COINCIDÊNCIA
A «Visão» publica hoje um curioso artigo intitulado «Como Eles Se Aturam», dedicado ao relacionamento Presidente da República-Primeiro Ministro. A tese do artigo é a de que o Primeiro Ministro teria optado por tentar provocar eleições antecipadas depois de despoletado o «caso Marcelo».
Já agora reza a verdade cronológica dos factos que algumas semanas antes do «caso Marcelo» algumas fontes próximas de Belém, como agora é hábito dizer-se, faziam correr que nos corredores da Presidência da República se estudavam cenários para uma dissolução do Parlamento. Era uma daqueles rumores que, nas doutas palavras do Presidente da República, se incluem na categoria de ruídos que circulam nas redacções.
Quer-me pois parecer que este artigo da «Visão» cumpriria bem o objectivo de tapar o sol com a peneira, se por acaso fosse essa a intenção.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
outubro 21, 2004
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COINCIDÊNCIA
A «Visão» publica hoje um curioso artigo intitulado «Como Eles Se Aturam», dedicado ao relacionamento Presidente da República-Primeiro Ministro. A tese do artigo é a de que o Primeiro Ministro teria optado por tentar provocar eleições antecipadas depois de despoletado o «caso Marcelo».
Já agora reza a verdade cronológica dos factos que algumas semanas antes do «caso Marcelo» algumas fontes próximas de Belém, como agora é hábito dizer-se, faziam correr que nos corredores da Presidência da República se estudavam cenários para uma dissolução do Parlamento. Era uma daqueles rumores que, nas doutas palavras do Presidente da República, se incluem na categoria de ruídos que circulam nas redacções.
Quer-me pois parecer que este artigo da «Visão» cumpriria bem o objectivo de tapar o sol com a peneira, se por acaso fosse essa a intenção.
A «Visão» publica hoje um curioso artigo intitulado «Como Eles Se Aturam», dedicado ao relacionamento Presidente da República-Primeiro Ministro. A tese do artigo é a de que o Primeiro Ministro teria optado por tentar provocar eleições antecipadas depois de despoletado o «caso Marcelo».
Já agora reza a verdade cronológica dos factos que algumas semanas antes do «caso Marcelo» algumas fontes próximas de Belém, como agora é hábito dizer-se, faziam correr que nos corredores da Presidência da República se estudavam cenários para uma dissolução do Parlamento. Era uma daqueles rumores que, nas doutas palavras do Presidente da República, se incluem na categoria de ruídos que circulam nas redacções.
Quer-me pois parecer que este artigo da «Visão» cumpriria bem o objectivo de tapar o sol com a peneira, se por acaso fosse essa a intenção.
outubro 18, 2004
PLÁSTICA - Nos últimos anos criou-se uma doentia misturada entre política e informação. Primeiro, protagonistas da política foram convidados para comentadores; depois criou-se-lhes um estatuto implícito de comunicadores, mais próximos do entretenimento que do jornalismo; pelo meio sofreram uma operação plástica que fez passar protagonistas da vida política por opinadores independentes – que de facto nunca poderiam ser. Na realidade não exprimiam opiniões, limitavam-se a ser instrumentos de ambições ou campanhas – e nisto não há uma única excepção à vista.
SECRETO - Outro lado desta misturada, eventualmente mais grave, tem a ver com o estabelecimento de agendas políticas transformados em pseudo informação.Muito do que é publicado vive de rumores, de fontes não identificadas, de hábeis campanhas de informação e contra-informação em que os jornalistas não são os descodificadores (nem sequer os mediadores) mas meras correias de transmissão. É como se, por exemplo, numa determinada ocasião um jornal publicasse a informação de que existia um acordo secreto para uma futura coligação pós eleitoral, com o único objectivo de esconder a existência de um verdadeiro acordo pré-eleitoral com os mesmos protagonistas. De quem é a culpa de uma desinformação: de quem veicula a notícia – mas não é identificado formalmente – ou de quem a publica, dando apenas ouvidos a sopradores de rumores?
RUÍDOS- Não sei se era a estes rumores, a estas intrigas que todos os dias atravessam todas as redacções do país, que o Presidente da República se referia quando na semana passada, enquanto no estrangeiro, decidiu comentar a actualidade portuguesa, construindo um raciocínio baseado em «ruídos» que se ouviriam nas redacções. Espanta-me que um Presidente da República baseie uma análise em ruídos, mas deve ser sinal dos tempos – afinal , de facto, qualquer Presidente chega ao lugar por ser um político – não vale a pena pretendermos que não sofra dos males que atravessam os partidos e quem neles habita.
PARTIDO - E agora, os partidos, essas uniões de interesses que nos governam e que tão desajustadas são da sociedade. Cada vez compreendo menos a existência dos partidos tais como os conhecemos: nos últimos 30 anos são responsáveis pelo aumento da abstenção, pouco fizeram para reformar o sistema, procuram manter o «status quo» e impedem a entrada de novos protagonistas, privilegiam o seguidismo sobre o espírito crítico e declaradamente assumem a ausência de estratégia como uma vantagem e o excesso de táctica como uma qualidade. Se o melhor que os partidos têm para nos oferecer é isto a que assistimos nos últimos dez dias, então havemos de concordar que o espectáculo não é bonito de se ver – por alguma razão a «Quinta das Celebridades» faz rir e o noticiário político deprime.
REACÇÃO – O estilo jornalismo-reacção é o exemplo da parcialidade de muita informação: quando um facto é sistematicamente confrontado com reacções isto não é a procura de cotraditório, é a tentativa de impedir que o facto seja noticiado de forma clara e que os comentários ao que aconteceu superem a própria notícia original que os motiva.
BACK TO BASICS – Os jornalistas fazem perguntas; os políticos respondem a perguntas.
O MELHOR DA SEMANA – A réplica de António Mexia aos autarcas algarvios.
O PIOR DA SEMANA – 55% da classe A-B vê regualramente a «Quinta das Celebridades».
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem reparou no reaparecimento do «Grupo da Sueca» na última quinzena?
RECOMENDAÇÃO – O disco «Canções Subterrâneas», do grupo A Naifa.
SECRETO - Outro lado desta misturada, eventualmente mais grave, tem a ver com o estabelecimento de agendas políticas transformados em pseudo informação.Muito do que é publicado vive de rumores, de fontes não identificadas, de hábeis campanhas de informação e contra-informação em que os jornalistas não são os descodificadores (nem sequer os mediadores) mas meras correias de transmissão. É como se, por exemplo, numa determinada ocasião um jornal publicasse a informação de que existia um acordo secreto para uma futura coligação pós eleitoral, com o único objectivo de esconder a existência de um verdadeiro acordo pré-eleitoral com os mesmos protagonistas. De quem é a culpa de uma desinformação: de quem veicula a notícia – mas não é identificado formalmente – ou de quem a publica, dando apenas ouvidos a sopradores de rumores?
RUÍDOS- Não sei se era a estes rumores, a estas intrigas que todos os dias atravessam todas as redacções do país, que o Presidente da República se referia quando na semana passada, enquanto no estrangeiro, decidiu comentar a actualidade portuguesa, construindo um raciocínio baseado em «ruídos» que se ouviriam nas redacções. Espanta-me que um Presidente da República baseie uma análise em ruídos, mas deve ser sinal dos tempos – afinal , de facto, qualquer Presidente chega ao lugar por ser um político – não vale a pena pretendermos que não sofra dos males que atravessam os partidos e quem neles habita.
