setembro 25, 2015

ENTRE PROMESSAS & REPUTAÇÕES

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REPUTAÇÃO - Não consigo deixar de olhar para o que se passou na Volkswagen e pensar nas semelhanças que este caso apresenta com a política e o exercício do poder. Passo a explicar: o Presidente de um dos maiores fabricantes automóveis prometeu aos seus accionistas que melhoraria a posição no mercado dos Estados Unidos. Engenheiro de formação, com fama de ser minucioso, veio-se agora a descobrir que durante a sua gestão a Volkswagen tinha encontrado forma de iludir, tecnologicamente , os testes das autoridades norte-americanas sobre a emissão de CO2. A Volkswagen era uma marca associada a valores como a confiança, a qualidade e, desde há uns anos, a uma política ambiental, criando até uma campanha publicitária em torno da série bluemotion, a bandeira ecológica do fabricante de automóveis. A descoberta da falsificação teve um efeito devastador. Embora tarde e apenas sob pressão, Martin Winterkorn, o presidente executivo da Volkswagen, demitiu-se. Não lhe restava outra alternativa: quebrou as garantias associadas ao valor da marca, mentiu aos consumidores, fez uma promessa que não cumpriu. Os efeitos foram devastadores para a marca, a nível de imagem e na capitalização bolsista. Passemos agora para a política: quantos líderes partidários fazem promessas irrealistas só para conseguirem recolher o apoio dos seus accionistas - os eleitores - nessa assembleia geral que é a escolha, pelo voto, entre os vários partidos? Quantos chegaram ao poder e iludiram expectativas, degradaram a imagem dos seus próprios partidos e provocaram um rombo nas finanças do Estado? E, quando tudo isto acontece, que é frequente, o que lhes acontece? - Nada, ou quase nada. Alguns são recompensados com cargos no estrangeiro, outros saltam da política para empresas que os querem como lobistas pelos contactos que possuem, mais do que pelas características de gestão que têm. Se estão a pensar que o mundo anda às avessas são capazes de ter razão. Um país não é uma empresa; mas às vezes era bom que os actos praticados tivessem consequências.


 


SEMANADA - Entre 2011 e 2014 emigraram 485 mil portugueses; a Arábia Saudita está a contratar médicos portugueses a 12 mil euros por mês; A GNR detectou já este ano 135.213 condutores em excesso de velocidade, um aumento de 10% em relação a igual período do ano passado; um décimo dos activos da PSP tem 55 anos ou mais; as multas por cobrar relativas a falta de bilhete nos transportes públicos atingiram 9,5 milhões de euros no primeiro semestre deste ano; na cadeia de Ponta Delgada há uma cela com 50 detidos, dois duches e duas sanitas; actualmente há mais de 14 332 detidos em todo o país, dos quais 11 848 estão condenados e os restantes estão em prisão preventiva; um detido custa ao estado 48 euros por dia; este ano já se registaram dez suicídios nas prisões; mais de 700 condutores são apanhados todos os dias com alcool em excesso; em Julho as poupanças em depósitos à ordem atingiram o valor recorde de 36.051 milhões de euros, cerca de 60% dos activos da Banca; em 2014 os portugueses gastaram 2,9 mil milhões de euros em compras online; a dívida pública portuguesa atingiu os 290 mil milhões de euros em Julho, um aumento de 1300 milhões face ao mês anterior; Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, é a líder partidária que melhores audiências conseguiu nos debates realizados nos canais informativos do cabo; o seu debate com Paulo Portas foi o mais visto da série efectuada; Patti Smith deu um concerto de arromba em Lisboa e antes de subir ao palco quis ir visitar a casa museu Fernando Pessoa, poeta de que se confessou leitora há muitos anos; há 26 cursos do ensino superior a que nenhum aluno se candidatou; a pré campanha eleitoral já deu origem a 32 processos contra os media, uma delas, de Marinho Pinto, contra o humor.


 


ARCO DA VELHA - Apanho um taxi no aeroporto, dou a morada, é relativamente perto, no centro de Lisboa; o taxista começa a dar uma volta estranha, pergunto-lhe onde vai, diz que é para fugir ao trânsito e começa a levantar a voz e a perguntar se eu quero parar e sair. É isto que dá força à Uber.


 


FOLHEAR - Mário Assis Ferreira dirige a revista “Egoísta” desde que ela começou a ser editada há 15 anos. Foi graças ao seu apoio, através da Estoril-Sol, que o projecto ganhou pernas para andar e forma para ganhar os 70 prémios nacionais e internacionais que alcançou ao longo dos anos. A partir de um projecto gráfico de Henrique Cayatte e de um conceito editorial de Patrícia Reis, a “Egoísta” afirmou-se como uma revista única no panorama português, um espaço onde escritores, jornalistas, desenhadores, fotógrafos e artistas plásticos puderam mostrar o seu trabalho. Edição a edição Mário Assis Ferreira escrevia o que observava, e logo nas primeiras páginas reflectia sobre o que iríamos ver ao folhear cada número da Egoísta. São 60 textos pessoais, que o levaram a escrever sobre o juízo , a noite, o altruísmo, a cidade e a utopia, o amor, a fotografia, a publicidade e muitos outros temas. Agora essa escrita está reunida no livro “Egoísta Mas Não Só- textos de Mário Assis Ferreira”, editado pela Gradiva. No prefácio Guilherme de Oliveira Martins lembra que  “os textos que aqui se reunem constituem um desafio à reflexão para além das aparências” e sublinha que no caso de Mário Assis Ferreira  “é a procura do talento e do génio que animam a sua paixão pela vida e pela literatura”.


 


VER - É possível fazer uma banda desenhada em azulejo? Já se sabia que o azulejo permite contar uma história - o Palácio de Fronteira, por exemplo, tem salas que o demonstram. Em Lisboa há uma galeria que se dedica ao azulejo, convida artistas plásticos para usarem este suporte e os resultados são frequentemente surpreendentes. É a Galeria Ratton, Rua da Academia das Ciências 2C. Na semana passada inaugurou uma mostra de dois artistas: Andreas Stocklein, um dos habituais da Galeria, que aqui apresenta um trabalho inesperado e cativante; o outro é Pedro Proença, que foi quem me fez recordar das bandas desenhadas e do seu método narrativo. Sob o título comum “O Azulejo E A Palavra”, expõem-se diferentes visões do diálogo entre o suporte azulejo e a história que cada um conta. Os painéis de Pedro Proença, de 6, 8 ou 12 azulejos, são exemplos de uma explosão de observação e do prazer sentido em trabalhar um suporte de comunicação diferente. E são a grande, surpresa da série de exposições do Bairro das Artes 2015.


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Outras sugestões: em Lisboa  uma exposição de um artista em início de carreira, Jaime Welsh, na Galeria Alecrim 50, rua do mesmo nome; em Évora, no Palácio Cadaval, “Dá Licença?”, de Mauro Pinto; no Porto, Palácio dos Correios, exposição de João Penalva; em Braga, os Encontros da Imagem, que este ano assinalam a sua 25ª edição.


 


OUVIR - O australiano Robert Forster foi um dos fundadores dos Go Betweens e a sua carreira a solo deu-nos o maravilhoso  “The Evangelist”. Desde há sete anos que Forster não editava um disco de originais e entreteve-se a produzir discos alheios e a escrever sobre música - reuniu os escritos dispersos no livro “Ten Rules Of Rock ‘n’ Roll”. “Songs To Play”, já distribuído no mercado português é o seu novo trabalho, dez canções intrigantes e sedutoras. A voz de Forster não é propriamente um prodígio de harmonia, mas a forma como constrói as canções ultrapassa bem essa questão. “Learn To Burn”, a canção inicial, tem logo um aviso, que se aplica bem à maneira de cantar do autor: “you can miss details when you’re in a hurry.” Há aqui influências desde a bossa nova de “Love Is Where It Is” até aos Velvet Underground, em “Disaster In Motion”, com a sonoridade do orgão e a percussão a criarem o ambiente.  Mas o maior encanto do disco são as palavras acutilantes, as observações certeiras, os textos destas canções, marcantes e que nos fazem voltar a elas com prazer. Um belíssimo disco para ficar na prateleira dos que se repetem com maior frequência.


 


PROVAR - Habituei-me há muito a gostar do Castro Elias, o primeiro restaurante que Miguel Castro e Silva abriu quando veio para Lisboa, na Avenida Elias Garcia, do lado da Fundação Gulbenkian. Com o andar dos anos Miguel Castro e Silva foi abrindo outros espaços, mas foi sempre seguindo o que se passa neste seu primeiro marco lisboeta. Diogo Siqueira, desde há uns anos a olhar vigilantemente sobre o Castro Elias, tem sabido manter a qualidade e garantir o bom atendimento. Este verão a casa foi remodelada, algumas mexidelas na decoração, uma carta diferente mas com a mesma qualidade e a continuar a proporcionar a opção entre petiscar ou tomar uma refeição mais substancial. Em incursões recentes comprovei a qualidade dos peixinhos da horta, do arroz de fígado de patos com míscaros e também de um bacalhau à braz cremoso e saborosíssimo. As sugestões de vinhos do Diogo são sempre boas e de preço justo - desta vez foi um Dão Pedro Cancela. Para rematar é difícil não resistir àquela que é provavelmente a melhor tarte de laranja de Lisboa, um dos poucos doces que me entusiasmam. Avenida Elias Garcia 180, telefone 217 979 214.


 


DIXIT - “Se fôr preciso correr com Passos e Costa para os partidos se entenderem, que corram” - João de Deus Pinheiro, falando sobre a necessidade de uma maioria que viabilize reformas estruturais.


 


GOSTO - Do novo site de estatísticas para crianças, elaborado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, um trabalho exemplar que pode ser visto em www.pordatakids.pt


 


NÃO GOSTO - Que se gaste mais tempo nos canais de informação a discutir o Porto-Benfica do que a noticiar as eleições gregas.


 


BACK TO BASICS - Devemos sempre desconfiar de promessas mirabolantes - Theodore Parker.





 





setembro 18, 2015

CAMPANHA ELEITORAL OU RECREIO?

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RECREIO - Começou a campanha eleitoral; os Gato Fedorento voltaram a fazer um programa; no Bairro dos Actores decorre a acção da nova versão do clássico “O Costa do Castelo”; o “Prós e Contras” está a ponderar dedicar uma das suas próximas emissões à luta livre; o modelo de debates e as suas audiências mostram como a legislação está completamente desajustada da realidade da evolução dos media; mais de um milhão de espectadores estiveram a ver séries e programas diversos no cabo à hora do debate e ignoraram soberanamente a disputa televisiva que provocou que o mesmo programa fosse transmitido em simultâneo nos canais generalistas -  e que foi a primeira experiência integral de unicidade na televisão portuguesa desde que há canais privados; o PS tem-se multiplicado em ataques aos jornalistas nesta campanha eleitoral cada vez que são colocadas perguntas incómodas a António Costa ou são debatidas questões que desagradam ao diretório do Largo do Rato; Sócrates tem sido omnipresente na campanha, desde opiniões emitidas até fotografias distribuídas, passando por documentos saídos do baú em hora conveniente e até a utilização de uma fotografia sua numa campanha publicitária de uma universidade brasileira; o facto de Catarina Martins ser até agora a figura-revelação da campanha eleitoral diz tudo sobre o estado da nação; o partido de Joana Amaral Dias prometeu “pôr tudo a nu”; o Livre queixa-se de não ser notícia; Jerónimo de Sousa apelou ao voto das mulheres; tudo indica que o dia a seguir às eleições vai ser uma grande dor de cabeça; não se vislumbra como pode surgir algum bom senso em questões como as pensões, a carga fiscal e os abusos do Fisco quando a coligação PAF e o PS fogem como o diabo da cruz de questões concretas; uma quota-parte importante da situação que atravessamos é da responsabilidade de uma Europa, de que não se fala na campanha, e que está a regressar em passo acelerado à situação pré-Schengen - ou seja, a desfazer-se.


