março 27, 2026

VER O MUNDIAL NA TV VAI MUDAR ESTE ANO

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FUTEBOL E TELEVISÃO- Na semana passada a TVI revelou que a FIFA está a pedir 430 mil euros pela transmissão televisiva de cada jogo do Mundial 2026, mais do dobro do valor pago por aquele canal para transmitir os jogos do Mundial de 2022. Este ano o Mundial acontece no continente americano com 104 jogos entre as 48 selecções de futebol presentes, que decorrerão no Canadá, Estados Unidos e México. Globalmente, a FIFA prevê angariar 3,4 mil milhões de euros com os direitos de transmissão do Mundial. Mas este ano há novos players interessados, para além dos canais tradicionais: algumas das plataformas de streaming  começaram a apostar cada vez mais em transmissões directas de eventos desportivos e o Mundial de futebol é muito apetecível. O interesse pelos direitos de transmissão de jogos de futebol e de outras modalidades desportivas nasce porque estes conteúdos são chamarizes de audiências e há plataformas de streaming que os querem a quase qualquer preço para cativar novos assinantes. Reparem: no ano passado a transmissão de jogos de futebol nos diversos canais generalistas portugueses ocupou os 24 primeiros lugares dos programas mais vistos, de todos os géneros, em todos os canais. Este fenómeno repete-se um pouco por todo o Mundo. É por isso que as plataformas de streaming querem estas transmissões e, como têm outros recursos financeiros que os canais generalistas já não possuem, provocam um inevitável  aumento dos preços. Com valores como os referidos inicialmente é cada vez mais complicado para os canais generalistas, gratuitos, garantir a amortização do investimento através da publicidade. Este ano já se sabe que a SportTV disponibilizará aos seus assinantes os 104 jogos do torneio, mas a  grande novidade é que o canal digital LiveModeTV, que transmite no Youtube, já anunciou que fará a transmissão, sem custos para os espectadores,  dos encontros da selecção nacional e de outros jogos. Esta é mais uma machadada na influência dos canais generalistas, que vêem as suas audiências cada vez mais ameaçadas. Ao fim de semana o número de telespectadores que prefere os canais de cabo e as plataformas de streaming anda frequentemente acima dos 60%, o que deixa para os canais generalistas menos de 40% do total de espectadores. Na televisão tudo está a mudar e cada vez mais depressa. 


 


SEMANADA - O número de testamentos cresceu 50% na última década; a percentagem de bebés nascidos filhos de mães estrangeiras disparou nos últimos 10 anos, passando de 8,6% em 2015 para 26,2% em 2024; desde 2018 mais de mil mulheres optaram por ter os filhos em casa, mas um em cada cinco destes partos acaba no Hospital devido a complicações; as maternidades privadas realizaram 16.317 partos em 2025, o número mais elevado de sempre; 37% dos jovens portugueses de 18 anos utilizam as redes sociais, em média, durante quatro horas ou mais por dia, enquanto 15%  as frequentam por períodos iguais ou superiores a seis horas; aos 18 anos, 97% dos jovens utilizam as redes sociais, com 42% a fazerem-no 2 a 3 horas por dia; o parque de viaturas do Estado tem mais de 23 mil veículos, dos quais apenas 1,4% são eléctricos; 40% dos proprietários de terrenos rurais não os limpam; o número de despejos aumentou mais de 40% no ano passado; o território costeiro perdido em Portugal entre 1958 e 2021 devido à erosão marinha, representa 13,5 km2, o equivalente a  1.350 campos de futebol; segundo o Banco de Portugal a dívida pública portuguesa registou em janeiro um salto superior a 6 mil milhões de euros, voltando a ultrapassar os 280 mil milhões; o número de utentes sem médico de família atribuído voltou a ultrapassar a fasquia dos 1,6 milhões em janeiro. 


 


O ARCO DA VELHA - Em Portugal  26,5% da água que entra nas redes de abastecimento público é desperdiçada e dada como perdida.


 


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PAISAGENS - A nova exposição de Patrícia Garrido, “Pinturas Sem Título” apresenta um conjunto de nove óleos de grandes dimensões, 40 óleos em papel de pequenas dimensões e uma dezena de obras da mesma série, noutros formatos. Estes novos trabalhos evocam “belas paisagens”, como escreveu a crítica de arte Luísa Soares de Oliveira e representam a confirmação do regresso de Garrido à pintura, percurso que retomou na exposição anterior na mesma galeria, depois de uma série de trabalhos focados em escultura, que apresentou em diversos locais nos últimos anos. Nesses trabalhos de escultura  Patrícia Garrido evocou as suas memórias pessoais e as casas onde viveu, a partir do reaproveitamento de materiais. Após esse ciclo (na Giefarte, na Appleton, na SNBA e na Galeria Miguel Nabinho), Patrícia Garrido retomou o desenho e a pintura, primeiro na Galeria Diferença e depois também na MIguel Nabinho, com a série “Família Feliz” onde se adivinhava já o percurso que agora se consolidou nestas “Pinturas Sem Título”. Os quadros desta nova série são dominados pela sobreposição de formas, explosões de cor que acabam por dominar o horizonte, deliberadamente alterando a visão da natureza e subvertendo a paisagem. Na Galeria Miguel Nabinho, Rua Tenente Ferreira Durão 18 , até 9 de Maio.