PARTIDO - E agora, os partidos, essas uniões de interesses que nos governam e que tão desajustadas são da sociedade. Cada vez compreendo menos a existência dos partidos tais como os conhecemos: nos últimos 30 anos são responsáveis pelo aumento da abstenção, pouco fizeram para reformar o sistema, procuram manter o «status quo» e impedem a entrada de novos protagonistas, privilegiam o seguidismo sobre o espírito crítico e declaradamente assumem a ausência de estratégia como uma vantagem e o excesso de táctica como uma qualidade. Se o melhor que os partidos têm para nos oferecer é isto a que assistimos nos últimos dez dias, então havemos de concordar que o espectáculo não é bonito de se ver – por alguma razão a «Quinta das Celebridades» faz rir e o noticiário político deprime.
REACÇÃO – O estilo jornalismo-reacção é o exemplo da parcialidade de muita informação: quando um facto é sistematicamente confrontado com reacções isto não é a procura de cotraditório, é a tentativa de impedir que o facto seja noticiado de forma clara e que os comentários ao que aconteceu superem a própria notícia original que os motiva.
BACK TO BASICS – Os jornalistas fazem perguntas; os políticos respondem a perguntas.
O MELHOR DA SEMANA – A réplica de António Mexia aos autarcas algarvios.
O PIOR DA SEMANA – 55% da classe A-B vê regualramente a «Quinta das Celebridades».
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem reparou no reaparecimento do «Grupo da Sueca» na última quinzena?
RECOMENDAÇÃO – O disco «Canções Subterrâneas», do grupo A Naifa.
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PLÁSTICA - Nos últimos anos criou-se uma doentia misturada entre política e informação. Primeiro, protagonistas da política foram convidados para comentadores; depois criou-se-lhes um estatuto implícito de comunicadores, mais próximos do entretenimento que do jornalismo; pelo meio sofreram uma operação plástica que fez passar protagonistas da vida política por opinadores independentes – que de facto nunca poderiam ser. Na realidade não exprimiam opiniões, limitavam-se a ser instrumentos de ambições ou campanhas – e nisto não há uma única excepção à vista.
SECRETO - Outro lado desta misturada, eventualmente mais grave, tem a ver com o estabelecimento de agendas políticas transformados em pseudo informação.Muito do que é publicado vive de rumores, de fontes não identificadas, de hábeis campanhas de informação e contra-informação em que os jornalistas não são os descodificadores (nem sequer os mediadores) mas meras correias de transmissão. É como se, por exemplo, numa determinada ocasião um jornal publicasse a informação de que existia um acordo secreto para uma futura coligação pós eleitoral, com o único objectivo de esconder a existência de um verdadeiro acordo pré-eleitoral com os mesmos protagonistas. De quem é a culpa de uma desinformação: de quem veicula a notícia – mas não é identificado formalmente – ou de quem a publica, dando apenas ouvidos a sopradores de rumores?
RUÍDOS- Não sei se era a estes rumores, a estas intrigas que todos os dias atravessam todas as redacções do país, que o Presidente da República se referia quando na semana passada, enquanto no estrangeiro, decidiu comentar a actualidade portuguesa, construindo um raciocínio baseado em «ruídos» que se ouviriam nas redacções. Espanta-me que um Presidente da República baseie uma análise em ruídos, mas deve ser sinal dos tempos – afinal , de facto, qualquer Presidente chega ao lugar por ser um político – não vale a pena pretendermos que não sofra dos males que atravessam os partidos e quem neles habita.
PARTIDO - E agora, os partidos, essas uniões de interesses que nos governam e que tão desajustadas são da sociedade. Cada vez compreendo menos a existência dos partidos tais como os conhecemos: nos últimos 30 anos são responsáveis pelo aumento da abstenção, pouco fizeram para reformar o sistema, procuram manter o «status quo» e impedem a entrada de novos protagonistas, privilegiam o seguidismo sobre o espírito crítico e declaradamente assumem a ausência de estratégia como uma vantagem e o excesso de táctica como uma qualidade. Se o melhor que os partidos têm para nos oferecer é isto a que assistimos nos últimos dez dias, então havemos de concordar que o espectáculo não é bonito de se ver – por alguma razão a «Quinta das Celebridades» faz rir e o noticiário político deprime.
REACÇÃO – O estilo jornalismo-reacção é o exemplo da parcialidade de muita informação: quando um facto é sistematicamente confrontado com reacções isto não é a procura de cotraditório, é a tentativa de impedir que o facto seja noticiado de forma clara e que os comentários ao que aconteceu superem a própria notícia original que os motiva.
BACK TO BASICS – Os jornalistas fazem perguntas; os políticos respondem a perguntas.
O MELHOR DA SEMANA – A réplica de António Mexia aos autarcas algarvios.
O PIOR DA SEMANA – 55% da classe A-B vê regualramente a «Quinta das Celebridades».
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem reparou no reaparecimento do «Grupo da Sueca» na última quinzena?
RECOMENDAÇÃO – O disco «Canções Subterrâneas», do grupo A Naifa.
SECRETO - Outro lado desta misturada, eventualmente mais grave, tem a ver com o estabelecimento de agendas políticas transformados em pseudo informação.Muito do que é publicado vive de rumores, de fontes não identificadas, de hábeis campanhas de informação e contra-informação em que os jornalistas não são os descodificadores (nem sequer os mediadores) mas meras correias de transmissão. É como se, por exemplo, numa determinada ocasião um jornal publicasse a informação de que existia um acordo secreto para uma futura coligação pós eleitoral, com o único objectivo de esconder a existência de um verdadeiro acordo pré-eleitoral com os mesmos protagonistas. De quem é a culpa de uma desinformação: de quem veicula a notícia – mas não é identificado formalmente – ou de quem a publica, dando apenas ouvidos a sopradores de rumores?
RUÍDOS- Não sei se era a estes rumores, a estas intrigas que todos os dias atravessam todas as redacções do país, que o Presidente da República se referia quando na semana passada, enquanto no estrangeiro, decidiu comentar a actualidade portuguesa, construindo um raciocínio baseado em «ruídos» que se ouviriam nas redacções. Espanta-me que um Presidente da República baseie uma análise em ruídos, mas deve ser sinal dos tempos – afinal , de facto, qualquer Presidente chega ao lugar por ser um político – não vale a pena pretendermos que não sofra dos males que atravessam os partidos e quem neles habita.
PARTIDO - E agora, os partidos, essas uniões de interesses que nos governam e que tão desajustadas são da sociedade. Cada vez compreendo menos a existência dos partidos tais como os conhecemos: nos últimos 30 anos são responsáveis pelo aumento da abstenção, pouco fizeram para reformar o sistema, procuram manter o «status quo» e impedem a entrada de novos protagonistas, privilegiam o seguidismo sobre o espírito crítico e declaradamente assumem a ausência de estratégia como uma vantagem e o excesso de táctica como uma qualidade. Se o melhor que os partidos têm para nos oferecer é isto a que assistimos nos últimos dez dias, então havemos de concordar que o espectáculo não é bonito de se ver – por alguma razão a «Quinta das Celebridades» faz rir e o noticiário político deprime.
REACÇÃO – O estilo jornalismo-reacção é o exemplo da parcialidade de muita informação: quando um facto é sistematicamente confrontado com reacções isto não é a procura de cotraditório, é a tentativa de impedir que o facto seja noticiado de forma clara e que os comentários ao que aconteceu superem a própria notícia original que os motiva.
BACK TO BASICS – Os jornalistas fazem perguntas; os políticos respondem a perguntas.
