julho 29, 2016

O PARADOXO EUROPEU & SUGESTÕES AVULSAS

DESFOQUE - Como há-de alguém perceber o paradoxo que assola a Europa? Como há-de alguém perceber que, no mesmo dia em que um padre é degolado pelo ISIS no norte de França, em Bruxelas a preocupação central seja debater e decidir sobre penalizações a aplicar a Portugal e Espanha? O resultado da discussão, após semanas de intrigas, ameaças e burburinho, com todo o mérito dos envolvidos, foi que a multa é zero - vamos a ver se a coisa fica por aqui ou se ainda há mais trapalhadas. Mas a questão fundamental é esta: a Europa ficou refém da morte anunciada pelo ISIS, de atentados que se repetem, de sobressaltos no dia a dia dos cidadãos. O problema principal da Europa é político, tem a ver com decisões que vão além do déficit, tem a ver com a sua relação com os seus cidadãos. A Comissão Europeia continua a achar que a sua missão é vigiar o pacto de estabilidade, apesar de, literalmente, todos os dias lhe rebentar uma bomba nas mãos, que mata inocentes e agrava a insegurança. Qualquer dia o pacto de estabilidade pode estar a ser cumprido a 100%, mas entretanto o terror dominou a Europa. Sobre o que se passa na Turquia, nota-se que significativamente não surge nem uma palavra. A Europa é uma entidade muito mal gerida do ponto de vista político e do ponto de vista económico os maus resultados estão à vista na falta de crescimento, na ruína do  sistema financeiro, no próprio Euro. Com um desgoverno assim não admira que haja quem dele queira sair. Sobre isto, sobre a política na Europa, não há reflexão séria transnacional - apenas se vêem  fundamentalistas de opereta como Dijsselbloem a falarem sobre fantasias, e Junckers de humor variável a ensaiar represálias aos ingleses. O maior problema está na falta de uma atitude política clara da Europa perante as ameaças que a atacam todas as semanas. A casa está a arder e há quem pense no que deve ser a sua decoração, mesmo quando as salas já estão em labaredas.


 


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SEMANADA - Entre a meia noite e as 20h00 de segunda-feira passada registaram-se 215 incêndios, ou seja um em cada cinco minutos; segundo o Instituto de Conservação da Natureza um quarto dos incêndios florestais tem origem criminosa;  no primeiro semestre do ano houve mais de 50 assaltos por dia a residências; depois das audiências com o Presidente da República os partidos do Governo e da oposição disseram não ver sinais de crise política; as ultimas sondagens indicam que PS e Bloco de Esquerda sozinhos já conseguiriam maioria parlamentar se houvesse eleições; a CGTP começou a pressionar o Governo; Ascenso Simões, deputado do PS, afirmou que “António Costa tem de convidar o Bloco de Esquerda e o PCP para o Governo”; Em média, a eleição de cada um dos 230 deputados da Assembleia da República custou ao partido que o apoiou quase 45 mil euros, um aumento de mais de 20% em relação a 2011; os portugueses com idade entre os 50 e os 70 anos já gastam mais tempo semanalmente à frente do ecrã do computador do que à frente do ecrã da televisão; o valor dos contratos de obras públicas celebrados no primeiro semestre é o mais baixo desde 2011; um quarto das obras públicas é contratada pelo Estado com um desconto superior a 30% do preço base, o que estimula a concorrência desleal ao indicar preços base mal calculados; todos os meses são apanhadas 4680 baixas fraudulentas;   há mais de 300 casos de negligência médica à espera de perícia; os portugueses cresceram em média 14 cm num século; Segundo a Marktest, de 24 de Janeiro a 24 de Julho, Marcelo Rebelo de Sousa interveio na primeira pessoa em 1.616 notícias na RTP, SIC, TVI e CMTV, o que corresponde a uma média de quase nove notícias por dia e 22 minutos de exposição diários.


 


ARCO DA VELHA - No início da semana o Pokémon Go já tinha gerado mais tweets que o Brexit ou o Euro 2016.


 


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FOLHEAR - Desde o ano passado, no Verão, a Monocle publica uma edição especial chamada “The Escapist”. Como o nome indica o tema é a fuga aos hábitos rotineiros, o conseguir desligar do dia a dia de trabalho em tempo de férias. É de alguma forma engraçado constatar que enquanto as edições mensais da Monocle estão a perder garra, as duas especiais anuais - este The Escapist e o natalício The Forescast, dedicado a tendências, conservam a criatividade dos primeiros tempos da “Monocle”. A presente edição da Escapist tem 258 páginas onde reportagens, notas de viagem, sugestões e artigos diversos coexistem com portfolios fotográficos. Portugal ficou bem na fotografia, por falar nisso - o portfolio principal é dedicado aos marinheiros portugueses que vivem nos nossos submarinos. Ben Ingham  fotografou e Trish Lorenz escreveu sobre a marinha portuguesa - uma das mais antigas do mundo,que remonta ao século XII, como ela faz notar. Trish Lorenz vive em Lisboa desde 2014 e tem escrito sobre a cidade em diversas publicações. Aqui debruça-se sobre os nossos marinheiros, a nossa Marinha e o papel de Portugal. O outro destaque que nos coube é sobre os Açores - que são vistos pelo editor principal da Monocle, Andrew Tuck. Rapidamente percebeu os ilhéus - o mar, que os de fora vêem como um obstáculo, é encarado pelos açorianos como uma porta de saída. Aqui está uma bela peça sobre o Açores, que sugere roteiros, dá recomendações como o Hotel Terra Nostra e o Arquipéloago - Centro de Arte contemporânea. Esta edição do Escapist enumera também uma lista dos melhores restaurantes do mundo e em Lisboa surge o Gambrinus no lugar 37 de uma lista de 50. Numa nota  que enumera os cinco melhores sítios para petiscar fora de horas é apontado o Isco da Bica (Rua do Almada 29). A finalizar - vale a pena ler o especial sobre Palermo, um grande cidade, aqui muito bem observada. Saudades da Sicília, é o que é.


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VER - Hoje as minhas recomendações vão a norte. Começo por uma exposição de fotografia (na imagem), de Maria Leonardo . Chama-se “Mar, Terra e Outros Lugares” e está numa Guest House, a Miss’Opo, na Rua dos Caldeireiros 100, no Porto. A exposição, patente até 27 de Agosto, combina imagens feitas em Lisboa e Berlim e ainda uma ficção criada pelo ambiente da Isola Di Vulcano, na Sicília. Maria Leonardo mostra o que vê, e vê bem o que se passa à sua volta, com um filtro muito pessoal, sensível nas suas imagens, que lhe permite uma abordagem criativa da côr. Se não puderem ver a exposição no Porto vejam o site da autora, em cargocollective.com/MariaLeonardo. As vendas realizadas na exposição destinam-se a financiar a frequência da prestigiada Akademie der Bildenden Kunste, em Munique, no próximo ano. Já que estamos a norte sugiro que numa destas noites de quinta-feira se dirija ao Museu Nacional Soares dos Reis onde poderá ter uma visita guiada. O programa de verão do Museu, incluído no Porto Art Fest - que vai até 30 de Setembro -  está cheio de iniciativas como oficinas de azulejo ou de bijuteria e para ter informação sobre as numerosas actividades vale a pena consultar o site  www.museusoaresdosreis.pt. Finalmente, em Serralves, e para além dos desenhos do arquivo de Siza Vieira, destaque para a exposição de artistas convidados a pensarem, obras em função do espaço - a americana Trisha Donnelly explorou a arquitectura art déco da casa principal e a sua relação com o jardim, e o britânico Liam Gillick imaginou uma mostra, que se estende ao longo de um ano, em quatro momentos, intitulada Campanha.


 


OUVIR - Rolf Lislevand é um norueguês que se dedica a instrumentos clássicos e é um conceituado  intérprete criativo de guitarra e alaúde. Participou, com Jordi Savall, com quem tem extensa colaboração, na banda sonora do filme “Tous Les Matins du Monde”. O seu foco é a  música antiga e o seu mais recente disco, para a ECM, “La Mascarade”, vai buscar obras de dois compositores do século XVII, Robert de Visée e Francesco Corbetta. Lislevand improvisa na introdução a alguns temas e de uma forma geral toca neste disco como se estivesse num concerto para uma pequena plateia de amantes da música barroca, e da sua forma de tocar guitarra em particular. A produção, exemplar, esteve a cargo de Manfred Eisher, que adoptou a abordagem da “musica callada”, ou, se preferirem, da música que vive no silêncio - esse conceito tão raro e sem o qual não conseguiríamos entender nenhuma música. CD ECM New Series, na Amazon.


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PROVAR -  Com este calor o que apetece é um gelado. Mesmo fora do verão gosto de gelado à sobremesa, e então com estas temperaturas nem se fala. Um dia destes resolvi ir almoçar o meu bitoque preferido, que é o do Restaurante Roma, junto à Piscina da avenida com o mesmo nome. Já aqui o disse, a carne é de bom lombo, vem temperada com gosto e cozinhada no ponto, e as batatas fritas às rodelas finas, feitas na hora, são de chorar por mais. Resolvido o bitoque fui à porta ao lado, à Casa do Gelado e encontrei um inesperado gelado de physalis, um saboroso fruto, até aqui raro, e que começa a aparecer com maior frequência . Combinei-o com um gelado de chocolate puro. O resultado foi uma delícia. Ficou por experimentar o gelado de mirtilos e o de ananás dos Açores com gengibre. E também tem cassata… Casa do Gelado 1981 - Avenida de Roma 28, junto à piscina, ao lado do restaurante Roma, das 11 às 24h00.


 


DIXIT - “Pode e deve haver austeridade. Com sentido de obediência aos interesses nacionais. Não ao de outros interesses nacionais” - José Maltez


 


GOSTO - Desta afirmação de Carolina Patrocínio: “ter sido mandatária do PS é das poucas coisas de que me arrependo na vida”.


 


NÃO GOSTO - Da substituição de arbustos por calçada, como está previsto acontecer na Avenida D. João II, na Expo.


