
O ECRÃ MÁGICO - O poder atrai a imagem e a imagem glorifica o poder. Por isso muita da acção de propaganda dos políticos continua ainda a passar pela televisão, apesar de os blocos informativos dos canais generalistas já terem tido melhores audiências. Hoje, do total da população portuguesa, perto dos 10 milhões de pessoas, há cerca de 8,2 milhões que vêem regularmente televisão e, destes, apenas 40% vê os canais generalistas, enquanto cerca de 20% vê plataformas de streaming e cerca de 40% vê o conjunto dos canais de cabo. Se olharmos para números recentes, de Julho, constatamos que, nos seus melhores dias, o Telejornal da RTP tem uma audiência de cerca de 660 mil pessoas, o Jornal 2 é visto por cerca de 64 mil, o Jornal da Noite da SIC anda nos 950 mil e o Jornal Nacional da TVI consegue cerca de 720 mil. Ao todo, os principais blocos informativos do país são vistos por cerca de 2,4 milhões de pessoas de entre os 8,2 milhões que olham para o aparelho de televisão - o que quer dizer que quase seis milhões não liga aos noticiários. E quando ligam às notícias, que imagens lhes oferecem? Socorro-me de números recentes da Marktest: em junho de 2025, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, manteve-se na liderança da exposição mediática na TV, ao protagonizar 139 notícias de 6 horas e 4 minutos de duração durante o mês; o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, subiu à segunda posição, com 116 notícias de 5 horas e 11 minutos de duração; André Ventura, presidente do Chega, manteve a terceira posição, protagonizando em junho 105 notícias de 4 horas e 52 minutos de duração; José Luís Carneiro, eleito este mês secretário-geral do PS, ocupou a quarta posição, intervindo em 101 notícias com 4 horas e 11 minutos de duração; Mariana Mortágua, coordenadora do Bloco de Esquerda, subiu à quinta posição, com 62 notícias de 3 horas e 12 minutos de duração. Na lista dos dez nomes com maior presença nas notícias em Junho passado estão ainda, por esta ordem, Roberto Martínez (selecionador nacional de futebol), Paulo Raimundo (secretário-geral do PCP), Gouveia e Melo (candidato à Presidência da República), António Leitão Amaro (ministro da Presidência) e Inês Sousa Real (porta-voz do PAN). Este é o estado da Nação, algo de que pouco se fala em S. Bento.
SEMANADA - Oeiras, Lisboa, Alcochete, Cascais e Coimbra são os cinco municípios com os rendimentos por pessoa mais elevados e Resende é o município com rendimento mais baixo; o rendimento médio da região do Algarve é o menor de Portugal continental; o preço médio de um quarto para estudante ultrapassou os 400 euros e em Lisboa chega a atingir 700 euros; apesar de em 2024 o parque habitacional ter ganho mais 28 mil novos fogos os preços continuam a subir mais de 10%; em 14 dos 24 grandes municípios o salário mínimo não chega para pagar uma renda de uma habitação de 80 metros quadrados; a compra anual per capita de livros em Portugal é de 1,3 que compara com 1,7 em Espanha, 2,6 na Bélgica, 2,9 no Reino Unido e 4,6 em França; este ano o turismo norte-americano em Portugal já aumentou 6% e os Estados Unidos são o mercado emissor que mais cresce entre os 10 países que lideram o turismo estrangeiro em Portugal; as cidades de Lisboa e Porto estão no top 20 das taxas turísticas mais caras na Europa, ocupando, respectivamente, a 16.ª e 20.ª posição; a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no primeiro trimestre de 2025 permanece muito aquém do ritmo necessário para cumprir as metas de 2025 e alcançou apenas 7,2% do objectivo anual; 30% dos governadores dos bancos centrais europeus vêm dos governos dos respectivos países; nos próximos cinco anos vão ser precisos cinco mil novos professores nos diversos graus de ensino; nos primeiros seis meses do ano a GNR registou um aumento de 25,9% de infracções por condução com excesso de álcool e de 38,9% por condução sem carta.
O ARCO DA VELHA - O Tribunal de Coimbra condenou a uma pena de prisão suspensa um homem de 24 anos por ter violado uma rapariga de 18 anos que estava inconsciente. A vítima era amiga da namorada do rapaz.

UMA HISTÒRIA DE ÁFRICA - V.S. Naipaul escreveu sobre as viagens que fez, o mundo que descobriu, desde Trinidad, onde nasceu, até Londres onde viveu, depois de ter estudado em Oxford. Os seus primeiros livros revisitam as suas memórias de Trinidad, antes de ir para o Reino Unido. Mais tarde visitou a Índia, de onde a sua família era originária, e escreveu sobre esse país e a sua cultura, que lhe causou profunda impressão. A sua escrita, riquíssima, deu-lhe um Prémio Nobel de Literatura em 2001, uma entre as muitas distinções que recebeu. O livro que aqui vos sugiro, “ A Curva do Rio” foi escrito em 1977 e 1978 e publicado em 1979. É o fruto da sua descoberta de África, dos países que tinham iniciado um processo de descolonização e das divisões tribais, sociais e raciais que marcaram essa época, aliada ao surgimento da corrupção de poderes locais e de uma grande instabilidade política. “A Curva do Rio” é um relato disso mesmo, situado num país africano sem nome, narrado pela voz de Salim, um comerciante de ascendência indiana, personagem que tenta navegar as ondas turbulentas da época e que acaba por ter que fugir de África para a Europa. E é um livro que marca o início da exploração literária de Naipaul sobre tradições históricas nativas, em vez dos seus relatos do ambiente em que nascera em Trinidad e em que vivia no Reino Unido. O livro foi editado em Portugal pela primeira vez em 2011 e reeditado agora pela Quetzal.