 


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ROTEIRO - No Centro Internacional das Artes José de Guimarães, em Guimarães, Jorge Molder apresenta a primeira parte de  “Come di”,  exposição que é anunciada como uma retrospectiva sistemática da sua obra, focada no período entre 1991 e 2003, quando o artista passou a usar o seu corpo e sobretudo o rosto em séries fotográficas, encenando diversas personagens (na imagem uma fotografia da série “Insomnia, de 1992). Esta é uma das três exposições que marcam o primeiro ciclo desenhado pelo novo curador do Centro, Miguel Wandschneider. Além dos trabalhos de Jorge Molder até 6 de Setembro poderão ser vistas duas outras exposições, uma do escocês Aidan Duffy e  outra com obras de Artes Tradicionais Africanas na Coleção José de Guimarães. Em Algés, no Palácio Anjos, a exposição “Graça Morais – Uma Antologia” reúne mais de 170 obras de desenho e pintura. A mostra, que pode ser vista até 16 de Agosto, percorre o percurso da artista desde a década de 1970 até ao presente. Em destaque está o projecto para um  painel de azulejo de 6 por 20 metros em homenagem aos presos políticos do Forte de Caxias, uma encomenda da Câmara Municipal de Oeiras.  Na Galeria Francisco Fino podem ser vistas obras do acervo de Helena Almeida.


 


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SOBRE O PENSAMENTO CULTURAL - “O Poder da Cultura, Questões Permanentes”, é o novo livro de António Pinto Ribeiro, que reúne um conjunto de textos escritos ao longo de 30 anos sobre temas muito diversos. Os cerca de 60 textos agrupados nesta edição foram escritos entre 1966 e 2003 e abordam temas como o populismo e a cultura, o conflito entre património cultural e a arte contemporânea, a relação entre a arte e a democracia, mas também reflexões sobre a vida dos artistas e o papel dos produtores, investidores e colecionadores. O multiculturalismo e o cosmopolitismo, o papel das cidades, das galerias, das livrarias, dos centros culturais, da rádio, dos jornais diários e a importância de olhar à nossa volta e viver os locais, por mais triviais que pareçam, são também temas abordados. Apaixonado pelas artes cénicas e em particular pela dança,  há um ensaio fascinante sobre as artes do corpo, intitulado “Por Exemplo A Cadeira”. O livro termina com um guia das livrarias preferidas do autor em cidades como Montpellier, Nova Iorque, Londres, Maputo, Barcelona, Rio de Janeiro, São Paulo, Veneza, Mindelo, Paris, Milão ou Bruxelas, entre outras. António Pinto Ribeiro tem formação em Filosofia e Estudos da Cultura e  combina a sua atividade de professor com a de investigador e programador cultural, tendo trabalhado em várias instituições culturais portuguesas, como a Culturgest, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e a Fundação Calouste Gulbenkian. Edição Temas & Debates.


 


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MESA DE CABECEIRA - Michael Mortis defende em “Tribal” que a espécie humana  é a única que vive em tribos: grupos unidos por culturas distintas que podem crescer e atingir uma dimensão muito superior à dos clãs e bandos. Nos tempos que correm é uma ideia que nos ajuda a perceber o que se passa no Mundo. Segundo Morris “países, Igrejas, partidos políticos e empresas são tribos, e os instintos tribais explicam a nossa lealdade para com eles e as formas ocultas como afetam os nossos pensamentos, ações e identidades.” (Edição Temas & Debates). Outro livro que vale a pena descobrir é “Espinosa - o Messias da Liberdade””, de Ian Buruma. Espinosa foi um filósofo holandês de origem portuguesa e este  livro debruça-se sobre a sua vida e também sobre os seus combates espirituais, sobre liberdade, autenticidade, vida plena e os caminhos da razão. Ian Buruma sublinha a importância do tempo e do lugar que moldaram Espinosa, e argumenta que a  sua defesa da liberdade universal é tão importante para o nosso tempo como foi para o dele. (Edição Quetzal)


 


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AS CORDAS DO JAZZ - O guitarrista de jazz Bill Frisell, que em breve completa 75 anos, editou um novo disco, “My Dreams”, que inclui 12 temas, oito dos quais gravados ao vivo. No disco é acompanhado por cinco músicos que com ele têm trabalhado nos últimos anos: uma secção de cordas constituída por Jenny Scheinmann no violino, Eyvind Kang na viola e Hank Roberts no violoncelo, aos quais se juntam Thomas Morgan no baixo e Rudy Royston na bateria. Os temas do disco foram gravados em diversos espectáculos nos Estados Unidos ao longo de 2025, mas os músicos não sabiam que essas gravações seriam a base de um álbum. Mais tarde Frisell, com o produtor Lee Townsend e o engenheiro de som Adam Muñoz, pegaram nas gravações e trabalharam-nas até chegarem à forma final que têm no disco, algumas bem diferentes do que foi tocado nos espectáculos. Edição Blue Note disponível em streaming.





ALMANAQUE - “Matisse  1941-1954” mostra cerca de 300 obras do pintor feitas nos últimos 13 anos da sua vida, depois de uma cirurgia que deixou marcas. Este é o período que apanha a guerra e a ocupação da França pelos nazis e, depois a fase final do seu trabalho numa explosão de cor. Em Paris, no Grand Palais , até 26 de Junho.


 


DIXIT - “A ideia de que o império russo poderá um dia ser democrático e pacífico é uma ilusão. Imaginar os regimes islâmicos como entidades democráticas e respeitadoras dos direitos humanos é miopia. Considerar que o império chinês é democrático é estrabismo mental.” - António Barreto, no Público


 


BACK TO BASICS -  “A Liberdade, quando se perde, está perdida para sempre” - John Adams


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS