junho 24, 2016

TDT - ISTO NÃO SERÁ UMA INTERFERÊNCIA DO GOVERNO NA CONCORRÊNCIA?

TDT - O Governo, através do Ministério da Cultura, anunciou esta semana que a RTP terá mais dois canais na plataforma da Televisão Digital Terrestre, TDT. Esses canais serão a RTP 3 e a RTP Memória, ambos no fundo do ranking de audiências do cabo. Tenho as maiores dúvidas sobre esta opção. Em primeiro lugar porque, a haver alargamento dos canais distribuídos, ele deveria ser por concurso entre os diversos operadores e não por atribuição directa a um, no caso a RTP. A Anacom, que é suposta ser a entidade reguladora nesta matéria,  fez notar esta anormalidade e parece ter sido ultrapassada em todo este processo. O Ministro apressou-se a dizer que dois outros operadores privados teriam eles próprios direito a um canal suplementar cada - mas a verdade é que a plataforma da TDT não permite mais canais e o alargamento do seu número só é possível a troco de alterações técnicas relevantes e com considerável custo. A  história da TDT em Portugal mostra que ela foi deliberadamente mal construída, para fomentar a actividade dos operadores de cabo - e teve êxito nessa função.  Basta dizer que segundo o relatório mais recente da Anacom sobre esta matéria 86,8% das famílias são subscritoras em distribuidores de cabo - portanto apenas 13,2% vêem televisão através da plataforma TDT. Ao contrário de outros países, como Espanha aqui ao lado, em que a TDT dispõe de um leque competitivo de canais, aqui tem apenas os antigos hertzianos - RTP1 e 2, SIC e TVI e ainda o lamentável Canal Parlamento lá colocado à pressão pelos próprios deputados num exercício de onanismo ridículo. Acontece no entanto que a promessa de abertura futura a privados feita por este pouco informado Ministro nem sequer tem em conta a nova realidade da concorrência no sector e menos ainda as audiências actuais  - que me escuso de referir aqui, mas que remeteriam a RTP para o fundo da lista e colocariam outros novos operadores em seu lugar. Hoje em dia há 3,54 milhões de casas residenciais cabladas, das quais um quarto já possuem fibra óptica. Se o Ministro tivesse  a mais vaga ideia do assunto saberia que o modo de ver televisão está a mudar, que já nem o cabo é solução de futuro, e que a TV recebida por via digital - sobretudo graças ao processo de implantação de uma rede nacional de fibra óptica em que o próprio Estado está envolvido - é aquilo que é cada vez mais utilizado. A tecnologia TDT é em Portugal um caso aberrante e em termos gerais um modo de distribuição de televisão ultrapassado. No caso concreto da RTP cabe também dizer que a operação terá custos, de distribuição de sinal, consideráveis, que vão agravar as contas já débeis da empresa. Mas isso, como se costuma dizer, são outros quinhentos - siga, que alguém pagará.


 


SEMANADA - Esta semana José Sócrates reapareceu para considerar que o inquérito à Caixa Geral de Depósitos pode significar um “ataque de carácter” à sua pessoa e ao Governo que liderou;  entrou assim em rara divergência com  Armando Vara, que considerou positiva a realização do tal inquérito; a deputada do PS Gabriela Canavilhas sugeriu o despedimento de uma jornalista do Público porque não gostou da forma como fez a reportagem da manifestação pelo ensino público; 15% das casas vendidas no ano passado em Lisboa foram compradas por estrangeiros;  este ano têm sido vendidas em Lisboa cerca de 320 casas por dia; o preço das casas no centro histórico de Lisboa disparou 36% em cinco anos;  todos os meses, 20 empresas europeias são compradas por investidores chineses; o indicador da actividade económica abrandou pelo sexto mês consecutivo, entrando em terreno negativo pela primeira vez desde Agosto de 2013; o Estado português atribuiu perto de 233 mil prestações de desemprego em Maio, deixando sem estes apoios cerca de 377 mil desempregados; nos primeiros cinco meses do ano emigraram mais de 175 médicos; entretanto 158 médicos recém licenciados ficaram sem vaga para fazer a especialidade e alguns encaram emigrar; Sampaio da Nóvoa foi o candidato presidencial que mais gastou na campanha eleitoral, 924 mil euros, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa declarou despesas de 179 mil euros; apenas três candidatos tiveram direito à subvenção estatal por terem obtido mais de 5 % dos votos: Marcelo Rebelo de Sousa reclamou do Estado 165.488 euros, Sampaio da Nóvoa 896.928 euros e Marisa Matias 290.215 euros.


 


ARCO DA VELHA - Um militar da unidade de intervenção da GNR acumulava essa função com ser actor de filmes pornográficos nos tempos livres; um inspector da Polícia Judiciária, da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, integrava uma rede que garantia a passagem de veículos nas inspecções automóveis.


 


FOLHEAR - A capa da edição de verão da revista  Vanity Fair é a Rainha Elizabeth II,  de Inglaterra, fotografada por Annie Leibowitz . O portfolio de Leibowitz sobre a Rainha - que agora fotografou pela segunda vez - é extraordinário. Foi feito por ocasião do 90º aniversário da soberana, que está no trono há 64 anos. Tem 20 páginas e mostra momentos oficiais mas também situações pessoais e familiares da rainha. Vários artigos acompanham o portfolio, o mais interessante deles é de Sir Kenneth Scott, um historiador e diplomata, dos quadros do Foreign Office, que trabalhou com a Elizabeth II em Buckingham durante uma década - chama-se “In Her Majesty’s Private Service”. Outro artigo interessante desta edição da Vanity Fair é uma viagem ao atribulado mundo do Twitter, cujo número de utilizadores estagnou e que tem vindo a perder valor em bolsa - inclui uma entrevista com Jack Dorsey, o seu fundador que recentemente voltou a ser CEO da companhia. Ainda no mundo virtual “Zuckerberg Unbound” apresenta uma amostra do livro de Antonio Garcia Martinez sobre Silicon Valley e, no caso, sobre a guerra entre Google e Facebook. A terminar um magnífico trabalho, “War & Truth”, dedicado a quatro grandes fotógrafos de guerra - David Douglas Duncan, Don McCullin, James Nachtwey e Lynsey Addario.





VER - Se esta semana tivesse que sugerir apenas uma exposição, não hesitava: é de fotografia (na imagem), responde pelo título de “Encantamento” e é da autoria de António Carrapato. Trabalhou como fotojornalista no Público, mas foi sempre desenvolvendo um trabalho mais pessoal, baseado no quotidiano e nos acontecimentos que fotografou como notícia, mas que perduram para além do momento e do contexto de actualidade em que surgiram. Ao todo são uma centena de fotografias, feitas entre 1985 e 2015, numa exposição que tem curadoria de José Soudo. está na Galeria Módulo, Calçada dos Mestres 34 A, de terça a sábado, entre as 15 e as 19h30. Há ainda outra recomendável exposição, na Barbado Gallery, da austríaca Gundi Falk, que cria fotografias sem câmara através de um processo chamado Chemigram, criado em 1956 pelo belga Pierre Cordier, com quem Falk trabalhou. A exposição da Barbado (Rua Ferreira Borges 109) fica até 16 de Agosto. Entretanto no CCB, no espaço Garagem, dedicado à arquitectura, está uma exposição de Souto Moura que mostra maquetas de 25 anos de projectos. Finalmente, se por acaso forem até Madrid não percam, no Museu Thyssen - Bornemisza, a exposição Caravaggio E Os Pintores do Norte.


 


OUVIR - Se gostam mesmo de blues este novo álbum de Eric Clapton é o que vem a calhar. Chama-se “I Still Do”, é produzido por Glyn Johns (o responsável por “Slowhand” de 1977) e tem sido considerado como o melhor trabalho de Clapton nos últimos anos. “I Still Do” tem sobretudo versões cuidadosamente escolhidas - a começar pela faixa de entrada, “Alabama  Woman Blues”, um original de Leroy Carr, nos anos 30 do século passado. Mas há outras pérolas, como “Cypress Groove”, de Skip James ou “Stones In My Passway” , de Robert Johnson, ou ainda o tradicional “I’ll Be Allright”. Para além destes clássicos, há surpresas como “I Dreamed I Saw St. Augustine”, um original de Bob Dylan, editado no álbum John Wesley Harding, para onde foi repescado a partir das lendárias “basement tapes”, ou ainda “Somebody’s Knockin” de JJ Cale, que é definitivamente um dos pontos altos deste CD. Uma surpresa é a presença de George Harrison, identificado como Angelo Misterioso, em “I Will Be There”, gravado há uns anos mas nunca antes editado. “I Still Do” é o 23º álbum de estúdio da carreira de Clapton. Finalmente destaque para um tema original de Eric Clapton, a balada “Spiral”. O álbum termina com mais uma versão, “I’ll Be Seeing You”, popularizada por Billie Holiday.





PROVAR -  O Casa Nostra é um histórico restaurante do Bairro Alto, aberto há 30 anos, a 1 de Abril de 1986, por Maria Paola Porru, com o objectivo de dar a conhecer a verdadeira cozinha de Itália, trabalhando com produtos seleccionados e importados do seu país, o que continua a acontecer. Para além da boa cozinha o Casa Nostra distinguiu-se pela sua decoração, da responsabilidade do arquitecto Manuel Graça Dias, e também por obras de artistas como Pedro Cabrita Reis, ainda hoje nas suas paredes. Aberto na época de ouro do Bairro Alto, o Casa Nostra marcou uma geração, que também frequentava o Papa Açorda e, à noite, o Frágil. Apesar de o Bairro Alto ter piorado, a boa notícia é que o Casa Nostra continua a ser uma referência, como voltei a constatar numa recente visita. Para aperitivo sugiro o vermute da casa, temperado a basílico, ou um spritz veneziano. Nas entradas ficará bem servido com o carpaccio de polvo ou de carne ou ainda com uma magnífica bresaola. Chegados às massas recomenda-se o spaghetti al pomodoro ou alla carbonara, ou ainda a rotolla de ricotta e spinaci - uma tarte de massa fresca com queijo ricotta e espinafre. Nos peixes, duas boas escolhas : os filetes com pistácio ou o linguado com azeitonas pretas e vermute. Nas carnes a minha preferência foi para a saltimboca alla romana - escalopes recheados com presunto e salvia  acompanhados por acelgas. Mas também tinha ficado bem com um magnífico ossobuco à milanesa, experimentado noutras ocasiões. Nas sobremensas recomendo um dos sorvetes da casa ou então o tiramisú. Para beber há água S. Pellegrino, uma lista de vinhos curta mas interessante e, se preferirem um rosé, experimentem o D. Maria, que está em bom momento. A relação de qualidade preço é muito boa. Hoje em dia o Casa Nostra tem também uma pequena esplanada que sabe bem nestas noites quentes e fica na esquina da Rua da Rosa com a Travessa do Poço da Cidade. O telefone é o 213 425 931.


 


DIXIT - “Um inquérito parlamentar não belisca o interesse do accionista. E pode descobrir-se muita coisa” - João Duque, economista, sobre a CGD.


 


GOSTO - O Ministério da Cultura quer dar maior autonomia financeira a alguns museus, a começar pelo de Arte Antiga, para que os esforços de angariação de mecenato revertam para eles e não para um bolo geral.


 


NÃO GOSTO - A Câmara Municipal de Lisboa quer provocar sérios constrangimentos ao trânsito na Praça de Espanha com as obras que para lá tem projectadas - quando a isto se somar Sete Rios então o caos vai ser interessante.


 


BACK TO BASICS - “O terrorismo global não é um jogo de computadores que se joga em casa na sala de estar” - Elena Ferrante


 


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junho 17, 2016

OS CEM DIAS .... E O RESTO

 


GRAVITAS - O maior feito de Marcelo Rebelo de Sousa nestes seus primeiros cem dias como Presidente da República foi conseguir que os cidadãos, pela primeira vez em muitos anos, reganhassem respeito pelo titular de um cargo político independentemente de filiações partidárias. Há quem se incomode com o facto de Marcelo romper o protocolo, falar directamente com as pessoas e fazer coisas imprevistas como passear no meio dos espectadores do Primavera Sound ou ir à praia, descontraído, como gosta e costumava fazer. Ao longo destes 42 anos, desde 1974, criou-se a ideia de que os titulares de cargos políticos eram uma elite intocável que, à excepção dos períodos de campanha eleitoral, evitava - e por vezes desprezava - o contacto popular com os cidadãos. Alguns comentadores consideram que esta falta de “ gravitas” de Marcelo, como Presidente, pode danificar a instituição . Pois a mim parece- me exactamente o contrário. Marcelo está a recuperar a credibilidade não só do seu cargo, como da percepção que as pessoas têm do pessoal político. Esta foi uma semana rica de simbolismos - a forma como agiu face a alguns diplomas, as justificações que deu, e, sobretudo o 10 de Junho. A sua frase sobre as culpas das elites na situação portuguesa, e o reconhecimento de que foi o povo que salvou a Nação, é talvez a coisa mais importante e profunda que disse e que melhor sintetiza o Portugal deste século. E a sua relação com António Costa, de que o episódio do guarda chuva de Paris é um símbolo, permanecerá como um sinal de respeito entre instituições, sem ser nas solenidades dos corredores de Belém. Como um artigo da agência Lusa registou, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teve mais de 250 iniciativas de agenda - entre visitas, encontros e audiências - nos primeiros 100 dias em funções e só em 18 dias esteve em silêncio. Ainda bem que tem sido assim.


 


SEMANADA - A zona euro cresceu três vezes mais que Portugal no primeiro trimestre deste ano;  a proporção dos alunos do ensino secundário que querem candidatar-se ao ensino superior baixou mais uma vez; o Banco de Portugal prevê uma quebra no volume das exportações, em relação às previsões iniciais; só em Abril as exportações de bens caíram 2,3% em relação ao ano passado; um relatório da D&B indica que são as empresas mais pequenas e as mais novas, como as start-ups, que estão a criar mais emprego em Portugal; vários deputados municipais, da maioria dos partidos, defenderam a demissão do vereador Manuel Salgado e do Director Municipal do Urbanismo devido às irregularidades detectadas na torre das Picoas; Tino de Rans anunciou que vai criar um partido e realizará no verão uma viagem pelo país para ouvir sugestões de nomes para a organização; o passivo dos partidos políticos com assento na Assembleia da República ascende 35 milhões de euros e a maior parte é do PS;  29,2% dos portugueses acreditam que Portugal pode ganhar o Euro, indica uma sondagem do Correio da Manhã; em Abril a dívida pública ultrapassou 130% do PIB; Costa seguiu o exemplo de Passos Coelho e também apelou a que os professores emigrem;  o agente do SIS que foi detido armado em espião diz que costumava levar consigo documentos da NATO para trabalhar fora do serviço e declara ter passado recibo pelo dinheiro que terá recebido dos russos; um relatório agora divulgado indica que a gestão de Santos Ferreira e Armando Vara teve grande responsabilidade no acumular de 2,3 mil milhões de euros de créditos que estão em risco.


 


ARCO DA VELHA - Para transformar a Fontes Pereira de Melo numa avenida mais amiga dos peões e com mais árvores a CML vai abater dez choupos cinquentenários.


 


FOLHEAR - “Scenario” é  uma revista dinamarquesa sobre análises, tendências, ideias e futuros. Na sua mais recente edição a “Scenario” aborda a comunicação no século XXI, fala da utilização de traduções automáticas ou da robotização na escrita e no jornalismo. Mas o artigo “Language And Communication in the 21st Century” estuda sobretudo a forma como a tecnologia moldou sempre a forma como comunicamos o longo caminho desde a invenção da impressão tipográfica há seiscentos anos até à generalização dos icones e emojis como forma de expressão universal de ideias e sentimentos sem recurso a palavras. Outro texto, “Broken Nations & Rising Cities” formula uma tese interessante: hoje em dia, e cada vez mais, as cidades são o território onde as coisas acontecem, onde as transformações são mais rápidas e as mudanças se concretizam. Ora isto levará à redução da importância das instituições nacionais, deixando aos Estados essencialmente o papel da construção da cultura nacional e da regulação da cooperação entre as cidades, ficando os Estados no entanto com menor poder de decisão em relação a decisões políticas. Um dos artigos mais interessantes aborda o papel dos seres humanos numa sociedade onde as máquinas crescem e o trabalho diminui. É inevitável que surja  a pergunta: será que a automação criará novos empregos? E existe uma tendência - o trabalho tem uma forma cada vez mais híbrida e multidisciplinar, coisa que já é patente nas indústrias criativas mas que vai rapidamente alastrar a toda a sociedade. O artigo tem o título “Your children’s jobs have yet to be invented” e elabora sobre  a entrada no mercado de trabalho da primeira geração que nasceu no digital. A “Scenario “ é editada seis vezes por ano pelo Copenhagen Institute for Future Studies, e está à venda por 13 euros na “Under The Cover”, Rua  Sá da Bandeira 88b. Podem explorar a temática da revista em www.scenariomagazine.com.





OUVIR - James Blake é um cantor de emoções - pela forma como compõe, como escolhe os ambientes sonoros, como interpreta vocalmente. E é um asceta, um dedicado seguidor da simplicidade como o seu “Overgrown”, o álbum de 2013, bem demonstra. O seu novo disco, agora publicado, “The Colour Is Anything” reflecte no entanto uma evolução. Nas notas de capa do disco Blake diz que os três mais recentes anos da sua vida, entre o anterior disco e este, foram de aprendizagem e declara que este álbum é o documento dessa aprendizagem. Tem mais vozes, mais sonoridades e sobretudo mais parcerias criativas. Blake, que vive em Londres, confessou que em certo momento sentiu a necessidade de sair da sua cidade e procurar novos espaços. Encontrou-os com o produtor norte-americano Rick Rubin, nos estúdios deste último, o Shangri la, em Malibu. Sete das 17 temas do álbum são fruto dessa colaboração - embora seja evidente ao longo de todos a marca muito pessoal da produção do próprio Blake. Por curiosidade diga-se que James Blake trabalhou na produção do mais recente disco de Beyoncé, “Lemonade” e foi co-autor do respectivo tema de abertura, “Pray You Catch Me”. Bon Iver, Frank Ocean, Justin Vernon e o baixista Connan Mockasin são outros dos nomes que Blake reuniu à sua volta para pontualmente terem intervenção neste “The Colour Is Anything”. Há coisas que não se alteraram - a amplitude das paisagens sonoras, a utilização sabiamente combinada do piano, percussão, voz, sintetizadores e baixo, produzindo uma rara amplitude de paisagens sonoras. Os meus destaques vão para a faixa de abertura “Radio Silence”, “F.O.R.E.V.E.R”,  “I Hope My Life” e sobretudo para”Choose Me”, uma fantástica canção de amor, e para o tema que encerra o disco, um verdeiro hino moldado na voz de Blake, “Meet You In The Maze”. CD Polydor, distribuído em Portugal pela Universal Music.


 


VER - O terceiro piso do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Rua Serpa Pinto, Chiado), reabriu com a exposição “Vanguardas e Neovanguardas na arte portuguesa séculos XX e XXI” , que agrupa 80 obras em núcleos como “Retrato, Autofiguração e Arquétipos”, “Dos Futurismos ao regresso à ordem”, “Expressionismos e Surrealismo”, “Neocubismo, Neorealismo e Surrealismos”, “Abstracionismos e Nova Figuração”, “Neovanguardas anos 60 e 70”, e “Pós-modernismos e Novos Media”. Na imagem está a obra “Sombra projectada de René Bértholo”, de Lourdes Castro, de 1964. Lourdes Castro, juntamente com Fernando Lanhas e Joaquim Rodrigo têm presenças destacadas graças à qualidade e número das suas obras disponíveis no acervo do Museu. A reabertura deste terceiro piso completa as obras de renovação que permitiram usar áreas do Convento de S. Francisco, onde funcionava anteriormente o Governo Civil. Situado no centro histórico de Lisboa, o Museu do Chiado foi fundado em 1911, como Museu Nacional de Arte Contemporânea, e o seu acervo integra mais de 5.000 peças de arte, desde 1850 até à atualidade, incluindo pintura, escultura, desenho, fotografia e vídeo. Uma das questões que esta nova exposição coloca é a da ausência, desde há já vários anos, de uma política constante e coerente de compras de obras de artes contemporâneas por parte de entidades públicas, que no fundo foi o que permitiu que a presente colecção existisse.


 


PROVAR - Quando a escolha é um filet mignon de carne de primeira qualidade, grelhado, verdadeiramente mal passado, apenas temperado a sal e pimenta - a opção com melhor relação de qualidade preço é o self-service do Grill Gemini, um clássico lisboeta que continua com uma clientela fiel. O filet mignon vem com acompanhamento à escolha e custa 13€80. Dos menus diários faz sempre parte peixe fresco, exposto  numa vitrina logo à entrada, espetadas de gambas ou de lulas, bacalhau na brasa, entrecote ou costeleta de novilho, entre outras possibilidades. O prato do dia custa 6€, os outros variam até ao valor do filet mignon, que é o mais alto. O restaurante é um sobrevivente do Centro Comercial Gemini e fica na Rua Sousa Lopes, junto a Entrecampos. Estaciona-se com facilidade, fecha aos sábados e está aberto das 08h30 como café e pastelaria até às 18h30. Os produtos são fresquíssimos e o pessoal é muito simpático.


