outubro 24, 2014

AR ABAFADO, SALGALHADAS ESCALDANTES

XADREZ - Um estranho clima percorre o país e não é só este verão de S. Martinho, abafado e antecipado. A temperatura continua quente na Justiça e na Educação, com as confusões em torno do Orçamento de Estado, com os novos abusos do Fisco, com as pequenas guerrilhas dentro da coligação. O cenário geral de actuação do Fisco merece particular atenção e não tem só a ver com o aumento da carga fiscal - tem a ver com os abusos na cobrança do IMI relatados esta semana e tem, sobretudo, a ver com a diminuição dos direitos de defesa dos contribuintes. O Fisco tem dois comportamentos e isso tornou-se política oficial neste Orçamento: limitar os direitos de quem tem poucas condições para reclamar e manter as aparências nos restantes. Quando um sorriso é permanente há boas razões para se pensar que ele pode ser falso. A Ministra das Finanças é desse género de permanente sorriso, e talvez por isso se diga que ela tem ambições políticas - a hipocrisia é uma característica necessária no sistema que temos. Se ela enveredar pela política terá muita concorrência - perfilam-se no horizonte os candidatos a protagonistas do próximo ciclo político: em dois anos vamos ter as eleições legislativas, as presidenciais e as autárquicas. Se repararem com atenção já se estão a dispôr peões para estes três tabuleiros, até para o autárquico. Os jogos começaram a desenhar-se, mas ainda ninguém consegue dizer como eles se vão desenvolver. Imagino algumas surpresas, antevejo candidatos a mudarem de tabuleiro e imagino muita gente a dar o dito por não dito em termos de disputas de cargos.


 


SEMANADA - As novas medidas do IRS foram modificadas em diversos pontos depois de apresentadas; o responsável pelo estudo sobre a reforma do IRS considerou uma “salganhada” a cláusula de salvaguarda anunciada por Passos Coelho; um estudo da Deco calcula que o Fisco esteja a cobrar 244 milhões de euros em excesso no Imposto Municipal sobre Imóveis; os contribuintes com processos no fisco até cinco mil euros ficam sem direito a recurso aos tribunais para se poderem defender; insultar funcionários do fisco vai dar multa ou prisão até 5 anos; Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças, questionou a aplicação da Fiscalidade Verde num país com baixa competitividade como Portugal; as confusões sobre a sobretaxa do IRS e na educação criaram mal estar na coligação; as negociações sobre uma eventual nova coligação só começarão no início de 2015; no momento da despedida Durão Barroso disse que a União Europeia tinha ficado mais forte depois da crise e confessou que, ao longo dos dez anos em que foi Presidente da Comissão Europeia, perdeu “as ilusões”; um docente que já estava colocado nos Açores, foi simultaneamente colocado em mais 95 escolas por todo o país e, em consequência, cerca de dois mil alunos continuaram sem aulas; Passos Coelho elogiou a determinação de Nuno Crato; os gastos em estudos e pareceres no Estado sobem 32% no orçamento para 2015, atingindo 766 milhões, contra 581 milhões este ano; os ninhos de cegonha em Portugal aumentaram 50% nos ultimos dez anos; seis em cada dez lisboetas não utilizam transportes públicos; a partir de 2015, em todas as salas de cinema da NOS, será possível consumir pipocas portuguesas feitas a partir de 400 toneladas de milho que serão compradas a 10 produtores nacionais.


 


ARCO DA VELHA - A coisa já é sobejamente conhecida mas não resisto: Os Juízes do Supremo Tribunal Administrativo reduziram a indemnização a uma mulher alegando que “aos 50 anos a actividade sexual não tem a importância que assume em idades mais jovens”. A mulher, na sequência de um erro médico numa cirurgia, nunca mais conseguiu ter relações sexuais após a operação. Não é só o Citius que não funciona na justiça portuguesa.


 


FOLHEAR - A edição de Novembro da revista “Monocle” tem a arquitectura e o design como pratos principais, mas há bastante mais para ler. Um dos artigos interessantes é sobre a divisão, ainda hoje existente, dos Ministérios do Governo federal Alemão, entre Bona e Berlim, 25 anos depois da queda do Muro. Outro curioso artigo é sobre  as mudanças que o novo adido cultural da França em Nova Iorque está a introduzir, com o objectivo de tentar fazer renascer a francofonia no outro lado do Atlântico - algo que podia ser lido pela diplomacia portuguesa, em prol da lusofonia, claro. Ainda dentro dos temas culturais destaque para o primeiro de uma série de artigos sobre a criatividade na concepção de novos espaços, no caso uma galeria de arte em Los Angeles, “The Mistake Room”, Passando para o lado das cidades um dos destaques vai para Istambul, com uma boa proposta de roteiro. No Design Directory há um destaque para o Bairro da Bouça, no Porto, um projecto de habitação social, e ainda duas referências adicionais a Portugal: uma à empresa O Editorial que produz as tábuas de cozinha e de servir tapas desenhadas por Gonçalo Prudêncio,  e a outra à cadeira Aranha, desenhada por Marco Sousa Santos e produzida pela Branca, em Paços de Ferreira. A terminar, mais dois destaques - um para o belíssimo relato de um almoço com Gay Talese em Nova Iorque, um dos mentores do New Journalism; e o outro vai para o editorial de Tyler Brulé, que reflecte de forma acertada, mas polémica, sobre a decadência da imprensa e as razões de tal situação, e os modelos de negócio seguidos por alguns jornais no digital. Atrevo-me a dizer que é leitura obrigatória para quem trabalha em qualquer disciplina da comunicação.


 


VER - Há para ver, nos próximos tempos, dois documentários sobre música bem distintos, ambos com um longo processo de gestação. Vou começar por “Uivo” (na foto), um documentário sobre o radialista, editor e produtor António Sérgio, que morreu em 31 de Outubro de 2009. No Facebook há uma página intitulada “Eu aprendi a ouvir música com António Sérgio”, que é por si só o testemunho de uma geração que descobriu faces menos óbvias da edição discográfica através dos seus programas radiofónicos, como “A Hora do Lobo”, “Som da Frente” ou “Lança Chamas”. O produtor e realizador do “Uivo”é Eduardo Morais, que já se tinha aventurado antes, noutro documentário sobre a temática do rock,  “Meio Metro de Pedra”, que traçou um panorama da produção portuguesa desde a década de 50. O “Uivo” vai ser estreado dia 1 de Novembro no Palácio Foz e ao mesmo tempo será apresentado o livro “O Uivo da Matilha”, de Ana Cristina Ferrão. mulher e colaboradora de António Sérgio, que com ele trabalhou intensamente.


O outro documentário, bem diferente, vem assinado por Bruno de Almeida, chama-se “Fado”, e foi realizado sobre o trabalho de Camané, a partir da gravação do disco “Sei de Mim”, de 2008. Depois de um documentário sobre Amália, esta é a segunda incursão de Brunco de Almeida no Fado. O documentário estreou por estes dias no Doc Lisboa e é uma viagem ao processo de criação de um disco, que, no caso, mostra também a importância do trabalho do produtor, que foi José Mário Branco.


OUVIR - Entre as Caldas da Rainha e Londres nasceram Los Waves - com uma formação mutante que passou do duo inicial ao quarteto actual. A banda tem feito uma carreira internacional desde que se estreou em Londres, em 2011 e este seu primeiro álbum é editado praticamente em simultâneo nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Portugal. Los Waves cruzam vários estilos, é possível detectar influências que vão da new wave à pop urbana, aqui e ali com uns laivos psicadélicos. Há uma coisa curiosa neste “This Is Los Waves So What?”, que é o facto dos 11 temas manterem uma qualidade homogénea ao ponto de haver quem diga que este álbum é um somatório de singles. Talvez por isso mesmo já há canções de Los Waves nas bandas sonoras de séries como”Gossip Girsl” e “Mentes Criminosas” e em filmes como “Veronica Mars”, “Enough Said”  ou “Cradle Of Storms”. “Golden Maps” foi a canção que ganhou notoriedade no festival South By Southwest e abriu-lhes as portas da América. Claro que está neste disco, que tem tanto de inesperado como de atraente.


 


PROVAR - Quando se fala em éclairs o que vem à mente são bolos, doces, uma das delícias da pastelaria francesa. Acontece que também há éclairs salgados, que podem ser acompanhados por uma salada e assim constituir uma refeição. O admirável mundo dos novos éclairs chegou a Lisboa, mais precisamente à Avenida Duque de Ávila 44. Nos dias bons há uma esplanada no passeio e a sala é espaçosa e elegante. “L´Éclair” é obra de um jovem pasteleiro francês, de 26 anos, Mathieu Croiger, que decidiu experimentar a sua arte e a sorte em Lisboa. O local é cuidado na apresentação e exemplar no serviço, muitas vezes com o próprio dono presente. E além dos éclairs doces ou salgados, há macarons que podem ser invulgares, como os de pistáchio ou de alfazema, e o clássico pain au chocolat. Logo de manhã, que a casa funciona cedo, há deliciosos crosissants bem frescos para o pequeno almoço. Está aberto de segunda a sexta das 07h30 às 20h00 e ao fim de semana das 09h30 às 19h00. Podem ser encomendados éclairs ao metro, para ocasiões especiais, num dos 15 sabores disponíveis. E volta e meia há surpresas, como o éclair de amendoim com uma pitada de flor de sal.


 


DIXIT - “Vocês aqui fazem descontos a deputados?” - parlamentar cujo nome não foi revelado em pergunta ao dono do restaurante “XL”, perto da Assembleia da República, citado pelo jornal “i”.


 


GOSTO - Da série “Os Anos 90”, transmitida às quartas-feiras pelo canal National Geographic.


 


NÃO GOSTO - Os processos judiciais de cobranças de dívidas ainda não estão no Citius.


 


BACK TO BASICS - Quanto mais se observa a política mais se tem a noção que os partidos são todos o mesmo, a única diferença é que aqueles que estão na oposição prometem sempre um mundo melhor - Will Rogers


 

outubro 17, 2014

SOBRE O SENTIMENTO DOS TRIPULANTES DE OVNIS EM PORTUGAL

OVNI  - Um observador neutral que, de repente, no decurso desta semana, tivesse aterrado no país, saído de um OVNI, depois de ouvir as declarações de Passos Coelho sobre o Orçamento de Estado, diria que o Primeiro Ministro está farto de ser Governo e se quer ir embora logo que possível. Essa poderá ser a única explicação para o Governo ter desistido de rever a carga fiscal dos cidadãos em 2015, ter inventado mais umas taxas com desculpas ecológicas e, de um modo geral, ter continuado a ser mais papista que o Papa em matéria de austeridade. Já se viu que o Orçamento é baseado na perspectiva de a receita fiscal crescer o triplo da economia, o que diz tudo sobre a estratégia que se deseja para o país. O facto de existir um efectivo agravamento da carga fiscal obrigou a Ministra das Finanças a malabarismos de contorcionismo intelectual para o tentar esconder. A apresentação do Orçamento decorreu sob o espectro de crises graves na justiça e na educação, que deixaram marcas em dois sectores que tocam toda a população. Vozes de dentro do PSD, como Marques Mendes, já começaram a insinuar a necessidade de uma remodelação que substitua as figuras que notoriamente não provaram ser capazes. A crise nos tribunais, que demorou mais de um mês a resolver, foi no entanto pouca coisa comparada com o caos no arranque do ano lectivo - por muitas ideias que tenha, Nuno Crato perdeu no ponto crítico ao dar razão aos professores sobre a situação de descalabro no seu Ministério. Esse é porventura o custo mais grave de uma gestão política inábil de toda a situação. A nova oposição também não está muito melhor: António Costa apressou-se a reivindicar a demissão de Crato - mas menos de 24 horas depois foi literalmente inundado, numa demonstração de falta de organização da Câmara Municipal a que preside. Para agravar as coisas recorreu a um  sentido de humor bem negro - parece que a culpa das inundações, na versão oficial da autarquia, foi de ter chovido e Costa afirmou alto e bom som que não ha solução para as inundações em Lisboa. Se seguir raciocínio idêntico para o país o pequeno rectângulo afunda-se de vez. Entre uns e outros venha o diabo e escolha, pensa com os seus botões o observador que saíu do OVNI.