 


BACK TO BASICS - “O grande problema da vida dos políticos é que correm sempre o risco de ter o trabalho interrompido pelo resultado de eleições” - Will Rogers


 

julho 22, 2016

VACAS VOADORAS DERROTADAS POR POKÉMONS

MONSTRINHOS - Tudo indica que o primeiro-ministro passou das vacas voadoras para uma busca incessante atrás dos Pokémons. Onde quer que esteja só vê os pequenos monstros a saltarem por todo o lado à sua frente, e culpa-os de tudo o que lhe está a acontecer. Cada vez que Mário Centeno lhe aparece pela frente é como se estivesse a olhar para um Pokémon gigante. Sonha com monstrinhos na Caixa Geral de Depósitos e no Novo Banco. Cada vez que aterra em Bruxelas lá anda de telemóvel na mão a ver se descobre mais Pokémons nos corredores e, na recente visita de Hollande a Portugal, foi visto a olhar para o Presidente francês como se este tivesse algum Pikachu a sair-lhe do colarinho. Até em Belém, cada vez que lá entra, olha desconfiado para o ecrã do telemóvel a ver se por detrás de Marcelo não aparece nenhum Pokémon. Quando passa perto do Bloco de Esquerda ou do PCP fica desconfiado, a ver de onde lhe vai saltar um dos pequenos monstros. Na Assembleia da República nem se fala - mandou os seus assessores andarem de telemóvel no meio do hemiciclo a ver se descobrem qual a influência que os Pokémon tiveram na rejeição de Correia de Campos para o Conselho Económico e Social. E segundo os relatos surgidos a público através de vários Pokémons, numa recente reunião com parlamentares socialistas, mostrou-se desiludido, preocupado e houve até quem tivesse pensado que estava a preparar o caminho para eleições antecipadas. Quer-me parecer que a geringonça vai deixar de ser rebocada por vacas voadoras, e que em vez delas estarão Pokémons a fazer das suas...


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SEMANADA - A atividade económica em Portugal abrandou dois meses consecutivos, em Abril e Maio, e um índice para Junho (sobre clima económico) aponta para uma estagnação - as conclusões são de um relatório do Instituto Nacional de Estatística; um estudo do INE sobre o panorama do acesso à cultura nos concelhos portugueses mostra que em 41% dos municípios não há salas de espetáculo e Lisboa concentra um quarto da oferta e 60% das receitas; o Orçamento de Estado de 2017  terá cortes nas áreas da saúde e educação; esta semana um porta-voz dos comunistas garantiu que o PCP não tenciona “fazer a cama” ao governo;  PCP manifestou descontentamento por não ter sido ouvido na negociação dos nomes para Tribunal Constitucional, ao contrário do que aconteceu com o Bloco de Esquerda; o nome de Correia de Campos foi chumbado pelos deputados para presidir ao Conselho Económico e Social;  o Governo anunciou que vai congelar os salários dos funcionários públicos no próximo ano; as Universidades aumentaram o número de vagas e os cursos com mais desemprego não cortaram lugares; na Assembleia da República há nove deputados da que nunca falaram nas 88 reuniões já realizadas da actual legislatura; as vítimas de abuso sexual fora do contexto familiar têm que pagar custas judiciais se avançarem com processo contra os agressores; Arnaldo Matos, que voltou a dirigir o MRPP, classificou o atentado de Nice como “um acto legítimo de guerra”.


 


ARCO DA VELHA - Uma pesquisa no site da RTP permite concluir que o Conselho Geral Independente não tem ali actividade divulgada desde o final do 1º semestre de 2015 - nem comunicados, nem actualizações de linhas de orientação estratégica, nem TDT, nem sequer relatórios sobre a sua actividade ou actas das reuniões.


 


 


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 FOLHEAR - Uma das mais fascinantes revistas que tive oportunidade de folhear nos últimos tempos chama-se “amuseum” e é dedicada a mostrar objectos, enquadrando-os em artigos sobre cultura, arte, design, ciência e História. Editada em Londres, começou a sua vida em 2014 e vai no terceiro número. É obra de Dan Stafford, que a concebeu editorialmente e do ponto de vista gráfico - numa rara e bem sucedida combinação que abarca todo o processo editorial. A revista cruza textos com fotografias, ilustrações e banda desenhada. Tem um sentido de humor particular que se nota por exemplo na apresentação de Spielberg : “o mestre do suspense que colocou um tubarão na imaginação dos amantes de praia de todo o mundo” ou na secção objectos acabados, onde uma cassette VHS se cruza com o esqueleto de um dinossauro. Este é um daqueles casos em que depois de uma primeira visita se volta uma e outra vez às mesmas páginas, descobrindo novos pormenores, novos pontos de interesse. O seu ritmo de edição, anual, acaba por ser um incentivo a que ela seja guardada como o objecto de colecção, que de facto é. Mais informações em http://www.amuseummag.com .


 


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VER - Um céu, pintado no tecto de uma Igreja, foi o último projecto de Michael Biberstein, um pintor de naturalidade suíça radicado em Portugal durante cerca de três décadas e que faleceu subitamente em 2013 sem ter conseguido executar a sua ideia na Igreja de Santa Isabel. A viúva do artista, Ana Nobre Gusmão, o pároco da igreja,  José Manuel Pereira de Almeida, e várias entidades que asseguraram o financiamento da obra, deram vida à ideia e “o céu de Mike” foi inaugurado esta semana. A maquete ‘Um Céu para Santa Isabel’ foi apresentada pela primeira vez na galeria Appleton Square, no âmbito da Trienal de Arquitetura de 2010 e o “interesse” que o projeto despertou motivou angariação de fundos para a sua realização. Michael Biberstein faleceu a “escassos meses” de começar a pintura mas o pároco de Santa Isabel revelou que a sua viúva e todas as pessoas envolvidas resolveram continuar o projeto e estabeleceram que o tecto deveria ser pintado como surgia no original da maquete. “Como uma pedra preciosa guardada dentro de uma caixa escura com uma sombria tampa cinzenta” - foi assim que Michael Biberstein descreveu a igreja de Santa Isabel, sublinhando que a luz que entrava pelas janelas era absorvida pelo tecto preto-mate então existente, “o que visualmente torna o espaço muito pesado, impedindo-o de respirar e desenvolver visualmente o volume desejado”. No texto, disponível no blogue Um Céu para Santa Isabel, Biberstein propunha-se substituir “o sufocante manto cinzento por um céu aberto”, tornando-o mais acolhedor, forte e apelativo à meditação. O Céu de Santa Isabel está agora à disposição de todos.


 


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OUVIR - Se Frank Zappa fosse vivo aposto que gostaria de se candidatar contra Donald Trump só para marcar presença e dizer o que iria na alma. Zappa morreu no fim de 1993 e foi um dos mais fascinantes e influentes músicos norte-americanos nas décadas de 60 e 70, cruzando géneros e abrindo novos caminhos. Combinava uma invulgar capacidade musical - como compositor, executante e produtor - com um humor avassalador e um olhar atento e cáustico sobre a sociedade norte-americana. Ele, e os seus Mothers Of Invention, nunca foram muito populares mas marcaram uma época com discos como “200 Motels”, “Freak Out”, “We’re Only In It For The Money”, “Apostrophe”, “Hot Rats” ou “Chunga’s Revenge” entre tantos outros. Os seus herdeiros chegaram recentemente a acordo com a Universal Music e, muito adequadamente, neste ano de eleições norte-americanas, saíram agora em simultâneo (e já estão disponíveis em Portugal), dois álbuns feitos a partir dos arquivos de gravações não editadas de Frank Zappa. “Frank Zappa For President” retoma a ironia que o caracterizava e agrupa versões inéditas de temas conhecidos, gravações ao vivo e algumas remisturas. É Zappa no seu melhor, ele próprio a tocar o seu synclavier. Vale a pena ouvir “ If I Was President” e a  “Overture To Uncle Sam” permite perceber como maestros como Pierre Boulez se apaixonaram pela musica de Zappa e a gravaram. Em simultâneo a Universal lançou também “The Crux Of The Bisquit”, apresentado como um documentário audio, e que foi feito para celebrar o 40º aniversário da edição do álbum “Apostrophe”. Contém versões inéditas, gravações alternativas de alguns temas, até excertos de uma entrevista,  e recupera o primeiro alinhamento para o álbum que viria a ser um dos raros sucessos comerciais de Zappa - com participações de músicos como Jean Luc Ponty, Jack Bruce  ou George Duke, entre outros. Frank Zappa, “For President” e “ The Crux Of The Bisquit”, edições Universal disponíveis em CD.


 


PROVAR -  A casa abre só ao fim da tarde e depois fica a funcionar até à meia noite. Começa com petiscos e depois passa para jantar. Tem carta curta, ideal para quem não gosta de ter muita escolhe ou não gosta de ficar indeciso. Os pratos principais são um naco de atum ou um naco de carne angus. Volta e meia há um prato extra, tipo sugestão do dia, fora da lista, como um naco de espadarte ou um chuletón. O local que assim funciona chama-se Boca Café, e fica na Rua de S. Bento. Nas entradas e petiscos destaque para umas tortitas de miolo de sapateira com jalapeños e uma rica e variada salada vietnamita. Para coisas mais substanciais há o naco do mar - atum grelhado com maionese de lima e mostarda tradicional e o naco da terra, black angus grelhado com redução de balsâmico e mostarda. Em alternativa há pregos de atum e de angus, muito bem temperados, em pão de forno de lenha, acompanhados por umas deliciosas com batatas partidas com salsa brava. Nos acompanhamentos, além destas batatas, há espargos verdes e um curioso puré de boletos selvagens com tomilho. Nas sobremesas há um bem conseguido  gelado de chocolate belga, espuma de cacau e avelãs chamado Choco Duo. Para a próxima experimento o creme brulée com poejo. A lista de vinhos não é extensa mas tem boas propostas, embora precise de ser mais comedida nos preços propostos. Há vinho a copo e a imperial, bem tirada, é da cerveja espanhola Estrela Damm. O serviço é muito simpático e atencioso. A decoração é simples e confortável, um longo corredor que culmina numa sala e no bar Tudo fica ainda mais atraente nestas noites quentes com um pátio entre prédios, espaçoso, onde está uma esplanada sempre muito concorrida Nas paredes há obras de Sebastião Lobo, baseadas no nome do restaurante: Boca. Rua de S Bento 33, telefone 969 706 422, aberto das 19 à meia noite, fecha às segundas.


 


DIXIT - "Não faz sentido estar a gastar dinheiro na recuperação de símbolos do passado” - José Sá Fernandes, vereador em Lisboa.


 


GOSTO - O próximo livro da saga Harry Potter vai ter apresentação mundial na livraria Lello, do Porto.


 


NÃO GOSTO - Da afirmação de Simonetta Luz Afonso sobre a Praça do Império: “Os brasões não fazem falta nenhuma no jardim”.


