agosto 22, 2004

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DE «O INDEPENDENTE

da passada sexta-feira:



INFORMAÇÃO E JUSTIÇA



Durante o último ano tornou-se evidente que Portugal vivia uma crise de costumes e uma grave crise na Justiça. Nas últimas semanas tornou-se patente que a crise na imprensa e no jornalismo é tão grande quanto a que existe na Justiça – e os problemas no jornalismo português evidenciam-se particularmente quando se trata de abordar casos precisamente na área da Justiça e do comportamento social.

O que se passou nas últimas semanas veio apenas mostrar o que muita gente já intuía: as notícias sobre processos judiciais em curso emanam dos próprios orgãos de investigação, existem relações de promiscuidade entre polícias, magistrados e jornalistas. Há quem ache que a divulgação pública de uma suspeita pode fazer acelerar uma investigação, há quem ache que se pode publicar tudo o que se ouve. Quando se entra neste registo não há limites e cedo começou a existir contra-informação, vinda de todos os lados.

O sistema Judicial é suposto ter por objectivo garantir a igualdade dos cidadãos perante a Lei. Como se sabe isso está longe de acontecer. Os jornalistas são supostos reportar factos, procurar a verdade e fugir a manipulações. Como se sabe isto não tem acontecido.

Recentemente alguns grandes jornais norte-americanos fizeram um pacto simples e que por si só resolve muitos dos problemas: não se publicam notícias de fontes não identificadas. So há notícia se houver fonte identificada a responsabilizar-se por ela. Pode ser que se percam algumas coisas, mas ganha-se a guerra contra o boato, ganha-se a guerra contra as manobras de contra-informação, contra as suspeitas lançadas por anónimos. Ganha-se mais do que se perde. E, a médio prazo, os jornais ganham credibilidade e a confiança dos leitores, sem terem que recorrer a violações de segredos de justiça dados por fontes não identificadas. Isto é simples e básico – e este é um daqueles momentos em que temos que voltar aos princípios.



Manuel Falcão

A ESQUINA IMPRESSA
Aqui fica a Esquina de sexta passada, no Jornal de Negócios:
PORTUGAL:
João Soares defendeu que devem ser tornados públicos os rendimentos dos dirigentes socialistas, nomeadamente os que ocupam ou ocuparam cargos oficiais. António Costa criticou Manuel Alegre acusando-o de se comportar como «detentor da verdade sagrada» e «guardião do templo».António Mega Ferreira elogiou Manuel Alegre. Emídio Rangel elogiou José Sócrates. Siza Vieira elogiou João Soares. Não vai haver frente a frente entre os candidatos à liderança do PS, apenas um debate entre os três. O Procurador Geral da República sobreviveu à crise gerada pela divulgação de conversas entre um jornalista e a porta-voz da procuradoria onde terá sido violado o segredo de justiça. Em Julho foram detidas 28 pessoas, só no distrito de Vila Real, sob suspeita de fogo posto. A aplicação do novo Código do Trabalho gerou uma queda de 69,4%nas convenções colectivas no 2º trimestre deste ano. 4200 estabelecimentos de ensino pré-escolar vão receber computadores e software numa iniciativa cooordenada pela Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). Uma das mais prestigiadas agências de avaliação financeira, a Moody’s, elaborou um relatório sobre a cidade de Lisboa que considera como boas a gestão da cidade, a capacidade de crédito do município e os planos de desenvolvimento da cidade. A Procuradoria Geral da República considerou que Carmona Rodrigues tem todas as condições para exercer o mandato de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, situação que era contestada pela oposição Ao fim do primeiro mês em funções os primeiros balanços publicados da actuação do Governo são positivos. A Galp comprou os direitos à exploração em 20 blocos petrolíferos no Brasil.
A prestação portuguesa nos jogos olímpicos tem sido abaixo das expectativas. A imprensa classificou de «humilhante» a actuação da equipa de futebol portuguesa nos Jogos Olímpicos. Luis Figo anunciou que deixaria de integrar a Selecção Nacional. Portugal foi recordista europeu nos valores totais de transacção de jogadores de futebol nesta pré-época.

LÁ FORA:
Durão Barroso foi muito elogiado pela forma como constituíu a equipa de comissários europeus – um bom táctico com sentido de euilíbrio é o resumo das apreciações da imprensa internacional. Numa sondagem publicada esta semana, 95% dos irlandeses declararam-se a favor das rígidas proibições de fumar em locais públicos adoptados este ano. Em Itália 12 clubes de futebol foram acusados de estarem envolvidos em apostas ilegais. Hugo Chávez ganhou o referendo na Venezuela e continua Presidente da República. Uma mulher foi condenada na República Popular da China por gerir um site de strip-tease. Donald Trump anunciou falência mais uma vez e os direitos à utilização da marca Trump ficaram nas mãos do banco de investimentos Credit Suisse First Bonston. Com 89 anos morreu Paul Neal «red» Adair, o homem que se tornou célebre a apagar os mais difíceis incênciso em poços de petróleo e refinarias. As acções da Google foram postas à venda a 85 dolares, o que projecta o valor da companhia para 23 mil milhões de dolares; Google, o motor de busca na internet mais utilizado no Mundo com 200 milhões de utilizadores diários, colocou à venda 19,6 milhões de acções, cerca de 15% do total da companhia. Entre 2 e 12 de Agosto, a cadeia de televisão norte-americanas ABC apresentou a cobertura mais favorável a John Kerry e no mesmo período a NBC teve a cobertura mais negativa em relação ao presidente Bush, segundo o Media Tenor Institute, uma organização independente.

O MELHOR DA SEMANA: O bom ambiente da renovada Trattoria (Rua Artilharia Um 79), quer no buffet de almoço quer à noite, sobretudo às quintas-feiras. Em qualquer dia vale a pena provar os escalopes com molho de limão. Fantásticos.

O PIOR DA SEMANA: Ver o Tejo aos quadradinhos por causa das redes com arame farpado instaladas no Porto de Lisboa. Mais uma vez a cidade é afastada do seu rio.

A VERGONHA: No primeiro jogo a Selecção Olímpica portuguesa de futebol perdeu com o Iraque. No terceiro perdeu com a Costa Rica. Em ambas as partidas houve jogadores portugueses expulsos, Cristinano Ronaldo deu um murro a um adversário, chegou a haver luta no campo no final do último jogo – tudo muito longe do ideal olímpico e da ética desportiva: é assim o futebol que temos, essa boçalidade evidente que vai apalermando o país.

PERGUNTA: A regulamentação sobre os recintos deportivos e as fatídicas balizas existe, o que acontece a quem não cumpre a Lei?

SUGESTÃO: Visitem o Bairro Alto à noite nestes dias de Verão: o encerramento de trânsito trouxe mais gente para as ruas, há mais restaurantes e bares e estão todos cheios de turistas e nacionais. Um bom sinal.

