abril 30, 2012

REGIME, FALHAS, SUGESTÕES E INDÚSTRIA

SISTEMA– Este ano a habitual sessão solene comemorativa do 25 de Abril, na Assembleia da República foi marcada, dentro e fora de S. Bento, pela convicção de que existem falhas sérias no regime. Numa situação de crise económica e financeira as coisas ainda pioram. Há 38 anos criou-se a ideia de que o exercício da liberdade conduziria à prosperidade e a uma igualdade de condições para todos. Se tivesse existido cuidado a estudar a História ter-se-ia visto que a liberdade politica não anda de mão dada com a prosperidade e que a igualdade de oportunidades não significa sucesso igual para todos. É em parte a descoberta de que afinal as coisas não são como se pensaram que criou as desilusões que alguns sentem. As desilusões, por outro lado, foram agudizadas porque uma geração de políticos prometeu o oásis e camuflou o deserto, prometeu que os europeus seriam todos iguais e, quando se descobriu que as diferenças continuavam enormes, quis tapar o sol com a peneira das obras públicas, de investimentos e de subsídios e apoios muito superiores às posses do país. Durante décadas os partidos compraram votos nas eleições com promessas muito acima das possibilidades. Durante décadas houve falta de coragem para assumir que, para mantermos a liberdade, teríamos que rever as contas de casa. Assunção Esteves foi certeira, quando, na sessão solene comemorativa do 38º aniversário do 25 de Abril, disse que “a actual crise económica é também uma crise politica, uma crise de sistema.” A realidade é que há 38 anos que o sistema cai nos mesmos erros, que a classe politica se isola cada vez mais do eleitorado, que a abstenção aumenta, que são cada vez mais uma minoria aqueles que efectivamente decidem. A participação cívica é cada vez menor e isso nota-se, não só na politica, mas sobretudo na fraqueza da sociedade civil. Num quadro destes cria-se o desânimo – sobretudo quando o caminho das dificuldades é evidente mas o caminho para sair delas continua sem se vislumbrar. A obrigação dos políticos é indicar esse caminho, explicá-lo, fazer com que todos se empenhem em conseguir concretizá-lo. Gostava de poder dizer que vejo quem esteja a fazer isto.


 


INFLAÇÃO – A inflação de que quero falar hoje tem a ver com as audiências de televisão. Desde que o sistema de medição da GFK entrou em funcionamento, a 1 de Março, criou-se a ideia de que a nova medição comprovava que existia um maior consumo de televisão que nas medições anteriores. Esta era uma boa notícia para os operadores de televisão, que assim se viam com mais ratings e, por consequência, com maiores receitas publicitárias – já que o valor de venda das campanhas publicitárias em televisão é estabelecido em função dos ratings (em termos genéricos, do número de espectadores). Algumas agências de meios chamaram a atenção, desde o início, para o facto de esse aumento de consumo de televisão poder ser ilusório, já que tudo indicava que não estavam a ser devidamente aplicadas as regras de validação de rejeição de “constant viewing” excessivo, nomeadamente a rejeição de indivíduos com consumo seguido de 12 horas de televisão e de visionamentos de um único canal por um período seguido de mais de 8 horas. Ao fim de um mês, e depois de confrontados com uma série de dados concretos, os responsáveis técnicos da CAEM acabaram por reconhecer que existiam problemas nesta área. Uma comparação atenta entre os dois sistemas de medição mostra que se fossem aplicadas pela GFK as regras de “constant viewing” os números relativos ao consumo de televisão entre o sistema da GFK e o da Marktest seriam praticamente iguais. Mas no Cabo existe, de facto, uma diferença assinalável – porquê? - uma análise atenta dos dados permite perceber que existem muitos lares no painel da GFK que não têm televisão por subscrição mas que, de alguma forma, vêem canais cabo, o que certamente inflaciona artificialmente o consumo de cabo. Ou seja, os números do cabo estão também distorcidos. Em resumo, o tal consumo de televisão, afinal não é tão grande como parece. O outro lado desta moeda é que, ao apresentar maior consumo, e em consequência mais ratings, a medição da GFK coloca os anunciantes perante uma inflação real no custo das suas campanhas e, por outro lado, entre os canais de televisão, distorce a realidade e cria expectativas que não se cumprirão. Planear uma campanha de televisão não é um exercício cabalístico e precisa de dados seguros para que exista uma boa relação entre os anunciantes e os meios, ou seja entre os clientes e os fornecedores. É por isso que esta situação é tão incómoda para quem trabalha neste sector – o que se tem passado não é uma guerrilha caprichosa contra uma entidade, mas apenas uma chamada de atenção para o que não está bem e para o que prejudica o mercado publicitário mais ainda do que ele já está.


 


SEMANADA –  Portugal passou a comprar muito menos carros do que aqueles que produz; as consultas nos hospitais psiquiátricos de Lisboa e Porto aumentaram cerca de 15%; Luciana Abreu disse que estava a ser vítima de bruxaria; traduzida por miúdos a dívida do Estado significa que cada português deve 18 mil euros; 7549 casais portugueses têm ambos os cônjuges no desemprego; os resgates dos certificados de aforro no primeiro trimestre atingiram 679 milhões de euros, quase metade daquilo que o Governo previa para todo o ano; a bolsa de Lisboa está nos valores mais baixos dos últimos dez anos;.


 


ARCO DA VELHA – O jantar solene oferecido por Cavaco Silva ao Presidente da República da Polónia teve que mudar de local a poucas horas de se realizar, na quinta feira da semana passada, quando a ASAE interditou a cozinha do Palácio Nacional da Ajuda, obrigando a uma súbita mudança para o Palácio Nacional de Queluz.


 


VER – Experimentem ir a pictify.com, um site construído a partir de reproduções de obras de arte lá colocadas pelos seus próprios utilizadores. É uma variante de  uma rede social para devotos das artes plásticas, mas, em vez de escreverem, os utilizadores vão colocando imagens das mais diversas obras de vários autores, uns conhecidos outros nem tanto. É uma espécie de galeria em que o acervo está em permanente rotação. Fascinante.


 


OUVIR – A série “Unplugged” da MTV começou no final dos anos 80, mas entretanto as versões acústicas tornaram-se banais. Quando uma cantora tão intensa em palco como Florence Walsh aceita fazer uma gravação tão contida como esta, o “Unplugged” volta a ser inesperado e supreendente. Destaque para o dueto com Josh Homme na versão de “Jackson”, para a delicadeza de “Only For A Night” ou “Shake It Out” ou para a intensidade  de uma curiosa versão de “Try A Little Tenderness”. Bem engraçado este MTV Unplugged de Florence And The Machine (CD Island /Universal).


 


FOLHEAR – A revista “The Economist” é sempre uma boa leitura, mas a sua edição de 21 de Abril tem por tema a terceira revolução industrial. Volta e meia a revista edita um “special report” – é o caso deste, que em 14 páginas observa as principais alterações que estão a ocorrer na indústria a nível mundial, desde a proliferação de impressoras 3D que podem fabricar objectos, peças, componentes, até à investigação sobre novos materiais, passando pelo ressurgir da actividade fabril, em novos moldes, nas sociedades mais avançadas. É um relatório muito bem feito, uma leitura apaixonante e com dados e ideias que é fundamental conhecer . Está disponível on line em economist.com na secção “print edition – special report”.


 


PROVAR – Se há petisco que me agrada é uma boa conserva de anchovas. De entre as que são mais fáceis de obter nos supermercados, a minha preferência vai para os filetes enrolados de anchova com alcaparras, conservados em azeite, da marca Minerva – uma inconfundível embalagem com uma dominante amarela e letras encarnadas, elaborada na Póvoa do Varzim pela fábrica de conservas A Poveira. É óptima a solo ou então misturada numa salada, com salmão fumado cortado aos bocadinhos.


 


GOSTO – Da ideia de criar um portal que permita aos alunos universitários saber as saídas profissionais e vencimentos à saída dos cursos.


 


NÃO GOSTO – Da forma como alguns ex-militares se apresentaram como donos do 25 de Abril.


 


BACK TO BASICS – “Não precisamos de visitar um manicómio para encontrarmos doidos” - Goethe


 

abril 24, 2012

A DIFERENÇA DOS MADREDEUS

Por estes dias ouvi umas certíssimas palavras de Pedro Ayres de Magalhães sobre a história dos Madredeus, a propósito do lançamento do novo disco do grupo, Às vezes custa a perceber que esta aventura dos Madredeus tem 25 anos. «Essência», esse novo disco,  recupera, em novas  versões, alguns temas de outras fases da carreira do grupo, entre os quais «Sombra», que Pedro Ayres de Magalhães esclareceu ter sido a primeira canção que compôs para Madredeus. Nessas declarações  ele conta como eram as coisas na música portuguesa em meados dos anos 80 – quando o fado, como recorda, era um tabu, apontado como uma música reacionária. «Achávamos um crime uma cidade como Lisboa ter uma música tradicional tão rica e ser quase escondida» - conta Pedro Ayres. «Sombra», composta em 1985, surge como uma ode ao Fado, a propósito de uma homenagem a António Variações, que morrera um ano antes e cujo derradeiro trabalho havia sido produzido por Pedro Ayres de Magalhães – o álbum «Dar & Receber». Variações, como bem recorda Pedro Ayres, foi muito influenciado pelo Fado, e sobretudo por Amália Rodrigues, de quem era um fã incondicional.


 


Hoje que o Fado voltou a ser popular entre os mais novos e recuperou o lugar a quem tem direito, pode quase parecer estranho ouvir esta história – mas ela corresponde à verdade. Nesse tempo o Fado era mal considerado, até Amália era ainda vista de lado por alguns guardiões do templo da pureza ideológica do novo regime. Foram precisos muitos anos para esse preconceito absurdo acabar – e é da maior justiça reconhecer que os Madredeus tiveram um papel decisivo e incontornável na criação de uma nova identidade musical portuguesa – que se afirmou porque soube guardar o melhor das tradições e criar um estilo próprio.


 


(Publicado no diário Metro de 24 de Abril)


 


 

abril 20, 2012

Oposição, tribunal constitucional e sugestões avulsas

ABRANDAMENTO? - Quando este Governo entrou em funções olhou para o que estava à sua volta e resolveu fazer uma terraplanagem. Provavelmente foi uma boa decisão. Só voltando à estaca zero se conseguiriam resolver muitos dos problemas que estavam para trás, frutos de anos de complacência. As medidas que foram tomadas a nível das finanças públicas, em grande parte por força de parceiros europeus e do FMI, assemelharam-se a um bombardeamento massivo. De facto conseguiram estancar uma parte do problema, mas a destruição foi tanta que outros surgiram, como agora o próprio FMI vem reconhecer. Em função disto, cresce o número de vozes que quer tomar medidas para abrandar a austeridade e exigem qualquer coisa que ainda ninguém percebeu bem como se alcança. António José Seguro está a trilhar o caminho, perigoso, de fazer crer a opinião pública que as medidas tomadas são já mais que suficientes e pode começar a existir maior tolerância. Para todos os que gostariam de começar a atenuar as coisas, deixo aqui o último parágrafo de um recente artigo de Lorenzo Smaghi, no «Financial Times»: «Um sistema no qual os políticos agem principalmente debaixo da pressão dos mercados, enquanto pensam que os mercados são míopes e podem ser iludidos, não é somente insustentável – é na realidade ineficiente. Tentar reconquistar a confiança dos mercados, depois de a ter perdido em determinada altura, requer ações duradouras e constantes. Isto causa problemas a nível económico e, claro, não é a melhor forma de consolidar apoio político interno». Espero sinceramente que os nossos políticos não se deixem cair em ilusões. Se o fizerem, o esforço feito até agora irá por água abaixo. Tudo aquilo que nos está a acontecer terá sido em vão se pararmos ou recuarmos. E aí é que será muito difícil dar a volta à situação.