 


SEMANADA - Bruxelas pediu mais austeridade para o Governo não agravar o défice; diversos fiscalistas vêem falta de transparência na solução apresentada para a sobretaxa do IRS; o Orçamento não indica nenhuma diminuição de impostos; o líder parlamentar do PSD congratulou-se por não haver nenhum aumento de impostos; o CDS tinha reivindicado uma diminuição da carga fiscal em 2015; o Orçamento prevê que receita total dos impostos cresça 4,7%, o triplo do crescimento estimado do PIB que é de 1,5% ; quatro autarquias já pediram ajuda de emergência ao Governo; no último ano aumentou em dez mil o numero de milionários portugueses, há agora 76 mil portugueses com um património de um milhão de dolares ou superior; os portugueses trabalham mais 300 horas por ano que os alemães; a quantidade de empregos vagos em Portugal daria apenas para ocupar 2,74% dos desempregados; mais de metade dos europdeputados exerce actividades fora do parlamento europeu; o preço dos combustíveis não está a companhar a descida do preço do petróleo, que já atingiu o mínino dos últimos quatro anos; o Porto de Lisboa perdeu tráfego e recuou para níveis de há doze anos; Cavaco Silva pediu reflexão sobre o modelo de colocação de professores; já há escolas a eliminar matéria que não vão conseguir dar por falta de tempo devido aos atrasos no começo das aulas; António José Seguro vai dar aulas de Teoria do Estado no curso de Relações Internacionais e a sua turma tem 12 alunos; em Coimbra a nova moda é atirar carros de compras do supermercado ao Mondego no final do desfile dos caloiros.


 


ARCO DA VELHA - Vitor Bento foi Presidente do BES sem nunca perder a ligação ao Banco de Portugal, do qual ainda é funcionário, e onde gozava de uma licença sem vencimento desde que foi para a SIBS em 2000.


 


FOLHEAR - A edição de Outubro da revista “Wired” é o número anual dedicado ao design e, para além de conter um mostruário de gadgets e de tendências, apresenta este ano “Dez Lições Para Uma Nova Era”. É um repositório de ideias, de evocações, de incursões no mundo novo, dos objectos de decoração às próteses para o corpo, passando pela arquitectura, por novas empresas, pela moda e pela recuperação das suas marcas (o exemplo da Burberry), pelo equipamento tecnológico da Nike, pelos drones e pelo poder da imaginação e da criatividade da mente humana. É uma edição para guardar, onde poderão ainda encontrar artigos sobre como se podem fazer partes de esqueleto com uma impressora 3D ou uma conversa com o Monty Python Terry Gilliam.


 


VER - A Sala do Veado fica na Faculdade de CIências , na Rua da Escola Politénica. É um espaço amplo e austero, despido, onde a relação entre o lugar das obras e a configuração da sala é por si só um desafio. Ana Vidigal aceitou o desafio e mostra pedaços da sua vida, entre imagens, leituras e objectos De 2 de Outubro a 2 de Novembro, “Où Va-t’-on?”,(na foto) uma obra única com três elemantos - uma série de 90 Polaroids, trabalhadas em técnica mista com recurso a banda desenhada e comentários manuscritos, e duas pequenas vitrinas onde estão um veado em porcelana e um bambi num dispensador de pastilhas Pez. Mais uma vez Ana Vidigal mostra o seu humor e sentido de observação aplicado ao quotidiano e a evocações do seu próprio passado. Uma outra exposição a visitar - é a de Inez Teixeira, “No Vazio da Onda”, que vai estar até 30 de Dezembro  no Teatro Municipal Joaquim Benite, de Almada. É uma pena que durante a semana estas exposições estejam tão vazias e que a promoção seja tão pontual e dirigida fundamentalmente ao momento da inauguração. Qualquer uma destas duas exposições merece atenção.


 


OUVIR - Desta vez proponho um DVD e um CD. O DVD é de Sting, acompanhado em palco por uma orquestra de 14 músicos. Dentro do horário previsto Sting apresentou este mês na Broadway “The Last Ship”, uma peça de teatro musical baseada no seu disco de final do ano passado. A coincidir com a estreia Sting editou um DVD que  reproduz um concerto realizado no Public Theatre de Nova Iorque, e apresenta 15 temas, em vez das onze que estavam no CD do ano passado e que foi o seu primeiro disco de originais nos últimos dez anos . “The Last Ship” conta a história do declínio da indústria de construção naval em Newcastle, onde Sting cresceu. Há uma forte influência de música folk, e como aqui escrevi quando o disco saíu,  “as canções não são para brincadeiras, contam histórias duras, abordam rupturas familiares e tensões dentro da comunidade, mas também casos de amor e desejo, como em “I Love Her So But She Loves Someone Else””. O segundo disco é um resumo da carreira de Madeleine Peyroux, uma cantora de jazz americana com quase 20 anos de carreira (o seu primeiro disco é de 1996). Trata-se de um duplo CD com 27 canções, que percorre muitos dos seus temas originais mas também versões de canções alheias que ela incorporou no seu cancioneiro. Eu gosto do estilo desprendido de Madeleine Peyroux e mesmo nos discos de estúdio ela canta como se estivesse num cabaret frente ao público. Não exagero se disser que ela é uma das minhas cantoras preferidas, bem longe de algumas coisas delico-doces que por aí abundam.


 


PROVAR - A Quinta do Monte d’Oiro, de José Banto dos Santos, já nos habituou a reservas de grande qualidade. A de 2010, agora colocada no mercado, distingue-se pelo aroma e suavidade na fruta, pela presença discreta da madeira, pelo final longo. Este vinho, da região de Lisboa, é feito com 95% de casta Syrah e 5% de casta Viognier. Este Reserva já vai na 12ª colheita, de uma vinha plantada em 1992  e tem-se mostrado consistente na qualidade, progressivamente mais apurado e requintado. É porventura das melhores reservas de produtores portugueses, um tinto verdadeiramente excepcional que vai bem com pratos de caça e carnes intensas.


 


DIXIT - “Com este elenco governativo nem vale a pena concorrer às próximas eleições” - António Lobo Xavier


 


GOSTO -  A Weso, uma orquestra portuguesa especializada em bandas sonoras para a indústria cinematográfica, venceu a 6ª edição do Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves.


 


NÃO GOSTO - Nuno Crato continua sem dizer quando estará resolvida a colocação de professores.


 


BACK TO BASICS - “Já houve um tempo em que tudo era muito melhor, até o futuro” - Nir Hod, artista plástico, numa exposição em Nova Iorque

outubro 13, 2014

VEM AÌ MUITA RETÓRICA E FARTO FALATÓRIO

ANIMAÇÃO - As duas primeiras acções politicamente relevantes de António Costa após a sua vitória foram fazer a partilha de lugares dentro do PS na proporção dos votos das primárias e ir discursar no Congresso do partido Livre: um sinal interno e outro externo, à sua esquerda. E logo a seguir começou a marcar território - mesmo sem conhecer o documento, Costa já decidiu: vai votar contra o Orçamento de Estado que o Governo irá apresentar. Com o espectro do novo partido de Marinho Pinto no ar, as eleições legislativas do próximo ano já motivam jogadas de xadrez por todo o lado. Na área do Governo, o CDS/PP abriu com estrondo a frente da diminuição da carga fiscal e o PSD não perdeu tempo a deixar correr rumores de que admite que a actual coligação se desfaça. Fica na dúvida se mais este arrufo público de Passos e Portas não será o primeiro acto de uma negociação que permita fazer nascer das cinzas desta coligação um novo acordo, cheio de oportunas medidas em véspera de eleições. Tudo indica que este vai ser um ano de muita retórica, de imenso falatório, de muitas "photo opportunities" e de numerosos rumores e boatos. A coisa promete.

SEMANADA - Há 15 mil imóveis, que eram do BES, com um valor estimado de dois mil milhões de euros, os quais, por falta de enquadramento legal, não podem ser negociados e são activos mortos; segundo o “i” Ricardo Salgado recusou explicar à família porque tinha recebido "uma liberalidade" de 14 milhões de euros do empreiteiro José Guilherme; segundo o mesmo jornal Ricardo Salgado terá dito, noutra ocasiāo, sobre a questão das comissōes de 15 milhōes da Escom, relativas ao negócio dos submarinos, que houve "uma parte que teve de ser paga a alguém em determinado dia", e obviamente não revelou o misterioso destinatário, que deve ter ficado preocupado; no primeiro semestre deste ano os sete maiores bancos já fecharam quase 200 balcões no país; os prazos nos tribunais foram suspensos até o Citius funcionar; sobre a situação no PS o título mais curioso foi “Seguristas seguram-se"; dos projectos apresentados pelo Centro Português Para a Cooperaçãao, a ONG ligada a Passos Coelho, só se concretizou um curso de costura na Pedreira dos Húngaros; Marinho Pinto mostrou-se disposto, no seu novo partido, a fazer alianças “até com o Diabo” se as considerar úteis; António Costa foi discursar ao congresso do partido Livre; um estudo da Uniāo Europeia estima que em 27 anos o programa Erasmus, que incentiva a mobilidade entre estudantes, gerou mais de um milhāo de bebés; em plena crise Tecnoforma Passos Coelho assistiu à final do europeu de ténis de mesa, sem aparato e sem vaias e quis o destino que aplaudisse a vitória de Portugal sobre a Alemanha, feito raro nos últimos tempos.

ARCO DA VELHA - Todos os anos desperdiçamos dois mil milhões de euros em combustível nas filas de trânsito, feitas as contas são cinco milhões de euros por dia.

FOLHEAR - A revista “Intelligent Life” é publicada de dois em dois meses e integra o grupo editorial da revista semanal “The Economist”. Tem edição em papel com distribuição normal e uma bela aplicação para iPad, oferecida gratuitamente graças ao Credit Suisse , que patrocina a edição digital. Na edição de Setembro/Outubro destaco um ensaio fotográfico sobre Myanmar por Mathias Messner, uma investigação sobre a vida real da mulher que inspirou a Madame Bovary de Flaubert - qual das mulheres da vida do escritor era Emma Bovary? Uma das colunas incontornáveis da publicação é “The Wine-List Inspector” onde Tim Atkin, desta vez, lança pistas sobre o que há a descobrir nos vinhos turcos. Outras colunas imperdíveis: sobre desporto ( “Reading The Game”) e culinária (“The Kitchen Dialogues” ). Uma secção que vale a pena ler é a agenda cultural, informativa, não sectária, a descobrir novas tendências e novos protagonistas. Finalmente o prato forte desta edição é um suplemento especial, “Inspiring Innovation” que conta com colaborações de David Lynch sobre Mikhail Gromov, James Lovelock sobre Charles Harington, Jimmy Wales sobre JJ Abrams, Jazzie B on sobre James Brown, Sophie Wilson sobre Isaac Asimov e Frances Corner sobre Yohji Yamamoto.

VER -  Mário Macilau é um fotógrafo Moçambicano, que vive em Maputo e nasceu em 1984. Esteve na edição do BES Photo de 2011, expôs nos festivais de de Bamaki e de Arles e é o director do novo Maputo Foto Fest , que se vai estrear em 2015. Algumas das suas obras mais recentes podem ser vistas na Galeria Belo-Galsterer, Rua Castilho 71, r/c esq, sob o título “Moments Of Transition”. O projecto visa fotografar jovens de Maputo que ao Domingo se vestem com redobrados cuidados, combinando peças de marcas globais com peças feitas de capulanas, numa mistura estilizada e elegante, muito individualizada. Macilau selecciona as personagens que lhe parecem mais interessantes, convence-as a serem fotografadas em estúdio e estas imagens são o fruto desse trabalho - é um projecto que segue uma ideia que anteriormente foi explorada por nomes da fotografia africana como Malick Sidibé e Seydou Keita, ambos do Mali, ambos explorando a identidade e cultura de quem fotografaram, documentando tradições e novos conceitos de comportamento. Num outro plano é curioso comparar este trabalho de Macilau com as imagens de “Olhar o Futuro”, de Luisa Ferreira, feitas em 2012 e que estão expostas na Galeria do Ministério da Saúde (Avenida João Crisóstomo nº9). “Olhar O Futuro” retrata uma comunidade de jovens portugueses fotografados em grupo e individualmente, sempre enquadrados no mesmo cenário natural.

