A ESQUINA IMPRESSA
Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».
A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.
O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.
NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
julho 09, 2004
julho 08, 2004
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FRASE DO DIA
«Pode V.Exa. tirar o equídeo da pluviosidade» - Deputado Telmo Correia (PP), respondendo ao Deputado Medeiros Ferreira (PS), a propósito do à vontade com que o PS se considera vencedor de eventuais eleições antecipadas.
«Pode V.Exa. tirar o equídeo da pluviosidade» - Deputado Telmo Correia (PP), respondendo ao Deputado Medeiros Ferreira (PS), a propósito do à vontade com que o PS se considera vencedor de eventuais eleições antecipadas.
julho 07, 2004
IMPERDÍVEL
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
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IMPERDÍVEL
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
CENÁRIOS:
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
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CENÁRIOS:
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
DIMITROV
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
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DIMITROV
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
COINCIDÊNCIAS
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
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COINCIDÊNCIAS
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
FALSAS MAIORIAS
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?
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FALSAS MAIORIAS
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?
julho 05, 2004
NO PAIN, NO GAIN
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.
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NO PAIN, NO GAIN
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.
BUFARIA
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.
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BUFARIA
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.
QUASE DUAS SEMANAS
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.
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QUASE DUAS SEMANAS
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.
O PACTO DE REGIME
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.
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O PACTO DE REGIME
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.
julho 02, 2004
AS DUAS HIPÓTESES
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.
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AS DUAS HIPÓTESES
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.
junho 30, 2004
OS BEM PENSANTES
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?
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OS BEM PENSANTES
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?
junho 29, 2004
LEITURAS
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.
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LEITURAS
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.
junho 28, 2004
O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?
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O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?
ESPECULAÇÕES
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.
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ESPECULAÇÕES
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.
junho 27, 2004
MEMÓRIA
Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.
Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.
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MEMÓRIA
Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.
Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.
O OUTRO CAMPEONATO
Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.
E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.
Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.
Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.
(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)
Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.
E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.
Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.
Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.
(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)
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O OUTRO CAMPEONATO
Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.
E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.
Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.
Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.
(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)
Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.
E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.
Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.
Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.
(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)
junho 26, 2004
O NOVO CICLO
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
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O NOVO CICLO
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
DELÍRIO
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
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DELÍRIO
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.
SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
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SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.
O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
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O DESAFIO DE UMA GERAÇÃO (da edição de ontem do «Jornal de Negócios»)
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
QUANDO A DIREITA deixa criar angústias várias sobre as expectativas das pessoas em relação ao seu bem-estar , está a entregar a bandeira do social à esquerda. Basta olharmos para a nossa História recente para vermos como esse é dos mais importantes argumentos políticos. Conjugar um modelo de desenvolvimento, com um panorama de estabilidade política e conseguir fazer tudo isto conseguindo efectivamente melhorar a vida do dia-adia das pessoas é o maior desafio político que se coloca à sociedade e aos partidos.
O QUOTIDIANO é o factor inconsciente na hora do voto. As pessoas que trabalham por conta de outrem, a maioria do eleitorado, sabe que não protagoniza evasão fiscal : paga impostos, directos e indirectos, que regra geral considera elevados e muitas vezes não vê retorno para o investimento que por essa via faz no Estado. Queixa-se das dificuldades de emprego, dos cuidados de saúde, do estado da justiça, da instabilidade da educação. A verdade é que o modelo de Estado em que cresceram lhes está a flahar e isto é um dos maiores problemas que enfrentamos. Em Portugal qualquer política e qualquer reforma começa por trazer complicações às classes médias, na verdade traz dificuldades mais depressa que benefícios e esse é um dos grandes factores de instabilidade política e social. Reflectir sobre isto é fundamental.
NÃO HÁ GRANDES DIFERENÇAS entre o PSD e o PS a não ser de estilo. De facto, na esmagadora maioria dos assuntos do dia-a-dia, nacional ou internacional, há nuances mas não há divergências gritantes. Muitas vezes é na forma de concretizar conceitos que surgem divergências. E há, é claro, estilos diferentes, a começar pela gestão das finanças públicas.
O ROTATIVISMO de finais do século XIX está outra vez em grande força entre nós no início do século XXI. Em comum existe uma decadência do funcionamento da sociedade, uma crise evidente do modelo de Estado, coisas que por si só contribuerm para a instabilidade de objectivos e de projectos, para a variação de políticas, a paralisação das sociedades, a frustração dos cidadãos.
REFORMULAR O PAPEL DO ESTADO é a ideia chave defendida numa curiosa entrevista ao «El País», entre nós publicada pela «Visão», dada pelo filósofo francês Pierre Rosanvallon. As suas observações sobre as mudanças ocorridas no sistema político e partidário (por exemplo: «falou-se muito do final do comunismo, mas não reflectimos o suficiente sobre o final do modelo social-democrata») são certeiras.
A DECADÊNCIA das sociedades decorre da impotência na resolução dos principais problemas que a atravessam, diz o filósofo e, sublinha, cito: «como não sabemos lidar com o reformismo, esperamos a chegada do Apocalipse para podermos fazer as mudanças...Não temos uma cultura de Reforma, temos é uma cultura de Revolução que continua muito presente...Daí que seja necessário representar a decadência para se poder fazer uma simulação da revolução que, na realidade, não é mais que reformas minúsculas».
AS CAUSAS COMUNS são um catalisador da participação social, são (elas sim) um efectivo dinamizador da auto-estima, da mobilização dos cidadãos, do funcionamento da sociedade. Todos temos que pensar mais no que podemos fazer para melhorar as coisas. O sentido do voto, seja ele qual fôr, é sempre esse. O regime democrático pressupõe historicamente a expectativa de uma evolução nos padrões de vida. Ninguém gosta de governar para criar dificuldades à vida dos governados. E, no entanto, isso às vezes acontece.
A CRISE DO ESTADO PROVIDÊNCIA é a origem de muitas mini crises do nosso dia-a-dia e é o pano de fundo que está sempre presente em qualquer análise da realidade. As pessoas querem saber coisas concretas sobre o seu bem-estar presente e futuro e acham tudo o resto temas secundários. Por isso mesmo a nossa maior urgência é conseguir estudar a fundo as transformações que ocorreram, todas as mudanças que ainda estamos a viver, para conseguirmos criar um novo modelo de sociedade que funcione. Que seja efectivo e solidário. No fundo é este o desafio de uma geração.
maio 17, 2004
maio 14, 2004
FOTOS DO MIRROR ERAM FALSAS - EDITOR DESPEDIDO
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
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FOTOS DO MIRROR ERAM FALSAS - EDITOR DESPEDIDO
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
Piers Morgan foi demitido de editor do «Daily Mirror» depois de se ter provado serem falsas as imagens publicadas pelo jornal como sendo de soldados britânicos e torturem prisionairos iraquianos. A BBC News sublinha que o jornal apresentou desculpas públicas ao batalhão acusado. Excerto: The newspaper released a statement saying: "The Daily Mirror published in good faith photographs which it absolutely believed were genuine images of British soldiers abusing an Iraqi prisoner.
"However there is now sufficient evidence to suggest that these pictures are fakes and that the Daily Mirror has been the subject of a calculated and malicious hoax.
"The Daily Mirror therefore apologises unreservedly for publishing the pictures and deeply regrets the reputational damage done to the QLR and the Army in Iraq.
"The paper will continue to cooperate fully with the investigation.
"The board of Trinity Mirror has decided that it would be inappropriate for Piers Morgan to continue in his role as editor of the Daily Mirror and he will therefore be stepping down with immediate effect."
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A DIFERENÇA
Existem três coisas que fazem toda a diferença num restaurante: o serviço, a qualidade e novidade da cozinha, e a conversa que a companhia proporciona. Às vezes nem me lembro das duas primeiras. Ainda há surpresas.
Existem três coisas que fazem toda a diferença num restaurante: o serviço, a qualidade e novidade da cozinha, e a conversa que a companhia proporciona. Às vezes nem me lembro das duas primeiras. Ainda há surpresas.
ESQUINA NO JORNAL
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
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ESQUINA NO JORNAL
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
Como hoje é sexta, «A Esquina» está no «Jornal de Negócios». Excertos:LIVROS – Tal como noutros países, «O Código Da Vinci», de Dan Brown, está no primeiro lugar dos livros mais vendidos em Portugal. A obra, entre outras coisas, debruça-se sobre a influência (muitas vezes escondida) de algumas sociedades secretas no mundo contemporâneo. É uma influência, como se poderá verificar no livro, apesar de ser uma obra de ficção, perfeitamente transversal. A força destas organizações em Portugal é também enorme – desde orgãos de poder (do central às maiores autarquias), passando pela banca ou pelos media. O pior é que é uma influência que se faz de forma camuflada, em nome de princípios sempre semi-escondidos, com objectivos as mais das vezes incompreensíveis fora do contexto do proveito próprio. Criadas, em tempos, para defender uma ideia ou garantir a possibilidade de se pensar livremente, a maioria destas sociedades acabou por se tornar numa cadeia de mecanismos de pressão e de limitação do livre pensamento (através da imposição de dogmas ou fidelidades), desenvolvendo entidades fortes, com uma enorme vantagem prática sobre outras formas de organização, nomeadamente os partidos: desde o início souberam o que era funcionar em rêde, conciliando influência com poder. A grande questão é que são núcleos externos à sociedade, fugindo ao seu controlo. Tornaram-se lobbies instrumentais para muita gente, já longe de qualquer ideial. É, no fundo, também, um entrave ao livre pensamento.
DISCOS – Uma consulta à lista dos discos mais vendidos em Portugal nas últimas semanas mostra na lista do «top ten» nomes como Diana Krall, José Mário Branco, Elis Regina, Norah Jones ou Caetano Veloso, já para não falar em Russell Watson. Que tem isto de especial, sendo estes seis exemplos nomes de referência? Será que o povo começou a comprar boa música e que o top passou a ter uma relação de qualidade (apesar de no caso do mais recente disco de Caetano e do de Watson isso ser mais que discutível...)?. Penso bem que a lista mostra outra coisa – os mais novos quase desertaram das discotecas - na lista apenas Anastasia, Evanescense e Black Eyed Peas reflectem o padrão de consumo típico de música de há três anos atrás. Ou seja, o que se torna evidente é que os adolescentes passaram a ir buscar a sua música à Internet, saindo das discotecas, e apenas os mais velhos (provavelmente por dificuldades no manuseamento da tecnologia) continuam a comprar discos em quantidade. O facto é que há uns anos atrás quase não se vendiam discos para público acima dos 35 anos, e que agora surgiu uma nova geração de artistas, muito baseada no soft jazz, que redespertou de para a compra de discos um público que não tinha esse hábito de consumo. Como sempre tem acontecido isto há-de ter consequências a outro nível – desde as play list das rádios até à própria programação de música na televisão. Aqui está uma coisa interessante de seguir.
maio 13, 2004
BLOGS COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
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BLOGS COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
Espreitem este artigo da Online Journalism Review sobre a importância dos Blogs como forma de comunicação nos tempos que correm. Excerto:Are Weblogs a passing fad or a revolutionary new form of communication and publishing? That's still an open question, but the presence of blogs in the academic environment makes it more likely that they'll survive and thrive in the long term.