 


POLÍTICA - O processo de escolha de novos juízes para o Tribunal Constitucional revela o pior que existe no sistema político português. Um Tribunal Constitucional devia ser um grupo de sábios, experientes, tão independentes quanto possível. Os nomes indicados e conhecidos serão de excelentes pessoas, mas não se integram na definição acima. Ninguém pode ser prejudicado por pertencer ou apoiar um partido político ou defender determinadas ideias – mas também não é suposto que isso seja condição suficiente para cargos desta natureza. Situações destas desacreditam o regime, desacreditam ainda mais os partidos políticos e desacreditam completamente o Parlamento que teve de inventar uma desculpa para adiar uma votação - já que nos nomes indicados havia situações que impediam que fossem eleitos. Situações destas tornam a política uma farsa. Para quê votar em pessoas assim?


 


SEMANADA –   A factura do gás vai subir 7% em Julho, acumulando uma subida de 18% em três anos; as queixas de fraudes com cartões bancários subiram 40%; o número de ajustes directos nas obras publicas aumentou 90 por cento em 2011, atingido 700 milhões de euros; o número de postos de trabalho na construção caíu mais de 20 desde 2011; a crise está a fechar 26 empresas por dia desde o inicio do ano; no primeiro trimestre as falências de restaurantes aumentaram 143% ; um estudo da Universidade Católica afirma que nos últimos 12 anos os católicos diminuíram 7,4%, tendo aumentado o número de pessoas que dizem professar outra religião e sobretudo os que se dizem sem religião; há 13 285 presos nas cadeias que custam ao estado meio milhão de euros por dia; em vésperas do Congresso da Ordem dos Psicólogos, soube-se que o Porto tem mais cursos de Psicologia que a Áustria, e Lisboa mais do que a Bélgica.


 


ARCO DA VELHA – Na sexta feira Pereira Cristovão saíu da Direcção do Sporting; segunda feira foi reintegrado. O Jornal de Notícias titulou que «Dirigentes do Sporting têm medo de Pereira Cristovão» e escreve que a «Judiciária tem indicações de que o arguido possui dossiês secretos sobre os colegas».


 


VER – Desde a semana passada o edifício Transboavista (Rua da Boavista 84) oferece mais uma série de exposições. Na Plataforma Revolver, agora repartida por três áreas distintas, destaco a colectiva «O Peso e a Ideia», que inclui obras de, entre outros, João Pombeiro, Ricardo Quaresma Vieira, Susana Anágua, Ruth Le Gear e Ana Fonseca. Na VPF cream art gallery está uma mostra imperdível de fotografias de José Maçãs de Carvalho, «Arquivo e Alteridade», que revisita diversas fases do trabalho deste autor – todas imagens marcantes, observações certeiras, que têm em comum a fixação de instantes que se completam e relacionam entre si. Num outro registo e num outro local, o Museu Berardo, aconselho uma visita ao trabalho do fotógrafo moçambicano Mauro Pinto que, com toda a justiça foi o vencedor do BES Photo deste ano.


 


OUVIR – «Radio Music Society» é o quarto álbum de Esperanza Spalding, a contrabaixista norte-americana que em 2010 ganhou um Grammy de melhor novo artista – e se tornou na primeira música de jazz a levar para casa o galardão. Spalding, tocando jazz, tem tudo para ser uma artista pop – desde a sua figura e pose até à forma como toca e canta, passando pela construção de algumas canções – e quase todos os temas são compostos por ela neste disco. Não deixa de ser curioso que Esperanza Spalding tenha escolhido interpretar aqui uma versão de um original de Stevie Wonder, «I Can’t Help It» - e percebe-se como Wonder é uma influência musical para ela. Por falar nisso, o outro tema que não é da sua autoria, «Endangered Species», um original de Wayne Shorter, aponta para outra das suas boas inspirações. Da lista de convidados para este disco fazem parte o guitarrista Lionel Loueke, os bateristas Billy Hart e Jack de Johnette e o saxofonista Joe Lovano – tudo boa gente. O resultado é um disco arriscado mas sedutor, a confirmar talentos de composição e vocais de Spalding, muitas vezes entre o rhythm‘n’blues e o funk, mas sempre com os pés bem assentes no jazz. Já agora, existe uma edição especial que inclui um DVD, que ajuda a compreender o universo de Spalding. A partir de cada canção, a começar pela «Radio Song» que inicia o disco, é construída uma narrativa, sempre protagonizada pela própria Esperanza Spalding, numa sucessão de episódios, cada um obedecendo a um script próprio, um pouco como um episódio de uma série. Curioso e inédito.


 


FOLHEAR –  A revista «Egoísta», premiada nos prémios de Criatividade da Meios, dedica a sua edição de Março ao tema da correspondência postal. «Escrever uma carta é o meio de chegar a algum lugar sem mover nada», escreve Mário Assis Ferreira logo na abertura deste número. De entre o material de toda esta edição destaco as ilustrações de João Carvalho Pina, as fotografias de Augusto Brázio, as «Coisas que te escrevi» de Tiago Salazar e o belíssimo «Um Adeus Portuguez» de Rui Zink, que encerra esta revista. Mas o que vale mais que tudo nesta revista é a noção de objecto impresso, a junção de textos, de imagens, de conceitos – no fundo o trabalho de edição, que é de Patrícia Reis. É o gozo de folhear uma revista que não traz notícias para além da sua existência e do prazer que ela nos dá.


 


PROVAR –  Na lista da cafetaria da Bica do Sapato entrou há pouco tempo um hambúrguer. Trata-se de uma peça à séria, em tamanho e qualidade, grelhada no ponto. Vem sobre um meio pão e com um ovo escalfado a cavalo. É acompanhado por umas batatas fritas despudoradamente grossas e saborosas e por rodelas de cebola fritas envolvidas na mesma polme usada para os peixinhos da horta da casa. À parte vem um molho de churrasco que é para termos a exacta noção do que é um pecado. Já agora a Bica do Sapato tem vindo a desenvolver pequenos petiscos para o fim de tarde, com destaque para o prego de lombo e uns croquetes de rabo de boi que têm que se lhes diga.


 


GOSTO – Da campanha Vamos Lá da TMN, e em especial do testemunho de Pedro Calapez.


 


NÃO GOSTO – De confusões com arbitragens no futebol.


 


BACK TO BASICS – É perigoso ter razão naqueles assuntos em que as autoridades estabelecidas estão enganadas - Voltaire


 


(publicado no Jornal de Negócios de  dia 20 de Abril)

abril 17, 2012

SPORTING - MAIS JOGO EM VEZ DE PROCESSOS

Cada vez que há um caso na arbitragem, quem perde é o futebol, os seus protagonistas, dos jogadores às equipas, passando por toda uma cadeia de valor (transmissões de televisão, merchandising dos clubes e por aí fora). Falsificar um resultado  é manipular o jogo, tirar-lhe interesse, criar uma ilusão impossível de manter. Já repararam na sucessão de casos que envolvem tentativas de manipulação dos resultados através da compra de árbitros?


 


Analisemos esta situação como se estivéssemos a olhar para um produto: ninguém num mercado aberto sobrevive a resultados falseados, não há consumidores que queiram comprar produtos aldrabados. Mais: não há marca que resista à revelação de que andou a enganar o mercado.


O futebol português tem tido repetidos casos de apitos de diversas cores – sejam dourados ou outros. Para muitas pessoas no futebol vale tudo – em nome do fanatismo. Esse fanatismo cego pode ajudar a disfarçar erros, mas no fim do dia vira-se contra quem usa subornos e pressões em vez de qualidade e eficácia de jogo.


 


Hoje em dia o futebol é uma das maiores formas de entretenimento globais e tem uma capacidade de atrair espectadores para a televisão como poucos outros espectáculos. Mas se fôr baseado em resultados falseados nunca se tornará global, se não tiver uma lógica clara nas decisões da arbitragem, nunca poderá, por exemplo, conquistar o mercado norte-americano. Aqueles que em Portugal falseiam resultados estão a dar cabo da possibilidade de desenvolver uma área importante da indústria do entretenimento. Se calhar é porque pensam apenas em si próprios e em vantagens imediatas e não encaram o que fazem como uma actividade profissional que deve criar marcas, defende-las e gerar resultados – em vez de processos judiciais.


 

abril 13, 2012

O Parque Mayer, reformas, fotografias de polícias e portagens

REFORMAS - Quando aqui há uns meses se realizaram manifestações em França contra o aumento da idade da reforma lembro-me de ter visto um dos manifestantes, com ar jovial, saudável e bem posto, a queixar-se do incómodo de não se poder reformar aos 57 anos e apenas aos 62, dizendo, com ar convicto e contrariado, que esta alteração não lhe dava jeito nenhum. Aqui há dias encontrei uma ex-colega minha de faculdade, exactamente com a mesma idade que eu – 57 anos – que me disse estar muito contente por se ter reformado há um ano – fiquei de cara à banda. Lembro-me que na geração dos meus pais a reforma era uma coisa que acontecia muitas vezes depois dos 65 anos, por opção dos próprios. Não consigo compreender que  uma sociedade dispense aqueles que teoricamente têm mais conhecimentos, maior experiência adquirida e que mais podiam contribuir para formar profissionalmente os mais novos. Nos últimos anos criaram-se perversos mecanismos que levaram a este estado de coisas. Podiam-me dizer que, em contrapartida, a muitos jovens foi dada oportunidade de começarem a trabalhar – mas como todos sabemos isso é mentira. Não é preciso ser perito para perceber que permitir antecipar reformas uma dezena de anos é uma opção que complica o presente e compromete o futuro.


 


IMAGENS – Nesta semana ficou conhecido o resultado de um inquérito da Inspecção Geral da PSP aos incidentes no Chiado. Segundo o referido inquérito a policia portou-se como deve ser, planificou como deve ser e actuou como deve ser. Estamos pois conversados sobre o assunto – a policia resolveu pedir desforra a um outro inquérito, também oficial, que não dizia bem isto. Mas a parte mais curiosa é sobre o que aconteceu com repórteres fotográficos – “ficou evidente a necessidade de melhor sinalizar” os jornalistas. Um aspecto pouco focado sobre este tema não envolve só os jornalistas. As imagens do Chiado mostram que  agentes policiais se incomodaram por estarem a ser fotografados e atiraram-se contra quem o fazia – que eram jornalistas. Mas isto levanta outra questão: pode a policia agredir ou impedir um cidadão, mesmo não jornalista, de fotografar uma ocorrência pública, na circunstância uma carga policial? Não devem os policias ser instruídos sobre o facto de não ser crime fotografar na via pública? Não lhes deve ser explicado que não é um acto terrorista registar imagens de ocorrências destas?