OUVIR - Richard Bona é um músico nascido numa pequena aldeia dos Camarões, em 1967. Começou por tocar guitarra em grupos de baile, mas evoluíu muito depressa para o território do jazz e para o baixo eléctrico. Em 1989 foi para Paris e em 1985 rumou a Nova Iorque, onde ganhou reputação como um dos mais interessantes baixistas. Em 1999, após numerosas gravações como músico de estúdio, editou o seu primeiro disco a solo, “Scenes From My Life”. Ao longo dos últimos anos reforçou o seu trabalho como produtor e “Bonafied”, agora editado, é o seu sétimo álbum. É um álbum intimista, o lado acústico ganhou força e a mistura de géneros surge natural - desde o jazz latino de “Mute Esukudu” aos tango de “An Uprising of Kindness”, passando pelo afro-pop de “Diba La Bobe”, até cançōes de cabaret como “Janjo la Maya”. A música dos Camarões é evocada em “Tumba la Nyama”, mas a grande faixa do disco é talvez “Mulema”, com guitarra acústica e percussão, recorrendo também ao tradicional balafon, um instrumento africano que faz lembrar o xilofone. A canção relata a viagem de um homem no oceano em busca da sua amada. No disco há uma outra versão da mesma canção, interpretada pela francesa Camille e que tem por título “La Filla d’a Coté”, e que conta a história na perspectiva da amada que não sabe onde está o seu homem.  Finalmente, a terminar o CD, há uma versão instrumental de um original de James Taylor “On The Fourth Of July” , onde Bona segue as pisadas da sua maior influência no jazz, o baixista Jaco Pastorius. “Bonafied”, Richard Bona, CD Universal, diusponível em Portugal.

PROVAR - Depois de uma incursão, há uns meses, à hora de almoço, fui desta vez experimentar o Restaurante Avenue ao jantar. O Avenue fica na Avenida da Liberdade, paredes meias com o Hotel Sofitel, num primeiro andar. A sala dá para a avenida e em qualquer das mesas junto à janela tem-se uma belíssima vista. A sala estava bem composta, o serviço foi atento e, mais uma vez, a cozinha, a cargo da Chef Marlene Vieira, excedeu as expectativas. O menu executivo proposto ao almoço vale 20 euros sem bebidas e à noite o menu proposto está cheio de tentações. Marlene Vieira foi anteriormente a Chef residente do restaurante Manifesto e trabalhou com Luis Baena. O couvert proposto inclui pão e duas manteigas - uma de torresmos (que é deliciosa) e outra de cabra com ervas. Para a mesa vieram ainda uns peixinhos da horta perfeitos e estaladiços com maionese de coentros. A escolha da lista recaíu numa asa de raia corada com lavagante e terrina de courgettes, e num pregado com molho de ostras e legumes glaceados, ambos a fazer jus à reputação da Chef. A terminar, um gelado de pastel de nata, o ponto mais fraco do jantar.  Ampla lista de vinhos, recomendações acertadas e de preço honesto para vinho a copo. Serviço atento e eficaz.  Avenida da Liberdade 129 B, telefone 216 017 127.

DIXIT - “Agora (António Costa) tem de se explicar em público em vez de ouvir olimpicamente, na Quadratura do Círculo, a oposição que Pacheco Pereira fazia por ele” - Vasco Pulido Valente.

GOSTO - Da nova imagem do portal Sapo

NÃO GOSTO - Este ano já emigraram mais de 300 médicos

BACK TO BASICS - “Quando há falta de ideias, falar bem dá muito jeito” - Goethe

outubro 03, 2014

BATALHAS FLORAIS NO HORIZONTE POLÍTICO

FLORES - Durante o próximo ano vamos assistir a um despique curioso. De um lado está António Costa, que, aposto, permanecerá até ao limite do possível na autarquia lisboeta, e que vai usar a sua função de Presidente da Câmara para fazer umas flores de sedução eleitoral, tentando dar uma ideia do que poderá vir a praticar no país, se chegar a Primeiro-Ministro; do outro estará Passos Coelho, a ver se consegue fazer crescer algumas flores no território devastado que é Portugal. Tenho a tentação de dizer que ambos se vão dedicar à jardinagem, para que os eleitores possam escolher entre os respectivos arranjos florais. A coisa seria divertida se não fosse trágica: de um lado um recém eleito líder da oposição que foge de dizer que medidas e políticas quer implementar; do outro um Primeiro Ministro desgastado pela obediência cega à Europa e que desistiu de criar um projecto para o país. Ambos têm em comum a actividade política continuada desde a adolescência, ambos dedicaram o essencial da sua vida adulta à actividade nos respectivos partidos, ambos são um exemplo daquilo que esses partidos produzem no seu interior. Olhando para o que têm feito, olhando para como se têm comportado, não se pode dizer que sejam um exemplo estimulante para gerações futuras. Ambos pertencem à mesma geração, têm em comum a persistência, a teimosia, uma agenda própria que ultrapassa a do respectivo partido e alguma indiferença pelo que os outros dizem. Ambos vão ter que olhar para o mesmo sítio no próximo ano: para o eleitorado do centro que, mais uma vez, será o decisivo. António Costa vai procurar federar a esquerda que lhe quiser dar boleia, como aconteceu já em Lisboa - mas não se pode arriscar a perder o centro; e Passos vai ter que manter apoios à direita sem perder de vista o eleitorado que está à sua esquerda. Vai ser um ano interessante - cheio de batalhas florais.


 


SEMANADA - Domingo, no início das votações para as primárias do PS, a candidatura de António Costa enviou um SMS apelando ao voto e, mais tarde, depois de reclamações e protestos, afirmou que se tratava de um erro processual, opinião que foi partilhada por Jorge Coelho, que dirigia o processo eleitoral; Enquanto António José Seguro ficou na sede do PS, no Largo do Rato, António Costa preferiu utilizar a sede da Assembleia Municipal de Lisboa, um edifício que é propriedade da Câmara que dirige; nas eleições para as federações distritais do PS realizadas no início de Setembro, e onde só votaram militantes inscritos, António José Seguro recolheu 51,2% dos votos contra 48,8% dos candidatos apoiados por António Costa, mas nas eleições primárias de Domingo passado, abertas a militantes e simpatizantes, António Costa ganhou com larga vantagem ao obter 67,88% dos votos, contra 31,65% registados a favor de António José Seguro; António Costa “tem predisposição e vontade” para envolver apoiantes de Seguro, disse fonte próxima do novo líder; António Costa nomeou Ferro Rodrigues líder da bancada parlamentar do PS; Jerónimo de Sousa disse que “o PS mudou as caras mas não apresentou alternativa” ; alguns jornais indianos festejaram a vitória de António Costa e dizem que ele é conhecido por “Gandhi de Lisboa devido ao seu estilo de vida espartano”; o salário mínimo aumentou para 505 euros a 1 de Outubro; 78% dos pensionistas têm pensões de velhice inferiores ao salário mínimo;  apenas metade das pessoas entre os 55 e 64 anos estão activas e a trabalhar; a família Espírito Santo terá recebido cinco dos cerca de 30 milhões de euros pagos à Escom por serviços de consultoria no caso da compra dos submarinos; um artesão de Barcelos, Joaquim Esteves, provocou o caso parlamentar da semana com a exposição, no Parlamento, de bustos de barro de todos os Presidentes da República, incluindo os do período da ditadura - a exposição foi proposta à Assembleia da República pela autarquia de Barcelos, do PS.


 


ARCO DA VELHA - Em Santo Tirso a autarquia, governada pelo PS, entregou por ajuste directo, no valor de 33 mil euros, a produção de uma revista municipal a uma empresa de fabrico de mobiliário.


 


FOLHEAR - A edição de Outubro da revista Wallpaper tem a capa desenhada por Frank Gehry e lá dentro tem fotografias do novo edifício da Fundação Louis Vuitton, em Paris,  desenhado por Gehry que são uma espécie de injecção de ciúmes para aquilo que Lisboa perdeu por obra e graça do então inquilino de Belém, Jorge Sampaio - para os mais distraídos recordo que o projecto de Gehry para o Parque Mayer foi vetado pelo Presidente da República da época. Frank Gehry é aliás um dos editores desta edição da revista, ao lado de Jean Nouvel - um número de luxo. Enquanto Gehry mostra o seu espectacular edifício novo, em Paris, Nouvel mostra alguns dos monumentos que criou ao longo das duas últimas décadas e também alguns dos seus projectos futuros. Outros destaques são o top 100 de peças de design, um portfolio sobre as aventuras no rock’n’roll de Heidi Slimane (onde ela sugere apenas o que nunca mostra) e a short list dos melhores novos hotéis de cidade, onde figura o lisboeta Memmo Alfama. É precioso este número da Wallpaper. Uma coisa de coleccionadores.


 


VER - Sandra Vásquez de la Horra é chilena, vive há anos na Alemanha, tem um sentido de observação que  propulsiona uma imaginação furiosa e desenha com um traço vigoroso que consegue reproduzir o que lhe vai no pensamento. Não é coisa pouca. O seu trabalho tem raízes na tradição popular e na literatura fantástica da América do Sul, o imaginário chileno está presente, a figura feminina assume o papel principal na sua obra, com as personagens a criarem permanentes manifestos de afirmação do seu corpo, entre a provocação e o recolhimento. A exposição, na Galeria João Esteves de Oliveira, “Todas íbamos a ser reinas” inclui 30 desenhos e uma série de 9 gravuras, de uma edição de 25. Sandra Vásquez de la Horra foi vencedora do prémio Fundação Guerlain em 2009 e o seu trabalho estará na Galeria João Esteves de Oliveira, até 21 de Novembro - Rua Ivens 38, às segundas-feiras entre as 15h00 e as 19h30 e de terça a sábado das 11 às 19h30.


OUVIR - Os Boo Radley tiveram mais um fogacho de fama nos anos 90 graças a canções como “Wake Up Boo”. O grupo tornou-se um precursor do renascimento do britpop. Não é de estranhar que Martin Carr, então autor das canções e guitarrista da banda, seja um assumido seguidor dos cânones pop, com um grau de ecletismo que neste seu álbum a solo, “The Breaks”, lhe permite revisitar desde Style Council a Eagles, passando por Smiths ou Elvis Costello por exemplo. A revisitação faz-se pela forma de sugestão de uns acordes, uns truques de vocalizações e de construção de letras, de que o melhor exemplo será “St. Peter in Chains”. “The Breaks” é basicamente uma operação de revivalismo do britpop em que os Boo Radleys se inseriam. Digamos que este é um disco de variedades, feito com grande know how e apurada execução. As pilhagens de inspiração são feitas em bons sítios e o resultado tem sido elogiado. Quem quer recordar o pop antigo encontra motivos de satisfação, mesmo quen passageira. Como dizia o outro, “ a splendid time is guaranteed for all” - desde que queiram passar por lá. Se ouvirem com atenção o tema “I Don’t Think I’ll Make It” ficarão convencidos.


 


PROVAR - Os grandes apreciadores de atum dizem que  a ventresca é a parte mais apreciada do peixe. Há quem diga que a ventresca está para o atum como os secretos estão para o porco preto. E o que é afinal a ventresca? - trata-se da parte muscular que forra a cavidade abdominal do peixe. Tem um sabor intenso e uma textura irregular. Prová-la bem fresca é experimentar um manjar único - mas é difícil de encontrar. Felizmente há quem faça belíssimas conservas de ventresca de atum, como a açoreana fábrica Corretora. Experimente abrir uma lata, partir a ventresca aos pedaços e servi-la com quadrados de requeijão bem fresco aromatizado com cebolimho. É uma entrada magnífica, mais ainda se deixar ao acaso umas finíssimas fatias de pepino cortadas em mandolina. Vai ver que ninguém resiste. É uma entrada simples e barata. O pepino encontra em qualquer lado, as conservas da Corretora estão no gourmet do Corte Inglés e um bom requeijáo também por lá existe. Duas latas, um requeijão e meio pepino fazem a festa para quatro. A Corretora é uma fábrica de conservas localizada nos Açores, em Ponta Delgada e existe desde 1913, há mais de cem anos portanto. 


 


DIXIT - “É o estilo missionário, mais do que as suas origens indianas, que fizeram Costa ganhar a alcunha de Gandhi de Lisboa” - Andrée-Marie-Dussault, “Outlook India”.


 


GOSTO - Da nova imagem gráfica da Câmara Municipal do Porto


 


NÃO GOSTO - Por causa dos problemas informáticos os distritos judiciais de Lisboa e do porto optaram por deixar de lado os julgamentos dos crimes mais graves.


 


BACK TO BASICS - “O grande problema da vida dos políticos é que alguém está sempre a querer interromper com uma eleição o que eles fazem ” - Will Rogers


 

setembro 26, 2014

SOBRE A INFLUÊNCIA DO VAZIO POLÍTICO NAS AUDIÊNCIAS TELEVISIVAS

VAZIO - Segundo a opinião da generalidade dos analistas, os debates entre Seguro e Costa foram vazios de conteúdo político e a coisa piorou para o final, quando a conversa entre ambos endureceu e, da troca de ideias, se passou para a troca de galhardetes pessoais e, depois, para quase insultos. Rezam ainda os analistas que o primeiro debate, na TVI, terá sido ganho por Seguro, que nesse dia teve pela frente um pachorrento Costa que replicou a imagem diletante que apresenta na sua descansada “Quadratura do Círculo”. Acontece no entanto que esse debate, na TVI, foi o que teve maior número de espectadores em relação aos outros dois. Os números são estes: o debate final, realizado terça 23 de Setembro na RTP1, registou um share médio de audiência de 20,5%; o debate  que tinha sido realizado na SIC no dia 10 de Setembro obteve um share de 25,1% e o debate de estreia, na TVI, a 9 de Setembro, registou 32,8% de share. Para além da evidência que é o facto de a TVI ser a líder de audiências, neste particular faço notar que o share do primeiro debate esteve acima do share médio da estação naquele horário - o que legitimamente deixa pensar que havia alguma expectativa. A expectativa saíu furada e nos debates seguintes a coisa foi sempre a cair. A narrativa da novela da política nunca foi suficiente para bater a intriga das telenovelas de ficção que concorreram nesse horário. O caso dá duplamente que pensar - pela indiferença relativa das audiências e pela fraca qualidade dos debates - para não falar já da ausência de conteúdo programático e político. Vamos então ter primárias, nas quais os eleitores socialistas votarão gostos pessoais e a capacidade de insultar o adversário - porque ideias políticas não existem. Numas eleições para escolher o candidato do principal partido da oposição a Primeiro Ministro a ausência de estratégias para o país é, pelo menos, estranha.


 


SEMANADA  - “Há três anos que o País tem uma greve a cada cinco dias”; “Notas de dez euros ainda não circulavam e já havia burlas”; “Quanto valem as cagarras das Selvagens?”; “Ministério público valida acusações contra Meneses”; “Passos pede à PGR que investigue factos de que não se recorda”; “Ministra diz que já não há juízes a olhar para o ar”; “Salário mínimo sobe um café por dia”; “Menezes paga 72 mil euros por livro”; “Último debate marcado por insultos e populismo”; “No debate mais duro de todos quase não se falou de governação”; ”Comerciantes da baixa dizem que um dia ainda serão engolidos pelo rio”; “Forte chuva deixou meia Lisboa submersa e a Câmara queixa-se de falta de aviso”;  “Bloco de Esquerda leva piropo ao Parlamento com punição até três anos”; “Bloco de Esquerda repensa liderança bicéfala”; “Bloco de Esquerda volta a levar ao Parlamento adopção por casais do mesmo sexo”; “Deputados ganham mais do que médicos, juízes e professores”; “Há 2100 polícias que têm direito a dispensa sindical, é evidente que há esquadras que não têm capacidade de assegurar serviços mínimos”; “Calotes nas Ex-Scut entopem finanças”; “Madeira extinguiu departamentos investigados por ocultação de dívidas”; “Lisboa não aguenta uma chuvada”; “Prostituta agride cliente que só pagou cinco euros”; “É difícil conseguir autorização para grafitar”; “Castro Marim tem menos habitantes do que camas turísticas aprovadas”; “Fernando Santos não estará no banco, mas já montou engenharia”. (Todas estas frases são extraídas de títulos de jornais dos últimos dias)


 


ARCO DA VELHA - A polícia do Vaticano prendeu o arcebispo Józef Wesolowski,acusado de pedofilia enquanto representante papal na República Dominicana.É a primeira vez que uma medida deste género é tomada contra alguém com um alto cargo na Santa Sé.


 


FOLHEAR - A edição de Outubro da “Monocle” é dedicada à diplomacia e aos seus enredos e o artigo de entrada é obviamente sobre as Nações Unidas, o seu Conselho de Segurança e as suas ligações por todo o planeta. Na secção internacional há um artigo curioso sobre o rebranding das Ilhas Canárias, particularmente em foco nestes dias, as quais adoptaram agora o slogan “European Business Hub To Africa”. Um dos destaques da edição é o indíce das 25 melhores cadeias de lojas internacionais. A Suécia sai ganhadora e ocupa as cinco primeiras posições, com o 1º lugar para a Ikea, o 2º para a H&M e o 4ª para a COS (que recentemente abiu na Avenida da Liberdade). Um dos outros artigos interessantes tem a ver com a forma de gerir uma galeria de arte, no caso uma conversa com o londrino Stephen Friedman. Este mês a “Monocle” dedica-se também a fazer um ponto de situação das tendências do jornalismo contemporâneo. Passando para outra realidade, o Turismo de Espanha investiu em quatro páginas, duas sobre os “paradores” e duas sobre Madrid, no género daquilo a que chama publi-reportagens. Na secção de recomendações estão duas belas páginas cheias de elogios à nossa Vista Alegre. Sabe bem lê-las.


 


VER - Os azulejos são peças que sempre me encantaram. Permitem geometrias, são um suporte de desenho, de cores, de formas. Em Lisboa existe uma galeria, a Ratton, que desde 1987 se especializou na criação de séries limitadas de azulejos desenhados por artistas contemporâneos. Para além destas séries assegurou a produção de painéis de azulejo presentes em diversas instituições, em prédios de habitação, em estações de caminhos de ferro e de metropolitano ou em escolas e mercados, entre outras localizações. Até 3 de Outubro está a decorrer na Galeria Ratton uma exposição apropriadamente chamada “Puzzle” em que os visitantes são desafiados a escolher e combinar entre si azulejos de 14x14 cms, de diversos autores, que ali estão expostos. Ali estão peças de Júlio Pomar, Paula Rego, Menez, Lourdes Castro, Graça Morais, Bartolomeu dos Santos, Jorge Martins, Andreas Stöcklein, Josephine King, Luisa Correia Pereira, Irene Buarque, René Bertholo, Costa Pinheiro e João Vieira, entre outros autores. Vale a pena conhecer estas pequenas peças, imaginando-as sózinhas ou agrupadas. A Galeria Ratton está aberta ao público de segunda a sexta das 15 às 19h30, na Rua da Academia das Ciências 2 C (à Rua do Século).





OUVIR -  Não é muito comum encontrar uma banda portuguesa tão original e com um disco tão inesperado como os Brass Wires Orchestra (BWO). A origem da música que praticam está na folk, mas felizmente têm uma abordagem criativa do assunto - embora não escapem a comparações com os Beirut, muito por acção do vocalista. O timbre da voz, a maneira como interpreta as canções e o espaço que os arranjos dão às palavras são relativamente pouco usuais em Portugal. A Brass Wires Orchestra remonta a 2011 e tem feito carreira ao vivo tocando nas ruas, em estações de metro, mas também em salas como o Olga Cadaval, há poucos dias. Mas também já passaram pelo Festival de Paredes de Coura, foram escolhidos para o Hard Rock Calling em Londres, e passaram pelo Vodafone Mexefest. O álbum de estreia agora editado, “Cornerstone” desperta a curiosidade e, entre as dez canções do CD, os temas “Tears Of Liberty” e “Wash My Soul” são uma amostra das potencialidades da banda. Os BWO integram Miguel da Bernarda, Hugo Medeiros, Afonso Lagarto, Rui Gil, Luís Grade Ferreira, Zé Valério, Nuno Faria e Zé Guilherme Vasconcelos são e o disco foi  gravado nos Black Sheep Studios ( a sala de ensaios da banda em Mem Martins), por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (ambos dos PAUS), e masterizado nos Abbey Road Studios (Londres), por Frank Arkwright (que trabalhou com Arcade Fire).


 


PROVAR - Hoje vou falar de petiscos lusitanos e de locais onde gosto de os provar, em Lisboa. Começo por um petisco bem português de entrada - peixinhos da horta. Para mim os melhores de Lisboa sāo os do Guarda Mor ( Rua do Guarda Mor 8, tel 213 978 663) - fritos na perfeiçāo, sem gordura a mais, o feijāo verde al dente e a polme estaladiça; no mesmo sítio também merecem destaque os filetes de peixe galo, um assunto que mais à frente retomarei. Passemos ao seguinte - os pastéis de bacalhau do Apuradinho sāo do melhor e vêm servidos com um bom arroz de pimentos ou de tomate; ainda no Apuradinho sou fā dos pivetes (rabo de boi) com puré de batata, e do cozido à portuguesa (Rua de Campolide 209, tel. 213 880 501). Em matéria de cozinha portuguesa também é preciso falar da Bica do Sapato, onde a escolha recai muitas vezes nos belíssimos pastéis de massa tenra ou, em alternativa, no bacalhau fresco escalfado em azeite virgem ou no polvo grelhado com batata a murro e grelos salteados. Regressemos ao peixe e aos filetes - n’ O Polícia (Rua Marquês Sá da Bandeira 112, tel 217 963 505) há também uns excelentes filetes de peixe galo e uma pescada de anzol, cozida, com todos, que é de chorar por mais. Se quiser filetes de garoupa procure A Paz (Largo da Paz 22, à Ajuda, 213 641 503), onde também pode ter a sorte de encontrar a cabeça do animal bem cozida. E termino, na lista dos meus restaurantes do coração, com A Primavera, no Bairro Alto, onde já tantas vezes jantei, entre bons amigos e com belas conversas, que acompanharam excelentes escalopes panados ou primorosas lulas recheadas (Travessa da Espera 34, tel. 213 420 477).


 


DIXIT -  "Já se desconfiava, veio a confirmação: os Antónios detestam-se. Os Antónios magoam-se. Os Antónios não divergem nas ideias, divergem no caráter e no ego. Perdeu a política, perdeu sobretudo o PS" - José Manuel Fernandes n’o “Observador”, sobre o último debate Seguro-Costa


 


GOSTO - Portugal será representado com uma exposição sobre 14 autores e apresentação de obras no festival de banda desenhada e ilustração de Treviso, Itália.


NÃO GOSTO - Nos próximos 12 meses mais de meio milhão de portugueses prevê emigrar e ir trabalhar para fora do país, indicam os dados de um novo estudo da Marktest.


