janeiro 15, 2008

REVISTA ATLÂNTICO
Não percam a edição deste mês - belos artigos de Rui Ramos, José Miguel Júdice e António Carrapatoso, entre outros. E a coluna habitual sobre televisão, intitulada «Sentados No Sofá», da minha lavra, e que aqui se reproduz. No entretanto espreitem aqui


A HORA H
Nos últimos quatro anos a RTP deve uma gestão estável e foi possível fazer muita coisa a nível de organização da empresa e respectivo equilíbrio financeiro. Em termos de conceito de serviço público houve altos e baixos, como em qualquer época anterior. Mas na realidade, em termos de definição da missão do operador público de televisão e rádio, e sua concretização, muito continua por fazer.

Por isso mesmo, aqui sentadinho no meu sofá, dei comigo a pensar que valia a pena o accionista, que é o Estado, reflectir sobre este assunto – numa altura em que a Televisão Digital Terrestre está aí à beira e em que novos canais privados são já dados como certos.

Existe portanto um ponto assente: a realidade vai mudar, a paisagem audiovisual portuguesa vai sofrer transformações acentuadas nos próximos quatro anos.

Qual o papel e quais as linhas de força da actividade do operador público nesse horizonte de tempo?

A questão tem na realidade um duplo sentido: por um lado definir melhor a esfera de acção de cada canal de televisão de serviço público (e, já agora, também de rádio) e, por outro, definir que papel deve ter a RTP no fomento articulado do desenvolvimento da produção audiovisual portuguesa. Até agora existe um contrato de investimento plurianual com a RTP, tímido e por vezes de difícil execução. É preciso ir bem mais longe.

Um operador da televisão pública que seja de facto aliado do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia e que participe activamente no fundo de investimento de capital autónomo para o fomento e desenvolvimento do cinema e do audiovisual, pode ter um papel único no desenvolvimento da produção audiovisual, nomeadamente nas áreas da ficção e do documentário, mas também no registo das artes performativas e na relação com outras áreas criativas e artísticas.

Sempre achei que o operador de serviço público deve ser um dinamizador da produção independente e uma referência em termos da tipologia e da qualidade que se pretende. Durante muito tempo (e a administração cessante infelizmente fomentou esta ideia), a produção independente foi encarada como inimiga da RTP – quando na verdade deve ser encarada como parceira necessária no desenvolvimento da indústria audiovisual portuguesa. Não me canso de repetir que, nos dias que correm, a defesa da língua e da cultura de cada país reside, em primeiro lugar, na sua capacidade de existência no mundo audiovisual e digital. E a esse nível continua quase tudo por fazer.

O serviço público da RTP ou passa por aí - e se justifica o investimento que o Estado para lá canaliza - ou então a sua actividade serve apenas para alimentar uma máquina sem rumo próprio, concorrente às estações privadas, e que garante um palco negociado entre as forças políticas que alternam no Governo do país. E o serviço público só se justifica se este novo paradigma for encarado de frente.



PENSAMENTOS OCIOSOS I

Quando tiverem um bocadinho de tempo e quiserem perceber o que é na realidade bom serviço público, podem visitar o site do Public Broadcasting Service norte-americano (www.pbs.org ) . Para além da história, organização, financiamento e funcionamento das várias estações locais que aderiram ao conceito, têm permanentemente novidades sobre novos programas, quer documentários, quer educacionais, quer reportagens de actualidade ou debates, como por exemplo sobre as próximas presidenciais americanas. É engraçado ver como há sites específicos para crianças, pais e professores, além de extensas zonas de navegação para todos os que querem apenas mais informação sobre a programação e a estação. Um exemplo de boa acessibilidade, boa informação e, acima de tudo, excelentes princípios e objectivos.



PENSAMENTOS OCIOSOS II

A recente greve dos guionistas norte-americanos devia fazer-nos pensar aqui um bocadinho nesta Europa e, em particular, neste Portugal. Como alguns terão notado, o motivo da greve tem a ver, essencialmente, com a distribuição da parte dos direitos de autor e conexos que os guionistas entendem que lhes é devida, em função da distribuição de obras audiovisuais baseadas nos seus textos em outros formatos para além daqueles para que foram originalmente escritas, ou seja os filmes e a televisão. Hoje, para além da tv, temos que contar com a distribuição digital em PDA’s, telemóveis e iPod’sm, com a edição em DVD ou ainda com downloads via net ou via cabo – para só citar alguns exemplos. O que os guionistas querem é o seu quinhão nestas novas receitas, como alguns realizadores, actores e produtores já têm nos Estados Unidos.

Mais cedo ou mais tarde a União Europeia vai também exigir o cumprimento das remunerações acessórias relativas aos direitos de autor – e em Portugal a situação é particularmente grave já que muito boa gente – a começar pelo serviço público que devia dar o exemplo de boas práticas nesta matéria – se escuda no conceito de obras de encomenda para não distribuir as remunerações acessórias.

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REVISTA ATLÂNTICO
Não percam a edição deste mês - belos artigos de Rui Ramos, José Miguel Júdice e António Carrapatoso, entre outros. E a coluna habitual sobre televisão, intitulada «Sentados No Sofá», da minha lavra, e que aqui se reproduz. No entretanto espreitem aqui


A HORA H
Nos últimos quatro anos a RTP deve uma gestão estável e foi possível fazer muita coisa a nível de organização da empresa e respectivo equilíbrio financeiro. Em termos de conceito de serviço público houve altos e baixos, como em qualquer época anterior. Mas na realidade, em termos de definição da missão do operador público de televisão e rádio, e sua concretização, muito continua por fazer.

Por isso mesmo, aqui sentadinho no meu sofá, dei comigo a pensar que valia a pena o accionista, que é o Estado, reflectir sobre este assunto – numa altura em que a Televisão Digital Terrestre está aí à beira e em que novos canais privados são já dados como certos.

Existe portanto um ponto assente: a realidade vai mudar, a paisagem audiovisual portuguesa vai sofrer transformações acentuadas nos próximos quatro anos.

Qual o papel e quais as linhas de força da actividade do operador público nesse horizonte de tempo?

A questão tem na realidade um duplo sentido: por um lado definir melhor a esfera de acção de cada canal de televisão de serviço público (e, já agora, também de rádio) e, por outro, definir que papel deve ter a RTP no fomento articulado do desenvolvimento da produção audiovisual portuguesa. Até agora existe um contrato de investimento plurianual com a RTP, tímido e por vezes de difícil execução. É preciso ir bem mais longe.

Um operador da televisão pública que seja de facto aliado do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia e que participe activamente no fundo de investimento de capital autónomo para o fomento e desenvolvimento do cinema e do audiovisual, pode ter um papel único no desenvolvimento da produção audiovisual, nomeadamente nas áreas da ficção e do documentário, mas também no registo das artes performativas e na relação com outras áreas criativas e artísticas.

Sempre achei que o operador de serviço público deve ser um dinamizador da produção independente e uma referência em termos da tipologia e da qualidade que se pretende. Durante muito tempo (e a administração cessante infelizmente fomentou esta ideia), a produção independente foi encarada como inimiga da RTP – quando na verdade deve ser encarada como parceira necessária no desenvolvimento da indústria audiovisual portuguesa. Não me canso de repetir que, nos dias que correm, a defesa da língua e da cultura de cada país reside, em primeiro lugar, na sua capacidade de existência no mundo audiovisual e digital. E a esse nível continua quase tudo por fazer.

O serviço público da RTP ou passa por aí - e se justifica o investimento que o Estado para lá canaliza - ou então a sua actividade serve apenas para alimentar uma máquina sem rumo próprio, concorrente às estações privadas, e que garante um palco negociado entre as forças políticas que alternam no Governo do país. E o serviço público só se justifica se este novo paradigma for encarado de frente.



PENSAMENTOS OCIOSOS I

Quando tiverem um bocadinho de tempo e quiserem perceber o que é na realidade bom serviço público, podem visitar o site do Public Broadcasting Service norte-americano (www.pbs.org ) . Para além da história, organização, financiamento e funcionamento das várias estações locais que aderiram ao conceito, têm permanentemente novidades sobre novos programas, quer documentários, quer educacionais, quer reportagens de actualidade ou debates, como por exemplo sobre as próximas presidenciais americanas. É engraçado ver como há sites específicos para crianças, pais e professores, além de extensas zonas de navegação para todos os que querem apenas mais informação sobre a programação e a estação. Um exemplo de boa acessibilidade, boa informação e, acima de tudo, excelentes princípios e objectivos.



PENSAMENTOS OCIOSOS II

A recente greve dos guionistas norte-americanos devia fazer-nos pensar aqui um bocadinho nesta Europa e, em particular, neste Portugal. Como alguns terão notado, o motivo da greve tem a ver, essencialmente, com a distribuição da parte dos direitos de autor e conexos que os guionistas entendem que lhes é devida, em função da distribuição de obras audiovisuais baseadas nos seus textos em outros formatos para além daqueles para que foram originalmente escritas, ou seja os filmes e a televisão. Hoje, para além da tv, temos que contar com a distribuição digital em PDA’s, telemóveis e iPod’sm, com a edição em DVD ou ainda com downloads via net ou via cabo – para só citar alguns exemplos. O que os guionistas querem é o seu quinhão nestas novas receitas, como alguns realizadores, actores e produtores já têm nos Estados Unidos.

Mais cedo ou mais tarde a União Europeia vai também exigir o cumprimento das remunerações acessórias relativas aos direitos de autor – e em Portugal a situação é particularmente grave já que muito boa gente – a começar pelo serviço público que devia dar o exemplo de boas práticas nesta matéria – se escuda no conceito de obras de encomenda para não distribuir as remunerações acessórias.

janeiro 14, 2008

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O HOMEM - Ele fala com um toque de voz enfatuado, um pouco entre o pedante e o estrangeirado. Levanta o queixo, sobranceiro. Noutros tempos podia ser tomado por um provocador. Mas não. É diferente, é um Ministro. Há uns dias apareceu na televisão a defender o encerramento das urgências hospitalares. NA pose, displicente, era indiferente perante a morte. Dos Outros, claro. Mudou de tema rápido e defendeu a actuação da ASAE. Assumiu a infalível autoridade do Estado. O homem que sabe tudo, na mesma entrevista, logo a seguir disse que o Lisboa-Dakar não corria perigo nenhum e não via razão para cancelamento da prova. 12 horas depois, disse que compreendia a dimensão do perigo. A criatura tem um nome – Silva Pereira. E tem uma função – escudeiro de Sócrates.