 


PORTAGENS - O que se passou no fim de semana da Páscoa com os turistas estrangeiros e as novas portagens rodoviárias é um manual de ineficácia do Estado e de incapacidade de assumir erros. Recordo que o problema vem de trás, do anterior Governo. Aos poucos vai-se descobrindo que tanto incómodo – e tantos prejuízos causados ao comércio nas regiões mais afectadas pelas barreiras levantadas à entrada de turistas por via rodoviária, não têm afinal efeito prático – parece que nada acontece aos condutores estrangeiros que não pagam portagens. A história seria cómica se não fosse trágica. Com a devida vénia reproduzo um excerto de uma nota do blogue “31 da Armada” que me parece sintetizar de forma clara esta inusitada situação: “Na resposta a um problema podemos complicar, imitar ou inovar. No caso do pagamento de portagens nas ex-scut optámos pela primeira. O governo anterior, em mais de 3 anos, não foi capaz de encontrar uma solução que não passasse pela compra de identificadores (o «Expresso», na altura, contou uma história edificante sobre uma empresa amiga especializada nesses aparelhómetros), ou pelo tradicional «ponha-se na fila». Como é evidente, outros já tiveram este problema. E resolveram bem a questão. Com um simples sms de valor acrescentado. E um outdoor de grande formato com a indicação do número para onde se deve enviar a mensagem com a matrícula do carro. Simples. “


 


PARQUE MAYER – Tenho para mim que as recentes decisões judiciais em torno do caso do Parque Mayer ainda vão fazer correr muita tinta. Uma coisa parece certa – António Costa tinha aprovado um plano para o Parque Mayer, adjudicado obras (por exemplo as de recuperação do Teatro Capitólio) com início marcado para este mês. À medida que os dias passam percebe-se que os gritos de vitória lançados por José Sá Fernandes quando se soube da decisão judicial podem ter sido exagerados. Um cidadão olha para o assunto e, do que lê, percebe que a Câmara começou a assumir responsabilidades sobre um terreno que não sabia se seria seu ou não, vai ter de reembolsar o antigo proprietário por entretanto invalidar uma operação de permuta de terrenos e uma expropriação – que não há-de ser fácil – parece ser a solução de recurso. A moral desta história, como a do túnel do marquês, é que processos em que o vereador Zé se mete acabam por sair caríssimos aos contribuintes e à autarquia lisboeta. O Zé é um centro de custos – e quando se arma em negociante e quer criar um centro de receitas acaba por fazer péssimos negócios com o espaço público da cidade, transformando-a numa feira de horrores – como já aconteceu com algumas zonas da cidade, em especial a Avenida da Liberdade. Quando para o ano houver eleições autárquicas, na hora do voto lembrem-se destes edificantes episódios.


 


 


SEMANADA –  Televisão, rádio e imprensa portuguesa perderam 500 efectivos em quatro anos; 59% dos candidatos à advocacia chumbaram no exame final de estágio da Ordem dos Advogados e a média do exame foi de 7,8 numa escala de zero a vinte; a poucos dias do apagão final 30% das famílias sem televisão paga ainda não está preparada para receber a TDT; as vendas de carros caíram 51,7% no primeiro trimestre de 2012; a


Câmara de Leiria deu 7,2 milhões de resultado positivo em 2011; há


prisões com todas as torres de vigia desactivadas por falta de pessoal;


uma juíza do tribunal de Famalicão foi condenada a 180 dias de suspensão pelo Conselho Superior da Magistratura por ter feito acusações a um outro juiz, consideradas falsas; todos os dias 30 pessoas são declaradas falidas em Portugal; insolvências subiram 46% desde Janeiro.


 


ARCO DA VELHA – Portugal ficou classificado em 73º lugar no ranking do primeiro relatório mundial sobre a felicidade, elaborado a pedido das nações unidas, e atrás de 22 países da união europeia.


 


VER – Vou falar do que já não se pode ver: demorou uma noite apenas a mais recente exposição de Julião Sarmento – uma instalação criada na galeria Appleton Square, em Alvalade, em torno de uma das mais preciosas peças do Museu Nacional de Arte Antiga, uma obra do pintor flamengo van Dick, do início do século XVII. Foi uma deliciosa e inventiva provocação, que mostrou como toda a criação artística pode ser reciclada e como as aparências – e os conceitos – podem iludir.


 


OUVIR – Em Maio de 2011 Elvis Costello criou uma série de concertos com esta particularidade: uma tômbola gigante, colocada no palco, tinha o nome de muitas das suas canções, e um espectador era convidado para a girar, escolhendo assim uma delas. Desta forma os concertos não tinham alinhamento fixo, mas sim aquele que a sorte ditava. Nasceu o “Spectacular Spinning Songbook”, trazido pela mão de Elvis Costello & The Imposters. A digressão com o mesmo nome chega à Europa este ano e o disco, gravado em Maio do ano passado, ao vivo, em Los Angeles, inclui um CD e um DVD, com o mesmo alinhamento, cada um deles com 17 temas, entre os quais uma canção que Costello em tempos fez para as Bangles, “Tear Off Your Own Head”, aqui co-interpretada por Susana Hoffs. Os discos ao vivo são pensados para os fãs dos artistas gravados, mas neste caso, e sobretudo o DVD, é bom entretenimento garantido para quem se delicia com os truques de produção de um concerto. O resto é apenas o enorme talento de Elvis Costello. O disco já está disponível em Portugal.


 


LER – Querer ignorar hoje em dia o que se passa nas redes sociais é o mesmo que, há uns anos atrás, dizer que não se tem tempo para ler jornais. As mudanças no universo digital são tão rápidas que, para as entender, ajudar ter uma espécie de guia que nos vai chamando a atenção para o que é mais relevante. Há uns tempos, via twitter por sinal, descobri o sítiomashable.com e desde então tornei-me seu leitor regular. Além de novidades técnicas inclui bons artigos sobre negócios como a recente aquisição do Instagram pelo Facebook e, ainda, uma série de textos oportunos sobre temas como a influência do digital na política ou o papel das redes sociais no local de trabalho.


 


PROVAR – Os menus executivos chegaram a um dos restaurantes de Lisboa com melhor vista – o Terraço do Hotel Tivoli. Aos dias de semana, ao almoço, uma entrada, o prato do dia, uma bebida e café ficam por 25 euros.


 


BACK TO BASICS – A tolerância é uma excelente virtude, mas o vizinho mais próximo da tolerância é a apatia – James Goldsmith


 

abril 10, 2012

BOM SENSO E REALISMO

A troika está por cá há um ano e a coisa não tem sido fácil. Em época de balanço, há dois lados para esta questão.  Vamos começar pelo negativo, que é o de estarmos a servir de cobaias para algumas medidas, que têm produzido um impacto complicado na economia, o que por sua vez afecta e dificulta o processo de recuperação do país. Este é o ponto que deve ser corrigido.


 


Mas há um lado positivo : o caderno de encargos da troika, e, reconheça-se, a determinação e o sentido de realidade do Governo de Passos Coelho, têm permitido fazer reformas e tomar decisões que há muitos anos estavam bloqueadas. Este lado de mudança e de adequação á realidade é positivo.


 


Falta agora pegar na realidade que estamos a viver e adequar algumas premissas para que, também de forma realista, se poder começar a dinamizar a economia e travar a espiral de desemprego que nos atinge. E falta, continua a faltar, que o Estado reconheça que em matéria fiscal tem ele próprio deveres, tal como os contribuintes. E o Estado, nesta matéria, continua a exercer abusos de poder, sobretudo sobre os contribuintes individuais que vivem do seu trabalho e isso é cada vez mais penoso.


 


A retracção do consumo e a aplicação cega de algumas medidas estão a provocar uma quebra da receita fiscal – o lamentável episódio passado com turistas nas zonas de fronteira, em torno da questão das portagens, é um exemplo daquilo que o Estado precisa de corrigir urgentemente. Fazer o balanço do que se fez e alterar o que está mal é prova de bom senso.


 


Estes tempos difíceis que vivemos são o momento de encarar a realidade de frente. Para continuar as reformas que forem necessárias e para corrigir acções que se estão a revelar prejudiciais. Será o Ministro das Finanças capaz de ver o que é preciso corrigir?


 


(Publicado no diário Metro de 10 de Abrl)


 

abril 05, 2012

Marcelo, audiências, ruídos e sugestões avulsas

EXEMPLAR – Marcelo Rebelo de Sousa tem tido uma semana em cheio. Na sua habitual presença de domingo na TVI fez uma nota sobre o significado da alteração de estatutos do PS e subitamente saltou para o centro do debate político e ficou debaixo da mira da direcção do PS. A resposta que Marcelo deu às críticas e ao ataque que o próprio António José Seguro lhe dirigiu é, em si mesma, um exemplo de comunicação bem gerida. Em vez de contra-atacar ou justificar-se, Marcelo prometeu comentar a reacção do PS mais uma vez no seu espaço na TVI no próximo Domingo. Foi uma jogada digna dos melhores momentos do seu Sporting de Braga: ao mesmo tempo conseguiu pôr o adversário fora de jogo e criar expectativa para o desenlace final do desafio. E não deixa de ser engraçado que apesar da muitas críticas internas, foi a análise que Marcelo fez à revisão estatutária de Seguro que provocou mais ruído. Mas outro ponto alto da semana de Marcelo foi a entrevista que deu aqui ao «Negócios» na passada terça-feira, certeira, estabelecendo uma clara agenda de posicionamento político, desde os grupos económicos às relações com as ex-colónias, passando pela análise do Governo anterior e do comportamento da Europa na crise - e não esquecendo um elogio a Paulo Portas.



TELESPECTADORES - Quem me dera a mim deixar de falar de audiências – era sinal que a coisa estava pacificada. Mas os problemas continuam e algumas entidades tentam passar informação que no mínimo não é completa. Comecemos por uma afirmação que se tornou corrente, a de que o sistema actual, da GFK, mesmo com problemas, é melhor que o anterior, da Marktest. Não tenho estados de alma em relação a nenhuma das empresas, mas gosto de ser imparcial. Foi exactamente por se constatar que o sistema anterior tinha muitos anos e a sua manutenção em funcionamento tinha-se prolongado para além do prazo inicialmente previsto que se abriu um concurso. Todo o sector sabia que estava tecnologicamente desactualizado face ao evoluir da realidade de distribuição de canais e consumo de televisão: Por isso mesmo os vários players do sector decidiram finalmente  em 2010 iniciar o processo de escolha de um novo sistema. O processo foi demorado mas, para abreviar, no primeiro trimestre de 2011 foi tomada a decisão, que causou alguma polémica no sector – porque em termos técnicos a Marktest ficou melhor classificada que a GFK, a qual ganhou no preço. Quando se diz que o novo sistema, mesmo com falhas, é melhor que o anterior, compara-se o que não pode ser comparado. Mas esta é uma parte da questão; a outra é que o contrato assinado em Abril passado apontava para o início do período de testes em Setembro de 2011, para o início da entrega regular de informação no início de Dezembro e para o arranque do novo sistema da GFK no início de Janeiro deste ano. Ora, no início de Janeiro, nem o painel estava completo (continua a não corresponder ao que se pretende), nem a fase de testes tinha condições para arrancar. Talvez com estes dados, que reflectem atrasos, dificuldades em cumprir as metas combinadas se comece a perceber o porquê de continuarem a existir tantos problemas. Fica, no entanto, a dúvida se, com o concorrente que obteve melhor classificação técnica e que tinha mais experiência nacional e internacional nesta área, estaríamos ainda perante problemas destes. Mas quem tomou há um ano a decisão da escolha é que poderá explicar porque é que preferiu apostar no desconhecido e brincar à roleta russa com as estações de televisão, os investimentos dos anunciantes e o trabalho das agências de meios. “If you pay peanuts, you get monkeys”, como dizia James Goldsmith.


 


REDUNDÂNCIA DA SEMANA - «Seja qual for a solução encontrada para a medição de audiências televisivas, o Presidente do Conselho Regulador da ERC considera indispensável que a empresa ou empresas selecionadas sejam sujeitas a uma supervisão técnica» - declaração emitida por Carlos Magno na segunda feira.


 


OUVIDO NUMA REUNIÃO – «Vá lá, caiam na realidade e deixem de brincar ao Sócrates.»


 


SEMANADA –  O deputado Ribeiro e Castro anunciou que vai lançar um projecto de lei para restaurar o feriado de 1 de Dezembro; a oposição interna a Seguro anunciou querer impugnar os novos estatutos do PS; desemprego jovem triplicou num ano; a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 15%; as salas de cinema perderam 678 mil espectadores em relação aos três primeiros meses do ano passado; a página oficial do Governo na internet esteve sem funcionar vários dias e registaram-se problemas com emails do executivo; o presidente húngaro demitiu-se depois de se saber que parte da sua tese de doutoramento foi plagiada.


