(Publicado no diário «Meia Hora» de 17 de Fevereiro)
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
(Publicado no diário «Meia Hora» de 17 de Fevereiro)
INSPIRAÇÕES - O Primeiro Ministro abriu a época eleitoral com uma campanha alinhada à esquerda e virada para o interior do PS. Levanta esse velho desígnio da esquerda que é castigar a riqueza e penalizar o sucesso e fez passar a mensagem de que encarna o espírito de Robin Hood, mas como Fernando Sobral bem recordou neste jornal, Robin tinha por missão recuperar o dinheiro da excessiva cobrança de impostos que o xerife de Nottingham exercia contra o povo…Sócrates, se é parecido com alguém nesta história, é com o explorador de impostos e não com o justiceiro. Adiante: na realidade o Primeiro Ministro foi recuperar um curioso slogan datado de 1975 e que era a palavra de ordem programática da UDP nesse ano: «Os Ricos Que Paguem A Crise». A origem e modernidade ideológica da moção de Sócrates ao Congresso socialista está pois localizada.
PRÉMIO «VAI CHATEAR OUTRO» – Atribuído por unanimidade a Mário Lino, o Ministro que mais perguntas de deputados deixa por responder. O homem continua a aplicar «jamais» - neste caso ás respostas. Talvez seja mais fácil aproveitar um dos seus descontraídos momentos de final de almoço no Solar dos Presuntos para lhe fazer umas perguntas…
GERAÇÃO NULA - Estes meses têm mostrado uma coisa – muitos dos grandes bancos mundiais estão em péssima situação, cheios de activos tóxicos, muitas empresas financeiras que pareciam donas do Universo esboroaram-se que nem neve em dia de sol, grande número de consultores enganaram-se nas contas, nas previsões, nas estimativas e nos modelos de negócio. É caso para dizer que uma geração de gestores implacáveis, a repletos de MBA’s e de arrogância caiu à primeira dificuldade, depois de esbarrar nos acontecimentos e mostrou que não sabia aplicar conhecimentos nem trabalhar no mundo real.
ABSURDO - Nunca hei-de conseguir perceber as circunstâncias muito particulares em que se movimentam as empresas de futebol, antigamente chamadas clubes. No mundo real quem trabalha mal e falha resultados é despedido com justa causa – no mundo do futebol é dispensado com grandes indemnizações, fruto de contratos feitos por gestores que acreditam em milagres, na sorte, no carisma e noutros subjectivismos diversos. Em qualquer outro ramo de actividade seriam crucificados, no futebol são levados em ombros. O caso de Scolari é paradigmático: o vendedor de ilusões pode continuar a rir-se: a equipa que era suposta treinar não tem bons resultados, ele confirmou ser fraco líder, mas mesmo assim fez um belo encaixe financeiro.
DÉFICIT - A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, anunciou uma iniciativa aberta a independentes, intitulada «Fórum Portugal», e que abordará uma larga série de temáticas. Mais uma vez a Cultura fica de fora do leque de preocupações, o que é um aborrecido deficit recorrente na política portuguesa e pode vir a ser um grande disparate. Na semana passada já tive oportunidade de lembrar que foi nos anos entre 1929 e 1939, a seguir à Grande Depressão, e graças a programas massivos de apoios, que o talento criativo nos Estados Unidos floresceu como em nenhuma outra época do século passado e ajudou o país a ganhar outro impulso. Já agora recordo, a este propósito, um artigo que Guta Moura Guedes escreveu no «Público» do passado dia 7, intitulado «Da importância da cultura em tempos de crise». Faço minhas as palavras da autora e, sobretudo este pedaço: «enquanto as prioridades não se centrarem nos conteúdos e nos recursos humanos, deixando para segundo lugar as construções mais visíveis, estaremos longe de fazer o necessário nesta área».
VER –A «Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea», fica em Almada e está situada no alto da parte velha da cidade, tem jardins magníficos e uma vista espantosa sobre Lisboa. Até 17 de Maio apresenta uma bela exposição baseada na colecção de gravuras do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian (com obras de Almada, Mário Botas, Lourdes Castro, Man Ray, Matisse e Moore entre muitos outros) e duas exposições de fotografia - «Wall», de Rita Barros, e «De Passagem», de Graça Sarsfield, esta, de ambas, a mais interessante. Todos os dias menos segundas até às 18h00.
PROVAR - Na zona das Avenidas Novas lá vão abrindo alguns novos restaurantes como o «La Finestra», uma casa de comida italiana localizado onde em tempos foi o «Café Creme». As pizzas são a especialidade da casa – massa fina, pouco tomate, queijo QB sem abundâncias desnecessárias e boas combinações de outros ingredientes. Preços acessíveis, decoração luminosa e colorida, mesas confortáveis. Em matéria de pizzas fica no top 5 lisboeta. La Finestra – Av Conde de Valbom 52-A, tel 217 613 580.