 


BACK TO BASICS - A Europa não é mais do que uma expressão geográfica - Otto von Bismarck








julho 15, 2016

POLÍTICAS & POLITIQUICES - e sugestões avulsas estivais

VERANEIOS - Confortado pelo título de campeão o país prepara-se para ir de férias. Mas há quem já aparente estar em supimpo descanso: a oposição entrou em modo de pausa entre a bola e as sanções, fazendo piruetas para se livrar das ondas de choque Barroso, e sobretudo sem ser capaz de criar um discurso alternativo ou de marcar a agenda política. Quanto a acções de comunicação, então o caso ainda é pior e o silêncio tem sido ensurdecedor. Pelo seu lado o Governo multiplica-se em actividades de lés a lés, numa roda viva de Ministros que prometem fazer este verão mais digressões que os cantores nas festas populares. António Costa dá o exemplo na iniciativa “Estado da Nação: Prestar Contas”, em que vai directamente falar com os militantes do PS em sessões onde aborda a conjuntura actual, sobretudo das relações com Bruxelas e do espectro das sanções. Enquanto o PS se dedica à política, o PSD dedica-se à politiquice e já abundam relatos de rivalidades na escolha de candidatos a uma série de Câmaras Municipais nas eleições autárquicas do próximo ano. Enquanto isso, assiste-se mais uma vez, por todo o país, ao lamentável espectáculo da proliferação de obras promovidas por autarquias em período pré-eleitoral. Já nem falo do caso de Lisboa, que é particularmente escandaloso. Circulando nas estradas nota-se um regresso da construção de rotundas e de outros devaneios semelhantes. Mais uma vez os grandes ciclos de obras coincidem com a aproximação de eleições autárquicas no mais velho jogo desde que há votos: garantir uma lista de realizações que possam dar a ideia de que alguma coisa mudou. Na maior parte das vezes só muda a paisagem, e nem sempre para melhor. E o objectivo é sempre o mesmo - sacar mais uns votos a incautos.


 


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SEMANADA - Em resposta à decisão do Ecofin, António Costa afirmou que não vão ser tomadas medidas extraordinárias para evitar sanções por défice excessivo; a emissão de dívida portuguesa realizada um dia depois do Ecofin foi feita com juros superiores a 3%, um valor mais alto que em leilões anteriores e o dobro do juro conseguido pela dívida espanhola; o Presidente da CMVM está há dez meses à espera de ser substituído; o Estado já deve 50 milhões de euros à REN por falta de pagamentos para o fundo do de redução da dívida tarifária do sistema eléctrico; o crescimento da economia irlandesa em 2015 passou de uma previsão de 7,8% para 26,3%; o exame de Matemática do 9º ano registou a segunda pior média de sempre, com cerca de 50% dos alunos a terem nota negativa; o preço das casas em Portugal subiu 12,75% desde 2013; os bancos italianos têm o equivalente a duas vezes o valor do PIB português em crédito malparado; no Conselho de Estado, para usar a terminologia do Watergate, houve uma garganta funda que veio contar o que lá se passou; cresceu o número de turistas na margem sul; o submarino português Tridente ficou preso nas redes de um barco de pesca francês em águas britânicas; a agência Bloomberg fez um perfil da dirigente centrista Assunção Cristas, cuja actuação, afirma, está a eclipsar Pedro Passos Coelho; o PCP pediu a demissão da direcção das secretas; os preços em Luanda subiram 31,8% nos últimos 12 meses; 57.386 portugueses emigraram em 2015 para 11 países; o Festival de Locarno vai exibir treze filmes portugueses este ano.


 


ARCO DA VELHA - Apesar das muitas obras por todo o lado, a Câmara Municipal de Lisboa  ainda só removeu amianto em cinco de 42 edifícios municipais referenciados e considerados perigosos para a saúde.


 


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FOLHEAR - Machado de Assis, um dos grandes nomes da literatura brasileira, deixou uma obra extensa em diversos géneros, da poesia aos romances, passando por peças de teatro, crítica literária, mas também crónicas e artigos para jornais, nomeadamente sobre a situação política e social do Brasil entre o fim do Império e o início da República. “Dom Casmurro” agora editado pela Guerra & Paz na sua colecção de clássicos da literatura, foi escrito em 1899, tinha Machado de Assis 50 anos. Este romance é considerado por muitos como uma das suas obras mais marcantes. Como Helder Guégués faz notar na introdução a esta edição, “Dom Casmurro” tem como temática central “a verdade como ela é vista pelo ser humano”. O romance percorre uma história de amor e ciúme, teve adaptações para o cinema e para televisão e caracteriza-se por um fina ironia e diálogos riquíssimos. Dom Casmurro é a alcunha de Bento Santiago, que, já velho, resolve desfiar as suas memórias. Atrevo-me a dizer que Machado de Assis é relativamente pouco conhecido em Portugal e que esta obra é de leitura fundamental - sendo ainda por cima de leitura entusiasmante.


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VER - Esta semana recomendo uma visita ao Museu Calouste Gulbenkian, ao espaço do antigo CAM, agora rebatizado de Colecção Moderna. Lá podem ser vistas duas exposições - “Portugal em Flagrante”, que procura definir um percurso para o século XX através de obras de arte, livros e material documental. Noutro espaço está uma retrospectiva da obra de José Escada, sob o título “eu não evoluo, viajo”. Escada é um dos nomes marcantes das artes plásticas portuguesas. Com Costa Pinheiro, Lourdes Castro, René Bertholo, Gonçalo Duarte, João Vieira, Jan Voss e Christo fundou em Paris o grupo KWY que marcou a década de 60 e esta retrospectiva é uma boa introdução à sua obra e à evolução que foi tendo ao longo dos anos. Na “Portugal em Flagrante” destaque para as obras de nomes como Ana Vidigal ou José Barrias, que tem uma montagem da sua peça “Barragem”, apresentada na Bienal de Paris em 1980, com recurso a fotografia e video (na imagem). No edifício principal está “Linhas do Tempo”, uma exposição que mostra a colecção original comprada por Calouste Gulbenkian, paralelamente a obras compradas pela Fundação desde a sua fundação até agora, num total de 150 peças. Este ciclo de exposições assinala também o início da actividade de Penelope Curtis, a nova responsável pelo Museu. Mudando completamente de cenário recomendo duas exposições de fotografia que podem ser vistas em centros comerciais. No Colombo está “Faces Of The Stars”, do britânico Terry O’Neal - retratos de músicos e actores célebres; e no Fórum da Maia, até 28 de Agosto, está uma retrospectiva da obra do português Alfredo Cunha com 333 fotografias expostas e mais de um milhar projectadas. Repórter fotográfico com décadas de trabalho em vários importantes orgãos de comunicação, nos últimos anos passou a concentrar-se em projectos pessoais onde a sua visão de jornalista se manifesta de forma muito profunda sem condicionalismos de agenda ou de actualidade noticiosa imediata.


 


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OUVIR - Depois de ter gravado um tributo a Frank Sinatra no ano passado (“Shadows In The Night”), Dylan mergulha desta vez no cancioneiro tradicional norte-americano e vai buscar 12 temas como “Young At Heart”, “Skylark”, “All Or Nothing At All”, “It Had To Be You”, “That Old Black Magic” ou “Come Rain Or Come Shine”, entre outros. Os arranjos são simples, a produção - do eterno alter ego de Dylan, Jack Frost - é minimalista e o disco decorre entre um misto de respeito pelos standards aqui interpretados e o desejo de que exista uma subtil marca própria, quanto mais não seja nas vocalizações de Dylan e nos arranjos. Na realidade os arranjos descolam dos originais, muitas vezes num ambiente country acentuado pelas guitarras. O rockabilly ensaiado em “That Old Black Magic” é um dos sinais da originalidade que Dylan procurou mostrar ao atirar-se a clássicos que, no em tempos, foram interpretados por nomes como Ella Fitzgerald ou Sarah Vaughan, por exemplo. Ao contrário do que se pode pensar, Dylan não descobriu os standards agora - em 1970, no álbum “Self Portrait”, aparecia a primeira homenagem à dupla Rogers and Hart, com “Blue Moon”. Bob DylanFallen Angels, CD Columbia.


 


PROVAR - Já tinha ouvido falar  do LOB Deli Takeway, uma casa especializada em petiscos feitos a partir de marisco. Tinha provado um belíssimo creme aveludado de ameijoas e tinha ouvido falar das extravagâncias com lagosta e lavagante. No campo do lavagante é muito requisitada  a Miss Diva, uma sanduiche de lavagante com manteiga de corais, cebolinho e limão. Mas está também disponível uma salada de lavagante, um creme aveludado de lavagante e cebolinho, e uma massa de arroz salteada com lavagante, rebentos de soja, amendoins e pimentos num molho agri-doce. Mas a minha escolha numa recente visita foi para o King Lobster, um lombo de lagosta grelhado, com manteiga de ervas e limão, acompanhado por salada e batatas fritas, e que estava honestísimo, na qualidade do bicho e na confecção. O Lob Deli funciona na modalidade de takeaway ou pode ser servido e consumido no local, numa simpática sala no primeiro andar. A casa foi aberta em 2015, o serviço ao balcão é muito atencioso e sabe informar sobre a lista, está aberto de segunda a sábado entre as 12 e as 22h30. Tem cervejas artesanais e vinho a copo servido de forma generosa. O menu foi criado pela chef Leonor Manita, que trabalhou no Nobu e, em Lisboa, criou a cozinha do Station. Os lavagantes vêm vivos do mar do norte e uma refeição fica entre 15 a 20 euros por pessoa, dependendo das escolhas. Rua de São Filipe Neri 21, ao Rato, telefone 215987801


 


DIXIT - “O país onde vemos um maior risco de existir uma crise da dívida soberana é em Portugal; onde vemos o maior risco de uma crise bancária é em Itália” - Patrick Artus, economista-chefe do Natixis.


 


GOSTO - Da reabertura do terceiro piso do Museu Nacional de Arte Antiga, com mais 16 salas de exposição, após ter estado encerrado uma década.


 


NÃO GOSTO - Da fobia autárquica de obras por todo o país a um ano de eleições - sempre o mesmo desperdício: será para facilitar financiamentos às próximas campanhas?


 


BACK TO BASICS - Na vida, como no futebol, ninguém vai longe se não souber onde está a baliza - Arnold H. Glasow

julho 08, 2016

SOBRE A UTILIZAÇÃO DAS BIRRAS NA POLÍTICA

SANÇÕES - A União Europeia parece uma menina birrenta. Qualquer coisa que atrapalhe os seus planos indispõe-na sobremaneira. Tal como acontece com as meninas birrentas, muda de opinião conforme o vento. Ora ameaça, ora cede. Ora diz que vai passar uma rasteira, ora assobia para o ar a fazer de conta que não vê. Esta coisas das sanções é uma espécie de casa-descasa. Uns tantos dizem que alguém tem que fazer as malas e sair; mais uns prometem açoites e castigos; outros dizem que o melhor será dar mais uma oportunidade. À segunda há sanções pela certa, à tarça talvez não, à quarta foram adiadas e à quinta voltam à baila. O mais curioso é que, quando alguém resolve sair deste manicómio levanta-se um clamor de acusações em vez de se procurarem as razões. O que mais me intriga na União Europeia e nos seus burocratas empedernidos, enquistados nos múltiplos orgãos não escrutinados que trabalham em círculo fechado, é a incapacidade de avaliarem a causa das coisas, é a maneira como acham que a culpa de os assuntos não correrem como planearam é sempre dos outros e não da má informação, do mau planeamento ou simplesmente da incompetência deles próprios. Eu consigo compreender que os burocratas não consigam ver nem viver para além de regras e regulamentos; e também percebo que a Alemanha queira mostrar a sua força e influência, sobretudo agora que a Inglaterra está de malas aviadas. Já percebo menos que outros países se verguem às manias alemãs. Mas, lá está, a história repete-se muito mais vezes do que aquelas que pensamos. A Europa nos dias que correm está a ser o que sempre foi ao longo dos séculos: um palco de disputas, invejas e intrigas. A guerra na Europa já começou há muito tempo. Os novos exércitos, para já, usam o sistema financeiro, por enquanto ainda não precisaram de recorrer às armas.