O PESSOAL - Olho à minha volta e vejo que o pessoal político está bem um para o outro, dos dois lados do baralho. Ribau Esteves deve ser feito do mesmo ADN de Silva Pereira. Menezes parece-se com Santos Silva – não consegue mais que isso. Vitalino Canas é a alma gémea de Marco António. Até parece que Portugal foi pioneiro da clonagem humana e que o laboratório de experiências foi o Bloco Central. O que passa é que todos mentem sem saberem que o fazem, todos prometem o que nunca vão cumprir, todos andam apenas a arranjar pretextos. Com políticos destes não vamos a lugar nenhum – e o velho Eça de Queiroz começa a ter razão – estes políticos e estes partidos não vão cair, têm que ser removidos a benzina porque são uma nódoa.


A TELEVISÃO - O Governo abriu a porta a um novo canal de televisão. Mas continua sem ir ao fundo do problema: qual o papel do Serviço Público? Como este executivo defende que o serviço público de televisão continue no mercado publicitário, sem mais restrições, é inevitável que o queira a competir em audiências. Como o Governo defende que o operador público deve ter novos canais com conteúdos que estão na matriz da definição do serviço público em qualquer lado do mundo – conhecimento e programação infanto-juvenil de qualidade – é porque quer reduzir e menorizar estas áreas nos seus canais generalistas. A quem serve isto? O Estado, recordo, é simultaneamente o accionista único de canais de televisão e o árbitro da nova realidade da Televisão Digital Terrestre. Não existe aqui um jogo perigoso?


O EXERCÍCIO - O Governo reduziu o IVA dos Ginásios para 5% para fomentar o exercício físico. Óptimo. Mas não reduziu a incidência do IVA nos produtos culturais: CD’s e DVD’s continuam a pagar 21%, ao contrário de Espanha, em que pagam 4%. Os livros aqui pagam 5% e em Espanha 1%. A Ministra da Cultura irá pedir para ser equiparada a Personal Trainer?


A PROMESSA - Quando um Primeiro Ministro contraria uma promessa eleitoral, que deve fazer? Para voltar atrás em mais uma promessa eleitoral – aprovar o novo texto guia da Comunidade Europeia em referendo - refugiou-se no trocadilho de palavras – não é um tratado sobre batatas mas sim sobre a forma de plantar batatas. Eu aliás sou dos que prescindo do referendo – mas o que está em causa é como os políticos de hoje fazem promessas para ganhar votos e depois as não cumprem e - pior – querem fazer de conta que não estão em falta. É a nova demagogia. Dos políticos modernos.


A LEITURA – A revista «Monocle» está a tornar-se num manual de acção política – no sentido cívico – para o século XXI. Nas últimas edições abordou o papel das cidades, a questão da imagem dos países e o assumir de marcas nacionais. Agora, na edição de Dezembro/Janeiro aborda as formas de governação, pistas para o novo ano e, sobretudo, como no mundo global é importante manter identidades fortes.No tempo da globalização, a proximidade e a segmentação voltam a ganhar espaço.


O DISCO- Vão fixando este nome: Luciana Souza. Trata-se de uma cantora brasileira, a viver nos Estados Unidos, cujo último disco, o sétimo da sua carreira, se chama, atrevidamente, «The New Bossa Nova». Com produção do seu marido, um experiente músico de jazz e produtor, Larry Klein, o disco é uma compilação de versões de temas compostos por nomes como Joni Mitchell, Leonard Cohen, Donald Fagen, James Taylor, Randy Newman e Tom Carlos Jobim, entre outros. A interpretação de Luciana Souza para temas conhecidos (e, por isso, arriscados) é inovadora QB, o que em boa parte se deve à excelência dos arranjos e da produção. CD Verve, distribuição Universal.


OBSERVANDO - Só falta o BCP requisitar pessoal à CGD, tal como fazem entre si os vários serviços do Estado.


BACK TO BASICS – Mais que as competências são os nossos actos que mostram a nossa verdadeira forma de ser – J.K. Rowling
O HOMEM - Ele fala com um toque de voz enfatuado, um pouco entre o pedante e o estrangeirado. Levanta o queixo, sobranceiro. Noutros tempos podia ser tomado por um provocador. Mas não. É diferente, é um Ministro. Há uns dias apareceu na televisão a defender o encerramento das urgências hospitalares. NA pose, displicente, era indiferente perante a morte. Dos Outros, claro. Mudou de tema rápido e defendeu a actuação da ASAE. Assumiu a infalível autoridade do Estado. O homem que sabe tudo, na mesma entrevista, logo a seguir disse que o Lisboa-Dakar não corria perigo nenhum e não via razão para cancelamento da prova. 12 horas depois, disse que compreendia a dimensão do perigo. A criatura tem um nome – Silva Pereira. E tem uma função – escudeiro de Sócrates.


O PESSOAL - Olho à minha volta e vejo que o pessoal político está bem um para o outro, dos dois lados do baralho. Ribau Esteves deve ser feito do mesmo ADN de Silva Pereira. Menezes parece-se com Santos Silva – não consegue mais que isso. Vitalino Canas é a alma gémea de Marco António. Até parece que Portugal foi pioneiro da clonagem humana e que o laboratório de experiências foi o Bloco Central. O que passa é que todos mentem sem saberem que o fazem, todos prometem o que nunca vão cumprir, todos andam apenas a arranjar pretextos. Com políticos destes não vamos a lugar nenhum – e o velho Eça de Queiroz começa a ter razão – estes políticos e estes partidos não vão cair, têm que ser removidos a benzina porque são uma nódoa.


A TELEVISÃO - O Governo abriu a porta a um novo canal de televisão. Mas continua sem ir ao fundo do problema: qual o papel do Serviço Público? Como este executivo defende que o serviço público de televisão continue no mercado publicitário, sem mais restrições, é inevitável que o queira a competir em audiências. Como o Governo defende que o operador público deve ter novos canais com conteúdos que estão na matriz da definição do serviço público em qualquer lado do mundo – conhecimento e programação infanto-juvenil de qualidade – é porque quer reduzir e menorizar estas áreas nos seus canais generalistas. A quem serve isto? O Estado, recordo, é simultaneamente o accionista único de canais de televisão e o árbitro da nova realidade da Televisão Digital Terrestre. Não existe aqui um jogo perigoso?


O EXERCÍCIO - O Governo reduziu o IVA dos Ginásios para 5% para fomentar o exercício físico. Óptimo. Mas não reduziu a incidência do IVA nos produtos culturais: CD’s e DVD’s continuam a pagar 21%, ao contrário de Espanha, em que pagam 4%. Os livros aqui pagam 5% e em Espanha 1%. A Ministra da Cultura irá pedir para ser equiparada a Personal Trainer?


A PROMESSA - Quando um Primeiro Ministro contraria uma promessa eleitoral, que deve fazer? Para voltar atrás em mais uma promessa eleitoral – aprovar o novo texto guia da Comunidade Europeia em referendo - refugiou-se no trocadilho de palavras – não é um tratado sobre batatas mas sim sobre a forma de plantar batatas. Eu aliás sou dos que prescindo do referendo – mas o que está em causa é como os políticos de hoje fazem promessas para ganhar votos e depois as não cumprem e - pior – querem fazer de conta que não estão em falta. É a nova demagogia. Dos políticos modernos.


A LEITURA – A revista «Monocle» está a tornar-se num manual de acção política – no sentido cívico – para o século XXI. Nas últimas edições abordou o papel das cidades, a questão da imagem dos países e o assumir de marcas nacionais. Agora, na edição de Dezembro/Janeiro aborda as formas de governação, pistas para o novo ano e, sobretudo, como no mundo global é importante manter identidades fortes.No tempo da globalização, a proximidade e a segmentação voltam a ganhar espaço.


O DISCO- Vão fixando este nome: Luciana Souza. Trata-se de uma cantora brasileira, a viver nos Estados Unidos, cujo último disco, o sétimo da sua carreira, se chama, atrevidamente, «The New Bossa Nova». Com produção do seu marido, um experiente músico de jazz e produtor, Larry Klein, o disco é uma compilação de versões de temas compostos por nomes como Joni Mitchell, Leonard Cohen, Donald Fagen, James Taylor, Randy Newman e Tom Carlos Jobim, entre outros. A interpretação de Luciana Souza para temas conhecidos (e, por isso, arriscados) é inovadora QB, o que em boa parte se deve à excelência dos arranjos e da produção. CD Verve, distribuição Universal.


OBSERVANDO - Só falta o BCP requisitar pessoal à CGD, tal como fazem entre si os vários serviços do Estado.


BACK TO BASICS – Mais que as competências são os nossos actos que mostram a nossa verdadeira forma de ser – J.K. Rowling

janeiro 10, 2008

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A MINISTRA DA CULTURA VAI PARA O GINÁSIO OU PÕE-SE AOS GRITOS?
(publicado na edição de 9 de Janeiro do diário «Meia Hora»)

Na sua incessante busca pelo aperfeiçoamento do corpo, o Primeiro Ministro José Sócrates resolveu baixar o IVA aplicável aos utilizadores de ginásios para 5%. A redução, que entrou em vigor ao mesmo tempo que as medidas anti-tabaco, deve certamente destinar-se a combater o aumento de peso dos ex-fumadores.

Uma outra hipótese é que, com base nestas medidas, o Governo venha anunciar que já começou a descer os impostos, o que certamente dará oportunidade ao Ministro Santos Silva para vir mais uma vez dizer que este Governo, na realidade, não pede sacrifícios aos portugueses.