LER – Num ano em que o país convidado da Arco de Madrid é a Índia vem a calhar ler o magnífico «Uma Ideia da Índia», um conjunto de crónicas de viagem de Alberto Morávia escritas no início da década de 60 para o «Corriere della Será». A descrição dos locais, do funcionamento da sociedade indiana e da filosofia oriental são muito bem feitas, muito bem observadas. O livro, agora reeditado entre nós, está incluído numa nova colecção da editora «Tinta da China», dedicada a viagens, bem organizada e seleccionada por Carlos Vaz Marques. Boas capas, bom papel, bom grafismo – um exemplo raro nos dias de hoje.
OUVIR - Benny Golson é um dos mais importatntes saxofonistas da fase do bepop e tocou com alguns dos maiores músicos da sua época. «The Best of Benny Golson» agrupa gravações feitas entre 1957 e 2004 e é uma compilação verdadeiramente preciosa para descobrir o talento de Golson, aqui ao lado de nomes como Art Blakey, Paul Chambers ou Art Farmer e Tommy Flannagan, entre outros.
BACK TO BASICS - A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes – Fernando Pessoa
(Publicado no diário «Meia Hora» de 10 de Fevereiro)
Muito bom o artigo de Pedro Passos Coelho publicado hoje no Jornal de Negócios - uma análise aberta e realista da crise, das medidas que têm sido tomadas e de alguns caminhos que deveriam ser seguidos. Espreitem http://tinyurl.com/b8z2hs
CURIOSIDADE – Gostava de ver um estudo que avaliasse, em termos económicos, o impacto negativo que Lisboa sofrerá se o alargamento do terminal de contentores fôr para a frente e se, em consequência disso, diminuírem brutalmente o número de cruzeiros que escolhem Lisboa como porto de passagem. É que as cidades que apostam num porto de carga invariavelmente deixam de ser porto de turismo e os muros de contentores fazem perder muitos cruzeiros – muitos milhares de turistas por ano que deixarão de entrar em Lisboa, fazer compras, visitar museus e dinamizar a economia da cidade. Será que tudo isto foi avaliado?
PERGUNTAS QUE ME OCORREM - Como é que PS, PSD e PP se conseguem abster numa proposta do BE e do PCP que visa geminar Lisboa com a cidade de Gaza no meio de considerandos pró-palestinianos e de condenação a Israel? O que é que o Ministro das Finanças terá dito em Londres numa reunião com a Standard & Poor’s para esta instituição baixar o rating de Portugal dias depois? Como é que se encaixa a entrega de parte da colecção Berardo como garantia colateral da dívida do empresário aos Bancos com o contrato existente com o Estado sobre aquelas obras de Arte?
QUINTO CANAL – O novo canal de televisão, o célebre quinto canal, se vier a existir, tem que contribuir para a diversidade da paisagem audiovisual e, necessariamente, terá que dinamizar a produção independente, encomendando produção no mercado português – cumprindo aliás directivas europeias e leis nacionais, o que quer dizer que não pode ser uma estrutura auto-suficiente que não dinamiza a economia do sector. Espero que quem decide tenha bem presente este lado da questão e analise a viabilidade das propostas com os pés assentes na terra.
VER – Vale a pena ir a Elvas descobrir o Museu de Arte Contemporânea local (MACE), que alberga a colecção de António Cachola. Há dias o Museu abriu uma extensão destinada a exposição temporárias, no Paiol de Nossa Senhora da Conceição, inaugurado com a exposição «(Im)permanências» de Cristina Ataíde, e que ficará no local até ao Verão. É uma instalação que junta escultura com fotografia e o resultado surpreende.
OUVIR – Jóias e raridades do arquivo da Tamla Motown numa edição disponível apenas com a revista britânica de música «Mojo». O CD que acompanha a edição de Fevereiro da revista inclui alguns singles históricos de nomes como Martha & The Vandellas, Supremes, Marvin Gaye, Four Tops, The Miracles, Temptations ou Gladys Knight & The Pips. A mesma edição da revista traz um belo conjunto de artigos sobre a história da Motown e uma lista das cem melhores faixas que ela editou, escolhidas por vários músicos. A publicação com o CD incluído como oferta custa cerca de oito euros e está disponível nas boas lojas de revistas.
LER – A mais recente edição da «Monocle», de Fevereiro, é dedicada à crise actual e, depois, de forma mais particular, à forma como ela atingiu a Islândia e o que o país está a fazer para tentar salvar-se. Mas para além disto esta edição tem numerosos pontos de interesse na área do design, dos negócios, da cultura e da actualidade. Começa a ser repetitivo dizer isto, mas de facto a «Monocle» é mesmo uma revista a não perder.