 


GOSTO - Metade dos doentes com hepatite C ficarão curados graças à nova medicação que foi aprovada pelo anterior Ministro, Paulo Macedo.


 


NÃO GOSTO - Nas obras que estão por todo o lado em Lisboa não há, em locais de boa visibilidade pelo menos, placas com informação da Câmara sobre da data de início, prazo previsto para conclusão e respectivo orçamento aprovado.


 


DIXIT - “Não se pode esquecer que tive votos que davam para encher os estádios do Dragão, de Alvalade e da Luz” - Tino de Rans


 


BACK TO BASICS - “Nunca vale a pena discutir com uma pessoa grosseira e mal criada. Ela fica sempre em vantagem por ter experiência em ser estúpida “ - Mark Twain


 


 

junho 09, 2016

PARADOXOS MODERNOS - OU A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NA ERA DIGITAL

TENDÊNCIA - A circunspecta, mas muito atenta, revista britânica The Economist, dedica a capa, o editorial e um artigo de investigação da sua edição de 4 de Junho ao tema da liberdade de expressão, que considera estar a ser crescentemente ameaçada. A capa mostra o rosto de um homem, com os lábios fechados por um cadeado, sob o título “Free Speech Under Attack”. O artigo, uma reportagem de investigação, informa sobre as limitações à  liberdade de expressão e de informação. “Sem que exista diversidade de ideias o mundo torna-se tímido e ignorante “ - sublinha a revista. Tudo isto se passa, num contexto, como “The Economist” faz notar, em que “ aparentemente se vive a idade dourada da liberdade de expressão - podemos ver um jornal do outro lado do mundo num smartphone em poucos segundos, há mais de mil milhões de tweets, posts no Facebook e actualizações de blogues que são publicadas diariamente e qualquer pessoa com acesso à internet pode tornar-se num editor”. No artigo e no editorial “The Economist” faz notar que há hoje em dia três formas principais de limitação da liberdade de expressão - em primeiro lugar a repressão de alguns governos em diversos países; em segundo lugar a perseguição a jornalistas que denunciam casos de corrupção ou investigam crimes, perseguição que muitas vezes acaba em execuções sumárias, como no México ou em algumas regiões controladas por extremistas religiosos; e em terceiro lugar a convicção, que ganha dimensão, diz a revista, que grupos da sociedade e algumas pessoas ou instituições têm o direito de não ser criticados e muito menos ofendidos - ou pelo menos sujeitos ao que consideram ofensas. Esta ultima forma, que vive debaixo da bandeira do politicamente correcto ou da defesa dos direitos das minorias, ou ainda do interesse nacional e de outros conceitos difíceis de explicitar, é talvez a mais difícil de combater e a que tem maior numero de adeptos, que exercem a sua censura, digamos, em nome do que entendem ser o Bem. A liberdade de expressão, escreve o editorialista, é a melhor forma de defesa que a sociedade tem contra a má governação e, sublinha, é a pedra basilar de todas as liberdades. Entretanto, por cá, no espaço de um ano o Diário Económico acabou na edição de papel, o Público e o Diário de Notícias, soube-se nos últimos dias, estão em vias de mudar de direcção editorial. No caso do Público fala-se há muito da redução de dias que terão edição em papel, o DN ainda não tomou esse passo. Este novo ciclo de mudanças que percorre a imprensa reforça a convicção que alguns jornais funcionam em círculo fechado para um pequeno grupo de políticos, directórios partidários e seus afiliados mais directos. Alguns deixam de falar do quotidiano das pessoas e das cidades onde vivem, ganham distância aos leitores na proporção em que se querem aproximar dos eleitos e dos grupos de interesse a que se dirigem. Creio que é este caminho que tem levado à destruição de valor no seio da comunicação. E creio que é neste comportamento que se manifesta em Portugal aquilo que “The Economist” considera como a terceira e preocupante forma contemporânea de limitação da liberdade de expressão. É muito difícil criar e consolidar uma marca de informação; mas é muito fácil destruir o seu valor.


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SEMANADA - O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, elogiou o Congresso do PS;  em 2015 o investimento dos business angels em Portugal caíu 16% devido à falta de capital público; a Mota Engil contratou Paulo Portas para liderar o conselho internacional da empresa, com especial enfoque na América do Sul; a oferta para Lisboa no Airbnb triplicou desde 2014 para 33 mil casas, revela a Bloomberg; o presidente da câmara não eleito defende que a cidade se deve preparar para receber mais turistas;  os turistas que visitam Lisboa rendem à Câmara sete milhões de euros por ano; o Belcanto subiu 13 lugares, para 78º, na lista dos melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”; o Porto de Lisboa teve quedas de 46% em Abril; de Janeiro e Abril o Porto de Sines Sines voltou a crescer e representa ja 53% da atividade portuária do continente; nas estradas algarvias registam-se 24 acidentes por dia em média; todos os meses há 18 mil condutores proibidos de conduzir; perto de dez mil condutores perderam pontos nas respectivas cartas de condução nos primeiros cinco dias de vigência do novo sistema; no primeiro mês o túnel do Marão foi utilizado por 324 mil veículos; 329 pessoas pediram para mudar de sexo em Portugal nos últimos seis anos; em 20 anos mais de dois mil médicos portugueses fizeram o curso na República Checa; desde o início de 2014 já morreram 14 mil pessoas no mediterrâneo.


 


ARCO DA VELHAO Presidente da Câmara de Celorico de Basto fez ajustes directos com uma empresa que era dos seus pais e depois afirmou desconhecer que a empresa era da família.


 


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FOLHEAR - Gosto destes livros que contam a história de coisas que se tornaram parte do nosso quotidiano e que, como no caso, mudaram na prática a geografia, os hábitos e a margem sul. É um género pouco praticado entre nós e que dá ainda maior relevo a “A Ponte Inevitável”, de  Luis Ferreira Rodrigues. O livro, agora editado, conta a história da Ponte 25 de Abril que a 6 de Agosto comemora 50 anos. Mas o livro mostra como essa história começa bem atrás, há 140 anos, quando o engenheiro Miguel Pais propôs, em 1876, uma ponte de ferro entre Lisboa e Montijo. O livro conta o que aconteceu nos  90 anos que decorreram desde que se avançou com a ideia de uma ponte entre Lisboa e a Margem Sul, até ao momento em que a ideia se transforma em realidade. Mostra ainda como a ponte é muito mais do que uma iniciativa de um projecto político subordinado aos ditames do Estado Novo. A ponte mudou a face de Lisboa, mudou o urbanismo da margem sul e um dia destes, como Luis Paixão Martins já anunciou no seu Facebook, vai ter um centro de interpretação em Alcântara e um sistema de visitas guiadas à ponte. O autor do livro, Luís F. Rodrigues. nasceu em 1976, no Barreiro. É Licenciado em Arquitectura do Planeamento Urbano e Territorial e mestre em Ordenamento do Território e Planeamento Ambiental, e  desenvolve a sua actividade profissional como urbanista em Lisboa. E já agora, dedica-se também ao estudo de história, arte e ciência das religiões, sendo autor de dois livros sobre o tema. A história da Ponte é uma edição da Guerra & Paz, com 288 páginas.


 


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OUVIR - Uma das coisas que me surpreende, com satisfação devo dizer, é constatar que nomes grandes da música popular, que se celebrizaram nos anos 60, continuam a produzir com uma pujança criativa assinalável, supreendendo muitas vezes pela maneira como conseguem sair “fora da caixa”. Paul Simon, que tem agora a provecta idade de 74 anos, lançou por estes dias um dos mais conseguidos discos da sua carreira a solo - arrisco-me a dizer que o mais inesperado e bem sucedido desde “Graceland”, de 1986. O novo trabalho chama-se “Stranger To Stranger”. Cabe aqui dizer que Paul Simon editou o seu primeiro disco, com Art Garfunkel, no distante ano de 1964, portanto há 52 anos. Em “Stranger To Stranger” Paul Simon continua a dedicar atenção a músicas do mundo, desde sonoridades africanas, até ao flamenco, ou, mais contemporâneo, samples do DJ italiano Clap! Clap!. Isto, além de uma série de instrumentos artesanais como um chromelodeon ou um harmonic  canon, desenvolvidos pelo compositor Harry Partch. Como tantas vezes na sua carreira, algumas destas canções são tristes - reflectem desilusão, perda, exclusão, mas têm também sentido de humor e de ironia, como logo na faixa inicial, “The Werewolf”. Devo dizer que é dificil eleger uma das 11 canções - mas não resisto a deixar aqui o meu destaque para “Insomniac’s Lullaby”, uma balada que entra directa para a lista dos grandes clássicos de Paul Simon. CD Concord/Universal, já disponível em Portugal.


 


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VER - Esta semana o MUDE sai para fora de portas enquanto decorrem as obras na sua casa, na Rua Augusta, e vai para a Sala do Risco, na Praça do Comércio, com a exposição "Abaixo as fronteiras! Vivam o design e as artes". Um pouco mais acima, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, José Maçãs de Carvalho mostra “Arquivo e Melancolia”, mais uma das incursões que tem feito ao seu arquivo pessoal de imagens, iniciado em 1988.  Ainda no Chiado, na Livraria Sá da Costa, renascida como alfarrabista e local de exposições, Teresa Milheiro mostra novas peças de joalharia numa colecção, exposta em vitrinas, a que chamou “Insectarium” (na imagem). Passando para o que acontece lá fora, Cristina Ataíde continua a mostrar a  sua obra do Brasil, desta vez em São Paulo, com uma exposição na galeria Virgílio- Mostra esculturas e desenhos sob o título “Até ao Abraço” e foi já elogiada pelo jornal “Estado de S. Paulo”. Em Miami, na Galeria Merzbau, abriu a exposição “Portugal Tropical”, com obras de Pedro Calapez, Mónica de Miranda e Maria Ana Vasco costa, comissariada por Alda Gasterer e Verónica de Mello.


 


PROVAR - Santo António está à porta e a sardinha está atrasada. Está magra, falta-lhe corpo e sabor. O mesmo acontece com alguma fruta - este ano o tempo atrasou-se a e natureza queixou-se como pode - não oferecendo o que tem de melhor na estação certa. A bem dizer, este ano nem se deviam comer sardinhas nesta altura, para permitir que daqui a um mês elas tenham vivido até ao seu estado ideal. Mas a tradição é o que é e os arraiais hão de ter muitas bancas de sardinha, um bocado esqueléticas demais para serem saborosas. Em Lisboa há os arraiais tradicionais e os arraiais mais modernos, como o que este ano está montado num novo local, em Campolide, por iniciaitiva do dinâmico presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto. Uma boa opção para as festas, evitando comer as sardinhas fora da sua altura ideal, é procurar os caracóis, um petisco estival que nestes dias mais quentes se torna especialmente saboroso ao fim da tarde, acompanhado de uma cerveja bem tirada. O caracol, bem cozido e bem temperado, é dos melhores petiscos desta época do ano. Permanencendo em Campolide, mesmo em frente ao parque para onde o arraial local se mudou por estes dias, está, ao fim da Rua de Campolide, no numero 370, a Casa dos Caracóis, a mais recente inciativa de um grupo que tem já nove lojas  - e que é o maior importador nacional de caracóis, a partir de Marrocos. A Casa dos Caracóis em Campolide é exclusivamente um take away, que fornece o petisco em caixas que vão dos 6 aos 38 euros e caracoletas assadas a 11 euros a dose. Telefone 217 271 744.


 


GOSTO - Do regresso, pela mão da Porto Editora, da colecção de livros policiais Vampiro.


 


NÃO GOSTO - Da utilização de crianças na guerra política - seja em manifestações, seja em visitas oficiais de governantes em defesa das suas políticas.


 


DIXIT - “Aqui e ali abundam promessas de greves porque, está visto, com este governo quem não berra, não mama” - Manuel Carvalho, no Público


 


BACK TO BASICS - “Uma viagem de mil quilómetros começa sempre com um único passo” - Lao Tzu


 


 

junho 03, 2016

SANEAMENTOS EM NOME DA FIDELIDADE POLÍTICA

COMPETÊNCIAS - Há coisas em que a realidade ultrapassa a ficção. Quando a esquerda muda quadros com responsabilidade no aparelho de Estado, o facto é encarado como uma substituição feita em nome da necessidade de dar uma nova orientação política; quando é a direita que faz idêntico movimento a palavra mais doce que se ouve é “saneamento” . Ou seja, a esquerda nunca saneia, limita-se a remodelar; a direita nunca remodela, pura e simplesmente saneia. Este Governo tem usado e abusado desta prática de forma transversal a todo o aparelho de Estado - desde  a educação à economia, passando pela esfera das políticas sociais, cultura, economia, ou saúde, Quem não é dos meus é contra mim, não interessa se está a fazer bem ou mal. A confiança política é mais valorizada por Costa e a sua tropa do que a competência. O emblema da lapela ou o cartão de associado partidário na carteira são os dados que interessa a quem promove os movimentos . O sempre diligente Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, limita-se a dizer que “a mudança de orientação política pode levar a mudanças de altos cargos dirigentes”. Falava com esta bonomia  sobre as mudanças que promoveu no IEFP e na Segurança Social quando um jornalista lhe perguntou se essas mudanças tinham sido saneamentos políticos. Claramente que não, respondeu o Ministro, sem se desmanchar. Aqui está um autêntico momento zen da política contemporânea. Até o muito diplomata Ministro da Cultura, imagino que por instrução do seu iluminado Secretário de Estado, resolveu afastar, sem explicações nem justificações, o Director Geral das Artes. Assim funciona a geringonça.


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SEMANADA - O número de reclusos nas prisões portuguesas aumentou 22,5%, entre 2010 e 2015, passando dos 11.613 para os 14.222; na sequência da detenção de um ex-espião português, o departamento de segurança da NATO tem desconfianças sobre a segurança dos documentos e informações que confia ao SIS; a função pública reduziu o horário para 35 horas semanais; no âmbito desta redução, de 40 para 35 horas,  os serviços públicos poderão reduzir o horário de atendimento ao público; a dívida pública portuguesa atingiu os 235,8 mil milhões de euros em abril, o valor mais elevados desde fevereiro de 2015,  que é 2,8 mil milhões de euros superior ao registado em março; a OCDE cortou a previsão de crescimento em 2016 para 1,2% - em novembro era 1,6% e o défice ficará acima do previsto pelo governo; Portugal foi ultrapassado pela Espanha no ranking da competitividade e perdeu três posições graças aos indicadores de desempenho da economia; o Presidente da República foi ao Parlamento, ao Fórum das Políticas Públicas, para apelar aos consensos no centrão político; o investimento terá que crescer 7,3% nos próximos trimestres para atingir a meta dos 4,9% anuais; quase 70% dos portugueses têm excesso de peso, mais de metade tem colestorol e 36% sofre de hipertensão; o preço da sardinha atingiu no fim de maio o valor mais elevado dos últimos 20 anos; os presidentes das Câmaras do Porto, Gaia, Matosinhos e Gondomar afirmaram-se contrários aos contratos para os planos estratégicos de desenvolvimento urbano apresentados pelo Governo; a Câmara Municipal de Lisboa já contratualizou 30,7 milhões de euros em obras este ano e 30 mil euros numa campanha de outdoors sobre essas mesmas obras, ao mesmo tempo que fez cortes na área da assistência social.


 


ARCO DA VELHA - O Chefe do serviço de tesouraria da Câmara Municipal de Montemor O Novo desviou durante cinco anos cerca de 300 mil euros que gastava com várias amantes - segundo reza a acusação.


 


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FOLHEAR - Tenho a sensação que hoje em dia a maioria das pessoas que estarão a ler este jornal olham para António Barreto e vêem nele o cronista acutilante, o apaixonado pelo despertar das flores dos jacarandás de Lisboa, um fotógrafo de mérito, um divulgador do seu Douro, um sociólogo dedicado à compilação dos dados que ajudam a conhecer uma sociedade, um autor de documentários de referência no panorama audiovisual mais recente. Poucos se recordarão já do político, do Ministro da Agricultura que em 1977, aos 34 anos ousou enfrentar as ocupações de terras, feitas em nome de uma reforma agrária que pouco tinha de reformista; foi alvo de slogans, de pinturas nas paredes e de manifestações. Retirou-se da vida política em 1991, com 49 anos, portanto há um quarto de século. Mas nunca deixou de pensar Portugal e de analisar o que se passava no seu país - de uma forma independente, com um raciocínio tranquilo, com um discurso claro e compreensível. Nos últimos 25 anos António Barreto foi um tradutor da realidade que nos rodeia, ajudando-nos a percebê-la como poucos. No recente livro “António Barreto - Política e Pensamento”, a historiadora Maria de Fátima Bonifácio percorre o percurso público de António Barreto, enquadrando-o no tempo e nos acontecimentos de cada época - o que ajuda a percebê-lo e ajuda também a reviver momentos de Portugal. Mais de metade do livro retrata a sua rápida e marcante carreira política e governamental; o resto mostra o cidadão interessado, o estudioso da sociedade, o homem curioso por fazer descobrir Portugal pelos portugueses. É um relato fascinante não só da vida de António Barreto, mas também destes anos de Portugal e de vários dos seus protagonistas. Edição Leya/D.Quixote.


 


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VER - Depois de um fim de semana animado pela ARCO em Lisboa, retoma-se a actividade normal. Dois destaques: na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado (Rua Ivens 38), estão desenhos de António Olaio, artista plástico e músico, personagem polifacetada e de referência na Coimbra onde vive e trabalha. A exposição chama-se Young People Thinking About Each Other (cabeças em trânsito)”e mostra uma série de desenhos em grafite sobre papel (um deles na imagem). Fica até 1 de Julho. Outra exposição a ver decorre na nova localização da p4 Gallery, um espaço dedicado à fotografia que se mudou para a porta ao lado de “A Pequena Galeria” - no número 4B, armazém 12, da Avenida 24 de Julho. Desde esta semana lá está uma curiosa exposição de imagens no formato 6x6 - “Vintage Prints, de  Gérard Castello Lopes e Victor Palla”, que fazem parte dos álbuns pessoais dos autores, tiradas com as suas Rolleiflex. Aqui ao lado, em Madrid, até 26 de Agosto decorre o PhotoEspaña, com numerosas exposições, workshops e conferências - incontornável para quem gosta de fotografia. Finalmente, se por acaso planeiam ir a Londres em Julho não percam a exposição “82 Portraiits and 1 still life”, trabalhos de David Hockney na Royal Academy Of Arts,de 2 de Julho a 2 de Outubro,  em antecipação da sua retrospectiva que será um dos pontos altos da programação da Tate no próximo ano.


 


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OUVIR - Quem escutar os mais recentes trabalhos de Emily Jane White, agora com 33 anos, não a imaginará em bandas punk e de heavy metal nos seus tempos de estudante. Nascida e criada na Califórnia, passou uma temporada em Paris e no regresso a São Francisco deu uma viragem marcante na sua carreira. Foi buscar às raízes folk a forma como passou a apresentar-se.  Este ano lançou “They Moved in Shadow All Together”, o seu quinto álbum, cujo nome é tirado de uma frase de um romance de Cormac McCarthy. Há um contraste sensível entre a sua voz delicada e a produção discreta e alguma dureza nas palavras que canta, sobre diversas formas de violência. Há uma espécie de encantamento na maneira como usa a voz, que às vezes, como alguns fazem notar, recorda a entoação de dinamarquesa Agnes Obel. Há uma perfeição impressionante nas vocalizações e nos arranjos de guitarra e piano que atravessam este disco. Onze temas originais, melodias envolventes, palavras marcantes. Uma das mais belas surpresas deste ano. Na Apple Music, em streaming.


 


PROVAR - Aqui há uns anos atrás a forma mais certa para conseguir um bom leitão da bairrada em Lisboa era procurar uns recantos escondidos, sobretudo na zona oriental da cidade, que recebiam o animal ainda quente, e que replicavam em Lisboa o ambiente dos restaurantes da estrada que atravessa a Mealhada. Mais tarde surgiram umas modernices aleitoadas em centros comerciais, sem grande graça e, depois, apareceram alguns sítios onde o bicho mostra atestado de proveniência e de boa preparação. É o caso da Boutique dos Leitões, nome pomposo para um pequeno restaurante de Campo de Ourique, que recebe a iguaria diariamente, que a serve no local aos almoços e aceita encomendas para levar para casa ao fim da tarde. Quem lá fôr experimentar o bicho à hora de almoço ficará bem animado, ainda por cima porque o vinho frisante que acompanha é bem vindo nestes dias de calor. Se em vez do frisante quiser uma coisa mais encorpada pode sempre aproveitar a cerveja artesanal Maldita, da região de Aveiro, que recentemente foi considerada uma das melhores da Europa e que está disponível na casa.  Além do leitão tradicional e do seu adequado molho, há croquetes, rissóis e sandes do dito. E nesta altura do ano, a partir do meio da tarde, também há caracóis para a pequena esplanada de que a casa dispõe. O leitão é sempre fresco e tem muita procura, mais vale reservar dose se o quiser provar lá ou levar para casa -   Boutique dos Leitões, Francisco Metrass 34 A, telefone 966 706 853. Tem página no Facebook.