 


SEMANADA - As instituições financeiras concederam mais de 2,77 mil milhões de euros em crédito ao consumo até Julho, um montante 500 milhões de euros acima do período homólogo do ano passado; os novos créditos para comprar carro, despesas com educação e saúde já duplicaram este ano as dívidas das famílias; a Segurança Social teve um excedente de 439 milhões de euros no primeiro semestre deste ano; a receita do imposto sobre o tabaco teve uma queda de 82 milhões de euros nos sete primeiros meses do ano; o militar da GNR que foi protagonista de um show de strip tease foi absolvido da acusação de uso indevido de fardamento e armamento de serviço no espectáculo; Manuel Maria Carrilho vai começar a ser julgado , acusado de violência doméstica; o Colégio Militar inaugurou uma camarata para raparigas;   em Lisboa abriram dois hotéis por mês desde Janeiro; o Algarve teve uma ocupação de 93,5% em Agosto; em Vila Real registou-se um morto que caíu, numa procissão, de um andor de dez metros de altura; na Moita registou-se um morto numa largada de toiros; Portugal está entre os países europeus onde as aulas começaram mais tarde; continua a aumentar o número número de acções que negoceiam abaixo de um euro na bolsa portuguesa; 33,3% dos 18 títulos que compõem o PSI-20 têm cotações de cêntimos e no PSI Geral o número de acções de baixo valor é de 51,1% do total.


 


ARCO DA VELHA - O PCP emitiu um comunicado que justifica a intervenção violenta de seguranças da Festa do Avante por estes terem detectado um homem envolvido em sexo oral com outro.“Disseram-me que não há camaradas paneleiros, enquanto me agrediam com força” - afirmou um dos envolvidos, espanhol, em entrevista ao “i”.


 


FOLHEAR - Nos últimos anos têm surgido uma série de revistas de viagens de um tipo diferente das que marcaram uma época , como a Condé Nast Traveller. Entre as novas estão publicações como a “Lost”, a “ernest”, a “Elsewhere” ou, noutra escala, o regresso da mítica “Holiday”, um ícone do final dos anos 50 e do início dos anos 60. Na realidade é possível contabilizar pelo menos umas 15 revistas deste género - a maioria com mais texto, uma espécie de retorno à literatura de viagens. Há quem diga que esta passagem do digital para o papel impresso é uma forma de evolução de uma geração de bloggers. Muitas das revistas publicam-se três ou quatro vezes por ano, algumas duas, semestralmente. Falam de um país, de regiões ou do mundo. O preço de capa pode chegar aos dez euros, é frequente que o desenho e ilustrações sejam mais utilizados que as fotografias produzidas que marcaram uma época. Grande parte destas novas publicações têm circulações modestas, foram lançadas com capitais próprios de editores independentes ou através de crowdfunding. Na realidade há uma nova vaga de revistas em papel, cuidadosamente editadas e impressas, criativamente paginadas, que se tornaram quase um produto de luxo, de prestígio, como que uma forma de imprensa artesanal muito cuidada. Eu, cá por mim gosto da ideia, tenho a tentação de imaginar uma revista assim por cá, a falar apenas de recantos escondidos de Portugal. No entretanto vou-me deliciando a ler a”Elsewhere - A Journal Of Place”, lançada este ano em Berlim.


 


VER - Martin Parr é um dos grandes fotógrafos contemporâneos, membro da Magnum, uma das mais prestigiadas agências de fotografia do mundo.  Depois de ter feito exclusivamente trabalhos a preto e branco durante vários anos, a partir de 1982, cativado pelo trabalho de William Eggleston e Joel Meyerowitz, passou a fotografar só a cores, primeiro com filme e, nos últimos anos, com máquinas digitais. Desenvolveu uma técnica pessoal, baseada na saturação cromática e na utilização de ring flash, um flash circular que funciona à volta da objectiva. Afirmou-se como um dos mais interessantes e criativos fotógrafos documentais dos últimos anos, tendo realizado uma série de ensaios fotográficos que se tornaram referências, entre os quais a série dedicada às praias, da qual podem ser vistas algumas fotografias em Lisboa, na Barbado Gallery. A série das praias decorre aliás de uma das suas obras mais marcantes, o ensaio sobre turismo de massas - a que se juntam trabalhos sobre a classe média, sobre o consumismo ou pura e simplesmente o documentário fotográfico sobre lugares, como é o caso do seu mais recente livro, dedicado a Hong-Kong. Na obra de Parr há um factor constante: mesmo quando estão formalmente ausentes dos enquadramentos, as pessoas são o centro das suas imagens, seja pelo momento em que as captura, seja como as organiza na imagem, seja porque se sente em algum lugar que sem uma pessoa ter passado por ali nada daquilo faria sentido. Além disso tornou-se um dos maiores coleccionadores de livros de fotografia e editou já três volumes de “The Photobook - A History”. Com esta exposição, a primeira dedicada a um só autor, a Barbado Gallery, inaugurada no início do Verão, em Campo de Ourique, posiciona-se de forma clara acima do que tem sido a actividade de galerias dedicadas à fotografia. As 26 fotografias em exibição até 11 de Novembro foram realizadas entre1985 e 2005, mostram como é possível mostrar pessoas para além da aparência, são uma celebração do instante decisivo em que foram tiradas e isso é o que é as torna especiais. Todas as fotografias expostas são para venda e alguns coleccionadores já manifestaram a intenção de apostar na sua aquisição - o investimento em obras de Martin Parr tem mostrado ter uma valorização interessante. Na imagem João Barbado e Martin Parr no dia da pré inauguração, junto a uma das fotografias - aqui vistos por Armando Ribeiro. A Barbado Gallery fica na Rua Ferreira Borges 109-A.


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OUVIR - “Freedom & Surrender”, o quinto disco de Lizz Wright, fica a meio caminho entre as águas tranquilas do smooth jazz e os momentos de inquiteação da soul - contraste muito bem mostrado em “Right Where You Are”, um dueto arrebatador com Greagory Porter. As canções são, na maioria, originais da própria Lizz Wright, nalguns casos em colaboração com Jesse Harris, um dos pilares da carreira de Norah Jones. Mas há também versões de outros autores, como “River Man” de Nick Drake ou “To Love Somebody”, dos irmãos Gibb/Bee Gees, que ganhou um tratamento gospel. Se escolhesse uma só canção ía direito para “Here And Now”, uma amostra de uma produção perfeita, em que a voz de Wright e o Fender Rhodes de Dan Lutz se combinam de forma exemplar. CD Concord/ Universal.


 


PROVAR - Muito boa surpresa o novo restaurante de cozinha japonesa tradicional localizado no Hotel Turim Saldanha Hotel- o Tsubaki, que conta com a orientação do chef Paulo Morais.  O restaurante é dedicado à cozinha japonesa contemporânea, não apenas a sushis - assim é possível encontrar sopas, massas, grelhados na chapa e assados. Numa recente visita o facto de estar uma boa mesa de japoneses na sala, que não estavam alojados no Hotel, serviu logo de boa recomendação. Provou-se uma sopa miso com amêijoas, gengibre e coentros, uma  espetada de vieiras grelhadas com ar do mar, gyozas de frango com molho picante, rolos de sapateira com pepino algas wakame e gengibre e uma salada de ceviche, o peixe marinado em lima e malagueta. É uma cozinha atrevida, que incorpora também clássicos como a sopa de massa ramen ou diversas tempuras. Os doces foram a parte menos conseguida da experiência. Mas todos os pratos experimentados superaram as expectativas. A garrafeira é pequena mas honesta nas escolhas e nos preços. Há também menus especiais de almoço e ao fim de semana o restaurante está apenas aberto ao jantar. Turim Saldanha Hotel, Rua Latino Coelho 23, telefone 210492320. Tsubaki, já agora, quer dizer Camélia, uma flor que foram os portugueses a levar para o Japão.


 


DIXIT - “Nu, só perante o duche” - Jerónimo de Sousa, sobre a candidata que se despiu para revistas


 


GOSTO - Da iniciativa “Bairro das Artes” que envolve 30 galerias e espaços de artes entre o Largo do Rato e o Cais do Sodré


 


NÃO GOSTO - Regista-se mais de uma queixa por dia de violência contra profissionais de saúde.


 


BACK TO BASICS - A política é a arte de procurar uma divergência e exacerbá-la, seja ela importante ou não, e propôr o remédio errado para a situação que esteve na origem de tudo - Ernest Benn


 

setembro 11, 2015

SOBRE A INFLUÊNCIA DA RUA ABADE FARIA NA POLÍTICA E SUGESTÕES AVULSAS

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 DEBATE - A Rua Abade Faria esteve no centro do debate de quarta-feira, onde António Costa e Passos Coelho evitaram responder a perguntas concretas e definitivamente falaram muito mais do passado que do futuro. Com o futuro ninguém se comprometeu, da Europa ninguém falou, sobre o passado todos contaram histórias, desde o milagre da diminuição da dívida lisboeta (à custa da ajuda do Governo à Câmara de Costa), até aos aumentos de impostos. Sócrates dominou o debate duplamente - quando Costa quis fugir às responsabilidades na autoria do pedido de resgate e quando Passos o invocou cada vez que lhe deu jeito, aproveitando aliás a oportunidade que José Sócrates abriu ao manifestar o seu apoio a Costa no início da semana. Mas aquilo que decididamente mais me surpreendeu foi a sugestão, de António Costa a Passos Coelho, de que, em vez de o mencionar, fosse visitar Sócrates - sinal de um Costa visivelmente irritado por se estar a falar do ex-Primeiro Ministro. Foi uma confissão de ausência de identidade própria e aposto que a maneira como o secretário geral socialista tratou o anterior Primeiro Ministro do seu partido não deve ter caído bem em muitas almas no Largo do Rato. Quanto ao mais as audiências foram claras - a transmissão simultânea RTP-SIC-TVI e dos respectivos canais de informação de facto acrescentou espectadores - um total próximo dos 3,5 milhões - e não houve fuga para os canais de entretenimento do cabo. Isto quer dizer que o eleitorado na realidade esperava por este debate. Infelizmente Costa e Passos esclareceram pouco e fugiram a dizer o que fariam no dia seguinte às eleições. Mas o efeito político mais relevante, que só depois das eleições se poderá efectivamente medir, é que, apesar de a vitória em termos de sound-bytes e atitude ter ido para António Costa, o seu alvo foram sempre os eleitores tradicionais e não a captação dos novos eleitores - que são aqueles que, em última análise, se votarem, podem ter um efeito surpresa a 4 de Outubro. José Adelino Maltez sintetizou bem o ocorrido: “Um quis beneficiar do velho estatuto de ser o Deus que está no poder, o outro não se assumiu como o Diabo da oposição. Mas nem um foi suficientemente pós-cavaquista, nem o outro, eminentemente pós-socrático.” Um debate assim apenas reforçou a ideia de que a fórmula está praticamente esgotada e, como se tem visto nesta pré-campanha, as audiências estão a afastar-se das conversas eleitorais com os líderes partidários. Como se sabe, a CNE e a Assembleia da República gostam de ignorar soberanamente a realidade e acham que a comunicação hoje é igual há 40 anos atrás.


 


SEMANADA - No Domingo o Diário de Notícias titulava em primeira página que “Sócrates vai dar entrevistas durante a campanha eleitoral”; Domingo, dia do seu aniversário, reuniu num jantar vários dos seus ex-colaboradores mais próximos no Governo; segunda-feira à noite Sócrates entrou na campanha eleitoral, fez declarações ao “Jornal de Notícias” e  manifestou o seu apoio ao PS e a António Costa a menos 48 horas do debate televisivo de quarta-feira; Mário Soares já visitou José Sócrates várias vezes desde que este ficou em prisão domiciliária em Lisboa; Ascenso Simões, ex-director de campanha de António Costa, também já foi visitar José Sócrates; candidatos do Livre, desgostosos por não verem as suas ideias mediatizadas, foram entregar pizzas aos repórteres de plantão ao número 33 da Rua Abade Faria; segundo a Marktest, entre 4 e 6 de Setembro, as referências a José Sócrates representaram 37% do total de menções em redes sociais, o que significa que mais de um em cada três comentários ou posts em sites como Facebook, Twitter, Google+, Instagram, Blogs, Fóruns, Youtube e Notícias RSS foi relativo ao antigo Primeiro-ministro; António Costa acusou o Bloco de Esquerda de sectarismo; Marta Rebelo, ex-deputada do PS, escreveu um artigo, sobre a capa de uma revista que mostra Joana Amaral Dias, com o título “Queres ser eleita? Despe-te”; Joana Amaral Dias afirmou que posou nua “como homenagem às mulheres que são despedidas por estarem grávidas”; os tuk-tuks começaram a chegar ao interior, como a Mirandela, Lamego ou Peso da Régua; em Ribeira da Pena, Vila Real, há dois médicos para 6300 utentes; o Ministério da Educação cortou o apoio a 2519 alunos do ensino musical.