 


ARCO DA VELHA – Existem 1.026 postos de carregamento de veículos eléctricos em todo o país mas em circulação apenas existem 231 desses veículos. O resultado é que muitos desses postos já foram vandalizados e estão inoperacionais. Quanto terá custado tudo isto?


 


VER – Uma das melhores iniciativas dos últimos tempos, no campo do marketing cultural, é a exposição em pleno Centro Comercial Colombo, feita em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga. Até 1 de Julho, estará montada na Praça Central do centro exposição temporária “Construir Portugal, Arte da Idade Média” – trata-se de uma narrativa do processo de formação do Reino, com cerca de três dezenas de peças do acervo do Museu - pinturas, esculturas, mobiliário e peças de artes decorativas em metal e cerâmica. Esta é  a primeira exposição, que foi criada especialmente para o projeto “A Arte Chegou ao Colombo” e estará patente até 30 de Junho. De Julho a Outubro, terá lugar, também naquele espaço, uma segunda exposição, intitulada “Desenhando o Mundo - Arte da época dos Descobrimentos”. A entrada é livre e a exposição pode ser vista todos os dias entre as 10h00 e as 23h00.


 


OUVIR – Volta e meia surge um daqueles discos que se ouve de seguida vezes sem conta. Ando com ele no carro, ouço-o em casa: nos últimos anos este deve ser o CD que mais vezes ouvi na primeira semana que o tive. Michael Kiwanuke – não é fácil fixar este nome – é filho de pais ugandeses mas nasceu e cresceu em Londres. Fanático por música soul, é a partir deste território que se movimenta. Ouve-se este seu primeiro disco e sente-se que ele tem um dom natural para construir canções que combinam, de forma quase perfeita a pop e a soul music, com fortes influências do jazz. Aos 24 anos Kiwanuke fez um dos grandes álbuns de estreia dos últimos tempos e é difícil resistir a canções como «Tell Me A Tale» ou «I’m Getting Ready», «Home Again» ou «Any Day Will Do Fine». E esqueci-me de dizer outra coisa que contribui para o vício em que este disco se torna: a sua forma de cantar, de interpretar uma canção. O CD de Michael Kiwanuka chama-se «Home Again» e já está no mercado português.


 


FOLHEAR – Há uma aplicação para iPad (e iPhone) que faz as minhas delícias de consumidor compulsivo de revistas e imprensa em geral. Chama-se “pulse” e é um agregador que permite escolher temas, mas também revistas e seus sites, como a Adweek, a New Yorker, a Salon, a Fast Company, a Harvard Business Review, a Time ou a Atlantic, para além do Huffington Post ou  Daily Beast. Uns dez minutos por dia na “pulse” permitem mesmo tirar o pulso á melhor informação que por aí se publica.


 


PROVAR –  Volta e meia gosto de voltar a ver como estão os restautantes onde gostei de ir. Na semana passada regressei, com gosto, ao restaurante Jockey, no Hipódromo do Campo Grande. Continua a ser um belíssimo local, confortável, óptimo para conversar e com a parte muito agradável de se comer muitíssimo bem. A escolha caíu em filetes de polvo, que estavam absolutamente perfeitos – é um prato difícil, que pode resvalar para uma má experiência, mas correu bem. Constatei que as iscas, finíssimas e bem temperadas, continuam sérias concorrentes a serem consideradas as melhores da cidade. O chefe Felisberto Areias continua a tratar bem os seus clientes e os preços continuam sensatos. Quando o tempo está bom a esplanada é muito simpática e o estacionamento é sempre fácil. Telefone 217 957 521.


 


BACK TO BASICS – A televisão fez muito pela psiquiatria ao contribuir para a sua divulgação, mas também porque a própria televisão pode desencadear a necessidade de ajuda psiquiátrica – Alfred Hitchcock


 


(Publicado no Jornal de Negócios de dia 5 de Abril)

abril 03, 2012

IMPOSTOS: AUTOMATISMO DE SENTIDO ÚNICO

O Ministério das Finanças, que no fundo é quem cobra impostos, desenvolveu nos últimos anos sistemas informatizados que desencadeiam uma série de automatismos de aviso a contribuintes que o Estado entende estarem em falta.


 


A entidade que gere o fisco tem mudado de nome ao longo dos anos e agora chama-se Autoridade Tributária. O nome podia ser mais simpático e menos policial – mas o Estado suspeita sempre dos cidadãos e acha-os culpados à partida, portanto gosta de exercer primeiro a sua autoridade e perguntar depois.


 


No sistema fiscal existe o princípio de que se o Estado entende que o cidadão está em dívida ao fisco, não tem aviso prévio nem prazo de reclamação antes de ser declarado infractor e devedor, mas tem prazos apertados a cumprir. Se alguém é acusado de ter uma dívida fiscal, passa a receber notificações postais e na sua área pessoal do site das finanças consta o aviso que vai ser penhorado. Mesmo que tenha efectuado as diligências previstas para recorrer da decisão, entregando garantias de pagamento, que têm pesados custos para o contribuinte, continua a receber muito para além do prazo razoável essas notificações automáticas, o que obviamente induz um estado de apreensão no contribuinte, que se julga na iminência de ser penhorado.


 


Quando o contencioso fiscal é com uma empresa organizada, os seus advogados e fiscalistas lidam com o problema e os custos ficam nas contas da empresa; quando é um particular, muitas vezes nem sabe bem o que há-de fazer, arrisca-se a errar ou a ser induzido em erro e tem custos que nunca poderá recuperar, nem por conta de deduções fiscais futuras. Na realidade o Estado não é igual para todos. Nós temos obrigações para com o Estado em matéria fiscal. E o recíproco, não é verdadeiro?


 


(publicado no diário Metro de 3 de Abril)

março 30, 2012

Audiências, Mistérios,Espionites, Sugestões

MISTÉRIO I – Daqui a uns anos, quando se fizer a História destes anos da crise, vamos ter dificuldade em perceber para que serve a Comissão Europeia, que fez ela de concreto numa conjuntura difícil como esta e como se pode comparar a sua acção com a da França, Alemanha ou Reino Unido. A Europa vive destes equívocos, de uma Comissão sem capacidade de intervenção, de regulamentações absurdas – a última que soube tem a ver com as condições em que devem estar as galinhas poedeiras – área para cada uma, características do poleiro e do chão, existência de uma superfície do género lima para que as unhas não cresçam: em resumo, muito trabalho para a ASAE. Enfim, ainda se confinassem Merkel e Sarkozy ao galinheiro…


 


MISTÉRIO II - Dia 20, o Benfica-Porto, para a Taça da Liga, na SIC, obteve, segundo a GFK, 2 669 000 espectadores; terça-feira, na RTP1, o Benfica-Chelsea, para a Liga dos Campeões, apenas obteve, ainda segundo a GFK, 1 959 000 espectadores – uma diferença de  710 mil telespectadores. Pinto da Costa influencia muito mais do que aquilo que se pensa.... Mas a coisa não fica por aqui: nas audiências da noite de Domingo - em que existia o duelo entre «A Tua Cara Não Me É Estranha» da TVI e a estreia de «Ídolos» na SIC - existiu uma primeira versão das audiências que dava cerca de 1.086.000 espectadores à «Tua Cara Não Me É Estranha», da TVI, um resultado fraco comparado com as semanas anteriores; sabe-se lá porquê esta primeira medição foi suspensa e anulada; a segunda medição, que saíu ao fim da tarde, deu 1.486.000 espectadores ao programa da TVI. Isto acontece na noite em que as duas principais estações comerciais concentram as suas produções mais caras e competitivas. Nos últimos dias ocorreram vários atrasos e correcções nos resultados de audiências – as medições da GFK começaram a ser utilizadas a 1 de Março e desde então ainda não houve uma semana em que não surgissem problemas graves. Claro que esta situação descredibiliza a medição de audiências – tanto mais que o serviço era suposto estar a funcionar a 1 de Janeiro e três meses depois está no estado que infelizmente se conhece. O pior que podia acontecer era criar a sensação de que os resultados das audiências são afinados com lápis e borracha ao sabor das conveniências.




ESPIONITE – Em Novembro passado o SIS elaborou um relatório onde previa o pior em matéria de agitação social. Soube-se entretanto que em vésperas da greve geral da semana passada o SIS elaborou um outro relatório alarmista que previa para o dia da greve geral um princípio de guerra civil com explosões, cocktails molotov, caos geral. O relatório foi enviado à PSP. Até que ponto é que o delírio destes espiões de brincar do SIS foi responsável pelo comportamento da PSP? Ao espicaçar desta forma, o SIS acaba por ter responsabilidades em tudo o que se passou e na forma como as polícias actuaram. Pela segunda vez o SIS age de forma paranóica, com suposições que não estão baseadas em factos concretos. Alguém devia pôr ordem nestes espiões de trazer por casa antes que a mania da perseguição que os motiva tenha efeitos mais graves. E talvez não fosse mau garantir acompanhamento em matéria de saúde mental a quem, nestes serviços, autoriza relatórios destes e a sua divulgação. Ainda sobre os acontecimentos da semana passada não deixa de ser curioso que uma carga policial que demorou minutos, e que está amplamente documentada em imagens, vá levar quase um mês a ser investigada. Jogar no efeito da perca de memória é uma desresponsabilização a todos os níveis, a começar pelos responsáveis governamentais desta área.




SEMANADA –  Os árbitros de futebol anunciaram que vão fazer greve se continuarem a ser criticados; Portugal está entre os dez países da Europa com maior consumo de álcool por habitante; as finanças queriam deixar de reconhecer os atestados vitalícios de cegos cuja incapacidade havia sido avaliada por junta médica; Portugal foi dos países que mais gastou para apoiar o sistema financeiro - 1,3% do PIB; pausas para fumar reduzem a produtividade em 10%; funcionários da fábrica Molin demoraram 11 anos a receber a indemnização depois da falência da empresa; das quatro equipas que jogaram esta semana na Liga dos Campeões só uma era portuguesa- o Benfica: pois o Benfica foi a única equipa que alinhou sem portugueses  – o Chelsea, o Real Madrid e o Apoel  tinham jogadores portugueses em campo.




ARCO DA VELHA – Eu julgava que a concorrência era positiva para fazer descer preços mas esta semana soube que, a partir de Julho, a factura da electricidade vai aumentar de três em três meses para que os consumidores do mercado regulado não paguem menos que os do mercado liberalizado. É o que se chama concorrência e liberalização à portuguesa.




AGENDA – No BES Photo (Museu Berardo-CCB), e ao contrário daquilo que o nome podia indicar, a única exposição de fotografia presente é a de Mauro Pinto, com a belíssima série «Dá Licença»; Na Casa da Fotografia (Av Almirante Reis 74-1ºB entre as 17 e as 20h00) José Reis volta a expor em Portugal após longa ausência e mostra «Jardins Japoneses», um trabalho feito ao longo dos últimos sete anos nos Estados Unidos e no Japão. Para acompanhar o trabalho de escultura e desenho de Bruno Cidra vale a pena ir à Galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato). Finalmente para ver como a moda pode ser vista o MUDE (Rua Augusta 24), apresenta peças de (entre outros) Ana Salazar, Dinbo alves, Filipe Faísca, Maria Gambina, Ana Bela Baldaque, Os Burgueses e Storytailors na exposição «Diz-me do que gostas, dir-te-ei quem és».




OUVIR – Ao quarto álbum de originais, os Wray Gunn estão ainda melhores – e a coisa não era fácil. Continuando a trilhar o caminho dos blues e do gospel, baseados no talento de Paulo Furtado (sim, o Legendary Tiger Man, aqui numa outra encarnação), e nas vozes de Raquel Ralha e Selma Uamusse, os Wray Gunn mostram ser a banda portuguesa que melhor compreende e trabalha o universo do rock’n’roll. Destaco os temas «Don’t You Wanna Dance», «Kerosene Honey», «My Secret Love» e «That Cigarette Keeps Burning». Depois de «Soul Jam», «Ecclesiastes 1.11» e «Shangri-La», a banda edita agora «L’Art Brut», mais um exemplo de que os bons discos não são fruto da sorte – mas sim de talento, trabalho e persistência. CD Valentim de Carvalho.