Educational types aren't just using blogs to teach or spread their research. They are turning their research lens on Weblogs themselves, whether the context is within schools of law, journalism, communication or library science. Alex Halavais studied the group dynamic at Slashdot and the way bloggers followed the news. Kaye Trammell studied the political content of celebrity blogs. Jill Walker is studying timestamps on blogs and our modern obsession with time. And Cori Dauber both studies blogs and writes a feisty one.
Though these academic researchers and many others work within different departments at different universities, they are all what I call "blogologists" -- people who are studying the dynamic of blogs and trying to understand how they fit into our society. Not all of their research is related to journalism, because they see blogs as a much larger phenomenon that is changing our modes of communication and group thought. In fact, many of them downplay the effects bloggers have had on the media and discount the idea that bloggers are creating a new New Journalism.
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A VOZ
A voz não é sempre igual. Há uma voz ao vivo, de circunstãncia. Há uma voz ao vivo, mais pessoal, mais próxima. Há uma voz ao telefone. Há uma voz ao acordar. Há uma voz ao fim do dia. Adoro ouvir a evolução da voz. E adoro ser surpreendido por uma voz.
A voz não é sempre igual. Há uma voz ao vivo, de circunstãncia. Há uma voz ao vivo, mais pessoal, mais próxima. Há uma voz ao telefone. Há uma voz ao acordar. Há uma voz ao fim do dia. Adoro ouvir a evolução da voz. E adoro ser surpreendido por uma voz.
COISAS QUE IRRITAM
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
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COISAS QUE IRRITAM
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
A falta de indicações claras de direcções um pouco por todo o país, dentro das vilas e cidades. E, sobretudo, a dificuldae em descobrir, na generalidade das cidades e vilas (a começar por Lisboa) o nome das ruas. Aquelas placas nas esquinas dos prédios, em lugar incerto nas mais das vezes, são um desespero total.
maio 12, 2004
POIS É
Não perder a inteligente nota do Homem A Dias, do Alberto Gonçalves, sobre o infeliz e recente disco de Caetano Veloso: Bonitinho mas ordinário
É chato acontecer numa altura em que ele elogia o fatito novo do Homem a Dias, mas uma vez na vida eu haveria de discordar do Ricardo Gross. O Foreign Sound do Caetano é, reconheço, bonitinho. Aliás, é a coisa mais bonitinha, indigente e inócua produzida por um sujeito de talento nos últimos anos.
Arriscando a que me partam um violoncelo na cabeça, aproveito ainda para culpar o sr. Jacques Morelbaum. A colaboração deste senhor com Caetano Veloso, que já vai longa, produziu, por junto, um grande disco (Livro), e bocados de outros dois (O Quatrilho e Noites do Norte). No mais, tornou-se fórmula, cansativa e aconselhável a átrio de hotel.
Tenho, é claro, saudades do Caetano da Tropicália, o melhor de todos. Mas por este andar começo a lembrar com nostalgia as fases (só) aparentemente desorientadas de Cores, Nomes ou Velô: é preferível o falhanço heróico ao aborrecimento de ciência certa.
Não perder a inteligente nota do Homem A Dias, do Alberto Gonçalves, sobre o infeliz e recente disco de Caetano Veloso: Bonitinho mas ordinário
É chato acontecer numa altura em que ele elogia o fatito novo do Homem a Dias, mas uma vez na vida eu haveria de discordar do Ricardo Gross. O Foreign Sound do Caetano é, reconheço, bonitinho. Aliás, é a coisa mais bonitinha, indigente e inócua produzida por um sujeito de talento nos últimos anos.
Arriscando a que me partam um violoncelo na cabeça, aproveito ainda para culpar o sr. Jacques Morelbaum. A colaboração deste senhor com Caetano Veloso, que já vai longa, produziu, por junto, um grande disco (Livro), e bocados de outros dois (O Quatrilho e Noites do Norte). No mais, tornou-se fórmula, cansativa e aconselhável a átrio de hotel.
Tenho, é claro, saudades do Caetano da Tropicália, o melhor de todos. Mas por este andar começo a lembrar com nostalgia as fases (só) aparentemente desorientadas de Cores, Nomes ou Velô: é preferível o falhanço heróico ao aborrecimento de ciência certa.
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POIS É
Não perder a inteligente nota do Homem A Dias, do Alberto Gonçalves, sobre o infeliz e recente disco de Caetano Veloso: Bonitinho mas ordinário
É chato acontecer numa altura em que ele elogia o fatito novo do Homem a Dias, mas uma vez na vida eu haveria de discordar do Ricardo Gross. O Foreign Sound do Caetano é, reconheço, bonitinho. Aliás, é a coisa mais bonitinha, indigente e inócua produzida por um sujeito de talento nos últimos anos.
Arriscando a que me partam um violoncelo na cabeça, aproveito ainda para culpar o sr. Jacques Morelbaum. A colaboração deste senhor com Caetano Veloso, que já vai longa, produziu, por junto, um grande disco (Livro), e bocados de outros dois (O Quatrilho e Noites do Norte). No mais, tornou-se fórmula, cansativa e aconselhável a átrio de hotel.
Tenho, é claro, saudades do Caetano da Tropicália, o melhor de todos. Mas por este andar começo a lembrar com nostalgia as fases (só) aparentemente desorientadas de Cores, Nomes ou Velô: é preferível o falhanço heróico ao aborrecimento de ciência certa.
Não perder a inteligente nota do Homem A Dias, do Alberto Gonçalves, sobre o infeliz e recente disco de Caetano Veloso: Bonitinho mas ordinário
É chato acontecer numa altura em que ele elogia o fatito novo do Homem a Dias, mas uma vez na vida eu haveria de discordar do Ricardo Gross. O Foreign Sound do Caetano é, reconheço, bonitinho. Aliás, é a coisa mais bonitinha, indigente e inócua produzida por um sujeito de talento nos últimos anos.
Arriscando a que me partam um violoncelo na cabeça, aproveito ainda para culpar o sr. Jacques Morelbaum. A colaboração deste senhor com Caetano Veloso, que já vai longa, produziu, por junto, um grande disco (Livro), e bocados de outros dois (O Quatrilho e Noites do Norte). No mais, tornou-se fórmula, cansativa e aconselhável a átrio de hotel.
Tenho, é claro, saudades do Caetano da Tropicália, o melhor de todos. Mas por este andar começo a lembrar com nostalgia as fases (só) aparentemente desorientadas de Cores, Nomes ou Velô: é preferível o falhanço heróico ao aborrecimento de ciência certa.
JOGO E ESTUDO
Sérá que os jogos electrónicos têm efeitos positivos no estudo? Um artigo da Wired diz que sim. Excertos:LOS ANGELES -- The conventional wisdom about the video-game industry is that it's all about entertainment. But a group of 350 game designers, educators and government officials think that games can be used as a tool to teach critical thinking, and in the process, improve American education.
To Henry Jenkins, host of the Education Arcade symposium held here before the Electronic Entertainment Expo, the connection is clear. He said he remembers that during the 1996 presidential campaign, he gave his son a Doonesbury election game to play.
"My son, predictably enough, disappeared into his room, never to be seen from again," said Jenkins. "When he came out, my wife and I were watching election coverage on CNN. And he said, 'Oh, I get it, Dole is in New York, Kemp is in Illinois ... they're all in high electoral-value states. And he was suddenly explaining to us something that most Americans didn't figure out until after Florida 2000."
Sérá que os jogos electrónicos têm efeitos positivos no estudo? Um artigo da Wired diz que sim. Excertos:LOS ANGELES -- The conventional wisdom about the video-game industry is that it's all about entertainment. But a group of 350 game designers, educators and government officials think that games can be used as a tool to teach critical thinking, and in the process, improve American education.
To Henry Jenkins, host of the Education Arcade symposium held here before the Electronic Entertainment Expo, the connection is clear. He said he remembers that during the 1996 presidential campaign, he gave his son a Doonesbury election game to play.
"My son, predictably enough, disappeared into his room, never to be seen from again," said Jenkins. "When he came out, my wife and I were watching election coverage on CNN. And he said, 'Oh, I get it, Dole is in New York, Kemp is in Illinois ... they're all in high electoral-value states. And he was suddenly explaining to us something that most Americans didn't figure out until after Florida 2000."
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JOGO E ESTUDO
Sérá que os jogos electrónicos têm efeitos positivos no estudo? Um artigo da Wired diz que sim. Excertos:LOS ANGELES -- The conventional wisdom about the video-game industry is that it's all about entertainment. But a group of 350 game designers, educators and government officials think that games can be used as a tool to teach critical thinking, and in the process, improve American education.
To Henry Jenkins, host of the Education Arcade symposium held here before the Electronic Entertainment Expo, the connection is clear. He said he remembers that during the 1996 presidential campaign, he gave his son a Doonesbury election game to play.
"My son, predictably enough, disappeared into his room, never to be seen from again," said Jenkins. "When he came out, my wife and I were watching election coverage on CNN. And he said, 'Oh, I get it, Dole is in New York, Kemp is in Illinois ... they're all in high electoral-value states. And he was suddenly explaining to us something that most Americans didn't figure out until after Florida 2000."
Sérá que os jogos electrónicos têm efeitos positivos no estudo? Um artigo da Wired diz que sim. Excertos:LOS ANGELES -- The conventional wisdom about the video-game industry is that it's all about entertainment. But a group of 350 game designers, educators and government officials think that games can be used as a tool to teach critical thinking, and in the process, improve American education.
To Henry Jenkins, host of the Education Arcade symposium held here before the Electronic Entertainment Expo, the connection is clear. He said he remembers that during the 1996 presidential campaign, he gave his son a Doonesbury election game to play.
"My son, predictably enough, disappeared into his room, never to be seen from again," said Jenkins. "When he came out, my wife and I were watching election coverage on CNN. And he said, 'Oh, I get it, Dole is in New York, Kemp is in Illinois ... they're all in high electoral-value states. And he was suddenly explaining to us something that most Americans didn't figure out until after Florida 2000."
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PERGUNTAS INOCENTES - 1
Qual deve ser o objectivo estratégico de uma empresa de comunicação?
Qual deve ser o objectivo estratégico de uma empresa de comunicação?
PORQUÊ?
Porque é que os Iraquianos estão a reagir como reagem? Ora eleiam lá este artigo da New Yorker, que vale bem a pena conhecer. Excerto:Before the American invasion of Iraq, Dr. Shaker said, only one murder victim arrived at the city morgue each month. This statistic underscores two conditions of Iraqi life under Saddam Hussein: the state had a near-monopoly on killing, and most of the victims of the state disappeared into unmarked mass graves. One unintended effect of Iraq’s liberation from Baathist tyranny has been the widespread dispersal of violence. In occupied Iraq, between fifteen and twenty-five murder victims arrive at the Baghdad morgue daily, most of them with gunshot wounds. Shaker estimated that five cases a week involve Baathists executed in reprisal killings; their families typically retrieve the bodies without informing the police. With barely functioning courts, a weak, ill-trained, and often corrupt new police force, a foreign occupier that has failed to provide security, and a pervasive atmosphere of lawlessness, Iraqis don’t expect the justice that was denied them during the reign of Saddam Hussein to materialize anytime soon.
Porque é que os Iraquianos estão a reagir como reagem? Ora eleiam lá este artigo da New Yorker, que vale bem a pena conhecer. Excerto:Before the American invasion of Iraq, Dr. Shaker said, only one murder victim arrived at the city morgue each month. This statistic underscores two conditions of Iraqi life under Saddam Hussein: the state had a near-monopoly on killing, and most of the victims of the state disappeared into unmarked mass graves. One unintended effect of Iraq’s liberation from Baathist tyranny has been the widespread dispersal of violence. In occupied Iraq, between fifteen and twenty-five murder victims arrive at the Baghdad morgue daily, most of them with gunshot wounds. Shaker estimated that five cases a week involve Baathists executed in reprisal killings; their families typically retrieve the bodies without informing the police. With barely functioning courts, a weak, ill-trained, and often corrupt new police force, a foreign occupier that has failed to provide security, and a pervasive atmosphere of lawlessness, Iraqis don’t expect the justice that was denied them during the reign of Saddam Hussein to materialize anytime soon.
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PORQUÊ?
Porque é que os Iraquianos estão a reagir como reagem? Ora eleiam lá este artigo da New Yorker, que vale bem a pena conhecer. Excerto:Before the American invasion of Iraq, Dr. Shaker said, only one murder victim arrived at the city morgue each month. This statistic underscores two conditions of Iraqi life under Saddam Hussein: the state had a near-monopoly on killing, and most of the victims of the state disappeared into unmarked mass graves. One unintended effect of Iraq’s liberation from Baathist tyranny has been the widespread dispersal of violence. In occupied Iraq, between fifteen and twenty-five murder victims arrive at the Baghdad morgue daily, most of them with gunshot wounds. Shaker estimated that five cases a week involve Baathists executed in reprisal killings; their families typically retrieve the bodies without informing the police. With barely functioning courts, a weak, ill-trained, and often corrupt new police force, a foreign occupier that has failed to provide security, and a pervasive atmosphere of lawlessness, Iraqis don’t expect the justice that was denied them during the reign of Saddam Hussein to materialize anytime soon.
Porque é que os Iraquianos estão a reagir como reagem? Ora eleiam lá este artigo da New Yorker, que vale bem a pena conhecer. Excerto:Before the American invasion of Iraq, Dr. Shaker said, only one murder victim arrived at the city morgue each month. This statistic underscores two conditions of Iraqi life under Saddam Hussein: the state had a near-monopoly on killing, and most of the victims of the state disappeared into unmarked mass graves. One unintended effect of Iraq’s liberation from Baathist tyranny has been the widespread dispersal of violence. In occupied Iraq, between fifteen and twenty-five murder victims arrive at the Baghdad morgue daily, most of them with gunshot wounds. Shaker estimated that five cases a week involve Baathists executed in reprisal killings; their families typically retrieve the bodies without informing the police. With barely functioning courts, a weak, ill-trained, and often corrupt new police force, a foreign occupier that has failed to provide security, and a pervasive atmosphere of lawlessness, Iraqis don’t expect the justice that was denied them during the reign of Saddam Hussein to materialize anytime soon.
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POESIA ENÉRGICA
Impetuoso, o teu corpo é como um rio
Onde o meu se perde.
Se escuto só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
Irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei
E nele o céu fica mais perto.
(Eugénio de Andrade)
Impetuoso, o teu corpo é como um rio
Onde o meu se perde.
Se escuto só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
Irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei
E nele o céu fica mais perto.
(Eugénio de Andrade)
maio 11, 2004
E AS FOTOS?
E se as fotografias que o «Daily Mirror» publicou sobre o Iraque fossem falsas? Quem faz a pergunta é o Spectator.
Excerto:Are the Daily Mirror’s torture pictures fakes? Most of my friends, whether anti-war or pro-war, think that they probably are. Such is my own inclination. But let us for a moment try to see things from the point of view of Piers Morgan, the Mirror’s editor. Whatever fine words Nicholas Soames may declaim in the House of Commons, the British army has, in fact, used torture in other civil emergencies. Look at what the Black and Tans did in Ireland before partition. Or the torture and murder of Mau Mau detainees, more strictly by the British prison authorities, at Hola Camp in Kenya. These things have happened. Nor is the depiction of the British squaddie as a public-spirited, gentle-hearted chap necessarily always correct. I have come across quite a few members of Her Majesty’s forces in my travels and, although I yield to no one in my admiration of our army, it cannot be denied that some of them are hard nuts, often recruited in the bleak streets of our northern cities. You would not want to get on the wrong side of these men, though it does not follow, of course, that they would resort to torture.
....
Why had he not previously published these pictures? Perhaps because he was not absolutely sure that they were genuine. And also because he realised that making them public could provoke angry Iraqis into attacking British soldiers. Do not assume that Mr Morgan is a wicked man. Then, last Friday, several British newspapers carried the photographs from Abu Ghraib prison. (Interestingly, the fanatically pro-war Sun did not use any of them, while the pro-war Times and Daily Telegraph tucked them away inside. American newspapers, including even the Washington Post, were initially similarly restrained). When Mr Morgan saw the Abu Ghraib pictures, he evidently persuaded himself that he should run the British ones, for which he had paid an as yet undisclosed sum of money. In the heat of the moment, any lingering doubts about their authenticity were removed. So too were concerns about a possible backlash against British soldiers in Iraq. The Daily Mirror, after all, has been consistently anti-war. And Mr Morgan is in the business of selling newspapers.
Some people may say that even if these photographs are genuine they should not have been published. That is a very difficult argument to sustain. If British soldiers are employing torture, most us would want to be told about it, even if as a consequence other British soldiers were put at risk from retaliation. But are they genuine? As has been pointed out, they have a stagy, contrived feel. The rifle being used to prod the Iraqi prisoner is implausibly clean, and he looks well fed and generally unbattered. What is supposed to be a stream of urine being directed at him resembles the last droplets of water being squeezed from a rather ineffective water pistol. The Daily Mirror has rebutted the suggestion that the soldier’s boots are laced in a way proscribed by the British army, and it has also knocked down the claim that British soldiers in Iraq do not wear floppy hats such as the one in the picture. Nevertheless, many of the anomalies in the photographs have not been satisfactorily explained.
It seems likely they are fakes. If this turns out to be the case, Mr Morgan will obviously have to resign. The trouble is that the damage will have been done, and most Iraqis will not believe the judgment of the British authorities that the pictures are not genuine. It is possible that the Royal Military Police will never establish the truth. One can also imagine Mr Morgan falling back on the defence that the British soldiers were re-enacting an earlier incident which they knew to have happened, and that these pictures, though not recording an exact event, were dramatically correct. This would be a threadbare argument which would convince no one. Either these photographs capture what actually happened, or they do not. There is no intellectually respectable middle way. If they are genuine, Mr Morgan will be celebrated for his decision to publish them. My feeling is that they are probably false, and my guess is that they will be shown to be so. Mr Morgan is a talented journalist who has contributed to the gaiety of Fleet Street. But the lack of judgment that has stalked him throughout his career may have finally caught up with him.
E se as fotografias que o «Daily Mirror» publicou sobre o Iraque fossem falsas? Quem faz a pergunta é o Spectator.
Excerto:Are the Daily Mirror’s torture pictures fakes? Most of my friends, whether anti-war or pro-war, think that they probably are. Such is my own inclination. But let us for a moment try to see things from the point of view of Piers Morgan, the Mirror’s editor. Whatever fine words Nicholas Soames may declaim in the House of Commons, the British army has, in fact, used torture in other civil emergencies. Look at what the Black and Tans did in Ireland before partition. Or the torture and murder of Mau Mau detainees, more strictly by the British prison authorities, at Hola Camp in Kenya. These things have happened. Nor is the depiction of the British squaddie as a public-spirited, gentle-hearted chap necessarily always correct. I have come across quite a few members of Her Majesty’s forces in my travels and, although I yield to no one in my admiration of our army, it cannot be denied that some of them are hard nuts, often recruited in the bleak streets of our northern cities. You would not want to get on the wrong side of these men, though it does not follow, of course, that they would resort to torture.
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Why had he not previously published these pictures? Perhaps because he was not absolutely sure that they were genuine. And also because he realised that making them public could provoke angry Iraqis into attacking British soldiers. Do not assume that Mr Morgan is a wicked man. Then, last Friday, several British newspapers carried the photographs from Abu Ghraib prison. (Interestingly, the fanatically pro-war Sun did not use any of them, while the pro-war Times and Daily Telegraph tucked them away inside. American newspapers, including even the Washington Post, were initially similarly restrained). When Mr Morgan saw the Abu Ghraib pictures, he evidently persuaded himself that he should run the British ones, for which he had paid an as yet undisclosed sum of money. In the heat of the moment, any lingering doubts about their authenticity were removed. So too were concerns about a possible backlash against British soldiers in Iraq. The Daily Mirror, after all, has been consistently anti-war. And Mr Morgan is in the business of selling newspapers.
Some people may say that even if these photographs are genuine they should not have been published. That is a very difficult argument to sustain. If British soldiers are employing torture, most us would want to be told about it, even if as a consequence other British soldiers were put at risk from retaliation. But are they genuine? As has been pointed out, they have a stagy, contrived feel. The rifle being used to prod the Iraqi prisoner is implausibly clean, and he looks well fed and generally unbattered. What is supposed to be a stream of urine being directed at him resembles the last droplets of water being squeezed from a rather ineffective water pistol. The Daily Mirror has rebutted the suggestion that the soldier’s boots are laced in a way proscribed by the British army, and it has also knocked down the claim that British soldiers in Iraq do not wear floppy hats such as the one in the picture. Nevertheless, many of the anomalies in the photographs have not been satisfactorily explained.