CRISE – Começa a notar-se que a crise afecta os restaurantes – embora também se veja que não afecta todos por igual. De qualquer forma os restaurantes com preços mais elevados começam a ter menos reservas e mais mesas disponíveis. No actual clima económico é compreensível que assim seja e a situação cria um desafio para que os bons restaurantes consigam sobreviver a um período de possível diminuição de receitas. A espiral de pânico que se instalou leva a que as pessoas pensem duas vezes antes de gastar dinheiro e faz com que, nas empresas, haja maior cuidado na escolha de locais para almoços ou jantares de negócios. Tudo isto vai obrigar os restauradores a terem muita imaginação e a refazerem bem as contas, para verem como podem ter uma oferta mais competitiva e que não afaste a clientela habitual. Duas refeições ao almoço por 70/80 euros pode ser aceitável, duas refeições por 120 euros pode começar a ser questionável. Basta ir a dois ou três locais de Lisboa à hora de almoço e sentir a deslocação de uns locais para outros, vendo os mais caros um pouco desertos e os de preços médios mais cheios e com novos clientes. Também neste sector as mudanças vão ser inevitáveis.
PROVAR – Situado no alto do Parque Eduardo VII o restaurante Eleven partiu de uma aposta ousada: um edifício de restaurante construído de raiz, projecto do arquitecto João Correia, com a sala de refeições orientada para o parque, a Avenida da Liberdade e o Tejo, ladeado pelas colinas, Alfama e o Castelo de um lado, o Bairro Alto do outro. Esta é provavelmente a melhor vista disponível nos restaurantes lisboetas e como os olhos também comem fora do prato o trunfo é considerável. Mas o «Eleven», para ser justo, tem a sua principal vantagem na qualidade da cozinha, na criatividade dos seus pratos e no serviço, que é verdadeiramente exemplar. Dirigido pelo chefe Joachim Koerper, um alemão convertido aos sabores mediterrânicos, o «Eleven» propõe menus de almoço de negócios a preços mais reduzidos que o menu habitual, com a particularidade de incluir vinhos muito criteriosamente escolhidos para os pratos propostos e que vão variando. Telefone 213862211.
BACK TO BASICS – Nunca pode existir total confiança num poder que parece excessivo – Cornelius Tacitus
(Publicado no diário «Meia Hora» de 27 de Janeiro)
RESUMO DA SEMANA – Lá vamos cantando e revendo o orçamento ( o tal que estava óptimo há um mês atrás…); já se sabe que este ano a despesa do Estado cresce 10 por cento; Vitor Constâncio reconheceu ter-se enganado mais uma vez, o que o torna candidato a recordista de erros no campeonato dos Governadores de Bancos Centrais; já se percebeu que José Sócrates iniciou a sua viragem à esquerda para consumo interno do PS e não me espanto se um dia destes ele disser que o Governo veio em ajuda do Banco Privado Português para defender a classe média…
ANDA NO AR – No cenário de uma maioria relativa do PS começam a correr pelo ar vários cenários: uma revisitação de um acordo PS-PP, desta vez uma coisa à séria e sem queijo Limiano; uma tentativa de cisão no PSD que desse consistência a um bloco central de partilha do poder; e um governo patrocinado pelo Presidente da República, que juntasse figuras do PS e PSD, sem Sócrates. Os cenários começaram a ser feitos – daqui até ao fim do ano cenógrafos e carpinteiros vão ter muito que fazer.
RECORDISTA – A cerimónia de tomada de posse de Barack Obama foi recordista de audiências – bateu todos os recordes anteriores, pertencentes a manifestações desportivas – Jogos Olímpicos em audiências globais no mundo inteiro e o Super Bowl dentro das audiências internas do mercado dos Estados Unidos. As primeiras estimativas apontam para uma audiência televisiva total superior a 100 milhões de espectadores só nos Estados Unidos. Já se sabe que o vencedor da batalha de audiências foi a dupla CNN- Facebook, que possibilitou que os espectadores comentassem em tempo real e inter-agissem uns com os outros ao mesmo tempo que assistiam à cerimónia. Este acordo CNN-Facebook foi por si só um marco na comunicação e na maneira de ver as transmissões em directo – algo que fará História.
VER – «Lá Fora» reúne obras de 67 artistas portugueses que desenvolveram grande parte da sua obra no estrangeiro, no caso em 21 cidades, e é uma iniciativa conjunta da Fundação EDP e do Museu da Presidência da República, originalmente criada por ocasião do 10 de Junho do ano passado e que agora chegou a Lisboa, ao Museu da Electricidade. Aqui estão, por exemplo, peças feitas por José Barrias em Milão, por Paula Rego em Londres, por Isabel Pavão em Nova Iorque ou por Alvess em Paris – acreditem que para muitos esta diversidade vai ser uma surpresa. Até 15 de Março.