O MELHOR DA SEMANA – A réplica de António Mexia aos autarcas algarvios.
O PIOR DA SEMANA – 55% da classe A-B vê regualramente a «Quinta das Celebridades».
A PERGUNTA DA SEMANA – Quem reparou no reaparecimento do «Grupo da Sueca» na última quinzena?
RECOMENDAÇÃO – O disco «Canções Subterrâneas», do grupo A Naifa.
outubro 12, 2004
COMO SE FABRICA A TEORIA DE UMA CONSPIRAÇÃO
Na noite de segunda-feira dia 11 não faltaram comentadores, dentro e fora da blogosfera, a afirmar, insinuar, sugerir, que o facto de a comunicação do Primeiro Ministro ter passado em horários diferentes nas várias estações de TV seria o resultado de uma manobra premeditada para perpetuar ao longo de uma hora, em diversos canais, as imagens dessa mesma comunicação.
Claro que se a opção das estações fosse por um simultâneo, as mesmas vozes diriam que se tratava de uma demonstração que Portugal estava no Burkina Faso e que o Primeiro Ministro impunha a sua presença em todos os ecrãs, ao mesmo tempo.
Mas, adiante. Vamos aos factos:
1- A gravação da comunicação foi feita pela RTP e pela RDP, e o seu sinal foi facultado a todos os outros operadores, com a indicção que seria emitido em simultãneo, por meios técnicos previamente ajustados, a partir das 20h00
2- A gravação decorreu e terminou antes dos telejornais das várias estações e o sinal foi fornecido, às 20h00 em ponto, pelos competentes serviços técnicos da RTP e RDP em «clean feed», directo, para todas as estações (Canal 1 da RTP, SIC e TVI, além das estações de rádio, obviammente). A emissão saíu do edifício da Marechal Gomes da Costa em simultâneo para toda a gente.
3- A maneira como cada uma das estações emitiu foi fruto de opções editoriais de cada uma - serão discutíveis, mas foram escolhas de cada um. A SIC, como se viu, optou por manter o directo logo que foi libertado o seu conteúdo e foi a primeira a emitir, logo na abertura do seu jornal, as imagens distribuídas pela central de emissão da RTP; o Canal 1 da RTP entendeu abordar outros assuntos do dia e emitir, em diferido, cerca das oito e meia; e a TVI optou igualmente pelo diferido, ainda mais tarde.
Sugere-se aos autores e divulgadores da grande teoria da conspiração que investiguem se o que acima se relata corresponde ou não à realidade dos factos.
Na noite de segunda-feira dia 11 não faltaram comentadores, dentro e fora da blogosfera, a afirmar, insinuar, sugerir, que o facto de a comunicação do Primeiro Ministro ter passado em horários diferentes nas várias estações de TV seria o resultado de uma manobra premeditada para perpetuar ao longo de uma hora, em diversos canais, as imagens dessa mesma comunicação.
Claro que se a opção das estações fosse por um simultâneo, as mesmas vozes diriam que se tratava de uma demonstração que Portugal estava no Burkina Faso e que o Primeiro Ministro impunha a sua presença em todos os ecrãs, ao mesmo tempo.
Mas, adiante. Vamos aos factos:
1- A gravação da comunicação foi feita pela RTP e pela RDP, e o seu sinal foi facultado a todos os outros operadores, com a indicção que seria emitido em simultãneo, por meios técnicos previamente ajustados, a partir das 20h00
2- A gravação decorreu e terminou antes dos telejornais das várias estações e o sinal foi fornecido, às 20h00 em ponto, pelos competentes serviços técnicos da RTP e RDP em «clean feed», directo, para todas as estações (Canal 1 da RTP, SIC e TVI, além das estações de rádio, obviammente). A emissão saíu do edifício da Marechal Gomes da Costa em simultâneo para toda a gente.
3- A maneira como cada uma das estações emitiu foi fruto de opções editoriais de cada uma - serão discutíveis, mas foram escolhas de cada um. A SIC, como se viu, optou por manter o directo logo que foi libertado o seu conteúdo e foi a primeira a emitir, logo na abertura do seu jornal, as imagens distribuídas pela central de emissão da RTP; o Canal 1 da RTP entendeu abordar outros assuntos do dia e emitir, em diferido, cerca das oito e meia; e a TVI optou igualmente pelo diferido, ainda mais tarde.
Sugere-se aos autores e divulgadores da grande teoria da conspiração que investiguem se o que acima se relata corresponde ou não à realidade dos factos.
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COMO SE FABRICA A TEORIA DE UMA CONSPIRAÇÃO
Na noite de segunda-feira dia 11 não faltaram comentadores, dentro e fora da blogosfera, a afirmar, insinuar, sugerir, que o facto de a comunicação do Primeiro Ministro ter passado em horários diferentes nas várias estações de TV seria o resultado de uma manobra premeditada para perpetuar ao longo de uma hora, em diversos canais, as imagens dessa mesma comunicação.
Claro que se a opção das estações fosse por um simultâneo, as mesmas vozes diriam que se tratava de uma demonstração que Portugal estava no Burkina Faso e que o Primeiro Ministro impunha a sua presença em todos os ecrãs, ao mesmo tempo.
Mas, adiante. Vamos aos factos:
1- A gravação da comunicação foi feita pela RTP e pela RDP, e o seu sinal foi facultado a todos os outros operadores, com a indicção que seria emitido em simultãneo, por meios técnicos previamente ajustados, a partir das 20h00
2- A gravação decorreu e terminou antes dos telejornais das várias estações e o sinal foi fornecido, às 20h00 em ponto, pelos competentes serviços técnicos da RTP e RDP em «clean feed», directo, para todas as estações (Canal 1 da RTP, SIC e TVI, além das estações de rádio, obviammente). A emissão saíu do edifício da Marechal Gomes da Costa em simultâneo para toda a gente.
3- A maneira como cada uma das estações emitiu foi fruto de opções editoriais de cada uma - serão discutíveis, mas foram escolhas de cada um. A SIC, como se viu, optou por manter o directo logo que foi libertado o seu conteúdo e foi a primeira a emitir, logo na abertura do seu jornal, as imagens distribuídas pela central de emissão da RTP; o Canal 1 da RTP entendeu abordar outros assuntos do dia e emitir, em diferido, cerca das oito e meia; e a TVI optou igualmente pelo diferido, ainda mais tarde.
Sugere-se aos autores e divulgadores da grande teoria da conspiração que investiguem se o que acima se relata corresponde ou não à realidade dos factos.
Na noite de segunda-feira dia 11 não faltaram comentadores, dentro e fora da blogosfera, a afirmar, insinuar, sugerir, que o facto de a comunicação do Primeiro Ministro ter passado em horários diferentes nas várias estações de TV seria o resultado de uma manobra premeditada para perpetuar ao longo de uma hora, em diversos canais, as imagens dessa mesma comunicação.
Claro que se a opção das estações fosse por um simultâneo, as mesmas vozes diriam que se tratava de uma demonstração que Portugal estava no Burkina Faso e que o Primeiro Ministro impunha a sua presença em todos os ecrãs, ao mesmo tempo.
Mas, adiante. Vamos aos factos:
1- A gravação da comunicação foi feita pela RTP e pela RDP, e o seu sinal foi facultado a todos os outros operadores, com a indicção que seria emitido em simultãneo, por meios técnicos previamente ajustados, a partir das 20h00
2- A gravação decorreu e terminou antes dos telejornais das várias estações e o sinal foi fornecido, às 20h00 em ponto, pelos competentes serviços técnicos da RTP e RDP em «clean feed», directo, para todas as estações (Canal 1 da RTP, SIC e TVI, além das estações de rádio, obviammente). A emissão saíu do edifício da Marechal Gomes da Costa em simultâneo para toda a gente.