It seems likely they are fakes. If this turns out to be the case, Mr Morgan will obviously have to resign. The trouble is that the damage will have been done, and most Iraqis will not believe the judgment of the British authorities that the pictures are not genuine. It is possible that the Royal Military Police will never establish the truth. One can also imagine Mr Morgan falling back on the defence that the British soldiers were re-enacting an earlier incident which they knew to have happened, and that these pictures, though not recording an exact event, were dramatically correct. This would be a threadbare argument which would convince no one. Either these photographs capture what actually happened, or they do not. There is no intellectually respectable middle way. If they are genuine, Mr Morgan will be celebrated for his decision to publish them. My feeling is that they are probably false, and my guess is that they will be shown to be so. Mr Morgan is a talented journalist who has contributed to the gaiety of Fleet Street. But the lack of judgment that has stalked him throughout his career may have finally caught up with him.
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E AS FOTOS?
E se as fotografias que o «Daily Mirror» publicou sobre o Iraque fossem falsas? Quem faz a pergunta é o Spectator.
Excerto:Are the Daily Mirror’s torture pictures fakes? Most of my friends, whether anti-war or pro-war, think that they probably are. Such is my own inclination. But let us for a moment try to see things from the point of view of Piers Morgan, the Mirror’s editor. Whatever fine words Nicholas Soames may declaim in the House of Commons, the British army has, in fact, used torture in other civil emergencies. Look at what the Black and Tans did in Ireland before partition. Or the torture and murder of Mau Mau detainees, more strictly by the British prison authorities, at Hola Camp in Kenya. These things have happened. Nor is the depiction of the British squaddie as a public-spirited, gentle-hearted chap necessarily always correct. I have come across quite a few members of Her Majesty’s forces in my travels and, although I yield to no one in my admiration of our army, it cannot be denied that some of them are hard nuts, often recruited in the bleak streets of our northern cities. You would not want to get on the wrong side of these men, though it does not follow, of course, that they would resort to torture.
....
Why had he not previously published these pictures? Perhaps because he was not absolutely sure that they were genuine. And also because he realised that making them public could provoke angry Iraqis into attacking British soldiers. Do not assume that Mr Morgan is a wicked man. Then, last Friday, several British newspapers carried the photographs from Abu Ghraib prison. (Interestingly, the fanatically pro-war Sun did not use any of them, while the pro-war Times and Daily Telegraph tucked them away inside. American newspapers, including even the Washington Post, were initially similarly restrained). When Mr Morgan saw the Abu Ghraib pictures, he evidently persuaded himself that he should run the British ones, for which he had paid an as yet undisclosed sum of money. In the heat of the moment, any lingering doubts about their authenticity were removed. So too were concerns about a possible backlash against British soldiers in Iraq. The Daily Mirror, after all, has been consistently anti-war. And Mr Morgan is in the business of selling newspapers.
Some people may say that even if these photographs are genuine they should not have been published. That is a very difficult argument to sustain. If British soldiers are employing torture, most us would want to be told about it, even if as a consequence other British soldiers were put at risk from retaliation. But are they genuine? As has been pointed out, they have a stagy, contrived feel. The rifle being used to prod the Iraqi prisoner is implausibly clean, and he looks well fed and generally unbattered. What is supposed to be a stream of urine being directed at him resembles the last droplets of water being squeezed from a rather ineffective water pistol. The Daily Mirror has rebutted the suggestion that the soldier’s boots are laced in a way proscribed by the British army, and it has also knocked down the claim that British soldiers in Iraq do not wear floppy hats such as the one in the picture. Nevertheless, many of the anomalies in the photographs have not been satisfactorily explained.
It seems likely they are fakes. If this turns out to be the case, Mr Morgan will obviously have to resign. The trouble is that the damage will have been done, and most Iraqis will not believe the judgment of the British authorities that the pictures are not genuine. It is possible that the Royal Military Police will never establish the truth. One can also imagine Mr Morgan falling back on the defence that the British soldiers were re-enacting an earlier incident which they knew to have happened, and that these pictures, though not recording an exact event, were dramatically correct. This would be a threadbare argument which would convince no one. Either these photographs capture what actually happened, or they do not. There is no intellectually respectable middle way. If they are genuine, Mr Morgan will be celebrated for his decision to publish them. My feeling is that they are probably false, and my guess is that they will be shown to be so. Mr Morgan is a talented journalist who has contributed to the gaiety of Fleet Street. But the lack of judgment that has stalked him throughout his career may have finally caught up with him.
E se as fotografias que o «Daily Mirror» publicou sobre o Iraque fossem falsas? Quem faz a pergunta é o Spectator.
Excerto:Are the Daily Mirror’s torture pictures fakes? Most of my friends, whether anti-war or pro-war, think that they probably are. Such is my own inclination. But let us for a moment try to see things from the point of view of Piers Morgan, the Mirror’s editor. Whatever fine words Nicholas Soames may declaim in the House of Commons, the British army has, in fact, used torture in other civil emergencies. Look at what the Black and Tans did in Ireland before partition. Or the torture and murder of Mau Mau detainees, more strictly by the British prison authorities, at Hola Camp in Kenya. These things have happened. Nor is the depiction of the British squaddie as a public-spirited, gentle-hearted chap necessarily always correct. I have come across quite a few members of Her Majesty’s forces in my travels and, although I yield to no one in my admiration of our army, it cannot be denied that some of them are hard nuts, often recruited in the bleak streets of our northern cities. You would not want to get on the wrong side of these men, though it does not follow, of course, that they would resort to torture.
....
Why had he not previously published these pictures? Perhaps because he was not absolutely sure that they were genuine. And also because he realised that making them public could provoke angry Iraqis into attacking British soldiers. Do not assume that Mr Morgan is a wicked man. Then, last Friday, several British newspapers carried the photographs from Abu Ghraib prison. (Interestingly, the fanatically pro-war Sun did not use any of them, while the pro-war Times and Daily Telegraph tucked them away inside. American newspapers, including even the Washington Post, were initially similarly restrained). When Mr Morgan saw the Abu Ghraib pictures, he evidently persuaded himself that he should run the British ones, for which he had paid an as yet undisclosed sum of money. In the heat of the moment, any lingering doubts about their authenticity were removed. So too were concerns about a possible backlash against British soldiers in Iraq. The Daily Mirror, after all, has been consistently anti-war. And Mr Morgan is in the business of selling newspapers.
Some people may say that even if these photographs are genuine they should not have been published. That is a very difficult argument to sustain. If British soldiers are employing torture, most us would want to be told about it, even if as a consequence other British soldiers were put at risk from retaliation. But are they genuine? As has been pointed out, they have a stagy, contrived feel. The rifle being used to prod the Iraqi prisoner is implausibly clean, and he looks well fed and generally unbattered. What is supposed to be a stream of urine being directed at him resembles the last droplets of water being squeezed from a rather ineffective water pistol. The Daily Mirror has rebutted the suggestion that the soldier’s boots are laced in a way proscribed by the British army, and it has also knocked down the claim that British soldiers in Iraq do not wear floppy hats such as the one in the picture. Nevertheless, many of the anomalies in the photographs have not been satisfactorily explained.
It seems likely they are fakes. If this turns out to be the case, Mr Morgan will obviously have to resign. The trouble is that the damage will have been done, and most Iraqis will not believe the judgment of the British authorities that the pictures are not genuine. It is possible that the Royal Military Police will never establish the truth. One can also imagine Mr Morgan falling back on the defence that the British soldiers were re-enacting an earlier incident which they knew to have happened, and that these pictures, though not recording an exact event, were dramatically correct. This would be a threadbare argument which would convince no one. Either these photographs capture what actually happened, or they do not. There is no intellectually respectable middle way. If they are genuine, Mr Morgan will be celebrated for his decision to publish them. My feeling is that they are probably false, and my guess is that they will be shown to be so. Mr Morgan is a talented journalist who has contributed to the gaiety of Fleet Street. But the lack of judgment that has stalked him throughout his career may have finally caught up with him.
maio 10, 2004
A NÃO PERDER
A série de artigos de Carlos Coelho (o Presidente da Brandia) sobre os novos heróis lusitanos, exemplos a seguir nesta terra - todas as sextas no Diário Económico. O artigo desta semana é sobre um bodyboarder português, Manuel Centeno. Excerto: No Circuito Europeu, nos Top-16 mais de metade são portugueses. Há três anos, no Havai nem se sabia onde era Portugal. Hoje, o país é reconhecido como uma potência, pela qualidade dos seus atletas e também das suas praias - um exemplo é a Supertubos, em Peniche, que, segundo a Surf Europe, tem as melhores ondas da Europa.
Os ‘bodyboarders’ portugueses têm uma raça especial, a Portuguesa. Lutam, empenham-se, são elogiados em todo o mundo pela sua cultura, iniciativa, esforço e dedicação, tornaram-se numa referência internacional.
Em termos mundiais, estamos ao nível dos melhores. Em termos europeus, estamos francamente à frente, apoiados apenas pela determinação de nomes como Rui Ferreira, Hugo Pinheiro, Gonçalo Faria, Catarina Sousa e Dora Gomes (campeã europeia), que projectam o nome de Portugal numa modalidade desprezada pelos organismos estatais, mas em que Portugal de facto consegue apresentar resultados concretos bem mais relevantes do que os da maior parte das outras modalidades desportivas.
Apenas Sintra, com o SintraPro, apostou na modalidade, tornando a prova da Praia Grande aquela que apresenta maior premiação em todo o mundo.
Depois dos resultados obtidos, os organismos oficiais deveriam olhar para esta modalidade como uma mais-valia para Portugal, uma marca para o nosso país, até porque explora uma das suas grandes equities, o mar.
Mais detelahes em Portugal Genial
A série de artigos de Carlos Coelho (o Presidente da Brandia) sobre os novos heróis lusitanos, exemplos a seguir nesta terra - todas as sextas no Diário Económico. O artigo desta semana é sobre um bodyboarder português, Manuel Centeno. Excerto: No Circuito Europeu, nos Top-16 mais de metade são portugueses. Há três anos, no Havai nem se sabia onde era Portugal. Hoje, o país é reconhecido como uma potência, pela qualidade dos seus atletas e também das suas praias - um exemplo é a Supertubos, em Peniche, que, segundo a Surf Europe, tem as melhores ondas da Europa.
Os ‘bodyboarders’ portugueses têm uma raça especial, a Portuguesa. Lutam, empenham-se, são elogiados em todo o mundo pela sua cultura, iniciativa, esforço e dedicação, tornaram-se numa referência internacional.
Em termos mundiais, estamos ao nível dos melhores. Em termos europeus, estamos francamente à frente, apoiados apenas pela determinação de nomes como Rui Ferreira, Hugo Pinheiro, Gonçalo Faria, Catarina Sousa e Dora Gomes (campeã europeia), que projectam o nome de Portugal numa modalidade desprezada pelos organismos estatais, mas em que Portugal de facto consegue apresentar resultados concretos bem mais relevantes do que os da maior parte das outras modalidades desportivas.