OUVIR – Eu pessoalmente gosto de trios – esclareço que estou a falar de jazz nesta instância: piano, baixo e bateria fazem a minha felicidade. Aqui há uns anos descobri a obra do trio do belga Jef Neve com o disco «Nobody Is Illegal». Agora redescobri-a com o novo disco, «Soul In A Picture», um dos melhores discos de jazz de músicos europeus que ouvi nos últimos anos. Vou corrigir: um dos melhores discos de jazz que ouvi nos últimos anos.
LER – José Sarmento de Matos é um estudioso de Lisboa e da sua História e, reza a lenda, terá sido ele o primeiro a sugerir a Mega Ferreira a zona oriental de Lisboa como local ideal para a requalificação que a EXPO 98 queria fazer. Adiante: «A Invenção de Lisboa» é um trabalho extraordinário, cujo primeiro volume acaba agora de sair, editado pela «Temas e Debates». Esta História começa nos tempos dos fenícios e dos romanos e o primeiro volume centra-se na conquista de Lisboa aos Mouros e nas três décadas imediatamente a seguir que moldam a cidade como capital do país. É um livro delicioso em que a História se mistura com relatos de aventura, um registo da evolução de Lisboa em que se juntam contribuições de história política, económica, social e cultural. É um prazer começar o ano a ler um livro assim.
COISAS DE QUE EU GOSTO – Gosto muito de passear nas Avenidas Novas. Anda-se bem a pé, há comércio, muita restauração, cafés, até a excelente livraria «Pó dos Livros» (Av. Marquês de Tomar 89ª). Ao longo dos tempos os restaurantes mudam, a bem dizer, de «alma». Por exemplo, o «City Café» (Av Miguel Bombarda 133), que aqui em tempos elogiei, transformou-se num templo de fumo ( e eu não sou anti-tabagista), com um género de serviço que gosta de ver os clientes a saírem, com mesas guardadas sem estarem reservadas, num estilo algo ganancioso de funcionamento que a mim me irrita bastante. Em contraste, o «Magnólia» (também Av. Miguel Bombarda nº 48) melhorou muito desde que abriu e agora a sua sala de restaurante é um local agradável, com, bom serviço e preços equilibrados, zona de fumadores e não fumadores, ambas confortáveis. Enquanto ao Magnólia volto agora com gosto, do City Café fujo sem desgosto.
PERGUNTAS QUE ME OCORREM – Onde anda o «Compromisso Portugal»? Que actividades desenvolve depois de ter feito em Julho do ano passado uma avaliação do desempenho do Governo? Que análise faz da crise, do que aconteceu nestes últimos meses, do que se passa nalguma banca, como avalia o desempenho do sistema político face à situação? Lembrei-me de tudo isto quando, na semana passada, vi o Dr. António Carrapatoso e o Dr. António Costa numa conversa de almoço. Sei lá –ainda existe, o «Compromisso Portugal»?
TESOURINHO DA SEMANA – « Da parte do meu Governo pode contar com uma firme vontade em trabalhar em conjunto com os Estados Unidos» - José Sócrates, felicitando Barack Obama no dia da sua posse. E que terá Obama pensado? - «Cool Man, I really was wainting for that – send me the rescue plans for that Banco Privado of yours)…
BACK TO BASICS – «O Verão tem muito mais graça» - D.P.A.
TRAPALHADAS - Primeiro foi José Sócrates a admitir que podia, afinal, existir recessão. Como por milagre, no dia seguinte, Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal que se está a especializar em desdizer-se, confirmou o cenário de recessão. Depois o Ministro das Finanças apareceu a dizer que o Orçamento de Estado necessitava de ser actualizado e corrigido, confirmando as dúvidas levantadas pelo Presidente da República, mas contradizendo declarações oficiais do Governo e do Grupo Parlamentar do PS sobre esta matéria. Pelo meio José Sócrates admitiu que antecipar as legislativas podia ser uma boa ideia de ajuste do Calendário Eleitoral aos seus interesses, contrariando também o enorme sururu que uma análise feita nesse sentido, há semanas, por Pedro Santana Lopes, levantou nas hostes socialistas. Afinal o país está em recessão, afinal o PS quer eleições legislativas mais cedo, afinal o Orçamento de Estado contém erros e é insuficiente. Quer dizer – tudo o que o PS e o Governo andaram a dizer no último mês e meio que não existia veio a confirmar-se verdadeiro. É um cenário de enormes trabalhadas, mentiras e grande impreparação. Se Jorge Sampaio fosse ainda Presidente da República se calhar Sócrates era despedido.
COMPADRIOS - A decisão do Governo de permitir obras públicas até cinco milhões de euros sem concurso público, por simples ajuste directo, é um escândalo, sobretudo num ano de eleições legislativas e autárquicas. São medidas destas, que favorecem compadrios, que tornam o Estado menos transparente, são medidas destas que fazem crescer a desconfiança nos Partidos e nos políticos, são medidas destas que delapidam o erário público em obras de fachada. João Cravinho, que aqui queria combater a corrupção, que dirá deste assunto sentado no gabinete para onde foi despachado, em Londres?