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A ESQUINA IMPRESSA

Aqui fica a Esquina de sexta passada, no Jornal de Negócios:

PORTUGAL:

João Soares defendeu que devem ser tornados públicos os rendimentos dos dirigentes socialistas, nomeadamente os que ocupam ou ocuparam cargos oficiais. António Costa criticou Manuel Alegre acusando-o de se comportar como «detentor da verdade sagrada» e «guardião do templo».António Mega Ferreira elogiou Manuel Alegre. Emídio Rangel elogiou José Sócrates. Siza Vieira elogiou João Soares. Não vai haver frente a frente entre os candidatos à liderança do PS, apenas um debate entre os três. O Procurador Geral da República sobreviveu à crise gerada pela divulgação de conversas entre um jornalista e a porta-voz da procuradoria onde terá sido violado o segredo de justiça. Em Julho foram detidas 28 pessoas, só no distrito de Vila Real, sob suspeita de fogo posto. A aplicação do novo Código do Trabalho gerou uma queda de 69,4%nas convenções colectivas no 2º trimestre deste ano. 4200 estabelecimentos de ensino pré-escolar vão receber computadores e software numa iniciativa cooordenada pela Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). Uma das mais prestigiadas agências de avaliação financeira, a Moody’s, elaborou um relatório sobre a cidade de Lisboa que considera como boas a gestão da cidade, a capacidade de crédito do município e os planos de desenvolvimento da cidade. A Procuradoria Geral da República considerou que Carmona Rodrigues tem todas as condições para exercer o mandato de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, situação que era contestada pela oposição Ao fim do primeiro mês em funções os primeiros balanços publicados da actuação do Governo são positivos. A Galp comprou os direitos à exploração em 20 blocos petrolíferos no Brasil.

A prestação portuguesa nos jogos olímpicos tem sido abaixo das expectativas. A imprensa classificou de «humilhante» a actuação da equipa de futebol portuguesa nos Jogos Olímpicos. Luis Figo anunciou que deixaria de integrar a Selecção Nacional. Portugal foi recordista europeu nos valores totais de transacção de jogadores de futebol nesta pré-época.



LÁ FORA:

Durão Barroso foi muito elogiado pela forma como constituíu a equipa de comissários europeus – um bom táctico com sentido de euilíbrio é o resumo das apreciações da imprensa internacional. Numa sondagem publicada esta semana, 95% dos irlandeses declararam-se a favor das rígidas proibições de fumar em locais públicos adoptados este ano. Em Itália 12 clubes de futebol foram acusados de estarem envolvidos em apostas ilegais. Hugo Chávez ganhou o referendo na Venezuela e continua Presidente da República. Uma mulher foi condenada na República Popular da China por gerir um site de strip-tease. Donald Trump anunciou falência mais uma vez e os direitos à utilização da marca Trump ficaram nas mãos do banco de investimentos Credit Suisse First Bonston. Com 89 anos morreu Paul Neal «red» Adair, o homem que se tornou célebre a apagar os mais difíceis incênciso em poços de petróleo e refinarias. As acções da Google foram postas à venda a 85 dolares, o que projecta o valor da companhia para 23 mil milhões de dolares; Google, o motor de busca na internet mais utilizado no Mundo com 200 milhões de utilizadores diários, colocou à venda 19,6 milhões de acções, cerca de 15% do total da companhia. Entre 2 e 12 de Agosto, a cadeia de televisão norte-americanas ABC apresentou a cobertura mais favorável a John Kerry e no mesmo período a NBC teve a cobertura mais negativa em relação ao presidente Bush, segundo o Media Tenor Institute, uma organização independente.



O MELHOR DA SEMANA: O bom ambiente da renovada Trattoria (Rua Artilharia Um 79), quer no buffet de almoço quer à noite, sobretudo às quintas-feiras. Em qualquer dia vale a pena provar os escalopes com molho de limão. Fantásticos.



O PIOR DA SEMANA: Ver o Tejo aos quadradinhos por causa das redes com arame farpado instaladas no Porto de Lisboa. Mais uma vez a cidade é afastada do seu rio.



A VERGONHA: No primeiro jogo a Selecção Olímpica portuguesa de futebol perdeu com o Iraque. No terceiro perdeu com a Costa Rica. Em ambas as partidas houve jogadores portugueses expulsos, Cristinano Ronaldo deu um murro a um adversário, chegou a haver luta no campo no final do último jogo – tudo muito longe do ideal olímpico e da ética desportiva: é assim o futebol que temos, essa boçalidade evidente que vai apalermando o país.



PERGUNTA: A regulamentação sobre os recintos deportivos e as fatídicas balizas existe, o que acontece a quem não cumpre a Lei?



SUGESTÃO: Visitem o Bairro Alto à noite nestes dias de Verão: o encerramento de trânsito trouxe mais gente para as ruas, há mais restaurantes e bares e estão todos cheios de turistas e nacionais. Um bom sinal.



agosto 16, 2004

A ESQUINA IMPRESSA
(publicada sexta-feira passada no «Jornal de Negócios»

A ESQUINA DO RIO
resumo dos dias que passam

CÁ DENTRO: O «Diário de Notícias» de sábado noticiava que «namoradas dos deputados passam a ter viagens pagas». No «Expresso», José António Saraiva propôs a construção de uma nova capital no interior, na esteira de Brasília, ou daquilo que se soube ser a intenção do Governo sul-coreano, que vai construir uma nova capital a 160 kms a sul de Seul. 25% da floresta portuguesa ardeu na última década. Um jornalista do «Correio da Manhã» alertou para o roubo de cassettes com gravações de conversas com diversas fontes que contactou no âmbito da investigação jornalística do caso «Casa Pia». Por causa da fuga das referidas gravações o director nacional da Polícia Judiciária demitiu-se, sob suspeita de ter violado o segredo de justiça e revelou que ele e a sua família eram alvos de pressões. O Governo propôs um pacto de regime sobre a Justiça e nomeou como Director Nacional da Judiciária um juiz que já havia sido indicado para o mesmo cargo pelo Governo PS. O Bloco de Esquerda diz que só faz pactos com a democracia. O Bastonário da Ordem dos Advogados aplaudiu a iniciativa, centrada na revisão do Código Penal e do Código de Processo Penal, parada na Assemblea da República desde o início de 2003. Eduardo Prado Coelho apoiou Manuel Alegre para a liderança do PS e Mário Soares alertou contra «jogos no aparelho do partido», enquanto sublinhava que na sua opinião Marcelo Rebelo de Sousa é «divertido e estimulante». O Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, alterou grande parte das colocações de embaixadores feitas por Martins da Cruz. Só na primeira semana de Agosto a Brigada de Trânsito registou 2676 manobras perigosas e 35 mortos e 105 feridos graves em acidentes de viação. Dos 46 militares da GNR que esta semana partiram para o Iraque, 14 já lá tinham estado e quiseram voltar.


