social num Governo socialista ignora que a liberdade editorial passa por um Director de Informação poder decidir em função dos  conteúdos que são mais adequados, em cada momento, às audiências que quer atingir, e  que esse é o verdadeiro sentido da liberdade de imprensa e da função editorial. Santos Silva tem-se mostrado nestes dias como o português mais parecido com Varoufakis: ambos pensam que a culpa do que lhes corre mal é sempre dos outros e não lhes ocorre que são as suas asneiras que os levam ao local para onde foram remetidos.


 


TEMA 3 - Depois de vários ensaios legislativos e de múltiplas reuniões continua sem haver acordo sobre a forma como os partidos políticos querem manipular as televisões privadas para fazerem propaganda, travestida de debates. Estes debates que tanta polémica causam são um exercício de pantominice oratória onde o único objectivo é que cada um limite o outro - uma espécie de jogo de râguebi apenas com placagens e sem marcação de ensaios. Lamentável. Na verdade o que os preocupa não é nenhum pluralismo ou um sério desejo de debater ideias, algo impossível naquele formato - é apenas garantir que quem se intitule político do arco da governação possa arengar à vontade.


 


SEMANADA - O Tribunal Constitucional chumbou, pela segunda vez, a lei do enriquecimento injustificado aprovada no Parlamento; o juiz Carlos Alexandre afirmou querer o Ministério Público com mão mais pesada e a aplicar medidas de coação agravadas nos casos mediáticos; a PSP já deteve este ano 32 taxistas por suspeitas de crime de especulação contra turistas que chegaram ao Aeroporto de Lisboa; em 2014 Portugal foi visitado por 17,3 milhões de turistas que geraram 10,39 mil milhões de euros de receitas, o melhor resultado de sempre; em Portugal há menos 100 mil fiadores que há quatro anos; cinco famílias são despejadas por dia por rendas em atraso; há 31 candidatos a director geral do Fisco; o Tribunal de Contas afirma que as verbas canalizadas pelas Finanças para os sorteios de automóveis da “fatura da sorte” foram utilizadas de forma irregular;  este ano o numero de vítimas mortais em praias fluviais é quatro vezes superior ao verificado em praias marítimas; desde abril onze pessoas já se perderam em passeios nos trilhos do Gerês, alegadamente devido a deficiente sinalização; os municípios portugueses tiveram uma quebra da receita global de 1600 milhões de euros nos últimos cinco anos, o que significa uma perda de 876 mil euros por dia; depois da experiência governativa em meia legislatura Poiares Maduro decidiu voltar a emigrar; o Programa da Mobilidade apresentado esta semana pelos Ministro do Ambiente preconiza que nalguns casos os funcionários do Estado passem a deslocar-se de bicicleta.


 


ARCO DA VELHA - Sérgio Figueiredo, Director de Informação da TVI, afirmou que Augusto Santos Silva saíu da estação “por ser malcriado, não porque a sua voz é incómoda”; Augusto Santos Silva respondeu apelidando o jornalista de “ayatollah de Barcarena”.  


 


FOLHEAR - A revista Egoísta é uma aventura rara no panorama editorial português. É fruto do encontro da vontade de Mário Assis Ferreira, que assegurou o financiamento através da Estoril-Sol, da iniciativa de Patrícia Reis, que delineou o projecto, e de Henrique Cayatte, que o formatou graficamente no início. Esta aventura tem 15 anos e 70 prémios obtidos ao longo da sua existência. Publicou autores portugueses e estrangeiros, não só na escrita, mas também na ilustração e na fotografia. Tem sabido ser uma montra diversificada de talentos e uma oportunidade para publicar muitos trabalhos que de outra forma ficariam na gaveta. Confesso que sou parte interessada, já lá publiquei fotografias diversas vezes e neste número que assinala os 15 anos da publicação mostro algumas das instagrams que semalmente aparecem nestas mesmas páginas do Jornal de Negócios. A Criatividade é o reduto da diferença - escreve Mário Assis Ferreira no editorial desta edição - e é isso mesmo que se pode ver nas fotografias de Teresa Freitas, de Pauliana Valente Pimentel, de Lionel Arnaudie ou nos graffiti de Tamara Alves que esta “Egoísta” dá a conhecer.


 


VER - Se está por Lisboa não deixe de visitar até 25 de Outubro uma exposição que está no MUDE (Rua Augusta 24) - TAP PORTUGAL: IMAGEM DE UM POVO, e que a circunstância da privatização da empresa tornou especialmente actual. Aqui se mostra o que foi  o design da companhia aérea nacional, ao logo de 70 anos, de 1945 aos nossos dias, ao nível da comunicação visual, indumentária, design de interiores e produto. Aqui se pode ver o trabalho de ateliês e agências, como Ciesa, Forma, Estúdio MR, Marca, Impar, Cinevoz, Espiral, Risco, McCann e Brandia. Na exposição estão ainda peças criadas para a TAP por marcas portuguesas de referência como a Vista Alegre, a Secla, as Loiças de Sacavém, a SPAL ou a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, que produziram loiças de bordo e tapeçarias. Em todo este trabalho estiveram envolvidos nomes como Gonçalo Pais de Freitas, Gustavo Fontoura, Augusto Cid, Daciano da Costa, Carlos Rocha, Manuel Alves e José Manuel Gonçalves, entre outros. Para além destes, entre os designers e artistas representados incluem-se ainda Sebastião Rodrigues, Keil do Amaral, Eduardo Anahory, Louis Féraud, Ana Maravilhas, Sérgio Sampaio, Óskar Pinto Lobo, Leonildo Dias, João Velez, Carlos Rafael, Manuel Rodrigues e José Soares.