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SEMANADA - Após estar seis meses limitada a actos de gestão corrente a administração da CGD demitiu-se; só depois disso o Ministro das Finanças veio dizer que tinha havido um desvio de 3 mil milhões de euros ao plano de negócios da instituição; Marcelo Rebelo de Sousa não fugiu a nenhuma fotografia com José Sócrates quando se encontraram numa inauguração, ao contrário do que fez António Costa no Túnel do Marão; Marcelo Rebelo de Sousa andou a tocar bombo nas ruas de Alfândega da Fé; ainda em Trás os Montes, Marcelo Rebelo de Sousa comparou a Presidência da República e  o Governo a cogumelos - o da Presidência maior, ao qual se encosta o menor, do Governo - e disse que o cogumelo presidencial aguentará “por uns tempos” o cogumelo governamental; o PCP esclareceu que a proposta do Bloco de Esquerda de realização de um referendo sobre a permanência na União Europeia viola a Constituição;  um grupo de trabalho criado pelo Governo aconselhou a legalização da Uber e plataformas semelhantes; um funcionário do Tribunal de Loulé vendia dados de processos em curso por 2000 euros; 40% das pensões por desemprego de longa duração são inferiores a 400 euros; as inscrições em universidades privadas cresceram 7% no ano lectivo 14-15; o Bareme Imprensa da Marktest quantifica em 7,2 milhões o número de portugueses que contactam com jornais ou revistas e em 5,2 milhões o número de leitores regulares; a análise, em comissão parlamentar, do projecto de lei sobre alargamento da TDT foi adiada; desde a introdução da carta por pontos as multas na estrada caíram 24%; cada vez que ando pelo caos lisboeta penso que há quem trabalhe para deixar obra feita e há quem só pense em fazer obras. Manias.


 


ARCO DA VELHA - Históriaescondida Lda é o criativo nome dado a uma empresa que Diogo Gaspar,  o Director do Museu da Presidência acusado de várias irregularidades, utilizou para as suas actividades, agora sob investigação.


 


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FOLHEAR - A editora Guerra & Paz gosta de complicar o que é simples. E ainda bem. Em vez de se limitar a reproduzir textos clássicos, dá-se ao trabalho de os trabalhar graficamente, faz ensaios que procuram contextualizar as obras e os seus autores, e ainda por cima inclui nas edições as respectivas biografias. Tudo isto se passa na sua nova iniciativa editorial, a colecção Livros Amarelos que se propõe revelar “as relações compremetedoras de textos célebres”. O amarelo das capas, com o pormenor gráfico de um cortante que permite ver outra côr que vai mudando de edição para edição, é impossível de passar despercebido nos escaparates. A colecção diz-se amarela em homenagem à “Yellow Book” uma revista publicada em Londres antes da União Europeia, mais precisamente no século XIX, e que foi um pólo do modernismo. O grafismo destes livros é de Ilídio Vasco. O primeiro volume (na imagem) junta”O Banqueiro Anarquista”, de Fernando Pessoa, uma leitura terrivelmente adequada aos tempos que correm, e “A Alma do Homem Sob a Égide do Socialismo”, de Oscar Wilde. O texto que ensaia a ligação entre as duas obras é de Manuel S. Fonseca, que dirige a editora. O segundo volume, também já publicado, começa por “Pessimismo Nacional”, um fascinante texto de Manuel Laranjeira, um médico que viveu entre o fim do século XIX e o princípio do século XX e que se suicidou depois de enviar uma carta ao seu amigo Miguel de Unamuno. O outro autor deste segundo volume é precisamente Miguel de Unamuno, que pensando no que Manuel Laranjeira escrevera, publicou “Portugal, Um Povo Suicida”. A ligação entre as duas obras é feita por Helder Guégués, que faz uma incursão apaixonante aos tempos em que tudo isto aconteceu.


 


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VER - Uma das mais curiosas exposições que pode ser vista por estes dias, até 30 de Outubro, é  Fora do Padrão. Lembranças da Exposição de 1940, no Padrão dos Descobrimentos, em Belém.  A exposição é baseada em entrevistas a pessoas que na sua infância ou adolescência visitaram a exposição realizada pelo regime de Oliveira Salazar para comemorar a data da fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640) e revisita as suas memórias. Na realidade a  exposição está formada a partir de recordações de 28 pessoas, na época crianças e adolescentes, que visitaram a exposição e que percorrem as suas memórias do tempo da guerra e até do racionamento. Lembram-se de ver a exposição de fora, lembram-se dos sons, de ver as coisas de baixo, dos cheiros, dos animais, dos crocodilos  que estavam no Tanque do Jardim Colonial, e do teleférico então instalado. A exposição é fruto de uma investigação feita ao longo de um ano pelo CRIA - Centro em Rede de Investigação em Antropologia. Outras sugestões: até 16 de Setembro a Galeria João Esteves de Oliveira, sob o título “Não há folha de sala”, reúne obras em papel de nomes como Manuel Botelho, Sofia Areal, Jorge Martins, Cecilia Costa, Pedro Calapez, José Pedro Croft e Álvaro Lapa (na imagem), entre outros. Na Sociedade Nacional de Belas Artes abriu esta semana uma exposição de trabalhos dos finalistas de pintura da Faculdade de Belas Artes, ano lectivo 14-15.


 


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OUVIR - Que se pode dizer da gravação de um concerto dos U2? - Eles proporcionam canções que marcaram os tempos, muito som, luz deslumbrante e parafernália tecnológica e visual sem fim: usam tudo o que está disponível de melhor e mais moderno, concebido pelos melhores técnicos. “iNNOCENCE+eXPERIENCE - Live in Paris” reproduz os concertos que os U2 deram em Paris em Dezembro do ano passado e que foram transmitidos em live streaming pela HBO. Os concertos de Paris eram para ter ocorrido em Novembro mas foram adiados devido ao atentado no Bataclan. Não por acaso um dos convidados da noite de 7 de Dezembro foram os Eagles Of Death Metal, que se juntaram aos U2 em palco para uma versão conjunta de “People have The Power”, que encerra o DVD. Na segunda noite de Paris quem se juntou aos U2 na mesma canção foi Patti Smith - mas esse registo só está disponível na edição Deluxe do DVD, que icnlui também cenas de bastidores e diversos telediscos. A edição normal tem 30 temas, que percorrem os grandes êxitos dos U2, desde o início da carreira da banda até às gravações mais recentes, e ainda versões de temas de John Lennon, Bee Gees, Doors, David Bowie, Talking Heads, Jacques Brel, The Ramones, Paul Simon, Van Morrison e, claro, Patti Smith - precisamente em “People Have The Power”. A simplicidade e energia natural da banda nos seus tempos irlandeses foi basicamente substituída pela tecnologia e por uma produção sofisticada. Não é por acaso que Bono quer manter o elixir da juventude activo, graças a uma overdose de maquilhagem electrónica. A realização é de Hamish Hamilton, a edição é Island/Universal, já disponível em Portugal.


 


PROVAR - Nestes dias de calor o que sabe mesmo bem a meio da tarde é um gelado. Se estiver nas proximidades de S. Bento recomendo o Nannarella - um estabelecimento que nas suas próprias palavras propõe gelados e sorvetes à moda de Roma. São todos de fabrico próprio, a partir de fruta fresca, e há inclusivamente sorvetes para intolerantes a lactose. São propostos  sabores invulgares, como sorvete de flor de basílico ou guloseimas pouco ortodoxas, como o gelado que é feito à base de bolachas Oreo. Recentemente experimentei o gelado de pistácio, magnífico, e o sorvete de morango, cheio de sabor. Um dia destes hei-de experimentar o de maçã e canela e tenho esperança de encontrar rapidamente a cassata siciliana, que para mim é o petisco dos gelados. O espaço é muito pequeno, é frequente a fila ir pela rua fora, mas o atendimento é rápido e simpático. Há quem diga que estes são os melhores sorvetes de Lisboa e a casa faz entregas ao domicílio. A Nannarella fica na Rua Nova da Piedade 68, frente ao mercado de S. Bento, está aberta diariamente entre as 12 e as 22h00 e o telefone é o 926878553. Tem página no Facebook.


 


DIXIT - “Cortar fundos a Portugal e Espanha é criar dificuldades à própria Europa” - Marcelo Rebelo de Sousa.


 


GOSTO - Da iniciativa da carta aberta contra as praxes violentas, dirigida às universidades e respectivas associações de estudantes, assinada por uma centena de personalidades.


 


NÃO GOSTO - Das manobras para atrasar os reembolsos do IRS


 


BACK TO BASICS - É mais fácil partir um átomo do que um preconceito - Albert Einstein




julho 01, 2016

SOBRE OS REGIMES E OS VOTOS

BREXIT - Eu percebo que os britânicos que votaram pela permanência na União Europeia se sintam incomodados com o resultado do referendo. Mas já não entendo que os burocratas de Bruxelas, com Juncker à cabeça se armem em carpideiras do brexit. Durante anos fizeram a Europa adoecer, permitiram que entrasse em estado comatoso e incentivaram que ficasse moribunda. Desde a data do referendo sucedem-se, a partir de Bruxelas, os disparates, as ameças, as pressões contra os cidadãos britânicos que votaram pela saída e instiga-se a revolta dos que quiseram ficar, numa ingerência intolerável sobre o resultado de um voto. As carpideiras de Bruxelas não esperavam este resultado porque nunca percebem o que se passa e porque a realidade, para eles, é turvada pelos cocktails que frequentam em círculo fechado. Não foi o Reino Unido que perdeu, foi a Alemanha, com as posições que forçou a Europa a tomar, frequentemante com a ajuda do governo francês (como aconteceu em outros momentos da História), que venceu o primeiro round. Mas, na verdade, isto só agora começou e daqui a uns tempos há-de haver quem pergunte se preferimos ser aliados da Alemanha ou do Reino Unido, se queremos estar com a mais antiga democracia da Europa e com o país onde a criatividade é uma da maiores indústrias nacionais, ou se queremos ficar do lado de quem provocou duas guerras e tem no sangue interferir noutros países. O que se vê dos votos de Juncker e dos seus semelhantes, pelas declarações que proferem, é que os votos afinal valem pouco na Europa. Não admira - um parlamento europeu que é um verbo de encher e não passa de um pesado centro de custos que irradia directivas absurdas, tem sido um dos mais fortes destruidores da utopia europeísta.  Os líderes da UE devem considerar seriamente fazer o que não conseguiram fazer desde 2008: resolver as suas múltiplas crises em vez de tentar saídas improvisadas (...) O Reino Unido não é a causa de tudo isto. A zona euro e os seus líderes assustadoramente fracos são os culpados” -  as palavras são de Wolfgang Münchau, no Financial Times.


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SEMANADA - Em dois anos ataques terroristas mataram 10 pessoas por dia em todo o mundo; o Ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu numa entrevista que as previsões sobre o crescimento da economia nacional podem ser revistas em baixa em outubro; António Costa veio pouco depois contradizê-lo, afirmando que para 2016 "os dados estão lançados e dão contas certas"; há escolas do ensino básico a passar alunos com sete negativas; o preço da água em Olhão subiu 35%; o Chefe do Estado Maior do Exército decidiu substituir o subdirector do Colégio Militar e o Director de Educação e Doutrina do Exército; há poucos dias o Exército tinha anunciado que um inquérito realizado em Maio ao Colégio Militar “não identificou quaisquer evidências da existência de situações discriminatórias, motivadas por questões raciais, religiosas, sexuais, com base na orientação sexual ou por outros fatores”; desde o início do Euro já foram difundidas mais de 30 mil notícias sobre a competição, 70% das quais sobre a Selecção Nacional; segundo a Marktest 40.2% dos residentes no Continente com 15 e mais anos ouve música gravada ou online através do computador, o telemóvel é o segundo suporte mais usado com 31.7% de referências, seguido do auto-rádio com 25.0% e só depois a aparelhagem Hi-Fi, com 17.7%, o Tablet, com 15.7%, e os leitores de formatos digitais, com 8.1%.; Manuel Sebastião, ex-presidente da Autoridade das Concorrência, estima que a “soma simples dos custos dos quatro desastres” bancários,  BPN, BPP, BES e Banif, entre 2010 e 2015, aponta para 17,1 mil milhões de euros, o que se traduz num igual aumento da dívida pública, o equivalente a 9,5 % do PIB.


 


ARCO DA VELHA - Vitor Constâncio, na carta que dirigiu à Assembleia da República sobre o caso Banif, disse ter hoje uma “memória muito lacunar” dos assuntos em torno desse tema, que analisou enquanto governador do Banco de Portugal.


 


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FOLHEAR - A revista “Monocle”, que aqui tenho elogiado várias vezes, está a chegar a um momento difícil. Muita da frescura e inovação que apresentou quando foi lançada, em 2007, desvaneceu-se com o tempo. Instalou-se a rotina - de temas, de grafismo, editorial. A qualidade da fotografia baixou mas, pior que tudo, a proliferação de conteúdos, patrocinados ou apoiados, não identificados como tal, está a chegar a um ponto de desiquilíbrio. Há demasiada troca de interesses e favores recíprocos que se adivinha lendo as páginas de sucessivas edições. Sente-se cada vez mais que a redacção da revista fala sobre locais que aborda com reduzido conhecimento, ouvindo fontes pouco diversificadas e, muitas vezes, fazendo passar mensagens desfocadas da realidade. A edição de Julho /Agosto, como é hábito, tem a lista das 25 cidades que a “Monocle” considera as melhores para se viver. Tokyo continuou no primeiro lugar, seguida de Berlim, Viena, Copenhague e Munique. Madrid aparece na 14ª posição e Lisboa na 16ª, tendo subido dois lugares desde o ano passado - mas com alertas para temas como o trânsito caótico e a dificuldade de estacionamento que diz deverem ser melhorados. Lisboa aparece ainda com um destaque, sobre os seus parques e jardins, um pretexto para o vereador Sá Fernandes fazer um dos seus exercícios de propaganda demagógica com pouco correspondência com a verdade, infelizmente sem contraditório. Lisboa pode ser muito curiosa para um estrangeiro que nos visite dois ou três dias, mas está cada vez pior para se viver. Os seus habitantes e contribuintes são cada vez mais acossados por um executivo camarário em desvario de obras eleitoralistas. Não deixa de ser curioso que Sá Fernandes se declare satisfeito por ser considerado um inimigo dos automobilistas e que no editorial de última página, o director da Monocle, Tyler Brulé sublinhe: “Acreditamos firmemente que os veículos pessoais (táxis e outros) ainda têm cabimento nos centros das cidades e suas periferias.”


 


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 VER - O novo museu da EDP, o maat (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) começou a desvendar a sua actividade esta semana. Criado dentro da Fundação EDP, a partir do espaço da Central Tejo, em Belém, o maat abriu a primeira fase, fruto da remodelação de espaços do edifício da Central Tejo, já concluída, com um sensível aumento da área expositiva. O novo edifício, em fase adiantada de construção, abrirá no Outono e será o novo pólo de desenvolvimento das actividades da Fundação EDP na área da arte contemporânea. A partir desta semana ficaram patentes quatro exposições, de que me permito destacar “Solilóquios e solilóquios sobre a Morte, A Vida e outros interlúdios” (na imagem). É um trabalho de Edgar Martins. um dos poucos fotógrafos portugueses que tem feito uma carreira internacional. Foi um dos vencedores do BES Photo e tem numerosos projectos, que combinam um lado documental com uma visão muito pessoal, estudada e criativa. A exposição que agora é apresentada no maat é o seu mais  recente projecto, fruto de uma pesquisa no Instituto de Medicina Legal de Lisboa, feita ao longo de três anos. É um trabalho sobre o universo e o imaginário da morte, em especial da morte violenta, e sobre o papel que a fotografia tem exercido na sua percepção.  “Lightopia”, a segunda exposição, resulta de  uma parceria com o Vitra Design Museum e aborda a forma como a luz eléctrica revolucionou o nosso ambiente.  A terceira exposição assinala o facto de o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia ser a mais recente instituição a integrar o Artists’ Film International, um programa dedicado à exibição de vídeos, filmes e animações realizadas por artistas de todo o mundo. Integra agora 16 entidades e foi iniciado em 2008 pela Whitechapel Gallery, de Londres.  Finalmente, a quarta exposição desta série, “Segunda Natureza” visita o acervo da colecção de Arte da Fundação EDP e apresenta cerca de cinquenta obras realizadas por vinte e seis artistas, que datam desde os anos de 1970 até ao presente e onde me permito destacar uma peça poderosa, de Manuel Baptista, “Falésia”. Na Central Tejo, Avenida Brasília, todos os dias até Outubro, excepto às terças, entre as 12 e as 20h.


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OUVIR - O pianista Bruce Brubaker escolheu algumas das obras mais conhecidas de Philip Glass e interpretou-as de uma forma que faz com que mesmo os apreciadores mais dedicados de Glass possam aqui sentir algumas novidades. Brubaker é um dos mais interessantes pianistas norte-americanos, que combina uma sólida formação clássica com o prazer da reinterpretação de compositores contemporâneos - aliás já gravou várias obras de Glass e também de John Cage ou Meredith Monk . Neste “Glass Piano” Brubaker baseou-se no repertório que o próprio Philip Glass escolheu para o seu  disco “Solo Piano” de 1989. Aqui estão peças bem conhecidas como “Mad Rush”, os cinco movimentos de “Metamorphosis”, “Knee Play” e o incontornável “Wichita Vortex Sutra”, que Glass compôs inspirado num poema de Allen Ginsberg. E é precisamente em “Wichita” que Brubaker atinge o seu melhor momento nestas reinterpretações. CD In Finé, no Spotify, onde também pode ouvir as remixes feitas para “Mad Rush”, “Metamorphosis” e “Knee For Thought”.


 


PROVAR -  João Portugal Ramos tornou-se conhecido como um dos primeiros enólogos a iniciar a grande mudança dos vinhos no Alentejo - primeiro trabalhando para vários produtores, depois, a partir das suas próprias vinhas, criando marcas próprias que fizeram nome. Mais tarde lançou-se, com sucesso, ao desafio do Douro, das Beiras, da região de Lisboa e do Vinho Verde. Alguns dos seus vinhos, como o Duorum e o Foz do Arouce ganharam importantes prémios de revistas norte-americanas. Pelo caminho surgiu um projecto de Enoturismo, a adega Vila Santa, e, agora, um azeite - o Oliveira Ramos Extra Virgem, a partir de olivais de Estremoz, com colheita tradicional e extracção a frio. O azeite assim obtido tem uma acidez de 0,2, bastante frutado de azeitonas, sabor cheio. Um bom teste para qualquer azeite é prová-lo no pão e este passa essa prova com distinção.


 


DIXIT - “É a última vez que aplaudem aqui. (...) O povo britânico votou a favor da saída. Porque estão aqui?” - Jean Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, dirigindo-se a deputados do Reino Unido no Parlamento Europeu.


 


GOSTO - Ramalho Eanes pediu a fiscalização das promessas dos políticos e da exiquibilidade financeira de certas promessas eleitorais.


 


NÃO GOSTO - Do comportamento de ingerência do Ministro das Fianças alemão, Wolfgang Schäuble.


 


BACK TO BASICS - “A democracia é a pior das formas de Governo, à excepção de todas as outras que foram ensaiadas” - Winston Churchill





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junho 24, 2016

TDT - ISTO NÃO SERÁ UMA INTERFERÊNCIA DO GOVERNO NA CONCORRÊNCIA?