LÁ FORA: Um acidente numa central nuclear no Japão matou quatro pessoas. A ETA voltou à actividade com duas bombas no fim de semana, sem vítimas mortais. No mesmo período, no Iraque, verificaram-se 43 mortos em diversos atentados. Os Espanhóis são os que mais vão ao cinema na Europa, à frente da Alemanha, França e Reino Unido: cada espanhol compra por ano 3,18 bilhetes de cinema a um preço médio de 4,7 euros (em Portugal o valor médio do bilhete de cinema é 3,7 euros). Um ensaio inédito da escritora Virgina Wolf, sobre a vida em Londres nos anos 30, foi encontrado na Biblioteca da Univerisdade de Sussex. A campeã mundial dos 100 metros, a norte-americana Toni Edwards foi afastada dos Jogos Olímpicos, que hoje começam em Atenas, sob acusação de doping. A Grécia endividou-se em seis mil milhões de euros para assegurar as infraestruturas para as Olimpíadas. O Reino Unido autorizou a clonagem de embriões humanos com fins terapêuticos. A TVE cortou as transmissões de touradas durante o Verão invocando razões financeiras. A NASA anunciou nova missão a Marte para Agosto de 2005. O Pato Donald fez 70 anos dia 9 de Junho e esta semana teve direito a uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood. Fay Wray, actriz de cinema, morreu aos 96 anos: contracenou com Gary Cooper e Spencer Tracy mas ficou para a história como a miúda que lutou com o gorila King Kong. A capa da revista britãnica «The Spectator» desta semana titula «The World Has Never Been a Better Place» e lá dentro o artigo sublinha que «esta é a mais feliz, saudável e pacífica época na História da humanidade». O comércio electrónico fez dez anos dia 11 de Agosto, aniversário do site Netmarket. Nos Estados unidos o comércio electrónico representará este ano 144 milhões de dólares, 6,6% do total das transacções comerciais naquele país.


O MELHOR DA SEMANA: «Preciso de fazer alguma coisa mais gratificante do que estar aqui no Parlamento» - disse Vicente Jorge Silva, que confessou desejar voltar a ser crítico de cinema para que sobre os filmes surjam «textos mais claros e úteis» do que aqueles que hoje em dia são dados à estampa.

O PIOR DA SEMANA: O novo anúncio de cerveja «Os homens preferem as Sagres».

PERGUNTA: Porque é que as receitas de Francisco José Viegas na «Grande Reportagem» não são editadas em livro?


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A ESQUINA IMPRESSA

(publicada sexta-feira passada no «Jornal de Negócios»



A ESQUINA DO RIO

resumo dos dias que passam



CÁ DENTRO: O «Diário de Notícias» de sábado noticiava que «namoradas dos deputados passam a ter viagens pagas». No «Expresso», José António Saraiva propôs a construção de uma nova capital no interior, na esteira de Brasília, ou daquilo que se soube ser a intenção do Governo sul-coreano, que vai construir uma nova capital a 160 kms a sul de Seul. 25% da floresta portuguesa ardeu na última década. Um jornalista do «Correio da Manhã» alertou para o roubo de cassettes com gravações de conversas com diversas fontes que contactou no âmbito da investigação jornalística do caso «Casa Pia». Por causa da fuga das referidas gravações o director nacional da Polícia Judiciária demitiu-se, sob suspeita de ter violado o segredo de justiça e revelou que ele e a sua família eram alvos de pressões. O Governo propôs um pacto de regime sobre a Justiça e nomeou como Director Nacional da Judiciária um juiz que já havia sido indicado para o mesmo cargo pelo Governo PS. O Bloco de Esquerda diz que só faz pactos com a democracia. O Bastonário da Ordem dos Advogados aplaudiu a iniciativa, centrada na revisão do Código Penal e do Código de Processo Penal, parada na Assemblea da República desde o início de 2003. Eduardo Prado Coelho apoiou Manuel Alegre para a liderança do PS e Mário Soares alertou contra «jogos no aparelho do partido», enquanto sublinhava que na sua opinião Marcelo Rebelo de Sousa é «divertido e estimulante». O Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, alterou grande parte das colocações de embaixadores feitas por Martins da Cruz. Só na primeira semana de Agosto a Brigada de Trânsito registou 2676 manobras perigosas e 35 mortos e 105 feridos graves em acidentes de viação. Dos 46 militares da GNR que esta semana partiram para o Iraque, 14 já lá tinham estado e quiseram voltar.





LÁ FORA: Um acidente numa central nuclear no Japão matou quatro pessoas. A ETA voltou à actividade com duas bombas no fim de semana, sem vítimas mortais. No mesmo período, no Iraque, verificaram-se 43 mortos em diversos atentados. Os Espanhóis são os que mais vão ao cinema na Europa, à frente da Alemanha, França e Reino Unido: cada espanhol compra por ano 3,18 bilhetes de cinema a um preço médio de 4,7 euros (em Portugal o valor médio do bilhete de cinema é 3,7 euros). Um ensaio inédito da escritora Virgina Wolf, sobre a vida em Londres nos anos 30, foi encontrado na Biblioteca da Univerisdade de Sussex. A campeã mundial dos 100 metros, a norte-americana Toni Edwards foi afastada dos Jogos Olímpicos, que hoje começam em Atenas, sob acusação de doping. A Grécia endividou-se em seis mil milhões de euros para assegurar as infraestruturas para as Olimpíadas. O Reino Unido autorizou a clonagem de embriões humanos com fins terapêuticos. A TVE cortou as transmissões de touradas durante o Verão invocando razões financeiras. A NASA anunciou nova missão a Marte para Agosto de 2005. O Pato Donald fez 70 anos dia 9 de Junho e esta semana teve direito a uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood. Fay Wray, actriz de cinema, morreu aos 96 anos: contracenou com Gary Cooper e Spencer Tracy mas ficou para a história como a miúda que lutou com o gorila King Kong. A capa da revista britãnica «The Spectator» desta semana titula «The World Has Never Been a Better Place» e lá dentro o artigo sublinha que «esta é a mais feliz, saudável e pacífica época na História da humanidade». O comércio electrónico fez dez anos dia 11 de Agosto, aniversário do site Netmarket. Nos Estados unidos o comércio electrónico representará este ano 144 milhões de dólares, 6,6% do total das transacções comerciais naquele país.