 


ARCO DA VELHA - 12 presos na Cadeia de Sintra conseguiram colocar bebidas alcoólicas nas celas e, na noite de sábado para domingo, fizeram uma festa e acabaram todos bêbados.


 


FOLHEAR - Aqui está um livro adequado à época eleitoral - “The Speechwriter - A Brief Education in Politics”, de Barton Swaim. O autor trabalhou na comunicação do Governador da Carolina do Sul e escreve para o Wall Street Journal e o suplemento literário do Times, entre outras colaborações regulares. Não será o melhor livro sobre comunicação política mas é das melhores narrativas sobre quem aterra no mundo da política. É um livro baseado em memórias da sua participação mais activa ao lado de um político, eleito e com poder. O livro mistura uma escrita  ficcionada com muitos relatos do mundo real dos bastidores, das conspirações e dos egos, das manias e desmandos de quem tem poder. Swaim trabalhou com um político polémico, narcisista e autoritário - e conta os episódios por que passou com um olhar divertido e, sobretudo, muito bem escrito. Só por isso é uma boa ideia lê-lo. E para os que têm ilusões nos políticos, é uma leitura muito instrutiva. Fica-se aliás por vezes com a sensação de que não há muita diferença entre o comportamento de pelo menos alguns deles em países distantes e em continentes diferentes. “The Speechwriter - A Brief Education in Politics”, Bartom Swain, Simon & Schuster, na Amazon.


 


VER - Esta semana recomendo uma visita ao Centro Cultural de Cascais/ Fundação Dom Luis, onde está uma exposição das fotografias que marcaram a carreira de Sam Shaw ao longo de 60 anos de actividade. É dele a  icónica imagem de Marilyn Monroe com a saia revolta por cima de uma grade de ventilação do metropolitano, ou a de Brando de tee shirt rasgada. Há muitas estrelas retratadas nesta exposição - de Woody Allen a Humphrey Bogart, passando por Hitchcock ou Lauren Bacall, até John Wayne ou John Houston. São 200 fotografias de uma época de Hollywood e da América que vão percorrer mundo depois de começarem esta digressão em Cascais. Mas, na exposição, a  maior estrela de todas é o próprio autor das imagens - Sam Shaw, produtor de filmes de John  Cassavettes, fotógrafo de cena de numerosos filmes que ficam para a História, desde “Um Eléctrico Chamado Desejo”, até “O Pecado Mora Ao Lado” A exposição vai estar até 8de Novembro, de terça a domingo e sempre das 10 às 18. E Sam Shaw é o senhor que está aqui retratado


 


OUVIR - É engraçado como um disco fora de tempo, no sentido de ser um disco que podia ter sido feito numa época passada, tem um inesperado encanto. É um disco divertido, bem escrito, bem composto, com bons arranjos, com claras influências de nomes grandes da música popular portuguesa. É diferente da maior parte do que se faz por aí - por ser pensado e feito em português, com histórias bem portuguesas, por ser uma mistura de um disco que mostra origens rurais e urbanas e as combina bem. É um disco ao contrário das modas e isso é bem bom de vez em quando. Tem crónicas de guerra, histórias de vidas, remeniscências de canto de intervenção, aventuras, desvarios e insinuações de romance.  Destaco “Eu Quero ser O Que Tu Queres”, “Os Teus Passos”, “O Quinito Foi Para a Guiné”, “O Sangue” e a faixa-título “Auto-Rádio”. Editado pela Pataca Discos, gravado e produzido pelo próprio Benjamim no Alvito, em pleno Alentejo, o CD chama-se “Auto Rádio” e estará no mercado na próxima semana. Benjamim tem andado em digressão nacional para o apresentar.


 


PROVAR - Por estes dias fui jantar ao restaurante Nova Goa, onde continua a pontificar o clássico Sebastião, que nos seus 70 anos continua a ser quem melhor interpreta a cozinha goesa em Portugal. Esteve no Velha Goa, no Cantinho da Paz, no restaurante da Casa de Goa e agora, há uns dois anos, tem este Nova Goa, entre o Campo Pequeno e a Avenida de Roma. Como a noite estava calma estivemos um bocado a falar e percebi que ele é um dedicado adepto do Belenenses e continua fiel ao princípio de bem servir o cliente. Comecemos pelos paparis e pasta de coentros - estavam bons. Vieram chamuças de carne e bojas, do melhor. O caril de caranguejo, o xacuti de vitela e o vindalho estavam sem mácula. E em sobremesa uma bebinca, deliciosa. Nova Goa - Rua David de Sousa 12. ao Campo Pequeno, tel. 967 443 967.  


 


DIXIT - “Já não percebo nada do PS” - Jerónimo de Sousa


 


GOSTO - Da ideia da Câmara Municipal do Porto, que pediu aos seus munícipes o envio de fotografias antigas da cidade para construir um álbum de memórias da cidade, “O Tempo do Porto”.


 


NÃO GOSTO - Das manifestações dos taxistas, que até entre eles conseguiram arranjar conflitos.


 


BACK TO BASICS - A política não é para quem tem pele delicada nem problemas cardíacos  - quando se entra na arena tem que se saber que o combate vai ser duro e que vamos levar uns golpes - Barack Obama


 


 


 

CANAIS INFORMATIVOS EM GUERRA ABERTA

CANAIS INFORMATIVOS EM GUERRA ABERTA


Nos canais informativos as grandes mudanças na grelha e as novidades de programação ainda não começaram mas mesmo assim a TVI24 vê consolidar-se a sua liderança neste segmento, que foi roubando á SIC Notícias ao longo do Verão. Mais uma vez é lider de canais informativos a nível nacional e apenas perde para a SIC Notícias na região da Grande Lisboa. Por sua vez a RTP Informação está bastante distanciada destes dois canais e é perseguida de perto pelo CMTV, que na zona sul ultrapassou já o canal de notícias da RTP e nas outras zonas do país está a curta distância – apesar de o CMTV ser distribuído apenas na plataforma MEO.


Por outro lado o conjunto dos canais de cabo continua a ter um comportamento importante – uma média que se aproxima dos 33% de share e, ao fim de semana, graças ás transmissões desportivas, com resultados na casa dos 35%. O evoluir da época mostrará como é neste domínio o comportamento relativo entre a Sport TV e a BTV – e o canal do Benfica cresce ao fim de semana com as transmissões dos jogos das ligas inglesa, francesa e italiana, além dos jogos do Benfica em casa.


Nos canais generalistas confirma-se o êxito de “Pequenos Gigantes”, o concurso de talentos infantis que já é o programa mais visto da TVI. Na SIC “Mar Salgado” continua a ser o programa líder (aliás foi o programa mais visto da semana, à frente do jogo amigável Portugal-França).


 


(publicado hoje no Sexta TV&Lazer do Correio da Manhã)

setembro 04, 2015

SOBRE A HIPOCRISIA NA POLÍTICA E O PAPEL DO ACCIONISTA NO CASO DA LUSA

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LUSA- Na passada terça-feira a Administração da agência de notícias portuguesa, a Lusa, decidiu que era altura de fazer uma reestruturação, constatou que não tinha confiança no Director de Informação e comunicou-lhe que estava demitido. Fez constar que queria um perfil com experiência de gestão e controlo orçamental e, à tarde, anunciou um novo Director de Informação, que até há pouco tempo fora Director da “Visão”, sem particular experiência nas áreas pretendidas. Não estão em causa pessoas, diga-se: não conheço o Director demitido pessoalmente, tenho boa ideia profissional dele, sei que cursou Economia na Nova e que foi correspondente da Lusa junto da UE em Bruxelas, constato que tem muitos anos de agência noticiosa, um meio que para todos os efeitos requer um jornalismo diferente, na forma e na organização, do que se faz num jornal ou numa revista, para já não falar em rádio e televisão, e sobretudo nesta nova área digital. O novo Director, se recolher os pareceres favoráveis legalmente necessários, é, em contrapartida, uma pessoa que conheço, por quem tenho estima pessoal, e que fez boa carreira profissional nos jornais e revistas, mas sem experiência anterior de agência noticiosa. Toda esta movimentação se passa a um mês de eleições legislativas - e mesmo sendo certo que o Director demitido fica em gestão corrente até à data do acto eleitoral, não é menos verdade que perdeu legitimidade de poder editorial e ganhou condicionalismos. Acontece também que devido às dificuldades de muitos orgãos de comunicação, que ficaram com redacções menores e menos experientes, o noticiário fornecido pela agência Lusa ganhou indíces de publicação e difusão como já não acontecia há alguns anos - daí vermos cada vez mais o mesmo texto em notícias de jornais diferentes sobre o mesmo assunto, o que aliás volta a colocar o papel de Serviço Público da agência na ordem do dia. Diga-se ainda que este aumento de penetração do noticiário da agência abona a favor da Direcção demitida. Inevitavelmente o noticiário que a Lusa fornecerá sobre a campanha eleitoral será concerteza muito utilizado por orgãos de comunicação que não têm meios para seguir todos os partidos concorrentes. Portanto esta é uma decisão com consequências políticas incontornáveis. Ora acontece que a Lusa é detida maioritariamente pelo Estado, que é o seu accionista principal. O Ministro que a tutela, Poiares Maduro, veio rápido dizer, como é seu costume, que não interfere ( creio que o tempo trará ao de cima algumas histórias sobre essa matéria). O meu ponto de vista é que neste caso faz mal em não interferir - não na redacção, onde de facto não deve, mas na Administração, onde é seu dever ser vigilante: um accionista maioritário não pode ser indiferente a uma mudança estrutural que pode ter repercussões no seu próprio core business - que no caso de um governante é a política - e nos seus stakeholders, ainda para mais numa área tão delicada como a informação. Ao demitir-se do papel de accionista e ao dar aval à Administração para ter tomado estas decisões (nem quero imaginar que não tenha sido avisado antes…), Poiares Maduro presta um péssimo serviço e, em nome da decência, devia assumir as suas responsabilidades. Este é daqueles casos em que não chega afirmar ser sério, tem que mostrar que o é. E este Ministro tem-se escusado demasiadas vezes a mostrá-lo. Mesmo em política a hipocrisia tem limites.


 


SEMANADA - As greves da TAP agravaram os prejuízos da empresa em 60 milhões de euros; metade dos desempregados não trabalha há mais de dois anos; muitos desempregados não têm as qualificações pedidas por empresas e muitas empresas não conseguem empregar os mais qualificados; as exportações portuguesas de artigos de pele quadriplicaram desde 2009; Cristiano Ronaldo encomendou ao escultor que fez a sua estátua para o Museu de Cera de Madrid uma réplica em tamanho real para decorar a sua casa na capital espanhola, que custará 27 mil euros; o Director do Museu de Cera de Madrid disse que Ronaldo envia todos os meses um cabeleireiro para escovar o cabelo natural da sua estátua; em Agosto a Ferrrari vendeu cinco automóveis em Portugal e a Porsche 12; o Partido Democrático Republicano, de Marinho Pinto, tem tentado, sem sucesso, obter financiamentos bancários para a campanha eleitoral; em Julho e Agosto registaram-se mais de 12 mil incêndios florestais, mais fogos que em França e em Espanha juntas; segundo a Marktest, entre Janeiro e Junho, mais de 5 milhões de portugueses acederam a partir de computadores pessoais a sites de jornais, revistas e de notícias nacionais; em Julho, 27% das páginas dos sites auditados pela Marktest foram acedidas através de equipamentos móveis e face ao mês homólogo de 2014 os smartphone foram os equipamentos que mais quota ganharam; demitiu-se o director de campanha de Sampaio da Nóvoa, ao saber que após as legislativas seria substituído por um deputado do PS; Manuela Ferreira Leite vai apresentar um livro do ex-dirigente socialista Pedro Adão e Silva, sobre os mitos do Estado Social; há cinco mil docentes para os 78 mil alunos com necessidades educativas  especiais e muitas destas crianças só têm meia hora de apoio por semana,


 


ARCO DA VELHA -  Em Portugal gasta-se mais dinheiro em cápsulas de café expresso do que em livros e os números revelam que mais de metade da população portuguesa pode atravessar a vida sem ler um livro completo fora dos manuais escolares.