Eu por mim não tenho nada contra esta descida de IVA, até me parece que ela é de saudar. Só tenho uma pequena questão: o que dirá a Senhora Ministra da Cultura deste assunto? Baterá palmas de contente? Ou terá exigido que idêntico tratamento, em matéria fiscal, seja concedido aos bens culturais?

A pergunta é retórica, porque está provado que a Ministra não tem opinião nem vontade – está ali para fazer o que lhe dizem sem levantar ondas. Mas o tema não é nada retórico: na verdade é espantoso que o Primeiro Ministro ache que é importante descer a taxa de IVA nos ginásios, mas que continue a achar que nos bens culturais não vale a pena diminuir impostos.

Recordo que, embora os livros tenham uma taxa reduzida de 5%, os CD’s e os DVD’s pagam os 21% de taxa máxima. Numa altura em que a música gravada atravessa uma crise sem precedentes, um pouco por todo o lado procuram-se maneiras de apoiar os artistas e a edição musical. O mesmo se passa em relação ao universo do audiovisual. Aqui ao lado, em Espanha, há uns meses, o Governo decidiu reduzir de forma drástica o IVA aplicado a bens culturais, que já era mais pequeno que em Portugal. No caso dos livros desceu para apenas 1% e no caso dos CD’s e DVD’s reduziu para 4% - uma diferença de 17% em relação ao que se passa em Portugal.

Senhora Ministra da Cultura, de que está à espera para se pôr a protestar e exigir tratamento igual ao dos ginásios? Senhora Ministra: se não consegue que o seu Governo defenda e promova os bens culturais, que está aí a fazer?
A MINISTRA DA CULTURA VAI PARA O GINÁSIO OU PÕE-SE AOS GRITOS?
(publicado na edição de 9 de Janeiro do diário «Meia Hora»)

Na sua incessante busca pelo aperfeiçoamento do corpo, o Primeiro Ministro José Sócrates resolveu baixar o IVA aplicável aos utilizadores de ginásios para 5%. A redução, que entrou em vigor ao mesmo tempo que as medidas anti-tabaco, deve certamente destinar-se a combater o aumento de peso dos ex-fumadores.

Uma outra hipótese é que, com base nestas medidas, o Governo venha anunciar que já começou a descer os impostos, o que certamente dará oportunidade ao Ministro Santos Silva para vir mais uma vez dizer que este Governo, na realidade, não pede sacrifícios aos portugueses.

Eu por mim não tenho nada contra esta descida de IVA, até me parece que ela é de saudar. Só tenho uma pequena questão: o que dirá a Senhora Ministra da Cultura deste assunto? Baterá palmas de contente? Ou terá exigido que idêntico tratamento, em matéria fiscal, seja concedido aos bens culturais?

A pergunta é retórica, porque está provado que a Ministra não tem opinião nem vontade – está ali para fazer o que lhe dizem sem levantar ondas. Mas o tema não é nada retórico: na verdade é espantoso que o Primeiro Ministro ache que é importante descer a taxa de IVA nos ginásios, mas que continue a achar que nos bens culturais não vale a pena diminuir impostos.

Recordo que, embora os livros tenham uma taxa reduzida de 5%, os CD’s e os DVD’s pagam os 21% de taxa máxima. Numa altura em que a música gravada atravessa uma crise sem precedentes, um pouco por todo o lado procuram-se maneiras de apoiar os artistas e a edição musical. O mesmo se passa em relação ao universo do audiovisual. Aqui ao lado, em Espanha, há uns meses, o Governo decidiu reduzir de forma drástica o IVA aplicado a bens culturais, que já era mais pequeno que em Portugal. No caso dos livros desceu para apenas 1% e no caso dos CD’s e DVD’s reduziu para 4% - uma diferença de 17% em relação ao que se passa em Portugal.

Senhora Ministra da Cultura, de que está à espera para se pôr a protestar e exigir tratamento igual ao dos ginásios? Senhora Ministra: se não consegue que o seu Governo defenda e promova os bens culturais, que está aí a fazer?

janeiro 07, 2008

MANIFESTO ANTI-NUNES E POR EXTENSO
dedicado ao inspector mor da ASAE
adaptado, com a devida vénia, do original de José de Almada-Negreiros
POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO

BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM NUNES É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM NUNES A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM NUNES À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O NUNES É UM CIGANO!
O NUNES É MEIO CIGANO!
O NUNES É UM HABILIDOSO!
O NUNES VESTE-SE MAL!
O NUNES USA CEROULAS DE MALHA!
O NUNES ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O NUNES É NUNES!
O NUNES É ANTÓNIO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
E O NUNES TEVE CLÁQUE! E O NUNES TEVE PALMAS! E O NUNES AGRADECEU!
O NUNES É UM CIGANÃO!
NÃO É PRECISO IR P'RÓ ROCIO P'RA SE SER UM PANTOMINEIRO, BASTA SER-SE PANTOMINEIRO!
NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE P'RA SE SER SALTEADOR, BASTA APARECER COMO NUNES! BASTA NÃO TER ESCRÚPULOS NEM MORAES, NEM ARTÍSTICOS, NEM HUMANOS! BASTA ANDAR CO'AS MODAS, CO'AS POLÍTICAS E CO'AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO, BASTA SER MUITO DELICADO E USAR CÔCO E OLHOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER NUNES!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
O NUNES NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE INSPECCIONAM SABEM INSPECCIONAR!
O NUNES É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O NUNES É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O NUNES EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O NUNES NÚ É HORROROSO!
O NUNES CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
O NUNES É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O NUNES É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O NUNES É A VERGONHA PORTUGUEZA! O NUNES É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O NUNES!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO NUNES!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O NUNES NÃO VALE NADA, E QUE NÃO SABE NADA, E QUE NEM É INTELLIGENTE NEM DECENTE, NEM ZERO!
E FIQUE SABENDO O NUNES QUE SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL TODO O MUNDO SABERÁ QUE O AUTOR DOS LUZÍADAS É O NUNES QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA SÓ CONSENTIU A GLÓRIA DO SEU PSEUDÓNIMO CAMÕES.
E FIQUE SABENDO O NUNES QUE SE TODOS FÔSSEM COMO EU, HAVERIA TAES MUNIÇÕES DE MANGUITOS QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!

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MANIFESTO ANTI-NUNES E POR EXTENSO
dedicado ao inspector mor da ASAE
adaptado, com a devida vénia, do original de José de Almada-Negreiros
POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO

BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM NUNES É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM NUNES A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM NUNES À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O NUNES É UM CIGANO!
O NUNES É MEIO CIGANO!
O NUNES É UM HABILIDOSO!
O NUNES VESTE-SE MAL!
O NUNES USA CEROULAS DE MALHA!
O NUNES ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O NUNES É NUNES!
O NUNES É ANTÓNIO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
E O NUNES TEVE CLÁQUE! E O NUNES TEVE PALMAS! E O NUNES AGRADECEU!
O NUNES É UM CIGANÃO!
NÃO É PRECISO IR P'RÓ ROCIO P'RA SE SER UM PANTOMINEIRO, BASTA SER-SE PANTOMINEIRO!
NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE P'RA SE SER SALTEADOR, BASTA APARECER COMO NUNES! BASTA NÃO TER ESCRÚPULOS NEM MORAES, NEM ARTÍSTICOS, NEM HUMANOS! BASTA ANDAR CO'AS MODAS, CO'AS POLÍTICAS E CO'AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO, BASTA SER MUITO DELICADO E USAR CÔCO E OLHOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER NUNES!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
O NUNES NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE INSPECCIONAM SABEM INSPECCIONAR!
O NUNES É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O NUNES É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O NUNES EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O NUNES NÚ É HORROROSO!
O NUNES CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
O NUNES É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O NUNES É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O NUNES É A VERGONHA PORTUGUEZA! O NUNES É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O NUNES!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO NUNES!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O NUNES NÃO VALE NADA, E QUE NÃO SABE NADA, E QUE NEM É INTELLIGENTE NEM DECENTE, NEM ZERO!
E FIQUE SABENDO O NUNES QUE SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL TODO O MUNDO SABERÁ QUE O AUTOR DOS LUZÍADAS É O NUNES QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA SÓ CONSENTIU A GLÓRIA DO SEU PSEUDÓNIMO CAMÕES.
E FIQUE SABENDO O NUNES QUE SE TODOS FÔSSEM COMO EU, HAVERIA TAES MUNIÇÕES DE MANGUITOS QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!

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PRÉMIOS 2007 – Prémio «A Trombeta de Sócrates» direitinho para o comentador de assuntos económicos António Peres Metelo; Prémio «A Inutilidade do Ano» para a Ministra da Cultura pela sua acção decisiva na instalação do Museu Berardo; Prémio «Melhor Agente Secreto» para Augusto Santos Silva, pela forma como deu oportunidade à saída de quadros da RTP para a SIC; Prémio «Qual é o meu papel aqui?» para Vítor Constâncio e o Banco de Portugal.


O ABUSADOR - O destino tem coisas curiosas: a fotografia da capa do «Diário de Notícias» da passada terça-feira valia por mil palavras: nela se via o Inspector-Geral da ASAE, António Nunes, a fumar num local fechado, já no dia 1 de Janeiro. Questionado, o homem que é suposto fazer cumprir a legislação que regulamenta o consumo de tabaco, achou que estava dentro da Lei, contrariando pareceres de outras entidades sobre o assunto. O caso é revelador do personagem: em vez de dar o exemplo, prefere o seu prazer pessoal. Este é o verdadeiro carácter do homem que comanda a ASAE e que propõe como alternativa para os seus opositores que emigrem e deixem Portugal – sim, leram bem: «se não quisermos viver nesta sociedade temos a hipótese de emigrar» - são palavras deste monumento de arrogância e prepotência mascarado de zeloso funcionário, numa entrevista publicada na semana passada pelo «Sol». Espero que ele emigre, depois de se demitir. Sempre duvidei de quem justifica actos burocráticos irracionais com o estrito cumprimento de leis e ordens. Como se comprova o zelo é bom para os outros, não para o próprio. O Senhor Ministro Manuel Pinho, que é suposto tutelar este funcionário, importa-se de dizer o que pensa sobre tudo isto?