3- A maneira como cada uma das estações emitiu foi fruto de opções editoriais de cada uma - serão discutíveis, mas foram escolhas de cada um. A SIC, como se viu, optou por manter o directo logo que foi libertado o seu conteúdo e foi a primeira a emitir, logo na abertura do seu jornal, as imagens distribuídas pela central de emissão da RTP; o Canal 1 da RTP entendeu abordar outros assuntos do dia e emitir, em diferido, cerca das oito e meia; e a TVI optou igualmente pelo diferido, ainda mais tarde.
Sugere-se aos autores e divulgadores da grande teoria da conspiração que investiguem se o que acima se relata corresponde ou não à realidade dos factos.
outubro 11, 2004
RICOCHETE - Estatística recente diz que Portugal é, de entre todos os Estados da União Europeia alargada, aquele onde se verifica maior fosso entre os muito ricos e os muito pobres e, também, aquele que tem maior percentagem da população (20%) nos níveis de pobreza. Esta é uma das razões pelas quais faz sentido considerar como prioridade nacional medidas de carácter social que possam contribuir para melhorar esta situação. Isto só se conseguirá se o Estado tiver mais meios, ou seja, se conseguir diminuir a despesa noutros sectores. É provavelmente este raciocínio que leva a tocar naquilo que tem sido sempre intocável – uma classe média relativamente recente, mas ainda muito instável e insegura, que não é pobre, mas está longe de ser abastada – e que vive dilacerada no receio da falência do Estado-providência. A ideia, justa, de que o Estado deve seguir o princípio de utilizador-pagador tem certamente por objectivo libertar recursos para implementar políticas sociais para os mais desfavorecidos. Mas as medidas sociais devem sempre ser pensadas para não provocar ricochete, para não se virarem contra quem as implementa – esse é um princípio base da acção política, sobretudo daquela que tem por objectivo defender os interesses dos mais fracos e criar igualdade de oportunidades. Em matéria de política social a coligação vive um dilema: pode o PP ficar com a fama de polícia bom, e o PSD viver com a de polícia mau? A política não pode ser um remake de brincadeiras de «polícias & ladrões».
INTERESSANTE - O Ministério francês da Cultura e Comunicação anunciou que os canais subvencionados pelo Estado, Arte e grupo France Telévision, teriam um aumento de 2,3% nas dotações previstas no orçamento de 2005.
RÁDIO - Lee Abrams foi o homem que nos anos 70 revolucionou a rádio nos Estados Unidos e, depois na Europa. Foi um dos gurus das playlists e das rádios formatadas – como as pioneiras AOR (Album Oriented Rock) - e um dos pioneiros da pesquisa de gostos dos ouvintes.. Pelo caminho, é certo, acabou por contribuir para matar a inovação em matéria musical – mas descobriu como fidelizar audiências. Agora ele está de novo na berra com o trabalho que tem feito na XM, um conjunto de estações de rádio digital de transmissão satélite, que cobrem todos os Estados Unidos. Os novos carros vêm equipados com receptores que permitem ouvir o sinal, mediante o pagamento de uma assinatura de dez dólares mensais. Já existem 2,5 milhões de assinantes e as perspectivas apontam para 20 milhões em 1910. As técnicas de compressão digital que a emissão satélite permite, possibilitam que a XM tenha mais de 130 canais diferentes, cada um para seu género musical, algumas mesmo para pequenos grupos. Os observadores dizem que a XM, e o trabalho de Lee Abrams, estão a revolucionar a rádio e a devolver-lhe o estatuto que ela tinha há duas décadas atrás. Aqui está uma história para seguir. O Governo federal americano concedeu as duas primeiras licenças de emissão rádio via satélite em 1997. E por cá?
BACK TO BASICS – Em democracia há Governo e há oposição.
A PERGUNTA DA SEMANA – O que é que marcou mais o Congresso do PS: a entrada de telepontos na actividade política ou o discurso de Jaime Gama?
O MELHOR DA SEMANA – O artigo «Reféns de Nós Próprios», de João Carlos Espada, no «Expresso» do passado sábado. Excerto: «Temos um sistema soviético de educação, totalmente dirigido por burocratas e computadores, com emprego garantido para quem já o tem, com salários médios superiores ao da OCDE , e totalmente indiferente aos resultados obtidos por cada escola e por cada professor».
O PIOR DA SEMANA – Em Portugal, no ano de 2003, não foram feitas 143 mil análises para assegurar os níveis de qualidade da água, de entre as cerca de um milhão que são obrigatórias.
RECOMENDAÇÃO – O CD «Índigo», de Bernardo Sassetti.
INTERESSANTE - O Ministério francês da Cultura e Comunicação anunciou que os canais subvencionados pelo Estado, Arte e grupo France Telévision, teriam um aumento de 2,3% nas dotações previstas no orçamento de 2005.
RÁDIO - Lee Abrams foi o homem que nos anos 70 revolucionou a rádio nos Estados Unidos e, depois na Europa. Foi um dos gurus das playlists e das rádios formatadas – como as pioneiras AOR (Album Oriented Rock) - e um dos pioneiros da pesquisa de gostos dos ouvintes.. Pelo caminho, é certo, acabou por contribuir para matar a inovação em matéria musical – mas descobriu como fidelizar audiências. Agora ele está de novo na berra com o trabalho que tem feito na XM, um conjunto de estações de rádio digital de transmissão satélite, que cobrem todos os Estados Unidos. Os novos carros vêm equipados com receptores que permitem ouvir o sinal, mediante o pagamento de uma assinatura de dez dólares mensais. Já existem 2,5 milhões de assinantes e as perspectivas apontam para 20 milhões em 1910. As técnicas de compressão digital que a emissão satélite permite, possibilitam que a XM tenha mais de 130 canais diferentes, cada um para seu género musical, algumas mesmo para pequenos grupos. Os observadores dizem que a XM, e o trabalho de Lee Abrams, estão a revolucionar a rádio e a devolver-lhe o estatuto que ela tinha há duas décadas atrás. Aqui está uma história para seguir. O Governo federal americano concedeu as duas primeiras licenças de emissão rádio via satélite em 1997. E por cá?
BACK TO BASICS – Em democracia há Governo e há oposição.
A PERGUNTA DA SEMANA – O que é que marcou mais o Congresso do PS: a entrada de telepontos na actividade política ou o discurso de Jaime Gama?
O MELHOR DA SEMANA – O artigo «Reféns de Nós Próprios», de João Carlos Espada, no «Expresso» do passado sábado. Excerto: «Temos um sistema soviético de educação, totalmente dirigido por burocratas e computadores, com emprego garantido para quem já o tem, com salários médios superiores ao da OCDE , e totalmente indiferente aos resultados obtidos por cada escola e por cada professor».
O PIOR DA SEMANA – Em Portugal, no ano de 2003, não foram feitas 143 mil análises para assegurar os níveis de qualidade da água, de entre as cerca de um milhão que são obrigatórias.
RECOMENDAÇÃO – O CD «Índigo», de Bernardo Sassetti.