 


FOLHEAR - Regresso à revista Monocle, depois de um breve interregno estival. O Número de Setembro é a edição dedicada todos os anos ao empreendedorismo, desta vez com particular enfoque nas start ups e em negócios familiares. O suplemento especial, guia do mês, é dedicado a Singapura. Destaque ainda para uma reportagem sobre o império mediático da Globo no Brasil e para uma viagem ao interior da Ordem de Malta, enquanto Estado soberano. Em relação a Portugal há uma página de publicidade redigida da Renova com conteúdos um pouco confusos, e, em termos informativos, além de uma nota sobre a pasta dentífrica Couto, há um curto texto sobre as próximas eleições onde se destaca o facto de o Governo ter conseguido evitar o caminho da ruína, como aconteceu na Grécia - embora se diga que votar a favor da continuação da austeridade coloca escolhas difíceis. A Espanha aparece com quatro páginas de conteúdos patrocinados, quer sobre os museus de Madrid, quer sobre bares e restaurantes da cidade, e ainda uma peça sobre a conciliação da recuperação urbana com pequenos negócios domésticos. Também fiquei a saber que na Turquia há uma revista mensal sobre desportos que não o futebol  que dá pelo nome de “Socrates”. Finalmente o mês trouxe outra novidade, uma newsletter diária da Monocle, a “Monocle Minute”, que pode ser subscrita no site da revista. Assim se reforçam os laços de uma comunidade.


 


VER - Com o Verão a acabar e o Outono a dar sinais é boa altura para planear uns passeios. Sugiro uma visita ao Museu Automóvel do Caramulo onde, até 6 de Dezembro pode ser vista uma exposição sobre os Micro-Carros e as suas histórias. Além disso há a bela colecção de automóveis e de motociclos antigos, de brinquedos relacionados com veículos motorizados e  uma colecção de arte, clássica e contemporânea. Além disso decorre uma iniciativa de crowdfunding para recuperar um  histórico Messerschmitt KR200 de 1958 , o “Messi”- informações em www.museu-caramulo.net. No mesmo site obtenha informações sobre o Caramulo Motorfestival, que decorre até sábado, um evento dedicado aos automóveis e motociclos clássicos e desportivos.


 


PROVAR - Para aqueles que ainda estão de férias a sul, aqui ficam umas impressões gastronómicas de uma semana no Algarve, na zona do Alvor. Começo pelo Restinga (282 459 434), que fica mesmo na praia e foi onde encontrei o serviço mais simpático, a melhor relação qualidade/preço e onde provei a melhor confecção culinária - uma canja caldosa de garoupa e ameijoas que estava verdadeiramente fora de série. Já o Àbabuja, na zona ribeirinha de Alvor, foi uma completa desilusão - serviço fraco e com piadolas, uns lingueirões à bulhão pato de fraca qualidade e excessivamente temperados, um peixe razoável de grelha mas demasiado amolecido para ser bem fresco - e uma má relação qualidade/preço; em contrapartida, em Ferragudo, no Sueste, encontrei o melhor peixe grelhado, exemplarmente fresco e preparado, um xerém de ameijoas impecável, um serviço sempre atento e um preço justo para a qualidade (Rua da Ribeira 91, frente ao cais - na foto -  vista magnífica sobre Portimão, telefone 282 461 592). Aquele que mais me aborreceu foi o Caniço, na Prainha, que me vinha bem recomendado e onde, depois de me terem aceite uma reserva para o jantar do dia seguinte, me fizeram a partida de informar, poucas horas antes, que afinal a reserva ficava sem efeito - é isto que dá má fama a qualquer casa.


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 DIXIT - “(A UE) chama ao drama dos refugiados ‘um assunto urgente’. mas só tem vaga na agenda para uma reunião extraordinária daqui a 15 dia. É sempre lesta a reunir aos domingos sobre a moeda única, fomentar maratonas negociais para vergar parceiros ou ter governantes a fazer figuras tristes no Twitter, mas não consegue arranjar umas horas para, em conjunto, discutir medidas urgentes que salvem vidas e salvaguardem Schengen” - Bernardo Pires de Lima.


GOSTO - Da decisão de Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, de alienar as residências pertencentes ao Estado em Porto Santo, que eram apenas utilizadas como casas de férias pelos anteriores responsáveis regionais, nomeadamente Alberto João Jardim.


NÃO GOSTO - Da cobardia da maioria dos responsáveis europeus no caso dos refugiados.


BACK TO BASICS - A imaginação é mais importante que o saber, porque o saber é limitado (Albert Einstein)


 


 

RTP GANHA NA BOLA, SIC E TVI NO ENTRETENIMENTO

É sempre muito curioso analisar qual o minuto mais visto de cada canal. Na semana passada os dois canais de serviço público tiveram o seu pico de audi~encia em transmissões desportivas – o jogo CSKA –Sporting e o empolgante jogo de Futsal entre o Benfica e o Fundão. A SIC conseguiu o seu melhor momento com a novela Mar Salgado e a TVI com o concurso de talentos infantil Pequenos Gigantes. De sublinhar ainda o bom resultado obtido sábado pela estreia de “Som de Cristal”, de Bruno Nogueira, na SIC.


Este concurso, Pequenos Gigantes, que na semana anterior tinha vencido as novelas, não conseguiu desta vez derrotar Mal Salgado. Mas as TVI colocou mais três programas nas posições cimeiras – as novelas A Única Mulher e Jardins Proibidos e ainda o Jornal das 8 de Domingo, que inclui o comentário de marcelo Rebelo de Sousa.


Também no cabo foi uma boa semana para a TVI, com a TVI24 a conseguir mais uma vez ficar à frente da SIC Notícias. Nos canais de séries, embora a nível nacional o AXN continue a liderar, na zona da Grande Lisboa a Fox está com uma vantagem assinalávelsobre a concorrência.


Uma coisa curiosa de seguir é a forma como aos fins de semana o consumo de canais de cabo dispara – da média de 32-33% de share durante a semana, passam para os 36% aos sábado e domingo – concerteza que as transmissões dos canais desportivos têm peso nisto, mas é um fenómeno que começa a valer a pena analisar com maior detalhe.


 


(Publicado dia 4 de Setembro na SEXTA TV& Lazer do Correio da Manhã)

agosto 21, 2015

SOBRE O PARADOXAL EFEITO DE FALAR DE PRESIDENCIAIS NA CAMPANHA DAS LEGISLATIVAS

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ESQUINA 632 - 21 AGOSTO 2015


 


MIXÓRDIAS - Há um espectro que assola as eleições de 4 de Outubro e dá pelo nome de presidenciais. A proximidade das duas eleições - as presidenciais serão em Janeiro próximo - e o termo do derradeiro mandato do actual Presidente da República constituem uma mistura explosiva. Esta semana António Costa, imagino que involuntariamente e sem pensar muito, como é sua característica - veja-se o patético caso dos cartazes - , chamou a função presidencial à baila no que ao resultado das eleições legislativas diz respeito. Num cenário de separação das duas eleições, já de si complicado, veio colocar a questão presidencial em primeiríssimo plano. Este tema vai durar até ao final da campanha eleitoral e não ajuda ninguém. Até ao momento as sondagens indicam um empate técnico entre o PS e a coligação PSD-PP. Por muitas evoluções que se verifiquem o cenário de uma maioria absoluta de qualquer destes intervenientes parece muito improvável. Ambos já recusaram entendimentos um com o outro - apesar de a aliança contra-natura ser o pão nosso de cada dia na Europa Central. Esta semana um alto funcionário português da Comunidade Europeia chamou-me a atenção para isso mesmo, adiantando aliás que essa capacidade de entendimento seria um bom exemplo das melhores práticas políticas que dão consistência à Europa. Muito modestamente acho que essa é a raiz dos males dessa nebulosa de interesses, dessa estranha amálgama de contrários, dessa mixórdia a que alguns chamam União. Não sei qual vai ser o resultado no dia 4 de Outubro - mas tenho a certeza que seja quem fôr que ganhe vai ter de se submeter às imposições de quem nunca foi a votos a em Portugal. Esse é o triste legado de quem nos conduziu a este barco avariado. Para o próximo round deste combate, as presidenciais, provavelmente disputadas em clima de crise institucional, perfilam-se três contendores no canto direito e outros três no canto esquerdo. Talvez seja a altura de revermos como todo o sistema político funciona. 41 anos já chegam para tirar lições. E conclusões.





SEMANADA - A Polícia Judiciária já identificou, desde 2013, 27 menores suspeitos de atear fogos florestais; foram marcadas manifestações de polícias para 31 de Agosto; os únicos partidos que ainda não se pronunciaram sobre as presidencias são o PCP e o Bloco de Esquerda; até 15 de Agosto morreram nas estradas portuguesas mais 31 pessoas que em idêntico período do ano passado; no primeiro semestre de 2015 foram constituidas arguidas 44 pessoas, a maioria homens, por suspeita de pornografia envolvendo menores; as contas na saúde são negativas, mas melhoraram 337 milhões de euros desde 2011; mais de 3000 médicos saíram do serviço nacional de saúde desde 2011; até final de Julho nasceram em Portugal mais 1500 bebés do que em idêntico período do ano passado, o que significa um aumento da natalidade, pela primeira vez desde há cinco anos; o negócio de venda de comida na rua movimenta já 2,5 milhões de euros e tem cerca de 130 tipos de oferta diferentes; os bancos concederam 409 milhões de euros de empréstimos em Junho, um aumento de 21,5%, com o crédito automóvel a registar o maior aumento; durante 2014 foram abandonados 600 cães e gatos por semana; o custo dos manuais escolares para o sétimo ano de escolaridade ultrapassa os 250 euros; o passadiço da Ribeira das Naus, obra emblemática de António Costa, teve que ser fechado um ano depois de ter sido inaugurado, devido a problemas de construção e deficiente previsão de intensidade de utilização; António Costa prevê criar 207 mil empregos se fôr eleito.





ARCO DA VELHA - Enquanto Rui Rio intensifica contactos a Norte, surgiram notícias de movimentações internas no PSD para travar a sua candidatura e, a sul,  Marcelo Rebelo de Sousa avisou os sociais-democratas que não podem abrir brechas.


 


FOLHEAR - Ficar a ler um livro noite fora é quase sempre um exercício que abre o apetite. Quando se trata de um policial escrito pelo italiano Andrea Camilleri, contando as aventuras do seu inspector Montalbano a coisa piora um pouco. Game of Mirrors, originalmente publicado em 2011, traduzido este ano para inglês, é o 18º livro das histórias do inspector Montalbano, como sempre com a Sicília em pano de fundo. À volta do inspector existe sempre uma teia de conspirações que envolvem a Mafia, alguma magistratura tolerante, políticos complacentes, jornalistas exibicionistas e um cocktail de mulheres bonitas e boas comidas.  Este novo livro consegue colocar Montalbano a descrever uma mulher, sua vizinha, e personagem central da intriga, com tanta minúcia e apetite como um dos belos pratos que a sua empregada, Adelina lhe prepara: sartu di riso alla calabresa, paste alla carrettiera, arancini, pasta ‘ncasciata, melanzane alla parmegiana. É terrível ter que ler um livro enquanto se googla pelas receitas dos pratos lá descritos - os que ele petisca em casa e aqueles que todos os dias experimenta no Enzo, a sua trattoria quotidiana. Edição disponível para Kindle, Amazon, a partir da edição original da Penguin.


 


VER - No dia 19, quarta-feira passada, celebrou-se o Dia Mundial da Fotografia. É uma curiosa coincidência que  a revista Time desta semana tenha chamado a capa um dos melhores ensaios fotográficos publicados nos últimos anos na imprensa - “What It’s Like To Be A Cop in America - one year after Ferguson”. A reportagem escrita é de Karl Vick mas o que mais impressiona é a qualidade e autenticidade das fotografias, de Natalie Keyssar. Nas páginas da edição internacional da Time surgem sete imagens poderosas - oito com a que está na capa que aqui se reproduz. No site da Time podem ver uma galeria digital deste e de outros trabalhos que mostram a força da fotografia na imprensa - imagens para além do banal e que ajudam a compreender a realidade. É isto, o fotojornalismo e a Time desta edição é um bom exemplo, infelizmente cada vez menos seguido em Portugal. Ainda em celebração da fotografia aconselho uma visita à cadeia da Relação, no Porto, onde está instalado o Centro Português de Fotografia, que acolhe, entre outras exposições, a mostra “Presente”, projecto vencedor da Bolsa 2014 da Estação Imagem Mora, realizado por Hermínio Noronha e que documenta as memórias da Guerra colonial no Concelho de Mora.