TDT - O Governo, através do Ministério da Cultura, anunciou esta semana que a RTP terá mais dois canais na plataforma da Televisão Digital Terrestre, TDT. Esses canais serão a RTP 3 e a RTP Memória, ambos no fundo do ranking de audiências do cabo. Tenho as maiores dúvidas sobre esta opção. Em primeiro lugar porque, a haver alargamento dos canais distribuídos, ele deveria ser por concurso entre os diversos operadores e não por atribuição directa a um, no caso a RTP. A Anacom, que é suposta ser a entidade reguladora nesta matéria,  fez notar esta anormalidade e parece ter sido ultrapassada em todo este processo. O Ministro apressou-se a dizer que dois outros operadores privados teriam eles próprios direito a um canal suplementar cada - mas a verdade é que a plataforma da TDT não permite mais canais e o alargamento do seu número só é possível a troco de alterações técnicas relevantes e com considerável custo. A  história da TDT em Portugal mostra que ela foi deliberadamente mal construída, para fomentar a actividade dos operadores de cabo - e teve êxito nessa função.  Basta dizer que segundo o relatório mais recente da Anacom sobre esta matéria 86,8% das famílias são subscritoras em distribuidores de cabo - portanto apenas 13,2% vêem televisão através da plataforma TDT. Ao contrário de outros países, como Espanha aqui ao lado, em que a TDT dispõe de um leque competitivo de canais, aqui tem apenas os antigos hertzianos - RTP1 e 2, SIC e TVI e ainda o lamentável Canal Parlamento lá colocado à pressão pelos próprios deputados num exercício de onanismo ridículo. Acontece no entanto que a promessa de abertura futura a privados feita por este pouco informado Ministro nem sequer tem em conta a nova realidade da concorrência no sector e menos ainda as audiências actuais  - que me escuso de referir aqui, mas que remeteriam a RTP para o fundo da lista e colocariam outros novos operadores em seu lugar. Hoje em dia há 3,54 milhões de casas residenciais cabladas, das quais um quarto já possuem fibra óptica. Se o Ministro tivesse  a mais vaga ideia do assunto saberia que o modo de ver televisão está a mudar, que já nem o cabo é solução de futuro, e que a TV recebida por via digital - sobretudo graças ao processo de implantação de uma rede nacional de fibra óptica em que o próprio Estado está envolvido - é aquilo que é cada vez mais utilizado. A tecnologia TDT é em Portugal um caso aberrante e em termos gerais um modo de distribuição de televisão ultrapassado. No caso concreto da RTP cabe também dizer que a operação terá custos, de distribuição de sinal, consideráveis, que vão agravar as contas já débeis da empresa. Mas isso, como se costuma dizer, são outros quinhentos - siga, que alguém pagará.


 


SEMANADA - Esta semana José Sócrates reapareceu para considerar que o inquérito à Caixa Geral de Depósitos pode significar um “ataque de carácter” à sua pessoa e ao Governo que liderou;  entrou assim em rara divergência com  Armando Vara, que considerou positiva a realização do tal inquérito; a deputada do PS Gabriela Canavilhas sugeriu o despedimento de uma jornalista do Público porque não gostou da forma como fez a reportagem da manifestação pelo ensino público; 15% das casas vendidas no ano passado em Lisboa foram compradas por estrangeiros;  este ano têm sido vendidas em Lisboa cerca de 320 casas por dia; o preço das casas no centro histórico de Lisboa disparou 36% em cinco anos;  todos os meses, 20 empresas europeias são compradas por investidores chineses; o indicador da actividade económica abrandou pelo sexto mês consecutivo, entrando em terreno negativo pela primeira vez desde Agosto de 2013; o Estado português atribuiu perto de 233 mil prestações de desemprego em Maio, deixando sem estes apoios cerca de 377 mil desempregados; nos primeiros cinco meses do ano emigraram mais de 175 médicos; entretanto 158 médicos recém licenciados ficaram sem vaga para fazer a especialidade e alguns encaram emigrar; Sampaio da Nóvoa foi o candidato presidencial que mais gastou na campanha eleitoral, 924 mil euros, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa declarou despesas de 179 mil euros; apenas três candidatos tiveram direito à subvenção estatal por terem obtido mais de 5 % dos votos: Marcelo Rebelo de Sousa reclamou do Estado 165.488 euros, Sampaio da Nóvoa 896.928 euros e Marisa Matias 290.215 euros.


 


ARCO DA VELHA - Um militar da unidade de intervenção da GNR acumulava essa função com ser actor de filmes pornográficos nos tempos livres; um inspector da Polícia Judiciária, da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, integrava uma rede que garantia a passagem de veículos nas inspecções automóveis.


 


FOLHEAR - A capa da edição de verão da revista  Vanity Fair é a Rainha Elizabeth II,  de Inglaterra, fotografada por Annie Leibowitz . O portfolio de Leibowitz sobre a Rainha - que agora fotografou pela segunda vez - é extraordinário. Foi feito por ocasião do 90º aniversário da soberana, que está no trono há 64 anos. Tem 20 páginas e mostra momentos oficiais mas também situações pessoais e familiares da rainha. Vários artigos acompanham o portfolio, o mais interessante deles é de Sir Kenneth Scott, um historiador e diplomata, dos quadros do Foreign Office, que trabalhou com a Elizabeth II em Buckingham durante uma década - chama-se “In Her Majesty’s Private Service”. Outro artigo interessante desta edição da Vanity Fair é uma viagem ao atribulado mundo do Twitter, cujo número de utilizadores estagnou e que tem vindo a perder valor em bolsa - inclui uma entrevista com Jack Dorsey, o seu fundador que recentemente voltou a ser CEO da companhia. Ainda no mundo virtual “Zuckerberg Unbound” apresenta uma amostra do livro de Antonio Garcia Martinez sobre Silicon Valley e, no caso, sobre a guerra entre Google e Facebook. A terminar um magnífico trabalho, “War & Truth”, dedicado a quatro grandes fotógrafos de guerra - David Douglas Duncan, Don McCullin, James Nachtwey e Lynsey Addario.





VER - Se esta semana tivesse que sugerir apenas uma exposição, não hesitava: é de fotografia (na imagem), responde pelo título de “Encantamento” e é da autoria de António Carrapato. Trabalhou como fotojornalista no Público, mas foi sempre desenvolvendo um trabalho mais pessoal, baseado no quotidiano e nos acontecimentos que fotografou como notícia, mas que perduram para além do momento e do contexto de actualidade em que surgiram. Ao todo são uma centena de fotografias, feitas entre 1985 e 2015, numa exposição que tem curadoria de José Soudo. está na Galeria Módulo, Calçada dos Mestres 34 A, de terça a sábado, entre as 15 e as 19h30. Há ainda outra recomendável exposição, na Barbado Gallery, da austríaca Gundi Falk, que cria fotografias sem câmara através de um processo chamado Chemigram, criado em 1956 pelo belga Pierre Cordier, com quem Falk trabalhou. A exposição da Barbado (Rua Ferreira Borges 109) fica até 16 de Agosto. Entretanto no CCB, no espaço Garagem, dedicado à arquitectura, está uma exposição de Souto Moura que mostra maquetas de 25 anos de projectos. Finalmente, se por acaso forem até Madrid não percam, no Museu Thyssen - Bornemisza, a exposição Caravaggio E Os Pintores do Norte.


 


OUVIR - Se gostam mesmo de blues este novo álbum de Eric Clapton é o que vem a calhar. Chama-se “I Still Do”, é produzido por Glyn Johns (o responsável por “Slowhand” de 1977) e tem sido considerado como o melhor trabalho de Clapton nos últimos anos. “I Still Do” tem sobretudo versões cuidadosamente escolhidas - a começar pela faixa de entrada, “Alabama  Woman Blues”, um original de Leroy Carr, nos anos 30 do século passado. Mas há outras pérolas, como “Cypress Groove”, de Skip James ou “Stones In My Passway” , de Robert Johnson, ou ainda o tradicional “I’ll Be Allright”. Para além destes clássicos, há surpresas como “I Dreamed I Saw St. Augustine”, um original de Bob Dylan, editado no álbum John Wesley Harding, para onde foi repescado a partir das lendárias “basement tapes”, ou ainda “Somebody’s Knockin” de JJ Cale, que é definitivamente um dos pontos altos deste CD. Uma surpresa é a presença de George Harrison, identificado como Angelo Misterioso, em “I Will Be There”, gravado há uns anos mas nunca antes editado. “I Still Do” é o 23º álbum de estúdio da carreira de Clapton. Finalmente destaque para um tema original de Eric Clapton, a balada “Spiral”. O álbum termina com mais uma versão, “I’ll Be Seeing You”, popularizada por Billie Holiday.





PROVAR -  O Casa Nostra é um histórico restaurante do Bairro Alto, aberto há 30 anos, a 1 de Abril de 1986, por Maria Paola Porru, com o objectivo de dar a conhecer a verdadeira cozinha de Itália, trabalhando com produtos seleccionados e importados do seu país, o que continua a acontecer. Para além da boa cozinha o Casa Nostra distinguiu-se pela sua decoração, da responsabilidade do arquitecto Manuel Graça Dias, e também por obras de artistas como Pedro Cabrita Reis, ainda hoje nas suas paredes. Aberto na época de ouro do Bairro Alto, o Casa Nostra marcou uma geração, que também frequentava o Papa Açorda e, à noite, o Frágil. Apesar de o Bairro Alto ter piorado, a boa notícia é que o Casa Nostra continua a ser uma referência, como voltei a constatar numa recente visita. Para aperitivo sugiro o vermute da casa, temperado a basílico, ou um spritz veneziano. Nas entradas ficará bem servido com o carpaccio de polvo ou de carne ou ainda com uma magnífica bresaola. Chegados às massas recomenda-se o spaghetti al pomodoro ou alla carbonara, ou ainda a rotolla de ricotta e spinaci - uma tarte de massa fresca com queijo ricotta e espinafre. Nos peixes, duas boas escolhas : os filetes com pistácio ou o linguado com azeitonas pretas e vermute. Nas carnes a minha preferência foi para a saltimboca alla romana - escalopes recheados com presunto e salvia  acompanhados por acelgas. Mas também tinha ficado bem com um magnífico ossobuco à milanesa, experimentado noutras ocasiões. Nas sobremensas recomendo um dos sorvetes da casa ou então o tiramisú. Para beber há água S. Pellegrino, uma lista de vinhos curta mas interessante e, se preferirem um rosé, experimentem o D. Maria, que está em bom momento. A relação de qualidade preço é muito boa. Hoje em dia o Casa Nostra tem também uma pequena esplanada que sabe bem nestas noites quentes e fica na esquina da Rua da Rosa com a Travessa do Poço da Cidade. O telefone é o 213 425 931.


 


DIXIT - “Um inquérito parlamentar não belisca o interesse do accionista. E pode descobrir-se muita coisa” - João Duque, economista, sobre a CGD.


 


GOSTO - O Ministério da Cultura quer dar maior autonomia financeira a alguns museus, a começar pelo de Arte Antiga, para que os esforços de angariação de mecenato revertam para eles e não para um bolo geral.


 


NÃO GOSTO - A Câmara Municipal de Lisboa quer provocar sérios constrangimentos ao trânsito na Praça de Espanha com as obras que para lá tem projectadas - quando a isto se somar Sete Rios então o caos vai ser interessante.