BACK TO BASICS - "Antes não se imaginava aquilo que agora é provado" - William Blake


 

setembro 19, 2014

O ESTRANHO EFEITO DO PODER NAS IDEIAS LIBERAIS SOBRE O PAPEL DO ESTADO

LIBERAIS? - Ás vezes tenho a sensação que o dia a dia se está a tornar numa sucessão de absurdos. Explico: nos últimos meses comprei uma dúzia de livros e discos, em versão digital, nas várias lojas virtuais autorizadas para o efeito; assino alguns jornais e revistas também nas edições digitais. E portanto, apesar de pagar por todos estes conteúdos e assegurar que os respectivos autores são remunerados e que não os estou a piratear, o Estado quer agora impôr-me uma nova taxa, que se aplica sobre os aparelhos que utilizo para os guardar, ouvir ou ler, argumentando que assim protege os autores e editores a quem já estou a pagar. Ainda não estava bem refeito desta situação quando leio que o mesmo Estado se propõe impôr, entre outras coisas a que chama “Compromisso Para O Crescimento Verde”, uma taxa de entrada de automóveis nas grandes cidades, apesar de o acesso, por exemplo a Lisboa, ser já quase impossível sem pagar uma portagem numa das pontes ou auto-estradas que conduzem à capital. Desta feita a razão da taxa prende-se com um contributo para o que algum sucedâneo de trazer por casa de Al Gore apelidou de “economia verde”. Alguns membros do Governo, cujos principais responsáveis, antes de serem eleitos, se afirmaram como liberais e defensores da redução do papel do Estado, fazem no dia a dia exactamente o contrário. Nestes dois casos, dos direitos de autor e da ecologia, fazem a coisa com um cinismo especial: usam finalidades que são politicamente correctas para estender o polvo da extorsão, sob a forma de taxas pagas sempre pelo consumidor. De repente vem-me à memória, ainda sobre o “Compromisso Para o Crescimento Verde”,  que ao longo dos anos o ambiente tem sido pretexto e motivo de grandes negociatas. Não há-de ser por acaso que o ofício dos protagonistas da série “Os Sopranos” tinha a ver com a reciclagem e a sucata. Por cá já se viu onde leva a convivência de sucateiros com políticos e um dia ainda se há-de fazer a história das transferências de direcções partidárias para empresas com interesses na exploração da tal economia verde. Chamo a isto paradoxos liberais.


 


SEMANADA - O sistema informático dos Tribunais, Citius, continua com graves problemas de funcionamento e só está a aceitar novos processos, enquanto os antigos continuam bloqueados; há 3,5 milhões de processos, anteriores a 15 de Setembro, que se encontram inacessíveis; a Ministra da Justiça pediu desculpa pela situação na quarta-feira passada, semana e meia depois de o problema surgir; 60% dos médicos dizem ter doentes que interrompem tratamentos por falta de dinheiro; a prescrição de antibióticos em Portugal é o dobro da que é feita em países moderados e está entre as dez maiores da Europa; em Portugal existe meio milhão de pessoas que precisa de ajuda alimentar das organizações de solidariedade que prestam esse apoio; mais de 80% das crianças que foram atropeladas em Lisboa entre 2010 e 2012 estavam a 500 metros ou menos da escola que frequentavam; as dívidas fiscais atingem cerca de 14 mil milhões de euros e 81% deste valor é da responsabilidade de empresas; o fisco já avançou com 2,3 milhões de ordens de penhora este ano; em 2004 existiam 694 livrarias e o volume de negócios destas era de 140,1 milhões de euros - mas em 2012, já só se registavam 562 livrarias com um volume de negócio de 126,2 milhões de euros; Marinho e Pinto, fugaz deputado europeu, ex-putativo líder do MPT e anunciado líder de um futuro partido que terá como princípio da sua actuação “voltar às bases da República e do republicanismo”, afirmou que um ordenado líquido de 4800 euros não lhe chega para viver condignamente em Lisboa.


 


ARCO DA VELHA - Vítor Bento, José Honório e Moreira Rato não avisaram os  outros administradores do Novo Banco que se tinham demitido e estes só souberam pelos jornais o que estava a acontecer ao seu lado.


 


FOLHEAR - Agora que se inicia um novo ciclo de exposições nas diversas galerias é boa altura para percorrer a colectânea de entrevistas a artistas portugueses que Miguel Matos, jornalista e crítico de arte, fez ao longo dos últimos anos. A colectânea, “Artistas Portugueses em Discurso Directo” recolhe três dezenas de entrevistas  e dezena e meia de críticas e ensaios sobre obras ou exposições de outros tantos artistas. Miguel Matos, que fundou e dirige a revista “Umbigo” e edita a secção de arte da “Time Out”, é dos poucos praticantes da crítica escrita sobre artes visuais, como Eduardo Nery salientou numa nota sobre esta edição. De Adriana Molder a Teresa Gonçalves Lobo, passando por Ana Vidigal, Paula Rego, Cabrita Reis, Maria Beatriz ou José Pedro Croft, entre outros, o livro  permite fazer um retrato sobre um apreciável número de artistas portugueses contemporâneos, dando a conhecer um pouco do seu pensamento para além da obra. A edição é da “Guerra e Paz”.


 


VER - “Os Gatos Não Têm Vertigens”, o filme de António Pedro Vasconcelos que estreia quinta-feira da próxima semana semana, é das melhores obras do cinema português das últimas décadas e é talvez o melhor filme do realizador. É um filme de vida - nesse sentido quase que arrisco dizer que é a sua obra-prima. Inovador no argumento, na abordagem, no retrato que proporciona da nossa sociedade, o filme mostra a capacidade técnica do realizador, mas sobretudo a sua sensibilidade e a forme envolvente como chama os espectadores à história, cativando-os como é suposto o cinema fazer. Este é um filme sobre o abandono, sobre o luto, sobre a velhice, sobre a deliquência, mas também sobre a ternura, o amor, a esperança e, no fim, sobre a razão da vida. Não resisto a destacar o extraordinário trabalho realizado com actores como Maria do Céu Guerra e João Jesus, o cuidado posto no guião, na fotografia, na edição, e na banda sonora. E é também merecido destacar a produção, de Tino Navarro, que criou condições para que todas estas peças se juntassem da melhor maneira. É um filme emocionante - como só os grandes filmes conseguem ser.


 


OUVIR - “All Rise” é um belo título para o novo disco de Jason Moran, uma homenagem a esse génio muitas vezes ignorado que foi Fats Waller. Logo desde o princípio do CD apetece levantarmo-nos e há como que um formigueiro que nos obriga a acompanhar o ritmo com os pés. Este é um disco de dança e é tudo menos uma homenagem acinzentada. Não admira: a produção tem a mão de Don Was, coadjuvado por Meshell Ndegeocello, uma vocalista que passou pelo rap e que tem influências do funk, soul, hip hop e jazz. Moran, um pianista de jazz de créditos reconhecidos, toca aqui com frequência outros teclados, como um Wurlitzer e um Fender Rhodes, que eram instrumentos preferidos de Waller. Destaco as versões de “Ain’t Misbehavin’”, “Ain’t Nobody’s Business”, “Lulu’s Back In Town”, “Handful Of Keys” e o medley “Sheik Of Araby/I Found A New baby”. Fats Waller merecia uma homenangem assim, surpreendente e diferente de tudo o que o autor fez. (CD Blue Note/ Universal).


 


PROVAR - As memórias dos sabores são uma coisa incontornável. Cada vez que como gelados lembro-me do sabor único das cassatas que o meu pai comprava numa fábrica de gelados que existia na Avenida de Berna, criada nos anos 40 por uma família italiana que tinha vindo viver para Lisboa. Era esta fábrica que abastecia A Veneziana, nos Restauradores e outras geladarias ligadas à família. A fábrica da Avenida de Berna existiu até ao início dos anos 90, e tinha junto ao balcão onde se fazia a venda ao público um pátio com pequenos bancos onde, à sombra, se podia ficar a debicar os gelados de cone, feitos com a fruta e os ovos que se viam junto à entrada, em caixotes. Um dos descendentes da família, Arcangelo Sala, abriu agora perto do Jardim do Arco do Cego, na Rua Dona Filipa de Vilhena 14, a “La Fabbrica  - Antiga Fábrica de Gelados da Avenida de Berna”. Ali estão, entre outros, os clássicos sabores do morango e do limão, mas também a amêndoa e, claro a cassata. E foi a prová-la que me deparei com um solavanco de memória que me deixou sorridente.


 


DIXIT - “Esta questão informática, ao contrário do que alguns quiseram fazer crer, não instalou o caos nos Tribunais “ - Paula Teixeira da Cruz, Ministra da Justiça


 


GOSTO - O azeite Oliveira da Serra, Frutado Verde Ligeiro 2014 do Lagar do Marmelo, foi considerado o melhor azeite do mundo na sua categoria no prémio Mário Solinas, o mais importante concurso internacional, organizado pelo Conselho Oleícola Internacional.


NÃO GOSTO - Portugal apresentou o quinto maior défice comercial da União Europeia entre Janeiro e Junho deste ano, com um aumento de 25% em relação a igual período do ano passado.


 


BACK TO BASICS - “As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem” - Chico Buarque


 


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setembro 12, 2014

SOBRE O PAPEL DO BITOQUE NA COMUNICAÇÃO

UM ECRÃ E UM BITOQUE - Aqui há uns anos entrava num restaurante, café ou snack-bar para almoçar e via, em meia dúzia de mesas, pessoas a ler jornais e, com sorte, alguém a ler um livro enquanto esperava pelo bitoque. Hoje em dia o único papel que existe na mesa das casas de pasto é o das toalhas e dos guardanapos. Está toda a gente de smartphone na mão, aposto que a maioria nas redes sociais, e uns poucos a ler informação em sites ou aplicações. Já não me espanto quando vejo um casal de mão dada, cada um do seu lado da mesa, ambos a olharem para o seu ecrã particular, encaixado na palma da mão deixada livre pela ternura, e accionado pelo polegar. A bela conversa diminuíu e foi substituída pela observação do mundo virtual. Esta semana a Marktest divulgou um estudo que revela que já existem quatro milhões de portugueses que utilizam smartphones, praticamente metade do total de telemóveis existentes. As previsões apontam para que até final do ano existam mais dois milhões em funcionamento. Nos cafés e restaurantes passou a existir uma placa que diz “wifi gratuita” e, aqueles que a têm, conseguem ter mais clientes que aqueles que passam ao lado do admirável mundo novo. Para ter sucesso uma casa de pasto contemporânea tem que ter internet disponível, já não basta ter uma boa bifana ou uma merendinha bem aviada. O sumo de laranja natural, durante anos campeão dos anúncios de balcão, foi relegado para segundo plano pelas tecnologias wireless. A conversa foi substituída pela observação. Já não lemos, espreitamos. Somos todos voyeurs de pequenos ecrãs - essa é que é a verdade dos dias que correm.


 


SEMANADA - O edifício do posto da GNR de Pernes foi penhorado pelas Finanças por dívidas ao Fisco da empresa imobiliária proprietária do prédio, que o cedeu à autarquia, que por sua vez o cedeu à Guarda; quase 17% da população até aos 29 anos não tem qualquer actividade, nem escolar, nem laboral; Portugal é dos países da União Europeia que tem mais adultos sem o 12º ano; Portugal é o terceiro país com mais recém licenciados desempregados, a seguir à Grécia e Espanha; a directora-geral do FMI afirmou ter sido a “Espanha o único país a progredir na zona euro”; nos primeiros quatro meses do ano registaram-se 294 suicídios em Portugal; dos 611 mil desempregados apenas 323 mil recebem subsídio de desemprego; em Julho o crédito malparado das famílias e empresas atingiu o valor mais alto de sempre, quase 18 mil milhões de euros; nos últimos 38 anos PS e PSD tiveram 88,5% dos mandatos autárquicos das câmaras que hoje têm maiores dívidas; o médico da selecção de futebol demitiu-se;após o Portugal-Albânia Paulo Bento saíu-se com esta tirada:  “Se no final da primeira jornada colocamos já tudo em causa, não me parece que seja o melhor caminho”; o Presidente da República levantou dúvidas sobre a informação que recebeu do Governo no caso BES, depois de ter garantido que os portugueses podiam confiar no banco, afirmação proferida nove dias antes da apresentação de prejuízos recorde; um autarca de uma junta de freguesia de Guimarães, Gonça, aproveitou a audiência der uma missa para fazer uma sessão de angariação de simpatizantes do PS; os debates entre Costa e Seguro fizerem boas audiências de televisão, ao nível de um jogo de futebol de segundo plano; há um espectro que assola as primárias do PS e chama-se Sócrates - o seu nome raramente é citado mas está em todo o lado, mesmo onde menos se espera.