Apenas Sintra, com o SintraPro, apostou na modalidade, tornando a prova da Praia Grande aquela que apresenta maior premiação em todo o mundo.
Depois dos resultados obtidos, os organismos oficiais deveriam olhar para esta modalidade como uma mais-valia para Portugal, uma marca para o nosso país, até porque explora uma das suas grandes equities, o mar.
Mais detelahes em Portugal Genial
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A NÃO PERDER
A série de artigos de Carlos Coelho (o Presidente da Brandia) sobre os novos heróis lusitanos, exemplos a seguir nesta terra - todas as sextas no Diário Económico. O artigo desta semana é sobre um bodyboarder português, Manuel Centeno. Excerto: No Circuito Europeu, nos Top-16 mais de metade são portugueses. Há três anos, no Havai nem se sabia onde era Portugal. Hoje, o país é reconhecido como uma potência, pela qualidade dos seus atletas e também das suas praias - um exemplo é a Supertubos, em Peniche, que, segundo a Surf Europe, tem as melhores ondas da Europa.
Os ‘bodyboarders’ portugueses têm uma raça especial, a Portuguesa. Lutam, empenham-se, são elogiados em todo o mundo pela sua cultura, iniciativa, esforço e dedicação, tornaram-se numa referência internacional.
Em termos mundiais, estamos ao nível dos melhores. Em termos europeus, estamos francamente à frente, apoiados apenas pela determinação de nomes como Rui Ferreira, Hugo Pinheiro, Gonçalo Faria, Catarina Sousa e Dora Gomes (campeã europeia), que projectam o nome de Portugal numa modalidade desprezada pelos organismos estatais, mas em que Portugal de facto consegue apresentar resultados concretos bem mais relevantes do que os da maior parte das outras modalidades desportivas.
Apenas Sintra, com o SintraPro, apostou na modalidade, tornando a prova da Praia Grande aquela que apresenta maior premiação em todo o mundo.
Depois dos resultados obtidos, os organismos oficiais deveriam olhar para esta modalidade como uma mais-valia para Portugal, uma marca para o nosso país, até porque explora uma das suas grandes equities, o mar.
Mais detelahes em Portugal Genial
A série de artigos de Carlos Coelho (o Presidente da Brandia) sobre os novos heróis lusitanos, exemplos a seguir nesta terra - todas as sextas no Diário Económico. O artigo desta semana é sobre um bodyboarder português, Manuel Centeno. Excerto: No Circuito Europeu, nos Top-16 mais de metade são portugueses. Há três anos, no Havai nem se sabia onde era Portugal. Hoje, o país é reconhecido como uma potência, pela qualidade dos seus atletas e também das suas praias - um exemplo é a Supertubos, em Peniche, que, segundo a Surf Europe, tem as melhores ondas da Europa.
Os ‘bodyboarders’ portugueses têm uma raça especial, a Portuguesa. Lutam, empenham-se, são elogiados em todo o mundo pela sua cultura, iniciativa, esforço e dedicação, tornaram-se numa referência internacional.
Em termos mundiais, estamos ao nível dos melhores. Em termos europeus, estamos francamente à frente, apoiados apenas pela determinação de nomes como Rui Ferreira, Hugo Pinheiro, Gonçalo Faria, Catarina Sousa e Dora Gomes (campeã europeia), que projectam o nome de Portugal numa modalidade desprezada pelos organismos estatais, mas em que Portugal de facto consegue apresentar resultados concretos bem mais relevantes do que os da maior parte das outras modalidades desportivas.
Apenas Sintra, com o SintraPro, apostou na modalidade, tornando a prova da Praia Grande aquela que apresenta maior premiação em todo o mundo.
Depois dos resultados obtidos, os organismos oficiais deveriam olhar para esta modalidade como uma mais-valia para Portugal, uma marca para o nosso país, até porque explora uma das suas grandes equities, o mar.
Mais detelahes em Portugal Genial
ESPECTÁCULO
Por muitas voltas que dê não me consigo convencer com aquilo a que se chama informação espectáculo. Tivemos uma overdose dessa brincadeira na passada quarta-feira: uma estava orquestrada e tinha a ver com o jogo do Porto contra o Corunha; a outra foi fruto das circunstãncias e girou à volta da situação de Carlos Cruz. Em ambos os casos exagerou-se para além do suportável. Os repórteres (será bem aplicado este nome?) que estão nestes locais em directo fazem perguntas que, na maioria dos casos, são um manual de asneira. Que interesse tem o percurso da auto-estrada Lisboa-Cascais atrás do carro do advogado de Carlos Cruz? Qual o sentido de entrevistas de rua a perguntar aos adeptos do Corunha qual o resultado que querem?
Quem tivesse de assistir à maioria da informação de quarta-feira passada achava que o mundo se reduzia à situação prisional de Carlos Cruz e ao Futebol. A importante visita de Zapatero a Lisboa foi apagada, os acontecimentos internacionais desapareceram, deixou de se falar dos maus tratos a prisioneiros no Iraque. A leitura dos jornais de quinta-feira de manhã faz um contraste gigantesco com o que a maioria dos telejornais de véspera passaram. Assim a televisão não serve para informar, apenas para deformar a realidade.
OPORTUNIDADE
Algumas peças de faiança feitas a propósito do próximo casamento real em Espanha foram imaginadas e fabricadas por uma empresa portuguesa. Os responsáveis pela real boda escolheram-na pela qualidade da concepção e do fabrico e estão bastante contentes com a escolha que fizeram. Agora imaginem por um instante que se passava o contrário, que era um acontecimento oficial português que se abastecia em Espanha. Não haviam de faltar por aí herdeiros da Padeira de Aljubarrota a gritar contra a invasão, a alertar para os perigos da penetração económica espanhola em Portugal e a denunciar falta de aposta na indústria nacional. Acho que não estou a exagerar: há quem pense que é com a indignação hipócrita que se resolve este problema, em vez de pegar neste exemplo, no das empresas de moldes plásticos ou da GALP para mostrar como se pode expandir para mercados externos.
PRÉMIOS
A revista «Wired» divulgou as suas nomeações anuais em diversas áreas e alguns nomes pouco conhecidos convivem com celebridades. Exemplos: no cinema a escolha foi para Peter Jackson, o neo-zelandês responsável pelos efeitos especiais de «O Senhor dos Anéis»; o prémio «Renegado do Ano» foi para Steve Jobs, o CEO da Apple e da Pixar, por estar a alterar a forma como a era do entretenimento digital se desenvolverá; na literatura a escohida foi Rebecca Solnit pelo livro «River Of Shadows» que conta a evolução da ciência e das descobertas no século XX: na arte o nomeado foi o ex-Talking Head David Byrne pela sua utilização do software Power Point na criação de obras de artes plásticas; na política os destaques foram para Joe Trippi e Scott Heiferman, que na campanha de Howard Dean alteraram a forma de utilizar a internet para organizar campanhas e recolher fundos; na música a «Wired» destacou uma banda, os Flaming Lips pelo seu contributo par alterar a forma como a música chega ao público e suporte gravado, nomeadamente com o álbum «Yoshimi Battles the Pink Robots 5.1»; na televisão o escolhido foi Mike Lazzo, o criador de um slot de animação para adultos na cartoon Network, exibido nos Estados Unidos sob a designação «adult Swim» e que se tornou no programa mais visto no cabo por telespectadores entre os 18 e 34 anos.
DIF
Intitula-se «revista de tendências e guia cultural gratuto». A edição de Abril deste ano é a número 17. Não tenho a menor hesitação em dizer que, graficamente, é a melhor publicação portuguesa actual. A meio caminho entre um catálogo de novidades de marcas e uma informação cuidada sobre áreas como o design, a música e a moda, a DIF (que pode ser encontrada em locais seleccionados) fala constantemente da actividade dos novos criadores portugueses (por exemplo mostra e primeira mão a futura decoração do Lux), tem páginas de publicidade deliciosas, mas tem também boas ideias editorias, como o especial sobre jogos electrónicos da edição de Abril. Um guia-roteiro cuidado e legível e boas páginas de arquitectura, cinema, música e produções de moda fazem da DIF uma revista mesmo diferente – ainda por cima com uma qualidade de impressão invulgar. Podem descobrir mais um pouco em www.difmag.com .
Por muitas voltas que dê não me consigo convencer com aquilo a que se chama informação espectáculo. Tivemos uma overdose dessa brincadeira na passada quarta-feira: uma estava orquestrada e tinha a ver com o jogo do Porto contra o Corunha; a outra foi fruto das circunstãncias e girou à volta da situação de Carlos Cruz. Em ambos os casos exagerou-se para além do suportável. Os repórteres (será bem aplicado este nome?) que estão nestes locais em directo fazem perguntas que, na maioria dos casos, são um manual de asneira. Que interesse tem o percurso da auto-estrada Lisboa-Cascais atrás do carro do advogado de Carlos Cruz? Qual o sentido de entrevistas de rua a perguntar aos adeptos do Corunha qual o resultado que querem?
Quem tivesse de assistir à maioria da informação de quarta-feira passada achava que o mundo se reduzia à situação prisional de Carlos Cruz e ao Futebol. A importante visita de Zapatero a Lisboa foi apagada, os acontecimentos internacionais desapareceram, deixou de se falar dos maus tratos a prisioneiros no Iraque. A leitura dos jornais de quinta-feira de manhã faz um contraste gigantesco com o que a maioria dos telejornais de véspera passaram. Assim a televisão não serve para informar, apenas para deformar a realidade.
OPORTUNIDADE
Algumas peças de faiança feitas a propósito do próximo casamento real em Espanha foram imaginadas e fabricadas por uma empresa portuguesa. Os responsáveis pela real boda escolheram-na pela qualidade da concepção e do fabrico e estão bastante contentes com a escolha que fizeram. Agora imaginem por um instante que se passava o contrário, que era um acontecimento oficial português que se abastecia em Espanha. Não haviam de faltar por aí herdeiros da Padeira de Aljubarrota a gritar contra a invasão, a alertar para os perigos da penetração económica espanhola em Portugal e a denunciar falta de aposta na indústria nacional. Acho que não estou a exagerar: há quem pense que é com a indignação hipócrita que se resolve este problema, em vez de pegar neste exemplo, no das empresas de moldes plásticos ou da GALP para mostrar como se pode expandir para mercados externos.
