BOM – A persistente atitude do CDS no Parlamento, a marcar a agenda, a obrigar à presença de quem o PS procura evitar que se explique perante os deputados. Praticamente a única oposição visível.
MAU – A machadada no ensino artístico que a actual Ministra da Educação pretende fazer no âmbito da reestruturação do sistema educativo português. Uma das faces já visíveis é o fim do ensino especializado da música.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Um agente da PSP, do Porto, fazia horas extraordinárias como segurança numa casa dedicada à prostituição. Depois admiram-se que a polícia crie desconfianças nos cidadãos…
PESADELO – A proliferação recente de «lounges», na generalidade sem pinta de graça, a maior parte com música fracota demasiado alta, e as mais das vezes muito fracos – mas mesmo muito – do ponto de vista do serviço e do ponto de vista da qualidade da comida servida. Não basta um arquitecto copista, uma imitação de DJ, umas roupas engraçadas e um ar antipático para fazer um local de atendimento público. Toda esta gente que anda a copiar «lounges» deveria estagiar um ano a lavar pratos em Nova Iorque para perceber como o sorriso, a simpatia e a qualidade do serviço são a única possibilidade de ter algum sucesso. Os «lounges» de agora são a versão contemporânea dos snack bares de balcão cromado dos anos 70, com a agravante de o serviço ser pior.
DESCOBRIR – O novo blog de Patrícia Reis. Short stories fantásticas, imagens bem escolhidas. A ver em www.vaocombate.blogspot.com.
PETISCAR – Os crackers e biscoitos dos Paladares de S. Sebastião, um misto entre padaria e restaurante a cair para o self service. Nas comidas destaque-surpresa para uma versão portuguesa (na envolvente e no recheio) do strudel – nesta caso um strudel de bacalhau num pão de mistura com o formato da chapata. Rua de São Sebastião da Pedreira 25 A. Não há reservas, senta-se quem chega primeiro. À saída compre um pacote de crackers ou de biscoitos.
VER – Natxo Checa é o curador da exposição «Abissologia» , de João Maria Gusmão e Pedro Paiva,, uma produção da galeria a Zé dos Bois no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, até 7 de Fevereiro.
LER – Neste tempo em que as revistas se segmentam cada vez mais, é curioso seguir a «L’Arte», uma muito bem elaborada revista sobre o mundo das artes plásticas. Polémica, incisiva, bem informada, a «L’Arte» é leitura indispensável para todos quantos gostam de seguir as exposições que as diversas galerias apresentam, de estar a par dos principais leilões e de perceber o valor relativo dos vários artistas no mercado.
OUVIR – Confesso que tenho uma recorrente paixão pela sonoridade de Philip Glass e admito com toda a facilidade que as palavras de Leonard Cohen sempre me emocionaram. Quando estes dois nomes se juntam para fazer música, o resultado merece ser ouvido. Estava algures entre o receio e a curiosidade quando coloquei a tocar «Book Of Longing», o registo de um espectáculo concebido por Glass e Cohen e estreado ao vivo no Festival de Spoleto, nos Estados Unidos. A ideia foi baseada num livro, com o mesmo título, com poemas e desenhos de Leonard Cohen, editado em meados de 2006. Trata-se da primeira recolha de poemas de Cohen em 20 anos, desde que tinha editado «Book Of Silence». Neste «Book Of Longing», Glass teve a ideia de partir das palavras de Cohen para criar uma obra musical, fazendo-se rodear de instrumentistas e cantores de géneros diversos (do rock à música clássica). A apresentação ao vivo, em estreia, ocorreu há cerca de um ano e estreou e no final do ano passado surgiu a edição em disco, acompanhada de um livrinho com os poemas e alguns dos desenhos de Cohen. Ao todo são 22 canções fantásticas - e algumas delas inesperadas. Cohen surge no disco declamando alguns dos seus poemas ou fazendo curtas introduções. Glass, ele próprio, toca teclas. Duplo CD, Edição Omm, comprada na Amazon.
PERGUNTANDO – O que é que Scolari anda a fazer? A tentar ser o seleccionador dos fiascos?
BACK TO BASICS – Estar na política é um pouco como ser treinador de futebol: tem que se ser suficientemente esperto para perceber o jogo e estúpido ao ponto de se achar que é uma actividade importante (Eugene McCarthy)
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
fevereiro 12, 2008
BOM – A persistente atitude do CDS no Parlamento, a marcar a agenda, a obrigar à presença de quem o PS procura evitar que se explique perante os deputados. Praticamente a única oposição visível.
MAU – A machadada no ensino artístico que a actual Ministra da Educação pretende fazer no âmbito da reestruturação do sistema educativo português. Uma das faces já visíveis é o fim do ensino especializado da música.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Um agente da PSP, do Porto, fazia horas extraordinárias como segurança numa casa dedicada à prostituição. Depois admiram-se que a polícia crie desconfianças nos cidadãos…
PESADELO – A proliferação recente de «lounges», na generalidade sem pinta de graça, a maior parte com música fracota demasiado alta, e as mais das vezes muito fracos – mas mesmo muito – do ponto de vista do serviço e do ponto de vista da qualidade da comida servida. Não basta um arquitecto copista, uma imitação de DJ, umas roupas engraçadas e um ar antipático para fazer um local de atendimento público. Toda esta gente que anda a copiar «lounges» deveria estagiar um ano a lavar pratos em Nova Iorque para perceber como o sorriso, a simpatia e a qualidade do serviço são a única possibilidade de ter algum sucesso. Os «lounges» de agora são a versão contemporânea dos snack bares de balcão cromado dos anos 70, com a agravante de o serviço ser pior.
DESCOBRIR – O novo blog de Patrícia Reis. Short stories fantásticas, imagens bem escolhidas. A ver em www.vaocombate.blogspot.com.
PETISCAR – Os crackers e biscoitos dos Paladares de S. Sebastião, um misto entre padaria e restaurante a cair para o self service. Nas comidas destaque-surpresa para uma versão portuguesa (na envolvente e no recheio) do strudel – nesta caso um strudel de bacalhau num pão de mistura com o formato da chapata. Rua de São Sebastião da Pedreira 25 A. Não há reservas, senta-se quem chega primeiro. À saída compre um pacote de crackers ou de biscoitos.
VER – Natxo Checa é o curador da exposição «Abissologia» , de João Maria Gusmão e Pedro Paiva,, uma produção da galeria a Zé dos Bois no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, até 7 de Fevereiro.
LER – Neste tempo em que as revistas se segmentam cada vez mais, é curioso seguir a «L’Arte», uma muito bem elaborada revista sobre o mundo das artes plásticas. Polémica, incisiva, bem informada, a «L’Arte» é leitura indispensável para todos quantos gostam de seguir as exposições que as diversas galerias apresentam, de estar a par dos principais leilões e de perceber o valor relativo dos vários artistas no mercado.
OUVIR – Confesso que tenho uma recorrente paixão pela sonoridade de Philip Glass e admito com toda a facilidade que as palavras de Leonard Cohen sempre me emocionaram. Quando estes dois nomes se juntam para fazer música, o resultado merece ser ouvido. Estava algures entre o receio e a curiosidade quando coloquei a tocar «Book Of Longing», o registo de um espectáculo concebido por Glass e Cohen e estreado ao vivo no Festival de Spoleto, nos Estados Unidos. A ideia foi baseada num livro, com o mesmo título, com poemas e desenhos de Leonard Cohen, editado em meados de 2006. Trata-se da primeira recolha de poemas de Cohen em 20 anos, desde que tinha editado «Book Of Silence». Neste «Book Of Longing», Glass teve a ideia de partir das palavras de Cohen para criar uma obra musical, fazendo-se rodear de instrumentistas e cantores de géneros diversos (do rock à música clássica). A apresentação ao vivo, em estreia, ocorreu há cerca de um ano e estreou e no final do ano passado surgiu a edição em disco, acompanhada de um livrinho com os poemas e alguns dos desenhos de Cohen. Ao todo são 22 canções fantásticas - e algumas delas inesperadas. Cohen surge no disco declamando alguns dos seus poemas ou fazendo curtas introduções. Glass, ele próprio, toca teclas. Duplo CD, Edição Omm, comprada na Amazon.
PERGUNTANDO – O que é que Scolari anda a fazer? A tentar ser o seleccionador dos fiascos?
BACK TO BASICS – Estar na política é um pouco como ser treinador de futebol: tem que se ser suficientemente esperto para perceber o jogo e estúpido ao ponto de se achar que é uma actividade importante (Eugene McCarthy)
MAU – A machadada no ensino artístico que a actual Ministra da Educação pretende fazer no âmbito da reestruturação do sistema educativo português. Uma das faces já visíveis é o fim do ensino especializado da música.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Um agente da PSP, do Porto, fazia horas extraordinárias como segurança numa casa dedicada à prostituição. Depois admiram-se que a polícia crie desconfianças nos cidadãos…
PESADELO – A proliferação recente de «lounges», na generalidade sem pinta de graça, a maior parte com música fracota demasiado alta, e as mais das vezes muito fracos – mas mesmo muito – do ponto de vista do serviço e do ponto de vista da qualidade da comida servida. Não basta um arquitecto copista, uma imitação de DJ, umas roupas engraçadas e um ar antipático para fazer um local de atendimento público. Toda esta gente que anda a copiar «lounges» deveria estagiar um ano a lavar pratos em Nova Iorque para perceber como o sorriso, a simpatia e a qualidade do serviço são a única possibilidade de ter algum sucesso. Os «lounges» de agora são a versão contemporânea dos snack bares de balcão cromado dos anos 70, com a agravante de o serviço ser pior.
DESCOBRIR – O novo blog de Patrícia Reis. Short stories fantásticas, imagens bem escolhidas. A ver em www.vaocombate.blogspot.com.
PETISCAR – Os crackers e biscoitos dos Paladares de S. Sebastião, um misto entre padaria e restaurante a cair para o self service. Nas comidas destaque-surpresa para uma versão portuguesa (na envolvente e no recheio) do strudel – nesta caso um strudel de bacalhau num pão de mistura com o formato da chapata. Rua de São Sebastião da Pedreira 25 A. Não há reservas, senta-se quem chega primeiro. À saída compre um pacote de crackers ou de biscoitos.
VER – Natxo Checa é o curador da exposição «Abissologia» , de João Maria Gusmão e Pedro Paiva,, uma produção da galeria a Zé dos Bois no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, até 7 de Fevereiro.
LER – Neste tempo em que as revistas se segmentam cada vez mais, é curioso seguir a «L’Arte», uma muito bem elaborada revista sobre o mundo das artes plásticas. Polémica, incisiva, bem informada, a «L’Arte» é leitura indispensável para todos quantos gostam de seguir as exposições que as diversas galerias apresentam, de estar a par dos principais leilões e de perceber o valor relativo dos vários artistas no mercado.
OUVIR – Confesso que tenho uma recorrente paixão pela sonoridade de Philip Glass e admito com toda a facilidade que as palavras de Leonard Cohen sempre me emocionaram. Quando estes dois nomes se juntam para fazer música, o resultado merece ser ouvido. Estava algures entre o receio e a curiosidade quando coloquei a tocar «Book Of Longing», o registo de um espectáculo concebido por Glass e Cohen e estreado ao vivo no Festival de Spoleto, nos Estados Unidos. A ideia foi baseada num livro, com o mesmo título, com poemas e desenhos de Leonard Cohen, editado em meados de 2006. Trata-se da primeira recolha de poemas de Cohen em 20 anos, desde que tinha editado «Book Of Silence». Neste «Book Of Longing», Glass teve a ideia de partir das palavras de Cohen para criar uma obra musical, fazendo-se rodear de instrumentistas e cantores de géneros diversos (do rock à música clássica). A apresentação ao vivo, em estreia, ocorreu há cerca de um ano e estreou e no final do ano passado surgiu a edição em disco, acompanhada de um livrinho com os poemas e alguns dos desenhos de Cohen. Ao todo são 22 canções fantásticas - e algumas delas inesperadas. Cohen surge no disco declamando alguns dos seus poemas ou fazendo curtas introduções. Glass, ele próprio, toca teclas. Duplo CD, Edição Omm, comprada na Amazon.
PERGUNTANDO – O que é que Scolari anda a fazer? A tentar ser o seleccionador dos fiascos?
BACK TO BASICS – Estar na política é um pouco como ser treinador de futebol: tem que se ser suficientemente esperto para perceber o jogo e estúpido ao ponto de se achar que é uma actividade importante (Eugene McCarthy)
fevereiro 07, 2008
O OUTRO LADO DA POLÍTICA CULTURAL
(Publicado no «Jornal de Negócios» de dia 7 de Fevereiro de 2008)
Os promotores de um abaixo-assinado contra a anterior Ministra da Cultura reclamavam que o Primeiro-Ministro prosseguisse uma política cultural «como a que foi seguida por Manuel Maria Carrilho». O pragmático José Sócrates, em parte fruto das circunstâncias, em parte porque nunca se encantou por Carrilho, resolveu proporcionar-lhes uma política cultural do género Joe Berardo.
Na realidade Manuel Maria Carrilho é apenas um insinuante diletante que a única coisa que fez, enquanto Ministro da Cultura, foi a distribuição clientelar de subsídios. Carrilho é estimado porque, à falta de uma política cultural, procedeu à distribuição de fundos públicos por um grupo restrito – mas influente – de agentes artísticos de diversos sectores. A uns efectivamente subsidiou, a muitos outros apenas prometeu.
Passemos agora aos tempos que hoje vivemos. O actual assessor cultural do Primeiro-Ministro é Alexandre Melo, um bem informado crítico de artes plásticas que por acaso foi um dos conselheiros das aquisições do acervo de arte contemporânea da colecção Berardo; o novo Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, é um prestigiado advogado e reconhecido humanista, com boa reputação em direito comercial, por acaso até agora administrador da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo e pessoa próxima do Comendador.
Se existe uma linha Joe Berardo na área cultural, ela pode, resumidamente, descrever-se assim: Berardo é bom exemplo da utilização da cultura para criar uma imagem, obter aliados, abrir portas, ganhar legitimação e fazer negócio. O novo Ministro da Cultura e o Ministro da Economia têm aliás bastante a aprender com ele nesta matéria. O único problema é que o Comendador quis – e conseguiu – fazer com que o Estado alinhasse num discutível negócio sobre a manutenção da sua colecção de arte contemporânea em Portugal.
Do novo Ministro espera-se que não seja um novo Carrilho, que rompa com a inevitabilidade de se resumir a Cultura a uma política conjuntural de subsídios, e que tenha a coragem de implementar políticas e conseguir que o Governo encare a cultura de forma diferente. A arte e a cultura – isto é muitas vezes esquecido - são fundamentais não só para fomentar o estimulo dos sentidos e o prazer da mente, mas também para criar postos de trabalho e receitas, e ainda porque permitem a um país ganhar vantagem competitiva em relação a outros países e regiões.
AS CINCO ÁREAS SENSÍVEIS
1 - O primeiro dos trabalhos do novo Ministro da Cultura, por uma questão de independência de postura, devia ser o de resolver o imbróglio do enxerto do Museu Berardo no CCB, decisão precipitada que subverteu a vocação do Centro Cultural de Belém. Na realidade este Ministro da Cultura está numa boa posição para juntar as peças que antes foi impossível colar: do lado do Município de Lisboa a posse de um Pavilhão de Portugal que permanece desocupado e de duas colecções (de Moda e Design) sem local para onde irem, quando fazia todo o sentido colocá-las próximas ao Museu Berardo. Um Museu Contemporâneo instalado no Pavilhão de Portugal – aberto, dinâmico e polifacetado - seria um factor agregador e um elemento de dinamização turística de toda a cidade e do país. Enquanto figura com ligações ao Comendador Berardo e apoiante público do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, seria lógico que o novo Ministro se empenhasse em mostrar como se podem conciliar interesses para o bem comum – uma atitude cívica que aliás José António Pinto Ribeiro gosta de professar. Este entendimento com as autarquias – estimulando o que de bom existe e evitando guerras paroquiais – podia ser peça fundamental de uma política cultural inteligente.
2- O segundo trabalho que tem pela frente é o mais complicado de todos: convencer o Primeiro Ministro que, antes de aumentar o orçamento da Cultura, vale a pena pensar como ele pode ser estimulado, do exterior, pelos privados. Neste domínio há várias questões, a maior parte dependente das Finanças: diminuição do IVA sobre produtos culturais, incentivos fiscais para atrair investimento nas indústrias culturais (no sentido lato, de actividades criativas, que a Comunidade Europeia tem vindo a adoptar). Vou só dar um exemplo: Portugal continua a ser dos poucos países europeus a não ter uma Film Commission nacional – e porquê? Porque sem incentivos fiscais ninguém cá virá filmar por melhor que seja a luz e o clima: basta ver que nenhum produtor internacional aceitará um IVA como o que temos.