 


ARCO DA VELHA - Marinho Pinto foi um dos 12 eleitos para o Parlamento Europeu que falhou a entrega, no prazo legal, da declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. Entretanto anunciou a sua saída do MPT, partido pelo qual foi eleito e disse querer criar nova organização política.


 


 


 


 


OUVIR - A canadiana Molly Johnson começou a sua carreira musical como vocalista de bandas rock e pop e marginalmente manteve sempre alguma actividade como cantora de jazz. Esta sua vertente jazzística apenas ganhou maior dimensão já ela estava na sua quarta década de vida, no início do actual século. Alguns dos seus discos receberam bom acolhimento, as suas digressões e concertos obtiveram assinalável êxito, sobretudo no Canadá em em França. Ao longo da sua carreira a solo, que entrou agora no seu sexto disco, Molly Johnson tem sido comparada a Billie Holiday. E o sexto disco é exactamente a sua homenagem a Billie - gravado quase live on tape, em apenas quatro dias, com a sua banda de seis músicos. São 14 canções, clásicos do repertório de Billie Holiday, algumas escritas por ela própria, como “Don’t Explain”, “Fine And Mellow” ou “Now or Never”. Mas aqui também estão “Body and Soul”, “God Bless The Child”, “How Deep Is The Ocean” ou “They Can’t Take That Away From Me”. A melhor parte do disco é que embora Johnson  considere Billie uma fonte de inspiração, estas interpretações fogem à tentação da simples imitação e chegam a ser surpreendentes na forma como dão nova vida a alguns destes clássicos - parte deve-se aos músicos e aos arranjos, parte deve-se, claro, à própria Molly Johnson. (CD Universal, disponível em Portugal).


 


VER - A partir da próxima semana começa em Braga uma nova edição dos Encontros da Imagem, que vão de 18 de Setembro a 31 de Outubro. Os Encontros vão na sua 24ª edição e do programa deste ano, feito sob o lema “Hope & Faith”, destaco uma mostra de trabalhos do espanhol Joan Fontcuberta, uma colectiva no Mosteiro de Tibães que inclui Luisa Ferreira, Alexandre Almeida, Inês d’Orey e Valter Vinagre, entre outros, o Photobook Market, e uma exposição de autores emergentes. Ao todo são quase duas dezenas de iniciativas, de exposições a workshops, em diversos espaços da cidade, desde montras de lojas do centro da cidade a edifícios que são referências patrimoniais. Os Encontros têm também actividade em Guimarães e no Porto e há ainda, de novo este ano, uma extensão lisboeta, a partir de 27 de Setembro, que engloba exposições de Marcelo Buainaim, Helena Gonçalves, Marcelo Costa e Mário Macilau, entre outros. O programa pode ser consultado emwww.encontrosdaimagem.com


 


FOLHEAR  - Agora que o Cinema Ideal está de novo a funcionar, graças ao entendimento entre a Casa da Imprensa e a distribuidora Midas, desse militante do cinema que é Pedro Borges, é boa ocasião para percorrer um pouco da história da histórica e pioneira sala. Há coisa de dois meses a editora “Guerra & Paz” publicou um belíssimo livro de Maria do Carmo Piçarra, “O Cinema Ideal E A Casa da Imprensa - 110 Anos de Filmes”. As 130 páginas do livro contam as origens do Ideal, quem em 1904 se afirmava o primeiro salão de cinema do país. No tempo do cinema mudo, quando se utilizavam vozes atrás do ecrã para sonorizar a acção, António Silva (então ainda bombeiro) foi uma dessas vozes utilizadas pelo Ideal e era considerado na imprensa da época “um ás do falado”. A partir de 1931 a sala começou a projectar filmes sonoros, e o primeiro foi “Sob Os Telhados de Paris”, de René Clair. O livro percorre estas e outras histórias, desde os ciclos de cinema e festivais organizados pela Casa da Imprensa nos anos 60, até à decadência da sala, já nos anos 80 e 90, transformada em exibidora de pornografia e filmes de acção. O livro inclui ainda duas dezenas de fotografias e reproduções de ilustrações, que mostram diversos momentos da vida do Ideal. É um pequeno grande livro sobre histórias da História de Lisboa e do papel que o cinema tem tido na cidade. Uma belíssima leitura, à venda nas livrarias e no próprio cinema Ideal por 14 euros.


 


PROVAR - No mesmo sítio onde até há um ano existiu o restaurante “Galo D’Ouro”, na Avenida Marquês de Tomar 83, em Lisboa, está agora o Xangai, um restaurante chinês que pratica uma cozinha bem diferente da que é habitual  nos estabelecimentos do género em Lisboa. Não é por acaso que a cozinha da cidade de  Xangai é considerada como das mais elaboradas da China, recorrendo a ingredientes e a uma confecção que é pouco divulgada em Portugal. Este restaurante propõe resolver essa falta de conhecimento e apresenta uma escolha alargada de sugestões, com sabores - e por vezes ingredientes - inesperados. As minhas duas visitas correram bem e confesso que ainda estou a descobrir coisas novas na lista. Uma das dificuldades é que o pessoal do restaurante fala português com dificuldade e apesar de a lista estar traduzida o diálogo nem sempre é fácil. A maioria dos clientes são chineses, os preços são convidativos. A garrafeira tem alguns vinhos portugueses inesperados, e bem escolhidos. Numa próxima ocasião hei-de arranjar forma de sentar vários convivas à mesa, para ir experimentando vários pratos ao mesmo tempo, desde as saladas confeccionadas com algas até ao tofu picante ou os raviolis com carne de porco - que já provei e são fantásticos. Mas a lista é grande e tenho ainda muito para descobrir. Por coincidência, ou talvez não, o restaurante está bem perto da associação de conterrâneos de Xangai, que fica ali ao lado, na Miguel Bombarda 46.


 


DIXIT - “Eu tenho-te ouvido com evangélica paciência” - António Costa para António José Seguro num dos debates televisivos.


 


GOSTO - A Junta de Freguesia de Belém está disposta a garantir a manutenção dos brasões do Jardim do Império, salvando-os das diabruras de Sá Fernandes.


 


NÃO GOSTO - Portugal foi o país da União Europeia que mais desinvestiu na educação.


 


BACK TO BASICS - “Entre dois pecados escolho sempre aquele que ainda não experimentei” - Mae West


 

setembro 05, 2014

VERÃO MORNO COM TEMAS ESCALDANTES

TEMPERATURA - Este Verão foi pouco dado a temperaturas altas e noites envolventes, mas em compensação foi abundante em temas escaldantes. Nem o argumentista mais imaginativo conseguiria desenvolver um plot em que tanta mudança acontecesse em meia dúzia de semanas - o banco do regime esborou-se, um dos grupos familiares mais poderosos com enorme peso financeiro desfez-se num repente. Quanto mais penso nisto mais fico com a impressão que a história está muito longe de estar toda bem contada. Todas as semanas se vai descobrindo mais umas coisinhas, desde falhas dos auditores até pequenas e grandes conspirações, desde atitudes do Banco de Portugal a declarações de responsáveis políticos ao mais alto nível. Vai-se a ver e todos, do Presidente da República aos Ministros mais envolvidos, desde o Banco de Portugal à CMVM, juraram em falso e induziram em erro muita gente. A responsabilidade não é só de quem urdiu e mal geriu - é também de quem tolerou o que se passou e, mesmo sabendo, continuou a dizer que tudo estava no melhor dos mundos. Com a derrocada das últimas semanas não foi só um Banco e uma família que sofreram - foi todo o sistema de controlo que fica posto em causa, foi a confiança em declarações de políticos e técnicos que levou forte machadada. O Banco Espírito Santo caíu (o que até pode dar jeito a alguns) - mas a sua queda ainda vai arrastar mais gente do que aquilo que hoje se vislumbra.


 


SEMANADA -  Entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto morreram 295 pessoas em acidentes de viação, menos 32 que em igual período do ano passado; entre Janeiro de 2013 e Julho deste ano registaram-se 256 acidentes com tractores e outras máquinas agrícolas, que provocaram 115 mortos e 83 feridos graves; entre 1 de Maio e 31 de Agosto perderam a vida nas praias quatro pessoas, contra 11 no mesmo período do ano passado; a praia urbana do Torel, em Lisboa, recebeu 80 mil visitantes em Agosto; um terço dos fogos e meio milhão de hectares, representando  41,5% da área ardida em incêndios florestais nos últimos 13 anos, devem-se à acção premeditada de incendiários; a TAP registou, em cinco dias,  cinco casos de incidentes com aviões da companhia mas a empresa nega aumento de problemas com voos; metade do aumento da receita de impostos deve-se ao combate à fuga e fraude fiscal; diversas estimativas apontam para uma receita diária do Estado Islâmico de entre dois a três milhões de dolares por dia, dinheiro proveviente da extorsão, de petróleo e de impostos; no segundo dia do mapa judiciário os problemas informáticos obrigaram advogados a recorrer ao tradicional correio em papel para evitar o risco de falhar prazos; CP, Metro de Lisboa e Metro do Porto registaram aumento de tráfego no primeiro semestre, com mais 3,2 milhões de passageiros transportados; os trabalhos na Praça do Areeiro, que duram há seis anos, que dificultam a circulação de peões e automóveis na zona, e que causam prejuízo aos comerciantes locais, estão suspensos desde o ano passado e sem data anunciada de conclusão devido a um litígio entre o Metro de Lisboa e a construtora; António Costa ainda não se declarou surpreendido por esta situação.





ARCO DA VELHA - A idade média dos quatro novos apoiantes de António Costa divulgados esta semana - Almeida Santos, Manuel Alegre, Vera Jardim e Jorge Sampaio - é de 78,7 anos.


 


FOLHEAR - Os leitores destas páginas sabem quanto aprecio, desde o início, a revista “Monocle”. Esta semana, o seu fundador, Tyler Brulé, vendeu uma participação minoritária por um valor estimado de dez milhões de dólares, permanecendo ainda com 80 por cento do capital da empresa que publica a revista. Segundo o “Financial Times” a “Monocle” significou um investimento de dez milhões de dólares quando foi lançada em 2007 e estará agora avaliada em cerca de 110 milhões de dólares. No primeiro semestre deste ano a circulação da revista cresceu 4% e é agora de perto de 80 mil exemplares, vendidos em todo o mundo, a um preço de capa de 12 dólares e a mais recente edição da revista conseguiu vender espaço publicitário no valor de meio milhão de dólares. O comprador da posição minoritária foi o grupo japonês Nikkei, que edita o jornal com maior circulação do mundo, o Nihon Keizai Shimbun, para além de deter 40 revistas, canais de TV, e estações de rádio. A edição de Setembro da “Monocle”, já disponível em Portugal, é dedicada aos negócios dos novos empreendedores e inclui o guia de empreendedorismo para 2014, que analisa vários casos de sucesso, entre os quais o do chef português José Avillez - cujo percurso empresarial conta com algum detalhe. Esta é uma daquelas edições para guardar e ir consultando, vendo os exemplos de companhias recentes que tiveram sucesso, um manual de como a criatividade e um sólido plano acrescentam valor aos negócios.