COINCIDÊNCIAS – Há uns meses o Primeiro Ministro José Sócrates cedeu ao Comendador Berardo uma parte do CCB e fez com ele um negócio – no mínimo estranho em valor e substância – sobre a colecção de arte daquele investidor. O Comendador falou de alto, impôs regras próprias no espaço, faz uma contabilidade imaginativa dos visitantes do museu que agora tem o seu nome. Eu não sou dado a conspirações, mas não posso deixar de registar que todo o movimento que levou à crise no BCP foi desencadeado pelo comendador Berardo e não posso deixar de notar que foi ele o impulsionador de uma proposta que entrega o destino do Banco ao ex-Presidente do Banco do Estado, a CGD, um gestor próximo do PS, e a destacados socialistas que até há pouco tempo reduzida experiência tinham em gestão. Posso, nesta conjugação de coincidências, ser levado a pensar que o bom negócio que Sócrates proporcionou a Berardo com a sua colecção de arte tem agora uma contrapartida no papel de Berardo a facilitar a tomada de posições por parte do PS no maior banco privado português. Ele há estranhas coincidências. Mas também há curiosas alianças. E curiosíssimas formas de fazer negócio.


LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» merece uma leitura atenta. António Carrapatoso, José Miguel Júdice e Rui Ramos escrevem sobre Portugal na transição de 2007 para 2008. Vasco Pulido Valente imaginou um concurso com perguntas inesperadas e prémios para as melhores respostas. Carrapatoso, escreve que o Governo ainda não apresentou uma visão estruturada para o futuro de Portugal, avisa que as perguntas fundamentais sobre o papel e a organização do Estado continuam a não ter uma resposta estruturada e consistente e alerta, com dados e númertos, para o facto de a despesa pública estar de facto a crescer sem beneficiar a coesão social ou a criação de oportunidades para todos.


OUVIR – Em 1982 o pianista Friederich Gulda gravou o ciclo das sonatas de Mozart, mas só parte delas foram editadas. A Deutsche Grammophon, que promoveu a gravação e edições originais, aproveitou o ano Mozart, em 2006, para editar uma remasterização cuidada dea parte dessas gravações que tinha tido uma edição original há 25 anos.. Surge agora, pela primeira vez, a parte nunca antes editada desses registos, São seis sonatas interpretadas por Gulda e nunca antes editadas. Apesar de algumas pequenas imperfeições na captação sonora (e que foram responsáveis pela sua não divulgação até agora), estes trabalhos comprovam a enorme capacidade do pianista e a forma única como foi capaz de interpretar a música de Mozart. - «The Gulda Mozart Tapes II, 6 sonatas», CD Deutsche Grammophon, FNAC.


ASSUKA SEM GRAÇA - Algumas pessoas acham que a comida é tudo num restaurante. Engano. A comida, a boa comida, é uma parte importante de um restaurante. Mas o serviço é outra parte com uma boa dose de relevo, e o ambiente completa o leque das variantes a ter em conta. A pior coisa que pode acontecer a um restaurante é cair na moda e não estar preparado para lidar com isso. É o que se passa no japonês Assuka, em Lisboa. Empregados desatentos, serviço demoradíssimo, falta de coisas básicas como imperial ou atum fresco (estamos num restaurante japonês, caramba!), bajulação dos empregados a estrelas de telenovela que falam alto e encanitam os outros clientes, tudo isto deu cabo num instante da qualidade da comida do Assuka. Tão cedo não volto ao nº153 da Rua de São Sebastião da Pedreira.



BACK TO BASICS – O segredo para ser maçador é dizer tudo o que nos apetece, Voltaire
PRÉMIOS 2007 – Prémio «A Trombeta de Sócrates» direitinho para o comentador de assuntos económicos António Peres Metelo; Prémio «A Inutilidade do Ano» para a Ministra da Cultura pela sua acção decisiva na instalação do Museu Berardo; Prémio «Melhor Agente Secreto» para Augusto Santos Silva, pela forma como deu oportunidade à saída de quadros da RTP para a SIC; Prémio «Qual é o meu papel aqui?» para Vítor Constâncio e o Banco de Portugal.


O ABUSADOR - O destino tem coisas curiosas: a fotografia da capa do «Diário de Notícias» da passada terça-feira valia por mil palavras: nela se via o Inspector-Geral da ASAE, António Nunes, a fumar num local fechado, já no dia 1 de Janeiro. Questionado, o homem que é suposto fazer cumprir a legislação que regulamenta o consumo de tabaco, achou que estava dentro da Lei, contrariando pareceres de outras entidades sobre o assunto. O caso é revelador do personagem: em vez de dar o exemplo, prefere o seu prazer pessoal. Este é o verdadeiro carácter do homem que comanda a ASAE e que propõe como alternativa para os seus opositores que emigrem e deixem Portugal – sim, leram bem: «se não quisermos viver nesta sociedade temos a hipótese de emigrar» - são palavras deste monumento de arrogância e prepotência mascarado de zeloso funcionário, numa entrevista publicada na semana passada pelo «Sol». Espero que ele emigre, depois de se demitir. Sempre duvidei de quem justifica actos burocráticos irracionais com o estrito cumprimento de leis e ordens. Como se comprova o zelo é bom para os outros, não para o próprio. O Senhor Ministro Manuel Pinho, que é suposto tutelar este funcionário, importa-se de dizer o que pensa sobre tudo isto?


COINCIDÊNCIAS – Há uns meses o Primeiro Ministro José Sócrates cedeu ao Comendador Berardo uma parte do CCB e fez com ele um negócio – no mínimo estranho em valor e substância – sobre a colecção de arte daquele investidor. O Comendador falou de alto, impôs regras próprias no espaço, faz uma contabilidade imaginativa dos visitantes do museu que agora tem o seu nome. Eu não sou dado a conspirações, mas não posso deixar de registar que todo o movimento que levou à crise no BCP foi desencadeado pelo comendador Berardo e não posso deixar de notar que foi ele o impulsionador de uma proposta que entrega o destino do Banco ao ex-Presidente do Banco do Estado, a CGD, um gestor próximo do PS, e a destacados socialistas que até há pouco tempo reduzida experiência tinham em gestão. Posso, nesta conjugação de coincidências, ser levado a pensar que o bom negócio que Sócrates proporcionou a Berardo com a sua colecção de arte tem agora uma contrapartida no papel de Berardo a facilitar a tomada de posições por parte do PS no maior banco privado português. Ele há estranhas coincidências. Mas também há curiosas alianças. E curiosíssimas formas de fazer negócio.


LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» merece uma leitura atenta. António Carrapatoso, José Miguel Júdice e Rui Ramos escrevem sobre Portugal na transição de 2007 para 2008. Vasco Pulido Valente imaginou um concurso com perguntas inesperadas e prémios para as melhores respostas. Carrapatoso, escreve que o Governo ainda não apresentou uma visão estruturada para o futuro de Portugal, avisa que as perguntas fundamentais sobre o papel e a organização do Estado continuam a não ter uma resposta estruturada e consistente e alerta, com dados e númertos, para o facto de a despesa pública estar de facto a crescer sem beneficiar a coesão social ou a criação de oportunidades para todos.


OUVIR – Em 1982 o pianista Friederich Gulda gravou o ciclo das sonatas de Mozart, mas só parte delas foram editadas. A Deutsche Grammophon, que promoveu a gravação e edições originais, aproveitou o ano Mozart, em 2006, para editar uma remasterização cuidada dea parte dessas gravações que tinha tido uma edição original há 25 anos.. Surge agora, pela primeira vez, a parte nunca antes editada desses registos, São seis sonatas interpretadas por Gulda e nunca antes editadas. Apesar de algumas pequenas imperfeições na captação sonora (e que foram responsáveis pela sua não divulgação até agora), estes trabalhos comprovam a enorme capacidade do pianista e a forma única como foi capaz de interpretar a música de Mozart. - «The Gulda Mozart Tapes II, 6 sonatas», CD Deutsche Grammophon, FNAC.


ASSUKA SEM GRAÇA - Algumas pessoas acham que a comida é tudo num restaurante. Engano. A comida, a boa comida, é uma parte importante de um restaurante. Mas o serviço é outra parte com uma boa dose de relevo, e o ambiente completa o leque das variantes a ter em conta. A pior coisa que pode acontecer a um restaurante é cair na moda e não estar preparado para lidar com isso. É o que se passa no japonês Assuka, em Lisboa. Empregados desatentos, serviço demoradíssimo, falta de coisas básicas como imperial ou atum fresco (estamos num restaurante japonês, caramba!), bajulação dos empregados a estrelas de telenovela que falam alto e encanitam os outros clientes, tudo isto deu cabo num instante da qualidade da comida do Assuka. Tão cedo não volto ao nº153 da Rua de São Sebastião da Pedreira.



BACK TO BASICS – O segredo para ser maçador é dizer tudo o que nos apetece, Voltaire

janeiro 01, 2008

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ESQUINA 232 – 28 DEZ 07


A INTENÇÃO - A voz estava treinada, colocada, entoada. A imagem estava cuidada, o olhar estava bem focado, as cores bem escolhidas, a simbologia de Natal aprimorada. Ele disse que tudo estava a correr bem – só um problemazinho no desemprego, mas que depressa se irá arrumar, prometeu. Falou pouco da Europa, voltou a falar do país. E falou não de fora para dentro, mas bem direito aos portugueses, aos seus eleitores que daqui a dois anos o irão avaliar nas urnas de voto. Foi um momento emocional, um pedido de ajuda. Fez-me lembrar a excelente nova campanha da PT. Quando ouvi a mensagem de Natal do Primeiro Ministro só me lembrei de uma frase: «O que tu queres, sei eu!».