 


OUVIR - Bill Evans foi um dos grandes pianistas do jazz, morto prematuramente, aos 49 anos, em 1980. “Bill Evans - The Complete Fantasy Recordings”, é uma caixa com nove CD’s que incluem 98 gravações de estúdio e de actuações ao vivo e na rádio, efectuadas durante o período de sete anos antes da sua morte, a época em que gravou para a Fantasy Records. Aqui estão 11 sessões de estúdio, um concerto inédito com o seu trio (de 1976) e o registo de um programa da rádio pública norte-americana em que Evans, ao longo de uma hora, fala da sua música, tocando-a, com Marian McPartland. Nas gravações incluídas nesta caixa encontram-se duetos  com o baixista Eddie Gomez e com Tony Bennett, além de partipações de músicos como os guitarristas Lee Konitz e Kenny Burrell. A caixa inclui ainda um livro de 62 páginas com um ensaio sobre Bill Evans do crítico e seu biógrafo Gene Lees, assim como notas detalhadas das 11 sessões de estúdio, feitas por Helen Keane. Aqui estão também os álbuns que gravou para a Fantasy, como “The Tokyo Concert”, “The Tony Bennett/Bill Evans Album” e o registo a solo “Alone (Again)”. Esta edição-caixa está distribuída em Portugal pela Universal Music, e encontra-se disponível na FNAC e El Corte Ingles.


 


PROVAR - Nuno Cancella de Abreu foi um dos obreiros, há uns anos, da recuperação da casta Arinto, na região de Bucelas. Foi tão bem sucedido que ela, que então andava esquecida e em vias de extinção, se tornou numa das mais apreciadas castas para os bons vinhos brancos de estirpe bem portuguesa. Por estes dias e por sugestão sempre acertada do proprietário da garrafeira Néctar das Avenidas (Avenida Luis Bivar 40), experimentei um branco que desconhecia completamente, da península de Setúbal. Chama-se Pica Peixe - o nome vem de uma ave residente no estuário do Sado, próximo das vinhas onde nascem as uvas de Moscatel graúdo e Arinto utilizadas para este vinho, fresco, leve mas saboroso, que vai muito bem como aperitivo ou com saladas e peixe nesta altura do ano.


 


DIXIT - “Um terço da produção alimentar vai para o lixo” - Hilal Elver, investigadora da Universidade da Califórnia, numa conferência em Lisboa.


 


GOSTO -  Vai abrir no Hospital de Santa Maria um novo centro de investigação científica para testar novos medicamentos em patologias graves.


 


NÃO GOSTO - Das manias napoleónicas de François Hollande - ai o que me irritam os franceses….


 


BACK TO BASICS - “A melhor maneira de saber se alguém é honesto é perguntar-lhe isso mesmo; se responder que sim ficamos a saber que é um vigarista” - Groucho Marx


 


 

TVI 24 APROXIMA-SE DA SIC NOTÍCIAS

Uma análise da evolução das audiências dos canais leva a crer que na ultima semana a RTP1 perdeu espectadores para a TVI, a SIC e o conjunto de canais de cabo – sendo que foram estes últimos aqueles que ficaram com a maior fatia da transferência de audiências. Apesar d e estar a decorrer a época de férias não se notam alterações significativas no número total de espectadores que seguem os diferentes canais. Nos canais generalistas a TVI continua a dominar e a SIC está na segunda posição, mas esta semana a novela “Mar Salgado” voltou a suplantar “A Única Mulher”. Nos concursos, “Money Drop” da TVI aparece na sétima posição e “Preço Certo”, da RTP1, aparece na 20ª. No cabo o canal mais visto é o Hollywood, seguido do Disney Channel. A evolução, positiva, da TVI24 continua: apenas na região da Grande Lisboa surge atrás da SIC Notícias – o TVI 24 já está à frente da sua concorrência nas regiões norte, centro e sul. Na região Sul, no entanto, o canal líder de notícias é o CMTV, em 7º lugar. A nível nacional a diferença entre a SIC Notícias e a TVI24 estreita-se e é curioso notar que na semana passada quatro dos cinco programas mais vistos no conjunto dos canais de cabo eram da TVI24 e um era um filme do Hollywood, na terceira posição. Fox continua à frente do AXN e nos canais infantis o mais visto é o Disney, seguido do Cartoon.


 


(Publicado na Sexta TV & Lazer do Correio da manhã de 31 de Julho)


 


 

julho 24, 2015

PROBLEMAS MEDIÁTICOS, DESILUSÕES A OUVIR E A PROVAR

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MEDIÀTICOS -  Sinto-me tentado a dizer que daqui a um ano o panorama dos canais portugueses no cabo vai ser diferente, para pior, em quantidade e qualidade,  relativamente à oferta que hoje em dia existe. A Altice já iniciou as renegociações sobre os valores que a PT pagava aos operadores portugueses pelos canais que distribuía e tem a expectativa de obter grandes reduções. A NOS, mas também a Vodafone, observam com atenção o que se passa para, se a Altice fôr bem sucedida, poderem elas próprias renegociar também em baixa os valores que igualmente pagam aos mesmos operadores. Não é arriscado dizer que  os operadores que detêm canais no cabo e que beneficiaram de contratos generosos dos dois antigos principais operadores de distribuição, a PT/MEO e a TV Cabo/ZON, podem ver as suas receitas diminuírem de forma acentuada. Nalguns casos estes operadores, nomeadamente a RTP, a SIC e a TVI, tinham nas operações de cabo subsidiadas pelos distribuidores uma fonte de receitas que ajudava ao fecho de contas. Esta situação corre o risco de começar a ser um gerador de resultados negativos a não ser que se tomem drásticas medidas de cortes de custos - e previsivelmente os canais de informação serão dos mais atingidos. O que me preocupa quando olho para este panorama é pensar que se pode entrar num ciclo vicioso: menos orçamento, menos meios de produção, perda de qualidade, deterioração de audiências, queda das receitas publicitárias. Os Media não valem nada sem audiência. Se desprezam a qualidade, arriscam perder valor - porque o único valor que têm é o poder da comunicação que conseguem estabelecer. Vamos ter pela frente tempos complicados na paisagem mediática.