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RICOCHETE - Estatística recente diz que Portugal é, de entre todos os Estados da União Europeia alargada, aquele onde se verifica maior fosso entre os muito ricos e os muito pobres e, também, aquele que tem maior percentagem da população (20%) nos níveis de pobreza. Esta é uma das razões pelas quais faz sentido considerar como prioridade nacional medidas de carácter social que possam contribuir para melhorar esta situação. Isto só se conseguirá se o Estado tiver mais meios, ou seja, se conseguir diminuir a despesa noutros sectores. É provavelmente este raciocínio que leva a tocar naquilo que tem sido sempre intocável – uma classe média relativamente recente, mas ainda muito instável e insegura, que não é pobre, mas está longe de ser abastada – e que vive dilacerada no receio da falência do Estado-providência. A ideia, justa, de que o Estado deve seguir o princípio de utilizador-pagador tem certamente por objectivo libertar recursos para implementar políticas sociais para os mais desfavorecidos. Mas as medidas sociais devem sempre ser pensadas para não provocar ricochete, para não se virarem contra quem as implementa – esse é um princípio base da acção política, sobretudo daquela que tem por objectivo defender os interesses dos mais fracos e criar igualdade de oportunidades. Em matéria de política social a coligação vive um dilema: pode o PP ficar com a fama de polícia bom, e o PSD viver com a de polícia mau? A política não pode ser um remake de brincadeiras de «polícias & ladrões».
INTERESSANTE - O Ministério francês da Cultura e Comunicação anunciou que os canais subvencionados pelo Estado, Arte e grupo France Telévision, teriam um aumento de 2,3% nas dotações previstas no orçamento de 2005.
RÁDIO - Lee Abrams foi o homem que nos anos 70 revolucionou a rádio nos Estados Unidos e, depois na Europa. Foi um dos gurus das playlists e das rádios formatadas – como as pioneiras AOR (Album Oriented Rock) - e um dos pioneiros da pesquisa de gostos dos ouvintes.. Pelo caminho, é certo, acabou por contribuir para matar a inovação em matéria musical – mas descobriu como fidelizar audiências. Agora ele está de novo na berra com o trabalho que tem feito na XM, um conjunto de estações de rádio digital de transmissão satélite, que cobrem todos os Estados Unidos. Os novos carros vêm equipados com receptores que permitem ouvir o sinal, mediante o pagamento de uma assinatura de dez dólares mensais. Já existem 2,5 milhões de assinantes e as perspectivas apontam para 20 milhões em 1910. As técnicas de compressão digital que a emissão satélite permite, possibilitam que a XM tenha mais de 130 canais diferentes, cada um para seu género musical, algumas mesmo para pequenos grupos. Os observadores dizem que a XM, e o trabalho de Lee Abrams, estão a revolucionar a rádio e a devolver-lhe o estatuto que ela tinha há duas décadas atrás. Aqui está uma história para seguir. O Governo federal americano concedeu as duas primeiras licenças de emissão rádio via satélite em 1997. E por cá?
BACK TO BASICS – Em democracia há Governo e há oposição.
A PERGUNTA DA SEMANA – O que é que marcou mais o Congresso do PS: a entrada de telepontos na actividade política ou o discurso de Jaime Gama?
O MELHOR DA SEMANA – O artigo «Reféns de Nós Próprios», de João Carlos Espada, no «Expresso» do passado sábado. Excerto: «Temos um sistema soviético de educação, totalmente dirigido por burocratas e computadores, com emprego garantido para quem já o tem, com salários médios superiores ao da OCDE , e totalmente indiferente aos resultados obtidos por cada escola e por cada professor».
O PIOR DA SEMANA – Em Portugal, no ano de 2003, não foram feitas 143 mil análises para assegurar os níveis de qualidade da água, de entre as cerca de um milhão que são obrigatórias.
RECOMENDAÇÃO – O CD «Índigo», de Bernardo Sassetti.
INTERESSANTE - O Ministério francês da Cultura e Comunicação anunciou que os canais subvencionados pelo Estado, Arte e grupo France Telévision, teriam um aumento de 2,3% nas dotações previstas no orçamento de 2005.
RÁDIO - Lee Abrams foi o homem que nos anos 70 revolucionou a rádio nos Estados Unidos e, depois na Europa. Foi um dos gurus das playlists e das rádios formatadas – como as pioneiras AOR (Album Oriented Rock) - e um dos pioneiros da pesquisa de gostos dos ouvintes.. Pelo caminho, é certo, acabou por contribuir para matar a inovação em matéria musical – mas descobriu como fidelizar audiências. Agora ele está de novo na berra com o trabalho que tem feito na XM, um conjunto de estações de rádio digital de transmissão satélite, que cobrem todos os Estados Unidos. Os novos carros vêm equipados com receptores que permitem ouvir o sinal, mediante o pagamento de uma assinatura de dez dólares mensais. Já existem 2,5 milhões de assinantes e as perspectivas apontam para 20 milhões em 1910. As técnicas de compressão digital que a emissão satélite permite, possibilitam que a XM tenha mais de 130 canais diferentes, cada um para seu género musical, algumas mesmo para pequenos grupos. Os observadores dizem que a XM, e o trabalho de Lee Abrams, estão a revolucionar a rádio e a devolver-lhe o estatuto que ela tinha há duas décadas atrás. Aqui está uma história para seguir. O Governo federal americano concedeu as duas primeiras licenças de emissão rádio via satélite em 1997. E por cá?
BACK TO BASICS – Em democracia há Governo e há oposição.
A PERGUNTA DA SEMANA – O que é que marcou mais o Congresso do PS: a entrada de telepontos na actividade política ou o discurso de Jaime Gama?
O MELHOR DA SEMANA – O artigo «Reféns de Nós Próprios», de João Carlos Espada, no «Expresso» do passado sábado. Excerto: «Temos um sistema soviético de educação, totalmente dirigido por burocratas e computadores, com emprego garantido para quem já o tem, com salários médios superiores ao da OCDE , e totalmente indiferente aos resultados obtidos por cada escola e por cada professor».
O PIOR DA SEMANA – Em Portugal, no ano de 2003, não foram feitas 143 mil análises para assegurar os níveis de qualidade da água, de entre as cerca de um milhão que são obrigatórias.
RECOMENDAÇÃO – O CD «Índigo», de Bernardo Sassetti.
DE VOLTA AO NORMAL
Ao fim de quase um ano de crise no PS, eis que volta a haver oposição. O discurso de abertura do Congresso feito por José Sócrates foi muito claro: o alvo é Santana Lopes, mais que o Governo da coligação. Sócrates sabe de onde lhe vem o perigo e não perdeu tempo com minudências.
Uma das consequências deste singelo facto de ter voltado a existir oposição no nosso país, é que se torna mesmo necessário que o Governo faça o que lhe compete – governar. Os primeiros sinais – reformas polémicas, antes anunciadas, mas que andavam de facto empatadas há dois anos ( como a revisão da Lei das Rendas) – já aí estão. Agora falta o resto. A oposição vai atacar o Governo pelo que ele fizer e pelo que deixar de fazer – não vale a pena criar grandes ilusões. Quer isto dizer que quanto melhor fôr o Governo, mais espaço vai ocupar à oposição – essa é a lógica da democracia.
A outra consequência do Congresso do PS, que será também curioso seguir nos próximos tempos, tem a ver com o que irá suceder às oposiçõeszitas que têm ocupado o lugar deixado vago pelo PS – o Bloco de Esquerda e, sobretudo, os sindicatos. O discurso de Jorge Coelho no sábado passado, em apoio de Jaime Gama e José Sócrates, e rejeitando coligações à esquerda, é um sinal claro de como o PS quer recuperar o seu espaço próprio.