AS FOTOS - Quando olho para a nova campanha de Portugal reparo que as fotos menos más têm a ver com energias renováveis e as piores com o resto. Será que foi o olhar educado e o gosto apurado de António Mexia que escolheu as imagens energéticas e a devoção fotográfica deslumbrada de Manuel Pinho que opinou sobre as outras? Eu bem gostava de ser mosca para perceber quem criou na realidade a campanha: se os criativos da agência de publicidade, se os palpites fotográficos do Ministro e da sua entourage. Basta comparar a campanha de Portugal com a de Espanha, que também está a ser publicada na imprensa internacional, para se perceber uma diferença que é todo um episódio: a de Espanha tem um alvo claro – turistas que gostem de sol, comida mediterrânica, arte e património; a de Portugal não tem alvo – ou então tem alvos a mais, o que vai dar ao mesmo. E sem se definir bem quem se quer atingir, uma campanha publicitária não serve para nada. Isto é básico.


A TROCA - Não me parece normal que o futuro de um banco privado seja debatido na sede de uma empresa, a EDP, onde o Estado tem forte posição; também não me parece normal que um accionista ligado ao Estado patrocine o nome do Presidente do banco do Estado, a CGD, para Presidente de um banco privado; não é normal que o Banco de Portugal admita com a maior naturalidade do mundo que houve relaxe na fiscalização do Banco Comercial Português. O que aconteceu no Millennium-BCP e todos os episódios à sua volta vieram descredibilizar o sistema financeiro, as entidades reguladoras e mostraram mais uma vez este paradoxo: o Estado não interviu quando devia e como devia, através dos órgãos reguladores, e interviu quando não devia e como não devia, forçando uma solução apadrinhada pelo Governo. Sou levado a pensar que a aceitação desta solução foi a moeda de troca para que as investigações não se aprofundem demasiado.


O MUNDO AO CONTRÁRIO – O Secretário de Estado do Comércio acha que a ASAE está a ser alvo de uma campanha caluniosa. Ainda não lhe ocorreu que se calhar a culpa de tanto burburinho é da forma como a ASAE actua, da forma como comunica e, sobretudo, da forma como prefere reprimir a prevenir, como prefere intimidar a esclarecer. Quanto foi investido pela ASAE no esclarecimento junto do público dos direitos dos consumidores e do que devem exigir em matéria de higiene nos locais que frequentam?


LER – Este ano em Portugal leu-se mais, há novos jornais – o mundo dos gratuitos está a trazer novos leitores. Alguns hão-de passar a comprar outros jornais. As notícias da morte da imprensa são largamente exageradas. Os sites dos jornais estão a ficar melhores. Eu, que gosto de jornais e revistas, que comecei a trabalhar nos jornais, estou contente com este ano. Tenho mais e melhor para ler – houve mudanças que resultaram bem, outras pior, mas existe uma evolução. E, claro, nestas alturas confesso que tenho saudades do momento de planificação e do momento de fecho de uma edição.


VER – Vai ser muito engraçado seguir o que se poderá ver na televisão no próximo ano. Daqui a seis meses já teremos uma ideia como as coisas estão a evoluir e a batalha vai travar-se nos últimos quatro meses de 2008, de Setembro a Dezembro. Aí se conseguirá perceber os primeiros resultados do trabalho de Nuno Santos na SIC e nessa altura se poderá também ver como se comporta a RTP – se vai fazer continuar a fazer concorrência aos privados ou se vai aperfeiçoar a matriz de serviço público. Em qualquer dos casos o ano promete – tanto mais que a TVI irá lançar o seu primeiro canal temático no cabo.


OUVIR – É uma descoberta do fim do ano, mas é uma das belas canções dos últimos tempos, «Hey There Delilah» dos Plain White T’s, uma balada pura, uma voz envolvente, uma melodia marcada pelo dedilhar simples de uma guitarra, uma secção de cordas discreta mas marcante, um refrão que fica na cabeça, como o de todas as grandes canções de amor – sim, claro, é disso que se trata. A canção está no quarto álbum da banda, «Every Second Counts», que data de 2006.


PERGUNTANDO – Porque é que não existem restaurantes e bares só para fumadores?


PESADELO – Algumas estações de rádio teimam em dar informações de trânsito sempre iguais noticiário após noticiário. Se fosse a acreditar no que dizem pensaria que às nove da noite existem os mesmos engarrafamentos que às sete da tarde. Não será possível fazer mais actualizações, em vez de meter sempre hora após hora a mesma gravação de um porta voz da Brigada de Trânsito, que continua a ser emitida mesmo quando fica desactualizada?


BACK TO BASICS – «Não sei qual é o segredo do sucesso, mas o caminho certo para o falhanço é tentar agradar a toda a gente» - Bill Cosby.
ESQUINA 232 – 28 DEZ 07


A INTENÇÃO - A voz estava treinada, colocada, entoada. A imagem estava cuidada, o olhar estava bem focado, as cores bem escolhidas, a simbologia de Natal aprimorada. Ele disse que tudo estava a correr bem – só um problemazinho no desemprego, mas que depressa se irá arrumar, prometeu. Falou pouco da Europa, voltou a falar do país. E falou não de fora para dentro, mas bem direito aos portugueses, aos seus eleitores que daqui a dois anos o irão avaliar nas urnas de voto. Foi um momento emocional, um pedido de ajuda. Fez-me lembrar a excelente nova campanha da PT. Quando ouvi a mensagem de Natal do Primeiro Ministro só me lembrei de uma frase: «O que tu queres, sei eu!».


AS FOTOS - Quando olho para a nova campanha de Portugal reparo que as fotos menos más têm a ver com energias renováveis e as piores com o resto. Será que foi o olhar educado e o gosto apurado de António Mexia que escolheu as imagens energéticas e a devoção fotográfica deslumbrada de Manuel Pinho que opinou sobre as outras? Eu bem gostava de ser mosca para perceber quem criou na realidade a campanha: se os criativos da agência de publicidade, se os palpites fotográficos do Ministro e da sua entourage. Basta comparar a campanha de Portugal com a de Espanha, que também está a ser publicada na imprensa internacional, para se perceber uma diferença que é todo um episódio: a de Espanha tem um alvo claro – turistas que gostem de sol, comida mediterrânica, arte e património; a de Portugal não tem alvo – ou então tem alvos a mais, o que vai dar ao mesmo. E sem se definir bem quem se quer atingir, uma campanha publicitária não serve para nada. Isto é básico.


A TROCA - Não me parece normal que o futuro de um banco privado seja debatido na sede de uma empresa, a EDP, onde o Estado tem forte posição; também não me parece normal que um accionista ligado ao Estado patrocine o nome do Presidente do banco do Estado, a CGD, para Presidente de um banco privado; não é normal que o Banco de Portugal admita com a maior naturalidade do mundo que houve relaxe na fiscalização do Banco Comercial Português. O que aconteceu no Millennium-BCP e todos os episódios à sua volta vieram descredibilizar o sistema financeiro, as entidades reguladoras e mostraram mais uma vez este paradoxo: o Estado não interviu quando devia e como devia, através dos órgãos reguladores, e interviu quando não devia e como não devia, forçando uma solução apadrinhada pelo Governo. Sou levado a pensar que a aceitação desta solução foi a moeda de troca para que as investigações não se aprofundem demasiado.


O MUNDO AO CONTRÁRIO – O Secretário de Estado do Comércio acha que a ASAE está a ser alvo de uma campanha caluniosa. Ainda não lhe ocorreu que se calhar a culpa de tanto burburinho é da forma como a ASAE actua, da forma como comunica e, sobretudo, da forma como prefere reprimir a prevenir, como prefere intimidar a esclarecer. Quanto foi investido pela ASAE no esclarecimento junto do público dos direitos dos consumidores e do que devem exigir em matéria de higiene nos locais que frequentam?


LER – Este ano em Portugal leu-se mais, há novos jornais – o mundo dos gratuitos está a trazer novos leitores. Alguns hão-de passar a comprar outros jornais. As notícias da morte da imprensa são largamente exageradas. Os sites dos jornais estão a ficar melhores. Eu, que gosto de jornais e revistas, que comecei a trabalhar nos jornais, estou contente com este ano. Tenho mais e melhor para ler – houve mudanças que resultaram bem, outras pior, mas existe uma evolução. E, claro, nestas alturas confesso que tenho saudades do momento de planificação e do momento de fecho de uma edição.


VER – Vai ser muito engraçado seguir o que se poderá ver na televisão no próximo ano. Daqui a seis meses já teremos uma ideia como as coisas estão a evoluir e a batalha vai travar-se nos últimos quatro meses de 2008, de Setembro a Dezembro. Aí se conseguirá perceber os primeiros resultados do trabalho de Nuno Santos na SIC e nessa altura se poderá também ver como se comporta a RTP – se vai fazer continuar a fazer concorrência aos privados ou se vai aperfeiçoar a matriz de serviço público. Em qualquer dos casos o ano promete – tanto mais que a TVI irá lançar o seu primeiro canal temático no cabo.


OUVIR – É uma descoberta do fim do ano, mas é uma das belas canções dos últimos tempos, «Hey There Delilah» dos Plain White T’s, uma balada pura, uma voz envolvente, uma melodia marcada pelo dedilhar simples de uma guitarra, uma secção de cordas discreta mas marcante, um refrão que fica na cabeça, como o de todas as grandes canções de amor – sim, claro, é disso que se trata. A canção está no quarto álbum da banda, «Every Second Counts», que data de 2006.


PERGUNTANDO – Porque é que não existem restaurantes e bares só para fumadores?


PESADELO – Algumas estações de rádio teimam em dar informações de trânsito sempre iguais noticiário após noticiário. Se fosse a acreditar no que dizem pensaria que às nove da noite existem os mesmos engarrafamentos que às sete da tarde. Não será possível fazer mais actualizações, em vez de meter sempre hora após hora a mesma gravação de um porta voz da Brigada de Trânsito, que continua a ser emitida mesmo quando fica desactualizada?