 


SEMANADA - Cinco milhões seiscentos e quatro mil é actualmente o número de portugueses que utilizam Internet, dos quais 2,2 milhões declaram usar tablets, revela um estudo da Marktest; em quatro anos emigraram seis mil bombeiros, o que significa metade do total que existiam; entre 1 de Janeiro e 15 de Julho registaram-se 8753 incêndios florestais que atingiram 23.702 hectares, mais que em anos anteriores no mesmo período; Portugal tem a segunda maior taxa de emigração da Europa, atrás de Malta; 2,3 milhões de portugueses residiam fora do país em 2013; até final de Junho 480 empresas tinham salários em atraso no valor de 1,8 milhões de euros; um em cada dois trabalhadores portugueses trabalha em part-time, contra um em quatro, que é a média da União Europeia; cada família portuguesa pagou mais 1415 euros de IRS em dois anos; todos os dias 96 famílias portuguesas pedem ajuda para pagarem as dividas; o nível de incumprimento das empresas portuguesas à banca nunca foi tão elevado como agora, e atingiu um rácio de crédito mal parado de 15,7% dos empréstimos; segundo o Eurostat Portugal tem a 3ª maior dívida pública da União Europeia - 129,6% do PIB; o Tribunal de Contas indica 2691 milhões de euros de custos para o Estado com o BPN, mais 495 milhões que o previsto em 2014; o Ministério da Saúde enviou para investigação nos últimos três anos 416 processos no âmbito do combate à fraude, que equivalem a um montante de 372 milhões de euros.


 


ARCO DA VELHA - O fornecimento das cantinas escolares de Guimarães nos próximos três anos foi adjudicado pela autarquia a uma empresa que reconhece ter cortado na dimensão das doses de alimentos, como o peixe, que estavam previstas nas condições do concurso. Os outros concorrentes reclamaram e a autarquia desvaloriza a questão.


 


FOLHEAR - Nos últimos tempos tem-se notado um ressurgir das revistas de viagem - não os álbuns de postais ilustrados habituais no início deste século, mas publicações que se baseiam em relatos mais ou menos extensos, a meio caminho da literatura de viagem tradicional. A revista “Monocle”, que nos últimos anos fez edições especiais em formato de jornal no Verão e no Inverno (respectivamente a Monocle Alpino e a Monocle Mediterraneo), decidiu em finais de 2014 avançar para um novo conceito. E assim, no final do ano edita uma publicação dedicada a perspectivar o futuro (“The Forecast”) e agora lançou uma consagrada às viagens e à descoberta, “The Escapist”, que se pretende uma leitura de férias inspiradora de viagens, com o habitual peso hedonista da publicação mãe. “The Escapist” percorre o mundo, do Alaska ao Japão, passando pela América do Sul, o Médio Oriente, África, Ásia e a Europa - ou se quisermos de Varsóvia a Addis Abeba, passando pelo Djibouti ou Sapporo. Como sempre há indiscutivelmente boas ideias editoriais e um cuidado estilo gráfico, além de uma edição fotográfica que parece ingénua, mas que no fundo é muito sofisticada. Como curiosidade refira-se que os dois grandes anunciantes desta edição são diversas regiões e temas do turismo de Espanha e a rêde de alojamento partilhado “airbnb”, que aliás publica um destacável - nos dois casos numa cuidada composição entre o editorial e o comercial. Existe uma lista dos 50 melhores restaurantes de 2015, com duas referências portuguesas, ambas inesperadas mas justas - o Gambrinus, em Lisboa, na 42ª posição e a Mercearia Gadanha em Estremoz, na 49ª. O primeiro lugar foi para o Beard, em Tokyo e o segundo para o incontornável River Café em Londres e o terceiro para o Pa & Co em Estocolmo.


 


VER - Hoje destaco duas exposições bem diferentes que estão na Gulbenkian até meados de Outubro. A mais cativante , “todos os livros”,  é a que agrupa cerca de meia centena de livros de artista produzidos por Lourdes de Castro, desde os anos 50 até hoje, muitos deles nunca antes expostos. Destaque para uma das obras até agora inéditas,  Un autre Livre Rouge,  realizado em Paris no início dos anos de 1970, em colaboração com Manuel Zimbro, numa clara evocação do título do livro de pensamentos de MaoZedong, e num exercício bem humorado em torno da cor vermelha. Muitos dos livros são únicos, outros tiveram edições limitadas, feitas em serigrafia e alguns resultaram da colaboração com escritores, como Benjamin Patterson, ou de artistas como René Bertholo, que esteve com Lourdes Castro na revista KWI. A outra exposição “Olhos nos Olhos - o retrato na colecção do Centro de Arte Moderna” percorre o universo do retrato ao longo do século XX, ao longo de 140 obras de autores como Amadeo, Almada, Milly, Eduardo Viana, Francis Smith, Paula Rego, Gilbert & George, Jane & Louise Wilson, John Coplans, Nikias Skapinakis, Pedro Cabrita Reis, António Areal, Jorge Molder, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Mário Botas, João Hogan, Maria Beatriz, Ana Hatherly, Victor Palla, José Escada e Helena Almeida, entre outros.  


 


OUVIR - O realizador Ruben Alves, autor do filme “A Gaiola Dourada”, é o autor do projecto “Amália - As Vozes do Fado”, um CD que agrupa 13 dos mais importantes fados de Amália Rodrigues, reinterpretados por outras vozes, em gravações actuais. O projecto envolveu uma obra do industrial de graffitti e obras urbanas Vihls, baseada numa fotografia de Amália, e executado em calçada portuguesa na zona de Alfama - na realidade a acção promocional da imagem do disco, aproveitada aliás para a respectiva capa. Este CD mostra que Ruben Alves é melhor a realizar filmes que a conceber discos: a produção é irregular, algumas escolhas de intérpretes são incompreensíveis e as opções de quem supervisionou a produção, em matéria de enquadramento dos intérpretes, são na maioria estranhas - nalguns casos solicitou ou permitiu o pastiche puro e simples e noutros lá deixou o talento aparecer, como na interpretação de “Grito” por Ricardo Ribeiro, no “Medo”, por Gisela João ou, em menor escala, em “Abandono” por Camané. Carminho e Ana Moura confirmam-se irrelevantes imitadoras  e António Zambujo desilude. Os duetos da segunda parte do disco são particularmente penosos - percebe-se a intenção comercial e o piscar de olhos a vários mercados, mas nenhum deles é mais do que uma curiosidade irrelevante, por vezes de mau gosto até.