Neste capítulo tomemos o exemplo da música gravada: o IVA é de 21% (5% em Espanha), no entanto os maiores cartazes culturais de Portugal no estrangeiro vêm da área da música: Amália, Madredeus, Marisa. Não seria interessante, rever a carga fiscal no sector por forma a estimular o consumo e o surgimento de novos artistas?
3- No terceiro ponto da lista de preocupações vem a coordenação interministerial. Quais as áreas mais sensíveis? Para além das Finanças, já acima referidas, surge logo a Economia (que inclui o Turismo) e em que o Ministro Manuel Pinho – como se viu recentemente em Madrid com a bem sucedida operação centrada na escultura de Joana Vasconcelos - tem tentado desenvolver uma estratégia baseada na criação de uma imagem, em obter aliados, abrir portas e fazer negócio – tudo com base em produtos culturais. O pior que poderia acontecer seria termos dois Ministros em competição na área da Cultura: um a atribuir subsídios e outro a promover os criadores portugueses e a imagem do país.
Mas, depois, existe a área da Educação, existe a área da Comunicação (que domina o sensível e decisivo dossier do audiovisual, nomeadamente o serviço público de televisão), e existe a área dos Negócios Estrangeiros – a cultura de um país é, ou não, uma importante arma diplomática?
4- O quarto ponto, que se prende com o MNE, é a pedra de toque para o futuro: colocar Portugal como a plataforma da divulgação da criação dos estados de língua portuguesa, um centro de difusão multicultural único na Europa.
5- Finalmente, um outro ponto importante é a questão da salvaguarda do património mais recente. Que os Jerónimos ou o Mosteiro da Batalha merecem ser preservados, todos estão de acordo. Neste ano, em que se assinala o centenário de Maria Helena Vieira da Silva, fazia sentido que o Ministério da Cultura resolvesse a questão da integração definitiva das suas obras da colecção Jorge de Brito no espólio do Museu Arpad-Szènes-Vieira da Silva – e já agora que o Museu tivesse mais condições de funcionamento.
Esta questão remete-nos para um tema de fundo: sem dinheiro do orçamento de Estado como resolver tudo isto? Estude-se o exemplo britânico do Art Fund, uma organização, que, baseada num regime fiscal excepcional em relação às contribuições de privados, tem por objectivo principal assegurar a compra, para depósito em museus britânicos, de peças importantes.
E já que estamos no Reino Unido sugiro que se estude bem o funcionamento do Arts Council – o organismo responsável pelos financiamentos das artes e que entre 2008 e 2011 distribuirá 1,3 mil milhões de libras, proveniente do Orçamento de Estado mas também das contribuições do jogo e da lotaria. É um sistema baseado no desempenho, na capacidade de fazer chegar a criação artística aos públicos, de fomentar mecanismos de distribuição e de marketing.
Uma interessante iniciativa do Arts Council que merecia ser vista de perto é o «Own Art», um programa de financiamento sem juros, feito em parceria com determinados bancos patrocinadores, com o objectivo de incentivar as pessoas a comprarem arte – pintura, fotografia, escultura, artes decorativas. Podem ser compradas peças entre 150 e 3000 euros, pagáveis em dez prestações mensais sem juros. O objectivo é que as pessoas possam fazer das artes parte do seu quotidiano, mas também ajudar os artistas a viver daquilo que criam.
A grande questão que se coloca ao Ministério da Cultura é a de saber se quer gerir o status quo dos concursos de subsídios e de preservação do património histórico edificado ou se, verdadeiramente, quer desenvolver novas políticas. Ou, melhor, criar pela primeira vez nos últimos anos uma política cultural articulada que potencie os equipamentos existentes, estimule a criatividade e sirva para reposicionar a imagem de Portugal no mundo.
(Publicado no «Jornal de Negócios» de dia 7 de Fevereiro de 2008)
Os promotores de um abaixo-assinado contra a anterior Ministra da Cultura reclamavam que o Primeiro-Ministro prosseguisse uma política cultural «como a que foi seguida por Manuel Maria Carrilho». O pragmático José Sócrates, em parte fruto das circunstâncias, em parte porque nunca se encantou por Carrilho, resolveu proporcionar-lhes uma política cultural do género Joe Berardo.
Na realidade Manuel Maria Carrilho é apenas um insinuante diletante que a única coisa que fez, enquanto Ministro da Cultura, foi a distribuição clientelar de subsídios. Carrilho é estimado porque, à falta de uma política cultural, procedeu à distribuição de fundos públicos por um grupo restrito – mas influente – de agentes artísticos de diversos sectores. A uns efectivamente subsidiou, a muitos outros apenas prometeu.
Passemos agora aos tempos que hoje vivemos. O actual assessor cultural do Primeiro-Ministro é Alexandre Melo, um bem informado crítico de artes plásticas que por acaso foi um dos conselheiros das aquisições do acervo de arte contemporânea da colecção Berardo; o novo Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, é um prestigiado advogado e reconhecido humanista, com boa reputação em direito comercial, por acaso até agora administrador da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo e pessoa próxima do Comendador.
Se existe uma linha Joe Berardo na área cultural, ela pode, resumidamente, descrever-se assim: Berardo é bom exemplo da utilização da cultura para criar uma imagem, obter aliados, abrir portas, ganhar legitimação e fazer negócio. O novo Ministro da Cultura e o Ministro da Economia têm aliás bastante a aprender com ele nesta matéria. O único problema é que o Comendador quis – e conseguiu – fazer com que o Estado alinhasse num discutível negócio sobre a manutenção da sua colecção de arte contemporânea em Portugal.
Do novo Ministro espera-se que não seja um novo Carrilho, que rompa com a inevitabilidade de se resumir a Cultura a uma política conjuntural de subsídios, e que tenha a coragem de implementar políticas e conseguir que o Governo encare a cultura de forma diferente. A arte e a cultura – isto é muitas vezes esquecido - são fundamentais não só para fomentar o estimulo dos sentidos e o prazer da mente, mas também para criar postos de trabalho e receitas, e ainda porque permitem a um país ganhar vantagem competitiva em relação a outros países e regiões.
AS CINCO ÁREAS SENSÍVEIS
1 - O primeiro dos trabalhos do novo Ministro da Cultura, por uma questão de independência de postura, devia ser o de resolver o imbróglio do enxerto do Museu Berardo no CCB, decisão precipitada que subverteu a vocação do Centro Cultural de Belém. Na realidade este Ministro da Cultura está numa boa posição para juntar as peças que antes foi impossível colar: do lado do Município de Lisboa a posse de um Pavilhão de Portugal que permanece desocupado e de duas colecções (de Moda e Design) sem local para onde irem, quando fazia todo o sentido colocá-las próximas ao Museu Berardo. Um Museu Contemporâneo instalado no Pavilhão de Portugal – aberto, dinâmico e polifacetado - seria um factor agregador e um elemento de dinamização turística de toda a cidade e do país. Enquanto figura com ligações ao Comendador Berardo e apoiante público do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, seria lógico que o novo Ministro se empenhasse em mostrar como se podem conciliar interesses para o bem comum – uma atitude cívica que aliás José António Pinto Ribeiro gosta de professar. Este entendimento com as autarquias – estimulando o que de bom existe e evitando guerras paroquiais – podia ser peça fundamental de uma política cultural inteligente.
2- O segundo trabalho que tem pela frente é o mais complicado de todos: convencer o Primeiro Ministro que, antes de aumentar o orçamento da Cultura, vale a pena pensar como ele pode ser estimulado, do exterior, pelos privados. Neste domínio há várias questões, a maior parte dependente das Finanças: diminuição do IVA sobre produtos culturais, incentivos fiscais para atrair investimento nas indústrias culturais (no sentido lato, de actividades criativas, que a Comunidade Europeia tem vindo a adoptar). Vou só dar um exemplo: Portugal continua a ser dos poucos países europeus a não ter uma Film Commission nacional – e porquê? Porque sem incentivos fiscais ninguém cá virá filmar por melhor que seja a luz e o clima: basta ver que nenhum produtor internacional aceitará um IVA como o que temos.
Neste capítulo tomemos o exemplo da música gravada: o IVA é de 21% (5% em Espanha), no entanto os maiores cartazes culturais de Portugal no estrangeiro vêm da área da música: Amália, Madredeus, Marisa. Não seria interessante, rever a carga fiscal no sector por forma a estimular o consumo e o surgimento de novos artistas?
3- No terceiro ponto da lista de preocupações vem a coordenação interministerial. Quais as áreas mais sensíveis? Para além das Finanças, já acima referidas, surge logo a Economia (que inclui o Turismo) e em que o Ministro Manuel Pinho – como se viu recentemente em Madrid com a bem sucedida operação centrada na escultura de Joana Vasconcelos - tem tentado desenvolver uma estratégia baseada na criação de uma imagem, em obter aliados, abrir portas e fazer negócio – tudo com base em produtos culturais. O pior que poderia acontecer seria termos dois Ministros em competição na área da Cultura: um a atribuir subsídios e outro a promover os criadores portugueses e a imagem do país.
Mas, depois, existe a área da Educação, existe a área da Comunicação (que domina o sensível e decisivo dossier do audiovisual, nomeadamente o serviço público de televisão), e existe a área dos Negócios Estrangeiros – a cultura de um país é, ou não, uma importante arma diplomática?
4- O quarto ponto, que se prende com o MNE, é a pedra de toque para o futuro: colocar Portugal como a plataforma da divulgação da criação dos estados de língua portuguesa, um centro de difusão multicultural único na Europa.
5- Finalmente, um outro ponto importante é a questão da salvaguarda do património mais recente. Que os Jerónimos ou o Mosteiro da Batalha merecem ser preservados, todos estão de acordo. Neste ano, em que se assinala o centenário de Maria Helena Vieira da Silva, fazia sentido que o Ministério da Cultura resolvesse a questão da integração definitiva das suas obras da colecção Jorge de Brito no espólio do Museu Arpad-Szènes-Vieira da Silva – e já agora que o Museu tivesse mais condições de funcionamento.
Esta questão remete-nos para um tema de fundo: sem dinheiro do orçamento de Estado como resolver tudo isto? Estude-se o exemplo britânico do Art Fund, uma organização, que, baseada num regime fiscal excepcional em relação às contribuições de privados, tem por objectivo principal assegurar a compra, para depósito em museus britânicos, de peças importantes.
E já que estamos no Reino Unido sugiro que se estude bem o funcionamento do Arts Council – o organismo responsável pelos financiamentos das artes e que entre 2008 e 2011 distribuirá 1,3 mil milhões de libras, proveniente do Orçamento de Estado mas também das contribuições do jogo e da lotaria. É um sistema baseado no desempenho, na capacidade de fazer chegar a criação artística aos públicos, de fomentar mecanismos de distribuição e de marketing.
Uma interessante iniciativa do Arts Council que merecia ser vista de perto é o «Own Art», um programa de financiamento sem juros, feito em parceria com determinados bancos patrocinadores, com o objectivo de incentivar as pessoas a comprarem arte – pintura, fotografia, escultura, artes decorativas. Podem ser compradas peças entre 150 e 3000 euros, pagáveis em dez prestações mensais sem juros. O objectivo é que as pessoas possam fazer das artes parte do seu quotidiano, mas também ajudar os artistas a viver daquilo que criam.
A grande questão que se coloca ao Ministério da Cultura é a de saber se quer gerir o status quo dos concursos de subsídios e de preservação do património histórico edificado ou se, verdadeiramente, quer desenvolver novas políticas. Ou, melhor, criar pela primeira vez nos últimos anos uma política cultural articulada que potencie os equipamentos existentes, estimule a criatividade e sirva para reposicionar a imagem de Portugal no mundo.
Untitled
O OUTRO LADO DA POLÍTICA CULTURAL
(Publicado no «Jornal de Negócios» de dia 7 de Fevereiro de 2008)
Os promotores de um abaixo-assinado contra a anterior Ministra da Cultura reclamavam que o Primeiro-Ministro prosseguisse uma política cultural «como a que foi seguida por Manuel Maria Carrilho». O pragmático José Sócrates, em parte fruto das circunstâncias, em parte porque nunca se encantou por Carrilho, resolveu proporcionar-lhes uma política cultural do género Joe Berardo.
Na realidade Manuel Maria Carrilho é apenas um insinuante diletante que a única coisa que fez, enquanto Ministro da Cultura, foi a distribuição clientelar de subsídios. Carrilho é estimado porque, à falta de uma política cultural, procedeu à distribuição de fundos públicos por um grupo restrito – mas influente – de agentes artísticos de diversos sectores. A uns efectivamente subsidiou, a muitos outros apenas prometeu.
Passemos agora aos tempos que hoje vivemos. O actual assessor cultural do Primeiro-Ministro é Alexandre Melo, um bem informado crítico de artes plásticas que por acaso foi um dos conselheiros das aquisições do acervo de arte contemporânea da colecção Berardo; o novo Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, é um prestigiado advogado e reconhecido humanista, com boa reputação em direito comercial, por acaso até agora administrador da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo e pessoa próxima do Comendador.
Se existe uma linha Joe Berardo na área cultural, ela pode, resumidamente, descrever-se assim: Berardo é bom exemplo da utilização da cultura para criar uma imagem, obter aliados, abrir portas, ganhar legitimação e fazer negócio. O novo Ministro da Cultura e o Ministro da Economia têm aliás bastante a aprender com ele nesta matéria. O único problema é que o Comendador quis – e conseguiu – fazer com que o Estado alinhasse num discutível negócio sobre a manutenção da sua colecção de arte contemporânea em Portugal.
Do novo Ministro espera-se que não seja um novo Carrilho, que rompa com a inevitabilidade de se resumir a Cultura a uma política conjuntural de subsídios, e que tenha a coragem de implementar políticas e conseguir que o Governo encare a cultura de forma diferente. A arte e a cultura – isto é muitas vezes esquecido - são fundamentais não só para fomentar o estimulo dos sentidos e o prazer da mente, mas também para criar postos de trabalho e receitas, e ainda porque permitem a um país ganhar vantagem competitiva em relação a outros países e regiões.
AS CINCO ÁREAS SENSÍVEIS
1 - O primeiro dos trabalhos do novo Ministro da Cultura, por uma questão de independência de postura, devia ser o de resolver o imbróglio do enxerto do Museu Berardo no CCB, decisão precipitada que subverteu a vocação do Centro Cultural de Belém. Na realidade este Ministro da Cultura está numa boa posição para juntar as peças que antes foi impossível colar: do lado do Município de Lisboa a posse de um Pavilhão de Portugal que permanece desocupado e de duas colecções (de Moda e Design) sem local para onde irem, quando fazia todo o sentido colocá-las próximas ao Museu Berardo. Um Museu Contemporâneo instalado no Pavilhão de Portugal – aberto, dinâmico e polifacetado - seria um factor agregador e um elemento de dinamização turística de toda a cidade e do país. Enquanto figura com ligações ao Comendador Berardo e apoiante público do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, seria lógico que o novo Ministro se empenhasse em mostrar como se podem conciliar interesses para o bem comum – uma atitude cívica que aliás José António Pinto Ribeiro gosta de professar. Este entendimento com as autarquias – estimulando o que de bom existe e evitando guerras paroquiais – podia ser peça fundamental de uma política cultural inteligente.
2- O segundo trabalho que tem pela frente é o mais complicado de todos: convencer o Primeiro Ministro que, antes de aumentar o orçamento da Cultura, vale a pena pensar como ele pode ser estimulado, do exterior, pelos privados. Neste domínio há várias questões, a maior parte dependente das Finanças: diminuição do IVA sobre produtos culturais, incentivos fiscais para atrair investimento nas indústrias culturais (no sentido lato, de actividades criativas, que a Comunidade Europeia tem vindo a adoptar). Vou só dar um exemplo: Portugal continua a ser dos poucos países europeus a não ter uma Film Commission nacional – e porquê? Porque sem incentivos fiscais ninguém cá virá filmar por melhor que seja a luz e o clima: basta ver que nenhum produtor internacional aceitará um IVA como o que temos.