BACK TO BASICS – «Não sei qual é o segredo do sucesso, mas o caminho certo para o falhanço é tentar agradar a toda a gente» - Bill Cosby.

dezembro 26, 2007

ESQUINA 231 – 21 DEZ 07


BOM – A decisão tomada por estes dias pela Câmara Municipal de Lisboa para abandonar a instalação do Museu do Design e da Moda num palacete em Santa Catarina que não tinha o mínimo de condições para a função. Ainda bem que há bom senso e se recuou. Mas valia a pena pensar, mais uma vez, na utilização do Pavilhão de Portugal, para uma utilização expositiva, que foi o objectivo que norteou o seu projecto. E já agora, de caminho podia pensar-se em lá instalar também o Museu Berardo, deixando o CCB para a sua utilização natural. Pode ser que António Costa consiga convencer José Sócrates das vantagens que existiriam em juntar a arte contemporânea com o design e a moda num equipamento que seria um pólo de atracção. E não – pode não ser utópico mudar o Museu Berardo para o Pavilhão de Portugal – bem planeada e pensada era de longe a melhor solução para todos. Não era mau que quem tem de decidir sobre isto pensasse um bocadinho no assunto.


MAU – O Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência e a Agência Europeia de Segurança Marítima vão ficar instaladas no Cais do Sodré, em edifícios recuperados e construídos de propósito para essa finalidade. Pormenor: os edifícios estão praticamente acabados e só agora chegou à vereação da Câmara Municipal de Lisboa o pedido de alvará para as obras. Como é que a Câmara Municipal quer ter moral para evitar obras clandestinas com exemplos destes ?


PÉSSIMO – Parece que foram gastos 100 milhões de euros para construir um túnel que deixasse os lobos passarem debaixo da auto-estrada A24. Os lobos, dizem os especialistas, não o utilizam. Eu gostava que se fizesse uma investigação sobre quem são os autores dos pareceres que levam a coisas destas - e já agora valia a pena saber se os líderes e arautos ambientalistas e conservacionistas estarão por alguma coincidência ligados a empresas de consultoria e se ganham dinheiro à custa da pressão na opinião pública que exercem – muitas vezes de forma especulativa.


O MUNDO AO CONTRÁRIO – A edição internacional da revista «Time» desta semana fala do novo Tratado europeu mas não menciona sequer Lisboa. E, numa edição dedicada a 2007, Portugal aparece referido duas vezes: por causa do rapto de Maddie e da saída de José Mourinho do Chelsea.


INDEFESOS – Parecendo que nada fez, Santos Silva lá conseguiu o que queria: a substituição integral do Conselho de Administração da RTP. Reconheça-se a maquiavélica habilidade do Ministro – todos saíram pelo seu próprio pé – uns respondendo a convites, outros por falta de condições para continuarem. Há muito que Santos Silva queria isto mesmo, só os ingénuos acreditavam nas suas palavras, ainda bem recentes, fazendo juras de amor ao trabalho realizado.


DESCOBRIR – O humor imparável de Bruno Nogueira e João Quadros, no «Tubo de Ensaio» que a TSF transmite de manhã e ao fim da tarde e que pode ser consultado também no eficaz site da estação. Observações do quotidiano, piadas improvisadas, uma forma de dizer bem pensada – tudo joga a favor daquela que é a melhor novidade do humor em Portugal neste ano que está quase a acabar.


VER – A edição mais recente da revista «Attitude», uma das melhores publicações portuguesas do ponto de vista gráfico, uma das consultas obrigatórias em matéria de arquitectura e design. Este número é uma edição especial cujo tema é «Orgulho», com o enfoque em Portugal, e bem merece ser visto com atenção.


LER – Gore Vidal é um dos meus escritores favoritos – pela forma, pelo estilo, pela maneira que tem de contar situações. Descobri-o graças a «Myra Breckinridge», uma das suas obras sobre o mundo do cinema. Deliciei-me com «A Idade do Ouro», uma viagem pelos Estados Unidos do pós guerra, até meados dos anos 50 – um livro que explica muito daquilo a que mais tarde assisti. E ando deslumbrado a ler «Navegação Ponto por Ponto», um delicioso livro de memórias que conta a vida do escritor entre 1964 e 2006 – quer dizer, não conta só a vida, vai falando do que ele pensava dos factos que ocorreram durante esses 42 anos. Para mim Gore Vidal é um dos maiores escritores americanos e hoje, com 82 anos, ele é certamente, ainda das mentes mais lúcidas a observar o mundo que nos rodeia.


OUVIR – Vale a pena a edição «The Pavarotti Story», lançada pela Decca há poucos dias. A edição inclui quatro discos. No primeiro estão algumas das árias mais célebres gravadas por Pavarotti ao longo da sua carreira; no segundo estão árias sagradas e canções populares, como «O Sole Mio», «Vivere», «Santa Lúcia luntana» ou «Volare»; o terceiro recolhe uma deliciosa entrevista ao tenor feita por Jon Tolansky; o quarto inclui o primeiro disco de Pavarotti ( de 1964) com árias da Bohème, Tosca e Rigoletto e ainda duetos com nomes como Frank Sinatra («My Way»), José Carreras («Nessun Dorma!») e Bono, Brian Eno e The Edge («Miss Saravejo») A caixa onde estão os discos inclui ainda dois livrinhos, um sobre a vida de Pavarotti (e o conteúdo dos discos) e outro sobre a sua discografia integral, com reprodução de todas as capas e alinhamentos.


IR – Um dos melhores músicos portugueses, Rodrigo Leão, apresenta ao vivo «Os Portugueses», a banda sonora que criou para a série documental «Portugal, Um Retrato Social» (de António Barreto e Joana Pontes), no Jardim de Inverno do Teatro de S.Luis, hoje, amanhã sábado 22 e de dia 26 a 29 inclusive, sempre às 19h00. Imperdível.


BACK TO BASICS – A vida nada mais é do que uma longa lição sobre humildade, James Barrie.

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ESQUINA 231 – 21 DEZ 07


BOM – A decisão tomada por estes dias pela Câmara Municipal de Lisboa para abandonar a instalação do Museu do Design e da Moda num palacete em Santa Catarina que não tinha o mínimo de condições para a função. Ainda bem que há bom senso e se recuou. Mas valia a pena pensar, mais uma vez, na utilização do Pavilhão de Portugal, para uma utilização expositiva, que foi o objectivo que norteou o seu projecto. E já agora, de caminho podia pensar-se em lá instalar também o Museu Berardo, deixando o CCB para a sua utilização natural. Pode ser que António Costa consiga convencer José Sócrates das vantagens que existiriam em juntar a arte contemporânea com o design e a moda num equipamento que seria um pólo de atracção. E não – pode não ser utópico mudar o Museu Berardo para o Pavilhão de Portugal – bem planeada e pensada era de longe a melhor solução para todos. Não era mau que quem tem de decidir sobre isto pensasse um bocadinho no assunto.


MAU – O Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência e a Agência Europeia de Segurança Marítima vão ficar instaladas no Cais do Sodré, em edifícios recuperados e construídos de propósito para essa finalidade. Pormenor: os edifícios estão praticamente acabados e só agora chegou à vereação da Câmara Municipal de Lisboa o pedido de alvará para as obras. Como é que a Câmara Municipal quer ter moral para evitar obras clandestinas com exemplos destes ?


PÉSSIMO – Parece que foram gastos 100 milhões de euros para construir um túnel que deixasse os lobos passarem debaixo da auto-estrada A24. Os lobos, dizem os especialistas, não o utilizam. Eu gostava que se fizesse uma investigação sobre quem são os autores dos pareceres que levam a coisas destas - e já agora valia a pena saber se os líderes e arautos ambientalistas e conservacionistas estarão por alguma coincidência ligados a empresas de consultoria e se ganham dinheiro à custa da pressão na opinião pública que exercem – muitas vezes de forma especulativa.


O MUNDO AO CONTRÁRIO – A edição internacional da revista «Time» desta semana fala do novo Tratado europeu mas não menciona sequer Lisboa. E, numa edição dedicada a 2007, Portugal aparece referido duas vezes: por causa do rapto de Maddie e da saída de José Mourinho do Chelsea.


INDEFESOS – Parecendo que nada fez, Santos Silva lá conseguiu o que queria: a substituição integral do Conselho de Administração da RTP. Reconheça-se a maquiavélica habilidade do Ministro – todos saíram pelo seu próprio pé – uns respondendo a convites, outros por falta de condições para continuarem. Há muito que Santos Silva queria isto mesmo, só os ingénuos acreditavam nas suas palavras, ainda bem recentes, fazendo juras de amor ao trabalho realizado.


DESCOBRIR – O humor imparável de Bruno Nogueira e João Quadros, no «Tubo de Ensaio» que a TSF transmite de manhã e ao fim da tarde e que pode ser consultado também no eficaz site da estação. Observações do quotidiano, piadas improvisadas, uma forma de dizer bem pensada – tudo joga a favor daquela que é a melhor novidade do humor em Portugal neste ano que está quase a acabar.


VER – A edição mais recente da revista «Attitude», uma das melhores publicações portuguesas do ponto de vista gráfico, uma das consultas obrigatórias em matéria de arquitectura e design. Este número é uma edição especial cujo tema é «Orgulho», com o enfoque em Portugal, e bem merece ser visto com atenção.


LER – Gore Vidal é um dos meus escritores favoritos – pela forma, pelo estilo, pela maneira que tem de contar situações. Descobri-o graças a «Myra Breckinridge», uma das suas obras sobre o mundo do cinema. Deliciei-me com «A Idade do Ouro», uma viagem pelos Estados Unidos do pós guerra, até meados dos anos 50 – um livro que explica muito daquilo a que mais tarde assisti. E ando deslumbrado a ler «Navegação Ponto por Ponto», um delicioso livro de memórias que conta a vida do escritor entre 1964 e 2006 – quer dizer, não conta só a vida, vai falando do que ele pensava dos factos que ocorreram durante esses 42 anos. Para mim Gore Vidal é um dos maiores escritores americanos e hoje, com 82 anos, ele é certamente, ainda das mentes mais lúcidas a observar o mundo que nos rodeia.