FOLHEAR  –  A «Vanity Fair» deste mês tem Julia Roberts na capa, e ela fala sobre a nova direcção da sua carreira, entrevistada pelo realizador Mike Nichols e fotografada por Mario Sorrenti. Destaque para um artigo sobre a perca de poder do império de comunicação do «Washington Post», o jornal que publicou o caso Watergate e que agora é vítima da erosão digital. Outro bom artigo revisita a mítica série «The Sopranos», e fala com alguns dos seus principais protagonistas, fotografados por Annie Leibowitz. Outros temas: a influência da série «West Wing» na política americana, o novo filme de vampiros de Tim Burton com Johnny Depp, «Dark Shadows», a grande exposição de homenagem a Helmut Newton e a guerra de poderes por detrás das eleições russas. E, embora seja publicidade pura e dura, destaque para o especial de seis páginas sobre a colecção limitada da Banana Republic que replica a roupa da série Mad Men.




PROVAR –  Este provar de hoje tem apelo de petisco e som de fado. Vou sugerir que visitem o «Povo», um bar-restaurante que serve bons petiscos como moelas estufadas, ovos mexidos com farinheira, pica-pau, salada de polvo ou peixinhos da horta, tudo acompanhado de razoável vinho a copo (ou de garrafa, em querendo), cerveja ou outras coisas mais fortes. A curiosidade adicional é que todos os meses há uma residência de um fadista convidado, alguém ainda pouco conhecido, que volta e meia vai trazendo convidados inesperados. Cada um dos novos fadistas que por ali passar ainda terá direito a gravar um disco, editado com o selo da casa. O ambiente é muito bom, a conversa gira entre as mesas ou ao balcão. O «Povo» faz parte do novo Cais do Sodré, esta semana louvaminhado na BBC e na revista do International Herald Tribune. Rua Nova do Carvalho 32-36, telefone             213 473 403      , podem ver 


os acontecimentos do dia em www.facebook.com/povolisboa .




BACK TO BASICS – «Costumava ser a Branca de Neve, mas depois desvairei» – Mae West

março 27, 2012

A POLÍCIA E OS DIREITOS

Quando acontecem situações como os confrontos entre a polícia e manifestantes, ocorridos na semana passada, há algumas coisas que merecem ser consideradas.


 


Em primeiro lugar  -  e este é um princípio básico – a liberdade de cada um de nós termina quando colide com a liberdade dos outros. Portanto, comportamentos violentos, venham de onde vierem, são sempre uma interferência na liberdade de terceiros.


 


Em segundo lugar, quer os promotores das manifestações, quer as autoridades policiais têm o dever de não permitir a existência nem de provocadores nem de elementos descontrolados no seu seio.


 


E em terceiro lugar a polícia não tem o direito de agredir por dá cá aquela palha e deve estar treinada para resistir e conter e não para ser um exemplo de selvajaria – e deve estar particularmente capacitada de que não pode responder de forma descontrolada a provocações, se elas existirem


 


Este tema das provocações traz à baila outra questão que é urgente ser conhecida – numa manifestação anterior, há pouco tempo, também perto do Largo de Camões, ficou no ar a dúvida se a polícia estaria ela própria a utilizar elementos infiltrados nas manifestações, e assim sendo, ficou também no ar a possibilidade de esses polícias infiltrados terem ou não agido como provocadores. A PSP escusa de se escandalizar com isto porque é sabido que as polícias usam infiltrados ( e eu duvido da legitimidade para o fazerem…) e em especial sabe-se que no caso das claques de futebol isso acontece com frequência.


 


Ora confundir manifestantes e exercício de liberdade de opinião e manifestação  com claques de futebol é o pior que podia acontecer. Eu espero que o inquérito à atuação da polícia, infiltrados incluídos, seja rápido, honesto e esclarecedor. Será utopia?


 


(Já depois destas linhas publicadas li o que o DN publicou sobre um relatório alarmista do SIS que previa para o dia da greve geral um princípio de guerra civil com explosões, cocktails molotov. O relatório foi enviado á PSP. Até que ponto é o delírio destes espiões da treta do SIS foi responsável pelo comportamento da PSP? A quem interessa espicaçar a polícia? Cá para mim quem esteve na origem das más situações que se criaram acabou por ser o SIS.)


 


(publicado no Metro de dia 27 de Março)

março 23, 2012

UMA FICÇÃO POLÍTICA E REALIDADES AVULSAS

FICÇÃO  – Começo por avisar que qualquer semelhança entre esta história e a realidade só pode ser considerada pura coincidência – é este o aviso que costuma acompanhar alguns filmes, séries e romances. Pois deixado o alerta, vou começar a ficcionar: era uma vez um país em que o supremo chefe já tinha passado dos 70 anos de idade, depois de uma vida de trabalho intensa. Uma carreira política inesperada, agitada, polémica e cheia, repleta de cargos de responsabilidade, em momentos difíceis - tal podia ser o resumo rápido da actividade desse homem nas últimas três décadas. Franzino, nervoso, repentista, o chefe supremo já tinha sido aconselhado por alguns dos seus mais próximos a abrandar o ritmo de trabalho, os mais afoitos sugerindo até que  estava chegada a hora de ele mudar de vida, para evitar que algum problema surgisse no desempenho das suas altas funções. Teimoso e orgulhoso, ele não quis dar ouvidos nem parte de fraco e continuou a fazer o que queria, como queria. Aos poucos aqueles que o observavam mais de perto foram notando umas pequenas falhas aqui, outras ali, alguns desabafos inesperados, que alguns diriam inapropriados das funções. Todos os dias havia indicadores de que o povo já não o aclamava como antes e mesmo o seu círculo mais próximo olhava preocupado para o que se passava. Alguém lembrou que, tal como as estrelas,  era mais importante saber sair de cena no auge, do que viver a decadência. Já havia quem estudasse a situação e traçasse planos: como preparar a paragem, como organizar a saída, como escolher as datas ideais. Os conselheiros sucederam-se e as suas conversas começaram a ser faladas na praça pública. Não demorou muito para que se percebesse que nalguns círculos se preparava a sucessão. O país, atónito, assistia embasbacado a um inédito reboliço – de repente surgiam imensos candidatos ao lugar de chefe supremo. Sentado num cadeirão, um velho sábio olhava para o horizonte e pensava: não há fumo sem fogo.



MOEDA
 - Ontem houve greve. Mais do que uma acção sindical esta foi uma manifestação política do poder do novo líder da CGTP e da forma como ele pretende governar a sua central. Desde 25 de Abril de 1974 até 24 de Novembro do ano passado só tinham sido realizadas em Portugal seis greves gerais. E, de repente, surgem duas, assim de enfiada, no espaço de quatro meses. Ao contrário da anterior, que teve o apoio da UGT, esta foi apenas convocada pela CGTP. Como muita gente já disse esta é uma banalização da greve geral, uma estranha opção de qualquer líder sindical.  Olhando com atenção, e na inexistência de objectivos concretos declarados, percebe-se que o motor desta greve foi propagandístico - toda a acção foi montada para permitir que houvesse o condicionamento de uma maioria por uma minoria, que procurou parar sectores fundamentais como os transportes. Assim, mesmo com um mau resultado em termos de adesão global, com fraquíssima repercussão fora do sector público, cria-se a imagem da ilusão. Olhando friamente para o assunto, esta greve parece-me tão despropositada como as declarações de António Borges, no início da semana, sobre o clima laboral em Portugal. São duas caras de uma mesma moeda – e não é desta moeda, nem destas caras, que precisamos.


 


SEMANADA -  O Observatório da Segurança tem novos dirigentes, eleitos esta semana, incluindo diversos elementos da maçonaria, vários espiões e o Sr. Nunes da ASAE; depois de derrotado nas eleições presidenciais timorenses, Ramos Horta disse que não estava muito motivado; a primavera começou mas o Sporting nem quer ver Paixão; apesar dos aumentos registados o IVA começou a cair em Fevereiro, o que não acontecia desde 2009; impostos sofrem derrapagem de cinco milhões por dia; desemprego atinge 293 pessoas por dia; desempregados inscritos no IEFP aproxima-se dos 650 mil, mais 19,6% que em Fevereiro do ano passado.


 


ARCO DA VELHA – Passos Coelho manifestou preocupação pelo aumento do preço dos combustíveis mas sublinhou que o Governo não podia fazer nada sobre o assunto.


 


OUVIR – Etta James, que morreu a 20 de Janeiro deste ano, deixou atrás de si uma carreira que teve início ainda na década de 50 – embora o seu primeiro disco seja de 1960. Ao longo de cinco décadas percorreu os caminhos do jazz, do gospel, dos blues e da soul music. Era carinhosamente tratada por Miss Peaches e gravou duas dezenas de álbuns de originais. A colectânea que agora a Universal lançou, «The Best Of Etta James», inclui 25 clássicos do seu repertório, entre os quais «I Just Want To Make Love To You», «You Can Leave Your Hat On», «Stormy Weather», «I Got You Babe», «Spoonful», «Light My Fire» ou «These Follish Things». É uma bela forma de recordar Etta James – e de apreciar o seu talento de intérprete.


 


VER  – Esta semana tive uma má notícia, a do fim do Centro Cultural de Almancil – uma iniciativa privada, de um casal franco-alemão, Marie e Volker Uber, que em 1981 abriu as portas. O casal adquiriu uma série de casas na rua da Igreja de S. Lourenço, abriu ligações entre elas pelo interior e transformou os velhos pátios numa área contínua de jardim – entre casas e jardins são quase 4500 m2. No interior, para além da residência do casal, no resto da área de construção, decorriam exposições, conferências, pequenos concertos. No exterior peças de escultura habitavam o jardim que acolhia os visitantes. Era rara a vez em que ía ao Algarve e não queria passar por lá, para ver o que havia. O local era um misto de casa habitada e galeria de artes e encantos, uma espécie de tertúlia permanente onde se podia ficar um par de horas a descobrir o que por ali havia. Lá comprei algumas peças, vi muitas que gostaria de poder ter comprado. Os preços não eram especulativos, muitos artistas em princípio de carreira puderam ali ter as suas obras ao lado de nomes consagrados, alguns deles de artistas portugueses que ao longo dos anos se foram radicando no Algarve. O Centro tornou-se um exemplo de uma iniciativa privada ligada à divulgação das artes. Volker Uber, o alemão que imaginou e criou este Centro, morreu há oito anos. Agora, Marie, decidiu pôr ponto final na aventura. Vai vender o conjunto de casas do Centro e fazer, no dia 7 de Abril, uma festa de despedida, que contará com muitos dos artistas que ao longo dos anos ali expuseram. No dia da festa cada um dos visitantes poderá, mediante o pagamento de 100 euros, ter direito ao sorteio de uma peça das centenas de obras do acervo do Centro – desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas. É pena que ninguém tenha querido continuar a obra de Volker e Marie, mas é bonito acabar com uma festa. E até lá podem sempre ver este local único.