Neste capítulo tomemos o exemplo da música gravada: o IVA é de 21% (5% em Espanha), no entanto os maiores cartazes culturais de Portugal no estrangeiro vêm da área da música: Amália, Madredeus, Marisa. Não seria interessante, rever a carga fiscal no sector por forma a estimular o consumo e o surgimento de novos artistas?
3- No terceiro ponto da lista de preocupações vem a coordenação interministerial. Quais as áreas mais sensíveis? Para além das Finanças, já acima referidas, surge logo a Economia (que inclui o Turismo) e em que o Ministro Manuel Pinho – como se viu recentemente em Madrid com a bem sucedida operação centrada na escultura de Joana Vasconcelos - tem tentado desenvolver uma estratégia baseada na criação de uma imagem, em obter aliados, abrir portas e fazer negócio – tudo com base em produtos culturais. O pior que poderia acontecer seria termos dois Ministros em competição na área da Cultura: um a atribuir subsídios e outro a promover os criadores portugueses e a imagem do país.
Mas, depois, existe a área da Educação, existe a área da Comunicação (que domina o sensível e decisivo dossier do audiovisual, nomeadamente o serviço público de televisão), e existe a área dos Negócios Estrangeiros – a cultura de um país é, ou não, uma importante arma diplomática?
4- O quarto ponto, que se prende com o MNE, é a pedra de toque para o futuro: colocar Portugal como a plataforma da divulgação da criação dos estados de língua portuguesa, um centro de difusão multicultural único na Europa.
5- Finalmente, um outro ponto importante é a questão da salvaguarda do património mais recente. Que os Jerónimos ou o Mosteiro da Batalha merecem ser preservados, todos estão de acordo. Neste ano, em que se assinala o centenário de Maria Helena Vieira da Silva, fazia sentido que o Ministério da Cultura resolvesse a questão da integração definitiva das suas obras da colecção Jorge de Brito no espólio do Museu Arpad-Szènes-Vieira da Silva – e já agora que o Museu tivesse mais condições de funcionamento.
Esta questão remete-nos para um tema de fundo: sem dinheiro do orçamento de Estado como resolver tudo isto? Estude-se o exemplo britânico do Art Fund, uma organização, que, baseada num regime fiscal excepcional em relação às contribuições de privados, tem por objectivo principal assegurar a compra, para depósito em museus britânicos, de peças importantes.
E já que estamos no Reino Unido sugiro que se estude bem o funcionamento do Arts Council – o organismo responsável pelos financiamentos das artes e que entre 2008 e 2011 distribuirá 1,3 mil milhões de libras, proveniente do Orçamento de Estado mas também das contribuições do jogo e da lotaria. É um sistema baseado no desempenho, na capacidade de fazer chegar a criação artística aos públicos, de fomentar mecanismos de distribuição e de marketing.
Uma interessante iniciativa do Arts Council que merecia ser vista de perto é o «Own Art», um programa de financiamento sem juros, feito em parceria com determinados bancos patrocinadores, com o objectivo de incentivar as pessoas a comprarem arte – pintura, fotografia, escultura, artes decorativas. Podem ser compradas peças entre 150 e 3000 euros, pagáveis em dez prestações mensais sem juros. O objectivo é que as pessoas possam fazer das artes parte do seu quotidiano, mas também ajudar os artistas a viver daquilo que criam.
A grande questão que se coloca ao Ministério da Cultura é a de saber se quer gerir o status quo dos concursos de subsídios e de preservação do património histórico edificado ou se, verdadeiramente, quer desenvolver novas políticas. Ou, melhor, criar pela primeira vez nos últimos anos uma política cultural articulada que potencie os equipamentos existentes, estimule a criatividade e sirva para reposicionar a imagem de Portugal no mundo.
(Publicado no «Jornal de Negócios» de dia 7 de Fevereiro de 2008)
Os promotores de um abaixo-assinado contra a anterior Ministra da Cultura reclamavam que o Primeiro-Ministro prosseguisse uma política cultural «como a que foi seguida por Manuel Maria Carrilho». O pragmático José Sócrates, em parte fruto das circunstâncias, em parte porque nunca se encantou por Carrilho, resolveu proporcionar-lhes uma política cultural do género Joe Berardo.
Na realidade Manuel Maria Carrilho é apenas um insinuante diletante que a única coisa que fez, enquanto Ministro da Cultura, foi a distribuição clientelar de subsídios. Carrilho é estimado porque, à falta de uma política cultural, procedeu à distribuição de fundos públicos por um grupo restrito – mas influente – de agentes artísticos de diversos sectores. A uns efectivamente subsidiou, a muitos outros apenas prometeu.
Passemos agora aos tempos que hoje vivemos. O actual assessor cultural do Primeiro-Ministro é Alexandre Melo, um bem informado crítico de artes plásticas que por acaso foi um dos conselheiros das aquisições do acervo de arte contemporânea da colecção Berardo; o novo Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, é um prestigiado advogado e reconhecido humanista, com boa reputação em direito comercial, por acaso até agora administrador da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo e pessoa próxima do Comendador.
Se existe uma linha Joe Berardo na área cultural, ela pode, resumidamente, descrever-se assim: Berardo é bom exemplo da utilização da cultura para criar uma imagem, obter aliados, abrir portas, ganhar legitimação e fazer negócio. O novo Ministro da Cultura e o Ministro da Economia têm aliás bastante a aprender com ele nesta matéria. O único problema é que o Comendador quis – e conseguiu – fazer com que o Estado alinhasse num discutível negócio sobre a manutenção da sua colecção de arte contemporânea em Portugal.
Do novo Ministro espera-se que não seja um novo Carrilho, que rompa com a inevitabilidade de se resumir a Cultura a uma política conjuntural de subsídios, e que tenha a coragem de implementar políticas e conseguir que o Governo encare a cultura de forma diferente. A arte e a cultura – isto é muitas vezes esquecido - são fundamentais não só para fomentar o estimulo dos sentidos e o prazer da mente, mas também para criar postos de trabalho e receitas, e ainda porque permitem a um país ganhar vantagem competitiva em relação a outros países e regiões.
AS CINCO ÁREAS SENSÍVEIS
1 - O primeiro dos trabalhos do novo Ministro da Cultura, por uma questão de independência de postura, devia ser o de resolver o imbróglio do enxerto do Museu Berardo no CCB, decisão precipitada que subverteu a vocação do Centro Cultural de Belém. Na realidade este Ministro da Cultura está numa boa posição para juntar as peças que antes foi impossível colar: do lado do Município de Lisboa a posse de um Pavilhão de Portugal que permanece desocupado e de duas colecções (de Moda e Design) sem local para onde irem, quando fazia todo o sentido colocá-las próximas ao Museu Berardo. Um Museu Contemporâneo instalado no Pavilhão de Portugal – aberto, dinâmico e polifacetado - seria um factor agregador e um elemento de dinamização turística de toda a cidade e do país. Enquanto figura com ligações ao Comendador Berardo e apoiante público do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, seria lógico que o novo Ministro se empenhasse em mostrar como se podem conciliar interesses para o bem comum – uma atitude cívica que aliás José António Pinto Ribeiro gosta de professar. Este entendimento com as autarquias – estimulando o que de bom existe e evitando guerras paroquiais – podia ser peça fundamental de uma política cultural inteligente.
2- O segundo trabalho que tem pela frente é o mais complicado de todos: convencer o Primeiro Ministro que, antes de aumentar o orçamento da Cultura, vale a pena pensar como ele pode ser estimulado, do exterior, pelos privados. Neste domínio há várias questões, a maior parte dependente das Finanças: diminuição do IVA sobre produtos culturais, incentivos fiscais para atrair investimento nas indústrias culturais (no sentido lato, de actividades criativas, que a Comunidade Europeia tem vindo a adoptar). Vou só dar um exemplo: Portugal continua a ser dos poucos países europeus a não ter uma Film Commission nacional – e porquê? Porque sem incentivos fiscais ninguém cá virá filmar por melhor que seja a luz e o clima: basta ver que nenhum produtor internacional aceitará um IVA como o que temos.
Neste capítulo tomemos o exemplo da música gravada: o IVA é de 21% (5% em Espanha), no entanto os maiores cartazes culturais de Portugal no estrangeiro vêm da área da música: Amália, Madredeus, Marisa. Não seria interessante, rever a carga fiscal no sector por forma a estimular o consumo e o surgimento de novos artistas?
3- No terceiro ponto da lista de preocupações vem a coordenação interministerial. Quais as áreas mais sensíveis? Para além das Finanças, já acima referidas, surge logo a Economia (que inclui o Turismo) e em que o Ministro Manuel Pinho – como se viu recentemente em Madrid com a bem sucedida operação centrada na escultura de Joana Vasconcelos - tem tentado desenvolver uma estratégia baseada na criação de uma imagem, em obter aliados, abrir portas e fazer negócio – tudo com base em produtos culturais. O pior que poderia acontecer seria termos dois Ministros em competição na área da Cultura: um a atribuir subsídios e outro a promover os criadores portugueses e a imagem do país.
Mas, depois, existe a área da Educação, existe a área da Comunicação (que domina o sensível e decisivo dossier do audiovisual, nomeadamente o serviço público de televisão), e existe a área dos Negócios Estrangeiros – a cultura de um país é, ou não, uma importante arma diplomática?
4- O quarto ponto, que se prende com o MNE, é a pedra de toque para o futuro: colocar Portugal como a plataforma da divulgação da criação dos estados de língua portuguesa, um centro de difusão multicultural único na Europa.
5- Finalmente, um outro ponto importante é a questão da salvaguarda do património mais recente. Que os Jerónimos ou o Mosteiro da Batalha merecem ser preservados, todos estão de acordo. Neste ano, em que se assinala o centenário de Maria Helena Vieira da Silva, fazia sentido que o Ministério da Cultura resolvesse a questão da integração definitiva das suas obras da colecção Jorge de Brito no espólio do Museu Arpad-Szènes-Vieira da Silva – e já agora que o Museu tivesse mais condições de funcionamento.
Esta questão remete-nos para um tema de fundo: sem dinheiro do orçamento de Estado como resolver tudo isto? Estude-se o exemplo britânico do Art Fund, uma organização, que, baseada num regime fiscal excepcional em relação às contribuições de privados, tem por objectivo principal assegurar a compra, para depósito em museus britânicos, de peças importantes.
E já que estamos no Reino Unido sugiro que se estude bem o funcionamento do Arts Council – o organismo responsável pelos financiamentos das artes e que entre 2008 e 2011 distribuirá 1,3 mil milhões de libras, proveniente do Orçamento de Estado mas também das contribuições do jogo e da lotaria. É um sistema baseado no desempenho, na capacidade de fazer chegar a criação artística aos públicos, de fomentar mecanismos de distribuição e de marketing.
Uma interessante iniciativa do Arts Council que merecia ser vista de perto é o «Own Art», um programa de financiamento sem juros, feito em parceria com determinados bancos patrocinadores, com o objectivo de incentivar as pessoas a comprarem arte – pintura, fotografia, escultura, artes decorativas. Podem ser compradas peças entre 150 e 3000 euros, pagáveis em dez prestações mensais sem juros. O objectivo é que as pessoas possam fazer das artes parte do seu quotidiano, mas também ajudar os artistas a viver daquilo que criam.
A grande questão que se coloca ao Ministério da Cultura é a de saber se quer gerir o status quo dos concursos de subsídios e de preservação do património histórico edificado ou se, verdadeiramente, quer desenvolver novas políticas. Ou, melhor, criar pela primeira vez nos últimos anos uma política cultural articulada que potencie os equipamentos existentes, estimule a criatividade e sirva para reposicionar a imagem de Portugal no mundo.
SOBRE A MENTIRA NA POLÍTICA
(Publicado na edição de dia 6 de Fevereiro do diário «Meia Hora»)
O «Expresso» do passado dia 26 de Janeiro tinha na primeira página uma fotografia de Correia de Campos, então ainda Ministro da Saúde, com esta legenda: «Agarrado à cadeira, Correia de Campos explica em entrevista ao Expresso que não lhe passa pela cabeça sair do Governo».
Três dias depois, a 29, soube-se que o Ministro estava de saída do Governo. O gabinete do Primeiro Ministro distribuiu uma nota onde explicava que Correia de Campos saía do Governo «a seu pedido». No sábado passado o «Sol» dizia o que era a evidência: «Ministros remodelados não queriam sair» .
Vem isto a propósito da utilização da verdade, do recurso à mentira, da ética na política.
Que me lembre o actual Primeiro-Ministro contornou a verdade em várias ocasiões: ao dizer que não aumentaria impostos antes das eleições, ao dizer (também em eleições) que submeteria o eventual novo texto regulador da Comissão Europeia a referendo, ao dizer que não admitia para o novo aeroporto outra opção que não a Ota, ao dizer que não havia recebido o estudo do LNEC quando afinal já sabia o teor geral das suas conclusões, ao dizer no início do ano que não estava à vista nenhuma remodelação. Já nem falo das trapalhadas pessoais em que se envolveu com os detalhes sórdidos da conclusão da sua licenciatura, com o facto de existirem suspeitas de que teria feito assinaturas de favor em projectos de pessoas que estavam impedidas legalmente de os fazer, na eventualidade de ter indevidamente acumulado um subsídio de exclusividade durante parte de um seu mandato como deputado. Pior: perante factos ele clama, indignado, contra o que diz ser uma campanha movida contra si.
O retrato geral que ao fim deste tempo José Sócrates proporciona é o de alguém que não se preocupa nada em quebrar uma promessa eleitoral, que prefere deturpar, esconder ou esquivar-se a determinados factos sobre a sua pessoa ou a acção do Governo. Em suma, gastou o capital de confiança e já se começa a duvidar do que diz. Como se pode agora acreditar que as reformas são para continuar, se todos os sinais vão em sentido inverso? A política não tem que ser baseada na mentira – apesar de esta ser a linha geral a que infelizmente tantos políticos – e este Governo em particular – nos tem habituado. Em política a mentira é a mãe da demagogia. E demagogia é o que não falta ao presente executivo.
(Publicado na edição de dia 6 de Fevereiro do diário «Meia Hora»)
O «Expresso» do passado dia 26 de Janeiro tinha na primeira página uma fotografia de Correia de Campos, então ainda Ministro da Saúde, com esta legenda: «Agarrado à cadeira, Correia de Campos explica em entrevista ao Expresso que não lhe passa pela cabeça sair do Governo».
Três dias depois, a 29, soube-se que o Ministro estava de saída do Governo. O gabinete do Primeiro Ministro distribuiu uma nota onde explicava que Correia de Campos saía do Governo «a seu pedido». No sábado passado o «Sol» dizia o que era a evidência: «Ministros remodelados não queriam sair» .
Vem isto a propósito da utilização da verdade, do recurso à mentira, da ética na política.
Que me lembre o actual Primeiro-Ministro contornou a verdade em várias ocasiões: ao dizer que não aumentaria impostos antes das eleições, ao dizer (também em eleições) que submeteria o eventual novo texto regulador da Comissão Europeia a referendo, ao dizer que não admitia para o novo aeroporto outra opção que não a Ota, ao dizer que não havia recebido o estudo do LNEC quando afinal já sabia o teor geral das suas conclusões, ao dizer no início do ano que não estava à vista nenhuma remodelação. Já nem falo das trapalhadas pessoais em que se envolveu com os detalhes sórdidos da conclusão da sua licenciatura, com o facto de existirem suspeitas de que teria feito assinaturas de favor em projectos de pessoas que estavam impedidas legalmente de os fazer, na eventualidade de ter indevidamente acumulado um subsídio de exclusividade durante parte de um seu mandato como deputado. Pior: perante factos ele clama, indignado, contra o que diz ser uma campanha movida contra si.
O retrato geral que ao fim deste tempo José Sócrates proporciona é o de alguém que não se preocupa nada em quebrar uma promessa eleitoral, que prefere deturpar, esconder ou esquivar-se a determinados factos sobre a sua pessoa ou a acção do Governo. Em suma, gastou o capital de confiança e já se começa a duvidar do que diz. Como se pode agora acreditar que as reformas são para continuar, se todos os sinais vão em sentido inverso? A política não tem que ser baseada na mentira – apesar de esta ser a linha geral a que infelizmente tantos políticos – e este Governo em particular – nos tem habituado. Em política a mentira é a mãe da demagogia. E demagogia é o que não falta ao presente executivo.