O MELHOR DA SEMANA: «Preciso de fazer alguma coisa mais gratificante do que estar aqui no Parlamento» - disse Vicente Jorge Silva, que confessou desejar voltar a ser crítico de cinema para que sobre os filmes surjam «textos mais claros e úteis» do que aqueles que hoje em dia são dados à estampa.



O PIOR DA SEMANA: O novo anúncio de cerveja «Os homens preferem as Sagres».



PERGUNTA: Porque é que as receitas de Francisco José Viegas na «Grande Reportagem» não são editadas em livro?





agosto 10, 2004

Faço minhas as palavras de Vicente Jorge Silva sobre Henri Cartier-Bresson: Nenhum fotógrafo foi tão decisivo como ele, nenhum como ele soube captar o mistério do «instante decisivo»: a coincidência mágica entre o pulsar da vida e a geometria do real. Como se por detrás de cada situação surpreendida em flagrante pela câmara houvesse sempre uma ordem geométrica misteriosa que lhe emprestava um sentido único e a resgatava do caos. Nunca a mais extrema simplicidade, o mais genuíno despojamento, a recusa do artifício, se conjugaram, de modo tão perfeito como em Cartier-Bresson, com a arquitectura do único enquadramento possível.

Tal como Antonioni no cinema, Cartier-Bresson foi quem, na fotografia, me ensinou a olhar. O rigor e a elegância com que compunha espontaneamente as suas imagens eram atributos de um caçador que apanha a presa no momento exacto e faz desse momento um instante de beleza fulgurante. Uma beleza que perdura para além da fracção de segundo em que foi surpreendida e que a deixou suspensa para sempre.

Cartier-Bresson foi um dos meus heróis. Como fotógrafo, como fotojornalista, como referência humana, ele que tornava absurda a separação entre estética e ética, entre forma e conteúdo. E que, por isso, repudiava vigorosamente a instrumentalização da imagem por legendas retóricas que alterassem a evidência singela do que estava lá e se oferecia à liberdade dos nossos olhos. Bastava apenas que soubéssemos olhar. Como ele.

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Faço minhas as palavras de Vicente Jorge Silva sobre Henri Cartier-Bresson: Nenhum fotógrafo foi tão decisivo como ele, nenhum como ele soube captar o mistério do «instante decisivo»: a coincidência mágica entre o pulsar da vida e a geometria do real. Como se por detrás de cada situação surpreendida em flagrante pela câmara houvesse sempre uma ordem geométrica misteriosa que lhe emprestava um sentido único e a resgatava do caos. Nunca a mais extrema simplicidade, o mais genuíno despojamento, a recusa do artifício, se conjugaram, de modo tão perfeito como em Cartier-Bresson, com a arquitectura do único enquadramento possível.



Tal como Antonioni no cinema, Cartier-Bresson foi quem, na fotografia, me ensinou a olhar. O rigor e a elegância com que compunha espontaneamente as suas imagens eram atributos de um caçador que apanha a presa no momento exacto e faz desse momento um instante de beleza fulgurante. Uma beleza que perdura para além da fracção de segundo em que foi surpreendida e que a deixou suspensa para sempre.



Cartier-Bresson foi um dos meus heróis. Como fotógrafo, como fotojornalista, como referência humana, ele que tornava absurda a separação entre estética e ética, entre forma e conteúdo. E que, por isso, repudiava vigorosamente a instrumentalização da imagem por legendas retóricas que alterassem a evidência singela do que estava lá e se oferecia à liberdade dos nossos olhos. Bastava apenas que soubéssemos olhar. Como ele.



agosto 09, 2004

INDEPENDÊNCIA
INFORMAÇÃO A MENOS

Um dos mais curiosos exercícios que se pode fazer é ler jornais com um mês de atraso. Assim sempre se pode confrontar a diferença entre as crónicas anunciadas e a realidade. O «Expresso», por exemplo, noticiava há cerca de um mês que o Presidente da República estava a ficar mais próximo da convocação de eleições e anunciava que o Comissário Europeu António Vitorino se preparava para regressar à vida política activa e, talvez, a tomar conta do PS a partir de 1 de Novembro. Ambas as notícias vinham na capa da edição do passado dia 3 de Julho. Escassos dias depois ambas as peças estavam desmentidas pela realidade e à distância de um mês parecem atrozmente ridículas.
Nalgumas estações de televisão alguns jornalistas tecem declaradamente comentários pessoais a meio do relato dos acontecimentos, por vezes chegam ao ponto de insinuar agrado ou desagrado perante determinadas posições de alguns políticos e não se coíbem de utilizar a expressão facial ou trejeitos para acentuar o que pensam. Não viria mal ao mundo se fossem comentadores, analistas e se se apresentassem como tal: mas não, são repórteres em S. Bento, Belém ou nas sedes dos partidos e até «pivots» noticiários.
Porque é que isto acontece? Porque em vez de relatarem, reportarem, alguns orgãos de comunicação preferem deitar-se a adivinhar, preferem utilizar fontes não identificadas para espalharem rumores, preferem fazer passar opinião por informação – de uma forma aliás que se aproxima muito da manipulação da opinião pública. O jornalismo político em Portugal é carregado de insinuações e pequenas manobras e muito parco em boa informação. Quando manobristas políticos são utilizados como «fonte fidedigna» há pouca coisa que possa correr bem.

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INDEPENDÊNCIA

INFORMAÇÃO A MENOS



Um dos mais curiosos exercícios que se pode fazer é ler jornais com um mês de atraso. Assim sempre se pode confrontar a diferença entre as crónicas anunciadas e a realidade. O «Expresso», por exemplo, noticiava há cerca de um mês que o Presidente da República estava a ficar mais próximo da convocação de eleições e anunciava que o Comissário Europeu António Vitorino se preparava para regressar à vida política activa e, talvez, a tomar conta do PS a partir de 1 de Novembro. Ambas as notícias vinham na capa da edição do passado dia 3 de Julho. Escassos dias depois ambas as peças estavam desmentidas pela realidade e à distância de um mês parecem atrozmente ridículas.

Nalgumas estações de televisão alguns jornalistas tecem declaradamente comentários pessoais a meio do relato dos acontecimentos, por vezes chegam ao ponto de insinuar agrado ou desagrado perante determinadas posições de alguns políticos e não se coíbem de utilizar a expressão facial ou trejeitos para acentuar o que pensam. Não viria mal ao mundo se fossem comentadores, analistas e se se apresentassem como tal: mas não, são repórteres em S. Bento, Belém ou nas sedes dos partidos e até «pivots» noticiários.

Porque é que isto acontece? Porque em vez de relatarem, reportarem, alguns orgãos de comunicação preferem deitar-se a adivinhar, preferem utilizar fontes não identificadas para espalharem rumores, preferem fazer passar opinião por informação – de uma forma aliás que se aproxima muito da manipulação da opinião pública. O jornalismo político em Portugal é carregado de insinuações e pequenas manobras e muito parco em boa informação. Quando manobristas políticos são utilizados como «fonte fidedigna» há pouca coisa que possa correr bem.