O PSD terá sobejas razões para se preocupar nos próximos tempos com uma marcação mais cerrada do PS, mas a verdade é que a vitória de Sócrates vai também provocar um separar das águas à esquerda. Que é que isto quer dizer? - Começou a luta pelo centro.
Ao fim de quase um ano de crise no PS, eis que volta a haver oposição. O discurso de abertura do Congresso feito por José Sócrates foi muito claro: o alvo é Santana Lopes, mais que o Governo da coligação. Sócrates sabe de onde lhe vem o perigo e não perdeu tempo com minudências.
Uma das consequências deste singelo facto de ter voltado a existir oposição no nosso país, é que se torna mesmo necessário que o Governo faça o que lhe compete – governar. Os primeiros sinais – reformas polémicas, antes anunciadas, mas que andavam de facto empatadas há dois anos ( como a revisão da Lei das Rendas) – já aí estão. Agora falta o resto. A oposição vai atacar o Governo pelo que ele fizer e pelo que deixar de fazer – não vale a pena criar grandes ilusões. Quer isto dizer que quanto melhor fôr o Governo, mais espaço vai ocupar à oposição – essa é a lógica da democracia.
A outra consequência do Congresso do PS, que será também curioso seguir nos próximos tempos, tem a ver com o que irá suceder às oposiçõeszitas que têm ocupado o lugar deixado vago pelo PS – o Bloco de Esquerda e, sobretudo, os sindicatos. O discurso de Jorge Coelho no sábado passado, em apoio de Jaime Gama e José Sócrates, e rejeitando coligações à esquerda, é um sinal claro de como o PS quer recuperar o seu espaço próprio.
O PSD terá sobejas razões para se preocupar nos próximos tempos com uma marcação mais cerrada do PS, mas a verdade é que a vitória de Sócrates vai também provocar um separar das águas à esquerda. Que é que isto quer dizer? - Começou a luta pelo centro.
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DE VOLTA AO NORMAL
Ao fim de quase um ano de crise no PS, eis que volta a haver oposição. O discurso de abertura do Congresso feito por José Sócrates foi muito claro: o alvo é Santana Lopes, mais que o Governo da coligação. Sócrates sabe de onde lhe vem o perigo e não perdeu tempo com minudências.
Uma das consequências deste singelo facto de ter voltado a existir oposição no nosso país, é que se torna mesmo necessário que o Governo faça o que lhe compete – governar. Os primeiros sinais – reformas polémicas, antes anunciadas, mas que andavam de facto empatadas há dois anos ( como a revisão da Lei das Rendas) – já aí estão. Agora falta o resto. A oposição vai atacar o Governo pelo que ele fizer e pelo que deixar de fazer – não vale a pena criar grandes ilusões. Quer isto dizer que quanto melhor fôr o Governo, mais espaço vai ocupar à oposição – essa é a lógica da democracia.
A outra consequência do Congresso do PS, que será também curioso seguir nos próximos tempos, tem a ver com o que irá suceder às oposiçõeszitas que têm ocupado o lugar deixado vago pelo PS – o Bloco de Esquerda e, sobretudo, os sindicatos. O discurso de Jorge Coelho no sábado passado, em apoio de Jaime Gama e José Sócrates, e rejeitando coligações à esquerda, é um sinal claro de como o PS quer recuperar o seu espaço próprio.
O PSD terá sobejas razões para se preocupar nos próximos tempos com uma marcação mais cerrada do PS, mas a verdade é que a vitória de Sócrates vai também provocar um separar das águas à esquerda. Que é que isto quer dizer? - Começou a luta pelo centro.
Ao fim de quase um ano de crise no PS, eis que volta a haver oposição. O discurso de abertura do Congresso feito por José Sócrates foi muito claro: o alvo é Santana Lopes, mais que o Governo da coligação. Sócrates sabe de onde lhe vem o perigo e não perdeu tempo com minudências.
Uma das consequências deste singelo facto de ter voltado a existir oposição no nosso país, é que se torna mesmo necessário que o Governo faça o que lhe compete – governar. Os primeiros sinais – reformas polémicas, antes anunciadas, mas que andavam de facto empatadas há dois anos ( como a revisão da Lei das Rendas) – já aí estão. Agora falta o resto. A oposição vai atacar o Governo pelo que ele fizer e pelo que deixar de fazer – não vale a pena criar grandes ilusões. Quer isto dizer que quanto melhor fôr o Governo, mais espaço vai ocupar à oposição – essa é a lógica da democracia.
A outra consequência do Congresso do PS, que será também curioso seguir nos próximos tempos, tem a ver com o que irá suceder às oposiçõeszitas que têm ocupado o lugar deixado vago pelo PS – o Bloco de Esquerda e, sobretudo, os sindicatos. O discurso de Jorge Coelho no sábado passado, em apoio de Jaime Gama e José Sócrates, e rejeitando coligações à esquerda, é um sinal claro de como o PS quer recuperar o seu espaço próprio.
O PSD terá sobejas razões para se preocupar nos próximos tempos com uma marcação mais cerrada do PS, mas a verdade é que a vitória de Sócrates vai também provocar um separar das águas à esquerda. Que é que isto quer dizer? - Começou a luta pelo centro.
outubro 03, 2004
MANIPULAÇÃO - Uma das mais curiosas transformações dos últimos tempos é o aperfeiçoamento da forma como os sindicatos portugueses aprenderam a utilizar os media. No decurso do último ano e meio assiste-se a uma operação bem montada de sistemática divulgação de opiniões de líderes e porta-vozes laborais e sindicais, tratadas como se de notícias se tratassem, todas obviamente no mesmo sentido, que têm por único objectivo dar uma ideia de multiplicação de posições contra o Governo. Muitas vezes uma acção em si, do executivo ou do patronato, é menos noticiada que as reacções que ela suscita. Esta forma de encarar opiniões como se de matéria noticiosa se tratasse é uma dos problemas maiores que atravessa a comunicação em Portugal nestes dias que correm. Esta forma de encarar e trabalhar a informação é manipulação pura e simples, é, quase apetece dizer, a extensão contemporânea da luta de classes.
PARCIALIDADE – Uma leitura e audição atenta das notícias mostra que elas são muitas vezes apresentadas sob a forma de uma interpretação do que aconteceu e não como um relato do que sucedeu. Notícias que começam na negativa (fulano ainda não declarou se faz isto ou aquilo) induzem a pensar que o sujeito da notícia está a falhar qualquer obrigação, o que já é de si um juízo de valor. A utilização abusiva de termos valorativos em vez de descritivos difunde uma opinião em vez de reportar um acontecimento. Este jornalismo «apimentado» por adjectivos e advérbios, fundamentalmente opinativo, está no cerne de uma forma de agir que é tendenciosa. É cada vez mais oportuno reler «Bias- A CBS insider exposes how the media distort the news», de Bernard Goldberg, uma referência do jornalismo norte-americano, que insiste num facto simples: os jornalistas ignoram muitas vezes a sua missão primária: informação objectiva e desinteressada. Goldberg vai mais longe: os preconceitos liberais e de esquerda são os responsáveis pelas mais frequentes manipulações dos factos.
ABUSO – Usa-se e abusa-se da citação, nas mais das vezes uma muleta desnecessária que só serve para ocupar espaço.. Na imprensa escrita citações de fontes políticas não identificadas servem para espalhar a pequena intriga; na rádio ou na televisão o uso e abuso de depoimentos serve para difundir opiniões, muitas vezes não qualificadas, com o único objectivo de ocupar espaço de antena. Em todos os casos o que se mostra não é uma notícia – é uma opinião ou, pior uma insinuação. Nada de relevante: Nada que mereça sequer ser publicado. O propósito da citação deve ser obter em primeira mão a descrição do sucedido por testemunhas dos factos, não registar a sua opinião. A opinião, sendo por si só importante nas sociedades e na comunicação, é a mais irrelevante de todas as coisas no meio de uma notícia.