 


PROVAR - A imprensa regional de Lisboa noticiou a abertura de um restaurante que se pretende tipicamente italiano - tão típico que todos os empregados e o próprio dono ouvem em português mas falam em italiano. Seduzido pelas descrições da paróquia lancei-me ao caminho para jantar num dia de semana. Apesar de estar em frente à escadaria do Parlamento (felizmente sem ópera nessa noite), tive a boa sorte de não encontrar por lá nenhum deputado - que na maioria, são um mal necessário da democracia. As massas frescas foram-me muito louvaminhadas, mas embora as próprias pareçam de facto frescas e sejam de boa confecção, o cozinhado do seu condimento envolvente era algo sem história. Melhores eram as entradas - sobretudo a bresaola e o presunto, ambos de boa estirpe - o queijo pecou por escasso, apesar de menos aliciante. O serviço é muito simpático e sorridente mas algo atabalhoado e sobretudo esquecido em relação a pedidos suplementares e até a sugestões do próprio dono - situação que a simpatia tende a não resolver. O Il Matriciano fica na Rua de S. Bento 107 e tem o telefone 213952639. Se quiserem ir o melhor será marcar que o sítio anda na moda vá-se lá saber porquê.


 


DIXIT - “Talvez tenha sobrestimado a competência do governo Grego, nunca calculei que pudessem tomar uma posição e exigir melhores condições sem ter um plano alternativo” - Paul Krugman


 


GOSTO - Deste diálogo do Bartoon, a propósito da compra do Autódromo do Estoril pela Câmara de Cascais: “ Espantoso este país, não acha? - as pistas de corrida passa para o sector público e as redes de transporte público passam para o sector privado”.


 


NÃO GOSTO - Que a ASAE conceda um tratamento especial de tolerância na inspecção de locais e eventos quando lá se deslocarem membros do Governo.


 


BACK TO BASICS - “Seja onde fôr que eu vá, acabo por descobrir que antes de mim já lá esteve um poeta” - Sigmund Freud


 


 


 

SERVIÇO PÚBLICO E AUDIÊNCIAS – O DILEMA DE SEMPRE

Na semana passada o programa mais visto na RTP1 foi a transmissão do jogo Portugal-Taiti e na RTP2 foi a Volta à França que conseguiu obter maior audiência.


Também na semana passada o governo britãnico divulgou um novo relatório sobre a BBC que coloca uma questão que é a mais importante de todas no contexto da discussão do serviço público: deve a BBC focar-se em fazer programas e emissões para todos os públicos e audiências, ou deve dedicar-se mais em particular àqueles públicos que têm menos conteúdos disponíveis na paisagem televisiva e em particular nos canais comerciais? O relatório indica que uma BBC mais focada e com um espectro de actuação mais apertado funcionaria com um orçamento mais pequeno e custaria menos aos contribuintes, ao mesmo tempo que teria menos efeitos concorrenciais na paisagem mediática em relação aos operadores privados. E o relatório mais uma vez sublinha o risco que se corre quando se decide competir por audiências e não pela qualidade.


Um exemplo: a histórica âncora da RTP, “O Preço Certo”, viu-se derrotada em poucos meses pela concorrência que a TVI lhe montou com “The Money Drop”, que já tem regularmente muito maior audiência. O “Preço Certo”, um concurso dificilmente enquadrável no conceito de serviço público, usou ao longo dos anos os números obtidos para ser considerado um programa intocável – mas agora que nem aparece no top 15 dos programas mais vistos, que dizer?


 


(Publicado na Sexta TV & Lazer do Correio da Manhã de dia 24 de Julho)


 

julho 17, 2015

ENTRE TELEVISÕES E SUGESTÕES - COM POUCA GRÉCIA PELO MEIO

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TELEVISÕES - Nesta semana o Governo britânico deverá divulgar um documento sobre a BBC, incidindo na análise do seu funcionamento, na avaliação do cumprimento da sua missão e na dimensão que a organização tem alcançado nalgumas áreas – nomeadamente no digital. Há duas questões cruciais em cima da mesa: saber se a BBC tem procurado audiências massivas em detrimento da sua fidelidade à missão original de serviço público, que é a sua razão de ser e a justifcação de receber a taxa paga pelos telespectadores britânicos; e a outra questão é saber se a BBC está  fazer concorrência a organizações de media privadas e se, sobretudo no digital, com a extensão da informação que proporciona, está a prejudicar os jornais e especialmente a imprensa regional e local – acusações que têm vindo a crescer nos últimos tempos. Finalmente há uma questão no financiamento que está a levantar uma série de polémicas e que é o fim do pagamento da taxa aos 75 anos de idade, o que tirará vários milhões de libras anuais ao orçamento recebido pela BBC. O conjunto destes temas promete ser escaldante - ainda por cima com os conservadores a assumirem sem receios a defesa de um serviço público que não ceda às tentações de variedades e de imitadores manifestadas em programas como “The Voice”. Com o atraso habitual discussões destas hão-de chegar um dia a Portugal, mas neste momento o Conselho Dependente, utilizado pela tutela como espantalho do audiovisual, anda bem longe delas. O princípio que norteia a BBC é tem uma excelente síntese nesta frase “não caçar audiências mas procurar que a qualidade seja popular e que o popular tenha qualidade”. É claro que isto se passa no país da cultura pop, onde a popularidade mostrou o seu potencial criativo e transformador e não é mal vista pelas elites. Sex Pistols, topam?