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SOBRE A MENTIRA NA POLÍTICA
(Publicado na edição de dia 6 de Fevereiro do diário «Meia Hora»)
O «Expresso» do passado dia 26 de Janeiro tinha na primeira página uma fotografia de Correia de Campos, então ainda Ministro da Saúde, com esta legenda: «Agarrado à cadeira, Correia de Campos explica em entrevista ao Expresso que não lhe passa pela cabeça sair do Governo».
Três dias depois, a 29, soube-se que o Ministro estava de saída do Governo. O gabinete do Primeiro Ministro distribuiu uma nota onde explicava que Correia de Campos saía do Governo «a seu pedido». No sábado passado o «Sol» dizia o que era a evidência: «Ministros remodelados não queriam sair» .
Vem isto a propósito da utilização da verdade, do recurso à mentira, da ética na política.
Que me lembre o actual Primeiro-Ministro contornou a verdade em várias ocasiões: ao dizer que não aumentaria impostos antes das eleições, ao dizer (também em eleições) que submeteria o eventual novo texto regulador da Comissão Europeia a referendo, ao dizer que não admitia para o novo aeroporto outra opção que não a Ota, ao dizer que não havia recebido o estudo do LNEC quando afinal já sabia o teor geral das suas conclusões, ao dizer no início do ano que não estava à vista nenhuma remodelação. Já nem falo das trapalhadas pessoais em que se envolveu com os detalhes sórdidos da conclusão da sua licenciatura, com o facto de existirem suspeitas de que teria feito assinaturas de favor em projectos de pessoas que estavam impedidas legalmente de os fazer, na eventualidade de ter indevidamente acumulado um subsídio de exclusividade durante parte de um seu mandato como deputado. Pior: perante factos ele clama, indignado, contra o que diz ser uma campanha movida contra si.
O retrato geral que ao fim deste tempo José Sócrates proporciona é o de alguém que não se preocupa nada em quebrar uma promessa eleitoral, que prefere deturpar, esconder ou esquivar-se a determinados factos sobre a sua pessoa ou a acção do Governo. Em suma, gastou o capital de confiança e já se começa a duvidar do que diz. Como se pode agora acreditar que as reformas são para continuar, se todos os sinais vão em sentido inverso? A política não tem que ser baseada na mentira – apesar de esta ser a linha geral a que infelizmente tantos políticos – e este Governo em particular – nos tem habituado. Em política a mentira é a mãe da demagogia. E demagogia é o que não falta ao presente executivo.
(Publicado na edição de dia 6 de Fevereiro do diário «Meia Hora»)
O «Expresso» do passado dia 26 de Janeiro tinha na primeira página uma fotografia de Correia de Campos, então ainda Ministro da Saúde, com esta legenda: «Agarrado à cadeira, Correia de Campos explica em entrevista ao Expresso que não lhe passa pela cabeça sair do Governo».
Três dias depois, a 29, soube-se que o Ministro estava de saída do Governo. O gabinete do Primeiro Ministro distribuiu uma nota onde explicava que Correia de Campos saía do Governo «a seu pedido». No sábado passado o «Sol» dizia o que era a evidência: «Ministros remodelados não queriam sair» .
Vem isto a propósito da utilização da verdade, do recurso à mentira, da ética na política.
Que me lembre o actual Primeiro-Ministro contornou a verdade em várias ocasiões: ao dizer que não aumentaria impostos antes das eleições, ao dizer (também em eleições) que submeteria o eventual novo texto regulador da Comissão Europeia a referendo, ao dizer que não admitia para o novo aeroporto outra opção que não a Ota, ao dizer que não havia recebido o estudo do LNEC quando afinal já sabia o teor geral das suas conclusões, ao dizer no início do ano que não estava à vista nenhuma remodelação. Já nem falo das trapalhadas pessoais em que se envolveu com os detalhes sórdidos da conclusão da sua licenciatura, com o facto de existirem suspeitas de que teria feito assinaturas de favor em projectos de pessoas que estavam impedidas legalmente de os fazer, na eventualidade de ter indevidamente acumulado um subsídio de exclusividade durante parte de um seu mandato como deputado. Pior: perante factos ele clama, indignado, contra o que diz ser uma campanha movida contra si.
O retrato geral que ao fim deste tempo José Sócrates proporciona é o de alguém que não se preocupa nada em quebrar uma promessa eleitoral, que prefere deturpar, esconder ou esquivar-se a determinados factos sobre a sua pessoa ou a acção do Governo. Em suma, gastou o capital de confiança e já se começa a duvidar do que diz. Como se pode agora acreditar que as reformas são para continuar, se todos os sinais vão em sentido inverso? A política não tem que ser baseada na mentira – apesar de esta ser a linha geral a que infelizmente tantos políticos – e este Governo em particular – nos tem habituado. Em política a mentira é a mãe da demagogia. E demagogia é o que não falta ao presente executivo.
fevereiro 06, 2008
BOM – O fim do domínio da Administração do Porto de Lisboa na zona ribeirinha do Tejo, mantendo incríveis braços de ferro com a Câmara Municipal e, ao longo de décadas, prejudicando a vida de todos. Para além de tudo o resto, é a prova do peso político de António Costa junto do Governo – e que mostra como mesmo fora do núcleo do Executivo ele continua a ter influência.
MAU – A maneira como José Sócrates defendeu a ASAE reforça a ideia de que para o Primeiro Ministro os fins justificam os meios. Mas é claro que não devemos esquecer que ultimamente aqueles que Sócrates mais defende em público são os que depois mais depressa deixa cair.
PÉSSIMO – José Sócrates classifica de fitas para as televisões as manifestações contra políticas do seu Governo. Presume-se que também ache que são fitas para as televisões as cerimónias de distribuição de computadores e outros festejos em que vai aparecendo por esse país fora.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Lembram-se de quando, há uns anos, Macário Correia dizia que beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro? Recordei-me disto a propósito da notícia de que ele tinha sido constituído arguido num processo por assédio sexual que lhe foi movido por uma funcionária superior da Câmara Municipal de Tavira, a que o feroz anti-tabagista preside. Fiquei com curiosidade de saber se a autora do processo é fumadora.
RUMOR – Será verdade que a pressão feita pela França para cancelar o Paris-Dakar teve sobretudo a ver com a perca de negócios da petrolífera Total na Mauritânia, vencida pelos chineses, que estabeleceram um acordo para comprar grande parte da produção petrolífera daquela país africano, que os franceses também pretendiam? E que a opção pelos chineses, mais do que questões de segurança, ditou a represália do executivo de Paris contra a Mauritânia e que se traduziu no cancelamento da prova?
PETISCAR – Um dos bons sítios das avenidas novas é o tradicional «Grande Elias», um templo dedicado à comida portuguesa, com uma decoração peculiar: na sala de entrada, existe um colorido painel de relógios com as horas de todos os pontos onde Portugal marcou a sua presença no mundo, do Brasil à Índia, passando por África, Macau ou Timor. Para além do apuramento dos pratos (que nesta época incluem a incontornável lampreia), distingue-se a qualidade do serviço e o inesperado de algumas entradas como alcachofras com filetes de anchova sobre cama de salada. Lista de vinhos a preços razoáveis e, sobretudo, um serviço rápido, eficaz e muito, muito simpático. Avenida Elias Garcia 109-11, tel 217975359.
LER – Cada vez mais a revista «Monocle» é uma leitura necessária. Na edição de Fevereiro, um especial sobre comboios (e eu por acaso adoro comboios) com algumas reportagens de viagens em diversos estilos na Turquia, Alemanha e Japão, e um belíssimo artigo sobre as eleições norte-americanas, muito explicadinho, cheio de informação útil, os estados a seguir com maior atenção, os lobbies existentes,, as relações a ter em conta. Um exemplo de excelente jornalismo feito a pensar em acrescer a informação. Vale também a pena ir visitando o site www.monocle.com com boa informação sobre a actividade cultural em diversas cidades e guias cheios de úteis e preciosas indicações. A «Monocle» custa 11 € em Portugal e está disponível nas boas lojas de revistas.
OUVIR – A música de Angola é das mais ricas que se podem encontrar em África. Quis o destino que bem cedo a editora Valentim de Carvalho tivesse actividade na fervilhante Luanda dos anos 60 e 70, recolhendo, descobrindo, gravando e editando os grandes nomes da música popular. Por iniciativa da «Som Livre» e partindo desse catálogo histórico, saiu agora uma exemplar edição, que inclui quatro discos e 100 músicas de artistas dessa época, de Elias dia Kimuezo aos N’Goma Jazz, António Sobrinho, Teta Lando, Africa Show, Sofia Rosa, Campos Neto e Chico Montenegro – só para citar alguns dos nomes históricos, aqui incluídos. Além do mais a edição é acompanhada por um livro cheio de informação sobre a História de Angola, mas também sobre as principais cidades, os idiomas nativos e um vocabulário com os termos mais empregues. A edição foi da responsabilidade de Samuel Lopes e Suzy Lorena e pode ser encontrada nas FNAC.
PERGUNTANDO… O Sr. Nunes que está na ASAE será o mesmo que, ao tempo de Armando Vara no Governo, esteve no Serviço Nacional de Protecção Civil e, mais tarde, na Direcção Geral de Viação? E qual terá sido o balanço da sua passagem por esses sítios?
BACK TO BASICS – «Há qualquer coisa de errado nesta mini-remodelação.Como uma desvalorização monetária que não imprime confiança no novo valor da moeda».(José Medeiros Ferreira, no blogue «bichos carpinteiros»
MAU – A maneira como José Sócrates defendeu a ASAE reforça a ideia de que para o Primeiro Ministro os fins justificam os meios. Mas é claro que não devemos esquecer que ultimamente aqueles que Sócrates mais defende em público são os que depois mais depressa deixa cair.
PÉSSIMO – José Sócrates classifica de fitas para as televisões as manifestações contra políticas do seu Governo. Presume-se que também ache que são fitas para as televisões as cerimónias de distribuição de computadores e outros festejos em que vai aparecendo por esse país fora.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Lembram-se de quando, há uns anos, Macário Correia dizia que beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro? Recordei-me disto a propósito da notícia de que ele tinha sido constituído arguido num processo por assédio sexual que lhe foi movido por uma funcionária superior da Câmara Municipal de Tavira, a que o feroz anti-tabagista preside. Fiquei com curiosidade de saber se a autora do processo é fumadora.
RUMOR – Será verdade que a pressão feita pela França para cancelar o Paris-Dakar teve sobretudo a ver com a perca de negócios da petrolífera Total na Mauritânia, vencida pelos chineses, que estabeleceram um acordo para comprar grande parte da produção petrolífera daquela país africano, que os franceses também pretendiam? E que a opção pelos chineses, mais do que questões de segurança, ditou a represália do executivo de Paris contra a Mauritânia e que se traduziu no cancelamento da prova?
PETISCAR – Um dos bons sítios das avenidas novas é o tradicional «Grande Elias», um templo dedicado à comida portuguesa, com uma decoração peculiar: na sala de entrada, existe um colorido painel de relógios com as horas de todos os pontos onde Portugal marcou a sua presença no mundo, do Brasil à Índia, passando por África, Macau ou Timor. Para além do apuramento dos pratos (que nesta época incluem a incontornável lampreia), distingue-se a qualidade do serviço e o inesperado de algumas entradas como alcachofras com filetes de anchova sobre cama de salada. Lista de vinhos a preços razoáveis e, sobretudo, um serviço rápido, eficaz e muito, muito simpático. Avenida Elias Garcia 109-11, tel 217975359.
LER – Cada vez mais a revista «Monocle» é uma leitura necessária. Na edição de Fevereiro, um especial sobre comboios (e eu por acaso adoro comboios) com algumas reportagens de viagens em diversos estilos na Turquia, Alemanha e Japão, e um belíssimo artigo sobre as eleições norte-americanas, muito explicadinho, cheio de informação útil, os estados a seguir com maior atenção, os lobbies existentes,, as relações a ter em conta. Um exemplo de excelente jornalismo feito a pensar em acrescer a informação. Vale também a pena ir visitando o site www.monocle.com com boa informação sobre a actividade cultural em diversas cidades e guias cheios de úteis e preciosas indicações. A «Monocle» custa 11 € em Portugal e está disponível nas boas lojas de revistas.
OUVIR – A música de Angola é das mais ricas que se podem encontrar em África. Quis o destino que bem cedo a editora Valentim de Carvalho tivesse actividade na fervilhante Luanda dos anos 60 e 70, recolhendo, descobrindo, gravando e editando os grandes nomes da música popular. Por iniciativa da «Som Livre» e partindo desse catálogo histórico, saiu agora uma exemplar edição, que inclui quatro discos e 100 músicas de artistas dessa época, de Elias dia Kimuezo aos N’Goma Jazz, António Sobrinho, Teta Lando, Africa Show, Sofia Rosa, Campos Neto e Chico Montenegro – só para citar alguns dos nomes históricos, aqui incluídos. Além do mais a edição é acompanhada por um livro cheio de informação sobre a História de Angola, mas também sobre as principais cidades, os idiomas nativos e um vocabulário com os termos mais empregues. A edição foi da responsabilidade de Samuel Lopes e Suzy Lorena e pode ser encontrada nas FNAC.
PERGUNTANDO… O Sr. Nunes que está na ASAE será o mesmo que, ao tempo de Armando Vara no Governo, esteve no Serviço Nacional de Protecção Civil e, mais tarde, na Direcção Geral de Viação? E qual terá sido o balanço da sua passagem por esses sítios?
BACK TO BASICS – «Há qualquer coisa de errado nesta mini-remodelação.Como uma desvalorização monetária que não imprime confiança no novo valor da moeda».(José Medeiros Ferreira, no blogue «bichos carpinteiros»
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BOM – O fim do domínio da Administração do Porto de Lisboa na zona ribeirinha do Tejo, mantendo incríveis braços de ferro com a Câmara Municipal e, ao longo de décadas, prejudicando a vida de todos. Para além de tudo o resto, é a prova do peso político de António Costa junto do Governo – e que mostra como mesmo fora do núcleo do Executivo ele continua a ter influência.
MAU – A maneira como José Sócrates defendeu a ASAE reforça a ideia de que para o Primeiro Ministro os fins justificam os meios. Mas é claro que não devemos esquecer que ultimamente aqueles que Sócrates mais defende em público são os que depois mais depressa deixa cair.
PÉSSIMO – José Sócrates classifica de fitas para as televisões as manifestações contra políticas do seu Governo. Presume-se que também ache que são fitas para as televisões as cerimónias de distribuição de computadores e outros festejos em que vai aparecendo por esse país fora.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Lembram-se de quando, há uns anos, Macário Correia dizia que beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro? Recordei-me disto a propósito da notícia de que ele tinha sido constituído arguido num processo por assédio sexual que lhe foi movido por uma funcionária superior da Câmara Municipal de Tavira, a que o feroz anti-tabagista preside. Fiquei com curiosidade de saber se a autora do processo é fumadora.
RUMOR – Será verdade que a pressão feita pela França para cancelar o Paris-Dakar teve sobretudo a ver com a perca de negócios da petrolífera Total na Mauritânia, vencida pelos chineses, que estabeleceram um acordo para comprar grande parte da produção petrolífera daquela país africano, que os franceses também pretendiam? E que a opção pelos chineses, mais do que questões de segurança, ditou a represália do executivo de Paris contra a Mauritânia e que se traduziu no cancelamento da prova?
PETISCAR – Um dos bons sítios das avenidas novas é o tradicional «Grande Elias», um templo dedicado à comida portuguesa, com uma decoração peculiar: na sala de entrada, existe um colorido painel de relógios com as horas de todos os pontos onde Portugal marcou a sua presença no mundo, do Brasil à Índia, passando por África, Macau ou Timor. Para além do apuramento dos pratos (que nesta época incluem a incontornável lampreia), distingue-se a qualidade do serviço e o inesperado de algumas entradas como alcachofras com filetes de anchova sobre cama de salada. Lista de vinhos a preços razoáveis e, sobretudo, um serviço rápido, eficaz e muito, muito simpático. Avenida Elias Garcia 109-11, tel 217975359.
LER – Cada vez mais a revista «Monocle» é uma leitura necessária. Na edição de Fevereiro, um especial sobre comboios (e eu por acaso adoro comboios) com algumas reportagens de viagens em diversos estilos na Turquia, Alemanha e Japão, e um belíssimo artigo sobre as eleições norte-americanas, muito explicadinho, cheio de informação útil, os estados a seguir com maior atenção, os lobbies existentes,, as relações a ter em conta. Um exemplo de excelente jornalismo feito a pensar em acrescer a informação. Vale também a pena ir visitando o site www.monocle.com com boa informação sobre a actividade cultural em diversas cidades e guias cheios de úteis e preciosas indicações. A «Monocle» custa 11 € em Portugal e está disponível nas boas lojas de revistas.