FOTOGRAFIA EM COIMBRA - Em Coimbra, até 24 de Agosto, no Museu Municipal de Coimbra – Edifício Chiado está patente a exposição de fotografia “To travel the road of possibilities”, com obras de António Júlio Duarte (na imagem) , José Maçãs de Carvalho, Pedro Medeiros e Rui Calçada Bastos. Todos os fotógrafos representados têm construído a sua obra a partir da experiência de viagens entre Portugal e vários lugares no mundo, nomeadamente com permanências longas e extensas na Ásia, com especial incidência em Macau. O curador da exposição, José Maçãs de Carvalho sublinha que “To travel the road of possibilities” propõe uma reflexão sobre a relação histórica entre a fotografia e a viagem, o título é retirado de uma entrevista com Robert Frank e remete para a viagem como lugar de descoberta e experiência, traço comum nas obras apresentadas. Ainda em Coimbra, por iniciativa do Centro de Artes Visuais, e prosseguindo no âmbito da fotografia, está patente até 20 de Setembro a exposição "Cave” que apresenta obras da Colecção dos Encontros de Fotografia de Coimbra. A exposição, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez ocupa os 3 pisos do antigo armazém de móveis “A Feira”, junto à Estação Nova, na rua António Granjo, 6D . Esta exposição conta com obras, entre outros, de Albano Silva Pereira; Álvaro Rosendo, André Cepeda, Bernard Plossu, Daniel Blaufuks, Debbie Fleming Caffery, Hannah Starkey, Inês Gonçalves & Kiluanje Liberdade, Larry Fink, Marianne Müller, Paulo Nozolino, Victor Torpedo, Wim Wenders e Carlos Lobo.

ROTEIRO - Em Lisboa pode-se ver até Novembro a exposição “Neorrealismos”, que aborda a politização da Arte em Júlio Pomar. A partir de meados da década de 1950 Pomar incorporou a politização do seu trabalho artístico, a par da sua sempre presente atracção pela experimentação formal. O Atelier-Museu Júlio Pomar, onde decorre a exposição, sublinha que a exposição propõe “uma revisitação de diferentes momentos e linguagens do trabalho visual de Júlio Pomar, ao longo de 50 anos de criação plástica e gráfica”. Além de documentação histórica, a exposição conta com mais de cinquenta obras, provenientes de colecções públicas e privadas em Portugal. Entre elas encontram- se algumas das telas mais emblemáticas de Pomar, como “O Almoço do Trolha” (na imagem), “Gadanheiro”, “Guantanamo” e outras raramente vistas, como “Carpinteiros” ou “Marcha” (1946). Também estão expostos os desenhos que Pomar realizou na Prisão de Caxias, os cartazes que fez para a celebração de várias efemérides ligadas à Revolução do 25 de Abril de 1974, ou ainda as ilustrações que concebeu para o romance “A Selva” de Ferreira de Castro. A curadoria é de Afonso Dias Ramos e Mariana Pinto dos Santos. Na Sociedade Nacional de Belas Artes pode ver “ Os Poderes da Imagem- 40 anos do Centro Português de Serigrafia” que reúne uma seleção de 40 obras editadas pelo Centro , com obras de Júlio Pomar, José de Guimarães, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny, assim como nomes ligados à arte urbana como Vhils e Miguel Januário, artistas estrangeiros como Ken Rinaldo e ORLAN e arquitectos como Álvaro Siza, e ainda a primeira serigrafia com realidade aumentada, criada por Leonel Moura.

PIANO TRIO - Fred Hersch, hoje com 70 anos, é um dos grandes pianistas de jazz, discípulo de Thelonius Monk e Bill Evans, mas com um estilo muito pessoal. No seu novo disco,”The Surrounding Green”, o terceiro para a ECM, percorre temas originais e versões de temas de outros compositores, acompanhado pelo baixista Drew Gress e o baterista Joey Baron. Dos sete temas, três são originais de Hersch, “Plainsong”, “The Surrounding Green” e “Anticipation”. Pode ainda ouvir “Law Years” de Ornette Coleman, “Palhaço” de Egberto Gismonti, “Embraceable You” dos irmãos Gershwin, e “First Song” de Charlie Haden.
ALMANAQUE - Até 5 de Outubro decorrem os Rencontres de Photographie em Arles, no sul de França, que este ano apresentam 47 exposições, com temas que vão dos povos primitivos da Austrália à fotografia brasileira contemporânea, mostras dedicadas à obra de Nan Goldin, Louis Stettner, Yves Saint Laurent ou Letizia Battaglia, mas também uma curiosa mostra de fotografia anónima, saída de arquivos históricos, sem autores atribuídos, mas com uma enorme importância documental.
DIXIT - “Antes de ir a banhos, o governo da AD resolveu pôr um presentinho em cada toalha: suplemento para pensionistas, baixa de IRC, mão firme na imigração. (...) com autárquicas à porta e presidenciais logo a seguir, é uma receita promissora. Como atitude reformista, nem por isso” - João Pereira Coutinho, na “Sábado”.
BACK TO BASICS - “Não sei quais as armas que serão usadas na III Guerra Mundial, mas estou certo que a IV Guerra Mundial será combatida com paus e pedras” - Albert Einstein
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS





