 


LER – A “Monocle” de Abril, acabada de chegar aos escaparates, vem carregada de motivos de interesse. Para além de algumas incursões em extravagâncias arquitectónicas e de regime em África, há uma curiosa elocubração sobre o tema do que deveria ser um parlamento ideal. A seguir, depois de umas páginas sobre o melhor de Espanha, que de facto são parte de uma bem imaginada série de artigos de publicidade redigida, há bons artigos sobre a recuperação do centro de Toronto, outro muito engraçado sobre o que é ser jornalista desportivo e ainda uma boa apresentação do trabalho do arquitecto Richard Neutra. Portugal aparece com o café e restaurante Aia, no Porto, e com uma bela reportagem sobre os nossos gloriosos sabonetes Ach Brito. A terminar, a “Monocle” entusiasma-se, com razão, com a apresentação daquilo que a etnia Sami conseguiu fazer, em termos comunitários, na Finlândia. É a volta ao mundo em 180 páginas.


 


PROVAR – Imagine que foi ao CCB e não teve tempo de jantar. No fim do espectáculo dá-lhe um ratinho no estômago e apetece-lhe algo, talvez um bifinho. Pois está em bom sítio – a escassas centenas de metros do CCB fica a Nune’s Real Marisqueira, uma cervejaria onde, além do marisco a escolher ainda vivo, se pode comer um muito apreciável bife especial à Nune’s (que, em querendo, pode ser apenas meio bife), feito como todo o preceito, a preço sensato, e acompanhado de uma bela cerveja – que pode ser servida a copo ou numa caneca metálica fresquíssima que é um dos emblemas da casa. Encerra às quartas e fica na Rua Bartolomeu Dias 120, telefone 21 301 98 99      .


 


BACK TO BASICS – O discernimento consiste em saber até onde se pode ir – Jean Cocteau


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 23 de Março)

ESTRANHAS MEDIÇÕES

O novo sistema de medição de audiências não alterou a posição relativa dos canais generalistas, mas nos canais de cabo a conversa é bem diferente. A SIC Notícias, que era sempre o mais visto dos canais de cabo, e que ocupava, em termos globais o quarto posto entre a totalidade dos canais, caíu agora para a 9ª posição em termos nacionais – embora em Lisboa e na zona centro esteja no 8º posto – mas está em 10º no norte e em 11º no sul. Ainda nos canais informativos, em termos nacionais, a TVI, no 14º posto, ultrapassou a RTP Informação. Quem melhorou muito os resultados é a TV Record, que em Lisboa é o 5º canal mais visto, embora seja o 12º a nível nacional.


 


AXN, Hollywood e Disney são agora os três canais de cabo mais vistos no país. Mas o quarto posto das audiências, a nível nacional, vai para a categoria «Outros» - que engloba tudo o que são consumos não identificados. Em Lisboa o «Outros» está mesmo em terceiro lugar, à frente da RTP1 – não admira que o novo sistema de audimetria esteja a gerar tanto protesto.


 


(Texto publicado no Correio da Manhã de 23 de Março)


 

março 20, 2012

BANALIZAR A GREVE DARÁ RESULTADO?

Uma nova greve geral – a segunda no espaço de quatro meses – está anunciada para a próxima quinta-feira. Não ponho obviamente em causa o direito à greve – mas acho que vale a pena refletir sobre o significado de duas greves gerais tão próximas uma da outra. Desde 25 de Abril de 1974 até 24 de Novembro do ano passado só tinham sido realizadas em Portugal seis greves gerais. E, de repente, surgem duas assim de enfiada.


Se em Novembro passado a UGT e a CGTP conseguiram atuar em conjunto, já se sabe que na próxima quinta-feira a UGT não quis associar-se à convocação de uma greve geral que aliás não tem objetivos definidos e que surge como mais um protesto contra as medidas de austeridade que fazem parte do acordo com a troika. A greve geral tem sempre  um duplo efeito – diminuir a retribuição dos que nela participarem e agravar as contas do país, que já estão numa situação que dispensaria iniciativas destas.


 


Banalizar a greve geral é um caminho que leva à descredibilização das formas de reivindicação – veja-se o que tem acontecido na Grécia onde as greves se sucederam , banalizando-se e não conseguindo qualquer espécie de efeito prático.


 


Mas o pior de tudo é a ausência de objetivos específicos e concretos – assim a greve é uma ação essencialmente de propaganda – neste caso de afirmação da linha da nova direção da CGTP -  cujo efeito prático na resolução dos problemas será impossível de medir. Os sindicatos que aderirem à greve brandirão números, esquecendo-se que  uma greve destas interferirá diretamente no exercício da opção de ir trabalhar daqueles que precisam dos transportes públicos.  É bem possível que estejamos perante o condicionamento de uma maioria por uma minoria.


 


(Publicado no Metro de 20 de Março)

março 16, 2012

Auditoria à TDT, as primárias das presidenciais, o novo Springsteen

AUDITORIA – Se pensam que vou falar da auditoria ao sistema de medição de audiências da GFK enganam-se – apesar de continuarem a ocorrer coisas estranhas como, por exemplo, no Domingo passado, o canal de cabo mais visto no Algarve ter sido o angolano TPA. Mas adiante - o que venho aqui propor é uma auditoria à ANACOM e a todo o processo de implantação da Televisão Digital Terrestre. Como a imprensa tem relatado sucedem-se os casos de zonas onde o sinal não chega ou chega em más condições e onde, segundo a Anacom «terão de ser as populações a suportar o custo de adaptação à TDT». Como o serviço público de televisão – seja ele qual fôr no futuro – é suposto ter um acesso universal, livre e gratuito, temos aqui uma espécie de vazio: para alguns cidadãos ele terá custos, o que no mínimo vai dar azo a muita conversa jurídica. Mas para além deste aspecto, formal, aquilo que merece de facto uma auditoria é a falta de conteúdos presentes na TDT, que conseguiu a proeza, inédita na Europa, de apenas oferecer os quatro canais de sinal aberto e não proporcionar nenhum dos diversos canais portugueses que já existem no cabo.  Aqui está um assunto que a ERC devia analisar - porque, este sim, tem a ver com serviço público.


 


PRIMÁRIAS – Não estou a falar dos Estados Unidos – onde os republicanos continuam a disputar as suas primárias para as presidenciais. Estou a falar de Portugal, onde por estes dias foi dado o tiro de saída para as primárias das próximas presidenciais. Graças a Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa reencontrou espaço para explicar como um Presidente da República se deveria comportar. Estivesse ele sujeito aos seus próprios exames e levaria nota alta – uns 18 pelos exigentes critérios que usa. Imagino que Marcelo, quando falou, já sabia que António Costa apresentaria a meio da semana um livro de recolha do seu pensamento político – uma tarefa árdua, convenhamos. Mas o facto de António Costa publicar significa alguma coisa – no cenário do PS e no cenário eleitoral – significa até bastante. Assim Costa sai do estatuto de reserva da nação e volta a entrar no activo. A sua entrevista de quarta-feira ao «Público» não deixa margem para dúvidas: «Não fujo de cargo nenhum». Uma sondagem publicada segunda-feira pelo «Correio da Manhã» apontava o duelo presidencial entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa como o que recolhia as preferências do eleitorado. António Costa recolhia 33,1% de preferências como melhor candidato à esquerda, à frente de António Guterres (que adoraria voltar a ser missionário na sua terra), Maria de Belém e de Carvalho da Silva – que regista uns 10,3% que podem não ser displicentes na altura das grandes decisões. À direita Marcelo, com 40%, quase que dobra Durão Barroso, enquanto Leonor Beleza e Santana Lopes surgem praticamente empatados à volta dos 9%. Teoricamente as eleições presidenciais são daqui a quatro anos – mas uma coisa é certa: esta semana começou o posicionamento dos pretendentes e a contagem das espingardas. O país está na crise que sabemos, mas a luta política promete ser animada.


 


SEMANADA – A retracção do consumo de combustíveis provoca uma quebra de receitas fiscais diária de cerca de 645 mil euros; associação de  juízes processa 14 ministros do PS por suspeita de gastos ilegais; dois agentes da PSP de Lisboa foram detidos por envolvimento com uma rede criminosa de romenos; as falências de restaurantes aumentaram 68% em dois meses; um juiz do tribunal de Viana do Castelo emitiu uma ordem de serviço proibindo a aplicação do novo acordo ortográfico; Daniel Bessa admitiu que «Portugal está hoje muito pior que em 1994»; a CGD é o banco público com maior quota de mercado entre os seus congéneres europeus.


 


ARCO DA VELHA – Comentando a situação criada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa chamou a atenção para o facto de Cavaco Silva ter corrido o risco de Sócrates poder ter vencido as eleições legislativas, sem que ele, Cavaco, dissesse uma palavra sobre a «deslealdade gravíssima», que na semana passada subitamente revelou.


 


AGENDA – Andreas Stocklein apresenta até 11 de Maio trabalhos de pintura, azulejo e desenho sobre papel na Galeria Ratton numa exposição intitulada «Entre cá e lá – Outros Lugares». A Ratton (Rua da Academia das Ciências 2-C, de segunda a sexta, das 15 às 19h30), fez nome a partir de  trabalhos sobre azulejo, promovendo edições exclusivas de nomes como Paula Rego, Pedro Proença, Julio Pomar, ou Rachel Korman.  Frequentemente, como é o caso da exposição de Andreas Stocklein,  apresenta obras sobre outros suportes. A Ratton existe desde 1987, pela mão e persistência de Ana Viegas e o ponto de partida foi trabalhar com artistas dispostos a utilizar o azulejo como suporte da sua criatividade. Desde o início a Ratton procurou artistas contemporâneos, procurando recuperar a tradição ao azulejo, mas também, tendo em conta a evolução das técnicas de produção, procurar novas formas de os utilizar nos espaços actuais.


 


OUVIR – Conseguir manter-se atento e interveniente ao fim do 17º disco não é coisa fácil, mas Bruce Springsteen trilha esse caminho com «Wrecking Ball», o seu novo álbum, um fresco sobre a crise e as suas consequências nos Estados Unidos. De certa forma este trabalho tem pontos de contacto com «Darkeness On The Edge Of Town», o seu quarto disco, editado na Primavera de 1978, e que relatava a época do início da queda das cidades industriais norte-americanas. É impossível ouvir a faixa de abertura de «Wrecking Ball», o hino «We Take Care Of Our Own», sou ainda «Easy Money», sem rever a história recente dos Estados Unidos. Musicalmente o disco mostra a diversidade de registos que Springsteen gosta de explorar. É um disco «engagé», é um disco de rock, como poucos dos últimos tempos. É um notável trabalho de um músico de 62 anos que continua a querer mostrar as suas diferenças. E a afirmar o seu olhar sobre a América.


 


LER – Pela mão de António Barreto a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que criou a base de dados Pordata, lançou agora o portal «Conhecer a Crise». Na apresentação explica-se que este é «um portal destinado a dar visibilidade aos principais indicadores económicos e sociais capazes de traduzir com mais pormenor a situação de crise que Portugal atravessa ». Os promotores da iniciativa sublinham que «além de entidades oficiais, foi necessário recorrer a organizações civis e a empresas económicas que detêm informação importante» e declaram utilizar também com frequência inquéritos de opinião e atitudes. O «Conhecer A Crise» utiliza dados trimestrais e mensais, «mais adequados a medir a evolução actual, assim como as reacções das famílias e empresas, na sua tentativa de se ajustar ao novo contexto económico e superar algumas dificuldades». Finalmente, «com esta iniciativa, pretende a Fundação Francisco Manuel dos Santos contribuir para um melhor conhecimento da realidade, tantas vezes ocultada ou exagerada». Disponivel em www.conheceracrise.com , o portal é graficamente muito atraente, de navegação fácil e inclui na área «A Crise Como Eu A Vejo», a possibilidade de selecionar os conteúdos que interessam mais a cada utilizador.


