abril 10, 2026

PONTO DE SITUAÇÃO EM AUDIÊNCIAS E PUBLICIDADE

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AUDIÊNCIAS E PUBLICIDADE - Com o primeiro trimestre do ano concluído, como vão as audiências de televisão? A TVI liderou no mês de Janeiro, a SIC liderou no mês de Fevereiro e os dois canais estiveram praticamente empatados em Março. A RTP1 ficou em terceiro lugar com 11,2% de share de audiências, que compara com 14,3% da TVI e SIC. Nas 13 semanas deste trimestre a SIC liderou em oito e a TVI em cinco. Os programas mais vistos do ano até agora foram as transmissões de jogos da Taça de Portugal pela RTP1, seguidos por “Secret Story”, a final do Euro de Futsal entre Portugal e a Espanha, “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” e “O Preço Certo”. A noite eleitoral da primeira volta das presidenciais ficou num modesto 23º lugar da lista dos 50 mais vistos dos canais generalistas. Na lista dos 50 programas mais vistos do cabo há uma curiosidade: 49 foram transmitidos pela CMTV e um pela CNN. Se olharmos para os canais de cabo, a liderança é do CMTV, seguido pela CNN, SIC Notícias, NOW e Globo empatados, e só depois a RTP Notícias. De audiências estamos conversados. E, de mercado publicitário, essa consequência directa das audiências, como vão  as coisas? Falando apenas de televisão, em 2025 voltou a registar-se uma ligeira queda do volume de investimento dos anunciantes. Os canais generalistas (RTP1, SIC e TVI) captaram quase 33 % do total do investimento dos anunciantes e os canais de cabo cerca de 13%. Em termos de comparação, o digital significou cerca de 31% e foi o segundo meio mais procurado. A seguir vieram o outdoor com quase 16%, rádio com mais de 5% e a imprensa, que em tempos era o segundo meio mais procurado pelos anunciantes, com apenas 1,4% do total. Em 2025 o investimento publicitário do mercado português cresceu 4%. Vamos ver como evolui este ano com a instabilidade internacional - mas no final de Fevereiro, antes de começar a guerra no Irão, os anunciantes já tinham colocado mais 10% do investimento que colocaram no mesmo período do ano passado.


 


SEMANADA - Na semana antes da Páscoa a ASAE desmantelou dois matadouros clandestinos com ligações a estabelecimentos de restauração e de comércio de carnes e apreendeu 2,200 quilos de carcaças de animais, maioritariamente ovinos e caprinos;  Portugal vai ter um corte de 12% no próximo orçamento da União Europeia; 70% dos dividendos entregues por empresas cotadas na Bolsa nacional vão para fora de Portugal; a linha de prevenção do suicídio teve 12 mil chamadas em seis meses; em 2025 passaram na ponte 25 de Abril mais de 54 milhões de veículos, o valor mais alto da última década; segundo a comissão europeia a habitação está sobrevalorizada em  35% em Portgal; os crimes graves desceram nas três maiores cidades do país mas cresceram no interior, em 11 dos 18 distritos; os cigarros mal apagados estiveram na origem de quase um quinto da área ardida em Portugal em 2025, o valor mais elevado dos últimos 15 anos, tendo dado origem a 281 incêndios florestais, que destruíram mais de 47 mil hectares de floresta e zonas rurais; nas cadeias portuguesas, em dezembro de 2025, havia 2374 reclusos de 86 nacionalidades diferentes; na Operação Páscoa foram registados  cerca de 2.300 acidentes, dos quais resultaram 18 vítimas mortais e perto de 800 feridos; a PSP e a GNR detectaram mais de 630 condutores com excesso de alcool, 294 com falta de carta de condução e 1480 em excesso de velocidade; as vendas de carros eletrificados em Portugal dispararam 27,5% em março e 35% no primeiro trimestre, num contexto em que os preços dos combustíveis estão em alta devido à guerra no Irão.


 


O ARCO DA VELHA - Em dois anos 81% dos cibercrimes reportados acabaram arquivados devido à inexistência de recursos técnicos e humanos para a sua investigação.


 


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UM OLHAR TRABALHADO   - “Fernando Lemos: a Luz do Olhar” é o título de uma exposição que evoca o centenário de Fernando Lemos e que está patente até 8 de Novembro em Évora, no Centro de Arte e  Cultura da Fundação Eugénio de Almeida (Largo do Conde de Vila Flor). Esta exposição apresenta exclusivamente fotografias da coleção da Fundação Cupertino de Miranda, realizadas entre 1949 e 1952, um período decisivo e fundador da obra artística de Fernando Lemos,  e que constitui um dos núcleos mais  importantes da fotografia portuguesa do Século XX.  Este núcleo fotográfico desenvolveu-se paralelamente à intensa participação de Fernando Lemos no movimento surrealista português, nomeadamente no período que antecedeu a exposição de 1952, com Vespeira e Azevedo na Casa Jalco, e a sua partida para o Brasil, em 1953. Fernando Lemos foi uma figura incontornável da Arte Portuguesa do século XX, viveu entre 1926 e 2019, ano em que morreu em São Paulo. As fotografias de Fernando Lemos fogem à lógica do registo de momentos e são fruto de”encenações do inconsciente e do desejo, lugares onde a luz e a sombra se tornam instrumentos de pensamento.”, Estas imagens, sublinha-se no texto que acompanha a exposição, comissariada por Marlene Oliveira,  “resultam de um equilíbrio subtil entre o impulso e o controlo, entre o inconsciente e a consciência crítica.”