OUVIR – Vale a pena a edição «The Pavarotti Story», lançada pela Decca há poucos dias. A edição inclui quatro discos. No primeiro estão algumas das árias mais célebres gravadas por Pavarotti ao longo da sua carreira; no segundo estão árias sagradas e canções populares, como «O Sole Mio», «Vivere», «Santa Lúcia luntana» ou «Volare»; o terceiro recolhe uma deliciosa entrevista ao tenor feita por Jon Tolansky; o quarto inclui o primeiro disco de Pavarotti ( de 1964) com árias da Bohème, Tosca e Rigoletto e ainda duetos com nomes como Frank Sinatra («My Way»), José Carreras («Nessun Dorma!») e Bono, Brian Eno e The Edge («Miss Saravejo») A caixa onde estão os discos inclui ainda dois livrinhos, um sobre a vida de Pavarotti (e o conteúdo dos discos) e outro sobre a sua discografia integral, com reprodução de todas as capas e alinhamentos.


IR – Um dos melhores músicos portugueses, Rodrigo Leão, apresenta ao vivo «Os Portugueses», a banda sonora que criou para a série documental «Portugal, Um Retrato Social» (de António Barreto e Joana Pontes), no Jardim de Inverno do Teatro de S.Luis, hoje, amanhã sábado 22 e de dia 26 a 29 inclusive, sempre às 19h00. Imperdível.


BACK TO BASICS – A vida nada mais é do que uma longa lição sobre humildade, James Barrie.

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A MÚSICA DO CÉU
(Publicado na edição do diário «Meia Hora» do dia 19 de Dezembro)

Rodrigo Leão é hoje em dia um dos mais prestigiados músicos portugueses a nível internacional. Não é por acaso: quando se decidiu por uma carreira a solo, depois de ter estado em projectos como os Sétima Legião e Madredeus, Rodrigo Leão tornou-se notado mais depressa em Espanha do que em Portugal. Aqui o êxito demorou-lhe a surgir. Sempre vendeu mais discos no estrangeiro que no seu país e faz frequentes digressões internacionais. Ainda na semana passada actuou em diversas igrejas de Milão numa iniciativa a que se chama «La Musica Dei Cieli» e por onde têm passado alguns dos mais importantes nomes da world music contemporânea.

Compositor e intérprete, Rodrigo Leão é quem melhor conseguiu traduzir, musicalmente e com a cojugação entre instrumentos tradicionais e contemporâneos, o sentir português. A música, as peças instrumentais, são ponto constante da sua carreira dos últimos anos. Mas não tem descurado a palavra e as suas canções são peças de uma rara harmonia e equilíbrio, de uma enorme sensibilidade e poesia. Pelos seus discos passaram nomes como Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, mas também Lula Pena e Adriana Calcanhoto ou os portugueses Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Rui Reininho. Em 2004 o seu disco «Cinema» foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores trabalhos de world music desse ano.

Não por acaso foi a Rodrigo Leão que António Barreto e Joana Pontes pediram para compôr a música original para a série documental «Portugal, Um Retrato Social». O trabalho realizado para os sete episódios desta série foi agrupado sob o nome genérico «Os Portugueses». Nestes temas originais percebe-se ainda melhor esta característica única que Rodrigo Leão tem: o de conseguir conjugar a tradição musical portuguesa, as nossas sonoridades e sentimentos, com uma forma de apresentação universal e moderna – do ponto de vista técnico e estético.

Deixo-vos uma boa notícia: quem quiser ouvir Rodrigo Leão nas suas composições de «Os Portugueses» pode ir ao Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, desde hoje até dia 22 e, depois de dia 26 a dia 29, sempre às 19h00. Não percam.
A MÚSICA DO CÉU
(Publicado na edição do diário «Meia Hora» do dia 19 de Dezembro)

Rodrigo Leão é hoje em dia um dos mais prestigiados músicos portugueses a nível internacional. Não é por acaso: quando se decidiu por uma carreira a solo, depois de ter estado em projectos como os Sétima Legião e Madredeus, Rodrigo Leão tornou-se notado mais depressa em Espanha do que em Portugal. Aqui o êxito demorou-lhe a surgir. Sempre vendeu mais discos no estrangeiro que no seu país e faz frequentes digressões internacionais. Ainda na semana passada actuou em diversas igrejas de Milão numa iniciativa a que se chama «La Musica Dei Cieli» e por onde têm passado alguns dos mais importantes nomes da world music contemporânea.

Compositor e intérprete, Rodrigo Leão é quem melhor conseguiu traduzir, musicalmente e com a cojugação entre instrumentos tradicionais e contemporâneos, o sentir português. A música, as peças instrumentais, são ponto constante da sua carreira dos últimos anos. Mas não tem descurado a palavra e as suas canções são peças de uma rara harmonia e equilíbrio, de uma enorme sensibilidade e poesia. Pelos seus discos passaram nomes como Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto, mas também Lula Pena e Adriana Calcanhoto ou os portugueses Sónia Tavares, Nuno Gonçalves e Rui Reininho. Em 2004 o seu disco «Cinema» foi considerado pela revista Billboard como um dos melhores trabalhos de world music desse ano.

Não por acaso foi a Rodrigo Leão que António Barreto e Joana Pontes pediram para compôr a música original para a série documental «Portugal, Um Retrato Social». O trabalho realizado para os sete episódios desta série foi agrupado sob o nome genérico «Os Portugueses». Nestes temas originais percebe-se ainda melhor esta característica única que Rodrigo Leão tem: o de conseguir conjugar a tradição musical portuguesa, as nossas sonoridades e sentimentos, com uma forma de apresentação universal e moderna – do ponto de vista técnico e estético.

Deixo-vos uma boa notícia: quem quiser ouvir Rodrigo Leão nas suas composições de «Os Portugueses» pode ir ao Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, desde hoje até dia 22 e, depois de dia 26 a dia 29, sempre às 19h00. Não percam.

dezembro 18, 2007

BOM – A nomeação de Nuno Santos como Director de Programas da SIC. É certo que não há vitórias garantidas, mas é verdade que Nuno Santos tem o saber, a perseverança e a energia para poder voltar a conquistar audiências para a SIC e provavelmente estará muito mais à vontade numa estação privada que numa pública. Uma coisa é certa – o panorama televisivo em Portugal vai mexer no próximo ano e a coisa vai ficar mais animada.


MAU – A criminalidade violenta começa a deixar demasiadas marcas, mesmo que o Ministro da Administração Interna ache que está tudo controlado. Quando esta semana fui ver o mais recente filme de Ridley Scott, «Gangster Americano», pensei em como ele poderia ser educativo para quem trata destes assuntos. A história é a mesma de sempre – o crime organiza-se e cresce sempre à sombra da cumplicidade e da corrupção das polícias. Como Pacheco Pereira dizia esta semana, se os «Sopranos» fossem feitos em Portugal o sítio ideal para localizar a acção seria no Porto.


PÉSSIMO – O tom das entrevistas de saída do actual vice-presidente da RTP, Ponce Leão, deixando no ar o espectro do desastre da sua sucessão.


SUGESTÃO – A RTP pode e deve ser uma peça da estratégia de dinamização do audiovisual português. Tem uma oportunidade para isso agora, para poder começar a olhar para o que se passa à sua volta, em vez de ter o espírito de grande potência que a tem caracterizado.


PESADELO – Quem consegue ler e perceber integralmente o conteúdo dos novos cartazes de divulgação da imagem de Portugal que estão em outdoors?


DESCOBRIR – O novo blog de Pedro Rolo Duarte (que no início da blogosfera se mostrou bem descrente no assunto) tem bons zumzuns sobre o mundo dos media, comentários certeiros e aquelas observações divertidas que ele faz sempre a propósito que coisas que de outra forma podiam ser banais. Pode e deve ser lido em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/


PETISCAR – Gosto de restaurantes chineses – não para todos os dias mas volta e meia sabe bem. Regra geral são confortáveis (boas cadeiras quase sempre), usam guardanapos e toalhas de panos, praticam preços módicos e têm um serviço rápido e atencioso. Alguns têm boas especialidades. Nas minhas voltas pelas Avenidas Novas de Lisboa descobri há pouco tempo o Fu-Shin (Av. Marquês de Tomar 48) e fiquei cliente dos seus camarões com piri piri e arroz branco. A coisa soube-me tanto melhor quanto na véspera tinha caído na tentação de comer num centro comercial na Tomás Ribeiro e fui experimentar um restaurante (Basil Instinct) que anda muito em alguma impresa, onde tudo correu mal – logo a começar numa lasanha de salmão que parecia pastilha elástica mastigada. Mil vezes os chineses…


LER – Um novo livro de Elmore Leonard é sempre um acontecimento. Mestre do policial americano, Leonard lançou este ano a sua 41ª obra, «Up In Honey’s Room», um intrigante misto de espionagem e policial que começa antes do início da Segunda Grande Guerra e que envolve um anel de conspiração nazi dentro dos Estados Unidos. Honey, personagem central, casada e separada de um dos alemães da rede, mulher sensual e atrevida, troca o marido por outro espião alemão e tenta seduzir, sem êxito, um agente bonitão do FBI, Carl Webster. O resto é mesmo melhor lerem, a edição americana anda por aí já nas boas livrarias, como a «Pó dos Livros» na Av. Marquês de Tomar. E, não se esqueçam, uma das coisas que faz o encanto de Elmore Leonard é um dos seus mandamentos de escrita e que aqui deixo nas suas palavras: «My most important rule is …if it sounds like writing, I rewrite it».


OUVIR – O novo disco de Angie Stone, «The Art Of Love And War», o seu trabalho de estreia para a Stax (uma histórica editora de rhythm and blues) é uma surpresa e uma lufada de ar fresco. Stone tem uma longa carreira que data do início dos anos 80 e que inclui passagens por grupos de hip hop ou coros num disco de Lenny Kravitz e de Joss Stone. Começou a gravar a solo em 1999 e este é o seu quinto disco. Aqui ( a maior parte das canções têm a sua autoria), Angie Stone vai fundo às origens do rhythm and blues mas não descura uma produção sofisticada. O resultado é surpreendente e uma das faixas deste disco, um dueto com Betty Wright, «Baby», foi nomeado para os Grammys.