CÍRCULO FECHADO – Cada vez mais há medias que funcionam em círculo fechado: recados de jornalistas para políticos, destes uns para os outros, e por aí fora. Alguns semanários parecem mais newsletters de grupos de interesses que jornais ou revistas.
BACK TO BASICS – Quando se está num buraco pára-se de cavar.
A PERGUNTA DA SEMANA – Porque é que José Veiga e Pinto da Costa se tratam de forma tão ordinária e têm tanta cobertura com isso?
O MAIS CURIOSO DA SEMANA – Bush folgado à frente de Kerry nas sondagens. Apesar de tudo, apesar dos filmes, dos documentários e da propaganda.
O MELHOR DA SEMANA – O livro «Pela China Dentro, uma viagem de 12 anos», do jornalista António Caeiro, que durante esse tempo foi correspondente da agência Lusa em Pequim – logo a seguir aos incidentes da Praça de Tiananmen. Relatos deliciosos, com um enorme espírito de observação, das grandes mudanças que percorriam um país e uma sociedade.
O PIOR DA SEMANA – O tratamento mediático do desaparecimento da jovem Joana e das investigações sobre o seu assassínio.
PARCIALIDADE – Uma leitura e audição atenta das notícias mostra que elas são muitas vezes apresentadas sob a forma de uma interpretação do que aconteceu e não como um relato do que sucedeu. Notícias que começam na negativa (fulano ainda não declarou se faz isto ou aquilo) induzem a pensar que o sujeito da notícia está a falhar qualquer obrigação, o que já é de si um juízo de valor. A utilização abusiva de termos valorativos em vez de descritivos difunde uma opinião em vez de reportar um acontecimento. Este jornalismo «apimentado» por adjectivos e advérbios, fundamentalmente opinativo, está no cerne de uma forma de agir que é tendenciosa. É cada vez mais oportuno reler «Bias- A CBS insider exposes how the media distort the news», de Bernard Goldberg, uma referência do jornalismo norte-americano, que insiste num facto simples: os jornalistas ignoram muitas vezes a sua missão primária: informação objectiva e desinteressada. Goldberg vai mais longe: os preconceitos liberais e de esquerda são os responsáveis pelas mais frequentes manipulações dos factos.
ABUSO – Usa-se e abusa-se da citação, nas mais das vezes uma muleta desnecessária que só serve para ocupar espaço.. Na imprensa escrita citações de fontes políticas não identificadas servem para espalhar a pequena intriga; na rádio ou na televisão o uso e abuso de depoimentos serve para difundir opiniões, muitas vezes não qualificadas, com o único objectivo de ocupar espaço de antena. Em todos os casos o que se mostra não é uma notícia – é uma opinião ou, pior uma insinuação. Nada de relevante: Nada que mereça sequer ser publicado. O propósito da citação deve ser obter em primeira mão a descrição do sucedido por testemunhas dos factos, não registar a sua opinião. A opinião, sendo por si só importante nas sociedades e na comunicação, é a mais irrelevante de todas as coisas no meio de uma notícia.
CÍRCULO FECHADO – Cada vez mais há medias que funcionam em círculo fechado: recados de jornalistas para políticos, destes uns para os outros, e por aí fora. Alguns semanários parecem mais newsletters de grupos de interesses que jornais ou revistas.
BACK TO BASICS – Quando se está num buraco pára-se de cavar.
A PERGUNTA DA SEMANA – Porque é que José Veiga e Pinto da Costa se tratam de forma tão ordinária e têm tanta cobertura com isso?
O MAIS CURIOSO DA SEMANA – Bush folgado à frente de Kerry nas sondagens. Apesar de tudo, apesar dos filmes, dos documentários e da propaganda.
O MELHOR DA SEMANA – O livro «Pela China Dentro, uma viagem de 12 anos», do jornalista António Caeiro, que durante esse tempo foi correspondente da agência Lusa em Pequim – logo a seguir aos incidentes da Praça de Tiananmen. Relatos deliciosos, com um enorme espírito de observação, das grandes mudanças que percorriam um país e uma sociedade.
O PIOR DA SEMANA – O tratamento mediático do desaparecimento da jovem Joana e das investigações sobre o seu assassínio.
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MANIPULAÇÃO - Uma das mais curiosas transformações dos últimos tempos é o aperfeiçoamento da forma como os sindicatos portugueses aprenderam a utilizar os media. No decurso do último ano e meio assiste-se a uma operação bem montada de sistemática divulgação de opiniões de líderes e porta-vozes laborais e sindicais, tratadas como se de notícias se tratassem, todas obviamente no mesmo sentido, que têm por único objectivo dar uma ideia de multiplicação de posições contra o Governo. Muitas vezes uma acção em si, do executivo ou do patronato, é menos noticiada que as reacções que ela suscita. Esta forma de encarar opiniões como se de matéria noticiosa se tratasse é uma dos problemas maiores que atravessa a comunicação em Portugal nestes dias que correm. Esta forma de encarar e trabalhar a informação é manipulação pura e simples, é, quase apetece dizer, a extensão contemporânea da luta de classes.
PARCIALIDADE – Uma leitura e audição atenta das notícias mostra que elas são muitas vezes apresentadas sob a forma de uma interpretação do que aconteceu e não como um relato do que sucedeu. Notícias que começam na negativa (fulano ainda não declarou se faz isto ou aquilo) induzem a pensar que o sujeito da notícia está a falhar qualquer obrigação, o que já é de si um juízo de valor. A utilização abusiva de termos valorativos em vez de descritivos difunde uma opinião em vez de reportar um acontecimento. Este jornalismo «apimentado» por adjectivos e advérbios, fundamentalmente opinativo, está no cerne de uma forma de agir que é tendenciosa. É cada vez mais oportuno reler «Bias- A CBS insider exposes how the media distort the news», de Bernard Goldberg, uma referência do jornalismo norte-americano, que insiste num facto simples: os jornalistas ignoram muitas vezes a sua missão primária: informação objectiva e desinteressada. Goldberg vai mais longe: os preconceitos liberais e de esquerda são os responsáveis pelas mais frequentes manipulações dos factos.
ABUSO – Usa-se e abusa-se da citação, nas mais das vezes uma muleta desnecessária que só serve para ocupar espaço.. Na imprensa escrita citações de fontes políticas não identificadas servem para espalhar a pequena intriga; na rádio ou na televisão o uso e abuso de depoimentos serve para difundir opiniões, muitas vezes não qualificadas, com o único objectivo de ocupar espaço de antena. Em todos os casos o que se mostra não é uma notícia – é uma opinião ou, pior uma insinuação. Nada de relevante: Nada que mereça sequer ser publicado. O propósito da citação deve ser obter em primeira mão a descrição do sucedido por testemunhas dos factos, não registar a sua opinião. A opinião, sendo por si só importante nas sociedades e na comunicação, é a mais irrelevante de todas as coisas no meio de uma notícia.
CÍRCULO FECHADO – Cada vez mais há medias que funcionam em círculo fechado: recados de jornalistas para políticos, destes uns para os outros, e por aí fora. Alguns semanários parecem mais newsletters de grupos de interesses que jornais ou revistas.