PRÉMIOS
A revista «Wired» divulgou as suas nomeações anuais em diversas áreas e alguns nomes pouco conhecidos convivem com celebridades. Exemplos: no cinema a escolha foi para Peter Jackson, o neo-zelandês responsável pelos efeitos especiais de «O Senhor dos Anéis»; o prémio «Renegado do Ano» foi para Steve Jobs, o CEO da Apple e da Pixar, por estar a alterar a forma como a era do entretenimento digital se desenvolverá; na literatura a escohida foi Rebecca Solnit pelo livro «River Of Shadows» que conta a evolução da ciência e das descobertas no século XX: na arte o nomeado foi o ex-Talking Head David Byrne pela sua utilização do software Power Point na criação de obras de artes plásticas; na política os destaques foram para Joe Trippi e Scott Heiferman, que na campanha de Howard Dean alteraram a forma de utilizar a internet para organizar campanhas e recolher fundos; na música a «Wired» destacou uma banda, os Flaming Lips pelo seu contributo par alterar a forma como a música chega ao público e suporte gravado, nomeadamente com o álbum «Yoshimi Battles the Pink Robots 5.1»; na televisão o escolhido foi Mike Lazzo, o criador de um slot de animação para adultos na cartoon Network, exibido nos Estados Unidos sob a designação «adult Swim» e que se tornou no programa mais visto no cabo por telespectadores entre os 18 e 34 anos.
DIF
Intitula-se «revista de tendências e guia cultural gratuto». A edição de Abril deste ano é a número 17. Não tenho a menor hesitação em dizer que, graficamente, é a melhor publicação portuguesa actual. A meio caminho entre um catálogo de novidades de marcas e uma informação cuidada sobre áreas como o design, a música e a moda, a DIF (que pode ser encontrada em locais seleccionados) fala constantemente da actividade dos novos criadores portugueses (por exemplo mostra e primeira mão a futura decoração do Lux), tem páginas de publicidade deliciosas, mas tem também boas ideias editorias, como o especial sobre jogos electrónicos da edição de Abril. Um guia-roteiro cuidado e legível e boas páginas de arquitectura, cinema, música e produções de moda fazem da DIF uma revista mesmo diferente – ainda por cima com uma qualidade de impressão invulgar. Podem descobrir mais um pouco em www.difmag.com .
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ESPECTÁCULO
Por muitas voltas que dê não me consigo convencer com aquilo a que se chama informação espectáculo. Tivemos uma overdose dessa brincadeira na passada quarta-feira: uma estava orquestrada e tinha a ver com o jogo do Porto contra o Corunha; a outra foi fruto das circunstãncias e girou à volta da situação de Carlos Cruz. Em ambos os casos exagerou-se para além do suportável. Os repórteres (será bem aplicado este nome?) que estão nestes locais em directo fazem perguntas que, na maioria dos casos, são um manual de asneira. Que interesse tem o percurso da auto-estrada Lisboa-Cascais atrás do carro do advogado de Carlos Cruz? Qual o sentido de entrevistas de rua a perguntar aos adeptos do Corunha qual o resultado que querem?
Quem tivesse de assistir à maioria da informação de quarta-feira passada achava que o mundo se reduzia à situação prisional de Carlos Cruz e ao Futebol. A importante visita de Zapatero a Lisboa foi apagada, os acontecimentos internacionais desapareceram, deixou de se falar dos maus tratos a prisioneiros no Iraque. A leitura dos jornais de quinta-feira de manhã faz um contraste gigantesco com o que a maioria dos telejornais de véspera passaram. Assim a televisão não serve para informar, apenas para deformar a realidade.
OPORTUNIDADE
Algumas peças de faiança feitas a propósito do próximo casamento real em Espanha foram imaginadas e fabricadas por uma empresa portuguesa. Os responsáveis pela real boda escolheram-na pela qualidade da concepção e do fabrico e estão bastante contentes com a escolha que fizeram. Agora imaginem por um instante que se passava o contrário, que era um acontecimento oficial português que se abastecia em Espanha. Não haviam de faltar por aí herdeiros da Padeira de Aljubarrota a gritar contra a invasão, a alertar para os perigos da penetração económica espanhola em Portugal e a denunciar falta de aposta na indústria nacional. Acho que não estou a exagerar: há quem pense que é com a indignação hipócrita que se resolve este problema, em vez de pegar neste exemplo, no das empresas de moldes plásticos ou da GALP para mostrar como se pode expandir para mercados externos.
PRÉMIOS
A revista «Wired» divulgou as suas nomeações anuais em diversas áreas e alguns nomes pouco conhecidos convivem com celebridades. Exemplos: no cinema a escolha foi para Peter Jackson, o neo-zelandês responsável pelos efeitos especiais de «O Senhor dos Anéis»; o prémio «Renegado do Ano» foi para Steve Jobs, o CEO da Apple e da Pixar, por estar a alterar a forma como a era do entretenimento digital se desenvolverá; na literatura a escohida foi Rebecca Solnit pelo livro «River Of Shadows» que conta a evolução da ciência e das descobertas no século XX: na arte o nomeado foi o ex-Talking Head David Byrne pela sua utilização do software Power Point na criação de obras de artes plásticas; na política os destaques foram para Joe Trippi e Scott Heiferman, que na campanha de Howard Dean alteraram a forma de utilizar a internet para organizar campanhas e recolher fundos; na música a «Wired» destacou uma banda, os Flaming Lips pelo seu contributo par alterar a forma como a música chega ao público e suporte gravado, nomeadamente com o álbum «Yoshimi Battles the Pink Robots 5.1»; na televisão o escolhido foi Mike Lazzo, o criador de um slot de animação para adultos na cartoon Network, exibido nos Estados Unidos sob a designação «adult Swim» e que se tornou no programa mais visto no cabo por telespectadores entre os 18 e 34 anos.
DIF
Intitula-se «revista de tendências e guia cultural gratuto». A edição de Abril deste ano é a número 17. Não tenho a menor hesitação em dizer que, graficamente, é a melhor publicação portuguesa actual. A meio caminho entre um catálogo de novidades de marcas e uma informação cuidada sobre áreas como o design, a música e a moda, a DIF (que pode ser encontrada em locais seleccionados) fala constantemente da actividade dos novos criadores portugueses (por exemplo mostra e primeira mão a futura decoração do Lux), tem páginas de publicidade deliciosas, mas tem também boas ideias editorias, como o especial sobre jogos electrónicos da edição de Abril. Um guia-roteiro cuidado e legível e boas páginas de arquitectura, cinema, música e produções de moda fazem da DIF uma revista mesmo diferente – ainda por cima com uma qualidade de impressão invulgar. Podem descobrir mais um pouco em www.difmag.com .
Por muitas voltas que dê não me consigo convencer com aquilo a que se chama informação espectáculo. Tivemos uma overdose dessa brincadeira na passada quarta-feira: uma estava orquestrada e tinha a ver com o jogo do Porto contra o Corunha; a outra foi fruto das circunstãncias e girou à volta da situação de Carlos Cruz. Em ambos os casos exagerou-se para além do suportável. Os repórteres (será bem aplicado este nome?) que estão nestes locais em directo fazem perguntas que, na maioria dos casos, são um manual de asneira. Que interesse tem o percurso da auto-estrada Lisboa-Cascais atrás do carro do advogado de Carlos Cruz? Qual o sentido de entrevistas de rua a perguntar aos adeptos do Corunha qual o resultado que querem?
Quem tivesse de assistir à maioria da informação de quarta-feira passada achava que o mundo se reduzia à situação prisional de Carlos Cruz e ao Futebol. A importante visita de Zapatero a Lisboa foi apagada, os acontecimentos internacionais desapareceram, deixou de se falar dos maus tratos a prisioneiros no Iraque. A leitura dos jornais de quinta-feira de manhã faz um contraste gigantesco com o que a maioria dos telejornais de véspera passaram. Assim a televisão não serve para informar, apenas para deformar a realidade.
OPORTUNIDADE
Algumas peças de faiança feitas a propósito do próximo casamento real em Espanha foram imaginadas e fabricadas por uma empresa portuguesa. Os responsáveis pela real boda escolheram-na pela qualidade da concepção e do fabrico e estão bastante contentes com a escolha que fizeram. Agora imaginem por um instante que se passava o contrário, que era um acontecimento oficial português que se abastecia em Espanha. Não haviam de faltar por aí herdeiros da Padeira de Aljubarrota a gritar contra a invasão, a alertar para os perigos da penetração económica espanhola em Portugal e a denunciar falta de aposta na indústria nacional. Acho que não estou a exagerar: há quem pense que é com a indignação hipócrita que se resolve este problema, em vez de pegar neste exemplo, no das empresas de moldes plásticos ou da GALP para mostrar como se pode expandir para mercados externos.
PRÉMIOS
A revista «Wired» divulgou as suas nomeações anuais em diversas áreas e alguns nomes pouco conhecidos convivem com celebridades. Exemplos: no cinema a escolha foi para Peter Jackson, o neo-zelandês responsável pelos efeitos especiais de «O Senhor dos Anéis»; o prémio «Renegado do Ano» foi para Steve Jobs, o CEO da Apple e da Pixar, por estar a alterar a forma como a era do entretenimento digital se desenvolverá; na literatura a escohida foi Rebecca Solnit pelo livro «River Of Shadows» que conta a evolução da ciência e das descobertas no século XX: na arte o nomeado foi o ex-Talking Head David Byrne pela sua utilização do software Power Point na criação de obras de artes plásticas; na política os destaques foram para Joe Trippi e Scott Heiferman, que na campanha de Howard Dean alteraram a forma de utilizar a internet para organizar campanhas e recolher fundos; na música a «Wired» destacou uma banda, os Flaming Lips pelo seu contributo par alterar a forma como a música chega ao público e suporte gravado, nomeadamente com o álbum «Yoshimi Battles the Pink Robots 5.1»; na televisão o escolhido foi Mike Lazzo, o criador de um slot de animação para adultos na cartoon Network, exibido nos Estados Unidos sob a designação «adult Swim» e que se tornou no programa mais visto no cabo por telespectadores entre os 18 e 34 anos.
DIF
Intitula-se «revista de tendências e guia cultural gratuto». A edição de Abril deste ano é a número 17. Não tenho a menor hesitação em dizer que, graficamente, é a melhor publicação portuguesa actual. A meio caminho entre um catálogo de novidades de marcas e uma informação cuidada sobre áreas como o design, a música e a moda, a DIF (que pode ser encontrada em locais seleccionados) fala constantemente da actividade dos novos criadores portugueses (por exemplo mostra e primeira mão a futura decoração do Lux), tem páginas de publicidade deliciosas, mas tem também boas ideias editorias, como o especial sobre jogos electrónicos da edição de Abril. Um guia-roteiro cuidado e legível e boas páginas de arquitectura, cinema, música e produções de moda fazem da DIF uma revista mesmo diferente – ainda por cima com uma qualidade de impressão invulgar. Podem descobrir mais um pouco em www.difmag.com .