 


BACK TO BASICS - “O terrorismo global não é um jogo de computadores que se joga em casa na sala de estar” - Elena Ferrante


 


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junho 17, 2016

OS CEM DIAS .... E O RESTO

 


GRAVITAS - O maior feito de Marcelo Rebelo de Sousa nestes seus primeiros cem dias como Presidente da República foi conseguir que os cidadãos, pela primeira vez em muitos anos, reganhassem respeito pelo titular de um cargo político independentemente de filiações partidárias. Há quem se incomode com o facto de Marcelo romper o protocolo, falar directamente com as pessoas e fazer coisas imprevistas como passear no meio dos espectadores do Primavera Sound ou ir à praia, descontraído, como gosta e costumava fazer. Ao longo destes 42 anos, desde 1974, criou-se a ideia de que os titulares de cargos políticos eram uma elite intocável que, à excepção dos períodos de campanha eleitoral, evitava - e por vezes desprezava - o contacto popular com os cidadãos. Alguns comentadores consideram que esta falta de “ gravitas” de Marcelo, como Presidente, pode danificar a instituição . Pois a mim parece- me exactamente o contrário. Marcelo está a recuperar a credibilidade não só do seu cargo, como da percepção que as pessoas têm do pessoal político. Esta foi uma semana rica de simbolismos - a forma como agiu face a alguns diplomas, as justificações que deu, e, sobretudo o 10 de Junho. A sua frase sobre as culpas das elites na situação portuguesa, e o reconhecimento de que foi o povo que salvou a Nação, é talvez a coisa mais importante e profunda que disse e que melhor sintetiza o Portugal deste século. E a sua relação com António Costa, de que o episódio do guarda chuva de Paris é um símbolo, permanecerá como um sinal de respeito entre instituições, sem ser nas solenidades dos corredores de Belém. Como um artigo da agência Lusa registou, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teve mais de 250 iniciativas de agenda - entre visitas, encontros e audiências - nos primeiros 100 dias em funções e só em 18 dias esteve em silêncio. Ainda bem que tem sido assim.


 


SEMANADA - A zona euro cresceu três vezes mais que Portugal no primeiro trimestre deste ano;  a proporção dos alunos do ensino secundário que querem candidatar-se ao ensino superior baixou mais uma vez; o Banco de Portugal prevê uma quebra no volume das exportações, em relação às previsões iniciais; só em Abril as exportações de bens caíram 2,3% em relação ao ano passado; um relatório da D&B indica que são as empresas mais pequenas e as mais novas, como as start-ups, que estão a criar mais emprego em Portugal; vários deputados municipais, da maioria dos partidos, defenderam a demissão do vereador Manuel Salgado e do Director Municipal do Urbanismo devido às irregularidades detectadas na torre das Picoas; Tino de Rans anunciou que vai criar um partido e realizará no verão uma viagem pelo país para ouvir sugestões de nomes para a organização; o passivo dos partidos políticos com assento na Assembleia da República ascende 35 milhões de euros e a maior parte é do PS;  29,2% dos portugueses acreditam que Portugal pode ganhar o Euro, indica uma sondagem do Correio da Manhã; em Abril a dívida pública ultrapassou 130% do PIB; Costa seguiu o exemplo de Passos Coelho e também apelou a que os professores emigrem;  o agente do SIS que foi detido armado em espião diz que costumava levar consigo documentos da NATO para trabalhar fora do serviço e declara ter passado recibo pelo dinheiro que terá recebido dos russos; um relatório agora divulgado indica que a gestão de Santos Ferreira e Armando Vara teve grande responsabilidade no acumular de 2,3 mil milhões de euros de créditos que estão em risco.


 


ARCO DA VELHA - Para transformar a Fontes Pereira de Melo numa avenida mais amiga dos peões e com mais árvores a CML vai abater dez choupos cinquentenários.


 


FOLHEAR - “Scenario” é  uma revista dinamarquesa sobre análises, tendências, ideias e futuros. Na sua mais recente edição a “Scenario” aborda a comunicação no século XXI, fala da utilização de traduções automáticas ou da robotização na escrita e no jornalismo. Mas o artigo “Language And Communication in the 21st Century” estuda sobretudo a forma como a tecnologia moldou sempre a forma como comunicamos o longo caminho desde a invenção da impressão tipográfica há seiscentos anos até à generalização dos icones e emojis como forma de expressão universal de ideias e sentimentos sem recurso a palavras. Outro texto, “Broken Nations & Rising Cities” formula uma tese interessante: hoje em dia, e cada vez mais, as cidades são o território onde as coisas acontecem, onde as transformações são mais rápidas e as mudanças se concretizam. Ora isto levará à redução da importância das instituições nacionais, deixando aos Estados essencialmente o papel da construção da cultura nacional e da regulação da cooperação entre as cidades, ficando os Estados no entanto com menor poder de decisão em relação a decisões políticas. Um dos artigos mais interessantes aborda o papel dos seres humanos numa sociedade onde as máquinas crescem e o trabalho diminui. É inevitável que surja  a pergunta: será que a automação criará novos empregos? E existe uma tendência - o trabalho tem uma forma cada vez mais híbrida e multidisciplinar, coisa que já é patente nas indústrias criativas mas que vai rapidamente alastrar a toda a sociedade. O artigo tem o título “Your children’s jobs have yet to be invented” e elabora sobre  a entrada no mercado de trabalho da primeira geração que nasceu no digital. A “Scenario “ é editada seis vezes por ano pelo Copenhagen Institute for Future Studies, e está à venda por 13 euros na “Under The Cover”, Rua  Sá da Bandeira 88b. Podem explorar a temática da revista em www.scenariomagazine.com.





OUVIR - James Blake é um cantor de emoções - pela forma como compõe, como escolhe os ambientes sonoros, como interpreta vocalmente. E é um asceta, um dedicado seguidor da simplicidade como o seu “Overgrown”, o álbum de 2013, bem demonstra. O seu novo disco, agora publicado, “The Colour Is Anything” reflecte no entanto uma evolução. Nas notas de capa do disco Blake diz que os três mais recentes anos da sua vida, entre o anterior disco e este, foram de aprendizagem e declara que este álbum é o documento dessa aprendizagem. Tem mais vozes, mais sonoridades e sobretudo mais parcerias criativas. Blake, que vive em Londres, confessou que em certo momento sentiu a necessidade de sair da sua cidade e procurar novos espaços. Encontrou-os com o produtor norte-americano Rick Rubin, nos estúdios deste último, o Shangri la, em Malibu. Sete das 17 temas do álbum são fruto dessa colaboração - embora seja evidente ao longo de todos a marca muito pessoal da produção do próprio Blake. Por curiosidade diga-se que James Blake trabalhou na produção do mais recente disco de Beyoncé, “Lemonade” e foi co-autor do respectivo tema de abertura, “Pray You Catch Me”. Bon Iver, Frank Ocean, Justin Vernon e o baixista Connan Mockasin são outros dos nomes que Blake reuniu à sua volta para pontualmente terem intervenção neste “The Colour Is Anything”. Há coisas que não se alteraram - a amplitude das paisagens sonoras, a utilização sabiamente combinada do piano, percussão, voz, sintetizadores e baixo, produzindo uma rara amplitude de paisagens sonoras. Os meus destaques vão para a faixa de abertura “Radio Silence”, “F.O.R.E.V.E.R”,  “I Hope My Life” e sobretudo para”Choose Me”, uma fantástica canção de amor, e para o tema que encerra o disco, um verdeiro hino moldado na voz de Blake, “Meet You In The Maze”. CD Polydor, distribuído em Portugal pela Universal Music.


 


VER - O terceiro piso do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Rua Serpa Pinto, Chiado), reabriu com a exposição “Vanguardas e Neovanguardas na arte portuguesa séculos XX e XXI” , que agrupa 80 obras em núcleos como “Retrato, Autofiguração e Arquétipos”, “Dos Futurismos ao regresso à ordem”, “Expressionismos e Surrealismo”, “Neocubismo, Neorealismo e Surrealismos”, “Abstracionismos e Nova Figuração”, “Neovanguardas anos 60 e 70”, e “Pós-modernismos e Novos Media”. Na imagem está a obra “Sombra projectada de René Bértholo”, de Lourdes Castro, de 1964. Lourdes Castro, juntamente com Fernando Lanhas e Joaquim Rodrigo têm presenças destacadas graças à qualidade e número das suas obras disponíveis no acervo do Museu. A reabertura deste terceiro piso completa as obras de renovação que permitiram usar áreas do Convento de S. Francisco, onde funcionava anteriormente o Governo Civil. Situado no centro histórico de Lisboa, o Museu do Chiado foi fundado em 1911, como Museu Nacional de Arte Contemporânea, e o seu acervo integra mais de 5.000 peças de arte, desde 1850 até à atualidade, incluindo pintura, escultura, desenho, fotografia e vídeo. Uma das questões que esta nova exposição coloca é a da ausência, desde há já vários anos, de uma política constante e coerente de compras de obras de artes contemporâneas por parte de entidades públicas, que no fundo foi o que permitiu que a presente colecção existisse.


 


PROVAR - Quando a escolha é um filet mignon de carne de primeira qualidade, grelhado, verdadeiramente mal passado, apenas temperado a sal e pimenta - a opção com melhor relação de qualidade preço é o self-service do Grill Gemini, um clássico lisboeta que continua com uma clientela fiel. O filet mignon vem com acompanhamento à escolha e custa 13€80. Dos menus diários faz sempre parte peixe fresco, exposto  numa vitrina logo à entrada, espetadas de gambas ou de lulas, bacalhau na brasa, entrecote ou costeleta de novilho, entre outras possibilidades. O prato do dia custa 6€, os outros variam até ao valor do filet mignon, que é o mais alto. O restaurante é um sobrevivente do Centro Comercial Gemini e fica na Rua Sousa Lopes, junto a Entrecampos. Estaciona-se com facilidade, fecha aos sábados e está aberto das 08h30 como café e pastelaria até às 18h30. Os produtos são fresquíssimos e o pessoal é muito simpático.


 


GOSTO - Metade dos doentes com hepatite C ficarão curados graças à nova medicação que foi aprovada pelo anterior Ministro, Paulo Macedo.


 


NÃO GOSTO - Nas obras que estão por todo o lado em Lisboa não há, em locais de boa visibilidade pelo menos, placas com informação da Câmara sobre da data de início, prazo previsto para conclusão e respectivo orçamento aprovado.