OUVIR – A música de Angola é das mais ricas que se podem encontrar em África. Quis o destino que bem cedo a editora Valentim de Carvalho tivesse actividade na fervilhante Luanda dos anos 60 e 70, recolhendo, descobrindo, gravando e editando os grandes nomes da música popular. Por iniciativa da «Som Livre» e partindo desse catálogo histórico, saiu agora uma exemplar edição, que inclui quatro discos e 100 músicas de artistas dessa época, de Elias dia Kimuezo aos N’Goma Jazz, António Sobrinho, Teta Lando, Africa Show, Sofia Rosa, Campos Neto e Chico Montenegro – só para citar alguns dos nomes históricos, aqui incluídos. Além do mais a edição é acompanhada por um livro cheio de informação sobre a História de Angola, mas também sobre as principais cidades, os idiomas nativos e um vocabulário com os termos mais empregues. A edição foi da responsabilidade de Samuel Lopes e Suzy Lorena e pode ser encontrada nas FNAC.
PERGUNTANDO… O Sr. Nunes que está na ASAE será o mesmo que, ao tempo de Armando Vara no Governo, esteve no Serviço Nacional de Protecção Civil e, mais tarde, na Direcção Geral de Viação? E qual terá sido o balanço da sua passagem por esses sítios?
BACK TO BASICS – «Há qualquer coisa de errado nesta mini-remodelação.Como uma desvalorização monetária que não imprime confiança no novo valor da moeda».(José Medeiros Ferreira, no blogue «bichos carpinteiros»
MAU – A maneira como José Sócrates defendeu a ASAE reforça a ideia de que para o Primeiro Ministro os fins justificam os meios. Mas é claro que não devemos esquecer que ultimamente aqueles que Sócrates mais defende em público são os que depois mais depressa deixa cair.
PÉSSIMO – José Sócrates classifica de fitas para as televisões as manifestações contra políticas do seu Governo. Presume-se que também ache que são fitas para as televisões as cerimónias de distribuição de computadores e outros festejos em que vai aparecendo por esse país fora.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Lembram-se de quando, há uns anos, Macário Correia dizia que beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro? Recordei-me disto a propósito da notícia de que ele tinha sido constituído arguido num processo por assédio sexual que lhe foi movido por uma funcionária superior da Câmara Municipal de Tavira, a que o feroz anti-tabagista preside. Fiquei com curiosidade de saber se a autora do processo é fumadora.
RUMOR – Será verdade que a pressão feita pela França para cancelar o Paris-Dakar teve sobretudo a ver com a perca de negócios da petrolífera Total na Mauritânia, vencida pelos chineses, que estabeleceram um acordo para comprar grande parte da produção petrolífera daquela país africano, que os franceses também pretendiam? E que a opção pelos chineses, mais do que questões de segurança, ditou a represália do executivo de Paris contra a Mauritânia e que se traduziu no cancelamento da prova?
PETISCAR – Um dos bons sítios das avenidas novas é o tradicional «Grande Elias», um templo dedicado à comida portuguesa, com uma decoração peculiar: na sala de entrada, existe um colorido painel de relógios com as horas de todos os pontos onde Portugal marcou a sua presença no mundo, do Brasil à Índia, passando por África, Macau ou Timor. Para além do apuramento dos pratos (que nesta época incluem a incontornável lampreia), distingue-se a qualidade do serviço e o inesperado de algumas entradas como alcachofras com filetes de anchova sobre cama de salada. Lista de vinhos a preços razoáveis e, sobretudo, um serviço rápido, eficaz e muito, muito simpático. Avenida Elias Garcia 109-11, tel 217975359.
LER – Cada vez mais a revista «Monocle» é uma leitura necessária. Na edição de Fevereiro, um especial sobre comboios (e eu por acaso adoro comboios) com algumas reportagens de viagens em diversos estilos na Turquia, Alemanha e Japão, e um belíssimo artigo sobre as eleições norte-americanas, muito explicadinho, cheio de informação útil, os estados a seguir com maior atenção, os lobbies existentes,, as relações a ter em conta. Um exemplo de excelente jornalismo feito a pensar em acrescer a informação. Vale também a pena ir visitando o site www.monocle.com com boa informação sobre a actividade cultural em diversas cidades e guias cheios de úteis e preciosas indicações. A «Monocle» custa 11 € em Portugal e está disponível nas boas lojas de revistas.
OUVIR – A música de Angola é das mais ricas que se podem encontrar em África. Quis o destino que bem cedo a editora Valentim de Carvalho tivesse actividade na fervilhante Luanda dos anos 60 e 70, recolhendo, descobrindo, gravando e editando os grandes nomes da música popular. Por iniciativa da «Som Livre» e partindo desse catálogo histórico, saiu agora uma exemplar edição, que inclui quatro discos e 100 músicas de artistas dessa época, de Elias dia Kimuezo aos N’Goma Jazz, António Sobrinho, Teta Lando, Africa Show, Sofia Rosa, Campos Neto e Chico Montenegro – só para citar alguns dos nomes históricos, aqui incluídos. Além do mais a edição é acompanhada por um livro cheio de informação sobre a História de Angola, mas também sobre as principais cidades, os idiomas nativos e um vocabulário com os termos mais empregues. A edição foi da responsabilidade de Samuel Lopes e Suzy Lorena e pode ser encontrada nas FNAC.
PERGUNTANDO… O Sr. Nunes que está na ASAE será o mesmo que, ao tempo de Armando Vara no Governo, esteve no Serviço Nacional de Protecção Civil e, mais tarde, na Direcção Geral de Viação? E qual terá sido o balanço da sua passagem por esses sítios?
BACK TO BASICS – «Há qualquer coisa de errado nesta mini-remodelação.Como uma desvalorização monetária que não imprime confiança no novo valor da moeda».(José Medeiros Ferreira, no blogue «bichos carpinteiros»
fevereiro 01, 2008
OS BOMBEIROS DE MAFAMUDE PELO GATO FEDORENTO
Imperdível a forma como os Gato Fedorento, mesmo fora de ecrã de televisão, comentam a actualidade:
INEM
Imperdível a forma como os Gato Fedorento, mesmo fora de ecrã de televisão, comentam a actualidade:
INEM
Untitled
AS NOSSAS CIDADES
(publicado no diário «Meia Hora» de quarta feira dia 30 de Janeiro)
Uma das coisas que permanentemente me preocupa é a volatilidade das estratégias das nossas cidades. As coisas aparecem feitas um pouco por acaso, sem planos continuados, sem método, sobretudo sem grande estudo. As cidades portuguesas cresceram muito nas últimas décadas mas paradoxalmente desertificaram-se no seu centro. A grande culpada disto, já se sabe, é a Lei das Rendas – que apesar das tímidas reformas continua a fomentar a compra de casa, a justificar a construção nas periferias, a criação de cidades dormitório.
O caso de Lisboa é particularmente preocupante, porque a cidade está cada vez mais a perder habitantes e claramente está a ficar envelhecida. Reconheço que nesta semana se deu um passo importantíssimo para Lisboa – a devolução da zona ribeirinha à cidade, e à sua autarquia. De uma forma ou de outra, a partir de agora, terá que se pensar neste assunto, na forma de refazer Lisboa a partir do rio, na forma de conseguir projectar o futuro.
Como estas coisas se fazem a partir de bons exemplos e de bons estudos, sugiro que percam algum tempo neste endereço: http://www.nycfuture.org . Trata-se do site do «Center For A Urban Future», de Nova Iorque. Esta organização apresenta-se como um think tank que produz relatórios aprofundados sobre temas críticos que preocupam a cidade e apresenta propostas políticas concretas para resolver alguns problemas.
A existência de organizações deste tipo é relativamente comum nos países onde a sociedade civil é activa – os poderes aliás tendem a apoiar este género de iniciativas, a manter um bom diálogo e a aproveitar muitas das suas sugestões.
Uma visita ao site do «Center For A Urban Future» permite ler estudos sobre temas que vão do ensino da língua inglesa a emigrantes, até ao ressuirgir das feiras de rua em Nova Iorque, passando por políticas de cultura, de emprego, de animação. E, lá também poderão ler a transcrição do debate «Creative New York», uma peça que os nossos queridos autarcas de todo o país – a começar por Lisboa e Porto – bem poderiam estudar.
Uma cidade que perde a criatividade e não a estimula acaba por perder todo o atractivo. Parece evidente mas basta olhar à nossa volta para ver o triste estado da Nação nesta matéria.
(publicado no diário «Meia Hora» de quarta feira dia 30 de Janeiro)
Uma das coisas que permanentemente me preocupa é a volatilidade das estratégias das nossas cidades. As coisas aparecem feitas um pouco por acaso, sem planos continuados, sem método, sobretudo sem grande estudo. As cidades portuguesas cresceram muito nas últimas décadas mas paradoxalmente desertificaram-se no seu centro. A grande culpada disto, já se sabe, é a Lei das Rendas – que apesar das tímidas reformas continua a fomentar a compra de casa, a justificar a construção nas periferias, a criação de cidades dormitório.
O caso de Lisboa é particularmente preocupante, porque a cidade está cada vez mais a perder habitantes e claramente está a ficar envelhecida. Reconheço que nesta semana se deu um passo importantíssimo para Lisboa – a devolução da zona ribeirinha à cidade, e à sua autarquia. De uma forma ou de outra, a partir de agora, terá que se pensar neste assunto, na forma de refazer Lisboa a partir do rio, na forma de conseguir projectar o futuro.
Como estas coisas se fazem a partir de bons exemplos e de bons estudos, sugiro que percam algum tempo neste endereço: http://www.nycfuture.org . Trata-se do site do «Center For A Urban Future», de Nova Iorque. Esta organização apresenta-se como um think tank que produz relatórios aprofundados sobre temas críticos que preocupam a cidade e apresenta propostas políticas concretas para resolver alguns problemas.
A existência de organizações deste tipo é relativamente comum nos países onde a sociedade civil é activa – os poderes aliás tendem a apoiar este género de iniciativas, a manter um bom diálogo e a aproveitar muitas das suas sugestões.
Uma visita ao site do «Center For A Urban Future» permite ler estudos sobre temas que vão do ensino da língua inglesa a emigrantes, até ao ressuirgir das feiras de rua em Nova Iorque, passando por políticas de cultura, de emprego, de animação. E, lá também poderão ler a transcrição do debate «Creative New York», uma peça que os nossos queridos autarcas de todo o país – a começar por Lisboa e Porto – bem poderiam estudar.
Uma cidade que perde a criatividade e não a estimula acaba por perder todo o atractivo. Parece evidente mas basta olhar à nossa volta para ver o triste estado da Nação nesta matéria.
AS NOSSAS CIDADES
(publicado no diário «Meia Hora» de quarta feira dia 30 de Janeiro)
Uma das coisas que permanentemente me preocupa é a volatilidade das estratégias das nossas cidades. As coisas aparecem feitas um pouco por acaso, sem planos continuados, sem método, sobretudo sem grande estudo. As cidades portuguesas cresceram muito nas últimas décadas mas paradoxalmente desertificaram-se no seu centro. A grande culpada disto, já se sabe, é a Lei das Rendas – que apesar das tímidas reformas continua a fomentar a compra de casa, a justificar a construção nas periferias, a criação de cidades dormitório.
O caso de Lisboa é particularmente preocupante, porque a cidade está cada vez mais a perder habitantes e claramente está a ficar envelhecida. Reconheço que nesta semana se deu um passo importantíssimo para Lisboa – a devolução da zona ribeirinha à cidade, e à sua autarquia. De uma forma ou de outra, a partir de agora, terá que se pensar neste assunto, na forma de refazer Lisboa a partir do rio, na forma de conseguir projectar o futuro.
Como estas coisas se fazem a partir de bons exemplos e de bons estudos, sugiro que percam algum tempo neste endereço: http://www.nycfuture.org . Trata-se do site do «Center For A Urban Future», de Nova Iorque. Esta organização apresenta-se como um think tank que produz relatórios aprofundados sobre temas críticos que preocupam a cidade e apresenta propostas políticas concretas para resolver alguns problemas.
A existência de organizações deste tipo é relativamente comum nos países onde a sociedade civil é activa – os poderes aliás tendem a apoiar este género de iniciativas, a manter um bom diálogo e a aproveitar muitas das suas sugestões.
Uma visita ao site do «Center For A Urban Future» permite ler estudos sobre temas que vão do ensino da língua inglesa a emigrantes, até ao ressuirgir das feiras de rua em Nova Iorque, passando por políticas de cultura, de emprego, de animação. E, lá também poderão ler a transcrição do debate «Creative New York», uma peça que os nossos queridos autarcas de todo o país – a começar por Lisboa e Porto – bem poderiam estudar.
Uma cidade que perde a criatividade e não a estimula acaba por perder todo o atractivo. Parece evidente mas basta olhar à nossa volta para ver o triste estado da Nação nesta matéria.
(publicado no diário «Meia Hora» de quarta feira dia 30 de Janeiro)
Uma das coisas que permanentemente me preocupa é a volatilidade das estratégias das nossas cidades. As coisas aparecem feitas um pouco por acaso, sem planos continuados, sem método, sobretudo sem grande estudo. As cidades portuguesas cresceram muito nas últimas décadas mas paradoxalmente desertificaram-se no seu centro. A grande culpada disto, já se sabe, é a Lei das Rendas – que apesar das tímidas reformas continua a fomentar a compra de casa, a justificar a construção nas periferias, a criação de cidades dormitório.
O caso de Lisboa é particularmente preocupante, porque a cidade está cada vez mais a perder habitantes e claramente está a ficar envelhecida. Reconheço que nesta semana se deu um passo importantíssimo para Lisboa – a devolução da zona ribeirinha à cidade, e à sua autarquia. De uma forma ou de outra, a partir de agora, terá que se pensar neste assunto, na forma de refazer Lisboa a partir do rio, na forma de conseguir projectar o futuro.
Como estas coisas se fazem a partir de bons exemplos e de bons estudos, sugiro que percam algum tempo neste endereço: http://www.nycfuture.org . Trata-se do site do «Center For A Urban Future», de Nova Iorque. Esta organização apresenta-se como um think tank que produz relatórios aprofundados sobre temas críticos que preocupam a cidade e apresenta propostas políticas concretas para resolver alguns problemas.
A existência de organizações deste tipo é relativamente comum nos países onde a sociedade civil é activa – os poderes aliás tendem a apoiar este género de iniciativas, a manter um bom diálogo e a aproveitar muitas das suas sugestões.
Uma visita ao site do «Center For A Urban Future» permite ler estudos sobre temas que vão do ensino da língua inglesa a emigrantes, até ao ressuirgir das feiras de rua em Nova Iorque, passando por políticas de cultura, de emprego, de animação. E, lá também poderão ler a transcrição do debate «Creative New York», uma peça que os nossos queridos autarcas de todo o país – a começar por Lisboa e Porto – bem poderiam estudar.
Uma cidade que perde a criatividade e não a estimula acaba por perder todo o atractivo. Parece evidente mas basta olhar à nossa volta para ver o triste estado da Nação nesta matéria.
janeiro 28, 2008
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BOM – A Câmara Municipal de Lisboa resolveu voltar a apoiar a Experimenta Design – que desta vez tem um pólo internacional, em Amesterdão. Não entendo porque é que a oposição se absteve ou votou contra a proposta que António Costa apresentou. É com posições destas, em temas destes, que as oposições se descredibilizam. Será que não conseguem entender o impacto que iniciativas destas têm na imagem e – a médio prazo – nas receitas de uma cidade?
MAU – A prestação do Inspector Nunes, da ASAE, no Parlamento. O que disse, em resumo, é que os fins justificam os meios – princípio que o tem norteado. O que lhe falta em bom senso, sobra-lhe em arrogância. A questão do comportamento do Inspector é de princípio e é política: queremos uma autoridade policial que recorre a todos os meios para atingir os fins do seu responsável máximo?
PÉSSIMO – O que se anda a passar por aí com os problemas na rêde de gás é assustador. Alguém devia estudar o que está acontecer, ver o histórico, perceber como as coisas foram feitas há uns anos, ver quem deu instruções para que fossem adoptados procedimentos, quem eram os responsáveis, como se criaram e funcionam as fiscalizações.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD dá mais nas vistas pelas clivagens internas do que pela oposição que de facto consegue fazer. No mais recente episódio o PSD ficou esmagado pela sombra do responsável da agência de comunicação que lhe devia tratar da imagem e que acaba por ter mais notoriedade que o próprio cliente…
INDEFESOS – Um português que tenha um problema de saúde e seja levado a colocar-se na mão do Estado tem motivos para ter receio – o que se tem passado nas urgências é capaz de pôr os cabelos em pé a qualquer um. Sem ovos não se fazem omoletas – alguém será capaz de explicar isto ao Ministro da Saúde?
PESADELO – Agora quando se sai de um prédio de escritórios o melhor é ir com uma ventoinha na mão para afastar as nuvens de fumo das concentrações de fumadores. Aqui está um desafio para os arquitectos que projectarem novos edifícios.
VER – As novas exposições propostas pela VPF Creamarte e pela Plataforma Revólver, ambas na Rua da Boavista nº84, perto do Mercado da Ribeira. Na VPF André Banha mostra as suas obras sob o aliciante título «Segurei-te o Pôr do Sol» e no andar de cima, na Plataforma Revolver, uma colectiva de novos artsitas sob a designação «Central Europa 2019» e que agrupa obras de Ivo, Joana Rosa, Margarida Dias Coelho, Tiago Borges e Rui Valério. De terça a sábado, das 14h00 às 19h30.
LER – A edição de Janeiro da revista «Vanity Fair» tem sobejos motivos de interesse: uma demolidora reportagem sobre os bastidores da vida de Rudy Giuliani, a história de capa com Katherine Heigl (a estrela de «Anatomia de Grey» e de alguns novos filmes) . As fotografias são excelentes e no site da revista há um vídeo sobre a sessão fotográfica. A ler ainda a história da vida de uma lenda de Hollywood, Angie Dickinson. A finalizar não percam as fotografias de Tim Walker a ilustrar um artigo sobre ingleses excêntricos.
OUVIR –.O novo disco de Cat Power, «Jukebox», uma recolha de canções célebres que pega em originais de Joni Mitchell, Bob Dylan, James Brown, Lee Clayton, Nick Cave e muitos outros. É um cancioneiro que atravessa diversas épocas, servido por arranjos discretos e eficazes, uma produção minimalista, tudo ao serviço da capacidade de interpretação de Cat Power, aqui bem destacada. Na FNAC há a edição especial com um segundo CD com mais cinco faixas extra, também versões.
BACK TO BASICS – «A política é com os políticos» - Santana Lopes sobre as reservas em ter no interior do seu Grupo Parlamentar a agência de comunicação contratada pelo PSD.
MAU – A prestação do Inspector Nunes, da ASAE, no Parlamento. O que disse, em resumo, é que os fins justificam os meios – princípio que o tem norteado. O que lhe falta em bom senso, sobra-lhe em arrogância. A questão do comportamento do Inspector é de princípio e é política: queremos uma autoridade policial que recorre a todos os meios para atingir os fins do seu responsável máximo?
PÉSSIMO – O que se anda a passar por aí com os problemas na rêde de gás é assustador. Alguém devia estudar o que está acontecer, ver o histórico, perceber como as coisas foram feitas há uns anos, ver quem deu instruções para que fossem adoptados procedimentos, quem eram os responsáveis, como se criaram e funcionam as fiscalizações.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD dá mais nas vistas pelas clivagens internas do que pela oposição que de facto consegue fazer. No mais recente episódio o PSD ficou esmagado pela sombra do responsável da agência de comunicação que lhe devia tratar da imagem e que acaba por ter mais notoriedade que o próprio cliente…
INDEFESOS – Um português que tenha um problema de saúde e seja levado a colocar-se na mão do Estado tem motivos para ter receio – o que se tem passado nas urgências é capaz de pôr os cabelos em pé a qualquer um. Sem ovos não se fazem omoletas – alguém será capaz de explicar isto ao Ministro da Saúde?
PESADELO – Agora quando se sai de um prédio de escritórios o melhor é ir com uma ventoinha na mão para afastar as nuvens de fumo das concentrações de fumadores. Aqui está um desafio para os arquitectos que projectarem novos edifícios.
VER – As novas exposições propostas pela VPF Creamarte e pela Plataforma Revólver, ambas na Rua da Boavista nº84, perto do Mercado da Ribeira. Na VPF André Banha mostra as suas obras sob o aliciante título «Segurei-te o Pôr do Sol» e no andar de cima, na Plataforma Revolver, uma colectiva de novos artsitas sob a designação «Central Europa 2019» e que agrupa obras de Ivo, Joana Rosa, Margarida Dias Coelho, Tiago Borges e Rui Valério. De terça a sábado, das 14h00 às 19h30.
LER – A edição de Janeiro da revista «Vanity Fair» tem sobejos motivos de interesse: uma demolidora reportagem sobre os bastidores da vida de Rudy Giuliani, a história de capa com Katherine Heigl (a estrela de «Anatomia de Grey» e de alguns novos filmes) . As fotografias são excelentes e no site da revista há um vídeo sobre a sessão fotográfica. A ler ainda a história da vida de uma lenda de Hollywood, Angie Dickinson. A finalizar não percam as fotografias de Tim Walker a ilustrar um artigo sobre ingleses excêntricos.
OUVIR –.O novo disco de Cat Power, «Jukebox», uma recolha de canções célebres que pega em originais de Joni Mitchell, Bob Dylan, James Brown, Lee Clayton, Nick Cave e muitos outros. É um cancioneiro que atravessa diversas épocas, servido por arranjos discretos e eficazes, uma produção minimalista, tudo ao serviço da capacidade de interpretação de Cat Power, aqui bem destacada. Na FNAC há a edição especial com um segundo CD com mais cinco faixas extra, também versões.
BACK TO BASICS – «A política é com os políticos» - Santana Lopes sobre as reservas em ter no interior do seu Grupo Parlamentar a agência de comunicação contratada pelo PSD.
BOM – A Câmara Municipal de Lisboa resolveu voltar a apoiar a Experimenta Design – que desta vez tem um pólo internacional, em Amesterdão. Não entendo porque é que a oposição se absteve ou votou contra a proposta que António Costa apresentou. É com posições destas, em temas destes, que as oposições se descredibilizam. Será que não conseguem entender o impacto que iniciativas destas têm na imagem e – a médio prazo – nas receitas de uma cidade?
MAU – A prestação do Inspector Nunes, da ASAE, no Parlamento. O que disse, em resumo, é que os fins justificam os meios – princípio que o tem norteado. O que lhe falta em bom senso, sobra-lhe em arrogância. A questão do comportamento do Inspector é de princípio e é política: queremos uma autoridade policial que recorre a todos os meios para atingir os fins do seu responsável máximo?
PÉSSIMO – O que se anda a passar por aí com os problemas na rêde de gás é assustador. Alguém devia estudar o que está acontecer, ver o histórico, perceber como as coisas foram feitas há uns anos, ver quem deu instruções para que fossem adoptados procedimentos, quem eram os responsáveis, como se criaram e funcionam as fiscalizações.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD dá mais nas vistas pelas clivagens internas do que pela oposição que de facto consegue fazer. No mais recente episódio o PSD ficou esmagado pela sombra do responsável da agência de comunicação que lhe devia tratar da imagem e que acaba por ter mais notoriedade que o próprio cliente…
INDEFESOS – Um português que tenha um problema de saúde e seja levado a colocar-se na mão do Estado tem motivos para ter receio – o que se tem passado nas urgências é capaz de pôr os cabelos em pé a qualquer um. Sem ovos não se fazem omoletas – alguém será capaz de explicar isto ao Ministro da Saúde?
PESADELO – Agora quando se sai de um prédio de escritórios o melhor é ir com uma ventoinha na mão para afastar as nuvens de fumo das concentrações de fumadores. Aqui está um desafio para os arquitectos que projectarem novos edifícios.
VER – As novas exposições propostas pela VPF Creamarte e pela Plataforma Revólver, ambas na Rua da Boavista nº84, perto do Mercado da Ribeira. Na VPF André Banha mostra as suas obras sob o aliciante título «Segurei-te o Pôr do Sol» e no andar de cima, na Plataforma Revolver, uma colectiva de novos artsitas sob a designação «Central Europa 2019» e que agrupa obras de Ivo, Joana Rosa, Margarida Dias Coelho, Tiago Borges e Rui Valério. De terça a sábado, das 14h00 às 19h30.
LER – A edição de Janeiro da revista «Vanity Fair» tem sobejos motivos de interesse: uma demolidora reportagem sobre os bastidores da vida de Rudy Giuliani, a história de capa com Katherine Heigl (a estrela de «Anatomia de Grey» e de alguns novos filmes) . As fotografias são excelentes e no site da revista há um vídeo sobre a sessão fotográfica. A ler ainda a história da vida de uma lenda de Hollywood, Angie Dickinson. A finalizar não percam as fotografias de Tim Walker a ilustrar um artigo sobre ingleses excêntricos.
OUVIR –.O novo disco de Cat Power, «Jukebox», uma recolha de canções célebres que pega em originais de Joni Mitchell, Bob Dylan, James Brown, Lee Clayton, Nick Cave e muitos outros. É um cancioneiro que atravessa diversas épocas, servido por arranjos discretos e eficazes, uma produção minimalista, tudo ao serviço da capacidade de interpretação de Cat Power, aqui bem destacada. Na FNAC há a edição especial com um segundo CD com mais cinco faixas extra, também versões.
BACK TO BASICS – «A política é com os políticos» - Santana Lopes sobre as reservas em ter no interior do seu Grupo Parlamentar a agência de comunicação contratada pelo PSD.
MAU – A prestação do Inspector Nunes, da ASAE, no Parlamento. O que disse, em resumo, é que os fins justificam os meios – princípio que o tem norteado. O que lhe falta em bom senso, sobra-lhe em arrogância. A questão do comportamento do Inspector é de princípio e é política: queremos uma autoridade policial que recorre a todos os meios para atingir os fins do seu responsável máximo?
PÉSSIMO – O que se anda a passar por aí com os problemas na rêde de gás é assustador. Alguém devia estudar o que está acontecer, ver o histórico, perceber como as coisas foram feitas há uns anos, ver quem deu instruções para que fossem adoptados procedimentos, quem eram os responsáveis, como se criaram e funcionam as fiscalizações.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – O PSD dá mais nas vistas pelas clivagens internas do que pela oposição que de facto consegue fazer. No mais recente episódio o PSD ficou esmagado pela sombra do responsável da agência de comunicação que lhe devia tratar da imagem e que acaba por ter mais notoriedade que o próprio cliente…
INDEFESOS – Um português que tenha um problema de saúde e seja levado a colocar-se na mão do Estado tem motivos para ter receio – o que se tem passado nas urgências é capaz de pôr os cabelos em pé a qualquer um. Sem ovos não se fazem omoletas – alguém será capaz de explicar isto ao Ministro da Saúde?
PESADELO – Agora quando se sai de um prédio de escritórios o melhor é ir com uma ventoinha na mão para afastar as nuvens de fumo das concentrações de fumadores. Aqui está um desafio para os arquitectos que projectarem novos edifícios.
VER – As novas exposições propostas pela VPF Creamarte e pela Plataforma Revólver, ambas na Rua da Boavista nº84, perto do Mercado da Ribeira. Na VPF André Banha mostra as suas obras sob o aliciante título «Segurei-te o Pôr do Sol» e no andar de cima, na Plataforma Revolver, uma colectiva de novos artsitas sob a designação «Central Europa 2019» e que agrupa obras de Ivo, Joana Rosa, Margarida Dias Coelho, Tiago Borges e Rui Valério. De terça a sábado, das 14h00 às 19h30.
LER – A edição de Janeiro da revista «Vanity Fair» tem sobejos motivos de interesse: uma demolidora reportagem sobre os bastidores da vida de Rudy Giuliani, a história de capa com Katherine Heigl (a estrela de «Anatomia de Grey» e de alguns novos filmes) . As fotografias são excelentes e no site da revista há um vídeo sobre a sessão fotográfica. A ler ainda a história da vida de uma lenda de Hollywood, Angie Dickinson. A finalizar não percam as fotografias de Tim Walker a ilustrar um artigo sobre ingleses excêntricos.
OUVIR –.O novo disco de Cat Power, «Jukebox», uma recolha de canções célebres que pega em originais de Joni Mitchell, Bob Dylan, James Brown, Lee Clayton, Nick Cave e muitos outros. É um cancioneiro que atravessa diversas épocas, servido por arranjos discretos e eficazes, uma produção minimalista, tudo ao serviço da capacidade de interpretação de Cat Power, aqui bem destacada. Na FNAC há a edição especial com um segundo CD com mais cinco faixas extra, também versões.
BACK TO BASICS – «A política é com os políticos» - Santana Lopes sobre as reservas em ter no interior do seu Grupo Parlamentar a agência de comunicação contratada pelo PSD.
janeiro 24, 2008
A CULTURA, FACTOR COMPETITIVO
(Publicado no diário «Meia-Hora» de 23 de Janeiro)
O Senhor Presidente da República iniciou um roteiro sobre o Património, iniciativa obviamente louvável e interessante e muito de acordo com a linha oficial de privilegiar o património cultural existente em detrimento do fomento da criatividade. É coisa, aliás, que já vem dos tempos em que foi Primeiro Ministro e faz parte da linha de acção defendida por nomes como Vasco Graça Moura, um dos seus apoiantes.
Esta acção insere-se às mil maravilhas no discurso oficial da actual Ministra da Cultura, ela própria uma notória partidária de evitar fazer o que quer que seja de novo e canalizar energias para o que já existe.
Infelizmente esta forma de olhar para as coisas não existe só a nível do Governo. São poucas as autarquias que têm uma estratégia de política cultural virada para o futuro, são poucas as que projectam a criação de redes, de ligações nacionais e internacionais, são poucas as que estimulam o desenvolvimento da criatividade. Já nem falo do Porto, onde o edil se preocupa mais com corridas de automóveis e de aviões do que com qualquer coisa que vagamente se prenda com os malefícios das artes e da cultura. Mas seria interessante ver Lisboa preocupada com isto em vez de se concentrar em manifestações mais ou menos folclóricas e passageiras.
A revista «Time» desta semana escreve preto no branco que a principal razão das visitas turísticas a Nova York reside no desejo de aproveitar a oferta cultural local. Em cada ano, escreve a revista, 7,5 milhões de visitantes têm esse objectivo e o Metropolitan Museum Of Art recebe 4,6 milhões de visitantes por ano. Nova York é uma cidade criativa e apesar de ser a capital financeira do mundo moderno, as indústrias criativas no seu todo (comunicação, edição, produção audiovisual, artes plásticas, design, música, dança, teatro, arquitectura, moda e publicidade) são o segundo sector que mais gente emprega (logo a seguir ao sector financeir) e são o que mais contribui para a imagem externa de Nova York como um pólo de atracção. Isto não se consegue de um dia para o outro, no caso de Nova York, vem de um continuado esforço desde os anos 60. Mas é um esforço que dá frutos. Como a «Time» escreve, «os economistas defendem que as artes, tal como o bom clima e boas escolas, são um factor determinante para atrair profissionais qualificados, que por sua vez dão um local uma vantagem competitiva». Porque é que por cá se pensa tão pouco nisto?
(Publicado no diário «Meia-Hora» de 23 de Janeiro)
O Senhor Presidente da República iniciou um roteiro sobre o Património, iniciativa obviamente louvável e interessante e muito de acordo com a linha oficial de privilegiar o património cultural existente em detrimento do fomento da criatividade. É coisa, aliás, que já vem dos tempos em que foi Primeiro Ministro e faz parte da linha de acção defendida por nomes como Vasco Graça Moura, um dos seus apoiantes.
Esta acção insere-se às mil maravilhas no discurso oficial da actual Ministra da Cultura, ela própria uma notória partidária de evitar fazer o que quer que seja de novo e canalizar energias para o que já existe.
Infelizmente esta forma de olhar para as coisas não existe só a nível do Governo. São poucas as autarquias que têm uma estratégia de política cultural virada para o futuro, são poucas as que projectam a criação de redes, de ligações nacionais e internacionais, são poucas as que estimulam o desenvolvimento da criatividade. Já nem falo do Porto, onde o edil se preocupa mais com corridas de automóveis e de aviões do que com qualquer coisa que vagamente se prenda com os malefícios das artes e da cultura. Mas seria interessante ver Lisboa preocupada com isto em vez de se concentrar em manifestações mais ou menos folclóricas e passageiras.