 


PROVAR –  O Solar dos Presuntos é, há 38 anos, um templo da gastronomia lisboeta onde se volta sempre com prazer. Não sou assíduo, mas cada vez que lá vou fico rendido à qualidade do presunto que dá nome à casa – a começar no produto propriamente dito e a acabar no corte, perfeito como é raro encontrar. Outro ponto exemplar reside na forma como a garrafeira está organizada e guardada, à boa temperatura para cada caso – o Solar dos Presuntos desde cedo aproveitou o potencial do iPad e a sua lista, extensa, de vinhos é trazida à mesa nesse aparelho – está sempre actualizada e é rica em informação sobre cada vinho. Nesta altura do ano o Solar dos Presuntos dedica-se à lampreia, e tem fama – e proveito - de ser um dos locais onde ela melhor é preparada em Lisboa. Até agora a melhor que provei este ano, foi aqui – por sorte com ovas, saborosa, carnuda, tenra. Esta magnífica lampreia à bordalesa que lá provei esta semana, foi antecedida de uma versão espectacular, e menos difundida, que é a lampreia de escabeche – em que o ciclóstomo aparece escabechado em finas fatias, assim como que a servir de aperitivo. O Solar dos Presuntos fica na Rua das Portas de Santo Antão 150  e tem o telefone 213 424 253.


 


BACK TO BASICS – Nas eleições a maior parte das pessoas vota contra alguém em vez de votar a favor de um candidato – Franklin P. Adams.


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 16 de Março)

março 13, 2012

FUGIR DO PROBLEMA

O Presidente da República anda a desenvolver, com método e precisão, a arte de dar tiros nos pés.  O que se passou na semana passada é bom exemplo disso: no meio de um ambiente difícil, provocado pelas medidas de austeridade e pelo impacto dos aumentos de preços nas bolsas de todos,  Cavaco Silva mostrou mais uma vez uma grande inabilidade.


 


Depois de ter estragado a sua imagem com a fuga à escola António Arroio , os seus argutos estrategas políticos inventaram uma visita criativa ao Porto onde a única novidade foi o chapéu usado pelo Presidente da República. Os mesmos estrategas decidiram então lançar um pouco de areia nos olhos dos comentadores e deixaram cair a acusação de deslealdade a José Sócrates.


 


No meio das dificuldades vigentes, e da forma como foi feita, a acusação serviu apenas para encher de ar o peito dos apoiantes de Sócrates que não perderam tempo a responder. O “Correio da Manhã” relatou, com pormenores, como Sócrates esfregou as mãos de contente e a partir de Paris comandou as tropas indígenas para o contra-ataque.  Figuras extraordinárias como Ferro Rodrigues, José Lello e Silva Pereira esfregaram as mãos de contentes, atirando-se à função como gato a bofe. Até o desaparecido Manuel Alegre se sentiu compelido à defesa da honra socrática. Pelo meio juntaram no mesmo saco, como lhes convém, o Presidente e o Governo.~


 


Mais uma vez, correu mal a semana ao Presidente, ou como se costuma dizer – saíu-lhe o tiro pela culatra. Cavaco Silva mostrou apenas que para não agitar as águas e não arranjar problemas para a sua reeleição deixou Sócrates em roda livre. E ficou caladinho para não arriscar perder votos. Fugiu do problema – como também aconteceu na António Arroio. Este comportamento está a tornar-se num desagradável padrão.


 


(Publicado na edição de hoje do diário Metro)

março 09, 2012

SOBRE A MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS - Resumo dos factos

TELEVISÃO –.Os estudos de audiência de televisão não são nenhuma ciência cabalística. Há regras, como noutros estudos de mercado, há processos e há princípios de estatística que devem ser observados. Durante anos uma empresa portuguesa, a Marktest, desenvolveu sistemas e softwares, que aliás chegou a exportar. Claro que esta é uma actividade onde qualquer erro é amplificado e os canais que se consideram injustiçados movem legitimamente as suas influências. A televisão é o único meio de comunicação em que, no espaço de 24 horas, existem dados, que se pretendem seguros, do que foi o comportamento dos telespectadores. Isto é de uma importância extraordinária porque a publicidade em televisão – de uma forma geral e numa explicação rápida -  tem um preço, variável, que é estabelecido em função da audiência obtida. Portanto o estudo de audiências tem implicações nas receitas publicitárias dos canais e é fundamental para que os programadores façam os ajustes de grelha e de conteúdos que lhes possibilitem fidelizar ou captar mais audiências. Com a proliferação dos distribuidores de cabo e satélite, a medição complicou-se, já que o número de canais aumentou e a tecnologia impunha novos sistemas técnicos de medição. Foi por isso que no ano passado um organismo tripartido, privado, a CAEM (Comissão de Análise dos Estudos de Mercado) iniciou um processo de abertura de um concurso para garantir, em teoria a partir de 1 de Janeiro deste ano, um novo sistema. A CAEM junta a APAN, a associação de anunciantes, as estações e distribuidores de televisão (RTP, SIC, TVI, ZON e MEO) e a APAME, a Associação das Agências de Meios. Da consulta acima referida, num processo algo conturbado, saíu vencedora a GFK, uma multinacional de estudos de mercado, e em segundo lugar ficou classificada a incumbente, Marktest. Num contrato que terá cinco anos de duração, a GFK apresentou o melhor preço e teve pior classificação técnica, além de se propor utilizar um hardware ainda não testado em mercados competitivos e complexos de televisão como o nosso. Infelizmente foi a questão preço que prevaleceu (embora a diferença fosse pequena) – e isso aconteceu, na altura, por forte pressão dos anunciantes – que fecharam os olhos ao peso dos critérios técnicos. O resultado está à vista: a GFK não conseguiu arrancar com o processo a 1 de Janeiro, os próprios testes arrancaram tarde (apenas a meio de Fevereiro) e mesmo assim com fortes reservas dos especialistas das estações e das agências representados no órgão técnico da CAEM. Finalmente o novo painel foi forçado a arrancar a 1 de Março, já que o painel anterior não podia prolongar por mais tempo a medição de audiências sem custos adicionais. O resultado já se sabe – confusão nos valores apontados, períodos significativos com zero de audiência registados, consumos anormalmente altos de televisão (um número improvável de espectadores a verem mais de 12 horas de TV por dia), um número anormalmente alto de espectadores sem consumo identificado, falhas técnicas não explicadas. Infelizmente os primeiros dados apontam para um painel com graves falhas a nível da implementação e da recolha de dados. Hoje a situação está bem pior do que há um ano. Ninguém pode estar satisfeito com este resultado.


 


SEMANADA – O número de idosos sozinhos em Portugal aumentou 47% face a 2011; as obras da Parque Escolar tiveram uma derrapagem de custos de 447% ; no Parlamento Europeu Vital Moreira ameaçou expulsar de um workshop quem aplaudia críticas a um relatório que pretende impor limitações à internet e que ele próprio defendia; mais de 16 mil alunos endividaram-se para pagar os estudos e o crédito disponível para estudantes caíu para metade este ano.


 


ARCO DA VELHA – Entre gemidos e simulações de orgasmos, nove eurodeputadas, entre elas a socialista Ana Gomes, representaram no Parlamento Europeu a peça «Os Monólogos da Vagina» , da norte-americana Eve Ensler. A autora, presente na representação, afirmou: «a vagina está no Parlamento».


 


PALAVREADO – «Deixe-me dizer-lhe, já agora, que nunca pensei ganhar o concurso» - António Salvador, presidente da GFK Portugal, sobre o facto de a sua empresa ter sido a escolhida para elaborar o novo estudo de audiências de televisão. 


 


AGENDA – Esta semana nem sei bem para onde me hei-de virar. Na Moda-Lisboa (que vai até Domingo à noite) tenho pena que não alguns criadores estejam ausentes, mas tenho sempre curiosidade em ver o que Dino Alves (hoje) e Filipe Faísca (domingo) têm para apresentar; para a semana, na quarta-feira, é inaugurada no Museu Berardo a exposição BES Photo 2012, desta vez com trabalhos de Cia das Fotos, Duarte Amaral Netto, Mauro Pinto e Rosângela Rennó;  Jorge Silva Melo encena «Danton», que estreia dia 15 no Teatro Nacional D. Maria II; gostei de visitar a Carpe Diem (Rua do Século 79) e sobretudo os trabalhos de Pedro Calapez, da série «Gymnasium», pelo ambiente criado e pelos materiais e técnicas utilizadas;  no Museu da Cidade e em várias galerias (Graça Brandão, Antiks Design) estão obras da Bienal de São Tomé e Principe , sob o título genérico «Africando»; e a exposição «Mini Market», do ilustrador Xavier de Almeida (um dos mais interessantes deste rectângulo à beira mar plantado), que está na Who Galeria, Rua Luz Soriano 71.


 


OUVIR – Um dos discos portugueses mais estimulantes que ouvi nos últimos tempos é dos Jigsaw, chama-se «Drunken Sailors & Happy Pirates» e é o seu terceiro álbum de originais. Os Jigsaw existem desde meados da década passada, vêm de Coimbra – um viveiro musical à época – e sentem-se neles as influências dos blues e às vezes folk, mas também, descaradamente aliás, as de Leonard Cohen ou de Nick Cave – e digo isto num sentido positivo. A revista francesa Les Inrockuptibles considerou-os uma das bandas a seguir em 2012. João Rui, Susana Ribeiro e Jorri são os três músicos que integram os Jigsaw e que são também responsáveis pela composição das suas canções – ambientes musicais envolventes, letras com sentido, arranjos fortes. Destaco no novo álbum os temas «The Strangest Friend», «Lovely Vessel», «Even You», «I have Been Away For So Long», «The Last Waltz», «Devil On My Trail», e «Drunken Sailors & Happy Pirates», o tema título. A banda tem considerável actividade por essa Europa – digamos que é um bom exemplo de exportação do nosso talento. Neste momento está em plena digressão ibérica com concerto agendado para o próximo dia 23 no auditório Carlos Paredes, em Lisboa.


 


LER – A revista «Intelligent Life» faz parte do grupo «The Economist» e já teve uma edição portuguesa. Em papel é uma revista interessante mas a sua versão de iPad é um bom exemplo de como transportar um conceito editorial tradicional para a nova paisagem digital. Enquanto a edição em papel é vendida nas bancas, a edição para iPad está disponível gratuitamente na App Store, graças a um patrocínio exclusivo do Crédit Suisse, que viabiliza esta forma de edição(aliás com uma publicidade bem imaginada). Na capa da mais recente edição está Cate Blanchett e o interior oferece um bom guia do que está a acontecer na música, no teatro e no cinema. A área da gastronomia e da crítica de restaurantes é muito divertida e há vários artigos que são verdadeiros guias de conselhos úteis. A rematar, um belo portfolio fotográfico de Yves Marchand e Romain Megffre. Por fim registo que há muitos conteúdos multimedia ao longo da edição iPad da «Intelligent Life».


 


PROVAR –  Hoje vou falar de um clássico lisboeta, nascido na zona da Lapa em 1995 e que há uns anos migrou para a Rua da Junqueira 120. Trata-se do S. Bernardo, uma casa que fez fama com pratos cozinhados para levar para casa – a salvação de todos os que não querem ou não pode dedicar-se à cozinha mas que gostam de receber amigos à mesa.  A lista comporta numerosas possibilidades, incluindo pratos vegetarianos e saladas (como a salada fria de pescada e camarão), e tradicionais como um afamado arroz de pato, o bacalhau com coentros ou empadas com recheios diversos, além de salgados, sobremesas, biscoitos variados. Há pratos congelados mas há também a possibilidade de fazer encomendas de pratos confeccionados na altura. A lista é enorme e merece ser consultada em www.saobernardo.pt . No mesmo local, por cima da loja, funciona ao almoço um restaurante com uma bela vista, onde os pratos tradicionais da casa vão rodando na forma de um buffet generoso, por 16 euros. A sala leva 46 pessoas e pode ser reservada para jantares ou ao fim de semana. O telefone é o 213 600 570.


