
Quando dizemos que todas as terras, países e continentes são diferentes não falamos apenas das paisagens, das pessoas que os habitam, das árvores, plantas e animais que fazem parte da natureza em cada local. Uma das coisas que muda de forma evidente está bem à vista de todos: as cores são diferentes, a sua intensidade e brilho são diferentes, o modo como se conjugam nas mais comuns coisas do dia a dia mudam de sítio para sítio. Eu gosto de ver as mudanças de cor, de como se passa de uma terra cinzenta para uma explosão de tonalidades. Fico a pensar se estas explosões de cor não serão manchas de compensação pela monotonia das vidas, pelas paisagens desertas, pelos tons uniformes dos edifícios. Estas cores intensas serão talvez o escape da vida sempre igual, mas tornam se elas próprias monótonas. Podem surpreender o visitante ocasional mas são o cenário constante de quem vive rodeado por elas. Será que quem as vive diariamente nota a diferença de civilizações que as cores explosivas testemunham? Darão aos jogos geométricos desenhados pelas cores a mesma atenção que os forasteiros lhes consagram? Nunca saberei responder a estas questões mas sou capaz de observar que a intensidade das cores é acompanhada muitas vezes nestas terras do norte de África pela intensidade e volume das vozes. Aqui parece que se grita como forma de vida. O excesso faz parte da vida e aqui ele tem vários expoentes. Quem terá mais razão- os cinzentos e silenciosos ou os policromáticos ruidosos?
Os pensamentos são publicados semanalmente em sapo.pt)