PERGUNTANDO… O que vale mais – uma boa prestação na Presidência Europeia ou a melhoria das condições de vida em Portugal?


BACK TO BASICS – É mau sinal quando nos deslumbramos com o que vem de fora e esquecemos o que se passa em nossa casa - Anónimo

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BOM – A nomeação de Nuno Santos como Director de Programas da SIC. É certo que não há vitórias garantidas, mas é verdade que Nuno Santos tem o saber, a perseverança e a energia para poder voltar a conquistar audiências para a SIC e provavelmente estará muito mais à vontade numa estação privada que numa pública. Uma coisa é certa – o panorama televisivo em Portugal vai mexer no próximo ano e a coisa vai ficar mais animada.


MAU – A criminalidade violenta começa a deixar demasiadas marcas, mesmo que o Ministro da Administração Interna ache que está tudo controlado. Quando esta semana fui ver o mais recente filme de Ridley Scott, «Gangster Americano», pensei em como ele poderia ser educativo para quem trata destes assuntos. A história é a mesma de sempre – o crime organiza-se e cresce sempre à sombra da cumplicidade e da corrupção das polícias. Como Pacheco Pereira dizia esta semana, se os «Sopranos» fossem feitos em Portugal o sítio ideal para localizar a acção seria no Porto.


PÉSSIMO – O tom das entrevistas de saída do actual vice-presidente da RTP, Ponce Leão, deixando no ar o espectro do desastre da sua sucessão.


SUGESTÃO – A RTP pode e deve ser uma peça da estratégia de dinamização do audiovisual português. Tem uma oportunidade para isso agora, para poder começar a olhar para o que se passa à sua volta, em vez de ter o espírito de grande potência que a tem caracterizado.


PESADELO – Quem consegue ler e perceber integralmente o conteúdo dos novos cartazes de divulgação da imagem de Portugal que estão em outdoors?


DESCOBRIR – O novo blog de Pedro Rolo Duarte (que no início da blogosfera se mostrou bem descrente no assunto) tem bons zumzuns sobre o mundo dos media, comentários certeiros e aquelas observações divertidas que ele faz sempre a propósito que coisas que de outra forma podiam ser banais. Pode e deve ser lido em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/


PETISCAR – Gosto de restaurantes chineses – não para todos os dias mas volta e meia sabe bem. Regra geral são confortáveis (boas cadeiras quase sempre), usam guardanapos e toalhas de panos, praticam preços módicos e têm um serviço rápido e atencioso. Alguns têm boas especialidades. Nas minhas voltas pelas Avenidas Novas de Lisboa descobri há pouco tempo o Fu-Shin (Av. Marquês de Tomar 48) e fiquei cliente dos seus camarões com piri piri e arroz branco. A coisa soube-me tanto melhor quanto na véspera tinha caído na tentação de comer num centro comercial na Tomás Ribeiro e fui experimentar um restaurante (Basil Instinct) que anda muito em alguma impresa, onde tudo correu mal – logo a começar numa lasanha de salmão que parecia pastilha elástica mastigada. Mil vezes os chineses…


LER – Um novo livro de Elmore Leonard é sempre um acontecimento. Mestre do policial americano, Leonard lançou este ano a sua 41ª obra, «Up In Honey’s Room», um intrigante misto de espionagem e policial que começa antes do início da Segunda Grande Guerra e que envolve um anel de conspiração nazi dentro dos Estados Unidos. Honey, personagem central, casada e separada de um dos alemães da rede, mulher sensual e atrevida, troca o marido por outro espião alemão e tenta seduzir, sem êxito, um agente bonitão do FBI, Carl Webster. O resto é mesmo melhor lerem, a edição americana anda por aí já nas boas livrarias, como a «Pó dos Livros» na Av. Marquês de Tomar. E, não se esqueçam, uma das coisas que faz o encanto de Elmore Leonard é um dos seus mandamentos de escrita e que aqui deixo nas suas palavras: «My most important rule is …if it sounds like writing, I rewrite it».


OUVIR – O novo disco de Angie Stone, «The Art Of Love And War», o seu trabalho de estreia para a Stax (uma histórica editora de rhythm and blues) é uma surpresa e uma lufada de ar fresco. Stone tem uma longa carreira que data do início dos anos 80 e que inclui passagens por grupos de hip hop ou coros num disco de Lenny Kravitz e de Joss Stone. Começou a gravar a solo em 1999 e este é o seu quinto disco. Aqui ( a maior parte das canções têm a sua autoria), Angie Stone vai fundo às origens do rhythm and blues mas não descura uma produção sofisticada. O resultado é surpreendente e uma das faixas deste disco, um dueto com Betty Wright, «Baby», foi nomeado para os Grammys.



PERGUNTANDO… O que vale mais – uma boa prestação na Presidência Europeia ou a melhoria das condições de vida em Portugal?


BACK TO BASICS – É mau sinal quando nos deslumbramos com o que vem de fora e esquecemos o que se passa em nossa casa - Anónimo

dezembro 14, 2007

UMA MULHER A CANTAR JOSÉ AFONSO
(Publicado na edição de dia 12 do diário «Meia Hora»)

Para quase toda a gente Cristina Branco é apenas mais uma das boas fadistas que, nos últimos anos, tem vindo a conquistar para o fado uma nova geração e novos públicos. Nascida em Almeirim em 1972, Cristina Branco gravou o seu primeiro disco em 1999 e tem interpretado muitos autores, de David Mourão Ferreira a Shakespeare. Progressivamente a sua linguagem musical foi incorporando várias referências para além do fado e a sua forma de cantar evoluiu de forma considerável.

Ao longo deste ano Cristina Branco tem trabalhado uma série de temas de José Afonso, acompanhada por uma formação de jazz que inclui Ricardo Dias (que fez os arranjos e toca piano e teclas), Mário Delgado (na guitarra), Bernardo Moreira (no baixo) e Alexandre Frazão (na bateria). É certo que é um quarteto de luxo no panorama do jazz nacional, mas o resultado é verdadeiramente surpreendente.

Já em discos anteriores Cristina Branco havia pegado em temas de José Afonso, como «As Pombas» e «Era Um Redondo Vocábulo», que aqui reaparecem, noutros arranjos. «Abril», o novo disco de Caristina Branco, o nono da sua carreira, inclui 16 temas, todos originais de José Afonso, desde «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os Índios da Meia-Praia». E vale a pena ouvir com atenção a forma como são interpretadas as versões de «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas».

No ano em que se completam 20 anos sobre a morte de José Afonso, este «Abril» é uma reinterpretação inesperada da sua obra e, não tenho dúvidas em o dizer, um dos melhores discos portugueses deste ano.

José Afonso, para além do lado militante e do conteúdo ideológico de muitas das suas canções, foi também um génio musical que não parou de evoluir até ao seu surpreendente último disco de originais, «Galinhas do Mato», de 1985. E é precisamente o seu lado de génio musical que este «Abril» de Cristina Branco enaltece e sublinha de uma forma muito própria.

Nos próximos dias Cristina Branco apresenta este disco ao vivo um pouco por todo o país: dia 13 em Viana do Castelo, dia 14 em Santa Maria da Feira, dia 15 em Braga e, finalmente, dia 17, em Lisboa. Vale a pena ouvi-la. É uma voz diferente. E é uma voz inteligente. Acreditem que não há muitas cantoras assim.

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UMA MULHER A CANTAR JOSÉ AFONSO
(Publicado na edição de dia 12 do diário «Meia Hora»)

Para quase toda a gente Cristina Branco é apenas mais uma das boas fadistas que, nos últimos anos, tem vindo a conquistar para o fado uma nova geração e novos públicos. Nascida em Almeirim em 1972, Cristina Branco gravou o seu primeiro disco em 1999 e tem interpretado muitos autores, de David Mourão Ferreira a Shakespeare. Progressivamente a sua linguagem musical foi incorporando várias referências para além do fado e a sua forma de cantar evoluiu de forma considerável.

Ao longo deste ano Cristina Branco tem trabalhado uma série de temas de José Afonso, acompanhada por uma formação de jazz que inclui Ricardo Dias (que fez os arranjos e toca piano e teclas), Mário Delgado (na guitarra), Bernardo Moreira (no baixo) e Alexandre Frazão (na bateria). É certo que é um quarteto de luxo no panorama do jazz nacional, mas o resultado é verdadeiramente surpreendente.

Já em discos anteriores Cristina Branco havia pegado em temas de José Afonso, como «As Pombas» e «Era Um Redondo Vocábulo», que aqui reaparecem, noutros arranjos. «Abril», o novo disco de Caristina Branco, o nono da sua carreira, inclui 16 temas, todos originais de José Afonso, desde «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os Índios da Meia-Praia». E vale a pena ouvir com atenção a forma como são interpretadas as versões de «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas».

No ano em que se completam 20 anos sobre a morte de José Afonso, este «Abril» é uma reinterpretação inesperada da sua obra e, não tenho dúvidas em o dizer, um dos melhores discos portugueses deste ano.

José Afonso, para além do lado militante e do conteúdo ideológico de muitas das suas canções, foi também um génio musical que não parou de evoluir até ao seu surpreendente último disco de originais, «Galinhas do Mato», de 1985. E é precisamente o seu lado de génio musical que este «Abril» de Cristina Branco enaltece e sublinha de uma forma muito própria.

Nos próximos dias Cristina Branco apresenta este disco ao vivo um pouco por todo o país: dia 13 em Viana do Castelo, dia 14 em Santa Maria da Feira, dia 15 em Braga e, finalmente, dia 17, em Lisboa. Vale a pena ouvi-la. É uma voz diferente. E é uma voz inteligente. Acreditem que não há muitas cantoras assim.