GERAÇÃO - Há uma geração, que situo entre os vinte e muitos e os trinta e poucos anos, nascida e criada depois de 1974, que tem uma posição de enorme pragmatismo sobre a sociedade, a política, a participação cívica, os partidos, a ética e a responsabilidade. No geral são individualistas em extremo, sem ideologias nem causas, e desejam apenas que «isto ande». São a grande base eleitoral de José Sócrates, algures entre a social-democracia e o liberalismo, definitivamente longe da esquerda e da direita tradicionais. Este é o novo centrão, que olha para Sócrates como um dos seus e espera que ele se mantenha no seu posto. Não é uma imagem tranquilizadora…
CITAÇÃO 1 - «Para não dar azo a muitas especulações vou sintetizar: quero que Israel ganhe a guerra contra o Hamas, o Hezbollah, o Irão e os fundamentalistas árabes. Que os palestinianos tenham uma pátria. Que em Israel e na Palestina os moderados consigam impor uma negociação.» (Luís Januário, blogue «A Natureza do Mal»).
CITAÇÃO 2 - «Sócrates é uma melancia nascida no jardim de Maquiavel, de todas as cores por fora desde que o centro seja comestível» - Fernando Sobral, neste «Jornal de Negócios».
CITAÇÃO 3 - «Eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o Primeiro-Ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos» - Ricardo Araújo Pereira, na «Visão», comentando a posição da Directora Regional de Educação do Norte, que há meses suspendeu um professor por ter tido graçolas sobre o Chefe do Governo mas considerou uma brincadeira de mau gosto a ameaça a um professor com uma arama de plástico por um grupo de alunos que exigiam melhores notas.
MEDIA - Neste ano que agora começa vai surgir um novo jornal diário, vai ser escolhido (enfim, designado, melhor dizendo) o novo operador de um canal nacional generalista de televisão, as guerras de audiências entre os três canais comerciais já existentes vão aquecer e no meio de um cenário de quebra de publicidade na imprensa o Estado decidiu que as publicidades obrigatórias – fonte de preciosas receitas em jornais nacionais e sobretudo locais e regionais – iria desaparecer para passar imediatamente para a internet. Não houve sequer o cuidado de propor uma diminuição faseada, ainda por cima num ano em que o mercado publicitário vai sofrer as inevitáveis ondas de choque da crise económica.
OBRA – Insensível à crise continua o jornal «Lux Frágil», de distribuição gratuita e fruto da iniciativa nocturna e privada. Sob o lema «A Vida É Toda Para Diante», o jornal é um oásis de humor e de negação do pessismismo reinante, desta vez com a reprodução de uma bela gravura de Ana Jotta na capa, muito oportuna nos tempos que correm, construída à volta da frase: « La gente dice que me paso el dia de compras, pêro intento trabajar». Esta edição e números anteriores felizmente disponíveis em www.blog.luxfragil.com .
CLÁSSICO – Um restaurante a que se volta sempre é «A Isaura», Avenida de Paris, 4B, telef 218480838. As opções de pratos do dia são frequentemente fantásticas e muito bem confeccionadas, a lista de vinhos é um manual de como escolher o melhor vinho para a refeição e uma fonte de sabedoria. O serviço é um pouco «deixa lá que a comida é boa e o preço dos vinhos não é mau e eles acabam sempre por cá voltar». Mas a minha lebre com feijão branco estava bem boa.
BACK TO BASICS – Deus criou os homens mas são eles que se escolhem uns aos outros – Maquiavel.
Trazer para uma lista eleitoral um nome como o do ex-inspector Gonçalo Amaral é reduzir a política a uma espécie de reality show que vai a votos. A escolha do PSD para Olhão vai ao contrário do que os partidos precisam para conseguirem ser credíveis.
(Publicado no diário MEIA HORA de 6 de Janeiro de 2009)
Há poucos dias o Governo decidiu autorizar a realização de obras públicas, por ajuste directo, sem concurso público, até ao montante de cinco milhões de euros. A crise e a necessidade de agilizar a execução de novas obras, como contributo para a dinamização da economia, foram as justificações apresentadas. Cinco milhões de euros? - Estamos aqui a falar de obras de uma dimensão razoável, um milhão de contos em moeda antiga.
Como que por feliz acaso esta decisão surge em ano de eleições legislativas e autárquicas – e já se sabe como as obras são sempre um bom argumento eleitoral. Na realidade eu fico completamente espantado com o descaramento da decisão e, também, com o silêncio cúmplice de toda a oposição.