 


OUVIR - Quando uma banda recente é convidada pelos AC/DC e pelos Who para servir de primeira parte nas respectivas digressões é sinal que a coisa cheira a rock. Na realidade os Vintage Trouble são uma mistura de rock com música soul e tanto vão buscar inspiração aos Led Zeppelin, às vezes aos Creedence Clearwater Revival, assim como a Al Greene, a James Brown ou a Otis Reding. Esta aproximação ao soul deve-se muito ao vocalista Ty Taylor, enquanto o guitarrista Nalle Colt é responsável pelas canções mais enérgicas, como o tema de abertura “Run Like The River”. Mais do que um exercício de revisitação de memórias musicais,  o CD “1 Hopeful Rd”, revela uma banda despretenciosa e multifacetada. Editado numa etiqueta clássica do jazz, a Blue Note, este disco é mais uma demonstração dos novos terrenos que Don Was, que agora dirige a editora e produziu ele próprio este trabalho, pretende trilhar no futuro e como vê o cruzamento de diversas tendências musicais. O disco é revivalista? - Sim. É divertido? - Sim. Isso constitui um problema? Não.


 


PROVAR - Passear ao longo de um rio é das melhores experiências que se pode ter. Bem perto de Lisboa há uma localidade onde felizmente a zona marginal se manteve sem grandes estragos e de onde se pode ver a margem norte do Tejo e o casario das colinas lisboetas - estou a falar de Alcochete. A terra tem tradição de bons restaurantes e, além do Alfoz, clássico e um pouco parado no tempo, há o Palmeiro para quem procure peixe de qualidade garantida. Mas no meio das pequenas ruas que desembocam na marginal há boas surpresas. Tenho por hábito em terras assim passear pelas ruas mais pequenas e ver um local onde me pareça que as gentes locais abancam com prazer, sem cara de azia. É um método de diagnóstico que raramente falha. No caso de Alcochete este sistema levou-me até à Tasca do Victor. É um restaurante mais de panela, forno e fritadeira do que de grelha e sai-se muito bem dessa sua opção. Da lista fazem parte clássicos  como o choco frito, enguias fritas ou carne de porco à alentejana. No dia em que lá fui um dos pratos do dia era ovas fritas - pequenas, de fritura impecável, vinham acompanhadas por boa açorda. A esplanada é ampla. O serviço é atento e simpático, o vinho branco da casa é da região de Pegões, um honesto Adega das Passarinhas. Muito boa relação qualidade/preço. Fica na Rua da Quebrada 10, em Alcochete, telefone 212340912.





DIXIT - “Voltar a casa é a maior viagem de todas” - Miguel Esteves Cardoso, no Público.


 


GOSTO - Da iniciativa de dois estudantes dos Açores, que estão a angariar fundos para participar no School At Sea, uma escola que funciona durante meio ano num veleiro e que lhes permitirá alargarem horizontes.


 


NÃO GOSTO - Da sucessão de acidentes rodoviários graves na Estrada Nacional 125, no Algarve.


 


BACK TO BASICS - Mantém os teus amigos por perto e os teus inimigos mais perto ainda - Sun Tsu


 




CANAIS GENERALISTAS CONTINUAM A PERDER TERRENO PARA O CABO

No domingo passado, dia de arranque da época futebolística, o conjunto de canais de cabo obteve cerca de 38% de share - enquanto o mais visto dos canais generalistas, a TVI, se ficou pelos 20%. Nesse dia, se contabilizarmos o cabo e o lote de visionamentos diversos catalogados como “outros”, a maioria dos espectadores de televisão, ligeiramente mais de 50%, não viu canais generalistas.  O BTV, nome da Benfica TV na sua guerra com a SportTV,  transmitiu o Benfica-Estoril, mas também jogos da Premier League britânica como o Manchester City - Chelsea (onde o efeito Mourinho funciona nas audiências). Com os jogos do Benfica, a Premier League e os campeonatos de Itália e de França, a Benfica TV este ano vai dar muitas dores de cabeça aos seus concorrentes no cabo. O impacto do primeiro fim de semana da ápoca futabolística está á vista - o conjunto de canais de cabo subiu mais uma vez e já está nos 33,3% de share de média semanal.


Nos outros canais é curioso ver que entre o público dos 4-14 anos quem ganha é “A Única Mulher”, da TVI, mas entre os mais velhos “O Mar Salgado”, da SIC, continua a liderar. Nos canais de séries a FOX esta semana liderou, ultrapassando o AXN e os primeiros lugares continuam do Hollywood e do Disney Channel. Na informação a SIC Notícias continua a ser seguida de muito perto pela TVI 24 e a Correio da Manhã TV já está à frente da RTP Informação.


 


(publicado na Sexta TV & Lazer, do Correio da Manhã de 21 de Agosto)

agosto 15, 2015

UMA CAMPANHA MAL COMUNICADA E UMNA REVISTA BEM ACHADA

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COMUNICAR - A rambóia dos cartazes partidários tem a ver com uma noção desajustada da realidade comunicacional contemporânea, mais do que com questões políticas ou ideológicas. O que aconteceu revela pouco estudo, desprezo pelas possibilidades que hoje se abrem de busca e comparação de imagens, e pelo facto inegável de, no fundo, os partidos e alguns dos seus estrategas considerarem os eleitores uma carneirada disposta a comer tudo em troca de um prato de promessas. Há uns anos atrás nada disto teria acontecido porque a velocidade de reacção era mais lenta, porque seria mais difícil localizar factos, pessoas, imagens e situações e, sobretudo, não existia a capacidade de quase instantaneamente os mais criativos caricaturarem as asneiras dos políticos a partir da sua própria matéria prima, como agora aconteceu. A sucessão de cartazes jocosos inspirados nos cartazes originais destas próximas eleições é enorme e prova sobretudo o descrédito de uma classe política incapaz de ver como a paisagem mediática se alterou. Os graffitis de hoje em dia são os comentários no Facebook ou twitter e o poder do Galo de Barcelos está em qualquer smartphone, não é necessário um spray de tinta. E, por outro lado, os cartazes reflectem a vigarice eleitoral permitida por lei: eles são efectivamente publicidade paga, na quase totalidade dos casos não são propriedade dos partidos mas sim de empresas que alugam o seu espaço e os seus serviços de afixação às campanhas. Os cartazes são um negócio, apesar de a compra de publicidade em período eleitoral ser proibida; no entanto essa compra existe, é tolerada e dá o resultado que tem estado à vista. A CNE, como sempre, assobia para o ar e preocupa-se mais a minutar debates do que a perceber que os abstencionistas já não estão a ver TV e só olham para os cartazes quando se transformam em piadola viral na internet. E aí, muito logicamente, desistem mais uma vez de deitar o voto nos cómicos de serviço.


 


SEMANADA - Mais de um terço dos incêndios de Agosto começaram à noite ; na primeira semana do mês houve 1766 incêndios florestais que destruíram nove mil hectares; a GNR já deteve 48 suspeitos de atearem incêndios; foi detido pela população um madeireiro da região de Penacova, acusado de ter ateado seis incêndios em três dias; há 48 mil pessoas por dia a utilizarem as cantinas sociais; o preço dos livros escolares aumentou 10,4% nos últimos quatro anos; a compra de casas aumentou 25% no decurso deste ano; em 2014 produziram-se em Portugal 1,6 milhões de bicicletas, que geraram exportações no valor de 315 milhões de euros; metade do aumento das exportações portuguesas deste ano teve Espanha como destino; as vendas para o mercado angolano encolheram 367 milhões de euros no primeiro semestre; as exportações para fora do espaço europeu subiram 2,3%; as receitas dos museus, monumentos e palácios nacionais aumentaram 60% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período do ano passado; o mês de Julho bateu o recorde de operações no multibanco, com 310 milhões de utilizações, mais 10 milhões que o recorde anterior, de Dezembro passado; segundo a Marktest no primeiro semestre de 2015 mais de 86% dos internautas portugueses acederam a sites de comércio eletrónico; em Junho o crédito às famílias registou o maior aumento desse novembro de 2004; as empresas públicas tiveram nos primeiros três meses do ano o dobro do prejuízo que estava estimado.


 


ARCO DA VELHA - Vitor Tito, que assegurou os polémicos cartazes do PS sobre o desemprego, recebeu da Câmara Municipal de Lisboa 818 mil euros por trabalhos facturados pela sua empresa BBZ em 16 ajustes directos, enquanto António Costa presidiu à autarquia, entre 2008 e 2014. Os trabalhos para Costa, nas eleições do PS e estes de agora, são um apoio pessoal à causa que tanto o ajudou.


 


FOLHEAR - Francis Ford Coppola ganhou fama como realizador, revelou-se um apaixonado produtor de vinhos na Califórnia, mas o que menos gente sabe é que é também o editor de uma revista, “Zoetrope: All-Story”. A revista é publicada quatro vezes por ano e define-se como uma publicação dedicada às letras e à arte. Criada em 1977, na sua essência está a publicação de pequenos contos. A revista tem ganho uma série de prémios relacionados com a publicação de ficções de novos autores, mas também nomes consagrados como Don DeLillo, Margaret Atwood, Salman Rushdie ou David Mamet, entre outros. Além de inéditos, em cada edição é incluída uma republicação, sempre de short-stories que tenham inspirado o argumento de um filme - com o intuito de mostrar a relação entre a narrativa literária e a cinematográfica. Na edição deste Verão, a republicação é de um conto de Julio Cortazar - “The Southern Thruway”, que o autor diz ter sido uma fonte de inspiração para algumas cenas de “Weekend”, de Jean Luc Godard. Cada edição convida um artista contemporâneo para ilustrar e conceber graficamente esse número da revista - como já aconteceu com Zaha Hadid, Julian Schnabel, Laurie Anderson, Helmut Newton, Ed Ruscha ou David Byrne. A edição deste Verão é concebida e ilustrada por Clare Rojas. A revista organiza também um concurso anual de contos, e outro de argumentos cinematográficos, ambos com um júri de notáveis. Detalhes em www.all-story.com .


 


VER - A aviação militar portuguesa está a comemorar o seu centenário - foi entre 1914 e 1916 que se estabeleceram os pilares do seu funcionamento: formação de pilotos, aquisição de material, instalação, etc. A história da aviação militar portuguesa, e em parte também da aviação civil, pode ser vista no Museu do Ar, que funciona junto á Base Aérea nº1, a Granja do Marquês, perto de Sintra, onde a área expositiva foi completamente reformulada em 2011. O Museu do Ar  possui ainda dois  pólos adicionais, um em Alverca aberto ao público desde 1971, e outro em Ovar no Aeródromo de Manobra Nº1. Em 2013 ganhou o prémio de Museu do Ano, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia. Numa área de 3000 m2, no hangar principal, estão expostas, por ordem cronológica, 42 aeronaves. Há ainda salas dedicadas aos Transportes Aéreos Portugueses (TAP), aos aeroportos portugueses e também aos pioneiros da aviação. Alguns dos aviões expostos são raridades museológicas a nível mundial, casos do Ju-52, do Avro Cadet e do Dragon Rapid. Nesta categoria estão também as réplicas à escala 1:1 do Demoiselle, Caudron G3, Farman e do Blériot XII. O Museu do Ar fica localizado na Granja do Marquês, Pêro Pinheiro, Sintra.


 


OUVIR - No dia 7 de Julho de 1990, em Roma, no cenário das Termas de Caracalla,  Jose Carreras, Placido Domingo e Luciano Pavarotti fizeram um recital que ficou histórico, sob a designação de “Os Três Tenores”. A Orquestra do Teatro da Ópera de Roma e a Orquestra do Maggio Musicale Fiorentino foram dirigidas pelo maestro Zubin Mehta. O repertório escolhido pelos três tenores era variado, incluía temas populares  e peças clássicas e algumas das mais emblemáticas interpretações da carreira de cada um deles. O espectáculo de 1990 foi organizado para angariar fundos para uma Fundação criada por Jose Carreras, destinada a apoiar doentes com leucemia, doença que ele próprio tinha vencido há pouco tempo. Até início deste século os Três Tenores juntaram-se em diversas ocasiões, mas nunca mais se repetiu o momento mágico desse 7 de Julho de 1990. Para assinalar os 25 anos do evento a Decca fez agora uma edição especial, limitada, que para além do CD com a gravação integral do recital, inclui um DVD que inclui o registo video do concerto e também um documentário,feito nos bastidores e intitulado “The Impossible Dream”. À venda na FNAC e El Corte Ingles.