 


DIXIT -”Há medo no PS. Há pessoas que não falam por medo de retaliações” - António Galamba, membro da Comissão Política do PS, onde deixou de ir porque uma vez o mandaram calar.


 


GOSTO - A BBC World destacou o trabalho da artista plástica angolana Daniela Ribeiro, em exposição em Londres na Gallery Of African Art.


 


NÃO GOSTO - Os gastos com as parcerias público-privadas ficaram 16%% acima do previsto.


 


BACK TO BASICS - “A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na rectaguarda para ver” - Bertrand Russell


 


 


 

maio 27, 2016

REVOGAR, DEMITIR & NOMEAR - OS TRÊS EIXOS DO REGRESSO À POLÍTICA

ESTADO - Há três verbos que definem a acção do Governo nestes primeiros seis meses de vida: revogar, demitir e nomear. Os três andam juntos e justificam-se uns aos outros em nome da alteração das políticas. Raramente um Governo terá feito de forma tão sistemática, em tão pouco tempo, tantas  alterações de dirigentes de organismos públicos, interrompendo mandatos e substituindo anteriores responsáveis, independentemente do seu desempenho, por outros novos nomeados com o exclusivo critério da confiança política. Para usar uma expressão introduzida pelo Primeiro Ministro, parece que as vacas voadoras tomaram o freio nos dentes e se transformaram em drones, que voam sobre o Estado português, ocupando posições estratégicas na economia, na saúde, na segurança social, em todo o lado onde surja um pretexto para encaixar alguém sintonizado. As vacas voadoras deixaram de ser figura de retórica e são quem assumidamente reboca a geringonça. Aquilo a que assistimos é à tomada do aparelho de Estado por um partido, sem olhar a meios nem a competências. Aos poucos o Estado perde credibilidade e a célebre frase de Guterres, “no jobs for the boys” parece mais uma vez uma anedota de péssimo gosto. Há quem diga, elogiando, que António Costa reintroduziu a política na acção do Estado; creio que o que fez foi reintroduzir a politiquice e o aparelhismo, as duas degenerações senis da partidocracia.


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SEMANADA - A greve dos Estivadores no Porto de Lisboa causa prejuízos superiores a 100 mil euros por dia; os sete operadores do Porto de Lisboa estão em situação de pré-falência; a actividade económica do Porto de Lisboa em 2015 foi metade da registada em 2012; o Governo pretende que as empresas cotadas em bolsa que, em 2018, não atinjam uma quota de 20% de mulheres nas administrações, tenham a cotação suspensa; um padre que dirigia uma instituição integrada na Casa do Gaiato foi acusado pelo Ministério Público de maltratar crianças e idosos; o subsídio de desemprego só chega a menos de 22% dos trabalhadores independentes; as exportações portuguesas tiveram o pior arranque do ano desde 2009; o investimento estrangeiro feito através dos vistos gold aumentou 45% até Abril deste ano; a Madeira aumentou os incentivos fiscais para atrair mais vistos gold; Cavaco Silva interrompeu o seu silêncio para dizer que “a política económica é demasiado importante para ser deixada aos políticos; o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou o desejo de que as eleições “autárquicas não venham interromper a governação”; o Estado está a cobrar mais 1,6 milhões de euros por dia em impostos sobre combustiveis e já arrecadou este ano mais de mil milhões de euros graças a eles; as obras da segunda circular, em Lisboa, vão começar em Junho, ainda com as obras do eixo central a decorrer e sem prazo de finalização apurado; as turmas do ensino profissional não entraram no cálculo da lotação das escolas públicas quando o Estado decidiu cortar o financiamento aos privados.



ARCO DA VELHA - Kátia Aveiro vai cantar na final da Liga dos Campeões, em Milão, neste sábado - e depois ainda há quem ande à procura das causas do mau tempo...


 


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FOLHEAR - A edição de Junho da revista Monocle é dedicada ao mar, opção que atinge as várias secções. Talvez por isso a revista publica uma nota sobre Marcelo Rebelo de Sousa e o desenho que acompanha o texto de Joana Stichini Vilela sobre o novo Presidente da República, mostra um Marcelo de fato de banho e polo, com leves mocassins, como se fosse a caminho dos seus bem amados mergulhos no mar. É uma boa maneira de a Monocle assinalar o resultado das presidenciais portuguesas. Outras referências a Portugal surgem nesta edição. Mário Ferreira, da DouroAzul, fala das suas actividades de cruzeiros ao longo do rio e dos seus planos de expansão para o Brasil, com cruzeiros no Amazonas. É mostrado o exemplo da manutenção da construção artesanal de barcos num estaleiro, no Tejo, que usa técnicas tradicionais, fundado pela família Ferreira da Costa, e que hoje é dirigido por Jaime Costa, bem perto de Lisboa, e que continua a fazer lindíssimos barcos. Na área de sugestões a Monocle recomenda o turismo rural da Casa Agostos, em Santa Bárbara de Nexe, no Algarve, uma obra do atelier de arquitectura Pedro Domingos. Finalmente o portfolio de fotografias no fim da edição é dedicado a São Tomé e Principe e infelizmente não foi feito por quem melhor fotografou esse arquipélago nos últimos anos, Inês Gonsalves, que lá vive. Em vez disso a Monocle publica uns postais ilustrados sem grande graça - aqui está uma oportunidade perdida.


 


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VER - No espaço da Fundação Carmona e Costa, na Rua Soeiro Pereira Gomes nº1, ao Rego, está patente até 9 de Julho uma mostra de obras em papel, de Pedro Calapez, feitas entre 2012 e 2016. Arriscaria dizer que são precisamente as obras mais recentes, já deste ano, concentradas numa única sala, que mostram uma alteração do modelo de trabalho de Calapez, abrindo novo horizontes de uma forma quase inesperada e surpreendente. Numa das outras salas está a instalação, aqui na imagem, que funciona como se um caderno de esboços ganhasse subitamente vida em quatro paredes. Outra exposição a ver reúne obras de Rui Sanches, Mitsuo Miura, e também Pedro Calapez, sob a designação comum de Backstories, na Fundação Arpaz Szenes - Vieira da Silva até 25 de Setembro. Aqui o mais marcante é o trabalho de Rui Sanches, na sala inicial, sobretudo os seus jogos de ilusão sobre o quotidiano. Dando um salto para fora do país, a portuguesa Cristina Ataíde volta a expor no Brasil, desta feita em Curitiba, na Galeria Ybakatu, até 30 de Junho, sob o título “Na Palma da Mão”, que agrupa desenhos e esculturas em alumínio ainda inéditas em Portugal; a seguir estará em São Paulo. Finalmente, para quem gostar de festejos numa certa aura de polémica entre críticos, artistas e galeristas, este é o fim de semana da primeira extensão da feira de arte Arco, de Madrid, a Lisboa. Está na Cordoaria até domingo dia 29 e 44 galerias de vários países, predominantemente Espanha e Portugal, mostram obras de cerca de uma centena de artistas, com bilhetes entre 15 e 25 euros.


 


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OUVIR - Há alguma coisa de Bill Withers na forma como Gregory Porter canta. Depois do sucesso obtido com “Liquid Spirit”, que ganhou um Grammy, Porter regressou agora a um registo mais pessoal e intimista, numa produção discreta mas assente em temas sólidos, desde logo “Holding On”, que abre o novo álbum “Take Me To The Alley”. Porter tem uma voz e um estilo de interpretação tão marcantes que às vezes é preciso distanciarmo-nos para que possamos entender como ele evolui de disco para disco, sem perder a força natural que caracteriza a sua voz e que é a sua marca muito pessoal. Neste álbum Gregory Porter apresenta quase exclusivamente composições suas, canções que contam histórias da sua vida, do seu filho, da sua mãe, da família. Há aqui quase um regresso à tradição dos espirituais, o que faz com que este álbum pareça  musicalmente menos variado e mais conservador do que “Liquid Spirit”. Na realidade, neste seu quarto disco, “Take Me To The Alley”,  Gregory Porter optou por traçar o seu próprio caminho, com base nas suas histórias de vida, arriscando musicalmente, com maior influência do gospel e menos utilização das sonoridades da  pop que lhe trouxeram a fama no disco anterior. Mas isso é também fruto de uma opção de produção rigorosa, com arranjos mais discretos, que fazem passar para primeiro plano o conteúdo das histórias pessoais presentes nas canções. CD Blue Note, Universal


 


PROVAR -  A carne de javali não é das mais fáceis de cozinhar. Se mal preparada fica rija, seca e sensaborona. Se bem tratada, ganha fulgor. É o que acontece na Casa Nepalesa, um restaurante surpreendente das Avenidas Novas onde o javali com espargos verdes em molho de caril é uma belíssima descoberta. A mão amiga que lá me fez regressar tem também razão ao elogiar a qualidade da confecção do arroz basmati: a Casa Nepalesa utiliza exclusivamente a célebre marca Tilda, dos Himalaias, e assim consegue de facto um arroz de invulgar qualidade. A decoração evoca a origem dos fundadores do restaurante, o serviço é atencioso e irrepreensível. A garrafeira é de extensão moderada, com preços honestos e selecção cuidada. Há uma multidão de entradas tentadoras, propostas de peixe e vegetarianas, várias possibilidades com gambas de moçambique e com frango, para além dos pratos mais tradicionais de borrego e cabrito, tudo com a intensidade do picante a poder ser ajustada à preferência de cada um, Mas foi de facto a surpresa da combinação do javali com os espargos verdes e o caril que me conquistou. Para rematar provou-se um gelado de manga com pistácio, que se recomenda. Avenida Elias Garcia 172 A, (quase a chegar à Fundação Gulbenkian), telefone 217 979 797. É melhor marcar que a casa não é muito grande.


DIXIT - “A Câmara Municipal de Lisboa manifesta (...) um completo desrespeito por quem vive e trabalha na cidade e revela uma incompetência que não é admissível em quem gere uma capital europeia” - do comunicado do Automóvel Club de Portugal sobre as obras que que estão a piorar a circulação em Lisboa.


GOSTO - O Parque Eduardo VII ganha nova vida este fim de semana com o regresso da Feira do Livro, até 13 de Junho.