A PARTICIPAÇÃO CÍVICA em Portugal é um problema: as pessoas participam pouco, debatem pouco, não estão habituadas a trabalhar para a comunidade. Depois dos entusiasmos de há 30 anos a participação política nos partidos foi-se rarefazendo e o resultado é um progressivo afastamento dos partidos em relação à sociedade. Se a participação cívica é fraca, a participação política é uma desgraça. Pior ainda, a intervenção política passou a fazer-se por meios ínvios: as pessoas misturam a sua actividade com a expressão da sua opção – o que não quer dizer exprimir a opinião, mas fazer ilegitimamente prevalecer a posição e a opinião política e ideológica no dia a dia das suas actividades, sem para isso terem sido escrutinados pelo voto.
OS POLÍTICOS, em grande parte, ajudam pouco a mudar este estado de coisas. Os partidos foram criando um regimento de indefectíveis, prontos para tudo, e salvo raras excepções preocuparam-se muitíssimo pouco em fazer aumentar a participação. Muitas vezes, também, os políticos no poder são autistas e ouvem só os que lhes são muito próximos. Escudados na retórica, a generalidade dos políticos agita bandeiras em calendários pré-definidos, mistura a realidade com os desejos e não faz uma análise séria das situações. O resultado é que quando chega ao poder começa a dar o dito por não dito, inflecte objectivos, muda estratégias, arrepia caminho. Este triste estilo é a norma.
NESTE PANORAMA, quem tenta cumprir objectivos, quem persiste em efectivar promessas eleitorais, é apelidado de populista; quem consegue manter opções estratégicas é acusado de jogar com os sentimentos do eleitorado; quem cede na negociação é elogiado pelo elevado sentido de responsabilidade demonstrado. Privilegia-se o cinismo e a hipocrisia. A demagogia – prometer o que nunca vai ser feito – é premiada, enquanto o trabalho efectivo é penalizado. Embora não pareça, as coisas estão ao contrário do que deviam ser.
CHAMA-SE POPULISTA a quem tenta cumprir o prometido em campanhas eleitorais através de meios claros e processos transparentes. Usa-se o termo «populista» como se usava o termo «fascista» há uns anos atrás. Todos os que não gostam de reformas nem de mudanças acusam quem as tenta fazer de «populismo». O consenso vacilante é elogiado, a determinação é criticada. Também isto não ajuda a que a política possa viver de reformas e mudanças. Também isto faz com que os que vão apenas flutuando no mar da ineficácia sejam beneficiados.
OS POLÍTICOS, em grande parte, ajudam pouco a mudar este estado de coisas. Os partidos foram criando um regimento de indefectíveis, prontos para tudo, e salvo raras excepções preocuparam-se muitíssimo pouco em fazer aumentar a participação. Muitas vezes, também, os políticos no poder são autistas e ouvem só os que lhes são muito próximos. Escudados na retórica, a generalidade dos políticos agita bandeiras em calendários pré-definidos, mistura a realidade com os desejos e não faz uma análise séria das situações. O resultado é que quando chega ao poder começa a dar o dito por não dito, inflecte objectivos, muda estratégias, arrepia caminho. Este triste estilo é a norma.
NESTE PANORAMA, quem tenta cumprir objectivos, quem persiste em efectivar promessas eleitorais, é apelidado de populista; quem consegue manter opções estratégicas é acusado de jogar com os sentimentos do eleitorado; quem cede na negociação é elogiado pelo elevado sentido de responsabilidade demonstrado. Privilegia-se o cinismo e a hipocrisia. A demagogia – prometer o que nunca vai ser feito – é premiada, enquanto o trabalho efectivo é penalizado. Embora não pareça, as coisas estão ao contrário do que deviam ser.
CHAMA-SE POPULISTA a quem tenta cumprir o prometido em campanhas eleitorais através de meios claros e processos transparentes. Usa-se o termo «populista» como se usava o termo «fascista» há uns anos atrás. Todos os que não gostam de reformas nem de mudanças acusam quem as tenta fazer de «populismo». O consenso vacilante é elogiado, a determinação é criticada. Também isto não ajuda a que a política possa viver de reformas e mudanças. Também isto faz com que os que vão apenas flutuando no mar da ineficácia sejam beneficiados.
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A PARTICIPAÇÃO CÍVICA em Portugal é um problema: as pessoas participam pouco, debatem pouco, não estão habituadas a trabalhar para a comunidade. Depois dos entusiasmos de há 30 anos a participação política nos partidos foi-se rarefazendo e o resultado é um progressivo afastamento dos partidos em relação à sociedade. Se a participação cívica é fraca, a participação política é uma desgraça. Pior ainda, a intervenção política passou a fazer-se por meios ínvios: as pessoas misturam a sua actividade com a expressão da sua opção – o que não quer dizer exprimir a opinião, mas fazer ilegitimamente prevalecer a posição e a opinião política e ideológica no dia a dia das suas actividades, sem para isso terem sido escrutinados pelo voto.
OS POLÍTICOS, em grande parte, ajudam pouco a mudar este estado de coisas. Os partidos foram criando um regimento de indefectíveis, prontos para tudo, e salvo raras excepções preocuparam-se muitíssimo pouco em fazer aumentar a participação. Muitas vezes, também, os políticos no poder são autistas e ouvem só os que lhes são muito próximos. Escudados na retórica, a generalidade dos políticos agita bandeiras em calendários pré-definidos, mistura a realidade com os desejos e não faz uma análise séria das situações. O resultado é que quando chega ao poder começa a dar o dito por não dito, inflecte objectivos, muda estratégias, arrepia caminho. Este triste estilo é a norma.
NESTE PANORAMA, quem tenta cumprir objectivos, quem persiste em efectivar promessas eleitorais, é apelidado de populista; quem consegue manter opções estratégicas é acusado de jogar com os sentimentos do eleitorado; quem cede na negociação é elogiado pelo elevado sentido de responsabilidade demonstrado. Privilegia-se o cinismo e a hipocrisia. A demagogia – prometer o que nunca vai ser feito – é premiada, enquanto o trabalho efectivo é penalizado. Embora não pareça, as coisas estão ao contrário do que deviam ser.
CHAMA-SE POPULISTA a quem tenta cumprir o prometido em campanhas eleitorais através de meios claros e processos transparentes. Usa-se o termo «populista» como se usava o termo «fascista» há uns anos atrás. Todos os que não gostam de reformas nem de mudanças acusam quem as tenta fazer de «populismo». O consenso vacilante é elogiado, a determinação é criticada. Também isto não ajuda a que a política possa viver de reformas e mudanças. Também isto faz com que os que vão apenas flutuando no mar da ineficácia sejam beneficiados.
OS POLÍTICOS, em grande parte, ajudam pouco a mudar este estado de coisas. Os partidos foram criando um regimento de indefectíveis, prontos para tudo, e salvo raras excepções preocuparam-se muitíssimo pouco em fazer aumentar a participação. Muitas vezes, também, os políticos no poder são autistas e ouvem só os que lhes são muito próximos. Escudados na retórica, a generalidade dos políticos agita bandeiras em calendários pré-definidos, mistura a realidade com os desejos e não faz uma análise séria das situações. O resultado é que quando chega ao poder começa a dar o dito por não dito, inflecte objectivos, muda estratégias, arrepia caminho. Este triste estilo é a norma.
NESTE PANORAMA, quem tenta cumprir objectivos, quem persiste em efectivar promessas eleitorais, é apelidado de populista; quem consegue manter opções estratégicas é acusado de jogar com os sentimentos do eleitorado; quem cede na negociação é elogiado pelo elevado sentido de responsabilidade demonstrado. Privilegia-se o cinismo e a hipocrisia. A demagogia – prometer o que nunca vai ser feito – é premiada, enquanto o trabalho efectivo é penalizado. Embora não pareça, as coisas estão ao contrário do que deviam ser.
CHAMA-SE POPULISTA a quem tenta cumprir o prometido em campanhas eleitorais através de meios claros e processos transparentes. Usa-se o termo «populista» como se usava o termo «fascista» há uns anos atrás. Todos os que não gostam de reformas nem de mudanças acusam quem as tenta fazer de «populismo». O consenso vacilante é elogiado, a determinação é criticada. Também isto não ajuda a que a política possa viver de reformas e mudanças. Também isto faz com que os que vão apenas flutuando no mar da ineficácia sejam beneficiados.
A AUTORIA
Em política, a autoria é tudo. Algumas propostas de direita são bem aceites pela esquerda se o seu autor lhes fôr simpático e o mesmo acontece a algumas propostas de esquerda. È claro que isto se passa a nível dos lideres partidários e dos fazedores de opinião, de algumas elites que ao longo dos séculos foram desviando o sentido da democracia, o significado efectivo do voto. Para algumas elites a opção do eleitorado não é interessante porque o povo não se sabe proteger – daí que precise de guardiões, de vigilantes, que se propõem velar pelo resultado efectivo das eleições. É o domínio do politicamente correcto e da hipocrisia ideológica, é o poder de elites não sufragadas sobre opções e programas que foram a votos.
Existe um perigo na nossa sociedade que é o do desprezo pelas indicações dadas pelos votos. Há quem não hesite em dizer que não interessa nada se um programa de acção de determinado partido ou político teve a maioria das urnas se, por acaso, as acções a concretizar estão no índex das pequenas inquisições que por aí abundam. A forma como se combate, com expedientes administrativos e processuais, a concretização de políticas votadas tem apenas o efeito de afastar ainda mais os cidadãos do voto, tem o efeito de desacreditar a política – que devia ser a forma privilegiada de acção cívica em vez de uma rotina de habilidades jurídicas avulsas.
A política não se esgota nos partidos nem nos políticos que os representam e por eles se sujeitam aos votos dos cidadãos. Mas – a menos que queiramos um outro regime – também não se faz contra eles. Quem quer mudar de regime?
Em política, a autoria é tudo. Algumas propostas de direita são bem aceites pela esquerda se o seu autor lhes fôr simpático e o mesmo acontece a algumas propostas de esquerda. È claro que isto se passa a nível dos lideres partidários e dos fazedores de opinião, de algumas elites que ao longo dos séculos foram desviando o sentido da democracia, o significado efectivo do voto. Para algumas elites a opção do eleitorado não é interessante porque o povo não se sabe proteger – daí que precise de guardiões, de vigilantes, que se propõem velar pelo resultado efectivo das eleições. É o domínio do politicamente correcto e da hipocrisia ideológica, é o poder de elites não sufragadas sobre opções e programas que foram a votos.
Existe um perigo na nossa sociedade que é o do desprezo pelas indicações dadas pelos votos. Há quem não hesite em dizer que não interessa nada se um programa de acção de determinado partido ou político teve a maioria das urnas se, por acaso, as acções a concretizar estão no índex das pequenas inquisições que por aí abundam. A forma como se combate, com expedientes administrativos e processuais, a concretização de políticas votadas tem apenas o efeito de afastar ainda mais os cidadãos do voto, tem o efeito de desacreditar a política – que devia ser a forma privilegiada de acção cívica em vez de uma rotina de habilidades jurídicas avulsas.