 


PROVAR - A Rua da Saúde está para Setúbal como as Docas de Alcântara estão para Lisboa - é uma fiada de bares e restaurantes à beira de água, uns mais a puxar para o típico, outros para o corriqueiro e outros para o inesperado. Este último é o caso do My - Restaurante do Rio. Com o Sado em frente e Tróia à vista o local é magnífico. A decoração é simpática e mais personalizada que é costume. Também tem melhor serviço que é costume na Rua da Saúde e a qualidade é boa, nalguns casos até melhor. Para mim o destaque foi para as ostras, fresquíssimas, absolutamente impecáveis, a 1,50 euros cada uma. O cantaril, também fresco, estava no ponto certo de grelha e foi uma boa surpresa. O couvert incluía pão decente, azeitonas temperadas e uma pasta de atum bem feita. A garrafeira, embora limitada, tem boas escolhas a preços honestos. O destaque vai para o bom ambiente e o bom serviço, cada vez mais um critério diferenciador. Durante a tarde há uma happy hour com tapas e petiscos e, à noite, volta e meia há fados e DJ’s. Para além dos grelhados e do peixe fresco há outras propostas na lista do chefe António Nascimento, como um risotto de açafrão com vieiras, um arroz negro de choco ou açorda de lagosta e gambas


Rua da Saúde 50-52, telef 265 094 151, facebook.com/myfood.pt .


 


DIXIT - “Não me passa pela cabeça deixar de utilizar a estação de Santa Apolónia” - Manuel Queiró, Presidente da CP:


 


GOSTO - Nos últimos três anos a conta de medicamentos suportados pelas famílias reduziu-se em 90 milhões de euros graças às  revisões de preços e aos novos acordos praticados com a indústria farmacêutica.


 


NÃO GOSTO - Do elevado número de vezes que nos últimos anos uma mesma empresa,  sem grande criatividade nem actividade, é escolhida para a elaboração de campanhas publicitárias de apelo à participação eleitoral lançadas pela Comissão Nacional de Eleições.


 


BACK TO BASICS - Quem toma conta da máquina do poder deve sempre lembrar-se que não ficará para sempre a dirigi-la - P. J O’Rourke


 

agosto 07, 2015

PERPLEXIDADES ELEITORAIS, MASSAS FRESCAS, STREAMING E TÓQUIO

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PERPLEXIDADES  - A campanha eleitoral oficial ainda nem começou e já duas coisas me deixam perplexo. A primeira é a obrigação que o PSD pretende estabelecer de obrigar os seus deputados a votarem obedientemente o que o partido mandar em quaisquer circustâncias. Esta imposição é o assumir formal do papel a que progressivamente os parlamentares têm sido reduzidos - a maioria dos deputados, de quaisquer partidos, diga-se, são apenas verbos de encher, ou eventualmente de votar. Se as coisas se passassem assim nos Estados Unidos Lincoln não teria conseguido abolir a escravatura e as cenas de desvio de votos da lógica partidária, bem mostradas em séries como “House of Cards”, não existiriam. A situação de obediência passiva a que pretendem que os deputados se submetam é depreciativa em primeiro lugar para quem neles vota - porque assim o eleitor fica reduzido a eleger seres que aceitam deixar de ter opiniões e convicções próprias. O caso é um exemplo do estado de podridão do regime e dos partidos e do seu desprezo pelos eleitores, de quem se afastam cada vez mais. O segundo tema, tão grave como este, é a forma como o PS - suspeito que perante a alegria de alguns dirigentes do PSD - pretende impedir Paulo Portas de participar nos debates eleitorais na televisão. O argumento é extraordinário, o objectivo é revoltante e a manobra é um exemplo de oportunismo político na sua expressão mais selvagem. Será que é Portas quem Costa mais teme?


 


SEMANADA - Há 383 candidatos para as dez vagas nos serviços de espionagem portugueses; seis dos 15 ministros do Governo ficaram fora das listas da coligação;  o lucro das empresas cotadas do PSI 20 subiu 70% no primeiro semestre do ano; a carga fiscal já representa 60% do preço de venda do litro de gasolina; entre Janeiro e Julho foram vendidos 135.256 carros, mais 28% face a igual período do ano passado; no mês de Julho os portugueses compraram 553 carros por dia; no início de Agosto a circulação de veículos estrangeiros nas auto-estradas portugueses cresceu 16%; nos cinco primeiros dias a nova versão do filme “Pátio das Cantigas” já teve cem mil espectadores; até Junho os portugueses investiram mais de 1,2 mil milhões de euros em PPR’s; várias cantinas escolares decidiram continuar abertas durante o Verão para que as crianças suas alunas possam ter alimentação nas férias; 26% dos alunos do secundário ainda chumbam a matemática; nos últimos anos fecharam 2 mil cursos de ensino superior; segundo dados compilados pela Cision,  na época desportiva de 2014/2015, o futebol gerou 537.462 notícias relativas a equipas portuguesas;  só em televisão foram emitidas 182.846 notícias, que se traduziram em 11.187 horas de emissão dedicadas ao tema; num total de 310 propostas do Governo chegadas à Assembleia da República, o PS votou em 139 a favor e só em 92 contra; Alexis Tsipras afirmou que Varoufakis tem mau gosto para camisas; o Benfica perdeu a Taça Eusébio no México.


 


ARCO DA VELHA - Durante uma entrevista a um jornal, o gato da candidata à Presidência da República pelo partido dos animais (PAN, Pessoas-Animais-Natureza) mostrou-se indiferente à protecção de outros bichos e comeu um pássaro que ela tinha levado para casa.


 


FOLHEAR - Com pena minha nunca fui a Tóquio - mas já li muito sobre esta cidade, que me fascina. Ao folhear a edição de Verão da revista fotográfica Aperture, a 219, precisamente com o título “Tokyo” na capa, fico com a sensação de estar a passear pela cidade, de conhecer a sua vida, mesmo a mais escondida. A Aperture editada em Nova York pela Fundação com o mesmo nome, é um repositório do que melhor se faz em fotografia actualmente. Como diz o editorial “Toquio existe na nossa cabeça não só como uma imagem mas sobretudo como uma ideia”. “Picture Tokyo”, uma selecção de autores que olharam para a cidade, é o ponto de partida desta edição, onde merecem destaque também a fotografia feita para revistas japonesas nas décadas de 60, 70 e 80 e sobretudo a história de Takuma Nakahira, um dos mais importantes nomes da fotografia nipónica. Vários portfolios mostram o lado mais secreto das pessoas da cidade, outros manipulam paisagens. A selecção de fotógrafos e de imagens é fantástica. Esta edição pode ser comprada na Amazon UK por 16 Libras.


 


VER - Ao longo dos últimos anos têm aberto em Lisboa algumas galerias dedicadas à fotografia mas a nova Barbado Art Gallery é a primeira que se assume com uma vocação eminentemente comercial, dirigida a coleccionadores que queiram ter, além da apreciação da obra, alguma garantia da estabilidade e rentabilidade futura do seu investimento. Por isso mesmo o proprietário da galeria, João Barbado, um jurista que abadonou a advocacia para se dedicar a esta actividade, criou ligações com algumas galerias internacionais por forma a que possa expôr nomes que são presença rara em Portugal e que têm uma cotação sólida no mercado de arte. Assim, até 21 de Agosto, pode ainda ser vista a exposição inaugural que inclui obras de nomes como, entre outros, o chinês Ren Hang, o israelita Nadav Kander (que já ganhou um prémio Pictet precisamente com a série sobre o rio Yang Tze, a que pertence uma das fotografias  em exibição), o alemão Boris Eldagsen, o britânico Marcus Lyon que tem uma téncica muito particular de manipulação de imagem,  Steve McCurry - o autor da célebre fotografia da menina afegã que a National Geographic tornou famosa - e que está exposta, e finalmente uma fotografia de Martin Parr, o reputado fotógrafo da agência Magnum, que terá uma exposição a solo na Barbado a 12 de Setembro. O espaço da galeria é bom, João Barbado é apaixonado pelo que decidiu fazer e percebe-se que estudou o tema a fundo. A Barbado Gallery fica na Rua Ferreira Borges 109-A e tem página no Facebook onde estão todas as indicações úteis.


 


OUVIR - Aqui há uns anos, quando ía de férias, levava umas quantas cassettes, com a música que me apetecia ouvir; uns tempos depois passei a levar uns CD’s; e hoje em dia levo um smartphone onde possa aceder aos serviços de streaming - a transmissão de música on line. O mais conhecido é o Spotify, o melhor em termos de qualidade de som é o Tidal e, recentemente, a Apple entrou no jogo com o seu Apple Music. E há ainda o SoundCloud, que é um espaço dedicado a novos músicos. Eu pessoalmente prefiro o Spotify, sobretudo porque é aquele que proporciona uma selecção mais alargada de música nova, permitindo tanto fazer descobertas de novos músicos como estar a par de novidades de nomes já consagrados. O serviço da Apple, por enquanto pelo menos, é menos interessante deste ponto de vista e também pela sua forma de utilização e manuseamento, que é mais complicada. Assim sendo continuo fiel ao Spotify, que ainda por cima agora me sugere regularmente descobertas da semana personalizadas ao que são os meus gostos. Foi o que aconteceu esta semana quando dei com o novo álbum de Buddy Guy, “Born To Play Guitar” - estes blues não são delico-doces e apresentam-se de forma séria. A  playlist de novidades que o Spotify fez para mim e este novo Buddy Guy têm sido as minhas escutas da semana.


 


PROVAR - Estamos numa daquelas épocas em que todos os dias abrem novos restaurantes em Lisboa, provavelmente impulsionados pelo aumento do número de turistas. Uma das novidades é o “La Pasta Fresca”, na Avenida 5 de Outubro. Como o nome indica faz das massas elaboradas todos os dias na sua cozinha. Além de diversos tipos de pastas simples, algumas pouco divulgadas em Portugal,  há também raviolis, cujo recheio vai variando ao longo dos dias. Devo dizer que a confecção das massas, o seu paladar e a sua textura - e já agora o ponto da sua cozedura, estão perfeitos. Também as receitas tradicionais de molhos com que são acompanhadas fazem lembrar, por vezes, os petiscos que o inspector Montalbano vai degustando nas descrições do seu autor, o escritor Andrea Camilleri. Há surpresas como ravioli de salsicha e batata e nas entradas há sugestões como parmigiana de beringelas. Ainda nas massas provei um irresistível caserecce com pesto de cetara, uma receita da costa amalfitana. Fiquei com curiosidade sobre os  machcheroni verdi com brócolos, anchova e salsicha fresca. A lista de vinhos é curta mas tem uma boa selecção de portugueses e algumas propostas italianas como um interessante tinto de Montepulciano, Le Casalte, servido a copo. Na sobremesa experimentou-se uma cassata, importada de Itália, um pouco doce demais para o meu gosto. Como nem tudo são maravilhas devo no entanto dizer que embora o serviço seja esforçado, é insuficiente. São demasiadas mesas para um só empregado de sala sobretudo quando a dona, mesmo nos momentos de maior aflição, parece mais uma peça decorativa atrás do balcão que alguém disposto a garantir uma boa experiência de serviço aos clientes. Qualquer trattoria em Itália evita situações destas. La Pasta Fresca -Avenida 5 de Outubro, 186A, tel.  21 796 0997.


 


DIXIT - “A vida está mais imbecil, as elites são relapsas e incultas, a escola transformou a leitura numa tortura sem sentido. Vêm aí tempos difíceis e colheitas amargas” - Francisco José Viegas, no Correio da Manhã.


 


GOSTO - Da decisão da Secretaria de Estado da Cultura de levantar os entraves burocráticos à exportação de arte contemporânea e de obras de artistas portugueses vivos, o que facilitará a sua divulgação no mercado internacional.