 


SEMANADA - Até final de Maio registou-se, em relação ao período homólogo do ano anterior, um aumento de exportações de 3,5%, mas verificou-se um aumento das importações de 6,2%, sobretudo devido ao sector automóvel;  António José Seguro recusou integrar as listas de candidatos a deputados propostas por António Costa; o processo de José Sócrates já vai em mais de 20 mil páginas; a sede histórica do Grupo Espírito Santo, na Lapa, está à venda numa agência imobiliária; o novo Governo Regional da Madeira anunciou ir demolir a Marina do Lugar de Baixo, inactiva desde a sua construção por problemas de segurança, obra que custou 100 milhões de euros, quase quatro vezes o seu orçamento inicial; Portugal pode tornar-se em 2050 no segundo país mais envelhecido do mundo - actualmente está na sétima posição; a investigação judicial à farmacêutica Bial inclui uma alegada simulação de estudos científicos para justificar pagamentos no valor de um milhão de euros a médicos, na realidade incentivos para receitarem medicamentos fabricados pelo laboratório; o consumo dos portugueses fora de casa aumentou no primeiro semestre do ano e há uma redução de produtos alimentares na ordem dos 3,8% nas compras nos supermercados; há menos 5% de pessoas a levar comida para o emprego; teoria dos jogos: a oposição grega votou a favor do Syriza e uma parte do Syriza votou contra o seu partido.


 


ARCO DA VELHA - Um emigrante português no Luxemburgo teve que se deslocar a Portugal para testemunhar num processo relativo a um acidente de automóvel porque o consulado português no Luxemburgo não tem Skype e a embaixada em Paris negou-lhe o direito de o usar porque não residia em França.


 


FOLHEAR - A revista “Epicur”, fundada em 1998 por Eduardo Saramago, Eduardo Miragaia e José Matos Cristovão, tem tido uma vida atribulada e incerta nos últimos anos, muitas vezes longe dos padrões iniciais. A 3ª série da revista começa agora, com novos responsáveis (Mário Rui de Castro e Filipa Melo), e as mudanças, para melhor, são bem visíveis - desde logo no grafismo,  mas também nos temas, ou seja, em toda a edição. A revista é sazonal e sai com as estações do ano, de três em três meses. Apropriadamente este número de verão tem na capa uma melancia estilizada, fruto que é referido várias vezes que tem direito a um texto imperdível de Vergílio Loureiro que desmistifica a velha maldição de não se poder comer melancia depois de beber vinho. Além de comidas e bebidas a nova série da revista evoca viagens - e melhorou também substancialmente na edição fotográfica. Uma das novidades é um bom roteiro de sugestões de exposições internacionais, o pior momento é a tentação do cruzamento de estrelas, aqui entre o autor de “Equador” e uma cançonetista; se,  como dizia Epicuro, o filósofo grego que inspirou o nome da revista, “o homem sensato não evita os prazeres”, também vale a pena deixar dito que o homem sensato não deve estar sujeito a maçadas. Adiante que este é um incidente menor na revista - que traz umas inesperadas receitas (das quais destaco os pickles de melancia de Sá Pessoa), boas sugestões de livros e uma interessante evocação de Auguste Escoffier, o criador dos crêpes Suzette e organizador de dez mil receitas. Dos colunistas destaco Manuel S. Fonseca e os escritos de comidas de Francisco Seixas da Costa. A melancia de verão já está nas bancas, a edição de Outono chegará a 21 de Setembro. Esta “Epicur” melhorou e tem espaço para crescer.


 


VER - Poucas vezes uma exposição impressiona tanto como esta de Cristina Ataíde, “Ser Linha Ser”, inaugurada na semana passada no espaço da Fundação Carmona e Costa, onde ficará até 3 de Outubro. As amplas salas da Fundação permitem acolher a dimensão das peças de Cristina Ataíde, que permanentemente invoca a sua condição de escultora, em simultâneo com a sua paixão pelo desenho e pela montagem de instalações - os três vectores em que a exposição assenta. Alguns do desenhos, vários deles fora do que tem sido a linha mais presente em obras recentes da artista, completam-se com um assinalável atrevimento a desafiar a utilização habitual de pedra nas suas esculturas, mostrando que elas tanto podem ser parte do chão como existir suspensas.  Cristina Ataíde manipula ideias manipulando materiais e conta histórias combinando suportes diversos - numa confronto permanente entre obras a duas dimensões e outras tridimensionais. Fundação Carmona e Costa, Rua Soeiro Pereira Gomes lote 1, 6º Direito.


 


OUVIR - Robert Glasper fez nome em cruzar o jazz com o hip hop e o Rhythm ‘n’n Blues, como se viu no seu disco anterior, “Black Radio”. Mas quando este pianista decide revisitar o passado do jazz consegue fazer coisas espantosas, quer seja nas versões de temas como “Reckoner” (dos Radiohead), “Barangrill” (de Joni Mitchell) ou de standards como “Good Morning” ou “Stella By Starlight”, quer seja nos seus temas originais como “I Don’t Even Care” ou em “In Case You Forgot”, cheio de citações e evocações que vão da forma de tocar piano de nomes como Keith Jarrett, Thelonious Monk e Art Tatum , passando por apontamentos de temas tornados populares por Cyndi Lauper ou Bonnie Raitt. O trio de Glasper inclui ainda Vincent Archer no baixo e Damion Reid na bateria - um trio acústico, portanto, em que a secção rítmica é avassaladora e o entendimento com o piano é total - o trio existe com esta formação há largos anos. Gravado ao vivo, em estúdio, perante público, o registo tem uma vivacidade e energia invulgares, ao mesmo tempo que é uma lição de técnica ao serviço da  interpretação. “Covered”, de Robert Glasper, é um dos melhores discos de jazz que ouvi este ano. CD Blue Note, produção de Don Was, distribuição Universal.  