Está visto que vai ser um ano farto em rotundas, obras e obrinhas, arranjos e arranjinhos. O bom senso diz que muito provavelmente, em vez de algumas obras estruturais, mais caras, mais importantes em termos de futuro, mas mais difíceis de autorizar, vão ser malbaratados milhões de euros por esse país fora para satisfazer interesses locais, interesses políticos, interesses partidários.
Uma questão de bom senso e realismo obriga a dizer que, para além dos trunfos políticos que estas obras podem significar, elas podem também auxiliar a encher os cofres das campanhas partidárias graças a generosas e agradecidas contribuições daqueles que forem escolhidos por ajuste directo para tantas obras. Não vai faltar quem queira contribuir e não há-de ser difícil encontrar quem se disponha a receber. É neste pântano que cresce a corrupção.
Gostava de ouvir mais pessoas pronunciarem-se sobre isto, no meio de tanto apelo à moderação, no meio de tanta hipocrisia a propósito de contenção, no meio de uma carga fiscal que não para de aumentar e que atingiu o maior valor de sempre no ano passado.
Se havia dúvidas de que o regime estava podre e que os partidos que o sustentam para lá caminham, a prova final está aqui. É fartar, vilanagem.
Bem podem os estrategas dos programas dos partidos, a nível nacional e local, desdobrarem-se em promessas de rigor, em juras de honestidade, em declarações de respeito pelo dinheiro dos contribuintes. Os protagonistas desta farsa são os coveiros da confiança dos cidadãos. Não peçam, depois, que as pessoas participem e vão votar.
Vou relatar uma situação real ocorrida esta semana, numa tarde de chuva, com uma amiga minha. Foi ao notário tratar de um assunto e no regresso o carro estava com bloqueadores da EMEL. Ligou para um call center muito moderno e dizem que os desbloqueadores vão a caminho. Factos: o estacionamento foi feito às 11h20, a saída do notário foi às 13h20, o bloqueamento foi feito às 12h05, o primeiro pedido de desbloqueamento foi às 13h25, mas só foi concretizado três horas e meia depois, às 16h50. Pelo meio foram feitos vários telefonemas sempre com a informação de que o assunto estava a ser tratado – com o irritante automatismo dos call centers que efectivamente são um atentado aos clientes. Eu sei que a EMEL é uma organização, patrocinada pela Câmara Municipal de Lisboa, para abusar da paciência dos munícipes. A legalidade da sua plena actuação é questionável, o bom senso dos seus agentes é quase nulo, a eficácia na caça à multa e o abuso de autoridade é directamente proporcional à ineficácia da sua acção quando são chamados a resolver situações. O Dr. António Costa acha três horas e meia um tempo aceitável para desbloquear um carro? Eu por mim sugiro que na próxima campanha autárquica os eleitores castiguem quem não apresentar medidas de reforma da actuação da EMEL.E ao fim das tr~es horas e meia nem um pedido de desculpa, nem uma justificação - paguem e calem-se. Se fosse comigo tinha-lhes pedido a identificação e solicitado que fizessem um teste do alcóol.
ESCANDALOSO - O que se tem andado a passar na agência Lusa está a começar a ser um escândalo. Uma agência noticiosa é suposta ser uma difusora imparcial e equilibrada de notícias, é suposta ser uma referência de isenção, insensível a manobras e pressões. Isto não é uma utopia, e embora a perfeição não exista, em algumas agências noticiosas ela está próxima. Durante uns anos ( e não foram poucos) , em Portugal, isso também aconteceu, nas diversas encarnações que a Agência Noticiosa nacional teve. Eu orgulho-me de ter estado mais de seis anos na Notícias de Portugal e, depois, no início da Lusa, e sei como existia um corpo de profissionais que defendia o respeito pelo Livro de Estilo, trabalhado a partir dos melhores exemplos internacionais. O que hoje se lê sobre o que se passa na Agência Lusa relata um cenário de pressões e manipulações e é espelho de uma sociedade e de um Estado que perdeu a noção da decência e não olha a meios para atingir os seus fins. No cerne da questão, quem está? O Ministro Santos Silva, claro.
HABILIDOSO - Quando eu andava na faculdade lembro-me de ouvir colegas mais velhos a relatarem como Jaime Gama se tinha notabilizado, enquanto dirigente associativo, a condicionar o funcionamento de Assembleias de Estudantes, guardando umas propostas, seleccionado o que iria pôr à votação, fazendo malabarismos na condução dos trabalhos e tentando influenciar, pela via de habilidades processuais, os resultados finais. Talvez por me lembrar dessas histórias nunca tive simpatia pelo personagem. A forma como se comportou, enquanto Presidente da Assembleia da República, na votação do Estatuto dos Açores, veio confirmar que não perdeu a mão nem a imaginação na forma de interpretar os problemas e encontrar as soluções que mais lhe convêm a ele e ao seu partido.