NÃO GOSTO - O défice orçamental quase duplicou no mês de Abril.


BACK TO BASICS - Só duas coisas são infinitas - o Universo e a estupidez humana - Albert Eisntein

maio 20, 2016

ALFACINHAS, REVOLTEM-SE!

ALFACINHAS! - Como qualquer lisboeta já percebeu começaram os preparativos para as eleições autárquicas do próximo ano. Fernando Medina tem-se desdobrado em entrevistas, relativamente sem novidades, mais ao estilo de auto-propaganda. Ao mesmo tempo transformou a cidade num alvoroço permanente. Lisboa parece ter sido vítima de um bombardeamento, com ruas esventradas e pavimentos destruídos. Nós, alfacinhas, estamos entre a balbúrdia da falta de regulamentação da invasão turística que enche os cofres à Câmara e vai criando problemas no tecido social da cidade, e o caos cirurgicamente criado. É curioso notar como alguns dos apoiantes de Medina protestam contra o facto de, no Brasil, o cargo de Presidente ser ocupado por quem não foi eleito para a função, mas não querem nem pensar que Fernando Medina ocupa a Presidência da Câmara Municipal da capital portuguesa sem ter sido eleito para tal posto. Dou comigo a pensar, todas as manhãs, que está para nascer o dia em que a parelha Salgado/Medina tome uma medida que não seja para dificultar a vida aos contribuintes lisboetas que têm o descaramento e o desplante de quererem usar viatura própria na cidade onde vivem e pagam impostos, entre os quais o de circulação. Continuo a pensar que existe uma obrigação de quem colecta impostos para com quem os paga e não me parece que a boa noção dessa obrigação seja infernizar a vida aos residentes. Na realidade não reivindico nenhum benefício - apenas desejaria não ser prejudicado. Nada mais que isso. Tenho para mim que estas enormes obras, do ponto de vista de projecto, planeamento e prazo vão dar certamente pano para muitas mangas - confio que o jornalismo de investigação averigue bem como as coisas têm sido combinadas, ajustadas e contratadas, porque já se viu que não são os partidos na Assembleia Municipal que o irão fazer.


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SEMANADA - Segundo o Tribunal Constitucional os dois partidos com maiores anomalias nas suas contas relativas a 2011, agora analisadas, são o PS e o PCP; o Conselho de Finanças Públicas alertou para o facto de existirem 2,1 mil milhões de euros no Plano de Estabilidade 2016-2020, apresentado pelo Governo, que não se sabe de onde vêm nem o que são; Bruxelas exigiu medidas adicionais no valor de 730 milhões de euros para reduzir o défice; Mariana Mortágua recusou mais medidas de austeridade; António Costa, no regresso de Bruxelas, disse não encarar a necessidade de medidas adicionais; a balança de viagens e turismo disparou nos primeiros três meses do ano, mas não foi suficiente para evitar uma degradação da balança de bens e serviços face a 2015;  de um excedente de quase 300 milhões de euros, Portugal passou a ter um défice superior a 100 milhões; em 2015 cerca de 132 mil famílias portuguesas disseram à Banca que não conseguiam pagar as prestações da casa; o Ministério da Economia decidiu descer em 12 cêntimos o preço do  gasóleo para camiões quando percebeu que essa era a única forma de animar o patriotismo que reivindicou para evitar que os camionistas abastecessem em Espanha; nos últimos dois anos emigraram 869 médicos; numa Comissão da Assembleia da República houve deputados que consideraram adequado exigir a um Director de Informação que revelasse as fontes de uma notícia;  a bancada parlamentar do PCP uniu-se às do PSD e CDS no hemiciclo e chumbou o projeto de lei do Bloco de Esquerda contra o uso do herbicida glifosato; o PCP fechou a porta a “geringonças locais” nas próximas autárquicas, desejadas pelo PS e Bloco de Esquerda.


 


ARCO DA VELHA - O vice presidente do parlamento europeu, o italiano Antonio Tajani, foi alvo de uma tentativa de agressão do deputado venezuelano Dario Vivas na Assembleia da República, em Lisboa, por ter dito que “na Venezuela falta democracia”, no decorrer de uma reunião internacional acolhida pelo parlamento português.


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FOLHEAR - A revista “Egoísta” leva 16 anos de vida e mais de 70 prémios no activo. É uma publicação única, na inovação gráfica, na abordagem dos temas, na conjugação de colaborações. É um trabalho apenas possível graças à persistência de Mário Assis Ferreira e da Estoril Sol, e também da equipa editorial que Patrícia Reis reuniu ao longo de todos estes anos. Este número 57 da “Egoísta”, o mais recente, tem por tema a traição, e por consequência a lealdade. Gosto da pequena história “Uma Questão de Honra” , de Mia Couto, dos “4 contos pueris” de Patrícia Reis e das sempre fascinantes ilustrações de Rodrigo Saiais, das fotografias  de James Molison e das de Laura Stevens, e sobretudo do extraordinário ensaio  de Yvette Centeno sobre traição e atracção na obra de Wagner e dos postais ilustrados de Pedro Proença. Cabe ainda aqui dizer que foi na “Egoísta” que Pedro Cláudio, que nos deixou recentemente, publicou alguns dos seus melhores trabalhos fotográficos - porque a “Egoísta” tem sempre sabido ver o que muitos outros não querem conhecer.


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VER - Muitas exposições para esta semana. Começo pela apresentação dos trabalhos dos finalistas do Prémio Novo Banco Photo  - Pauliana Valente Pimentel, Mónica de Miranda e Felix Mula, talvez a mais equilibrada e interessante selecção dos últimos anos. Está no Museu Berardo até 2 de Outubro. Sugiro também uma visita à Underdogs ( Rua Fernando Palha 26), onde está a exposição “A Pedra e o Charco” de André da Loba. No dia 20 de Maio abre mais uma edição da Mostra, como sempre organizada por Patrícia Pires de Lima e que reúne obras de 98 artistas, de 20 a 29 de Maio, no Edifício Vasco da Gama, em Alcântara - detalhes em http://www.mostra-online.com Mas o destaque da semana vai para a exposição de um dos mais importantes nomes da arte contemporânea brasileira, Arthur Luiz Piza, “contenção, dispersão”, que ficará na Galeria Baginski até 10 de Setembro (na imagem) . Piza, que vive e trabalha em Paris, está representado nas colecções de museus como o MOMA, Guggenhein, Victoria & Albert, Art Institute of Chicago e Museu de Arte Moderna de São Paulo, para só citar alguns. A Baginski fica na Rua Capitão Leitão 51, no Beato. Já agora duas sugestões se alguém passar por Londres no fim de semana - a London Photo, que vai ganhando importância de ano para ano e que este ano destaca o trabalho de e DonMcCullin; e na Saatchi Gallery, mesmo junto a Sloane Square, “Exhibitionism” a primeira exposição sobre a obra dos Rolling Stones, com mais de 500 peças que evocam a carreira da banda, e que ficará até 4 de Setembro.


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OUVIR - Há cinquenta anos dois discos mudavam a história da música popular - “Pet Sounds”, dos Beach Boys, uma obra essencialmente criada pelo genial Brian Wilson e “Blonde On Blonde”, o álbum que revolucionou a carreira de Bob Dylan. Ambos continuam ainda hoje entre os expoentes dos respectivos autores. Musicalmente são muito diferentes, mas ambos significaram, há exactamente meio século, pontos de ruptura que marcaram musicalmente uma geração. Lembrei-me que, ao evocar estes discos, é oportuno falar de um outro nome que anos mais tarde reinventou a produção da música popular - Brian Eno, O seu novo álbum, “The Ship”, é claramente um dos seus melhores trabalhos de sempre a solo. Quer nos momentos mais ambientais, quer nos segmentos cantados (ou entoados, atrevo-me a dizer quase numa reinvenção da pop), estão entre aquilo que de melhor se pode ouvir hoje em dia, longe do mainstream de rhythm’n’blues e seus derivados que vão soando monotonamente assépticos. Ouvir este “The Ship” é um desafio fascinante que Brian Eno propõe, ao misturar tempos e mundos diferentes. Como os três álbuns aqui referidos estão disponíveis na Apple Music, recomendo-vos a sua audição, em momentos diferentes. Garanto-vos que não se arrependerão. Daqui a uns anos se verá o lugar que “The Ship” ocupa na História da música.


 


PROVAR - Andava há uns tempos a ouvir falar de um restaurante dedicado ao mar, que se tinha instalado há uns meses na Duque de Ávila, no local onde em tempos existiu uma coisa italiana sem grande graça. Pois tenho a dizer que o seu substituto, Rabo d’Pêxe (uma homenagem aos Açores de onde vem grande parte da matéria prima) é local digno de uma visita. Além da sala, há uma esplanada num pátio interior, bem simpática nestes dias. A ementa é composta por peixe fresco ou por petiscos variados - desde um prego de atum até um inesperado novilho com lingueirão à Bulhão Pato. Filipe Rodrigues, o ex-chefe do Sea Me, é quem orienta, bem, as operações. A ementa dos petiscos de peixe, carne e marisco é para mim a mais atraente - embora também haja uma carta de sushi de fusão que tem algum êxito. Mas não é o sushi que ali me levará, mas sim ideias simples como cavala fumada sobre carpaccio de courgette temperado com azeite ou uns troços de pota negros (onde o tradicional polme dourado de farinha e ovo é colorido com tinta de choco), acompanhados de milho frito e molho de soja temperado a limão. Ou ainda as vieiras e as gambas em tempura com amêndoa laminada. Os meus petiscos foram acompanhados, por sugestão da casa, por um surpreendente branco de Colares, o Casal de Santa Maria Sauvignon branco. O serviço é absolutamente exemplar. Rabo d’Pêxe, Avenida Duque de Ávila 42 B, entre 5 de Outubro e a Avenida da Republica. Telefone  213 141 605.


 


DIXIT - “Já escusa de jogar às escondidas e pode dizer-nos, aqui em frente aos senhores deputados Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, qual é esta verdade de austeridade à la esquerda” - Assunção Cristas, dirigindo-se a António Costa num debate parlamentar.


 


GOSTO - A Orquestra de Jazz de Matosinhos vai actuar num dos mais prestigiados clubes de jazz mundiais, o Blue Note, em Nova York.