 


VER - Até 18 de Outubro ainda podem visitar no Museu do Caramulo a exposição “Lendas da Competição” , dedicadas a automóveis de corrida que fizeram história - e que desde meados de Junho já recebeu mais de 5 000 visitantes. Esta exposição conta com quase duas dezenas de automóveis de competição, abrangendo oito décadas de história, desde os anos 30. Entre eles contam-se lendas como o Bugatti 35B de 1930, o automóvel com mais vitórias de sempre na história da competição, até ao Lancia Delta HF Integrale 16V de 1991, com o qual Didier Auriol venceu o Campeonato do Mundo. A exposição inclui também veteranos das 24 Horas de


Le Mans, assim como automóveis fabricados em Portugal e que participaram na era dourada das


corridas nacionais nos anos 50, além dos monolugares dos anos 60 e 70 e automóveis de Rali


desde os anos 60 até à actualidade. Uma das grandes novidades da exposição, a partir desta semana,  é o Mercedes MGP W02, o Fórmula 1 original com o qual Michael Schumacher e Nico Rosberg correram na temporada de 2011.


 


OUVIR - A carreira de Al Jarreau vem desde meados dos anos 70 mas foi nos anos 80 que verdadeiramente ele se tornou popular com álbuns como “Breakin’ Away” e, nos anos 90, com “Heaven And Earth”. É assíduo vencedor dos Grammy Awards nas categorias Rhythm & Blues e Jazz Vocal. Tem um estilo peculiar, procura usar a voz como um instrumento, com frequente recurso a onomatopeias e às vezes fica um bocadinho repetitivo. Ganhou notoriedade antes do ressurgimento dos cantores de jazz do final dos anos 90, e hoje em dia já não tem muito para demonstrar. Um dos seus ídolos é George Duke, a quem deve aliás o início da sua carreira musical. Duke, que morreu em 2013, foi um dos mais multifacetados músicos norte-americanos e trabalhou com nomes como Frank Zappa, Miles Davis, Cannonball Adderley, Jean Luc Ponty, Milton Nascimento, Airto Moreira ou Flora Purim, entre outros. Além de instrumentista e produtor tornou-se conhecido como compositor e este disco de Al Jarreau é uma homenagem a essa sua faceta, com versões de nove temas célebres de Duke. Além de Al Jarreau, colaboram nomes como o baixista Marcus Miller, o saxofonista Boney James,  e as vozes de  Dr. John, Diane Reeves ou Lalah Hathaway, entre outros. CD Concorde, disponível em Portugal.


 


PROVAR - O antigo Eurotel de Tavira sofreu obras profundas nos últimos meses e uma completa remodelação num projecto do arquitecto Pedro Campos Costa. Agora responde pelo nome de Ozadi e inclui o restaurante Orangea, localizado numa área construída de novo, que inclui uma ampla esplanada coberta, de madeira, confortável e acolhedora. Ao almoço, tarde e ao fim da noite funciona como bar e serve petiscos e refeições leves,  vocacionadas para quem está na piscina do hotel, tendo ainda uma simpática carta de “tapas & wine”. Ao jantar o caso muda de figura e apura-se o trabalho da cozinha, com clara inspiração mediterrânica. Numa recente visita provaram-se, com sucesso, umas belíssimas pataniscas de estupeta de atum e supremos de dourada grelhada, com puré de cenoura e abóbora e grelos salteados. A carta de vinhos é razoável e tem uma boa escolha de produtores do Algarve, que cada vez vale mais a pena conhecer - peça indicações ao chefe de sala que aconselha bem os vinhos ideais para as escolhas que tiver feito. Se quiser rematar a refeição com um digestivo experimente o licor Orangea, à base de laranja, produzido em exclusivo para o hotel. Quinta das Oliveiras, Tavira, Telefone 281 324 324.


 


DIXIT - “Alguém devia informar a criatura que apagar a história material que o país foi construindo desde 1143 implica escavacar Portugal inteiro e todos os símbolos que poluem a paisagem com vícios e ganância, segundo o alarve anacronismo do vereador” - João Pereira Coutinho sobre a decisão de José Sá Fernandes de destruir os brasões das ex colónias no Jardim do Império.


 


GOSTO - O investimento de empresas inovadoras atingiu nos primeiros seis meses do ano um total de 11 milhões de euros, um valor próximo do total do ano passado.


 


NÃO GOSTO - No processo de pagamentos de quotas do PS Lisboa verificou-se que há 17 militantes registados como vivendo na mesma casa, sem serem da mesma família.


 


BACK TO BASICS - “Aprender sem pensar é trabalho perdido; pensar sem aprender é perigoso” - Confúcio

agosto 31, 2014

A ESQUINA SEMPRE ALERTA DESDE 2003

Hoje, que é dia dos blogues, aqui estou a recordar que me ando a passear nesta esquina do rio desde 2003. E obrigado a todos que me seguem.

agosto 29, 2014

SOBRE OS DRONES, A POLÍTICA E MANEIRAS DE VER UMA CIDADE

DRONES  - Chega agora aquela altura do ano em que os partidos criam uns acontecimentos a que chamam universidade de verão, ou qualquer outra coisa do género, para dar um ar de trabalho e respeitabilidade. No geral é perpetuamente convidado o mesmo conjunto de notáveis, em cada partido há o cuidado de ir buscar um notável do partido ao lado, e todos ficam felizes repetindo quase todos os anos os mesmos relatos das suas experiências passadas. Poucos são no entanto os que falam das realidade presentes e dos desafios futuros - o maior dos quais é a reforma do sistema político e partidário, assunto declarado tabu apesar de todas as iniciativas não partidárias em curso sobre essa matéria. Toca-se ao de leve no tema mas verdadeiramente a reforma do sistema não é interiorizada como uma prioridade - se o fosse o arco parlamentar provavelmente mudaria. É interessante como os partidos são incapazes de reflectir sobre si próprios - por exemplo sobre esse “case study” de conspiração interna em que se tornou o PS ou sobre a aliança entre negócios e política que toca todo o arco da governação de forma mais ou menos acentuada. Mas não os ouço a reflectir sobre as expectativas dos eleitores, sobre as possibilidades que a análise dos dados digitais hoje possibilitam a nível da acção política, sobre a importância da adopção de estudos de opinião à marcação da agenda política ou sobre a importância de saber comunicar de forma efectiva, em relação aos eleitores, por forma a mobilizá-los e não apenas aos militantes com o objectivo de os entreter, que é a prática corrente. Há quem demonize o marketing político, mas ninguém assume uma discussão séria sobre esta questão: é mau fazer marketing na política? Ou é preferível criar drones de falatório e politiquice, de que Marques Mendes deve ser o mais genuíno exemplo?


 


SEMANADA - Em Portugal registam.se, por ano, dez mil incêndios urbanos que provocam 60 mortes; a Provedoria de Justiça deu razão a queixas contra a CRESAP, uma comissão criada pelo Governo e liderada por João Bilhim para escolher dirigentes no Estado, e aponta violações da lei, critérios "arbitrários" e "conceitos indeterminados" na seleção e nos concursos; João Bilhim referiu que a Cresap “é um sonho do senhor primeiro-ministro”, acrescentando que “numa cultura da Europa do Sul, ou seja, do azeite, não é fácil aceitar a lei do mérito e a intervenção de uma entidade administrativa independente”;  Antonio José Seguro admitiu não poder garantir que vá baixar impostos se fôr primeiro-ministro; António Costa quer debater menos que Seguro - Costa propõe debates televisivos de 25 minutos e Seguro propõe 45 minutos; a hotelaria algarvia registou, no primeiro semestre deste ano, 6,5 milhões de dormidas, mais 13,1 por cento do que no período homólogo; a dívida da Câmara de Lisboa ultrapassa os 500 milhões de euros, mais do dobro da dívida do Porto; Vila Nova de Poiares, Portimão, Aveiro e Nazaré são municípios que estão com a corda na garganta e já mostraram interesse em recorrer a uma linha de emergência do Governo para pagar salários, transportes escolares e outros pagamentos essenciais mais urgentes; o Museu do Brinquedo, em Sintra, vai encerrar Domingo por falta de apoios.


ARCO DA VELHA - A KPMG, auditora do BES, recusou-se a assinar as contas do banco relativas ao primeiro semestre deste ano.


 


FOLHEAR - O número de Setembro da revista “Vanity Fair” é a edição anualmente dedicada ao Estilo, e que inclui a escolha dos que são considerados como os mais elegantes e mais bem vestidos - aqui fotografados por Mario Testino. Mas as principais matérias de interesse da revista têm a ver com outros estilos. Destaco o artigo sobre o projecto criado pelo arquitecto Frank Gehry em Paris, no Bois de Boulogne, para albergar a Fundação Louis Vuitton - descrito pela revista como um edifício diferente de qualquer coisa que antes se tenha conhecido, “um casamento de ambição cultural com empreendedorismo” . Faço questão de recordar que Lisboa não tem um projecto de Frank Gehry - por sinal fantástico (tive ocasião de o conhecer) -  paredes meias com a Avenida da Liberdade, por culpa principal desse nefasto Presidente da República chamado Jorge Sampaio, que vetou a utilização de verbas do Casino e do Jogo para a sua construção. O projecto de Gehry para Lisboa seria construído, se Sampaio não o tivesse impedido, no local onde continuam apenas a existir os destroços do Parque Mayer, que António Costa e Sá Fernandes persistem inabalavelmente em manter - mais um sinal da actuação de Costa na cidade que desgoverna, em estágio para querer fazer o mesmo ao país. Eu gostava que em Portugal volta e meia se fizesse a memória de algumas coisas e se investigasse, numa boa reportagem, o que levou um Presidente da República a impedir aquilo que seria uma obra de arquitectura marcante para Lisboa, com um enorme impacte no seu posicionamento internacional. Talvez nessa altura tivéssemos umas páginas da “Vanity Fair” a olhar para Lisboa.


 


VER -  O Sundance Channel foi criado por iniciativa de Robert Redford em 1996 com o objectivo de exibir filmes de autor, documentários, séries, curtas metragens e reportagens. O projecto cresceu, criou um festival de audiovisual - o Sundance Film Festival - que depressa se tornou uma referência. Na Europa o canal Sundance apenas tem uma versão na Holanda, por sinal o primeiro país a ter televisão privada num continente dominado por um serviço público cada vez mais arteroesclerótico. O Sundance é uma iniciativa privada, que além de Redford, contou com a CBS e a Universal, até ser comprado em 2008 pela Rainbow Media. Apesar de não poder ser visto em Portugal, uma pesquisa no YouTube revela muitos dos seus programas e, sobretudo, permite aceder a uma das suas séries documentais de referência, “Iconoclasts”  , exibida entre 2005 e 2012, e sempre patrocinada por uma marca de vodka premium. O conceito é simples - colocar duas personagens criativas e conhecidas, de áreas diferentes ou não, a falarem uma com a outra  sobre o que fazem.. No YouTube encontra os episódios do músico Eddie Vedder com o surfista Lair Hamilton, da cantora Fiona Aplle com o realizador Quentin Tarantino, da designer e estilista Stella McCartney com o artista plástico e fotógrafo Ed Ruscha, de Paul Smith com Jamie Oliver (na foto) e, sobretudo, os episódios do próprio Robert Redford a conversar com Paul Newman. Imperdível - e qualquer destes programas, aposto, é mais barato de produzir que uma transmissão de um jogo de futebol desses que passam a todaa hora no serviço público. É isso que me chateia.