APAGADO - O Senhor Nunes, da ASAE, abriu o ano a prevaricar, fumando em recinto público, e fechou-o discreto. As ordens de apagamento a que teve de se sujeitar, as instruções para acabar com os raides á cowboy, a revisão nos processos de actuação e nalgumas leis mostraram afinal aquilo que muitos diziam: ele abusava do poder que tinha, gostava de se mostrar, preferir reprimir e esclarecer. Agora quase ninguém ou vê ou ouve e o mundo continua a girar. Mais um espalha-brasas que sucumbiu à sensibilidade do Governo pelos criadores de problemas mediáticos.
MAL - Coisas que correram muito mal este ano: a propaganda e as mentiras em torno do computador «Magalhães» e sua distribuição, os recuos nas reformas que enchiam a boca do Governo, o divórcio, cada vez maior, entre cidadãos e política, o Estado querer introduzir o pensamento único na análise da crise, a demagogia permanente de anúncios de obras que não se fazem e de medidas que não se tomam.
BEM - Coisas que correram muito bem este ano: a existência de protestos de cidadãos, de importante dimensão, em casos como o encerramento de centros de saúde, do alargamento da zona de contentores no Porto de Lisboa e também contra os abusos da ASAE.
LISBOA - Neste ano Lisboa estragou-se ainda mais como cidade perante um executivo camarário imóvel e apagado, cujas principais notícias foram a submissão a ordens do Governo (no caso do Porto de Lisboa), a falta de projectos, a inexistência de políticas sectoriais, o desaparecimento cada vez mais acentuado do vereador do Urbanismo ou a extraordinária mutação de Sá Fernandes que de arauto do Bloco de Esquerda se passou para escudeiro às ordens de António Costa, uma permanente desilusão enquanto Presidente da Câmara.
OUVIR – O novo disco do sexteto de Dave Holland é uma lufada de ar fresco para ajudar a passar estes dias entre o Natal e o Ano Novo. Depois de ter deixado para trás a Dave Holland Big Band, este sexteto evoca na realidade uma pequena orquestra, factor para o qual muito influi a forma como o piano de Mulgrew Miller serve de ponte entre os vários músicos, quase como se fosse quem comanda os arranjos, onde o saxofone de António Hart é incontronável.Seis dos nove temas vêm de discos anteriores de Holland, três são inéditos. O que cativa neste registo é a simplicidade e a elegância da interpretação, uma estilização cada vez mais acentuada nestes últimos tempos da longa e variada carreira do contrabaixista Dave Holland. Um dos grandes discos de jazz do ano. (Pass It On, The Dave Holland Sextet, CD Emarcy/ Universal).
LER – Boa surpresa a edição portuguesa da revista «Foreign Policy» (que pertence ao grupo «Washington Post»), e que se edita de dois em dois meses, indo no seu sétimo número. Confesso que não a conhecia e fiquei cliente. Nesta edição, de Dezembro-Janeiro, temos um belíssimo artigo de João César das Neves sobre a crise financeira e um ranking das 60 cidades mais globais do planeta, apara além de uma série de bons artigos sobre religião, a Europa ou a Guerra do Iraque. A edição portuguesa é dirigida por José Nunes Pereira e Luís Fonseca.
NOVIDADE – Na Bica do Sapato agora há cozido à portuguesa todos os dias. Quem já provou gosta, destaca a qualidade dos enchidos e das carnes e a vistosa sobriedade dos acompanhamentos. A lista tem mais algumas novidades como um belo pato confitado e uns filetes com legumes, ambos comprovadamente a merecerem elogios. Nas sobremesas prove a finíssima tarte de maçã com gelado de alfarroba, é uma combinação irresistível. Cais da Pedra, Junto a Santa Apolónia, telefone 218810320.
BACK TO BASICS – O Presente é a única coisa que não tem fim – Erwin Schrodinger.
ABSURDO - Por muito que me esforce não consigo compreender como foi possível que grandes bancos, conceituados analistas, consultores de prestígio e especialistas em avaliações, fossem ludibriados ao longo de anos pelos fundos de Bernard Madoff. A única explicação é uma enorme ingenuidade, uma crença acrítica nas possibilidades de gerar mais valias milagrosas, um desfasamento total da economia e do mundo real, e, sobretudo, uma vida passada no universo das ilusões financeiras, de produtos especulativos e não produtivos, de previsões e não de realidades. Madoff é afinal apenas o retrato do absurdo que nas últimas décadas moveu a economia: especulação, especulação, especulação e produtividade zero.