 


PROVAR - Até ao fim de semana passado ainda não tinha comido este ano umas sardinhas frescas satisfatórias - eram melhores as de conserva que a maioria das que me serviram em restaurantes de vários locais, incluindo esse ex-templo do peixe grelhado que era o Último Porto, em Lisboa. Em Julho a sardinha está na melhor fase, gorda mas firme, saborosa. Em Setúbal costuma comer-se boa sardinha mas a procura já é tanta que a coisa nem sempre corre bem. De maneira que voltei a um restaurante de beira de estrada, entre Azeitão e Palmela, em Cabanas, o Retiro do Gama. Todos os dias o responsável pela grelha, o Sr. Carlos, traz de Setúbal peixe fresquíssimo que ele escolhe com cuidado - os salmonetes por exemplo, são especiais. Mas quando ele diz que as sardinhas estão boas, não há que hesitar. Além da qualidade da matéria prima que ele escolhe, a maneira como sabe tratar o peixe na grelha deixa-o impecável, e no caso da sardinhas que provei, mantém o sabor a mar, coisa bem rara. A acompanhar  veio uma salada rica, batatas novas e açorda. Antes veio uma salada de polvo temperada na perfeição e umas boas azeitonas, além do excelente pão da casa que é sempre necessário para fazer uma cama para as sardinhas. A rematar, a escolha é entre a reputada mousse de moscatel e, este ano, a novidade de uma tarte de alfarroba que é um pouco pecaminosa. A dirigir as operações estão o proprietário, Carlos Gama, e, na cozinha, a sua mulher, Fátima - a casa não tem só grelhados, há petiscos de tacho que são muito apreciados. A equipa é atenta no serviço e regressar ao Gama é sempre um prazer - saboroso ainda por cima. Retiro do Gama, Avenida Visconde do Tojal 33, telefone 915 826 567.


 


DIXIT - Exemplo de separação entre a Igreja e o Estado:  “Se o Papa Francisco votasse em Portugal, votaria no PS” - Ascenso Simões, Director de campanha dos socialistas.


 


GOSTO - Das imagens que chegam de Plutão, do que se vai descobrindo sobre este planeta, da aventura da exploração espacial, da persistência dos cientistas que exploram o desconhecido.


 


NÃO GOSTO - Das cedências do próprio Passos Coelho às pressões de Luis Braga da Cruz, Presidente de Serralves, que assim fez andar para trás, por motivos estritamente burocráticos,  a política cultural que tinha sido estabelecida para a coleção de arte moderna da Secretaria de Estado da Cultura no Museu do Chiado.


 


BACK TO BASICS - “Nunca pensei que fosse possível estabelecer um valor monetário à democracia, que é o que acontece quando se limita o custo da justiça. Quando um Estado não funciona com base na lei, deixa de haver democracia” - excerto de uma frase uma juíza, personagem do livro “”The Man From Beijing”, de Hanning Mankell.




NOVELAS E PROGRAMAS INFANTIS MARCAM O VERÃO

Na semana passada o conjunto de canais de cabo alcançou a maior audiência das últimas semanas, com 32,8% de share, bem à frente de qualquer dos canais generalistas – a TVI, que lidera, teve 21,2% de share – por aqui se vê a diferença. Na realidade o conjunto dos canais de Cabo só perde a liderança durante o horário 20h-24h, para a TVI – em todos os outros horários está à frente. Se olharmos para a lista dos dez programas mais vistos nas generalistas verificamos que cinco deles são telenovelas da SIC e TVI, há um programa de apanhados da SIC e os quarto restantes são espaços informativos diários – três das 20h00 e um da hora de almoço, o “Primeiro Jornal”, da SIC. Passando para os canais informativos, a TVI24 continua a aparecer à frente da SIC Notícias, apesar de já ter acabado a Copa America cujas transmissões directas animaram o canal informativo da TVI. Soube-se esta semana que a RTP Informação se irá passer a chamar RTP3 e aguarda-se perceber quais as mudanças que surgirão nos seus conteúdos. A CMTV, apesar de estar apenas na plataforma MEO, continua a aparecer entre os 20 canais mais vistos. Nesta altura do ano há quatro canais infantis neste Top 20 e nas séries a FOX ultrapassou a AXN. Com o futebol no defeso o grande programa desportivo da semana é a Volta a França em bicicleta, cujas transmissões na RTP2 garantiram a este canal a sua melhor audiência dos últimos meses.


 


(Publicado na Sexta TV & Lazer do Correio da Manhã de 17 de Julho)

julho 10, 2015

SONDAGENS, DISPARATES & SUGESTÕES AVULSAS

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TRETAS - Até ao final do Verão vamos viver rodeados por sondagens. Esta semana conheceram-se várias, que analisaram desde as preferências de votos nas próximas legislativas até à opinião dos inquiridos sobre o comportamento da justiça no caso Sócrates e sobre o comportamento do cidadão Sócrates no seu caso com a Justiça - estas últimas com curiosos resultados que podem fazer os advogados pensar os efeitos das suas estratégias na opinião pública. Tudo indica portanto que este vai ser um bom ano de facturação para as empresas de sondagens. Os próximos estudos de opinião, quando a partir de final do corrente mês ficarem mais desenhadas as candidaturas presidenciais, vão também ser empolgantes. Pelas minhas contas é provável que à primeira volta se apresentem praticamente uma dezena de candidatos, talvez com ligeira vantagem numérica dos do lado direito sobre os que estão do lado esquerdo do barómetro político, Se isto se confirmar a primeira volta vai ser uma espécie de primárias simultâneas da esquerda e da direita, para ver quem vai ao combate final. A partir de fim do mês vão começar as requisições de apoio, o desfilar de notáveis a opinar e os painéis de comentadores partidários nas televisões vão fazer prodígios de ainda maior equilibrismo e vacuidade de pensamento para conseguirem sobreviver sem ofenderem demasiado nenhum dos candidatos das suas áreas político partidárias - o que vai ser sobretudo saliente no PSD e no PS. Vai ser engraçado ver como os opinadores de serviço se vão repartir. Os candidatos serão tantos que os comentadores partidários vão ter muitas solicitações nos próximos tempos, divididos entre puxarem a brasa às suas sardinhas nas legislativas e procurarem evitar tomar compromisso antecipado nas presidenciais. A coisa promete - já deve haver alguém a treinar equilibrismo.