 


NÃO GOSTO - Os alunos do 9.º ano registaram notas médias de 47% a Português, abaixo dos 50% de 2014, e a taxa de reprovação a Português aumentou dos 19% para os 36%.


 


BACK TO BASICS - O nosso destino nunca é um determinado lugar mas sim uma nova maneira de ver as coisas - Henry Miller


 


 

TELEVISÃO ESTIVAL

É Verão, temos eleições daqui a menos de dois meses, mas os conteúdos preferidos da TV na semana passada são novelas, transmissões desportivas e análises das transferências da época. Informação política vem muito depois – foi aliás a semana deste ano em que os telejornais das oito registaram piores indicadores. Os canais informativos também registaram fracos resultados quando se concentraram na política. Na ficção “Mar Salgado” continua a liderar, seguido de “A Única Mulher”, “Jardins Proibidos” e “Poderosas”. Nos canais de cabo o programa mais visto foi mais uma vez da TVI24 com “Mais Transferências”, seguido da “Volta a Portugal em Bicicleta” na RTP Informação e de “Play-Off” na SIC Notícias. Os filmes do canal Hollywood e as séries infantis da Disney continuam a ser grandes agregadores de audiências e nas séries o AXN esteve esta semana à frente da Fox.


Aquilo que era um facto incontornável há uns anos atrás – uma dominuição sensível do consumo de televisão durante a época de férias – é actualmente um fenómeno residual que na maior parte do Verão nem tem mesmo expressão significativa. Vamos ver como se comportam os programas de informação quando as campanhas eleitorais começaram a aquecer, daqui a umas duas semanas. Até lá: novelas e filmes enchem o olho dos espectadores.


 


(Publicado na Sexta TV& Lazer do Correio da Manhã de 7 de Agosto)

julho 31, 2015

GROUCHO MARX CONTINUA A TER RAZÃO COMO SANTOS SILVA VAI DEMONSTRANDO

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TEMA 1- Já que por estes dias se fala tanto dos homens de Atenas gostava de recordar que, na Grécia antiga, político que prometesse e não cumprisse era expulso da polis por 10 anos. Cá por mim acho que esse era um bom preceito. É nestas alturas que me vêem à memória as promessas de Costa quando foi eleito pela primeira vez Presidente da Câmara - por exemplo acabar em poucas semanas com as segundas filas de estacionamento; ou, ainda, os seus feitos como membro do Governo numa anterior encarnação - onde fazia frequentemente o contrário daquilo que hoje apregoa. Deste papel de vendedor de ilusões não podem ser esquecidos outros, de outros partidos, que têm andado a vender gato por lebre, poluindo o país. Seria muito útil que alguém inventariasse as promessas feitas e não cumpridas pelos políticos de serviço.


 


TEMA 2 - Augusto Santos Silva teve a pasta da comunicação social nos tempos do detido Sócrates. Hoje, uns anos depois, a sua boçalidade mostra-se em pleno com a polémica que alimentou por, coitado, ter sofrido alterações e mudanças de horário motivadas pela fraca audiência obtida face a outras alternativas de programação. Ficámos assim a saber que este ex-responsável pela pasta da comunicação social num Governo socialista ignora que a liberdade editorial passa por um Director de Informação poder decidir em função dos  conteúdos que são mais adequados, em cada momento, às audiências que quer atingir, e  que esse é o verdadeiro sentido da liberdade de imprensa e da função editorial. Santos Silva tem-se mostrado nestes dias como o português mais parecido com Varoufakis: ambos pensam que a culpa do que lhes corre mal é sempre dos outros e não lhes ocorre que são as suas asneiras que os levam ao local para onde foram remetidos.


 


TEMA 3 - Depois de vários ensaios legislativos e de múltiplas reuniões continua sem haver acordo sobre a forma como os partidos políticos querem manipular as televisões privadas para fazerem propaganda, travestida de debates. Estes debates que tanta polémica causam são um exercício de pantominice oratória onde o único objectivo é que cada um limite o outro - uma espécie de jogo de râguebi apenas com placagens e sem marcação de ensaios. Lamentável. Na verdade o que os preocupa não é nenhum pluralismo ou um sério desejo de debater ideias, algo impossível naquele formato - é apenas garantir que quem se intitule político do arco da governação possa arengar à vontade.


 


SEMANADA - O Tribunal Constitucional chumbou, pela segunda vez, a lei do enriquecimento injustificado aprovada no Parlamento; o juiz Carlos Alexandre afirmou querer o Ministério Público com mão mais pesada e a aplicar medidas de coação agravadas nos casos mediáticos; a PSP já deteve este ano 32 taxistas por suspeitas de crime de especulação contra turistas que chegaram ao Aeroporto de Lisboa; em 2014 Portugal foi visitado por 17,3 milhões de turistas que geraram 10,39 mil milhões de euros de receitas, o melhor resultado de sempre; em Portugal há menos 100 mil fiadores que há quatro anos; cinco famílias são despejadas por dia por rendas em atraso; há 31 candidatos a director geral do Fisco; o Tribunal de Contas afirma que as verbas canalizadas pelas Finanças para os sorteios de automóveis da “fatura da sorte” foram utilizadas de forma irregular;  este ano o numero de vítimas mortais em praias fluviais é quatro vezes superior ao verificado em praias marítimas; desde abril onze pessoas já se perderam em passeios nos trilhos do Gerês, alegadamente devido a deficiente sinalização; os municípios portugueses tiveram uma quebra da receita global de 1600 milhões de euros nos últimos cinco anos, o que significa uma perda de 876 mil euros por dia; depois da experiência governativa em meia legislatura Poiares Maduro decidiu voltar a emigrar; o Programa da Mobilidade apresentado esta semana pelos Ministro do Ambiente preconiza que nalguns casos os funcionários do Estado passem a deslocar-se de bicicleta.


 


ARCO DA VELHA - Sérgio Figueiredo, Director de Informação da TVI, afirmou que Augusto Santos Silva saíu da estação “por ser malcriado, não porque a sua voz é incómoda”; Augusto Santos Silva respondeu apelidando o jornalista de “ayatollah de Barcarena”.  


 


FOLHEAR - A revista Egoísta é uma aventura rara no panorama editorial português. É fruto do encontro da vontade de Mário Assis Ferreira, que assegurou o financiamento através da Estoril-Sol, da iniciativa de Patrícia Reis, que delineou o projecto, e de Henrique Cayatte, que o formatou graficamente no início. Esta aventura tem 15 anos e 70 prémios obtidos ao longo da sua existência. Publicou autores portugueses e estrangeiros, não só na escrita, mas também na ilustração e na fotografia. Tem sabido ser uma montra diversificada de talentos e uma oportunidade para publicar muitos trabalhos que de outra forma ficariam na gaveta. Confesso que sou parte interessada, já lá publiquei fotografias diversas vezes e neste número que assinala os 15 anos da publicação mostro algumas das instagrams que semalmente aparecem nestas mesmas páginas do Jornal de Negócios. A Criatividade é o reduto da diferença - escreve Mário Assis Ferreira no editorial desta edição - e é isso mesmo que se pode ver nas fotografias de Teresa Freitas, de Pauliana Valente Pimentel, de Lionel Arnaudie ou nos graffiti de Tamara Alves que esta “Egoísta” dá a conhecer.


 


VER - Se está por Lisboa não deixe de visitar até 25 de Outubro uma exposição que está no MUDE (Rua Augusta 24) - TAP PORTUGAL: IMAGEM DE UM POVO, e que a circunstância da privatização da empresa tornou especialmente actual. Aqui se mostra o que foi  o design da companhia aérea nacional, ao logo de 70 anos, de 1945 aos nossos dias, ao nível da comunicação visual, indumentária, design de interiores e produto. Aqui se pode ver o trabalho de ateliês e agências, como Ciesa, Forma, Estúdio MR, Marca, Impar, Cinevoz, Espiral, Risco, McCann e Brandia. Na exposição estão ainda peças criadas para a TAP por marcas portuguesas de referência como a Vista Alegre, a Secla, as Loiças de Sacavém, a SPAL ou a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, que produziram loiças de bordo e tapeçarias. Em todo este trabalho estiveram envolvidos nomes como Gonçalo Pais de Freitas, Gustavo Fontoura, Augusto Cid, Daciano da Costa, Carlos Rocha, Manuel Alves e José Manuel Gonçalves, entre outros. Para além destes, entre os designers e artistas representados incluem-se ainda Sebastião Rodrigues, Keil do Amaral, Eduardo Anahory, Louis Féraud, Ana Maravilhas, Sérgio Sampaio, Óskar Pinto Lobo, Leonildo Dias, João Velez, Carlos Rafael, Manuel Rodrigues e José Soares.


 


OUVIR - Bill Evans foi um dos grandes pianistas do jazz, morto prematuramente, aos 49 anos, em 1980. “Bill Evans - The Complete Fantasy Recordings”, é uma caixa com nove CD’s que incluem 98 gravações de estúdio e de actuações ao vivo e na rádio, efectuadas durante o período de sete anos antes da sua morte, a época em que gravou para a Fantasy Records. Aqui estão 11 sessões de estúdio, um concerto inédito com o seu trio (de 1976) e o registo de um programa da rádio pública norte-americana em que Evans, ao longo de uma hora, fala da sua música, tocando-a, com Marian McPartland. Nas gravações incluídas nesta caixa encontram-se duetos  com o baixista Eddie Gomez e com Tony Bennett, além de partipações de músicos como os guitarristas Lee Konitz e Kenny Burrell. A caixa inclui ainda um livro de 62 páginas com um ensaio sobre Bill Evans do crítico e seu biógrafo Gene Lees, assim como notas detalhadas das 11 sessões de estúdio, feitas por Helen Keane. Aqui estão também os álbuns que gravou para a Fantasy, como “The Tokyo Concert”, “The Tony Bennett/Bill Evans Album” e o registo a solo “Alone (Again)”. Esta edição-caixa está distribuída em Portugal pela Universal Music, e encontra-se disponível na FNAC e El Corte Ingles.


 


PROVAR - Nuno Cancella de Abreu foi um dos obreiros, há uns anos, da recuperação da casta Arinto, na região de Bucelas. Foi tão bem sucedido que ela, que então andava esquecida e em vias de extinção, se tornou numa das mais apreciadas castas para os bons vinhos brancos de estirpe bem portuguesa. Por estes dias e por sugestão sempre acertada do proprietário da garrafeira Néctar das Avenidas (Avenida Luis Bivar 40), experimentei um branco que desconhecia completamente, da península de Setúbal. Chama-se Pica Peixe - o nome vem de uma ave residente no estuário do Sado, próximo das vinhas onde nascem as uvas de Moscatel graúdo e Arinto utilizadas para este vinho, fresco, leve mas saboroso, que vai muito bem como aperitivo ou com saladas e peixe nesta altura do ano.


 


DIXIT - “Um terço da produção alimentar vai para o lixo” - Hilal Elver, investigadora da Universidade da Califórnia, numa conferência em Lisboa.


 


GOSTO -  Vai abrir no Hospital de Santa Maria um novo centro de investigação científica para testar novos medicamentos em patologias graves.


 


NÃO GOSTO - Das manias napoleónicas de François Hollande - ai o que me irritam os franceses….


 


BACK TO BASICS - “A melhor maneira de saber se alguém é honesto é perguntar-lhe isso mesmo; se responder que sim ficamos a saber que é um vigarista” - Groucho Marx


 


 

TVI 24 APROXIMA-SE DA SIC NOTÍCIAS

Uma análise da evolução das audiências dos canais leva a crer que na ultima semana a RTP1 perdeu espectadores para a TVI, a SIC e o conjunto de canais de cabo – sendo que foram estes últimos aqueles que ficaram com a maior fatia da transferência de audiências. Apesar d e estar a decorrer a época de férias não se notam alterações significativas no número total de espectadores que seguem os diferentes canais. Nos canais generalistas a TVI continua a dominar e a SIC está na segunda posição, mas esta semana a novela “Mar Salgado” voltou a suplantar “A Única Mulher”. Nos concursos, “Money Drop” da TVI aparece na sétima posição e “Preço Certo”, da RTP1, aparece na 20ª. No cabo o canal mais visto é o Hollywood, seguido do Disney Channel. A evolução, positiva, da TVI24 continua: apenas na região da Grande Lisboa surge atrás da SIC Notícias – o TVI 24 já está à frente da sua concorrência nas regiões norte, centro e sul. Na região Sul, no entanto, o canal líder de notícias é o CMTV, em 7º lugar. A nível nacional a diferença entre a SIC Notícias e a TVI24 estreita-se e é curioso notar que na semana passada quatro dos cinco programas mais vistos no conjunto dos canais de cabo eram da TVI24 e um era um filme do Hollywood, na terceira posição. Fox continua à frente do AXN e nos canais infantis o mais visto é o Disney, seguido do Cartoon.