A ESQUINA DO RIO
resumo dos dias que passam

CÁ DENTRO: Nos exames do 12º ano, 18 em 21 disciplinas tiveram médias negativas e mais de metade dos alunos chumbaram. Em Junho foram multados mais de 11000 automobilistas por excesso de velocidade. No PS, Vicente Jorge Silva apoiou a candidatura de Manuel Alegre a Secretário-Geral; José Sócrates apresentou a sua alternativa baseada num objectivo estratégico de desenvolvimento centrado no lançamento de um Plano Tecnológico; João Soares alertou para a eventualidade de resultados manipulados, disse desejar que o PS volte a ser revolucionário, e em relação à campanha interna afirmou: «não estamos num concurso de misses»; O ex-ministro José Lello disse duvidar da «sanidade mental de João Soares». Na última sessão legislativa os Deputados baixaram a produção legislativa em 55% em relação à anterior sessão, do ano passado. Jorge Miranda defendeu num artigo de opinião que a decisão de Jorge Sampaio na recente crise política preservou o sistema de governo semi-presidencialista e evitou a degradação do Parlamento. O Governo apresenta a nova Lei das Rendas em Setembro, com o objectivo de assegurar actualizações progressivas – a responsabilidade será de José Luis Arnaut. António Mexia prometeu que até ao final do ano ficará pronta uma base de dados sobre o estado de seis mil pontes, viadutos e túneis. Uma investigadora portuguesa na área da biomedicina, Maria Mota, ganhou um dos prémios European Young Investigatores Award. O engenheiro Sagadães Tavares, responsável pela pala do Pavilhão de Portugal, ganhou o oscar mundial da engenharia, o Outstanding Structures Award, especificamentepela sua obra de ampliação da pista do Aeroporto Internacional da Madeira, no Funchal. De Abril até final de Julho foram vendidos em Portugal mais de 110 000 exemplares do livro «O Código Da Vinci».


LÁ FORA: Nos Estados Unidos a convenção democrata organizou 200 eventos marginais, desde torneios de golfe a recepções, passando por festas e seminários. A Estátua da Liberdade, em Nova York, reabriu pela primeira vez depois do 11 de Setembro, na mesma semana em que os Estados Unidos puseram em acção medidas especiais de segurança com receio de novos atentados terroristas. Os REM, Pearl Jam e Bruce Springsteen actuarão numa digressão a realizar nos Estados Unidos, no início de Outubro, com 34 espectáculos em 28 cidades, sob a designação genérica de «Vote For Change», um apelo a mudanças políticas no país e contra Bush..O barril de crude atingiu novo máximo, superando a barreira dos 40,99 dolares estabelecida em 10 de Outubro de 1990, em vésperas da 1º Guerra do Golfo. As comemorações dos 300 anos da presença britânica em Gibraltar provocaram polémica e Jose Luis Zapatero considerou como « não adequada» a posição da Grã-Bretanha sobre o rochedo. O Governo Regional da Catalunha vai permitir a venda médica de Cannabis a partir de 2005. José Manuel Barroso já formou a sua equipa de comissários com um terço de mulheres: oito em 24. A União Europeia começou a rever o embargo de armas imposto à China em 1989 após os incidentes da Praça Tiananmen. O australiano Eric Bona, conhecido como o actor de deu corpo a Hulk, é o mais sério candidato a ser o próximo James Bond, no 21º filme da série. Morreu o sax tenor Illinois Jacquet, autor de um célebre solo em «Flying Home», de Lionel Hampton. Henri Cartier-Bresson, o homem que mudou a maneira de fazer foto-jornalismo, morreu aos 95 anos. A sonda Messenger partiu 3ª feira para Mercúrio, onde deve chegar em 2008 depois de percorrer 7 900 milhões de quilómetros. É a primeira missão científica em três décadas ao planeta mais próximo do Sol. Muitos dos principais jornais internacionais de referência deram a esta epopeia honra de primeira página, em Portugal não houve um jornal que o fizesse.

O MELHOR DA SEMANA: filetes de pescada com puré de grão, na Cafetaria da Bica do Sapato.

O PIOR DA SEMANA: Ficar sentado num restaurante ao lado de duas brasileiras que discutem dietas.

PERGUNTA: Porque é que os nomes das ruas das cidades e vilas são tão mal sinalizados?

SUGESTÃO: A exposição de Keith Haring, na Culturgest.

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A ESQUINA DO RIO

resumo dos dias que passam



CÁ DENTRO: Nos exames do 12º ano, 18 em 21 disciplinas tiveram médias negativas e mais de metade dos alunos chumbaram. Em Junho foram multados mais de 11000 automobilistas por excesso de velocidade. No PS, Vicente Jorge Silva apoiou a candidatura de Manuel Alegre a Secretário-Geral; José Sócrates apresentou a sua alternativa baseada num objectivo estratégico de desenvolvimento centrado no lançamento de um Plano Tecnológico; João Soares alertou para a eventualidade de resultados manipulados, disse desejar que o PS volte a ser revolucionário, e em relação à campanha interna afirmou: «não estamos num concurso de misses»; O ex-ministro José Lello disse duvidar da «sanidade mental de João Soares». Na última sessão legislativa os Deputados baixaram a produção legislativa em 55% em relação à anterior sessão, do ano passado. Jorge Miranda defendeu num artigo de opinião que a decisão de Jorge Sampaio na recente crise política preservou o sistema de governo semi-presidencialista e evitou a degradação do Parlamento. O Governo apresenta a nova Lei das Rendas em Setembro, com o objectivo de assegurar actualizações progressivas – a responsabilidade será de José Luis Arnaut. António Mexia prometeu que até ao final do ano ficará pronta uma base de dados sobre o estado de seis mil pontes, viadutos e túneis. Uma investigadora portuguesa na área da biomedicina, Maria Mota, ganhou um dos prémios European Young Investigatores Award. O engenheiro Sagadães Tavares, responsável pela pala do Pavilhão de Portugal, ganhou o oscar mundial da engenharia, o Outstanding Structures Award, especificamentepela sua obra de ampliação da pista do Aeroporto Internacional da Madeira, no Funchal. De Abril até final de Julho foram vendidos em Portugal mais de 110 000 exemplares do livro «O Código Da Vinci».