 


SEMANADA - Entre 2010 e 2014, ou seja durante o período da troika, as dívidas à segurança social dispararam 60%; a produtividade portuguesa equivale a 64% da média europeia; desde 2011 que os bancos portugueses não concediam tantos empréstimos à aquisição de casa própria; a concessão do crédito à habitação subiu 50% nos primeiros cinco meses de 2015, em relação ao período homólogo do ano passado; em 2014 Portugal tinha a 4ª maior dívida pública da OCDE, apenas atrás do Japão, Grécia e Itália; as importações à Alemanha foram as que mais aumentaram em 2014, cerca de 12%; o Porto de Sines movimentou mais 25% de mercadorias no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado; desde Janeiro faliram 2484 empresas e o comércio a retalho é o mais afectado; o intermediário da venda da PT, amigo pessoal do seu novo Presidente, que lhe encaminhou o assunto para a Altice, reclama uma comissão de 69 milhões de euros à OI pela concretização do negócio; com mais de cinco milhões de pessoas de origem portuguesa espalhadas pelo mundo, Portugal apresenta atualmente a taxa de população emigrada mais elevada da União Europeia e é o sexto país em número de emigrantes; no ano passado emigraram 387 médicos especialistas e um inquérito recente indica que 65% dos médicos que estão a fazer o internato da especialidade consideram a possibilidade de emigrarem; o PS conseguiu travar a proposta de que os registos de interesse dos responsáveis das secretas fossem públicos, para que assim não se saiba se pertencem ou não a associações secretas, como a maçonaria.


 


ARCO DA VELHA - O Conselho Superior da Magistratura considerou que a proposta do governo, que visa alterar o regime jurídico do Sistema de Informações da República Portuguesa, viola a Constituição em matéria de inviolabilidade de correspondência, telecomunicações e demais meios de comunicação.


 


FOLHEAR - A arte do editor é procurar formas de reinventar obras antigas e criar para elas focos de atenção. A editora Guerra & Paz, dirigida por Manuel S. Fonseca, tem feito isso ao longo da sua existência, num trabalho cuidado, que concilia a edição de novos autores com edições populares divulgadas com o apoio da SIC, mas também com edições especiais muito trabalhadas. Um dos grandes exemplos deste espírito de paixão pela edição é o belíssimo “Livro de Viagem”, que nos traz como viajantes Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Ousando uma heresia, é como se o espírito do poeta tomasse de assalto um tuc tuc voador e através dele fosse percorrendo paragens diversas. A edição original, cuidadosamente elaborada por Manuel S. Fonseca, é de 2009, e é um exemplo do muito que se pode fazer com pouco desde que haja imaginação - “Para que precisa de viajar com o corpo quem tão bem viaja com a alma!” - com esta citação resume o editor o seu trabalho no posfácio que encerra este livro dedicado a quem acha que a melhor maneira de viajar é sentir, lema comum da associação secreta de viajantes que agrupa os autores dos relatos publicados. Disponível, além das livrarias, no site da editora - www.guerraepaz.net .


 


VER - Todos os anos, por esta altura, a Galeria João Esteves de Oliveira revisita o seu acervo e expõe obras de artistas com quem tem trabalhado ao longo dos anos, desde consagrados a novos talentos. Especializada em trabalhos em papel, a Galeria ganhou um espaço próprio pela escolha cuidada dos trabalhos que apresenta. Sob o título “Regresso Ao Acervo”, são mostradas obras de nomes que vão de Álvaro Lapa a Sofia Areal, passando por António Palolo, Cecília Costa, Jorge Martins, Jorge Nesbitt, José Pedro Croft, Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes ou Pedro Calapez (na imagem). Incluídas na exposição estão também obras de três dos finalistas do Prémio EDP Novos Artistas deste ano - Vasco Futscher, Manuel Caldeira e Marco Pires. “Regresso Ao Acervo” fica até 11 de Setembro, na Rua Ivens 38, frente ao Grémio Literário e permite ter uma visão de conjunto, rara, do trabalho de uma série de grandes nomes da arte contemporânea portuguesa. Além das duas aguarelas de Calapez merecem destaque o desenho a carvão de Cecília Costa, um tríptico de José Pedro Croft, os desenhos de Cabrita Reis e Rui Sanches e os trabalhos de Vasco Futscher.


 


OUVIR - Tenho especial apreço pelos músicos que ensaiam fusões de géneros, pelos que não hesitam em ser herejes e contrariam os princípios estabelecidos. O pianista norueguês Bugge Wesseltoft gosta de descobrir novas texturas sonoras a partir de sonoridade ambientes e combina jazz tradicional com música de dança electrónica, funk, ritmos latinos ou soul. A combinação pode parecer estranha mas o resultado é bem conseguido. Sob o título “Bugge & Friends” e a referência “Nº3 Jazzland Norway”, este grupo de músicos de várias nacionalidades, liderados por Bugge, vai buscar influências muito diversas, numa sucessão de cruzamentos de inspirações. Para  citar Bugge, imaginem, por exemplo, que Miles Davis toca a passear por Cuba ou que Monk está em Ipanema. No trabalho incluído neste CD, que nasceu da evolução de actuações ao vivo ao longo de dois anos, há  também a influência de DJ’s - e a síntese mais resumida do que se ouve é um cruzamento conseguido de jazz com música de dança , ou club music se preferirem. Como diz o mentor do projecto, “este género de música é exclusivamente sobre o prazer que os artistas e a sua audiência podem ter em conjunto, sobre a partilha de forças com o objectivo de criar boa energia e viver um bom momento”. O CD é distribuído em Portugal pela Universal Music.


 


PROVAR - Nestes bons dias de verão uma esplanada com vista e desafogada, se possível abrigada do vento, é sempre uma benção. Se tiver alguma coisa para petiscar enquanto a tarde acaba e a noite começa, ainda melhor. É o caso do Le Chat, uma estrutura basicamente de vidro, mas aberta, com um grande terraço, ao lado da entrada lateral do Museu Nacional de Arte Antiga, com uma vista única do estuário do Tejo, de Alcântara até ao desenhar da baía de Cascais em dias de boa visibilidade. E, claro, também se vê a margem sul - agora extraordinariamente batizada por South Bay num assomo de americanismo de algum autarca local. O Le Chat é protegido do vento que às vezes dificulta os fins de tarde lisboetas neste mês de Julho, tem um serviço simpático e é garantidamente uma das melhores esplanadas de Lisboa - ainda por cima a construção, colocada num sítio magnífico, é muito bem conseguida e não se sobrepõe à paisagem. Nesta recente incursão provou-se um pica pau de lombo de atum fresco com molho cítrico, que estava excelente, mal passado no ponto, e muito bem temperado, acompanhado de chips de batata doce. É este aliás também o acompanhamento do hamburguer da casa, boa carne, sem ser compactada em demasia e também bem temperada. Bebeu-se uma imperial bem tirada e um Assobio tinto, do Douro, servido a copo. Belo fim de tarde. Le Chat, no Jardim 9 de Abril, à Rua das Janelas Verdes, tel. 213 963 668. A revista do New York Times considerou-o como um dos locais a não perder numa visita a Lisboa, por mais rápida que seja. E acertou em cheio.