 


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ROTEIRO - Inês Moura (Prémio BES Revelação 2009), combina a fotografia, o desenho, a escrita, a colagem ou a escultura nos seus trabalhos. Nesta exposição “Carvão”, parte de um pequeno resíduo carbonizado de madeira (na imagem) para mostrar o que pode extrair em forma de imagem - sobretudo com recurso a fotografia e desenho. A ligação à natureza é um dado constante da sua obra e volta a ser o ponto central desta nova exposição que fica na Galeria Belo-Galsterer (Rua Castilho 71) até final de Maio, juntamente com uma instalação “Começo, meio e começo”, de Ânia Pais, que de alguma forma se cruza com o trabalho de Inês Moura. No Museu Nacional de Arte Contemporânea pode ser visitada até 26 de Abril “Oferta”, a primeira exposição individual de Jaime Welsh num museu. A partir da arquitetura monumental do Estado Novo, marcada por uma forte carga política e por uma linguagem formal rigorosa, Welsh abordou com as suas fotografias encenadas e construídas, três edifícios centrais do modernismo em Portugal: o Banco Nacional Ultramarino, a Reitoria da Universidade de Lisboa e a Biblioteca Nacional de Portugal. 


 


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UMA LIÇÃO SOBRE A ARTE - “Toda A  Beleza do Mundo” é dos mais  fascinantes livros que recentemente me passaram pelas mãos. O autor, Patrick Bringley, trabalhou na área de eventos da revista “The New Yorker” e quando o irmão mais velho morreu, aos 26 anos, decidiu largar tudo e começar uma nova vida. Essa vida foi a de vigilante no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque , onde esteve durante dez anos. Foi para lá propositadamente porque queria estar rodeado de coisas bonitas. Muito bem escrito, o livro tem sido um sucesso editorial em todo o mundo e o Sunday Times considerou-o ”o livro de arte mais notável do ano” quando foi editado, em 2023. Bringley leva-nos por todos os recantos dos museus, apresenta-nos algumas das maiores obras de arte do mundo, relata conversas com visitantes, lembra perguntas que lhe faziam. Já no fim do livro, ele deixa este recado aos visitantes: “se possível venha de manhã, quando o museu está mais calmo e, no início, não diga nada a ninguém, nem mesmo a um vigilante. Olhe para as obras de arte com os olhos abertos, pacientes e receptivos, e dê tempo a si próprio para descobrir os seus pormenores, bem como a sua presença global, a sua totalidade. Poderá não ter palavras para descrever as suas sensações, mas tente reparar nelas na mesma. Esperemos que, no silêncio e na quietude, experimente algo de invulgar ou inesperado. Aprenda tudo o que conseguir sobre o criador, a cultura e o significado pretendido de um objecto - normalmente um processo que nos torna mais humildes”. Edição Minotauro.


 


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MESA DE CABECEIRA - Patrícia Reis pôs-se à conversa com o arquitecto Álvaro Siza Vieira e o resultado é  o livro “A Última Lição de Álvaro Siza Vieira”. Este trabalho é o resultado de várias conversas onde Siza fala das suas origens, de como se apaixonou pela arquitectura, a sua  paixão pelo desenho e a escultura,  o gosto que tem em ensinar, a vida familiar, o impacto da tecnologia na sua profissão, a religião e a política. Pelo meio fala do seu plano de reconstrução do Chiado depois do Incêndio e também do trabalho que fez para a Expo 98 e do Pavilhão de Portugal e confessa que não se revê no que a Reitoria da Universidade de Lisboa fez ao edifício. É uma bela conversa, na colecção “A Última Lição”, da editora Contraponto. A vida de Marie Curie é o tema de um outro livro, escrito por Dava Sobel, uma jornalista que se especializou em temas científicos. “Os Elementos de Marie Curie” foi considerado um dos melhores livros de ciência do ano pelo jornal britânico The Guardian em 2024 e permite traçar um bom retrato de Marie Curie, a única laureada com o Prémio Nobel em duas áreas científicas distintas: Física, em 1903, com o seu marido, Pierre, e Química, sozinha, em 1911. De professora na Sorbonne, a operadora de Raios X na linha da frente da Primeira Guerra Mundial, amiga de Albert Einstein, Marie Curie inspirou gerações de jovens mulheres em todo o mundo a dedicarem as suas vidas à ciência. Edição Temas  & Debates.


 


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OUVIR - O compositor e baixista Miroslav Vitous, um dos fundadores dos Weather Report em 1970, afastou-se quando a banda abandonou o conceito inicial. Passou a tocar ao lado de nomes como Miles Davis, Chick Corea,  Jan Garbarek ou Jack de Johnette, entre outros.  Aos 78 anos o seu novo disco, “Mountain Call” é o reflexo de uma vida passada a encontrar pontos de contacto entre o jazz e a música clássica. No disco Vitous faz duetos improvisados com Jack  DeJohnette (que morreu em Outubro passado),  Esperanza Spalding, o saxofonista Bob Mintzer e o clarinetista francês Michel Portal, que morreu em Fevereiro . Edição ECM, disponível em streaming.






ALMANAQUE - “In Plain View” é o título de uma exposição de fotografias de Martin Parr, que inaugura a nova galeria e livraria da agência Magnum em Paris, no número 2 do Impasse Delaunay. Esta exposição de Martin Parr, um dos grandes fotógrafos da Magnum que morreu em Dezembro passado, pode ser vista até 6 de Junho.


 


DIXIT - “Se o PSD ceder (na revisão constitucional) no que seria a sua maior derrota, o recado fica dado aos eleitores: é melhor votar directamente no Chega e não por procuração no PSD - António Barreto, Público


 


BACK TO BASICS -  “A ignorância é a maior arma contra  a lógica” - Laurence J. Peter.



A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS