julho 31, 2015

GROUCHO MARX CONTINUA A TER RAZÃO COMO SANTOS SILVA VAI DEMONSTRANDO

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TEMA 1- Já que por estes dias se fala tanto dos homens de Atenas gostava de recordar que, na Grécia antiga, político que prometesse e não cumprisse era expulso da polis por 10 anos. Cá por mim acho que esse era um bom preceito. É nestas alturas que me vêem à memória as promessas de Costa quando foi eleito pela primeira vez Presidente da Câmara - por exemplo acabar em poucas semanas com as segundas filas de estacionamento; ou, ainda, os seus feitos como membro do Governo numa anterior encarnação - onde fazia frequentemente o contrário daquilo que hoje apregoa. Deste papel de vendedor de ilusões não podem ser esquecidos outros, de outros partidos, que têm andado a vender gato por lebre, poluindo o país. Seria muito útil que alguém inventariasse as promessas feitas e não cumpridas pelos políticos de serviço.


 


TEMA 2 - Augusto Santos Silva teve a pasta da comunicação social nos tempos do detido Sócrates. Hoje, uns anos depois, a sua boçalidade mostra-se em pleno com a polémica que alimentou por, coitado, ter sofrido alterações e mudanças de horário motivadas pela fraca audiência obtida face a outras alternativas de programação. Ficámos assim a saber que este ex-responsável pela pasta da comunicação social num Governo socialista ignora que a liberdade editorial passa por um Director de Informação poder decidir em função dos  conteúdos que são mais adequados, em cada momento, às audiências que quer atingir, e  que esse é o verdadeiro sentido da liberdade de imprensa e da função editorial. Santos Silva tem-se mostrado nestes dias como o português mais parecido com Varoufakis: ambos pensam que a culpa do que lhes corre mal é sempre dos outros e não lhes ocorre que são as suas asneiras que os levam ao local para onde foram remetidos.


 


TEMA 3 - Depois de vários ensaios legislativos e de múltiplas reuniões continua sem haver acordo sobre a forma como os partidos políticos querem manipular as televisões privadas para fazerem propaganda, travestida de debates. Estes debates que tanta polémica causam são um exercício de pantominice oratória onde o único objectivo é que cada um limite o outro - uma espécie de jogo de râguebi apenas com placagens e sem marcação de ensaios. Lamentável. Na verdade o que os preocupa não é nenhum pluralismo ou um sério desejo de debater ideias, algo impossível naquele formato - é apenas garantir que quem se intitule político do arco da governação possa arengar à vontade.


 


SEMANADA - O Tribunal Constitucional chumbou, pela segunda vez, a lei do enriquecimento injustificado aprovada no Parlamento; o juiz Carlos Alexandre afirmou querer o Ministério Público com mão mais pesada e a aplicar medidas de coação agravadas nos casos mediáticos; a PSP já deteve este ano 32 taxistas por suspeitas de crime de especulação contra turistas que chegaram ao Aeroporto de Lisboa; em 2014 Portugal foi visitado por 17,3 milhões de turistas que geraram 10,39 mil milhões de euros de receitas, o melhor resultado de sempre; em Portugal há menos 100 mil fiadores que há quatro anos; cinco famílias são despejadas por dia por rendas em atraso; há 31 candidatos a director geral do Fisco; o Tribunal de Contas afirma que as verbas canalizadas pelas Finanças para os sorteios de automóveis da “fatura da sorte” foram utilizadas de forma irregular;  este ano o numero de vítimas mortais em praias fluviais é quatro vezes superior ao verificado em praias marítimas; desde abril onze pessoas já se perderam em passeios nos trilhos do Gerês, alegadamente devido a deficiente sinalização; os municípios portugueses tiveram uma quebra da receita global de 1600 milhões de euros nos últimos cinco anos, o que significa uma perda de 876 mil euros por dia; depois da experiência governativa em meia legislatura Poiares Maduro decidiu voltar a emigrar; o Programa da Mobilidade apresentado esta semana pelos Ministro do Ambiente preconiza que nalguns casos os funcionários do Estado passem a deslocar-se de bicicleta.


 


ARCO DA VELHA - Sérgio Figueiredo, Director de Informação da TVI, afirmou que Augusto Santos Silva saíu da estação “por ser malcriado, não porque a sua voz é incómoda”; Augusto Santos Silva respondeu apelidando o jornalista de “ayatollah de Barcarena”.  


 


FOLHEAR - A revista Egoísta é uma aventura rara no panorama editorial português. É fruto do encontro da vontade de Mário Assis Ferreira, que assegurou o financiamento através da Estoril-Sol, da iniciativa de Patrícia Reis, que delineou o projecto, e de Henrique Cayatte, que o formatou graficamente no início. Esta aventura tem 15 anos e 70 prémios obtidos ao longo da sua existência. Publicou autores portugueses e estrangeiros, não só na escrita, mas também na ilustração e na fotografia. Tem sabido ser uma montra diversificada de talentos e uma oportunidade para publicar muitos trabalhos que de outra forma ficariam na gaveta. Confesso que sou parte interessada, já lá publiquei fotografias diversas vezes e neste número que assinala os 15 anos da publicação mostro algumas das instagrams que semalmente aparecem nestas mesmas páginas do Jornal de Negócios. A Criatividade é o reduto da diferença - escreve Mário Assis Ferreira no editorial desta edição - e é isso mesmo que se pode ver nas fotografias de Teresa Freitas, de Pauliana Valente Pimentel, de Lionel Arnaudie ou nos graffiti de Tamara Alves que esta “Egoísta” dá a conhecer.


 


VER - Se está por Lisboa não deixe de visitar até 25 de Outubro uma exposição que está no MUDE (Rua Augusta 24) - TAP PORTUGAL: IMAGEM DE UM POVO, e que a circunstância da privatização da empresa tornou especialmente actual. Aqui se mostra o que foi  o design da companhia aérea nacional, ao logo de 70 anos, de 1945 aos nossos dias, ao nível da comunicação visual, indumentária, design de interiores e produto. Aqui se pode ver o trabalho de ateliês e agências, como Ciesa, Forma, Estúdio MR, Marca, Impar, Cinevoz, Espiral, Risco, McCann e Brandia. Na exposição estão ainda peças criadas para a TAP por marcas portuguesas de referência como a Vista Alegre, a Secla, as Loiças de Sacavém, a SPAL ou a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, que produziram loiças de bordo e tapeçarias. Em todo este trabalho estiveram envolvidos nomes como Gonçalo Pais de Freitas, Gustavo Fontoura, Augusto Cid, Daciano da Costa, Carlos Rocha, Manuel Alves e José Manuel Gonçalves, entre outros. Para além destes, entre os designers e artistas representados incluem-se ainda Sebastião Rodrigues, Keil do Amaral, Eduardo Anahory, Louis Féraud, Ana Maravilhas, Sérgio Sampaio, Óskar Pinto Lobo, Leonildo Dias, João Velez, Carlos Rafael, Manuel Rodrigues e José Soares.


 


OUVIR - Bill Evans foi um dos grandes pianistas do jazz, morto prematuramente, aos 49 anos, em 1980. “Bill Evans - The Complete Fantasy Recordings”, é uma caixa com nove CD’s que incluem 98 gravações de estúdio e de actuações ao vivo e na rádio, efectuadas durante o período de sete anos antes da sua morte, a época em que gravou para a Fantasy Records. Aqui estão 11 sessões de estúdio, um concerto inédito com o seu trio (de 1976) e o registo de um programa da rádio pública norte-americana em que Evans, ao longo de uma hora, fala da sua música, tocando-a, com Marian McPartland. Nas gravações incluídas nesta caixa encontram-se duetos  com o baixista Eddie Gomez e com Tony Bennett, além de partipações de músicos como os guitarristas Lee Konitz e Kenny Burrell. A caixa inclui ainda um livro de 62 páginas com um ensaio sobre Bill Evans do crítico e seu biógrafo Gene Lees, assim como notas detalhadas das 11 sessões de estúdio, feitas por Helen Keane. Aqui estão também os álbuns que gravou para a Fantasy, como “The Tokyo Concert”, “The Tony Bennett/Bill Evans Album” e o registo a solo “Alone (Again)”. Esta edição-caixa está distribuída em Portugal pela Universal Music, e encontra-se disponível na FNAC e El Corte Ingles.


 


PROVAR - Nuno Cancella de Abreu foi um dos obreiros, há uns anos, da recuperação da casta Arinto, na região de Bucelas. Foi tão bem sucedido que ela, que então andava esquecida e em vias de extinção, se tornou numa das mais apreciadas castas para os bons vinhos brancos de estirpe bem portuguesa. Por estes dias e por sugestão sempre acertada do proprietário da garrafeira Néctar das Avenidas (Avenida Luis Bivar 40), experimentei um branco que desconhecia completamente, da península de Setúbal. Chama-se Pica Peixe - o nome vem de uma ave residente no estuário do Sado, próximo das vinhas onde nascem as uvas de Moscatel graúdo e Arinto utilizadas para este vinho, fresco, leve mas saboroso, que vai muito bem como aperitivo ou com saladas e peixe nesta altura do ano.


 


DIXIT - “Um terço da produção alimentar vai para o lixo” - Hilal Elver, investigadora da Universidade da Califórnia, numa conferência em Lisboa.


 


GOSTO -  Vai abrir no Hospital de Santa Maria um novo centro de investigação científica para testar novos medicamentos em patologias graves.


 


NÃO GOSTO - Das manias napoleónicas de François Hollande - ai o que me irritam os franceses….


 


BACK TO BASICS - “A melhor maneira de saber se alguém é honesto é perguntar-lhe isso mesmo; se responder que sim ficamos a saber que é um vigarista” - Groucho Marx