 


NÃO GOSTO - A inspecção do Ministério da Educação não pode fiscalizar colégios militares


 


BACK TO BASICS - “É difícil governar com pessoas que acham que sabem tudo”- Lao Tzu


 


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maio 13, 2016

SOBRE A UTILIDADE DE TER MARIONETAS NO GOVERNO

MARIONETA - Tiago Brandão Rodrigues entrou no Ministério da Educação com a delicadeza de um elefante abanando-se numa loja de porcelana. E levava um programa claro: tirar preocupações pedagógicas da acção do ministério e voltar a posicioná-lo na esfera sindical dos professores.  É isso que tem feito, como se tem visto nos meses que leva do cargo. Na realidade tudo se passa como se o Ministro da Educação se chamasse Mário Nogueira, o líder da Fenprof, que, neste Governo, ganhou de novo protagonismo e prosápia. O Ministério que Mário Nogueira voltou a comandar recuou nos sistemas de avaliação de professores e, com o ano lectivo já iniciado, tomou decisões mal explicadas sobre o fim dos exames do 4º e 6º ano. Em tão pouco tempo fez tanta coisa polémica, e muita incompreensível, que o seu secretário de Estado, João Wengorovius,  se demitiu em “profundo desacordo” com o ministro, não só em relação à política do ministério como “ao modo de estar no exercício de cargos públicos”.  A audição de Tiago Brandão Rodrigues esta semana, no Parlamento, foi um exercício de ilusionismo e de desonestidade intelectual e mostrou como ele não passa de uma marioneta nas mãos dos dirigentes da Fenprof. A recente questão das subvenções ao ensino privado - mal explicadas, mal planeadas, mal anunciadas e de duvidosa eficácia, mais não é que uma birra ideológica e um pretexto para alargar a influência sindical, através do aumento do peso do Estado do sector. A base parlamentar do Governo bem pode enrouquecer a dizer que o problema é o dinheiro, mas é por demais evidente que a decisão de cortar fundos ao ensino privado não tem a ver com finanças públicas mas sim com ideologia pura e dura. Para cúmulo do disfarce mal se compreende que um Governo que anunciou querer subsidiar os taxistas em 17 milhões de euros venha agora dizer que é contra subsídios a privados, ainda por cima em matéria de ensino.


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 SEMANADA - O Governo vai distribuir mil milhões de financiamentos pelas Câmaras Municipais de todo o país antes das autárquicas do próximo ano; as necessidades de financiamento da Grécia a médio prazo são menores que as portuguesas; as exportações de mercadorias recuaram 2% no primeiro trimestre deste ano face a 2015, devido sobretudo à quebra de vendas para Angola e China; mais de um terço dos trabalhadores contratados em 2016 recebem o salário mínimo; no final de Março havia 640.200 pessoas desempregadas e o primeiro trimestre do ano fechou com o desemprego a subir para 12,4%; ao fazer o balanço dos primeiros seis meses do Governo, o Bloco de Esquerda anunciou que deseja mais conquistas no próximo semestre; nos primeiros três meses do ano os pagamentos feitos com cartões aumentaram 8% ; ao todo são pagos com cartões 80 milhões de euros por dia, um aumento de 6% relativamente a 2015; Portugal é o quinto país com o mais elevado indíce de envelhecimento da Europa; em Portugal a pneumonia mata sete vezes mais que os acidentes de viação; um quinto dos remédios não sujeitos a receita médica já é vendido fora de farmácias; Lisboa vai ter um coordenador para gerir a vida nocturna; não está anunciado nenhum coordenador para gerir o caos das obras com ruas transformadas em parque de estacionamento de maquinaria pesada a partir das seis da tarde dos dias úteis e aos fins de semana;  o Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, não se opôs à reintrodução da caça na Serra da Malcata, onde estava interdita há cerca de duas décadas, voltando a desequilibrar o sistema ecológico e a fauna que ali foram recuperados, com custos elevados, nos últimos anos; efeitos das mudanças no mundo e da má imagem dos taxistas: Noddy, o boneco infantil, mudou de profissão  -  agora já não é taxista, é detective.


 


ARCO DA VELHA - Numa época em que quase toda a gente tem uma máquina fotográfica no telemóvel que leva no bolso causa espanto não ter ainda aparecido uma única foto do tal aperto de mão entre Sócrates e Costa na inauguração do túnel do Marão.


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FOLHEAR - Nem todas as editoras, nem todos os editores se atreveriam a esta empreitada - fazer de seguida edições especiais, graficamente muito cuidadas, de três livros que marcaram a História recente da humanidade: o “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels (1872), “Mein Kampf” de Adolf Hitler (1925) e “O Pequeno Livro Vermelho” de Mao Tse Tung (1964). Produzidos em épocas diferentes, em situações muito diversas, cada um dos três livros desencadeou movimentos que marcaram o curso da História. A Guerra & Paz, porventura a mais criativa e interveniente das editoras portuguesas actuais, colocou estes livros nos escaparates ao longo dos últimos meses. Cada um deles é precedido de um  texto de enquadramento, da autoria de Manuel S. Fonseca, que fundou e dirige a Guerra & Paz. Estes textos ajudam a pôr as obras em perspectiva e a enquadrá-las no tempo. Estão cheios de referências históricas e de citações de outros autores que se debruçaram sobre estas obras e as suas consequências e são acompanhadas por ilustrações que ajudam a visualizar as épocas em que foram feitos. O texto introdutório do “ Manifesto Comunista” chama-se “Visão Heróico-Trágica da Revolução”, o de “Mein Kampf” leva o título de “Ascensão, poder e crime do Nazismo” e o que acompanha ’”O Pequeno Livro Vermelho” chama-se “Violência, Fome e Reeducação na China de Mao”.


 


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OUVIR - Não deixa de ser curioso que os Radiohead, que ao longo dos anos se têm dedicado à utilização de novas possibilidades trazidas pela tecnologias na composição, interpretação e divulgação da música, tenham decidido, dias antes do lançamento do seu novo álbum, proceder a um apagão momentâneo de todo o seu rasto mais visível na internet. É como se tivessem querido passar uma esponja no passado para depois aparecerem com este “A Moon Shaped Pool”, que está a ser considerado como um dos seus melhores trabalhos de sempre. Mais ainda, “A Moon Shaped Pool”, não desprezando a tecnologia na criatividade nem na divulgação (por enquanto e por mais uns dias continua apenas disponível online), é um trabalho que na sua composição, arranjos e interpretação parte de uma sólida base acústica, vocal e instrumental, com orquestrações complexas. O Guardian fazia notar, penso que com razão, que neste tempo em que a maioria da nova música realmente interessante vem dos territórios do Rhythm ‘n’ Blues e do hip hop - e não do rock - os Radiohead são a excepção que se destaca, mostrando que mantêm a capacidade de surpreenderem e que têm coisas para dizer que merecem ser escutadas e analisadas - desde logo na faixa de abertura “Burn The Witch”. De uma forma geral a voz de Thom Yorke e as orquestrações que Jonny Greenwood concebeu combinam de uma forma rara em termos da música popular. Temas como “Decks Dark” e “Present Tense” mostram exemplarmente isto mesmo. E na inesperada "Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief” a voz de Yorke e o lado tecnológico que pratica enquanto DJ, combinam-se com o imaginário das bandas sonoras que tornaram Greenwood famoso. Mas para mim o grande tema do álbum é “Glass Eyes”, uma canção viciante onde a voz de Yorke se mistura com uma secção de cordas envolvente, num exercício de sensibilidade e simplicidade muito raros. (o álbum foi ouvido em Apple Music)


 


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VER - Se querem descobrir o que por cá se passa na arte contemporânea comecem a pensar em frequentar regularmente algumas galerias. Nessa matéria, o destaque da semana vai para a dupla exposição da galeria Belo-Galsterer, inaugurada esta semana (Rua Castilho 71 r/c). Pedro Sousa Vieira apresenta  “Sleeping Beauty”, a sua segunda exposição individual nesta galeria, agora  com obras feitas expressamente a pensar no espaço, a partir de técnicas de colagem digital e conjugação de suportes multimedia. Pedro Sousa Vieira, que vive e trabalha no Porto e tem uma carreira de quase trinta anos, recebeu em 2015 o prémio Amadeo de  Souza-Cardoso. A segunda exposição é “Solo Project”, do fotógrafo moçambicano Mário Macilau, que apresenta uma única obra (na imagem), destacada da série “Out of Town” , um trabalho que documenta a vida do dia-a-dia das comunidades rurais do Burundu (Quénia) e de Moçambique. Mário Macilau, que vive e trabalha a partir de Moçambique, esteve presente na 56ª Bienal de Veneza, no Pavilhão do Vaticano. Estas duas exposições estarão na Galeria Belo-Galsterer até 30 de Julho. Outros destaques para esta semana: a exposição “Intimidade”, de Luísa Ferreira, na Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4C), um belo ensaio fotográfico publicado no número 3 da Granta Portugal; e, a  terminar, noutro registo, a exposição de cerâmicas de Julio Pomar, sob o título “Decorativo, Apenas”, na Casa Museu Julio Pomar, Rua do Vale nº7 ao Bairro Alto.


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PROVAR -  Um dos pratos que gosto de fazer é combinar uma massa, de preferência farfalle, com salmão fumado . Depois da massa cozida e escorrida, junto-lhe o salmão cortado às farripas largas, após ter sido bem temperado e marinado em endro, sumo de limão e um pouco de vinho branco; vou misturando na massa e adiciono uma lata de filetes de anchova de boa qualidade convenientemente escorridos e cortados e uma colher de sopa de alcaparras; eu gosto de acrescentar queijo philadelphia aos pedaços pequenos, por forma a dissolverem-se na mistura - com a eventual ajuda de um pouco da água de cozedura da massa (que convém sempre reservar) para que tudo fique bem ligado. No fim tempera-se com pimenta e, na minha opinião, acompanha-se com um bom vinho rosé. Este ano estou a gostar muito do Lybra Rosé, da Quinta do Monte d’Oiro, feito a partir de uvas 100% da casta Syrah, oriundas de  uma parcela da vinha que só produz uvas para rosé, colhidas à mão e com estágio de cinco meses em cubas inox. É fresco e liga muito bem com estes pratos mais estivais. À venda por cerca de 7 euros.


 


DIXIT - “O que foi Sócrates fazer ao Marão? Mostrar que, se quiser, e se a justiça não o importunar muito, pode alterar o xadrez da política nacional” - Helena de Matos no Observador.


 


GOSTO - Por iniciativa do Centro Nacional de Cultura o Chiado volta a estar em festa entre 14 e 21 de Maio com dezenas de actividades - ver programação em www.cnc.pt


 


NÃO GOSTO - O PAN  quer que se comece a discutir em tribunal  quem é que fica com o cão e o gato em caso de divórcio.