BACK TO BASICS – Quando se está num buraco pára-se de cavar.
A PERGUNTA DA SEMANA – Porque é que José Veiga e Pinto da Costa se tratam de forma tão ordinária e têm tanta cobertura com isso?
O MAIS CURIOSO DA SEMANA – Bush folgado à frente de Kerry nas sondagens. Apesar de tudo, apesar dos filmes, dos documentários e da propaganda.
O MELHOR DA SEMANA – O livro «Pela China Dentro, uma viagem de 12 anos», do jornalista António Caeiro, que durante esse tempo foi correspondente da agência Lusa em Pequim – logo a seguir aos incidentes da Praça de Tiananmen. Relatos deliciosos, com um enorme espírito de observação, das grandes mudanças que percorriam um país e uma sociedade.
O PIOR DA SEMANA – O tratamento mediático do desaparecimento da jovem Joana e das investigações sobre o seu assassínio.
PARCIALIDADE – Uma leitura e audição atenta das notícias mostra que elas são muitas vezes apresentadas sob a forma de uma interpretação do que aconteceu e não como um relato do que sucedeu. Notícias que começam na negativa (fulano ainda não declarou se faz isto ou aquilo) induzem a pensar que o sujeito da notícia está a falhar qualquer obrigação, o que já é de si um juízo de valor. A utilização abusiva de termos valorativos em vez de descritivos difunde uma opinião em vez de reportar um acontecimento. Este jornalismo «apimentado» por adjectivos e advérbios, fundamentalmente opinativo, está no cerne de uma forma de agir que é tendenciosa. É cada vez mais oportuno reler «Bias- A CBS insider exposes how the media distort the news», de Bernard Goldberg, uma referência do jornalismo norte-americano, que insiste num facto simples: os jornalistas ignoram muitas vezes a sua missão primária: informação objectiva e desinteressada. Goldberg vai mais longe: os preconceitos liberais e de esquerda são os responsáveis pelas mais frequentes manipulações dos factos.
ABUSO – Usa-se e abusa-se da citação, nas mais das vezes uma muleta desnecessária que só serve para ocupar espaço.. Na imprensa escrita citações de fontes políticas não identificadas servem para espalhar a pequena intriga; na rádio ou na televisão o uso e abuso de depoimentos serve para difundir opiniões, muitas vezes não qualificadas, com o único objectivo de ocupar espaço de antena. Em todos os casos o que se mostra não é uma notícia – é uma opinião ou, pior uma insinuação. Nada de relevante: Nada que mereça sequer ser publicado. O propósito da citação deve ser obter em primeira mão a descrição do sucedido por testemunhas dos factos, não registar a sua opinião. A opinião, sendo por si só importante nas sociedades e na comunicação, é a mais irrelevante de todas as coisas no meio de uma notícia.
CÍRCULO FECHADO – Cada vez mais há medias que funcionam em círculo fechado: recados de jornalistas para políticos, destes uns para os outros, e por aí fora. Alguns semanários parecem mais newsletters de grupos de interesses que jornais ou revistas.
BACK TO BASICS – Quando se está num buraco pára-se de cavar.
A PERGUNTA DA SEMANA – Porque é que José Veiga e Pinto da Costa se tratam de forma tão ordinária e têm tanta cobertura com isso?
O MAIS CURIOSO DA SEMANA – Bush folgado à frente de Kerry nas sondagens. Apesar de tudo, apesar dos filmes, dos documentários e da propaganda.
O MELHOR DA SEMANA – O livro «Pela China Dentro, uma viagem de 12 anos», do jornalista António Caeiro, que durante esse tempo foi correspondente da agência Lusa em Pequim – logo a seguir aos incidentes da Praça de Tiananmen. Relatos deliciosos, com um enorme espírito de observação, das grandes mudanças que percorriam um país e uma sociedade.
O PIOR DA SEMANA – O tratamento mediático do desaparecimento da jovem Joana e das investigações sobre o seu assassínio.
setembro 28, 2004
DEBATE – Apesar dos ataques pessoais iniciais – às vezes a roçarem a intriga - o debate em torno das eleições para Secretário-Geral significa um considerável avanço em termos da actividade partidária em Portugal. Na verdade trata-se de umas eleições primárias entre vários candidatos do mesmo partido, que durante umas semanas mostraram diferenças, expuseram divergências, delinearam estratégias e tácticas para o futuro. É um bom princípio – contraria a perversão do unanimismo, os debates redutores dos Congressos (cada vez menos interessantes...), estende a discussão à própria sociedade. É certo que o modelo das «primárias», nos Estados Unidos, dura vários meses e acaba por ser o processo determinante – lá as Convenções são apenas um ritual de celebração, mais mediático que outra coisa, e tão previsível que as próprias televisões já começaram a deixar de lhes dar grande importância. O PS foi o primeiro partido a seguir, e bem, esta via que, por acaso, já havia sido proposta para o PSD há uns anos por Pedro Santana Lopes.
AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?
PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?
BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.
O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.
O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.
A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?
SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.
AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?
PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?
BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.
O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.
O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.
A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?
SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.
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DEBATE – Apesar dos ataques pessoais iniciais – às vezes a roçarem a intriga - o debate em torno das eleições para Secretário-Geral significa um considerável avanço em termos da actividade partidária em Portugal. Na verdade trata-se de umas eleições primárias entre vários candidatos do mesmo partido, que durante umas semanas mostraram diferenças, expuseram divergências, delinearam estratégias e tácticas para o futuro. É um bom princípio – contraria a perversão do unanimismo, os debates redutores dos Congressos (cada vez menos interessantes...), estende a discussão à própria sociedade. É certo que o modelo das «primárias», nos Estados Unidos, dura vários meses e acaba por ser o processo determinante – lá as Convenções são apenas um ritual de celebração, mais mediático que outra coisa, e tão previsível que as próprias televisões já começaram a deixar de lhes dar grande importância. O PS foi o primeiro partido a seguir, e bem, esta via que, por acaso, já havia sido proposta para o PSD há uns anos por Pedro Santana Lopes.
AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?
PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?
BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.
O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.
O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.
A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?
SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.
AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?
PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?
BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.
O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.
O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.
A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?
SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.
setembro 23, 2004
MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.
ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.
MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »
BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.
O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.
O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.
A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?
SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.
ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.
MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »
BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.
O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.
O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.
A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?
SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.
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MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.
ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.
MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »
BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.
O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.
O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.
A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?
SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.
ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.
MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »
BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.
O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.
O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.
A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?
SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.
setembro 13, 2004
A ESQUINA IMPRESSA ( da edição de sexta-feira passada do «Jornal de Negócios»)
O NOVO QUOTIDIANO
TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.
POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».
AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.
SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.
ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.
DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.
O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.
O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.
A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?
SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).
O NOVO QUOTIDIANO
TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.
POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».
AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.
SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.
ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.
DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.
O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.
O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.
A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?
SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).
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A ESQUINA IMPRESSA ( da edição de sexta-feira passada do «Jornal de Negócios»)
O NOVO QUOTIDIANO
TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.
POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».
AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.
SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.
ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.
DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.
O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.
O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.
A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?
SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).
O NOVO QUOTIDIANO
TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.
POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».
AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.
SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.
ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.
DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.
O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.
O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.
A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?
SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).
setembro 10, 2004
POR OUTRA DIREITA
As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.
Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.
Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.
A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.
Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.
Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.
As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.
Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.
Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.
A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.
Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.
Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.
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POR OUTRA DIREITA
As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.
Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.
Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.
A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.
Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.
Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.
As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.
Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.
Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.
A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.
Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.
Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.
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