LÁ FORA: Nos Estados Unidos a convenção democrata organizou 200 eventos marginais, desde torneios de golfe a recepções, passando por festas e seminários. A Estátua da Liberdade, em Nova York, reabriu pela primeira vez depois do 11 de Setembro, na mesma semana em que os Estados Unidos puseram em acção medidas especiais de segurança com receio de novos atentados terroristas. Os REM, Pearl Jam e Bruce Springsteen actuarão numa digressão a realizar nos Estados Unidos, no início de Outubro, com 34 espectáculos em 28 cidades, sob a designação genérica de «Vote For Change», um apelo a mudanças políticas no país e contra Bush..O barril de crude atingiu novo máximo, superando a barreira dos 40,99 dolares estabelecida em 10 de Outubro de 1990, em vésperas da 1º Guerra do Golfo. As comemorações dos 300 anos da presença britânica em Gibraltar provocaram polémica e Jose Luis Zapatero considerou como « não adequada» a posição da Grã-Bretanha sobre o rochedo. O Governo Regional da Catalunha vai permitir a venda médica de Cannabis a partir de 2005. José Manuel Barroso já formou a sua equipa de comissários com um terço de mulheres: oito em 24. A União Europeia começou a rever o embargo de armas imposto à China em 1989 após os incidentes da Praça Tiananmen. O australiano Eric Bona, conhecido como o actor de deu corpo a Hulk, é o mais sério candidato a ser o próximo James Bond, no 21º filme da série. Morreu o sax tenor Illinois Jacquet, autor de um célebre solo em «Flying Home», de Lionel Hampton. Henri Cartier-Bresson, o homem que mudou a maneira de fazer foto-jornalismo, morreu aos 95 anos. A sonda Messenger partiu 3ª feira para Mercúrio, onde deve chegar em 2008 depois de percorrer 7 900 milhões de quilómetros. É a primeira missão científica em três décadas ao planeta mais próximo do Sol. Muitos dos principais jornais internacionais de referência deram a esta epopeia honra de primeira página, em Portugal não houve um jornal que o fizesse.



O MELHOR DA SEMANA: filetes de pescada com puré de grão, na Cafetaria da Bica do Sapato.



O PIOR DA SEMANA: Ficar sentado num restaurante ao lado de duas brasileiras que discutem dietas.



PERGUNTA: Porque é que os nomes das ruas das cidades e vilas são tão mal sinalizados?



SUGESTÃO: A exposição de Keith Haring, na Culturgest.



agosto 06, 2004

ESQUINA IMPRESSA
Hoje a Esquina impressa, no «Jornal de Negócios», tem nova forma. Pedem-se reacções.

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ESQUINA IMPRESSA

Hoje a Esquina impressa, no «Jornal de Negócios», tem nova forma. Pedem-se reacções.

agosto 02, 2004

O RETRATO DA SEMANA
A melhor síntese do que se passa vem na revista britânica The Spectator. Leiam o que é o kit de emergência proposto pelo governo de Sua Majestade.

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O RETRATO DA SEMANA

A melhor síntese do que se passa vem na revista britânica The Spectator. Leiam o que é o kit de emergência proposto pelo governo de Sua Majestade.
NOVIDADES DA RÁDIO
Se gosta de ouvir rádio na internet e não tem paciência para escolher as canções que quer ouvir, experimente ler este artigo da
Wired

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NOVIDADES DA RÁDIO

Se gosta de ouvir rádio na internet e não tem paciência para escolher as canções que quer ouvir, experimente ler este artigo da

Wired
A ESQUINA DE SEXTA FEIRA PASSADA, ENTÃO AINDA A SUL

O CÉU FICA NEGRO com o fumo dos incêndios. Os fins de tarde na praia têm uma luz estranha, o sol a pôr-se detrás dos sinais de fogo. É uma luz terrível, ao mesmo tempo estranha e cativante. Olhamos para as coisas com outros olhos. Olhamos para os outros com um sentir diverso. O calor muda a face da terra e muda-nos a nós todos. Uma semana de calor abrasador e ficamos todos diferentes.

OS INCÊNDIOS fazem parte do ciclo de vida das florestas. Por mais que o saibamos eles continuam a aterrorizar-nos. Todas as noites vejo nos telejornais as caras exaustas dos bombeiros, num rodopio de norte a sul de Portugal, a combaterem as chamas no meio de um calor tórrido. Ano após ano os bombeiros mostram o sacrifício que fazem, são repetidamente heróis que muitas vezes descuramos - mais de cem já ficaram feridos desde Junho. A sua coragem quase que faz parte das rotinas. E nestas alturas percebemos como muitas vezes não os estimamos como merecem. O esforço que têm nunca é uma rotina. É um permanente desafio,

O DEBATE DO PROGRAMA DO GOVERNO correu de acordo com as expectativas: a oposição atacou (já tinha aliás dito que ía atacar mesmo antes de o Programa ser conhecido), a coligação defendeu. Passei a terça-feira a andar de carro de um lado para o outro e segui quase todo o debate pela rádio. Acho que todos os líderes partidários deviam escutar a gravação integral do debate – era educativo e podia ser que percebessem porque cada vez menos gente se interessa pela política. No debate foi tudo muito previsível, porquê? Porque cada um vai afirmar uma posição em vez de discutir, argumentar, sugerir. A mediatização dos debates transforma-os nos palcos de excelência para a amplificação das posições de princípio, em vez de serem o local onde se trocam ideias. Às vezes acho que os senhores deputados devem viver noutro país. Falam das coisas de uma maneira que faz parecer que não se lembram do que se passou nos anos recentes, de quem fez o quê, de quem disse o quê. Pode parecer utópico dito assim, mas parece-me que a ideia original dos parlamentos era que várias cabeças juntas trocassem ideias que permitissem ir melhorando o estado das coisas. Em vez disso cada grupo parlamentar limita-se a repetir slogans. Não há debate. Não houve debate.


DUAS RECOMENDAÇÕES PARA AGOSTO EM VILAMOURA: 1- O Tabuínhas, bar da Praia da Falésia, cumpre o seu papel na canícula: cerveja fresca durante o dia, saladas simpáticas. Mas onde ele se revela melhor é mesmo ao fim da tarde, frente a um gin tónico com boa música gravada em pano de fundo; ou então, mais tarde, para uma jantarada de amigos com um peixe fresco grelhado; e, às vezes noite fora, nas festas que de vez em quando lá acontecem e se espalham pelo areal. O bar parece a sociedade das nações: uma empregada checa, outras brasileiras, outras indianas, e a coisa lá vai funcionando. 2- O Jazz Clube na praça do cinema é uma boa ideia para começar as noites de quinta,sexta e sábado, com música ao vivo geralmente interessante e uma bela selecção de música gravada, dos blues ao jazz. Cerveja fresca,ambiente simpático e despretencioso.