 


BACK TO BASICS - Se é certo que o saber pode causar problemas, ainda é mais certo que não é com a ignorância que os podemos resolver - Isaac Asimov

maio 06, 2016

SOBRE A LIGAÇÃO ENTRE OS TAXIS E A POLÍTICA

CARRINHOS - Políticos, de várias origens partidárias, têm o hábito de fazer sempre promessas aos taxistas e suas associações - alguns políticos têm receio que os taxistas façam campanha contra eles nas conversas com os seus passageiros. Acontece que muitos passageiros não querem conversa e se aborrecem com os taxistas por todas as razões que se conhecem; acontece ainda que desde que existe alternativa as pessoas têm também naturalmente menos paciência para muitas atitudes. Alguns políticos gostam de pensar que os taxistas lhes podem dar uma boa boleia, mas poderiam também pensar que, ao fazerem a vontade aos taxistas, estão a desagradar a cada vez mais gente. Na semana passada Medina & Moreira fizeram tristes figuras nas manifestações promovidas pelos taxistas, as quais aliás tiveram mobilização inferior à esperada. O que é mais engraçado é constatar, como se vem tornando perceptível, que existem empresários que são proprietários de firmas de táxis e que são também proprietários de firmas que operam com a Uber - esta é uma novidade curiosa e muito real. Parece que alguns empresários do ramo do transporte já perceberam que o melhor é estarem, literalmente, nos dois carrinhos e verem como funciona a velha lei da oferta e da procura. Alguns políticos, infelizmente, ainda estão noutro mundo. E prestes a cair do carrinho em que têm andado.


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SEMANADA - A Comissão Europeia não acredita no défice estrutural prometido por dois terços dos países; uma sondagem da Marktest revelou que apenas um em cada sete portugueses sabe quantos países tem a União Europeia;  a Comissão Europeia calcula que o saldo orçamental de Portugal vai ficar 900 milhões de euros abaixo do previsto pelo Governo; Portugal perdeu 15 mil milhões de euros em investimento em seis anos de crise e só vai recuperar um quinto até 2017; a greve dos estivadores está a provocar prejuízos de 300 mil euros por dia:  a CGTP anunciou uma série de greves e manifestações de 16 a 20 de Maio;  o concurso extraordinário para a colocação de professores teve 47 mil candidaturas para 100 vagas; um estudo da  Marktest indica que cerca de 4,4 milhões de portugueses consomem em casa café em cápsulas ou pastilhas; as obras entre o Marquês do Pombal e Entrecampos já começaram, estão previstas durar nove meses se não existirem atrasos - atrasos que já são grandes em outras obras que decorrem em vários pontos da cidade, como em Campolide, onde o prazo já mais que duplicou; Silva Pereira, braço direito de Sócrates no Governo e no PS, é o redactor da moção que António Costa apresentará na sua recandidatura a secretário Geral do PS; Sónia Sanfona, uma segurista, desistiu de liderar as mulheres do PS, queixando-se de ser alvo de pressões internas; em quatro meses já há 273 novos dirigentes no Estado nomeados sem concurso;  o consumo da pílula do dia seguinte aumentou 30% em três anos.


 


ARCO DA VELHA - Uma carteirista do Porto, com 85 anos, foi detida em flagrante a furtar outra idosa; há um ano já tinha sido detida quando roubava uma carteira a uma senhora de 92 anos. Apesar da idade, dizem os relatos, continua com jeito de mãos.


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FOLHEAR - No ano em que foi publicado “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, provocou polémica e criou embaraços ao seu autor - que chegou a ser interrogado em tribunal sobre a obra. Inicialmente foi publicado como uma folhetim na revista Lippincott’s Monthly Magazine, a partir de Julho de 1980. Nessa primeira publicação, sem que Wilde soubesse, foram cortadas várias partes do original. Apesar dos cortes “O Retrato de Dorian Gray” ofendeu a sensibilidade dos guardiões do templo e dos bons costumes. Wilde defendeu-se publicamente e alimentou polémicas na imprensa com os seus detractores. Em 1891 garantiu uma edição integral, que incluía um prefácio que se tornou famoso como texto de crítica social e cultural - e desse prefácio são as frases  “O artista é um criador de coisas belas” e “Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo de toda a arte”, que funciona como subtítulo à edição que a “Guerra & Paz” agora lançou, na sua colecção de clássicos. “O Retrato de Dorian Gray” é o romance que retrata a relação de um pintor, Basil Hallward, com o seu retratado, Dorian Gray, um jovem que o artista considera perturbantemente belo. O pintor apresenta-o a Lord Henry Wotton, um hedonista que transporta o jovem Dorian ao seu mundo - o que lhe permite viver experiências e relacionamentos que nunca tinha pensado conhecer. Dorian Gray, preocupado com a possibilidade de perder a sua beleza com o passar do tempo, faz um pacto radical - será o quadro pintado por Hallward a envelhecer, em vez do seu corpo. O resto - o romance filosófico da sua vida e experiências - é o que poderá ler nesta excelente tradução de Rui Santana Brito. Esta edição da “Guerra & Paz” inclui ainda a transcrição do interrogatório a que Oscar Wilde foi sujeito em tribunal e que é só por si um manifesto.


 


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VER - Recentemente a EGEAC, uma empresa da CML que tem vindo a engordar atribuições, funções e pessoal, concentrou em si mais alguns equipamentos. Alexandre Pomar, crítico de artes plásticas e (bom)  opinador regular na área das políticas culturais, tem-se debruçado, no seu Facebook, sobre os problemas que esta concentração de poderes na EGEAC representa e, sobretudo nas galerias de arte na órbita da EGEAC, as quais estão sob direcção de João Mourão, que tem também interesses numa galeria privada, a Kunsthalle Lissabon, a que continua ligado. Aqui ficam as palavras de Alexandre Pomar, constatando o crescimento de uma rede de galerias de arte da CML/EGEAC que concorrem de forma desigual (desleal) com as galerias comerciais e associativas, conjugando-se com algumas delas e ignorando outras, condicionando desse modo o mercado da arte (nos seus sectores museológico, instituciomal-fundacional e particular - todos eles actuam no mesmo mercado global). As galerias municipais (se devem existir) não devem focar a sua acção na chamada arte contemporânea, mas sim diversificar as suas áreas de actuação, mostrando artistas desconhecidos e consagrados, actuais e antigos, profissionais e amadores, insider e outsider, etc, e em especial cobrindo outras áreas não frequentadas pelo comércio galerístico - devem ter diferentes responsáveis e não um controleiro único (...) O crescimento da rede de galerias institucionais (museus, fundações e CML, com o seu mercado institucional) é um factor de fragilização do mercado galerístico, excepto nos casos pontuais em que se criam vínculos directos entre instituições e algumas galerias, que assim se tornam mais poderosas. Só num pequeno país periférico (e pindérico) onde a corrupção e o medo grassam associados, é possível esta lógica de centralização de poderes, escolhas e influências, num sistema em que a arte parece estimulada pelas entidades públicas mas que de facto se torna um sistema corporativo, centralista e arbitrário - e no final inútil, desacompanhado pelos públicos, descartável.” A sugestão da semana, para terminar, é a participação de Rui Chafes no ciclo “Não te faltará a distância” , comissariado por Paulo Pires do Vale, na Igreja de São Cristovão, com um conjunto de peças denominado “Ascenção”, de onde é retirada a imagem aqui reproduzida. Até 1 de Junho.


 


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OUVIR - Em quase três décadas Andrew Bird fez apenas três álbuns de originais - o mais recente foi publicado há semanas e chama-se “Are You Serious”. Mas neste tempo participou em quase duas dezenas de discos e estabeleceu uma sólida reputação de compositor e intérprete de temas alheios. Bird é um multi-instrumentista que gosta de alternar entre a guitarra e o violino e entre a voz e o assobio - e o seu assobio, acreditem, é coisa digna de se ouvir. Em “Are You Serious” há  participações vocais de Fiona Apple e de Moses Sumney - este último tem em comum com Bird o apreço que Sufjan Stevens nutre por ambos. Em todo o disco há muito mérito também na guitarra de Blake Mills. Bird é um dos melhores exemplos da nova pop norte-americana, neste caso que nasce na intersecção entre a country e o rock. Andrew Bird nasceu em Chicago, tem colaborado em bandas sonoras como em “Orange Is The New Black” - com o tema “Pulaski”, de que existe uma versão neste novo álbum. Bom disco, grandes canções, produção sóbria. (CD Universal).


 


PROVAR -  Considero o pastel de massa tenra uma das melhores iguarias da cozinha tradicional portuguesa e, embora pareça coisa simples, é necessário que a massa seja perfeita, que o recheio seja cuidado e que a fritura seja primorosa: conjugar tudo isto não é nada fácil. Ao longo dos tempos vários pastéis de massa tenra ficaram famosos em Lisboa - em primeiro lugar os incontornáveis do Frutalmeidas; depois, mais tarde, os do Papa Açorda antigo (e dizem-me que sobrevivem bem no novo espaço do restaurante). Pelo meio, no Centro Comercial Roma, avenida do mesmo nome, apareceu um local que os comercializa mas nunca entrou verdadeiramente na primeira liga da massa tenra. E, os últimos são os primeiros, nunca me tinha dado para fazer esta escolha no Salsa & Coentros mas uma recente visita deixou-me conquistado. Trata-se do melhor pastel de massa tenra que provei nos últimos anos - tudo no ponto certo, massa estaladiça, fritura impecável, recheio saboroso e generoso. O acompanhamento aqui é um arroz de grelos, mas pode pedir legumes se pretender, ou mesmo salada. Nesta recente incursão nesse grande clássico da cozinha portuguesa que continua a ser o Salsa & Coentros os pastéis foram acompanhados por um tinto, Confidencial Santos Lima Reserva, que deu muito boa conta do recado. A casa, recordo, é famosa pelas suas empadas, desde as pequenas de galinha que são servidas de entrada, até às de perdiz ou de cozido de porco preto. Salsa & Coentros - Rua Coronel Marques Leitão 12, Alvalade. Telef 218 410 990.


 


DIXIT - “A austeridade fez de Portugal um país com pouca gente e infeliz” - Manuela Ferreira Leite


 


GOSTO - Do manifesto “Reconfiguração da Banca em Portugal” que apela a que se tenha em conta a dimensão estratégica e não somente os aspectos financeiros de curto prazo.


 


NÃO GOSTO - Do condicionamento de informação desejado por deputados do PS por causa de uma peça de um Telejornal da RTP onde José Rodrigues dos Santos falou sobre a evolução da dívida pública.


 


BACK TO BASICS - “Os maiores avanços da civilização, seja na arquitectura ou nas artes plásticas, na ciência ou na literatura, na indústria ou na agricultura, nunca vieram de um governo centralizado” - Milton Friedman.