MISTERIOSO - Existe um curso do INDEG que me chamou a atenção: «Pós Graduação em Empreendedorismo Cultural e Criativo», feito em colaboração entre essa Universidade e o Ministério da Cultura. Um amigo meu, que esteve na sessão de apresentação do curso aos putativos candidatos disse-me uma coisa extraordinária: num curso desta natureza ainda não se sabe quem constitui o corpo docente precisamente das disciplinas nucleares de Gestão da Cultura e Gestão de Organizações Culturais. Um dos responsáveis do curso, Luís Martins, afirmou na ocasião que seria o Ministério da Cultura a indicá-los (o que é estranho e pouco tranquilizante), mas não deu mostras de achar o conhecimento desses nomes relevante para a decisão dos candidatos – convenhamos que isto é um mistério. Na apresentação do curso que está na Internet também nada consta – e tão pouco uma linha que seja sobre questões tão cruciais nos dias de hoje como gestão de direitos de autor, negociação de royalties, utilizações multimédia de eventos ou gestão de patrocínios, para só citar algumas áreas que em matéria de empreendedorismo podem fazer alguma diferença. A menos que o curso não seja para empreendedores da área mas sim para candidatos a burocratas…
FRÁGIL - Logo à noite ainda pode assistir ao último concerto que Rodrigo Leão dá no Frágil, Rua da Atalaia 126. Celina da Piedade, Viviena Tupikova, Marco Pereira e Miguel Fernandes acompanham Rodrigo Leão. Enquanto o concerto decorre pode ser vista a exposição «Tacto» de Filipa Sottomayor. Ver e ouvir Rodrigo Leão ao vivo num espaço como aquele é uma raridade a não perder.
LER - Gonçalo M. Tavares tem uma abundante (e genericamente interessante) produção literária. Uma das facetas mais curiosas desta produção é a série a que chama «Cadernos» e em que simula delirantes e irresistíveis conversas com figuras da literatura mundial – Paul Valéry, André Breton, Bertolt Brecht ou Ítalo Calvino, entre outros. Nesta série acabei de me deliciar a ler «O Senhor Breton», uma entrevista imaginária, muito oportuna dada a circunstância de vivermos numa época completamente surrealista nos mais variados aspectos. A escrita de Gonçalo M. Tavares trabalha as palavras, usa-as com gôzo e manobra-as de forma hábil – na realidade torna-se um prazer lê-lo. O livro tem ainda um atractivo suplementar: os desenhos de Rachel Caiano.. Edição Caminho, 56 páginas.
VER - Por estes dias pode valer a pena uma visita à Galeria Antiks onde está desde ontem uma nova exposição de fotografias de Gundula Friese, incluindo uma remontagem da série «O Segredo» , que inclui 13 obras, apresentadas em conjunto, e ainda uma rara série de pinturas «a quatro mãos» da dupla «Combinatione Arrabbiatica», dos artistas Axel Heil e Uwe Lindau. Ao mesmo tempo estão patentes obras representativas da arte portuguesa nos anos 60 e 70, da cuidada colecção da Galeri Antiks Design (Rua Mouzinho da Silveira 2, frente à Cinemateca Portuguesa). Mais informações em www.antiksdesign.com .
ESCUTAR - Uma das boas surpresas deste Natal é o primeiro disco de Rui Reininho a solo, um sopro de frescura nas edições portuguesas deste ano. O início de carreiras a solo, nesta fase da vida, de membros de grupos que foram históricos, é sempre um risco, mas a verdade é que Reininho se sai muito bem da expedição. É de bom tom reconhecer que Armando Teixeira, dos Balla, nos comandos da produção musical, foi uma inteligente escolha – e eficaz porque é sem dúvida dos mais versáteis e eficazes músicos contemporâneos portugueses. Reininho assina todas as letras , deliciosas, desde «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», até «Dr. Optimista» e «Yoko Mono», passando por «Turbina & Moça», e sobretudo por um tema que – aposto – vai virar clássico: «Al Fakir». O disco inclui versões (Bem Bom», das Doce e «Faz Parte do Meu Show» do romântico brasileiro Cazuza, e temas inéditos, para além de Armando Teixeira, de Slimmy, Margarida Pinto (Coldfinger), Legendary Tiger Man, New Max, Alexandre Soares e Rodrigo Leão. Melhor leque era quse impossível. E o resultado é, de facto, muito bom. Rui Reininho, «Companhia das Índias», CD Sony Music.
PROVAR - Ao longo dos últimos meses tenho visto numerosas referências ao restaurante Bocca, que abriu em Lisboa há uns meses, na Rua Rodrigo da Fonseca nº87-D, no local onde durante anos existiu o Chester. A decoração é completamente nova e muito conseguida, há zona de fumadores e não fumadores, o ambiente e a luz são agradáveis. O aspecto geral é melhor que o resultado culinário, simpático mas sem grande história, um pouco pretencioso demais na apresentação em carta e em prato. Num jantar foram provados uns filetes de peixe galo e um risotto que não ultrapassaram a mediania. A carta de vinhos é curta mas com propostas equilibradas e de boa relação qualidade-preço. Resumo – local simpático mas longe de ser um templo da gastronomia. Tel. 213808383.
BACK TO BASICS – A verdade é aquilo que passa o teste da experiência – Albert Einstein.