NO REGRESSO DE FÉRIAS, a partir da próxima semana, a «Esquina do Rio» vai mudar de forma e conteúdo, deixando o comentário político, para passar a fazer uma revista semanal, escolhida, de notícias, novidades, curiosidades. Já agora era bom de saber o que os leitores gostavam de ver por aqui, nesta revista semanal – ideias e sugestões para aesquinadorio@hotmail.com

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A ESQUINA DE SEXTA FEIRA PASSADA, ENTÃO AINDA A SUL



O CÉU FICA NEGRO com o fumo dos incêndios. Os fins de tarde na praia têm uma luz estranha, o sol a pôr-se detrás dos sinais de fogo. É uma luz terrível, ao mesmo tempo estranha e cativante. Olhamos para as coisas com outros olhos. Olhamos para os outros com um sentir diverso. O calor muda a face da terra e muda-nos a nós todos. Uma semana de calor abrasador e ficamos todos diferentes.



OS INCÊNDIOS fazem parte do ciclo de vida das florestas. Por mais que o saibamos eles continuam a aterrorizar-nos. Todas as noites vejo nos telejornais as caras exaustas dos bombeiros, num rodopio de norte a sul de Portugal, a combaterem as chamas no meio de um calor tórrido. Ano após ano os bombeiros mostram o sacrifício que fazem, são repetidamente heróis que muitas vezes descuramos - mais de cem já ficaram feridos desde Junho. A sua coragem quase que faz parte das rotinas. E nestas alturas percebemos como muitas vezes não os estimamos como merecem. O esforço que têm nunca é uma rotina. É um permanente desafio,



O DEBATE DO PROGRAMA DO GOVERNO correu de acordo com as expectativas: a oposição atacou (já tinha aliás dito que ía atacar mesmo antes de o Programa ser conhecido), a coligação defendeu. Passei a terça-feira a andar de carro de um lado para o outro e segui quase todo o debate pela rádio. Acho que todos os líderes partidários deviam escutar a gravação integral do debate – era educativo e podia ser que percebessem porque cada vez menos gente se interessa pela política. No debate foi tudo muito previsível, porquê? Porque cada um vai afirmar uma posição em vez de discutir, argumentar, sugerir. A mediatização dos debates transforma-os nos palcos de excelência para a amplificação das posições de princípio, em vez de serem o local onde se trocam ideias. Às vezes acho que os senhores deputados devem viver noutro país. Falam das coisas de uma maneira que faz parecer que não se lembram do que se passou nos anos recentes, de quem fez o quê, de quem disse o quê. Pode parecer utópico dito assim, mas parece-me que a ideia original dos parlamentos era que várias cabeças juntas trocassem ideias que permitissem ir melhorando o estado das coisas. Em vez disso cada grupo parlamentar limita-se a repetir slogans. Não há debate. Não houve debate.





DUAS RECOMENDAÇÕES PARA AGOSTO EM VILAMOURA: 1- O Tabuínhas, bar da Praia da Falésia, cumpre o seu papel na canícula: cerveja fresca durante o dia, saladas simpáticas. Mas onde ele se revela melhor é mesmo ao fim da tarde, frente a um gin tónico com boa música gravada em pano de fundo; ou então, mais tarde, para uma jantarada de amigos com um peixe fresco grelhado; e, às vezes noite fora, nas festas que de vez em quando lá acontecem e se espalham pelo areal. O bar parece a sociedade das nações: uma empregada checa, outras brasileiras, outras indianas, e a coisa lá vai funcionando. 2- O Jazz Clube na praça do cinema é uma boa ideia para começar as noites de quinta,sexta e sábado, com música ao vivo geralmente interessante e uma bela selecção de música gravada, dos blues ao jazz. Cerveja fresca,ambiente simpático e despretencioso.



NO REGRESSO DE FÉRIAS, a partir da próxima semana, a «Esquina do Rio» vai mudar de forma e conteúdo, deixando o comentário político, para passar a fazer uma revista semanal, escolhida, de notícias, novidades, curiosidades. Já agora era bom de saber o que os leitores gostavam de ver por aqui, nesta revista semanal – ideias e sugestões para aesquinadorio@hotmail.com

julho 14, 2004

O ESTADO DA NAÇÃO I
Primeiro disseram que iam votar contra só porque sim;
Depois gritaram contra os primeiros nomes porque a escolha os surpreendeu;
A seguir clamaram por originalidade sem olharem para si próprios.

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O ESTADO DA NAÇÃO I

Primeiro disseram que iam votar contra só porque sim;

Depois gritaram contra os primeiros nomes porque a escolha os surpreendeu;

A seguir clamaram por originalidade sem olharem para si próprios.

julho 13, 2004

AS ENTREVISTAS - COMENTÁRIO
O post sobre as entrevistas dadas pelo ingitado Primeiro Ministro motivaram um bem articulado comentário de LF, autor do largo do rato, cuja leitura se recomenda.
Aqui vão excertos so comentário:
Ao contrário de muitos comentadores - quase todos pró
dissolução, diga-se - acho que PSL fez muito bem em
conceder as duas entrevistas referidas e no "timing"
que o fez.
Foram aliás entrevistas notáveis no seu conteúdo
politico.
A primeira a Judite de Sousa, Santana Lopes afirmou-se
como líder do PPD/PSD declarando:
- As razões dos sociais democratas para a manutenção
da estabilidade governativa, nomeadamente nos aspectos
sensíveis definidos por Durão Barroso e Jorge Sampaio
(a coerencia e continuidade das politicas
economico-financeira, externa e de defesa) e
demonstrando que pela sua parte nada havia a temer
sobre a governabilidade do país.
- Estar preparado para uma campanha eleitoral e para
ver o sua liderança consolidada nas urnas através duma
vitória se fosse essa a decisão de Jorge Sampaio.

e mostrando uma serenidade, liderança e contenção
assinaláveis.

Marcou pontos ao:
-clarificar a posição contrária a eleições do PPD/PSD
-não excluir nem temer a outra solução assumindo-se
como líder desse combate eleitoral para vencer.
-mostrar aos cépticos internos do PSD que os vai
contradizer e á esmagadora maioria do partido que o
seu apoio se justifica.
- mostrar-se tal como é retirando aos críticos a
satisfação de o dizerem com "low profile" táctico para
obter o cargo de PM.

A entrevista a Ricardo Costa permitiu-lhe:
- Justificar-se ao eleitorado de Lisboa pela sua
saída, reforçando a sua obra a acabar pelo executivo
camarário com uma palavrinha ás autarquias e autarcas
da maioria.
- Mostrar ao PR e ao país, que considera Jorge Sampaio
e que se compromete a uma relação institucional
impecável. Mostrando-se desde já não disponível a
tratar temas objecto de conversa com Sampaio.
- Reforçar a imagem de Estado que já tinha deixado
transparecer na primeira entrevista. Sendo tolerante -
desvalorizando - com as críticas pessoais que lhe
fazem e enfocando o seu discurso para a
responsabilidade do seu governo, a continuidade das
políticas e o muito trabalho que espera os portugueses
mesmo quando a retoma já espreita.
- Reforçar, e bem, o discurso social.
- Mostrar lealdade e liderança em relação ao parceiro
de coligação.