 


(Publicado na Sexta TV & Lazer do Correio da manhã de 31 de Julho)


 


 

julho 24, 2015

PROBLEMAS MEDIÁTICOS, DESILUSÕES A OUVIR E A PROVAR

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MEDIÀTICOS -  Sinto-me tentado a dizer que daqui a um ano o panorama dos canais portugueses no cabo vai ser diferente, para pior, em quantidade e qualidade,  relativamente à oferta que hoje em dia existe. A Altice já iniciou as renegociações sobre os valores que a PT pagava aos operadores portugueses pelos canais que distribuía e tem a expectativa de obter grandes reduções. A NOS, mas também a Vodafone, observam com atenção o que se passa para, se a Altice fôr bem sucedida, poderem elas próprias renegociar também em baixa os valores que igualmente pagam aos mesmos operadores. Não é arriscado dizer que  os operadores que detêm canais no cabo e que beneficiaram de contratos generosos dos dois antigos principais operadores de distribuição, a PT/MEO e a TV Cabo/ZON, podem ver as suas receitas diminuírem de forma acentuada. Nalguns casos estes operadores, nomeadamente a RTP, a SIC e a TVI, tinham nas operações de cabo subsidiadas pelos distribuidores uma fonte de receitas que ajudava ao fecho de contas. Esta situação corre o risco de começar a ser um gerador de resultados negativos a não ser que se tomem drásticas medidas de cortes de custos - e previsivelmente os canais de informação serão dos mais atingidos. O que me preocupa quando olho para este panorama é pensar que se pode entrar num ciclo vicioso: menos orçamento, menos meios de produção, perda de qualidade, deterioração de audiências, queda das receitas publicitárias. Os Media não valem nada sem audiência. Se desprezam a qualidade, arriscam perder valor - porque o único valor que têm é o poder da comunicação que conseguem estabelecer. Vamos ter pela frente tempos complicados na paisagem mediática.


 


SEMANADA - Cinco milhões seiscentos e quatro mil é actualmente o número de portugueses que utilizam Internet, dos quais 2,2 milhões declaram usar tablets, revela um estudo da Marktest; em quatro anos emigraram seis mil bombeiros, o que significa metade do total que existiam; entre 1 de Janeiro e 15 de Julho registaram-se 8753 incêndios florestais que atingiram 23.702 hectares, mais que em anos anteriores no mesmo período; Portugal tem a segunda maior taxa de emigração da Europa, atrás de Malta; 2,3 milhões de portugueses residiam fora do país em 2013; até final de Junho 480 empresas tinham salários em atraso no valor de 1,8 milhões de euros; um em cada dois trabalhadores portugueses trabalha em part-time, contra um em quatro, que é a média da União Europeia; cada família portuguesa pagou mais 1415 euros de IRS em dois anos; todos os dias 96 famílias portuguesas pedem ajuda para pagarem as dividas; o nível de incumprimento das empresas portuguesas à banca nunca foi tão elevado como agora, e atingiu um rácio de crédito mal parado de 15,7% dos empréstimos; segundo o Eurostat Portugal tem a 3ª maior dívida pública da União Europeia - 129,6% do PIB; o Tribunal de Contas indica 2691 milhões de euros de custos para o Estado com o BPN, mais 495 milhões que o previsto em 2014; o Ministério da Saúde enviou para investigação nos últimos três anos 416 processos no âmbito do combate à fraude, que equivalem a um montante de 372 milhões de euros.


 


ARCO DA VELHA - O fornecimento das cantinas escolares de Guimarães nos próximos três anos foi adjudicado pela autarquia a uma empresa que reconhece ter cortado na dimensão das doses de alimentos, como o peixe, que estavam previstas nas condições do concurso. Os outros concorrentes reclamaram e a autarquia desvaloriza a questão.


 


FOLHEAR - Nos últimos tempos tem-se notado um ressurgir das revistas de viagem - não os álbuns de postais ilustrados habituais no início deste século, mas publicações que se baseiam em relatos mais ou menos extensos, a meio caminho da literatura de viagem tradicional. A revista “Monocle”, que nos últimos anos fez edições especiais em formato de jornal no Verão e no Inverno (respectivamente a Monocle Alpino e a Monocle Mediterraneo), decidiu em finais de 2014 avançar para um novo conceito. E assim, no final do ano edita uma publicação dedicada a perspectivar o futuro (“The Forecast”) e agora lançou uma consagrada às viagens e à descoberta, “The Escapist”, que se pretende uma leitura de férias inspiradora de viagens, com o habitual peso hedonista da publicação mãe. “The Escapist” percorre o mundo, do Alaska ao Japão, passando pela América do Sul, o Médio Oriente, África, Ásia e a Europa - ou se quisermos de Varsóvia a Addis Abeba, passando pelo Djibouti ou Sapporo. Como sempre há indiscutivelmente boas ideias editoriais e um cuidado estilo gráfico, além de uma edição fotográfica que parece ingénua, mas que no fundo é muito sofisticada. Como curiosidade refira-se que os dois grandes anunciantes desta edição são diversas regiões e temas do turismo de Espanha e a rêde de alojamento partilhado “airbnb”, que aliás publica um destacável - nos dois casos numa cuidada composição entre o editorial e o comercial. Existe uma lista dos 50 melhores restaurantes de 2015, com duas referências portuguesas, ambas inesperadas mas justas - o Gambrinus, em Lisboa, na 42ª posição e a Mercearia Gadanha em Estremoz, na 49ª. O primeiro lugar foi para o Beard, em Tokyo e o segundo para o incontornável River Café em Londres e o terceiro para o Pa & Co em Estocolmo.


 


VER - Hoje destaco duas exposições bem diferentes que estão na Gulbenkian até meados de Outubro. A mais cativante , “todos os livros”,  é a que agrupa cerca de meia centena de livros de artista produzidos por Lourdes de Castro, desde os anos 50 até hoje, muitos deles nunca antes expostos. Destaque para uma das obras até agora inéditas,  Un autre Livre Rouge,  realizado em Paris no início dos anos de 1970, em colaboração com Manuel Zimbro, numa clara evocação do título do livro de pensamentos de MaoZedong, e num exercício bem humorado em torno da cor vermelha. Muitos dos livros são únicos, outros tiveram edições limitadas, feitas em serigrafia e alguns resultaram da colaboração com escritores, como Benjamin Patterson, ou de artistas como René Bertholo, que esteve com Lourdes Castro na revista KWI. A outra exposição “Olhos nos Olhos - o retrato na colecção do Centro de Arte Moderna” percorre o universo do retrato ao longo do século XX, ao longo de 140 obras de autores como Amadeo, Almada, Milly, Eduardo Viana, Francis Smith, Paula Rego, Gilbert & George, Jane & Louise Wilson, John Coplans, Nikias Skapinakis, Pedro Cabrita Reis, António Areal, Jorge Molder, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Mário Botas, João Hogan, Maria Beatriz, Ana Hatherly, Victor Palla, José Escada e Helena Almeida, entre outros.  


 


OUVIR - O realizador Ruben Alves, autor do filme “A Gaiola Dourada”, é o autor do projecto “Amália - As Vozes do Fado”, um CD que agrupa 13 dos mais importantes fados de Amália Rodrigues, reinterpretados por outras vozes, em gravações actuais. O projecto envolveu uma obra do industrial de graffitti e obras urbanas Vihls, baseada numa fotografia de Amália, e executado em calçada portuguesa na zona de Alfama - na realidade a acção promocional da imagem do disco, aproveitada aliás para a respectiva capa. Este CD mostra que Ruben Alves é melhor a realizar filmes que a conceber discos: a produção é irregular, algumas escolhas de intérpretes são incompreensíveis e as opções de quem supervisionou a produção, em matéria de enquadramento dos intérpretes, são na maioria estranhas - nalguns casos solicitou ou permitiu o pastiche puro e simples e noutros lá deixou o talento aparecer, como na interpretação de “Grito” por Ricardo Ribeiro, no “Medo”, por Gisela João ou, em menor escala, em “Abandono” por Camané. Carminho e Ana Moura confirmam-se irrelevantes imitadoras  e António Zambujo desilude. Os duetos da segunda parte do disco são particularmente penosos - percebe-se a intenção comercial e o piscar de olhos a vários mercados, mas nenhum deles é mais do que uma curiosidade irrelevante, por vezes de mau gosto até.


 


PROVAR - A imprensa regional de Lisboa noticiou a abertura de um restaurante que se pretende tipicamente italiano - tão típico que todos os empregados e o próprio dono ouvem em português mas falam em italiano. Seduzido pelas descrições da paróquia lancei-me ao caminho para jantar num dia de semana. Apesar de estar em frente à escadaria do Parlamento (felizmente sem ópera nessa noite), tive a boa sorte de não encontrar por lá nenhum deputado - que na maioria, são um mal necessário da democracia. As massas frescas foram-me muito louvaminhadas, mas embora as próprias pareçam de facto frescas e sejam de boa confecção, o cozinhado do seu condimento envolvente era algo sem história. Melhores eram as entradas - sobretudo a bresaola e o presunto, ambos de boa estirpe - o queijo pecou por escasso, apesar de menos aliciante. O serviço é muito simpático e sorridente mas algo atabalhoado e sobretudo esquecido em relação a pedidos suplementares e até a sugestões do próprio dono - situação que a simpatia tende a não resolver. O Il Matriciano fica na Rua de S. Bento 107 e tem o telefone 213952639. Se quiserem ir o melhor será marcar que o sítio anda na moda vá-se lá saber porquê.


 


DIXIT - “Talvez tenha sobrestimado a competência do governo Grego, nunca calculei que pudessem tomar uma posição e exigir melhores condições sem ter um plano alternativo” - Paul Krugman


 


GOSTO - Deste diálogo do Bartoon, a propósito da compra do Autódromo do Estoril pela Câmara de Cascais: “ Espantoso este país, não acha? - as pistas de corrida passa para o sector público e as redes de transporte público passam para o sector privado”.


 


NÃO GOSTO - Que a ASAE conceda um tratamento especial de tolerância na inspecção de locais e eventos quando lá se deslocarem membros do Governo.


 


BACK TO BASICS - “Seja onde fôr que eu vá, acabo por descobrir que antes de mim já lá esteve um poeta” - Sigmund Freud


 


 


 

SERVIÇO PÚBLICO E AUDIÊNCIAS – O DILEMA DE SEMPRE

Na semana passada o programa mais visto na RTP1 foi a transmissão do jogo Portugal-Taiti e na RTP2 foi a Volta à França que conseguiu obter maior audiência.


Também na semana passada o governo britãnico divulgou um novo relatório sobre a BBC que coloca uma questão que é a mais importante de todas no contexto da discussão do serviço público: deve a BBC focar-se em fazer programas e emissões para todos os públicos e audiências, ou deve dedicar-se mais em particular àqueles públicos que têm menos conteúdos disponíveis na paisagem televisiva e em particular nos canais comerciais? O relatório indica que uma BBC mais focada e com um espectro de actuação mais apertado funcionaria com um orçamento mais pequeno e custaria menos aos contribuintes, ao mesmo tempo que teria menos efeitos concorrenciais na paisagem mediática em relação aos operadores privados. E o relatório mais uma vez sublinha o risco que se corre quando se decide competir por audiências e não pela qualidade.


Um exemplo: a histórica âncora da RTP, “O Preço Certo”, viu-se derrotada em poucos meses pela concorrência que a TVI lhe montou com “The Money Drop”, que já tem regularmente muito maior audiência. O “Preço Certo”, um concurso dificilmente enquadrável no conceito de serviço público, usou ao longo dos anos os números obtidos para ser considerado um programa intocável – mas agora que nem aparece no top 15 dos programas mais vistos, que dizer?


 


(Publicado na Sexta TV & Lazer do Correio da Manhã de dia 24 de Julho)