A revista «Time» desta semana escreve preto no branco que a principal razão das visitas turísticas a Nova York reside no desejo de aproveitar a oferta cultural local. Em cada ano, escreve a revista, 7,5 milhões de visitantes têm esse objectivo e o Metropolitan Museum Of Art recebe 4,6 milhões de visitantes por ano. Nova York é uma cidade criativa e apesar de ser a capital financeira do mundo moderno, as indústrias criativas no seu todo (comunicação, edição, produção audiovisual, artes plásticas, design, música, dança, teatro, arquitectura, moda e publicidade) são o segundo sector que mais gente emprega (logo a seguir ao sector financeir) e são o que mais contribui para a imagem externa de Nova York como um pólo de atracção. Isto não se consegue de um dia para o outro, no caso de Nova York, vem de um continuado esforço desde os anos 60. Mas é um esforço que dá frutos. Como a «Time» escreve, «os economistas defendem que as artes, tal como o bom clima e boas escolas, são um factor determinante para atrair profissionais qualificados, que por sua vez dão um local uma vantagem competitiva». Porque é que por cá se pensa tão pouco nisto?
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A CULTURA, FACTOR COMPETITIVO
(Publicado no diário «Meia-Hora» de 23 de Janeiro)
O Senhor Presidente da República iniciou um roteiro sobre o Património, iniciativa obviamente louvável e interessante e muito de acordo com a linha oficial de privilegiar o património cultural existente em detrimento do fomento da criatividade. É coisa, aliás, que já vem dos tempos em que foi Primeiro Ministro e faz parte da linha de acção defendida por nomes como Vasco Graça Moura, um dos seus apoiantes.
Esta acção insere-se às mil maravilhas no discurso oficial da actual Ministra da Cultura, ela própria uma notória partidária de evitar fazer o que quer que seja de novo e canalizar energias para o que já existe.
Infelizmente esta forma de olhar para as coisas não existe só a nível do Governo. São poucas as autarquias que têm uma estratégia de política cultural virada para o futuro, são poucas as que projectam a criação de redes, de ligações nacionais e internacionais, são poucas as que estimulam o desenvolvimento da criatividade. Já nem falo do Porto, onde o edil se preocupa mais com corridas de automóveis e de aviões do que com qualquer coisa que vagamente se prenda com os malefícios das artes e da cultura. Mas seria interessante ver Lisboa preocupada com isto em vez de se concentrar em manifestações mais ou menos folclóricas e passageiras.
A revista «Time» desta semana escreve preto no branco que a principal razão das visitas turísticas a Nova York reside no desejo de aproveitar a oferta cultural local. Em cada ano, escreve a revista, 7,5 milhões de visitantes têm esse objectivo e o Metropolitan Museum Of Art recebe 4,6 milhões de visitantes por ano. Nova York é uma cidade criativa e apesar de ser a capital financeira do mundo moderno, as indústrias criativas no seu todo (comunicação, edição, produção audiovisual, artes plásticas, design, música, dança, teatro, arquitectura, moda e publicidade) são o segundo sector que mais gente emprega (logo a seguir ao sector financeir) e são o que mais contribui para a imagem externa de Nova York como um pólo de atracção. Isto não se consegue de um dia para o outro, no caso de Nova York, vem de um continuado esforço desde os anos 60. Mas é um esforço que dá frutos. Como a «Time» escreve, «os economistas defendem que as artes, tal como o bom clima e boas escolas, são um factor determinante para atrair profissionais qualificados, que por sua vez dão um local uma vantagem competitiva». Porque é que por cá se pensa tão pouco nisto?
(Publicado no diário «Meia-Hora» de 23 de Janeiro)
O Senhor Presidente da República iniciou um roteiro sobre o Património, iniciativa obviamente louvável e interessante e muito de acordo com a linha oficial de privilegiar o património cultural existente em detrimento do fomento da criatividade. É coisa, aliás, que já vem dos tempos em que foi Primeiro Ministro e faz parte da linha de acção defendida por nomes como Vasco Graça Moura, um dos seus apoiantes.
Esta acção insere-se às mil maravilhas no discurso oficial da actual Ministra da Cultura, ela própria uma notória partidária de evitar fazer o que quer que seja de novo e canalizar energias para o que já existe.
Infelizmente esta forma de olhar para as coisas não existe só a nível do Governo. São poucas as autarquias que têm uma estratégia de política cultural virada para o futuro, são poucas as que projectam a criação de redes, de ligações nacionais e internacionais, são poucas as que estimulam o desenvolvimento da criatividade. Já nem falo do Porto, onde o edil se preocupa mais com corridas de automóveis e de aviões do que com qualquer coisa que vagamente se prenda com os malefícios das artes e da cultura. Mas seria interessante ver Lisboa preocupada com isto em vez de se concentrar em manifestações mais ou menos folclóricas e passageiras.
A revista «Time» desta semana escreve preto no branco que a principal razão das visitas turísticas a Nova York reside no desejo de aproveitar a oferta cultural local. Em cada ano, escreve a revista, 7,5 milhões de visitantes têm esse objectivo e o Metropolitan Museum Of Art recebe 4,6 milhões de visitantes por ano. Nova York é uma cidade criativa e apesar de ser a capital financeira do mundo moderno, as indústrias criativas no seu todo (comunicação, edição, produção audiovisual, artes plásticas, design, música, dança, teatro, arquitectura, moda e publicidade) são o segundo sector que mais gente emprega (logo a seguir ao sector financeir) e são o que mais contribui para a imagem externa de Nova York como um pólo de atracção. Isto não se consegue de um dia para o outro, no caso de Nova York, vem de um continuado esforço desde os anos 60. Mas é um esforço que dá frutos. Como a «Time» escreve, «os economistas defendem que as artes, tal como o bom clima e boas escolas, são um factor determinante para atrair profissionais qualificados, que por sua vez dão um local uma vantagem competitiva». Porque é que por cá se pensa tão pouco nisto?
janeiro 21, 2008
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BOM – Duas boas novidades esta semana na área da comunicação. Em primeiro lugar os estudos revelam que em 2007 aumentou o número de leitores de jornais, mostram que a imprensa resiste e ganha audiências. Ler jornais é o primeiro passo para um país que quer evoluir. Bem sei que os jornais gratuitos têm um papel nisso, mas em si é bom. E é muito bom saber que este «Jornal de Negócios» foi dos títulos que mais evoluíu. A segunda boa notícia vem da televisão: José Fragoso é uma boa escolha para a Direcção de Programas e José Alberto Carvalho é também a boa escolha para a Direcção de Informação da RTP 1.
MAU – A forma como Luís Filipe Menezes se resolveu armar em editor de estações de televisão e se pôs a escolher comentadores televisões e a sugerir conteúdos. Se na oposição faz isto, imaginem se um dia tem poder… O aconselhamento do PSD em matéria de comunicação é do género elefante em loja de porcelanas.
PÉSSIMO – O facto de o Sr. Nunes, da ASAE, se afirmar convicto da bondade da participação de agentes sob as suas ordens em programas de instrução policial anti-terroristas. Em vez da persuasão, a força é o seu lema. Cada semana se descobrem novas interpretações abusivas da ASAE. É um caso de notoriedade ganho pela mediocridade da acção e pelo abuso de poder. Por este andar qualquer dia a ASAE começa a fiscalizar a qualidade e condições de armazenamento das hóstias nas igrejas e o método de limpeza dos cálices de vinho usados pelos sacerdotes. Já faltou mais…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Santos Silva, essa extraordinária figura do regime, esse exemplo de manipulação da realidade, a querer fazer crer que a decisão sobre a atribuição do novo canal de televisão não será tomada pelo Governo mas por um organismo – A Alta Autoridade - cujo histórico é fazer tudo o que dá jeito ao Governo, seguir todas as suas instruções, um organismo que é fruto de negociações palacianas de bastidores em que o próprio Santos Silva esteve envolvido.
CRIATIVIDADE – Se alguns dos novos métodos de gestão utilizados na área da cultura e nos media fossem utilizados em instalações industriais tradicionais não me espantava que de uma fábrica de cimento passassem a sair sacos carregados de areia. A subalternização do talento, a falta de atenção à qualidade dos conteúdos é o maior perigo para tudo o que são áreas criativas. Com má matéria prima não se fazem boas construções. Investir pouco nos conteúdos e na qualidade das edições afasta público, anunciantes e compromete a existência de um negócio a médio-longo prazo, mesmo que a curto prazo faça aumentar a rentabilidade.
DESCOBRIR – Uma tarde na net, na passada terça feira. De um lado a Assembleia Geral do BCP, do outro a apresentação das novidades da Apple por Steve Jobs. Relatos em directo, o prazer de nos sentirmos dentro da acção mesmo quando bem longe fisicamente. Coisas que o admirável mundo novo proporciona.
PETISCAR – Ovas de bacalhau de La Gôndola, fábrica conserveira tradicional em Perafita, Matosinhos. Vêm enlatadas em bom azeite, cada caixa traz 120 gramas (por cerca de 5 euros). Saborosas, são ricas em cálcio e ferro, 370 delicadas calorias em cada 100 gramas. Um verdadeiro petisco português – brilhante sobre uma fatia de broa, acompanhado por um bom vinho verde.
LER – Vasco Pulido Valente a explicar como o povo unido jamais será vencido. A coisa não reporta a 1974 mas sim a 1808, quando o país se levantou contra o invasor francês, numa autêntica revolta popular. Num curto ensaio de cerca de 100 páginas, Vasco Pulido Valente como que faz uma reportagem dos acontecimentos, descrevendo a situação, relacionando factos, relatando o sucedido, percorrendo o país de norte a sul. «Ir Pró Maneta» é um dos mais deliciosos livros sobre História de Portugal que li ao longo da vida, muito centrado na brutalidade da actuação de um dos generais franceses, Loison (conhecido pela alcunha do «Maneta»), que mais contribuiu para a revolta dos populares e que mais gente matou.
OUVIR – Num tempo em que se voltou a ouvir fado é boa ideia revisitar o que é a referência de todos – Amália Rodrigues. A Valentim de Carvalho juntou numa edição especial os dois álbuns « O Melhor de Amália», compilados em 1995 e 2000, e em parceria com a Som Livre fez uma bela edição que agrupa os quatro CD’s e mantém as informações e imagens das edições originais. 56 fados, 56 grandes interpretações de Amália, de «Foi Deus» a «Tudo Isto é Fado», passando pelo extraordinário «Ai Mouraria» ou o delicioso «Lisboa Não Sejas Francesa». «O Melhor de Amália», edição especial de 4 Cd’s.
BACK TO BASICS – Os erros são a porta de entrada nas descobertas – James Joyce.
MAU – A forma como Luís Filipe Menezes se resolveu armar em editor de estações de televisão e se pôs a escolher comentadores televisões e a sugerir conteúdos. Se na oposição faz isto, imaginem se um dia tem poder… O aconselhamento do PSD em matéria de comunicação é do género elefante em loja de porcelanas.
PÉSSIMO – O facto de o Sr. Nunes, da ASAE, se afirmar convicto da bondade da participação de agentes sob as suas ordens em programas de instrução policial anti-terroristas. Em vez da persuasão, a força é o seu lema. Cada semana se descobrem novas interpretações abusivas da ASAE. É um caso de notoriedade ganho pela mediocridade da acção e pelo abuso de poder. Por este andar qualquer dia a ASAE começa a fiscalizar a qualidade e condições de armazenamento das hóstias nas igrejas e o método de limpeza dos cálices de vinho usados pelos sacerdotes. Já faltou mais…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Santos Silva, essa extraordinária figura do regime, esse exemplo de manipulação da realidade, a querer fazer crer que a decisão sobre a atribuição do novo canal de televisão não será tomada pelo Governo mas por um organismo – A Alta Autoridade - cujo histórico é fazer tudo o que dá jeito ao Governo, seguir todas as suas instruções, um organismo que é fruto de negociações palacianas de bastidores em que o próprio Santos Silva esteve envolvido.
CRIATIVIDADE – Se alguns dos novos métodos de gestão utilizados na área da cultura e nos media fossem utilizados em instalações industriais tradicionais não me espantava que de uma fábrica de cimento passassem a sair sacos carregados de areia. A subalternização do talento, a falta de atenção à qualidade dos conteúdos é o maior perigo para tudo o que são áreas criativas. Com má matéria prima não se fazem boas construções. Investir pouco nos conteúdos e na qualidade das edições afasta público, anunciantes e compromete a existência de um negócio a médio-longo prazo, mesmo que a curto prazo faça aumentar a rentabilidade.
DESCOBRIR – Uma tarde na net, na passada terça feira. De um lado a Assembleia Geral do BCP, do outro a apresentação das novidades da Apple por Steve Jobs. Relatos em directo, o prazer de nos sentirmos dentro da acção mesmo quando bem longe fisicamente. Coisas que o admirável mundo novo proporciona.
PETISCAR – Ovas de bacalhau de La Gôndola, fábrica conserveira tradicional em Perafita, Matosinhos. Vêm enlatadas em bom azeite, cada caixa traz 120 gramas (por cerca de 5 euros). Saborosas, são ricas em cálcio e ferro, 370 delicadas calorias em cada 100 gramas. Um verdadeiro petisco português – brilhante sobre uma fatia de broa, acompanhado por um bom vinho verde.
LER – Vasco Pulido Valente a explicar como o povo unido jamais será vencido. A coisa não reporta a 1974 mas sim a 1808, quando o país se levantou contra o invasor francês, numa autêntica revolta popular. Num curto ensaio de cerca de 100 páginas, Vasco Pulido Valente como que faz uma reportagem dos acontecimentos, descrevendo a situação, relacionando factos, relatando o sucedido, percorrendo o país de norte a sul. «Ir Pró Maneta» é um dos mais deliciosos livros sobre História de Portugal que li ao longo da vida, muito centrado na brutalidade da actuação de um dos generais franceses, Loison (conhecido pela alcunha do «Maneta»), que mais contribuiu para a revolta dos populares e que mais gente matou.
OUVIR – Num tempo em que se voltou a ouvir fado é boa ideia revisitar o que é a referência de todos – Amália Rodrigues. A Valentim de Carvalho juntou numa edição especial os dois álbuns « O Melhor de Amália», compilados em 1995 e 2000, e em parceria com a Som Livre fez uma bela edição que agrupa os quatro CD’s e mantém as informações e imagens das edições originais. 56 fados, 56 grandes interpretações de Amália, de «Foi Deus» a «Tudo Isto é Fado», passando pelo extraordinário «Ai Mouraria» ou o delicioso «Lisboa Não Sejas Francesa». «O Melhor de Amália», edição especial de 4 Cd’s.
BACK TO BASICS – Os erros são a porta de entrada nas descobertas – James Joyce.
BOM – Duas boas novidades esta semana na área da comunicação. Em primeiro lugar os estudos revelam que em 2007 aumentou o número de leitores de jornais, mostram que a imprensa resiste e ganha audiências. Ler jornais é o primeiro passo para um país que quer evoluir. Bem sei que os jornais gratuitos têm um papel nisso, mas em si é bom. E é muito bom saber que este «Jornal de Negócios» foi dos títulos que mais evoluíu. A segunda boa notícia vem da televisão: José Fragoso é uma boa escolha para a Direcção de Programas e José Alberto Carvalho é também a boa escolha para a Direcção de Informação da RTP 1.
MAU – A forma como Luís Filipe Menezes se resolveu armar em editor de estações de televisão e se pôs a escolher comentadores televisões e a sugerir conteúdos. Se na oposição faz isto, imaginem se um dia tem poder… O aconselhamento do PSD em matéria de comunicação é do género elefante em loja de porcelanas.
PÉSSIMO – O facto de o Sr. Nunes, da ASAE, se afirmar convicto da bondade da participação de agentes sob as suas ordens em programas de instrução policial anti-terroristas. Em vez da persuasão, a força é o seu lema. Cada semana se descobrem novas interpretações abusivas da ASAE. É um caso de notoriedade ganho pela mediocridade da acção e pelo abuso de poder. Por este andar qualquer dia a ASAE começa a fiscalizar a qualidade e condições de armazenamento das hóstias nas igrejas e o método de limpeza dos cálices de vinho usados pelos sacerdotes. Já faltou mais…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Santos Silva, essa extraordinária figura do regime, esse exemplo de manipulação da realidade, a querer fazer crer que a decisão sobre a atribuição do novo canal de televisão não será tomada pelo Governo mas por um organismo – A Alta Autoridade - cujo histórico é fazer tudo o que dá jeito ao Governo, seguir todas as suas instruções, um organismo que é fruto de negociações palacianas de bastidores em que o próprio Santos Silva esteve envolvido.
CRIATIVIDADE – Se alguns dos novos métodos de gestão utilizados na área da cultura e nos media fossem utilizados em instalações industriais tradicionais não me espantava que de uma fábrica de cimento passassem a sair sacos carregados de areia. A subalternização do talento, a falta de atenção à qualidade dos conteúdos é o maior perigo para tudo o que são áreas criativas. Com má matéria prima não se fazem boas construções. Investir pouco nos conteúdos e na qualidade das edições afasta público, anunciantes e compromete a existência de um negócio a médio-longo prazo, mesmo que a curto prazo faça aumentar a rentabilidade.
DESCOBRIR – Uma tarde na net, na passada terça feira. De um lado a Assembleia Geral do BCP, do outro a apresentação das novidades da Apple por Steve Jobs. Relatos em directo, o prazer de nos sentirmos dentro da acção mesmo quando bem longe fisicamente. Coisas que o admirável mundo novo proporciona.
PETISCAR – Ovas de bacalhau de La Gôndola, fábrica conserveira tradicional em Perafita, Matosinhos. Vêm enlatadas em bom azeite, cada caixa traz 120 gramas (por cerca de 5 euros). Saborosas, são ricas em cálcio e ferro, 370 delicadas calorias em cada 100 gramas. Um verdadeiro petisco português – brilhante sobre uma fatia de broa, acompanhado por um bom vinho verde.
LER – Vasco Pulido Valente a explicar como o povo unido jamais será vencido. A coisa não reporta a 1974 mas sim a 1808, quando o país se levantou contra o invasor francês, numa autêntica revolta popular. Num curto ensaio de cerca de 100 páginas, Vasco Pulido Valente como que faz uma reportagem dos acontecimentos, descrevendo a situação, relacionando factos, relatando o sucedido, percorrendo o país de norte a sul. «Ir Pró Maneta» é um dos mais deliciosos livros sobre História de Portugal que li ao longo da vida, muito centrado na brutalidade da actuação de um dos generais franceses, Loison (conhecido pela alcunha do «Maneta»), que mais contribuiu para a revolta dos populares e que mais gente matou.
OUVIR – Num tempo em que se voltou a ouvir fado é boa ideia revisitar o que é a referência de todos – Amália Rodrigues. A Valentim de Carvalho juntou numa edição especial os dois álbuns « O Melhor de Amália», compilados em 1995 e 2000, e em parceria com a Som Livre fez uma bela edição que agrupa os quatro CD’s e mantém as informações e imagens das edições originais. 56 fados, 56 grandes interpretações de Amália, de «Foi Deus» a «Tudo Isto é Fado», passando pelo extraordinário «Ai Mouraria» ou o delicioso «Lisboa Não Sejas Francesa». «O Melhor de Amália», edição especial de 4 Cd’s.
BACK TO BASICS – Os erros são a porta de entrada nas descobertas – James Joyce.
MAU – A forma como Luís Filipe Menezes se resolveu armar em editor de estações de televisão e se pôs a escolher comentadores televisões e a sugerir conteúdos. Se na oposição faz isto, imaginem se um dia tem poder… O aconselhamento do PSD em matéria de comunicação é do género elefante em loja de porcelanas.
PÉSSIMO – O facto de o Sr. Nunes, da ASAE, se afirmar convicto da bondade da participação de agentes sob as suas ordens em programas de instrução policial anti-terroristas. Em vez da persuasão, a força é o seu lema. Cada semana se descobrem novas interpretações abusivas da ASAE. É um caso de notoriedade ganho pela mediocridade da acção e pelo abuso de poder. Por este andar qualquer dia a ASAE começa a fiscalizar a qualidade e condições de armazenamento das hóstias nas igrejas e o método de limpeza dos cálices de vinho usados pelos sacerdotes. Já faltou mais…
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Santos Silva, essa extraordinária figura do regime, esse exemplo de manipulação da realidade, a querer fazer crer que a decisão sobre a atribuição do novo canal de televisão não será tomada pelo Governo mas por um organismo – A Alta Autoridade - cujo histórico é fazer tudo o que dá jeito ao Governo, seguir todas as suas instruções, um organismo que é fruto de negociações palacianas de bastidores em que o próprio Santos Silva esteve envolvido.
CRIATIVIDADE – Se alguns dos novos métodos de gestão utilizados na área da cultura e nos media fossem utilizados em instalações industriais tradicionais não me espantava que de uma fábrica de cimento passassem a sair sacos carregados de areia. A subalternização do talento, a falta de atenção à qualidade dos conteúdos é o maior perigo para tudo o que são áreas criativas. Com má matéria prima não se fazem boas construções. Investir pouco nos conteúdos e na qualidade das edições afasta público, anunciantes e compromete a existência de um negócio a médio-longo prazo, mesmo que a curto prazo faça aumentar a rentabilidade.
DESCOBRIR – Uma tarde na net, na passada terça feira. De um lado a Assembleia Geral do BCP, do outro a apresentação das novidades da Apple por Steve Jobs. Relatos em directo, o prazer de nos sentirmos dentro da acção mesmo quando bem longe fisicamente. Coisas que o admirável mundo novo proporciona.
PETISCAR – Ovas de bacalhau de La Gôndola, fábrica conserveira tradicional em Perafita, Matosinhos. Vêm enlatadas em bom azeite, cada caixa traz 120 gramas (por cerca de 5 euros). Saborosas, são ricas em cálcio e ferro, 370 delicadas calorias em cada 100 gramas. Um verdadeiro petisco português – brilhante sobre uma fatia de broa, acompanhado por um bom vinho verde.
LER – Vasco Pulido Valente a explicar como o povo unido jamais será vencido. A coisa não reporta a 1974 mas sim a 1808, quando o país se levantou contra o invasor francês, numa autêntica revolta popular. Num curto ensaio de cerca de 100 páginas, Vasco Pulido Valente como que faz uma reportagem dos acontecimentos, descrevendo a situação, relacionando factos, relatando o sucedido, percorrendo o país de norte a sul. «Ir Pró Maneta» é um dos mais deliciosos livros sobre História de Portugal que li ao longo da vida, muito centrado na brutalidade da actuação de um dos generais franceses, Loison (conhecido pela alcunha do «Maneta»), que mais contribuiu para a revolta dos populares e que mais gente matou.
OUVIR – Num tempo em que se voltou a ouvir fado é boa ideia revisitar o que é a referência de todos – Amália Rodrigues. A Valentim de Carvalho juntou numa edição especial os dois álbuns « O Melhor de Amália», compilados em 1995 e 2000, e em parceria com a Som Livre fez uma bela edição que agrupa os quatro CD’s e mantém as informações e imagens das edições originais. 56 fados, 56 grandes interpretações de Amália, de «Foi Deus» a «Tudo Isto é Fado», passando pelo extraordinário «Ai Mouraria» ou o delicioso «Lisboa Não Sejas Francesa». «O Melhor de Amália», edição especial de 4 Cd’s.
BACK TO BASICS – Os erros são a porta de entrada nas descobertas – James Joyce.
janeiro 18, 2008
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O PRAZER DA IMPRENSA
(Na edição de quarta-feira do diário «Meia-Hora»)
Hoje começo por uma pergunta ao leitor: - sabe que em 2007 muito mais portugueses adquiriram o hábito de ler jornais? – Isso deve-se à distribuição de jornais gratuitos, como este «Meia Hora» que está a ler. Tudo indica que neste novo ano a tendência se irá aprofundar.
Ganhar hábitos de leitura é bom, é mesmo fundamental. O número de pessoas que habitualmente lêem jornais é um dos indicadores importantes do desenvolvimento das sociedades e, infelizmente, também aí Portugal está na cauda da Europa. Para além do analfabetismo ( a incapacidade de ler), existe o analfabetismo funcional – aquelas pessoas que, teoricamente sabendo ler e escrever, na prática não têm o hábito da leitura e aos poucos vão perdendo a sua capacidade. A taxa de analfabetismo funcional dos portugueses é enorme. Eu acredito que os jornais – e neste caso os gratuitos – ajudam as pessoas a interessarem-se pelo que está à sua volta e a perceberem a importância que para as suas vidas tem o conhecimento e a informação.
Mais do que qualquer outro meio, a imprensa contribui para a nossa memória colectiva – regista o que se passou, descreve e interpreta os acontecimentos, mostra as imagens. Mais: é o meio que mais oportunidade dá para exprimir opiniões, de alimentar o pluralismo e o debate na sociedade. E, nos dias que correm, cada vez mais, a imprensa é o melhor meio para procurar públicos segmentados, importante quando se querem atingir mercados mais sofisticados.
E, por último, a imprensa é o meio mais avançado na integração com a Internet e são as empresas jornalísticas baseadas em jornais e revistas que melhores sites têm feito, que mais têm aproveitado as oportunidades de negócios na área digital e que se têm revelado os melhores parceiros para novas formas de publicidade e para a segmentação de contactos com os consumidores.
Ora é exactamente por tudo isto que eu gosto especialmente da imprensa – porque nos permite ler, reter, comparar, pensar. Se tenho saudades de alguma coisa, em termos profissionais, é do mundo da imprensa e não de outro qualquer. A televisão é o reino do instante e efémero, a rádio transformou-se no reino das citações com registo sonoro quase sem mediação, e a imprensa continua, felizmente, a ser o sítio onde se pode ainda perceber o que se passou. Leiam muito neste novo ano.
(Na edição de quarta-feira do diário «Meia-Hora»)
Hoje começo por uma pergunta ao leitor: - sabe que em 2007 muito mais portugueses adquiriram o hábito de ler jornais? – Isso deve-se à distribuição de jornais gratuitos, como este «Meia Hora» que está a ler. Tudo indica que neste novo ano a tendência se irá aprofundar.
Ganhar hábitos de leitura é bom, é mesmo fundamental. O número de pessoas que habitualmente lêem jornais é um dos indicadores importantes do desenvolvimento das sociedades e, infelizmente, também aí Portugal está na cauda da Europa. Para além do analfabetismo ( a incapacidade de ler), existe o analfabetismo funcional – aquelas pessoas que, teoricamente sabendo ler e escrever, na prática não têm o hábito da leitura e aos poucos vão perdendo a sua capacidade. A taxa de analfabetismo funcional dos portugueses é enorme. Eu acredito que os jornais – e neste caso os gratuitos – ajudam as pessoas a interessarem-se pelo que está à sua volta e a perceberem a importância que para as suas vidas tem o conhecimento e a informação.
Mais do que qualquer outro meio, a imprensa contribui para a nossa memória colectiva – regista o que se passou, descreve e interpreta os acontecimentos, mostra as imagens. Mais: é o meio que mais oportunidade dá para exprimir opiniões, de alimentar o pluralismo e o debate na sociedade. E, nos dias que correm, cada vez mais, a imprensa é o melhor meio para procurar públicos segmentados, importante quando se querem atingir mercados mais sofisticados.
E, por último, a imprensa é o meio mais avançado na integração com a Internet e são as empresas jornalísticas baseadas em jornais e revistas que melhores sites têm feito, que mais têm aproveitado as oportunidades de negócios na área digital e que se têm revelado os melhores parceiros para novas formas de publicidade e para a segmentação de contactos com os consumidores.
Ora é exactamente por tudo isto que eu gosto especialmente da imprensa – porque nos permite ler, reter, comparar, pensar. Se tenho saudades de alguma coisa, em termos profissionais, é do mundo da imprensa e não de outro qualquer. A televisão é o reino do instante e efémero, a rádio transformou-se no reino das citações com registo sonoro quase sem mediação, e a imprensa continua, felizmente, a ser o sítio onde se pode ainda perceber o que se passou. Leiam muito neste novo ano.
O PRAZER DA IMPRENSA
(Na edição de quarta-feira do diário «Meia-Hora»)
Hoje começo por uma pergunta ao leitor: - sabe que em 2007 muito mais portugueses adquiriram o hábito de ler jornais? – Isso deve-se à distribuição de jornais gratuitos, como este «Meia Hora» que está a ler. Tudo indica que neste novo ano a tendência se irá aprofundar.
Ganhar hábitos de leitura é bom, é mesmo fundamental. O número de pessoas que habitualmente lêem jornais é um dos indicadores importantes do desenvolvimento das sociedades e, infelizmente, também aí Portugal está na cauda da Europa. Para além do analfabetismo ( a incapacidade de ler), existe o analfabetismo funcional – aquelas pessoas que, teoricamente sabendo ler e escrever, na prática não têm o hábito da leitura e aos poucos vão perdendo a sua capacidade. A taxa de analfabetismo funcional dos portugueses é enorme. Eu acredito que os jornais – e neste caso os gratuitos – ajudam as pessoas a interessarem-se pelo que está à sua volta e a perceberem a importância que para as suas vidas tem o conhecimento e a informação.
Mais do que qualquer outro meio, a imprensa contribui para a nossa memória colectiva – regista o que se passou, descreve e interpreta os acontecimentos, mostra as imagens. Mais: é o meio que mais oportunidade dá para exprimir opiniões, de alimentar o pluralismo e o debate na sociedade. E, nos dias que correm, cada vez mais, a imprensa é o melhor meio para procurar públicos segmentados, importante quando se querem atingir mercados mais sofisticados.
E, por último, a imprensa é o meio mais avançado na integração com a Internet e são as empresas jornalísticas baseadas em jornais e revistas que melhores sites têm feito, que mais têm aproveitado as oportunidades de negócios na área digital e que se têm revelado os melhores parceiros para novas formas de publicidade e para a segmentação de contactos com os consumidores.
Ora é exactamente por tudo isto que eu gosto especialmente da imprensa – porque nos permite ler, reter, comparar, pensar. Se tenho saudades de alguma coisa, em termos profissionais, é do mundo da imprensa e não de outro qualquer. A televisão é o reino do instante e efémero, a rádio transformou-se no reino das citações com registo sonoro quase sem mediação, e a imprensa continua, felizmente, a ser o sítio onde se pode ainda perceber o que se passou. Leiam muito neste novo ano.
(Na edição de quarta-feira do diário «Meia-Hora»)
Hoje começo por uma pergunta ao leitor: - sabe que em 2007 muito mais portugueses adquiriram o hábito de ler jornais? – Isso deve-se à distribuição de jornais gratuitos, como este «Meia Hora» que está a ler. Tudo indica que neste novo ano a tendência se irá aprofundar.
Ganhar hábitos de leitura é bom, é mesmo fundamental. O número de pessoas que habitualmente lêem jornais é um dos indicadores importantes do desenvolvimento das sociedades e, infelizmente, também aí Portugal está na cauda da Europa. Para além do analfabetismo ( a incapacidade de ler), existe o analfabetismo funcional – aquelas pessoas que, teoricamente sabendo ler e escrever, na prática não têm o hábito da leitura e aos poucos vão perdendo a sua capacidade. A taxa de analfabetismo funcional dos portugueses é enorme. Eu acredito que os jornais – e neste caso os gratuitos – ajudam as pessoas a interessarem-se pelo que está à sua volta e a perceberem a importância que para as suas vidas tem o conhecimento e a informação.
Mais do que qualquer outro meio, a imprensa contribui para a nossa memória colectiva – regista o que se passou, descreve e interpreta os acontecimentos, mostra as imagens. Mais: é o meio que mais oportunidade dá para exprimir opiniões, de alimentar o pluralismo e o debate na sociedade. E, nos dias que correm, cada vez mais, a imprensa é o melhor meio para procurar públicos segmentados, importante quando se querem atingir mercados mais sofisticados.
E, por último, a imprensa é o meio mais avançado na integração com a Internet e são as empresas jornalísticas baseadas em jornais e revistas que melhores sites têm feito, que mais têm aproveitado as oportunidades de negócios na área digital e que se têm revelado os melhores parceiros para novas formas de publicidade e para a segmentação de contactos com os consumidores.
Ora é exactamente por tudo isto que eu gosto especialmente da imprensa – porque nos permite ler, reter, comparar, pensar. Se tenho saudades de alguma coisa, em termos profissionais, é do mundo da imprensa e não de outro qualquer. A televisão é o reino do instante e efémero, a rádio transformou-se no reino das citações com registo sonoro quase sem mediação, e a imprensa continua, felizmente, a ser o sítio onde se pode ainda perceber o que se passou. Leiam muito neste novo ano.
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