 


BACK TO BASICS – Os factos são incontornáveis, as estatísticas são maleáveis – Mark Twain


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 9 de Março)

AUDIÊNCIAS ESTRANHAS

Os resultados dos primeiros dias da nova  medição de audiências confirmam os piores receios – o sistema está muito instável e mais de um décimo dos espectadores estão num limbo de canais não identificados que nas medições aparece sob a designação «Outros» e que atinge um valor anormalmente alto – 12,1%, quase tanto como a audiência da RTP, que foi, em média nesses quatro dias, de 13,9%.




A grande alteração verifica-se nos valores atribuídos à RTP, que na última semana de funcionamento do sistema de medição anterior tinha registado 19,9% de share e que nestes quatro dias registou os 13,9% já referidos.


Mas onde o grupo de «Outros» não identificado, também produz grandes variações é nos canais de cabo. De um dia para o outro a SIC Notícias deixou de liderar, e caíu da quarta posição que ocupava para a nona.  Em matéria de estudo de audiências este novo, da GFK, ainda tem um longo percurso para melhorar, e para provar que pode ser confiável – coisa que claramente ainda não é.


 


(Publicado do Correio da Manhã TV de 9 de Março)

março 06, 2012

A AVENIDA PODIA SER DIFERENTE

Há quase uma década o arquitecto norte-americano Frank Gehry foi convidado para fazer o projecto de transformação do Parque Mayer. Incluiria um Casino (que mais tarde foi parar à zona da Expo), salas de espectáculos, zonas de lazer, uma academia de formação de artes cénicas e também a reinstalação do Hot Clube.


 


Os desenhos do projecto, que eu conheci, tinham a marca inconfundível do célebre arquitecto norte-americano. Eram arrojados, integravam-se no local, respeitavam a envolvente do Jardim Botânico. Ofereciam soluções para as várias funcionalidades que se pretendiam. Os novos edifícios seriam certamente um pólo de atracção. O movimento que toda esta zona geraria – Casino, Teatros, auditóriois, restaurantes, teria tido um enorme impacto, positivo, na Avenida.


 


Lembrei-me disto quando há dias um amigo meu, que não vive em Portugal há muito, comentou como a cidade está mortiça à noite e como a Avenida da Liberdade, mesmo sendo a principal artéria da cidade, praticamente morre depois das 21h00. Falei-lhe neste projecto, abotado por razões mesquinhas e políticas. Hoje em dia é evidente que seria bem melhor ter o Parque Mayer já recuperado (nesta década que entretanto decorreu o projecto teria ficado pronto) e avenida dinamizada, viva e pulsante.


 


Puxei um bocadinho pela memória e lembrei-me de alguns factos curiosos: em primeiro lugar, o projecto era auto-sustentável e estava coberto pelas receitas das contrapartidas do próprio Casino; em segundo lugar existia um genuíno entusiasmo de diversas entidades ligadas à produção de epsectáculos; e em terceiro lugar recordei-me que tudo foi abortado por um veto presidencial directo ao diploma que viabilizava a montagem de toda a operação. Esse veto, lembrei o meu amigo nessa conversa, veio do Presidente de então – Jorge Sampaio. Mais um dos seus feitos que fica para a História.


 


(Publicado no diário Metro de 6 de Março)

março 02, 2012

Sobre as audiências, o estado de Lisboa e notas soltas

AUDIÊNCIAS – Quando estiverem a ler este jornal já serão conhecidos os novos dados de audiência dos canais televisivos, os primeiros saídos do novo sistema de audimetria, que tanta polémica causou e cujo desfecho final é parecido com uma história de espionagem e contra-espionangem onde não se sabe bem quem de facto venceu. Os resultados, com muita probabilidade, irão mostrar uma realidade de audiência diferente da que conhecemos até aqui. Tudo indica que, nos canais de sinal aberto, SIC e TVI reforçarão os seus resultados, assim como os canais de cabo, e a RTP dará um tombo. A nível comercial isto terá consequências – maiores ratings, maiores custos para os anunciantes, a menos que as televisões privadas baixem ainda mais os preços, aumentando os descontos; mas a nível político estes resultados terão também consequências. A RTP surgirá como o elo mais fraco da cadeia, perdendo peso no mercado – o que volta a colocar na ordem do dia a definição dos critérios da sua privatização e da necessidade de haver transparência nestes processos. E, claro, a eventualidade de maiores descontos colocará ainda mais em risco outros sectores dos media, nomeadamente a imprensa. Os próximos tempos serão agitados no sector dos media e da publicidade. O investimento publicitário caíu mais de 10 por cento no ano passado e na conjuntura actual é quase inevitável que a queda continue. Os anunciantes precisam de garantir capacidade de comunicação com os consumidores que querem atingir com a sua publicidade. Mas para que essa comunicação seja possível e tenha dimensão é necessário que os meios de comunicação tenham qualidade, mantenham e reforcem audiências e assegurem os contactos pretendidos. Tudo isto é impossível se as receitas – de publicidade e vendas – estiverem abaixo do preço de custo dos conteúdos. Parece evidente, mas há por aí quem prefira esquecer-se deste assunto.


 


LISBOA – Há mais de quatro anos que António Costa está na Câmara Municipal de Lisboa e há mais de quatro anos que o túnel do Marquês de Pombal está por concluir. Este atraso é um retrato perfeito do imobilismo em que vive a cidade. Um relatório recente da Brooking Institution (uma organização não governamental norte-americana) coloca Lisboa num pouco honroso segundo lugar das cidades com pior dinâmica económica e laboral, entre 200 metrópoles mundiais; o primeiro lugar foi para … Atenas e em terceiro lugar ficou Dublin. No caso de Lisboa o estudo sublinha o contributo desproporcional da área metropolitana da capital para o PIB português, o que torna a cidade muito dependente das condições macroeconómicas do país Pelo quarto ano seguido, salienta o referido estudo, o produto da cidade caiu cerca de 2,8% e o emprego desceu 2,1% (números de 2011). Para o ano há eleições autárquicas. É bom que estes números e estes indicadores vão sendo estudados. Costa tem piorado a qualidade de vida na cidade, tem piorado a qualidade de vida dos habitantes de Lisboa que cá pagam os seus impostos.


 


SEMANADA – Transporte escolar de 300 mil alunos em risco por falta de pagamento das autarquias às empresas de transporte; a proposta de novo código regulamentar do município do Porto, de Rui Rio, tem 200 páginas; um padre de Viana do Castelo andou a recolher empréstimos e doações junto de paroquianos, acenando com um «Diploma de Benemérito» a quem entregasse valores superiores a 50.000 euros; Portugal deverá chagar ao fim do ano com uma taxa de desemprego de 14,5% e cerca de 800.000 pessoas sem trabalho; a utilização de  internet por pessoas acima dos 65 anos duplicou desde 2008;


 


ARCO DA VELHA – A dívida total dos municípios portugueses é de cerca de dez mil milhões de euros, cerca de cinco por cento do PIB.


 


PALAVREADO - «Ó Senhor Reitor não mostre mais nada do que aí tem! Já chega…» - José Sócrates para Luis Arouca, ex-reitor da Universidade Independente, num telefonema reproduzido pelo “Correio da Manhã”, onde ambos combinavam como proceder sobre as investigações jornalísticas em torno da licenciatura do ex-Primeiro Ministro.


 


PERGUNTANDO – Quando é que Cavaco Silva marca nova data para visitar a António Arroio?


 


VER  – Por iniciativa do fotojornalista Luis Vasconcelos nasceu em Mora, com um empenhado apoio da Câmara Municipal local, a Estação Imagem, uma entidade dedicada à fotografia, que promove exposições, edições, bolsas de criação, tudo sob um lema, que é uma frase de Diane Arbus: «Creio que as pessoas nunca veriam certas coisas se eu as não tivesse fotografado.». Durante um ano o fotojornalista João Pina, um dos melhores da actual geração, andou pelo alentejo a recolher imagens que juntou na exposição «O PREC já não mora aqui». Estre trabalho, possível graças à  Bolsa 2010 da Estação Imagem/Mora, foi premiado pela SPA como o melhor trabalho de fotografia e pode ser visto até 11 de Março na Igreja de S. Vicente, em Évora. Mas pode também ser visto – e vale mesmo a pena conhecê-lo – em www.estacao-imagem.com/prec.html. E se forem ao site, naveguem um pouco por lá para descobrirem o que mais se pode ver nesta bela iniciativa.


 


OUVIR – Lulu Gaisnbourg, 25 anos, dedicou o seu primeiro disco a homenagear o seu pai, Serge Gainsbourg. Lulu, que vive em Nova York, pegou em temas como «L´Eau à La Bouche», «Bonnie And Clyde», «Requien Pour Un Con», «Balade de Melody Nelson», «La javanaise» ou «La Noyée», entre outras, e rodeou-se de um grupo de convidados que vão de Rufus Wainright a Scarlett Johansson, passando por Marianne Faithfulll, Vanessa Paradis, Johnny Depp, Shane McGowan, Richard Bona ou Iggy Pop, entre vários outros. As canções são algumas das melhores feitas pelo pai Gainsbourg, os arranjos são jazzy ( e Lulu revela-se um pianista acima da média). Entre os convidados Rufus Wainright e Marianne Faithfull destacam-se claramente. O dueto de Vanessa paradis com Johnny Deppo também tem piada, assim como o que Lulu faz com Scarlett Johansson. «From Gainsbourg To Lulu», CD Fontana /Universal


 


LER – Por pouco que um cão não foi considerado o melhor actor de cinema na edição dos Oscar deste ano; em alternativa estava também um cavalo. Esta dualidade animal mostra o vazio para o qual caminha o cinema e os seus prémios mais prestigiados. Não certamente por acaso, na época do digital e dos efeitos sonoros, o filme mais premiado é filmado a preto e branco e não tem diálogos, evocando os filmes mudos. Tenho um medo terrível, em tudo, das teorias do regresso às origens como potenciais salvadoras da falta de imaginação – ou de inovação, como lhe quiserem chamar. Para escapar a este triste cenário cinematográfico sugiro que devorem a edição de Março da revista «Vanity Fair», a célebre edição «Hollywood» , que já vai no seu 18º aniversário. Vale a pena recordar as capas das edições anteriores que aqui são mostradas, vale a pena saber qual é o filme mais importante dos últimos 30 anos na opinião da revista ( e é uma surpresa), vale a pena ver as novas estrelas em ascensão (entre as quais a fantástica Rooney Mara, do filme «The Girlk With The Dragon Tattoo»), mas também a entrevista actual com Sophia Loren, outra com Cindy Sherman a propósito da sua retrospectiva no MOMA, e uma bem ilustrada digressão pela carreira e vida de Brigitte Bardot. Uma edição absolutamente imperdível.


 


PROVAR – Na zona da nova movida do Cais do Sodré, na Rua Nova do Carvalho 41, a rua do alcatrão pintado, uma antiga casa de material de pesca foi transformada num bar que só serve conservas. Chama-se «Sol e Pesca» e dispõe de uma bela escolha de alguns dos melhores produtos da indústria conserveira portuguesa – basta escolher, pedir o pão da casa e decidir o que quer beber e tem um petisco simples mas delicioso. Eu, que sou um fã das boas conservas portuguesas, fico contente com esta nova tendência. Se quiser pode replicar a coisa em casa – basta ir à Conserveira de Lisboa, no nº34 da Rua dos Bacalhoeiros, ou à Mercearia Criativa e passear os olhos pelas prateleiras. As marcas Minerva, Santa Catarina, Tricana e Prata do Mar, são garantidas para quem se quiser iniciar nos petiscos conserveiros. Para além de acompanharem bem um bom pão, muitas são excelentes em saladas.


 


BACK TO BASICS – «Um bom jornal, na minha opinião, é aquele que consegue dar a imagem de uma nação a comunicar consigo mesma» - Arthur Miller.


 


(publicado no Jornal de Negócios de 2 de Março)