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AS ENTREVISTAS - COMENTÁRIO

O post sobre as entrevistas dadas pelo ingitado Primeiro Ministro motivaram um bem articulado comentário de LF, autor do largo do rato, cuja leitura se recomenda.

Aqui vão excertos so comentário:

Ao contrário de muitos comentadores - quase todos pró

dissolução, diga-se - acho que PSL fez muito bem em

conceder as duas entrevistas referidas e no "timing"

que o fez.

Foram aliás entrevistas notáveis no seu conteúdo

politico.

A primeira a Judite de Sousa, Santana Lopes afirmou-se

como líder do PPD/PSD declarando:

- As razões dos sociais democratas para a manutenção

da estabilidade governativa, nomeadamente nos aspectos

sensíveis definidos por Durão Barroso e Jorge Sampaio

(a coerencia e continuidade das politicas

economico-financeira, externa e de defesa) e

demonstrando que pela sua parte nada havia a temer

sobre a governabilidade do país.

- Estar preparado para uma campanha eleitoral e para

ver o sua liderança consolidada nas urnas através duma

vitória se fosse essa a decisão de Jorge Sampaio.



e mostrando uma serenidade, liderança e contenção

assinaláveis.



Marcou pontos ao:

-clarificar a posição contrária a eleições do PPD/PSD

-não excluir nem temer a outra solução assumindo-se

como líder desse combate eleitoral para vencer.

-mostrar aos cépticos internos do PSD que os vai

contradizer e á esmagadora maioria do partido que o

seu apoio se justifica.

- mostrar-se tal como é retirando aos críticos a

satisfação de o dizerem com "low profile" táctico para

obter o cargo de PM.



A entrevista a Ricardo Costa permitiu-lhe:

- Justificar-se ao eleitorado de Lisboa pela sua

saída, reforçando a sua obra a acabar pelo executivo

camarário com uma palavrinha ás autarquias e autarcas

da maioria.

- Mostrar ao PR e ao país, que considera Jorge Sampaio

e que se compromete a uma relação institucional

impecável. Mostrando-se desde já não disponível a

tratar temas objecto de conversa com Sampaio.

- Reforçar a imagem de Estado que já tinha deixado

transparecer na primeira entrevista. Sendo tolerante -

desvalorizando - com as críticas pessoais que lhe

fazem e enfocando o seu discurso para a

responsabilidade do seu governo, a continuidade das

políticas e o muito trabalho que espera os portugueses

mesmo quando a retoma já espreita.

- Reforçar, e bem, o discurso social.

- Mostrar lealdade e liderança em relação ao parceiro

de coligação.



DICOTOMIA II
Um sempre atento leitor destes posts, o N.F., mandou-me, a propósito do post «Dicotomia», uma citação de Anthony Burgess que não resisto a reproduzir:
Readers are plentiful: thinkers are rare.

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DICOTOMIA II

Um sempre atento leitor destes posts, o N.F., mandou-me, a propósito do post «Dicotomia», uma citação de Anthony Burgess que não resisto a reproduzir:

Readers are plentiful: thinkers are rare.
JÁ?
Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.

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JÁ?

Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.

julho 12, 2004

AS ENTREVISTAS
O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.

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AS ENTREVISTAS

O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.
DICOTOMIA
Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.

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DICOTOMIA

Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.

julho 09, 2004

O PROBLEMA DOS DIRECTOS
O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.

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O PROBLEMA DOS DIRECTOS

O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.
A ESQUINA IMPRESSA
Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».

A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.

O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.

NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.



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A ESQUINA IMPRESSA

Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».



A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.



O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.



NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.







julho 08, 2004

FRASE DO DIA
«Pode V.Exa. tirar o equídeo da pluviosidade» - Deputado Telmo Correia (PP), respondendo ao Deputado Medeiros Ferreira (PS), a propósito do à vontade com que o PS se considera vencedor de eventuais eleições antecipadas.

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FRASE DO DIA

«Pode V.Exa. tirar o equídeo da pluviosidade» - Deputado Telmo Correia (PP), respondendo ao Deputado Medeiros Ferreira (PS), a propósito do à vontade com que o PS se considera vencedor de eventuais eleições antecipadas.

julho 07, 2004

IMPERDÍVEL
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.

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IMPERDÍVEL

Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.

CENÁRIOS:
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.

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CENÁRIOS:

1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;

2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;

3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
DIMITROV
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.

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DIMITROV

O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.

Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.

COINCIDÊNCIAS
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...

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COINCIDÊNCIAS

No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
FALSAS MAIORIAS
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?

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FALSAS MAIORIAS

Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.

Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.

Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.

Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.

A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?

julho 05, 2004

NO PAIN, NO GAIN
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.

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NO PAIN, NO GAIN

Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.

BUFARIA
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.

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BUFARIA

Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.

QUASE DUAS SEMANAS
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.

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QUASE DUAS SEMANAS

Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.

Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.

Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.

Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom

E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.

O PACTO DE REGIME
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.

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O PACTO DE REGIME

No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.

A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.

Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.

julho 02, 2004

AS DUAS HIPÓTESES
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

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AS DUAS HIPÓTESES

Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.

Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.

Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.

As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

junho 30, 2004

OS BEM PENSANTES
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

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OS BEM PENSANTES

Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.

Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.

Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

junho 29, 2004

LEITURAS
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.

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LEITURAS

É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.

«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.

junho 28, 2004

O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?

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O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES

Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.

Recordações da época:

1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;

2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;

3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.

Foi assim ou não?
ESPECULAÇÕES
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.

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ESPECULAÇÕES

Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.

Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.

No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.

junho 27, 2004

MEMÓRIA
Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.

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MEMÓRIA

Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.
O OUTRO CAMPEONATO
Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.

E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.

Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.

Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.

(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)

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O OUTRO CAMPEONATO

Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.



E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.



Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.



Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.



(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)

junho 26, 2004

O NOVO CICLO
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.

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O NOVO CICLO

Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.

Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.

O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.

E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
DELÍRIO
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.

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DELÍRIO

Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.

Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.

SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.

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SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS

Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.

Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.

Então vamos a isso:

- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?

- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?

- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?

- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.

- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?

- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?

-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?

- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?

O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?

Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.

O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)

QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.

O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.

NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.

O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.

REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.

A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».

AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.

A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.



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O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)



QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.



O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.



NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.



O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.



REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.



A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».



AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.



A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.







maio 17, 2004

CEREJAS
Só percebemos que a Primavera chegou quando comemos as primeiras cerejas do ano.

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Só percebemos que a Primavera chegou quando comemos as primeiras cerejas do ano.