 


DIXIT - “Você passa a vida a falar de reformas mas nunca vemos propostas concretas”, afirmou esta semana o deputado europeu belga Guy Verhofstadt, dirigindo-se Alexis Tsipras


 


GOSTO - A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa  comprou a antiga Casa de Saúde Militar, na Estrela, para aí instalar unidades de cuidados paliativos e cuidados continuados para os mais carenciados.


 


NÃO GOSTO - Que os CTT me entreguem avisos ilegíveis de cartas registadas, que ainda por cima não me eram dirigidas e que foram parar à minha caixa de correio - está a piorar a entrega de correspondência postal aos seus destinatários.


 


BACK TO BASICS - O sucesso e os resultados não se medem pela dimensão que se apregoa, mas pela riqueza das ideias e contributos que se oferecem - Robin S. Sharma.


 

UMA ESPREITADELA NAS AUDIÊNCIAS DE TV

Apesar de ser distribuído somente através da plataforma MEO, abrangendo portanto apenas cerca de metade do mercado de televisão por cabo, o CM TV esteve esta semana entre os 20 canais mais vistos em todas as regiões do país e em 18º lugar a nível nacional. A audiência dos canais de cabo tem vindo a aumentar e hoje em dia já representa 31,5% do total de espectadores – num universo televisivo em que a TVI lidera com 21,6% de share, a SIC voltou a cair para 18,1%, a RTP1 está com 15,4% e a RTP2 com 2,3%. Os bons resultados de audiência da RTP devem-se às transmissões do Europeu de Sub21, e sobretudo à final entre Portugal e a Sucédia e as da RTP2 têm uma grande influência das transmissões da volta à França em bicicleta. O desporto também jogou pela TVI24 graças à Copa América, conseguindo assim ser o canal mais visto do cabo. Esta semana a “A Única Mulher” conseguiu pontualmente ultrapassar “Mar Salgado”, contribuindo assim para o reforço do domínio da TVI em todos os horários. Apesar da situação grega e do referendo os canais e espaços informativos não foram especialmente beneficiados nestes dias. Se tivesse que fazer um resumo da semana diria que cada vez mais gente vê cabo, que o desporto continua a ser um dos grandes pólos de atracção de audiências e que as novelas produzidas em Portugal são o programa preferido do horário nobre.


(Publicado na revista Sexta TV & Lazer)

ESTAÇÕES DE TELEVISÃO CAÇAM ESPECTADORES NO ONLINE

O consumo de imagens video em dispositivos móveis está a alterar a nossa relação com todo o universo das imagens. Hoje em dia o conceito de televisão começa a separar-se do aparelho que invadiu as casas a partir de meados do século passado. A mudança de hábitos de visionamento passa pelo progressivo afastamento das estações tradicionais, graças à possibilidade de escolha e consumo de conteúdos online. A proliferação de ligações de banda larga veio permitir que empresas como a Netfliz, a Hulu e a Amazon passassem a disponibilizar o acesso a filmes e séries em streaming, em detrimento da programação tradicional dos canais de televisão. Nos Estados Unidos há já 10 milhões de casas que deixaram de assinar TV por cabo ou por satélite e que vêm TV através de banda larga em plataformas de streaming.


Um estudo recente do IAB (interactive Advertising Bureau), que também contemplou Portugal, mostra que  este ano, a nível europeu, há mais 35% de pessoas a verem videos em smartphones e que22% das pessoas afirmam verem menos televisão tradicional em relação ao que faziam há um ano atrás. 60% dos inquiridos admite que tem frequentemente em utilização simultânea dois ecrãs (o da TV e o de um dispositivo móvel). No caso português os conteúdos mais vistos em dispositivos móveis, nomeadamente smartphones, são trailers de filmes e sketches de humor e, só muito depois, aparecem videoclips musicais – uma tendência pouco frequente a nível internacional, onde a música costuma ocupar um lugar mais relevante. Numa outra perspectiva de análise cerca de 60% dos utilizadores de smartphones vê video através do YouTube mas há já 40% que utilizam o Facebook para o mesmo efeito.


Esta nova realidade coloca uma questão importante aos produtores de conteúdos audiovisuais: como promover as suas novas produções? Recentemente o serviço de streaming video da Amazon escolheu o Facebook para fazer o lançamento da sua nova série “Catastrophe”, oferecendo o primeiro episódio gratuito na rede social. A HBO fez o mesmo com duas séries também recentes: “Ballers” e “The Brink”. Até aqui o YouTube era a plataforma que garantia maior visibilidade e audiência aos videos. Mas com as recentes novidades introduzidas no Facebook a sua capacidade de encontrar audiência para os videos está  a aumentar exponencialmente – na realidade o algoritmo do Facebook, com as analogias e a informação que permite utilizar, é mais eficaz a encontrar os destinatários certos de determinado conteúdo – e essa vantagem permite-lhe posicionar-se de maneira diferente já que no YouTube, por eqnauanto, apenas se consegue encontrar o conteúdo por pesquisa.


O que as novas organizações de distribuição de conteúdos video estão a fazer é perceber que já não chega usarem a publicidade convencional nos espaços comerciais das estações de televisão – e por isso estão a tomar a dianteira no rastrear da mudança de comportamento dos consumidores. Se as próprias estações de televisão estão a começara fazer isto, os anunciantes que hoje ainda as utilizam vão rapidamente aperceberem-se das alterações significativas que começam a existir. O mundo está sempre em mudança. E quando as estações de televisão vão á procura de audiências fazendo publicidade online e nas redes sociais, vale a pena começar a pensar no tema.