 


DIXIT - “Não se pode esquecer que tive votos que davam para encher os estádios do Dragão, de Alvalade e da Luz” - Tino de Rans


 


BACK TO BASICS - “Nunca vale a pena discutir com uma pessoa grosseira e mal criada. Ela fica sempre em vantagem por ter experiência em ser estúpida “ - Mark Twain


 


 

junho 09, 2016

PARADOXOS MODERNOS - OU A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NA ERA DIGITAL

TENDÊNCIA - A circunspecta, mas muito atenta, revista britânica The Economist, dedica a capa, o editorial e um artigo de investigação da sua edição de 4 de Junho ao tema da liberdade de expressão, que considera estar a ser crescentemente ameaçada. A capa mostra o rosto de um homem, com os lábios fechados por um cadeado, sob o título “Free Speech Under Attack”. O artigo, uma reportagem de investigação, informa sobre as limitações à  liberdade de expressão e de informação. “Sem que exista diversidade de ideias o mundo torna-se tímido e ignorante “ - sublinha a revista. Tudo isto se passa, num contexto, como “The Economist” faz notar, em que “ aparentemente se vive a idade dourada da liberdade de expressão - podemos ver um jornal do outro lado do mundo num smartphone em poucos segundos, há mais de mil milhões de tweets, posts no Facebook e actualizações de blogues que são publicadas diariamente e qualquer pessoa com acesso à internet pode tornar-se num editor”. No artigo e no editorial “The Economist” faz notar que há hoje em dia três formas principais de limitação da liberdade de expressão - em primeiro lugar a repressão de alguns governos em diversos países; em segundo lugar a perseguição a jornalistas que denunciam casos de corrupção ou investigam crimes, perseguição que muitas vezes acaba em execuções sumárias, como no México ou em algumas regiões controladas por extremistas religiosos; e em terceiro lugar a convicção, que ganha dimensão, diz a revista, que grupos da sociedade e algumas pessoas ou instituições têm o direito de não ser criticados e muito menos ofendidos - ou pelo menos sujeitos ao que consideram ofensas. Esta ultima forma, que vive debaixo da bandeira do politicamente correcto ou da defesa dos direitos das minorias, ou ainda do interesse nacional e de outros conceitos difíceis de explicitar, é talvez a mais difícil de combater e a que tem maior numero de adeptos, que exercem a sua censura, digamos, em nome do que entendem ser o Bem. A liberdade de expressão, escreve o editorialista, é a melhor forma de defesa que a sociedade tem contra a má governação e, sublinha, é a pedra basilar de todas as liberdades. Entretanto, por cá, no espaço de um ano o Diário Económico acabou na edição de papel, o Público e o Diário de Notícias, soube-se nos últimos dias, estão em vias de mudar de direcção editorial. No caso do Público fala-se há muito da redução de dias que terão edição em papel, o DN ainda não tomou esse passo. Este novo ciclo de mudanças que percorre a imprensa reforça a convicção que alguns jornais funcionam em círculo fechado para um pequeno grupo de políticos, directórios partidários e seus afiliados mais directos. Alguns deixam de falar do quotidiano das pessoas e das cidades onde vivem, ganham distância aos leitores na proporção em que se querem aproximar dos eleitos e dos grupos de interesse a que se dirigem. Creio que é este caminho que tem levado à destruição de valor no seio da comunicação. E creio que é neste comportamento que se manifesta em Portugal aquilo que “The Economist” considera como a terceira e preocupante forma contemporânea de limitação da liberdade de expressão. É muito difícil criar e consolidar uma marca de informação; mas é muito fácil destruir o seu valor.


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SEMANADA - O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, elogiou o Congresso do PS;  em 2015 o investimento dos business angels em Portugal caíu 16% devido à falta de capital público; a Mota Engil contratou Paulo Portas para liderar o conselho internacional da empresa, com especial enfoque na América do Sul; a oferta para Lisboa no Airbnb triplicou desde 2014 para 33 mil casas, revela a Bloomberg; o presidente da câmara não eleito defende que a cidade se deve preparar para receber mais turistas;  os turistas que visitam Lisboa rendem à Câmara sete milhões de euros por ano; o Belcanto subiu 13 lugares, para 78º, na lista dos melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”; o Porto de Lisboa teve quedas de 46% em Abril; de Janeiro e Abril o Porto de Sines Sines voltou a crescer e representa ja 53% da atividade portuária do continente; nas estradas algarvias registam-se 24 acidentes por dia em média; todos os meses há 18 mil condutores proibidos de conduzir; perto de dez mil condutores perderam pontos nas respectivas cartas de condução nos primeiros cinco dias de vigência do novo sistema; no primeiro mês o túnel do Marão foi utilizado por 324 mil veículos; 329 pessoas pediram para mudar de sexo em Portugal nos últimos seis anos; em 20 anos mais de dois mil médicos portugueses fizeram o curso na República Checa; desde o início de 2014 já morreram 14 mil pessoas no mediterrâneo.


 


ARCO DA VELHAO Presidente da Câmara de Celorico de Basto fez ajustes directos com uma empresa que era dos seus pais e depois afirmou desconhecer que a empresa era da família.


 


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FOLHEAR - Gosto destes livros que contam a história de coisas que se tornaram parte do nosso quotidiano e que, como no caso, mudaram na prática a geografia, os hábitos e a margem sul. É um género pouco praticado entre nós e que dá ainda maior relevo a “A Ponte Inevitável”, de  Luis Ferreira Rodrigues. O livro, agora editado, conta a história da Ponte 25 de Abril que a 6 de Agosto comemora 50 anos. Mas o livro mostra como essa história começa bem atrás, há 140 anos, quando o engenheiro Miguel Pais propôs, em 1876, uma ponte de ferro entre Lisboa e Montijo. O livro conta o que aconteceu nos  90 anos que decorreram desde que se avançou com a ideia de uma ponte entre Lisboa e a Margem Sul, até ao momento em que a ideia se transforma em realidade. Mostra ainda como a ponte é muito mais do que uma iniciativa de um projecto político subordinado aos ditames do Estado Novo. A ponte mudou a face de Lisboa, mudou o urbanismo da margem sul e um dia destes, como Luis Paixão Martins já anunciou no seu Facebook, vai ter um centro de interpretação em Alcântara e um sistema de visitas guiadas à ponte. O autor do livro, Luís F. Rodrigues. nasceu em 1976, no Barreiro. É Licenciado em Arquitectura do Planeamento Urbano e Territorial e mestre em Ordenamento do Território e Planeamento Ambiental, e  desenvolve a sua actividade profissional como urbanista em Lisboa. E já agora, dedica-se também ao estudo de história, arte e ciência das religiões, sendo autor de dois livros sobre o tema. A história da Ponte é uma edição da Guerra & Paz, com 288 páginas.


 


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OUVIR - Uma das coisas que me surpreende, com satisfação devo dizer, é constatar que nomes grandes da música popular, que se celebrizaram nos anos 60, continuam a produzir com uma pujança criativa assinalável, supreendendo muitas vezes pela maneira como conseguem sair “fora da caixa”. Paul Simon, que tem agora a provecta idade de 74 anos, lançou por estes dias um dos mais conseguidos discos da sua carreira a solo - arrisco-me a dizer que o mais inesperado e bem sucedido desde “Graceland”, de 1986. O novo trabalho chama-se “Stranger To Stranger”. Cabe aqui dizer que Paul Simon editou o seu primeiro disco, com Art Garfunkel, no distante ano de 1964, portanto há 52 anos. Em “Stranger To Stranger” Paul Simon continua a dedicar atenção a músicas do mundo, desde sonoridades africanas, até ao flamenco, ou, mais contemporâneo, samples do DJ italiano Clap! Clap!. Isto, além de uma série de instrumentos artesanais como um chromelodeon ou um harmonic  canon, desenvolvidos pelo compositor Harry Partch. Como tantas vezes na sua carreira, algumas destas canções são tristes - reflectem desilusão, perda, exclusão, mas têm também sentido de humor e de ironia, como logo na faixa inicial, “The Werewolf”. Devo dizer que é dificil eleger uma das 11 canções - mas não resisto a deixar aqui o meu destaque para “Insomniac’s Lullaby”, uma balada que entra directa para a lista dos grandes clássicos de Paul Simon. CD Concord/Universal, já disponível em Portugal.


 


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VER - Esta semana o MUDE sai para fora de portas enquanto decorrem as obras na sua casa, na Rua Augusta, e vai para a Sala do Risco, na Praça do Comércio, com a exposição "Abaixo as fronteiras! Vivam o design e as artes". Um pouco mais acima, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, José Maçãs de Carvalho mostra “Arquivo e Melancolia”, mais uma das incursões que tem feito ao seu arquivo pessoal de imagens, iniciado em 1988.  Ainda no Chiado, na Livraria Sá da Costa, renascida como alfarrabista e local de exposições, Teresa Milheiro mostra novas peças de joalharia numa colecção, exposta em vitrinas, a que chamou “Insectarium” (na imagem). Passando para o que acontece lá fora, Cristina Ataíde continua a mostrar a  sua obra do Brasil, desta vez em São Paulo, com uma exposição na galeria Virgílio- Mostra esculturas e desenhos sob o título “Até ao Abraço” e foi já elogiada pelo jornal “Estado de S. Paulo”. Em Miami, na Galeria Merzbau, abriu a exposição “Portugal Tropical”, com obras de Pedro Calapez, Mónica de Miranda e Maria Ana Vasco costa, comissariada por Alda Gasterer e Verónica de Mello.


 


PROVAR - Santo António está à porta e a sardinha está atrasada. Está magra, falta-lhe corpo e sabor. O mesmo acontece com alguma fruta - este ano o tempo atrasou-se a e natureza queixou-se como pode - não oferecendo o que tem de melhor na estação certa. A bem dizer, este ano nem se deviam comer sardinhas nesta altura, para permitir que daqui a um mês elas tenham vivido até ao seu estado ideal. Mas a tradição é o que é e os arraiais hão de ter muitas bancas de sardinha, um bocado esqueléticas demais para serem saborosas. Em Lisboa há os arraiais tradicionais e os arraiais mais modernos, como o que este ano está montado num novo local, em Campolide, por iniciaitiva do dinâmico presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto. Uma boa opção para as festas, evitando comer as sardinhas fora da sua altura ideal, é procurar os caracóis, um petisco estival que nestes dias mais quentes se torna especialmente saboroso ao fim da tarde, acompanhado de uma cerveja bem tirada. O caracol, bem cozido e bem temperado, é dos melhores petiscos desta época do ano. Permanencendo em Campolide, mesmo em frente ao parque para onde o arraial local se mudou por estes dias, está, ao fim da Rua de Campolide, no numero 370, a Casa dos Caracóis, a mais recente inciativa de um grupo que tem já nove lojas  - e que é o maior importador nacional de caracóis, a partir de Marrocos. A Casa dos Caracóis em Campolide é exclusivamente um take away, que fornece o petisco em caixas que vão dos 6 aos 38 euros e caracoletas assadas a 11 euros a dose. Telefone 217 271 744.


 


GOSTO - Do regresso, pela mão da Porto Editora, da colecção de livros policiais Vampiro.


 


NÃO GOSTO - Da utilização de crianças na guerra política - seja em manifestações, seja em visitas oficiais de governantes em defesa das suas políticas.


 


DIXIT - “Aqui e ali abundam promessas de greves porque, está visto, com este governo quem não berra, não mama” - Manuel Carvalho, no Público


 


BACK TO BASICS - “Uma viagem de mil quilómetros começa sempre com um único passo” - Lao Tzu