 


OUVIR - Lana Del Rey é uma provocadora que agora se apresenta como guardiã de memórias do passado na música pop de hoje. Só assim se compreende a forma como ela evoca filmes antigos, como percorre a estética de imagem e até da música dos anos 60 e 70. A canção que dá nome ao álbum, “Ultraviolence”, repete a frase ““He Hit Me (And It Felt Like a Kiss)”, que era o título de um original de Carole King e Gerry Goffin, gravada pelos Cristals e Phil Spector nos anos 60. Muita da força deste disco, ao nível dos arranjos, da intensidasde das guitarras e da sonoridade criada deve-se  a Dan Auerbach, dos Black Keys, que exerceu a função de produtor. É sabido que os Black Keys gostam dos anos 70, mas este disco é mais que uma ida ao passado, é como um perverso exercício de nostalgia, nas letras e na música. Os temas mais marcantes são“West Coast”, “Brooklyn Baby”, “Money Power Glory”, “Old Money” e claro  “Fucked My Way Up To The Top” e “Cruel World”, a faixa de abertura. Em todos se nota o mesmo recado - um mundo que se foi tornando num museu confuso, em que a cultura se repete e em que todos copiam todos e imitam quem podem. Aqui está um álbum intrigante e sedutor.


 


PROVAR - Jorge Rodrigues é um dos chefs de cozinha algarvios que mais se tem destacado nos últimos anos. Combina a fidelidade às tradições gastronómicas da sua região com uma assinalável capacidade criativa e posiciona-se numa cozinha de inspiração mediterrãnica - um dos seus prémios diz respeito à forma como elaborou um tamboril em molho de carabineiro suado na cataplana. É ele o responsável pelo restaurante “O Convento”, localizado no Convento das Bernardas, em Tavira, reconstruído em 2010 pelo arquitecto Souto Moura, e que era o maior convento do Algarve. O restaurante fica numa sala ampla e tem uma lista tentadora. Nas entradas destaco as ostras da Ria Formosa ao natural, fresquíssimas, e um carpaccio de polvo com saladinha montanheira e vinagrete de coentros. Na parte mais substancial, quem quis as ostras de entrada avançou para  o polvo de Tavira confitado sobre esmagada de batata doce e misto de legumes e quem começou pelo carpaccio escolheu os filetes de cavala na chapa com açorda  de ostras e aroma a poejo. Do princípio ao fim tudo excedeu as expectativas - desde a manteiga de amendoa no couvert, até á troliogia de amendoa, alfarroba e figo na sobremenesa, acompanhada por um shot de medronho. A lista ds vinhos é assumidamente algarvia e o destaque da casa vai para a produção da Quinta do Barranco Longo. Na ocasião bebeu-se o branco, que esteve à altura da refeição servida. É sem nehuma dúvida o melhor restaurante do Algarve a que fui nos últimos tempos. O Convento, Rua Dom Paio Peres Correia, Tavira, telefone 281 329 040.





DIXIT -  “Sou uma carta fora do baralho” - Marcelo Rebelo de Sousa   


 


GOSTO - Depois de quatro anos de protestos dos utilizadores dos parques naturais do país, o Governo aboliu a polémica portaria que implicava o pagamento de uma taxa de 152 euros para a realização de uma simples caminhada.


 


NÃO GOSTO - O Jardim da Graça, prometido pelo executivo de António Costa para 2009 primeiro e para 2013 depois, continua com as obras paradadas desde há meses mas José Sá Fernandes arranjou tempo e recursos mandar retirar do Jardim da Praça do Império os brasões das ex-colónias.


 


BACK TO BASICS - “Não posso fazer mudar a direcçlão do vento, mas posso ajustar as velas do meu barco de maneira a conseguir chegar ao meu destino” - James Dean


 

agosto 27, 2014

TEMPOS DESFASADOS

VIVER - Lembram-se de como era a vida antes da internet? Qualquer dia ninguém que seja profissionalmente activo se vai recordar do que era a vida antes  dos emails, dos motores de busca, das redes sociais, dos smartphones e dos tablets. Hoje podemos comunicar, trabalhar, estudar, escrever, ter música, imagem e texto em qualquer local num pequeno aparelho. Podemos ouvir uma selecção de canções em streaming ou numa rádio on line, ou percorrer a nossa própria colecção de discos na cloud do iTunes. Podemos fotografar e partilhar instantaneamente a imagem em diversos sistemas, a começar pelo Instagram. Temos livros digitais e podemos viajar com uns quilos a menos. Podemos ler a nossa revista preferida mesmo num local recôndito sem ir à procura de um quiosque bem fornecido de imprensa internacional. Podemos percorrer de forma virtual uma exposição num dos grandes museus internacionais. Tudo isto faz diferença na maneira como trabalhamos mas também como vivemos os nossos períodos de descanso e como procuramos aprofundar o nosso conhecimento. Em 1994, há 20 anos, a Internet dava os primeiros passos, não havia Google, nem iPhone, nem Dropbox, nem muitas das outras coisas com que hoje convivemos em tablets e smartphones. Mas enquanto tudo mudou nas nossas vidas, na nossa aprendizagem, no nosso trabalho e no nosso lazer, pouco - muito pouco - mudou na forma de os políticos fazerem política, de os partidos funcionarem e do sistema político organizar e mediar o exercício do poder. Estamos numa época em que coexistem dois mundos diferentes - um que faz parte do nosso dia a dia e outro, antigo, que nos governa. Ou, como dramaticamente se tem visto, nos desgoverna.

SEMANADA - A nova proposta de Lei da Cópia Privada está feita de tal forma que penaliza os criadores  que utilizem sistemas digitais, taxando o equivalente de hoje em dia do papel, das telas, da película fotográfica ou dos instrumentos musicais; a Apple lançou uma campanha de publicidade nalgumas revistas norte-americanas, como a New Yorker, que exemplifica o potencial e a utilização do iPad no processo criativo de músicos, realizadores, coreógrafos e artistas plásticos; o valor dos empréstimos sem garantias feitos pelo Montepio ascende a dois mil milhões de euros; o número de vítimas mortais de acidentes de viação que consumiram estupefacientes aumentou nos últimos dois anos; Portugal tem o quinto maior défice comercial da Uniao Europeia; a crise provocou um rombo de 14% no PIB português; o PS tem menos simpatizantes que militantes - de acordo com os numeros divulgados após um mês de angariação o número de simpatizantes do PS não ultrapassa um terço do número de militantes; na distrital de Braga do PS verificou-se um surto de pagamentos de quotas em atraso que até pagou as quotas de pessoas entretanto já falecidas;
uma mulher de 64 anos, de uma povoação perto de Ferreira do Zêzere, recebeu uma carta do Ministério da Defesa a convocá-la para o dia da Defesa Nacional, o equivalente à antiga inspecção militar; o Ministério da Educação colocou nos seus quadros uma professora que completa 70 anos no dia do arranque das aulas, o mesmo em que por força da sua idade terá obrigatoriamente que se reformar; dois em cada três portugueses aposta na lotaria e em jogos de sorte, revela um estudo da Marktest; no primeiro semestre de 2014 mais de três milhões de portugueses acederam a sites de rádio a partir de computadores pessoais.

ARCO DA VELHA - Um doente do Hospital de Tomar que, por recomendaçāo do médico de família, pediu em Junho uma consulta urgente de cardiologia, recebeu em casa uma carta a marcá-la para Fevereiro de 2016.

OUVIR - A “Intima Fracção” começou por ser um programa de rádio, evoluíu a certa altura para um podcast que vivia no site do semanário “Expresso” e hoje em dia pode ser encontrada em alguns locais virtuais, indicados no Facebook (www.facebook.com/IntimaFraccao). Francisco Amaral, o seu criador e autor, diz que hoje em dia os arquivos de som que vai publicando se assemelham mais a uma banda sonora de estados de espírito que à forma original de programa de rádio, baseado numa playlist muito especial, com uma apurada selecção. Na “Íntima Fracção” as palavras têm um peso relevante, directamente ligado à música. Um dia destes, avisa Francisco Aamaral, as imagens, como esta que aqui reproduzo, e que foi retirada do seu Facebook, hão-de fazer parte do conceito. A “Íntima Fracção“ é um espaço de bom gosto, descoberta e serenidade musical num mundo em que os sons se tornam, na maior parte das vezes, numa amálgama desconexa. Aborrece-me que nenhum site informativo a aloje e divulgue como ela merece.

PROVAR - Graças à revista “Time” fiquei a saber que comer manteiga afinal não é um risco para o coração - e assim a torrada matinal com manteiga passou a saber ainda melhor. Vem isto a propósito da variação que ao longo dos últimos meses tem surgido sobre o que se deve e não deve comer. Algumas gorduras, em tempos amaldiçoadas, são agora toleradas. Dietas que exigiam sacrifícios gigantescos e recomendavam alimentos exóticos vão sendo substituídas por recomendações mais racionais. Vejo um número apreciável de artigos recentes e fico baralhado - o que ontem fazia mal hoje em dia pode ser ingerido e aquilo que dantes era recomendado afinal pode ter riscos. Eu compreendo que a indústria agro-alimentar movimenta milhões, mas gostava que não existissem tantos cientistas a criarem confusão e a promoverem estudos contraditórios de ano para ano, conforme os intersses de quem financia os seus estudos - que por vezes me parecem inúteis. Isto deixou de poder ser tratado como ciência, passou a ser roleta russa.

VER - Graças ao meu iPad estou a escrever esta crónica em férias, bem a sul, perto de Tavira, e ao mesmo tempo estou a visitar o magnífico site do MoMA - o Museum of Modern Art, de Nova Iorque. Destaco a exemplar exposição virtual dedicada à obra de Louise Bourgeois, que está em contínua construção, e que, quando ficar concluída, terá 3500 imagens do trabalho da artista - só por si vale a pena visitar esta secção do site do MoMA, acessível através da homepage do museu, entrando na área "explore". Delicio-me com o que vejo da exposição, inaugurada há poucos dias, “The Paris Of  Touluse-Lautrec: Prints and Posters”, que nos permite imaginar como seria Paris no final do século XIX. Noutro local do site do mesmo museu vejo que quem fôr a Nova Iorque até 1 de Setembro ainda poderá visitar no MoMA a exposição de Jasper Johns, e quem lá fôr a partir de 12 de Outubro poderá já visitar a exposição de colagens de Henri Matisse. O MoMA é um Museu sempre surpreendente e o seu site é um exemplo de referência da adaptação de uma instituição à vida no tempo digital - www.moma.org.

FOLHEAR - A revista "The New Yorker" é um caso sério de estudo para quem se interessa pela capacidade de adaptação de um título de imprensa, mantendo no entanto sempre o essencial das suas características e nunca desiludindo o núcleo duro dos seus leitores. Como o nome deixa antever a revista é uma espécie de manual de sobrevivência para os nova-iorquinos que prezam um estilo de vida cosmopolita, informado e ligado às artes. A Wikipedia descreve-a como uma revista dedicada à reportagem, comentários, crítica, ensaio, ficção, sátira, cartoons e poesia. É publicada desde 1925 pela Condé Nast 47 vezes por ano (há cinco números duplos). Destaque ainda para a qualidade gráfica da capa, baseada sempre em obras inéditas encomendadas a artistas - entre os quais o português Jorge Colombo. Mesmo para quem está longe de Nova Iorque, a New Yorker tem pelo menos dois terços de matérias que podem interessar a quem a quiser ler em qualquer ponto do mundo. E se dantes a revista chegava tarde e cara a Portugal, agora, na sua nova e muito boa edição para iPad, é possível fazer uma assinatura mensal por 5,49 euros. Irresistível.

DIXIT - “Ou os administradores do BES eram nabos e incompetentes ou eram mentirosos” - Domingos Azevedo, Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas e ex-deputado do PS.

GOSTO - Da divulgação da Acta da Reunião Extraordinária do Banco de Portugal que criou o Novo Banco pelo advogado Miguel Reis, que a obteve utilizando apenas informação disponível na net.

NÃO GOSTO - O horror criado pelo chamado Estado Islâmico é um exemplo de barbárie pura, que aproveita a destruição da vida humana de forma selvática para fazer propaganda.

BACK TO BASICS - A velocidade a que os rios desembocam nos oceanos não é tão veloz como a rapidez com que os homens cometem erros - Voltaire