A política não se esgota nos partidos nem nos políticos que os representam e por eles se sujeitam aos votos dos cidadãos. Mas – a menos que queiramos um outro regime – também não se faz contra eles. Quem quer mudar de regime?
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A AUTORIA
Em política, a autoria é tudo. Algumas propostas de direita são bem aceites pela esquerda se o seu autor lhes fôr simpático e o mesmo acontece a algumas propostas de esquerda. È claro que isto se passa a nível dos lideres partidários e dos fazedores de opinião, de algumas elites que ao longo dos séculos foram desviando o sentido da democracia, o significado efectivo do voto. Para algumas elites a opção do eleitorado não é interessante porque o povo não se sabe proteger – daí que precise de guardiões, de vigilantes, que se propõem velar pelo resultado efectivo das eleições. É o domínio do politicamente correcto e da hipocrisia ideológica, é o poder de elites não sufragadas sobre opções e programas que foram a votos.
Existe um perigo na nossa sociedade que é o do desprezo pelas indicações dadas pelos votos. Há quem não hesite em dizer que não interessa nada se um programa de acção de determinado partido ou político teve a maioria das urnas se, por acaso, as acções a concretizar estão no índex das pequenas inquisições que por aí abundam. A forma como se combate, com expedientes administrativos e processuais, a concretização de políticas votadas tem apenas o efeito de afastar ainda mais os cidadãos do voto, tem o efeito de desacreditar a política – que devia ser a forma privilegiada de acção cívica em vez de uma rotina de habilidades jurídicas avulsas.
A política não se esgota nos partidos nem nos políticos que os representam e por eles se sujeitam aos votos dos cidadãos. Mas – a menos que queiramos um outro regime – também não se faz contra eles. Quem quer mudar de regime?
Em política, a autoria é tudo. Algumas propostas de direita são bem aceites pela esquerda se o seu autor lhes fôr simpático e o mesmo acontece a algumas propostas de esquerda. È claro que isto se passa a nível dos lideres partidários e dos fazedores de opinião, de algumas elites que ao longo dos séculos foram desviando o sentido da democracia, o significado efectivo do voto. Para algumas elites a opção do eleitorado não é interessante porque o povo não se sabe proteger – daí que precise de guardiões, de vigilantes, que se propõem velar pelo resultado efectivo das eleições. É o domínio do politicamente correcto e da hipocrisia ideológica, é o poder de elites não sufragadas sobre opções e programas que foram a votos.
Existe um perigo na nossa sociedade que é o do desprezo pelas indicações dadas pelos votos. Há quem não hesite em dizer que não interessa nada se um programa de acção de determinado partido ou político teve a maioria das urnas se, por acaso, as acções a concretizar estão no índex das pequenas inquisições que por aí abundam. A forma como se combate, com expedientes administrativos e processuais, a concretização de políticas votadas tem apenas o efeito de afastar ainda mais os cidadãos do voto, tem o efeito de desacreditar a política – que devia ser a forma privilegiada de acção cívica em vez de uma rotina de habilidades jurídicas avulsas.
A política não se esgota nos partidos nem nos políticos que os representam e por eles se sujeitam aos votos dos cidadãos. Mas – a menos que queiramos um outro regime – também não se faz contra eles. Quem quer mudar de regime?
FILOSOFIA
Brilhante a entrevista do filósofo Fernando Gil na PÚBLICA de ontem, feita por Maria João Seixas. Excerto:MJS - Qual é o papel do intelectual nas sociedades contemporâneas?
FG - O intelectual é pago pelas sociedades para se ocupar do estudo e do saber, que é um trabalho muito menos árduo que a maior parte das tarefas que as sociedades modernas exigem às pessoas. Isso implica certos deveres - o dever de informar, o dever de ser rigoroso, o dever de não mentir, de temperar o entusiasmo pela razão, de ver os dois aspectos (que são sempre quatro ou cinco ou cinquenta) de cada coisa. Suponho que, quando, jovem, alguém se decide pela via do espírito e não por outras, o faz em nome desses valores. E é o mesmo dever sermos-lhes fiéis. Até porque cedo aprendemos que ficaremos sempre aquém.
MJS - Mas as exigências éticas de uma conduta de rigor e verdade não são um imperativo exclusivo do intelectual ou de quem escolheu a via do espírito, como referiu.
FG - Obviamente. O que estou a dizer é que respeitá-las faz parte do contrato do intelectual com a sociedade. Sem por aí pretender transformá-lo num anjo. Pascal disse que o homem não é nem anjo nem animal, "et malheur veut que qui veut faire l'ange, fait la bête". Somos todos, e a cada momento, solicitados a "faire la bête". A dificuldade está em resistir à tentação da traição de que falava Julien Benda, e é renunciar a resistir atolarmo-nos na ideologia em vez de nos esforçarmos por dela nos libertar. É contra isso que o livro "Impasses" foi escrito.
MJS - Acha que a ideologia é sempre redutora?
FG - Sim, acho que é sempre redutora, em todas as circunstâncias. Não reconheço nenhuma vantagem na ideologia. É sempre uma viseira baixada sobre os olhos.
Brilhante a entrevista do filósofo Fernando Gil na PÚBLICA de ontem, feita por Maria João Seixas. Excerto:MJS - Qual é o papel do intelectual nas sociedades contemporâneas?
FG - O intelectual é pago pelas sociedades para se ocupar do estudo e do saber, que é um trabalho muito menos árduo que a maior parte das tarefas que as sociedades modernas exigem às pessoas. Isso implica certos deveres - o dever de informar, o dever de ser rigoroso, o dever de não mentir, de temperar o entusiasmo pela razão, de ver os dois aspectos (que são sempre quatro ou cinco ou cinquenta) de cada coisa. Suponho que, quando, jovem, alguém se decide pela via do espírito e não por outras, o faz em nome desses valores. E é o mesmo dever sermos-lhes fiéis. Até porque cedo aprendemos que ficaremos sempre aquém.
MJS - Mas as exigências éticas de uma conduta de rigor e verdade não são um imperativo exclusivo do intelectual ou de quem escolheu a via do espírito, como referiu.
FG - Obviamente. O que estou a dizer é que respeitá-las faz parte do contrato do intelectual com a sociedade. Sem por aí pretender transformá-lo num anjo. Pascal disse que o homem não é nem anjo nem animal, "et malheur veut que qui veut faire l'ange, fait la bête". Somos todos, e a cada momento, solicitados a "faire la bête". A dificuldade está em resistir à tentação da traição de que falava Julien Benda, e é renunciar a resistir atolarmo-nos na ideologia em vez de nos esforçarmos por dela nos libertar. É contra isso que o livro "Impasses" foi escrito.
MJS - Acha que a ideologia é sempre redutora?
FG - Sim, acho que é sempre redutora, em todas as circunstâncias. Não reconheço nenhuma vantagem na ideologia. É sempre uma viseira baixada sobre os olhos.
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FILOSOFIA
Brilhante a entrevista do filósofo Fernando Gil na PÚBLICA de ontem, feita por Maria João Seixas. Excerto:MJS - Qual é o papel do intelectual nas sociedades contemporâneas?
FG - O intelectual é pago pelas sociedades para se ocupar do estudo e do saber, que é um trabalho muito menos árduo que a maior parte das tarefas que as sociedades modernas exigem às pessoas. Isso implica certos deveres - o dever de informar, o dever de ser rigoroso, o dever de não mentir, de temperar o entusiasmo pela razão, de ver os dois aspectos (que são sempre quatro ou cinco ou cinquenta) de cada coisa. Suponho que, quando, jovem, alguém se decide pela via do espírito e não por outras, o faz em nome desses valores. E é o mesmo dever sermos-lhes fiéis. Até porque cedo aprendemos que ficaremos sempre aquém.
MJS - Mas as exigências éticas de uma conduta de rigor e verdade não são um imperativo exclusivo do intelectual ou de quem escolheu a via do espírito, como referiu.
FG - Obviamente. O que estou a dizer é que respeitá-las faz parte do contrato do intelectual com a sociedade. Sem por aí pretender transformá-lo num anjo. Pascal disse que o homem não é nem anjo nem animal, "et malheur veut que qui veut faire l'ange, fait la bête". Somos todos, e a cada momento, solicitados a "faire la bête". A dificuldade está em resistir à tentação da traição de que falava Julien Benda, e é renunciar a resistir atolarmo-nos na ideologia em vez de nos esforçarmos por dela nos libertar. É contra isso que o livro "Impasses" foi escrito.
MJS - Acha que a ideologia é sempre redutora?
FG - Sim, acho que é sempre redutora, em todas as circunstâncias. Não reconheço nenhuma vantagem na ideologia. É sempre uma viseira baixada sobre os olhos.
Brilhante a entrevista do filósofo Fernando Gil na PÚBLICA de ontem, feita por Maria João Seixas. Excerto:MJS - Qual é o papel do intelectual nas sociedades contemporâneas?
FG - O intelectual é pago pelas sociedades para se ocupar do estudo e do saber, que é um trabalho muito menos árduo que a maior parte das tarefas que as sociedades modernas exigem às pessoas. Isso implica certos deveres - o dever de informar, o dever de ser rigoroso, o dever de não mentir, de temperar o entusiasmo pela razão, de ver os dois aspectos (que são sempre quatro ou cinco ou cinquenta) de cada coisa. Suponho que, quando, jovem, alguém se decide pela via do espírito e não por outras, o faz em nome desses valores. E é o mesmo dever sermos-lhes fiéis. Até porque cedo aprendemos que ficaremos sempre aquém.
MJS - Mas as exigências éticas de uma conduta de rigor e verdade não são um imperativo exclusivo do intelectual ou de quem escolheu a via do espírito, como referiu.
FG - Obviamente. O que estou a dizer é que respeitá-las faz parte do contrato do intelectual com a sociedade. Sem por aí pretender transformá-lo num anjo. Pascal disse que o homem não é nem anjo nem animal, "et malheur veut que qui veut faire l'ange, fait la bête". Somos todos, e a cada momento, solicitados a "faire la bête". A dificuldade está em resistir à tentação da traição de que falava Julien Benda, e é renunciar a resistir atolarmo-nos na ideologia em vez de nos esforçarmos por dela nos libertar. É contra isso que o livro "Impasses" foi escrito.
MJS - Acha que a ideologia é sempre redutora?
FG - Sim, acho que é sempre redutora, em todas as circunstâncias. Não reconheço nenhuma vantagem na ideologia. É sempre uma viseira baixada sobre os olhos.
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